Quico encontra a sua família

 

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Livro Infantil

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Ação Cidadã, uma iniciativa da www.jornauto.com.br

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Texto de Gilberto Gardesani Ilustrações de Fernandes e De Pieri Mensagem: Os velhos não podem ser abandonados e devem passar os últimos anos de suas vidas sendo cuidados e recebendo muito carinho dos seus entes queridos. É isso que eu espero das minhas crianças, para que elas nunca tenham que amargar o sentimento de abandono, a falta de amor e carinho, nos últimos anos de suas vidas. Os tempos são outros e a luta pela sobrevivência é cada vez maior, exigindo dedicação quase integral do tempo das pessoas. Mas, se cada um fizer a sua parte e retribuir um pouco daquilo que recebeu, não será uma obrigação penosa. É importante que ninguém falhe nesse momento.

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Quico Pequeno Resumo: ainda muito jovem, o chimpanzé Quico saiu de casa à procura de novos horizontes. Perdido na mata, não conseguiu voltar para casa. Foi encontrado por um bando de gorilas e adotado por uma gorila que havia perdido seu filhote. Como era maltratado pelos demais filhotes, porque não crescia como eles, resolveu fugir. Finalmente, encontrou um bando de macacos de sua raça e ficou vivendo com eles. Daí... Passaram-se os anos. Quico já era um macaco adulto e desfrutava de grande prestígio entre os membros daquele bando. Estava totalmente adaptado ao tipo de vida e costumes deles mas, com sua passagem junto ao bando de gorilas, tinha adquirido outros predicados como a força, que agora se juntava à destreza e ao senso de preservação reaprendida com os seus companheiros de raça. Seu esforço para ser readmitido foi tão grande que ele conseguiu superar os demais. Além disso, era bom e justo com todos.

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Tinha uma predileção maior com os mais velhos. Talvez reflexo dos acontecimentos de sua vida passada e da vontade de voltar a ver seus pais, seus avós, tios, primos, amigos. Será que ainda estavam vivos? Esse pensamento nunca o abandonava, dia e noite. Quico procurava passar o dia totalmente ocupado. Estava sempre atarefado com as obrigações dadas pelo líder do bando ou com outras que ele mesmo procurava.

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Um dia, reuniu seus companheiros e procurou convencê-los de que o costume de expulsar e abandonar os velhos estava errado. Se eles ainda existiam e tinham uma vida organizada é porque os velhos faziam questão de manter as tradições bem vivas. Passavam suas experiências contando histórias que encantavam os jovens despertando neles o espírito de união, único jeito de continuar sobrevivendo aos constantes perigos que a selva oferecia. Agora, quando já não podiam mais sair em busca de seus alimentos, eram abandonados à própria sorte. Quico não se conformava com isso, mas apesar de todo o esforço, não conseguiu convencer seus amigos a formar um grupo de apoio aos idosos. A idéia era levá-los a um local bem seguro, com cavernas para abrigá-los e muita água por perto. A alimentação seria dada por eles, em forma de revezamento.

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Inicialmente ficou abatido, mas não desanimou. Não era seu feitio. Saiu em busca desse lugar e depois de vagar por muitos dias conseguiu seu objetivo. Ah! Que lugar maravilhoso, tinha tudo o que ele imaginava! Sem ninguém saber, começou a levar os velhos para lá e cuidava pessoalmente de sua alimentação. Muitos meses depois, os pais de um dos seus amigos foram abandonados. Quico percebeu a tristeza nos olhos do amigo e perguntou a ele: - Quer conhecer um lugar secreto? - Eu quero, respondeu. - Muito bem, então vamos lá. Ao chegar, qual a surpresa do amigo ao ver seus pais em um lugar lindo, confortável, seguro. Estavam felizes lá, ao lado de gente da mesma idade, desfrutando dos últimos anos de suas vidas.

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Quico ganhou um aliado, depois outro, mais outro e conseguiu formar um bando de assistentes. E aqueles velhos passaram a receber um tratamento melhor e ficaram mais felizes em ainda poder conviver com jovens, muitos oriundos de suas próprias famílias. Não foi possível manter aquele local secreto por muito tempo e a notícia se espalhou pelas matas, alcançando outros bandos de macacos.

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Um dia, Quico estava ouvindo histórias de alguns velhos quando ouviu uma canção de ninar. Algo inexplicável despertou dentro dele. Conhecia aquela música e procurou quem estava cantando. Era uma velha macaca que tirava bichos dos pêlos das costas de um velho. Devagar, foi chegando perto e examinou bem o rosto deles e quando olhou direto em seus olhos levou um choque: - Meu Deus, eu conheço vocês! De onde?

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A velha macaca puxou a cabeça de Quico bem perto dela, para ver melhor. Duas lágrimas rolaram e soltou um grito que despertou a atenção de todos. - Meu filho, meu filhinho querido, é você? - Mamãe, papai, que felicidade encontrar vocês! Eu nunca me esqueci, nunca perdi a esperança e nunca desisti de procurálos! Eu sabia que tinha que fazer esse trabalho. Alguma coisa me dizia para olhar para os mais velhos, para cuidar deles. Lá no fundo, bem no fundo eu imaginava com que idade vocês estavam. Eu fui embora muito pequeno e não tinha idéia.

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- Por que você partiu, meu filho? Procuramos tanto! Eu e seu pai ficamos meses longe do nosso bando à sua procura e não encontramos nenhuma pista, nada que nos pudesse dar alguma esperança. Achamos que você tinha sido vítima de algum animal da floresta. O que aconteceu com você, meu filho?

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- Ah, mamãe, fiquei iludido com a possibilidade de viver novas aventuras, de encontrar outros bandos, de conhecer novas culturas, diferentes meios de vida. Sei lá! Hoje, não saberia explicar direito. Foi criancice mesmo, talvez excesso de imaginação. Pulei muitos galhos e não consegui encontrar o caminho de volta. Todas as árvores pareciam iguais. Quico passou muitos dias contando suas aventuras e seus sofrimentos para os velhos pais. Eles ouviam tudo com muita atenção e, vez por outra, as lágrimas escorriam de seus olhos. Então, sua mãe disse: - Meu filho, você teve muita sorte e a proteção das minhas preces. Todos os dias eu pedia que alguém lhe encontrasse e lhe desse abrigo. Agradeço àquela mãe gorila que o acolheu, o amou e só ensinou boas coisas. Sei o que ela sofreu quando você partiu. E também sou imensamente grata ao bando que o recebeu e permitiu que fizesse este trabalho grandioso.

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- Vou lhe contar uma coisa: quando soube que este lugar existia, e percebemos que estava chegando nossa hora, resolvemos deixar o bando e vir para cá, sem saber direito o caminho. Alguma coisa nos impelia nessa direção. Agora entendemos o porquê. Nunca imaginamos que você estaria envolvido com esta bonita obra. Estamos felizes, não só por tê-lo encontrado, mas por saber que você também se tornou um ser maravilhoso!

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