Revista CRN9 Ed. 6

 

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Revista do CRN9 de setembro de 2011 a janeiro de 2012

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REVISTA DO CRN9 Impresso Especial 9912280032/2011- DR/MG Publicação do Conselho Regional de Nutricionistas da 9ª Região- Minas Gerais- Setembro de 2011 a Janeiro de 2012 – Nº 06 correios CRN9-MG ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL: EM DEBATE O USO DE AGROTÓXICOS edição Entrevi : sta exc l u s i v Jan ac profess dira Maciel S om ilva, ora d ral de M a Universidad e in membro as Gerais (UF FedeM d Campa o Comitê Min G) e nha P eiro d Agrotóx ermanente con a icos e p t ela Vid ra a. Nesta

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leia nesta edição: Em destaque EDITORIAL PÁG.07 Em Minas Gerais, profissionais mobilizam Campanha Fome, Obesidade, Desperdício PÁG. 10 PÁG. 18 O CRN9 e suas parceria pelo bem da sociedade A alimentação e nutrição na Copa 2014 O CRN9 MOBILIZA CAMPANHA NACIONAL FOME, OBESIDADE, DESPERDÍCIO ano de 2011 foi de mobilizações públicas voltadas para a conscientização de três grandes temas nacionais: fome, obesidade e desperdício. Dentro da agenda proposta pelo Sistema Conselho Federal de Nutricionistas/CFN e Conselhos Regionais de Nutricionistas (CRNs), o CRN9 realizou diversas ações com incidência em debates propositivos da política pública e em atividades voltadas para a população. A Campaportante que as datas comemorativas, além de celebração das profissões, das conquistas individuais e coletivas, representem também uma contribuição no campo da cidadania”, destacou o parlamentar. Ressaltando o aspecto sociopolítico, o deputado afirmou a satisfação da acolhida. “A CPP fica muito feliz em receber as provocações cidadãs e abrir esse espaço para o debate”, comemorou. Ele declarou que é com alimentação apropriada que as pessoas terão um processo de desenvolvimento educacional, uma saúde adequada e uma cidadania plena alcançada. “Considero-me feliz em ver a casa cheia de gente comprometida com a vida e com a cidadania, o que é fundamental”, declarou Dom Mauro Morelli. O presidente do Consea reconheceu a importância da Campanha do Sistema CFN/CRNs. “Muito abençoada e oportuna esta reunião, assim como a campanha lançada e que relaciona três questões muito sérias”, afirmou. Dom Mauro parabenizou o Dia do Nutricionista afirmando “que fiquem no coração de cada um a alegria da vida e a certeza da importância de profissionais que cuidem não apenas do alimento, mas do alimento que nutre. Ele arrematou “é a hora por excelência de um país que quer ser saudável, inteligente, criativo e bem-humorado”. nha buscou atentar para os desafios, ainda presentes, da fome. Chamou a atenção para a necessidade de uma ampla consciência sobre a educação alimentar. Fortaleceu o debate sobre o alto índice de desperdício de alimentos no Brasil. Expediente Conselheiros Efetivos: Élido Bonomo – Presidente Heloísa Magalhães de Oliveira - Vice-Presidente Joyce Andrade Batista – Secretária Fernando José Mandacaru – Tesoureiro Elisabeth Chiari Rios Jordana dos Santos Jorge Luciano Senna Soares Sílvio César da Silva Valéria Monteiro de Jesus Conselheiros Suplentes: Cíntia Pires de Figueiredo Cláudia Guimarães Pinto Dias Dalila Cristina de Almeida Jaqueline Lopes de Paula Leonardo Luiz Zanol Luiza Regina Lima Soares Barbosa Margareth da Silva Correa Regina Rodrigues de Oliveira Romero Alves Teixeira Revista CRN9 Uma publicação do Conselho Regional de Nutricionistas da 9ª Região – CRN9 – Minas Gerais Sede: Rua Tupis, 457, 12º andar, centro, Belo Horizonte – MG CEP.: 30190.060 Fone.: (31) 3226.8403 Site: www.crn9.org.br E-mail: crn9@crn9.org.br Delegacia de Uberlândia: Rua Coronel Antônio Alves Pereira, 400, Sl. 808, centro, Uberlândia-MG CEP.:38.408-370 Fone: (34) 3255.8868 E-mail: uberlandia@crn9.org.br Conselho Editorial: Cáudia Dias, Élido Bonomo, Fernando Mandacaru, Joyce Batista, Heloísa Magalhães, Leonardo Zanol, Luiza Lima. Regina Oliveira e Antônio Coquito Jornalista Responsável: Antônio Coquito Reg. Prof. MtbMG06239JP Redação, textos e entrevistas: Antônio Coquito com colaboração da equipe do CRN9 Arte e diagramação: Eric Samuel Fotos: Antônio Coquito, Rosemar Santana de Jesus, Arquivos pessoais de de Lívia Garcia Fonseca, Maria de Jesus Ribeiro Gomes, Renan Cazelato, Walyson Pereira Damasceno, Arquivos: Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Minas Gerais (Fetaemg). Tiragem: 10.000 (dez mil) exemplares Impressão: Gráfica Editora Mafali AUDIÊNCIA PÚBLICA NA ASSEMBLEIA DE MINAS No dia 31 de agosto, marcando o Dia do Nutricionista, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais acolheu, por solicitação do CRN9, a Audiência Pública Fome, Obesidade, Desperdício: Não Alimente este Problema. A solenidade, que foi transmitida pela TV Assembleia para toda Minas Gerais, teve a presença de mais de 270 (duzentos e setenta) pessoas- compreendendo profissionais e estudantes de nutrição. Os convidados para o debate da temática foram André Quintão (Deputado Estadual), Élido Bonomo (Presidente do Conselho de Minas), Ivan Mourthé de Oliveira (representante da Presidente do CFN), Dom Mauro Morelli (presidente do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais – Consea /MG). Prestigiaram o evento, os deputados estaduais Carlin Moura e Adelmo Carneiro Leão. DESIGUALDADE QUE GERA FOME Em seu pronunciamento, o presidente do CRN9 agradeceu a presença dos estudantes e profissionais das mais diversas regiões. Bonomo falou da comemoração do Dia do Nutricionista como uma ação política da categoria. “Estamos trazendo para o centro do debate o paradoxo fome, obesidade, e, aliado a isso, o convívio com o desperdício de alimentos neste país”, realçou. Na compreensão do presidente do CRN9, o desafio colocado pela Campanha compreende o entendimento de que a fome é irmã gêmea da pobreza e da desigualdade. Ele reconheceu avanços no campo social. “Nos últimos oito, nove anos, o Brasil fez grandes investimentos públicos para a superação da desigualdade e da miséria”, declarou. E emendou “agora, precisamos de políticas de equidade e inclusão.” A obesidade é outra grande discussão proposta pela mobilização pública da Campanha. Bonomo chamou a atenção para dados preocupantes. “Nos últimos 30 anos, o Brasil tem caminhado rapidamente para, daqui a 15 anos, estarmos com o perfil nutricional e epidemiológico dos Estados Unidos”, alertou. Cresce o consumo de alimentos não saudáveis. O presidente CRN9 ilustrou que 90% dos brasileiros não estão comendo frutas, verduras legumes e fibras e cresce o consumo de gorduras saturadas e açúcar. CASA CHEIA E CIDADANIA NA PAUTA Quintão, presidente da Comissão de Participação Popular (CPP) e requerente da audiência registrou a relevância do momento. “É muito im- Conselho Regional de Nutricionistas - 9ª Região 2 3 Revista CRN9 setembro a dezembro de 2011

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Em destaque Em destaque SUGESTÕES CRN9 APRESENTADAS NA AUDIÊNCIA 1. Implementação e ampliação do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional – Sisvan; 2. Aprimoramento das políticas públicas intersetoriais do Direito Humano à Alimentação Adequada – DHAA; 3. Criação, no âmbito da Secretaria de Saúde, de órgão especializado na área de alimentação e nutrição; 4. Reestruturação, ampliação e descentralização para as cidades pólos dos serviços concentrados na capital, mediante número de leitos em hospitais, até mesmo especializados; 5. Criação de banco de leite humano ; 6. Provimento de recursos humanos qualificados e em quantidades adequada, por meio de concursos públicos, para planejamento, gestão e execução das ações de saúde em todos os níveis de complexidade com financiamento do Estado, a fim de proporcionar melhoria e humanização do atendimento; 7. Contratação de nutricionistas em número suficiente para atuar nas Superintendências Regionais do Estado, visando planejamento e execução de ações de promoção da alimentação saudável no ambiente escolar previstas nos princípios da Lei nº 11.947 e Resolução nº 38 do FNDE; 8. Destinação de recursos financeiros para o desenvolvimento de pesquisas e estudos estaduais periódicos sobre a condição de saúde e insegurança alimentar e nutricional, visando o monitoramento da situação alimentar e nutricional; 9. Implantação, no âmbito da Secretaria de Saúde, de programa de atividade física para grupos específicos, como diabéticos, hipertensos, cardiopatas, obesos e idosos, até mesmo com a iniciativa privada; 10. Comprometimento da Secretaria de Saúde para colocar em prática as deliberações de todas as Conferências Estaduais de Saúde de Minas Gerais, divulgando o resultado por meio de relatório; 11. Estímulo às redes de cadeias produtivas rurais e urbanas dos empreendimentos econômicos solidários, por meio da criação de um fundo de combate á miséria e da tributação diferenciada, abarcando diferentes ramos de atividades e fornecendo políticas de infraestrutura e apoio à comercialização, consumo e logística solidária; 12. Garantia do acesso à água para a agricultura urbana, periurbana e rural, priorizando o semiárido, por meio de programas específicos que estimulem tecnologias alternativas, tais como capacitação e armazenamento de água da chuva e construção de cisternas em parcerias com as concessionárias de serviço de abastecimento público de água e Prefeituras; 13. Estabelecer e operacionalizar mecanismos jurídicos lelgagis que permitam ao poder público adquirir produtos de empreendimento da agricultura familiar rual, urbana, periurbana e economia solidária, priorizando produtos agroecológicos; e assegurar que todo município do território mineiro cumpra as determinações do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) de adquirir dos agricultores familiares no mínimo 30% do valor de repasse. 14. Garantir a ampliação de constância de recursos para atender à assistência técnica de extensão rural em todas as etapas, até a comercialização , priorizando a produção agroecológica, o associativismo e o cooperativismo, por meio de metodologias e linguagens voltadas para a realidade dos agricultores familiares, com ampliação de quadro pro concurso público e qualificação dos técnicos de diversas áreas afins; 15. Incentivar a produção familiar de base ecológica por meio da criação de linha de crédito específica; apoio à pesquisas e ao desenvolvimento voltados à produção; estímulo ao consumo; certificação de origem (selo estadual); criação de banco de semente crioula, apoio ao turismo ecológico com linhas de crédito específicas e desoneração tributária. SEMINÁRIO LEGISLATIVO NA CÂMARA DE VEREADORES EM BH reocupa-me o desperdício de alimentos. Chama-me a atenção o paradoxo entre fome e obesidade”. A vereadora Maria Lúcia Scarpelli abriu o Seminário Legislativo Fome, Obesidade, Desperdício: Não Alimente este problema trazendo estas indagações. Scarpelli, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor na Câmara Municipal de Belo Horizonte, foi a requerente da proposta do Seminário feita pelo CRN9. A atividade, realizada no dia 16 de setembro, no Plenário Amynthas de Barros, também contou com a presença dos vereadores Hugo Thomé, Geraldo Félix, Neusinha Santos e Silvia Helena. O presidente do CRN9, Élido Bonono, agradeceu a acolhida à solicitação do evento. Em sua fala de abertura, Bonomo destacou a importância dos temas em debate. “Precisamos observar a amplitude dos problemas existentes e quais as ações da sociedade civil e de órgãos públicos a serem implementadas para suas reversões”, enfatizou. Em sua fala, o presidente reforçou que o Conselho de Minas tem trabalhado na conscientização para hábitos saudáveis. “O CRN tem trabalho para a promoção de mudan- “P ças comportamentais e criação de políticas públicas, buscando diminuir a fome e a obesidade”, acrescentou. Ao abordar o painel sobre a situação da fome e obesidade em Belo Horizonte – o acesso ao alimento e promoção da alimentação saudável, José Divino Lopes, professor do curso de nutrição da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), defendeu a criação de mecanismos que garantam o direto aos alimentos. “É necessário assegurar um serviço de atendimento a pessoa cujo acesso aos alimentos sejam ameaçados”, enfatizou. Gustavo Almeida, engenheiro agrônomo e Chefe do Departamento de Operações das Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (CEASAMINAS), ao falar das ações integradas de combate ao desperdício que envolvem a cadeia produtiva: produção, distribuição e perda de alimentos no contexto urbano, abriu o diálogo chamando a atenção para a necessidade do processo de educação para o consumo. Para Almeida, é fundamental o trabalho de conscientização direcionado para a redução do desperdício. O processo de consciência em relação às perdas deve estar em todos os locais. O engenheiro da Ceasa Mi- nas analisa que as fases mais críticas de perdas são a produção e o varejo. Para ele “na lavoura não há entendimento da necessidade de reaproveitamento de possíveis perdas”. exemplificou o engenheiro da Ceasa. Almeida defende que “haja responsabilidade as perdas na cadeia produtiva deve ser de todos os que dela participam.” Ao final do Seminário foram dados encaminhamentos e sugestões. Regina Oliveira, nutricionista e conselheira da comissão de comunicação do CRN9, elencou as seguintes propostas: 1) encaminhamento, pela CMBH, ao executivo para nomeação dos integrantes do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional – COMUSAN-BH; 2) Criação e ampliação dos espaços destinados às Feiras de Produtos Orgânicos; 3) Mudança de objetivos dos Bancos de Alimentos da PBH, de coletor de alimentos e distribuição de gêneros para discussão de questões relativas à alimentação e 4) Que a PBH compre produtos agroecológicos. Bonomo destacou a necessidade do debate permanente das questões levantadas no evento. “Deve ser realizada outra etapa de trabalhos para definição de atores, responsabilidades e ações direcionadas para o controle dos problemas relativos à fome, obesidade e ao desperdício no Município e no Estado, bem como para o estabelecimento de metas”, defendeu o presidente do CRN9. Ao final do seminário, a vereadora Scarpelli reiterou a intenção de apresentar projeto de lei que obrigue a lotação de nutricionista nas escolas públicas e particulares. Conselho Regional de Nutricionistas - 9ª Região 4 5 Revista CRN9 setembro a dezembro de 2011

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Em destaque ponto positivo entrevista ue qdesta mE Bate-papo DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO o Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro), o CRN9 realizou atividades de conscientização pública para hábitos alimentares saudáveis e práticas de atividades físicas. Diversas ações foram desenvolvidas em Belo Horizonte e em Uberlândia (onde o Conselho tem sua Delegacia). A mobilização, parte da Campanha Fome, Obesidade, Desperdício: Não Alimente este Problema, aproximou os profissionais de nutrição da sociedade, orientando sobre a promoção da saúde e prevenção de doenças, com a opção pela qualidade de vida. N PROFISSIONAIS LEVAM CAMPANHA À POPULAÇÃO Um chamado a todos os profissionais para o compromisso com ações de conscientização. A Campanha Fome, Obesidade, Desperdício: não alimente este problema foi acolhida e mobilizou nutricionistas e técnicos em nutrição em diversas regiões. MINAS GERAIS EM BELO HORIZONTE Na capital, as atividades aconteceram no Parque Municipal, em frente ao Teatro Francisco Nunes. No espaço, com apoio dos cursos de nutrição da Faminas-BH, foram oferecidas orientações de promoção de saúde prevenção de doenças com apoio de uma artéria gigante, onde as pessoas puderam percorrer, conhecendo dos riscos alimentos não saudáveis. Parceiro do evento, o Centro Universitário Newton Paiva trabalhou a educação nutricional, desperdício e controle de resíduos. A Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) enriqueceu o evento com amostra de alimentos e seus teores de sal e gordura. A PUC também realizou pesquisa de opinião pública sobre hábitos alimentares. Com apoio do SESI Minas, os visitantes do evento puderam aproveitar do Circuito Saúde (medição de glicemia, pressão arterial e orientação nutricional), do Cozinha Brasil (receitas de aproveitamento integral dos alimentos). O SESI ofereceu para as crianças, no Dia Mundial da Alimentação CRN9: rua de lazer com camas elásticas grandes, tobogã inflável, piscina de bolinha e carrinho de pipoca. Durante o evento aconteceu uma grande caminhada pelas alamedas do parque, no estímulo à atividades físicas. O Conselho Regional de Educação Física de Minas Gerais – CREF/ MG, com apoio dos professores do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH), através de educadores físicos, deram as orientações para os exercícios e alongamentos. nutricionais, os estagiários de nutrição fizeram avaliações nutricionais da população no Espaço Saúde. Também, a equipe da Secretaria de Agropecuária e Abastecimento com a coordenação da nutricionista Laione Azevedo de Carvalho deu dicas de alimentação saudável e fez a distribuição de sucos de frutas com legumes. Além disto, apresentou o Projeto Horta Urbana, que ensina à população o cultivo de horta em garrafas pet. O Departamento Municipal de Água e Esgoto (DEMAE), da prefeitura de Uberlândia, participou com o Projeto Escola Água Cidadã e Programa Buriti. Com a temática do desperdício e melhor aproveitamento dos alimentos, a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) apresentou o Projeto Cozinha Brasil. Os profissionais deram dicas importantes, distribuíram sucos e cartilhas com receitas de uso integral dos alimentos. O evento contou com uma integração da Delegacia do CRN9, através da delegada e nutricionista Ana Cláudia Montes Cardoso, que esclareceu dúvidas e respondeu a perguntas da população. BELO HORIZONTE CONSCIENTIZAÇÃO DA CAMPANHA NA CIDADE ADMINISTRATIVA O Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais (CONSEA-MG), em apoio à iniciativa do Sistema CFN-CRNs , promoveu , no dia 19 de outubro, na Cidade Administrativa Tancredo Neves - sede do Governo de Minas Gerais - atividades sobre a Campanha “Fome, Obesidade e Desperdício – Não alimente este problema”. A programação fez parte das comemorações da Semana do Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro). O complexo da sede governamental reúne cerca de 16.000 (dezesseis mil) funcionários. Toda a mobilização contou com o empenho dos nutricionistas assesso- res técnicos do CONSEA-MG Bruno Mello e Daniella Perdigão e Luana Rosa do Comitê Temático de Segurança Alimentar e Nutricional SustentávelCTSANS, juntamente com a equipe da secretaria executiva do CONSEA-MG. “A intenção do Conselho é apoiar e estar junto de iniciativas relacionadas com Educação Alimentar e Nutricional e Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável”, explica Mello. Os assessores utilizaram a estratégia de divulgação em massa com o objetivo de atingir o maior número de pessoas, optando pelo horário do almoço e pelos hall de entrada dos prédios Minas e Gerais, respectivamente, horário e locais de maior circulação dos servido- res. “Abordamos as pessoas, distribuímos o material elaborado e impresso pelo CRN-9 e conversamos sobre a importância de despertar a consciência das pessoas para cada um desses 3 problemas paradoxos que enfrentamos na atualidade.”, informou o assessor do Consea. DEBATE SOBRE FOME, OBESIDADE E DESPERDÍCIO MOVIMENTA PUC MINAS N EM UBERLÂNDIA Na cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, o Dia Mundial da Alimentação teve suas atividades no Parque do Sabiá. No início do evento, a Banda Municipal de Uberlândia fez a abertura da programação. Em seguida, os participantes tiverem as orientações de aquecimento para a caminhada com a nutricionista e educadora física Analu Pereira Carrijo. Os alunos do Centro Universitário do Triângulo (UNITRI) e da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) expuseram e deram orientações sobre obesidade, fome e desperdício. Durante toda a atividade, nutricionistas da Secretaria de Saúde Diana Dias Lopes, Fernanda Zanovelo e Kristina Miranda deram orientações o dia 07 de novembro, a PUC Minas, através do Curso de Nutrição, promoveu o debate acadêmico com o tema Fome, Obesidade e Desperdício. A atividade aconteceu no auditório da Unidade Barreiro. O CRN9 participou das atividades através do conselheiro Romero Teixeira, que palestrou sobre Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável. Também foram discutidos o Progra- ma Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), aleitamento maternoe políticas públicas com a participação da comunidade. Na ocasião, houve o lançamento da Cartilha do Manipulador de Alimentos, desenvolvida pelas alunas de nutrição Inara Barcelos de Assunção e Isana Pinheiro de Souza, juntamente com a professora Michely Capobiango, da PUC Minas, e a professora Rita de Cássia Ribeiro, atualmente docente da UFMG, no projeto de extensão Manipulação de Alimentos: técnicas de conservação e boas práticas de produção. O evento contou com a presença da Controladoria Geral da União (CGU), através de Leice Maria Garcia, assessora especial do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). ITAÚNA UNIVERSIDADE LEVA A CAMPANHA À POPULAÇÃO E m Itaúna, no centro-oeste de Minas Gerais, a iniciativa de lançamento da Campanha envolveu alunos e professores. A atividade, que envolveu cerca de 100 (cem) estudantes diretamente em sua organização, aconteceu no dia 08 de outubro, de 09h às 12h, na Praça José Flávio de Carvalho. Lívia Garcia, professora e coordenadora do curso de nutrição, esclarece que foi definido que o tema da campanha seria trabalhado em sala de aula e com a sociedade itaunense. “Acreditamos que ações voltadas à população cumprem três funções principais: o papel social da Universidade com a comunidade, fortalecem e esclarecem à sociedade sobre o papel do nutricionista como profissional, e proporcionam aos alunos atividade extra-classe, que é de suma importância para concretização do aprendizado”, destacou a professora Garcia. Conselho Regional de Nutricionistas - 9ª Região 6 7 Revista CRN9 setembro a dezembro de 2011

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ponto positivo entrevista Em destaque Bate-papo ponto positivo entrevista ue qdesta mE Bate-papo ponto positivo entrevista ue qdesta mE Bate-papo Analisando a adesão e envolvimento da comunidade, a coordenadora do curso comemora. “Houve vários momentos com formação de filas na busca de informações sobre saúde e nutrição”, alegra-se Garcia com o evento. E emenda “recebemos vários elogios pela iniciativa.” Na dinâmica do dia, o evento teve intensa participação. “Coletamos alguns dados de avaliação nutricional da população participante”, comenta Andrade. E descreve: avaliação antropométrica (peso, altura, índice de massa corporal e circunferência da cintura) com fornecimento de orientações nutricionais a toda população que comparecer. Além destes, com participação do curso de enfermagem, a coordenadora descreve que foram feitas avaliações da pressão arterial e glicemia. Sobre o foco da Campanha, Garcia avalia positivamente o debate conscientizador. “Ao se promover ações preventivas e mobilizadoras para combater esses pilares que sustentam uma triste realidade da alimentação e nutrição no país, estaremos con- CHAPADA GAÚCHA ontribuir enquanto nutricionista e cidadã no combate aos problemas propostos, que por muitas vezes são desconhecidos de boa parte da população”. Com este sentimento e compromisso, a nutricionista Maria de Jesus Ribeiro Gomes mobilizou a Campanha na cidade de Chapada Gaúcha, que fica no norte de Minas, há cerca de 532 km de Belo Horizonte. Unindo as Secretarias Municipais de Educação (equipe interdisciplinar), Saúde (Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) e Estratégia de Saúde da Família (ESF), o município realizou a I Caminhada Contra a Fome, Obesidade e Desperdício. Gomes faz questão de citar o apoio da psicóloga Raquel Aparecida de Souza. Do trabalho realizado, Gomes cita os diversos relatos recebidos, de pessoas que desconheciam a gravidade dos problemas, ou seja, a dimensão da fome, os riscos da obesidade e a situação do desperdício. O evento, que aconteceu na Praça Euclésio Gobbi, levou orientação à população chapadense. Estímulo ao hábito alimentar saudável infanto-juvenil. As ações da Campanha se desdobraram nas escolas municipais de Chapada Gaúcha. O trabalho com as crianças e adolescentes objetivou o despertar da “C tribuindo para que a segurança alimentar seja cada vez mais efetivada, aponta a coordenadora, como sendo temas essenciais. VARGINHA FOME, OBESIDADE, DESPERDÍCIO NA FEIRA DE AGRICULTURA FAMILIAR DE VARGINHA U ma atividade de ampla conscientização. A Feira da Agricultura Familiar (Feagri) de Varginha levou a Campanha para a Praça Pública. A iniciativa do nutricionista Renan Cazelato, que contou com o apoio e organização de toda equipe do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), movimentou a cidade. Sul de Minas, que fica a 320 km de Belo Horizonte. A Feagri tem conexão com a proposta da Campanha. Cazelato afirma que esta sintonia está no objetivo da Feira. “Queremos resgatar e, ao mesmo tempo, forma a opinião pública, sobre a necessidade de consumo de alimentos como frutas, legumes e verduras; valorizando a aquisição diretamente do produtor, oferecendo alimentos frescos e de excelente qualidade nutricional”, comenta o nutricionista. Em Varginha foi significativa a participação. A adesão e envolvimento da população são avaliados como positivos. “Além do grande número de pessoas que visitaram e adquiriram os produtos oferecidos, recebemos vários relatos satisfatórios quanto à qualidade dos alimentos e do preço acessível”, destaca Cazelato. Dicas e informações para bons hábitos alimentares. O nutricionista aponta que houve busca por dicas e informações sobre alimentação. “Foi grande o interesse em orientações nutricionais nas melhorias e/ou mudanças da maneira com que as pessoas fazem suas opões alimentares”, comenta. A melhor forma de aproveitar os alimentos foi outra procura do público. “Grande parte das pessoas queriam orientações de como conseguir aproveitar e até diminuir o custo da refeição, utilizando integralmente os alimentos”, explica Cazelato. Um desafio para os nutricionistas e para os seres humanos. Esta é a avaliação de Cazelato sobre a discussão proposta sobre a fome, obesidade, desperdício na agenda mobilizadora da nutrição e da segurança alimentar. “Sabe-se que houve uma grande mudança na conjuntura do país, onde estamos passando de um país que antes se preocupava com a desnutrição, mas que atualmente, a realidade que nos deparamos é a obesidade”, afirma. O nutricionista reflete que “ao mesmo tempo, a obesidade e a desnutrição estão intimamente relacionadas com a fome, já que obesidade, muitas vezes não é sinônimo de boa nutrição, mas sim de falta de qualidade alimentar.” Ao trazer o tema do desperdício, Cazelato apregoa a necessidade de políticas efetivas. “O desperdício de alimentos é um agravante, pois estamos carentes de políticas que façam a junção entre produção eficiente e agroecológica, desde o plantio até a distribuição nas mesa das pessoas.” E arreamta sugerindo “fica o desafio aos gestores governamentais, nutricionistas e à população de transformar o desperdício de poucos na alimentação de muitos, acabando com os problemas da fome, obesidade e desperdício.” valorização para o alimento regional. “Conscientizar sobre a boa alimentação, inserindo os frutos de época e os frutos do nosso cerrado”, ressalta Gomes. Junto disto, a nutricionista enfatiza que o trabalho promove a saúde e previne doenças da população em fase de desenvolvimento. Gomes reconhece a importância do tema da Campanha. Porém, ela considera faltar informações e conhecimento de forma mais massiva. “Apesar dos trabalhos realizados, falta a viven- ciar a realidade. Ou seja, todos sabem na teoria o que deve ser feito, mas parece não haver a prática destas informações”, comenta. A desigualdade social é destacado como um grande desafio. “Outro fator que contribui é a má distribuição de renda, fazendo com que poucas pessoas tenham muito, e muitas pessoas tenham pouco acesso ao alimento”, avalia a nutricionista. AJUDE, PARTICIPE E CONTRIBUA COM A CONSTRUÇÃO DO NOSSO CRN9! Informações: crn9@crn9.org.br ou ligue para (31) 3226.8403 O CONSELHO É VOCÊ! Conselho Regional de Nutricionistas - 9ª Região 8 9 Revista CRN9 setembro a dezembro de 2011

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Em destaque Bate-papo ueqdesta mE Bate-papo O CRN9 E SUAS PARCERIAS Alianças pelo bem da sociedade CAE QUALIFICA SUAS AÇÕES COM A PARCERIA DO CONSELHO REGIONAL DE NUTRICIONISTAS A contribuição do Conselho Regional de Nutricionistas de Minas Gerais (CRN9) na agenda política de alimentação escolar tem sido fundamental. Desde que assumi a presidência do Conselho de Alimentação Escolar (CAE), há poucos meses, venho percebendo a importância do papel dos nutricionistas dentro das nossas escolas. O CAE pleiteou a permanência de um nutricionista em cada Superintendência de Ensino, com um dos objetivos de fazer com que o Programa de Alimentação Escolar, especialmente a lei 11.947 de 2009, que determina que no mínimo 30% dos produtos da agricultura familiar sejam incorporadas à alimentação escolar. Assim, os alunos têm à disposição uma alimentação mais saudável e diversificada. O Conselho aprovou recentemente o material publicitário que será distribuído nas escolas para divulgar a importância de uma alimentação de qualidade e a contribuição dos nutricionistas nesse processo. Tivemos uma experiência positiva com a realização do encontro regional sobre alimentação escolar na cidade de Pirapora para divulgar a lei 11.947/2009. A nossa meta é promover, a partir em 2012, um encontro em cada Superintendência de Ensino de Minas Gerais para mostrar a importância da organização da produção no campo e o papel dos nutricionistas na alimentação saudável. Quando assumi a presidência do CAE, assumi também o compromisso de, juntamente com nossos parceiros, fazer com que as políticas públicas cheguem de fato a quem precisa. Atuando também como presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg) – entidade que tem como uma de suas bandeiras de luta a organização sustentável da produção familiar, quero somar ações para avançar no processo da segurança alimentar no Estado. O nosso foco é ampliar as ações do CAE para além do papel burocrático, atuando também na melhoria da alimentação nas Presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura e do Conselho de Alimentação Escolar de Minas Gerais Vilson Luiz da Silva atuação intersetorial tem sido a tônica dos avanços no campo sociopolítico. De forma integrada com entidades e instituições, o CRN9 tem firmado sua presença na promoção da segurança alimentar e nutricional sustentável e de combate à fome em Minas Gerais. O diálogo - entre os órgãos go- A vernamentais, organizações não governamentais, entidades e cidadãos - proporciona a visão mais completa dos problemas sociais; bem como de como os profissionais de nutrição tornam-se agentes importantes nos diversos campos da alimentação e nutrição. Dos quase quatro anos de exis- tência, o Conselho de Minas assume agendas públicas que marcam sua participação, como personagem fundamental, nos debates e propostas de interesse da sociedade. Trata-se de, portanto, de um envolvimento que sinaliza o lugar dos nutricionistas e técnicos em nutrição de forma propositiva para o bem coletivo. escolas. Queremos também contar com uma parceria do governo estadual no sentido de participar, juntamente com o governo federal, na liberação de recursos para a merenda escolar. O nosso único e mais importante propósito é garantir uma alimentação mais saudável nas escolas. CONSOLIDAR A PARCERIA COM O CRN9 “A presença dos nutricionistas é altamente positiva, levando em conta a participação do Conselho e de seus associados nos eventos promovidos ou liderados pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O exemplo mais recente – e talvez o mais eloquente – foi o Seminário Legislativo Pobreza e Desigualdade, promovido pela ALMG, e que teve o CRN9 envolvido desde seu primeiro momento. O saldo altamente positivo desse seminário, com a aprovação da Emenda Constitucional 86, que inclui o combate à pobreza como uma das prioridades do Estado, entre outras deliberações, pode ser creditado à intensa participação da sociedade civil, dentre as quais merece destaque a dos nutricionistas. O processo legislativo só se completa de verdade quando busca e logra obter o envolvimento da sociedade. Temos tentado conduzir a ALMG dessa forma e, felizmente, temos encontrado resposta afirmativa das entidades. No caso específico do combate à pobreza e à fome, a presença de organizações diretamente ligadas ao tema, como o CRN9, é indispensável. Esperamos que a parceria já existente não apenas se consolide, mas seja ampliada. Estou a cada dia mais convencido de que o Parlamento deve aprimorar seu papel mobilizador e de liderar o debate sobre os temas mais importantes para a nossa sociedade. Nesse caminho, é indispensável que ele saiba, que nós parlamentares saibamos, como buscar e firmar parcerias com os organismos vivos da sociedade, no caso o CRN9, atraindoos para a participação. Essa é a nossa meta: ser a voz dos mineiros na busca POLÍTICAS PÚBLICAS VALORIZAM O NUTRICIONISTA E A ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL EM MINAS A presença do CRN9 nos fóruns de participação das políticas públicas de Segurança Alimentar e Nutricional tem contribuído para o fortalecimento das ações de garantia do direito humano à alimentação saudável e valorização do profissional de Nutrição. Esse amadurecimento da entidade, com união da categoria dos nutricionistas e técnicos, propiciou nos últimos anos uma parceria importante entre o Conselho e a Comissão de Participação Popular (CPP) da Assembleia Legislativa, que tenho a honra de presidir. Muitos avanços foram conquistados com esse trabalho coletivo. Já em 2007, o Ciclo de Debates “Alimentação escolar como estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional”, promovido pela CPP, contou com a presença do Conselho. Entre as 77 propostas resultantes dos debates, encaminhadas à Secretaria Estadual da Educação de Minas Gerais (SEEMG), muitas se tornaram realidade, como a contratação de nutricionistas para atuarem na SEE e a aquisição de equipamentos para cozinhas das escolas. Paralelamente, foram assegurados recursos para outras ações, entre elas, a estruturação do Sistema de Vigilância Alimentar (Sisvan), através das emendas populares ao Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG) e ao Orçamento do Estado, apresentadas pelas entidades nas audiências públicas promovidas pela CPP anualmente. Também na Lei do Plano Decenal de Educação, garantimos emendas fizeram constar a contratação de nutricionistas para as Superintendências Regionais de Deputado Estadual Presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) Dinis Pinheiro da redução das desigualdades, na construção de uma Minas mais igual, mais solidária.” Deputado Estadual Presidente da Comissão de Participação Popular André Quintão Ensino, nosso grande desafio. Para assegurar o cumprimento em Minas da Lei Federal Nº11.947/2009, que fixa 30% de produtos oriundos da Agricultura Familiar nas aquisições para a Conselho Regional de Nutricionistas - 9ª Região 10 11 Revista CRN9 setembro a dezembro de 2011

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Em destaque Bate-papo CRN9 Em Ação Em destaque Alimentação Escolar, promovemos um termo de parceria entre a Emater e Secretaria da Educação. Outra iniciativa é o Projeto de Lei em tramitação na Assembleia, que apresentei instituindo a Política Estadual de Alimentação Escolar. Fomos parceiros, também, na justa homenagem prestada pela Assembleia ao mestre do combate à fome, Josué de Castro, no centenário de seu nascimento. Tudo isso ficou expresso no “Dia do Nutricionista de 2011”, quando a CPP teve a honra de homenagear o Conselho em audiência pública, sediando o lançamento da campanha nacional “Fome, Obesidade, Desperdício: Não Alimente este Problema”. São ainda muitos os desafios em nosso País, para erradicar a fome e também o paradoxal desperdício, mas confiamos nessa parceria Legislativo/sociedade organizada para trilharmos novos passos. CRN9 INTEGRA O COMITÊ DA CAMPANHA CONTRA AGROTÓXICOS Criado no mês de agosto, o Comitê Mineiro da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida traz o debate da qualidade e quantidade de alimentos em condições saudáveis para toda a população. Participaram da solenidade de instalação do órgão - Heloísa Magalhães (conselheira vice-presidente do CRN9), Joyce Batista (conselheira diretora secretária), Beatriz de Carvalho (assessoria técnica) e Antônio Coquito (assessor de comunicação). O Comitê Mineiro é composto por cerca de 30 (trinta) entidades, que têm suas intervenções nas áreas de defesa da água e terra, agricultura, meio ambiente, segurança alimentar e nutricional, saúde do trabalhador, vigilância sanitária e promoção dos direitos humanos. O CRN9, fortalecendo sua presença nos espaços que envolvem nutrição e cidadania, participa das ações da Campanha, através da nutricionista Joyce Batista, que íntegra o grupo mobilizador em Belo Horizonte. Também, a nutricionista Regina Oliveira (Conselheira da Comissão de Comunicação), que integra as atividades na cidade de Viçosa. CRN9 NA CONTRIBUIÇÃO PELAS AÇÕES E AVANÇOS NA ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO “Percebemos a presença importante do CRN9 em diversas atividades não somente do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (CONSEA-MG), como também no apoio às ações desenvolvidas por outras instituições relacionadas à alimentação e nutrição, com envolvimento e efetivas contribuições. Diretamente relacionado ao CONSEA-MG, o CRN9 teve presença, através do apoio técnico, nas atividades desenvolvidas na Semana Mundial da Alimentação e da Campanha do sistema CFN/CRNs denominada: Fome, Obesidade e Desperdício”. Outro ponto importante a ser destacado foi a presença do Dom Mauro Morelli na audiência pública realizada em agosto pela Assembleia Legislativa em homenagem ao dia do nutricionista e à abertura oficial da campanha no Estado. No processo de preparação da 5ª Conferência Estadual de SANS, realizada em agosto de 2011, o CRN9 atuou nas discussões sobre alimentação adequada e saudável e no GT de metodologia, relatoria e conteúdo, além da sensibilização e mobilização dos nutricionistas para a temática de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável. Podemos dizer que foi uma participação determinante para o fortalecimento das discussões no âmbito das políticas públicas de SANS. Outro momento importante foi o apoio e participação nas ações desenvolvidas no Comitê Permanente contra os agrotóxicos e pela vida, do qual o CONSEA também participa. Além disso, devemos destacar o Seminário Pobreza e Desigualdade da Assembleia Legislativa e na audiência do PPAG 2012-2015, no qual o CRN9 pode fazer proposição de programas e ações relacionados à alimentação e nutrição. SEMINÁRIO CONTRA A POBREZA TEM CONTRIBUIÇÃO DO CRN9 O CRN9 participou da etapa final do ciclo de discussões para enfrentamento da pobreza em Minas Gerais. O Seminário Legislativo “Pobreza e Desigualdade”, que aconteceu nos dias 24, 25 e 26 de outubro, teve a presença de 537 (quinhentos e trinta e sete) participantes. O CRN9 marcou presença, através do presidente Élido Bonomo, Joyce Batista (Diretora Secretária), Antônio Coquito (Assessor de Comunicação) e Beatriz Carvalho (Assessora Técnica). No Seminário, a ALMG aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 86. O documento inclui no escopo da Constituição Estadual a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades. “Com a promulgação, o objetivo de erradicar a miséria peso e destaque de compromisso na agenda do governo mineiro. O presidente do CRN9 palestrou no painel “Políticas de Desenvolvimento Social: erradicar a pobreza e enfrentar as desigualdades regionais”. No evento, ele abordou o tema saúde e qualidade de vida. Falando da promoção de igualdade e inclusão, Bonomo afirmou que o combate à pobreza e à desigualdade devem ser superados pelo compromisso do Estado e como direito do cidadão. O acesso ao alimento reflete a renda familiar e, consequentemente, o grau de desigualdade. O presidente o CRN9 alertou para a incidência de doenças graves, advindas de hábitos alimentares não saudáveis. “Menos de 10% da população consome verduras, frutas e legumes em níveis ideais”, advertiu. Para ele, torna-se necessário promover o acesso ao alimento, oferecer informações de consumo à sociedade sobre o que contribui com promoção de saúde. Avanços A política de SANS, instituída pela Lei 15. 982 de 2006, estabelece diretrizes com as áreas temáticas em que as políticas públicas que buscam a garantia do direito humano à alimentação adequada devem pautar. Dente elas, a promoção do acesso à alimentação de qualidade e de forma de vida saudável; da educação alimentar e nutricional e a promoção da alimentação materno-infantojuvenil. Elas ilustram, de forma clara, que a parceria com o Conselho Regional de Nutricionistas pode garantir o fortalecimento das políticas públicas de SANS mobilizando atores e profissionais da área de nutrição, através de campanhas, eventos e mobilizações para que se alcancem objetivos comuns aos dois conselhos: a atuação para fortalecer o direito humano básico a uma alimentação adequada e saudável. Engenheiro Agrônomo Secretário Executivo do CONSEA-MG e especialista na área de agroecologia e agricultura urbana Marcos Jota Ações O CONSEA-MG, enquanto conselho estadual e que atua em 25 regionais, tem tido relevante apoio do CRN9 no desenvolvimento das ações e capacitações em áreas referentes à segurança alimentar e nutricional sustentável. Exemplo disso foi o processo de formação para os nutricionistas contribuindo assim para que pudessem orientar diretores em suas escolas para a aquisição de alimentos oriundos da agricultura familiar. Isso, além de contribuir para a organização dos agricultores familiares. Esse processo formativo também colaborou na adequação do cardápio com a presença de alimentos de melhor qualidade valorizando as especificidades regionais.” CRN9 TOMA POSSE NO COMUSAM-BH O CRN9 - representado pela assessora técnica, a nutricionista Beatriz Carvalho e pela nutricionista Ana Maria de Freitas Barcelos - tomou posse no Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Belo Horizonte (COMUSAN-BH). Carvalho assume a titularidade enquanto Barcelos a suplência da representação. A solenidade de posse, que contou com a presença do prefeito Márcio Lacerda aconteceu no dia 31 de outubro de 2011. banco de alimentos, incentivar à agricultura urbana e periurbana e toda forma de acesso ao alimento, promovendo a saúde e bem-estar da população. As ações deliberativas do Conselho envolvem a interlocução dos atores governamentais e não governamentais, dentro da democracia participativa, característica dos Conselhos de Políticas Públicas. Conselho Regional de Nutricionistas (CRN9), Conselho de Alimentação Escolar (CAE-BH), Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG ,Pontifícia Universidade Católica (PUC-Minas) , Associação dos Diabéticos de Belo Horizonte – ASSODIBELO ,Associação dos Celíacos do Brasil - Seção Minas Gerais - ACELBRA-MG , Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), Associação dos Produtores Minas Orgânica, Arquidiocese de Belo Horizonte (ocupa duas cadeiras representando os Movimentos Populares com Interface nas questões de Segurança Alimentar e Nutricional e Movimentos Sociais e/ou Comunitários), Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB); Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais – (FIEMG), Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (FAEMG), Federação de Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais ( FETAEMG), Associação Comercial de Minas Gerais (ACMinas) e Movimento das Donas de Casa e Consumidores de Minas Gerais ( MDC-MG), A COMPOSIÇÃO Ao todo, o COMUSAN-BH tem 24 (vinte quatro) representantes efetivos e 24 (vinte e quatro) suplentes. As especificidades das representações obedecem a seguinte característica: GOVERNAMENTAIS: Secretaria Municipal de Políticas Sociais, Secretaria Municipal de Saúde,Secretaria Municipal de Adjunta de Segurança Alimentar e Nutricional,Secretaria Municipal de Educação, Secretaria Municipal Adjunta de Assistência Social, Secretaria Municipal Adjunta de Direitos da Cidadania e Representante da Câmara Municipal de Belo Horizonte. NÃO GOVERNAMENTAIS: IMPORTÂNCIA DO CONSELHO Criado em 30 de maio de 2003, através do Decreto Municipal 11.341, o COMUSAN-BH tem o objetivo de assegurar o direito constitucional de cada pessoa a uma alimentação de qualidade e quantidade suficiente durante todas as fases da vida. Portanto, os Conselhos são órgãos criados para fomentar as políticas públicas de segurança alimentar e nutricional. Compreende algumas ações: discutir Conselho Regional de Nutricionistas - 9ª Região 12 13 Revista CRN9 setembro a dezembro de 2011

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Em destaque CRN9 Em Ação entrevista ue qdesta mE Bate-papo AGROTÓXICOS: A HORA DE PENSAR O MODELO DE PRODUÇÃO ALIMENTAR esta edição da Revista CRN9, a conversa sobre agrotóxicos com nossa entrevistada, professora Jandira Maciel da Silva, nos faz pensar no futuro do alimento e da alimentação. Junto deles, o destino do planeta nas questões de saúde pública e nos desafios socioambientais. A utilização indiscriminada, que coloca o Brasil como um dos maiores consumidores mundiais de venenos em suas lavouras, tem consequências direta na contaminação do solo, da água e da vida. Dedica aos estudos e aos aprofundamentos quando o assunto é a saúde do trabalhador ligada à toxidade, Silva integra o Comitê Mineiro da Campanha Permanente contra o Uso de Agrotóxicos e Pela Vida. Ela é doutora em Saúde Coletiva, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) no Curso de Medicina. Também, integra do Departamento de Medicina Preventiva e Social - Saúde do Trabalhador e Membro do Grupo de Estudos Sobre Trabalho Rural e Saúde (Gestru/ UFMG). Este nosso bate-papo com a professora, nos traz diversas indagações. Que conceito de produção agrícola N defenderemos? Qual o papel do profissional de nutrição no debate? Qual a implicação e impacto do uso de agrotóxicos nos gastos da saúde brasileira? Como vamos ampliar o diálogo entre governo, sociedade e produtores – tendo como prioridade a qualidade de vida da população? Das questões apontadas, fica a indagação de para onde vamos e por onde iremos com a produção, acesso e garantia da alimentação segura e nutricionalmente saudável. REVISTA CRN9: Qual (is) a (s) questão (ões) central(is) do debate proposto pela Campanha Permanente contra o Uso de Agrotóxicos e pela Vida? JANDIRA SILVA: É importante compreender em que cenário nasce a Campanha, uma vez que a utilização dos produtos químicos nas lavouras deve ser compreendida a partir do modelo de produção agrícola vigente no Brasil nos últimos 60 anos, que institui a chamada agricultura moderna. Este modelo se articula em torno da expansão do agronegócio, portanto do latifúndio e da monocultura; do crescimento da utilização de sementes geneticamente modificadas e do modelo agroquímico como base para o enfretamento das pragas e doenças presentes na agricultura, visando manter a produtividade. É neste cenário que entra em campo a Campanha, cuja pauta é bastante extensa, complexa e desafiadora. Destaco alguns pontos: uma cobrança ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e ao Banco Central, para a proibição de utilização dos créditos oriundos do Pronaf para a aquisição de agrotóxicos e, ao mesmo tempo, o incentivo à aquisição/utilização de insumos orgânicos e a produção de alimentos saudáveis; exigir da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) a reavaliação periódica de todos os agrotóxicos autorizados no país, o aprofundamento do processo de avaliação e fiscalização da contaminação dos alimentos e de água para consumo público; exigir dos órgãos públicos a proibição da pulverização aérea de agrotóxicos; exigir dos governos a retirada de isenções fiscal e incentiva dados à produção, importação e comercialização de agrotóxicos no Brasil e, exigir a fiscalização por parte do governo para que se cumpra o código do consumidor, garantindo que todos os produtos alimentícios apresentem no rótulo o agrotóxico utilizado na produção, dando opção ao consumidor de optar por produtos saudáveis. O grande movimento é pela conscientização - dos trabalhadores e dos consumidores em geral - sobre os ricos e os danos causados pelos agrotóxicos à saúde e ao meio ambiente e o desenvolvimento de ações políticas voltadas para um novo modelo de agricultura para o país. Para tanto, trabalha-se com a divulgação de informações, incluindo aquelas pertinentes ao modelo agroecológico como contraponto à utilização dos venenos entre os agricultores. REVISTA CRN9: Na sua avaliação que fatores contribuem para o Brasil ser um dos campeões na aplicação de agrotóxicos? JANDIRA SILVA: Podemos dizer que este fato está diretamente relacionado com a expansão das fronteiras agrícolas (agronegócio) e o aumento das culturas de alimentos transgênicos, que utilizam muito agrotóxico para o seu cultivo, particularmente a soja e o milho. Para se ter uma idéia deste último aspecto, na safra de 2011/2012, a área cultivada de sementes transgênicas no Brasil aumentou em 20,9% Conselho Regional de Nutricionistas - 9ª Região 14 15 Revista CRN9 setembro a dezembro de 2011

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entrevista Em destaque Bate-papo entrevista ue qdesta mE Bate-papo em relação à safra passada, atingindo 31,8 milhões de hectares. Isto coloca o Brasil com o segundo maior produtor mundial de transgênicos, atrás apenas dos Estados Unidos da América. Num segundo plano de análise, temos a política do Estado brasileiro, que a partir do final dos anos 50 inicio dos 60 do século passado, escolheu um modelo de produção agrícola apoiado no uso intensivo destes produtos. Destaco o importante papel do Sistema Nacional de Crédito Rural, criado em 1965, pois vinculava a obtenção de crédito rural agrícola à obrigatoriedade da compra de agrotóxicos pelos agricultores e, o surgimento e estruturação da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural – Emater. Ou seja, coube ao Estado brasileiro garantir a introdução e a incorporação destes produtos na cena da agricultura brasileira. REVISTA CRN9: Levando em conta o contexto do uso de agrotóxicos, como a senhora vê o futuro da alimentação; bem como fatores ligados à sustentabilidade socioambiental? JAND I R A SILVA: Podemos dizer que as perspectivas são muito preocupantes. Quanto se discute a contaminação dos alimentos por agrotóxicos e seus potenciais efeitos sobre a saúde humana, é preciso diferenciar aqueles que têm ação sistêmica dos agrotóxicos de contato. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) publicou os dados referentes à 2010, sobre a presença de resíduos de agrotóxicos em alimentos. Foram analisadas amostras de 18 tipos de alimentos. Em 28% delas, havia excesso de agrotóxicos ou agrotóxicos não autorizados para aquela cultura, o que pode representar um risco maior à saúde. Importante também destacar os graves problemas para a questão da água e que já começam a aparecer. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), os resíduos de agrotóxicos são a segunda principal fonte de contaminação das águas brasileiras, ficando à frente dos despejos industriais e da ativida- de mineradora como origens de contaminação, perdendo apenas para a contaminação causada pela falta de esgotamento sanitário. É preciso reafirmar que todo este quadro é consequência da ausência de uma política de Estado, forte, estruturada e comprometida com o desenvolvimento de uma produção agrícola articulada com outro tipo de paradigma, no caso, um modelo de agricultura livre destes agroquímicos e portanto sustentável. REVISTA CRN9: Quais os impactos dos agrotóxicos na agenda da saúde pública? Que fatores desencadeantes podem ser previstos, caso não se reverta as aplicações de pesticidas e fungicidas? JANDIRA SILVA: Inúmeros fatores entram em jogo na busca de conhecimentos sobre danos à saúde das populações expostas aos agrotóxicos. Entre estes, podemos destacar o fato de que cada produto possui características toxicológicas próprias. A grande maioria dos produtos comerciais possui impurezas toxicologicamente ativas com o frequente uso de misturas de produtos pelos agricultores; a frequência de uso; as formas de exposição; os mecanismos de prevenção/proteção utilizados; a idade com que se inicia o contato com os produtos etc. Considerando esta variabilidade de questões e situações, alguns pontos devem entrar com urgência nas agendas da saúde pública. Destaco: • Primeiramente, a necessidade de se qualificar a rede pública de saúde (SUS), para a atenção à saúde das populações expostas, com destaque para os trabalhadores, grupo mais vulnerável às intoxicações, agudas e crônicas. Neste sentido, é necessário que o Ministério da Saúde, através da Diretoria de Vigilância à Saúde Ambiental e à Saúde do Trabalhador, entre outros pontos, elabore protocolos assistenciais, de vigilância e de promoção da saúde, visando orientar as práticas assistenciais e as de vigilância, tanto dos agravos à saúde, como também, dos ambientes e processos de trabalho. Vale lembrar que as intoxicações por agrotóxicos são de notificação compulsória (Portaria MS/GM No. 104, 25/01/2011), sendo que está notificação deve ser feita no Sistema de Notificação de Agravos – SINAN. • Outro ponto prioritário desta agenda diz respeito à parte laboratorial. Carecemos de uma rede de laboratórios de saúde pública ágil e sintonizada com as necessidades toxicológicas do momento, ocupacionais e ambientais, essenciais para a realização dos diagnósticos das intoxicações por agrotóxicos. Sem isto, fica seriamente comprometida a notificação destas intoxicações, em que pese serem de caráter compulsório. • Por fim, a necessidade de uma agenda de estudos e pesquisas. Neste sentido, defendo algumas prioridades. Para começar, o câncer. Sabe-se que os agricultores apresentam risco aumentado para alguns tipos de câncer, como por exemplo, o sarcoma de partes moles, leucemias, linfoma não Hodking, doença de Hodking, mieloma múltiplo, câncer do sistema nervoso central e da próstata. Realização de pesquisas abordando o sistema endócrino, uma vez que vários agrotóxicos são considerados desreguladores endócrinos e, que são substâncias capazes de desequilibrarem o sistema endócrino, causando alterações comportamentais, anomalias na função reprodutiva e certos tipos de câncer que sofrem a influência de hormônios. Ainda nesta agenda, cito como prioridade o problema das crianças rurais que apresentam déficit de aprendizado; os efeitos teratogênicos ocasionando má formação congênita, a depressão e o suicídio. REVISTA CRN9: Como os profissionais de nutrição podem assumir a causa da alimentação saudável com isenção de agrotóxicos? JANDIRA SILVA: Assumindo o protagonismo do debate sobre segurança alimentar e alimentação saudável. Entendo que isto significa que, a segurança alimentar está relacionada não apenas com o acesso ao alimento (o que por si só é essencial), mas também com alimentos livres de contaminação por estes produtos. Rechaçando a idéia de que o alimento orgânico é para os ricos, restando às pessoas de menor poder aquisitivo alimentos contaminados com agrotóxicos, pois está seria a única forma de se produzir alimentos mais baratos. Ou seja, atuando contra mais este tipo de iniqüidade. Neste sentido, contribuindo para o fortalecimento da agroecologia, maior toxicidade, apoiar a ANVISA, particularmente, a Gerência Geral de Toxicologia, nos processos de reavaliação dos agrotóxicos e fomentar estudos e pesquisas, seja no campo da saúde, como também, no desenvolvimento de práticas alternativas para o enfrentamento de pragas, doenças, vetores etc., menos danosas à saúde humana e ao meio ambiente. REVISTA CRN9: Dos indicadores preocupantes (uso dos agrotóxicos no Brasil) conjugados às políticas nacionais de investimento no agronegócio, que medidas mais urgentes precisam ser adotadas para a oferta de alimentação segura? JANDIRA SILVA: A proibição imediata dos agrotóxicos proscritos em outros países, o investimento na agricultura familiar, fomentando práticas alternativas ao uso de agrotóxicos e a garantia de uma assistência técnica pública e qualificada, que estimule e possibilite tecnicamente o uso de outras tecnologias de produção de alimentos. REVISTA CRN9: Como cada um (cidadão) e a sociedade (coletivamente) podem assumir a Campanha; bem como atitudes contrárias ao uso dos agrotóxicos e da alimentação que promova qualidade de vida? JANDIRA SILVA: É necessário que a sociedade e que cada cidadão se mobilizem em torno da questão dos agrotóxicos, dos malefícios que causam à saúde humana e ao meio ambiente. E um dos passos para isso é através da informação. Informação que deve ser veiculada pelos movimentos sociais, mas também, por diversos órgãos governamentais, particularmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Isto porque, cabe ao SUS desenvolver ações de vigilância e de promoção da saúde das populações. Além dos citados; desenvolver a cultura de cobrar de informações sobre a qualidade da água, principalmente no que se refere à contaminação por substâncias químicas, entre elas, os agrotóxicos, exigir do governo a garantia de acesso a produtos saudáveis, para toda a população e provocar o diálogo permanente com a sociedade, discutindo e refletindo sobre a cultura e o padrão de consumo das pessoas. como estratégia para garantir a soberania e segurança alimentar e nutricional da população. Acredito que outra linha de contribuição dos profissionais da nutrição seria sua forte incorporação às pesquisas científicas, principalmente aquelas voltadas para investigações dos efeitos sobre a saúde dos consumidores de alimentos contaminados pelos agrotóxicos, mesmo que na condição de resíduos, como vem sendo demonstrado pelos resultados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) da Anvisa. Ou seja, pesquisar e divulgar os danos à saúde provocados por esta exposição crônica a baixas concentrações. REVISTA CRN9: Que ações e intervenções os governos (federal, estaduais e municipais) devem assumir, contrárias ao uso de agrotóxicos e na defesa da vida? JANDIRA SILVA: Para começar, investindo pesadamente na agricultura familiar, estimulando, inclusive com assistência técnica devida, outro modelo de agricultura. Outro ponto é continuar investindo cada vez mais na reforma agrária, apoiando e estimulando a agroecologia. Somando a estes; garantir uma assistência técnica que estimule o uso de tecnologias alternativas, proibir a aprovação no Brasil de produtos proscritos em outros países, aumentar a taxação de produtos de Conselho Regional de Nutricionistas - 9ª Região 16 17 Revista CRN9 setembro a dezembro de 2011

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ponto positivo entrevista atualidade Em destaque Bate-papo positivo ponto entrevista atualidade ue qdesta m E papo-ateB ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO NA COPA 2014 O Brasil conta os dias para receber um dos maiores eventos do planeta: a Copa do Mundo 2014. Junto dela, o Brasil sediará a Copa das Confederações em 2013. E em 2016, as Olimpíadas. Organizado pela Federação Internacional de Futebol Associado (Fifa), a Copa movimenta a iniciativa privada e convoca o poder público a se prepara, com investimentos em infra-estrutura, hospitalidade, turismo e alimentação. Pelo país, nas cidades sedes, vão circular cerca de 3,7 milhões de turistas estrangeiros e brasileiros. O maior evento de futebol mobiliza recursos da ordem de R$ 9,4 bilhões. E mais, o encontro gerará cerca de 700 mil empregos permanentes e temporários. Num evento esportivo de grande porte, o conceito da alimentação de qualidade e saudável deve estar presente por onde circulam as pessoas. des sedes das seleções e das regiões históricas e turísticas. Atenta à dimensão geográfica do estado, Parma afirma que a Vigilância Sanitária oferecerá apoio técnico às 28 (vinte e oito) gerências regionais de saúde; bem como às cidades que demandarem, por abrigarem as federações estrangeiras e prováveis visitantes. Eventos como este pedem atenção nas áreas de alimentação e nutrição, Parma aponta que é necessário atuar de forma efetiva, no que diz respeito à vigilância, junto aos restaurantes, bares e similares. Tudo isto, prevendo boas práticas e oferta de serviços qualificados. AMPLIAR PARCERIAS E COMPROMETER GESTORES Sensibilizar os segmentos representativos da cadeia produtiva de alimentos, este é o objetivo do eixo de controle sanitário de produtos e serviços. O trabalho estará concentrado no Com foco na alimentação e serviprodutor e no fornecedor de alimentos. ços de saúde, Minas Gerais já tem seu A Diretora acentua que a meta é incenPlano Estratégico definido. O docutivar a implementação mento começa a ser das boas práticas de implantado já no ano “Eu gostaria que cada higiene, de melhor de 2012. Segundo restaurante tivesse atendimento ao usuáCláudia Parma, médirio e intensificar as atium nutricionista”. ca veterinária e diretovidades vigilância de ra da Vigilância Saniprodutos e serviços. tária de Minas – órgão Lucas Pêgo, Diretor “Independente da ligado à Secretaria Copa, trabalhar com Executivo da ABRASEL de Saúde de Minas a presença do nutriGerais (SES-MG), o Minas cionista, nós só temos plano mineiro vai cona ganhar”. A constata- impacto na saúde, desenvolver matetemplar, seguindo a ção de Parma reforça a parceria com o riais educativos, estimular e valorizar a proposta nacional da Agência de ViConselho e com os nutricionistas para alimentação regional etc – em toda Migilância Sanitária (Anvisa), diretrizes o evento esportinas Gerais, engerais e instrumentos para as ações vo e outras ativivolvendo os nude vigilância sanitária, em todo territó“São importantes dades. “O profistricionistas - tudo rio mineiro, voltados para os eventos sional de nutrição parceiros: os conselhos de isto aproveitande massa. No caso, o trabalho é penpode agregar nutricionistas, de agronomia, do este grande sado pela Câmara Temática de Saúde para além da vievento”, defende ligada ao Comitê Executivo da Copa. as entidades de turismo, de são sanitária, ou a aproximação Os gestores da Câmara pensam seja, o alimento hospitalidade, dentre outros.” como form. numa intervenção fortalecida para a seguro e com Na oferta de excelência no atendimento. Muitos qualidade nutrialimentos saudádos que vierem ao estado, aproveiCláudia Parma, médica cional”, aponta. veis e confiáveis, tarão para visitar cidades do interior. Ela sugere ações veterinária e diretora da Minas Gerais Pensando no turista flutuante, Parma conjuntas com o Vigilância Sanitária de Minas pretende ampliar defende a ação focada no município. CRN9, aproveio leque de parNeste sentido, ela explica que o grutando a agenda. cerias. Parma po vem trabalhando, no plano, o eixo “Podemos realizar fóruns temáticos, cita que são importante parceiros: os de sensibilização dos gestores munipromovermos ações de conscientiza- conselhos de nutricionistas, de agrocipais no planejamento das ações de ção sobre a melhor alimentação e seu nomia, as entidades de turismo, de vigilância sanitária das prováveis cida- hospitalidade, dentre outros. “Temos também as parcerias do Sistema 5 s, ou seja, Serviço Brasileiro de Empresas (Sebrae-MG), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-MG), Serviço Social do Comércio (SESC-MG), Servipo Social da Indústria (SESI-MG) , Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MG) e Serviço Nacional do Transporte (Senat-MG) ea Federação da Indústria de Minas Gerais (Fiemg) e outros seguimentos representativos do comércio e da indústria”, destacou. Envolver diretamente a sociedade. Parma explica que o plano estadual quer que a população participe ativamente das ações de vigilância sanitária nos municípios. “Vamos criar canais para envolvimento, denúncia e participação”, aponta. Agindo assim, ela acredita que o cidadão será um agente de vigia da qualidade dos serviços. O envolvimento do cidadão trará melhoria na Copa e pós Copa, nas questões de qualidade da alimentação, através da consciência sanitária, acredita a Diretora da Visa Estadual. PLANO PARA ATENDER BEM AO TURISTA ABRASEL DESTACA A IMPORTÂNCIA DO NUTRICIONISTA A qualidade alimentar é requisito fundamental em todo momento e, em específico, nos eventos de grande re- ceptividade turística. “Eu gostaria que ciaremos o aprendizado de grandes cada restaurante tivesse um nutricio- eventos”, confia. Para o pós Copa, ele nista”. A afirmação é de Lucas Pêgo, vê nas obras pela cidade, nas redes diretor executivo da Associação Bra- de alimentação que já começam a se sileira de Bares, Restaurantes e Si- instalar em BH, nos novos restauranmilares de Minas Gerais (ABRASEL tes que virão e na construção dos noMinas). Ele reconhece que a presença vos hotéis, o legado do evento. do profissional garante mais seguranA ABRASEL Minas vem desenvolça alimentar, bom preparo de cardá- vendo em parceria com o Ministério do pios, sanitização e Turismo (Mintur) e “Conscientizar as melhor consultoria o PROJETO BEM em alimentos. RECEBER COPA pessoas dos riscos Em qualquer 2014. Pêgo cita relativos a produtos e ocasião, Minas e que a iniciativa serviços e sensibilizá-las BH têm tudo para também é apoiada acolher bem quem pela Federação da necessidade de sua vem nos visitar. Nacional de Hoparticipação para minimizar Falando da Copa, téis, Bares e Resesses riscos” Pêgo afirma que a taurantes e Simicapital tem vocalares (FNHRBS). ção grandes ativiMárcia Corradi – Gerente da Com o objetivo de dades de caráter qualificar serviços Vigilância Sanitária de Belo e preparar o setor desportivo, turismo de negócios de alimentação Horizonte (Visa BH) e outros eventos. fora do lar, o proEle sugere potencializar uma caracte- jeto tem a meta de trabalhar até 2014, rística de BH internacional, ou seja, a cerca de 306 mil profissionais. “O Bem de capital mundial dos bares e restau- Receber quer qualificar em três árerantes. as, ou seja, na qualidade do alimento/ Para o diretor executivo da Abrasel segurança alimentar; do atendimento/ Minas, o evento internacional obriga equipes treinadas para bem atender e a todos a se movimentarem. “Temos ações de qualificação junto aos admique planejar com antecedência e fa- nistradores e gestores dos bares, reszermos os devidos investimentos”, co- taurantes, chamados de MITs (Multipimenta. Organizado e bem preparado, cadores de Informações Turísticas)”, a cidade colhe os resultados. “Tere- explica o diretor. Somando se a estas mos um grande movimento financeiro três frentes, o projeto promove a quanão só em BH, mas no Brasil; viven- lificação nos idiomas inglês e francês. BH PREPARADA A capital vai abrigar importantes jogos nas diversas etapas do campeonato mundial. Pensando na estruturação das ações, a Vigilância Sanitária de Belo Horizonte (Visa BH) se prepara. Márcia Corradi, gerente da Visa BH detalha as etapas: “1) definição dos estabelecimentos alvo , com base no risco sanitário2) estruturação do programa de educação continuada para o setor regulado e população; 3) realização de orientação aos viajantes; 4) discussão com o setor regulado, por segmento, sobre as exigências legais; 5) ampliação do Projeto Jovem Vigilante; 6) realização de vistorias fiscais nos, pontos de vendas de medicamentos, cosméticos e saneantes, locais de produção e comercialização de alimentos, setor de hotelaria, estabelecimentos de assistência à saúde e outros e 7) estruturação das ações em caso de acompanhamento de investigação de surtos de infecção hospitalar, doenças infecto contagiosas, epidemia, endemias e doenças transmitidas por alimentos.”. Ao receber a Copa, Belo Horizonte terá desdobramentos e definições de agenda que envolvem diversos segmentos e instituições ligados à saúde da população. Para Corradi, a realização de grandes eventos nos municípios altera a sua rotina, podendo trazer novos riscos. Segundo a gerente da Visa BH, as ações devem ser reavaliadas com o objetivo de atentar para as mudanças que ocorrerão no cotidiano da cidade. “Trabalhar com a educação sanitária do setor regulado, da população e dos visitantes é uma alternativa de ampliação das ações de VISA e conseqüente redução de riscos”, declara. O envolvimento da sociedade é determinante. Corradi vê neste trabalho um desafio. “Conscientizar as pessoas dos riscos relativos a produtos e serviços e sensibilizá-las da necessidade de sua participação para minimizar esses riscos”, afirma como grande ganho. Conselho Regional de Nutricionistas - 9ª Região 18 19 Revista CRN9 setembro a dezembro de 2011

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CAMPANHA SISTEMA CFN/CRNS 2012 Alimentação Fora de Casa O Sistema Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) e Conselhos Regionais de Nutricionistas (CRNs) promove, neste ano, a CAMPANHA COM A TEMÁTICA DA ALIMENTAÇÃO FORA DO LAR. A conscientização em torno das opções por refeições fora de casa, traduz-se num amplo movimento de se fazer com que a população tenha acesso e faça a escolha saudável. O profissional de nutrição, como promotor da qualidade de vida, leva esta ação pública à sociedade. Você pode mobilizar sua cidade - instituição, empresa, escola, amigos de trabalho etc. Contribua! Estimule a boa alimentação! O CRN9 contribui com a preservação do meio ambiente, produzindo esta publicação em papel reciclado.

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