As aventuras de Oriel

 

Embed or link this publication

Description

Livro Infantil

Popular Pages


p. 1



[close]

p. 2



[close]

p. 3

Texto de Gilberto Gardesani Ilustrações de Fernandes e De Pieri Mensagem: Esta mensagem é para aqueles que estão lutando, para aqueles que estão pensando em desistir e para os que já desistiram de lutar. Por mais simples ou mais difícil que possa parecer, a palavra chave é a de sempre: manter a fé e a esperança. Procurar novos valores. Sempre há o que fazer, de acordo com a capacidade, a experiência e as forças de cada um. Às vezes, dar um passo para trás significa ganhar espaço, embora nem sempre se possa medi-lo. Quero que minhas crianças nunca se esqueçam disso e, no decorrer de suas vidas, preparem o terreno para aliviar suas jornadas e não ter onde tropeçar.

[close]

p. 4



[close]

p. 5

naquele velho e maltratado casco abandonado em um canto do estaleiro. Torto, quase caindo, ninguém se importava sequer em trocar as estacas que o apoiavam, que apodreciam e quebravam com a ação do tempo. Oriel nasceu veleiro. Bonito, forte, ágil e muito corajoso. Não temia as correntes marítimas, nem os ventos e tempestades que provocavam enormes ondas e batiam em seu costado tentando virá-lo. Tinha, porém, um grande respeito pelo mar. Conhecia bem os seus segredos. Navegava sempre com muito cuidado e nunca saía sem antes planejar a viagem em todos os detalhes. Tinha perfeita noção de como orientar-se tanto de dia como à noite, pelo Sol ou pelas estrelas. Em sua longa vida, navegou quase sempre pelos mares do Atlântico, nas costas brasileiras. Oriel conheceu também os contornos do Norte, nas Guianas. Chegou ao Caribe, com suas ilhas maravilhosas. No Sul, conseguiu chegar a Rio Gallegos, na Argentina, perto da Terra do Fogo. Dali para a frente havia o estreito de Magalhães e o estreito de Drake. Era demais para ele vencer aquelas ondas geladas, de até 15 metros de altura. Mal se podia ler o nome

[close]

p. 6

Já tinha experimentado também navegar em água doce. Como era bom deslizar suavemente pelo Rio da Prata. O Amazonas foi uma experiência inesquecível para Oriel, principalmente quando cruzou o encontro do Rio Negro com o Solimões e foi acompanhando a lenta mistura de suas águas.

[close]

p. 7

A pororoca também foi emocionante. Um, um único inimigo, em toda a sua vida: o vento Sudoeste. Isto explica todo o cuidado que Oriel tinha antes de sair para qualquer viagem e toda a atenção que mantinha nos períodos de navegação. Era uma vigília constante. Aquele vento pegava muitos de surpresa, causando enormes problemas. Devido às suas precauções, Oriel sempre conseguiu vencê-lo, menos uma vez... E, por isso, Oriel estava ali, jogado num canto daquele estaleiro, como um material imprestável. Tudo aconteceu no início de um verão quando se formam zonas de baixa pressão ocasionando rápidas mudanças de tempo. É a época mais propícia para o vento Sudoeste atacar. Oriel pressentia o seu ataque. Aquele ventinho fresco, vindo do Sul, soprando baixo, encrespando as águas do mar era o sinal de que ele vinha chegando sorrateiramente. Tinha de agir rápido. Baixar as velas, prender os cabos, fechar as escotilhas, guardar tudo que pudesse se movimentar dentro do barco e virar sua proa de frente para as ondas.

[close]

p. 8

Era preciso enfrentá-lo cara a cara, firme e sem medo. Mas, desgraçadamente, o dono de Oriel, naquela ocasião, não tinha a mesma experiência. Era um novato que se aventurou a navegar muito longe da costa e estava mais preocupado em gozar as delícias da navegação do que ficar atento às mudanças de tempo que poderiam ocorrer. O vento Sudoeste chegou e pegou Oriel ainda com as velas enfunadas. O barqueiro também não se preocupou em prender-se com o cinto de segurança junto ao leme. Nem colete salva-vida ele usava. De repente, uma grande onda jogou o homem ao mar. Oriel percebeu logo o que havia acontecido e procurou soltar uma corda para ele que, por sorte, agarrou-se a ela com toda força. Oriel lutou só e desesperadamente para manter-se à tona, sempre preocupado com aquele recruta dos mares, para não perdê-lo de vista. Foram horas e horas sem descanso, sem trégua, até que, finalmente, o vento malvado começou a amainar sua fúria e parou de soprar forte.

[close]

p. 9



[close]

p. 10

Foi um momento precioso para trazer o homem de volta ao barco. Mas a experiência de Oriel, proveniente de muitas outras lutas, mostrava que ainda era preciso manterse alerta, pois o vento sudoeste costuma fazer recuos e voltar a atacar sem nenhum aviso, às vezes, com maior fúria do que antes.

[close]

p. 11

Felizmente, naquele dia isso não aconteceu e Oriel foi socorrido por outro barco e pôde regressar ao porto. Estava muito danificado, precisava de uma reforma para colocá-lo novamente em condições de navegar e era nisso que vinha pensando no regresso à terra. Tinha o mastro quebrado e perdido todas as suas velas e cabos. Sua cabina estava cheia d’água e tudo lá dentro estava estragado.

[close]

p. 12

Mas teve uma grande desilusão. A maior de sua vida. Seu dono atribuiu a ele toda a culpa pelo sucedido. Alegou que Oriel era um barco velho, ultrapassado e não valia a pena gastar dinheiro em sua reforma. Era melhor trocá-lo por um outro mais moderno. Assim, o destino levou Oriel ao abandono naquele estaleiro. Sua fama de barco inseguro correu mares e ninguém mais se interessou em consertá-lo. Os anos passaram e ele via que o seu fim se aproximava. Ainda lutava para não apodrecer.

[close]

p. 13

No fundo, tinha esperança de voltar a navegar e provar que, apesar de velho, não era nada daquilo que todos pensavam. Tinha muito a oferecer a quem quisesse aproveitar sua experiência.

[close]

p. 14

Muitas pessoas vinham ao estaleiro procurar um barco para comprar, mas nem sequer olhavam para ele ou quando o faziam, era com grande desprezo. Todos queriam barcos mais novos, com perfil aerodinâmico moderno, para alcançar grande velocidade ou então barcos maiores, para grandes jornadas marítimas.

[close]

p. 15

Inexorável, o tempo passava e Oriel já estava no fim de suas forças. Até Furinho, um ratinho que adorava o mar o abandonou. Oriel mantinha Furinho escondido do seu dono em um pequeno buraco, bem protegido. Mas, desanimado, o velho companheiro pegou suas coisas e foi embora sem mesmo se despedir. E a tristeza de Oriel aumentou ainda mais.

[close]

Comments

no comments yet