Caleidoscópio nº 61

 

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Caleidoscópio nº 61

Popular Pages


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Revista Nº 61 COLÉGIO SANTA MARIA A alegria de desenvolver trabalhos sociais Eleições com pedagogia A conquista da escrita Atividades da Semana Pe. Moreau

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Mosaico Expediente COLÉGIO SANTA MARIA Av. Sargento Geraldo Santana, 890/901 Jardim Marajoara – São Paulo/SP (11) 2198-0600 santamaria@colsantamaria.com.br www.colsantamaria.com.br CONSELHO EDITORIAL Irmã Diane Clay Cundiff Irmã Anne V. Horner Hoe Adriana Tiziani Ana Cristina Proietti Imura Maria Rita Moraes Stellin Roberta Edo Silvio Soares Moreira Freire Vanini Andolfato Mesquita Editora: Suze Smaniotto Projeto gráfico e arte: Belatrix Editora Ltda. Diretor de arte: Marcelo Paton Revisão: Maria Rita Moraes Stellin e Sonia Regina Yamadera COLABORADORES Adão Sandes Gomes, Adriano Silva dos Santos, Ana Claudia Florindo Fernandes, Anibal de Azevedo Soares, Armando José Capeletto, Caio Vinícius Godoy Mattos, Claudia Simone Soares Sande, Cristiane Paulon, Darci Garcia, Gabriela Bocuto Siqueira, Gilberto Carvalho, Jane Smith Palliser, Márcia Carvalho Rufino, Marco Roberto Barcheti Urrea, Marcos Vinícius Appollo, Maria Cristina Viegas de Macedo, Maria Elizabeth da Costa, Maria Luisa Parise, Maíra Bedran Gouveia, Márcia Almirall, Maurício Leite, Paula Maria Barbosa Tanigawa, Paulo Pedro Felipe, Robson Veríssimo, Rosa Luiza Lucio, Rosilene Moutinho Arriola, Sandra Moreira de Macedo, Sildemara Aparecida Bernardo, Sílvia Sonagere , Steevens Beringhs, Sueli A. Gonçalves Gomes, Talita Marcília de Oliveira Silva Impressão: Company Graf Tiragem: 6 mil exemplares A Revista Caleidoscópio é uma publicação do Colégio Santa Maria. Não é permitida a publicação de seus textos sem a devida autorização. 02 Caleidoscópio

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Sumário Carta ao leitor 04 09 Radar Pertencimento Como Fazer 12 Destaque 06 Cotidiano 18 Deixa Comigo 20 Ação 22 Conexão 14 a última semana do inverno, tivemos dias com temperaturas altíssimas e, nos primeiros dias da primavera, recorde de frio. A situação inusitada levou as pessoas a comentarem que o tempo está fora de época. Esta edição da Caleidoscópio apresenta várias coisas que parecem um pouco “fora de época”. Ser criança é época de brincar, mas vemos nossos alunos, mesmo sem poder votar, portanto, fora de época, preocupados com as Eleições, em meio a debates políticos, propostas da prefeitura e assuntos que atingem o eleitorado. Em vez de apenas levantar os problemas da cidade, as crianças pensam em questões de convivência e no espaço que ocupam dentro da escola. Considera-se que ser jovem é época de uma certa irresponsabilidade, de só pensar no momento e em si mesmo, porém nós estamos vendo nossos jovens tentando interferir na realidade em volta deles, atuando fortemente no voluntariado e debatendo sobre saúde pública com candidatos a vereadores. Outro exemplo: crianças aprendem, professores ensinam, mas, nas reuniões de pais, os alunos assumiram o papel dos mestres. Na Semana Pe. Moreau, as atividades são interativas para que as crianças possam exercer funções fora de sua época, passar informações a seus colegas e às suas famílias. Em outubro, além do Dia da Criança, festejamos o Dia do Professor. Os professores não escolheram uma profissão fora de época, mas, seguramente, de contramão. As pessoas pensam em fazer medicina ou engenharia, não em ser professor, profissão que garante o futuro do país no sentido mais amplo possível, capaz de concretizar os sonhos e projetos dos alunos. Eles têm que ter competência e ensinar competências, têm de ser coerentes e ensinar os alunos a praticar a coerência entre seus valores e suas ações. Os professores trabalham não só em comunidade de educadores, mas também deixam os nossos alunos terem a experiência de ser uma comunidade de apoio para fazerem trabalhos fora de época e na contramão. N Irmã Diane Clay Cundiff Diretora geral do Colégio Santa Maria 03

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Radar 50 anos do Centro Santa Marta Motivo de muito orgulho, o Centro Santa Marta está completando 50 anos. Desde 1962, a entidade sem fins lucrativos, fundada pelas Irmãs da Santa Cruz e famílias do Colégio Santa Maria, atende famílias da região sul de São Paulo, atuando na conscientização, capacitação e orientação, promovendo a melhoria da qualidade de vida dos assistidos. Semanalmente, as mães usuárias participam de cursos gratuitos, como panificação, costura, manicure e informática. Além de adquirirem conhecimento para o exercício de uma profissão, elas e seus filhos recebem atendimento de vários profissionais, como dentistas, psicólogos e fonoaudiólogos. Enquanto as mães estão nos cursos, seus filhos participam de atividades recreativas. Graças ao trabalho de 80 voluntárias, o Santa Marta atende em média mil pessoas carentes por ano. Comandada por Fernanda Tilkian Ceppas, a cerimônia, que comemorou tantas realizações, homenageou duas voluntárias – Lia Gregory (38 anos de trabalho) e Luiza Helena Natacci de Souza (36 anos de trabalho) – e duas usuárias mais antigas – Maria das Dores Lima e Francisca Amorim Costa, agentes multiplicadoras que frequentam o espaço há 35 anos. Também foram lembradas as fundadoras Wilma Tilkian, hoje com 93 anos, e a saudosa Sister Charlita. Como disse Sister June no evento: “Há 50 anos, tem acontecido a multiplicação das mãos. Jesus usa as mãos das outras (voluntárias e usuárias), e tem nos preparado uma exposição chamada ‘Ama teu próximo como a ti mesmo’”. Em 18 de outubro, acontece o bazar da entidade, para vender os produtos elaborados durante as aulas ao longo do ano. Reforma do parque Ao iniciar o segundo semestre, os alunos e alunas que estudam no Prédio Menino Jesus foram surpreendidos com um novo parque. O espaço foi reestruturado para garantir a segurança e a diversão durante os momentos de recreio, com brinquedos que possibilitam desenvolver habilidades psicomotoras e sociais. A jardinagem também não foi esquecida. A vegetação, aliada aos equipamentos adequados, proporciona um ambiente atraente e lúdico, um oásis de bem-estar para as crianças. Justa homenagem O Dia dos Pais foi celebrado em clima de homenagem na Educação Infantil. Pais e filhos tiveram uma manhã de convivência com histórias, brincadeiras, jogos, oficinas e caminhada ecológica pelo bosque, possibilitando momentos de muito carinho e troca de conhecimentos. As crianças confeccionaram os presentes entregues aos pais, que comentaram sobre a importância desse tipo de vivência proporcionada pelo Santa Maria, em meio à correria do dia a dia. 04 Caleidoscópio

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Alunos conduzem reuniões de pais Compartilhar é a palavra quando se fala em reunião de pais; afinal, a relação entre escola e pais deve ser de parceria. Refletindo sobre os pré-requisitos da série seguinte, a equipe pedagógica do 4º ano do Fundamental I elaborou uma alternativa prática de encontro: os próprios alunos apresentaram a seus pais os conhecimentos adquiridos. Em grupos, eles demonstraram os conteúdos significativos de cada disciplina, revelando suas descobertas e estratégias na construção do conhecimento. A dinâmica atendeu às expectativas da aprendizagem participativa, pois as crianças envolveram-se com a proposta, mostrando autonomia e domínio. E ainda garantiu momentos de encantamento e emoção aos pais e, é claro, aos seus professores, que vibraram com a atuação de todos. “Conhecer, saber e articular saberes” foi o tema da reunião pedagógica do 5º ano do Fundamental I no segundo semestre, que também contou com a participação efetiva e dinâmica das crianças ao exporem os saberes em grupos de português, matemática, ciências, história, geografia e ensino religioso. Os pais se surpreenderam positivamente ao ver os filhos numa situação comunicativa real, com atividades lúdicas e interessantes como, por exemplo, o jogo das frações equivalentes. Já os alunos sentiram-se valorizados e superaram suas dificuldades, como falar em público, ter postura de saber ouvir e falar, responder às questões com clareza. Momento solene e especial Os alunos do 4º ano prepararam a missa em homenagem aos pais. No início da celebração, apresentaram cartazes destacando valores éticos, que demonstram a importância dos ensinamentos na educação e formação dos filhos. O evangelho foi dramatizado. Os alunos narraram o episódio em que José não mede esforços para salvar seu filho Jesus, assim como fazem diariamente os pais. Durante o ofertório, um agradecimento a Deus pelas relações afetivas com os pais, que sempre nos mostram o caminho do amor e da dignidade. Simbolicamente foi apresentada a Bíblia como conhecimento e luz, o pão como alimento do corpo, a bola como objeto do lazer, o terço como proteção divina e um coração, pois sem o amor nada tem valor. Na oração da comunidade, pediu-se força e fé aos pais do mundo inteiro, na missão sagrada de conduzir a vida de seus filhos. 05

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Cotidiano Interdisciplinaridade Reunindo conteúdos de diferentes componentes curriculares e inspirados pelo tema da Campanha da Fraternidade 2012, “Que a saúde se difunda sobre a terra”, os alunos do 8º ano realizaram um projeto interdisciplinar em que pesquisaram, em História, as grandes epidemias e o histórico das vacinas e da saúde pública no Brasil; em Ciências, o funcionamento do sistema imunológico humano e os mecanismos de ação dos soros e vacinas; em Geografia e Matemática, as estatísticas recentes sobre indicadores de saúde, objetivando construir uma visão ampla da saúde no Brasil atual e discutir o significado e a eficácia das políticas públicas de saúde. Em Língua Portuguesa, Língua Inglesa e Artes, os alunos exercitaram as ferramentas necessárias para sintetizar seus estudos em produções que lhes permitam compartilhar o que aprenderam. O trabalho se estende ao longo do ano, incluindo uma saída de estudos para o Instituto Butantan, onde visitaram os museus Biológico, Microbiológico e Histórico. Os conteúdos pesquisados serviram de subsídio para diversas produções textuais, como folders sobre as principais doenças infecciosas e scrapbooks, diários criados pelos alunos reunindo fotos e textos sobre a vivência que tiveram, ainda em fase de finalização. Dia do amigo A amizade é um dos valores que o Santa Maria trabalha, visando à integração entre as crianças para aprimorar as relações humanas. Com esse objetivo, o Dia do Amigo foi celebrado com os alunos do Pré, 1ºs e 2ºs anos. Já tradicional, o evento valoriza a importância de cultivar a amizade, os bons hábitos e a convivência em grupo, que só se consolida nas ações do dia a dia. Cada aluno ou aluna convidou um amigo ou amiga para passar uma manhã no Colégio. A programação incluiu contação de histórias, atividades esportivas e lúdicas nos parques, quadras e bosque. Foram momentos de descontração, aventura e muita diversão. Estudos do meio Os Estudos do Meio da Área das Ciências Humanas do Ensino Médio têm como foco a questão da construção das identidades, numa perspectiva provocativa, intencional e com desdobramentos sociopolíticos, como deve ser esse tipo de atividade. Para a 1ª série, foi designada a questão da identidade paulista visitando as cidades de Pirapora do Bom Jesus, Itu e Salto, o bandeirantismo e o Rio Tietê. A proposta da 2ª série refere-se à identidade brasileira: imigração e ocupação do espaço rural paulista com visita às cidades de Limeira (Fazenda Ibicaba) e Piracicaba-Esalq. Por fim, a 3ª série ficou com a identidade paulistana: do imaginário paulistano do século XIX aos dias atuais, visitando, na capital, a Vila Maria Zélia, Edifício Martinelli, Estação da Luz, Praça da Sé e Pátio do Colégio. 06 Caleidoscópio

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Estudo da natureza O 6º ano do Fundamental I desenvolveu um estudo do meio com o tema “A atividade humana e a saúde: o Tietê, nossa cidade e o Cinturão Verde do Estado de São Paulo”, que confirmou a relevância de trazer situações concretas para o campo da reflexão escolar. Os alunos transitaram pela Marginal Tietê, com atenção voltada à situação do rio, e puderam observar a gradual ruralização das paisagens tipicamente urbanas conforme avançavam em direção aos municípios do Cinturão Verde. Ali, puderam ter contato com a produção hortifrutifungiflorigranjeira, que faz uso das águas da Bacia do Alto Tietê na irrigação. Ao longo da Barragem de Ponte Nova, observaram os efeitos do represamento das águas do rio e, já no município de Salesópolis, tiveram contato com uma das nascentes do maior rio do Estado de São Paulo. Separados em grupos, os alunos receberam tarefas individuais de coleta de dados para produzir registros escritos, orais (gravações e entrevistas) ou visuais (fotografias) nos locais visitados. “Aprendemos coisas que eu jamais pensei que ia ter o privilégio de aprender. Em geral, o dia foi muito bom, cheio de informações novas.” Enzo Bertolini - 7° ano C Estudo vivenciado Em agosto, os alunos do 7º ano do Fundamental I organizaram-se para uma saída de estudo do meio. No total, 245 estudantes dividiram-se entre três cidades paulistas – Santos, Paranapiacaba e Salto. Com base no lema da Campanha da Fraternidade deste ano, a série decidiu ampliar a discussão sobre a difusão da saúde, elegendo o tema “Democracia é acesso”. Com o envolvimento de todas as disciplinas, os alunos se aparataram em sala e partiram para a vivência, para a investigação da realidade e aplicação do que foi planejado. Em Salto, conversaram com autoridades locais sobre os desafios de gerir a cidade, visitaram uma das primeiras hidrelétricas do estado e museus. Em Santos, foram à Bolsa de Café, transformada em museu, subiram o Monte Serrat de bondinho, caminharam pelo centro histórico e conheceram o Jardim Botânico. Para entender a formação de Paranapiacaba, organizada em três bairros e sob influência da estrada de ferro Santos-Jundiaí, o grupo visitou a vila dos portugueses e percorreu uma trilha em meio à Mata Atlântica. O resultado das viagens gerou uma exposição na Semana Pe. Moreau. 07

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Cotidiano “O Catavento é muito divertido, lá eu pude ver a ação eletromagnética, meus cabelos ficaram completamente em pé” Felipe Arello, 3º ano E Turismo pedagógico O 3º ano do Fundamental I descobriu o potencial pedagógico nas atrações turísticas de São Paulo após o estudo realizado na Lição de Férias, na qual os alunos tiveram como missão visitar um dos espaços culturais da metrópole sugeridos pelos professores: Museu da Língua Portuguesa, Catavento Cultural e Educacional, Estação Ciência, Museu do Ipiranga (Paulista), Aquário de São Paulo, Pateo do Collegio e Museu Anchieta. Além de serem locais consagrados no roteiro turístico de São Paulo, os museus indicados tornaram-se lugares em que os estudantes tiveram a oportunidade de vivenciar conhecimentos apreendidos em sala de aula e colocar em prática os conceitos construídos na escola, ampliando seu repertório de saberes. Gabriela Guedes Ferreira Teixeira no Espaço Catavento “O Museu da Língua Portuguesa me ajudou a entender a origem da nossa língua, foi bem interessante” João Pedro Amaral, 3º ano E Jogos de percurso Lição de férias? Poucos gostam... Mas jogar com o papai, a mamãe, o irmão, a irmã...é outra história! As professoras do 1º ano prepararam um kit para as famílias montarem, com as crianças, um jogo de percurso durante o período em que estivessem longe da escola (para não esquecer o que haviam aprendido sobre o sistema de numeração e se divertissem ao mesmo tempo). Números em sequência para recortar, papel cartão colorido e um desafio: criar o contexto para uma trilha com obstáculos a serem vencidos, atingindo um objetivo. A imaginação dos pais e mães surpreendeu! O trabalho se estendeu na volta às aulas. Todos queriam mostrar o seu jogo primeiro, contar como criaram junto à família e como eram as regras. Tornou-se agradável exercitar o que foi aprendido: a sequência dos numerais até 100, a leitura das pistas, a subtração e a adição conforme as casas que teriam que avançar ou voltar, dependendo da quantidade sorteada nos dados. A partilha dos diferentes jogos traz oportunidades de jogar em grupo até hoje. “No Museu do Ipiranga, eu vi a casa e os móveis que existiam na época em que Dom Pedro gritou: Independência ou Morte” Arthur Padilha, 3º ano E 08 Caleidoscópio

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Pertencimento Agitação generalizada Na semana de 10 a 15 de setembro, o Santa Maria vivenciou, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, a XXVII Feira do Livro e a Semana Pe. Moreau. Foram dias de movimentação intensa, com programação voltada para a literatura e os valores cultivados pela Congregação da Santa Cruz. Veja aqui algumas das atividades que ajudaram a comemorar os 65 anos do Colégio Arte que une O projeto Crianças daqui, crianças do mundo permeou o trabalho interdisciplinar junto aos alunos do Pré. Partindo do sobrenome de cada um, realizaram uma coleta de dados para a descoberta dos países de origem das famílias. Dentre eles, um, em cada classe, foi eleito para estudo a respeito de como vivem as crianças: seus costumes, vestimentas, brinquedos e brincadeiras, músicas e danças típicas. Japão, Chile, Áustria, França e Espanha foram os países estudados, sempre fazendo comparações com o modo de vida das crianças brasileiras. Em especial, o estudo sobre as crianças indígenas despertou a curiosidade geral, ampliando o conhecimento de mundo. No evento de encerramento da Semana Pe. Moreau, aconteceu a apresentação de músicas, danças e brincadeiras dos diversos países estudados. Daniel Jobim canta Garota de Ipanema com os alunos do 1º ano Música e poesia “Alfabetizar, ensinar a ler e a escrever por meio de parlendas, trovas, poesias e músicas, para que ativem a memória e relacionem os sons das palavras à sua grafia, tem sido muito significativo e eficiente para os alunos do 1º ano do Fundamental”, revela Sueli A. Gonçalves Gomes, orientadora do Pré Tarde e 1º ano. A apresentação do Sarau de Músicas e Poesias foi uma extensão emocionante dessa linha de trabalho. O sucesso da atividade levou as professoras a incluir na programação das aulas, o Momento da Poesia e da Música para as apresentações diárias. O repertório do evento incluiu o hino do Colégio em inglês, uma canção folclórica da França, onde nasceu Pe. Moreau, outra em dialeto africano (um exercício de dicção na pronúncia dos vocábulos) e outras duas em castelhano. Em português, além de canções folclóricas, foi resgatada a Bossa Nova, com canções de Tom Jobim. Já as poesias tinham histórias bem humoradas ou líricas, representando Pré: estudo sobre diferentes culturas Crianças daqui, crianças do mundo, Unidas pela música e pela dança, Trazem sentimento profundo: O da paz como doce esperança! Edith Sonagere Nakao 09

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Pertencimento autores consagrados como Paulo Leminsky, José Paulo Paes, Vinícius de Moraes e João de Barro, entre outros. O acompanhamento musical foi feito pela banda de pais e professores de outras séries. Daniel Jobim, pai do Theodoro Toledo Piza e Figueiredo Jobim, participou do coral dos alunos nas músicas de autoria de seu avô, Tom Jobim. “A mente não será cultivada às custas do coração” – Pe. Moreau Leitura transformadora Inspirados pelas histórias que leram, selecionadas no Projeto de Literatura 2012, os alunos do 2º ano organizaram e apresentaram a exposição Releituras: diálogos com a literatura. Cenários cuidadosamente planejados e construídos foram palco para teatro musicado, oficinas de arte, jogral, dramatização, dinâmicas, pout pourri de contos de fadas e exposições, com destaque para releituras da obra de Aldemir Martins. O 2º ano B leu o livro “Histórias das mil e uma noites”, de Ruth Rocha, pesquisou a cultura árabe e organizou uma exposição com o tema Oriente-se: a cultura árabe por meio dos cinco sentidos. Monitorados por um aluno, os visitantes percorreram um labirinto experimentando sabores (chá e café), aromas (especiarias), texturas (lã de carneiro, matéria-prima da tapeçaria árabe), formas e cores (maravilhas da arquitetura árabe), sons e movimentos (música típica). “A cada etapa, surpresas, cultura e muito conhecimento compartilhado”, sintetiza a professora Sílvia Sonagere. Cordel embala atividade do 5º ano A semana em versos O 5º ano valeu-se do cordel, o gênero trabalhado no bimestre, para demonstrar suas aprendizagens culturais e os projetos desenvolvidos na série. Os versos rimados revelaram os lugares preferidos pelos alunos, que deixam, neste ano, o Prédio São José; contaram como foram as oficinas na Pastoral da Criança e os trabalhos realizados por eles com as crianças da Comunidade Santa Clara/São Francisco, além de disseminarem as atividades da série em prol do meio ambiente. O resultado do trabalho foi mostrado em salas temáticas por meio de fotografias, vídeos elaborados pelos alunos nas aulas de informática e livretos de cordel produzidos nas aulas de língua portuguesa. Nas aulas de língua inglesa, criou-se o projeto Save the River, em que os alunos chamaram a atenção das pessoas em relação aos detritos jogados no córrego Zavuvus por meio de uma passeata com cartazes, vídeos e folders com orientações sobre o descarte correto do lixo. No evento, os alunos tocaram na flauta as músicas “Hey Jude” e “Correnteza”. (...) Desde as 7h da manhã Vão às ruas trabalhar Elas varrem pelos bairros Todo o tempo, sem parar As margaridas deixam bonito Todo esse nosso lugar (...) Animação do 2º ano com a dança árabe Débora Leal Pedrassoli e Luccas F. Arantes Maluta – 5º ano F 10 Caleidoscópio

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Palavras que voam 2 Em resposta à inquietação dos integrantes do componente Língua Portuguesa, para que os textos produzidos pelos alunos do Fundamental II pudessem circular entre leitores que não os seus professores, foi criada a coletânea “Palavras que voam”, volume 2. “É um caminho para que os autores percebam a necessidade de se fazerem compreendidos ”, pondera a professora Maria Cristina Viegas de Macedo. A obra reúne textos realizados como exercícios de escrita do plano de aulas, isto é, mostram o que, de fato, foi elaborado como laboratório de produção. Cada série participou com um dos gêneros textuais de foco: 6º ano – Contos de Aventura; 7º ano – Reportagens; 8º ano – Contos de Mistério e o 9º ano – Crônicas. Os textos foram selecionados a partir de critérios como, além da excelência textual das produções, a originalidade e a estética das mesmas. “... que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.” – Manoel de Barros, poeta brasileiro Oficinas de texto Alguns dos alunos cujos textos foram selecionados para compor a coletânea “Palavras que voam 2” apresentaram suas produções ao público que visitou a Feira do Livro promovida pelo Santa Maria. As Oficinas de Produção Escrita dos estudantes do 6º ao 9º anos ocorreram em tendas armadas no ginásio de esportes. Para se ter uma ideia, as turmas do 9º ano apresentaram seus textos por meio da proposta denominada áudio-crônica, em que o autor gravou seu texto. Ao final da leitura, o visitante era convidado a produzir um parágrafo que desse prosseguimento à crônica. “Ao longo da leitura, discutiram-se as relações estabelecidas entre o conteúdo temático da obra literária e o fio narrativo que perpassaria as produções; o próprio desfrute estético da obra literária em si; e o mais importante: o processo de escrita e reescrita de textos que demandariam desses jovens escritores considerável nível de autoria”, explicam os professores Marco Roberto Barcheti Urrea e Rosa Luiza Lucio. Produções dos alunos reunidas em coletânea Fundamental II: foco nas obras literárias Matemática para a cidadania Um dos temas abordados no 9º ano é a Matemática para a cidadania. Em sala de aula trabalha-se com cálculos de impostos, INSS, descontos, multas, juros, divisão proporcional de lucros etc. Paralelamente, aos alunos interessados, foram proporcionadas três atividades: visita à Bovespa, palestra sobre o Mercado Financeiro Globalizado e curso Educar Teen, essas duas últimas ocorridas durante a Semana Pe. Moreau. Eduardo Brigagão, diretor do Banco Pactual, conversou com os alunos sobre a história dos juros e da inflação, relacionando as interferências provocadas atualmente no mercado financeiro brasileiro em decorrência da economia de outros países. Já o curso Educar Teen, ministrado por um profissional da Bovespa, abordou temas como a história do dinheiro, a importância de um planejamento financeiro, os tipos de investimento e o mercado de ações.  11

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Como Fazer Agora eu sei A escrita é um sistema, um conhecimento organizado, com regras, padrões e estruturas. Conheça um pouco do trabalho desenvolvido no 2º ano do Ensino Fundamental escrever! Para que os traços harmônicos se tornem letras legíveis, há necessidade de muito esforço e treino por parte do aluno. Iniciamos com grupos de letras que possuem movimentos parecidos, o que ajuda na formação da memória, já que algumas diferenças entre elas são bem sutis. O aluno deve escrever cada letra, várias vezes, lentamente, observando os contornos e os movimentos adequados. Depois de garantir o traçado correto de cada letra, em sala de aula desenvolvemos o ritmo na escrita: marcamos um tempo para registros em agenda, cópias, textos etc. Trata-se de uma habilidade muito útil, pois a vida dessas crianças terá recados, atas, registros, anotações e diversas outras oportunidades em que precisarão escrever rapidamente, próximos à velocidade da fala. E, claro, a fluência de escrita não desobriga nem a legibilidade nem a correção ortográfica. No ambiente escolar, atividades específicas são executadas com os professores da classe e envolvem também os especialistas em Arte e Educação Física, que trabalham movimentos amplos, fortalecendo os pequenos e grandes músculos, facilitando, assim, o movimento de pinça, que envolve os dedos indicador e polegar. Em casa, a criança deve ser incentivada a tomar banho sozinha, lavar seu cabelo, vestir- U m dos conhecimentos escolares mais importantes é a escrita. “Trabalhar com alunos de seis, sete anos, que estão se apropriando deste recurso, é fascinante”, defende Rosilene Moutinho Arriola, professora da série. Nessa fase, é possível perceber, concretamente, a aquisição dessa atividade tão complexa. Evidencia-se o trabalho dos professores, o empenho e o envolvimento necessários de cada aluno para que haja uma evolução crescente desse processo, como é possível avaliar nas produções que ilustram esse texto. Esforço planejado A maioria do grupo de alunos inicia o ano letivo escrevendo palavras e pequenas frases. Alguns utilizam a letra cursiva, mas a maioria ainda faz uso da letra bastão. Aqueles que escrevem com a cursiva, nem sempre o fazem corretamente, por isso, é realizado um trabalho intenso para a aquisição do traçado ideal. É muito comum, durante os diferentes registros, ouvir várias reclamações: “Minha mão tá doendo!” ou “Meus dedos estão ardendo!”. 12 Caleidoscópio

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Texto produzido na primeira quinzena de fevereiro Texto elaborado no mês de agosto pelo mesmo aluno -se, amarrar seu tênis, comer utilizando garfo e faca, enfim, executar tarefas rotineiras que favoreçam o seu desenvolvimento muscular. Esta série também tem o objetivo de estruturar o texto no suporte da escrita, adequando-o ao espaço, com a utilização das pautas até o final e, se necessário, com a partição das palavras. Ao longo do ano, várias atividades são realizadas para ampliar e desenvolver a escrita. Há uma preocupação em aumentar o vocabulário e organizar a sintaxe das frases. Sob a luz da neurociência Atualmente, a pedagogia tem uma aliada de peso para desvendar o modo como crianças, adolescentes e adultos aprendem: a neurociência. Com a evolução da tecnologia, é possível estudar um cérebro vivo, em pleno momento de aprendizagem. Sabe-se bastante, também, sobre os aspectos funcionais envolvidos na fala, na leitura e na escrita. A escrita tem duas propriedades distintas: ler e escrever. Hoje, nós sabemos que as partes desenvolvidas no cérebro para a escrita não são as mesmas aplicadas na leitura. Então, o ser humano pode aprender uma língua e não saber escrevê-la. E, por ensinar a leitura, não se tem diretamente a aprendizagem da escrita. Um atleta, para chegar ao pódio, treina todos os dias por várias horas. Pois então... Escrever aprende-se escrevendo, todos os dias, para se formar memória da complexidade do ato de escrever, plane- jando-se atividades sistemáticas e diversas que envolvam a escrita: elaborar frases, textos, cartões de felicitações, bilhetes, diários etc. Dessa maneira, no decorrer da escolaridade, o aluno reforça o que já sabe e forma novos conhecimentos sobre os diferentes gêneros. Revisar o texto também é uma boa estratégia para se formar memória do ato de escrever, além de ser uma atividade de estudo, iniciada na Educação Fundamental, tornando-se um hábito. Deve-se trabalhar a leitura e a escrita como base para alfabetizar, proporcionando ao educando a oportunidade de se encantar. Encantar-se pela leitura, pela escrita e pelo conhecimento.  Depoimentos de alunos 13

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Destaque A essência da política O ano eleitoral permite que a escola trabalhe com este acontecimento que envolve a todos, até mesmo as crianças, em constante formação. Elas podem refletir a respeito da importância da participação das pessoas nesse processo da sociedade democrática. Conheça diferentes projetos desenvolvidos no Santa Maria para aprofundar o tema Eleições de acordo com a maturidade dos alunos Cuidar do que é de todos Nas salas do Pré, foi desenvolvido o projeto “Se criança governasse o mundo”. Olhares atentos e curiosos dos pequenos investigadores observaram imagens de locais paulistanos, e logo perceberam alguns problemas como o do lixo jogado em locais públicos. Os alunos foram instigados a pensar: De quem é a responsabilidade por cuidar do que é de todos? Se as crianças governassem a cidade, que soluções teriam para resolver os problemas? Engajá-los, por meio de campanhas internas na escola como a dos “Fiscais da natureza” e “Vamos Cuidar do que é de todos”, Aluno da 3ª série do Ensino Médio em debate com candidatos à Câmara Municipal assim como com ações concretas no ambiente escolar e junto às famílias, levou-os a assumir compromissos de cuidados para com o meio em que vivem e convivem, expondo suas ideias frente aos problemas observados. Da teoria à prática O objetivo estabelecido pelo 2º ano do Fundamental I para iniciar o projeto ligado às eleições foi compreender que o exercício do voto possibilita a escolha de representantes e governantes que fazem e executam leis que interferem diretamente na vida de todos. Inicialmente, os alunos pesquisaram sobre os maiores problemas de São Paulo por meio das reportagens trazidas, então, Turma do Pré C 14 Caleidoscópio

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Avaliação criteriosa Conhecer a história da formação da cidade de São Paulo, as mudanças ocorridas com o passar dos anos e a atualidade são temas de estudos dos alunos do 3º ano do Fundamental I. Dessa forma, as eleições municipais têm sido um assunto na sala de aula. Após discutir a função do prefeito e dos vereadores, foram realizadas reflexões a respeito de algumas competências da Prefeitura, que estão direcionadas à vida dentro do município. Como o 3º ano desenvolve seu projeto de inserção social voltado aos idosos, o Estatuto do Idoso foi escolhido como documento de estudo, tornando-se representativo da função do poder legislativo. Pensando no que é possível ser realizado pela Prefeitura, Alunos do 2º ano na Subprefeitura de Cidade Ademar puderam conhecer diferentes realidades. “Durante as aulas, socializaram informações, debateram ideias e reconheceram a importância do papel do cidadão como um agente responsável, além do papel fundamental e da responsabilidade dos prefeitos e vereadores para garantir a qualidade de vida da população”, explica a professora Paula Maria Barbosa Tanigawa. As conclusões do grupo, registradas em cartazes, produziram um grande mural de descobertas e curiosidades para as outras séries. Para enriquecer o trabalho, as famílias colaboraram com opiniões sobre a função e importância do voto na escolha de um candidato que cumpra com os seus compromissos. Os alunos ainda visitaram a Subprefeitura de Cidade Ademar e foram recebidos pelo Subprefeito, quando descobriram a função da autarquia. O trabalho não acabou por aí! Partindo da problematização “Se tivéssemos um prefeito mirim no nosso Colégio, quais seriam os pedidos feitos a ele para garantir as melhorias necessárias e viáveis para o Prédio Menino Jesus?”, cada sala elegeu seu representante. Os representantes foram os candidatos a “prefeitos” e contaram com a colaboração dos colegas candidatos a “vereadores mirins” para elaborar suas campanhas, com sugestões de melhoria dos espaços coletivos do prédio e fiscalizar se as propostas estão sendo cumpridas. “Prefeito” e “vereadores” escolhidos, o trabalho de fato começa e um dos grandes focos é a manutenção e conservação do novo parque, que foi todo reformado, para que a brincadeira na hora do recreio aconteça com segurança, num local agradável. “O cuidado com a escola é responsabilidade de todos. Cuidar dela é uma verdadeira lição de cidadania”, finaliza a professora Maíra Bedran Gouveia. Para os alunos do 3º ano D, o novo prefeito deve: “Aumentar a quantidade de transporte coletivo porque existem muitos carros que levam poucas pessoas. Assim, melhora o trânsito e diminui a poluição.” Manuela Pascotto Bernardo “Consertar as calçadas. Muitas estão esburacadas e as pessoas, principalmente os idosos, podem se machucar.” Pedro Pastore Montenegro “Aumentar as áreas verdes da cidade, plantando mais árvores e fazendo mais parques.” Ana Carolina Navarro Saito “Colocar mais rampas em lugares com escadas para que os idosos e cadeirantes possam se locomover com mais segurança.” Marina Romagnol Marques “Construir mais creches porque muitas mães precisam trabalhar e não têm com quem deixar os filhos”. Rebeca Picolo Ximenes Benites “Colocar lixeiras pela cidade para incentivar a coleta seletiva.” Rafael Seiji Yugue 15

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