Jornal Imprensa Sindical - Edição nº 111

 

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ANO XIII | 111a EDIÇÃO Ministério do Trabalho e TCU se unem para coibir fraudes O Ministério do Trabalho e Emprego e o Tribunal de Contas da União (TCU) assinaram um acordo de cooperação, dia 26 de agosto, para que o tribunal tenha acesso a dados como a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e ao Cadastro de Estabelecimentos Empregadores (CEE). A parceria, segundo o ministro Manoel Dias, visa a dar mais transparência às ações da pasta e criar uma rede de prevenção a fraudes. “Quanto mais informações o tribunal de contas tiPTB-SINDICAL IMPRENSA SINDICAL SETEMBRO/2014 ver, maiores serão as condições para o controle. Então, acho que todos os ministérios devem disponibilizar os seus dados, como estamos fazendo com os nossos números, a fim de que haja uma análise mais bem feita e um acompanhamento mais eficaz”, disse o minis- tro à Agência Brasil. Pelo acordo, os auditores do TCU terão acesso às bases de dados do ministério para ações de acompanhamento e fiscalização das políticas públicas e benefícios sociais oferecidos pelo governo federal. Para o presidente do TCU, João Augusto Nardes, a fiscalização do tribunal poderá contribuir para a redução de gastos da máquina pública e na “proteção” de conquistas dos trabalhadores, como o seguro-desemprego. “Os dados são úteis para que a gente possa buscar in- formações e fazer projeções relacionadas aos custos do Estado e cruzamento de dados da estrutura como um todo”, argumentou Nardes. “Vamos alertar e demonstrar onde é preciso melhorar, ver se o Estado tem capacidade de atender à demanda colocada”, acrescentou. RAMALHO JÚNIOR SECOVI - SP SINDUSCON - SP Ramalho Junior, presidente do PTB Sindical do Estado de São Paulo Segundo Tempo, e a bola continua rolando... Página 8 Cidades precisam de planejamento Página 16 Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP José Romeu Ferraz Neto, presidente do Sinduscon-SP Nestes tempos difíceis, é preciso fortalecer a indústria da construção Página 14 MONGAGUÁ - SP LU ALCKMIN PRAIA GRANDE - SP Professor Artur e Márcio Cabeça estão reconstruindo Mongaguá Prefeito Prof. Artur Parada Procida e o vice-prefeito Página 7 Márcio Cabeça Melo Gomes Aula Inaugural do Fundo Social reúne mais de 1.300 alunos no Parque da Água Branca Página 9 Praia Grande se transforma num canteiro de obras Página 10 Fotos: Handson Chagas Prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão HADDAD - SÃO PAULO/SP MARANHÃO A aposta de Haddad em São Paulo Página 9 Fernando Haddad, prefeito de São Paulo Governadorado Maranhão, Roseana Sarney BAHIA CUT - SP FORÇA SINDICAL - SP Roseana autoriza obras de construção de CRAs e CREAs beneficiando 154 municípios Página 5 GRÁFICOS - SP Mulheres recordam construção do sindicalismo feminista na CUT Página 4 Da esquerda para a direita, Denise, Tatau, Maria e Didice Crescimento com valorização do trabalho Página 4 Rodovias federais recebem mais de R$ 1 bilhão para duplicação de trechos que passam pela Bahia Página 12 Miguel Torres, presidente da Força Sindical SINDIQUÍMICA - SP Jaques Wagner, governador da Bahia Pela valorização do voto Página 16 Nilson do Carmo Pereira, diretor executivo do Sindicato dos Gráficos de São Paulo AEROVIÁRIOS - SP ITUIUTABA - MG Luiz Pedro Corrêa do Carmo, prefeito de Ituiutaba e o coordenador de Gestão Estratégica, Gladiston Pires JADER BARBALHO Administração do prefeito Luiz Pedro recebe Prêmio Minas Melhor Página 8 PARÁ Sindiquímica iniciou campanha salarial dos setores químico e petroquímico na Bahia Página 10 RIO GRANDE DO SUL Aeroviários de São Paulo prepara-se para a Campanha Salarial Página 5 Reginaldo Alves de Souza, Mandú, presidente do SAESP GUARULHOS - SP Fotos: Fábio Nunes Teixeira/Prefeitura Guarulhos O imponderável Página 15 Senador Jader Barbalho (PMDB) Anuncie no Governo do Estado assina protocolo para estimular a cadeia produtiva de palma de óleo Página 15 IMPRENSA SINDICAL Governadora em exercício, Luzia Nadja Nascimento Página 6 Pesquisa registra queda na taxa de desemprego na Região Metropolitana Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul Guarulhos promove 4º Salão do Livro em setembro Página 16 Prefeito Sebastião Almeida (11) 3666-1159 99900-0010 95762-9704

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Opinião que, era gravíssimo. O Ministério da Educação (MEC) estava totalmente desestruturado, era administrado através de convênios com ONGs que forneciam os funcionários, encontravam-se totalmente enfraquecidas as secretarias de educação básica e superior. Colocava-se, então, como primeira tarefa a reestruturação do MEC, para que ele pudesse cumprir o papel de instrumento de atuação do Estado na melhoria da educação. A educação infantil foi definida como etapa e modalidade educacional somente após a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 1996, saindo do âmbito do Ministério da Saúde e Assistência Social e passando a ser de responsabilidade do MEC. No período FHC, no entanto, não se avançou na sua regulamentação. As Diretrizes Curriculares Nacionais foram construídas e aprovadas somente durante o último mandato de Lula. Além disto, não houve investimento significativo por parte do governo federal nessa modalidade, o mesmo ocorrendo com a educação fundamental. Nossa Constituição dividiu as responsabilidades da educação nacional em três subsistemas: municipal, estadual e federal. No entanto, levantou, ao mesmo tempo, a necessidade de se estabelecer um regime de colaboração, o qual pressupõe a concepção de um Sistema Nacional de Educação articulado para fazer avançar a educação nacional como um todo. Mesmo constando da Constituição de 1988, sua regulamentação não avançou em todo o período de orientação hegemônica neoliberal. Foi exatamente no primeiro governo Lula que, abrindo campo à ampla parti- IMPRENSA SINDICAL | SETEMBRO/2014 | PÁGINA 2 Editorial O mês é de independência, o ano é de eleição. Independência remete à liberdade, que remete à democracia, que remete ao cidadão e ao voto livre. Devemos comemorar esta condição de liberdade e a usar bem na escolha de nossos representantes. As mulheres e homens que elegemos para falar por nossa voz devem ser coerentes com nossos valores e princípios. Isso é assustador. Principalmente quando vemos que não são bem homens e mulheres honestos que estão nos representando. Significa que são um espelho do povo que os elegeram. Ou seja, o cidadão deu sua voz ao representante que se identificou em seus valores morais e éticos, seus princípios. Naturalmente somos levados a pensar que a grande maioria da massa votante é reflexo dos que elegeu. O retrato político que temos em nosso país é o retrato do povo brasileiro. Esta é uma constatação aterrorizante... catastrófica... lamentável! Mas sabemos que a grande mídia manipula os fracos de opinião e valores. Levando-os para a zumbização e perda de seus valores e princípios. Porém, não é tarde para acordar e perceber-se zumbi corrompido, sacudir a cabeça, respirar fundo e trazer à tona sua essência humana para uma vida social digna e ética. Pense nisso! Agradecemos a todos os anunciantes pela contribuição e aos que colaboraram com matérias para o enriquecimento do conteúdo do jornal IMPRENSA SINDICAL. A educação e a luta contra os retrocessos do neoliberalismo cipação da sociedade na elaboração de políticas públicas em educação, iniciou-se o debate democrático educacional, com a realização de várias conferências (educação básica, do campo, indígena, profissional e tecnológica, superior), que discutiram e deliberaram sobre as várias modalidades de educação. Isso culminou, em 2010, no segundo governo Lula, na realização da 1ª Conferência Nacional de Educação (Conae), que deliberou sobre a necessidade inadiável, para o avanço da educação no Brasil, da regulamentação do regime de colaboração e do Sistema Nacional de Educação. Mesmo sem o regime de colaboração e o Sistema Nacional de Educação regulamentados, o MEC, em 2007, apresentou um Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que, por um lado, retomava metas que foram definidas no primeiro Plano Nacional de Educação e não estavam sendo perseguidas e, por outro, oferecia aos estados e municípios vários programas mediante convênios que visavam equipar as escolas do ensino fundamental e médio, ampliar o acesso à educação infantil através de investimentos na construção de novas creches, melhorar a infraestrutura e a formação e qualificação dos profissionais de educação. O primeiro Plano Nacional da Educação (PNE), sancionado em 2000 e com vigência até 2010, sofreu vários vetos de FHC, todos para impedir a ampliação da educação pública em todas as modalidades – em particular da educação superior – e a aplicação, até o final do decênio, de 7% do PIB na educação. Assim, o PDE visava exatamente constituir-se em um plano de fortalecimento da educação, através de ajuda aos municípios e estados, retomando o papel do MEC como indutor do avanço da educação nacional. Dentro do PDE encontrava-se também a ampliação da oferta da educação profissional e tecnológica, com gradual transformação dos Cefets – colégios federais – em Ifets – institutos federais, os quais passaram a oferecer ensino tecnológico do nível médio até a pós-graduação, incentivando a formação profissional para suprir as necessidades do desenvolvimento da indústria e do comércio e de outros setores produtivos que passavam a apresentar fortalecimento e crescimento. No segundo mandato de Lula, aprovou-se o Fundeb, que veio substituir o Fundef, ampliando o investimento da educação para toda a educação básica e não somente para a educação fundamental. Essa lei é a que também estabelece o piso salarial dos/as professores/as da educação básica, além dos princípios da carreira docente. Em 2009, no penúltimo ano do governo Lula, o Senado apro- por Madalena Guasco - do vermelho.org.br O projeto neoliberal, hegemonizado pelas forças entreguistas e antinacionais, efetivou reformas que retiraram direitos, colocou-se contra o papel do Estado como indutor do desenvolvimento e vendeu a troco de “moeda podre” grande parte do patrimônio econômico nacional e da nossa infraestrutura. Naquele período, a educação no período neoliberal deixou de ser compreendida como direito e passou a ser entendida como serviço não exclusivo do Estado. O projeto educacional do governo neoliberal acirrou a privatização e a mercantilização da educação, ao mesmo tempo que sucateou a estrutura educacional pública em todos os níveis. A ofensiva do capital financeiro e do chamado “capitalismo de cassino” era tão grande que, nas eleições presidenciais de 2002, uma aliança inédita aconteceu: um representante do capital produtivo nacional se alia a um representante da classe operária para mudar o curso econômico e político e reverter o cenário, colocando na ofensiva política os setores interessados no desenvolvimento do Brasil. Em 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a Presidência da República, a situação educacional era muito grave. Em primeiro lugar, por um enorme atraso herdado historicamente, já que a educação, desde o início da República brasileira, não se constituiu como elemento prioritário de um projeto nacional. Em segundo, porque esse atraso histórico se acentuou ainda mais devido à concretização do projeto neoliberal na educação. O diagnóstico feito pelo primeiro ministro da Educação do governo Lula, Cristovam Buar- Expediente ESTE JORNAL É FILIADO À ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS (ANJ) Jornal IMPRENSA SINDICAL www.jornalimprensasindical.com.br Matriz: Largo Santa Cecilia, 62 - CEP 01225-010 - São Paulo - SP. Fone: (11) 3666-1159 Diretor Responsável Carlos Alberto Palheta Jornalista Responsável: Mara Oliveira - MTB 12437-0/SP Publicidade e Propaganda Carlos Alberto Palheta (11) 99900-0010 Diretoras Executivas Raimunda Duarte Passos e Jéssika Carla Passos Palheta Fones (11) 3666-1159 | (11) 95762-9704 400 MIL EXEMPLARES. DISTRIBUIÇÃO NACIONAL Produção: Kerach Comunicação Projeto Gráfico e Diagramação: Mara Oliveira E-mail: maraoliveira23@hotmail.com Fones (81) 9651-5071 | (81) 9460-9586 E-mails: kerach23@hotmail.com | kerach23@ig.com.br www.kerachcomunicacao.com.br OBS.: MATÉRIAS ASSINADAS NÃO REFLETEM NECESSARIAMENTE A OPINIÃO DO JORNAL, SENDO DE EXCLUSIVA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES. O CONTEÚDO DOS ANÚNCIOS É DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS ANUNCIANTES. vou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acabou com o contingenciamento das verbas destinadas à educação proveniente da Desvinculação de Recursos da União (DRU). Pela Constituição Federal, em seu artigo 212, o investimento nesta área deve ser de, no mínimo, 18% pela União e de 25% por estados e municípios do total arrecadado com impostos e contribuições sociais. A medida, que entrou em vigor no mesmo ano, reduziu o contingenciamento, que era de 20%, para 12,5%. Em 2010, passou para 5% e, a partir de 2011, a DRU não mais incidiu sobre a verba destinada à educação. Na prática, isso significou que cerca de R$ 4 bilhões a mais foram destinados à educação em 2009, R$ 7 bilhões em 2010 e R$ 9 bilhões a partir de então. A proposta aprovada ainda alterou os incisos I e VII do artigo 208 da Constituição, passando a exigir “educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria”. Esse direito constitucional progressivamente será atingido até 2016. Em 2009, foi aprovada também a lei que garante o “atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde”. Essa lei vem favorecendo os convênios entre prefeituras e o governo federal para o transporte, inclusive dos estudantes do campo, e para a melhoria de outros insumos. Ainda segundo a proposta, “a distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao atendimento das necessidades do ensino obrigatório, no que se refere à universalização, garantia de padrão de qualidade e equidade, nos termos do Plano Nacional de Educação”, que foi aprovado em 2014. Enviado ao Congresso Nacional no fim do governo Lula, o PNE tramitou durante três anos e meio dos quatro anos de gestão da presidenta Dilma Rousseff, tendo sido por ela sancionado em 25 de junho deste ano. O plano contém metas audaciosas, como: a ampliação em 50% na oferta de educação em tempo integral e em 40% das vagas públicas de educação superior e média e profissional; o fim do analfabetismo; a regulamentação do Sistema Nacional de Educação; e a aplicação do investimento em educação, em dez anos, para 10% do PIB. No governo Dilma ainda foi aprovada também a lei dos 75% dos royalties do petróleo para a educação, bem como da aplicação do fundo do pré-sal no setor. Programas de ajuda aos municípios e estados também se fortaleceram, entre os quais o programa para construção de creches e de transporte para estudantes da zona rural. Assim, quando analisamos estes últimos 12 anos, é inegável a mudança de curso. No entanto, a educação brasileira ainda necessita ser colocada como prioridade dentro de um projeto de desenvolvimento nacional soberano. Nesse sentido, a ampliação e o fortalecimento do sistema público de educação para todos/ as em todos os níveis e modalidades deve ser bandeira a ser perseguida e elemento fundamental para o fortalecimento nacional e para o seu desenvolvimento. A regulamentação da educação privada com as mesmas exigências da educação pública está ligada à concepção de que a educação é um direito, o qual tem de ser oferecido com responsabilidade social e controle e supervisão do Estado e da sociedade. Nestes próximos anos, devemos aprovar a lei que cria o Sistema Nacional da Educação, incluindo a rede pública e o setor privado e exigindo, ao mesmo tempo, medidas governamentais que impeçam a continuidade da atuação dos grupos financeiros especulativos internacionais que estão criando oligopólios na educação superior brasileira. Devemos prosseguir na luta para que as metas do novo PNE sejam cumpridas na íntegra e, se possível, até ampliadas. Não devemos aceitar retrocessos no campo da educação. Madalena Guasco é professora Titular na PUC-SP

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IMPRENSA SINDICAL | SETEMBRO/2014 | PÁGINA 4 Sindical CUT-SP Mulheres recordam construção do sindicalismo feminista na CUT Da esquerda para a direita, Denise, Tatau, Maria e Didice Em roda de conversa com Didice e Tatau Godinho, Maria Mendes e Denise Motta Dau, dirigentes avaliam as lutas, conquistas e desafios da trajetória das mulheres nos 30 anos da Central por Flaviana Serafim - CUT/SP Histórias, recordações emocionadas e um balanço de conquistas e desafios marcam a trajetória das mulheres cutistas na sociedade, no trabalho e na vida. Desde a fundação da CUT, há três décadas, foram muitas e árduas as lutas por mais espaço e compreensão à participação e às pautas das mulheres, à voz e ao poder de decisão no mundo sindical e, fora dele, para ampliar direitos e buscar a tão almejada igualdade de gênero. O diálogo com o feminismo, a ampliação do olhar sobre as relações sociais, com a adoção de novas práticas no sindicalismo e a conquista de maior representatividade na Central, são avanços a celebrar, além do funcionamento ininterrupto de uma instância de mulheres nos 30 anos da CUT. As narrativas sobre esses incansáveis embates femininos foram compartilhadas numa roda de conversa realizada pela CUT São Paulo no último dia 19, que contou, entre outras companheiras, com a presença das irmãs Didice Godinho Delgado – primeira coordenadora da Comissão Nacional sobre a Questão da Mulher Trabalhadora da CUT (CNMT) – e Tatau Godinho – secretária de Políticas do Trabalho e Autonomia Econômica das Mulheres da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR). Assistente social, Di- dice vive fora do Brasil há 17 anos e coordenou a CNMT de 1987 a 1993 e, mesmo após a saída da Central, manteve sua colaboração como militante, especialmente em trabalhos de assessoria e formação. Foi uma das principais responsáveis pelas articulações e pela proposta que resultou, em 1986, na criação da Comissão, então vinculada à Secretaria de Política Sindical. Fruto dessa luta, nasceu a Secretaria Nacional sobre a Mulher Trabalhadora (SNMT-CUT), aprovada por unanimidade em 2003 no VIII Congresso Nacional da CUT (Concut). “Começamos a discutir a proposta de criar uma instância de mulheres da CUT em 1985, num processo que começou com a colaboração de várias feministas que militavam no movimento autônomo. Foram reuniões com sindicalistas urbanas e rurais de todo o Brasil até chegar à formulação que foi resultado dessa construção coletiva”, relata Didice sobre o período em que enfrentaram as barreiras da mentalidade machista, segundo a qual elas podiam participar dos sindicatos, mas com limitações. As mulheres tinham dificuldade de participar dos congressos e plenárias por não serem da direção executiva e também eram convencidas de que a participação dos homens, em cargos como a tesouraria, era mais importante do que a delas, recorda Maria Mendes, que coordenou a 1ª Comissão Estadual sobre a Mulher Trabalhadora da CUT/SP –primeira a ser criada no Brasil após resolução do II Concut– ao comentar o preconceito e a discriminação sofridos. “Havia reuniões em que saíamos chorando, mas com a convicção de que íamos vencer”. Feminismo e sindicalismo – Com a participação das mulheres cada vez maior no mercado e toda a desigualdade enfrentada no trabalho, gradualmente –e graças às pressões internas das recém surgidas feministas cutistas– os dirigentes foram se convencendo e compreendendo a importância estratégica da representação das mulheres nos sindicatos –pois, afinal, A classe operária tem dois sexos, como reflete o livro de mesmo nome publicado em 1991, com artigos e ensaios teóricos de Elizabeth Souza-Lobo, uma das muitas feministas que colaboraram com as cutistas. A formação das lideranças foi priorizada, discutindo a situação das trabalhadoras e a relação entre classe e gênero numa perspectiva feminista, “no sentido de que fôssemos sindicalistas empoderadas, sabendo tomar decisões e criando espaços de autonomia. Queríamos ser reconhecidas como feministas dentro do movimento sindical”, ressalta Didice. Para a formação e a articulação nacional das sindicalistas, bastante complicados na época devido às distâncias e à falta de recursos, a ex-dirigente destacou a solidariedade de organizações internacionais como a Fundação Friedrich Ebert – FES, e a Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres – CIOSL (que, unificada à Confederação Mundial do Trabalho, resultou no surgimento da Confederação Sindical Internacional – CSI, em 2006). No processo de lutas por mais espaço no sindicalismo, Didice e Tatau também destacam a relevância da cota mínima de 30% de mulheres na direção da Central, definida em 1993 e, claro, a conquista da paridade que passa a vigorar nas instâncias orgânicas a partir de 2015. E da mesma forma que no socialismo, há diferentes visões sobre o feminismo e os caminhos para construí-lo, opina Tatau. Para ela, “é construir a igualdade de gênero com mulheres autônomas, capazes de conduzir suas vidas e ajudar a dirigir as coisas no mundo. Para isso, temos que estar em todos os espaços, mobilizadas, organizadas e com essa consciência e reivindicações se desdobrando”. Forjada no sindicalismo cutista, Denise Motta Dau, secretária municipal de Políticas para Mulheres de São Paulo, avalia a cota de gênero como medida “decisiva e de peso não só pra CUT, mas também com impacto nas outras centrais. Foi um momento em que, além da unidade, conseguimos sentar para planejar a defesa da pro- posta”. Porém, além das estruturas de poder internas, era preciso atingir o conjunto de mulheres externamente com a incorporação das suas especificidades nos acordos coletivos. Segundo Denise, em meio à ansiedade gerada com o forte debate teórico sobre a desigualdade nas relações sociais, as cláusulas de gênero representaram uma resposta concreta e objetiva à questão no mundo do trabalho. “Se a classe trabalhadora tem dois sexos e se o sindicato quer representá-las, dialogar e não perder base, terá que incorporar essa agenda. Quando isso se concretizou, as sindicalistas feministas conseguiram mais identidade a partir desse papel nas negociações coletivas”, diz Denise. Rompendo barreiras – Trabalho coletivo, união feminina e estratégias de negociação que permitiram dialogar com todas as forças políticas internas foram essenciais para superar as divergências e construir os espaços de articulação ao longo da história das mulheres na Central. “Não temos medo de briga e temos convicção da nossa luta para construir um mundo com igualdade para mulheres e homens. Ninguém respeita se não achar que é igual”, afirma Tatau. Mas em meio aos obstáculos, alertam, é preciso cuidado com armadilhas que podem surgir em situ- ações nas quais as sindicalistas acabam ficando em grupos opostos na defesa de propostas, dando margem a comentários masculinos que insinuam divisionismo e desentendimento entre as mulheres. “No entanto, é mais do que legítimo que mulheres tenham opiniões diferentes”, ressalta Didice. Nestes casos, permanecem a coletividade e a união, ressalta a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT/SP, Sônia Auxiliadora. “Na disputa da paridade, combinamos que, se houvesse problemas para fazer o debate no sindicato, levaríamos outra companheira para discutir a questão com o objetivo de proteger nossas mulheres, pois sabíamos das dificuldades e deu certo”. A dirigente também celebra o crescente aumento da participação feminina nos congressos, que chegou a mais de 40% no 11º Concut, em 2012. Secretária de Imprensa da CUT/SP, Adriana Magalhães ressaltou a emoção de ouvir as narrativas das lideranças que abriram caminho a outras mulheres na Central, num encontro que permitiu compartilhar vivências, lutas e táticas. “Se há dificuldades ainda hoje, imaginamos as que vocês enfrentaram para que a luta avançasse e a política para as mulheres tivesse o destaque que hoje tem na CUT, pois continuamos sendo uma central sindical de referência no protagonismo feminino”, conclui. FORÇA SINDICAL - SP Crescimento com valorização do trabalho Os dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho, mostram que o setor de serviços e a administração pública foram os principais responsáveis pela criação de quase 1,5 milhão de vagas formais de trabalho, em 2013. Foi um crescimento de 3,14% ante o ano imediatamente anterior. Apesar dos números positivos, o resultado do ano passado foi o segundo mais fraco em dez anos, superando apenas 2012, que acumulou 1,15 milhão de postos de trabalho. A geração de vagas formais inclui as pessoas contratadas pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e os servidores públicos estatutários. O desempenho mostra que o governo precisa criar um clima de otimismo no Brasil de modo a levar os empresários a investir na produção e no aumento do parque fabril. Precisa investir no desenvolvimento com valorização do trabalho. Só assim será possível criar empregos na quantidade, qualidade e intensidade que o País necessita. Os dados mostram outra coisa preocupante: a indústria de transformação, com 144,4 mil empregos formais, e a construção civil, com 60,0 mil empregos com carteira assinada, geraram poucas vagas. A indústria de transformação é a que cria os melhores empregos do País, tanto em quantidade como em qualidade. Agora, estão perdendo para o setor de serviços, que gerou 558,6 mil empregos; o comércio com geração de 284,9 mil empregos; e a administração pública, com 403 mil empregos criados. Precisamos exigir dos candidatos a presidente que se comprometam com as nossas propostas de crescimento econômico com a valorização do trabalho. Miguel Torres, presidente da Força Sindical

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Maranhão Brasil IMPRENSA SINDICAL | SETEMBRO/2014 | PÁGINA 5 Roseana autoriza obras de construção de CRAs e CREAs beneficiando 154 municípios Fotos: Handson Chagas Roseana Sarney mostra Ordem de Serviço assinada no evento Em ação que beneficia moradores de 154 municípios, o governo do Maranhão está investindo R$ 103 milhões na construção de Centros de Referência de Assistência Social (CRAs) e Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAs) em São Luís e no interior. As ordens de serviço para início das obras foram assinadas, dia 13 de agosto, no Palácio dos Leões, pela governadora Roseana Sarney, que também determinou que todos os Centros fiquem prontos para serem inaugurados ainda neste ano. “Esta é uma parceria que temos muito forte com os municípios e o nosso trabalho é para ajudar a população de todo o Estado”, afirmou a governadora, destacando a importância dos centros para as famílias que vivem em vulnerabilidade social. A solenidade teve a presença da chefe da Casa Civil, Anna Graziella Costa, e dos secretários de Estado de Desenvolvimento Social e Agricultura Familiar, Fernando Fialho; de Direitos Humanos, Assistência Social e Cidadania, Luiza Oliveira; de Assuntos Políticos, Fredson Froz; de Programas Especiais, Rodrigo Valente; de Cultura, Olga Simão, entre outros; de prefeitos dos municípios beneficiados, secretários de Assistência Social e vereadores. Roseana Sarney destacou que os novos centros vão pos- sibilitar uma maior assistência social as famílias. “Sei que estes centros vão garantir mais comodidade para receber os cidadãos, pois contarão com todos os equipamentos para incluir um maior número de famílias nos programas sociais”, declarou a governadora. Os centros vão possibilitar a ampliação do cadastro de famílias em programas como o Bolsa Família e, também, o atendimento a idosos, com a realização de cursos e assistência e acompanhamento para a concessão de aposentadoria, entre outros atendimentos. Os Centros de Referência de Assistência Social atuam como as principais portas de entrada do Sistema Único de Assistência Social (Suas), dada sua capilaridade nos territórios e é responsável pela organização e oferta de serviços da Proteção Social Básica nas áreas de vulnerabilidade e risco social. Os CREAs, por sua vez, configuram-se como unidades públicas e estatal, que oferta serviços especializados e continuados a famílias e indivíduos em situação de ameaça ou violação de direi- tos (violência física, psicológica, sexual, tráfico de pessoas, cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto, etc.). As medidas do governo nesta área, segundo o secretário de Desenvolvimento Social, Fernando Fialho, têm fortalecido as ações sociais a famílias do interior do Estado. “Este investimento dos CRAs e CREAs é um dos maiores na área social de um Estado. Em muitos Estados estes centros são construídos com recursos do governo federal, aqui os recursos são do governo do Estado”, observou. “Todos os municípios que entregaram a documentação necessária para a construção dos centros foram beneficiados. O menor vai receber investimento por volta de R$ 600 mil. São Luís, que é um município maior, vai receber cinco Cras e dois Creas, um investimento próximo de R$ 4 milhões”, informou o secretário Fernando Fialho. Prefeitos destacam ação Prefeitos presentes na solenidade destacaram a importância da ação para a população. A economia com aluguel de imóvel e a garantia de melhor atendimento foram enfatizadas por todos. “Já temos um centro funcionando no município, mas em situação precária, em prédio alugado. Com a execução da construção dos novos centros, além de estar beneficiando moradores que vivem na vulnerabilidade, vamos ter estrutura digna para os funcionários e para receber as pessoas que vivem à margem da sociedade”, assinalou o prefeito de Buriti Bravo, Cid Costa. A prefeita de Urbano Santos, Iracema Vale, também contou que o CRAs hoje em funcionamento no município está instalado em um imóvel alugado, com condições mínimas de atendimento. “Essa estrutura nova que o governo vai levar para minha cidade vai dar um salto de qualidade no atendimento às famílias que necessitam. Portanto, estou muito feliz por essa parceria que o governo do Estado tem tido não só com Urbano Santos, mas com todos os municípios”, disse. O prefeito de Viana, Francisco Gomes, lembrou que o governo, em parceria com a prefeitura, tem feito grandes ações para mudar o município com a realização de obras em todas as áreas. “A construção desses CRAs e CREAs é mais um benefício” ressaltou. Quantidade de Cras e Creas que serão construídos - 158 Centros de Referência de Assistência Social (Cras) - 18 Centros de Refe­ rência Especializado de Assistência Social (Creas) Custo médio por unidade dos Cras e Creas - R$ 600.000,00 CRAs e CREAs (custos estimados) - Obras de construção: R$ 70.388.380,84 - Veículos: R$ 26.103.146,08 - Mobiliário e equipa­ mentos: R$ 4.310.000,00 Equipamentos de Informática: R$ 2.571.359,99 Total: R$ 103.372.886,91 Aeroviários - SP Aeroviários de São Paulo prepara-se para a Campanha Salarial O Sindicato dos Aeroviários no Estado de São Paulo –SAESP– está iniciando o processo de mobilização para a Campanha Salarial de 2014/2015, juntamente com as entidades aeroviárias de Campinas, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Norte, Bahia, Brasília, Goiás, Alagoas, Ceará, Pará, Rio Grande do Norte, Espírito Santo e Região Amazônica; e ainda o Sindicato dos Aeronautas do Município de São Paulo, todos vinculados à Federação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aéreos –FNTTA–, filiada à Força Sindical. O início do processo de discussão da renovação da convenção coletiva de trabalho será marcado por um seminário, que reunirá todas as entidades acima mencionadas, que ocorrerá nos dias 24, 25 e 26 de setembro, em Manaus. A expectativa do SAESP é a melhor possível, pois as empresas aéreas estão tendo um ano de intensa demanda de passageiros. Um dos fatores que mais contribuiu para o excelente desempenho das empresas ficou por conta da Copa do Mundo que acarretou num substancial aumento na procura pelo transporte aéreo, principalmente nas cidades que sediaram os jogos. Além disso, destaca-se o fato de que os torcedores de vários países que para cá vieram, aproveitaram para fazer turismo por todo o país. Para atender a demanda resultante da Copa do Mundo, a malha aérea das empresas foi ampliada em 31,2%. Durante o período da competição, as quatro maiores empresas transportaram 8,847 milhões de passageiros, nos 77,2 mil vôos realizados, resultando numa média de 80% de ocupação das aeronaves. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas –ABEAR–, a pontualidade dos vôos foi de 90,1%. Os principais problemas se limitaram ao fechamento de aeroportos em decorrência de problemas meteorológicos no Rio de Janeiro, seguido por Porto Alegre e Curitiba. Este é um indicador relevante do alto nível profissional de todos os trabalhadores na aviação, que se desdobraram para que tudo saísse na mais perfeita ordem. Tal fato credencia os trabalhadores a terem todo o reconhecimento das empresas, mediante o pagamento de aumento real dos salários e melhoria nas condições de trabalho. O presidente da Gol, Paulo Sérgio Kakinoff, destacou que o desempenho durante a Copa do Mundo fez com que a companhia atingisse lucro operacional no segundo trimestre deste ano, correspondendo ao valor de R$ 38 milhões no período. No caso da LATAM (composta pela TAM e chilena LAN), o lucro no segundo trimestre de 2014 chegou a R$ 34,3 milhões. Vale destacar um comunicado da direção da empresa: “Estamos satisfeitos com o nosso desempenho neste período desafiador [Copa do Mundo], durante o qual transportamos quase 3 milhões de passageiros no mercado doméstico contando com mais de 1,1 mil vôos domésticos e internacionais adicionais, mantendo a excelência no atendimento aos nossos clientes, que se refletiu na taxa de 95% de partidas sem atraso”. A prova da prosperidade das companhias aéreas é dada pela própria ABEAR que, lastreada em informações das empresas, desenvolve estudos anuais sobre os cenários e evoluções do setor. Os dados disponíveis são referentes a 2013, ano em que o setor continuou a crescer, com o aproveitamento dos vôos atingindo o patamar de 80%. Outro destaque do aumento de produtividade das empresas diz respeito à idade de suas aeronaves, que é de pouco mais de 6 anos, enquanto que a média mundial é de 12 anos e seis meses. Os aviões, no Brasil, voam uma média diária de 10,6 horas, enquanto que a média mundial é de 8,3 horas. Dessa forma, as empresas brasileiras consomem menos combustível, emitem menos poluentes e lucram mais. Um dado importante acerca do indicador de desempenho das empresas aéreas consiste no fato de que em 2013, os acionistas trataram de capitalizá-las, totalizando um montante líquido de R$ 3,7 bilhões. Ainda segundo a ABEAR, mesmo com os gastos ascendentes do querosene de aviação, os custos totais do setor aéreo tiveram, em 2013, um crescimento abaixo da inflação medida pelo IPCA, comprovando um importante aumento de produtividade. No que diz respeito ao transporte de cargas, em 2013 teve uma grande expansão, de acordo com a ABEAR. Se os dados referentes a 2013 foram ótimos, a projeção é que venham a ser ainda melhores em 2014. Apesar dos números favoráveis, as principais empresas do setor, Gol e TAM, revelam em seus balanços contábeis a existência de prejuízos. No caso da Gol, reduziu seu prejuízo líquido para 145 milhões de reais no segundo trimestre de 2014 ante perda de 433 milhões de reais no mesmo período de 2013, apoiada pelo forte crescimento da receita por passageiro. A receita líquida da Gol subiu 24%, para 2,38 bilhões de reais, nível recorde para o segundo trimestre. A dívida líquida recuou 8,5%, para 2,59 bilhões de reais, na mesma base de comparação. No caso da TAM, os dados publicados referem-se à LATAM (controladora da TAM e da LAN) que, no segundo trimestre de 2014, registrou lucro operacional de US$ 15,4 milhões (R$ 34,3 milhões) no segundo trimestre do ano. No mesmo período, teve um prejuízo líquido de US$ 58,9 milhões (R$ 131,4 milhões), diferença considerável em relação Reginaldo Alves de Souza, Mandú, presidente do SAESP ao prejuízo líquido de US$ racionais e ótimas perspecti329,8 milhões (R$ 735,4 mi- vas futuras. lhões) obtido em abril maio e Um caso emblemático junho do ano passado, impli- da negligência das emprecando numa redução de 82%. sas aéreas em relação a seus Um dos motivos do endi- funcionários, diz respeito ao vidamento das empresas pode pagamento dos adicionais de ser explicado pela aquisição insalubridade/periculosidade. de aeronaves. Para se ter uma Ela tem optado por remeter a idéia, a Gol e a TAM juntas questão para a esfera do juditrouxeram 40 novos aviões em ciário em vez de equacioná-la 2010 e 2011; tratando-se, por pela adoção de boas práticas conseguinte de investimento de gestão de recursos humana modernização de frotas. nos. Quanto às relações sindiTal política não encontra con- cais, todas elas, sem exceção, trapartida no que tange às re- sistematicamente afrontam lações trabalhistas e sindicais. o precedente normativo 91 Apesar de exigirem cada vez do Tribunal Superior do Tramais de seus empregados, as balho, que assegura o acesso empresas insistem em negar de dirigentes sindicais às emas contrapartidas de melhores presas nos intervalos de alisalários e de condições dignas mentação e descanso. Tratade trabalho. Com a prática de -se de conduta antissindical arrocho salarial, as empresas que, lamentavelmente, tem se acumulam mais capital, per- tornado comum em todos os mitindo-lhes investimentos setores patronais do país. vultosos, naturalmente transAlém destas questões, o formados em contas a pagar SAESP proporá que outras sob a rubrica de dívidas de lon- reivindicações sejam postas go prazo; que acabam se trans- para negociação com o patroformando em argumentos nato da aviação, priorizanpara não cederem melhores do, por exemplo, o aumento salários aos seus trabalhado- real de salários e a cobrança res. Trata-se, portanto, de um do abono de produtividade, ciclo vicioso, que implica na principalmente em função da utilização de um dado cenário sobrecarga que todos os trapara os seus profissionais, para balhadores tiveram para faquem expõem os “prejuízos” e zer bonito na Copa do Munoutro para os acionistas, para do; ao contrário da seleção os quais exibem os lucros ope- brasileira.

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IMPRENSA SINDICAL | SETEMBRO/2014 | PÁGINA 6 Rio Grande do Sul Pesquisa registra queda na taxa de desemprego na Região Metropolitana Foto: Andressa Moreira A Fundação de Economia e Estatística (FEE), o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e a Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS) divulgaram, dia 27 de agosto, os dados sobre a Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (PED-RMPA) para julho de 2014. Os dados apontaram uma queda de 1% na taxa de desemprego, comparando-se os meses de julho de 2013 e julho de 2014, e ainda a expectativa de melhora para o segundo semestre. A economista e supervisora geral da PED pela FEE, Dulce Helena Vergara, explicou as taxas de desemprego registradas na pesquisa. “Na conjuntura mensal dos dados para o mês de julho de 2014, temos a estabilidade na taxa de desemprego, uma vez Economistas da FEE e Dieese apresentaram resultado que compara julho de 2013/2014 que não houve alteração de junho para julho, mantendo-se com 5,7% . Já na conjuntura em doze meses temos uma redução da taxa de 6,7% em julho de 2013 para 5,7% em julho de 2014 (redução de 1%). Continuamos mantendo uma trajetória de queda na taxa de desemprego nos últimos 12 meses”, disse. Outro fator citado por Dulce foi que, nos últimos 12 meses, o nível de trabalhadores com carteira de trabalho assinada se manteve estável, após quatro meses de queda, ao mesmo tempo em que houve diminuição de trabalhadores sem carteira assinada (-13,8%). Para a economista do Dieese Virginia Donoso, o segundo semestre de 2014 tende a apresentar melhores resultados. “O motivo é o comportamento sazonal, sempre o primeiro semestre tende a ter um comportamento estável ou até de elevação de taxas de desemprego e o segundo semestre corresponde mais positivamente, com queda de taxas (de desemprego) e aumento de rendimentos”, explicou.

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Estados Mongaguá - SP “herança” deixada pelo governo anterior causou muitos prejuízos à população de Mongaguá. Com bastante competência e esforço, o prefeito Prof. Artur e o vice Márcio Prefeito Prof. Artur Parada Procida e o vice-prefeito Márcio Cabeça Melo Gomes Cabeça colocaO ano de 2013 foi muito diram a casa em fícil para o prefeito Prof. Artur ordem e iniciaram o processo Parada Prócida e o vice-prefeito, de reconstrução de Mongaguá. Márcio Cabeça Melo Gomes. Ao Hoje, o cenário é muito melhor. assumirem a prefeitura de Mon- Várias obras foram iniciadas e gaguá, encontram inúmeros pro- outras estão em licitação. blemas –dívidas, serviços sem É o caso do setor da saúde. A condições mínimas para atender Prefeitura de Mongaguá está readequadamente a população e formando o Hospital Municipal patrimônio público sucateado. A Dra. Adoniran Correa Campos. IMPRENSA SINDICAL | SETEMBRO/2014 | PÁGINA 7 PROFESSOR ARTUR E MÁRCIO CABEÇA ESTÃO RECONSTRUINDO MONGAGUÁ O investimento é de aproximadamente R$ 969 mil. O prazo para conclusão dos serviços é junho de 2015. O projeto abrange a reforma do centro cirúrgico, instalações de óxido nitroso, oxigênio e ar comprimido medicinal; instalações de combate a incêndio; abrigo para o gerador de energia elétrica, reforma do setor de enfermaria, sala de medicação, sala de suporte ao setor de especialidades, rede de esgoto e pintura externa da ala da maternidade, entre outros serviços. A construção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) foi retomada, em junho. Para concluir a obra paralisada em 2012, o atual governo conseguiu, junto ao governo estadual, verba de R$ 1,7 milhão. O prazo para término da obra é setembro de 2015. O terreno, localizado na Avenida Monteiro Lobato, em Agenor de Campos, tem 2.756,75 metros quadrados e a área construída total é de 1.469,64 metros quadrados. O prédio terá salas de urgência, observação, eletrocardiografia, curativo/sutura, gesso, inalação, aplicação de medicamentos, radiologia, entre outros serviços. O prédio do SAMU, no Jardim Praia Grande, será ampliado. Após a reforma, o prédio terá 211,34 metros quadrados. O projeto compreende a ampliação da área de recepção nova área de expurgo, local de armazenagem de medicamentos e demais dependências. Também será criada a área especial de armazenagem de gases e mais uma garagem coberta para ambulância. O valor total do investimento é de R$ 216 mil. Em Agenor de Campos, foi iniciada a construção da Unidade de Saúde da Família. O custo da obra é de R$ 764 mil. O prédio deverá ficar pronto no início de 2015. A reforma e ampliação das Unidades de Saúde Jussara e Primavera também estão em andamento. O serviço na USF Jussara será entregue até o final do ano. A área da edificação, após a obra, passará de 284 para 365 metros quadrados. A população atendida nesta unidade contará, ainda, com uma academia de saúde, com quadra poliesportiva, equipamentos para ginástica e área de convivência. A USF Jardim Primavera, que será ampliada, ficará pronta até meados do próximo ano. O prédio atual tem cerca de 70 metros quadrados. Com a ampliação, a unidade ficará com 192 metros quadrados. PREFEITURA DE MONGAGUÁ EXECUTA OBRAS DE REURBANIZAÇÃO NA ORLA Luiz de Araújo, no Jardim Praia Grande já foram iniciadas. O lote 11 corresponde ao trecho localizado entre as Ruas Luiz de Araújo e Tereza Pinto. A etapa 12 está entre as Ruas Tereza Pinto e Imperatriz Leopoldina (Itaóca). A Prefeitura também está executando os serviços de iluminação pública, na orla. O investimento previsto é de R$ 500 mil. O prazo para execução é de 180 dias. O projeto inclui 389 projetores, 110 luminárias, 502 lâmpadas de 250 watts, 502 reatores e mais de 22 mil metros de cabos de energia. O serviço será realizado no trecho entre a divisa com a cidade de Praia Grande (bairro Vila São Paulo) e a Avenida Nove de Julho (Jardim Praia Grande), área da orla que já foi reurbanizada. O outro local fica entre a Escolinha Municipal de Surf e o Parque Turís- para seis metros. Hoje, a largura tico A Tribuna, em Agenor de é inferior a dois metros. As obras Campos. serão executadas no trecho entre a Avenida São Paulo e a faixa do DER. Além disso, o DepartaINICIADAS OBRAS mento de Estradas de Rodagem DE MACRODRENAGEM (DER), atendendo solicitação da A Prefeitura de Mongaguá Prefeitura, abrirá licitação, ainda está executando obras de drena- neste ano, para executar a tubugem para reduzir os riscos de en- lação, sob a pista. Na altura do chentes na Cidade. Os serviços, km 307 + 700, serão colocadas nos Canais 4 e 5 já começaram. seis linhas de tubos de concreAmbos serão alargados para au- to, com diâmetro de 900mm. O mentar a capacidade de vazão sistema de tubos, interligado ao das águas das chuvas. Cada um Canal 3, possibilitará o escoatem dois metros de largura. Ao mento mais eficaz das águas das final das obras, a medida será de chuvas, do lado morro ao lado quatro metros. O Canal 4, com 234,15 metros de extensão, está localizado na Avenida Nove de Julho, no Jardim Praia Grande. O Canal 5, com 227,20 metros de extensão, situa-se na Rua Governador Lucas Garcês, no balneário Itaóca. Ambos estão entre a Avenida Governador Mário Covas Júnior e Avenida São Paulo. A largura do Canal 3, localizado na Avenida Domingos Batista de Lima, será aumentada O investimento é de R$ 8 milhões; serviços serão executados no trecho entre as Ruas Nove de Julho e a Imperatriz Leopoldina praia, passando embaixo da pista, na região da Vila Atlântica. O leito do Canal 6, situado entre a Avenida São Paulo e a linha férrea, no Bairro Jussara, será revestido. A obra está em licitação. Outro projeto importante para a macro drenagem da Cidade será a construção da primeira etapa do Canal 8, no trecho localizado entre a Avenida Mário Covas Junior e Avenida São Paulo, no bairro Plataforma. Posteriormente, a Prefeitura buscará verbas para dar continuidade à construção do Canal 8 até o Barranco Alto. Prefeitura de Mongaguá conseguiu cerca de R$ 8 milhões, através do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias (DADE), para dar continuidade ao projeto de reurbanização da Avenida Governador Mário Covas Júnior. O projeto compreende a remodelação completa das calçadas, canteiros, jardins, drenagem, pavimentação asfáltica, ciclofaixa, entre outros serviços, no trecho situado entre as Ruas Nove de Julho (Jardim Praia Grande) a Imperatriz Leopoldina (Itaóca). As obras dos trechos 9 e 10, entre as Ruas Nove de Julho e Economia Índices apresentam nível da inflação oficial em leve alta O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que resume a inflação oficial, na cidade São Paulo, subiu 0,43% na terceira quadrissemana de agosto, contra alta de 0,34% na segunda quadrissemana do mês, informou a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) dia 26 de agosto. O IPC-Fipe mede as variações quadrissemanais dos preços às famílias paulistanas com renda mensal entre 1 e 10 salários mínimos e integra a cesta de números que formam a inflação oficial no país. Já o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), que também integra o cálculo da inflação oficial, subiu em cinco das sete capitais pesquisadas pela Fundação Getulio Vargas (FGV) entre a segunda e a terceira semanas de agosto. A maior alta foi observada em Salvador: 0,3 ponto percentual. A capital baiana passou de uma deflação (queda de preços) de 0,48% na segunda semana para uma deflação de 0,18% na terceira. Em quatro capitais, a alta foi mais moderada: Porto Alegre (0,03 ponto percentual, ao passar de 0,33% para 0,36%), Belo Horizonte (0,03 ponto percentual, ao passar de 0,09% para 0,12%), o Rio de Janeiro (0,02 ponto percentual, ao passar de 0,24% para 0,26%) e Brasília (0,01 ponto percentual, ao passar de 0,08% para 0,09%). Duas cidades tiveram queda nas taxas: Recife (0,2 ponto percentual, ao passar de 0,01% para -0,19%) e São Paulo (0,19 ponto percentual, ao passar de 0,04% para -0,15%). A média nacional do IPC-S, divulgada na véspera, ficou em 0,06% ponto percentual na terceira semana de agosto, 0,02 ponto percentual abaixo da taxa da segunda semana (0,08%).

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IMPRENSA SINDICAL | SETEMBRO/2014 | PÁGINA 8 RAMALHO JÚNIOR - PTB-Sindical - SP MG - Ituiutaba Administração do prefeito Luiz Pedro recebe Prêmio Minas Melhor Práticas de Gestão, que melhoram o serviço público prestado à Sociedade, e investimentos em Educação e Saúde, levaram a administração do prefeito Luiz Pedro Corrêa do Carmo a ser premiada no último dia 15, em evento realizado no Royal Center, em Belo Horizonte. Na avaliação feita em quase 300 municípios mineiros, Ituiutaba teve como destaque os avanços na modernização da Gestão Pública, com aprovação de 81%, além da Educação com 75%. Outro setor que também foi destacado no levantamento foi a Saúde, cujos investimentos na renovação da frota de veículos, contratação de mais profissionais e ampliação do atendimento na saúde básica tem trazido bons resultados. “A pluralidade política adotada pelo prefeito Luiz Pedro, os projetos de inovação com o Programa Mineiro de Empreendedorismo, os investimentos na educação e na saúde, e a forma séria e objetiva como o prefeito Luiz Pedro tem dirigido a Prefeitura de Ituiutaba, tem tido o reconhecimento do Estado, onde, em abril, o município recebeu o Prêmio de Gestão Pública, e agora mais uma vez sua administração está sendo premiada por esse trabalho”, avalia o coordenador de Gestão Estratégica, Gladiston Pires, que esteve em Belo Horizonte, representando o prefeito Luiz Pedro. Durante o Seminário, os presentes puderam participar ativamente de debates importantes sobre os diversos temas Segundo Tempo, e a bola continua rolando... o cenário, Marina retira muito mais votos da Dilma do que de Aécio. A sombra está mais uma vez cobrindo o nosso sol. As respostas de quem pode ser o novo ou nova comandante do país está circulando pelas ruas. Os debates já começaram. Cada candidato apresentando suas propostas, na maioria das vezes não foram nem cumpridas tanto por um lado quando pelo outro. Novamente, vem a mesma ladainha “Eu prometo, eu vou fazer” isso quando não diz eu fiz, fiz moradia para o povo, estabilizei a economia, trouxe novos investimentos, fiz a copa das copas, infraestruturas para todo lado não faltou, empregos foram gerados, médicos cubanos foram contratos aqui no Brasil, refinarias em Cuba e na Bolívia foram construídas (eles nos agradeceram com conta para pagar e cara), dívidas com outros países foram perdoadas e nosso cofre ficando cada vez mais vazio. Cargos foram criados para abrigar essa mesma militância que hoje sai às ruas para pedir o seu voto, emprego fácil e de pouco trabalho, afinal eles só precisam trabalhar por três meses a cada dois anos. E quem paga conta somos nós... Uma conta cara, que se reflete por mais quatro anos. Marionetes são administradas para um só interesse, perpetuar no poder. Marina busca apoio no próprio PT para sua candidatura o PSB está inseguro desde sua militância a cúpula. Pessoas saem na foto, possa sempre sorrindo, tudo para mostrar sua cara de político bonzinho. Aécio corre pela disputa como bom Mineiro, comendo pelas beiradas, devagarzinho, sem pressa, e assistindo de camarote, as manobras feitas pelos seus adversários. Dilma não dorme mais, nem ela e nem Lula. Com a figura de Marina na disputa tudo muda. E eles nem mais pode chamá-la de companheira. E se ficar para o segundo turno Marina e Aécio, será que Lula e Dilma pedirão voto a ela “Marina” ou será que depois de tudo que aconteceu com sua saída do partido Marina vai pedir o apoio do PT sem nenhum constrangimento? É meus amigos, isso se chama política, uma hora serve a Deus, outra ao diabo. Ramalho Junior Presidente do PTB Sindical do Estado de São Paulo Inicia-se o segundo tempo das eleições, festival de ataques rolando para todos os lados, a disputa por cada metro quadrado para os candidatos colocarem seus cavaletes. O cenário mudou infelizmente por uma fatalidade, Marina passa a ser candidata legitima para o cargo de presidenta. Dúvidas são lançadas para o eleitor sobre o futuro do país e qual o compromisso que Marina vai honrar em nome de Eduardo Campos, a instabilidade política muda todo ligados à Gestão Pública Municipal, com a presença de Mauro Tramonte (jornalista), Dr. Edson de Resende Castro (coordenador Eleitoral do Ministério Público de MG), Leonio Tomaz (psicólogo empresarial), Josiley Santos (Gestor Público), Osvaldo Martins (Administrador), e Delcio Lima (professor de Gestão Pública e Financeira). “O Estado de Minas tem hoje um dos melhores projetos na Gestão Pública moderna, trazido da iniciativa privada, e muitos municípios mineiros participaram do Programa de Empreendedorismo e Gestão para Resultados Municipais, e estão um passo adiante dos demais para fomentar a administração pública de projetos e planejamento estratégico, que, sem planejamento estratégico, não se chega ao seu objetivo”, disse o especialista em Gestão Pública, Josiley Santos. O Prêmio Minas Melhor, promovido pelo Instituto de Estudos Políticos tem o objetivo de incentivar a melhoria da gestão pública, além de estimular iniciativas inovadoras e destacar programas municipais que apresentem resultados positivos para as comunidades. A premiação foi entregue durante o 28º Seminários de Prefeitos, Vereadores e Secretários, realizado nos dias 14 e 15 de agosto.

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IMPRENSA SINDICAL | SETEMBRO/2014 | PÁGINA 9 São Paulo-SP A aposta de Haddad em São Paulo A aprovação do Plano Diretor mostra que há espaço para a boa política Alvo de uma campanha de mídia implacável, até algum tempo atrás as apostas maiores eram de que os projetos do prefeito Fernando Haddad (PT), de São Paulo, não amadureceriam antes do término do mandato. A persistência fez com que nas últimas semanas Haddad emplacasse os três pilares de uma provável revolução no futuro de São Paulo: a aprovação do Plano Diretor; a renegociação da dívida de São Paulo, prestes a ser aprovada no Senado; e o deslanche das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) na cidade. Hoje em dia, os marcos da cidade são ainda dos anos 50: Praça da Sé, Faria Lima, Copan, MASP, Ibirapuera. De lá para cá, a cidade ficou presa a um padrão conduzido pelo setor imobiliário. Ia se esticando de bairro em bairro obedecendo à lógica imobiliária. O Plano Diretor é um divisor de águas, um marco na história das cidades. A partir do plano, especialmente nos chamados eixos de mobilidade, haverá abertura dos tetos com fachada ativa –em urbanês, térreos interagindo com as ruas. Hoje em dia, o andar térreo dos prédios é inteiramente fechado. No mundo civilizado é aberto, dialogando com as calçadas, com espaços. Se o mercado imobiliário quiser adensar, somente poderá fazê-lo onde haja transporte público de massa e pouca garagem. No miolo dos bairros, o gabarito será de oito andares. Com isso, acaba-se com a história do bairro da vez. O setor imobiliário terá que distribuir seus empreendimentos linearmente pelos eixos de mobilidade. Os eixos de mobilidade, por sua vez, mudam a lógica das vias que, hoje em dia, limitam-se a trazer as pessoas para o mesmo lugar. E quebra a dicotomia centro-periferia. Hoje em dia, 5 das 31 subprefeituras têm 75% dos empregos da cidade. A mudança de lógica está sendo feita com o Plano Diretor e com incentivos fiscais. Obras na Zona Leste terão isenção de ISS e IPTU por vinte anos, por exemplo. As linhas exclusivas de ônibus, além disso, mudaram o tempo de acesso. Do terminal Itaquera ao Parque Dom Pedro, as viagens caíram de 1h50 para 46 minutos. A partir do mês que vem, Haddad prevê uma revoada de empresas para a Zona Leste. Importante foi a maneira como se fechou o pacto em torno do Plano Diretor. Através de seu presidente, Cláudio Bernardes, o Secovi (Sindicato da Construção Civil de São Paulo) manteve um relacionamento construtivo e transparente, com as divergências sendo explicitadas e superadas. Junto com a prefeitura, o Ministério Público Estadual (MPE) desenhou procedimen- tos garantindo a mobilização da população e a transparência. Todas as emendas tiveram impressões digitais: a assinatura de quem estava propondo e a garantia de que tivesse, no mínimo, roupagem republicana. Todas as emendas foram publicadas no Diário Oficial do Município e discutidas com antecedência. Não passou nenhum submarino –apelido das emendas que surgem do nada, sem pai nem mãe. As negociações permearam todas as fases do Plano. No caso de Nova Palestina, por exemplo, houve um conflito entre o MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto), querendo casas; e os ambientalistas, querendo um parque. Em conjunto, conseguiram desenhar um projeto juntando as casas e o parque. Acusa-se Haddad de não ter jogo de cintura. Estaria queimado não apenas com políticos de outros partidos, mas também com os seus. A aprovação do Plano Diretor mostra que há espaço para a boa política no país. Lu Alckmin - Ação Social Aula Inaugural do Fundo Social reúne mais de 1.300 alunos no Parque da Água Branca Ao todo, mais de 2.000 pessoas serão capacitadas nas nove unidades do Fundo Social de Solidariedade do Estado No dia 19 de agosto, a presidente do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo (FUSSESP), Lu Alckmin, esteve com mais de 1.300 alunos da 17ª Turma da Escola de Qualificação Profissional, na sede do projeto, no Parque da Água Branca, para aula inaugural das Escolas de Moda, Beleza e Construção Civil. Mais de 2.000 pessoas desta nova turma frequentarão durante dois meses os cursos oferecidos nas nove unidades do Fundo Social, presentes na capital e na Grande São Paulo. Durante o evento, Lu Alckmin ressaltou a importância do trabalho do Fundo Social realizado em parceria com os municípios e entidades sociais. “Nosso objetivo é dar oportunidade de uma nova profissão para que todos conquistem uma vida mais digna e um futuro melhor”, afirmou Lu Alckmin. Para ingressar em um dos cursos é necessário ter, no mínimo, 16 anos para os cursos das Escolas de Moda e Beleza; e 18 anos, para a Escola de Construção Civil. Desde 2011, mais de 88 mil pessoas foram qualificadas pelo Fundo Social de Solidariedade, nas unidades próprias e nos Polos localizados na capital e no interior. Para informações sobre os cursos, entrar em contato pelos telefones (11) 2588-5848 / (11) 2588-5943.

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Praia Grande - SP Estados ansiedade, pois quem não trabalha diretamente com o serviço público não sabe que toda obra é antecedida por muitos estudos, planejamento, busca de recursos e toda uma burocracia que começam bem antes dela ir para a rua. Agora, acho que muita gente verá que passamos estes primeiro ano e meio de mandato trabalhando, e muito! E o resultado começará a ser visto em breve. Tudo o que foi previsto no programa Avança PG e um pouco mais ainda serão cumpridos”. Conheça a seguir o Avança PG: CIDADE EDUCAÇÃO Resultado de priorização e investimentos nas últimas duas décadas, o município vem obtendo números cada vez mais positivos nas avaliações feitas na rede de ensino. As metas traçadas têm como objetivo assegurar a manutenção dessa qualidade, implementando inovações e tendo como foco principal o educando, com a sua formação dentro de conceitos morais e éticos. • Construção de 17 novas unidades Duas na Vila Sônia (en- IMPRENSA SINDICAL | SETEMBRO/2014 | PÁGINA 10 Praia Grande se transforma num canteiro de obras Praia Grande começa a se transformar num grande canteiro de obras com a publicação de editais relativos a obras e serviços previstos pelo Avança PG, o plano de ações da Administração Municipal, previstas para o triênio 2014/2016. Pelo programa Avança PG, as áreas de atuação do Município foram distribuídas em dez eixos, todos denominados “cidade”. Algumas obras e serviços já começaram a se implantados no final de 2013, quando do anúncio do plano. Mas, no início do mês, com a publicação de editais relativos a construção de unidades de saúde, de iluminação pública e de pavimentações, a execução do plano será mais perceptível e, ao final, a cidade poderá reviver a transformação como a que ocorreu inicialmente no final dos anos 90. O prefeito Alberto Mourão, que está em seu quarto mandato e foi o responsável pelas maiores mudanças na cidade, afirma: “Creio que agora a população em geral se dará conta de quanto está sendo feito, em todas as áreas, pela elevação na qualidade de vida dos moradores de Praia Grande. Havia muita sino infantil e ensino fundamental). Três no Bairro Aviação (ensino infantil, fundamental e uma de ensino médio). Duas no Bairro Ocian (ensino infantil e fundamental). Uma escola de ensino fundamental no Bairro Mirim. Duas no Maracanã (ensino infantil e uma de ensino médio). Uma no Bairro Caiçara (escola de ensino fundamental). Uma no Samambaia (ensino fundamental). Uma no Melvi (ensino fundamental). Duas no Ribeirópolis (ensino infantil e fundamental). • Ampliação de sete escolas Serão ampliadas as escolas Maria dos Remédios, Manoel Nascimento Júnior, Natale de Lucca, Newton de Almeida Castro, Dorivaldo Loria, Antonio Peres (incluindo o Centro Sócio-Terapêutico) e Juliana Arias. • Obras de ampliação ainda: Na sede da Complementação Educacional Antonio Peres, (no PIC Vila Sonia); e nos polos de Atividade de Praia (Surf) do Forte e de Ocian. TOTAL DE VAGAS COM AS NOVAS UNIDADES E AMPLIAÇÕES: 19.320 VAGAS! Outras ações de destaque na área da Educação: • Ampliação no número de bibliotecas escolares em mais sete escolas. • Entrega de 3.640 tablets, beneficiando cerca de 30 mil alunos do ensino fundamental e 1.400 professores efetivos. • Implantação de Dvdtecas em todas as unidades. CIDADE FELIZ Investimentos de monta na estrutura esportiva da cidade foram realizados na última década, quando o poder público municipal ampliou a rede física esportiva. Com essa nova estrutura, possibilitou-se a ação social pioneira do SuperEscola, programa que colocou a cidade no panorama esportivo nacional mas que, principalmente afasta os jovens do assédio da marginalidade, pois lhes dá período integral. E o fomento das atividades culturais entra num novo patamar, buscando a participação da maioria da comunidade. Começam obras previstas pelo programa Avança PG Uma cidade feliz tem ações nas áreas de Esporte, Turismo, Cultura e Juventude. • Construção do Centro de Excelência do Judô, no Bairro Tupi. • Construção de quadras com cobertura e vestiários, nos bairros Sítio do Campo, no Bairro Antártica e Nova Mirim. • Implantação de oito unidades “Academias de Saúde”, nos bairros São Jorge, Melvi, Samambaia, Rio Branco, Maracanã, Sta Marina, Aloha e Calipal. • Reformas nos Ginásios Poliesportivo Falcão e Magic Paula • Cobertura da quadra poliesportiva no Conviver Caiçara • Retomada do projeto Rua de Lazer • Implantação do Galpão para Eventos Espaço de múltiplo uso que objetiva dar melhores condições de acomodação e estrutura para eventos tradicionais da cidade. Com apoio de patrocinadores, o Município realizará a Festa Junina, a Festa das Nações e apoiará a Festa da Tainha. • Ações globais de cidadania. Saúde, esportes, cultura e prestação de serviços para a comunidade em vários bairros ao longo do ano. • Construção de pista de skate na Praça dos Emancipadores, no Boqueirão. • Implantação da Praça da Juventude, no Espaço Alvorada, local para que a identidade da cultura juvenil sinta-se representada. • Fomento à produção cultural do município e democratização do acesso à cultura, em todas as suas áreas, incluindo a reedição de festivais de artes e a descoberta de novos talentos. • Criação da Casa da Juventude: um espaço de identidade para a juventude de Praia Grande onde ela se sinta representada e acolhida podendo desenvolver suas mais diversas potencialidades. Sindiquímica - BA Sindiquímica iniciou campanha salarial dos setores químico e petroquímico na Bahia Com a realização do Seminário Preparatório da Campanha Reivindicatória, a diretoria do Sindiquímica-BA deu início à campanha salarial do setor petroquímico. O evento aconteceu, no sábado, dia 09 de agosto, no prédio do sindicato e contou com a participação de dirigentes sindicais e trabalhadores da base. A economista e supervisora do Dieese-BA, Ana Georgina, fez uma palestra, analisando o cenário econômico nacional e regional. Georgina mostrou os números da produção industrial no setor, nos dois últimos anos, e fez um balanço das campanhas salariais das categorias acompanhadas pelo órgão no primeiro semestre de 2014. Especificamente, no que se refere ao setor petroquímico, o Dieese apresentou a ultima pesquisa da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) sobre preços dos produtos químicos. De acordo com a Abiquim, esses preços subiram, em média, 12,15% no 1º semestre deste ano, em comparação ao mesmo período no ano passado. O setor, entre janeiro e junho deste ano, em comparação ao mesmo período de 2013, apresentou desempenho positivo nos índices de produção e vendas, que caíram 7,02% e 4,37% em volume, respectivamente. O Dieese apresentou também os números divulgados pela Braskem no balanço financeiro recentemente. No segundo trimestre deste ano, a empresa teve receita líquida consolidada de R$ 21,2 bilhões, alta de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior e o acumulado do ano, o EBITDA foi de R$ 2,7 bilhões. O lucro foi de R$ 124 milhões e a expectativa da empresa é de mais faturamento no terceiro trimestre do ano. A Braskem é a maior empresa do Polo de Camaçari. Para o sindicato, esses dados mostram o bom desempenho do setor, na Bahia. Reajustes no primeiro semestre O Dieese antecipou, no seminário, o balanço das negociações coletivas no primeiro semestre de 2014. De acordo com o órgão, cerca de 93% das 340 unidades de negociação conquistou reajustes salariais acima do INPC-IBGE (Índice Nacional de Preços ao Consumidor-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A maioria das negociações obteve ganhos reais de até 3%. Se comparado os reajustes conquistados pelas mesmas unidades de negociação desde 2008, observa-se que apenas em 2012 a ocorrência de aumentos reais foi superior ao verificado neste ano. Tais números desmistificam o discurso pessimista, comprovam que a economia brasileira enfrenta a crise econômica mundial com dinamismo e demonstram que se os setores produti- vos tiverem ousadia, há espaço para crescimento maior. Os reajustes na indústria seguem o mesmo caminho. Em todos os setores analisados, o percentual de unidades de negociação com reajustes acima do INPC-IBGE foi superior a 90% e a indústria obteve o segundo maior percentual de reajustes acima do INPC-IBGE no período, atrás somente de 2012. Para o Dieese, as negociações do segundo semestre tendem a captar resultados melhores, uma vez que nesse período do ano estão concentradas as datas-base de importantes categorias profissionais brasileiras, como bancários, trabalhadores dos correios, petroleiros, químicos e petroquímicos. No encerramento do seminário preparatório da campanha salarial, o diretor do sindicato, Mauricio Klajman, falou sobre a importância para a categoria as eleições de outubro.

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Argentina Geral da do governo nacional para interromper as exportações de carne bovina, sendo mais uma medida estranha, errada e negativa para todo o setor agrícola”, disse a associação de produtores em um comunicado de imprensa. A restrição de exportações para alimentos como carne, milho e trigo tem evitado o desabastecimento local evitado a explosão de preços em um país que sofre com inflação alta, acima de 15% ao ano, segundo estimativas oficiais. “Mais uma vez assistimos a mesma decisão autoritária para, na prática, bloquear as exportações de carne, medida que foi o início da crise no setor em 2006, complementou a Sociedade Rural Argentina (SRA), por meio de um comunicado, emitido também dia 22 de agosto. Na contramão do que alegam os empresários, no entanto, o preço da carne nas prateleiras dos supermercados argentinos teve, até agora, um aumento de 54%, bem acima de quaisquer dados de inflação, segundo contabilizou o chefe de Gabinete da Presidência, Jorge Capitanich. O executivo atribui o aumento exagerado a uma circunstância natural, as cheias dos rios em áreas de pecuária extensiva, com o alagamento dos pastos, e a dois fatores especulativos dentro da cadeia de comercialização: o um aumento da quota de exporta- IMPRENSA SINDICAL | SETEMBRO/2014 | PÁGINA 12 Com apoio popular, Cristina Kirchner aprofunda opção pelos pobres e irrita conservadores A presidenta argentina, Cristina Kirchner, ampliou dia 22 de agosto o seu raio de ação para conter os desafios que enfrenta no campo econômico, para combater a miséria no país, ao estudar nova restrição ao volume de exportações de carne bovina, um dos principais produtos na balança comercial. A decisão é mais um capítulo na queda de braço travada entre os setores mais à esquerda da sociedade argentina e a elite financeira e empresarial que sustentou a ditadura militar no país vizinho, uma das mais duras do continente. Apesar do amplo respaldo popular, Cristina tem sido fustigada por uma série de lockouts (greves patronais) no setor de transportes e alimentação, o que se traduz em transtornos no abastecimento e na guerra de propaganda que se desenvolve contra o seu governo. As principais entidades agrícolas argentinas disseram que o governo federal restringiu as exportações de carne bovina, embora porta-vozes do governo contatados pela agência inglesa de notícias Reuters não tenham fornecido informações sobre a possível interrupção dos embarques da Argentina, que ainda é um dos principais exportadores de cortes de carne bovina, apesar da redução das exportações nos últimos anos. “A Confederação Rural Argentina (CRA) rejeita a medição para a Europa e possíveis exportações para a Rússia. Diante deste quadro, os empresários do agronegócio aumentaram o preço da carne no balcão. – A evolução do preço do gado melhorou substancialmente para o produtor nos últimos cinco anos. O aumento (dos preços) não está associado com licenças de exportação – disse Capitanich. Na fronteira do marketing, para fustigar ainda mais o governo popular argentino, os empresários têm aumentado o preço sob a alegação de que houve um aumento nas exportações para a Rússia, quando na realidade os frigoríficos privados tomaram a decisão de não exportar para esse destino e têm disponibilizado a carne para consumo interno, a preços irreais e margens de lucro superiores. Em sua conferência de imprensa, Capitanich reconheceu a existência de 138 pontos “com dificuldades operacionais, e eles estão aplicando o Programa de Produção de Revitalização (Repro), que fornece um mecanismo para uma atenção especial”. A reviravolta no setor, que começou a mostrar mercado nacional mais rentável para exportar, também resultou no encerramento de alguns estabelecimentos focados exclusivamente na exportação. O chefe de gabinete também disse que o preço da carne está ligado ao aumento da fronteira agrícola, o que teria ganhado 11 milhões de hectares para pecuária com a recuperação das pastagens. Em 2013, a Argentina exportou 201.688 toneladas de carne bovina no valor de US$ 981 milhões, de acordo com o Ministério da Agricultura. Nos primeiros seis meses de 2014, 84.453 toneladas foram embarcadas, no valor de US$ 437 milhões. Em 2005, o último ano em que as exportações não foram limitadas, de acordo com os sindicatos do setor, as exportações do país sul-americano haviam totalizado 771.427 toneladas. Usura internacional A disputa entre os polos econômicos argentinos é tão intensa no país que o governo, em sua luta contra o neoliberalismo, recebe o apoio até de significativa parcela da comunidade eclesial. Segundo o jornalista Washington Uranga, do diário portenho Página 12, a questão de fundo na disputa entre segmentos conservadores da sociedade argentina e a presidenta Kirchner está na sua opção de combater a miséria no país. Na véspera, o grupo nacional Curas enOpción por los Pobres emitiu, no encerramento de sua reunião 27ª reunião anual, o comunicado intitulado Não devemos mais continuar, para expressar sua rejeição “à imposição global do capitalismo liberal e da desigualdade que multiplica a pobreza e acelera a concentração imoral de riqueza em poucas mãos, condenar a usura fundos abutres internacionais e criticar os cargos eclesiásticos simpatizantes das políticas em favor dos poderosos e contra os pobres”. A organização atua em um amplo espectro social, com um poder de mobilização capaz de promover grandes manifestações no país. No mesmo texto o grupo religioso oferece o seu apoio ao governo nacional em questões como a Lei de Abastecimento e manifesta o seu pedido para que, independentemente do resultado das eleições, sejam respeitados os direitos dos setores populares incorporados em anos anteriores. Olhando para a próxima eleição, os integrantes do grupo sublinharam que direitos foram adquiridos ao longo do tempo e que esperam “independentemente do resultado das próximas eleições, que esses direitos sejam ratificados e as pessoas podem sentir-se possuidores do que por direito lhes pertence”. Tensões acirradas Para conter o avanço do capital sobre os avanços sociais, no país, Cristina Kirchner chegou a cogitar a edição de uma lei antiterrorismo contra setores do empresariado que tentam subverter a ordem econômica e ampliar as dificuldades de abastecimento. A legislação prevista tem poder de ingerência do governo na produção de empresas privadas. O conflito ocorre em meio às incertezas sobre o pagamento aos credores da dívida argentina e diante da crítica de muitos economistas, que afirmam que o país está em recessão, com inflação crescente e temores de alta nas taxas de desemprego. As principais câmaras de empresários do país divulgaram comunicados rejeitando as iniciativas do governo de utilizar uma lei antiterrorismo contra determinados negócios e de tentar votar o projeto de uma nova lei de abastecimento. Aprovada em 2011, a lei antiterrorismo foi citada pela presidente na segunda semana de agosto, quando questionou o fechamento de uma gráfica na Argentina com capital norte-americano. Cristina Kirchner sugeriu que a gráfica Donnelley foi fechada deliberadamente pelos controladores norte-americanos para desestabilizar a economia argentina, com a demissão de 400 empregados. Os donos da gráfica alegaram que o fechamento ocorreu por conta de uma falência. Cristina chegou a afirmar que usaria a lei antiterrorismo para processar os controladores da gráfica, mas o presidente da Comissão Nacional de Valores (CNV), Alejandro Vanoti, disse em seguida que houve “uma confusão” e que a lei não seria usada. Bahia Rodovias federais recebem mais de R$ 1 bilhão para duplicação de trechos que passam pela Bahia cípio de Teofilândia. Já a BR-101, considerada uma das principais rodovias brasileiras, terá 165 quilômetros duplicados, de Feira de Santana até a fronteira com o Estado de Sergipe. A estimativa é que cerca de dez mil veículos trafeguem pela BR-116, diariamente. Já na 101, margeada por diversos municípios baianos, trafegam mais de 12 mil veículos, por dia. O projeto de engenharia para implantação, duplicação, restauração no trecho entre a BR-324, em Feira de Santana, até a divisa com Sergipe foi elaborado pelo Dnit, com obras divididas em quatro lotes. Os recursos para execução das obras da BR-101 (R$ 834 milhões) e BR-116 (R$ 297 milhões) são do Programa de Aceleração do Natal (RN) por uma via Crescimento (PAC-2). totalmente duplicada”, disse o titular do Ministério dos Transportes. Obras De acordo com o preEstão previstas inter- sidente da Associação das venções como implanta- Empresas de Transporte ção de vias laterais (mar- Rodoviário da Bahia, Déginais), adequação de cio Barros, os investimencapacidade (duplicação), tos irão se traduzir em restauração com melho- qualidade de vida. “Um ramentos de pistas exis- transporte mais eficiententes e construção de te e mais rápido melhora pontes, viadutos e passa- a vida de todo mundo, relas, além de iluminação tanto na parte da saúde, pública nos perímetros menos tempo na estrada, urbanos. Na oportunida- até um socorro médico de, o ministro Paulo Sér- quando for preciso. [Com gio Passos observou que as rodovias duplicadas] a duplicação é uma das o passageiro também é obras mais aguardadas transportado com mais pela população que vive conforto e segurança”. nas cidades localizadas às Mobilidade urbana margens destas rodovias e pelos condutores que por elas passam. “Em breEm Salvador, uma ve, teremos a possibilida- série de obras de infrade de sair de Salvador até estrutura urbana, que integram o programa Mobilidade Salvador, estão sendo entregues à população. Em agosto, mais um viaduto construído pela Companhia de Desenvolvimento Urbano Do Estado Da Bahia (Conder), órgão vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur) foi inaugurado. Batizado de Governador Eduardo Campos, ele compõe o Complexo de Viadutos do Imbuí, que terá a última obra finalizada também em setembro, o Viaduto Governador Marcelo Déda. O programa de mobilidade urbana do governo do Estado já investiu mais de R$ 8 bilhões de reais em obras estruturantes e é considerada a maior intervenção na capital baiana desde o início do século passado. Com previsão de dois anos para conclusão das obras, as rodovias federais BR-116 e BR-101 serão duplicadas, em trechos que cortam a Bahia. A ordem de serviço para início das intervenções foi assinada em Feira de Santana, no final de agosto, pelo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e pelo governador Jaques Wagner. Na ocasião, o governador anun- ciou que “em setembro, também estaremos licitando o trecho da BR-101 entre Eunápolis e Mucuri, na divisa com o Espírito Santo. Como o ministro [Paulo Sérgio Passos] disse, também vamos fazer a duplicação da BR-415, entre Ilhéus e Itabuna”. A duplicação da BR116 terá 417 quilômetros e parte de Feira de Santana, passando por Serrinha, até a o muni-

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IMPRENSA SINDICAL | SETEMBRO/2014 | PÁGINA 13 “O ar quando não é poluído, é condicionado.” Ciência Jô Soares No futuro, suas roupas serão lavadas por cardumes de peixes robóticos Na Ásia, há uma espécie de peixe usada para fazer pedicure - chamado de Garra rufa, ou ‘peixe-médico’, o animal se alimenta da pele morta nos pés. Usando esse conceito, o designer Chan Yeop Jeong da Universidade Daegu, na Coreia do Sul, criou um conceito para lavadoras de roupa no futuro. Em vez de usar sabão, pequenos peixes robóticos removem a sujeira da roupa –da mesma forma que o peixe-médico retira a pele morta dos pés, o cardume do “Pacera” é capaz de detectar a sujeira em roupas. Eles são capazes de limpar através de um sistema de sucção, aliado a uma solução alcalina capaz de encontrar e separar as moléculas de sujeira da fibra do tecido. Ou seja, com a invenção, seríamos capazes de parar de usar sabão em pó, que, ao ser descartado em rios e mares com o esgoto, é extremamente prejudicial para peixes. Cientistas melhoram memória de voluntários com corrente elétrica Estímulos não-invasivos disparados através do crânio podem ajudar quem sofre com distúrbios como o Alzheimer Um novo estudo da Universidade de Northwestern sugere que o disparo de uma corrente elétrica fraca através do crânio pode melhorar a memória de pessoas. O procedimento não é invasivo e é direcionado para o hipocampo. Durante a pesquisa, voluntários receberam a corrente todos os dias, durante cinco dias, por 20 minutos. Cientistas perceberam que o método faz com que várias áreas sejam ativadas e cooperem com o funcionamento do hipocampo. Os pesquisadores comparam a atividade com a forma com que um maestro coordena uma orquestra. Não é como se os músicos não soubessem tocar sozinhos, mas o maestro faz com que eles fiquem mais sincronizados. Ao fim do período, eles passaram por testes de memória. Comparando o resultado das pessoas que passaram pelos experimentos com um outro grupo, de pessoas saudáveis e comuns, elas mostraram uma melhor performance. Mas então é só jogar uma corrente elétrica no cérebro para virarmos a Lucy, do filme com a Scarlett Johansson? Não é bem assim. De acordo com os pesquisadores, os voluntários não sentiram nenhuma diferença na forma com que percebem o mundo. No entanto, eles esperam aplicar a técnica em pessoas com problemas de memória, como pacientes com Alzheimer. “Nesses casos até pequenas mudanças podem representar uma melhora”, afirmou um dos autores do estudo, Joel Voss, ao Mashable. Lazer Horóscopo 21/03 a 19/04 Culinária Bisque de camarão INGREDIENTES • 1 1/2 kg de camarão médio • 1/4 de xícara de azeite • 1/2 xícara de vinho branco seco • 1 1/2 litro de água • 1 1/2 colher (chá) de sal • 1/4 de xícara de suco de limão • 1 cebola média cortada em pedaços • 4 tomates sem pele e sem sementes cortados em pedaços • 2 xícaras de creme de leite fresco • 3 colheres (sopa) de mostarda preparada azeite em fogo médio. Junte as cascas do camarão e frite por dois minutos. Junte o vinho branco e deixe se evaporar. Adicione a água e abaixe o fogo. Deixe ferver por 20 minutos. Retire do fogo e bata no liquidificador. Passe por uma peneira fina e reserve. Tempere o camarão limpo com o sal e o suco de limão. Numa panela, aqueça o azeite restante. Junte a cebola e frite até ficar macia. Acrescente o tomate e refogue por cinco minutos ou até o tomate ficar macio. Acrescente o camarão e cozinhe por cinco minutos ou até ficar rosado. Retire do fogo e transfira para o liquidificador. Bata com o caldo reservado aquecido até ficar homogêneo. Coloque de volta na panela, junte o creme de leite fresco e leve ao fogo médio até aquecer bem. Junte a mostarda, misture e sirva. Rende 8 porções Não se surpreenda com as pessoas. Elas sempre foram como são, você é que não quis ver. Cultive o amor dentro de si. O rancor só faz mal a você. A vida é uma festa. E você sabe de disso. Aproveite! Nem tudo é bom, nem tudo é ruim. Tudo uma mistura. Pense nisso. Exigir demais dos outros e de você lhe traz dor. Relaxe e aceite as pessoas como elas são. 20/04 a 20/05 MODO DE PREPARO 21/05 a 21/06 Limpe os camarões, reserve a casca e descarte a cabeça. Numa panela média, aqueça metade do Fonte: Comida e Receitas - http://mdemulher.abril.com.br/culinaria/receitas/receita-de-bisque-camarao-697347.shtml 22/06 a 22/07 Humor 23/07 a 22/08 23/08 a 22/09 Olhe ao seu redor. Observe. E verá que você já deu certo faz tempo. Uma força interior emana de você, contagiando as pessoas. Alegria, alegria! A vida é um cíclo constante. Espere e pondere. O tempo resolve tudo. Nada pode lhe deter. Sua força emerge com força total agora. A vida não é um refresco. Por isso refreque-se e relaxe um pouco. 23/09 a 22/10 23/10 a 21/11 22/11 a 21/12 22/12 a 19/01 20/01 a 18/02 Solte-se. Deixe-se ficar leve. Destencione-se para ser feliz. A vida é tão curta! Não perca tempo com bobagens. Fonte: http://www.umsabadoqualquer.com/1393-testes-3/ 19/02 a 20/03 “A comissão faz o ladrão.” Jô Soares

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IMPRENSA SINDICAL | SETEMBRO/2014 | PÁGINA 14 Sinduscon-SP Nestes tempos difíceis, é preciso fortalecer a indústria da construção JOSÉ ROMEU FERRAZ NETO A construção civil paulista interrompeu o crescimento de sua atividade já em maio, diferentemente do que tem acontecido nos últimos anos, quando esta parada ocorria somente no último bimestre do ano, por motivos sazonais. No final do primeiro semestre, o nível de emprego da construção paulista, principal indicador da atividade do setor, apresentava queda de 0,8% pelo segundo mês consecutivo, na comparação de junho com o mesmo mês de 2013. A queda era mais acentuada no segmento de obras (-2%). No Brasil, o emprego na construção declinava em todas as regiões, com exceção da Norte. O segmento de obras registrava queda de 0,62%. Em paralelo, acentuou-se o declínio das expectativas dos empresários do setor, já registrado pelas últimas Sondagens Nacionais realizadas pelo SindusCon-SP em conjunto com a FGV. No trimestre encerrado em julho, o Índice de Confiança da Construção da FGV recuava 10,3%, ante igual período do ano passado. Somente em julho, o indicador caiu 12,4%, depois de uma retração de 8,9% em junho. Foi o pior resultado de toda a série nesta base comparativa. No final de julho, o mercado havia reduzido sua expectativa de c re s c i m e n t o do PIB neste ano para 0,9%. Sendo a construção civil um reflexo do comportamento dos investimentos do país, agora se espera que o setor cresça apenas algo próximo a 1%. Neste cenário, tomou posse a nova Diretoria do SindusCon-SP, que tenho a honra de presidir. Não temos ilusões: o baixo desempenho da economia esperado para os próximos meses deverá se prolongar por 2015. Nesta altura do ano, não se vislumbra uma ansiada retomada vigorosa dos investimentos que voltariam a impulsionar o setor. No entanto, a nova Diretoria espera poder contribuir para que a construção civil consiga se fortalecer, especialmente no tocante a novas tecnologias e ao incremento da produtividade, condições indispensáveis para elevar a competitividade do setor. O SindusCon-SP trabalha ativamente nos projetos em andamento, muitos deles vitoriosos nas áreas de economia, tecnologia e qualidade, meio ambiente, habitação popular, imobiliário, obras públicas, segurança e saúde do trabalho, responsabilidade social, jurídico e interior. Ao mesmo tempo, estamos fortalecendo o bom relacionamento com as demais entidades da construção, em nível municipal, estadual e federal. Esta sinergia deverá resultar em soma de esforços e ações conjuntas para benefício de todos os elos da cadeia produtiva do setor. Também estamos preparando uma série de propostas para integrar os planos de governo dos candidatos ao governo do Estado e à Presidência da República. Para reverter o baixo crescimento econômico, os futuros governantes deverão racionalizar os gastos públicos, de modo a ter mais recursos para investimentos em infraestrutura. Este precisa ser o grande esforço conjunto. Vamos também pressionar por mais agilidade e eficiência na condução dos projetos, por mais segurança jurídica para PPPs e concessões, e melhor interlocução entre União, Estados e Municípios no Minha Casa, Minha Vida e em outras ações de habitação e ampliação da infraestrutura. Em setembro, o SindusCon-SP festejará seu 80º aniversário. Preocupada com o presente, mas confiante em relação ao futuro, a nova Diretoria da entidade espera poder corresponder às expectativas depositadas pelas empresas associadas, na esperança de uma retomada firme e segura do crescimento do país e do setor. JOSÉ ROMEU FERRAZ NETO é presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), vice-presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e conselheiro da Fiabci-Brasil (Federação Interna- cional das Profissões Imobiliárias) e da Adit-Brasil (Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico)

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Geral Jader Barbalho Considero óbvio o conhecimento que temos sobre o passado, ao mesmo tempo em que vivemos o presente, e o futuro continua sendo imprevisível, imponderável para todos; fatos que não podemos mudar e nem saber o que vai acontecer. Exemplo disso foi o episódio que entristeceu a sociedade brasileira essa semana: a morte dramática do candidato à presidência da República, Eduardo Campos, e de todos os que viajavam com ele no avião, no trajeto Rio/São Paulo. Isso me levou a uma reflexão sobre o futuro das pessoas e até mesmo das sociedades que são guiadas pelo imponderável. Tudo pode mudar num piscar de olhos. O noticiário dessa semana também foi intenso sobre o início e a motivação da Primeira Guerra Mundial, em 1914, na qual um atentado a um arquiduque austríaco desencadeou o envolvimento de vários países e resultou em milhões de mortes. O escritor Stefan Zweig escreveu Momento Supremo, no qual relaciona cerca de 10 histórias que mudaram o curso da vida de grupos e da própria sociedade. É o imponderável que nos surpreende diante dos acontecimentos inesperados. Antes de conhecer e IMPRENSA SINDICAL | SETEMBRO/2014 | PÁGINA 15 O imponderável ter um amigável relacionamento com Eduardo Campos, eu tive o privilégio de conhecer o seu avô Miguel Arraes, em 1963, quando ele era governador de Pernambuco pela primeira vez. O episódio se deu quando eu era estudante do Paes de Carvalho. Formamos um grupo e fomos conhecer o Nordeste. Ao chegar em Pernambuco, já estávamos com graves dificuldades financeiras e tivemos a ideia de pedir dinheiro ao governador para pagar a nossa hospedagem. Conseguimos a audiência com Miguel Arraes, e assim eu conheci o Palácio Campos das Princesas. Mas, a ajuda de custo não conseguimos. No ano seguinte, em 1964, veio o golpe militar. Eu já participava da política estudantil e acompanhava a política nacional, e assim vi Miguel Arraes ser afastado do governo de Pernambuco, a sua prisão por longo tempo na Ilha de Fernando de Noronha, e posteriormente ser exilado para a Argélia. Reencontrei Arraes, o avô de Eduardo Campos, quando eu integrava o grupo de oposição no parlamento, conhecido como “os autênticos do MDB“. Ele queria nos ouvir, já que estávamos em uma viagem pela Europa. Depois veio a anistia e, quando Arraes retornou ao Brasil, eu o reencontrei (ele novamente governador de Pernambuco, e eu Ministro da Previdência Social). Era a assinatura de um convênio do Suds (hoje SUS), no qual o Ministério transferia para o governo de Pernambuco a competência do Inamps na Assistência Médica Hospitalar Universalizada, e os recursos para a implementação do Sistema. Como os recursos financeiros eram de acentuado volume, não perdi a oportunidade de contar aos presentes o episódio de 1963, quando Arraes não nos ajudou a pagar a nossa hospedagem. As pessoas riram da história. Foi nesse dia que conheci o jovem rapaz Eduardo Campos. Nos encontrávamos com frequência, e ele era envolvente no trato pessoal, tanto na sua passagem como secretário de Estado de Pernambuco, como deputado federal e como Ministro de Ciência e Tecnologia do Governo Lula. A última vez que vi Eduardo foi em Brasília: ao chegar em casa (eu moro no mesmo prédio que a mãe dele, Ana Arraes), Eduardo saía com um grupo de parlamentares e assessores. Isso foi há um mês. A última vez que assisti ao Eduardo Campos foi na véspera de sua morte, numa entrevista à jornalista Renata Lo Prete, num canal fechado de televisão. Fui dormir com a sensação de que o jovem candidato não era apenas um grande governador de Pernambuco, mas um político que conseguia trabalhar despido de qualquer sentimento menor. Eduardo Campos tinha a mesma simpatia e as mesmas características de Juscelino Kubistchek, presidente do Brasil, atingido duas vezes pelo imponderável: na ditadura militar, em 1964, e depois morto num acidente de carro entre Rio de Janeiro e São Paulo. Tanto JK quanto Eduardo Campos faziam política com leveza e trabalhavam na vida pública sempre com um sorriso no rosto e a simpatia natural das pessoas carismáticas. Pará Governo do Estado assina protocolo para estimular a cadeia produtiva de palma de óleo Maior produtor brasileiro de óleo de palma, com atividades que correspondem a mais de 90% da produção nacional, o Pará dará mais um significativo passo para fortalecer a cadeia produtiva da palma de óleo e derivados, que nos últimos anos têm se mostrado um importante incremento para a economia paraense, com a instalação de novas empresas e a ampliação da produção de outros grupos já atuantes no Estado. No dia 26 de agosto, aconteceu a assinatura de um protocolo de intenções para ações conjuntas no auditório da Federação de Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), em Belém. O documento, elaborado pelo governo do Estado, formalizará um esforço que vem sendo feito pelo poder público e pela iniciativa privada, principalmente nos últimos três anos, para que a atividade se expanda de forma sustentável, em áreas já antropizadas, ou seja, sem precisar desmatar. Atualmente, o Pará possui 300 mil hectares de áreas plantadas de palma, com os maiores grupos nacionais e internacionais já instalados no território paraense. Entretanto, o Estado tem potencial para ocupar o topo da cadeia mundial, com cerca de 12,5 milhões de hectares disponíveis para a atividade, ultrapassando países como a Malásia e a Indonésia. De acordo com David Leal, titular da Secretaria de Estado Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção, o protocolo é uma forma de desburocratizar a atividade e garantir a agregação de valor. “O que queremos é dar segurança jurídica àquelas empresas que já estão instaladas no Pará para que possam se manter e expandir a sua produção, agregando valor à sociedade paraense, e ainda propiciar um ambiente de negócios favorável para novos investimentos”, afirma o secretário. Para isto, o governo proporcionará à atividade apoio integrado entre os órgãos estaduais atuantes no setor da agroindústria. Outro objetivo do protocolo será fortalecer a atividade entre os pequenos produtores, disponibilizando tecnologia para que eles possam desenvolver e ampliar as suas produções, inclusive com a titularização de terras, além de estimular a melhoria da qualidade vida desses agricultores. “A ideia é que nos possamos munir esses produtores de tecnologia para que eles não abandonem ou comercializem suas terras, mas produzam nelas. Com isso, além de garantir renda para essas famílias, evitamos que esse produtor saia de sua terra para procurar outras atividades na cidade”, oberva David Leal. O protocolo ainda será um estímulo para que outro processo da cadeia produtiva da palma –além da indústria (óleo bruto) e do refinamento– seja fortalecido: o fracionamento, considerada a terceira etapa da cadeia. Segundo Carlos Xavier, da Faepa, esse processo deverá dar origem a 1.600 novos subprodutos. “Em todo o plantio da palma a indústria tem que estar presente. Ela é parte fundamental para verticalizar a produção. E quando fortalecemos a produção, garantimos mais segurança aos produtores, aumentamos a área de plantio e os parques industriais. A consequência natural, com isso, é o fortalecimento do refinamento –o Pará é o único Estado brasileiro a realizar essa etapa. A partir daí é um processo natural partir para a terceira etapa”, diz. Produtor – Durante a cerimônia, que contou com a participação do governador Simão Jatene, também deverá ser lançado o Cartão do Produtor Rural –o CNA Card, coordenado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. O objetivo é facilitar a vida do produtor rural. Com ele, o produtor poderá solicitar e imprimir Guias de Trânsito Animal, a Permissão de Trânsito de Vegetais e o Certificado Fitossanitário de Origem, e ainda pagar as respectivas taxas com maior conforto e agilidade, em qualquer lugar que tenha acesso à internet ou GPRS. O cartão também inclui o produtor em um Clube de Benefícios que opera em nível nacional. Trabalho Vicente Goulart repudia ameaça de flexibilização da CLT Em entrevista ao Portal Vermelho, João Vicente Goulart, presidente do Instituto João Goulart e filho do ex-presidente Jango, classificou com um atraso a tentativa de flexibilizar a Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT. “Sou totalmente contra qualquer tentativa de mexer nos direitos dos trabalhadores”, disse ele “Uma das grandes questões que o Brasil tem de enfrentar é a reforma tributária. A tributação deve ser feita pelo patrimônio e não sobre os salários dos trabalhadores”, apontou João Vicente, que classifica a flexibilização como “uma grande ameaça aos direitos conquistados pelos trabalhadores nos governos trabalhistas”. A flexibilização tem sido pauta da campanha eleitoral entre os candidatos presidenciáveis. Em sabatina na Confederação Nacional da Indústria (CNI), dia 30 de julho, Dilma Rousseff, a candidata à reeleição, e os demais presidenciáveis receberam um documento dos empresários com 101 pontos de alterações à CLT, todos tratam de retirada e diminuição de direitos. Dilma, por sua vez, reafirmou que o seu governo não vai rasgar direitos. ”Tem certas garantias que a lei trabalhista deu que eu não acredito que alguém poderá rasgar, como 13º salário, horas extras, entre outros”, disse a presidenta. João Vicente destacou que ao invés de fazer reformas para reduzir e precarizar a lei trabalhista, o Brasil precisa promover amplas reformas que modifiquem a estrutura, como as reforma de base propostas por Jango. “O controle de remessas de lucros para o exterior, por exemplo, seria fundamental para o Brasil. A Embratel foi criada depois entregue a empresas estrangeiras. Hoje, a remessa de lucros do setor é de 150%, sendo que existem empresas que mandam até 95% de seus ganhos anuais para as matrizes fora do Brasil”, frisou.

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