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Revista Consensu Uespar

Popular Pages


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Revista Acadêmica da Uespar - União de Ensino Superior do Paraná Edição Nº 04 - 2014/15

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EDITORIAL SUMÁRIO Caros Leitores, Este é um ano muito especial para a UESPAR! Completa 10 anos de funcionamento, contribuindo para a construção de nossa Cidade, Estado e País. Acompanhar e adequar-se às mudanças tem sido uma tônica diária da UESPAR, considerando que o mundo do conhecimento não é estático, pelo contrário, está em permanente evolução, procurando respostas para todos os questionamentos e necessidades cotidianas. Lembrar do que fomos há 10 anos e visualizar o que somos hoje não é apenas nostalgia, é reconhecer as experiências acumuladas que contribuíram para o amadurecimento da instituição. No início, eram duas turmas de Administração que acreditaram na proposta da UESPAR. Eram acadêmicos que há algum tempo esperavam para graduar-se sem ter que enfrentar as distâncias até outras cidades e viam na faculdade a possibilidade de realizar os seus projetos. Tudo era novidade para aqueles acadêmicos: a primeira atividade de Responsabilidade Social foi um espetáculo. As turmas se comprometeram em vender kits para limpeza fabricados pelos alunos da APAE de Palotina. Acadêmicos batendo de porta em porta, oferecendo os produtos e ajudando a Escola que até hoje desempenha papel importante com alunos especiais. Visitando os mais diversos estabelecimentos de nossa cidade e também de cidades vizinhas, encontramos nossos egressos desempenhando atividades fundamentais nas empresas. Esse é o resultado que cada vez mais estimula a instituição a melhorar as suas práticas pedagógicas, muitas delas ligadas a práticas de gestão empresarial. O curso de Ciências Contábeis, preenchendo uma lacuna importante da área contábil em nossa região veio em seguida. Alguns de nossos egressos encaminharam-se para mestrados e já fazem parte de nosso corpo docente. O Curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, implantado em 2008, promove a formação de profissionais na área de TI, e apresenta uma possibilidade real de trabalho a esses profissionais mesmo antes da conclusão do curso. E, o caçula de nossa IES, o Curso de Artes Visuais, que vem desempenhando com esmero e dedicação seus trabalhos nas escolas e na comunidade. Em uma década de história ampliamos nossas fronteiras e somos representados pelos acadêmicos em outras cidades da região. Enfim, 10 anos de história representam uma trajetória que envolve milhares de pessoas. A UESPAR faz parte da vida destas pessoas e estas pessoas são a razão de existir da UESPAR. Edelar Bulegon. Diretor da FACITEC 03 04 06 08 09 10 13 14 17 18 20 21 22 24 26 27 Pague a faculdade sem dificuldade SEU BOLSO O segredo do sucesso EMPRESÁRIO MARKETING EVOLUÇÃO Sua empresa está na mente ou no coração do seu cliente? Pequenos e potentes Viva a arte ARTES VISUAIS PESQUISA O que os jovens pensam sobre a política brasileira? Tecnologia embarcada, o que é? DISPOSITIVO Custo de Produção Agrícola: um estudo de caso na produção de eucaliptos em uma pequena propriedade rural ARTIGO GRADUAÇÃO APRENDIZADO COMEMORAÇÃO Xô timidez 10 anos em alguns minutos Docência como prática especificamente humana ARTIGO DE OPINIÃO EXPERIÊNCIAS Aprendendo a ser empreendedor Bacharelado, Licenciatura ou Tecnólogo? O que mais combina com você? CURSOS DE GRADUAÇÃO CLIQUES DICAS STARTUPS E o tempo passou... EXPEDIENTE Presidente da Uespar: Mércio Francisco Paludo Diretor da Facitec: Edelar Bulegon Coordenadora do Curso de Administração: Silvana Filippi Chiela Rodrigues Coordenador do Curso de Ciências Contábeis: Egídio Leopoldo Scherer Coordenador do Curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (TADS): Paulo Ivando Kempfer e Denise Maria Cotoman Coordenadora do Curso de Artes Visuais: Eliane Maria Cabral Beck Produção e Edição Jornalística: Lariane Aline Paludo - Lap Comunicação Corporativa Revisoras: Eliane Maria Cabral Beck e Silvana Filippi Chiela Rodrigues Projeto Gráfico: Kadabra Design Estratégico Gráfica: Imprevale. Tiragens: 700 UESPAR - União de Ensino Superior do Paraná Avenida Presidente Kennedy, 2300, Palotina -Pr (44) 3649 9002 | www.uespar.edu.br | uespar@uespar.edu.br

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SEU BOLSO PAGUE A FACULDADE SEM DIFICULDADE Concessão de empréstimos e convênios para financiar a graduação permite o ingresso de mais pessoas no ensino superior foto:divulgação/internet C ursar uma faculdade deixou de ser algo para poucos. Com as opções de financiamento cada vez mais diversificadas, os alunos estão conseguindo ingressar no ensino superior com mais facilidade. Além dos benefícios oferecidos pelo MEC, por meio do FIES e PROUNI, os acadêmicos da UESPAR contam ainda com bolsas e convênios personalizados. As novas regras do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) trouxeram melhorias significativas para os estudantes. A taxa de juros que até 2006 era de 9% ao ano, passou a ser de 0,28% ao mês, com carência para pagamento de 18 meses e amortização de três vezes o tempo que o acadêmico leva para concluir o curso, com acréscimo de 12 meses. Além disso, alunos de medicina e licenciaturas podem pagar a sua dívida por meio de trabalho para a rede pública. A mudança proporcionou um aumento de 630% do financiamento nos últimos quatro anos, segundo o Semesp (Sindicato das Entidades Mantendoras do Ensino Superior no Estado de São Paulo). O Programa Universidade para Todos (Prouni) teve um incremento de 28% no Na Uespar quase metade dos alunos (43%) são bolsistas número de bolsas na metade de 2014 em comparação ao mesmo período do ano passado. O Ministério da Educação ofereceu 115.101 bolsas, das quais 73.601 são integrais e 41.500 parciais. O curso de Administração recebeu o maior número de bolsas: 13.168. Foi graças ao Prouni que a egressa do curso de Administração da Uespar, Suzana Zanettin, concluiu a faculdade. “Meu salário mal dava para pagar as mensalidades, porém persisti e consegui uma bolsa do Prouni, depois disso ainda fiz uma pós-graduação em Gestão Financeira e Controladoria”, conta. Além dos programas de financiamento do governo, a Uespar oferece bolsas e convênios com empresas, escolas e entidades. Na instituição quase metade dos alunos (43%) são bolsistas. “Com os programas de financiamento, bolsas e convênios conseguimos combater a evasão, diminuir a inadimplência e ainda beneficiamos os alunos. Por causa destes incentivos, a instituição pode trazer um estudante que antes não teria acesso ao ensino superior”, diz o presidente da Uespar, Mércio Francisco Paludo. CONHEÇA OS PROGRAMAS DE FINANCIAMENTO E CONVÊNIOS QUE A UESPAR OFERECE PROUNI O que é: Programa Universidade Para Todos, é um programa do Ministério da Educação que concede bolsas de estudo integrais e parciais (50%) em instituições privadas de ensino superior, em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, a estudantes brasileiros, sem diploma de nível superior. Quem pode participar: Estudantes egressos do ensino médio da rede pública ou da rede particular na condição de bolsistas integrais da própria escola, estudantes com deficiência e professores da rede pública de ensino do quadro permanente que concorrerem a cursos de licenciatura. Como funciona: Para concorrer às bolsas integrais, o candidato deve comprovar renda familiar bruta mensal, por pessoa, de até um salário mínimo e meio. Para as bolsas parciais (50%), a renda familiar bruta mensal deve ser de até três salários mínimos por pessoa. Mais informações: siteprouni.mec.gov.br * Para saber mais sobre os convênios entre em contato com a Uespar FIES O que é: Fundo de Financiamento Estudantil, é um programa do Ministério da Educação destinado a financiar a graduação na educação superior de estudantes matriculados em instituições privadas. Podem recorrer ao financiamento os estudantes matriculados em cursos superiores que tenham avaliação positiva nos processos conduzidos pelo MEC. Quem pode participar: Estudantes regularmente matriculados em um curso de graduação. A renda familiar mensal bruta precisa ser de, no máximo, 20 salários mínimos. O aluno pode solicitar o financiamento a qualquer momento, inclusive durante o curso. Como funciona: De 50% a 100% dos encargos educacionais podem ser financiados, de acordo com a renda familiar bruta. A taxa de juros é de 0,28% ao mês. Mais informações: sisfiesportal.mec.gov.br Convênio Rotary Os clubes de Rotary das cidades de Palotina e Terra Roxa selecionam a cada ano novos alunos para cursarem uma graduação na Uespar com bolsas integrais e parciais. Convênio Escolas Os alunos com bom desempenho são encaminhados pela escola para a instituição (Uespar) e recebem bolsas de estudo. Convênio Empresas Colaboradores têm desconto na mensalidade, calculado proporcionalmente à quantidade de acadêmicos da empresa, matriculados na instituição. Revista Acadêmica da Uespar 3

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EMPRESÁRIO O SEGREDO DO SUCESSO Empresários paranaenses contam como transformaram suas empresas em grandes negócios D iversas características definem um empresário de sucesso. Se ele é um bom gestor é capaz de aumentar o faturamento da empresa, atrair os melhores funcionários para a sua equipe e fazer com que os produtos e serviços atendam ao padrão de qualidade exigido pelo mercado ou que superem as expectativas dos seus clientes. São fatores importantes, mas não é só isso que o diferencia dos demais. Além de atender aos preceitos básicos de um planejamento estratégico que visa, acima de tudo, o lucro, empreendedores mostram que por trás disso existe uma missão que os move, seja transformar a vida das pessoas, realizar um sonho ou até mesmo mudar a realidade de uma cidade. Para mostrar na prática estes cases, a Uespar promoveu, no mês de agosto de 2014, o I Empresário de Sucesso em Palotina – PR. O seminário contou com a participação de importantes nomes no cenário regional: Celma de Assis Rossato, idealizadora e proprietária da Paraíso - uma das maiores indústrias nacionais no segmento de moda bebê com matriz na cidade de Terra Roxa; Leandro Scalabrin, diretor executivo e comercial da SWA – empresa de sistemas acadêmicos, localizada em Medianeira, coleciona premiações, entre elas a de melhor empresa do Paraná que dissemina boas práticas de gestão pela MPE; e Márcio Brondani, gerente da maior e mais antiga oficina mecânica de Palotina. O evento reuniu centenas de estudantes e empresários de Palotina e região que buscavam conhecimento e fontes de inspiração para empreender. Como foi o caso do estudante do 1º ano do curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Wesley Ribeiro da Costa, que se entusiasmou com a história dos palestrantes. “Para empreender não existe uma receita de bolo. O negócio é saber enxergar uma possibilidade e trabalhar nela”, diz. Aluno do 2º ano de TADS, Maurício Trevisan, entendeu que o percurso de um em- preendedor não é tão simples como ele pensava. “É preciso ter muita persistência para enfrentar as dificuldades. Fiquei motivado com a história dos empresários”, relata. Gustavo Pavan, aluno do 1º ano do curso de Administração, aproveitou o seminário para aprender e esclarecer dúvidas. “A clareza na exposição dos profissionais quanto aos seus negócios fez eu me sentir no lugar deles, entender como funciona de verdade uma empresa e como superar as principais dificuldades”, destaca o jovem. Márcio Brondani, Leandro Scalabrin, Celma de Assis Rossato (da esquerda para direita) e representantes da Uespar Estudantes e empresários de Palotina e região buscam conhecimento e fontes de inspiração para empreender foto:Lariane Paludo 4 Revista Acadêmica da Uespar foto:Lariane Paludo

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EMPRESÁRIO “MAIS QUE TRABALHO, UMA MISSÃO” Idealizadora e proprietária de uma das maiores indústrias nacionais no segmento de moda bebê, Celma lidera hoje, com o marido Eugênio Rossato, e os quatro filhos Jean, Daiane, Ronie e Aline, a empresa que levou o município de Terra Roxa ao título de capital da moda bebê. Pioneira do ramo e com 22 anos de história, a Paraíso emprega hoje quase 1.000 pessoas e distribui a produção para três mil lojas em todo o Brasil. Empresária reconhecida em Terra Roxa e região, Celma diz seguir uma missão: contribuir para uma sociedade mais justa e igualitária. Emprega este conceito em sua vida, nos diversos projetos sociais que coordena, e dentro da empresa proporciona aos seus funcionários a valorização profissional. Com uma população de 17 mil habitantes, Terra Roxa não consegue ofertar toda mão de obra necessária para as indústrias da cidade. Este problema fez com que a empresária criasse estratégias para atrair novos interessados para suprir a mão de obra, principalmente para o setor operacional da empresa. A mais recente estratégia é construir casas populares em Terra Roxa com o objetivo de atrair pessoas de outras cidades para trabalhar na indústria. Outra iniciativa é proporcionar um ambiente de trabalho cada vez mais agradável para os seus funcionários. “A primeira coisa que observo é aquele brilho nos olhos. Na minha empresa ninguém pode trabalhar triste”, enfatiza Celma. CELMA DE ASSIS ROSSATO Proprietária da indústria Paraíso Moda Bebê, de Terra Roxa – PR “ONDE EXISTE UM PROBLEMA, EXISTE UMA OPORTUNIDADE” O grande desafio no mundo dos negócios é saber identificar no problema uma oportunidade. Ainda durante a graduação, na Incubadora de Inovação Tecnológica da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Leandro Scalabrin teve a grande sacada, juntamente com seus colegas e hoje sócios. Dentro da universidade, eles estudaram as principais dificuldades de uma instituição de ensino superior e como um sistema poderia resolvê-las. Iniciaram então o desenvolvimento do Sistema Acadêmico JACAD. Enquanto o projeto não ficava pronto e posteriormente até que conseguissem vendê-lo, os sócios da SWA enfrentaram as primeiras dificuldades do negócio, conquistar clientes. Segundo ele, os primeiros 14 meses da empresa não foram nada fáceis. Recursos escassos e pouca visibilidade no mercado fizeram com que eles se apoiassem em diversas frentes, como desenvolvimento de sites e softwares sob encomenda. Foram necessários alguns anos até que o negócio principal obtivesse participação de mercado relevante. A empresa, hoje, coleciona títulos e premiações, como o MPE Brasil (Prêmio de Competitividade para Micro e Pequenas Empresas) em boas práticas de gestão por três anos consecutivos e a certificação MPS.BR nível G (ISO 12.207 e 15.504) em 2012. foto:Lariane Paludo LEANDRO SCALABRIN Sócio proprietário da SWA Sistemas Acadêmicos de Medianeira – PR “RECONHECER A EXPERIÊNCIA DOS MAIS VELHOS” Dar continuidade aos negócios da família pode ser tão complexo quanto abrir sua própria empresa. Aliar a experiência dos mais velhos com a ansiedade dos sucessores é algo que pode gerar inúmeros conflitos, mas em contrapartida, se bem administrados, podem somar vantagens para uma empresa familiar. Márcio é o filho mais velho de Valdir, fundador da primeira oficina de veículos e maior empresa do segmento de Palotina – a V.Brondani, e é o atual gestor na empresa familiar. Com 40 anos de história, a oficina atende mais de mil veículos por mês e conta com uma equipe de 42 funcionários. Formado e pós-graduado em Gestão Empresarial, Márcio assumiu o posto do pai com o desafio de fazer a empresa crescer cada vez mais. A ampliação de serviços e estruturas foi o que impulsionou a V.Brondani. Este processo, segundo Márcio, não foi simples. “Acertamos muito, mas também tomamos decisões que comprometeram nossas atividades”. Apesar de possuir conhecimentos específicos em gestão, Márcio aprendeu a respeitar e se aconselhar com o pai. “Não podemos achar que sabemos de tudo, apenas porque estudamos. A experiência dos mais velhos conta, e muito, na tomada de decisões”, reflete. foto:Lariane Paludo MÁRCIO BRONDANI Gestor da oficina de veículos V.Brondani de Palotina – PR foto:Lariane Paludo Revista Acadêmica da Uespar 5

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MARKETING SUA EMPRESA ESTÁ NA MENTE OU NO CORAÇÃO DO SEU CLIENTE? Variáveis de marketing ajudam a entender como o consumidor enxerga a sua marca e a dos seus concorrentes Você não tem sentimentos! ev ocê não pensa! O marketing abrange uma diversidade muito ampla de atividades. Ele pode estar envolvido desde um estudo de mercado até na definição de estratégias, publicidades, vendas e assistências pós-vendas. De uma maneira generalizada, ele identifica as necessidades dos consumidores e busca supri-las. Os consumidores, por sua vez, fazem suas escolhas de acordo com a oferta que julgam agregar maior valor. Eles formam uma expectativa de valor e agem sobre ela. Sua satisfação e probabilidade de recompra dependem dessa expectativa de valor ser ou não superada. As organizações devem ter em mente que o consumidor, no momento da compra, irá considerar vários elementos desde a contratação até a entrega da mercadoria. A marca é um desses elementos, pois é ela que identifica a origem de um produto ou serviço. Assim, um mesmo produto ou serviço pode ser avaliado de forma diferente pelos consumidores dependendo da maneira como as marcas concorrentes estão posicionadas no mercado. Os concorrentes mais diretos de uma empresa são aqueles que perseguem os mesmos mercados-alvo e adotam estratégias semelhantes. Para levantar dados e conhecer melhor os seus concorrentes uma empresa pode fazer uso de três variáveis, de acordo com Kotler (1998), participação de mercado (market-share), participação na lembrança de marca (share of mind), participação de preferência (share of heart). Market-share se refere a um percentual de mercado da empresa e seus concorrentes em um determinado setor. Para o autor, o share of mind, se refere à conquista de um pedaço da mente ou da memória do consumidor, ou seja, é a participação na lembrança de marca, a porcentagem de consumidores que identifica e nomeia a primeira empresa que lhe vem em mente em determinado setor quando solicitado. share of heart está relacionado aos sentimentos que os clientes têm em relação à marca, identifica a empresa da qual eles preferem comprar o produto. Detêm um pedaço do coração do consumidor, criando um vínculo afetivo entre empresa/cliente, que pode ser controlado, dentre outras formas, por meio de recursos simples e poderosos, como as mídias sociais. De acordo com Rocha (2010), nem mesmo os estudiosos são capazes de negar que quando há um envolvimento da marca com os consumidores, podem-se reverter situações, nas quais o consumo seria mínimo, por isso se faz necessário que não se conquiste apenas a mente dos consumidores, mas também seus sentimentos para que os levem ao consumo. Buscando analisar o share of mind e share of heart da empresa X de Palotina em relação aos seus concorrentes, foi realizada uma pesquisa de campo com 200 consumidores. Após a realização da análise dos dados coletados, concluiu-se que a organização em estudo possui um share of mind de 25%, enquanto a empresa Y, sua maior concorrente, possui 40%. No entanto, na avaliação do índice de share of heart, as duas empresas estão com o percentual muito próximo, 17% da empresa X e 18% da empresa Y. Percebe-se, portanto, que embora o desempenho da empresa X no índice que mede a participação na mente do consumidor (share of mind) seja inferior à empresa Y, no que tange a participação no coração ou na preferência (share of heart), ou seja, de quem efetivamente o consumidor compra o produto ou serviço, ela está em posição semelhante. Isto pode ser explicado, em partes, pela escolha da marca da empresa Y estar relacionada diretamente às atividades por ela desenvolvidas, enquanto a organização X optou por utilizar uma marca não vinculada. Esta maior vinculação da marca aos produtos e serviços oferecidos, segundo Kotler (1998), dá maior visibilidade e, consequentemente, uma maior lembrança de marca na mente do público consumidor. Todos os consumidores têm uma marca ou empresa que consideram importante, podese dizer que é a empresa do coração, a qual se fidelizam. Toda vez que um consumidor responde a uma das três variáveis market-share, share of mind ou share of heart, estará escolhendo aquela empresa com a qual deseja se relacionar. Autores: Geice Pauluzzi e Evandro Canhadas Druziani – curso de Administração Uespar turma 2013 Professora orientadora: Silvana Filippi Chiela Rodrigues - Mestre em Administração, Coordenadora do curso de Administração - Uespar 6 Revista Acadêmica da Uespar

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EMPRESÁRIO PEQUENOS E POTENTES Do disquete ao pendrive: entenda a evolução do armazenamento móvel P assa o seu pendrive que eu copio para você! A expressão é comum na era em que um minúsculo dispositivo pode armazenar até 512 Gb. Para quem viveu o tempo do arcaico disquete e precisava selecionar com rigor os arquivos que seriam gravados ou tomava um cuidado crucial para que o leitor do computador não danificasse o dispositivo, sabe o quanto a tecnologia evoluiu, e para melhor. DISQUETE Quadrado, na cor preta e com oito polegadas. Assim eram os extintos disquetes, desenvolvidos no final da década de 60. Armazenavam míseros 80 Kb de espaço, correspondente a sete arquivos Word em branco. Mesmo assim, o disquete era o único recurso para armazenamento de arquivos, utilizado por muitos anos. CD Dez anos depois uma nova invenção veio para substituir os disquetes. Redondo e com 12 cm de diâmetro, o (CD) CompactDisc se popularizou pela qualidade de reprodução. Fez sucesso na música, mas também na área de informática, já que possuía capacidade de armazenamento de até 700 Mb, o equivalente a 486 disquetes. DVD Com o mesmo formato do CD, mas com capacidade de 4,7 Gb de espaço, o DVD mal chegou ao Brasil no ano de 2000 e conquistou, em pouco tempo, 80% do mercado nacional de vídeos. CARTÃO DE MEMÓRIA Lançado no final dos anos 90, os cartões de memória surpreendiam pelo tamanho. A dúvida era se caberiam grandes arquivos dentro de uma pequena peça de plástico de alguns milímetros. Os primeiros cartões suportavam 128 Mb. Atualmente podem ter 128 Gb de espaço e velocidade de transferência de dados de 45 Mb por segundo. Hoje, é possível encontrar cartões de memórias em câmeras fotográficas, celulares, tablets, consoles de videogames portáteis e outros dispositivos. PENDRIVE De tão útil, o pendrive tornou-se acessório indispensável, principalmente para estudantes que precisam carregar consigo diversos materiais de estudo, além de músicas, fotos e outros. Desenvolvido no ano 2000, o pendrive permite a conexão com computadores e demais equipamentos que possuem entrada USB e surgiu com a missão de fazer backups. Mais resistente, com maior capacidade de armazenamento e veloz, o pendrive caiu no gosto popular. Os pendrives atuais possuem até 512 Gb de espaço de armazenamento em apenas 100 mm de tamanho. A Kingston anunciou que, em breve, irá comercializar o pendrive Data Traveler HyperX Predator 3.0 na versão de 1Tb. Esse, que será o pendrive mais potente do mundo, fará leitura e gravação de arquivos em velocidades de 240 MB/s e 160MB/s, respectivamente. Pendrive mais potente do mundo: Data Traveler HyperX Predator 3.0 na versão de 1Tb Fonte: Techtudo 8 Revista Acadêmica da Uespar

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ARTES VISUAIS VIVA A ARTE Ela está presente em todos os lugares: no objeto de um artista consagrado ou no móvel que temos em casa. Pode ser compreendida a partir de nossas próprias experiências E ntender arte não é tão simples quanto se pensa. Para compreender o conceito é necessário conhecer o entorno da produção artística analisando a cultura e o momento vivido que determinam a fase de produção, assim como o que o artista transmite na obra. Não se tratam de terminologias apenas, mas perpassam pela história com papéis específicos para cada criador e para o observador, os quais apresentam posições que definem e classificam arte em períodos e estilos. A arte está presente na sociedade e muito mais perto das pessoas. A vida está cercada por ela de todos os lados, desde o despertar até o adormecer, há infinitos contatos com a arte: os móveis do quarto, a estampa do lençol, o desenho da cama, o formato da escova de dente, e muitos outros objetos, todos possuem um pouco de arte aplicada. Estes passaram por um processo de produção, exigindo planejamento visual. Especialistas na área aplicaram noções de arte, exemplo, a cor e a técnica, características de um determinado período que se revelam em vários objetos do cotidiano. A arte é viva, concreta, pode ser observada, compreendida e apreciada, a partir de experiências do ser humano, desenvolve a imaginação, a arte do significado e da forma. Pode-se dizer que arte é conhecimento, pois desde o princípio é representada pela vivên- cia do homem, exemplo, são as pinturas nas cavernas mostrando a vida naquele período, portanto a arte retrata a realidade, sendo assim uma representação simbólica do mundo. Para Azevedo (2007), são três elementos que compõem a arte: o artista, aquele que cria a obra, o observador, aquele que tem contato com a obra e a obra de arte propriamente. Contudo para apreciarmos a arte é necessário aprender sobre ela, pois uma mesma obra pode ter diferentes valores artísticos em diferentes sociedades. Cada sociedade possui suas tradições, crenças e valores, entretanto a cultura não é isolada, ela recebe influências de outros povos sendo assim dinâmica, por isso pode-se dizer que a arte é universal, mas com finalidades, ou seja, funções diferentes para cada povo. Azevedo (2007) apresenta três finalidades para arte: pragmática ou utilitária, que serve apenas como um meio para alcançar um fim, a naturalista, a representação da realidade ou da imaginação se apresenta o mais natural possível e a formalista que se preocupa com a forma, com seus significados e motivos estéticos. Há também a arte figurativa ou figurativista, que abrange a figura realista e a arte abstrata ou abstracionista representada por formas, cores e texturas, não retratam a realidade cotidiana e sim possuem tendências geométricas e informais. Todas as formas citadas são possibilidades A arte pode estar dentro da sua casa. Pallet de madeira foi utilizado como base para cama box de conceituar a arte, os conceitos são desenvolvidos e apresentados pelo crítico e pelo historiador de arte, profissionais especializados para conceituar ou desconceituar arte, porém depois de certo tempo novos críticos e historiadores da arte podem novamente avaliar a obra e conceituá-la. As formas de definir arte variam em relação ao período e o tempo, porém o sentido de que a arte é uma expressão está em todas as concepções já descritas. Como é possível perceber, definir arte não é uma tarefa fácil, o crítico e o historiador estão presentes avaliando e atribuindo sentidos, mas cabe ressaltar que a arte não é estática e possui um campo amplo e diversificado que segue tendências e estilos de acordo com os fatos históricos, que designam a sociedade e interpretam a cultura. Todavia nenhuma das definições parece satisfatória, causando insuficiências pelo amplo sentido que repassam, por isso entende-se que a tarefa de definir arte não termina, pois a estética, a história, estilo vão se construindo e junto com eles as novas artes surgem e outras se transformam. foto: Wikimedia Autora: Adrielly Grava Costa Curso de Artes Visuais da Uespar – 2º ano Professora Orientadora: Mestre Eliane Maria Cabral Beck, Coordenadora do Curso de Artes Visuais da Uespar Interior da Catedral de Brasília, projeto de Oscar Niemeyer Revista Acadêmica da Uespar 9 foto:Casa Abril

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PESQUISA O QUE OS JOVENS PENSAM SOBRE A POLÍTICA BRASILEIRA? Pesquisa realizada na Uespar, pelos estudantes, revela que os jovens exigem serviços públicos de qualidade, mas não querem se envolver com a gestão do Estado E m ano de pleito eleitoral, o tema política ressurge como um tsunami. Ainda que existam milhares de candidatos, propostas e ideologias, escolher o melhor presidente, governador, senador e deputados federal e estadual é um desafio complexo e exige muita responsabilidade. Conscientes desta tarefa, alunos do 2º ano do curso de Administração, orientados pelos professores Amir Kanitz e Elaine Maria Gosenheimer Fiori, das disciplinas de Sociologia e Estatística, desenvolveram e aplicaram no mês de agosto de 2014 uma pesquisa sobre política entre os estudantes da Uespar. Diferente da pesquisa eleitoral, que objetiva saber a posição dos candidatos, a pesquisa dos acadêmicos busca compreender o perfil ideológico, a reforma e a participação política dos jovens. A atividade iniciou na disciplina de Sociologia, na qual os estudantes receberam embasamento teórico, principalmente no que se refere aos posicionamentos de direita, esquerda e centro, e que muitos desconheciam. “Por mais polarizadas que sejam as representações políticas em disputa hoje no Brasil, a necessidade de uma reforma política tem estado presente nos vários discursos e isso norteou a elaboração de algumas perguntas”, relatou o professor da disciplina. A aplicação da pesquisa, realizada num segundo momento na disciplina de Estatística, possibilitou que os estudantes colocassem em prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula. “A turma organizou-se em grupos e estes sortearam os participantes da pesquisa por turma, pelo método da amostragem aleatória estratificada. Depois disso fizemos a aplicação dos questionários e por fim contabilizamos os resultados”, explica a professora. PESQUISA A pesquisa foi aplicada dois meses antes das eleições de 2014 pelos alunos do 2º ano do curso de Administração da Uespar, orientados pelos professores Amir Kanitz e Elaine Maria Gosenheimer Fiori, das disciplinas de Sociologia e Estatística. Foram pesquisados 190 alunos, admitindo-se um erro de 5% e um nível de confiança de 95% 10 Revista Acadêmica da Uespar

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PESQUISA Análise dos resultados Ao responder as perguntas do questionário, os jovens pesquisados revelaram o que pensam sobre a política brasileira. Uma análise dos principais pontos da pesquisa mostrou que os jovens valorizam serviços públicos de qualidade, seja na área de saúde – apontada pela maioria dos pesquisados como a mais deficitária – ou no aspecto que se relaciona à excelência na prestação dos serviços públicos. Eles também esperam que o governo tenha total autonomia para regular todas as áreas da vida social. No entanto, pouquíssimos estão dispostos a participar da gestão deste Estado. Aliás, a esmagadora maioria entende que somente os mais organizados politicamente participarão das práticas políticas. “É, portanto, muito preocupante que, ao mesmo tempo em que quase a totalidade dos pesquisados esteja ciente da pérfida corrupção que assola a política brasileira, muitos ainda depositem nela suas esperanças de forma que não pretendem participar do processo político”, complementa Amir. Quase um quarto dos participantes da pesquisa não entendem o significado dos conceitos clássicos “direita” e “esquerda”, enquanto outros 25% não sabem se podem se enquadrar em algum destes conceitos. Isso soma quase metade dos participantes. Do restante, ou seja, entre aqueles que se identificam com algum posicionamento político, “esquerda” e “centro” têm números parecidos, por volta de 15%, enquanto os que se consideram de “direita” lideram, somando 22% dos alunos. Praticamente a metade das pessoas (48,4%) acredita que o governo deve fazer leis que regulem todas as áreas da vida social, e isso colocaria os alunos em um espectro mais esquerdista, uma vez que a esquerda se identifica com a forte atuação do Estado. Segundo o sociólogo, os pesquisados sabem o que querem, mas não sabem quem pode responder a essas demandas. O problema reside no fato de que há pouca esperança de que as soluções possam vir de fora da estrutura do Estado. A saída para esta crise de representatividade é a mesma que se sugere para todos os problemas: educação. Revista Acadêmica da Uespar 11

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DISPOSITIVO TECNOLOGIA EMBARCADA, O QUE É? É o mercado que mais cresce no mundo, movimentando mais de 31 bilhões de dólares com expectativa de crescimento de mais 20% até 2015 foto: Social Good Brasil A o falar em tecnologia embarcada, logo se pensa em computadores, todavia basta olhar ao redor para perceber que carros, brinquedos, máquinas, eletrodomésticos e muitos outros dispositivos estão carregados de tecnologia. O termo tecnologia embarcada define sistemas eletrônicos compostos por microcontroladores – chip eletrônico programável. É um sistema projetado para realizar funções específicas, semelhante aos computadores, porém os embarcados são preparados para realizar um número pequeno de tarefas, de acordo com a funcionalidade do dispositivo em que ele é empregado, objetivando um menor custo e também a redução do risco de falhas. (Guia do Hardware, 2013) Em 1965, o presidente da Intel na época, Gordon E. Moore fez algumas observações a respeito do desenvolvimento tecnológico. Ele previa que a cada 18 meses, a quantidade de componentes eletrônicos em um chip de silício aumentaria em 100% pelo mesmo custo. A previsão foi comprovada e ficou conhecida como a Lei de Moore. Algum tempo depois, esta observação passou a ser utilizada pelas indústrias de componentes eletrônicos como meta de produção. (TECMUNDO, 2008) O tamanho dos componentes eletrônicos diminuiu com o passar do tempo, assim como Moore previa, coube desta forma cada vez mais componentes em um mesmo espaço de placa com um custo baixo de produção. Hoje os menores transistores do mundo chegam a 22 nanômetros (TECHPOWERUP, 2012). Para se ter uma ideia do tamanho destes componentes, um nanômetro é a milionésima parte de um milímetro, logo, em um milímetro caberiam cerca de 45.000 transistores. Nos carros atuais, pode-se ver a tecnologia embarcada no computador de bordo, este dispositivo é responsável por controlar os freios ABS, a injeção eletrônica de combustível, em alguns casos controlar a velocidade e até mesmo realizar a troca de marchas. Tecnologia que é usada em ursos de pelúcia, reproduz gravações das famílias para crianças que estão em tratamento contra o câncer Na constante evolução para se tornarem competitivas, as empresas precisam inovar e assim estão fazendo. Grandes montadoras estão explorando os sistemas embarcados em carros e caminhões. Alguns dispositivos ainda estão em teste, outros já em produção. Em destaque, tem-se a inovação dos computadores de bordo que se comunicam entre si. Estes dispositivos trocam informações, um avisando o outro sobre eventos que ocorrem no veículo. Como exemplo: em uma frenagem brusca em um trecho que há muita neblina e pouca visibilidade, o dispositivo que está no carro que realizou a frenagem avisa os demais. Desta maneira, os carros vão reduzir a velocidade podendo evitar acidentes sem ter a necessidade de uma intervenção humana. A Scania lançou um dispositivo interessante, denominado Drive Support, um item de série instalado nos caminhões com freios EBS e caixa de 12 marchas. Sua finalidade é apoiar o condutor, avaliando a direção e dando dicas de como o motorista pode melhorar a condução do veículo. Com isso é possível aumentar a segurança, reduzir o consumo de combustíveis e o desgaste precoce do veículo. (SCANIA, 2013) Estudos realizados pela OTAM – Organização do Tratado do Atlântico Norte – afirmam que a tecnologia embarcada movimenta mais de 31 bilhões de dólares com expectativa de crescimento de mais 20% até 2015. (OLHAR DIGITAL, 2011). Uma característica dos sistemas embar- cados é a sua velocidade de inicialização, pois eles precisam ser eficientes. Se o embarcado fosse como um computador comum, o usuário teria que esperar vários segundos para conseguir fazer seu veículo, máquina, ou qualquer que seja o equipamento, funcionar. Recentemente em Minas Gerais, uma indústria de brinquedos fez uma parceria com um centro de tratamento de crianças com câncer, criando um incrível sistema embarcado. Um ursinho de pelúcia (ursinho Elo) que contém um dispositivo capaz de reproduzir gravações. Este sistema embarcado possibilita aos familiares gravar mensagens para as crianças que estão em tratamento por meio de um smartphone e, posteriormente, o ursinho leva as mensagens até as crianças. Pode-se observar que a tecnologia embarcada está em toda parte, cada vez mais acessível trazendo benefícios a diversas áreas como na indústria, educação, segurança, lazer, esporte, entre outras. Para quem gosta de estar conectado às novas tecnologias, torna-se necessário acompanhar este iminente mundo digital que se faz presente cada vez mais nas atividades cotidianas. Autores: Adriano Barbosa curso de TADS Uespar turma 2013 Professora orientadora: Denise Maria Cotoman – Coordenadora do curso de TADS – Uespar Revista Acadêmica da Uespar 13

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ARTIGO GRADUAÇÃO Custo de Produção Agrícola: Um estudo de caso na produção de eucaliptos em uma pequena propriedade rural Resumo: O presente estudo foi realizado com base numa pequena propriedade rural localizada no Município de Assis Chateaubriand. O objetivo foi identificar o custo de produção de eucaliptos e a viabilidade econômica da implantação da cultura. A partir da coleta de dados de campo na propriedade, efetuou-se o estudo dos custos de implantação e manutenção da cultura, considerando dados tempo-conjunturais para o cálculo da viabilidade econômica da alternativa. Desta forma, chegou-se a um resultado satisfatório para o que se esperava como objetivo do estudo e se obteve um resultado próximo da realidade de caso, o que proporciona uma boa discussão sobre o problema escolhido. Palavras-chave: Pequena propriedade rural. Maximização dos lucros. Viabilidade econômica. Cultura de eucaliptos. Introdução A agricultura consiste em todas as atividades extrativistas da terra, tanto no cultivo de lavouras e florestas, como na criação de animais, com o intuito de se obter produtos para suprir as necessidades dos homens. No Brasil, nas últimas décadas, houve uma grande expansão no que tange a mecanização, fazendo com que a população do campo migrasse para as cidades e que a agricultura se tornasse uma atividade fundamental no desenvolvimento do país. A agricultura se torna cada vez mais um elemento de diferenciação entre os países e por isso, deve-se tirar o melhor proveito possível da área produtiva, e o cultivo de eucaliptos é visto como uma das formas mais rentáveis de extrativismo para pequenas propriedades agrícolas. Segundo o Comunicado Técnico 83/2002 da Embrapa, o eucalipto foi introduzido no Brasil em 1904. O objetivo principal era suprir a necessidade de lenha, postes e dormentes das estradas de ferro na região sudeste. Logo após o período da implantação das primeiras estradas de ferro, o eucalipto passou a ser aproveitado nas fábricas de papel e celulose, como matéria-prima. Por ser uma espécie de crescimento rápido, bom desenvolvimento e excelente adaptação às condições climáticas nacionais, passou a ser melhor aproveitado nos vários setores dependentes da madeira. Hoje o eucalipto é a espécie de árvore mais plantada em todo o território nacional, ultrapassando a área de 5,1 milhões de hectares, dados do Anuário Estatístico ABRAF – 2013, da Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas - ABRAF (2013, p.36), e a produtividade média nacional é acima de 40 m³ de madeira por hectare ao ano, também segundo dados da ABRAF (2013, p.74). Sua produção é, principalmente, destinada para celulose e papel, geração de energia, painéis a base de madeira reconstituída (aglomerados) e na obtenção de madeira roliça (postes, dormentes e estacas), além da produção de móveis. Considerando a oportunidade de negócio do cultivo de eucaliptos, fez-se neste trabalho o levantamento e avaliação dos custos de sua produção em uma pequena propriedade rural visando aferir a sua viabilidade econômica. Espera-se que a pesquisa propicie uma contribuição para o estudo e implantação do cultivo de eucaliptos em pequenas propriedades rurais, alavancando o desenvolvimento econômico destas a médio e longo prazo, da sua importância para o meio ambiente com o sequestro de carbono e a sua utilização substituindo outras madeiras nobres para as diversas indústrias que o exploram. Revisão de literatura Conforme Marion (2009, p. 3), a “Contabilidade Rural é a Contabilidade Geral aplicada às empresas rurais”. Ela traduz, em valores monetários, o desempenho do negócio rural e denuncia o grau de eficiência da administração deste negócio. Em uma melhor análise, a Contabilidade Rural demonstra se uma empresa rural está atingindo o seu objetivo final: o lucro. Apesar de ser uma atividade que, por força de lei, só pode ser exercida por um profissional especializado, a contabilidade deve ser acompanhada muito de perto pelo proprietário rural, pois é no acompanhamento das demonstrações que ele vai encontrar os diagnósticos que vão apontar o caminho do sucesso e as necessárias correções de rumo, inevitáveis no processo de evolução de qualquer empresa rural. A contabilidade pode ser utilizada em todos os tipos de atividade, na contabilidade rural acontece o mesmo. Toda propriedade, por menor que seja, deve ter um controle, um planejamento e uma administração que melhor direcione o seu funcionamento, pois como todas as outras empresas, ela também visa à maximização dos lucros e à sobrevivência do negócio, havendo controle de custos, de despesas, utilizando somente o necessário, evitando gastos supérfluos, nunca esquecendo que ela também segue as normas contábeis onde tudo deve ser registrado para gerar informações confiáveis aos empresários rurais. Sabe-se, porém, que na realidade, não é isso o que acontece, devido à falta de informação e capacitação por parte dos produtores, eles simplesmente guardam os dados na mente e sempre acreditam que por mínimo que seja o resultado sempre é positivo. Para uma melhor definição do significado e do contexto por trás de uma empresa rural, pode-se citar Marion (2009, p. 2), “Empresas rurais são aquelas que exploram a capacidade produtiva do solo por meio do cultivo da terra, da criação de animais e da transformação de determinados produtos agrícolas”. Pode-se ainda afirmar que existem os fatores de produção que cooperam para o melhor entendimento do processo de constituição de uma empresa rural: a terra, o capital e o trabalho. Sabe-se que o setor agrícola apresenta 14 Revista Acadêmica da Uespar

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ARTIGO GRADUAÇÃO certas características que o diferencia dos outros setores da economia. Para Crepaldi (2000, p. 9-11), estas características dizem respeito: • A dependência do clima - mais citada pelos estudiosos e da qual, muitas outras dependem. Determina as épocas de plantio, tratos culturais, etc. A relação tempo de produção versus tempo de trabalho - afinal, os trabalhos desenvolvem-se, em algumas fases, independentemente da existência do trabalho físico imediato. Na indústria, por exemplo, somente o trabalho modifica a produção e é sempre igual ao tempo de trabalho consumido na obtenção do produto. A dependência de condições biológicas o ciclo de produção da agropecuária está intimamente relacionado às condições biológicas, limitando a adoção de medidas que normalmente são utilizadas em outros setores da economia, como recursos para acelerar a produção. A terra como participante na produção na agropecuária, a terra não é apenas um suporte para o estabelecimento de atividades produtivas, ao contrário, na maioria das explorações agropecuárias, participa diretamente do ciclo produtivo. A estacionalidade da produção - não existe um fluxo contínuo de produção, como na indústria e uma tarefa pode também não depender da outra. A incidência de riscos - da mesma forma como qualquer atividade econômica está sujeita a riscos, na agropecuária, os riscos assumem maiores proporções. O sistema de competição econômica - estando sujeito a um sistema de competição que tem as seguintes características: existência de um grande número de produtores e consumidores; produtos que apresentam, normalmente, pouca diferenciação entre si; a entrada no negócio e a saída dele pouco alteram a oferta total. Os produtos não uniformes - uma vez que na agropecuária, ao contrário da indústria, há dificuldades em se obter produtos uniformes, quanto a forma, ao tamanho e a qualidade. O alto custo de saída e/ou entrada - no negócio agrícola, algumas explorações exigem altos investimentos em benfeitorias e máquinas. • • • Metodologia Quanto à natureza, o trabalho foi conceituado como uma pesquisa aplicada, por objetivar a geração de conhecimentos para aplicação prática, dirigidos à solução de problemas específicos, envolvendo verdades e interesses locais, de acordo com a abordagem do problema, o trabalho foi considerado uma pesquisa quantitativa, considerando os objetivos consistiu em uma pesquisa exploratória e conforme os procedimentos técnicos utilizados este foi qualificado como um estudo de caso. A população utilizada no processo de pesquisa e tabulação de dados e informações foi, basicamente composta por pequenas propriedades rurais e pequenos produtores rurais da região de Assis Chateaubriand. A amostra utilizada foi uma pequena propriedade rural caracterizada no início deste trabalho. A coleta de dados para o presente trabalho foi efetuada por meio dos seguintes procedimentos e instrumentos de pesquisa: observação, entrevista e documentação. Coleta e apresentação dos dados O local escolhido para o estudo de caso é uma pequena área de 01 (um) alqueire de terra, localizada no Município de Assis Chateaubriand – PR. A área delimitada para o plantio dos eucaliptos tem relevo plano e baixo, com fácil acesso, porém, de baixa produtividade com relação a outras culturas, encontrando-se arrendada na forma de pasto para o gado, com pastagem degradada de espécies herbáceas (gramíneas e não-gramíneas) e pequenos arbustos, de baixa qualidade produtiva e com baixo valor nutritivo. Por este motivo, fez-se a opção pela implantação do cultivo de eucaliptos no local, como forma de melhor aproveitamento econômico da área. Um dos passos mais importantes para o início da implantação de uma cultura é a escolha da espécie a ser produzida, devido aos vários fatores que influenciam na produtividade, lucratividade e resistência da cultura escolhida. No caso proposto, optou-se pela espécie Eucalyptus Saligna, que, segundo o Comunicado Técnico 57/2001, da Embrapa, é uma das espécies mais indicadas para a região sul do país, com IMA (Incremento Médio Anual) de 48,3m³/ha/ ano no espaçamento de 2,5 metros entre as ruas do plantio e 2 metros entre as mudas plantadas, sendo muito indicada para a produção de energia (carvão lenha), postes, dormentes, mourões e móveis. O espaçamento entre as mudas deve ser determinado principalmente pela fertilidade do solo e pelo regime de chuvas na região de implantação da cultura. No caso utiliza-se a proposta do Comunicado Técnico 57/2001, da Embrapa, sendo a espécie escolhida o Eucalyptus Saligna, que obteve uma melhor produção na região com um espaçamento de 2,5 m entre as ruas e 2 m entre as mudas, totalizando assim 5 m² de área para cada muda. Assim, produz-se 4.840 pés de Eucaliptos na totalidade da área reservada para o estudo, que é de 1 alqueire paulista, ou seja, 24.200 metros quadrados. Serão necessárias em torno de 5.325 mudas de Eucaliptos, uma vez que, segundo o Comunicado Técnico 179/2007 da Embrapa, existe o replantio de 10% das mudas necessárias em virtude de perdas das mudas plantadas. Análise e discussão dos resultados O quadro 01 apresenta os custos totais do desenvolvimento da cultura, bem como os valores recebidos a partir da venda do produto. Percebe-se neste estudo que os custos iniciais da produção e cultura de eucaliptos estão mais concentrados nos dois primeiros anos, com o preparo da terra e o plantio das mudas. A partir do terceiro ano, os custos se projetam apenas para o manejo preventivo, com a manutenção do aceiro e com as capinas e roçadas manuais, não se fazendo mais necessária a utilização elevada de maquinários e equipamentos, nem a aplicação de defensivos e fertilizantes. A área atual encontra-se arrendada, por um valor fixo de 60 (sessenta) sacas de soja convencional ao ano, na forma de contrato. A quantia de sacas de soja fixadas em contrato obedece à média regional dos valores fixados em contratos da mesma espécie, conforme pesquisa de mercado. Os valores fixados para a saca de soja são dos preços praticados em Palotina e região na presente data, com a cotação do dia no valor de R$ 61,50 (sessenta e um reais e cinquenta centavos) por saca de 60 kg de soja convencional. Com isso • • • • • Revista Acadêmica da Uespar 15

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