Comentario de Champlin AT - Daniel V.5.

 

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Comentario de Champlin AT - Daniel V.5.

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Setenta semanas estâo determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade para fazer cessar a transgressão, para expiar a iniqüidade, para trazer ajustiça eterna. D a n ie l 9 . 2 4 Daniel 12 Capítulos 357 Versículos

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DANIEL 3367 INTRODUÇÃO 0 nom e é hebraico e tem o sentido de “D eus é meu ju iz”. Daniel foi um fam oso profeta judeu do período babilónico e persa, em bora isso seja posto em dúvida por m uitos críticos m odernos, que desco n ­ fiam da cronologia a seu respeito. V er a discussão sobre isso, mais adiante. Tudo quanto sabem os acerca de Daniel deriva-se do livro que tem o seu nome; as tradições, com o é usual, são duvidosas. Ver sobre o hom em D aniel, no segundo ponto, a seguir. Esboço: I. C aracterísticas G erais I I . O Hom em Daniel e o Pano de Fundo H istórico do Livro III. A utoria, Data e D ebates a R espeito IV. Ponto de Vista P rofético V. Proveniência e U nidade VI. Destino e P ropósito VII. Canonicidade VIII. Esboço do C onteúdo IX. A créscim os A pócrifos X. G ráfico Ilustrativo das S etenta S em anas XI. Bibliografia I. Características Gerais Este livro aparece na terceira seção do cânon hebraico, cham a­ da ketubim . Nas Bíblias em línguas vernáculas, trata-se de um a das quatro grandes com posições proféticas escritas, de acordo com o cânon alexandrino. Na m oderna erudição, diferem as opiniões a seu respeito. A lguns estudiosos pensam que se trata apenas de um dos m elhores escritos pseudepígrafos, um a pseudoprofecia rom ântica, escrita essencialm ente com o narrativa, e não um livro profético. Mas outros respeitam altam ente o livro com o profecia, baseando sobre este livro várias doutrinas sérias a respeito dos últim os dias, ainda futuros. Seja com o for, é verdade que o N ovo Testam ento incorpora grande parte da visão profética deste livro no Apocalipse, e nvolven­ do tem as com o a grande tribulação, o anticristo, a segunda vinda de Cristo, a ressurreição e o ju lgam ento final. As indicações cronológi­ cas do livro de Daniel são adotadas diretam ente pelo Apocalipse. O livro foi escrito em hebraico, m as com uma extensa seção em aram aico, ou seja, Daniel 2.4b - 7.28. O s eruditos liberais pensam que essa porção é um tanto m ais antiga, tendo sido adaptada às pressas para seu uso, em um a revisão palestina. T em os a introdu­ ção do livro escrita em hebraico (Dan 1.1-2.4a), com visões adicio­ nais (caps. 8 em diante), a respeito de coisas que ocorreram durante a crise sob o governo de A ntíoco IV Epifânio (175-163 A.C.). R eves­ te-se de especial im portância o m aterial do décim o capitulo, que apresenta uma personagem “à sem elhança dos filhos dos hom ens” (Dan. 10.16), que os estudiosos cristãos pensam tratar-se de uma alusão ao Messias. O livro tam bém encerra a doutrina da ressurrei­ ção dos m ortos (Dan. 12.2,3) e um a angelologia típica do judaísm o posterior. Daniel é o único livro ju daico de natureza apocalíptica que foi finalm ente aceito no cânon palestino, ao passo que vários livros dessa natureza vieram a tornar-se parte do cânon alexandrino. II. O Homem Daniel e o Pano de Fundo Histórico do Livro Daniel era descendente da fam ília real de Judá, ou pelo m enos, da alta nobreza dessa nação (Dan. 1.3; Josefo, Anti. 10.10,1). É possível que ele tenha nascido em Jerusalém , em bora o trecho de Daniel 9.24, usado com o apoio para essa idéia, não seja conclusivo quanto a isso. Entre doze e dezesseis anos de idade, Daniel já se encontrava na Babilônia, com o cativo judeu entre todos outros jo ­ vens nobres hebreus, com o Ananias, M isael e Azarias, em resultado da prim eira deportação da nação de Judá, no quarto ano do reinado de Jeoiaquim . Ele e seus com panheiros foram forçados a entrar no sen/iço da corte real babilónica. Daniel recebeu o nom e caldeu de Beltessazar, que significa “príncipe de B aal”. De acordo com os cos­ tum es orientais, um a pessoa podia adquirir um novo nom e, se as suas condições fossem significativam ente alteradas, e esse novo nome expressava a nova condição (II Reis 23.34; 24.17; Est. 2.7; Esd. 5.14). A fim de ser preparado para suas novas funções, Daniel rece­ beu o treinam ento oriental necessário. V er Platão, Alceb. seção 37. Daniel aprendeu a falar e a escrever o caldeu (Dan. 1.4) e não dem orou para que se distinguisse por sua sabedoria e piedade, es­ pecialm ente na observância da lei m osaica (Dan. 1.8-16). O seu dever de entreter a outras pessoas sujeitou-o à tentação de com er coisas consideradas im próprias pelos preceitos levíticos, problem a que ele enfrentou com sucesso. A educação de Daniel se deu durante três anos, ao final dos quais ele se tornou um dos cortesãos do palácio de N abucodonosor, onde, pela ajuda divina, conseguiu interpretar um sonho do m onarca, para inteira satisfação deste. Tudo em Daniel im pressionava o rei, pelo que ele subiu no conceito real, tendo-lhe sido confiados dois cargos im portantes, com o governador da província da Babilônia e inspetor-chefe da casta sacerdotal (Dan. 2.48). Posteriorm ente, em outro sonho que Daniel interpretou, ficou predito que o rei, p or causa de sua prepotência, deveria ser hum ilhado por m eio da insanidade tem porária, após o que seu juízo ser-lhe-ia restaurado (Dan. 4). As qualidades pessoais de Daniel, com o sua sabedoria, seu am or e sua lealdade, resplandecem por toda a narrativa. Sob os sucessores indignos de N abucodonosor, ao que parece, Daniel sofreu um período de obscuridade e olvido. Foi removido de suas elevadas posições, e parece ter com eçado a ocupar postos inferi­ ores (Dan. 8.27). Isto posto, ele só voltou à proem inência na época do rei Belsazar (Dan. 5.7,8), que foi co-regente de seu pai, Nabonido. Belsazar, porém, foi morto quando os persas conquistaram a cidade. No entanto, antes desse acontecim ento, Daniel foi restaurado ao favor real, por haver conseguido decifrar o escrito m isterioso na parede do salão de banquete (Dan. 5.2 e ss.). A essa altura dos acontecim entos, Daniel recebeu as visões registradas nos capítulos sétim o e oitavo, as quais descortinam o curso futuro da história humana, juntam ente com a descrição dos principais im périos m undiais, que se prolongariam não som ente até a prim eira vinda de Cristo, mas exatam ente até o m om en­ to da “parousia” , ou segunda vinda de Cristo. O s m edos e os p e rsa s c o n q u ista ra m a B a b ilô n ia , e um a nova fa se da h is tó ria se in icio u . D a n ie l m o s tro u -se a tivo no bre ve re in a ­ do de D ario, o m edo, que a lg u n s e s tu d io s o s p e nsam te r s id o o m esm o C ia xa re s II. U m a das q u e s tõ e s e n v o lvid a s fo ra m os p re ­ p a ra tivo s para a p o s síve l vo lta de seu p o vo do e x ílio para a T e rra S anta. S ua g ra n d e a n sie d a d e , em fa v o r de seu povo, para que fo sse m p e rd o a d o s de se u s p e c a d o s e re sta u ra d o s à sua te rra, p ro va v e lm e n te foi um dos fa to re s que o a ju d a ra m a v is lu m b ra r o fu tu ro , até o fim da n o ssa atu a l d is p e n sa ç ã o (D an. 9), o que s ig n ific a que ele p re viu o cu rso in te iro da fu tu ra h is tó ria de Israel. D aniel co n tin u o u cu m p rin d o seus d e v e re s de e sta d ista , m as s e m ­ pre o b s e rv a n d o e strita m e n te a sua fé re lig io sa , sem q u a lq u e r tra n ­ s ig ê n cia . Há um hino cu jo e s trib ilh o diz: “O u se s s e r um D aniel; ouses fic a r s o zin h o ” . O c a rá te r e os a to s de D a n ie l de sp e rta ra m ciú m e s e in ve ja s. M e d ia n te m a n ip u la ç ã o p o lítica , D a niel term in ou e n ce rra d o na co va dos leões; m as o anjo de D eus c o n tro lo u a s itu a çã o , e D a n ie l fo i liv ra d o dos leões, a d q u irin d o novo p re stígio e m a io r a u to rid a d e . D aniel te ve a sa tisfa çã o de v e r um re m anescente de Israel v o lta r à P alestina (Dan. 10.12). Todavia, sua ca rre ira p rofética a in ­ da não havia term inado, porquanto, no te rce iro ano de C iro, ele recebeu outra série de visões, in fo rm a nd o -o acerca dos futuros so frim e n to s de Israel, do p eríodo de sua redenção, através de J e ­ sus C risto, da ressurreição dos m ortos e do fim da atual dispensação (Dan. 11 e 12). A p a rtir desse ponto, m an ife sta m -se as tradições e as fábulas, h a vendo histórias referentes à P alestina e à B abilônia (Susã), em bora não p ossam os co n fia r nesses relatos. P ano de Fundo e In té rp re te s Liberais. A m o d e rn a erudição c ríti­ ca é pra tica m e n te unânim e ao d e cla ra r que o livro de D aniel foi

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3368 DANIEL dialeto da M esopotâm ia. O aram aico estava sendo falado na P alestina. Isso faz nossos olhos d esviar-se da B abilônia com o o lugar da com posição deste livro, fixando nossa atenção sobre a P alestina. Essa crítica é respondida m ediante a o bservação de que Daniel não era o ficia lm e n te conh e cid o com o profeta. Antes, foi um estadista com dons pro fé tico s (M at. 24.15). E isso ju s tifi­ ca o fato de ele não ha ve r sido listado entre os profetas tra d ic i­ onais. Além disso, m esm o que o livro de D aniel já tivesse sido escrito quando Ben S iraque p re p a ro u sua lista de grandes hebreus, a om issão de seu nom e não deve ca usar surpresa, porquanto esse catálogo tam bém deixa de lado a Jó e a todos os ju ize s, e xcetuando S am uel, Asa, Josafá, M ordecai e o p ró ­ prio E sdras (E clesiástico 4 4 —49). N um erosos equívocos históricos, com as soluções propostas. Di­ zem alguns que esses equívocos aparecem quando o autor abor­ da q u e s tõ e s d is ta n te s da d a ta de 165 A .C . (q u a n d o , presum ivelm ente, o livro de Daniel teria sido escrito), o que faria óbvio contraste com o conhecim ento que o autor tinha do período grego, posterior. Os críticos, diante disso, sentem que o livro de Daniel tirou proveito de antigas lendas judaicas acerca de um sábio de nome Daniel (ver Eze. 14 e 28). Teria sido então consti­ tuída uma pseudoprofecia para encorajar os judeus que sofriam sob Antíoco IV Epifânio. Esse Daniel teria sido capaz de enfrentar os mais incríveis sofrim entos, pelo que todos os israelitas teriam obrigação de seguir o seu exem plo. C om o resposta, precisam os levar em conta as seguintes considerações: Q uanto aos supostos equívocos, esses parecem não ter sido adequadam ente respondidos no prim eiro ponto, anteriorm ente. O suposto fato de que o tipo de aram aico usado era da Palestina, e não da Mesopotâm ia, tem uma resposta adequada, pelo menos até onde vejo as coisas. Os estudos sobre os docum entos escritos em aramaico mostram que a variedade de aram aico usada no livro de Daniel é bastante antiga, sendo im possível estabelecer claras distinções entre os dialetos, conform e alguns eruditos do passado chegam a fazer. A linguagem aram aica do livro de Daniel tem fortes afinidades com os papiros elefantinos (ver no Dicionário a respeito) do século V A.C. Outrossim, o hebraico usado no livro de Daniel ajusta-se ao período de Ezequiel, Ageu, Esdras e dos livros de Crônicas, e não ao hebraico do período helenista, posterior. Parece que melhores estudos e descobertas arqueológicas têm revertido o juízo negativo, em alguns casos significativos. Escreveu Robert Pfeiffer: '“Presum e-se que nunca saberem os como o nosso autor aprendeu que a Nova B abilônia foi criação de N abucodonosor (Dan. 4.30), segundo as escavações têm com ­ provado” ( introduction to the O ld Testam ent, pág. 758). O quinto capítulo de Daniel retrata B elsazar com o co-regente da Babilônia, juntam ente com seu pai, Nabonido. Antes, esse infor­ me era objeto de ataques. No entanto, isso tem sido dem onstra­ do como um fato pelas descobertas arqueológicas (R.P. Dougherty, N abonidus a n d Beíshazzar, 1929; J. Finegan, Light írom the A ncie n t Past, 1959). D ocum entos escritos em cuneiform e, provenientes de Gubaru, confirm am a inform ação dada no sexto capítulo do livro de Daniel, acerca de Dario, o medo. Atualm ente, não é m ais possível atri­ buirm os a Daniel um falso conceito de um independente reino medo, entre a queda da Babilônia e o soerguim ento de Ciro, segundo alguns estudiosos fizeram , erroneam ente, no passado. O autor sagrado tam bém sabia o bastante sobre os costum es do século VI A.C., a ponto de ter dito que as leis da Babilônia esta­ vam sujeitas ao rei N abucodonosor, que podia lançar ou m odifi­ car decretos (Dan. 2.12,13,46), em contraste com a inform ação de que Dario, o medo, não tinha autoridade para alterar as leis dos m edos e dos persas (Dan. 6.8,9). Além disso, o m odo de punição na Babilônia, m ediante o fogo (cap.3) ou m ediante leões (cap.6), concorda perfeitam ente bem com a história (A. T. O lm stead, The H is to ry o fth e Persian Empire, 1948, pág. 473). com pilado por um a u to r desco n h e cid o , em cerca de 165 A .C., p o r­ quanto conteria supostas p ro fe cia s so b re m onarcas p ó s-babilônicos que, m ais provavelm ente, são n a rra tivas histó rica s, porquanto vãose tornando m ais e m ais e xatas à m edida que o tem po de seu cum prim ento se aproxim a (Dan. 11.2-35). Para e sses intérpretes, o propósito do livro foi e n c o ra ja r os ju d e u s fiéis em seu conflito com A ntíoco IV E pifânio (ver I M aca b e u s 2 .59,60). P or causa da tensão em que viviam , o livro de D aniel teria sido e n tu sia stica m e n te a co lh i­ do, porquanto expõe um a v isã o fin a l otim ista da carreira de Israel no m undo. E assim , o livro teria sido recebido no cânon hebreu. Ver no D ic io n á rio o a rtig o s o b re A p o c a líp tic o s , L iv ro s (L ite ra tu ra A pocalíptica). Isto posto, tem os duas p osições: um a delas afirm a que realm ente houve um p ro fe ta ch a m a d o D aniel, que viveu a vida descrita nos p arágrafos a n te rio re s do livro, e cujas visões fazem parte indispensável do q u a d ro profético. A o u tra posição diz que o livro de D aniel é um a e spécie de rom a n ce-p ro fe cia , que apresenta acon tecim entos histó rico s com o se tive sse m sido preditos, exatos em torno de 165 A .C., m as não tanto, à m edida que se retrocede no tem po. Os vários arg u m e n to s são a p re se n ta d o s na te rce ira se­ ção, intitulada Autoria, D ata e D ebates a R espeito, m ais adiante. Inform es P osteriores sobre D aniel. Um a tradição rabínica posteri­ or (M idrash S ir ha-sirim , 7:8) diz que Daniel retornou à Palestina, entre os exilados. Mas um viajante judeu, B enjam im de Tudela (sécu­ lo XII D.C.) supostam ente teria encontrado o túm ulo de Daniel em Susã, na Babilônia. N esse caso, se o prim eiro inform e é veraz, então Daniel retornou mais tarde à Babilônia. Há inform es sobre esse túmulo, desde o século VI D. C., em bora m uitos duvidem da exatidão dessas tradições, que geralm ente não passam de fantasias. Um D a n ie l A n te d ilu v ia n o ? A lg u n s s u p õ e m que o D a n ie l re fe ­ rido em Eze. 14 .1 4 não s e ja o D a n ie l da tra d iç ã o p ro fé tic a , m as, sim , um a p e rso n a g e m que v iv e u a n te s do d ilú v io , não c o n te m ­ p o râ n e a de E ze q u ie l, e c u jo n o m e e c a rá te r te ria m in s p ira d o o p s e u d ô n im o v in c u la d o ao liv ro c a n ô n ic o de D a n ie l. A le n d a u g a r itic a d e A g h t r e fe r e -s e a um a n tig o re i fe n íc io , D n il (v o c a liz a d o co m o D a n e i ou D a n ie l ), o q u e s ig n ific a ria q u e esse nom e é a n tiq u ís s im o . V e r E ze. 2 8 .3 , on d e o p ro fe ta e s c a rn e ce de T iro p o rq u e , s u p o s ta m e n te , e ra “ m a is s á b io que D a n ie l” . Isso p o d e ria s e r ta m b é m um a re fe rê n c ia a um a n tig o s á b io , não c o n ­ te m p o râ n e o de D a n ie l. 3. a. b. c. III. Autoria, Data e Debates a Respeito Essas questões são agrupadas neste terceiro ponto por estarem relacionadas umas às outras, dentro do cam po da alta crítica sobre as atividades de Daniel. Listamos e com entam os esses problemas a seguir. 1. Um gra ve erro histórico, se g u n do alg u n s pensam , estaria c o n ti­ do em Dan. 6.28 e 9.1, onde o a u to r sa g ra d o situa D ario I antes de Ciro, fazendo X erxes a p a re ce r com o pai de Dario I. Nesse caso, teríam os a ordem X erxes, D ario e C iro, quando a s e q ü ê n ­ cia histórica é p re cisa m e n te a inversa. M as essa crítica é p le n a ­ m ente respondida quando se d e m o n stra que D aniel se referia a D ario, o m edo, um g o ve rn a d o r sob as ordens de C iro, cujo pai tinha o m esm o nom e que aquele rei persa posterior. Não seria m esm o provável que um autor, que d e m o n stra sse tão notáveis poderes intelectuais, e que co n ta va com Esd. 4.5,6 à sua fre n ­ te, pudesse te r co m e tid o um eq u ívo co tã o crasso, e sp e cia lm e n ­ te diante do fato de que ele situ a X erxes com o o quarto rei depois de C iro (ver Dan. 11.2). 2. O P roblem a do Cânon. A coletânea dos profetas hebreus já esta­ va com pleta por volta do século III A.C., mas não incluía Daniel, livro que foi posto na porção posterior do cânon, ou seja, entre os Escritos. O catálogo de antigos hebreus fam osos, tam bém cha­ m ado Eclesiástico, publicado em S abedoria de Ben Siraque, no com eço do século II A.C., não m enciona Daniel; e, no entanto, um século depois, I M acabeu alude a esse livro. Além disso, uma porção do livro foi escrita em aram aico da Palestina, não no d. e. f. g.

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DANIEL h. A c o m p a ra ç ã o e n tre as e v id ê n c ia s c u n e ifo rm e s a ce rca de B elsazar e as inform ações que lem os no quinto capítulo de D aniel dem onstra que o livro de D aniel pode te r sido escrito em um a data anterior e ser p e rfe ita m e n te a utêntico. N aturalm ente um a utor do período dos m a cabeus po d e ria te r usado m ateriais autênticos quanto aos fa to s sobre os quais escrevia e, ainda assim , ter escrito seu livro em um a data posterior. No entanto, o que as evidências de m o n stra m é que a e xatidão do m aterial ali registrado pode te r tido, p or m otivo, o fato de que o a u to r s a g ra ­ do foi contem p orâ n e o de B elsazar. i. S egundo alguns estudiosos, o livro foi escrito no tem po dos m acabeus, porque reflete m elhor aquela época, m as bem m enos tem pos anteriores. C ontra isto, podem os observar que, entre os M anuscritos do M a r M orto (ver a respeito no Dicionário), Daniel é representado. Isto sugere que o livro tenha escrito antes daquela época e, supostam ente, antes do tem po dos m acabeus. Isto, todavia, não determ ina quanto tem po antes. j. Paiavras Gregas. No livro de D aniel, há três nom es gregos para instrum entos m usicais: a harpa, a cítara e o saltério (Dan. 3.5,10), o que poderia significar que tais palavras foram em pregadas por­ que o autor viveu no período helenista. Mas essa crítica é rebati­ da m ostrando-se que há provas da penetração do idiom a e da cultura gregos no O rie n te M édio, m uito a ntes da é p o ca de Nabucodonosor. Portanto, não seria de adm irar que Daniel, no século VI A.C., conhecesse alguns term os gregos para as coisas (ver W .F. Albright, From the Stone A ge to Christianity, 1957, pág. 337). Tam bém há palavras em prestadas do persa que se coadu­ nam com uma data anterior. E o aram aico usado no livro de Daniel ajusta-se ao aram aico dos papiros elefantinos, do século V A.C. k. O trecho de D aniel 1.1 parece co n flita r com Je re m ia s 25.1,9 e 46.2 no tocan te à data da ca p tu ra de Jerusalém . Daniel declara que a cidade fora ca p tu ra d a no te rce iro ano de Je o a q uim (605 A .C .). Jerem ias, p or sua vez, indica que, m esm o no ano se g u in ­ te, a cidade ainda não h avia sido vencida. Essa aparente d is ­ crepância envolve um p e río d o de cerca de um ano. M esm o que fosse um a verdadeira discrepância, não anularia o livro de Daniel com o profecia autêntica. S eja com o for, os defensores do livro de D aniel ressaltam que os e scrib a s b a b ilô n io s usavam um sistem a de com p u ta çã o seg u n do o ano da subida ao trono, o que significa que o ano da subida ao trono não era cham ado de prim eiro ano de governo, em bora, na realidade, assim o fosse. No entanto, os e scrib a s p a le stin o s não o bservavam essa d is tin ­ ção, pelo que o ano em que um m o narca subia ao trono era cham ado de prim eiro ano de seu governo. P ortanto, D aniel s e ­ guiu o m odo b ab ilónico de com p u ta çã o , ao passo que Jerem ias usou o m odo palestino. Isso q u e r d ize r que o quarto ano m e n ci­ onado em Jer. 25.1 é idêntico ao te rce iro ano de Dan. 1.1. I. O uso do term o “caldeus” em Daniel, em sentido mais restrito, indica a classe dos sábios, ou então um a casta sacerdotal (o que não tem paralelo no restante do A ntigo Testam ento). Mas alguns críticos pensam que isso indica um a data posterior do livro de Daniel. A observação de H eródoto, porém , em suas G uerras Persas, tam bém exibe tal uso (séc. V A.C.), dem onstrando que essa m aneira de expressar é bastante antiga e não tão recente com o os críticos querem dar a entender. m. A in s a n id a d e de N a b u c o d o n o s o r, de a c o rd o com os c rític o s lib e ra is , s e ria um d ra m á tic o to q u e lite rá rio da p a rte do a u to r sa g ra d o , infie l aos fa to s h is tó ric o s . P orém , ta n to Jo se fo q u a n ­ to um a u to r do s é c u lo II A .C ., A b id e n o , m e n c io n a m a q u e s ­ tão. E m bora os d o is te n h a m v iv id o em d a ta bem p o s te rio r, e a in fo rm a çã o d a d a p o r e le s p o s sa s e r c o lo c a d a em d ú v id a , não p a re ce qu e s o m e n te D a n ie l se te n h a re fe rid o à q u e stã o . T rê s s é cu lo s m a is ta rd e , um s a c e rd o te b a b ilô n io , de nom e B e ro so , p re se rv o u um a tra d iç ã o s o b re o in c id e n te da in s a n i­ da d e de N a b u c o d o n o s o r. O fa to de que e sse in c id e n te só ve io à to n a ta n to te m p o d e p o is de o c o rrê n c ia ta lv e z se de va 3369 à cre n ç a e x is te n te na M e s o p o tâ m ia de q u e a in s a n id a d e m e n ta l re su lta da p o s s e s s ã o d e m o n ía c a ; e o fa to de que um m o n a rca te n h a sid o a ssim a flig id o , sem dú vid a , foi a c o b e rta d o o m á xim o p o s síve l. A com panhar os lances do debate sobre os problem as históricos do livro de Daniel não é um a jornada fácil. P rocurei expor diante do leitor apenas a essência indispensável da questão, com argu­ m entos e contra-argum entos. É desnecessário dizer que os dois lados não aceitam os argum entos um do outro; pois, do contrário, já se teria chegado a um acordo. Até onde vejo as coisas, várias críticas foram devidam ente respondidas, e a tendência parece ser que há explicações razoáveis para a m aior parte dos supos­ tos erros históricos de Daniel. No entanto, quero deixar claro que o livro de Daniel poderia ser um a profecia genuína, m esm o que houvesse nele alguns equívo­ cos históricos. Esperam os dem ais de qualquer livro da Bíblia, quando esperam os perfeição até sobre questões dessa natureza. A verdade profética, m oral ou teológica, em nada sofre por causa de discrepâncias científicas ou erros sobre questões históricas. A própria ciência envolve inúm eras discrepâncias, e nem por isso rejeitam os a dose de verdade que ela nos tem apresentado. As narrativas históricas dos m elhores historiadores estão repletas de erros, mas nem por isso dizem os que a hum anidade não conta com nenhum a história. Os que requerem perfeição da parte dos livros bíblicos prom ovem um dogm a hum ano, porque as próprias E scrituras não declaram que eles não contêm erro algum . V er no D icionário o artigo sobre a Inspiração, quanto a um a declaração m ais detalhada sobre essa questão. 4. A Função Profética. Um dos problem as superficiais criados pelos críticos é que eles objetam à profecia de Daniel com o se todas as previsões ali existentes fossem observações históricas, suposta­ m ente escritas por um autor que viveu quando tais predições já se tinham cum prido. Os céticos que dizem que é im possível pre­ dizer o futuro são forçados a fazer com que cada livro profético seja reduzido ou a um a pseudoprofecia (as coisas preditas ainda não aconteceram , nem acontecerão) ou a um a narrativa histórica (as coisas preditas aconteceram , m as foram registradas após a realização dos eventos). P orfírio (século III A.C .) foi quem deu início à crítica contra o livro de D aniel, e esse ponto de vista contraprofético foi ele quem prom oveu. Ele supunha que o livro de Daniel teria sido com posto na época de A ntíoco IV Epifânio, com a finalidade de anim ar os judeus que estavam sendo perse­ guidos; e a sua idéia é quase exatam ente igual ao que é dito em nossos dias contra o livro de D aniel. O s estudos no cam po da parapsicologia e a experiência hum ana com um m ostram que o conhecim ento prévio é um fenôm eno sim ples, e todas as pesso­ as, quando estão dorm indo, possuem poderes de precognição. Mas isso ainda não é o dom da profecia, em bora m ostre não ser um fenôm eno tã o estranho. O s m ísticos m odernos têm poderes proféticos com provados. 5. C onceitos R eligiosos P osteriores. O s críticos partem do pressu­ posto de que, no livro de Daniel, há reflexos de uma teologia posterior, incluindo o conceito dos anjos e a doutrina da ressur­ reição, idéias que não teriam atingido a form a apresentada no livro de Daniel senão já na época dos m acabeus. A s idéias de Zoroastro aparentem ente influenciaram a angelologia dos hebreus. Sua data de 1000 A.C. dá am plo tem po para que os judeus adquirissem certas idéias sobre os anjos, incluindo aquelas ex­ pressas no livro de D aniel, que pertence cerca de 600 A.C. R essurreição. A ressurreição é claram ente m encionada em Jó 19.26, e é possível que o livro de Jó seja o m ais antigo da Bíblia, portanto este é um conceito m uito antigo. Conclusão. Se os críticos estão com a razão, então o livro de Daniel foi escrito em cerca de 165 A.C., no período dos m acabeus. N esse caso, tanto o livro contém um a pseudoprofecia com o tam bém

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3370 DANIEL an ticristo (Dan. 7.13), quando vie r com as nuvens do céu (M at. 26.64 e A po. 19.11 ss.). O a n ticristo é o p e q ueno chifre de Daniel 7.24 ss. (cf. Dan. 11.36 ss.). H istoricam ente, esse chifre aponta para A ntíoco IV Epifânio, mas, profeticam ente, o anticristo está em vista. V er no D icionário o artigo denom inado Anticristo. pertence ao grupo de pseudepígrafas, visto que o nom e do autor, Daniel, teria sido artificialm ente aposto ao livro. E, caso os críticos não estejam com a razão, então o livro de Daniel foi com posto em cerca de 600 A.C., por Daniel, um profeta estadista. Os eventos registrados nesse livro abarcam um período de cerca de setenta anos. IV. Ponto de Vista Profético A queles que levam a sério o livro de D aniel, com o um a p ro fe ­ cia, não concordam sobre com o o esb o ço do livro deve ser co m p re ­ endido. E stá cla ro que o livro deve te r algum a e spécie de esboço da história hum ana, m as está m enos cla ro onde ficam as divisões principais desse esboço. A lg u n s in té rp re te s supõem que a grande im agem (Dan. 2.31-49), as quatro feras (Dan. 7.2-27) e as setenta sem anas (Dan. 9.24-27) tivessem o intuito de m o stra r o que o c o rre ­ ria na p rim eira vinda de C risto. E sses in té rp re te s tam bém supõem que o Israel e spiritual, que eles den o m in a m de igreja, tenha cum pri­ do as p rom essas feitas aos ju d e u s, o antigo Israel, rejeitado por Deus por causa da sua d e so b ed iê n cia . E ssa e sco la de in te rp re ta ­ ção nega enfaticam ente que haja um tem po p a re n té tico entre as sem anas s essenta e nove e se te n ta, e que a sem ana restante haverá de cum prir-se na fu tu ra g rande trib u la çã o (Dan. 9.26,27). A inda de acordo com essa in te rp re ta çã o , a pedra que feriu a im a ­ gem (Dan. 2.34,35) tem em vista a p rim e ira vinda de C risto, com o subse qüente d e senvo lvim e n to da igreja. O s dez chifres da quarta fera (Dan. 7.24) não se re fe riria m a reis do tem po do fim , ligados a um revivificado im pério rom ano. O p e q u e n o chifre de Dan. 7.24 não representaria um ser hum ano. A m orte do M essias é que poria fim ao sistem a de sacrifícios dos jud e u s. Ou, então, se essa idéia for personificada, teríam os de pe n sa r em Tito, o general rom ano, p o r­ quanto foi ele quem destruiu Je ru sa lé m e seu cu lto religioso. Os am ilenistas é que tom am essa rid ícu la posição. Por outra parte, os pré-m ilenistas (ver no D icionário o artigo so­ bre o Milênio) afirm am que a profecia de Daniel alude ao fim dos tem pos, até a parousia (ver tam bém no D icionário) ou segunda vinda de Cristo. Nesse caso, deve-se entender um período parentético entre a sexagésim a nona sem ana e a septuagésim a sem ana (Dan. 9.26,27). Esse período é de tem po indeterm inado (já se prolonga por quase dois mil anos), correspondente à dispensação da graça em que vivem os. E a septuagésim a sem ana, que duraria sete anos, seria o período da grande tribulação. Os pré-m ilenistas estão divididos quanto ao m om ento do arre b a ­ tam ento da igreja. Este ocorreria antes ou após a tribulação? Alguns chegam a pensar que o arrebatam ento dar-se-á no m eio da tribula­ ção. A questão é am plam ente discutida no artigo citado sobre a Parousia. Ver tam bém no D icionário o verbete intitulado Setenta S e ­ manas. Os que pensam que a igreja será arrebatada antes da gran­ de tribulação supõem que Israel to rnar-se-á novam ente proem inente na história hum ana e enfrentará o anticristo, sobre o qual acabará obtendo a vitória, e a nação será inteiram ente restaurada à sua terra. Mas, segundo esse esquem a pré-tribulacional, Israel, em bora co n ­ vertido ao Senhor, não fará parte da igreja. Por sua vez, os que pensam que a igreja só será arrebatada depois da grande tribulação, em bora adm itam que Israel venha a converter-se ao Senhor, crêem que a nação fará parte integrante e inseparável da igreja, porquanto o ensino bíblico é que toda a pessoa que se converte, após o sacrifí­ cio expiatório de Cristo, autom aticam ente faz parte da igreja. Ver Rom. 11.26 ss., quanto a uma afirm ação de que Israel será restaura­ do com o nação. De acordo com o ponto de vista pré-m ilenista, a im agem do segundo capítulo de Daniel representa os reinos do m undo, dom ina­ dos por Satanás, a saber, a Babilônia, a M édia-P érsia, a G récia e Roma. Nos últim os dias, na época dos dez reis de Daniel 7.7, Roma será revivificada (Dan. 2.41-33 e Apo. 17. 12). O poder que unificará aqueles dez reis com seus respectivos reinos será o anticristo. É precisam ente esse poder que será destruído por Cristo, quando de sua segunda vinda (Dan. 2.45; Apo. 19). V er tam bém Apo. 13.1,2; 17.7-17 e Dan. 2.35. O Filho do Hom em obterá a vitó ria finai sobre o V. Proveniência e Unidade O livro tem toda a a parência de h aver sido e scrito na B abilônia. N aturalm ente, poderia te r sido e scrito po ste rio rm e n te , em Je ru s a ­ lém, após o retorno dos exila d o s ju d e u s. Os críticos supõem haver porções m ais antigas e m ais recentes, que seriam refletidas nos dois idiom as (o trecho a ram aico seria o m ais antigo; ver Dan. 2.4b— 7.28), adicio n a d a s para d a r um a fo rm a final ao livro. O s críticos tam bém pensam que dife re n te s au to re s e stive ra m en volvidos n es­ se trabalho. É possível que a p orção m ais antiga tenha sido pro d u ­ zida na B abilônia, ao passo que a m ais recente te ria sido pre p a ra ­ da na P alestina, a fim de que o vo lu m e total fosse publicado na P alestina. A arq u e o lo g ia tem desco b e rto provas de que, na antiga M esopotâm ia, os escritore s a lgum as vezes tom avam a porção p rin­ cipal de um a obra, in te rca la n d o -a entre um a intro d u çã o e um a co n­ clusão, de natureza lite rá ria to ta lm e n te diferente. Isso pode ser visto no có d ig o de H am urabi, no qual a parte p rincipal é prosaica, com um prefácio e um a co n clu sã o em form a de poem a. O livro de Jó parece te r estrutura sim ilar. Porém , esse a rgum ento é fraco. P ode-se su p o r que o utras o bras assim tam bém reflitam autores diferentes, com o, p or exem plo, o código de H am urabi, no qual a porção prosaica é de a utoria de um ou m ais autores, e a parte poética pode te r tido um ou vários autores. N esse caso, a obra poderia ser co n sid e ra d a um a co m p ila çã o feita p or algum editor, ao m esm o tem po que o p róprio m a terial e scrito foi pro d uzido por um ou m ais autores. Por outro lado, a m a io r parte das obras literárias com põe-se de com pilações, o que não quer d ize r que haja m ais de um autor. O problem a da unidade do livro de D aniel não está resol­ vido; e tam bém não podem os e sta r certos de que apenas D aniel o escreveu. Ele pode te r agido com o a u to r-e d ito r, ou então a obra pode te r in co rporado seus e scritos, p o r parte de outro autor-editor. Mas essa possib ilid a d e em nada alte ra o va lo r p ro fé tico da obra. VI. Destino e Propósito Já pudem os ver que os críticos supõem que o livro de Daniel tenha sido escrito para encorajar os judeus palestinos em m eio à sua resistência ao program a de helenização de A ntíoco IV Epifânio. Por outro lado, o livro pode te r tido o propósito de realizar o m esm o papel, m as em favor dos judeus exilados na Babilônia, que estariam enfrentando graves problem as em seus preparativos para retornar a Jerusalém . N esse caso, o livro tam bém m ostraria que Deus, em bora juiz dos judeus, já que os deixou ir para o exílio, haveria de restaurálos, por causa de sua m isericórdia. Esse segundo ponto de vista está m ais em consonância com o arcabouço histórico apresentado no próprio livro. N aturalm ente, a arcabouço histórico poderia ter sido utilizado pelo autor com o um a lição objetiva, destinada a um povo posterior, que estivesse enfrentando um conjunto inteiram ente diver­ so de dificuldades. VII. Canonicidade O livro de Daniel foi recebido no cânon do Antigo Testam ento na terceira divisão, cham ada Escritos. Ao livro de Daniel não se deu lugar junto aos livros de Isaías e Ezequiel. Daniel não mediou uma revelação à com unidade teocrática, mas foi um estadista judeu dotado de dons proféticos. Não obstante, o Talm ude ( Baba Bathra 15a) testifica sobre a grande estim a que os judeus tinham por este livro, que se tornou o único livro apocalíptico a ser aceito no cânon dos escritos sagrados dos hebreus. O cânon alexandrino incluía outros livros. Na Septuaginta, o livro de Daniel aparece entre os escritos proféticos, após o livro de Ezequiel, mas antecedendo os doze profetas m enores. Essa disposi­ ção tem sido seguida pelas traduções em línguas modernas. V er no Dicionário o artigo separado sobre o Cânon.

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DANIEL VIII. Esboço do C onteúdo A. Introdução. História R essoai de D a n ie l (1.1-21) B. Visões sobre N a b u codonosor e a H istória de Ciro (2.1— 6.28) a. A im agem em seu sim bolism o, e sua destruição pela pedra corta da sem mãos (2.1-49) b. A fornalha ardente (3.1-30) c. A visão da árvore, de N abucodonosor (4.1-37) d. O festim de B elsazar e a queda da B abilónia (5.1-31) e. A cova dos leões (6.1-28) • C. Várias Visões de D a n ie l (7 .1 — 12.13) a. As quatro feras (7.1-28) b. O carneiro e o bode (8.1-27) c. As setenta sem anas (9.1-27) d. A glória de Deus (10.1-21) e. Profecias sobre os ptolom eus, os selêucidas e acontecim entos do tem po do fim (11.1-45) f. A grande tribulação (12.1) g. A ressurreição (12.2,3) D. D eclaração F in a l (12.4-13) IX. Acréscim os A pócrifos A Septuaginta e a versão de Teodócio trazem consideráveis adi­ ções ao livro de Daniel, que não podem ser encontradas no cânon hebraico, a saber: 1. A O ração de A zarias (Dan. 3.24-51). 2. O Cântico dos Três Jovens (Dan. 3.52-90). 3. A História de Susana (Dan. 13). 4. A H istória de Bei e o Dragão (Dan. 14). Esse m aterial todo foi acrescentado ao livro canônico de Daniel para ser preserva­ do, por causa de paralelos literários, e, sem dúvida, sob a inspiração do próprio livro. Ver no D icionário o artigo separado sobre os Livros A pócrifos, quanto a com pletas descrições sobre o conteúdo e o cará­ ter. X. G ráfico Ilustrativo das S etenta S em anas Ver no D icionário esse gráfico, no artigo sobre as Setenta S em a­ nas. XI. Bibliografia I IB ID ND UN YOU Z A o Leitor O estudante sério deste livro preparar-se-á para o seu estudo lendo a Introdução, que apresenta tem as com o: características g e ­ rais; o hom em Daniel e pano de fundo histórico; autoria, data e debates a respeito; ponto de vista profético; proveniência e unidade; destino e propósitos; canonicidade; esboço do conteúdo; acréscim os apócrifos. A essas considerações adiciono algum as poucas notas: A Bíblia hebraica está dividida em três partes: 1. A Le/‘ — o Pentateuco; 2. os P rofetas: Josué, Juizes, I e II Sam uel, I e II Reis, Isaías, Jerem ias, Ezequiel e os doze cham ados P rofetas M enores; 3. os Escritos, que se com põem de doze livros: Salm os, Provérbios, Jó, Cantares de Salomão, Rute, Lam entações, Eclesiastes, Ester, Daniel, Esdras, Neem ias, I e I Crônicas. Os livros de I e II Sam uel, I e II Reis e I e II C rônicas form am urn único livro na B íblia hebraica. P rovavel­ m ente foram divididos em dois livros (a com eçar pela S eptuaginta) 3371 para que fosse m ais fácil m anusear os rolos, os quais por si sós já eram difíceis de m anusear, quanto m ais se perm anecessem inteiros. A té um leitor casual notará que as divisões da B íblia hebraica não são perfeitas, e que as divisões m odernas, de fato, são m elhores. Seja com o for, Daniel não estava incluído entre os profetas m aiores nem entre os m enores, mas, de fato, era um livro de profecia. Jesus cham ou Daniel de profeta (ver Mat. 24.15) e ninguém podia disputar a propriedade desse título. Ver o gráfico sobre os profetas hebreus na introdução ao livro de Isaías. D aniel é a p rim e ira grande obra a p o ca líp tica das E scrituras hebraico-cristãs. Ver no D icionário o artigo cham ado A pocalípticos, Livros (Literatura A pocalíptica). O utros exem plos desse tipo de litera­ tura são I Enoque, o Baruque siríaco e o A pocalipse do Novo Testa­ m ento. A essência do livro de Daniel é com posta por seis histórias, com quatro sonhos-visões. Talvez o Daniel referido em Eze. 14.14 e 28.3 seja a personagem bíblica. Mas os estudiosos liberais fazem dele um judeu piedoso que viveu sob as perseguições de A ntíoco Epifânio, 167-164 A. C. O s conservadores contudo não vêm razão avassaladora para negar que ele tenha sido um ativo real na Babilônia. V er no D icionário o verbete cham ado C ativeiro Babilónico. V er sobre autoria, data e pano de fundo histórico na seção III da Introdução. Alguns eruditos supõem que o livro inteiro tenha sido originalm ente escrito em aram aico. A seção de Dan. 2.4b-7.28 perm aneceu naque­ le idiom a (um a língua irmã do hebraico) até hoje. O restante do livro foi escrito em hebraico. “Daniel, a exem plo de Ezequiel, foi um cativo judeu na Babilônia. Ele pertencia à fam ília real (Dan. 1.3). Por causa de sua posição social e beleza física, foi treinado para servir no palácio real. Na atm osfera poluída de um a corte oriental, Daniel viveu um a vida de s in g u la r p ie d a d e e u tilid a d e . S ua lo n g a v id a e s te n d e u -s e de N abucodonosor a Ciro. Foi contem porâneo de Jerem ias, Ezequiel (14.20), Josué, o sum o sacerdote da restauração, e tam bém de Esdras e Zorobabel. O livro de Daniel é a indispensável introdução à profecia do Novo Testam ento, cujos tem as são: a apostasia da igreja; a m ani­ festação do hom em do pecado; a grande tribulação; a volta do S e­ nhor; a ressurreição e os julgam entos. Esses tem as, excetuando o prim eiro, tam bém são tratados p or Daniel. Ele é, distintam ente, o profeta dos tem pos dos gentios (ver Luc. 21.24). Suas visões cobrem todo o curso do poder gentílico m undial, até o seu fim, que será uma catástrofe, e até o estabelecim ento do reino m essiânico” ( S cofield R eference Bible, introdução ao livro). /4s Seis H istórias de D aniel e S eus A m igos: C apítulo 1: Daniel e seus am igos na corte de N abucodonosor C apítulo 2: O sonho de N abucodonosor C apítulo 3: O ídolo de ouro e a fornalha de fogo C apítulo 4: A loucura de N abucodonosor C apítulo 5: A festa de B elsazar C apitulo 6: Daniel na cova dos leões Os Q uatro S onhos Visões: C apítulo 7: A visão das quatro feras C apítulo 8: A visão do carneiro e do bode C apítulo 9: A profecia das setenta sem anas C apítulos 10-12: A visão sobre os últim os dias

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DANIEL 3373 EXPOSIÇÃO Capítulo Um As Histórias (1.1 - 6.28) Todas as histórias de Daniel têm por pano de fundo a corte da Babilônia. Quatro delas ocorreram durante o reinado de N abucodonosor (caps. 1-4). E uma história ocorreu nos dias de Belsazar, governador da Babilônia sob Nabonido, o último dos reis do im pério neobabiiônico (cap. 5). A última das histórias sucedeu nos dias do conquistador persa da Babilônia (cap. 6). Todas essas histórias têm elevado conteúdo moral, enfatizando com o o homem bom pode vencer qualquer obstáculo, se não com prom eter sua espiritualidade e moralidade, a despeito das provações pelas quais tiver de passar. Alguns judeus fiéis, que foram persegui­ dos, eievaram-se a altas posições em meio ao m ais crasso paganismo. As históri­ as narradas em Daniel são, ao m esm o tempo, contos de uma corte oriental, combinados com a tradição hagiográfica. A lguns eruditos supõem que tudo isso seja mero artifício literário, e tam bém que não devem os preocupar-nos com a realidade histórica envolvida. Em outras palavras, para esses eruditos trata-se de histórias de exem plos m orais e espirituais que não representam nem histórias nem profecias. Os eruditos conservadores, pelo contrário, encontram tanto valor histórico quando profético nesses relatos. Primeira História: Introdução a Daniel e Seus A m igos na Corte (1.1-21) Muitos eruditos crêem que todo o livro de Daniel tenha sido originalmente escrito em aram aico. Mas a parte do livro que continha escrita original aramaica é form ada pelos capítulos 2-6. O prim eiro capitulo foi escrito em hebraico. ‘'Essa é uma história que ensina com o a observância fiel da lei é recom pensada" ( Oxford A nn o lale d Bibie, com entando sobre o vs. 1). Prólogo (1.1-7) “Os dois primeiros versículos do livro de Daniel afirmam quando e como o profeta foi levado para a Babilônia. Os eventos do livro começaram no terceiro ano do reino de Jeoaquim, rei de Judá. Isso parece estar em conflito com a declaração de Jeremias de que o primeiro ano de Nabucodonosor, rei da Babilônia, ocorreu no quarto no do reinado de Jeoaquim (Jer. 25.1)” (J. Dwight Pentecost, introdução à seção). Ele apresenta duas maneiras possíveis de solucionar a aparente contradi­ ção: 1. O calendário judaico começava o ano no mês de tishri (setembro-outubro), enquanto o calendário babilónico começava o ano na primavera, no mês de nísã (março-abril). Se o cômputo babilónico for usado, obteremos o ano do cerco de Nabucodonosor de Jerusalém como o quarto ano de Jeoaquim, mas o cômputo judaico assinalava o terceiro ano. Daniel, sendo judeu, pode ter empregado o côm ­ puto judaico. 2. Então temos de considerar com o os babilônios contavam as datas dos reinados dos reis. A porção de um ano que antecedia o início de um novo ano, antes da subida ao trono, era cham ada de primeiro ano, mesmo que tivesse curta duração. Se Jeremias seguiu esse modo de contar as datas, então ele contou o ano de subida ao trono de Jeoaquim (que foi apenas parte de certo ano) como o primeiro ano. Paralelamente, Daniel pode ter usado o modo de contar judaico, que não considerava aqueles meses como o primeiro ano de reinado de um monarca. Assim sendo, ele contou somente três anos inteiros do reinado de Jeoaquim. Seja como for, o ano foi 605 A. C. A tudo isso devem os adicionar a observação de que discrepâncias dessa espécie, se é que existem, de modo algum comprometem a inspiração e a exatidão da mensagem. Harmonia a qualquer preço é, com freqüên­ cia, a manipulação de informes ao preço da honestidade. 1.1 No ano terceiro do reinado de Jeoaquim . Q uanto às três deportações de Judá que se seguiram aos diversos ataques de N abucodonosor contra Jerusalém, ver as notas sobre Jer. 52.28. “O terceiro ano de Jeoaquim foi 606 A. C. Nabucodonosor é a form a judaica de Nabuchadrezar, que, em 597 A. C., levou os tesouros do tem plo e cativos para a Babilônia (II Reis 24.10-15). No vs. 2, a Babilônia é cham ada por seu antigo nome, Sinear (ver Gên. 10.10; Isa, 11.11)” (O xford Annotated Bible, sobre o Prólogo). Note o leitor a variação da data supos­ ta. Cf. II Crô. 36.2 com II Crô. 36.5. O irm ão m ais novo de Jeoaquim , Jeoacaz, tinha sido posto no trono de Judá por Faraó Neco, que m atara o rei Josias, em 609 A. C. Neco destronou Jeoacaz e pôs Jeoaquim no trono (II Crô. 36.3-4). Daniel foi levado à Babilônia por ocasião da primeira deportação. Ver sobre Daniel, o homem, na introdução ao livro, seção II, primeiro parágrafo. 1.2 O S enhor lhe entregou nas mãos a Jeoaquim . Quanto à história completa dos ataques babilónicos e dos cativeiros subseqüentes, ver no Dicionário o artigo chamado Cativeiro Babilónico. O cativeiro ocorreu por meio de ondas. Jeoaquim foi primeiro subm etido ao pagam ento de tributo e ao acordo de que não se rebelaria. Quando ele ignorou esses acordos, Nabucodonosor retornou a Judá pela segunda vez, em 597 A. C. Nesse tempo, dez mil cativos judeus foram levados para a Babilônia. O profeta Ezequiel estava entre eles. Ver Eze. 1.1-3; II Reis 24.8-24 e II Crô. 36.6-10. Foi a incansável tríade idolatria-adultério-apostasia que causou a calamidade iniciada com Jeoaquim , mas não term inada com ele. Ver Jer. 7.30 ss.; 34.12-22 e Hab. 1.6. Alguns dos utensílios da casa de Deus. A primeira deportação incluiu um saque parcial do templo. Ver essa história em II Reis 24.12-16. Haveria um segun­ do ataque contra Zedequias, o último rei de Judá. Quanto a isso, ver II Reis 25.13­ 17 e cf. II Crô. 36.18 e Jer. 27.19,20. Sinear. Este era o antigo nome da Babilônia, usado pelos hebreus. Ver Gên. 10.10-11.2; 14.9; Isa. 11.11; Zac. 5.11. A casa do seu deus. O nome comum, nos livros de Reis, é “casa de Yahweh”. Escritores posteriores, com o aqui, usaram a expressão “casa de Elohim ” . O term o se repete em Dan. 5.3. O uso das palavras “de Elohim ” reflete o uso mais antigo. Ver Juí. 17.5 e 18.31. O santuário de Silo cham ava-se “casa de Elohim” , com o sentido de '‘casa de poder” . Ver no Dicionário o artigo cham ado Deus, Nomes Bíblicos de. O livro de Daniel tende a evitar o nome sagrado, Yahweh, provavel­ mente por motivo de respeito ao mais augusto dos nomes hebraicos de Deus. A deportação dos judeus foi uma grande perda financeira, e não meramente em termos de vidas. Algumas vezes, os templos antigos eram essencialmente tesouros. Ver I Crô. 28.11. Ezequias tolamente mostrou os tesouros do templo aos babilônios, o que acabou custando-lhe uma severa repreensão de Isaías. V er II Reis 20.12 ss. Seu deus. Dan. 4.8 informa-nos que o deus de Nabucodonosor era Bei, ou seja, Marduque, o deus cidade da Babilônia, cabeça do panteão babilónico da época. Cf. Isa. 46.1; Jer. 50.2; 51.44. Ver no Dicionário o verbete chamado Nabucodonosor. 1.3 Disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos. A spenaz figura por nome somente aqui, e não aparece em nenhum outro trecho do A ntigo Testam ento. Ele é cham ado de outros m odos por seis vezes, por “ o eunuco" ou “o chefe dos eunucos”, em Dan. 1.7-11,18. A derivação desse nome é incerta, m as sua versão hebraica parece significar “narina de cavalo” , por razões desconhecidas. Ele era o chefe dos eunucos do rei Nabucodonosor. Daniel e seus com panheiros foram entregues aos seus cuidados, e ele lhes trocou os nomes (ver Dan. 1.3,7). O tempo foi cerca de 604 A. C. A petição de Daniel, no sentido de que não fosse com pelido a com er as provisões enviadas à m esa real, foi aceita favoravelm ente, bondade que o profeta, agradecido, registrou em Dan. 1.16. Os eruditos suben­ tendem do fato que o homem era o chefe dos eunucos, e Daniel e seus com pa­ nheiros hebreus também foram feitos eunucos. Mas esse ponto é disputado. Além disso, o chefe dos eunucos nem sem pre era castrado. Aspenaz tinha o dever de preparar jovens prom issores para o serviço especial ao rei, e Daniel estava entre aqueles que foram escolhidos para esse mister. Assim da linhagem real como dos nobres. Quase incidentalmente, aprende­ mos algo do nascimento real ou nobre de Daniel. Mas não é dada nenhuma genealogia, o que seria comum, sabendo-se da importância atribuída à questão pelos hebreus. Quanto a comentários sobre o pano de fundo de Daniel, ver a seção II da Introdução. Josefo (Antiq. X.10.1) diz-nos que Daniel e seus companheiros pertenciam à família de Zedeouias, mas não sabemos se essa informação é correta, ou se ele supôs que tal informação fosse correta devido à declaração deste versículo. O Ofício de Aspenaz. Aspenaz é cham ado de chefe dos eunucos, que pode ter sido o significado da palavra nos tem pos de Daniel. Mas alguns sugerem a tradução “oficial” para o term o hebraico sarís, e isso deixa a questão ambígua. Esse homem, mesmo que fosse supervisor do harém real, provavelm ente tinha outros deveres também. 1.4 Jovens sem nenhum defeito, de boa aparência. D aniel e seus amigos nobres (ou reais) eram espécies físicos perfeitos. Adem ais, em bora jovens, eram conhecidos por sua sabedoria e erudição, pelo que tam bém se distinguiam inte­ lectualm ente. Conforme a narrativa se desdobra, descobrim os que eles eram homens espirituais especiais, que levavam a sério sua fé religiosa. Portanto, foi apenas natural que tivessem sido escolhidos pelo rei da Babilônia para receber um treinam ento especial, a fim de que fossem em pregados em algum serviço que lhes fosse planejado, em benefício do im pério. Essa história me faz lem brar do “dreno de cérebros” em que os Estados Unidos da A m érica está envolvido. Inte­ lectuais de muitos países, que ali vão para receber treinam ento, term inam ficando

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3374 DANIEL sem com o lutaram a fim de salvar e fom entar sua piedosa identificação judaica, perm anecendo fiéis a Yahweh e à lei m osaica. Notemos como os nomes anteriores ligavam essas figuras ao yahwismo: Hananias significa “Yah tem sido gracioso"; Misael significa “Quem é o que El é?”; Azarias significa “Yah tem ajudado”. E Daniel significa “El tem julgado”. Cada um desses nome incorpora um nome hebraico para Deus. Em sentido contrário, há esforços para fazer com que os nomes novos correspondam à divindade babilónica. Os massoretas suge­ riam que Bei podia ser visto no nome Beltessazar. Abede-Nego parece significar o mesmo que Abdi-nabu, “servo de Nebo”. Mesaque pode significar “estou desprezado (humilhado) (na presença do meu deus)”. Nada semelhante tem sido demonstrado no caso do nome Sadraque. Mas talvez a última sílaba, aque, esteja associada ao nome Sadraque, ou a Merodaque. No entanto, outros vêem aqui uma alusão a rak, que no acádico significa rei, e pelo qual devemos entender “sol” ou “deus-sol”. Mas outros preferem sugerir saduraku, que significa “temo (o deus)”. O Teste dos Fiéis (1.8-16) 1.8 Resolveu Daniel firm em ente não contam inar-se. Bem no com eço de ter sido tão altam ente favorecido, Daniel resolveu perm itir que sua fé religiosa interfe­ risse e lhe causasse dificuldades. Não são muitas as pessoas que perm item que sua fé intervenha em alvos e am bições mundanas, para nada dizerm os sobre os prazeres, que usualm ente form am a base de sua fiiosofia de vida. Daniel e seus amigos resolveram arriscar-se a enfrentar a ira do rei (que lhes seria fatal), a fim de perm anecerem fiéis. Eles se revoltaram contra o alim ento não-kosher que lhes era servido. Os alim entos consum idos pelos pagãos continham coisas considera­ das cerímoníalmente im undas para os judeus. Ver no Dicionário o artigo cham ado Lim po e Imundo. Daniel fez um propósito “em seu coração” (segundo a King Jam es Version e nossa versão portuguesa). Ele tinha profundas convicções sobre essas questões. Ver sobre coração, em Pro. 4.23. Quanto a outras instâncias nas quais os judeus tentaram efetivar seus regulam entos dietéticos em ambientes pagãos, ver Juí. 12.1-4; Tobias 1.10,11; IV M acabeus 5.3,14,27; Josefo (Vidas, 3); Jubileus 22.16. O texto de I M acabeus 1.62,63 mostra que, para alguns judeus, com er alimentos ilegítim os significava praticar pecados graves. Tudo isso se assem elha às convicções que os evangélicos costum avam ter, as quais, em nossos dias, foram essencialm ente abandonadas devido à atm osfe­ ra m undana de nossas igrejas. Notem os que Daniel tam bém rejeitou o vinho do rei. Os judeus bebiam vinho e, se fossem piedosos, eram usuários m oderados de vinho. Talvez Daniel estivesse apenas certificando-se de que não se contam inaria por im itar os com edores e bebedores da Babilônia, em nenhum sentido. Portanto, cortem os o vinho da lista. N abucodonosor dava a seus futuros oficiais uma prova da boa vida, parte da qual consistia em alim entos e bebidas superabundantes. Os babilônios não diluíam o vinho, m as os hebreus o faziam ; e, assim sendo, os babilônios tendiam mais para o alcoolism o do que os judeus. Alguns israelitas m isturavam uma parte de vinho com três partes de água, e alguns chegavam a diluir uma em seis partes. V er em Pro. 20.1 e Isa. 5.11 advertências contra as bebidas alcoólicas. Ver no Dicionário o verbete cham ado Bebedice. Os gregos e os rom anos também m isturavam vinho com água. Um dia, meu professor de latim, diante de uma passagem que m ostrava esse fato, declarou não entender como alguém podia fazer algo assim. E essa era, talvez, a única coisa, acerca dos gregos e romanos, que ele não com preendia. A lguns estudiosos sugerem que os alim entos babilônios eram dedicados a seus deuses por m eios rituais, algo pareci­ do com as bênçãos que, em nossos dias, m uitos pedem antes das refeições. Isso pode ter feito parte da objeção de Daniel. Humildem ente, Daniel requereu que fosse isentado dos alim entos oferecidos aos jovens hebreus, e Aspenaz, o porta-voz de Daniel, foi capaz de dar-lhe essa licença, conform e vem os no vs. 16. Daniel, entretanto, não dem onstrou intolerân­ cia ou anim osidade, com o fazem alguns separatistas hoje em dia. Ele não iniciava inimizades desnecessariam ente. 1.9 Ora Deus concedeu a Daniel m isericórdia e com preensão. A primeira coisa que sucedeu foi que Elohim (o Poder) influenciou Aspenaz para sim patizar com a causa de Daniel. O homem teve com paixão de Daniel, sabendo que até poderia ser executado, caso o pedido de Daniel desagradasse o rei. Portanto, ele fez o melhor ao seu alcance para tratar do caso. “Deus fez Aspenaz querer ser bondoso e m isericordioso com Daniel” (NCV). A história ensina, em última instân­ cia, que um homem pode defender suas convicções de m aneira civil, e que Deus pode m ostrar e realm ente mostra Seu favor em prol de quem quer ser-Lhe obedi­ ente. Cf. os casos de José no Egito; de Ester na corte de Assuero; e de Esdras diante de Artaxerxes. Não nos lembremos, entretanto, do mom ento em que Moisés se encontrou com o Faraó! “A graça de Deus capacita cada indivíduo a vencer as tentações para as quais as circunstâncias o conduzem ” (Ellicott, in loc.). Por causa da ação de Elohim Daniel recebeu o favor real, e por causa Dele Daniel, visto ter uma m issão a realizar na Babilônia, seria invencível até cum prir essa no país e servindo a A m érica do Norte, e não seus próprios países. Notemos que aqueles jovens tam bém eram “sim páticos” , pelo que os hom ens bonitos sempre têm algum a vantagem, e tanto mais quando possuem outras qualidades que acom panham a beleza física. Para assistirem no palácio do rei. Literalmente, diz o hebraico: “para se porem de pé perante o rei”. O texto fala em “serviço da corte” (ver I Sam. 16.21; I Reis 12.6), m esm a expressão usada para indicar os atendentes angelicais que estão de pé na presença de Deus, em Dan. 7.10. Esses hom ens extraordinários seriam usados em toda a espécie de serviço divino. E lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus. Note o leitor a ênfase sobre a educação e a cultura. Esses homens bons tornar-se-iam ainda melhores por uma boa educação que incluiria sério estudo da linguagem. Como eles deve­ riam servir na Babilônia, teriam de falar o idioma do lugar. “O program a educacio­ nal provavelm ente incluiu o estudo da agricultura, da arquitetura, da astrologia, da astronomia, das leis, da m atemática e da difícil língua acádíca” (J. Dwight Pentecost, in loc.). Nenhum prêm io é oferecido à ignorância. Um pai cuidará para que seus filhos obtenham uma boa educação. Não basta fazê-los ler a Bíblia. O acádico, conforme aprendem os em Jer. 5.15, era o neobabilônico. Embora fosse um idioma semítico, não era entendido pelos judeus. Abraão, naturalmente, veio de Ur, antiga cidade babilónica. Ver o artigo sobre Babilônia, no Dicionário. Até mesmo um judeu esperto teria pouco conhecimento em comparação com os ho­ mens bem-educados da Babilônia. Os judeus eram especialistas nos campos da religião e da literatura, mas pouco sabiam sobre as ciências e seus muitos ramos. 1.5 Determ inou-lhes o rei a ração diária. Àqueles jovens seletos e prom issores foi dado um tratam ento em estilo real; eles recebiam aulas de primeiro nível em boa mesa, e com iam diretam ente das provisões reais, ou seja, metaforicam ente, com iam “da m esa do rei” . Tinham os ricos alim entos e o vinho de que o próprio rei desfrutava, mas term inaram rejeitando essa alim entação em favor da comum dieta judaica, conform e se vê no vs. 16. Sem dúvida, por motivo de saúde, isso era m elhor para eles, mas a preocupação principal era obedecer à dieta judaica ideal. Além disso, a rejeição dos alim entos reais era uma m aneira de eles dize­ rem: “Tam bém rejeitam os o luxo e a idolatria deste lugar, com o algo contrário à boa m oral”. Os hebreus escolhidos para esse program a especial continuariam sendo treinados por três anos e então teriam de apresentar-se ao rei para que fosse verificado o quanto da educação babilónica tinham absorvido. Se fossem considerados qualificados, entrariam no serviço do rei. Os três anos de educação e treinam ento prático significariam a form ação universitária no sentido babilónico. Nabucodonosor não tinha uso para homens ignorantes. Esses acabariam varren­ do soalhos e cavando valetas. Daniel e seus amigos tinham de especializar-se nas tradições dos sábios caldeus, aperfeiçoando-se na sabedoria e erudição babilónica, tal como Moisés precisou tornar-se sábio na erudição egípcia (ver Atos 7.22). “Os pagens reais viviam da abundância real. Eles tinham rações diárias determinadas, o alimento e a bebida da mesa real. Ateneu (Deifosofistas, IV.26) mencionou que os atendentes do rei persa tinham recebido provisão da mesa real, e a porção diária para os cativos da realeza, na Babilônia, é mencionada em Jer. 52.34. Por três anos. Nos escritos babilónicos, desconhece-se qualquer período de três anos de educação, mas isso nos faz lem brar dos três períodos nos quais os escritores gregos diziam estar dividida a educação de um jovem persa (Platão, Alcebíades 1.121; Xenofonte, C yropaedia I.2)” (Arthur Jeffery, in loc.). 1.6,7 Entre eles se achavam, dos filhos de Judá. Estes dois versículos nomeiam os amigos de Daniel: Hananias, Misael e Azarias. V er no Dicionário os artigos sobre cada um deles. Todos pertenciam à tribo de Judá, presumivelmente (mas não necessariamente) de Jerusalém. No Dicionário há catorze homens que atendiam pelo nome de Hananias, no Antigo Testamento, e o do nosso texto é o de número oito. Há também três homens com o nome de Misael, no Antigo Testamento, e o do texto presente é o de número três no Dicionário. Finalmente, há vinte e cinco homens, no Antigo Testamento, que atendem pelo nome de Azarias! E este é o último Azarias da lista, no Dicionário. O chefe dos eunucos (chamado Aspenaz no vs. 3) mudou os nomes desses três homens para Sadraque, Mesaque e AbedeNego. Ver o artigo sobre esses três, juntam ente, sob esse título, onde apresento notas mais detalhadas. O nome de Daniel, finalmente, foi mudado para Beltessazar. O nome alternativo de Daniel aparece oito ou dez vezes na seção aramaica do livro (ver Dan. 2.26; 4.8,9,18,19 (quatro vezes) e 5.12). E também se acha em Dan. 1.7 e 10.1. Esses novos nom es provavelm ente significam que, doravante, eles seriam súditos babilónicos (sua história anterior term inou juntam ente com os antigos nomes) e serviriam a deuses babilónicos, e não a Yahweh. Em outras palavras, a esperança é que eles seriam totalm ente paganizados para melhor servir à Babilónia. Dessa form a, estava arm ado o palco para que eles m ostras­

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DANIEL missão. “ Um déspota oriental ordinário teria, em um a explosão de ira, ordenado que o ofensor fosse decapitado im ediatam ente” (Fausset, in loc.). 1.10 Disse o chefe dos eunucos a Daniel. O chefe dos eunucos não era especialista em nutrição, mas tinha certeza de que os jovens não-judeus, que se alimentavam de carne, seriam muito mais saudáveis, fortes e bonitos do que os judeus que se alimen­ tavam de vegetais. Ele seria responsabilizado por esse resultado e poderia ser demovido de seu cargo, ou mesmo executado por não ter cumprido o seu dever, cedendo diante das demandas tolas de um povo que não tinha direitos. O rosto deles era “parecido com a tristeza” (hebraico literai), por causa da dieta fraca. O chefe dos eunucos não seria capaz de ocultar a verdade. A cabeça do chefe dos eunucos corria perigo. 1. Ele poderia ser executado por decapitação, de acordo com alguns intérpretes; ou 2. ele seria considerado responsável e punido de qualquer maneira que o rei escolhesse. O termo cabeça representa a pessoa (ver I Crô. 10.9). 3375 John Gill (in loc.) admite que aquilo que Daniel e seus am igos com eram não podia resultar no bem, pelo que certam ente deve te r havido uma intervenção divina. Mas outros estudiosos louvam o vegetarianism o. No fim dos dez dias, as suas aparências eram melhores. O resultado foi que o cozinheiro-chefe (o homem que cum pria as ordens de Aspenaz) levantou a rica dieta babilónica e deixou os pobres hebreus a com er seus legumes e a beber sua água. Lembrem os que eles continuarem nesse regime por três anos. Grande deve ter sido a recom pensa por esse sacrifício! E é precisam ente com isso que o autor sacro procurava im pressionar-nos. Yahweh está com aqueles que se sacrifi­ cam por am or à justiça. O incidente foi uma lição ao desobediente povo de Judá, por causa de sua idolatria-adultério-apostasia naquele m om ento do cativeiro babilónico. A total ausência de bom senso e disciplina os levara àquele ponto. Não só de pão viverá o homem, m as de tudo o que procede da boca do Senhor... (Deuteronôm io 8.3) Epílogo (1.17-21) Agora o autor diz-nos diretamente que “Deus estava em tudo aquilo”. Deus deu o que eles precisavam: boa saúde, físico forte e mente aguda. Essas vantagens foram concedidas aos jovens hebreus como recompensa por sua fidelidade. Cf. Sal. 37 e Eze. 18-33. O rei foi muito exigente ao subm eter os jovens hebreus a testes e inspeções. A ajuda divina garantiu que eles não fracassassem, mas antes tivessem ressonante sucesso. O autor sacro estava dizendo que “os bons são recompensa­ dos” , especialmente quando se opõem às corrupções dos pagãos. 1.17 Não foi a dieta vegetariana que tomou os hebreus mais sábios e inteligente. Essas vantagens eles obtiveram pelo trabalho árduo e pela ajuda divina. Algumas pessoas clamam pela assistência divina, mas negligenciam o trabalho árduo. Quan­ do os estudantes fazem alguma prova de matemática, a classe toda apela para a oração. Isso é bom, mas tem pouca utilidade se os homens também não estudaram. Alguns estudantes apelam para a “cola” e ganham boas notas desonestamente, mas em algum ponto a Lei da Colheita Segundo a Semeadura (ver a respeito no Dicionário) haverá de alcançá-los. Assim sucede em nossa vida espiritual. Daniel foi abençoado com os outros jovens hebreus, mas recebeu um dom especial que seria importante m ais tarde: a capacidade de interpretar sonhos e visões. Em outras palavras, ele recebeu habilidades m ísticas. V er no Dicionário o verbete intitulado Misticism o. E em vez de o leitor criticar a palavra misticism o, sugiro que leia o artigo. V er no Dicionário o artigo cham ado Sonhos e Visões. Nos dias de Daniel, os profetas eram rejeitados. Mas Daniel cum priria sua missão completa, por causa de seus dons proféticos. Não esqueçam os que este versículo tam bém ensina que Daniel e seus am igos obtiveram sucesso no cum prim ento das expectações do rei ao dom inar a erudição e a sabedoria dos babilônios (ver o vs. 4). P ortanto, a vida com põese de várias realizações, incluindo a boa educação. O secular e o sagrado com binam -se na experiência de todos os hom ens preparados. É possível que alguém tenha uma m ente tão celestial que acabe sem uso algum neste m undo m aterialista. Cf. o caso de José. Ele foi favorecido com o hom em de m uitas aptidões, entre as quais se destacava a capacidade de interpretar sonhos (ver Gên. 4 0 .5 ;4 1 .1 ,8 ). 1.18 Vencido o tem po determ inado pelo rei. Ao fim dos três anos (vs. 5), chegou o grande e assustador dia. Os estudantes tiveram de com parecer pe­ rante o Grande Chefe, o próprio rei N abucodonosor, que seria o ju iz final. Eles seriam ou não o que ele queria que eles fossem . Se correspondessem ao desejo real, seriam galardoados, recebendo algum serviço em favor do m onar­ ca. Caso contrário, seriam expulsos do palácio, com o dem onstração de desgos­ to. A vida é assim . Som os responsabilizados por aquilo que fazem os e por aquilo em que nos tornam os. E tam bém existem ju ize s adequados que fazem essa avaliação. 1.19 Então o rei falou com eles. O fim da questão é o que esperam os saber, pois Yahweh estava com Seus servos, que se tinham sacrificado por causa Dele. Lembremo-nos, pois, de todo esse duro trabalho. Eles precisava que o coração estivesse disposto e a m ente funcionasse no m áxim o de suas potencialidades. Algum as pessoas religiosas querem que tudo lhes seja dado, m eram ente porque são religiosas, mas isso viola a lei do trabalho árduo do universo, uma parte integral da Lei M oral da Colheita Segundo a Semeadura. 1. 11,12 Então disse Daniel ao cozinheiro-chefe. D aniel foi o porta-voz dos outros três jovens hebreus e reconheceu que todos os quatro estavam debaixo da auto­ ridade de Aspenaz. Se o homem insistisse, acabaria fazendo o que bem quises­ se, e Daniel e seus am igos teriam de obedecer-lhe, ou então sofreriam as conse­ qüências da desobediência. Mas Daniel pediu que a questão fosse subm etida a teste por “dez dias” . Eles com eriam apenas legum es e tomariam água. A dieta de vegetais evitaria com pletam ente a carne, incluindo aqueles tipos não permitidos pelas leis judaicos do Lim po e do Im undo (ver a respeito no Dicionário). Beber som ente água evitaria que os jovens se em briagassem com o vinho sem m istura dos babilônios, que seria forte dem ais para os hebreus, acostum ados a m isturar vinho com água. V er as notas sobre os vss. 5 e 8. Os antigos sabiam quais alimentos eram necessários à boa saúde. A carne é essencial, a m enos que seja substituída por leite e derivados, que contêm proteínas, ou pelos tipos de feijão que tam bém contêm proteínas. O com plexo de vitam inas B é difícil de conseguir, a m enos que se consum a carne. Portanto, ficam os perplexo diante da esperança de sucesso com uma dieta vegetariana, que não era a form a típica de alim enta­ ção dos hebreus. Só podem os supor que Yahweh tenha intervindo. Naturalmente, dez dias não é o suficiente para produzir deterioração visível no estado físico de uma pessoa que se alim enta sem consum ir proteínas e o com plexo de vitaminas B. Seja com o for, uma quantidade suficiente de trigo poderia salvar o dia. 1.13 Então se veja diante de ti a nossa aparência. Passados os dez dias haveria uma cuidadosa inspeção da condição física dos hebreus; eles seriam comparados com os não-hebreus que tinham comido carne e bebido vinho e também estavam no programa de treinamento de Nabucodonosor. Aspenaz seria o juiz e tomaria uma nova decisão sobre os alimentos e as bebidas, se assim julgasse melhor. John Gill (in loc.) supunha que Yahweh fizera a Daniel uma revelação garantindo o sucesso do teste, mas isso parece desnecessário. Daniel, podemos ter certeza, confiava no Ser divino quanto ao bom resultado da experiência, pois estava servindo ao Ser divino. 1.14-16 Ele atendeu, e os experimentou dez dias. Aspenaz concordou com o teste de dez dias. Os não-hebreus banqueteavam-se com toda a came e o vinho sem mistura, enquanto os pobres hebreus comiam apenas feijão e arroz, e bebiam água. Essa dieta não era nada inspiradora, mas fazia bem. Dez dias geralmente figuram como um período de provas, mais ou menos como os quarenta dias, semanas ou anos. Ver Apo. 2.10. Portanto, os jovens hebreus estavam submetendo-se a um teste de fé e nutrição. No fim do período do teste, a fé deles foi justificada. Eles não somente pareciam mais saudáveis e fortes, mas também estavam mais bonitos. Quando foram comparados com os outros jovens não-hebreus, ficou definitivamente demonstrado que os legumes eram uma dieta melhor do que o regime de carnes, e que a água era melhor do que o vinho. Do ponto de vista natural, temos de supor aqui: 1. Os hebreus comiam bons alimentos de trigo, cereal rico em proteínas e no complexo B; 2. os não-hebreus ficaram debochados por todo o seu rico alimento, acompanhado de muita bebida alcoólica. Ou então Yahweh interviera diretamente, garantindo os bons resultados. O Criador também acompanhou Sua cria­ ção, recompensando e punindo, de acordo com os ditames das leis morais. A isso chamamos de teísmo, em contraste com o deísmo, que supõe que a força criativa (pessoal ou impessoal) abandonou sua criação aos cuidados das leis naturais. Ver sobre ambos os termos no Dicionário. A história foi escrita para judeus piedosos como uma lição objetiva, e podemos estar certos de que a intervenção divina era mais importante para eles do que uma nutrição saudável. Há um paralelo a essa história, no Testam ento de José (3.4), quando José, embora estivesse jejuando, m anteve-se em um estado físico superior ao dos egípcios, que se banqueteavam com um a dieta gorda. Assim sendo, aprendem os que aqueles que jejuam para o Senhor são recom pensados com a beleza física.

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3376 M as pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça, que m e foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei m uito m ais do que todos eles. Todavia, não eu, m as a graça de Deus comigo. (I Coríntios 15.10) DANIEL seu tempo na Babilônia, ele cum priu a função de porta-voz de Deus em meio ao paganismo. Além disso, com o é natural, teve uma m issão profética, embora o seu livro não seja classificado com o profético, de acordo com a tradição hebréia. Mas dentro da tradição cristã por certo ele é assim classificado. O rei subm eteu a teste os jovens hebreus, fazendo perguntas e requerendo exercícios teóricos e práticos. Os testes com provavam que os quatro melhores estudantes eram, exatamente, os jovens hebreus. O que torna as declarações deste versículo significativas é que eles eram os melhores, embora estivessem com petindo com um grupo seleto de jovens. Eles eram os melhores entre os m elhores. Foi algo sem elhante a Paulo, que se levantou para ser um apóstolo maior do que Pedro! Não foi fácil conseguir isso! Vês a um hom em perito na sua obra? Perante reis será posto; e não entre a plebe. (Provérbios 22.29) Capítulo Dois O livro de Daniel compõe-se essencialmente de seis histórias e quatro visões. As histórias ocupam os capítulos 1-6, e as visões os capítulos 7-12. Quanto a detalhes a respeito, ver a seção “Ao Leitor”, quinto e sexto parágrafo, antes da exposição a Dan. 1.1. Agora movemo-nos para a segunda história: O sonho de Nabucodonosor. Este longo capítulo, como é natural, divide-se em duas grandes parles: vss. 1-13, prólogo; e vss. 14-45, Daniel como intérprete de sonhos. Os vss. 46-49 contêm o epílogo. “ O Sonho de Nabucodonosor. Esta história ensina a debilidade da sabedoria humana, em com paração com a sabedoria conferida por Deus” (O xford Annotated Bible, na Introdução ao capítulo). A história é um paralelo da experiência de José, em Gên. 41. Há uma correspondência na fraseologia, o que provavelm ente m os­ tra que o autor sacro tinha aquela história na mente, quando escreveu o relato presente. Os tem as principais são: Toda a sabedoria hum ana é destituída de valor quando confrontada com a sabedoria conferida por Deus; uma filosofia da história; as eras deste mundo são guiadas pelo decreto divino; Deus humilha os orgulho­ sos e eventualm ente faz com que eles O reconheçam . V er com o o teísm o domina o relato. O C riador continua presente em toda a Sua criação — intervindo, recom ­ pensando e punindo. Ver sobre esse tema no Dicionário. Contrastar isso com o deísmo, que ensina que a força criadora (pessoal ou impessoal) abandonou o seu universo aos cuidados das leis naturais. Segunda História: O Sonho de Nabucodonosor (2.1-49) Prólogo (2.1-13) Esta história é datada no segundo ano do reinado de Nabucodonosor. “Desde os dias de Josefo, tem sido exercida grande engenhosidade para explicar como Daniel pôde ter estado ativo em alguma capacidade oficial, no segundo ano do rei, quando se declarou que somente após três anos de treinamento é que Daniel foi introduzido à presença de Nabucodonosor. Mas a data precisa é apenas um artificio literário que pertence ao arcabouço histórico, e a incoerência que nos impressiona nada teria significado para o escritor sacro e seus contemporâneos” (Arthur Jeffery, in loc.). 2.1 1.20 Em toda matéria de sabedoria e de inteligência. Daniel e seus amigos dominaram realmente as matérias que haviam estudado. Eles tinham compreendido a matemática e as ciências; dominaram a astrologia, a astronomia e, ao que tudo indica, as artes psíquicas; ou por que o autor diz que eles ultrapassaram em conhe­ cimento aos mágicos e encantadores? Aqueles hebreus, de fato, eram dez vezes mais espertos que os jovens não-hebreus e chegaram até a aprender a gramática babilónica, embora usualmente os estudantes tenham alergia à gramática. Do que todos os magos. No hebraico, hartumm im , palavra também usada nos capítulos 2, 4 e 5. Ver tam bém Gên. 41 e Êxo. 7-9. O term o pode referir-se à classe dos sábios, mas devemos lem brar quão im portantes eram para os babilônios as artes psíquicas. O que é psíquico é neutro em si mesmo e pode ser posto em bom ou mau uso. Ver o artigo detalhado sobre Parapsicologia, na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Um homem , por ser um homem, tem poderes psíqui­ cos, que são apenas inerentes à natureza humana. Existem abusos quando m en­ tes estrangeiras e espíritos se misturam . Além disso a m ente humana pode ser corrom pida e, com freqüência, se corrompe. No entanto, o ser humano é uma psique, um espírito, e, naturalm ente, possui qualidades e habilidades espirituais. “A palavra geral m ágicos (no hebraico, hartumm im , Dan. 1.20 e 2.2) referia-se a homens que praticavam as artes ocultas. Essa palavra tam bém é usada em Gên. 41.8; Êxo. 7.11,22; 8.7; 9.11” (J. Dwight Pentecost, in loc.). Encantadores. No hebraico, ‘a ssapim , palavra usada som ente por duas ve ­ zes no Antigo Testam ento: Dan. 1.20 e 2.21. Provavelm ente estão em vista aque­ les que eram aptos em todas as form as de encantos m ágicos e exorcismo. Eles eram espertos nas questões espirituais, conform e os babilônios as entendiam. Provavelmente por trás dessa palavra está o verbo babilónico kasapu, '“encantar1 , “lançar um encantamento", “exorcizar”. V er o artigo do Dicionário denominado Adivinhação. Daniel e seus am igos ultrapassavam a esses homens. Porventura os derrotaram no próprio jogo deles? Não há razão para suporm os que Daniel se reduziu a praticar as artes dos babilônios, mas a indicação clara do texto é que ele era homem dotado de consideráveis aptidões psíquicas e proféticas. Ele tinha uma excelente form a de misticism o. Não apenas lia a Bíblia e orava. Ver no Dicionário o artigo cham ado Desenvolvim ento Espiritual, M eios do. 1.21 Daniel continuou até ao primeiro ano do rei Ciro. Este versículo é uma peque­ na nota cronológica acerca do período de permanência de Daniel na Babilônia. Ele continuava lá quando Ciro derrotou os babilônios, cerca de 539/538 A. C. isso significa que a carreira de Daniel na Babilônia durou setenta anos. Talvez esta nota queira dizer-nos que Daniel morreu no ano em que Ciro subiu ao trono. Mas Dan. 10.1 diz que Daniel estava vivo no terceiro ano do governo de Ciro. Não há indicação de que Daniel tenha voltado a Jerusalém, embora existam tradições que dizem precisamente isso, ao passo que outras respondem com um “não”. Dan. 9.25 menciona o retomo dos exilados, mas não confere a Daniel nenhuma participação nisso. O livro não demonstra grande interesse por essa parte da história. Ela tem escopo mundial. Lições da P rim eira H istória. Deus honra à queles que O honram (ver i Sam . 2.30), algum as vezes de m aneira pú b lica e gloriosa, m as sem pre de m aneira pa rticu la r e adequada. A ob e diê n cia leva a m uitos triunfos. P ortanto, existem m uitas recom pensas para os fié is. D aniel teve um a m issão longa e bem -sucedida, distante de sua terra, sob circun stân cia s adversas. Devemos entender que Daniel teve um a importante obra a fazer na chamada de Nabucodonosor, de quem se tornou valioso conselheiro. Adem ais, durante o No segundo ano do reinado de N abucodonosor. Ao rei foram dados por Deus alguns sonhos inspirados — esse é o sentido óbvio do versículo. Ele ficou perturbado e foi forçado a apelar para a ajuda de Daniel a fim de com preender esses sonhos. Ver no Dicionário o verbete cham ado Sonhos. Se a m aioria dos sonhos é inspirada pelo cum prim ento dos desejos, existem sonhos espirituais e psíquicos que vão além desses lim ites. Assim sendo, os homens idosos sonham, e os jo v e n s vêem visõ e s (Joel 2 .2 8), p o r d iv in a d ire ç ã o e in s p ira ç ã o . Nabucodonosor, sendo um grande rei, naturalm ente sonharia com coisas secula­ res. E também não precisava ser um judeu para ser guiado pelo Espírito Santo. 2.2 Então o rei mandou cham ar os magos... A m aior parte dos povos antigos levava a sério os sonhos. Certam ente isso se dava com os hebreus. Aqui e ali na Bíblia encontramos sonhos espirituais que são quase visões. Em minha própria experiência, tenho tido sonhos que definitivam ente não podem ser classificados como sonhos com uns e profanos. Sonhar é, de modo geral, uma herança espiritu­ al, e ocasionalm ente uma pessoa atinge o outro mundo e traz dali algo de especi­ al. Cf. este versículo com Dan. 1.17,21. Daniel tinha habilidades especiais como intérprete. Dos sábios da Babilônia, esperava-se que tivessem discernim ento pro­ fético. Portanto, foi apenas natural que o rei os convocasse para testar suas habilidades. O term o “caldeus” fala da casta coletiva dos sábios. Os sonhos e as visões são a m esm a coisa e originam-se da alma e da psique humana. Fazem parte do estoque inerente de conhecim entos dos homens. Algumas vezes, porém, um bom intérprete pode ter discernim entos que ultrapassam suas próprias habili­ dades, e podem os com razão supor que, vez por outra, nossos anjos guardiães nos ajudam em nossos sonhos, concedendo-nos entendimento. Talvez o Espírito Santo ocasionalm ente condescenda em intervir pessoalm ente na questão. Freud escreveu o primeiro estudo científico sobre os sonhos, com consideráveis habili­ dades de interpretação, embora tenha exagerado nas questões sexuais. A tual­ mente, grande riqueza de literatura ajuda-nos a com preender m elhor os sonhos. “Parece que Daniel ultrapassava (ver 1.17) todas as classes da erudição mágica, sem importar se isso requeria conhecimento, sabedoria ou sonhos” (Ellicott, in loc.).

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METÁFORAS DE DANIEL METAIS, ANIMAIS E NAÇÕES NOS CAPÍTULOS 2,7 E 8 DE DANIEL Metais em Dan. 2 Ouro Prata Animais em Dan. 7 Leão com asas Urso Bronze Leopardo com asas Ferro (ferro e cerâmica mistura­ dos) A besta Nações Descritas Babilônia Carneiro não castra­ Medo-persa; ou só Média, segundo do muitos intérpretes Grécia; ou Pérsia, segundo muitos Bode intérpretes Roma; ou Grécia, segundo muitos intérpretes Animais em Dan. 8 Observações: Os intérpretes não concordam sobre as interpretações do urso (prata), do leopardo (bronze) e da besta (ferro). Ver as anotações acompanhantes. Os metais diminuíram em preciosidade até o ferro comum. Na mente do autor, as nações também se degenerariam em termos de glória. Roma, como o quarto reino, entrou na interpretação de Daniel como uma acomodação à história. Esta acomodação foi adotada pelo escritor de Apocalipse do Novo Testamento. ★* * * ★* O REINO ETERNO O Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo substituirá para sempre, como viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro. O Grande Deus fez saber ao rei o que há de ser futuramente.

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3378 DANIEL casas”, no tocante aos castigos antigos. Quando um homem caía, caía também a sua casa (ver Erato, 1.1.6), John Gill conta-nos um caso ocorrido em seus dias. Damien, um louco, feriu um rei francês. O homem foi executado, e o lugar onde ele nasceu foi demolido. Cf. este versículo corn II Fieis 10.27. 2.6 Mas se me declarardes o sonho e a sua interpretação... Qualquer indiví­ duo, dentre os magos, ou a coletividade deles, se fosse capaz de dizer qual fora o sonho esquecido do rei, e então o interpretasse corretam ente, obteria riquezas e honras e seria elevado a um alto ofício no reino. E o rei disse: “Portanto, agora façam isso!”. Talvez o rei tenha raciocinado que, se um vidente não pudesse lem brar o passado, então também não poderia predizer o futuro Os estudos dos fenôm enos psíquicos têm dem onstrado que o retroconhecimento e a precognição não andam de mãos dadas, necessariam ente, na mesma pessoa. Mas é verdade que a m aioria das pessoas que pode prever o futuro tem outras habilidades psíquicas, de alguma sorte. Todas as pessoas, em seus sonhos, têm discernimento quanto ao futuro, especialm ente nos sonhos que ocorrem ao alvorecer do dia. Ver na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia o? v“ rb°tes cham ados P iecognição e Sonhos. 2.7,8 Responderam segunda vez, e disseram . Os m agos insistiram em ouvir primeiramente o sonho, mas este desaparecera da memória do rei. Para preser­ var os sonhos, uma pessoa geralm ente tem de anotá-los por escrito im ediatam en­ te. Se não fizer isso, na maior parte dos casos, os sonhos são esquecidos. Eles se encontram nos arquivos do cérebro, mas não podem ser lembrados conscien­ temente. A hipnose, entretanto, pode trazê-los de volta, O rei acusou os “m agos” de tentarem “ganhar tem po”, pois falavam e não agiam (vs. 8). O rei mencionou novam ente despedaçá-los e destruir suas casas (vs. 5), caso eles não conseguis­ sem fazer o que era requisitado. E por causa dessa tremenda ameaça eles tentavam ganhar tempo, esperando que algo acontecesse, sem que tivessem de revelar sua total ignorância. Se eles continuassem tentando ganhar tempo, o rei poderia esquecer a questão ou então relem brar o sonho. 2.9 Isto é: Se não me fazeis saber o s onho... A queles p síq u ico s p ro fis s io ­ n ais ocupavam sua posição de confiança com o conselheiros do rei, por serem capazes de re a liza r o seu serviço. Os fenóm enos psíquicos funcionam m elhor quando não são forçados, m as o rei não sabia disso nem o uviria tal a rgum en­ to. Se os m agos não dessem resposta ao rei, não passariam de m entirosos com uns. O rei chegou a acusá-los de consoiração. Eles tinham acordado em e n ganar ao m onarca. C ontinuavam a contar m entiras, esperando algum a m u­ dança da parte do rei, conform e é sugerido no vs. 8. A lguns psíquicos muito p oderosos podem pro d u zir fenôm enos quando solicitados, m as não são m ui­ tos os que conseguem esse feito. E aqueles que conseguem nem por isso solucionam os problem as das pessoas. Este ve rsículo revela a crença de que tais poderes operam m elhor em certos dias. Cf. Est. 3.7. E studos dem onstram que, de fato, há dias m elhores e piores para os fenôm enos psíquicos, e outro tanto acontece no caso dos sonhos. A lgum as vezes, sonhos sig n ifica tivos nos ocorrem com o se fossem enxurradas. Mas não entendem os a razão de tudo isso. Essas razões podem ser cósm icas ou pessoais. Se tais poderes se devem a energias genuínas da p ersonalidade hum ana, então tais energias podem ser influenciadas pelos cam pos m agnéticos que tios rodeiam ou por outras energias naturais. Ou, então, conform e diz certo cântico popular: “ Em um dia claro, pode-se ver para sem pre" 2 .10,11 À lista de especialistas dada em Dan. 1.20, são adicionados aqui os ‘■feiticei­ ros”. A palavra hebraica é rrekhashashephim , ou seja, alguém que sussurrava encantamentos. A palavra, de origem m esopotâm ica, também é usada em Êxo. 7.11. O kesheph, de Isa. 47.9,12, e o kashshaph, de Jer. 27.9, eram equivalentes aos term os acádicos kispu e kassapu. Talvez o term o seja técnico, indicando uma classe de sábios que estavam envolvidos nas artes psíquicas. 2.3 Disse-lhes o rei: Tive um sonho. O rei transmitiu aos sábios de várias classes e habilidades o(s) sonho(s) que o mantinha(m) em estado de apreensão e ansiedade, Seu espírito estava perturbado, e ele sabia que não se tratava de um sonho comum. Usualmente, os sonhos psíquicos e espirituais chegam com cores extravívidas, bela música, notáveis simbolismos e grande impacto emocional. Quando alguém anda com o Espírito, mesmo que apenas por um pouco, então, ao dormir, tem conhecimento disso. Durante um período de três anos, registrei cuidadosamente os meus sonhos. Mais de cinqüenta deles foram claramente precognitivos. Tive alguns sonhos espiritu­ ais muito significativos que me ensinaram coisas que eu precisava saber. Eram so­ nhos totalmente diferentes do restante dos meus sonhos, e me deixaram perplexo. Vez por outra tenho tido uma enxurrada desses sonhos. Mas, de outras vezes, eles ocorrem apenas no intervalo de uma vez por ano. O certo é que tanto o espírito quanto o Espírito Santo podem fazer-se presentes nos sonhos. Deveríamos cultivar isso muito mais, por ser várias vezes uma possível fonte de informação necessária. 2.4 Os caldeus disseram ao rei em aramaico: Ó rei. Os especialistas convocados estavam ansiosos por ouvir o sonho, confiando que a interpretação não estaria fora do alcance de sua habilidade. O texto diz que aqueles homens faiaram em aramaico. Isso pode subentender que, a partir deste ponto, o texto original do livro foi escrito nesse idioma. Alguns estudiosos supõem que o livro inteiro tenha sido escrito nessa língua, depois traduzida para o hebraico. A seção de Dan. 2.4-7.28 está escrita em aramaico, no livro de Daniel, até os dias de hoje. O restante do livro está escrito em hebraico, mas pode ter sido traduzido do original aramaico. Não pode haver dúvida de que aqueles homens eram bons na interpretação dos sonhos. A maioria das pessoas, prestando atenção e usando de diligência, pode tomar-se fazer boas interpretações dos sonhos. Mas existem sonhos que nos chegam, por assim dizer, de uma estação de rádio estrangeira, e nos deixam perplexos, e foi isso o que aconteceu aos sábios e feiticeiros da Babilônia. Tornava-se necessária a ajuda divina, por meio de Seu profeta, para solver os enigmas do sonho de Nabucodonosor. Caldeus. Neste ponto, a palavra é usada para falar sobre as várias classes de sábios, referidos em Dan. 1.21 e 2.2. A expressão de tratam ento “Ó rei, vive eternamente" era com um entre eles. Demonstrava respeito, bem como uma solici­ tação pelo bem-estar do monarca. Tam bém enfatizava o seu valor como líder. Ele seria homem tão bom que não deveria nunca m orrer, mas, sim, continuar gover­ nando indefinidamente. Cf. Dan. 3.9; 5.10; 6.6,21; I Reis 1.31 e Nee. 2.3. Daremos a interpretação. “Interpretação” vem da palavra hebraica pishra, que fala do desatar de fios com nós. Na verdade, interpretar alguns sonhos é sem elhante a isso, ao passo que o significado de outros sonhos está na superfí­ cie. A interpretação de sonhos tornou-se uma ciência elaborada, entre alguns antigos, pois, nos sonhos, os deuses falavam . “ Porções dos livros sobre os so­ nhos, registradas em escrita cuneiform e, ainda sobrevivem , dando instruções de­ talhadas sobre com o os vários elem entos de um sonho deveriam ser interpreta­ dos (ver S. H. Langdon, ‘A Babylonian Tablet on the Interpretation of D ream s’, M useum Journal, VII (1917), (págs. 115-122)” (Arthur Jeffery, in loc.). 2.5 Respondeu o rei, e disse aos caldeus. O rei levou a coisa muito a sério, e ameaçou os sábios com morte por mutilação (“sereis despedaçados"), caso eles deixassem de prover uma interpretação satisfatória. Conjecturo que Nabucodonosor ameaçou lançá-los aos leões. Este versículo mostra o importante lugar que a inter­ pretação de sonhos ocupava na sociedade babilónica. O rei havia esquecido o sonho, pelo que em nada pôde ajudar os magos. Eles teriam de reveiar qual fora o sonho e então interpretá-lo, tarefa dupla que, segundo eles disseram, somente os deuses seriam capazes de realizar (vs. 11). Daniel, porém, com a ajuda de Deus, foi capaz de revelar o sonho e interpretá-lo. A lição principal do capítulo começou a emergir: a sabedoria humana é débil quando comparada à variedade de sabedoria dada pelo Espírito. É a sabedoria de Deus que guia o destino do mundo, das nações e dos indivíduos. Os homens são capazes de aprender algo a esse respeito, se forem dignos disso. As casas e famílias dos sábios muito teriam a perder, pois haveria execuções e destruição, e casas boas seriam transformadas em monturos, caso os magos da Babilônia falhassem. Essas am eaças devem ter abalado o sub­ consciente daqueles homens. Mas coisa alguma funcionou. A form a de sabedoria dos m agos fracassou na hora do teste. Heródoto fala sobre a “destruição das Não há m ortal sobre a terra que possa revelar o que o rei exige. Os psíquicos profissionais da B abilônia apelaram então para a história. Não ha­ via nenhum caso registrado de hom em , rei ou não, que tivesse fe ito tal e xi­ gência a um psíquico, para receber com sucesso a resposta que buscava. N abucodonosor exigia o tipo de coisa que som ente um deus seria capaz de re a liza r (vs. 11). A queles hom ens confessaram as lim itações de sua p ro fis­ são, lim itações que desaparecem quando o Espírito de Deus está envolvido. D aniel m ostrou estar à altura da tarefa. A sabedoria hum ana, pois, aparece nesse caso com o débil, e esse é um dos grandes tem as do capítulo. “Os deuses não vivem no m eio do povo" (afirm aram eles), pelo que não podiam ser invocados para ajudar. M as Yahw eh, o Deus de D aniel, estava sem pre presente, e daria poder a Seu servo para fazer o que som ente o poder divino era capaz de realizar. O ju d a ísm o é g lo rifica do às expensas do paganism o, e esse é, igualm ente, um tem a do livro de D aniel. A queles m agos tinham d e u ­ ses deístas, os quais nunca intervêm na h isteria hum ana, m as estão em algum outro lugar, ocupados em seus p róprios negócios.

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DANIEL 2.12,13 Então o rei m uito se irou e enfureceu. Nabucodonosor perdeu a paciência e ordenou um decreto terrível: toda a classe dos psíquicos profissionais (magos de vários tipos) seria executada. Entre eles estavam Daniel e seus amigos. Torna­ se óbvio, através do vs. 13, que Daniel, em sua educação geral, fora treinado para ser um dos sábios (o grupo com binado dos mágicos, astrólogos e feiticeiros, vs. 2). Essa não é a linguagem evangélica. O s judeus naturalm ente estabeleciam uma distinção: Daniel era inspirado por Yahweh, e os dem ais eram dotados ape­ nas de sabedoria humana, inspirados quem sabe por qual tipo de poderes estra­ nhos. “ ... a coletividade inteira de sábios, que, de acordo com Dan. 1.20, incluía Daniel e seus am igos. A expressão “sábios” ocorre onze vezes no livro com o nome geral para os sábios da corte, e duas vezes (2.27 e 5.15) com o nome para uma classe com o tal: astrólogos, m ágicos, encantadores. No O riente Pró­ ximo, esses adivinhos, feiticeiros sacerdotais etc. form avam uma espécie de classe. O rei estava decidido a livrar-se daquele corpo inteiro de sábios. D ecre­ to: A m esm a palavra era usada para indicar um a sentença ju d ic ia l (vs. 9)” (Arthur Jeffery, in loc.). O Intérprete Daniel (2.14-45) O Decreto do Rei e Suas Conseqüências (2.14-19) 2.14 Então Daniel falou avisada e prudentem ente. O judeu Daniel agora repre­ senta o sábio ideal, o homem educado que tinha a vantagem de possuir o Espírito de Yahweh, o que o distinguia dos dem ais sábios. Desse modo, fica dem onstrada a superioridade do judaísm o em relação ao paganism o. Misericordiosam ente, Daniel, sob o poder de Yahweh, salvou toda a casta dos sábios, o que era a coisa decente e humanitária a fazer. Já exibindo sua sabedoria superior, m esm o antes de ter recebido qualquer orientação da parte de Yahweh, Daniel respondeu ao inquisidor com habilidade e com eçou a contornar a dura situação. Arioque, capitão da guarda do rei, recebeu a tarefa de cuidar da execução geral dos sábios, e Daniel e seus amigos foram localizados e inform ados quanto à sentença. O título desse hom em é usado em II Reis 25.8. Ver também Jer. 39.9 e 52.12 ss. Literalmente, o título significa “chefe dos executores". A execução de inim igos do rei fazia parte de seus deveres, que entretanto não se limitavam a isso. O homem era um dos principais oficiais do rei, parte de sua guarda pessoal. Daniel respondeu com prudência e discrição (Revised Standard Version) ou com “sabedoria e habilidade" (NCV). V er no Dicionário o verbete intitulado Arioque, segundo ponto, quanto a detalhes. 2.15 E disse a Arioque, encarregado do rei. Daniel caracterizou o decreto de severo e quis saber p o r que o rei tinha ordenado tão drástica medida. Sem dúvida alguma m aldade significativa tinha provocado aquele ato. Foi assim que Arioque explicou a questão inteira, a qual, para Daniel, podia ser facilm ente rem ediada por uma interpretação bem -sucedida. À raiz da palavra aqui traduzida por “severo", está a idéia de “pressa indevida” . M as a palavra tam bém denota severidade. Alguns estudiosos, porém, defendem a idéia de perem ptório. O rei não tinha esperado por um segundo pensam ento sóbrio, conform e os gregos aconselhavam que fosse feito. 2.16 Foi Daniel ter com o rei e lhe pediu designasse o tem po. Daniel aproxi­ mou-se ousadamente do rei, sem dúvida com a m ediação de Arioque (ver o vs. 24), solicitando uma entrevista pessoal. Dessa forma, Daniel deixaria a questão descansar, satisfazendo a demanda do rei por inform ações. Daniel dependia do auxílio da fonte divina, Yahweh. Ele não tinha tal confiança em si m esmo. “A providência sem dúvida influenciou sua mente. A Daniel seria concedido algum favor especial” (Fausset, in loc.). A hora era de ousadia, e não de humildade, pelo que o profeta agiu com grande decisão. A humildade seria apropriada para uma ocasião m enos dramática. 2.17 Então Daniel foi para casa. O A poio da Oração. Tanto a experiência quanto a experim entação (incluindo a de variedade científica) m ostram que a oração é m ais poderosa quando feita em grupo. Energias espirituais geradas por pessoas unidas em um propósito não podem ser geradas por indivíduos com uns. Dessa form a, Daniel buscou apoio na oração. Ele apelou para seus três am igos. Q uatro am igos tinham um a só m ente, e esperavam grandes coisas da parte de Yahweh. M ais coisas são efetuadas pela oração D o que este m undo sonha. (Tennyson) Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. (M ateus 7.7) 2.18 3379 Para que pedissem m isericó rd ia ao D eus do céu. “ N aquele tem po de testes, D aniel m anteve a calm a. Ele voltou para casa, procurou seus três am igos, e, ju n to s, eles oraram pedindo m isericórdia da parte do Deus do céu. Esse títu lo é usado para in d ica r D eus seis vezes no livro de D aniel (ver 2 .18,19,28,37,44 e 5.23), nove vezes no livro de Esdras e q u atro vezes no livro de N eem ias. Em outros lu g a re s do A ntigo Testa m e n to , ocorre som ente em Gên. 24.3,7; Sal. 136.26 e Jon. 1.9” (J. D w ight P entecost, in loc.). No contexto do livro de D aniel, ap o nta p ara Y ahw eh com o o D eus A ltíssim o, em contraste com os deuses ba b ilón ico s ausentes (ver o vs. 11). Os babilônios tinham um a espécie de deísm o idólatra, pois a força cria tiva era vista com o inativa entre os hom ens, p orquanto aba nd o n a ra sua cria çã o às leis naturais. Em contraste com isso, a fé dos h ebreus e ra teísta. O teísm o ensina que o poder cria tivo continua no universo, in te rvin d o , reco m p e n sa n do e punindo, de acordo com as dem andas da lei m oral. V er sobre am bos os te rm os no D ic io ­ nário. “O Deus do céu é o e q u ivalente ju d a ico do nom e cananeu B a ’a l sam em . Esse era o títu lo que os persas usavam para re fe rir-se ao D eus dos judeus. Parece que caiu de uso em te m p o s p o ste riore s, por asse m e lha r-se m uito ao term o grego Z e u s O uraniosf (A rth u r Jeffery, in loc.). 2.19 E ntão fo i rev e la d o o m is té rio a D an iel. O m is té rio do so n h o do rei foi re so lvid o p o r m eio de um a visã o no turn a. T a lv e z esse te rm o fo sse d is tin g u i­ do dos so n h o s com o a lg o su p e rio r, co n fo rm e se vê em Jo e l 2 .2 8. M as parece que no livro de D aniel o so nho e sp iritu a l é c o n s id e ra d o de m esm p nível que as visõ e s. V er no D ic io n á rio os a rtig o s S on h o e V isão (V isõ es). É ve rd a d e que na e xp e riê n c ia h u m a n a a lg u m a s ve ze s p re cisa m o s de um a o rie n ta çã o e sp e cia l que vem p or m eio da in s p ira ç ã o m ística . A D aniel foi c o n fe rid a essa b ênção, em sua hora de n e ce ss id a d e . O h, S en h o r, co n ced e nos tal graça! O p ró p rio D aniel a lg u m a s ve z e s m ostro u -se in c a p a z de o b te r o rie n ta çã o p or sua sa b e d o ria , a q u a l e ra m uito su p e rio r à nossa. A ssim sendo, é óbvio que, a lg u m a s ve ze s, p re cisa m o s de o rie n ta çã o esp e cia l por m eio de e ve n to s e xtra o rd in á rio s. C f. e ste ve rs ícu lo com G ên. 4 6 .2 e Jó 33.14 ,1 5 . D aniel e se u s a m ig o s ora ra m d u ra n te a no ite , e e is que no m eio da no ite a re sp o sta chegou. A lg u m a s ve ze s p re cisa m o s de re sp o s ta s rá p i­ d a s! D aniel e sta va a b o rd a n d o um m is té rio , m as, a tra vé s da o ra çã o , até m isté rio s podem se r re ve la d o s p e la sa b e d o ria de D eus (vs. 3 0 )” (O xfo rd A n n o ta te d B ible, co m e n ta n d o so b re o vs. 18). O Hino de Louvor de Daniel (2.20-23) 2.20 Disse Daniel: Seja bendito o nom e de Deus. A grande vitória alcançada foi a inspiração para o significativo hino de agradecim ento e louvor ao Poder que prestara grande favor aos jovens judeus. Os que conhecem a literatura poética, conform e ela existia na antiga nação de Israel, dizem -nos que o poema a seguir consiste em quatro estrofes de três e quatro linhas, sendo corretam ente classifica­ do com o um hino. Trata-se de um tem a que louvava a sabedoria e o poder de Deus. Cf. I Cor. 1.24. Deus intervém na história humana, e nós agradecem os e O louvamos por isso. Encontramos sentim entos sim ilares em Sal. 41.13; Jó 12.12,12; Nee. 9.5 e Est. 1.13. O segredo foi revelado facilm ente, pois Deus sabe de tudo. A visão noturna deu a Daniel toda a inform ação de que ele precisava, e eram inform ações salvadoras. A fonte dessas informações foi o Deus do céu. Ver as notas expositivas sobre o vs. 18 quanto a esse título. A oração dos quatro am igos m ostrou ser realmente poderosa. P oder na oração, Senhor, p o d er na oração; A qu i em m eio aos pecados, à tristeza e aos cuidados da terra: Hom ens perdidos e m oribundos, alm as em desespero. Oh, dá-m e poder, p o d er na oração. (Albert Sim pson Reitz)

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