Revista Vetscience, Número 1, 2014

 

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Revista Vetscience, Número 1, 2014

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ÍNDICE 03 . Biologia Molecular 03 . Matéria de Capa - PCR Real Time 04 . Cinomose 06 . Erliquiose Canina e Felina 08 . Dermatologia 08 . Diagnóstico Dermatológico 11 . Endocrinologia 11 . Diagnóstico de doenças Endócrinas 15 . Relação Cortisol Urinária 16 . Hematologia 16 . Hematologia de Aves e Répteis 20 . Novos mecanismos de transmissão da LVC 23 . Como coletar e enviar material para Diagnóstico Sorológico de Leishmaniose 20 . Leishmaniose 24 . Alergologia 24 . Hipersensibilidade a Alérgenos do dia-a-dia e a Anestésicos 26 . Alergias - Imunoterapia Sublingual 28 . Oncologia 28 . Coleta e remessa de material para imunoistoquímica 30 . Med. Laboratorial de Felinos 30 . Principais Exames 32 . Avaliação de Papagaios 32 . Med. Laboratorial de Silvestres 34 . Microbiologia 34 . Citologia Auricular e Otocultura EXPEDIENTE Editores /publishers: Dr. Luiz Eduardo Ristow . CRMV-SP 5560S . CRMV-MG 3708 . ristow@tecsa.com.br Dr. Afonso Alvarez Perez Jr. . afonsoperez@tecsa.com.br Equipe de Médicos Veterinários TECSA . tecsa@tecsa.com.br CIRCULAÇAO DIRIGIDA A revista VetScience® Magazine é uma publicação do Grupo TECSA dirigida somente aos médicos veterinários, como parte do Projeto JORNADA DO CONHECIMENTO. Criado pelo Laboratório TECSA. Este projeto visa a universalização do conhecimento em Medicina Laboratorial Veterinária . A periodicidade é Bimensal, com artigos originais de pesquisa clínica e experimental, artigos de revisão sistemática de literatura, metanálise, artigos de opinião, comunicações, imagens e cartas ao editor. Não é permitida a reprodução total ou parcial do conteúdo desta revista sem a prévia autorização do TECSA. Os editores não podem se responsabilizar pelo abuso ou má aplicação do conteúdo da revista VetScience magazine. Projeto Gráfico e Diagramação: Contatos e Publicidade: Haja Comunicação . haja@hajacomunicacao.com comunicacao@tecsa.com.br Av. do Contorno , nº 6226 , B. funcionários, Belo Horizonte- MG – CEP 30.110-042 PABX-(31) 3281-0500 Tiragem: 5000 revistas Publicação Bimensal Na Internet: www.vetsciencemagazine.com Grupo TECSA – 20 anos de precisão, tecnologia e agilidade.

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Dr. Afonso Perez Diretor Executivo Dr. Luiz Ristow Diretor Técnico EDITORIAL O TECSA Laboratórios completou 20 anos de tecnologia e inovação, totalmente dedicados ao Médico Veterinário. Reavaliando este trajeto, desde que recebeu a Primeira Certificação ISO 9000 da América latina em 1999, percebemos que o Grupo TECSA muito se expandiu e consolidou nestes 20 anos. Possui hoje uma Divisão de Produtos Diagnósticos - VetCheck® - que trazem o melhor dos kits fabricados na União Européia e respaldados pela mesma, com o padrão de qualidade que a Europa exige. Optamos por trabalhar apenas com kits europeus com respaldo e aceitação das diversas associações de clínicos veterinários da Europa. Por isto, somos parceiros exclusivos de diversas empresas líder: Heska- líder mundial em testes alérgicos e imunoterapia; Alvedia – líder mundial em Tipagem sanguínea veterinária e Uranovet – destaque em kit diagnósticos de Imunocromatografia na Europa. Inovação, acessibilidade e segurança são marcas registradas do TECSA laboratórios, por isto em 2013 decidimos criar nossa própria empresa de logística de materiais biológicos – LogLife – que já nasceu atendendo as mais rigorosas normas de transporte de biológicos do Pais . Totalmente customizada para transportar amostras provenientes de clínicas e hospitais veterinários. E agora para comemorar os 20 anos, preparamos um lançamento especial, a revista VetScience Magazine, como parte do reconhecido Projeto TECSA de Educação Continuada – Jornada do Conhecimento. Esta revista é mais um importante veiculo, neutro e independente, para sua atualização científica. Sendo uma fonte segura de conhecimento prático, aplicável e de fácil absorção. Neste primeiro número ressaltamos o TECSA Molecular Service. Uma Divisão de Biologia Molecular do Grupo TECSA, com a inovadora metodologia do Real Time ! Primeiro laboratório veterinário do Brasil a implantar a técnica Real Time na rotina de exames de PCR, que disponibiliza resultados tanto qualitativos, quanto quantitativos. Os Diferenciais do PCR Real Time frente ao PCR convencional são: ROBUSTEZ (pois detecta mesmo em amostras de menor qualidade), SENSIBILIDADE (detecta mesmo que a concentração parasitária seja pequena) e SEGURANÇA ( pois trata-se de sistema fechado e não sujeito a contaminações ). Esperamos que vocês nos ajudem a escrever esta Publicação, contribuindo com artigos e estudos que sempre serão bem vindos. Nosso objetivo maior é ver o médico veterinário do Brasil reconhecido e valorizado, sempre. Dr. Afonso Perez Dr. Luiz Ristow

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BIOLOGIA MOLECULAR ARTIGO DE CAPA PCR Real Time PCR Real Time A Evolução ao seu alcance rotina de sua Divisão TECSA Molecular Services 100% O TECSA Laboratórios foi o pioneiro em adotar na de tecnologia Real Time. Aliando uma tecnologia, que mesmo na medicina humana ainda é novidade, com custo TECSA. Conheça mais sobre o PCR RT . acessível. A Inovação tem sido sempre a marca do Grupo 1 – Controle de qualidade no processo qualitativo positivo e negativo. DNA. 2 – Controle de qualidade no processo de extração do 3 – Controle de qualidade da amplificação. do setor MOL. para DNA. 4 – Controle de qualidade de contaminação ambiental 5 – Controle de qualidade na transformação de RNA O método garante uma linha de P & D muito ampla O que é PCR Real Time? avançada e moderna tecnologia de diagnóstico molecular que aprimora e substitui o PCR convencional. Seu avanço fragmentos de DNA do agente patogênico alvo, presente na amostra testada. está baseado na amplificação e quantificação simultânea de Também conhecida como “PCR em Tempo Real “ é uma - Estabelece e facilita acesso e compilação a dados de epidemiologia no Brasil; ótimo para Estudos de Co-infecção em nosso meio. menta para o acompanhamento de tratamento de doenças, pois avalia quantitativamente o progresso do mesmo. Alem tificar a carga do agente infeccioso para acompanhamento conduta , o que somente o PCR – RT . da alta sensibilidade do qPCR, é primordial saber quane monitoramento do tratamento ou mesmo prognostico e No Diagnóstico da cinomose de animais vacinados é O PCR Real Time Quantitativo é uma excelente ferra- Porque Utilizar o PCR Real Time? taminação ambienta,l diferentemente do PCR convencioPorque é muito mais seguro e dificilmente sujeito a connal, pois manipula-se menos a amostra. Isto gera menor interferência errônea nos resultado do exame - Sistema todo fechado. O PCR convencional é laborioso e sujeito a erros, pois utiliza gel agarose, muito mais propenso a contaminações do meio. Mais específico que o PCR convencional, menor inter- importante usar qPCR pois é a carga viral que vai definir se é vacina ou se é infecção. cional. Maior sensibilidade em comparação ao método convenO Banco de DNA é um dos diferenciais do TECSA, ferência de outros patógenos. Utilização de primers altativos. mente direcionados para eliminar resultados falso-posiO PCR Real Time do TECSA possui diversos pontos onde as amostras são armazenadas por até 2 meses para realização ou inclusão de outros exames, principalmente para a pesquisa de infecções concomitantes. de controle de qualidade: similar à utilizada em medicina forense ou na arqueologia. É utilizada tecnologia de ponta na extração do DNA, 5

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BIOLOGIA MOLECULAR CINOMOSE DIAGNÓSTICO LABORATORIAL POR MEIO DA TÉCNICA A DOENÇA E SUA IMPORTÂNCIA A cinomose é uma doença que possui alta morbidade e mortalidade. O agente etiológico é um RNA vírus de cadeia simples que pode ser eliminado por meio de secreções respiratórias, oculares, urina, fezes e saliva mesmo na ausência de manifestações clínicas. Ressalta-se ainda, que mais de 50% das infecções são assintomáticas, determinando assim o papel de alguns animais como portadores e disseminadores por até 90 dias após infecção. O período de incubação varia de quatro a dez dias e o primeiro sinal de infecção costuma ser uma conjuntivite serosa ou mucopurulenta (figura 1), seguida de tosse seca que, com o tempo, torna-se produtiva. As lesões cutâneas incluem uma dermatite vesicular ou pustular (impetigo) e hiperqueratose nasal e dos coxins digitais. Pode ocorrer ou não o aparecimento de sinais neurológicos. Mais de 50% das infecções são provavelmente assintomáticas, ressaltando-se a necessidade de um diagnóstico preciso. A possibilidade de se realizar um diagnóstico laboratorial ante mortem conclusivo da cinomose canina é de fundamental importância para a formulação de condutas terapêuticas mais adequadas, para a determinação do prognóstico de forma mais objetiva e para a adoção de medidas de controle e profilaxia diferenciadas e específicas, mais apropriadas para cada caso. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL O diagnóstico clínico da cinomose é muitas vezes inconclusivo, portanto faz-se necessário o diagnóstico 6 PCR REAL TIME Fig.1: Cão com conjuntivite mucopurulenta. Fonte: Center for veterinary Education, vetbook.org diferencial com outras doenças infecciosas e parasitárias que podem apresentar um quadro semelhante tais como parvovirose, neosporose, verminose, giardíase, toxoplasmose, raiva, insuficiência hepática, encefalopatia hepática e trauma (síndrome vestibular). Exames complementares como hemograma (COD 39- HEMOGRAMA COMPLETO - PET E ANIMAIS SILVESTRES) e análise do liquor (COD 169 - ANALISE DE LIQUOR), podem ser realizados e sugerir a infecção pelo vírus da cinomose caso sejam inconclusivos. Entretanto, para a confirmação do diagnóstico da doença são necessários testes específicos como o PCR-RT. A avaliação hematológica e do líquido cefalorraquidiano (LCR) podem sugerir a infecção pelo agente viral, entretanto a confirmação diagnóstica exige testes específicos imunodirecionados ou que apresentem alta especificidade e sensibilidade em detectar a presença do antígeno. Achados em exames hematológicos como leucopenia/leucocitose podem ser transitórios. A bioquímica sérica não apresenta alterações significativas ou características, apesar de ser de grande importância na avaliação do estado geral do paciente. A evidenciação de corpúsculos de inclusão intra- O que é PCR Real Time? Também conhecida como “PCR em Tempo Real”, é uma avançada e moderna tecnologia de diagnóstico molecular que aprimora e substitui o PCR convencional. Seu avanço está baseado na amplificação e quantificação simultânea de fragmentos de DNA do agente patogênico alvo, presente na amostra testada.

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BIOLOGIA MOLECULAR citoplasmáticos (Lentz) em linfócitos também confirma o processo infeccioso (figura 2), porém os mesmos só estão presentes no sangue periférico (células vermelhas e brancas) na fase inicial da infecção, dificultando assim sua confirmação apenas em pesquisa microscópica direta. Além disso, a presença de anticorpos da classe IgM e IgG também podem não ser definitiva para se fechar o diagnóstico (na ausência de informes vacinais, por exemplo ou vacinação recente). Figura 2: Inclusões de Lentz intra-eritrocitárias. Fonte: Canine Distemper, marvistavet.com A natureza contagiosa e as altas taxas de mortalidade da cinomose tornam necessário acelerar o processo de diagnóstico. Por conseguinte, um método sensível, específico e rápido é desejável para detectar inclusive pequenas quantidades de vírus no início da infecção. O PCR-RT é uma técnica molecular utilizada com o objetivo de identificar precocemente o vírus da cinomose em cães com manifestações clínicas da infecção, podendo ser realizada em sangue total (amostra em EDTA), urina, fezes, líquor, secreção conjuntival e saliva de cães suspeitos. Resultados positivos no sangue, nas fezes e em swabs nasais ou conjuntivais podem ser obtidos em animais assintomáticos naturalmente expostos e após vacinação com vírus atenuado. Nesses casos é importante conhecer o histórico de vacinação do animal e usar a técnica de qPCR (COD 772CINOMOSE - METODO PCR REAL TIME QUANTITATIVO) para obter um diagnóstico acurado da doença. A qPCR permite quantificar a carga viral em diferentes tecidos e fluidos corpóreos como o sangue. É possível diferenciar um animal submetido à vacinação para cinomose com manifestações clínicas decorrentes de qualquer outra enfermidade de um cão realmente infectado pelo vírus, uma vez que durante a infecção a carga viral é exponencialmente maior. Portanto o diagnóstico preciso e precoce pode ser obtido por meio da técnica de qPCR Real Time QUANTITATIVO, diferenciando ANIMAL CUJA VACINAÇÃO FOI RECENTE DE ANIMAL INFECTADO. Tal recurso diagnóstico apresenta grande sensibilidade associada à alta especificidade, sendo capaz de detectar mínimas quantidades de partículas virais até mesmo no início da infecção, independente da duração e da apresentação clínica da doença em diferentes tecidos e fluidos corpóreos. Além disso, permite a adoção de medidas de suporte, controle e prevenção mais adequadas, determinando o prognóstico. As amostras a serem coletadas (eleição) para realização da PCR ante mortem são sangue total em EDTA e líquor (sinais inespecíficos) ou urina, fezes, secreções conjuntival e tonsilas (clínica severa). Após a morte do animal podem ser coletados fragmentos de bexiga, tonsilas e linfonodos, fixados em solução de formalina a 10% e destinados à avaliação histopatológica, evidenciando-se a presença de corpúsculos de inclusão (figura 3). Figura 3: Fotomicrografia de cérebro de cão com cinomose. Notar a extensa inclusão no núcleo de um astrócito. Fonte: Viral and prion diseases of the CNS, vet.uga.edu EXAMES REALIZADOS NO TECSA LABORATÓRIOS COD/EXAMES PRAZO DIAS 772- CINOMOSE - METODO PCR REAL TIME QUANTITATIVO 7 723- CINOMOSE - METODO PCR REAL TIME QUALITATIVO 7 689- PERFIL INFECCOES NEUROLOGICAS CANINAS 4 Neospora, Toxoplasmose IgM/IgG, Cinomose IgG Sangue em tubo com EDTA (tampa roxa), FLUORETO (tampa cinza) 788- CHECK UP GLOBAL DE FUNCOES COM HEMOGRAMA 1 e SECO (tampa vermelha). Sangue total em EDTA (tampa roxa), sangue em tubo tampa 534-PERFIL FILHOTE 2 2 vermelha, fezes. Hemograma, Parasitológico de fezes, Cinomose IgM, Pesquisa de Hematozoários Referência: Texto adaptado de: CUNHA G.R. et al. Detecção precoce e quantificação de vírus da cinomose por PCR quantitativa em tempo real (qPCR) em diferentes tecidos e fluidos de um cão. Clínica Veterinária, ano XVII, n.104, p.90-96, 2013. APPEL M.J.G. Cinomose in TILLEY L.P., SMITH JR. F.W.K. Consulta Veterinária em 5 minutos: espécies canina e felina, 3.ed. p.224-225, 2004. MATERIAL Sangue total em EDTA, fezes, urina, corrimento ou saliva. Sangue total em EDTA, fezes, urina, corrimento ou saliva. Sangue em tubo sem anticoagulante (tampa vermelha) 7

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BIOLOGIA MOLECULAR ERLIQUIOSE CANINA E FELINA A DOENÇA E SUA CLASSIFICAÇÃO A Erliquiose é uma patologia causada por rickettsias cujos vetores de transmissão da doença são carrapatos. Sua distribuição é cosmopolita e acomete vários mamíferos, dentre eles cães, gatos e humanos (potencial zoonótico). A denominação “erliquiose” é uma descrição utilizada para caracterizar a infecção pelos parasitos intracelulares pertencentes à família Anaplasmataceae. A diferenciação entre as espécies foi baseada de acordo com a sequência genética dos agentes, de forma a se determinar o grau de parentesco entre as várias espécies do gênero. Didaticamente, as erliquioses recebem classificação de acordo com tipo celular atingido e espécie animal acometida: ErliquioseMonocítica Canina, causada pela Ehrlichia canis; ErliquioseGranulocítica Canina, causada por Ehrlichiaewingii e Anaplasmaphagocytophilum; ErliquioseTrombocítica Canina (atualmente Trombocitopenia Cíclica Canina), causada pelo Anaplasmaplatys; ErliquioseMonocítica Equina, causada pela Neorickettsiaristicii, Febre do Rio Potomac ou ErliquioseGranulocítica Equina, causada pelo Anaplasmaphagocytophilum; Erliquiose Bovina (Nopi), causada pelo Anaplasmabovis; Erliquiose ovina (atualmente, Anaplasmose Ovina), causada pelo Anaplasma ovis; ErliquioseGranulocítica Humana (atualmente, AnaplasmoseGranulocítica Humana), causada pelo Anaplasmaphagocytophilum; ErliquioseMonocítica Humana, causada pela Ehrlichiachaffeensis e pela Ehrlichia canis. Na Erliquiose Felina, os corpúsculos de inclusão e mórulas 8 de Ehrlichia canis foram encontrados em células sanguíneas mononucleares e polimorfonucleares. TRANSMISSÃO E DIAGNÓSTICO Sua transmissão se faz pela inoculação de sangue proveniente de um animal infectado a outro sadio pelo intermédio de carrapatos, principalmente da espécie Rhipicephalus sanguineus. A transmissão por outros vetores artrópodes ainda é discutida, porém a transmissão por meio de transfusão sanguínea pode existir, principalmente em animais com doença subclínica, sendo importante a triagem desses doadores, associada à tipagem sanguínea. O período de incubação varia de uma a três semanas com multiplicação em fígado, baço e linfonodos determinando assim a fase aguda da doença, onde a concentração de títulos de anticorpos classe IgM eleva-se no soro. Nessa fase os animais estão infectantes e além da detecção de IgM pode-se evidenciar o agente por meio de pesquisa parasitológica direta em esfregaço de sangue periférico (Pesquisa de Hematozoários, muito sujeita a falso negativo) ou mesmo pesquisa biomolecular por meio da técnica de PCR, sendo aconselhável a técnica quantitativa (PCR Real Time). Ocasionalmente a fase aguda não pode ser percebida, caracterizando uma infecção subclínica. Quando o sistema imune do indivíduo não está comprometido por outras doenças de base ou for eficiente, pode-se obter uma forma crônica sem sintomas, o que caracteriza animais portadores assintomáticos. Tais animais estão susceptíveis à “reagudização” e Ehrlichia em célula monocítica. Fonte: mygermanshepherd.co.uk a evidenciarem o quadro sintomático. Na fase crônica da doença níveis de anticorpos classe IgG podem ser identificados pela técnica de Imunofluorescência Indireta (RIFI). Ensaios baseados em Imunocromatografia também devem ser utilizados na avaliação sorológica pareada com intuito de se avaliar títulos crescentes de IgG de modo a associar doença estabelecida em fase crônica, diferenciando assim de “cicatriz imunológica”, uma vez que títulos de IgG específicos contra Ehrlichia e Babesia podem permanecer circulantes de 3 a 11 meses mesmo após tratamento e cura clínica. Além disso, a reexposição (ambiente+vetor), mesmo após tratamento do indivíduo, favorece à nova infestação e provável reinfecção. Os sinais da doença podem ser inespecíficos e marcados por emagrecimento, caquexia, apatia, anorexia, febre intermitente, dores articulares, hiperestesia (felinos), sensibilidade à palpação e desidratação. Vasculite e conseqüentes petéquias podem ser achados comuns. Na avaliação hematológica completa e bioquímica sérica constituem-se achados importantes: trombocitopenia, hiperproteinemia marcada por hiperglobulinemia (principalmente frações alfa e gama evidenciadas na eletroforese), elevação de AST, ALT e Fosfatase Alcalina. Anemia e leucopenia também podem ocorrer dependendo da fase e intensidade da parasitemia. As células infectadas são transportadas pelo sangue para outros órgãos do corpo, especialmente pulmões, rins e meninges, e aderem-se ao endotélio vascular, induzindo vasculite e infecção tecidual subendotelial. O consumo, o seqüestro e a destruição

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BIOLOGIA MOLECULAR das plaquetas parecem contribuir para a trombocitopenia durante a fase aguda. A contagem de leucócitos totais pode variar e a anemia, relacionada à supressão da produção de eritrócitos e a destruição acelerada dessas células, desenvolve-se progressivamente durante a fase aguda. A trombocitopenia pode estar associada a um defeito adquirido da membrana plaquetária associado a elevações acentuadas em concentrações séricas de globulina (imunomediada). Ainda na fase crônica, a realização de um mielograma pode evidenciar hipoplasia mielóide, eritróide e megacariocítica associadas à hiperplasia linfoide e de plasmócitos, além da presença de mórulas. O material aspirado de medula óssea (mesmo com baixa carga parasitária e volume reduzido de amostra) pode ainda ser submetido à PCR Real Time, realizada pelo TECSA Laboratórios, em sistema fechado que minimiza contaminação e variável operacional humana, passando por 5 níveis de controle interno que garantem a realização de uma técnica com 99,99% de especificidade e sensibilidade superior a 95%.Além de utilizado no diagnóstico a metodologia que permite a quantificação, é uma ferramenta útil na avaliação do tratamento e prognóstico. É tecnologia de ponta associada a robustez e maior sensibilidade na execução de uma técnica com especificidade de 99,99%! Em pequenos animais a ocorrência de doenças imunossupressoras como Neoplasias, Leishmaniose, FIV e FeLV predispõe à instalação e desenvolvimento da doença em todas as espécies. Além das doenças de base supracitadas, vale ressaltar que a erliquiose pode ainda acometer o indivíduo em sinergismo como outras hemoparasitoses como Mycoplasmose, Babesiose, Anaplasmose, Tripanosomíase, Leishmaniose, Cytauxzoonose e Hepatozoonose, sendo importante considerá-las como possíveis diagnósticos associados ou mesmo diferenciais. Laboratorialmente provas sorológicas, pesquisa direta e testes biomoleculares estão disponíveis para complementar o diagnóstico e confirmar ou descartar outras doenças. Figuras 1 e 2: Gato com carrapato. Fonte: oskarmaxim.blogspot Fontes: Texto adaptado de ALMOSNY, N. R P.; ALMEIDA, L. E.; MOREIRA, N. S. & MASSARD, C. L. Erliquiose clínica em gato (Felis catus). Rev Bras. de Ciên. Vet. .5 (2) .82-83, 1998. / ALMOSNY, N. R. P.; MASSARD, C. L. Erliquiose felina. Revista clínica Veterinária. 23. 30-32, 1990 / COUTO, C.G. Doenças Rickettsiais In: BIRCHARD, SHERDING, Manual Saunders: Clínica de pequenos animais. Ed. Roca: 139-42, 1998 / DAVOUST, B.; PARZY, D.; VIDOR, E.; HASSELOT, N.; MARTET, G. Ehrlichiose canine experimentale : étude clinique et terapeutique. Rev. Méd. Vét. 167: 33-40, 1991. / DAVOUST, B. – Canine ehrlichiosis, Point Vét., 25 (151): 43-51, 1993. / ETTINGER, S. J. FELDMAN, E. C. Tratado de Medicina Interna Veterinária. 4 ed. São Paulo: Editora Manole. 1992. / GHORBEL, A.; CADORE, J.L.; CLERC, B.; BOUATTOUR, A.; VIDOR, E. EXAMES REALIZADOS NO TECSA LABORATÓRIOS COD 039 Tubo tampa roxa 615 771 633 769 547 774 548 775 483 680 668 Tubo tampa vermelha 328 763 083 084 271 264 Tubo tampa vermelha+cinza 570 MATERIAL COD/EXAMES Hemograma Completo Ehrlichiasp PCR Real Time Qualitativo (Punção de Medula ou sangue total) Ehrlichiasp PCR Real Time Quantitativo (Punção de Medula ou sangue total) Babesiasp PCR Real Time Qualitativo (Punção de Medula ou sangue total) Babesiasp PCR Real Time Quantitativo (Punção de Medula ou sangue total) Mycoplasma haemofelis PCR Real Time Qualitativo (Punção de Medula ou sangue total) M. haemofelis PCR Real Time Quantitativo (Punção de Medula ou sangue total) Mycoplasma haemocanis PCR Real Time Qualitativo (Punção de Medula ou sangue total) M. haemocanis PCR Real Time Quantitativo (Punção de Medula ou sangue total) Leishmania Chagasi PCR Real Time Qualitativo (Punção de Medula) Leishmania Chagasi PCR Real Time Quantitativo (Punção de Medula) Perfil Doença Transmitida pelo Carrapato (Babesia+EhrlichiaIgM+IgG) Pesquisa de Ehrlichia canis - Imunocromatografia Pesquisa de Anaplasma phagocitophilum ELISA Leishmaniose ELISA+RIFI + DPP Lyme+Ehrlichia+Dirofilária+Anaplasma Imunocromatografia FIV+FeLV Eletroforese de proteínas Perfil CheckUp Global de Funções PRAZO DIAS 01 05 05 07 07 07 07 07 07 05 05 03 02 01 02 01 01 04 01 9

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DERMATOLOGIA DIAGNÓSTICO DERMATOLÓGICO DERMATÓFITOS do fungo, se disseminam com grande facilidade podendo viver de meses a anos no ambiente ou mesmo nos por exemplo, escovas e cama. A expoOs esporos, forma de reprodução INTRODUÇÃO As dermatofitoses são infecções micóticas superficiais causadas pelos fungos pertencentes aos gêneros Microsporum, Epydermophyton e Trichophyton, categorizados como queratolíticos, determinando dermatopatia de curso subagudo ou crônico. Entre eles, o mais comum em cães e gatos é o M. canis, correspondendo a aproximadamente 90% dos casos. Ressalta-se também que aproximadamente 8% dos cães e 88% dos gatos carreiam assintomaticamente seus esporos. Tal fato está correlacionado a dados estatísticos que remetem ao M. canis como responsável por aproximadamente 15% das dermatofitoses humanas. utensílios utilizados pelos animais, sição ou contato com o dermatófito nem sempre resulta em infecção e, por vezes, a própria infecção não resulta em sinais clínicos. Além do contato direto, importantes fontes de infecção são os chamados portadores, isto é, animais sem sintomas visíveis mas que conduzem o material infeccioso. O dermatófito cresce nas camadas queratinizadas dos pêlos, das unhas e da pele. Não se desenvolve em tecido vivo e tem dificuldade de sobrevivência em locais com inflamação severa. O período de incubação varia de 1 a 4 semanas, dependendo das condições do substrato. O aparecimento da dermatofitose é comum em condições de falha do sistema imune tais como câncer, stress, ambiente desfavorável, vacinação e tratamentos prolongados com corticosteróide. A dermatofitose também ocorre em condições de alto requerimento metabólico, como a prenhez e a lactação, ou em ambientes que convivam muitos animais, a exemplo dos canis e gatis associados ao intenso movimento de entrada e saída dos animais. É uma doença infectocontagiosa e a infecção se dá por contato direto com pelos de animais doentes, por fômites contaminadas (escovas, toalhas, camas, tesouras, transporte, etc) ou por contaminação ambiental. Os pelos contendo artroconídeos infectantes podem permanecer viáveis no ambiente por muitos meses. Os animais assintomáticos geralmente são animais domiciliados, com livre acesso a rua, que vão a exposição adquiridos de canis ou gatis. A presença dos animais assintomáticos contribui para a infecção de outros animais, de seres humanos e dificulta o controle ambiental. SINAIS CLÍNICOS A manifestação clássica da dermatofitose é a alopecia circular com pápulas foliculares finas e crostas na periferia, mais comumente observada em gatos e frequentemente mal interpretada em cães. Nestes, o que comumente se observa é uma dermatite inespecífica com formação de crostas e escamas e, na maioria dos casos, há o envolvimento folicular. Escamas, eritema e prurido são sintomas variáveis de cada caso. As localizações mais comuns são na cabeça – ao redor das orelhas, olhos e focinho e nas patas. As lesões podem ser únicas, múltiplas e/ou generalizadas, afetando todo o manto piloso. Figura 1: M.canis Fonte : www.ciadogatopersa.com.br FISIOPATOLOGIA E TRANSMISSÃO A dermatofitose geralmente se de- senvolve em animais jovens (de 20 dias a 6 meses) ou de idade avançada. Afeta tanto animais de pêlo curto quanto longo, sendo mais insidiosa eliminar os esporos do fungo. 10 nestes últimos devido a dificuldade de Figura 2: M.canis Fonte: www.olivaproenca.com

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DERMATOLOGIA do animal, com o propósito de instituir além da terapêutica específica, medidas de controle e prevenção das doenças. VETCHECK® – Dermatófitos bovinos e suínos. Resultados positivos são caracterizados pela mudança de alteração de pH) e as colônias for- cor do meio de cultivo (indicador de madas são de cor branca, possuindo aspectos específicos. Demais crescimentos e ausência da mudança de cor Figura 3: Lesão alopécica circular característica de M. canis. Fonte: www.ciadogatopersa.com.br clínico pode contar com o VetCheck® – Dermatófitos! Trata-se de um kit diagnóstico para Além do diagnóstico laboratorial, o do meio caracterizam o crescimento de fungos não dermatófitos ou saprofíticos. Microsporum, Trichophyton e Epidermophyton produzem metabólitos alcalinos, o que determina a mudança de cor do meio. uso veterinário composto de um meio de cultura específico (6 placas/testes) e folheto de instruções. O meio é o mesmo utilizado no TECSA Labora- tórios, que contém nutrientes especídermatófitos além de antibióticos esFigura 4: Lesão de M.canis em barriga de cachorro. Fonte: www.ciadogatopersa.com.br ficos que facilitam o crescimento de pecíficos que previnem o crescimento de outros microorganismos não patogênicos. A finalidade do kit abrange o auxí- partir de 48 horas (mudança de cor do Os resultados podem ser obtidos a meio) até 14 dias (colônias adultas ca- racterísticas). Uma observação complementar em microscopia ótica pode da colônia formada ser enviada ao ser necessária, podendo uma amostra laboratório para a identificação do agente (gênero e espécie) e para realização de antifungiograma. DIAGNÓSTICO O diagnóstico definitivo da dermatofitose é laboratorial. Exames através de microscopia direta de raspados e secreções, cultivo microbiológico e análises cito e histopatológicas evidenciam os agentes envolvidos, definindo assim a etiologia da doença. Vale lembrar a importância do diagnóstico diferencial que inclui dermatopatias de origem endócrina/ metabólica além de hipersensibilidade/atopia. Atenção especial deve ser também destinada aos fatores predisponentes como doenças imunossupressoras, ambiente e hábito de vida lio no diagnóstico das dermatofitoses em cães, gatos, equinos e até mesmo Figura 5: Kit VetCheck TECSA Laboratórios Fonte: TECSA Laboratórios Figura 6: Colônias de dermatófitos evidenciadas pelo VetCheck Fonte: TECSA Laboratórios EXAMES REALIZADOS NO TECSA LABORATÓRIOS MATERIAL Raspado de pele e pêlos ou Swab Raspado de pele e pêlos ou Swab Raspado de pele e pêlos ou Swab Raspado de pele e pelos ou Swab Raspado de pele e pêlos ou Swab Fragmento de tecido formolizado Fragmento de tecido formolizado EXAMES Cultura para Fungos - COD 255 Cultura para Fungos + Antifungigrama - COD 759 Micológico direto (Pesquisa direta para fungos) - COD 55 Pesquisa de Sarna e Fungos - COD 355 GRAM - COD 56 Análise histopatológica - COD 86 - Histopatológico com coloração de rotina HE GRAM Histológico - COD 662 PRAZO DIAS 12 30 1 1 1 4 4 3 KIT VETCHECK - DERMATÓFITOS Kit VetCheck Dermatófitos com 6 ou 12 testes Baseada em www.ciadogatopersa.com.br, e www.drapriscilaalves.com.br. 11

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Matriz . Av. do Contorno . 6226 . Savassi . Belo Horizonte . MG PABX: (31) 3281-0500 NEXTEL ID 85*23535 www.tecsa.com.br sac@tecsa.com.br

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ENDOCRINOLOGIA DIAGNÓSTICO DE DOENÇAS ENDÓCRINAS INTRODUÇÃO: A endocrinologia é o ramo da ciência biológica que estuda a ação dos hormônios, bem como o funcionamento dos principais órgãos endócrinos, abrangendo tanto o conhecimento do mecanismo de ação hormonal nos tecidos e órgão-alvo, como as manifestações clínicas resultantes das doenças endócrinas. Assim como na medicina, na medicina veterinária as endocrinopatias têm grande importância em termos de ocorrência de quadros mórbidos. Muitas enfermidades do sistema endócrino são caracterizadas por dramáticos distúrbios funcionais e alterações clínico-patológicas características, afetando um ou vários sistemas corporais. Podem estar envolvidos principalmente a pele, e os sistemas nervoso, urinário ou esquelético. As endocrinopatias normalmente são decorrentes de hipo ou hiperfunção das glândulas endócrinas, síndromes iatrogênicas, com excesso hormonal, disfunção devido a falhas na resposta das células-alvo e como resultado da degradação anormal dos hormônios. Em muitos casos há a perda do mecanismo normal de retro-alimentação da glândula afetada com o eixo hipotálamo-hipófise, ocorrendo um descontrole na secreção hormonal Os distúrbios mais frequentes entre os animais domésticos são aqueles envolvendo as glândulas tireóides e adrenais. Notadamente, o hipo, o hipertireoidismo e o hiperadrenocorticismo correspondem à maioria das enfermidades endócrinas. DIAGNÓSTICO DE DOENÇAS ENDÓCRINAS HIPOTIREOIDISMO O hipotireoidismo é mais comum em cães, mas pode raramente se desenvolver em outras espécies, inclusive em gatos e grandes animais domésticos. A função da glândula tireóide é normalmente avaliada pela mensuração da concentração sérica basal de seus hormônios ou mensurando-se a resposta da glândula à estimulação com o hormônio estimulador da tireóide (TSH). Anormalidades estruturais ou funcionais da tireóide podem levar a uma deficiência de produção dos hormônios tireoidianos tetraiodotironina ou tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3), e na diminuição da taxa metabólica, já que estes hormônios afetam muitos processos metabólicos, influenciando na concentração e na atividade de várias enzimas; no metabolismo de substratos, vitaminas e minerais; na razão entre secreção e degradação de vários outros hormônios e a alterações de respostas de tecidos alvo. Influenciam também o metabolismo de carboidratos por diversas vias, incluindo absorção intestinal de glicose e seu transporte para dentro das células adiposas e musculares, sendo importantes também para o crescimento e desenvolvimento normal. Muitos testes estão disponíveis para analisar a função da tireóide, como a dosagem de T4 total (T4T), T4 livre (T4L), T3 total (T3T) e TSH, sendo que a técnica de radioimunoensaio é Figura 1: Cão com alopecia causada pelo hipotireoidismo. Fonte: W. Jean Dodds - seattletimes.com Figura 2: Obesidade devido ao hipotireoidismo. Fonte: Canine Hypothyroidism: Signs, Diagnosis, and Treatment - bukisa.com considerada como padrão para a dosagem de T4 total sérico. O radioimunoensaio é uma técnica imunológica que utiliza moléculas marcadas com radioisótopos para detectar antígenos ou anticorpos em fluidos biológicos. Mesmo com a comprovada eficácia do RIE na dosagem da tiroxina, a interpretação da concentração sérica de T4 deve ser realizada em conjunto com os achados da anamnese e do exame físico, devido a fatores externos como doenças concomitantes e uso de fármacos, que também podem diminuir os níveis deste hormônio no sangue. No que se refere à concentração de TSH, esta se apresenta normal13

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ENDOCRINOLOGIA mente elevada no hipotireoidismo, o que possibilita também sua utilização como teste diagnóstico. Entretanto, recomenda-se que seja avaliada juntamente com as concentrações de T4T ou T4L, pois 18-38% dos cães com hipotireoidismo confirmado apresentam valores normais de TSH e cães sem enfermidades na tireóide podem apresentar níveis elevados deste hormônio. De um modo geral, o teste de maior precisão para o diagnóstico do hipotireoidismo primário é a estimulação com o TSH exógeno, pois este possibilita também a diferenciação de casos em que a concentração de T4T está diminuída devido a fármacos ou outras enfermidades. Nestes animais os níveis de tiroxina estão suprimidos, entretanto o aumento que ocorre com a administração do TSH é similar ao normal. A realização de hemograma e dosagem sérica de colesterol são alternativas de baixo custo que podem contribuir para aumentar a especificidade do diagnóstico, pois 70% dos cães hipotireoideos apresentam níveis elevados de colesterol sanguíneo e 40% dos animais acometidos apresentam anemia normocítica normocrômica leve. HIPERTIREOIDISMO O hipertireoidismo é uma alteração clínica multissistêmica, resultante de excessivas concentrações dos hormônios tireoidianos, tiroxina e triiodotironina, resultando em sinais que refletem uma taxa metabólica aumentada. Esta desordem é observada com maior frequência no gato idoso, embora também se desenvolva, ainda que raras vezes, no cão, sendo recomendada uma avaliação completa dos cães que apresentarem massa cervical palpável (provável carcinoma de tireóide) e sinais clínicos compatíveis, como perda de peso, vômito, etc. É importante ressaltar que enfer14 midades como falência renal crônica, doença hepática crônica e neoplasias (especialmente linfoma intestinal), apresentam sinais clínicos semelhantes aos de hipertireoidismo e, desta forma, há a necessidade de realização do diagnóstico diferencial por exames laboratoriais de rotina e testes de função da tireóide. Concentrações elevadas de T4 total e T4 livre confirmam o diagnóstico de hipertireoidismo, podendo-se realizar a dosagem do T4L por diálise de equilíbrio ou o teste de supressão com o T3 em casos iniciais e brandos de hipertireoidismo, onde as concentrações de T4T encontram-se normais. O teste de supressão: consiste em obter uma amostra de sangue inicial para a dosagem de T3 e T4, sendo que após isso o proprietário do animal é instruído a administrar T3 sintético via oral (25 μg/animal) três vezes ao dia durante dois dias. Na manhã do terceiro dia, administra-se mais uma dose do medicamento e após duas a quatro horas obtém-se uma nova amostra para dosagem de T3 e T4. Animais normais apresentam níveis reduzidos de T4 após sete doses de T3 exógeno e animais com hipertireoidismo apresentam declínio mínimo ou nenhuma diminuição na concentração do hormônio. Os valores de T3 obtidos com o teste normalmente não são utilizados para confirmar o diagnóstico, pois a dosagem do T4 é mais confiável para essa determinação. Apesar disso, a concentração do T3 pode ser avaliada para determinar se a administração do medicamento foi adequadamente realizada pelo proprietário. Além da dosagem hormonal, outros exames são necessários, como hemograma, perfil bioquímico, urinálise, radiografia torácica, eletrocardiografia, entre outros, devido às desordens concomitantes que podem estar presentes e que exigem atenção imediata. Figura 3: Perda de peso e alteração na pelagem devido ao hipertireoidismo Fonte: Washington State University, cat-health-guide. org HIPERADRENOCORTICISMO O hiperadrenocorticismo é uma desordem endócrina comum, causada pela secreção excessiva de cortisol pelo córtex adrenal por disfunção desta glândula ou por hiperestímulos oriundo da hipófise. É mais frequente em cães adultos e idosos, sendo incomum em gatos e outros animais domésticos. Alguns estudos têm demonstrado que animais com excesso de cortisol circulante também apresentam concentrações elevadas de hormônios sexuais, sugerindo que a dosagem destes também poderia auxiliar na confirmação da doença. O diagnóstico endócrino desta enfermidade é realizado após a confirmação da suspeita de hiperadrenocorticismo pelos dados de anamnese, exame físico, resultados laboratoriais (urinálise e perfil bioquímico), achados radiográficos e/ou ultrassonográficos. As principais técnicas utilizadas para o diagnóstico desta enfermidade são o radioimunoensaio, enzimaimunoensaios, quimioluminescência, entre outros. Somente a dosagem do nível basal de cortisol não tem valor diagnóstico, devido ao fato de que tanto o cortisol quanto o hormônio corticotrófico (ACTH) são secretados esporadicamente, o que leva a ocorrência de valores mais altos ou mais baixos de acordo com o período do dia (FELDMAN e NELSON, 2004). Por este motivo são necessárias

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ENDOCRINOLOGIA provas específicas para o diagnóstico desta enfermidade como, por exemplo, o teste de supressão pela dexametasona e a estimulação pelo ACTH. Teste de supressão pela dexametasona: A dexametasona é um potente glicocorticóide sintético que, quando administrado em pequenas doses, normalmente suprime a liberação de ACTH e, consequentemente, do cortisol. Portanto, esse teste baseia-se no fato de que o eixo hipófise-adrenal mostra-se resistente a supressão induzida pela dexametasona nos pacientes com hiperadrenocorticismo. Em animais normais e naqueles com hiperplasia idiopática cortical adrenal, o cortisol plasmático é reduzido para <1μg/dL, 8h após a injeção EV de 0,01mg/kg de dexametasona, sendo que também se recomenda a análise de amostra coletada 4h após a aplicação da droga. A supressão apenas parcial do cortisol plasmático (duração de 3 a 6 horas) ocorre quando há hiperplasia cortical adrenal associada a tumores funcionais hipofisários, sendo que nenhuma supressão significativa acontece em animais com tumores funcionais do córtex adrenal. Uma alta dose de dexametasona, no teste de supressão, pode ser benéfica na diferenciação dos casos questionáveis de excesso de cortisol ocasio- nados por tumores funcionais hipofisários, daqueles originados por um tumor do córtex adrenal. Os níveis de cortisol, na maioria dos animais com tumores hipofisários, tornam-se deprimidos com esta dose mais elevada do medicamento, ao passo que não há depressão quando o excesso de cortisol é causado por tumores funcionais do córtex adrenal. Teste de estimulação pelo ACTH: Em contrapartida, o teste de estimulação pelo ACTH baseia-se no fato de que, tanto animais acometidos por adenomas hipofisários (secretores de ACTH) quanto àqueles que possuem tumores adrenocorticais funcionantes, apresentam uma resposta exagerada à estimulação pelo hormônio corticotrófico e podem, portanto, ser diferenciados daqueles animais saudáveis. HIPOADRENOCORTICISMO O hipoadrenocorticismo ou Síndrome de Addison é uma endocrinopatia pouco frequente em cães, e ainda mais incomum em gatos. Pode ser classificada de acordo com a origem em hipoadrenocorticismo primário e secundário. O hipoadrenocorticismo primário caracteriza-se pela deficiência na secreção de glicocorticóide (cortisol) e mineralocorticóide (aldosterona) pelo córtex adrenal, causada geralmente por destruição imunomediada desta glândula. No hipoadrenocorticismo secundário (menos frequente) tem-se secreção deficiente de glicocorticóides em consequência ao déficit hipofisário de ACTH. É importante ressaltar que a secreção de glicocorticóides pelas adrenais é estimulada pelo ACTH. Na falta deste hormônio, a camada fasciculada do córtex adrenal (camada responsável pela produção de glicocorticóides) sofre atrofia. Nota-se que a produção de mineralocorticóides está preservada uma vez que a camada responsável Figura 4: Aumento abdominal. Fonte: Dr. Mark E. Peterson endocrinevet.blogspot.com.br Figura 5: Queda de pelos e afinamento da pele. Fonte: Cushing’s Disease (Hyperadrenocorticism) in pets -yourownvet.com 15

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