OS CONFRADES DA POESIA 64

 

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Os Confrades da Poesia - Boletim Poético

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VI | Boletim Bimestral Nº 64 | Setembro / Outubro 2014 www.osconfradesdapoesia.com - Email: osconfradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» SUMÁRIO Confrades: 4,6,8,14 A Voz do Poeta: 2 Olhos da Poesia: 3 Retalhos Poéticos: 5 Tribuna do Poeta: 7 Bocage: 10 Tempo de Poesia: 11 Trovador: 12 Poemar: 13 Faísca de Versos: 15 Contos / Poemas: 16 Reflexões: 17 Pódio dos Talentos: 18 Trono dos Poetas: 19 Ponto Final: 20 « Vindimas » EDITORIAL O BOLETIM Bimestral Online (PDF) "Os Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono"; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia»  Pódio dos Talentos pág. 18 Trono dos Poetas pág. 19 Isidoro Cavaco Maria Vitória Afonso Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Paginação: Pinhal Dias - São Tomé A Direcção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador; Conceição Tomé - Vice-Presidente / Fundador Redacção: São Tomé - Pinhal Dias Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Alfredo Louro | Ana Santos | Anna Müller | António Barroso | António Silva | Arlete Piedade | Carlos Bondoso | Carmo Vasconcelos | Clarisse Sanches | Daniel Costa | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson G. Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Afonso | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Glória Marreiros | Henrique Lacerda | Hermilo Grave | Humberto Neto | Humberto Soares Santa | Isidoro Cavaco | João Coelho dos Santos | João Furtado | João da Palma | Jorge Vicente | José Jacinto | José Verdasca | Lili Laranjo | Luís Filipe | Luiz Caminha | Maria Brás | Maria José Fraqueza | Maria Mamede | Maria Petronilho | Maria Vitória Afonso | Miraldino Carvalho | Natália Vale | Pedro Valdoy | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Susana Custódio | Tito Olívio | Vó Fia | Zezinha Fraqueza | … (actualizado no site)

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2 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 64 | Setembro / Outubro 2014 «A Voz do Poeta» Aparências... Avareza Coração Agitado Não desprezes ninguém pela aparência Nem pela raça, credo, ou roupa que usa Nem te iludas também pela inocência Daquele que, não a tendo, dela abusa! Há quem tenha imagem tão obtusa Capaz de nos causar tal influência Ao ponto de gritarmos a recusa E...Agirmos com nefasta incongruência Mas há que reflectir e usar prudência Que ás vezes o alguém que se recusa Por ter aspecto externo de indigência Pode ter, a coberto, por decência, Carácter, formação, moral inclusa... Saber, educação, inteligência! Abgalvão - Fernão Ferro Tentativa Falhada Nunca vê o avarento Nos outros um seu irmão Tem falta de sentimento E de humana compaixão. Vive bem e com fartura Em opulenta riqueza Mas não sente a desventura De quem não tem pão na mesa. Há muitos necessitados Que mendigam com tristeza Quantas vezes confrontados P'la pertinaz avareza. Esta injusta indiferença Que não faz nenhum sentido É quase como doença Sem remédio conhecido. Quem tem a barriga cheia E muitos banquetes come Quase nunca liga meia Aos pobres que passam fome. O avarento egoísta Na vida não tem amigos Nada tem de altruísta Euclides Cavaco - Canadá As Zangas Esse teu ar inquieto Não tarda ficará calmo Terás um caminho aberto E entoarás um salmo; Teu coração agitado Vai encontrar calmaria Deixará de estar magoado Será de novo sarado Com amor dia após dia; Como volta a primavera E traz um ar de magia Virá uma nova era Um novo fulgor te espera E vais sentir alegria. Maria Eugénia - Sesimbra Quis fazer um poema que falasse De carinho, de esperança, de bondade, Mas vejo neste mundo tal maldade Que não fiz nada que se aproveitasse!... Quis mentir, falar bem da Humanidade, Mas a pena, como se adivinhasse, Não queria, por muito que tentasse, Aceitar a mentira por verdade. Praticamos o mal a cada instante... O ser humano rouba, fere, mata, Sem respeito nenhum p'lo semelhante! De que serve tentar cobrir com prata Ou enfeitar com falso diamante Algo que vale menos do que lata?... Carlos Fragata - Sesimbra A Ode à Amizade A verdadeira amizade entra no meu coração como uma estrela dourada Sinto-me feliz com vocês Aqui está o milagre da saudável amizade O meu carinho está em todos Hoje sou outro com esta magnífica obra De um Beethoven que a mãe esteve para abortar As minhas lágrimas são de ouro de alegria Obrigado a todos. Pedro Valdoy - Lisboa Lançamento do livro “A voz da minha alma” Em Portugal Zangas não quero, nem sequer pintadas, Rosto de África… mas se vierem que seja brincadeira ou a não ser, que sejam esconjuradas quaisquer quezílias que só dão besteira. No rosto Envelhecido Zangas são sempre males contagiantes, Da lágrima De África secreções de um mau génio arruaceiro. Pernoitam Geradas sempre por causas aberrantes Palavras deixam duras mazelas de permeio. Choradas, Há séculos Bastas no mote, mas falhas na razão, as zangas nada trazem, não mais são Ecoam que patetices frouxas e vazias. Terras De gritos Mas há que ter cuidados redobrados pois podem constituir-se em feios fados Infinitos De dor, que tornem dolorosos nossos dias. Vidas No calor De verdades incolores Eugénio de Sá - Sintra Fredy Ngola Luanda - Angola “Podem me impedir de escrever mas, de pensar, jamais “ (JC Bridon)

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 64 | Setembro / Outubro 2014 | 3 «Olhos da Poesia» Poliglota Chamava-se ele, Acácio Tavares, Senhor duma fortuna de invejar, Criança de trabalho, sem vagares Da escola, lá da terra, frequentar. Agora, adulto, fez uma viagem Num paquete de luxo, com o conforto Que o dinheiro, que não é uma miragem, Lhe pode oferecer, de porto em porto. Na mesa, um cavalheiro, que sorri, Falando língua estranha ? era francês ? Que lhe diz, com à vontade: - Bon appétit! Por não saber nada em português. O nosso amigo, perante os olhares Dos outros comensais, estende a mão E apenas responde: - Acácio Tavares ? Julgando tratar-se de apresentação. E a cena repetiu-se uma outra vez Até que intrigado, tratou de indagar E logo descobriu o que o francês Apenas lhe queria desejar. Para emendar o erro foi o primeiro Na refeição seguinte e, com firmeza, Aguardou a vinda do companheiro Para lhe dizer, com toda a clareza: - Mon ami franciú, bon appétit ? E o francês, agradecendo esses ares, Estende a mão e diz: - Merci, merci ? Mas logo acrescenta: - Acácio Tavares! António Barroso (Tiago) - Parede - Portugal Ainda há Ainda há uma dúvida que me atormenta: Se já não é tempo de esclavagismo, Porque me queres manter teu escravo? Permaneces em teimoso silêncio! Nesse amplo, enorme deserto Ainda há predestinação, desígnio, Numa atitude tímida, cobarde, Duma criatura nobre como um anjo? Será fantasia minha ou quem vi Foi um fantasma com quem não fiquei Nem troquei uma única palavra? Ainda há pouco pensei Que te vi à janela… Depois esqueci e confirmei Que nem tu existes… nem a janela! João Coelho dos Santos - Lisboa “O homem não morre quando deixa de viver, mas sim quando deixa de amar” - (Charles Chaplin) Pérola do Alentejo (Zambujeira do Mar) Há na costa Vicentina Uma praia que culmina Entre as outras sem ter par Brindada p'la Natureza É um padrão de beleza A Zambujeira do Mar. A sua encosta escarpada Pelo casario beijada Onde o mar sempre ondulante Em manhãs feitas de bruma Desfaz as ondas em espuma Num cenário deslumbrante. Ilustrada em verso e cores Por poetas e pintores Na sua inspiração Paisagens calmas e belas Vão motivando aguarelas Na tela do coração. Nesta praia alentejana Não tocou a foça humana Tudo aqui é natural Pérola do Céu caída A dar mais fulgência e vida Às praias de Portugal !... Euclides Cavaco - Canadá No colo da noite No colo da noite abraçado a mim... Chorei meus enganos e os sonhos frustrados que jazem desfeitos no pó das estradas! No colo da noite falei sem rodeios de tudo o que quero... Dos meus novos planos... De dar e poder também receber carinho, cuidados, amor e prazer. No colo da noite confesso, não minto... Risquei o passado envolto em dilemas traições e esquemas... E um tanto arrasado rasguei os poemas que em horas de tédio ou raiva esbocei... Mas diz-me a razão que foi por vergonha, quiçá frustração, que os não publiquei! No colo da noite falei, fui sincero, tu sabes que sim... Ser amor perfeito enorme e sem fim aquele que sinto agora por ti! Dos seios da noite fresca e aluada suguei ansiedade... Em boa verdade o doce da espera por ti primavera por ti novo amor. No colo da noite Despiste os teus medos... Despi meus desejos... Toquei e beijei com grato prazer as sombras da lua no teu corpo nu... Por palco o relento, por luzes estrelas e os corpos num só... No colo da noite felizes dançamos a dança do amor... Como orquestra o mar as vozes do vento e o tema...Paixão! Abgalvão - Fernão Ferro Evasão No silêncio e na paz da natureza, de toda a sensação eu me desligo, extasiando-me apenas na beleza deste divino mundo onde me abrigo. Mergulhada no verde onde me deito, sou pedra, folha morta abandonada, e d’alma em evasão eu me deleito, por ser no todo imenso um quase nada. E é neste bem-estar doce em quietude, que, saudosa, relembro a mansuetude do sacrossanto lar primevo e antigo… Basto-me do ar que sorvo e está comigo, e qual erva que símplice brotou, nada mais quero ou peço… Apenas sou! Carmo Vasconcelos - Lisboa

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4 | Os Os Confrades da Poesia Boletim Nr 64 | | Setembro / Outubro 2014 «Confrades» Sósia de Mim Sósia de mim, fui tua inquietação, o véu que te ensombrava a realidade, o desespero, a fúria da ansiedade, o tumulto enciumado da paixão. A duvidosa sombra da ilusão, o medo tenebroso da inverdade, pla chaga que sangrando falsidade, cerrara para o amor teu coração. Depois… A luz, a crença devolvida de que sempre é possível achar vida latente entre os destroços da dormência… Abrir os olhos à clarividência, recuperar, enfim, a fé perdida, e unir dois corações na mesma essência. Carmo Vasconcelos - Lisboa “O Coração ao pé da boca” Eu tenho o coração ao pé da boca, Que me faz transluzir o que ele… sente Assim eu vou trovando de repente… À falsa dignidade que é tão pouca! Minha boca por vezes, quase louca Fechada vai guardando, paciente! Não grita, não despeja e se ressente Silenciosamente, e fica rôca! Por cada sentimento, enviado De dentro e para mim, de sim ou não, Faz eco em minha boca, esse recado… Não posso contrariar tal condição, Vou afirmando certo ou erado, Tal como me comanda o coração! João da Palma - Portimão Não Foi Não foi o Sol que eu quis. Só o luar, Para me dar o frio de platina, Pois calor tenho já no palpitar Do coração que chora e desanima. Não foi o mar que eu quis. Só adejar Sobre os areais do mundo, à bolina, Que a vela tenho rota e navegar É a sina que a sorte me destina. Não quis coisa nenhuma, pois quis tudo. Na ânsia de abarcar o mundo todo, Perdi-me de mim mesmo e da razão. Queria era teus olhos de veludo Pra me guiarem no meio deste lodo, Me tirarem do cais da solidão. Tito Olívio - Faro http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Quando Eu Morrer. Quando eu morrer, Se for num amanhecer… Que me acolham os aromas do despontar da aurora... Numa fusão doce, cálida, etérea…em sua beatitude! Quando eu morrer, Se for num entardecer… Como em paleta de pintor, nas cores fulvas, do arrebol... Minha alma seja amalgamada, misturada…em similitude! Quando eu morrer, Se for num anoitecer… Que me envolvam os quiméricos trajos do crepúsculo... Numa caricia mística…num silêncio de paz e quietude! Filomena Gomes Camacho - Londres Um Presidente(a) Cessante... Esta noite assim eu sonhei! E foi por toda a noite inteira, Que o Presidente eu chamei... Voismecê era um “Asno” de primeira! O meu pesadelo eu versei, Ali em plena Avenida, Por causa que o encontrei... Por entre uma multidão alarida! Silvino Potêncio - Natal / BR A Gota – Poetrix Incolor e salgada Deslizou até aos meus lábios Era afinal o resto d’uma lágrima A Infidelidade – Poetrix Autónoma do motivo, Tem uma coisa que é certa: A infidelidade é devastadora Apenas Vida – Poetrix Vêem os meus olhos Espraiando-se pelos campos Renascidos após o Inverno Como Águia – Poetrix Real voo em círculos Elegendo a minha presa Depois ataco-a com todo o amor Terra e Mar Na vastidão da alta planura Que encima a majestosa serra Longe do alcance do mar, Matizes do céu e da terra Fundem-se ao meu olhar. Ali, não há cheiro a maresia Nem areia quente e macia, Com sabor a flor de sal, Mas um mar ondulante de verdura Agitando os altos capinzais, Refúgio da fauna bravia. No ar, aromas fortes e quentes Dos doces frutos tropicais, E dos tufos de capim-gordura, Qual maná do chão brotado, Que apascenta o gordo gado. Do seio da terra aflora um grande rio, Que abre caminho para encontrar Meus sonhos cobertos de pura magia, Que eu deixei um certo dia, A pairar naquele lugar! São Tomé - Amora Susana Custódio - Sintra Meu Universo Como duvidar da existência de Deus Se Ele nos dá a Natureza exuberante O Sol esplendoroso O mar que lava a alma O céu sem limites As estrelas que brilham Como duvidar, Se Ele me deu a ti Filho querido Cujo amor Proporcionava alegrias Aconchego e paz infinita E dava à minha vida O brilho das estrelas, O calor reconfortante do sol E a sensação de profunda unidade E comunhão com o universo. Isabel C. S. Vargas Pelotas - RGS - BR

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 64 | Setembro / Outubro 2014 | 5 «Retalhos Poéticos» Convocatórias As convocatórias são incómodas. Primeiro para o redactor, pois… Como vou dizer isto de forma que isto diga aquilo acerca disto que penso e esteja mesmo de acordo com isto que quero, e seja mesmo isto que queria dizer..... Depois para o que assina, Em geral um Senhor doutor, Confiando de forma igual Pensando por bem que a escrita não está mal Despacha oficialmente, Como é natural Com uma assinatura importante. E depois a recepção… A ideia de ..senão…vais para a prisão. Ai é… é? Então é já! Ahahah... A pensão está garantida, Lá. Não faço mais nada na vida… Mas disse não! Mas se…. é assim também não. Isso de… não,… Não pode dar prisão. É que a prisão tem um problema: Está depois da detenção, Que está depois do agarrar, Que está depois do encontrar, Que está depois do querer, Que está depois do entender, Que está depois do receber, Que está depois do emitir, Que está depois do saber, Que está depois do pensar, Que está depois do necessário, Que devia estar como deve ser Conhecido para que Tudo isto que disse antes Possa depois acontecer. E se isso não se verificar, Ah, fica na estória, A convocatória e como não é a primeira, a culpa continua solteira. José Jacinto "Django" - Casal do Marco Nós Dois e o Mundo... (indriso) Por mais que nos queiram separados, Estaremos juntos e unidos no Amor. Nós dois contra o Mundo! Um "Mundo" de ilusões, falsidades, Que quer nos derrubar, porque, Não se conformam com a Felicidade Alheia... Algumas vezes, estaremos sós no Mundo. Perseverar é o que resta à memória nos lembrar... Nídia Vargas Potsch – RJ/BR Meus Professores Um quê de gratidão meu peito invade àquelas nobres damas ou senhores, que foram meus primeiros professores num tempo que hoje lembro com saudade! Nunca mais soube por quais sítios erra aquele que ensinou-me, tanta vez, as dúvidas cruciais do Português, a língua do Brasil, da minha terra! Da hipérbole, teorema, pi, cateto, a terminologia complicada, tive sempre, por mestres dissecada, desde Euclides a Tales de Mileto! Do Egito a Roma, do Brasil, enfim, dos povos todos me ensinaram a História; transmitiram-me a fala e a oratória do Inglês, do Francês e do Latim! Chove Lá fora o sol brilha Dourando as montanhas Dentro de mim As lágrimas escorrem Pelo rosto cansado E a noite é sempre Ainda Que lá fora seja dia Minha alma exangue Sem alento Sente chuva molhando Em agonia Pedaços de neve Preenchem este vácuo Donde foge a harmonia Lá fora O sol aquece a natureza Mas a chuva Dos meus olhos brotando Não me deixam Sentir alegria A Geologia destes chãos terrestres, Mais uma gota de chuva as ciências físicas, a Biologia, Lágrimas de desalento as leis que regem toda a Astronomia, E sorrir tudo isto eu devo a tão preclaros mestres! Ainda tento Talvez amanhã seja Vi em cada um o facho cintilante de um astro aceso em minha mente escura, Outro dia com a noite Na noite e o dia mas a pedra angular dessa cultura, Sempre dia eu já vos digo no quarteto adiante. Tinha seis anos, talvez pouco mais, quando à carteira, Dona Conceição pegou maquinalmente a minha mão e ensinou-me a grafar cinco vogais! Humberto Rodrigues Neto – São Paulo/BR Saudade, mãe Saudade de uma mãe dói, Ao lembrar que se foi Ultimamente, ao silenciar Dentro do seu quarto Aquele grito de querer ficar Driblando o espectro de um morto Expectante para a levar, mãe! Minha querida mãe Ao lado do meu pai, Entes que Deus vos tenha! Amália Faustino Praia – Cabo Verde Último livro editado da Confrade Rosélia M G Martins Rosélia M G Martins P.StºAdrião Folha outonal Aquela folha solitária, estremecida, De uma beleza rara, outonal, Ficou na vidraça da minha janela retida, Impelida pelo vento, debaixo do vendaval. Gotas de chuva, como lágrimas solidárias, Prendem à vidraça a frágil folha em agonia, Que contra as rajadas do vento se debatia. De súbito, senti uma profunda melancolia, E me insurgi contra o implacável tempo… Abri a janela, e, num rompante, Resgatei aquela frágil folha, que tremia, Porque eu, como ela, também um dia, Fora viçosa e irradiara encanto! São Tomé - Amora

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6 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 64 | | Setembro / Outubro 2014 «Confrades» Vindimas Chegou a altura das vindimas Ouvem-se cantigas de embalar E lá se aprendem umas rimas Para poder continuar a cantar As vindimas são uma festa Todos trabalham a cantar O homem puxa como besta Para os cachos acarretar As vindimas são dias de festa Ouvem-se cantigas ao desafio Trabalho, cansaço, nada molesta Grupos trabalham horas a fio! Nas vindimas ouvem-se rimas De galantes rapazes e raparigas Cantando fazem as vindimas Desafiando-se bonitas cantigas! Foi na festa das vindimas Que encontrei o meu amor Encantou-me com suas rimas Cantava como um trovador! Jorge Vicente - Suíça http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Vindimas do antigamente. Desceu a Princesa ao Talaminho Viu os forasteiros de vindimagem Foros d’Amora encurtou caminho Com homens, mulheres e miudagem… Os vindimeiros d’outrora diziam A uva d’Amora é periquita Abonos da verdade! Reflectiam: - Vinho Português! Marca subscrita! Adegas, com cantares de alegrias Fins de Setembro, armar às sombrias, Vira petisco! E copos de vinho… São Martinho…com prova d’água-pé Com castanhas… Ninguém arreda pé Beber por excesso, nessa não alinho Pinhal Dias – Amora / Portugal Vindimas Os cachos já estão maduros, As castas seleccionadas, Para o néctar mais famoso Que a terra e o sol criaram, E os homens celebrizaram. È época das vindimas: A azáfama começou Mal o dia clareou As uvas são vindimadas Pelas mãos das raparigas, Ficam nuas as ramadas, Ao som de lindas cantigas! São Tomé - Amora Houve, Há e Haverá Eras linda, és linda, sempre serás linda! Eras um espanto quando jovenzinha, aprimoraste com a idade e eu sei e sinto que no futuro muito mais linda serás. Quanta beleza houve, há e haverá nos traços do teu rosto... Quanta beleza há no teu pensamento... Tuas mãos são fadas no que traças, teu nariz se franze, gostoso no atrevido, tua boca tem mistério ao desvendar pensamentos, tuas sobrancelhas revelam o que vai dentro de ti, teus alvos dentes se abrem na alegria do riso. Me enebrio ao ouvir-te, me embriago no sempre olhar-te e quero gravar nos meus olhos todos os sorrisos que me diriges. Meus sonhos se debruçam sobre ti, meu olhar ávido sempre te acompanha, meu braço repousa no teu apoio, meu corpo ferve no teu! Te amo, minha mulher! Henrique Lacerda Ramalho Lisboa/Portugal Encontro Hoje, num impulso de tédio e desamor, ancorei numa praia há muito esquecida. Apenas para sentir o frescor de uma onda acariciante, a beleza de uma rosa montada na espuma, o sabor de um beijo morrendo na areia. Foi então que entre rosas e beijos à deriva, ondas volúveis e futilidades emergentes, meus olhos se abriram à magia do momento… Era o mar a trazer-te até mim, único, claro e inteiro, como insólito presente dos deuses. Busquei-te, sem saber… Pressenti-te, meu amor! Carmo Vasconcelos - Lisboa/Portugal

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 64 | Setembro / Outubro 2014 | 7 Confrade desta Edição « Carmindo de Carvalho » Se eu pudesse Se eu pudesse reeducava todos os ignorantes e todos os crentes que se fiam na tal coisa... e não correm. Todos aqueles que trocam votos por promessas. Promessa do paraíso! Promessa de casa nova! Que dão votos àquele porque tem a gravata mais linda! Àquele porque tem os olhos mais lindos! Àquele porque dá mais beijinhos a torto e a direito sem olhar a quem, (cada par de olhos é um possível voto a mais), nas feiras, em asilos, onde quer que tenha de ser! Àquele que fala bem, porque fala à doutor! Se eu pudesse reeducava todos aqueles que votam em foragidos à lei e suspeitos de crimes que estão sob a alçada da justiça, etc., mas o que eu queria mesmo, era morrer e voltar reencarnado num capador para os capar e assim acabar com a raça dos burlões e dos cúmplices que os elegem. Ou então reencarnar noutro Marquês Pombal, para fazer uma enorme varredela. Adorava ser vassoura. O sabor do livre O sabor do ser livre em pensamento Enquanto Não pagar imposto É o pouco que nos resta e dá algum gozo. Como vagabundo de sangue quente na guelra Por onde quer, livre, vagueia! Ri, chora Ama e odeia. E quando está cansado ao cérebro regressa. Como ave que cansada de tanto voar À sua gaiola regressa Para nela descansar. Sou louco Sou louco quando penso que te vejo e contudo sei que não te vejo . Sou louco quando sem te ter te quero e te desejo. Sou louco quando vejo as horas a passar e sem querer saber do peso da minha ânsia. Sou louco porque sei que passam , mas recuso aceitar o sabor da tua ausência . Sou louco quando num mutismo , em silêncio te espero. Ébrio, espero e continuo esperando . Sou louco por tanto já te ter esperado Tempo que foi de espera . Tempo que inevitavelmente decorreu . Tempo que nem sei o quanto do tanto que já passou. Sou louco ?! Por esta voluntária espera ? Que me importa ? Se me basta o saber que és o meu sol . O sol , que banha de luz e com o seu calor aquece a minha horta ! Sou louco nesta espera que em silêncio se cumpre como o fluir de água em rio calmo . Rio quase plano Quase horizontal que continua a descer até ao mar . Margens Margens Margens Por muitas margens Caminho Em muitas margens Vegeto. Por entre margens navego Por entre margens nado De umas Triste E desiludido Fugindo. Para outras Delirante Alegre Ansioso Tonificado Vou indo. Cada coisa é uma coisa Nada se compara a ti. Nada se compara a mim. Cada coisa, é uma coisa: que é, que foi o que foi, o que nós deixámos. Nada que eu procure te substitui. Nada que tu procures te levará integralmente a minha voz, o meu sorriso. Nada é igual a nada. Nada substitui nada, nem nada é totalmente insubstituível. Tudo abana, tudo cai. Tudo é feito de mudança. E com muitos, ou sem sequer um ai, o mundo pára pula e avança, como bola colorida na mão de uma criança. Nota: Sei que neste texto existem algumas palavras que foram escritas por António Gedeão e outras por António Manuel Ribeiro. Não foi minha intenção plagiar, mas somente porque foram estas palavras que eu precisei para melhor expressar o que pensei e quis dizer. Do meu livro - “Crematório de Consciências” “Onde há música não pode haver maldade.” – Miguel de Cervantes

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8 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 64 | | Setembro / Outubro 2014 «Confrades» É preciso É preciso pôr mão na evolução Que vai em frente, afoita, sagaz, Imponentemente com tanto mal atrás. É preciso urgentemente cercar-lhe o caminho Acorrentá-la como quem prende um burro Que avança em seara alheia. É preciso mão firme, Para tudo é preciso firmeza. Uma firmeza justa, digna, robusta. É preciso, é urgente Tomar outro caminho. Se for preciso, cabresto e chicote na lombeira… Como quem castiga um burro Que arruinou a sementeira. http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Estrela-Guia (Aos meus filhos) Quando um dia, filhos meus, eu vos deixar, Não chorem por meu corpo já cansado, Que já não pode ter-vos ao cuidado, Se é tempo de partir e descansar. Revejam-me no céu, já estrela-guia, Que do alto vos protege e por vós zela, Seguindo vossos passos, sentinela, A adoçar-vos a mágoa que angustia. Espalhem minhas cinzas pelo mar, Que sempre vossos pés virei beijar, Em ondas segredantes de carinho. E em seus murmúrios, hão-de ouvir, baixinho, Vindo da profundeza dos corais, Que zelo e amor de mãe são imortais! Carmo Vasconcelos – Lisboa É preciso pôr mão nisto, por mão na evolução, Que avança sobranceira pelo caminho dos milhões… Deixa para trás miséria E segue altiva rodeada de ladrões. Airesplácido - Amadora Chorar... chorar chorar chorar chorar chorar chorar chorar chorar a solidão da nossa vida o deserto da saudade a esperança já perdida é uma vital necessidade nossa terra prometida sempre essa é verdade no dia da triste partida hoje em qualquer idade Vocação Triste… Todos temos a vocação Que nem sempre é cumprida; Se juntarmos a educação Faz-se atalho rumo à vida. Nem sempre há afinação Nos contornos em que é tecida A vontade de dar a mão A quem sofre, sem medida. Por isso quero afirmar Perante o verbo amar Que vocação tem talento… Talento que se partilha Na pacata redondilha Que se quer um sentimento. Rosa Silva ("Azoriana") Caravelas Descendo o rio Tejo Saindo para o mar Lindas é como as vejo Velas enfunadas pelo vento a soprar Eram as caravelas Novos mundos a buscar Puxadas pelas velas Marinheiros a cantar Isso foi no passado onde as fui buscar Velas esvoaçantes madeira me estalando Velhos navegantes que não mais irão voltar. Memórias felizes envolvem o pensamento lágrimas descuidadas correm no rosto dor intensa atinge o momento com recordações intensas na lembrança... As tuas mãos, marcadas pelo tempo desaparecem no ínfimo da noite. Tristes sensações embaraçam como sanguessugas a realidade, ao sabor do vento, ao sabor da noite, dançam… desafiam a própria dor num embaraço profundo desorientando o teu calor. És sombra no caminhar. As tuas mãos calorosas aconchegam. Verdadeiras e sábias palavras Transmitem-nos coragem e valentia, Guia-nos no nosso dia-a-dia! Ana Alves - Porto chorar a nossa dorida mágoa que na vida tanto nos fez sofrer até os olhos cansados vertem água é preciso chorar chorar a valer essa pungente eterna mágoa de só com enorme saudade viver. Rosélia M G Martins – P.StºAdrião A minha família O meu Pai foi o meu pilar No meu crescimento e educação Com ele aprendi a ouvir e a respeitar E, aceitar os desafios com o coração. A minha Mãe foi a razão do meu existir Com ela aprendi a ser gente e a crescer A minha alegria, o meu choro e o meu sentir Foram a motivação de lutar e renascer. As minhas irmãs são as melhores amigas São elas que me escutam sem interesse, nem intrigas E, a família é o suporte para eu sobreviver com humildade. A minha filha é a motivação do meu viver Por ela consigo tudo ultrapassar e vencer E aceitar a minha condição de Mãe com dignidade. Ana Santos - Vilar de Andorinho Maria Aparecida Felicori – Vó Fia Nepomuceno Minas-Gerais Brasil

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 64 | Setembro / Outubro 2014 | 9 “Cantinho Poético” (Poema dedicado a todos os meus amigos pelo mundo dispersos) Perfume da Amizade Ensaio sobre a Tristeza De estio vestiu-se o dia e eu gelado Implacável a dor manteve-me acordado Até que com promessas de calor O sol vem sacudir-me a letargia Mas esta mão inerte nega a guia Do meu frio coração morto de dor E assim renego o verso salvador Que a tristeza é demais e o desamor Inda me zurze a alma desumano Fustigando-me a esperança envergonhada De nada serve quere-la alevantada Na frustração lhe pesa o desengano Horas passam imunes à razão Que teima que a poesia é solução Na tarde já emerge o sol poente E o olhar volta a cair na pena Mas a dor inda não é pequena P’ra que me dote o gesto tão dormente Cai a noite e o seu manto estrelado Cobre de brilho novo este meu fado E a mão ligeira como por encanto Faz alçar-se da mesa a pena leve Que desliza num verso inda que breve Para contar a história deste pranto As Árvores Morrem de Pé Outrora foi vida Mais que amada; desejada Mais que folheada; floreada Mais que verdejante; refrescante Uma princesa da floresta Uma rainha da sombra Foi vida…vivida E deu imenso E tanto que ofertou Sempre presenteou…tanta vida! Agora nua e triste É um resto de tronco escuro Despida num casco enrugado Carregado de fendas São as marcas de um passado Agora…ali, em tons de secura profunda Habita apenas a solidão e o abandono Hoje…somente, um palco de cortes Um misto de golpes Um punhado de rasgos Já não vive das estações do ano Desconhece a chuva, sol e vento Habitando nela apenas…o silêncio! Mas sempre… sempre de pé! Neste meus versos queria A amizade perfumar E em jeito de poesia Aos amigos dedicar. Belo e nobre sentimento P’los seres humanos vivido É da alma o alimento P’ra dar à vida sentido. As palavras de amizade P’los amigos proferidas São véus de felicidade Que iluminam nossas vidas. Quantas vezes terapia Que enternece o coração E em centelhas de alquimia Ameniza a solidão. A amizade é qual riqueza De grande preciosidade É maior que a natureza Não tem tempo nem idade. Uma amizade sincera Não se compra nem se vende É união que se gera E uns aos outros nos prende. Amigos são a família Que nós seleccionamos E estão sempre em vigília Quando deles precisamos. Que esta força a que me prendo Com tanta afectividade Continue sempre mantendo O PERFUME DA AMIZADE !... Euclides Cavaco - Canadá Eugénio de Sá - Sintra Luís da Mota Filipe Anços-Montelavar-Sintra-Portugal Semeadura Semeando o que de mim, melhor havia No percurso tortuoso, por onde passei Pela incansável jornada, em que tentei Transformar as sombras em claros dias Com lágrimas de tristeza ou de alegrias Pelos meus caminhos, eu as alimentava Observava, radiante, a folha que germinava Nos verdes tons, pela esperança que surgia Em protetora sombra, transformada A acobertar com meu materno aconchego Dos vendavais que até a mim causavam medo Por profundas raízes, altaneiras, ancoradas Soergueram-se árvores fortes de ventura Onde colho o doce néctar, de minha semeadura Maria Luiza Bonini - SP / Brasil Ouvindo o solo das guitarras Portuguesas Se ao som de um fado, cada tom traduz, em ondas, A emoção da tua dor mais amorosa, Choras a dor da forma mais silenciosa. Dentro do amor mais sedutor com que te sondas. Se a voz embarga no instante em que tu cantas E desencantas a canção quando tu choras, Tu te sublimas na canção que revigoras E aprimoras teu amor, quando te encantas. Chorando mares, tu diluis teus oceanos Dentro do pranto dos anseios lusitanos De navegar, ouvindo o solo das guitarras, Pois se no fado, o teu amor faz moradia, Tu te embeveces, navegando a fantasia, Quando teu barco português solta as amarras. Luiz Poeta - Luiz Gilberto de Barros

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10 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 64 | | Setembro / Outubro 2014 «Bocage - O Nosso Patrono» “A Maré das tendinites” Mote: A maré das tendinites E do supra espinhoso… Nos ombros, fortes nevrites Num período doloroso! Glosas: A maré das tendinites Que vem do passado verão Me ultrapassa os limites, Da boa disposição! Nos braços e seus tendões E do supra espinhoso… São várias inflamações, Neste período manhoso… Faltam-me os apetites Até para caminhar! Nos ombros, fortes nevrites Que me estão a castigar! Até o computador Avariou desvirtuoso… Juntando-se à minha dor… Num período manhoso! João da Palma - Portimão O Bem e o Mal O Mal… Caminhando …. Subtil… Pé ante pé … Chega. Elegante fato, Bengala, Gravata… Libré. Corteja. Sorri. Provoca. Gota a gota … Se vai entranhando … O Bem… Brisa suave. Sopra… Quando menos se espera… O coração… Regenera … Trigo e joio da criação!!! Filipe Papança - Lisboa Não somos diferentes uns dos outros nos delitos morais que cometemos, porém, nem sempre toleramos noutros as falhas que pensamos que não temos! Por que devemos, oh, Senhor, viver presos ainda a tanta imperfeição, se nunca damos pronta execução àquilo que Jesus nos fez saber? Escravos de lições mal aprendidas não há outro credo que nos cure ou sare; cursemos, pois, as aulas de outras vidas até que a perfeição nos equipare. Se queres na tua firma preeminência, aprende a obedecer os que têm mando; quem se esquiva às lições da obediência jamais vai aprender as de comando! Humberto Rodrigues Neto – SP/BR A Ironia do Destino Já tão longe e tão distante!... Do tempo que eu fui criança Na vida tinha esperança Que se foi de mim libertando Muito na vida sofrendo Mas criando mais-valia Trabalhando noite e dia De manhã até ao sol-posto Nem sempre bem-disposto Nesta vida quem diria. Comecei novato a trabalhar!... Muita coisa passou por mim Amor ao trabalho isso sim Gostava do que fazia se calhar Ainda recebi honrarias Que me deram alegrias Pelo trabalho honrado Com decoro desempenhado Ainda hoje tenho nostalgia Do meu trabalho que fazia. A velhice bateu á porta!... Já me sentia cansado Actualmente reformado Pouco nada já me importa Nem quero cavar na horta Já dei toda a minha mais-valia Embora tenha nostalgia Desse percorrido caminho Que fiz posso dizer sozinho Mas fi-lo com grande alegria. Deodato António Paias - Lagoa Buscando a Felicidade No Condicional E quando o verso se entrosar no mote E quando as flores, enfim, forem beleza Então o estro far-se-á certeza Nascerão rosas do caule precoce. E quando tu, amor, te consertares Com o almo que outrora te moveu Ah, então renascerei, serei mais eu Ao conhecer-te o riso, por me amares. Mas não são fáceis os alvores do dia C’o a densa bruma que paira no prado Cada manhã que és doce fantasia. Menos nos dói, se ausente, o ser amado Que vê-lo sobranceiro, em euforia, Sempre ignorando que estamos ao lado. Eugénio de Sá - Sintra Tardes De Agosto As folhas secas se desprendem empurradas pela brisa... e caem como em choro — lágrimas secas dançando lentas de cá pra lá ondeando no ar... O Espraiado anda magrinho soprando notas surdo-mudas em sua flauta de pedra. Já vem caindo chocolate em pó bem fino na última luz do dia. Dias curtos, noites longas, longas e frias. Ponho umas achas para arder — curtição de poeta... Gosto de olhar para o fogo — vejo nele o por dentro das coisas: o fogo é a alma do universo. Entre gestos de sombras a lareira crepita... e esta saudade, esta saudade com arrulhos de sedas (que finjo não ter de ti) é infinita — sim, ela te desenha nas labaredas que me vão aquecendo. Laerte Antônio Casa Branca-SP-Brasil

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 64 | Setembro / Outubro 2014 | 11 «Tempo de Poesia» Portugal e o pôr-do-sol Como é belo o pôr do sol Se fôr visto em Portugal O céu lindo e avermelhado E eu aqui sentado Longe, da minha terra natal Também não vejo há muito O pôr do sol no Alentejo De ver nascer o dia Como na minha terra via Mora em mim o desejo Faz sentido o pôr do sol Se é visto em portugal Tanta beleza encerra Se é visto na minha terra Tem beleza sem igual Não vivo arrependido De tudo o que conheci Muito tenho já corrido, Mas mora no meu sentido O pôr do sol onde nasci. Chico Bento Dällikon – Suíça Écloga Meu Barquinho (Fado: Música: Marcha do Alfredo) Milagre da vida O nascimento de uma criança É considerado um milagre da vida Quando ela é motivo de esperança Numa relação de Amor bem conseguida. Mas, nem todas são amadas e desejadas E vão crescendo sem carinho e sem Amor Vítimas de violência são gravemente maltratadas Sem justificação para tanto ódio e tanta dor. Uma criança que paga a fatura para sobreviver Aprende cedo demais a suportar o seu sofrer Numa luta constante de revolta enfurecida. As lágrimas teimam em deslizar pela face magoada Dos maus tratos recebidos e sem ter culpa de nada Numa resignação reprimida mas não vencida. Ana Santos - Vilar de Andorinho Quem És Tu, Bom Trovador? Quem és tu que tão bem cantas e que as donzelas espantas com este cantar de amor ? Vens da medieva idade ou, para falar verdade, é mais velho o teu fulgor? Saís-te de um Amadis ou da trova de um Dinis que foi referência maior? Neste Portugal amante talvez sejas um Infante Quem és tu, bom trovador? Eugénio de Sá - Sintra Eu já nasci cansado Por muito procurar te encontrei naquela serra amiga onde moravas! Não sentia cansaço e me alegrei ao ver-te linda, como estavas. Não perdi o tempo que ali andei. Te olhei e abracei com todo o ardor, demos largas ao nosso coração. Venceu a certeza dum imenso amor! Outros dias, por certo, se seguirão... Dia-a-dia aumentando o seu valor. Voltei feliz, mas também já saudoso! Ali ficavas naquele ermo, tão distante... muito embora num lugar delicioso onde te criaste- doce amante! Caminhando a sós, menos ansioso, dentro do meu peito em desatino se acoitava um pobre coração! Foi assim que quis nosso destino. Lá longe, já distante, uma canção que eu quisera fosse o melhor hino. JGRBranquinho Monte Carvalho- Ribeira de Nisa Meu barquinho, para onde vais, Que levas brancura nas velas, Que colhes bonanças e vendavais, E já não podes passar sem elas? Meu barquinho, são os teus ais, Quando dizes gostar mais delas, - Ondas que roçagam teus taipais-, Do que das lautas caravelas? Meu barquinho, não é grande, não, Não tem ornamentos nem vigias, E até a quilha é feita de papelão… Mas quando vai no vento suão, De velas dadas, sua condição, Leva consigo todas as fantasias. Fui um dia passear E resolvi descansar Á sombra duma azinheira. Levei o dia deitado, Mesmo assim fiquei cansado, Mas que grande trabalheira Fui caracóis apanhar; O que havia de inventar. Não imaginam se vissem. Eu arranjei um cajado Meti-o no chão espetado Á espera que estes subissem Falei com Americanos, P’ro Kwait, fiz planos E então, decidi um dia. Oferecer-me p’ro Iraque, Evitar qualquer ataque E manter a calmaria. Eu nunca a mola verguei… A trabalheira que dei, Estar sempre desempregado. Vou meter tudo na norma, E antecipar a reforma, Porque já nasci cansado!... Jorge Humberto - Stª Iria D’Azoia Do Alentejo que gosto tanto, fui para a Póvoa dos meus Netinhos, a maresia é de rara essência, a minha alegria é de repartir. João da Palma – Portimão José Jacinto "Django"

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12 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 64 | | Setembro / Outubro 2014 «Trovador» No rescaldo da palavra Seja real o meu fervor Na palavra que se cria, Que ela seja uma flor Na jarra da Confraria! A palavra que escrevo Na brasa do pensamento… No papel se dê relevo Nem que seja um só momento. Há palavra permanente Nas marés do coração, Onde para tanta gente É quente satisfação. O calor que me trespassa Dentro de quatro paredes Seja o mesmo que me abraça No painel de vossas redes. Ao calor junto humidade Porque a humidade existe No campo ou na cidade, Na palavra que subsiste. Há calor com arrepio E há arrepio sem dor Quando o forte desafio É palavra de amador. Rosa Silva (“Azoriana”) “Uso a Palavra” Comecei a fazer versos Com as palavras do povo P’ra responder aos perversos, Faço sempre um verso novo! Se me espicaçam a veia, Nunca me sinto aflito Tenho sempre uma mão cheia… Para qualquer erudito Uso as palavras dos Montes, Das Aldeias, das Cidades E vou beber nessas fontes… Os vocábulos das verdades! E na minha Academia Da vida, d’onde advém… Faço a minha poesia Sem copiar por alguém! Esteja eu bem ou mal disposto, Não me importo com ninguém Faço os poemas de que gosto E onde podem ficar bem!... João da Palma - Portimão Temperança Não se deve amar demais Pode causar sofrimento Nascem sempre vendavais Quando há excessos de vento. Quando o amor faz sofrer Na vida desilusões É talvez por se exceder Em supérfluas paixões. Tem que haver moderação Sem ser amor doentio E na sua dimensão Ser perene como um rio. Quando o amor é traído Tal traição pode gerar Num coração que é ferido Motivo para odiar. Nunca deixes que o ciúme Controle todo o teu ser Cala na alma o queixume Por amor sabe sofrer. Ama como se algum dia Tu tivesses que odiar Faz do ódio ironia Podes voltar inda a amar !... Euclides Cavaco - Canadá Palavras Quantas palavras bonitas A nossa língua possui, Quer faladas ou escritas, Sempre o sentir as inclui. O escritor as faz brilhar Em narrações criativas, O poeta as quer cantar Em estrofes exclusivas. Simples, ágeis, coloridas Descrevendo a natureza. Outras intensas, sentidas Em memórias de grandeza. Velas vogando no mar No animado verão, O passarinho a piar Faz jus à inspiração. E as palavras seguem breves, Carinhosas, radiantes, Algumas 'inda mais leves, Delicadas e tocantes. Assim flui a língua amada, Orgulho de todos nós, Famosa e bem tratada Desde o tempo dos avós. Maria Fonseca -Lisboa Algumas pessoas pensam que estão sempre certas, outras são quietas e nervosas, outras parecem tão bem, por dentro elas devem se sentir tristes e erradas, outras se isolam para esquecer, enquanto outras se aproximam para sofrer, outras falam para machucar, algumas se calam para não magoar, embora sejam tão diferentes, todas tem algo em comum, não tem certeza de quem realmente são ou do que querem ser. (Charles Chaplin) Os Barcos Rabelos Lá vêm os barcos Rabelos Todos pr’os lados de Gaia; É sempre bonito vê-los Quando voltamos à Maia. Vão carregados de pipas Cheias de Vinhos do Porto. Levam também muitas rimas De cantigas pra conforto. Vindimas são uma festa, Desafios e cantar Alegria como esta, Vindimas são de encantar! Lá vêm os barcos Rabelos Com Porto e muita Saudade, Por vezes com pesadelos E com bastante ansiedade! Jorge Vivente – Suíça Eu casei à moda antiga Eu digo nesta cantiga depois de tanta coisa ver eu casei á moda antiga casei com uma mulher Não quero ninguém criticar nem sou pessoa fingida para melhor desabafar eu digo nesta cantiga Dou a minha opinião deixo o meu parecer que algo está mal então depois de tanta coisa ver Tanta modernice vendo e cerimónia fingida logo assim fico dizendo eu casei á moda antiga Nâo quero ninguém magoar com o meu simples parecer no civil e no altar casei com uma mulher. Chico Bento - Suíça

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 64 | Setembro / Outubro 2014 | 13 «Poemar» Os Meus Castelos Em criança castelos construía Na praia, junto da orla litoral Embriagada numa fantasia... Da inocência feita de cristal! As ondas num vai- vêm, em rebeldia Destruía-os com mil beijos de sal... Sem se importar com algo que eu fazia Roubavam meu brinquedo original! Então eu, vislumbrava no horizonte O mais lindo castelo lá no monte... Era como a minha onda passageira... Aprendizado Aprendi com a dor Que só tem real valor Os momentos vividos As palavras trocadas Os sorrisos de alegria As lágrimas de felicidade Os beijos sinceros Os afagos fraternos Os abraços amorosos Os olhares que enxergam a alma Os gestos espontâneos De cuidado, amor e generosidade. Poetas somos todos O poeta deseja o que desejas, Sofre como tu sofres, é igual E faço este poema p’ra que vejas Que somos iguaizinhos, tal e qual. Nasci sujo e preso p’lo umbigo, Chorei, sujei as fraldas e cresci, Tal como sucedeu também contigo, Portanto…tudo igual, até aqui… Tu choras, ris e amas, eu também, Sofres se vês sofrer, tal como eu faço, Tentas fazer feliz quem te quer bem E gostas do conforto de um abraço. Não passas ao papel tudo o que sentes, Mas gostas que o poeta to transmita… Podes ver que não somos tão diferentes, Todos somos poetas, acredita!... Carlos Fragata - Sesimbra Silêncios Silêncios que emanas me levam a graça Guardada na taça das horas de orgia. Agora não sei encontrar alegria E o sonho, sentido, a dolência o amassa. Não ouço os teus passos na noite devassa, Trazendo as fagulhas do fogo que ardia. Minha alma é agora quimera vazia E tempo de infância, que quase não passa. Partiste tão cedo do mar que era nosso, Apenas na mente ficou um esboço De beijo calado com riso sincero. Ficou-me a esperança nas vozes do vento, Magia no sopro de algum sentimento, E todos os dias, à noite te espero. Glória Marreiros - Portimão Ausente de Mim Meus pensamentos, aves vagueando No espaço do meu ser ilimitado; Devaneios que m'invadem em tornado, Universos de anseios que comando. Num cenário de visões, eu vou rolando, Outras vivências, tecem seu toucado, Com o irreal minh'alma faz noivado, Mundos de sonho vai edificando. Tenho o que não tenho, sou o que não sou, Faço o que não faço, vou onde não vou, Ausente de mim, sou outra mulher Beijo os lábios ardentes da poesia, Deito-me nos lençóis da fantasia, E deixo esta magia m'envolver. Anabela Dias – Paivas-Amora Ser poeta Ser poeta é sentir As palavras que escreveu Ser poeta é recordar Os momentos que viveu A poesia é cultura Faz parte do talento Escrita com sentimento Sentida com alma pura Se dita com amargura Quando se está a transmitir Para quem gosta de ouvir E a saiba apreciar É um meio de comunicar Ser poeta é sentir Poetas bem conhecidos Deixaram recordações Os Lusíadas de Camões Foi o mais distinguido Por isso não é esquecido Da época que viveu No ano que faleceu Ficou a sua herança Para todos a lembrança As palavras que escreveu Miraldino Carvalho Vale figueira Amor exige Amor Quanto mais sofro mais gosto de ti Mais a minha vida te compreende! Na tua mística muito senti, És tu, amor, o ser que me entende! Não conheço outra força tão igual, És quem mais me protege com carinho! Foste e serás quem me desvia o mal, Não me deixando navegar sozinho! Oh! Eterna companhia adorável Sempre me deste sensação saudável E fizeste de mim, pedra angular! Foi a tua Luz que me iluminou E foi por ti que ainda cá estou Para mais continuamente, te amar! Bento Tiago Laneiro – Amadora Não tinha as minhas ondas mais ladinas, Isabel C. S. Vargas Era um velho castelo que em ruinas Pelotas - RGS - BR Acenava de amor, rubra Bandeira! Maria Fraqueza - Fuzeta Continuar - Poetrix A remover os escolhos Da senda tortuosa que um dia Permitirá abraçar-me a ti Susana Custódio - Sintra “Falar sem aspas, amar sem interrogação, sonhar com reticências, viver sem ponto final.” - (Charles Chaplin)

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14 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 64 | | Setembro / Outubro 2014 «Confrades» Por que Por que Eu não te declarei o meu amor Naquele tempo ingênuo ? Por que Eu emudeci o coração Quando deveria ter dito: EU TE AMO ! Por que Eu guardei tanto tempo Este segredo no coração ? Por que Eu prendi tão poucas palavras Que tinha para te falar e nada falei ? Por que Ocultei sentimentos e tranquei o coração Acreditando que não querias juras ? Por que Atormentei tanto a minha alma Fazendo-a sofrer sem nada entender ? Por que Eu roubei os meus próprios sonhos Ouvindo apenas a razão e não o coração ? Por que Eu presumi que decifrarias o meu amor Apenas pelo meu jeito de te olhar ? Por que Fui tão tola ao acreditar no impossível Pensando que me amavas ? Por que Eu julguei que tudo entre nós fosse eterno Que nunca iríamos nos separar ? Por que ? Por que ? Por que ? Você foi tudo para mim E eu tudo para você ! Por que Todos os porquês ficaram sem definição O vazio da alma deixou o coração em explosão ! Socorro Lima Dantas - Recife, Pernambuco, BR Tempos de criança Como poço esquece-la se a amo tanto. Como não me lembrar dos seus carinhos, Como éramos felizes quando vivíamos juntos, Eu era tão feliz como um menino. Hoje vivo triste sem amor, Estou sem aquele carinho, Tão querido! Na verdade beijos outras bocas, Mas que não tem o mesmo sentido. Ah! Se pudesse voltar aos tempos idos. Tempos esses de paz e bonança. Tempos esses que depois do amor, Nós fazíamos coisas de criança. Vivaldo Terres – Itajaí - Brasil http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Poema sobre a Pobreza Lutar contra a pobreza É uma luta estimulante É ter na vida a certeza Fazer algo de importante. Vivem com dificuldade Na pobreza encoberta De ajudar á necessidade Muita gente o protesta. Viver em plena consciência Nunca praticar hipocrisia Ter com os pobres paciência Dedicar-lhe amor e simpatia A velha família tradicional Há tempo descaracterizou-se Agora é assim em Portugal A família desmoronou-se. Há quem viva na solidão Pouco ou nada para comer Vive uma vida compaixão Que muita gente está a ver. É um cenário deprimente Fora da justiça social Vive assim muita gente Infelizmente em Portugal. O combate á pobreza É uma urgência nacional Vamos fazê-lo com firmeza Não queremos fome afinal. Deodato António Paias Lagoa Uma flor chamada margarida (Para Rute Margarida Rita) Dá-me uma flor Da mais branca De todos os jardins Porque hoje é dia... De amar-te Meu sagrado amor Quero-te como uma flor... Delicada e breve... Pois hoje dia de amar-te Da forma mais voraz... Da forma mais profana Quero-te agora meu amor Samuel da Costa – Itajaí/Brasil Prisioneiro Sinto-me encarcerado na solidão do meu ser por nuvens cobertas de sons na amplidão do Universo É a razão de uma grandiosidade pelo infinito da minha alma que transpõe barreiras no suavizar de um violino É a sonoridade de um Beethoven na alegoria da nona sinfonia são os cânticos celestiais que transpõem o meu ouvido São bocejos alegres da orquestra através do meu jardim onde me encontro perdido no soar das pétalas de uma rosa. Pedro Valdoy - Lisboa Bom Dia Sol de Hoje Bom dia Sol de hoje Preguiçosamente despontas Como se não queres trazer teu calor E eu muito embora transpire Dele preciso para poder sorrir Vem Sol... Vem e caminha Caminha e vai... Vai meu Sol Vai que certamente vais encontrar O meu coração ali desapareceu Sabes Sol num dia como hoje Em que tu preguiçoso estavas Descuidado fiquei e sem dar por mim Perdi o meu coração e o meu amor Só tu o podes encontrar Se tu o veres... Diga-o apenas que volte Que volte e venha me ver Pois sem ele nada mais foi o mesmo Nem eu,. . Nem tu... Nem a vida Que se tornou insípida e SEM SENTIDO Retalhos domésticos Todos temos uma história Que tem suma importância Começou na nossa infância E vai juntando memória. Nem sempre há de ter glória O que se faz com distância Nem nos trará abundância Agruras de vã vitória. Só o pouco que nós temos, Se feito de amor e gosto, Brilhará ao ser exposto. Mas de tudo o que fazemos No doméstico retalho É memória de trabalho. Rosa Silva ("Azoriana") João Furtado – Praia – Cabo Verde

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 64 | Setembro / Outubro 2014 | 15 «Faísca de Versos» Viragem Num fausto enorme políticos gordos discutem "A Fome" em grandes banquetes... Já bem saciados trocam galhardetes e as nossas crianças morrem como tordos. E nessas andanças e grandes repastos também os Ministros mais inteligentes criam novas leis... Tudo a bem das gentes! E os já muito pobres viram indigentes. Assuntos bem críticos para os nossos políticos... Que na opulência fazendo sermões pregam decência juntando milhões. Fazem campanhas tecendo artimanhas em discursos frios... E os idealistas e sonhadores de bolsos vazios seguem seus Senhores. Nesses percursos de discursos ocos prometem Saúde boa Habitação e Moralidade... Mas, na realidade, velhos e doentes vão morrendo aos poucos e os pobres sem casa dormindo no chão. Muitas entrevistas em grandes Revistas conversa fiada... Trepando aos poleiros não resolvem nada. É hora de escolha! É tempo de acção! Vamos lá ter dó! Um pouco de tino! Entregue-se a "HOMENS" o nosso destino! “Que Salgadeira” Esconde a fortuna, o salgado Na ásia, longe do país! Dinheiro que foi desviado, Sem nunca ser controlado E, ninguém mete o nariz… Levou para Singapura Trinta milhões, aflito! Já viram a criatura… Leva daqui a fartura, E deixa-nos um manguito… Neste mundo dos cifrões… Poucos levantam a voz! Eles é que são os ladrões, Levam daqui os milhões, E os piratas somos nós? E assim neste condado… Que se chama Portugal! Com o euro ensalitrado… O povo é que está salgado Por um Salgado sem sal! Com sal a mais temperado O país em desespero! Tem de ser p’ra já cortado, Esse eminente Salgado Que nos azeda o tempero! Portugal país de raça. Portugal país de raça História de nobre povo P’la demanda que nos faça Melhorar no Ano Novo Portugal de marinheiros Padrão de descobrimentos Foram sempre os primeiros À vela, de mil tormentos Portugal acolhedor Vence clima favorável Tem um povo sofredor P’lo mundo é admirável Portugal tem boas vinhas Produz vinho estomacal A refrescar as alminhas Com festa cerimonial… Hoje? Portugal roubado Políticos entachados Tudo fora derrubado Na sobra dos indignados Pinhal Dias – Amora Meu país está doente João da Palma – Portimão Eu te peço, Santo António! (Réplica a um poema da "mana" Maria Vitória Afonso) Poetas que cantais o meu País, Rezai também por ele, que merece, Pois dia a dia sofre e adoece E, à míngua de pão, é infeliz... Não deixeis que esmoreça vossa prece E defendei a paz que o povo quis, Esta Nação merece ser feliz E curar-se do mal de que padece! Um século depois da monarquia, Os que viam no Rei um ditador Requereram p’ra si a mordomia, Vivem hoje no luxo, no esplendor, Fingindo crer numa democracia Que definha, coberta de bolor!! Vê se acordas, Santo António! Ouve bem o meu conselho: Manda p’ra longe o demónio Chamado Passos Coelho! O povo está num inferno Com o governo que tem Por isso, leva o governo E o Cavaco também! Já agora, se não t’importas, Faz a limpeza total: Não deixes ficar o Portas Para limpares Portugal! Carlos Fragata - Sesimbra Deputados? Tretas. Fernando Reis Costa - Coimbra Eis a chocadeira de ovos… Pintos? Deputados? Tretas! Que esgalga a alma dos povos, Com golpadas de omeletas Carmo Vasconcelos - Lisboa “Às vezes só precisamos de alguém que nos ouça. Que não nos julgue. Que não nos subestime, que não nos analise. Apenas nos ouça” - (Charles Chaplin) Pinhal Dias (Lahnip) – Amora

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