Revista Figuras&Negócios #152

 

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Revista Figuras&Negócios #152

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O CARTA DO EDITOR onde o BES tem uma das suas ramificações- o BESA, cujo prejuízo, com toda esta crise, envolveu biliões. O Banco Nacional de Angola foi obrigado a intervir. Trata-se de um assunto, que, no seu todo, mereceu um dossier volumoso de reflexões na presente edição, em que destacamos outros assuntos relacionados com a vida política, económica, social, desportiva e cultural do país, num momento em que o seu presidente, José Eduardo dos Santos comemora setenta e dois anos de idade; motivo para, como é por aqui comum, fazer-se uma maratona de inaugurações de empreendimentos. É um momento de exaltação à sua figura como estadista, ultimamente muito interventivo na procura de soluções dos conflitos um pouco por todo o lado espalhados pelo continente africano, nomeadamente nos Grandes Lagos. Nos últimos meses, Angola registou uma série de actividades diplomáticas, recebeu chefes de Estado de vários países para colher a experiência de Dos Santos, um dos líderes africanos com mais tempo no poder e que preside a Comissão dos Grandes Lagos, provavelmente a região mais explosiva da África subsahariana. Malanje e a sua história, as suas belezas naturais, os seus mais fortes estilos de danças tradicionais,enfim, uma incursão ao seu envolvimento multicultural à escala regional e nacional transformam esta província num postal turístico fantástico que o caro leitor poderá apreciar nesta edição. No capítulo desportivo, trazemos uma reflexão sobre os jogos da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa, para além de destacarmos uma visão mais alargada do nosso sistema financeiro já numa outra das muitas rubricas que a nossa/ vossa revista possui. Boa leitura! escândalo que rebentou no Banco Espírito Santo (BES) continua na ordem do dia,apesar de uma intensa campanha publicitária encetada pelos actuais administradores para que, paulatinamente, se venha a salvar o que resta da imagem de um império mergulhado na lama quando perdeu liquidez avaliada em mais de três mil milhões Euros. Por arrasto, outros segmentos do banco português foram caindo como se de cartas de um baralho mal sustentado se tratasse. O Banco de Portugal interveio, sob uma enorme pressão popular, com um investimento de 3.5 mil milhões, mau grado os gritos de indignação dos contribuintes do Estado. Reina um clima de desconfiança, nomeadamente sobre a identidade real dos pagantes da crise que abalou um sem número de empresas, parceiras e filiais espalhadas por diversos países do mundo. Angola é um deles, 4 Figuras&Negócios - Nº 152 - AGOSTO 2014

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7. EDITORIAL PAZ, CIDADANIA E RECONCILIAÇÃO 16. LEITORES A MAKA DAS PONTES AÉREAS NA "230" 19. PONTO DE ORDEM SER ANGOLANO 20. POLÍTICA HOLOFOTES FOCADOS NO PRESIDENTE EDUARDO DOS SANTOS 22. PAÍS UM MOSAICO APAIXONANTE 28. FIGURAS DE CÁ 33. MUNDO REAL UMA VIDA DEDICADA AO JORNALISMO 41. NA ESPUMA DOS DIAS ...FRUTA PINHA E MANGAS, COMIDAS COMO ANTIGAMENTE! 42. CULTURA O FENÓMENO BINGE-WATCHING DE ASSISTIR SÉRIES TELEVISIVAS 68. PUBLICIDADE REDIGIDA INAUGURADO CENTRO DE FORMAÇÃO TÉCNICO-PROFISSIONAL EM CABINDA 72. CONJUNTURA A CHAVE DO PLANO NACIONAL DE QUALIFICAÇÃO DE QUADROS 80. MUNDO TERÁ SARKOZY ENCONTRADO O SEU WATERLOO? "AS CIDADES TÊM UMA HISTÓRIA QUE DEVE SER PRESERVADA" PÁGINA ABERTA 10. SOCIEDADE 36. UM SURTO AO PÉ DA LETRA EM ÁFRICA MODA & BELEZA NATURALISTAS 92. CAPA: BRUNO SENNA FIGURAS DE LÁ Figuras&Negócios - Nº 152 - AGOSTO 2014 100. 6

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VENDAS SUSPEITAS E ANGOLA NO CENTRO DOS PROBLEMAS ECONOMIA & NEGÓCIOS 48. 88. 104. BRASIL "FALOU" MAIS ALTO E DOMINOU OS OUTROS FALANTES DESPORTO RECADO SOCIAL CABINDA NÃO MERECE TANTA TRAPALHADA NOS VOOS… Figuras&Negócios - Nº 152 - AGOSTO 2014 Publicação mensal de economia, negócios e sociedade Ano 15 - n. º 152, Agosto – 2014 N. º de registo 13/B/97 Director Geral: Victor Aleixo Redacção: Carlos Miranda, Júlia Mbumba, Mário Beirolas, Sebastião Félix, Suzana Mendes e Venceslau Mateus Fotografia: Nsimba George e Adão Tenda Colaboradores: Édio Martins, Juliana Evangelista, João Barbosa, Manuel Muanza, Rita Simões, Wallace Nunes (Brasil), Alírio Pina (Cabo-Verde) e Crisa Santos (Moda). Design e Paginação: Humberto Zage e Sebastião Miguel Publicidade: Paulo Medina (chefe) Portugal: Assinatura e Publicidade Ana Vasconcelos Telefone: (351) 914271552 Secretariado e Assinaturas: Katila Garcia Revisão: Baptista Neto Londres: Diogo Júnior E16-1LD - tel: 00447944096312 Tlm: 07752619551 Email: todiogojr@hotmail.com Brasil: Wallace Nunes Móvel: (55 11) 9522-1373 e-mail: nunewallace@gmail.com Produção Gráfica: Cor Acabada, Lda Tiragem: 10.000 exemplares Direcção e Redacção: Edifício Mutamba-Luanda 2º andar - Porta S. Tel: 222 397 185/ 222 335 866 Fax: 222 393 020 Caixa Postal - 6375 E-mails: figurasnegocios@hotmail.com artimagem@snet.co.ao Site: www. figurasenegocios.com 7

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PAZ, CIDADANIA E RECONCILIAÇÃO o mês de Agosto, o trinómio paz, cidadania e reconciliação nacional mereceram honras de primeira página com debates acesos no parlamento nacional. E pela importância que encerram, quando se trata de criar um cenário ideal para que Angola possa caminhar em estradas seguras para o desenvolvimento sustentável, é justo que se aplauda a iniciativa. Sobretudo quando os debates na casa das leis conheçam urbanidade e muita responsabilidade como o assunto merece. No tocante à Cidadania, falou-se da necessidade de se rever a Lei da Nacionalidade, à luz da nova Constituição, apurando-se os mecanismos para que essa questão de quem é e deve ser angolano não seja tão banalizada como já se verifica, sabendo-se mesmo de negócios que também imperaram nesse campo. E o assunto é grave, pelo que merece, acima de tudo, uma atitude patriótica dos fazedores das leis de forma a evitar que com este andar os angolanos possam estar misturados e serem mesmo relegados para um segundo plano na sua própria pátria. Se calhar, adivinhando a apetência evidenciada em sectores importantes do País para a vontade de se fazer de Angola uma espécie de País neocolonizado, o primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto já alertava que "se não nos acautelarmos, corremos o risco de um dia termos em Angola uma bandeira, um hino, um Presidente negro mas não sermos donos do nosso próprio destino." Não se chegou ainda a esse ponto, mas não se ignora que tem havido atropelos graves, o mercantilismo há muito faz morada no seio de órgãos que devem cuidar da questão da atribuição de nacionalidade, pelo que é oportuno blindar a Lei para que nesse campo o dinheiro não fale mais alto. E isso numa altura quando nos dizem que repousam em orgãos da justiça mais de 200 mil processos de indi- EDITORIAL N viduos que querem ser angolanos. Aprovada na generalidade a Lei da Nacionalidade, ela encaminha-se agora para a discussão na especialidade, onde o documento preparado pelo Executivo deverá ser enriquecido para que no final se tenha uma lei blindada e que dignifique o orgulho de sermos angolanos e sem espaços para aqueles que oportunisticamente espreitam os vazios que a lei possa criar para se tornarem angolanos de conveniência. Se a vontade de criar uma lei que melhor sirva os interesses do País fôr grande e patriótica não custará a acreditar que se dará um passo significativo para que o processo de reconciliação da família angolana também seguirá para bom porto. O debate que se realizou no parlamento permitiu facilmente aquilatar que ainda se politiza muito a discussão e fica muito distante o percurso para o respeito das diferenças de cada um na construção de uma sociedade plural. É verdade que a guerra fratricida vivida no País foi longa, dividiu irmãos do mesmo sangue pelo que a eliminação das cicatrizes que processos do género provocam leva o seu tempo. Um tempo que pode ser encurtado se se apurar a auto-estima de angolanos patrioticamente desejosos de construir um País democrático onde se vive na diferença de opiniões sem que isso constitua motivos fortes para se eliminar a possibilidade de quem não está comigo é inimigo e por isso mesmo sem espaço para coabitar ao meu lado. Na democracia que estamos a construir nem tudo é perfeito; existem falhas, atropelos que precisam, desde logo, de ser eliminados para não se acirrar o ódio e outras contradições que podem arranhar a convivência pacífica que se reclama. Uma boa cidadania dá mais elástico para que o processo de reconciliação nacional seja efectivo e, em consequência, podemos ter uma paz devidamente consolidada. Figuras&Negócios - Nº 152 - AGOSTO 2014 9

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PÁGINA ABERTA -ARQUITECTA PAULA NASCIMENTO: “AS CIDADES TÊM UMA HIS Numa conversa franca em que não fugimos de qualquer assunto Paula Nascimento, arquitecta angolana formada em Londres, aborda a relevância que os profissionais da classe podem ter no país, particularmente em questões que têm gerado muita controvérsia como a conservação do património histórico nacional, desalojamento de populações e qualidade das obras públicas. Dentre vários alertas, a arquitecta chama a atenção para a necessidade de preservação da parte velha da capital do país, frisando que “não se pode criar um país sem história e sem memória Por: Suzana Mendes (Texto) / Fotos: Nsimba George questão de energia em termos de sustentabilidade, mas a energia enquanto um conceito associado à produção da arquitectura, físicos. Começou em 2009 como um cluster, multidisciplinar, que unia cientistas, arquitectos e artistas, e durante o primeiro ano de trabalho deste Cluster foi desenvolvido um projecto, que depois foi apresentado na Bienal de Arquitectura, em 2010, seguido de um simpósio internacional. No respaldo do sucesso deste trabalho demos alguns workshops a estudantes, em Veneza. Começou-se a delinear a Beyond Entropy como uma rede com projectos de investigação em vários territórios, que não são necessariamente territórios geográficos, e assim nasceu a Beyond Entropy África, que se debruça sobre o paradigma das cidades africanas, com alta densidade, com falta de infra-estruturas, são cidades em rápida transformação. Usando Luanda como “case-study” e foi aí que começamos um estudo nas zonas periféricas e fizemos o primeiro projecto oficial da Beyond Entropy África, cuja primeira fase também foi apresentada na Bienal de Arquitectura de Veneza, em 2012. Fizemos um workshop no Cazenga, com alguns alunos da Universidade Metodista, e desenvolvemos um modelo adaptável, que é um misto de infra- estrutura, jardim, espaço público e que pretende usar plantas em zonas de transição, por exemplo valas abertas, que absorvem lixo orgânico da água e actuando como despoluente, mas em paralelo são plantas que podem ser cortadas e transformadas em biomassa, em energia verde. Fizemos uma instalação com um protótipo do jardim em escala real e foi a primeira vez que Angola participou oficialmente na Bienal de Arquitectura, já tinha havido participações nas bienais de artes mais foi a primeira vez que participamos com um pavilhão nacional, tivemos autorização oficial para participar, arranjamos patrocinadores e foi muito bem-sucedido. No seguimento desta iniciativa recebemos um convite para voltar na Bienal de Artes e nesta altura o engajamento foi maior. Desenvolvemos um projecto que é uma continuação do ponto de vista conceptual, dos estudos sobre Luanda, numa vertente mais artística e que foi o projecto premiado. Convidamos o Edson Chagas, que é fotógrafo e que já tinha um trabalho específico sobre Luanda, e em colaboração com ele desenvolvemos um projecto artístico, que pode ser lido a vários níveis e várias escalas. O Edson tinha um projecto fotográfico sobre a baixa de Luanda, em que ele fotografa objectos dispersos mas que são recontextualizados em espaços que estão quase a desaparecer e que ao mesmo tempo são muito específicos da nossa cidade mas que têm uma ligação com outras cidades mais antigas e o que nós fizemos com o trabalho dele, na verdade, foi criar uma QUE DEVE SER PRESE F &N- Em que projectos está engajada nos últimos tempos? Paula Nascimento (PN)- Já trabalhei em áreas diversas, em habitação, em projectos de requalificação fora daqui, estou cá em Luanda desde 2010 e tenho trabalhado numa área que é quase uma divergência do que é arquitectura tradicional. Faço projectos de investigação ligados à arquitectura, urbanismo, curadoria de arte contemporânea e trabalho desde 2012 com a Comissão de Angola para a EXPO, trabalhei no pavilhão de Angola na Coreia do Sul e agora para Milão (2015) no campo da arquitectura e na direcção artística. F&N- E está engajada em um projecto que foi premiado na Bienal de Artes de Veneza. PN- Trabalho com uma rede, que é um estúdio de investigação que se chama Beyond Entropy, que foi criado por um grande amigo meu e colega de universidade, com o objectivo de desenvolver novas linguagens para abordar a arquitectura, tem como objecto de estudo o conceito de Energia, não a 12 Figuras&Negócios - Nº 152 - AGOSTO 2014

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PÁGINA ABERTA ERVADA” STÓRIA instalação artística que estabelecesse um paralelo entre a cidade de Veneza no século XVI e Luanda no século XXI. F&N- Referiu que trabalhou em projectos de requalificação no exterior do país. Várias cidades angolanas estão a passar por processos de requalificação. Fale-nos desta sua experiência e de como é que a podemos aplicar em Angola. PN- A primeira experiência que tive foi enquanto estudante, estive um ano e meio como estagiária no atelier do Siza Vieira, no Porto. F&N- Siza Vieira é um reconhecido arquitecto, presumo que foi uma experiência interessante. PN- (Risos) foi muito interessante e eu trabalhei no projecto de requalificação da Cidade Velha, em Cabo-Verde, em que o Siza Vieira era o arquitecto coordenador de toda parte ligada a arquitectura., Foi um projecto multidisciplinar, com muitas equipas envolvidas e foi interessante por vários motivos, foram feitos muitos estudos sobre o local, a Cidade Velha, perto da Cidade da Praia, foi a primeira cidade construída pelos Europeus nos trópicos, é um sítio histórico que estava a ser degradado e o que fizemos foi recuperar e manter exactamente as características locais, o pouco construído foi depois de muitos estudos do que era a arquitectura vernacular e o modo de vida da população naquela área, referindo estudos de arquitectos e estudantes cabo-verdianos sobre aquela área. Usaram-se materiais locais, técnicas locais, e nada foi imposto, tanto que, se chegarmos à Cidade Velha hoje veremos que está como era no passado. O sítio é, hoje, inscrito como Património Mundial pela Unesco. F&N- A população local foi envolvida? PN- Houve inquéritos e entrevistas com a população local e a inclusão de trabalhadores nos trabalhos de campo e obra, é uma zona histórica, que tem uma população muito característica daquela zona e não há muita invasão de outro tipo de construções e tudo o Figuras&Negócios - Nº 152 - AGOSTO 2014 13

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que foi feito, em termos de construção, mesmo o melhoramento das casas, foi mantendo a linha do que era, não há nada moderno. São edifícios de pedra, obviamente que depois foram adaptados, janelas de madeira e introduzidas, por exemplo, redes de mosquiteiro. A imagem da cidade melhorou mas sem agredir aquilo que é natural do local e foi um projecto interessante, no qual aprendi muito. F&N- Isso nos leva para algo interessante que é o debate que existe aqui em Luanda, sobre a conservação da parte velha da cidade. Com base nessa experiência que descreveu como olha para essa questão? PN- Estamos numa fase complicada, o meu olhar é sempre um bocado crítico porque acho que as cidades têm uma história que deve ser preservada. O que torna uma cidade interessante e próxima dos seus habitantes é tudo aquilo que vem de séculos e séculos, eu tenho um apreço por Luanda, nasci aqui e porque é uma cidade muito interessante, muito bem planeada mas que, obviamente, sofreu e tem sofrido várias agressões por motivos diversos. Houve um êxodo populacional, a guerra acabou mas a cidade enfrenta outros êxodos, está superlotada, factores que, naturalmente, causaram alguma degradação. Sobre o que acabou de mencionar, a preservação do património, acho que é imperativo preservar mas para isso tem que haver um debate aberto, políticas e regulamentação sobre o que é ou não válido preservar, acima de interesses económicos. Em Londres também trabalhei em alguns projectos relacionados ao património. Londres é uma cidade que, por exemplo, foi praticamente destruída na segunda guerra mundial e depois foi reconstruída e certas áreas foram reconstruídas à “ A arquitectura tem essa questão da temporalidade, as coisas persistem no tempo. No nosso país e no momento em que estamos, neste momento de reconstrução e de fazer muitas coisas, tem que haver uma reflexão sobre aquilo que realmente é património, sobre aquilo que deve ser preservado porque não se pode ter um país sem história e sem memória” imagem do que eram, outras foram reconstruídas de acordo com o que deveria ser na altura. Chamou-me atenção a quantidade de legislação que existe sobre isso, ou seja, qualquer pessoa vai à internet e se quiser fazer uma obra num apartamento coloca o código postal e tem acesso a informação, se é ou não uma zona delimitada, se é uma zona protegida ou não e quais os níveis de protecção, também há informação sobre o que se pode ou não fazer, o que torna tudo mais fácil. A arquitectura tem essa questão da temporalidade, as coisas persistem no tempo. No nosso país e no momento em que estamos de construção e de reconstrução, tem que haver uma reflexão sobre aquilo que realmente é considerado e constituído como património, sobre o que deve ser preservado. Não se pode ter um país sem história e sem memória. F&N- Uma das lacunas que temos é no campo da legislação? PN- Temos a Lei do Património, que define em termos gerais o que pode ser considerado património, dos bens materiais aos bens imateriais mas depois há outro passo que é a sua aplicação prática. Para além disto, no campo arquitectónico/urbanístico há a regulamentação sobre as construções, etc, por exemplo, nem em todas as áreas se poderia construir uma torre de edifícios porque aquela área é uma área de residências baixas, com estilos específicos, se calhar há projectos contemporâneos que até podem se enquadrar ali mas sem destruir, sem quebrar a malha e a escala existente. Temos aqui na cidade outros testemunhos arquitectónicos igualmente importantes de algo que foi feito cá, que não existe em mais nenhuma parte do mundo, pode existir referenciado, parecido, mas não existe igual, então, acho que é nossa obrigação olharmos para o que é nosso. São processos que passam pela educação, pelo debate aberto e assim criar laços entre as pessoas e o espaço que as circunda e no qual eles habitam. F&N- Referiu que desenvolve um estudo relacionado com os paradigmas das grandes cidades africanas e que também foi feito trabalho de investigação em Luanda. O que é que vocês constataram? PN- Este é praticamente um processo de trabalho, criamos uma metodologia de observação e de intervenção e desenvolvemos uma série de projectos em diferentes escalas e com diferentes parceiros. Variam de textos-manifestos, reflexões, projectos curatoriais, exposições, simpósios, a projectos de arquitectura pura 14 Figuras&Negócios - Nº 152 - AGOSTO 2014

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PÁGINA ABERTA Contactos: Etnia - Comunicação, Edifício Mutamba - Luanda 2º andar - Porta S. Tel: 222 397 185 / Fax: 222 393 020 / E-mail: gurasnegocios@hotmail.com Figuras&Negócios - Nº 152 - AGOSTO 2014 15

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