Revista Jornauto 202

 

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Ano 25

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EXPEDIENTE - EDITORIAL Ano de provação Provação, segundo dicionário Aurélio, é ato ou efeito de provar, situação aflitiva, penosa. Tenho a certeza de que a maioria dos profissionais de marketing que milita no setor automotivo concorda com isso. Que maré! O ano de 2014 nos reservou um tempo de provação onde cada um de nós terá de mostrar sua competência para manter os negócios andando da melhor maneira possível e, assim, poder enfrentar as adversidades mercadológicas criadas por um desgoverno. Evidentemente, alguns conseguirão obter resultados melhores do que os outros, notadamente daqueles que não se prepararam, não possuem recursos técnicos, intelectuais ou mesmo materiais. Os ingênuos, vamos chamar assim, sofrerão mais, aqueles que não têm e não se preocuparam em criar uma equipe criativa com bons colaboradores. Mas ninguém deverá fugir de uma reestruturação para redução de custos. Mesmo que doa. O ano nos reservou situações até então inéditas. Por mais que estejamos acostumados com a bandalheira praticada pelos políticos em cima do nosso dinheiro, as coisas desandaram de tal maneira que surpreendeu, passou dos limites. A construção de 12 estádios custou cerca de R$ 38 bilhões e, por mais que o governo afirme o contrário, esse dinheiro nunca mais retornará aos cofres públicos, mas serviu para fazer a fortuna de muita gente aumentar e criar novas, sem dúvida. Até a Fifa declarou que seis estádios seriam suficientes. Para ser politicamente correto, governo queria 17. Negociação resultou em 12 arenas. A maioria dos tais projetos de mobilidade que poderiam amenizar a situação de trabalhadores que perdem horas para ir e vir do trabalho, não foi feita e várias ficaram pela metade, mesmo assim custando os olhos da cara. Agora, temos as eleições onde corremos um risco mortal. Se acontecer uma reeleição, certamente vamos caminhar para uma cubanização bolivariana. Em recente discurso, que circula nas mídias sociais, importante personagem da política nacional declarou que o povo cubano vive mais dignamente do que o brasileiro. Para ele, só tem dignidade quem é pobre e submisso. Ser rico e pertencer à elite é crime. Se for branco e bonito, pior ainda. Imaginem os planos dele! É assustador. E essa declaração foi antes dos humilhantes 7x1. Ai eu pergunto: quem são esses empresários que pagam para ouvir esse personagem falar durante duas horas e depois o aplaudem de pé? Está muito difícil para todos nós traçar uma rota de vida nessa confusão toda. O que fazer? Bem, a luta maior é para não desanimar, afinal, a raça brasileira vive de “esperança” que está impregnada no nosso DNA, é ou não é? Agora, esperar o quê eu não sei. Em todo caso, como disse, vamos continuar fazendo nosso trabalho, e da melhor maneira possível. Gilberto e Giulio Gardesani no teste drive do Foison, da Lifan Está confirmado pela maioria dos economistas que o PIB brasileiro este ano terá um crescimento inferior a 1%. E pior, com uma inflação descontrolada. Um cenário que apavora qualquer um. E esse governo joga a culpa em cima dos pessimistas. Tudo culpa deles! Nem os excelentes resultados do agronegócio serão suficientes para resolver os problemas econômicos e financeiros do país. A safra de grãos 2014/2015 que será plantada a partir de setembro e colhida em março, será novo recorde e poderá chegar perto de 200 milhões de toneladas e a área plantada será superior a 30 milhões de hectares. Mesmo com os preços em baixa, a expectativa é de um crescimento de quase 4% na receita total, cerca de R$ 157 bilhões. Serão necessários muitos caminhões para transportar isso tudo contando com aumento e a necessária renovação da frota. A infraestrutura poderá melhorar um pouco com a privatização de alguns trechos importantes para o transporte dessa safra do campo para os portos. Como está previsto, a produção de caminhões este ano deverá ser 10% inferior, alcançando aproximadamente 135 mil unidades. Assim, a competição será ainda mais acirrada e todos ficarão de olho no índice de participação de mercado. É ai que mora o perigo. Edição: Gilberto Gardesani editoria@jornauto.com.br Membro da Cadastro: cadastro@jornauto.com.br Distribuição/Assinaturas: Daniela Baptista de Campos assinatura@jornauto.com.br Assistente: Giulio Gardesani Tuvacek giulio.gardesani@jornauto.com.br Colaboradores: Adriana Lampert (RS) Alexandre Akashi (SP) Cláudio Fernandes (SC) Eliana Teixeira (ES) Fernando Calmon (SP) Guilherme Ragepo (BA) Lidianne Andrade (PE) Luís Perez (SP) Mauro Geres (SC) Paulo Rodrigues (RS) Ricardo Conte (SP) Ricardo Divino (MG) Cultura automotiva EDIÇÃO 202- Agosto - 2014 Diretoria: Gilne Gardesani Fernandez Gisleine Gardesani Tuvacek Administração: Neusa Colognesi Gardesani Uma publicação da Produção Gráfica: Agência Maná Impressão: DuoGraf Comercial: Sérgio Ribeiro sergio.ribeiro@jornauto.com.br Rua Oriente, 753 - São Caetano do Sul - SP Cep. 09551-010 PABX: (5511) 4227-1016 contato@jornauto.com.br www.jornauto.com.br Circulação Nacional: Distribuição dirigida aos diretores e principais executivos que decidem pelas marcas de veículos e peças utilizadas em suas empresas, nos segmentos de frotistas urbanos e rodoviários de cargas e passageiros, rede oficial e independente de oficinas mecânicas, retíficas, varejistas e distribuidores de autopeças, fabricantes de veículos, concessionários, autopeças, equipamentos, prestadores de serviços, sindicatos e associações de classes que representam todos os segmentos do setor automotivo brasileiro. Auditada pelo: Nosso perfil (our profile): www.jornauto.com.br 4 Revista Jornauto

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EXCLUSIVA Bom filho a casa torna Ricardo Conte | São Bernardo do campo - SP Depois de exatos 17 anos, quando integrou a equipe que introduziu no mercado a linha Sprinter, Carlos Garcia dá a volta por cima. Não só venderá a família de vans no Brasil, como planejará seu marketing no comando de toda a operação comercial. G arcia assumiu, em março, a Gerência de Vendas e Marketing de Vans Brasil, respondendo direto a Philipp Schiemer, CEO da Mercedes-Benz para a América Latina. O executivo de 49 anos tem mais tempo dentro da companhia do que fora dela. Começou como estagiário em 1988 e hoje completa 26 anos de empresa, sendo 20 deles na área de Vendas. “Passo mais tempo aqui do que sozinho”, brinca. Acompanhou a marca alemã a se aventurar no segmento de comerciais leves, passando por várias outras experiências, sempre em Vendas. Transitou na comercialização automotiva importada e nacional com o Classe A. Em 2002, foi para a Daimler na Alemanha para vender o pequeno Smart (Fortwo - para dois passageiros), no Brasil desde 2012. “Serviu para conhecer alguns mercados europeus”, disse. Voltou três anos mais tarde para desenvolver planejamentos em Vendas e Produção – aspectos importantes Carlos Garcia de marketing comercial para adequar a demanda com flexibilidade – e atuar em Exportação de caminhões, vans e ônibus para a América Latina. Porém, na linha de frente nas vendas de caminhões só a partir de 2008. Mercedes-Benz cresce mais que mercado Há uma década o número de Large Vans (vans grandes) no mercado doméstico praticamente triplicou. E a Sprinter faz parte delas. Lançada em 1997 supera a comercialização de 108.542 unidades até junho último. O executivo conhece bem o produto, desde seu início, passando a escrever parte de sua história no mercado. O que lhe dá competência na gestão do conhecimento do produto e mercado para assumir as novas responsabilidades por Vendas e Marketing da família de vans Sprinter no Brasil. Este engenheiro mecânico, agora no cargo de gerente sênior falou do produto, mercado e suas expectativas com exclusividade para revista Jornauto. Logo de início, destaca as 2.392 unidades emplacadas no acumulado dos últimos seis meses, onde obteve um crescimento de 38% nas vendas de vans de passageiros da linha Sprinter em relação ao mesmo período de 2013. “Se olhar para o total do mix, as vans representaram 48% das vendas”, esclarece. O volume total de emplacamento da linha Sprinter somou 4.876 unidades. Segundo ele, 32% (1.536 unidades) representadas por furgões, onde a marca alemã detém 18% de participação nesse segmento. “Até o momento, o ritmo de vendas de furgões está equivalente ao mesmo período do ano anterior. Existe uma pequena queda, inexpressiva. Consideramos um mercado estável”, argumenta. Já os chassis com cabina representaram 20% (948 unidades) desse mesmo volume. A Sprinter mantém 20,4% de share nesse segmento. Esse mercado específico no todo, diz, apresenta leve queda, mas também considera estável. “Apesar de que nós tivemos uma perda de 10% em função de outros negócios que priorizamos no ano passado que este ano não ocorreu”, argumenta. De olho nas Large Vans até 5 t Garcia monitora todo mercado de Large Vans (que incluem os subsegmentos de vans, furgões e chassis) onde informa ter obtido 23,1% de market share até junho. Percentual crescente desde o fechamento de mercado do ano de 2012, que foi de 14,9%, e acima de 2013, 20,9%. No acumulado até junho, enquanto o mercado total se elevou apenas 1%, as vendas de Sprinters cresceram 9%. Um pouco puxado pela Copa do Mundo. Segundo ele, abril e maio, puxaram as vendas. As empresas tiveram que investir para transportar visitantes. Muitas vans fizeram esse serviço. “A seleção da Alemanha andou de Sprinter. Como falamos na nossa campanha para Sprinter Chassi 311 CDI 6 Revista Jornauto

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quem tem estrela vieram buscar mais uma”, brinca. A Mercedes-Benz disponibiliza mais de 50 versões do veículo, englobando acessórios, tetos alto ou baixo e três opções de entreeixos (curto, longo e extra longo) nas faixas de PBT de 3,5 toneladas, 3,88 t e 5 t. “Se olharmos para essa composição, temos 10 versões distintas de chassis, 11 de vans, 28 de furgões e 2 que denominamos mistas voltadas para nichos específicos”, informa. Com a recente introdução do novo modelo 9+1 para o transporte executivo, foi ampliado o leque de vans comercializadas que, até então, contava com modelos de 15+1, 17+1 e 20+1 passageiros. É o menor modelo da família 415 em termos de passageiros, mas apresenta as mesmas dimensões do 15+1, base da sua plataforma. Com mais espaço no interior, privilegia uma configuração mais sofisticada voltada ao conforto e luxo. Garcia entende que com esse modelo a gama é estendida para atender nichos de mercados que precisa de um transporte mais refinado. Por exemplo, cita o translado de passageiros do aeroporto para hotéis que precisam de mais espaço para bagagens sem desprezar do conforto. “Entendemos que com esses quatro modelos atendemos um leque completo de demanda”, acredita. Sprinter Van 20+1 Furgão Como os comerciais leves são compostos dentro de um único segmento no Detran, fica difícil separar o que é o quê nesse bojo. O monitoramento dos fabricantes é feito a partir de veículos de 3,5 t a 5 t, considerados como semileves pela Anfavea, entidade representativa do setor da indústria. Abaixo disso e pouco acima, as vans e seus derivados também figuram. “Sempre dificulta um pouco definir estratégias pontuais, mas a gente tem que voar com os instrumentos que temos”, conclui. SPRINTER CDI 10 LUGARES Menor número de passageiros, maior espaço interno Navegando com os instrumentos que têm Olhando para o futuro, Carlos Garcia tem a meta de vender perto de 11 mil Sprinters até o final deste ano e comenta que existe uma série de movimentação voltada para o mercado de Large Vans que deverá expandir suas vendas nos próximos anos. Além de eventos importantes, como as Olimpíadas previstas dentro de dois anos no Brasil, o e-commerce, cada vez mais regulamentado, movimenta uma parcela de emplacamentos de furgões e chassis cabinados na entrega de cargas fracionadas. “Cresce bastante, principalmente, na área de Serviços. Tem uma importância na nossa produção, mas ainda é difícil pontuar seu real efeito dentro do nosso volume”, lamenta. E ações regionais, como a recente lei sancionada pela Prefeitura de São Paulo que regulamentou a venda de comida de rua na cidade. Muitos carrinhos de mão e barracas ambulantes vão ser substituídos por vans adaptadas com cozinha. Sua legalização foi aprovada por chefs de restaurantes para expandir suas marcas, levando seus pratos à rua. Tanto que já está sendo conhecidas por Food Truck. “É cedo avaliar, mas é um movimento positivo para nós”, disse. Já que o setor de Serviços se aponta forte nas pesquisas do PIB feito pelo IBGE, foi-lhe indagado por que não trazer para o Brasil o Vito, van de sucesso na Europa e em alguns países da América Latina. Agora também fabricado na Argentina de onde vem a Sprinter. “Estamos avaliando todas as possibilidades, como novas oportunidades de negócios. Trazê-lo depende de uma série de fatores. Não temos nenhuma previsão”, argumenta. O fato é que Carlos Garcia tem muito trabalho pela frente, diante do cenário positivo de crescimento que se acena de um mercado pouco nebuloso pelo fato de não se poder garantir com precisão tendências e caminhos a serem tomados para cada uma das versões. Por isso, não se arrisca em falar sobre perspectivas. New Vito Junho marcou o lançamento do mais novo modelo Sprinter com teto baixo, o menor da família 415 em termos de passageiros (9+1, ou seja, nove assentos para passageiros e um para o motorista), porém com dimensões iguais ao 15+1, que empresta sua plataforma. Completa a linha que oferece 15+1, 17+1 e 20+1 com distância entre-eixos de 3.665 mm, seu comprimento é de 5.910 mm, com largura de 2.426 mm (com espelhos), altura externa (com ar condicionado) de 2.580 mm e altura interior de 1.650 mm. O motor é OM 651 LA biturbo com potência de 146 cv e câmbio de seis marchas. O preço sugerido pela montadora alemã é de R$139.628 mais ICMS de 12%. Se destaca pelo maior espaço interno e itens de série, entre outros, bancos de couro com apoio de braços, portas de fechamento central por controle remoto, volante multifuncional ajustável, trio elétrico, piso carpetado, ar condicionado, controle de frenagem e estabilidade ESP Adaptativo, airbag, roda de liga leve, farol de neblina, limpador de para-brisa traseiro entre outros itens de série muito mais espaço interior, direcionado a fretamento e transporte escolar, para executivos ou turismo. Van 9+1 Revista Jornauto 7

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COMERCIAL LEVE Um retorno aguardado pelo mercado Gilberto Gardesani | Atibaia – SP Ford relança linha F com os modelos F-4000 nas versões 4x2 e 4x4 e a F-350, ano de fabricação 2015. Sua produção foi interrompida na fase de transição para a Euro 5 T udo foi uma questão de prioridades. O foco e os investimentos estavam na modernização da linha de caminhões e no lançamento do Cargo versão extrapesada. Em seguida, a empresa lançou os novos F-816 e o F-1119 que estão tendo boa receptividade no mercado. Lançado em 1975, a produção do F-4000 terminou em 2011, mas ainda em 2012 aconteceram algumas vendas. Nesse período, foram colocadas no mercado cerca de 170 mil unidades. Um produto que se tornou o sonho de todo feirante. É um dos veículos comerciais de maior valor de revenda do mercado. O modelo F-350 foi lançado cinco anos depois, em 1980. A marca tem tradição no segmento. O primeiro caminhão Ford produzido no Brasil foi um F-600, em 1958, na unidade do Ipiranga, inaugurada em 1953. Esse produto passou por várias fases quando recebia modernização em estilo e mecânica, criando um forte vínculo da marca com os frotistas. Muitos começaram a vida com um Ford, que oferecia resistência suficiente para superar as dificuldades da época. A Ford anuncia suas sugestões de preços. Constará na tabela oficial o valor de R$ 101.290 para o F-350, R$ 117.290 para o F-4000 versão 4x2 e R$ 133.290 para a versão 4x4. Todos estão devidamente credenciados a receber financiamento do Finame. Receptividade Guy Rodriguez, diretor da divisão de caminhões da Ford, destaca a importância que a empresa dá a esse setor, oferecendo uma linha completa de veículos comerciais, com forte presença em vários segmentos e com planos para ampliar ainda mais. GUY RODRIGUEZ Com o lançamento dos extrapesados 2042 e 2842, primeiros caminhões globais da marca, a Ford mostrou uma nova atitude com relação a esse segmento. Esses novos caminhões que são produzidos também na Turquia, foram totalmente desenhados nos estúdios de Camaçari, Bahia e desenvolvidos em parceria com os europeus. Para voltar a produzir esses modelos para os segmentos de leves e semileves, a Ford investiu em desenvolvimento e instalação de equipamentos na nova e exclusiva linha de montagem, para continuar a oferecer um produto com a qualidade prometida. Para operar a nova linha foram contratados 200 novos funcionários. E, para mostrar o prestígio que o F-4000 e o F-350 ainda têm no mercado, Guy revela que o plano de pré-venda foi um sucesso, obtendo mais de 700 pedidos firmes, feitos com entrada paga. O diretor ressalta que esses compradores têm tanta confiança na marca que compraram um produto que ainda não tinha sido produzido, portanto, nem tiveram a oportunidade de testá-lo. Para premiar essa atitude, foram beneficiados com um desconto de 10% e terão as duas primeiras revisões grátis. Estratégia de mercado Para Antonio Baltar, gerente Geral de Vendas e Marketing, esses produtos retornam para atender um mercado totalmente aberto, nenhuma outra marca surgiu para preencher a lacuna deixada por eles. ANTONIO BALTAR 8 Revista Jornauto

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O F-4000 é um modelo, segundo Baltar, com vocação para atender várias necessidades de produtores, principalmente de hortifrutigranjeiros da área rural, enquanto o F- 350 opera com vantagens na zona urbana. Únicos no mercado com cabina recuada, mais baixa, o que torna o entra e sai muito mais facilitado. Já a versão 4x4 do F-4000 foi reclamada principalmente por empresa que prestam serviços de manutenção, por exemplo, em redes elétricas. O fabricante já está em negociação com empresas do setor, inclusive com o Exército brasileiro. “Não tem nenhum outro que faça esses serviços com a robustez e a versatilidade do F-4000”, garante Baltar. Quem está exultante com esses relançamentos é, sem dúvida, a rede de concessionários da marca. São 140 pontos de atendimento comercial e técnico, com presença em todos os estados do Brasil. Eles promoverão um maior fluxo de clientes e aficionados da marca que, sem dúvida, serão atraídos para conhecer o resto do portfólio. Outro fator que pode impulsionar as vendas é o consórcio criado especialmente para esses produtos, com grupos maiores, baixa taxa de adesão e administração. Pense Ford, pense forte Este é um lema criado para transmitir a filosofia da empresa e os cuidados com que ela trata essa divisão de produtos comerciais. O gerente de Engenharia Flávio Costa conta que o desenvolvimento das novas séries exigiram mais de 700 mil km de testes na pista que a Ford tem em Tatuí, interior de São Paulo, a única no Brasil preparada para testar veículos comerciais. A cabina manteve o design anterior, mas está sendo construída, conta Flávio, com FLÁVIO COSTA equipamentos mais modernos e recebeu diversos melhoramentos que a torna mais confortável, contando inclusive com ar condicionado de série. O trem de força foi totalmente renovado, utilizando o novo motor Cummins ISF 2.8L, com 4 cilindros em linha e potência de 150cv@3200rpm e torque de 360Nm@1500/2900rpm. Utiliza sistema SCR de pós-tratamento com adição de ARLA. O fabricante garante baixo nível de vibração com cerca de 6% de economia em relação à geração anterior. A transmissão é da Eaton, modelo FSO 4505, mais leve, com cinco marchas. O eixo traseiro é fornecido pela Dana, modelo 70 para o F-350 e 80 para o F-4000. Flávio Costa garante que tudo foi feito para oferecer a relação mais adequada ao uso urbano e rural. A suspensão dianteira é do tipo Twin-I-Bean com barra estabilizadora no F-350 e eixo rígido tubular com barra estabilizadora no F-4000. A suspensão traseira foi construída com eixo rígido e barra estabilizadora. Tudo com amortecedores de dupla ação. Estão equipados com sistema ABS nas quatro rodas e EBD, de série. Os freios são hidráulicos, de duplo circuito, com servo-freio assistido pela mesma bomba que também aciona a direção fornecida pela ZF Sistemas de Direção, uma joint-venture com a Bosch. A garantia é de 12 meses, de para-choque a para-choque e de 24 meses somente para o trem de força. Revista Jornauto 9

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UTILITÁRIO Troller foi mais longe Fernanco Calmon | Fortaleza - CE Sempre se costuma perguntar a razão de o Brasil não ter nenhuma marca de automóvel, utilitário ou comercial leve de origem genuinamente nacional. A final, como quarto maior mercado interno no mundo (e caminhando para terceiro, deve passar o Japão, mas pode voltar à quarta posição se a Índia deslanchar) as condições estariam dadas. Tentativas foram feitas, mas mesmo que vingassem seria bastante difícil sobreviver. Indústria automobilística é bem mais complexa do que parece. Está muita sujeita a altos e baixos da economia e a regulamentações severas de segurança e emissões, além dos riscos industriais da produção seriada, entre eles o dos recalls. Por isso, várias marcas sucumbiram ou foram anexadas. Até hoje o cenário mundial não aparenta estar consolidado. Nesse cenário a marca nacional que chegou mais longe foi justamente a que é sediada mais distante dos grandes centros consumidores, a Troller. Fundada em 1995, em Horizonte, a 40 km de Fortaleza (CE), pelo engenheiro cearense Rogério Farias, se especializou em utilitários parrudos para o fora-de-estrada. Produziram-se em torno de 10.000 unidades em 19 anos. Desde 2007 a marca se desnacionalizou – pertence à Ford –, porém sobrevive. O interesse se deu pelos incentivos fiscais criados para apoiar a descentralização da indústria em direção ao nordeste e centro-oeste. “Nosso objetivo ao desenvolver o Novo Troller T4 foi ampliar as qualidades que todos conhecem e são parte da sua essência off-road, entregando ao mesmo tempo um veículo mais moderno e avançado em termos de conveniência e acabamento para uso em diferentes tipos de pista”, explica Wilson Vasconcellos Filho, gerente de Vendas, Marketing e Serviços da Troller. WILSON V. FILHO Mecânica nova O novo Troller tem entre-eixos aumentado (agora 2,58 m), o que melhorou espaço para as pernas atrás, embora o acesso continue difícil como se espera de um veículo alto e de duas portas. O ângulo de saída passou para 51°, ou 14° a mais que o modelo anterior. Agora conta com motor Diesel 5-cilindros de 200 cv/48 kgf.m e câmbio manual de seis marchas, formando um conjunto mais silencioso e de alto desempenho com tração 4x4 temporária, reduzida e diferencial traseiro autobloqueante. Preço é puxado – R$ 110.990; anterior R$ 97.000 –, porém seu público-alvo já tem dois outros veículos na garagem e concorrente direto, o americano Jeep Wrangler, não sai por menos de R$ 155.000 (gasolina). O preço inclui ar-condicionado digital bizona, computador de bordo, sistema de som (CD Player MP3), dois tetos solares fixos, rodas de aro 17 pol, proteções de partes inferiores e freios ABS específico para fora de estrada, entre outros recursos. Há mais de 130 itens de acessórios homologados. Regulamentação do Contran dispensa instalação de airbags, mas uma futura versão de visual “civil” vai dispor das bolsas de ar, desativáveis por chave em caso de uso severo em baixas velocidades. Dando se recebe Incentivos, aliás, há em todos os países. Só recentemente veio à tona o volume fabuloso de recursos que estados menos desenvolvidos nos EUA concederam às marcas japonesas, “convencidas” a se instalar no país depois de enfrentarem cotas de importação. O fato é que, por décadas seguidas, os estímulos retornam em valores muito superiores aos doados. No ano que vem se encerram as vantagens recebidas pela Ford (inclusive na baiana Camaçari), enquanto a Troller inicia agora outra fase com o novo T4 lançado semana passada. Investiram-se R$ 215 milhões para aumentar a produção de 1.200 unidades/ ano para 3.000/ano em apenas um turno com 400 empregos diretos. O processo produtivo em compósito de fibra de vidro para a carroceria é mais moderno e inclui seis robôs. O T4 foi totalmente reformulado, inclusive no estilo, que pode ser discutível, mas sem abrir mão de forma e função, hoje tão maltratadas em pseudoaventureiros que contaminam as ruas e estradas por puro modismo. 10 Revista Jornauto

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CARGA LEVE Foison, a opção da Lifan para distribuição urbana Gilberto Gardesani | Salto – SP Montado no Uruguai, cumprindo todas as exigências das regras do Mercosul, a Lifan está lançando no mercado nacional seu minitruck Foison. ambém produzido na sua fábrica do Uruguai, que passa por uma fase de ampliação, a Lifan já comercializa no Brasil, desde maio de 2013, o utilitário esportivo X60 e se prepara para lançar o sedan 530. Na visão de Luiz Augusto Zanini, diretor de Marketing da Lifan, a saída da Kombi deixou um espaço que pode ser ocupado, em parte, por um produto versátil e de preço muito competitivo como o seu modelo Foison, que está sendo oferecido no mercado equipado com motor 1,3 a gasolina, com potência de 85cv@6000rpm e torque de 11,3kgfm@3000/5000rpm. “Entendemos que o Foison ocupa um espaço existente entre os VUC’s com motor 1.0 e os comerciais leves com motores maiores e cuja área e capacidade para carga é menor. É o único veículo verdadeiramente minitruck que reúne o melhor da categoria de veículos urbanos de carga com economia e maior capacidade de carga tanto em peso quanto em volume”, garante Zanini. “A Lifan faz a importação direta dos produtos da marca e assim, além de não precisar custear nenhum importador, não corre o risco de ver os produtos abandonados na primeira dificuldade encontrada”, acrescenta Zanini. O Foison tem apenas dois preços: R$ 34.990 para a versão básica já equipado com a caçamba e com o valor do frete, para qualquer lugar do Brasil, embutido nesse preço. T LUIZ AUGUSTO ZANINI JAIR LEITE DE OLIVEIRA A versão equipada com ar condicionado e direção eletro-assistida, rádio AM/FM digital com entrada auxiliar, tomada 12V auxiliar, ar quente e luz de leitura, entre outros itens. custa R$ 37.990. Mas, Jair Leite Oliveira, diretor Comercial da Lifan acena com descontos interessantes para compras de lotes que podem ir de 7% a 12,5%. Assim, a Lifan pretende atrair pequenos, médios e grandes frotistas que operam em sistemas logísticos e precisam de um produto ágil para atuar em ambiente urbano de trânsito pesado. A perspectiva é comercializar de 200 a 250 unidades por mês. “Os clientes da Lifan podem adquirir seus produtos tranquilamente, pois a empresa já possui uma rede com 42 revendas em pleno funcionamento, 12 em fase de implantação e está negociando com mais 26 interessados”. “Se alguém tem interesse em representar a marca, pode nos procurar”, avisa Oliveira. “Sabemos que o consumidor que compra um utilitário como esse não pode ficar sem o carro, pois na maioria dos casos ele é seu sustento”, explica Oliveira, enquanto revela o empenho da Lifan para oferecer o melhor serviço pós-venda aos seus consumidores. Características mecânicas O Foison, que enfrentará vários e poderosos concorrentes no mercado nacional, desde as versões furgões derivadas de marcas já bem conhecidas e de produtos chineses e coreanos com as mesmas características, atende as normas nacionais e vem equipado com ABS e airbag duplo. O Foison, pronuncia-se Fóison, tem capacidade para transportar 800 quilos de carga líquida e, equipado com baú, que é montado utilizando a base 12 Revista Jornauto

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Pronto para o mercado O mercado para esse tipo de veículo depende muito do consumo das famílias. Se atualmente o comércio não está passando por uma fase boa, por outro lado a concorrência maior obriga esses empresários e aqueles que são prestadores de serviço, a se equipar e fazer a diferença para não perder clientes. A Lifan, que está instalada em Salto, interior de São Paulo, conta com estrutura completa para comercializar e pretende dar bom atendimento aos seus produtos. A equipe foi escolhida a dedo e tem anos de experiência no mercado automotivo. Portanto, já começam trabalhando e sabem perfeitamente o caminho do sucesso. Uma vantagem interessante. Como não podia deixar de ser, possui um departamento de pós-venda completo, com treinamento tanto comercial como técnico e um armazém de 3.500 m2 contendo 3.800 itens diferentes que somam 135 mil peças. Carlos Tavares, o responsável pelo setor, afirma que a disponibilidade de peças estocadas atendem de imediato, 92% das solicitações. Um bom índice. Foram investidos R$ 750 mil e já existe uma programação para investir mais R$ 500 mil. O engenheiro Jean Paul Ricard, que é o responsável pela adequação do produto ao mercado nacional conta que foram realizados testes de mais de 50 mil km em diversos tipos de piso, clima e topografia com o veículo carregado com carga total e meia carga. Os veículos testados passaram por diferentes climas de chuva e sol, em asfalto e terra, em temperaturas entre 21,3 graus a 41,8 graus. A tabela ao lado ilustra bem onde esses testes foram realizados e o consumo obtido em cada um deles. Todas as revendas contarão com uma unidade para testes e outra dar suporte as seus clientes, substituindo um veículo que está sofrendo repaPREÇOS DE REVISÃO ros, por exemplo. A garantia é de dois anos sendo total no primeiro e no segundo contempla o trem de força: motor, transmissão e diferencial. A Lifan também revelou seus preços de revisão: da sua caçamba, pode levar até 6,5m3. Isto com baú ocupando apenas a largura normal do veículo, mas, legalmente, esse baú pode ser construído até 5 cm mais largo em cada lado e ai o espaço para volume transportado também é maior, chegando a 7m3. O espaço da caçamba, que tem abertura pelos três lados, é generoso: mede 2800mm de comprimento por 1520mm de largura e 335 mm de altura. Pode carregar três motos sem nenhum problema, ou dois pallets oficiais ou ainda 45 garrafões de água, por exemplo. Como ninguém faz milagres, a cabina, que tem as mesmas características de seus concorrentes coreanos e chineses, não é espaçosa e não oferece muita comodidade, mas abriga bem pessoas de até 1,70 metros de altura. O seu interior tem forração de borracha no piso para facilitar a limpeza e a cobertura dos bancos é em tecido impermeável. A sugestão que fazemos é para a engenharia da Lifan cuidar mais do isolamento da parte inferior da cabina, reduzindo a passagem do ruído do motor para o seu interior. Nada muito perturbador, apenas um aperfeiçoamento para dar mais conforto ao operador. Mesmo carregado com peso útil total, é muito fácil de dirigir por qualquer pessoa que tem automóvel e precisa apenas portar a carteira categoria “B”. Isso é importante porque, geralmente, quem adquire esses produtos são pequenos comerciantes e prestadores de serviços. O comprimento total é de 4580mm, largura total 1615mm com a altura de 1892mm. Tem 2800mm de distância entre eixos, bitola dianteira de 1310mm e traseira de 1320mm. O peso, em ordem de marcha é de 1000kg. No tanque cabem 40 litros de combustível. As rodas são de aço com pneus medindo 175/70 R 14. É bem manobrável em espaços reduzidos. Seu Diâmetro de giro é de 10,5m. Atego 2430 Revista Jornauto 13

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