Caleidoscópio nº 69

 

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Caleidoscópio nº 69

Popular Pages


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Revista Nº 69 COLÉGIO SANTA MARIA A qualidade se manifesta quando a família apoia, a escola ensina e o aluno atua REFLEXÃO - Os dilemas da adolescência DESTAQUE - O elo entre o conceito e o concreto COMO FAZER - Dá para aprender a estudar? RADAR - O crescimento da Educação Infantil e do Ensino Médio VESTIBULAR

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Mosaico Expediente COLÉGIO SANTA MARIA Av. Sargento Geraldo Santana, 890/901 Jardim Marajoara – São Paulo/SP (11) 2198-0600 santamaria@colsantamaria.com.br www.colsantamaria.com.br CONSELHO EDITORIAL Irmã Diane Clay Cundiff Irmã Anne V. Horner Hoe Ana Cristina Proietti Imura Maria Rita Moraes Stellin Roberta Edo Vanini Andolfato Mesquita Editora: Suze Smaniotto Projeto gráfico e arte: Belatrix Editora Ltda. Diretor de arte: Marcelo Paton Revisão: Sonia Regina Yamadera COLABORADORES Adriana Pereira da Silva Baptista de Freitas Adriano Silva dos Santos Áurea Maria Curti de Mello Claudia Simone Soares Sande Cristiane Paulon Eliane Aparecida Rodrigues Martins Scheefer Gabriela Bocuto Siqueira José Ricardo Rik do Val Lucilei Aparecida Spitaletti Katya Jurdy Martins Bayer Lara Pecora Polazzo Maíra dos Santos Nascimento Maria Aparecida Bergmam Ferrão Maria Beatriz Brito Rosseti Maria Cristina Forti Maria Lúcia Sanches Callegari Maria Soledad Más Gandini Mary Carmen Monreal Muriel Vieira Rubens Rosana Martins de Oliveira Daher Sildemara Aparecida Bernardo Silvio Soares Moreira Freire Tiyomi Misawa Veronice Aparecida Leal Rocha Impressão: Company Graf Tiragem: 6 mil exemplares A Revista Caleidoscópio é uma publicação do Colégio Santa Maria. Não é permitida a publicação de seus textos sem a devida autorização. 02 Caleidoscópio

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Sumário Carta ao leitor Como fazer 08 A A essência com nova aparência Pertencimento 11 12 Deixa comigo Destaque 16 18 Formação 04 Radar 06 Cotidiano 10 A arte de educar 20 Conexão 22 Reflexão Caleidoscópio tem uma história de 15 anos, sempre com o mesmo formato e preocupação, que é comunicar com clareza aos alunos, ex-alunos, famílias e educadores o que está acontecendo no Colégio Santa Maria. Você já deve ter percebido que a revista sofreu uma mudança radical. Realmente a revista é nova, com uma nova proposta gráfica e editorial. O nome é o mesmo porque Caleidoscópio é a marca da nossa intenção: partilhar perspectivas do Colégio de diferentes formas. A pessoa muda a luz, gira o botão e vai vendo o todo através de vários ângulos. Vocês vivem diariamente a expectativa de seu filho chegar em casa e contar o que aconteceu no Colégio, não é? Ele é o fotógrafo daquele momento, o único capaz de registrar o que ele viu e experimentou na sala ou nas atividades externas. A revista vai além de uma foto, tenta retratar algo mais global e, assim como o Caleidoscópio, apresenta perspectivas pontuais. Nesta edição, você vai ver artigos que retratam início, meio e fim de processos, inícios e chegadas contínuos. Por isso, o convidamos a fazer a leitura dela toda, não apenas das partes que relatam os projetos das suas séries de interesse específico. Embora o professor planeje as ações, a experiência de viver aquela situação acontece dentro de cada um, daí termos incluído impressões de alunos em várias seções. A estrutura ou processo educacional não é igual para todos, não é como uma receita de bolo que gera o mesmo resultado em qualquer cozinha. A história, as tradições, os ritos de gerações de cada pessoa vão interferir em todas as vivências escolares. Nosso convite é que você experimente esta nova revista de forma pessoal, que celebre a educação que está acontecendo nesse momento e nesse espaço com seus filhos. Amém! Irmã Diane Clay Cundiff Diretora geral do Colégio Santa Maria 03

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Radar Planejamento com excelência Para dar início às atividades no ano, em janeiro, o corpo docente do Santa Maria recebeu o Irmão Joel Giallanza e a Drª Elvira de Souza Lima durante a semana de planejamento. Giallanza reafirmou a importância da educação da Santa Cruz, segundo o legado de Padre Basile Moreau: “A sociedade tem uma necessidade maior por pessoas de valores do que por acadêmicos. O conhecimento em si não traz valores positivos, mas valores positivos influenciam o conhecimento e o coloca para um bom uso. Se alguma vez existiu uma época em que este tipo de educação deveria ser uma influência nas vidas dos jovens, esta época é certamente agora”, disse. Como ajudar o cérebro a aprender? foi o tema da palestra dada aos professores pela pesquisadora em desenvolvimento humano, com formação em neurociências, psicologia, antropologia e música, Drª Elvira de Souza Lima. É, sobretudo, para um bom preparo, acreditando na possibilidade do ensino e da aprendizagem, que o Santa Maria busca pessoas competentes para ampliar o conhecimento e oferecer um ensino de qualidade com excelência acadêmica aos alunos. Renovação e crescimento O ano começou com muitas novidades no Ensino Médio, resultado de um investimento intensivo na construção da competência acadêmica de nossos alunos: o crescimento no número total de 12 para 15 turmas (que representa um aumento de 18% no número de alunos), o aumento da equipe de professores, a ampliação da oferta de cursos do Currículo Diversificado e a reestruturação da equipe de Coordenação e Direção, que depois de quatro anos com Sister Diane no comando, agora está sob responsabilidade do professor Silvio Soares Moreira Freire. Ilustração: 123RF/ alexmillos Pontapé inicial No início de março, foram realizadas as Reuniões de Pais e Professores do 6º ao 9º anos do EF para que cada série pudesse apresentar sua equipe docente e suas propostas de trabalho para o ano. A troca de informações e o esclarecimento de dúvidas alinham escola e família segundo o objetivo comum: favorecer a produção pedagógica dos alunos. É uma parceria essencial para atingir a meta de excelência desejada por todos, por isso organizem-se para as reuniões futuras, já previstas no calendário anual. 04 Caleidoscópio Foto: SXC.hu

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Lousa interativa O Núcleo de Educação e Tecnologia da Informação trouxe uma novidade para a sala de aula: a lousa interativa. A nova tecnologia permite uma dinâmica mais eficiente na interação com a lousa, sem o uso do mouse. Dá para acessar a internet, realizar simulações, ver vídeos e animações, além de fazer anotações que mais tarde podem ser disponibilizadas aos alunos. Os professores que vêm usando a tecnologia aprovaram os resultados, assim como os alunos, que ficam empolgados com a dinâmica das aulas. Reta final Eliakim Ferreira Oliveira e João Gabriel Farias Romeu, alunos do 2º e 3º anos do Ensino Médio, classificaram-se para a etapa final da Olimpíada Paulista de Química, que acontecerá em junho, no Instituto de Química da USP. O feito foi obtido através dos excelentes resultados na redação sobre o tema “Um mundo melhor com a Química”. Confira as produções publicadas na AllChemy (http:// allchemy.iq.usp.br). Agora começa um treinamento intensivo sob a coordenação dos professores Maurício Rodrigues e Talita Silva. Estamos na torcida! Mais alunos na Educação Infantil A Educação Infantil passou de 236 alunos para 294. Foram criadas mais uma sala de Jardim I, chegando ao total de quatro turmas, e mais duas de Pré, somando seis turmas. Educar para conhecer, viver e ser. Este é o segredo para colhermos bons frutos! Cursinho no Santa Em março, teve início mais uma turma de cursinho, com 45 alunos determinados e dedicados em estudar com um único objetivo: cursarem a carreira escolhida. As aulas acontecem todos os dias no período da tarde, e são desenvolvidas por professores com experiência em cursos pré-vestibulares, que utilizam o material do Anglo. Bom trabalho a todos! 05

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Cotidiano Certificação Cambridge Em dezembro do ano passado, foram aplicados pela primeira vez no Colégio Santa Maria os exames PET, FCE e CAE, por examinadores externos e nos moldes exigidos pela University of Cambridge. Dos 40 candidatos inscritos, 36 foram aprovados e receberam seus certificados pelas mãos da Sister Diane. Foto: 123RF/Globalphoto Múltiplas linguagens A Educação Infantil realizou, em março, a Feira de Linguagens, que contemplou as diversas linguagens partilhadas entre os alunos: músicas, poesias, parlendas, danças, histórias sonorizadas, oficinas de desenho, pintura e dobradura. Foi uma manhã plena de experiências e conhecimentos, principalmente de convivência com a riqueza que o outro expressa por meio das várias linguagens, quando estimulado. O trabalho é baseado em estudos atuais da Neurociência, que comprovam a interação da criança com o mundo por meio da utilização de diferentes linguagens desde os primeiros momentos de vida. Além da escola Levar os gêneros da esfera jornalística para a sala de aula é trazer o mundo para dentro da escola, por isso o 5º ano estudou o jornal, importante veículo de comunicação, que traz informação, diferentes posturas ideológicas e ajuda a tomar posições fundamentadas. Para aprofundar o tema, os alunos visitaram a redação da Folha de S.Paulo e aprenderam sobre a rotina de um jornal. “Na Folhinha, há mais de cinco pessoas envolvidas: a editora, o repórter, a jornalista, o fotógrafo, a diagramadora ...”, explica Ana Beatriz Pestana. “Mais de 263.000 exemplares foram feitos hoje!”, exclamou Matheus Pessoa. Dessa forma, tornaram-se mais significativas atividades rotineiras, como a confecção do jornal mural em sala de aula, comentar as atualidades semanalmente e, por que não, produzir o nosso próprio jornal?! 06 Caleidoscópio

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Dia mundial da Água No dia 22 de março, foi comemorado o Dia Mundial da Água. Para refletir, conscientizar e partir para a ação em torno do tema, os alunos do 7º ano assistiram ao curta de animação “Abuela Grillo”, que problematizou discussões e ações sobre o consumo, o monopólio e a mercantilização da água. Na sequência, criaram a Via Crúcis da Água, uma exposição com sete painéis que ilustraram desde a exuberância do recurso em sua beleza máxima até o retrato da falta de cuidado por parte das indústrias, dos agricultores, das mineradoras, das embarcações, dos órgãos competentes e da própria população. O passo seguinte foi a discussão sobre a necessidade de se estabelecer políticas públicas para o uso mais racional desse recurso natural finito e indispensável. Por fim, os alunos sugeriram procedimentos para um consumo sustentável da água. Estudo do meio Para dar início ao Projeto Vida, sobre preservação ambiental, as turmas do 2º ano fizeram um estudo do meio no Zoológico de São Paulo, partindo da premissa de que para preservar é necessário conhecer. Os alunos aprenderam sobre a diferença entre animais vertebrados e invertebrados, percorreram a Trilha da Joaninha (trecho de Mata Atlântica), conheceram a cozinha, o biotério e a fábrica de rações. Eles ainda observaram características dos espaços especialmente montados para animais como o rinoceronte, a girafa, o elefante, os micos, os jacarés, o leão marinho, os jabutis, as araras, refletindo sobre a importância da preservação dos hábitats naturais para que haja alimento, condições necessárias à sobrevivência, à reprodução e à preservação das diferentes espécies. Alunos no museu Mesa-redonda Os alunos do 6º ano são convidados a participar do Projeto de Inserção Social, concretizado com o Trabalho Voluntário, que possibilita o desenvolvimento de inúmeras habilidades. Para apresentar esse novo caminho, foi organizada uma mesa-redonda com os representantes das entidades participantes do programa, formato que ilustra o conceito de que não existem diferenças hierárquicas. Os alunos foram preparados previamente para discutir o tema e fizeram várias perguntas para entender o funcionamento das instituições e do trabalho voluntário. Eles atuarão junto ao Abrigo Nossa Senhora Auxiliadora, AHIMSA - Associação Educacional para Múltipla Deficiência e APOIE - Associação para Profissionalização, Orientação e Integração do Excepcional . Alunos do 3º ano visitaram o Museu de Geociências, que se encontra no Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, para estudar a história da Terra, tema integrante dos conteúdos de Ciências. Eles puderam conhecer o rico acervo de minerais, rochas, minérios, gemas, fósseis originais, réplicas de fósseis, espeleotemas e dois meteoritos, o maior deles conhecido como Meteorito de Itapuranga, que caiu no estado de Goiás e pesa 628 kg. No pátio do Instituto, também puderam ver a réplica do Alossauro Fragilis, um dinossauro que viveu no período Jurássico, há cerca de 155 milhões de anos. 07

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Como Fazer Dá para aprender a O 2º ano desenvolve um projeto de orientação de estudos que tem como objetivo principal ensinar a estudar. A professora Lara Pecora Polazzo indica o passo a passo dessa atividade, útil em várias etapas da vida escolar estudar As crianças do Santa Maria recebem orientação sobre métodos de estudo I niciamos pela escolha de um caderno. Depois, uma entrevista com os pais para saber como estudavam quando eram alunos. Fazemos a socialização e constatamos que cada pessoa tem um jeito diferente de estudar. Respeitar isso é o que possibilita a sistematização da aprendizagem. Discutimos como seria uma hora do estudo adequada. Nesse momento, conversamos sobre a rotina. É muito importante que o aluno determine, juntamente com a família, qual é o melhor horário para estudar e que seja distante daquele programa de televisão favorito. A escolha do local é fundamental, mas deve ser negociada com a criança. O ideal é que ele favoreça a concentração. Caderno comprado e rotina organizada, agora é a hora de por a mão na massa. Se queremos aprender efetivamente, é necessário rever, refazer e reformular perguntas e exercícios. A cada conteúdo, conversamos sobre como é possível estudá-lo em casa. Anotamos todas as sugestões para que possam visualizá-las e escolham a que lhes é mais atraente. Novamente, fazemos a socialização e comentamos se realmente foi a melhor escolha e avaliamos novas ideias. Em alguns momentos, apresentamos diferentes atividades para que escolham, considerando suas necessidades, as propostas que possam ajudá-los em sua hora do estudo. Há ainda a elaboração de um exercício para que outro colega Caleidoscópio resolva. Dessa forma, eles têm de elaborar o pensamento e rever a aprendizagem, pois para que a tarefa seja bem-sucedida, é necessário ter pleno domínio do conteúdo. Esse pensar sobre o pensar também chamado de metacognição, possibilita a tão esperada autorregulação. Dessa forma, os alunos começam a assumir o hábito de estudar para repensar conteúdos, rever assuntos trabalhados, buscar informações e ampliar seus conhecimentos. Aprendem, assim, a avaliar o próprio desempenho nas diferentes atividades para que se organizem frente à necessidade do estudo individual e reflexivo, na escola e durante toda a vida. 08

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Ilustrações: 123RF Efeitos práticos da lição de casa de matemática O ato de estudar é um trabalho árduo e precisa de disciplina. Nem sempre é prazeroso, porém, é necessário para o desenvolvimento do seu conhecimento. Segundo os professores de matemática Luis Carlos de Carvalho e Carla Afonso, para realizar um bom trabalho é preciso estudar diariamente através da realização das tarefas propostas. Se não tiver tarefa, o que é um pouco difícil de acontecer nesse componente, é necessário que se faça uma revisão do que foi dado em aula nesse dia. O estudo deve gerar registros de dúvidas, que devem ser esclarecidas posteriormente com o professor. Nos 8ºs anos, a realização da tarefa e os registros organizados servem de material de apoio na realização de avaliações contínuas, que ocorrem semanalmente. Com essas avaliações, os estudantes percebem concretamente a importância do FAZER tarefa, já que podem utilizá-las. O resultado reflete no aumento do número de acertos nessas atividades, como mostra o gráfico abaixo: Verificação semanal - T1 Verificação semanal - T2 Alunos do 2º ano com seus cadernos de estudo 13

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A arte de educar Há limites O que seria de uma sociedade se não houvesse leis? Caótica Adriana Pereira da Silva Baptista de Freitas* O respeito deve ser ensinado e, tal como qualquer aprendizado, envolve limites, regras, procedimentos e, inevitavelmente, conflitos. A escola está inserida nesse contexto e não deve promover um ambiente permissivo, cujo intuito exclusivo seria o de causar bem-estar ao jovem, evitando-se conflitos. Se assim o fizesse, estaria caindo em um erro bastante recorrente em nossa atual sociedade: o afrouxamento das leis, o favorecimento ilícito e o desvirtuamento do que é institucional. Não se trata, pois, de vivermos sob a rigidez e a inflexibilidade das regras, no entanto, é fundamental compreendê-las como indispensáveis para o mínimo de respeito mútuo. Temos orgulho do nosso jeito malandro, de tirar vantagem de tudo, mas é sempre conveniente lembrarmos de que regras garantem a uniformização do tratamento entre indivíduos e, se bem aplicadas e seguidas, evitam quaisquer resquícios de preconceitos ou distinções, sejam elas de naturezas diversas: cor, credo, gênero e outras. Portanto, antes de reclamarmos sobre as regras, associando-as, equivocadamente à intolerância e ao autoritarismo, é aconselhável que se reflita sobre sua importância para o estabelecimento de limites justos e necessários para o bom andamento de qualquer esfera (política, educacional, social). Adriana Pereira da Silva Baptista de Freitas é Pedagoga e Historiadora, orientadora do 3º ano do Ensino Médio, atua desde 2004 no Santa Maria 10 Caleidoscópio Foto: 123RF

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Pertencimento Quem ama, cuida Depoimentos dos alunos: Depois de cultivar as azaleias, percebi que o local onde nós plantamos era nosso também. Julia Hedda Lima Pastana – 4ºA Com o plantio da azaleia, nosso pátio ficou mais bonito e colorido. Quando passo por elas, me lembro de que ele é sempre cuidado com muito carinho. Bruna Ungefehr Silva – 4º B Para mim foi um prazer plantar as azaleias no jardim do Colégio. É bom saber que não só eu, mas todos os alunos fazem parte do Colégio. Samara Batista de Jesus - 4º A Quando eu plantei azaleia, comecei a me preocupar mais com o jardim, as plantas e a grama do Colégio. Lívia de Lucca- 4º A Cuidar da azaleia me ajudou a saber cuidar de outras coisas sem ser eu. Lucas Martins Marques - 4º A O plantio de azaleias no São José foi importante, pois esse lugar pertence a todos nós. Essas lindas flores ajudaram a tornar nosso cantinho ainda mais especial. Mariana Iazzetti – 5ºB U ma ação educativa com foco na preservação ambiental busca mais que promover o uso racional dos recursos naturais - promove uma mudança de valores, uma visão mais solidária de mundo, uma relação de pertencimento entre escola e comunidade. Como resultado, o estímulo de uma atitude de cuidado em relação ao patrimônio coletivo que é o espaço físico da escola. O sentido do pertencimento à escola influencia o desempenho escolar do aluno e a sua capacidade de desenvolvimento como sujeito sócio-histórico. Os alunos do 3º, 4º e 5º ano vivenciaram o pertencimento ao espaço em que habitam diariamente, através do plantio de azaleias nos jardins e floreiras do prédio São José. Foi um dia diferente e que trouxe atitudes e compromissos muito significativos e duradouros em relação aos cuidados com o jardim do Colégio. A escolha pela azaleia, um arbusto muito popular, não foi por acaso, afinal a sua floração ocorre justamente nos meses de inverno. Ao trazer seu colorido e alegrar o nosso jardim, se faz presente e notável no momento em que as outras flores desaparecem. 11

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Destaque Pontas que se encontram no trabalho pedagógico No trabalho cotidiano em escola, não é pouco comum o fazer se sobressair ao pensar. Atento à questão, o Colégio Santa Maria proporciona a seus educadores momentos de estudo, reflexão e contato com os recentes exercícios de pensar a Educação, como aconteceu na primeira semana de trabalho de 2012, através das palestras “Avaliação e neurociência”, com a neurocientista Elvira Souza de Lima, e “Herança Educacional da Santa Cruz”, com o Irmão Joel Giallanza primeira trouxe as marcas informativas e reflexivas, especialmente relacionadas sobre como o conhecimento formal passa a ser compreendido. Entre os valorosos conceitos apreendidos, vale destacar que o ser humano aprende aquilo que consolida, um processo que se dá culturalmente nas relações de comunicação. A segunda palestra lembrou os princípios aos quais estão filiados os educadores que atuam nas instituições da Santa Cruz, entre eles: não se pode separar instrução de educação – o grande desafio é unir ensino (conteúdos acadêmicos) e educação (valores). O processo pedagógico, em síntese, deve articular a informação à formação e à transformação. E o que pode dar liga entre esses dois conteúdos? A trabalho Olimpismo Os Jogos de Integração do 3º, 4º e 5º ano, realizados em março, são outro exemplo de atividade que ilustra os conceitos abordados. “A começar pelo tema escolhido, Olimpíadas, cujos símbolos e significados despertam em todos nós e, particularmente nas crianças, um senso de participação e de autossuperação que muito prezamos e propomos nas aulas de Educação Física do Santa Maria”, revela José Ricardo Rik do Projeto Trans-forma-ação No caso do 6º ano, a reiterada escolha pelo trabalho com projetos nas séries responde à questão acima, como explica a orientadora Maria Cristina Forti: “A equipe de orientação e professores propõe leituras, discussões, exercícios e vivências com os alunos, a fim de aproximá-los da visão de interdependência entre os três elementos – reflexão, conhecimento e ação.” O foco temático é “Saúde e cura – produção de significados” e várias disciplinas estão engajadas, com a aplicação de duas frentes de trabalho ao longo do ano: a acadêmica (leituras, estudos orientados nos diferentes componentes curriculares, saídas culturais, estudo do meio) e o trabalho voluntário (conhecimento e trabalho em instituições que atendem portadores de necessidades especiais, atuação no projeto ecoestudantil). Nessa tentativa de colocar os conteúdos das palestras e a prática do projeto da série para dialogar, não se pode deixar de considerar que a construção de conhecimentos pelos alunos e professores é compartilhada e não se esgotará no período de um ano. Trata-se de um processo que avançará quanto mais os seus autores se sentirem implicados.

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Jogos de Integração: valores vividos na prática pedagógico Iniciação à argumentação Os alunos do 2º ano do Ensino Médio partiram para a ação ao enfrentar um problema ultramoderno: saber lidar com informações, ou melhor, com o excesso delas, contexto em que habilidades como pesquisar, ler, interpretar e argumentar ganham muito em importância, especialmente nessa série, em que os alunos têm o desafio de produzir textos dissertativos. “Esse tipo de texto está relacionado com os exames vesti- Val, professor de Educação Física do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental e 3º ano do Ensino Médio. Nesse evento, a equipe organizadora procurou elaborar atividades para trabalhar o espírito olímpico, senso de perder e ganhar de forma equilibrada, ideais de fraternidade e convivência harmoniosa entre pessoas diferentes. “Para ilustrar e explicitar alguns símbolos olímpicos, como a Tocha e a Chama Olímpica, revezamos alunos de cada equipe para representar a passagem da chama Olímpica de continente em continente, levando a vida e a integração entre os povos como mensagem e determinante na abertura e no encerramento dos Jogos Olímpicos reais”, explica o professor. Houve ainda a leitura do Juramento Olímpico e a representação dos Anéis Olímpicos. bulares, mas também com a necessidade cotidiana de nos posicionarmos claramente em relação a determinada questão, ou seja, com a argumentação”, lembra Adriano Silva dos Santos, professor de Leitura, Interpretação e Produção de Textos. É por isso que o curso de produção de texto começou uma série de debates públicos regrados entre os estudantes. Grupos “contra” e “a favor”, formados a partir das convicções pessoais de cada um, discutiram temas como “utilização da energia nuclear”, “presença da polícia militar na USP” e “pena de morte”, escolhidos pelos próprios alunos. A atividade teve início com uma pesquisa preparatória para as discussões, seguida pelos debates, com tempo delimitado e organizados em momentos como “considerações iniciais”, “pergunta”, “resposta”, “réplica”, “tréplica”, “reunião dos grupos” e “considerações finais”. Cada debate foi filmado e analisado posteriormente em aula, comentando-se vários aspectos, como argumentação, nervosismo, postura corporal, controle emocional etc. A troca de ideias, muitas vezes, acalorada, seguiu até mesmo depois de desligada a câmera. Uma iniciação ao caminho que leva a uma melhor compreensão sobre como se movimentar em meio ao turbilhão de informações e sobre como se posicionar com clareza, coerência, respeito e autonomia. 13 Ilustrações: 123RF

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Destaque conheci As técnicas de aprendizado da Matemática no Santa Maria ilustram bem o elo entre o conceito e o concreto tomada de decisão, argumentação e organização, que estão estreitamente relacionadas ao raciocínio lógico-matemático, promovendo uma aprendizagem significativa. “Depois da ação, é importante que os alunos registrem, através de desenho ou escrita, o que fizeram, aprenderam ou perceberam durante a realização da atividade; assim avaliamos a aprendizagem”, diz a professora do 3º ano, Katya Jurdy Martins Bayer. As primeiras noções Alunos da Educação Infantil do Santa Maria constroem os conhecimentos matemáticos vivenciando-os corporalmente e por meio da utilização de materiais concretos, até chegarem à etapa do registro. Assim, se apropriam de noções fundamentais para a continuidade do seu processo escolar, como quantidade, tempo, capacidade, massa e noções espaciais. “Os jogos, as brincadeiras, músicas e histórias também exercem um papel importante nesse aprendizado, e devem acontecer de forma a auxiliar no ensino do conteúdo, propiciando a aquisição de habilidades e o desenvolvimento operatório da criança. Assim, formamos cidadãos autônomos, que pensam o mundo e suas relações problematizando-as e buscando soluções criativas”, resume Maria Beatriz Brito Rosseti, professora do Pré. atemática Do concreto ao registro O ensino de Matemática por meio da utilização de material concreto propicia aulas mais dinâmicas e interativas, auxilia o desenvolvimento de habilidades como observação, análise, levantamento de hipóteses, busca de suposições, reflexão, aná Alunos fazem uso do ábaco “O conhecimento lógico-matemático é uma construção que resulta da ação mental da criança sobre o mundo, construído a partir de relações que a criança elabora na sua atividade de pensar o mundo, e também das ações sobre os objetos”. – Piaget (1978) 14 Caleidoscópio á

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imento “Nós aprendemos que o ábaco é uma máquina de calcular e que para construir um ábaco é necessário uma base, pinos e argolas. Na base tem as letras U, D, C e M que signif ica unidade, dezena, centena e milhar.” a ano G) - registro da aluna Gabriela Stefano Dinis dos Santos (3º álise Os alunos da sua série usaram o ábaco, recurso para trabalhar o Sistema de Numeração Decimal (compreender e fazer uso do valor posicional dos algarismos) e representar cálculos de adição e subtração. A primeira atividade foi o Jogo Nunca 10. Os alunos foram divididos em duplas e, cada um na sua vez, jogava os dois dados e representava o valor no ábaco. Quando juntava 10 argolas (pontos) no pino da unidade, o jogador retirava as 10 argolas e trocava por 1 argola colocada no pino seguinte, representando 10 unidades ou 1 dezena. Vencia o jogo o aluno que colocasse a primeira argola no terceiro pino, que representava as centenas. Divisão: do concreto à técnica operatória Os primeiros registros propostos envolvendo o significado da divisão devem partir de vivências do cotidiano da criança, assim o algoritmo não se torna um processo abstrato. O trabalho com o material concreto deve ser proposto já nas primeiras séries, o que favorece a construção da lógica, num processo gradativo. No 4º ano, o trabalho é retomar o conceito e evidenciar a lógica dessa técnica. A nomenclatura da divisão - dividendo, divisor, quociente e resto - deve ser memorizada pelo aluno. As atividades concretas favorecem percepções que dificilmente somente as explicações verbais poderiam suprir. Usando as cédulas de “dinheiro decimal”, os alunos podem perceber que o registro do algoritmo reproduz as ações ocorridas na divisão com esse material. Após o uso do material concreto e do registro de algoritmos, os alunos são desafiados a explicar a lógica dessa técnica de cálculo. Comunicar-se matematicamente por escrito, refletindo sobre sua própria aprendizagem, é uma proposta valiosa, pois, ao construir o texto, o aluno organiza sua reflexão e amplia a compreensão do algoritmo de divisão e do sistema decimal. ábaco Registro evidencia aprendizado do conceito matemático 15

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