Caleidoscópio nº 64

 

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Caleidoscópio nº 64

Popular Pages


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Revista Nº 64 COLÉGIO SANTA MARIA Como combater o Cyberbullying A fronteira entre o público e o privado Os principais projetos desenvolvidos pelas séries Recursos tecnológicos adotados sob medida para favorecer o aprendizado ERA DIGITAL

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Mosaico Festa Junina – Alunos, ex-alunos, familiares e convidados se divertiram e se emocionaram no Arraiá do Santa Maria. Mais uma confraternização para entrar na história! Expediente COLÉGIO SANTA MARIA Av. Sargento Geraldo Santana, 890/901 Jardim Marajoara – São Paulo/SP (11) 2198-0600 santamaria@colsantamaria.com.br www.colsantamaria.com.br CONSELHO EDITORIAL Irmã Diane Clay Cundiff Irmã Anne V. Horner Hoe Adriana Pereira da Silva Baptista de Freitas Adriana Tiziani Armando José Capeletto Flávia Manzione Maria Rita Moraes Stellin Silvio Soares Moreira Freire Vanini Andolfato Mesquita Editora: Suze Smaniotto Diretor de arte: Marcelo Paton Revisão: Maria Rita Moraes Stellin e Sonia Regina Yamadera COLABORADORES Ana Claudia Florindo, Aurea C. Melo, Bernardo Fonseca, Carla de Oliveira Afonso, Cássia A. José Oliveira, Cristiane Paulon, Denise Maria Guain Teixeira, Ednilson Oliveira, Ivelise Strada Vlcek, Katya Jurdy Martins Bayer, Lílian Reimberg Roschel, Lucilei Aparecida Spitaletti, Maira dos Santos Nascimento, Marcos Apollo, Maria Beatriz Brito Rossetti, Maria Cristina Viegas de Macedo, Nathalya Macchia, Paula Maria Barbosa Tanigawa, Pedro Moisés de Carvalho, Rita Rinaldi Riquelme, Sueli A. Gonçalves Gomes, Valéria Quezada, Veronice Aparecida Leal Rocha Impressão: Gráfica Altamisa Tiragem: 6 mil exemplares A Revista Caleidoscópio é uma publicação do Colégio Santa Maria. Não é permitida a publicação de seus textos sem a devida autorização. 02 Caleidoscópio

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Sumário Carta ao leitor Real e virtual 04 Radar 10 Formação 12 Destaque 19 Depois do Santa 06 Cotidiano 18 A Arte de Educar 20 Deixa Comigo 22 Reflexão Numa tarde de junho, eu e Anne recebemos a visita de alunos e professores da faculdade de Santa Cruz dos Estados Unidos. Eles queriam conhecer outras culturas, especialmente a do Brasil, e teriam duas semanas para isso. Entre as atividades, estava a visita a uma escola. A primeira coisa que precisamos explicar foi o motivo do uso das bandeirinhas que decoravam nossas instalações. Na medida em que eu os levava a cada prédio ou local, viram muitas coisas relatadas nesta Caleidoscópio, como os alunos criando aplicativos para smartphones no Laboratório de Informática e a construção do prédio novo, que permite aos jovens ter contato com uma obra futura. Eles observaram o ensaio do 7º ano e o empenho de mais de 200 alunos para aprender as danças típicas do interior. Ao mostrar o Colégio, acabamos falando dos projetos, dos seus objetivos e o que está por trás de cada atividade. Quando terminou a visita, eu precisava preparar esta mensagem e verifiquei que a Caleidoscópio faz a mesma coisa: apresenta a vivência real dos alunos que, na verdade, é um simulado do que enfrentarão na vida profissional. Aqui existe o que é privado, como o planejamento e os ensaios, e o que é público, aquilo que os pais veem – a vivência com os funcionários, a análise do solo -, mas eles não sabem como tudo isso acontece. Os professores da faculdade nos questionaram sobre o processo de cada projeto porque entendem que aquilo que se vê é apenas a etapa final. E a Caleidoscópio faz isso: apresenta o que é realizado e também as propostas, mostra que o aluno é levado a pensar e agir como um ser social. Se ocorrer o bullying, virtual ou não, ele estará amparado por conceitos de valores. Fico contente que esta edição leve aos leitores o mundo real e virtual do Santa Maria. Irmã Diane Clay Cundiff Diretora geral do Colégio Santa Maria 03

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Radar Mutirão da saúde O sábado, 20 de abril, foi muito especial para os alunos do Supletivo do Santa Maria e suas famílias. Em parceria com o Rotary Club de São Paulo-Aeroporto (Distrito 4420) e a Cruz Vermelha Brasileira, aconteceu um mutirão da saúde com atendimentos em diversas áreas: verificação da pressão arterial, testes de diabetes e hepatite, oftalmologia, podologia, cuidados com a pele e outros. Na biblioteca, palestras sobre a importância da doação de sangue e orientação sobre saúde bucal. Houve ainda aconselhamento jurídico que trouxe, nas informações e orientações, alento para muitos, colaborando com o equilíbrio da saúde. A ação envolveu 1.283 pessoas, entre adultos e crianças. Para muitos, esses procedimentos foram novidade, pois nunca haviam tido oportunidade de verificar suas condições gerais de saúde. Curso de Linguagem Arquitetônica As mais bem-conceituadas escolas de Arquitetura e Urbanismo e Design aplicam, em seus vestibulares, a prova de Habilidade Específica com o objetivo de avaliar a capacidade e o desempenho dos candidatos na questão primordial para o exercício da profissão: o desenho. Para atender seus alunos interessados nessas carreiras, o Santa Maria iniciou o curso de Linguagem Arquitetônica, a fim de capacitá-los prática e tecnicamente para as solicitações de desenhos e modelos que podem ser cobrados nestas provas. Além do conhecimento teórico, os alunos do Prof. Roberto Cosentino estão tendo oportunidade de visitar obras in loco no próprio Colégio: Residencial para a Terceira Idade e Prédio Santa Cruz. Na ocasião, eles puderam compreender a responsabilidade do arquiteto que elabora o projeto e como ele é colocado em prática com o início da obra e sob a responsabilidade do engenheiro. As aulas ocorrem às quartas-feiras, das 13h30 às 15h30, e são destinadas aos alunos do Ensino Médio. Aqueles que tiverem interesse podem agendar uma aula experimental no departamento extracurricular. Declaração sem trauma Os funcionários do Santa Maria contaram com um apoio importante na elaboração da Declaração Anual do Imposto de Renda 2013. No Laboratório de Informática, na noite de 18 de abril, colaboradores voluntários do Colégio ajudaram os colegas que ainda não haviam cumprido essa obrigação fiscal, seja pela falta de habilidade com o computador ou pelas dúvidas quanto à legislação. Previamente cadastrados pelo Departamento Pessoal, os funcionários, munidos de suas documentações, foram atendidos individualmente. O contador do Santa Maria também estava a postos para elucidar as questões mais complexas. Graças ao grande número de computadores e voluntários disponíveis, 25 funcionários fizeram suas declarações com segurança e tranquilidade. 04 Caleidoscópio

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Cérebro e aprendizado No dia 25 de abril, mais de 400 pais de alunos se reuniram no auditório do Santa Maria para ouvir Elvira Souza Lima, que tem formação em neurociências, psicologia, antropologia e música, e trabalha com pesquisa aplicada às áreas de educação, mídia e cultura. Com o tema “Desvendando o cérebro infantil: contribuições da neurociência”, a palestra permitiu que a plateia entendesse conceitos gerais da neurociência e suas aplicações no aprendizado, por meio dos seguintes tópicos: O que os avanços dos estudos da neurociência trazem para repensar o papel da escola e da família na educação das crianças? A família pode desafiar o potencial dos seus filhos? Qual a importância do estudo na formação de memórias? Qual o papel da tecnologia no acesso ao conhecimento e ao pensamento criativo? Como a necessidade impulsiona a criatividade? A discussão mostrou que as práticas influenciam as crianças, ou seja, os adultos precisam ser criteriosos em relação ao que oferecem a elas e são seus modelos. A profissional também enfatizou a importância das artes, da música e da literatura, linguagens fundamentais que modificam estruturalmente o cérebro. IX Fórum Faap Os alunos do Ensino Médio do Colégio Santa Maria foram os vencedores do IX Fórum FAAP, experiência em que demonstraram excelência acadêmica, brilhantismo, dedicação e comprometimento. A todos os participantes, nossos parabéns e orgulho por essa grande conquista! Jornada Mundial da Juventude Nas celebrações de preparação para a Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá no Rio de Janeiro de 23 a 28 de julho, o Santa Maria acolheu, em março, os símbolos do evento: a Cruz Peregrina e o ícone de Nossa Senhora. Agora, o Colégio vive a expectativa de participar da jornada com um grupo de 30 pessoas, sendo 27 alunos do Ensino Médio e três professores. Desde o começo do ano, os responsáveis pela Pastoral do Ensino Médio, professor Paulo Felipe e Irmã Thais Nascimento Bitencourt, divulgam a JMJ aos alunos. O trabalho teve início com a sensibilização em sala de aula, agendamento de reuniões, encontros de formação e celebrações. 05

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Cotidiano Mostra de teatro O grupo de teatro “Palhaços Graças a Deus”, que existe há 33 anos no Santa Maria e fará sua 50ª montagem, foi convidado a participar da VII Mostra de Teatro do Colégio Santa Cruz juntamente com outras três escolas. Dirigidos pela professora Rita Pisano, os jovens apresentaram “Lisbela e o prisioneiro” de Osman Lins e roteiro de Guel Arraes, montagem feita no final de 2012. O elenco formado por grande parte de um dos grupos do “Palhaços” também contou com a participação de alguns ex-alunos que finalizaram o Ensino Médio em 2012 e também com novos “Palhaços”. Houve ainda bate-papo com um crítico de teatro e com a plateia formada tanto por convidados e familiares quanto por alunos de teatro participantes da mostra. Conhecer para cuidar Como uma das etapas do projeto “Vida”, o 2º ano do Fundamental I realizou visita monitorada ao Zoológico de São Paulo, ampliando os estudos sobre meio ambiente. O roteiro permitiu conhecer os bastidores do Zoo, como a Fábrica de Ração, a Área de Preparo das Dietas e o Biotério, setor especializado em alimentação e nutrição dos animais, respeitando as necessidades nutricionais e os diferentes paladares. Foi uma experiência muito rica para sensibilizar os alunos sobre quais atitudes colaboram para a extinção dos animais. Eles puderam perceber que uma mudança de comportamento proporciona um novo modo de vida, equilibrado com a natureza. Mães em foco As salas do Jardim I e Jardim II homenagearam as mães com dramatizações, danças, cantigas, recadinhos do coração e orações. Após a entrega dos presentes, as mães celebraram com um gostoso café da manhã e se despediram emocionadas. Já o Pré organizou uma linda missa – “Mães que cuidam, formam para a vida”. Os alunos cantaram, sinalizando os momentos significativos da celebração, dramatizaram a história de Moisés e o Coral da APM encerrou com uma bela apresentação. 06 Caleidoscópio

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Explorando novos horizontes Para ajudar o processo de escolha da faculdade, alguns alunos da 2ª série do Ensino Médio foram até a Cidade Universitária da USP para assistir a uma aula de Antropologia 1, do curso de Ciências Sociais, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Eles puderam conhecer parte do campus, as bibliotecas e o Museu de Arte Contemporânea. “Transcendendo até a questão da escolha do curso, foi muito interessante conhecer como funcionam a faculdade e as aulas. Tivemos que ler um texto que seria discutido em uma aula com duração de quatro horas, o que é algo totalmente novo para nós. Percebemos que não basta apenas comparecer para aprender, é necessário um movimento de estudo anterior à própria aula para já estar inteirado do assunto e discuti-lo em sala”, diz a aluna Nathalya Macchia. Água – Eu faço a minha parte Durante os meses de abril e maio, os alunos do 3º ano do Fundamental I apresentaram um projeto relacionado à conservação da água com várias etapas, como a leitura de fábulas sobre o tema, reflexão sobre o recurso natural como um bem-comum, levantamento de ações para evitar o desperdício, montagem de painéis e divulgação da ação. Cada aluno recebeu dois bottons com as frases “Aja de forma responsável” e “Faça sua parte”. Um foi usado por eles e o outro entregue para alguém da família que se propusesse a poupar pelo menos um litro de água por dia. Alguns alunos realizaram até concursos em casa para escolher quem usaria o bottom. Eles também descobriram que, se cada aluno do 3º ano economizasse dois litros de água por dia, ao fim de uma semana já seriam 3.220 litros economizados. Resgatando a cultura do plantar O projeto de Educação Ambiental do 5º ano visa a sensibilizar os alunos quanto à importância da manutenção de áreas de preservação ambiental. Cuidando do espaço “VerdeMania”, pequeno viveiro de mudas, os alunos têm a oportunidade de cultivar diferentes folhagens, operar técnicas para plantio, refletir sobre suas práticas relacionadas ao ambiente onde vivem, além de embelezar o Colégio com novas flores e cores. Semanalmente, os pequenos cuidadores visitam o local de estudo, fazem o levantamento das medidas necessárias para o desenvolvimento das mudas, regam as sementes e conversam com o jardineiro Jurandir, funcionário do Santa Maria. Finalmente, com as mudas já fortalecidas, selecionam um local apropriado para replantá-las.

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Cotidiano Visita à USP No dia 2 de maio, um grupo de alunos do curso de Astrofísica da 2ª série do Ensino Médio realizou uma visita ao campus da Universidade de São Paulo para conhecer o IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas) e assistir a uma palestra com doutorandos da área sobre a origem do universo e outros mistérios, como noções sobre teorias de mecânica quântica e física quântica. “Foi de fato uma experiência motivadora ao ver a grandiosidade do campus e perceber o cheiro de conhecimento no ar. Ao ir embora, me senti motivado a estudar mais e poder, ao final do Ensino Médio, ‘visitar’ o campus todos os dias”, relata o aluno Felipe Miguel de Toledo Castro. Contaminação do solo A partir de 1996, muitas das indústrias instaladas nas regiões de Socorro, Campo Grande e Santo Amaro mudaram-se para o interior do Estado e, nas áreas antes ocupadas, desenvolveram-se setores de comércios, serviços e, mais recentemente, condomínios residenciais. Em muitos casos, o solo deixado pelas indústrias está fortemente contaminado, inclusive com laudos expedidos pela CETESB. Esse é o panorama de uma atividade do Ecoestudantil do 9º ano do Fundamental II, que pesquisa algumas das áreas contaminadas em regiões próximas ao Santa Maria. Os alunos puderam constatar que, em determinadas regiões, em uma semana, as indústrias abandonadas foram derrubadas e o terreno ocupado por grandes imobiliárias com propaganda de lançamento de condomínios. Será que conseguiram realizar a descontaminação tão rapidamente ou estão construindo em regiões insalubres? Fica o alerta: entre em contato com a prefeitura ou CETESB para saber se o local em que você mora ou adquirirá imóvel era ocupado por alguma indústria, o tipo de indústria e como se deu o processo de descontaminação. OBA! É hora de mais uma Olimpíada! Os alunos do 3º ano do Fundamental I ao Ensino Médio prepararam-se para a OBA 2013 com muita seriedade. Como se estivessem treinando para uma maratona, aqueles que já tiveram essa experiência nos anos anteriores traçaram um objetivo claro: “Precisamos obter resultados ainda melhores”. Já os novatos a encararam como um grande desafio: “Participar de uma Olimpíada Brasileira de Astronomia!”. Sabendo que quando os alunos se interessam por essa atividade sempre buscam muito mais, as professoras, aliadas aos recursos tecnológicos e digitais, elaboraram aulas cada vez mais instigantes. Com tanta dedicação e empenho, estão levando a sério o grande objetivo de uma Olimpíada Nacional: incentivar e encontrar talentos nas diversas áreas de conhecimento. Caleidoscópio 08

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Vivência com funcionários Uma das atividades do projeto do 7º ano do Fundamental II, “Juventude e trabalho: ação e reflexão”, é a Vivência com os Funcionários. Durante uma manhã, os alunos viveram a experiência de desenvolver as funções de alguns setores do Colégio. O objetivo é que aprendam a importância do trabalho e passem a respeitá-lo. Antes disso, os alunos entrevistaram um funcionário durante uma aula para entender sua função, o setor em que atua e demais curiosidades em torno do seu universo. Os professores também os ajudaram a refletir sobre o tema Trabalho e ainda houve uma conversa com um representante da COOPERCAPS (Central de Triagem da Capela do Socorro), que falou sobre o trabalho da cooperativa. Após a vivência, os alunos realizaram uma atividade de metacognição, na qual responderam a perguntas que remeteram à experiência vivenciada, com o intuito de fazê-los refletir sobre ela e produzir trocas entre o grupo. No dia 4 de maio, foi realizada a Missa do Trabalho, cuja arrecadação foi revertida à COOPERCAPS. Visitante ilustre No primeiro bimestre, o Pré C escolheu um nome para a sala: “Cachorro”, definição que criou um elo de identidade para o grupo e abriu uma nova janela de possibilidades, descobertas e aprendizagens. Assim que a votação terminou, muitas perguntas começaram a surgir, tais como: “O cachorro é mesmo o melhor amigo do homem?”; “Por que ele abana o rabo?”; “Por que ele está sempre com a língua para fora?” e “Cachorro macho tem tetas?”. Para auxiliar a responder estes e outros questionamentos, a sala recebeu a visita do cachorro Pepe, que acrescentou novas vivências e conhecimentos sobre a espécie. Além do que, diante de tanta simpatia e cordialidade, todos puderam comprovar que o cachorro é mesmo o melhor amigo do homem! Júri Simulado Finalizando o processo de leitura da obra Capitães da Areia, de Jorge Amado, os alunos do 9º ano do Fundamental II realizaram um Júri Simulado para julgar as ações das personagens do livro. O objetivo era fazer com que os alunos refletissem sobre tais ações, suas causas e seu impacto no contexto social. A atividade começou a ser programada semanas antes, por meio de um sorteio que determinava a cada aluno seu papel no júri: promotoria, defesa ou jurado, assim como qual personagem o aluno deveria acusar ou defender. Os alunos formaram duplas para elaborar o levantamento de argumentos e preparar suas teses (tendo como referência, fatos narrados no livro). Eles fizeram a exposição, houve debates entre promotoria e defesa e, após a votação dos jurados, chegaram a um veredicto para cada personagem. Esse tipo de atividade utiliza o senso de julgamento dos alunos, suas habilidades orais e sua capacidade de vivenciar situações, além das atividades escritas de compreensão da obra. 09

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Formação Em abril, aconteceu a II Semana Interna de Tecnologia no Santa Maria, iniciativa do NETi (Núcleo de Educação e Tecnologia da Informação) que ofereceu oportunidades de formação, reflexão e vivência sobre o uso das mais diversas tecnologias. Alunos, professores e funcionários tiveram contato com diferentes recursos tecnológicos em atividades variadas, desde a criação de selo em netbooks à oficina de mixagem e robótica com sucata. Muriel Vieira Rubens Alves, coordenador de tecnologia educacional do Colégio, explica alguns aspectos do evento Por que realizar uma semana tecnológica, já que o uso da tecnologia faz parte do dia a dia do Santa Maria? Embora a tecnologia já faça parte da rotina do Colégio, a Semana de Tecnologia é uma proposta que oferece a oportunidade de repensar e ampliar o uso de ferramentas diversas. Funcionários e professores podem adquirir novos Muriel Vieira Rubens Alves: tecnologia integrada ao currículo Tecnologia para todos conhecimentos que farão diferença em suas rotinas de trabalho administrativas e pedagógicas. Já para os alunos, são montadas atividades e vivências com recursos que vão além daqueles usados nas aulas em laboratório.  No entanto, a proposta não se prende à Semana de Tecnologia, pois dela nascem projetos que podem se estender por todo o ano. Quais foram os diferenciais do evento deste ano? Esta é apenas a segunda edição. Neste ano, tivemos algumas novidades, como a oficina para pais e propostas mais avançadas para os alunos, como criação 3D, técnicas de DJ e robótica com sucata. Nas aulas curriculares, o uso do laboratório móvel de netbooks e tablets trouxe uma nova dinâmica para as atividades propostas, levando a tecnologia para dentro das salas de aula. Os ambientes criados sobre arte rupestre, astronomia e vida marinha também foram um grande diferencial para as crianças do Pré ao 5º ano. Tudo isso trouxe um público bem maior do que na edição anterior. Como a tecnologia pode ser aplicada a favor da educação? A tecnologia permite colocar o aluno num papel ativo no processo de aprendizagem. E é nisto que focamos ao implantar tecnologias educacionais. Buscamos sempre propor atividades nas quais a criança produza algo com o uso da tecnologia e não apenas para receber conteúdo ou trabalhar exercícios de repetição. Seja uma atividade de pintura, a elaboração de uma revista ou de uma história em quadrinhos, as aulas não podem ter a tecnologia como fim em si mesma, mas considerar os conhecimentos prévios do aluno e suas necessidades pedagógicas. 10 Caleidoscópio

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As crianças são expostas aos equipamentos eletrônicos cada vez mais cedo. Na sua opinião, essa realidade leva a algum risco no desenvolvimento delas? Os estudos nessa área ainda não são conclusivos, mas há uma indicação de que a exposição excessiva a equipamentos eletrônicos atrapalhe o desenvolvimento das crianças. Os pequenos precisam de uma diversidade de atividades para o desenvolvimento da coordenação motora, da escrita, da comunicação e, certamente, ao usar muito a tecnologia estarão deixando de lado alguma outra atividade importante. Já no caso dos adolescentes, o maior prejuízo pode estar na sua socialização e restrição de interesse, em especial no uso excessivo de redes sociais e na massificação de conteúdos banais na rede. Existe um consenso quanto ao tempo ideal de exposição diária aos recursos tecnológicos? Tudo tem limite.  É uma frase antiga, mas que se aplica também ao uso dos recursos mais modernos. Os pais precisam impor limites, pois se isso não ocorre, os filhos (mesmo os menores) passam tempo demais na internet, videogame etc. Com o advento dos tablets, muitas vezes há um exagero por parte dos pais em colocar os equipamentos nas mãos dos filhos como única forma de entretê-los. Há diferenças no aproveitamento das atividades tecnológicas entre as faixas etárias dos alunos? E do ponto de vista motivacional? As atividades são pensadas levando em consideração a faixa etária e o conhecimento prévio do aluno. Este cuidado nos ajuda a alcançar resultados mais efetivos, independente da idade. Todos se motivam ao usar a tecnologia nas aulas, mas é importante sempre mostrar ao aluno o porquê dele estar usando determinada ferramenta, para que não se caracterize como uma brincadeira ou passatempo. Quais as mais recentes novidades implantadas pelo departamento de informática do Santa Maria? O laboratório móvel é a tecnologia que estamos implantando neste ano, para Fundamental II e Médio. São netbooks educacionais que se convertem em tablets. É um equipamento que abre uma gama interessante de opções para o professor, que não precisa recorrer aos laboratórios de informática sempre que usar computadores. Já temos várias boas experiências de uso, em aulas de português, geometria, história e geografia. Junto a isto, temos expandido o uso da plataforma Edmodo, uma rede socioeducacional em que os alunos podem interagir entre si e com seus professores, tirando dúvidas, fazendo exercícios e postando suas ideias. Atividades mobilizaram todo o Colégio durante a Semana Interna de Tecnologia 11

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Destaque Nas ondas da Estudos atuais demonstram que o cérebro da chamada geração digital mudou e continua em constante mudança, tanto física quanto quimicamente. Essa geração faz conexões neurológicas de forma diferente das dos seus pais e avós, processando informações não mais de maneira sequencial, mas simultaneamente. O bombardeio digital conecta e reconecta o cérebro das crianças e jovens continuamente, aprimorando habilidades de memória e de processamento visuais, exigindo o desenvolvimento de padrões de atenção para captar imagens em movimento. Em contrapartida, esses não são suficientes para processar imagens fixas. Com base nessa nova realidade, o Santa Maria utiliza recursos tecnológicos no seu cotidiano pedagógico, sob medida para cada faixa etária 12 Caleidoscópio

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Desenvolvendo habilidades Pesquisas apontam para o fato de que crianças e jovens expostos por um longo período de tempo ao computador não desenvolvem a empatia, a capacidade de colocar-se no lugar do outro e de saber o que ele está sentindo em determinada situação, sendo essa a base da amizade e dos relacionamentos afetivos, tão importantes para a convivência comunitária. Como afirma a neurocientista Elvira Souza Lima, isso ocorre no face a face e não entre duas pessoas mediadas por uma máquina. É por isso que, na Educação Infantil, é feito o resgate de brincadeiras da cultura popular, envolvendo música, dança, dramatização, memorização de cantigas e quadrinhas e o movimento, como forma de educar os sentidos, desenvolvendo, além dos padrões de atenção, outras habilidades necessárias para a apropriação de aprendizagens escolares como a escrita. cantar a todos com a precisão e simetria de seu trabalho. Durante a pesquisa, os alunos tiveram vários outros vídeos distratores e a função da professora foi a de ajudar o grupo a manter o foco na pergunta inicial e selecionar o vídeo que melhor atendesse à questão. E é neste sentido que uma boa pergunta, aliada ao uso de uma tecnologia adequada, gera conhecimento. Experiências de aprendizagem Muitos consideram que as aulas devem ter a mesma atração dos jogos e vídeos a que os alunos estão expostos no computador. Uma conversa, um texto, lousa, giz? Estão ultrapassados, dizem. O interesse só se mobiliza pelas imagens em movimento, coloridas, acompanhadas de efeitos sonoros. Mas, qual processamento ocorre no cérebro com uma e outra experiência? Qual promove uma aprendizagem que formará a memória a ser evocada posteriormente, expressando o conhecimento? Podemos dizer que ou uma ou outra? Com o objetivo de ampliar o universo de conhecimentos que os alunos têm dos recursos tecnológicos, muitas vezes reduzidos à diversão e aos contatos sociais, a área de informática educacional e a professora de Artes Leozinha planejaram uma experiência educativa para o contato com a arte rupestre, conteúdo deste bimestre do 1º ano do Fundamental I. Numa ambientação criada com tecido, no Laboratório de Informática, os alunos percorreram o espaço localizando as primeiras marcas artísticas humanas, num tour virtual pela caverna de Lascaux, na França. Caminhando entre as projeções dos bisões, cavalos, cenas de caça, marcadas naquelas paredes por mais de 15 mil anos, os olhos brilhantes dos alunos se maravilhavam e eles fizeram vários questionamentos. “A aula planejada pela professora traz o conhecimento. Ampliação do olhar investigativo A tecnologia torna-se aliada ao complementar um tema tratado em sala de aula. Com uma ressalva importante: é muito fácil acessar informações na internet, mas informação não significa conhecimento. É neste sentido que a tecnologia é pensada na Educação Infantil: ela precisa estar inserida num contexto pedagógico para que realmente tenha o seu alcance, tanto para o professor quanto para os alunos. Sendo assim, a observação in loco, os registros, as discussões, as consultas com pessoas e livros são imprescindíveis no trabalho e a tecnologia faz parte desse ambiente de aprendizagem. Para se ter uma ideia, outro dia, observando as lagartas no pé de manacá, os alunos também viram uma teia com uma aranha. Logo surgiu a pergunta: “Como a aranha faz a teia?” Foi aí que a tecnologia auxiliou com a pesquisa de um vídeo no YouTube, que permitiu observar uma aranha fazendo uma teia e en- 13

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Destaque Em Ciências, os temas ganham recursos multimídia, como imagens, clipes e simulações. “Os alunos interagem, deixando de ser apenas público para tornarem-se atores na aquisição do conhecimento”, diz a professora Lílian Reimberg Roschel. “É uma aula só de surpresas, uma aula mágica! A lousa interativa é cheia de diversão. Com ela, eu aprendo muitas coisas novas e interessantes.” - Mariana Moreira Paulani – 2º B “Eu gosto das aulas com a lousa interativa porque dá para entender tudo e fico com mais vontade de aprender.” Maria Eduarda Cavalcanti Cruz – 2º B “Nestas aulas aprendi a entrar em sites e programas que posso acessar em casa e estudar com os meus pais.” - Clara Milanezi Risolia – 2º B A textura, a mistura de cores, os materiais com os quais foram feitas e a mobilização para produções artísticas pessoais dos alunos compõem a aula. Projeções da Serra da Capivara, no Piauí, ampliam os conhecimentos ao informar que no Brasil também existe esse tipo de arte. Os recursos tecnológicos aliados à criação de ambientes para as experiências de aprendizagem enriqueceram o conhecimento formando memórias significativas, inspirando as representações que os alunos elaboraram em sala de aula. Assim, tecnologia, interação e experiências se juntam, e a aprendizagem se consolida”, resume Sueli A. Gonçalves Gomes, orientadora da série. Link para o tour pela caverna de Lascaux: http://www.lascaux.culture.fr/?lng=en#/fr/02_00.xml Lousa interativa Atualmente, é possível usar o computador como recurso didático nas práticas pedagógicas dos diversos componentes curriculares, incentivando as descobertas, desafiando os alunos, incentivando a interação. No 2º ano do Fundamental I, a lousa interativa é ferramenta de apoio à produção escrita, com a possibilidade de fazer anotações sobre regularidades ortográficas, chamar a atenção para a estrutura textual, explorar filmes, músicas e poesias que instiguem a imaginação dos alunos. Em Matemática, pode-se montar e desmontar figuras geométricas, explorando as diferentes planificações dos sólidos e suas características. A tecnologia e o xadrez O 3º ano do Fundamental I utiliza o xadrez nas aulas de informática com o objetivo de estimular o raciocínio lógico, a concentração, a memória, a paciência, desenvolver a tomada de decisões, a capacidade de planejamento, a autoconfiança, o respeito, a responsabilidade, a imaginação 14 Caleidoscópio

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e a versatilidade. Na primeira etapa do trabalho, os alunos aprenderam a história do xadrez. Posteriormente, conheceram as peças e as regras que regem o jogo e, para finalizar, praticaram-no com a utilização do computador. “Os alunos mostraram-se motivados e interessados, pois participaram ativamente do processo de desenvolvimento do seu aprendizado”, revela a professora Katya Jurdy Martins Bayer. “Eu gostei muito de aprender a jogar xadrez. Quero continuar praticando.” - Kenzo Mocknacz Tsuji - 3ºC “Jogo sempre com o meu pai” - Roger Toshio de Oliveira Fukasawa - 3ºC órgãos públicos, restauração das estradas...). Enfim, usam uma ferramenta tecnológica para desenvolver habilidades de pensamento, para conhecer e questionar a realidade em que vivem. É nessa aplicação tecnológica a serviço da qualidade da educação dos alunos, implantada com muito planejamento, que os professores do 4º ano acreditam e investem, pois sabem que a efetivação da aprendizagem é o conceito formado, o método internalizado. A intervenção do professor durante as atividades e a troca de conhecimentos com os colegas de classe são complementadas com a inclusão de tecnologias no processo de ensino-aprendizagem. A interação do aluno com o conteúdo e as reflexões sobre ele é que vão efetivar a aprendizagem, e não somente a mídia utilizada. Edmodo, a nosso modo Já os alunos do 5º ano, professores e pais utilizam o Edmodo, uma rede social voltada à educação. A série se vale da tecnologia em sala de aula há três anos. “O objetivo é a promoção de uma vivência escolar significativa, baseada na problematização e discussão de temas e conteúdos trabalhados na classe e a proposição de desafios não-convencionais, visando ao desenvolvimento do pensamento e habilidades de raciocínio”, explicam as professoras Ana Claudia Florindo e Veronice Aparecida Leal Rocha. A aprendizagem, mediada pela tecnologia, tem despertado forte motivação entre os alunos em relação ao estudo, que podem, por meio do site, participar de enquetes, responder ao Ativamente, compartilhar materiais, corresponder-se com alunos de outras salas, enviar mensagens, publicar notícias, escrever comentários, anexar trabalhos, pesquisas e tarefas de lição de casa, inteirar-se sobre os acontecimentos mais importantes da série e ter acesso às novidades do Blog “Jornal do Planejamento de contas No 4º ano do Fundamental I, a atividade desenvolvida no Laboratório de Informática é o Jogo do Orçamento. Muito mais que habilidades de cálculo para administrar o dinheiro da cidade de Legislândia e resolver os problemas que afligem seus cidadãos, neste jogo os alunos desenvolvem o conceito de cidadania. Aprendem que orçamento é um planejamento de contas e que o dinheiro usado pelos governantes nos serviços públicos é do contribuinte. Percebem que a forma como esse dinheiro pode e deve ser investido é coisa tão séria, que existe uma lei que autoriza o presidente da República e os governantes a realizarem as Despesas Públicas, além de prever todos os gastos do governo (pagamento de salários, compra de medicamentos, construção de escolas, manutenção dos prédios e 15

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