Revista Jornauto 199

 

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Ano 25

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EXPEDIENTE - EDITORIAL Perdidos no tempo e no espaço fossem eles - continuarão a separar cerca de 30% do Não há um só executivo do setor automobilístico que pospreço FOB obtido para pagar o frete e armazenar sua sa, de sã consciência, afirmar o que vai acontecer neste produção nas carroçarias dos caminhões. ano. O discurso é de otimismo e não poderia deixar de ser. Chego quase sentir pena dos marqueteiros desses goOs líderes de empresas fabricantes de veículos que atuam vernantes. A lambança é tão grande que eles já não no Brasil, novas e antigas, são os responsáveis pelos insabem o que dizer. Inventam desculpas ridículas. Não vestimentos que estão sendo feitos, e são muitos, alguns dá para rir porque são trágicas. ultrapassando bilhões. Aliás, a soma desses valores, englobando todos os setores do segmento, de 2011 a 2015, Gilberto Gardesani, Enfim, os executivos de empresas do setor automobilísultrapassa, seguramente, R$ 20 bilhões. editor da revista Jornauto tico não conseguem obter dados confiáveis para fazer suas previsões e devem trabalhar no dia a dia. O que Hoje, as fábricas estão preparadas para produzir mais de não é fácil e exige muito jogo de cintura. 4 milhões de unidades por ano e, em 2013, alcançamos 3,74 milhões, um recorde, Ainda não dá para dizer que 2014 será um ano perdido, mas que eles estão perdidos 9,9% superior às 3,40 milhões de 2012. Já em 2016 teremos condições de produzir com relação a 2014, isso não tem dúvida! acima de 5 milhões. Qual será o crescimento do PIB? E a exportação? A dívida interna continuará crescenExcesso de otimismo no segmento específico de veículos? Não, segundo eles. “Um do? Como será o comportamento do câmbio? O governo conseguirá domar a inflasetor como o nosso não pode pensar apenas nos próximos 12 meses, temos que ção? E os juros? E o crédito? E o nível de empregos? A gastança nesse ano eleitoral planejar nossas ações para os próximos 10 anos”, disse um dos mais importantes será muito alta? Qual o nível de confiança da população nesse governo? Qual será a dirigentes. Claro, se não for assim, como obter da cúpula internacional o apoio necesinfluência da copa do mundo e da eleição na economia? E se o Brasil perder a copa? sário para investir aqui? E se ganhar? Se a Dilma for reeleita? Se a Dilma perder a eleição? Quantas dúvidas! Segundo dados da Anfavea, a produção, em 2013, foi a maior de todos os tempos Bem, se a produção total de veículos cair 5% ainda assim será bom, dizem alguns graças ao crescimento das exportações que alcançou um total de 445.219 unidades mais realistas. O mercado será mais competitivo, claro! montadas mais 27.263 em CKD. As vendas de automóveis e comerciais leves produMas, a previsão para o segmento de caminhões e ônibus deve ser encarada distinzidos no Brasil recuaram quase 1%, somando 2,85 milhões de unidades. Motivos? tamente. Ano passado as vendas de caminhões cresceram 13%, nos números da Cada um tem sua explicação, mas juntando tudo, as causas principais foram: falta Fenabrave, alcançando 155.691 unidades. As de ônibus alcançaram 35.628 chassis, de confiança nas ações do governo – essa faixa da população que compra veículos aumento de 21%. novos, geralmente, ouve os noticiários, lê jornais e revistas, entende parte do que ouve A maioria dos analistas afirma que esses mercados ainda poderão crescer este ano e do que lê – endividamento, falta de crédito e juros elevados. com o aumento da safra, de obras em andamento, da copa e de uma possível implanTodos nós estamos sentindo no bolso a elevação da inflação real, observamos dados tação do tal programa de renovação da frota, Mas, também nesse caso haverá forte de queda de investimentos e de produção em vários outros segmentos com forte aumento de competitividade devido a entrada de novos fabricantes. perda de competitividade internacional, do aumento da dívida interna, prejuízo nas Mas, quanto esses mercados poderão cair ou crescer? exportações que só foi positiva devido a uma exportação fantasma de plataformas da Tem uma bola de cristal ai? Conhece uma boa cartomante? Um jogador de tarô? Um Petrobrás. Ah, Senhor Mantega! bom terreiro de candomblé? Senão, saravá, meu pai! Se esse ministro fosse diretor financeiro de qualquer empresa privada - mesmo daEm todo caso, anuncie na revista Jornauto. Ninguém poderá dizer que você se omitiu quelas que tem executivos que pagam altas somas para assistir palestras do Lula e poderá dizer alto e bom som: “enquanto todos praguejavam contra o frio, eu fiz - estaria na rua há muito tempo. minha cama na varanda”. A infraestrutura continua a Deus dará. Deverá ter alguma melhora nos próximos anos, Feliz 2014. mas apenas em poucas estradas privatizadas. Os plantadores de grãos – ah, se não Edição: Gilberto Gardesani editoria@jornauto.com.br Membro da Cadastro: cadastro@jornauto.com.br Distribuição/Assinaturas: Daniela Baptista de Campos assinatura@jornauto.com.br Assistente: Giulio Gardesani Tuvacek giulio.gardesani@jornauto.com.br Colaboradores: Adriana Lampert (RS) Alexandre Akashi (SP) Cláudio Fernandes (SC) Eliana Teixeira (ES) Fernando Calmon (SP) Guilherme Ragepo (BA) Lidianne Andrade (PE) Luís Perez (SP) Mauro Geres (SC) Paulo Rodrigues (RS) Ricardo Conte (SP) Ricardo Divino (MG) Cultura automotiva EDIÇÃO 199 - Fevereiro - 2014 Diretoria: Gilne Gardesani Fernandez Gisleine Gardesani Tuvacek Administração: Neusa Colognesi Gardesani Uma publicação da Produção Gráfica: Maná comunicação Impressão: DuoGraf Comercial: Sérgio Ribeiro sergio.ribeiro@jornauto.com.br Rua Oriente, 753 - São Caetano do Sul - SP Cep. 09551-010 PABX: (5511) 4227-1016 contato@jornauto.com.br www.jornauto.com.br Circulação Nacional: Distribuição dirigida aos diretores e principais executivos que decidem pelas marcas de veículos e peças utilizadas em suas empresas, nos segmentos de frotistas urbanos e rodoviários de cargas e passageiros, rede oficial e independente de oficinas mecânicas, retíficas, varejistas e distribuidores de autopeças, fabricantes de veículos, concessionários, autopeças, equipamentos, prestadores de serviços, sindicatos e associações de classes que representam todos os segmentos do setor automotivo brasileiro. Auditada pelo: Nosso perfil (our profile): www.jornauto.com.br 4 Revista Jornauto

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MERCADO DE CARGA Menos volume, mais participação Ricardo Conte | São Paulo – SP O negócio de caminhões na distribuição urbana caiu nos segmentos menores (semileves registraram -15,8% e leves, -3), mas a maioria das marcas participante ganhou mais espaços para alguns de seus produtos. Já os médios cresceram 10,2%. N ada mal para um mercado que sofre constantes mudanças de circulação nas cidades. Um conflito gerado pela necessidade de se transportar, cada vez mais, mercadorias para uma população crescente, enfrentar competitividade nos serviços, legislação restritiva e complexas logísticas para vencer os caóticos trânsitos urbanos. De furgões grandes a caminhões, carregam cargas dos mais variados tipos que demandam veículos com configurações também variadas. Pior, acabam se adequando às mudanças de padrões do consumidor, e não o contrário, decorrente do avanço tecnológico que causa alterações extremas em vários setores, em especial no comércio varejista. Ainda sofrem a pressão da comunidade nas questões ambientais para minimizar os impactos negativos das atividades de carga e descarga. Para se manter competitivo nesse mercado, os fabricantes abrem mão da criatividade da sua engenharia e moldam esses veículos, em especial dos segmentos menores, onde disputam caminhonetes, chassis cabinados, furgões e picapes acima de 3,5 toneladas; não menos versáteis são os caminhões leves para aplicações a partir de 6 t; e os médios entre 10 t a 15 t. O que implica constante e alto investimentos sem perspectiva de atrativas taxas de crescimento. Como vem acontecendo no mercado de pesados. Tanto que do volume total de mercado de 154.549 unidades licenciadas, segundo a representante do setor Anfavea, 67,3% foram predominados pelos caminhões acima de 15 t., graça às safras anuais recordes. Só os extrapesados representam média de 35% ao ano. Mas, aí, é outra história. dos para atingir os padrões de emissões da nova reALVONIR ANDERLE gulamentação (Euro5)”, explica Alvonir Anderle, diretor de Vendas de Veículos. Para ele, a necessidade desses veículos voltar a ser crescente é certa, logo que sua circulação for mais eficiente no transporte de mercadorias, insumos e produtos. “Enquanto não houver uma política que favoreça esse transporte nos grandes centros urbanos, as transportadoras não poderão planejar adequadamente a renovação de sua frota e dimensionar a demanda necessária”, disse. Iveco Daily e Vertis, destaques do ano A Iveco acredita o mercado de distribuição urbana caminha ancora¬do no setor de varejo com o crescente aumento do consumo familiar que tem alavancado as vendas desses caminhões. Apesar de que sur¬preendeu a indústria em 2013 com aumento tímido de pouco mais de 4%. A opinião é de Alcides Cavalcanti, diretor Comercial no Brasil, que afirma que os negó¬cios de comerciais leves estão fortemente ligados ao comércio. Disse que, no caso da marca italiana, esse crescimento movimenta a linha Daily, que teve uma expansão importante na participação de mercado no ano passado. Foram comerALCIDES CAVALCANTI cializadas 7.316 unidades em 2013. Apesar de fugir da política de segmentação do mercado composta pela Anfavea, que considera veículos co-merciais a partir de 3,5 t, o executivo comenta: “Considerando nossa faixa de atuação de 2,8 até 7,9 toneladas, assumimos, desde 2012, a liderança desses subsegmentos justamente por estar a Daily muito ligada aos setores urbanos e avança um pouco no mercado interurbano”, disse. As gaúchas International e Agrale na espera A International, da americana Navistar, após inaugurar sua fábrica em meados do ano passado, em Canoas (RGS), tem meta em negociar parceria para produzir caminhões leves com PBT de 6 a 9 toneladas. Uma possível “joint venture” é com a chinesa JAC Motors, que já faz isso na China, por meio da fabricante de motores MWM, empresa do Grupo Navistar. Lá, a engenharia brasileira desenvolve os propulsores. Aqui, já produz o caminhão semipesado DuraStar e o pesado 9800i que vendeu menos em 2013, comparado com o ano anterior (-2,9%), mas pulou de nona para sétima posição no mercado doméstico nacional.Logo atrás dela, está outra gaúcha, a pequena Agrale, que trabalha seus produtos dentro de oportunidades de nichos nos segmentos leves e médios. Já que seu forte é produzir ônibus urbanos. A única dentre todas as montadoras a apresentar retração razoável de -16%. “Parte se deve ao maior impacto que acarretou nos modelos menores com a introdução de equipamentos adiciona- 6 Revista Jornauto

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Segundo ele, ao longo de 2013, duas categorias se destaca¬ram: o Daily 35, que conta com a robustez de um pequeno caminhão e a eco¬nomia de combustível como principal fator de sucesso, e o Daily 70, que pegou o vácuo do produto descontinuado pela concorrência (a Mercedinha 710). Considerando o mercado total onde atua toda gama Daily, que vai dos Leves (Daily 35/45/55) até uma pequena parcela dos Médios (Daily 70), a Iveco manteve a sua liderança com aproximadamente 25% de participação. “Tivemos uma forte atuação no segmento de chassis cabinados, no qual obtivemos cerca de 50% de participação, ou seja, a cada 2 veículos chassi-cabine vendidos, onde a Daily atua, 1 é da Iveco” afirma. Já no segmento de médios, as novas versões HD (Heavy Duty) do Vertis para aplicações de 9 e 13 toneladas (esta última com cabina estendida) emplacam no mercado varejista. Segundo o executivo, as categorias da faixa em que atua, de 8 a 15 t, comercializaram 38,5 mil unidades em 2012 e em 2013 beirou 43 mil unidades, alta de 11% comparado ao ano de 2012. O Vertis HD, lançado no início do ano passado, começou a ser entregue ao mercado em março, mas os primeiros licenciamentos começaram a aparecer entre abril e maio, fechando o ano com 1.238 unidades, alta de 55%, logo na quarta coloca¬ção apenas dois pontos e meio percentuais de participação abaixo do terceiro. “O Vertis teve boa aceitação por parte dos varejistas e um “share” de cara de 12,35%”, informa. As vendas totais da Iveco, incluindo das suas linhas, somaram 15.414 unidades emplacas, contra 14.961, crescimento de 3%. Segundo o executivo, este ano o varejo continuará sendo significativo para esses segmentos. “A distribuição urbana ganha força ano após ano com as restrições de circulação implementadas nos grandes centros urbanos, no fundo, o que favorece o crescimento de mercado, além da provável continuidade do aumento do consumo no país”, Conclui. da renda, endividamento, aperto no crédito e juros mais altos contribuíram para o desempenho pouco ansiado. No ano passado, a montadora alemã, que atua com uma ampla gama de veículos em todos os segmentos, pela primeira vez, esteve mais perto do mercado da distribuição urbana do que a rodoviária para aplicações mais pesadas. Ficou visível sua briga pelas primeiras posições nos segmentos de semileves aos médios e mais distante nos pesados e extrapesados. As novas linhas Atron e Axor, aos poucos, cresce aos olhos das transportadoras. O que não foi uma grande surpresa. A Mercedes-Benz apostava no leve Accelo 815 que, no primeiro semestre daquele ano, beirava três mil unidades emplacadas e acumulava crescimento de 200% em relação ao mesmo período do ano anterior. “O mercado mostrava retomada dos negócios”, disse. Contudo, o caminhão leve somou boa venda (6.124 unidades), mas perdeu terreno ao longo do ano, ficando na terceira colocação, sendo ultrapassado pela concorrência (Cargo e Delivery) por apenas dois pontos percentuais. “Conseguimos participação de 19,5% do mercado”, informa. Mercedes-Benz ficou mais próxima do setor urbano “O varejo é um setor importante da economia brasileira. Vinha registrando crescimento no primeiro semestre de 2013. Esperávamos uma expansão entre 5% a 7% comparada ao volume de 2012. Mas foi menor”, lamenta Gilson Mansur, diretor de Vendas e Marketing de Caminhões. De fato, as vendas do comércio varejista cresceram, mas fecharam o ano com alta de apenas 4,3%. O pior resultado em dez anos, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Inflação, crescimento menor O Accelo 1016 também dava indício de disparar - no período de janeiro e julho daquele ano apresentava crescimento de 319% -, mas terminou logo atrás do Accelo 8 t., com um “share” quatro pontos percentuais abaixo, na quarta posição. Mesmo assim, vendeu bem: 4.718 unidades. O mesmo aconteceu com o Atron 1319 que registrava crescimento de 275% e até conquistou a vice-liderança no segmento dos médios. Mas acabou longe do principal concorrente (o líder Constellation 13.190) e apenas 3,3% de participação acima do Cargo de 13 t, terceiro GILSON MANSUR colocado. Licenciou 1.839 unidades. No entanto, estrela de três pontas da marca brilhou na linha Sprinter, importada da argentina, em especial os modelos 515 e 415 que foram, respectivamente, os mais procurados pelos setores de entrega rápida e prestação de serviços, juntos assegurando mais da metade da participação de mercado. É bom lembrar que o ex-líder disparado, nos anos anteriores, a picape Ford F-350 abriu espaço ao sair do mercado. Segundo Adriana Taqueti, responsável pela linha Sprinter, a Mercedes-Benz passou a implementar a estratégia de crescimento planejada dois anos antes. Basicamente, consistiam em dois pontos: a renovação do portfólio e a ADRIANA TAQUETI reestruturação da rede de concessionárias. Revista Jornauto 7

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Além disso, a nova regulamentação voltada para o segmento de ambulâncias, tanto a nível da iniciativa privada como pública, para dar suporte diferenciado para os furgões, deverá incrementar as vendas de Sprinters. “Têm muitas empresas buscando adequar-se e a própria distribuição urbana que aumenta a entrega expressa de carga de pequenos volumes de baixo peso. Resultado de compras de produtos via internet. O que explica em parte a demanda maior para chassis cabinados. Mesmo dentro de um cenário em que se fala da queda do volume varejista, outros despontam como promissores”, afirma. caminhões que circulam pela capital paulista e das conseqüentes restrições de tráfego. Um decreto municipal (48.338) de 1997 o definiu para ser veículo de menor porte com capacidade de carga até 3 toneladas, largura máxima de 2.20m e comprimento até 6,30m. MAN foi campeã nas vendas no mercado total Outra fabricante alemã, a MAN desenvolve veículos de 5 a 10 toneladas com a marca Volkswagen, tanto para a distribuição urbana como para rodoviária de curtas distâncias. “Nossa motorização permite essa flexibilidade nos nossos produtos para atividades nos centros urbanos. Se houver necessidade de utilização rodoviária, atendem plenamente”, garante Antônio Cammarosano, diretor de Vendas para o Mercado Nacional. Segundo ele, em função do baixo crescimento ANTÔNIO do PIB, o setor de distribuição não teve o cresCAMMAROSANO cimento esperado. Porém, com a atenção que os municípios devam dar à mobilidade urbana, os veículos tipo VUC deverão ter sua demanda elevada. “O VUC é um veículo mais eficaz do que as vans de carga. Os veículos nessas faixas ganharão volume nos próximos anos”, aposta. O VUC (Veículo Urbano de Carga) surgiu em virtude do crescente número de Na opinião do executivo, isso deverá mudar. Para ele, quando se fala em mobilidade urbana não se pode pensar apenas em gente, mas também no transporte de carga. “Um caminhão de maior capacidade de carga pode ser mais benéfico do que outro menor. Diminuirá o número de veículos rodando. Vejo como tendência o VUC migrar para 8 para 9 ou 10 toneladas,” argumenta. Segundo ele, os veículos nessa faixa estão ligados ao comércio, refletindo nas suas vendas. Até o próprio tempo em alguns casos, por exemplo, mais frio que dias quentes afetam o consumo e, consequentemente, o transporte de bebidas. “Quando o comércio aquece, as vendas de 5 a 10 toneladas sobem”, exemplifica. A participação da MAN/VWC no mercado de distribuição urbana está estável. “No ano passado ocorreu um desaquecimento nas vendas de bebidas e do comércio em geral. Esperamos um PIB melhor para alavancar o consumo e as vendas para o varejo”, disse. A MAN, mais uma vez, manteve a liderança do mercado total em 2013, mesmo registrando queda de -1,4%. Seu semipesado Constellation 24.280, também usado no transporte interurbano, foi o caminhão mais vendido do ano. Derivado do 24.250, ex-pentacampeão, foi lançado no ano passado. O modelo representa quase um quarto das vendas totais da empresa. Foram licenciadas 9.330 unidades, que lhe rendeu participação no segmento de 18,7%. Por sua vez, o Constellation 13.190, idealizado para as entregas urbanas, liderou o segmento de médios com o licenciamento de 2.437 unidades e conquistou participação de 24,3% desse mercado. Chama a atenção sua motorização MAN D08 de 4,6 litros (injeção Common Rail e tecnologia EGR) que despeja 190 cv que garante bom desempenho nas baixas rotações e retomadas de velocidade com o auxílio da transmissão Eaton. 8 Revista Jornauto

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Ford lidera, pela primeira vez, os leves A Ford teve uma boa ideia ao superar sua principal concorrente (Delivery 8.160) por 51 unidades a mais licenciadas e garantir uma liderança apertada do Cargo 816 no segmento de leves. Brincadeira à parte, as mudanças dentro do conceito “kinetic design” na linha Cargo, tornando-a mais aerodinâmica, fizeram o modelo merecer o apreço do pequeno e grande transportador. Suas vendas cresceram 78% no varejo em comparação a ano anterior e dados da Fenabrave indicam 22,3% de “share”, apenas PEDRO AQUINO 0,16% acima da vice líder Volkswagen. Mas, no fundo, a inédita primeira posição no ranking do “Carguinho” foi resultado de um trabalho de foco. Nada de “queima de preços”, como garante Pedro Aquino, diretor de Marketing. Acontece que até o ano passado, os próprios distribuidores Ford tinham certa resistência em trabalhar o produto. A razão é simples: até o final de 2012 havia muitas unidades do F-4000, preferência da rede em alguns pontos do País, como Centro-Oeste e Nordeste, onde a linha F é vendida sem grandes esforços. Como esse modelo foi retirado do mercado (retornará remodelado ainda este ano), o concessionário, de certa forma, foi obrigado a buscar clientes novos. “Com a saída do F-4000, passou a ter esse foco e descobriu que também pode vendê-la”, disse. A expectativa da Ford é continuar vendendo bem o Cargo 816, mesmo com a volta do F-4000 às concessionárias. A fabricante entende que são produtos dirigidos a públicos diferentes e que juntos podem ampliar sua fatia de mercado. Seus principais concorrentes são os Delivery 8.160 e 9.160 e Accelo 815 e 1016. Conta que já está na rede a nova versão fordiana de 11 t, uma faixa bem acima do “Carguinho” para não colidir o mencionado foco. A Ford chega por último nesse segmento, mas com um caminhão que leva vantagens. “É mais potente e carrega 700 kg de carga líquida a mais que os outros”, garante Pedro. A novidade foi apresentada na Fenatran de 2013: o Cargo 1119. Situado numa posição intermediária entre os modelos de 8 e 13 toneladas, o novo modelo tem como ponto forte a capacidade de carga útil de 7.164 kg e PBT de 10,5 t. O motor é Cummins ISB 4.5 mais potente (189 cv). Está sendo destinado à aplicações urbanas e rodoviárias de curta distância e indicado para uso, entre outros, com baú isotérmico ou frigorífico para o transporte de carne e bebidas entre outros. A Ford tem boas expectativas para o ano de 2014: a entrada desse novo modelo, o retorno da linha F-4000 desativada temporariamente por problemas de fornecimento de componentes e, ainda, a volta da ex-líder F-350 dos semileves. Soma-se a isso o primeiro extrapesado Ford. Este último, certamente, enfrentará dificuldades iniciais para penetrar nesse mercado de grandes empresas dominado pelas empresas suecas, a Scania e Volvo, que juntas detém perto de 70% do volume; e das tradicionais marcas, como Mercedes-Benz, Iveco e International que passa a atuar mais no território brasileiro; e as novas entrantes, como a marca holandesa DAF e a chinesas Shacman que já produzem no Brasil e as demais que estão trazendo produtos importados interessantes, com promessas de se estabelecer no Brasil. Revista Jornauto 9

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AVALIAÇÃO Fiat Fiorino ganha nova versão baseada na plataforma do Uno Gabriel Marazzi | São Paulo - SP A O nome até que já é bem manjado, pois surgiu pela primeira vez na linha Fiat com a picape derivada do 147 e depois com a versão furgão. dessa qualidade visual do novo Uno. A grande melhoria estética, no entanto, ficou na parte traseira, desde as laterais do baú fechado (sem janelas laterais) até as enormes lanternas traseiras verticais, e as duas portas traseiras assimétricas, que opcionalmente podem ter vidros (nesse caso, há um vidro também na parede divisória, entre a cabine e o baú). No interior, as inovações são as mesmas que contemplaram o novo Uno, que tem mais espaço para o motorista e maiores ergonomia e funcionalidade nos comandos e nos instrumentos. Só não há mais espaço para o passageiro, uma vez que a colocação do pneu de estepe dentro da cabine, atrás do banco direito, fez com que este quase encoste os joelhos na tampa do porta-luvas. É aconselhável que um entregador urbano que utilize o novo furgão Fiorino contrate um ajudante de pernas bem curtas. A maior diferença funcional entre a antiga versão do furgão Fiorino e a atual é a separação total da cabine do baú traseiro. Em termos de segurança, perfeito. Para a máxima eficiência do ar-condicionado, idem, já que o sistema não tem mais que refrigerar o compartimento de carga. O vão entre o teto da cabine e a parte superior do baú foi aproveitado para um prático porta-objetos, com acesso apenas pelo compartimento de carga. té o fim do ano passado, o nome Fiat Fiorino sobreviveu apenas no furgão, derivado do antigo Uno, depois que a picape, já derivada do Fiat Palio, passou a se chamar Strada. Duas foram as razões para que o furgão Fiat Fiorino passasse por uma total transformação para 2014: a necessidade de atualizar um dos utilitários urbanos mais apreciados do Brasil e o fim do Fiat Mille, antiga versão do Fiat Uno que não podia receber airbag nem freios ABS. O resultado não poderia ser mais feliz, uma vez que o novo furgão Fiorino, agora baseado no novo Uno – que foi lançado em 2010 –, evoluiu em espaço e segurança. Além, é claro, na aparência. Junto com a plataforma do novo Uno, o furgão Fiorino ganha também o motor 1.4 Evo flex de 88 cv, uma grande evolução em relação ao antigo motor 1.3 flex de 71 cv. Em relação à capacidade de carga, o novo Fiat Fiorino 2014 ficou 200 mm mais longo, 21 mm mais largo e 27 mm mais alto, com distância entre-eixos 140 mm maior. O volume do baú de carga, no entanto, não foi substancialmente aumentado em razão do novo design. A capacidade de carga, no entanto, é agora 30 kg maior que a da geração anterior do modelo, passando a 650 kg. Para tanto, a suspensão traseira do Fiorino 2014 passa a ser a mesma da picape Strada. Muitas inovações Quanto à estética, as imagens do novo Fiorino falam por si: toda a frente é a do novo Uno, já consagrada pela ousadia das linhas, baseadas no conceito “round-square” (quadrados arredondados). Parece que todos gostam Dirigindo o novo Fiorino São grandes diferenças dinâmicas entre o velho Fiorino 1.3 de 71 cv e o novo, que tem motor Evo flex de 88 cv. Mas não são todas elas provenientes do melhor desempenho do motor, que torna o transporte de cargas mais fácil. A nova plataforma exclusiva, derivada da plataforma do novo Uno, mas com a utilização da suspensão traseira da valente picape Strada, torna a condução mais confortável. Afinal, há uma diferença de 30 anos entre os dois projetos. O novo furgão Fiorino é mais suave e de reações mais macias das suspensões, da mesma forma que o novo Uno é mais confortável que o antigo (que agora descansa em paz). Por outro lado, é justamente esse trabalho mais suave das suspensões que torna o utilitário mais propenso a rolagem em curvas, principalmente se carregado. Mas o conforto adicional vale a pena. No uso urbano, como característica normal dos furgões, a visibilidade lateral e traseira é bastante prejudicada. O modelo avaliado tinha os vidros intermediário e traseiros opcionais, mas estes não ajudam muito em uma marcha a ré. 10 Revista Jornauto

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O Fiat Fiorino nem tem o espelho retrovisor interno. Extremamente útil é o sensor de marcha a ré, que avisa quando algum objeto externo está ficando muito perto do pára-choque traseiro do furgão. Aí é melhor frear. Os dois retrovisores externos, muito maiores que os da antiga versão, devem ser bastante utilizados, principalmente em mudanças de faixa e ao entrar em uma via preferencial. Mas não resolvem 100% o problema da visibilidade. Aquele ajudante de pernas curtas deverá ter, também, uma boa acuidade visual para poder ajudar o motorista nessas manobras. Desafiando o limite O teste definitivo do novo furgão Fiat Fiorino 2014 foi feito na prática: carregamos o baú com exatos 650 kg de carga e saímos por aí. De acordo com a Fiat, essa carga vai além do peso do motorista e do ajudante, que em nosso caso acresciam em mais 150 kg. Ou seja, rodamos pela cidade com uma carga total de 800 kg. Fora o esforço extra que o motor teve que exercer para sair da imobilidade com esse peso todo, o que já era esperado, o pequeno utilitário se saiu muito bem em vias planas. Em subidas mais íngremes, logicamente é preciso se antecipar às reações do veículo, para, por exemplo, não dar vexame empacando em um aclive. Nos declives, é bom também poupar freios para que eles não percam eficiência após uma longa descida. O maior cuidado com o veículo em sua carga máxima deve ser com a estabilidade, uma vez que a suspensões macias tendem a permitir uma rolagem lateral ainda mais acentuada, principalmente se a carga for alta, o que eleva o centro de gravidade do conjunto. A lista de equipamentos de série e opcionais é bem ampla, seguindo a da linha Uno. Logicamente, freios com ABS e duplo airbag são de série, como devem ser todos os carros a partir de 2014. O acelerador é drive-by-wire (eletrônico, sem cabo) e os vidros são verdes. Como itens opcionais, há o ar-condicionado, banco do motorista com regulagem de altura, brake-light, computador de bordo, conta-giros, calotas integrais, direção hidráulica, faróis de neblina, vidros traseiros, rádio USB, comandos mecânicos para os espelhos externos, vidros e travas elétricas. Ah, o sensor de estacionamento deveria ser de série. Alarme com travamento por controle remoto, nem como opcional. Por R$ 38.540, peladão (só com airbags e ABS obrigatórios), é preciso muito mais para que o furgão fique bom para ser utilizado durante horas a fio. Só ar-condicionado e direção hidráulica acrescem mais de R$ 5.000. Revista Jornauto 11

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MANUTENÇÃO (Quase) Sem parar Alexandre Akashi | São Paulo – SP Ford e Cummins apresentam soluções de sistema de propulsão que permitem o frotista manter o caminhão mais tempo na estrada O objetivo é simples: aumentar o intervalo das trocas de óleo do motor de 25.000 km para 40.000 km, reduzir o custo operacional e permitir maior rentabilidade ao transportador. Esta é uma das estratégias da Ford Caminhões para conquistar um maior número de clientes para os veículos de uso rodoviário da linha Cargo 2014, com motor Cummins Euro 5. Para tanto, a montadora firmou parceria com LUIS CHAIN FARAJ a Cummins, fornecedora de soluções em sistemas de propulsão diesel, e juntos desenvolveram novos componentes que além de permitir ampliar os prazos de manutenção, elevou para dois anos a garantia dos motores Cummins Euro 5 de toda a linha, sem limite de quilometragem. Fazem parte desse novo plano os modelos Cargo 1319, Cargo 1519, Cargo 1719, Cargo 1723, Cargo 2423 e Cargo 2429 para aplicação rodoviária, assim como os recém- lançados Cargo 1119 e Cargo 1729. Com isso, eles se juntam ao Cargo 816 e Cargo 1933, que já adotavam o intervalo de 40.000 km, reduzindo o custo por quilômetro rodado com troca de óleos, filtros e outros itens de revisão. Segundo Luis Chain Faraj, diretor de marketing e vendas da Cummins Brasil, o segredo para aumentar o intervalo de manutenção é a adoção de filtros especiais, tanto de combustível quanto de óleo. “Lançamos mão de tecnologia dedicada de filtros para conseguir este feito, por isso o transportador não pode entender o componente como commodities, pois não é qualquer filtro que atinge esta quilometragem”, afirma Faraj. Faz parte da solução a incorporação de um sensor de restrição do filtro de combustível, que auxilia também na preservação da qualidade do lubrificante. O alerta é feito por uma luz no painel: quando há água para ser drenada no filtro ela se acende e, quando há excesso de restrição, fica piscando. A maior disponibilidade do diesel com menor teor de enxofre (S50 e S10) é outro fator que possibilitou a mudança. Revista Jornauto Peças originais A garantia de dois anos e o maior intervalo na troca de óleo e filtros, assim como a manutenção dos níveis de consumo exigem, no entanto, a adoção rigorosa de peças originais, assim como do plano de revisões que deve ser realizado nas concessionárias da marca. “Este é um trabalho que começamos a desenvolver com os clientes, pois o uso de filtros não originais não causam problemas agora, mas depois de 4 ou 5 anos”, afirma Faraj. O executivo da Cummins comenta que se usados da forma como é recomendado, o motor do caminhão tem durabilidade de mais de 800 mil km. “Porém, a maioria só dura 400 mil km, e raramente eles associam uma coisa a outra”, diz. “Estamos começando a convencer o cliente que falhas prematuras com esse tipo de procedimento aumentam os custos. O programa de validação do novo prazo incluiu mais de 350.000 km de testes, feitos em parceria com frotistas que rodaram com os veículos em condições reais de operação, além de análises no Campo de Provas da Ford em Tatuí. Além do filtro, Faraj lembra que é importante o usuário utilizar sempre o óleo lubrificante especificado e recomendado no manual. “Independente da marca, o óleo deve ser o API SAE 15W40”, explica. Porém não são todos os modelos que tiveram a quilometragem ampliada. Segundo a Ford, os caminhões 6x4 modelos Cargo 2623, Cargo 2629 e Cargo 3133 - continuam a ter intervalo de manutenção de 25.000 km para aplicação rodoviária. Para todos os modelos usados em aplicação severa foi mantido o intervalo de 18.000 km. 12

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CARGA Volvo comemora recorde e anuncia investimentos Gilberto Gardesani | São Paulo – SP A comercialização de 21.827 unidades, em 2013, é recorde histórico, com crescimento de 46% em relação a 2012. A tuando exclusivamente em um mercado de caminhões acima de 15 toneladas, a marca sueca supera crescimento do mercado total de 19% com um volume nunca alcançado antes e pretende investir US 320 milhões (R$ 780 milhões) em infraestrutura, pesquisa, desenvolvimento e aumento de conteúdo nacional. Roger Alm, presidente do Grupo Volvo América Latina anuncia o lançamento de novos produtos este ano, provavelmente a linha Renault de caminhões leves e médios. A previsão feita no ano passado, por Roger Alm, de 105 mil caminhões nesses segmentos de pesados e semipesados, quase se confirma: foram comercializados no Brasil exatamente 103.883 veículos. E, para este ano, ele continua prevendo uma venda de 105 mil unidades. Um crescimento bem moderado. Ele garante que a marca é líder nos mercados do Peru, Bolívia, Venezuela, Equador e Uruguai. Para garantir essa continuidade, mantém os investimentos em novas instalações no Chile e no Peru. Na Argentina concluiu ampliação das instalações em Buenos Aires, atendendo produtos das marcas Volvo e Renault. Somando as marcas Volvo, Renault, Mack, UD e Eicher, as vendas nesses países, mais o Brasil, somaram 29.518 unidades, um crescimento de 25% enquanto o mercado total aumentou 7%. Na Argentina, foram emplacados 1607 caminhões (Volvo e Renault), uma expansão de 7,8% na comparação com 2012. No Peru, onde a Volvo é líder no segmento de pesados, a marca registrou 20,1% de market share. No Chile, o Grupo comercializou 1551 veículos pesados Volvo, Mack e Renault, aumentando seu market share para 26,1%, isto é, mais de um quarto do mercado local. Linha VM cresce ROGER ALM A Volvo destaca o crescimento de sua linha de caminhões semipesados, principalmente depois do lançamento da quarta geração da linha VM, ano passado. “A cada cinco caminhões destas categorias vendidos no Brasil, um é Volvo”, comemora Bernardo Fedalto, diretor comercial de vendas e de marketing de caminhões. A linha de caminhões semipesados VM é a grande responsá- BERNARDO FEDALTO vel por esta evolução. Em 2013, foram emplacados 5.752 VM, 23,9% a mais que as 4.643 unidades de 2012. “Atingimos um market share inédito de 12% no segmento de semipesados. O VM conquistou o transportador”, observa Fedalto. No ano anterior, tinha 10,1% do mercado nesta categoria. Até meados do ano a linha VM será equipada com transmissão automatiza I-Shift, fabricada em Curitiba. Peças e serviços A rede de concessionárias possuem, hoje, 90 casas, 1.825 boxes e 1.635 mecânicos treinados. O plano é chegar ao fim de 2014 com 100 casas, 2.203 boxes e 2.012 mecânicos. A empresa está construindo um novo depósito de peças em Curitiba com 28 mil metros quadrados construídos, em uma área de 120 mil metros quadrados disponíveis. “A frota Volvo no Brasil ultrapassa 100 mil unidades e está envelhecendo, diz Fedalto, por isso precisamos continuar oferecendo sempre o melhor serviço possível para manter a fidelização da marca entre os frotistas”. “Estes excelentes resultados que tivemos em 2013 são fruto dos contínuos investimentos que o Grupo Volvo tem feito no Brasil e de uma rede de concessionárias forte e comprometida”, observa Alm. Revista Jornauto 13

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SERVIÇOS Estado de São Paulo aprova regulamentação das oficinas Majô Gonçalves | São Paulo Legislação que atende à reivindicação do setor de reparação de veículos é considerada uma importante conquista para o Sindirepa-SP, entidade que representa 15 mil oficinas do Estado de São Paulo. A nova regulamentação cria padrões ara abertura e funcionamento dos estabelecimentos, assim como determina profissional com experiência comprovada para ser responsável pelos serviços que deverão atender as normas técnicas ABNT. Projeto de Lei nº 322/2008 que dispõe sobre as normas básicas de oficinas mecânicas no Estado de São Paulo, passa a ser lei nº 15297/14. “A medida é uma reivindicação antiga do setor de reparação de veículos, reANTONIO FIOLA presenta um avanço na legislação do estado, e trará ainda mais credibilidade para oficinas independentes, já que as empresas deverão trabalhar de acordo com as normas estabelecidas, bem como legislação contribuirá também para garantir a excelência no atendimento aos clientes”, afirma o presidente do Sindirepa-SP e Sindirepa Nacional, Antonio Fiola. Com a nova regulamentação, será obrigatório manter um responsável operacional pelos serviços executados que atenda aos requisitos da ABNT ou que tenha passado por treinamento de 400 horas ou 40 horas quando comprovada experiência de dois anos. O treinamento deverá ser feito em pelo Senai ou outra instituição de ensino capacitada em manutenção automotiva. Já os serviços deverão atender às normas técnicas publicadas pela ABNT (Associação Nacional de Normas Técnicas), além de seguir especificações estabelecidas pelos fabricantes de autopeças. Existem 20 normas técnicas para serviços de manutenção automotiva, muitas estão sendo atualizadas e outras serão criadas, de acordo com as necessidades do setor. Lei federal Os equipamentos para os serviços que medem as emissões veiculares, assim como os ligados diretamente à segurança veicular, deverão estar em conformidade de acordo com a norma NBR-ABNT 14.624 e deverão atender, caso exista, a exigência de comprovação de homologação junto ao Inmetro - Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial. Os estabelecimentos ainda terão de exibir em local visível o atestado de legalidade sindical patronal e o certificado numerado atestando o cumprimento dos dispositivos desta lei, emitido pelo respectivo sindicato de classe ou da categoria econômica a que estiver vinculado o estabelecimento, que, no caso das empresas de reparação, é o Sindirepa. Será necessário deixar visível também o certificado de conclusão de treinamento do mecânico, expedido por instituição de ensino oficialmente reconhecida na área automotiva e certificado de conclusão em treinamento de conhecimento geral dos sistemas dos veículos automotores, com o nome do responsável operacional dos serviços. O prazo para as empresas se adequarem às exigências da legislação é de um ano a contar de 11 de janeiro de 2014, data da publicação da lei no Diário Oficial do Estado de São Paulo. Até virar lei, o projeto transitou por quase cinco anos em São Paulo, com acompanhamento do Sindirepa. A lei também deve contribuir para que outro projeto de lei em âmbito nacional seja aprovado em Brasília. O Brasil possui cerca de 90 mil oficinas que empregam 742 mil profissionais, segundo dados do GMA – Grupo de Manutenção Automotiva. Lei Alvarenga Segundo o diretor do Sindirepa-SP, Luiz Sérgio Alvarenga, responsável pela elaboração do texto do projeto de lei que deu origem à esta regulamentação, a medida atende às necessidades do setor. “São 20 anos de trabalho e experiência na reparação que deram subsídios para que a lei traduzisse todos os anseios desta categoria econômica que é tão importante para a economia”. A sua dedicação a este projeto fez com a lei LUIZ S. ALVARENGA se tornasse conhecida no setor como “Lei Alvarenga”, uma forma encontrada pelos empresários de retribuir todo o empenho do profissional para a concretização deste importante pleito. 14 Revista Jornauto

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CARGA Sucesso na integração produtos e serviços Gilberto Gardesani | São Paulo – SP A Scania teve o melhor ano de sua história no Brasil com crescimento de quase 81% nas vendas de veículos, 63% na de programas de manutenção e 13% em peças. A empresa atribui esse feito a várias questões como regras claras do Finame com boa solução na concessão de créditos, crescimento do agronegócio, aumento de consumo das pessoas e o retorno dos frotistas às compras que estavam represadas em 2012. As vendas de caminhões somaram 20.824 unidades, sendo 17.078 de pesados, o que lhe proporcionou participação de 32,2% no segmento. O modelo R 440 é o mais vendido com 10.508 veículos. Os maiores mercados para esse produto são o agronegócio com 44% e cargas industriais com 36%. No segmento de semipesados, onde a Scania ainda está se esforçando para entender melhor o mercado, as vendas cresceram 51%, emplacando 1.715 unidades, com predominância do modelo P310 8x2. Com relação a ônibus, o crescimento foi idêntico ao mercado total, 8,6%, somando 1.126 chassis entre urbanos e rodoviários. “A Scania vem se destacando por oferecer soluções de vendas de transporte de carga e de passageiros com veículos e serviços integrados que proporcionam superior economia de combustível, produtividade, rentabilidade e baixo custo operacional”, afirma Eronildo Santos, diretor de Vendas de Veículos da Scania do Brasil. “O transportador está cada vez mais profissionalizado e acompanhamos as demandas dos clientes com melhorias contínuas nas linhas de produtos, serviços, no treinamento e segmentação da força de vendas assim como na reestruturação, ampliação e padronização da rede de concessionárias. Vivemos em um novo mercado”. 2015. Para alcançar esse objetivo, o investimento previsto é de R$ 130 milhões. A filosofia da empresa destacada com o lançamento da linha Streamline em julho é a de oferecer produtos e serviços personalizados, atendendo com alta eficiência as necessidades de cada cliente, nas concessionárias ou na casa dele e/ou ainda no lugar onde ele opera as unidades. “O transportador já entende que assim ganhará mais. A conta está batendo com a redução de custos proposta pela Scania”, diz Souza. Para 2014, a Scania está planejando aumentar ainda mais a oferta de serviços tanto para operadores de cargas como de passageiros com o desenvolvimento de um portfólio ainda mais eficiente e abrangente, segmentado, regionalizado, sendo um para cada segmento e tipo de atuação. São planos flexíveis para uma perfeita solução integrada visando aumentar a permanência dos veículos em serviço, reduzindo o número e tempo de paradas. Souza garante que com a aplicação de óleo sintético, fornecido pela própria Scania, é possível dobrar o intervalo de troca, podendo obter uma economia de até 15% no custo final de manutenção. Eronildo Santos Fabio Souza Peças e Serviços “O exercício da 2013 entrou para a história da Scania no Brasil com um crescimento na comercialização de programas de manutenção em 65% e de 13% nas peças originais de reposição”, afirma Fabio Souza, diretor de Serviços. A marca possui, atualmente, 112 pontos de atendimento e planeja chegar a 124 este ano e 133 em R 440, pesado mais vendido em 2013 Revista Jornauto 15

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