Boletim Especial CORES

 

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O boletim Sustentabilidade Fiesp é uma publicação digital que todo mês traz três cases de sucesso das indústrias paulistas, entrevistas com profissionais reconhecidos e atuastes no mercado, além de artigos de personalidades renovadas e conectadas ao tema.

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A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), comprometida com o crescimento econômico e social do país, tem trabalhado ativamente para contribuir com a construção de um futuro melhor para a população e para o Brasil. Quando nos referimos a um futuro melhor, não podemos deixar de ressaltar a importância da sustentabilidade para que o país cresça de forma mais justa, equilibrada e competitiva. Muitas indústrias já adotaram como meta a melhoria contínua de sua produção, com o objetivo de cada vez mais priorizar um trabalho sustentável. O foco em criar produtos e serviços com menor impacto ambiental, a parceria das empresas com as comunidades em que estão inseridas, os projetos de inclusão social e geração de renda, a divulgação de relatórios de sustentabilidade, o comprometimento com a ética e a responsabilidade social são algumas das rotinas que presenciamos nas indústrias. O Comitê de Responsabilidade Social (Cores-Fiesp) vem trabalhando, junto às indústrias, importantes temas, como gestão empresarial para a sustentabilidade, inclusão social e profissional de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, promoção da saúde e da segurança do trabalhador, e valorização da mulher no ambiente corporativo. As ações conjuntas entre os vários departamentos da Fiesp, que trabalham esses temas de forma transversal, uma vez que infraestrutura, agronegócio e meio ambiente estão intrinsecamente relacionados aos impactos social, econômico e ambiental de cada uma dessas atividades, têm sido muito importantes para impulsionar as empresas em sua gestão e nas estratégias do negócio. Há um ano, o boletim “Sustentabilidade Fiesp” mostra a importância e o interesse que o tema desperta entre empresários, trabalhadores e comunidade. Embora ainda existam muitos desafios, é preciso celebrar os avanços que as indústrias têm alcançado no caminho do desenvolvimento sustentável e na construção de um futuro melhor para todos nós. Parabéns a todos que fazem do boletim “Sustentabilidade Fiesp” um veículo que leva informação, integração e desenvolvimento. Benjamin Steinbruch Presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp

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PREFÁCIO Caro(a) leitor(a), O Comitê de Responsabilidade Social da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Cores-Fiesp) tem como foco principal mostrar que a Sustentabilidade pode ser um grande diferencial competitivo para a indústria brasileira. Nosso trabalho é orientar e estimular as empresas a adotarem uma gestão ética e transparente, promovendo o diálogo e considerando a visão dos públicos de interesse. Nossa intenção é fazer a Indústria crescer do jeito certo, com competência e responsabilidade. O desenvolvimento do setor industrial deve trazer benefícios para toda a sociedade e, neste sentido, criamos o boletim Sustentabilidade Fiesp, para compartilhar experiências, informações relevantes e de qualidade, a fim de mostrar as vantagens competitivas que são geradas ao integrar a sustentabilidade nos negócios. Este é um ganho para empresários, profissionais da área e todos os cidadãos. É preciso valorizar e promover iniciativas de sucesso, e muitas indústrias paulistas já estão neste caminho. Neste mês, o boletim completa um ano e, para celebrar esta importante etapa, elaboramos esta edição especial, que destaca os principais projetos e ações desenvolvidas em diversas empresas e evidencia como a sustentabilidade está transformando cenários e as relações no mundo dos negócios, proporcionando mais lucratividade, reconhecimento público, legitimidade e perenidade. Desejamos uma boa leitura! Até breve! Nilton Torres de Bastos Diretor Titular do Comitê de Responsabilidade Social − Cores Vice-Presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social − Consocial Federação das Indústrias do Estado de São Paulo − Fiesp

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Índice 4

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AES ELETROPAULO AQUECIMENTO SOLAR PARA A PERIFERIA dos equipamentos, que se iniciou em janeiro de 2012 e, até agora, mais de 20 mil moradores foram beneficiados. Todos foram orientados pela AES para utilização dos equipamentos de forma correta, ressaltando as dicas de segurança. Para complementar a ação, os chuveiros convencionais também foram trocados por um equipamento híbrido, que funciona junto ao sistema de aquecimento solar. Em dias de menos calor, o chuveiro é automaticamente transferido ao modo elétrico, com baixa potência, para garantir a água quente. A vantagem desse modelo é um alarme que avisa sobre o tempo no banho, solicitado pelos próprios moradores para que economizem ainda mais energia. O projeto da AES contou com um investimento total de R$ 25 milhões e tem o objetivo de economizar até 50% do consumo de energia elétrica dessas residências. Segundo o gerente de novos mercados, José Cavaretti, a iniciativa não só contribui para redução dos gastos desses consumidores, como também proporciona mais discernimento. “Muitos consumidores ganharam uma nova consciência ambiental e passaram a ter atitudes mais responsáveis; para nossa surpresa, o alarme no chuveiro com tempo de 8 a 10 minutos de banho foi muito bem aceito”, relata o profissional. A partir desse ano, a empresa fará uma avaliação completa para medir os resultados do projeto e, de acordo com as necessidades, farão as modificações necessárias para torná-lo mais eficiente e ampliá-lo. A AES Eletropaulo atua na região metropolitana de São Paulo, distribuindo energia elétrica para 24 municípios paulistas em uma área total de 4.526 km², atendendo 6,7 milhões de unidades consumidoras e aproximadamente 20,1 milhões de clientes. Concessionária paulista instala sistema de aquecimento solar para economizar até 50% de energia em residências da CDHU. A demanda por energias renováveis cresceu rapidamente em todo o mundo em função das pressões ambientais. No Brasil, a captação de energia solar é uma excelente opção, já que as características geográficas – sol praticamente o ano todo – privilegiam essa alternativa, por isso o sistema de aquecimento solar tem sido uma das opções mais procuradas para residências e empresas em todo o país. Pensando nisso, a AES Eletropaulo, maior distribuidora de energia elétrica em consumo e faturamento da América Latina, criou um projeto que instala aquecedores solares em bairros de baixa renda, o que ajuda esses consumidores a economizar até 50% de energia elétrica e ainda mudar hábitos em favor do meio ambiente. Inicialmente, as moradias dos conjuntos habitacionais da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) nos bairros Cidade Tiradentes, Guaianazes e Itaquera, região leste da capital paulista, foram as escolhidas e já alcançaram a economia de até 35%. A concessionária assumiu a instalação de todos os equipamentos e nenhum valor foi repassado aos moradores. Juntamente aos síndicos dos prédios, foi elaborado um cronograma para a instalação 8

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ALPARGATAS CURSO TÉCNICO PARA FORMAR MÃO DE OBRA QUALIFICADA Mais de 360 jovens já concluíram curso de eletricista e cerca de 80% já estão empregados. Básica vem mudando a cara da região, pois muitos jovens que antes ficavam ociosos aprenderam uma atividade e acabaram o curso preparados para o mercado de trabalho. Em 2014, Campina Grande começou sua primeira turma, inspirados no exemplo Santa Rita. No que depender do Instituto Alpargatas, vamos incentivar essa prática em todas as cidades em que atuamos”, conta o executivo. A partir dos resultados do projeto em Santa Rita, os voluntários da fábrica de Campina Grande também apoiaram o curso de eletricista na cidade e, em fevereiro desse ano, formaram sua primeira turma, com 10 alunos. O trabalho com a segunda turma terminou no final de maio, foram 25 alunos formados, e a terceira turma começa em agosto. Líder no setor de calçados na América Latina, a Alpargatas é detentora das Havaianas, Dupé, Topper, Rainha, Sete Léguas e Meggashop, além das licenças de Mizuno e Timberland no Brasil e ações da Osklen. Sua receita líquida, em 2013, ultrapassou R$ 3 bilhões, e suas fábricas no Brasil e na Argentina e as 583 lojas em todo o mundo exportam para 106 países. Segundo dados divulgados no “Projeto Educação para o Mundo do Trabalho”, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 69% das empresas consultadas enfrentam dificuldades com a falta de trabalhador qualificado e 78% delas lidam com o problema capacitando o profissional dentro da própria empresa. Essa também é uma iniciativa do Grupo Alpargatas, que, por meio do seu instituto, investe na qualificação educacional e profissional de jovens e crianças no estado da Paraíba, região nordeste do Brasil. Um dos cursos oferecidos pelo Grupo, na cidade de Santa Rita (PB), foi o de eletricista, ministrado pelos próprios funcionários da empresa em parceria com a Secretaria de Educação e o Senai da Paraíba. Segundo a assessoria de imprensa, os alunos receberam todo o material necessário e em três meses estavam aptos para atuar no mercado de trabalho. Cerca de 80% dos mais de 360 formados já estão empregados, alguns deles na própria fábrica da Alpargatas. Para o diretor executivo do Instituto Alpargatas, Berivaldo Araújo, é muito importante ver os colaboradores se entregando e participando do programa de voluntariado. “O curso de Eletricidade AMBEV CAMPANHA SOBRE RESPONSABILIDADE E CONSUMO EXCESSIVO DE ÁLCOOL Prevenir e informar sobre as causas do excesso de álcool durante a juventude é uma das funções do Programa Jovens de Responsa. Participante do Programa Ambev Jovens de Responsa. 9

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Idealizado pela companhia de bebidas Ambev, em parceria com ONGs de todo o país, o Programa Jovens de Responsa visa prevenir o uso indevido do álcool por menores de 18 anos. Cada uma das ONGs parceiras desenvolve um trabalho específico para a realidade local. As chamadas ONGs de Responsa desenvolvem atividades específicas de inclusão social, cultural ou esportiva, com viés de consumo responsável, e o desenvolvimento desses projetos é acompanhado de perto pela Ambev. Em Heliópolis, maior comunidade da cidade de São Paulo, por exemplo, uma das mais animadas ações é a Balada Black, uma festa onde os jovens se divertem sem consumir bebida alcoólica. Toda organização e divulgação é feita pelos jovens do projeto. Com a ajuda da União de Núcleos, Associações e Sociedades dos Moradores (Unas) também é realizada uma pesquisa para analisar o impacto do trabalho, e os primeiros resultados mostram como o Jovens de Responsa está sendo assimilado pela comunidade. A proporção de jovens que já compraram bebidas passou de 67% para 46%. A frequência de consumo entre os jovens com idade entre 14 e 15 anos também caiu dentre aqueles que bebiam uma vez por mês, passou de 30% para 21%. A quantidade de doses consumidas passou de nove para sete nos bares, de sete para cinco doses em festas na comunidade e de seis para quatro na casa de amigos. Noventa e oito por cento (98%) dos jovens consideram importante ter projetos que falem sobre os efeitos de bebidas alcoólicas. Sessenta e cinco por cento (65%) dos jovens dizem que gostariam de saber mais sobre o que estes efeitos causam no organismo, o que aponta que o tema ainda não é suficientemente discutido na sociedade. O Gerente de Responsabilidade Social da Ambev, Rodrigo Moccia, comemora os resultados do projeto. “Não nos interessa o lucro proveniente do consumo indevido dos nossos produtos, queremos construir uma relação duradoura e saudável com os nossos consumidores. Por isso, há 10 anos, desenvolvemos uma série de projetos para promover o consumo responsável”, afirma o gerente. 10 Palestra do Programa Jovens de Responsa da Ambev. Além dos jovens, o programa também envolve os comerciantes das comunidades de baixa renda. As ONGs escolhem quais são os bares que não devem vender bebida alcoólica a menores de idade e que devem orientar sobre o consumo consciente para os clientes. Os Bares de Responsa que cumprem as premissas do programa são premiados com uma reforma promovida pela empresa. Em 2011, 355 bares foram beneficiados com a iniciativa. Segundo a empresa, desde sua criação, o Jovens de Responsa conseguiu impactar mais de 7,3 mil jovens, reuniu mais de 50 mil pessoas em eventos e impactou 3,7 milhões de pessoas com ações de comunicação. A Ambev foi a primeira indústria de bebida a participar das discussões da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre os efeitos do uso inadequado de bebidas alcoólicas. Em 2003 lançou o Programa Ambev de Consumo Responsável, norteado pelas premissas da OMS, cujos pilares são conscientizar a população sobre os riscos de beber e dirigir e estimular o cumprimento da lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas a menores.

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BITUCA VERDE EMPRESA RECICLA MAIS DE 700 QUILOS DE BITUCAS DE CIGARRO POR ANO de um novo negócio, abriria espaço para ações mais conscientes de preservação ambiental com inclusão social”, diz Fabiano Russo, proprietário e gerente geral. Desde então, a empresa e seus parceiros retiraram do meio ambiente aproximadamente 3 milhões de bitucas. Qualquer um pode se tornar parceiro se tiver um coletor especifico para o resíduo, assim como qualquer pessoa que armazene a bituca numa embalagem plástica pode doar; desta maneira é possível atender ao maior número de interessados pela preservação ambiental e contribuir para um futuro mais sustentável. A Bituca Verde também transforma todo o resíduo e mistura a outros de alto poder calórico. Eles passam por um tratamento químico e são transformados num produto que substitui carvão em fornos de indústrias cimenteiras, contribuindo para a diminuição do desmatamento. Vale lembrar que o tempo de decomposição de uma bituca descartada incorretamente pode chegar a cinco anos, principalmente se for jogada no asfalto. Além disso, ela contém mais de 4,7 mil substâncias tóxicas que prejudicam o solo, contaminam rios e entopem tubulações e bueiros. Essa relativa demora na decomposição se deve ao fato de que 95% dos filtros de cigarros são compostos de acetato de celulose, de difícil degradação. Em 2013, a Bituca Verde reciclou aproximadamente 750 quilos e, para 2014, a empresa fechou uma parceria e pretende dobrar essa quantidade. Mais de 4,7 mil substâncias tóxicas que prejudicariam o solo, contaminariam rios e entupiriam tubulações e bueiros foram retiradas do meio ambiente com o trabalho da Bituca Verde. Iniciativa recicla retira bitucas de cigarros do meio ambiente e transforma em novos produtos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número estimado de fumantes no mundo é de 1,6 bilhão. E de acordo com informações da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), cerca de 12,3 bilhões de bitucas são descartadas diariamente. Preocupado com o descarte incorreto desse resíduo e impulsionados pela Lei Antifumo em São Paulo, Fabiano Russo criou a Bituca Verde em 2010, uma empresa de reciclagem de bitucas que recolhe e dá o descarte e o uso correto a elas. Inicialmente, a Bituca Verde tinha como proposta a fabricação para venda e locação de cinzeiros externos específicos para coleta de bitucas de cigarro, uma vez que a nova Lei só permitiria fumar em ambientes externos. “Esta iniciativa se mostrou muito eficaz e passamos então a vislumbrar outra oportunidade de mercado, que, mais do que possibilitar a geração 11

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GRUPO BOTICÁRIO PLANO ESTRATÉGICO E INVESTIMENTO DE MEIO MILHÃO DE REAIS PARA A SUSTENTABILIDADE Novos sistemas e estratégias para reduzir impactos nos processos produtivos já eliminaram o desperdício de 200 litros de água por hora em centro de distribuição no interior de São Paulo. água tratada é utilizada em vasos sanitários, limpezas, jardinagem e lavagem externa do barracão. Além do sistema de captação e tratamento da água da chuva no CD de Registro, vale ressaltar outros movimentos da empresa em torno deste tema, como a implantação de um novo sistema de purificação de água para composição do produto; implantação do sistema CIP (cleaning in place) na planta fabril e de um sistema de reúso de água que atende todos os vasos e mictórios, atividades de jardinagem e a torre de resfriamento da planta em São José dos Pinhais, no Paraná. “Com o objetivo de reduzir o impacto da captação de água do poço artesiano, implementamos o sistema de captação e tratamento da água da chuva e, hoje, a água de reúso já representa 22% do consumo total”, afirma Malu Nunes, gerente de Sustentabilidade do Grupo Boticário. Ações para conscientizar os colaboradores sobre a importância de suas atitudes para alcance dos resultados e objetivos também foram implantadas. Em 2013, o Grupo realizou uma grande campanha de comunicação a respeito dos quatro temas principais de ecoeficiência (água, energia, resíduos sólidos e emissão de gases de efeito estufa). Durante o ano, cada tema foi abordado ressaltando as ações da empresa para a redução dos impactos ambientais, e um portal interno e um hotsite foram criados para dialogar com os colaboradores sobre estas iniciativas e, assim, engajá-los. “Para o Grupo Boticário, uma de suas contribuições para o meio ambiente é o desenvolvimento de processos produtivos cada vez mais inteligentes, que permitam o crescimento da organização por meio da utilização consciente dos recursos naturais e da redução do uso de matérias-primas em suas operações e em toda a cadeia de valor”, diz, ainda, Malu Nunes. Com investimento de meio milhão de reais e um novo sistema de captação e tratamento de água da chuva, o Grupo Boticário conseguiu reduzir o desperdício de 200 litros de água por hora no centro de distribuição (CD) da cidade de Registo, interior de São Paulo. Essa iniciativa faz parte do plano estratégico, estruturado para nortear as ações de sustentabilidade da organização desde 2012 até 2024. Nesse novo sistema, a água da chuva é captada em 50% da área da cobertura do galpão do CD – cerca de 32 mil m² – e é encaminhada por galerias até uma cisterna de 300m³. A água armazenada neste local é filtrada por areia e carvão ativado, que possui sistema de retrolavagem automático. Em seguida, ela recebe radiação ultravioleta e dosagem de cloro automaticamente. Após o tratamento, a água vai para uma caixa elevatória, onde é bombeada para uma caixa elevada de 20m³, a aproximadamente 15 metros de altura, para distribuição geral. Caso o nível desta caixa esteja alto, a água volta à cisterna. Todo sistema é automatizado para operar 24 horas, sete dias da semana. A 12

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BRASIL KIRIN GESTÃO SUSTENTÁVEL PARA PROMOVER RELAÇÕES DE CONFIANÇA são é implementar um modelo de gestão de conhecimento e educação corporativa sustentável, que agregue valor à empresa. Segundo Juliana Nunes, Vice-presidente de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade, a Brasil Kirin considera a sustentabilidade uma das formas de gestão de negócio. “Entendemos que o tema deve ser transversal a todas as áreas da empresa, de forma a gerar valor compartilhado para toda a cadeia e públicos com os quais a empresa se relaciona”, pondera a profissional. Diversas outras ações voltadas para a sustentabilidade também estão em andamento, como os projetos de renovação de frotas e de automatização da logística; o lançamento do refrigerante Fibz – bebida inovadora com adição de fibras e sem açúcar; a adoção de fontes de energia renovável com a aprovação do projeto de um parque eólico no Ceará; as medidas relacionadas ao cumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos, a gestão de embalagens e a associação estratégica entre as áreas de Inovação e Marketing. Em comparação com os dois últimos anos, os resultados já aparecem e mostram que a empresa está no caminho certo. Ela reduziu 2% no consumo de água; 5,6% das emissões de gases de efeito estufa; 96% dos seus resíduos sólidos seguiram para reciclagem; e, ainda, os cursos contemplaram 100% dos funcionários. A Brasil Kirin iniciou suas atividades no país em 2011, quando a japonesa Kirin Holdings Company adquiriu o controle acionário da Schincariol, fábrica de bebidas fundada em 1939, na cidade de Itu, interior de São Paulo. Hoje ela é uma empresa de bebidas integrante do grupo global, com mais de 46 mil funcionários e presente em mais de 15 países. Suas marcas são distribuídas por 19 centros de distribuição e mais de 190 revendas atendem cerca de 600 mil pontos de vendas em todo o Brasil. Entre suas marcas estão Itubaína, Baden Baden, Devassa, Schin, entre outras. *O processo de materialidade permite que a empresa identifique as questões consideradas críticas para seu negócio. Para fortalecer a marca por meio de relações de confiança, a empresa criou uma vice-presidência e um comitê de sustentabilidade. Qualquer empresa que tenha um sistema de gestão sustentável é bem-vista no mercado e ganha em competitividade. Por isso, a Brasil Kirin, uma das principais empresas de bebidas do país, decidiu utilizar a metodologia da materialidade* em seu processo de avaliação de desempenho sob o olhar da sustentabilidade e encontrou os temas mais relevantes para sua estratégia de negócio. A partir de então, a empresa criou a Vice-presidência de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade e o Comitê Multidisciplinar, ligados diretamente à Presidência. Entre as ações dessa nova área está a Escola de Sustentabilidade, dentro da Academia Corporativa, para apoiar a mudança de cultura interna. A escola, que já ofereceu 300 cursos gratuitos aos funcionários, tem quatro pilares: os fundamentos e o conceito do tema na empresa; as boas práticas para dar visibilidade às iniciativas já existentes; as transformações sustentáveis, tendências e inspirações; e o consumo consciente, também vinculado ao consumo responsável de álcool e ao consumo sem desperdício. Nessa academia corporativa, o desenvolvimento dos funcionários e parceiros é promovido e direcionado para as estratégias de educação. Sua mis- 13

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BRF SEGUNDA MAIOR INDÚSTRIA ALIMENTÍCIA DO PAÍS – CRIOU PROGRAMA PARA MONITORAR E QUALIFICAR SUA CADEIA DE FORNECEDORES Para a BFR, o compromisso com o desenvolvimento sustentável pode ser demonstrado por meio de um conjunto de diretrizes e ações focadas na obtenção de resultados positivos nos três pilares da sustentabilidade: econômico-financeiro, ambiental e social. Sua gestão estratégica tem como base o fortalecimento de práticas sustentáveis em toda a cadeia de valor e no relacionamento com os principais públicos de interesse. A estratégia está sendo viabilizada por meio das ações do Programa de Monitoramento da Cadeia de Fornecedores. A iniciativa tem como principal objetivo identificar e minimizar os principais riscos sociais e ambientais para reduzir os impactos negativos das operações relacionadas à empresa. São realizadas capacitação e conscientização de negociadores e fornecedores sobre os padrões de sustentabilidade. A partir desse treinamento, esse público passa a entender detalhadamente o Programa de Monitoramento de Fornecedores e as metas para seu atendimento, que abrangem a assinatura do Código de Conduta para Fornecedores e a realização de avaliações socioambientais e auditorias. Essas auditorias são realizadas nos fornecedores mais críticos, priorizadas de acordo com o volume de compras e sua localização em áreas com maior impacto ambiental, como os fornecedores próximos ao bioma amazônico, às terras indígenas, às unidades de conservação e aos focos de desmatamento. Desde o início, o Código de Conduta para Fornecedores, que tem o objetivo de reafirmar o compromisso com a gestão responsável e sustentável, já foi enviado para mais de 21.500 fornecedores (até o final do ano passado). “O Programa de Monitoramento de Fornecedores permite identificar e minimizar riscos socioambientais que não estão sob a gestão direta da BRF, além de estimular boas práticas em toda a cadeia produtiva da companhia”, diz Luciana Ueda, Gerente de Sustentabilidade da BRF. A Companhia exige padrões mínimos ambientais e de direitos humanos de seus fornecedores. Há verificação constante de algumas informações públicas, como a Lista do Trabalho Escravo e a Lista de Áreas Embargadas do Ibama. Além desses pa- Com o programa de monitoramento e a assinatura do código de conduta, a BRF construiu uma cadeia de fornecedores em prol da sustentabilidade. Em uma sociedade na qual os consumidores estão cada vez mais exigentes em relação à qualidade dos produtos e dos serviços, e com mercados globalizados, dinâmicos e altamente competitivos, há uma crescente preocupação das empresas não só em manter, mas também em incrementar seu desempenho dentro da cadeia de suprimentos na qual se inserem. Isto é especialmente importante para a indústria de alimentos, dada a grande diversidade de produtos para atender aos distintos segmentos de mercado. Diante da necessidade de inovação tecnológica e organizacional, as agroindústrias nacionais estão promovendo toda uma reestruturação na rede de suprimentos, evidenciando crescente integração dos fornecedores e de distribuidores à cadeia de suprimento de alimentos processados. Este é o caso da BRF, formada a partir da fusão da Sadia e da Perdigão. A BRF nasceu, em 2009, como a maior produtora e exportadora mundial de carnes processadas e como a segunda maior indústria alimentícia do país. A união de duas grandes empresas contribuiu para unir esforços e experiências, sobretudo no que se refere à sustentabilidade. 14

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drões, há a obrigatoriedade de atendimento a outros critérios, dependendo da particularidade do setor. No caso de compra de grãos, a empresa não adquire insumos de fornecedores que promovam o desmatamento ilegal da Amazônia. Já as propriedades de produtores integrados passam por avaliação constante e, caso ocorra descumprimento de compromissos ambientais e sociais estabelecidos, é elaborado um plano de ação para reverter o quadro. A BRF tem por prática não se relacionar com fornecedores que descumpram padrões mínimos de direitos humanos (trabalho infantil ou escravo), trabalhistas (liberdade sindical) e de respeito ao meio ambiente e, em 2012, não foram identificados esses riscos nas operações. Cada diretoria encontra-se em uma fase de implantação e ampliação do Programa de Monitoramento, porém 100% dos novos contratados já seguem os critérios do Código de Conduta para Fornecedores. Como forma de monitoramento, existem o Código de Ética, o Código de Conduta para Fornecedores e políticas específicas para contratação. Em 2013, não houve ocorrências de trabalho infantil, forçado ou análogo ao escravo em fornecedores. Para os casos nos quais são identificados desacordos com algum requisito do Código de Conduta, dependendo da gravidade, são executados planos de melhoria ou o contrato de fornecimento é cancelado. As principais irregularidades causadoras de rompimento contratual são a presença na Lista do Ibama de Autuações Ambientais e Embargos e na Lista Suja do Ministério do Trabalho e Emprego. A compra com fornecedores locais também é uma prioridade da empresa, que não vê somente a oportunidade de redução de custos com transporte e em emissões e gases de efeito estufa, mas também melhor integração com a comunidade. BUNGE & TNC IMPULSIONANDO A AGRICULTURA SUSTENTÁVEL Projeto implantará boas práticas agrícolas para aumentar a conservação do solo, da água e da biodiversidade em três estados brasileiros. A demanda mundial por alimentos é crescente, porém a previsão é de que seja necessário dobrar a produção atual para garantir alimentos à população até 2050. Uma das medidas mais importantes para promover o crescimento ambientalmente responsável da agricultura é aumentar o volume da produção de alimentos em áreas já abertas. Por isso, a Bunge, uma das principais empresas de agronegócio e alimentos do mundo, procurou a The Nature Conservancy (TNC), organização líder em conservação ambiental, com o objetivo de promover a agricultura sustentável no país. O projeto com a Bunge começou em janeiro de 2013, por meio de ações nos estados de Mato Grosso (MT), Bahia (BA) e Pará (PA). No MT, as ações se concentram em 13 municípios. Em Porto dos Gaúchos, por exemplo, está programado o mapeamento dos imóveis rurais para buscar a regularização ambiental das propriedades por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Nos outros 12 municípios (Sapezal, Campo de Júlio, Brasnorte, Juína, Juruena, Cotriguaçu, Tapurah, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Nova Mutum, Nova Ubiratã e Feliz Natal), onde a TNC já desenvolveu o mapeamento das propriedades e tem uma base de dados consolidada, o projeto fará novas análises, denominadas Go e No Go Zones. Trata-se de uma avaliação de áreas-cha15

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