Caleidoscópio nº 44

 

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Caleidoscópio nº 44

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REVISTA DO COLÉGIO SANTA MARIA - N0 44 UM DIA PERFEITO NUM SÁBADO ENSOLARADO, MAIS DE 9 MIL PESSOAS COMPARECERAM À FESTA JUNINA DO SANTA MARIA E SE ENCANTARAM COM AS APRESENTAÇÕES DOS ALUNOS 1

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MENSAGEM Irmã Diane Clay Cundiff Diretora-geral do Colégio Santa Maria CARTAS O QUE NÃO TEM PREÇO “Hoje fui comprar o convite da Festa Junina. Convite na portaria, R$ 18; antecipado, R$ 10. Passear pelo Colégio onde passei mais da metade da minha vida: não tem preço. Olhar para o teatro novo e lembrar dele sendo construído: não tem preço. Entrar no teatro e lembrar da coxia: não tem preço. Olhar para sala de iluminação e lembrar como havia botão naquilo: não tem preço. Lembrar quantas vezes eu subi para bater papo em cima da rede de basquete: não tem preço. Ir até o pátio, lembrar quantas calças eu rasguei no joelho por sair derrapando naquele piso de quadradinhos, lembrar dos lanches que estendíamos no chão com uma toalhinha, lembrar das vezes que fui à Capela: não tem preço. Passear pelo pátio do Colegial e lembrar dele sendo construído, lembrar quantas vezes sentei naquelas pseudojanelas para relaxar (minha vida era muito estressante...): não tem preço. Ver a criançada levantando cavalete e lembrar da briga que era para poder fazer isso, ver eles cortando a calça para ficar na moda, a felicidade estampada no rosto, conversando no Redondo: não tem preço. O morro, o Prisma, a casa das freiras; quanta lama para descer aquele morro num pedaço de papelão... Ah, sei lá, cada canto, cada pedacinho, nem sei como descrever. Cada amigo, cada festa, o troco da amizade... Eu ficaria aqui uma semana... É minha vida!” Maria Manuela de Matos Faria Sarmento, ex-aluna, turma de 2001 CORES VIVAS U ma das coisas que mais chamaram atenção na nossa Festa Junina foram as cores vivas e harmoniosas em movimento, tomando formas e texturas bem diferentes umas das outras. É a variedade que alimenta os nossos sentidos e espíritos, por isso agradecemos a Deus também por nos ter feito tão diferentes uns dos outros. A natureza, como estamos descobrindo cada vez mais, está formada também por uma infinidade de partículas – cada uma com sua forma única e tudo relacionado entre si. Não há seres vivos, objetos, culturas, eventos ou histórias desconectadas. Nosso desafio é perceber a nossa interdependência e aprimorar as condições de vida sem destruir o fino equilíbrio planetário. Esta edição da nossa revista tem partes e páginas com suas particularidades. O que as tece e lhes dá harmonia é a interação intencional dos alunos nessas realidades. Tudo é conhecido, desconstruído, questionado e reorganizado diante de cada novo desafio. A Matemática é construída usando o jogo, com a experiência e a problemática de outras culturas, explorando as propriedades de círculos e formas artisticamente e como elementos de desenhos criativos. O texto lido e escrito é ampliado com os repertórios da música, da tecnologia e com as vivências de cada família, por meio do uso dos blogs. Quantas representações culturais nos enriquecem, cada uma com as suas “verdades” e, cada vez mais, desafiadas pela necessidade de interagir e integrar o “outro”, ora por causa de imigrações, ora porque descobrem problemas que ocorrem devido à falta de cuidado – com a água, com as plantações, com as pessoas! Convidamos as famílias que participam da vida escolar dos filhos – dentro e fora do Colégio – a degustar com prazer esta edição da Caleidoscópio, porque vocês participam do colorido do nosso mundo. 2

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MISSA DAS MÃES “Parabéns pela Missa das Mães – ‘Mães que acolhem e cuidam da vida’. Não há como deixar de elogiar. Quando penso que já assisti à missa mais linda da minha vida, vocês conseguem se superar! E olha que eu já assisti a inúmeras missas das crianças nestes dez anos de Colégio! Quanta emoção! Foi maravilhosa! A celebração estava linda e emocionante, sempre abordando sentimentos tão importantes e profundos. Os nossos pequeninos estavam uma graça, como sempre, envolvidos e muito bem preparados por vocês. Parabéns, professoras, pela preparação das crianças (eu imagino o trabalho e a energia aplicada) e a toda a equipe que nos proporcionou esse belo resultado. A escolha das músicas foi muito feliz, tornou a celebração muito alegre e trouxe muita emoção (e muitas lágrimas, claro). O telão com a projeção das fotos foi uma novidade que agradou tanto às mamães como às crianças. Estava uma graça: eles nomeavam cada criança que surgia no telão e vibravam quando se viam com suas mamães! A entrada das crianças e das mamães em procissão, tudo muito lindo. O trabalho tão significativo com a creche Abrigo Solar da Alegria, que tem envolvido as crianças de uma forma muito importante para todos, também acrescentou valor ao conjunto. Nunca vi a Isabela tão ansiosa para a chegada de um evento como o dessa missa das mães. Ela contava cada dia nos dedinhos da mão. Na sexta-feira, ela pulava de alegria, dizendo: “Oba! Já é amanhã, mamãe, a missa das mães”. Cantava as músicas desde quando começaram os ensaios e continuou cantando nesse fim de semana. O lindo cartão e o presente foram uma graça, muito criativos. Eles ficam tão felizes, orgulhosos e satisfeitos com suas produções! Ela já colocou meus colares e minhas pulseiras no porta-jóias e quis levar tudo para a casa da vovó para mostrar, toda orgulhosa, tudo o que tinha feito para a mamãe. É muito legal ver como eles guardam os segredinhos para nos fazer surpresa. As coisas feitas por eles são as mais valiosas que podem existir, além deles próprios, claro! Para mim, ser mãe é uma bênção divina e única. Feliz de quem recebeu esse presente precioso.” impediu de voltar. Lamento não ter sabido da festa de aniversário do Colégio – quem sabe poderia ter reencontrado antigos colegas. Saí em 1963, portanto tenho quase a idade do Colégio. Se alguém da minha época ler este depoimento e quiser me contatar, eu ficaria muito contente.” Maria Virginia de Oliveira (Vick), ex-aluna FESTA JUNINA “Gostaria de parabenizar a Diretoria, professores e colaboradores pela bonita e organizada Festa Junina. São eventos assim que engrandecem cada vez mais o grande nome deste Colégio. Como sou gaúcho, e meu neto participou da apresentação, fiquei emocionado.” Paulo Roberto Santos Agrelo Maria Helena Santuche, mãe de Isabela, do Pré E SAUDADE DOS COLEGAS “Ah, o Santa Maria... Que saudade! Tenho ótimas recordações, afinal estudei aí por 12 anos, desde o Jardim até a 4a serie do ginásio (hoje 8o ano). O Colégio estava começando no Brasil, e as sisters nem sequer falavam português! Eu, com 5 anos, aprendi Inglês para nunca mais esquecer. Vivi aí a melhor época da minha vida. Fiz amigas para sempre, aprendi lições para a vida toda. Mas a gente segue rumos diferentes e perde os amigos pelo caminho. Casei-me na Capela do Colégio, em 1972, e nunca mais voltei. Não por não querer, mas a correria da vida me Revista bimestral do Colégio Santa Maria No 44 – Jun./jul. de 2008 Irmã Diane Clay Cundiff Irmã Anne V. Horner Hoe Ana Cristina Proietti Imura Maria Lúcia Sanches Callegari Maria Soledad Más Gandini Paula Bacchi Sonia Regina Yamadera Equipe de redação COLÉGIO SANTA MARIA Av. Sargento Geraldo Santana, 890/901 Jardim Marajoara, São Paulo, SP Telefone (11) 2198-0600 www.colsantamaria.com.br santamaria@colsantamaria.com.br Produção editorial Editor: Ricardo Marques da Silva Editora de arte: Maila Blöss Fotos: Éric B., Sister Diane e acervo do Santa Maria Impressão: CompanyGraf Foto da capa: Éric B. 3

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ARTIGO EDUCAÇÃO INFANTIL: UM ESPAÇO DE CONQUISTA PARA A CRIANÇA Para a criança viver o tempo da infância, é necessário que o adulto não queira transformá-la em adolescente e adulto antes de ser criança U m projeto de Educação Infantil pensado com intencionalidade é construído fundamentado nos processos de desenvolvimento humano; a criança que participa vive um dos momentos mais relevantes na caminhada do seu aprender. O humano, criança ou adulto, é um ser de múltiplas relações e necessita se relacionar com o outro, com os objetos de conhecimento, com o tempo, com o espaço, com o seu contexto e com outras culturas. A criança aprende a ler o mundo vendo, ouvindo, tocando, cheirando, saboreando, estabelecendo relações. Pesquisas demonstram que as crianças que vivenciam a Educação Infantil apresentam melhor desenvolvimento em várias áreas do conhecimento. Não é um espaço para preparar para o amanhã, para as séries iniciais – conceito erroneamente difundido no passado –, mas para estruturar o pensamento e possibilitar melhor desempenho na vida toda, assim como na construção da identidade. Durante muito tempo, procurava-se preparar a criança para o depois – a formação para um futuro feliz. Hoje, a preocupação é a criança feliz aqui e agora, a infância como construção social. A Educação Infantil, situada histórica e culturalmente, trabalha as competências simbólicas da criança, as representações mentais e as descobertas A professora Emilia e sua filha Amanda Cipriano de Castro Sanches, aluna do 7o ano do Santa Maria 4 sensoriais; é o espaço onde o brincar e o lúdico têm seu lugar na vida infantil. Neste momento em que se vivem formas diferenciadas de organização familiar (presença maior da mulher no mercado de trabalho, separação de pais, avós assumindo o cuidado das crianças, lares monoparentais, falta de tempo dos pais para estar com as crianças), transferem-se a vida e a formação da criança para a escola de Educação Infantil. Assim, cabe à escola retomar o tempo e o espaço da criança, não como miniatura de adulto, mas estimulando e revelando a autoria da criança. A Educação Infantil é reconhecida hoje como momento decisivo do desenvolvimento. Para que tenha sucesso, são essenciais a parceria escola-família, a confiança, a cumplicidade e a complementariedade. A escola deve trazer a família para vivenciar a evolução da criança, conhecer o real olhar que se deve ter para a infância, aprender a escutá-la, conhecer suas necessidades, desejos, sonhos, medos... Pais e professores: a escola é um espaço de organização do tempo da infância, e o cuidar e o educar são indissociáveis. O educador é um mediador do processo de aprendizagem, e a família, sua parceira. A Educação Infantil é um espaço de partilha, de brincar, investigar, instigar a curiosidade, valorizar atitudes, apropriar-se de linguagens. Agindo com intencionalidade, com respeito às diferenças, à diversidade, visando à solidariedade e ao bem comum, o resultado serão cidadãos comprometidos com a vida, com a ética e com os valores humanistas. Como co-produtora de cultura, a criança pode contribuir significativamente para fazer os adultos se questionarem sobre os projetos de vida para os filhos e para si mesmos. Não transformem seu filho ou aluno em adulto antes que ele seja criança. Professora Emilia Cipriano Sanches, doutora em Educação, mestre em Psicologia da Educação, pesquisadora e escritora

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EDUCAÇÃO INFANTIL O JOGO: MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL Q ue papel o jogo ocupou em sua infância? Quando éramos pequenos, tínhamos o costume de nos reunir com familiares ou amigos e jogar por horas a fio. Não que isso não aconteça mais, mas a diferença é que hoje, na maioria dos casos, as crianças ficam diante das máquinas, e não reunidas com pessoas. Com isso, a escola acaba se tornando o lugar em que se joga em grupo – ou, pelo menos, acreditamos que deveria ser assim. Jogar é uma atividade muito prazerosa, além de apresentar um aspecto social muito importante, pois favorece as relações e permite lidar com situações inusitadas, com perdas e ganhos e a necessidade de se estabelecerem estratégias e seguir critérios e regras. “As emoções do jogo geram necessidades de ordem afetiva, e é a afetividade a mola das ações. Ela mobiliza o indivíduo em uma determinada direção com o objetivo de obter prazer. A ação humana é sempre fruto de uma motivação que organiza as forças do indivíduo em direção a um determinado fim.” (Gilda Rizzo) No Santa Maria, os jogos ocupam um lugar fundamental em nossos planejamentos; são escolhidos e preparados com cuidado, para ajudar a criança a adquirir importantes conceitos matemáticos. O jogo motiva, por isso é um instrumento muito poderoso no estímulo à construção de esquemas de raciocínio, ativando-os. O desafio que proporciona mobiliza a busca de soluções ou de formas de adaptação a situações problemáticas. Há vários tipos de jogo, mas vamos nos ater àqueles específicos para o desenvolvimento das habilidades matemáticas. Para destacar a importância deles, nada melhor do que exemplificar com um dos jogos que trabalhamos no Pré, o “prato cheio”. Cada criança recebe uma determinada quantidade de fichas. Jogando o dado, coloca a quantidade indicada no prato (que é coletivo). Ganha quem primeiro terminar suas fichas – ou seja, “encher o prato”. Podemos incluir até variações sugeridas pelas próprias crianças, adaptando as regras do jogo. Por exemplo, o prato vazio. Inicia-se o jogo com todas as fichas no prato, e elas são retiradas conforme o número obtido nos dados. Ganha quem, ao se esvaziar o prato coletivo, tiver a maior quantidade de fichas em seu poder. Com esse jogo simples, trabalhamos as noções de quantidade e o reconhecimento numérico, a relação e a comparação entre quantidades, além do cumprimento de regras, a maneira de lidar adequadamente com a emoção de perder ou ganhar e questões como honestidade e respeito ao outro. Jogar, seja com o objetivo específico de desenvolver alguma habilidade, seja simplesmente pelo prazer de partilhar uma vivência lúdica, sempre nos atrai e agrada, pois desafia nossas capacidades e mobiliza estruturas cognitivas fundamentais. Que tal criar um espaço de jogos em casa, aproveitando o tempo com os filhos nos fins de semana? Rosana Mendes Pereira e Patrícia G. de Sá Kraft Souza, professoras do Pré 5

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1O ANO PROJETO HORTA: NOÇÕES DE QUÍMICA AO ALCANCE DO 1O ANO Q uímica para crianças de 5 anos? Esse questionamento pode ser feito por quem lê o título deste artigo. É possível, sim. Noções dessa área tornam-se próximas dos alunos quando partem de um projeto que eles vivenciam, como formar uma horta dentro do Colégio. Antes da plantação, muitas questões são levantadas em sala de aula. O que é uma horta? Em qual espaço poderemos criá-la? Em qualquer solo brotará o que plantarmos? O que é solo? Será que os solos são iguais em todos os locais disponíveis para a plantação? O estudo do meio se torna, então, uma ferramenta muito importante para que a criança desenvolva o olhar investigativo na busca de respostas para as dúvidas apresentadas. Divididas em grupos, fazem a coleta dos diferentes tipos de solo existentes nos espaços dos parques, da mata, da composteira e da própria horta cultivada no ano anterior. Já na coleta, valem-se dos sentidos para perceber as características dos solos, fazendo comparações quanto à aspereza da terra, à cor, à textura, a elementos como folhas e gravetos, às pedrinhas no terreno arenoso do parque. Recolhidas as amostras, iniciam, com a orientação das professoras, experimentos em sala de aula, para perceber a permeabilidade da água nos vários tipos de solo. Garrafas plásticas são utilizadas como depósitos e funis. As reações dos solos, ao serem misturados com água, são observadas com atenção pelos curiosos “agrônomos”, que vão tecendo comentários sobre solubilidade. “O solo do parque virou lama!” “Será que as plantas vão crescer na lama?” “Os pauzinhos e as folhas do solo da composteira estão flutuando! Eles vão atrapalhar as plantas.” “Olha como a areia do parque de baixo fica diferente com a água!” Misturando o solo e a água com as próprias mãos, percebem qual é mais ou menos solúvel, qual pigmenta com mais intensidade. Para observar a permeabilidade, amostras de solo são colocadas nos funis e as crianças adicionam água. Alguns solos absorvem a água com mais rapidez; outros, com menos, e outros ficam no nível intermediário – o que abre a possibilidade de novas discussões e hipóteses. Podemos plantar num solo em que a água é absorvida rapidamente? Como a planta irá captar essa água? Por fim, sementes são plantadas nas diferentes amostras, para que observem seu desenvolvimento, relacionando-o com as características de cada solo. Depois de tudo isso, chamamos um especialista para partilhar as hipóteses: nosso jardineiro Jurandir. As crianças aprendem como deve ser um bom solo para plantio, com todas as combinações que devem ser feitas, e, finalmente, é hora de demarcar o terreno. Medidas convencionais e não-convencionais de comprimento e divisão nas salas do 1o ano? Sim! Mas essa é outra história a ser contada numa das próximas reportagens. Edith Sonagere Nakao e Cássia Aparecida José Oliveira, professoras do 1o ano do Ensino Fundamental 6

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CHEGANDO NO SANTA: SILVIA POLICARPO TUDO MUDOU, MAS NÃO A ESSÊNCIA safio é maior, pois as crianças de hoje são mais espertas, amadurecem mais cedo e têm mais informação. Minha filha cursa o 1o ano do Ensino Fundamental e está adorando a escola, o movimento, o espaço, a dinâmica das aulas. Ela fica fascinada com o tamanho do Colégio, as áreas verdes. Tenho certeza de que fizemos uma boa escolha, pois lhe será dada a chance de adquirir o conhecimento pessoal para ser uma boa pessoa e uma profissional ética.” Manuela Dias, coordenadora de Comunicação S ilvia Regina Perez Policarpo, ex-aluna, turma de 1977, fez questão de matricular sua filha, Gabriela, 6 anos, na mesma escola em que passou a infância e a juventude. Silvia fez Direito na USP e especializou-se na área tributária. Atualmente, dedica-se ao trabalho voluntário no Centro Santa Marta, projeto social das Irmãs da Santa Cruz para mães carentes, onde é responsável pelas aulas de Gramática, dicas de etiqueta e comportamento e pela área jurídica. A seguir, ela compara o Santa Maria de sua época com o de hoje. “O Santa Maria era muito diferente. Entrávamos às 7h30 e saíamos às 17h, permanecendo praticamente o dia inteiro na escola. O Colégio era só feminino, e as irmãs da Congregação tinham uma participação muito maior do que hoje. Cheguei a ter aulas de Inglês com Sister Charlita, no Jardim. O Colégio era menor, e convivíamos com meninas de diferentes séries. Virava tudo uma grande família. O esporte era importante, por isso entrei para o time de vôlei. Ganhamos muitas taças para a escola, pois, modéstia a parte, éramos muito boas! Havia o rigor típico de um colégio religioso, mas, por onde íamos com a escola – viagens, passeios –, éramos vistas como “as noviças rebeldes”. Certamente demos trabalho para as Irmãs, mas éramos também mais ingênuas e infantis do que as crianças de hoje. Claro que tudo mudou e tinha de mudar. Mas o Colégio não perdeu sua essência, que é a preocupação em formar pessoas dignas. Creio que o de- NOVATAS, MAS JÁ EM CASA Thaís Souza Cavalheiro, do 9o ano C; Analy da Silva Barbosa Cintra de Souza e Tamiris Abait Miranda, do 1o ano, são recém-chegadas ao Santa Maria, mas parece que sempre fizeram parte do Colégio. Foram acolhidas com carinho por seus colegas e hoje se sentem perfeitamente integradas. Thaís conta: “Morava em Brasília e, por uma indicação, acabamos conhecendo o Santa Maria. No primeiro dia de aula, estava muito nervosa, achei que não iria conseguir me encaixar. Porém, foi bem diferente. Logo fui acolhida por ‘anjos’ que me ensinaram o sistema da escola. O trabalho voluntário foi uma novidade muito boa. Os professores também foram importantes. Apesar de ainda sentir muita saudade da turma de Brasília, hoje sei que faço parte do 9o ano do Santa Maria”. Tamiris relata: “Mudar de escola é como entrar em uma nova fase da vida, e no Santa eu senti que entrei para uma fase ainda melhor. Nós somos sempre cobrados para nos tornarmos alguém com atitude e que saia do senso comum, para o aprofundamento de cada assunto e para fazer a diferença”. Analy afirma: “O Santa Maria tem sido uma experiência incrível, pois entrei em contato com um novo projeto de comprometimento e exigência, com uma preocupação grande em formar cidadãos conscientes. As dinâmicas de aula e o modo como os assuntos são abordados e trabalhados, os eventos promovidos pelo Colégio e até a forma como fui recebida na Escola têm colaborado para o meu envolvimento nos estudos”. A partir da esquerda, Thaís, Tamiris e Analy; no alto, Silvia Regina e sua filha Gabriela, aluna do 1o ano do Ensino Fundamental 7

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EX-ALUNOS TEMPO QUE FICA NA MEMÓRIA M uitas histórias, saudade, abraços, emoção: foi assim o encontro de diferentes gerações de ex-alunos e professores do Santa Maria, em 10 de maio, no Colégio. A festa começou com um churrasco de confraternização, ao som do grupo de violão do professor Alessandro, do Extracurricular. Como sempre, prevaleceram as deliciosas lembranças dos inesquecíveis momentos vividos no Colégio e a alegria de reencontrar velhos amigos. Depois, todos se reuniram no Auditório Sister Charlita para assistir à apresentação do Coral Compasso 22, da APM, que recebeu os ex-alunos com a música Estão Voltando as Flores. Em seguida, apresentaram-se o Grupo de Street Dance, composto pelas alunas do Extracurricular; o Grupo de Dança Cris Bastos, formado por mães da escola; a dupla de ex-alunos Natália Spadini e Bruno Rangel, da turma de 2007, e o Grupo Projeto Sol, com as crianças do Projeto Social da Irmã Angela. Os ex-alunos não perderam a oportunidade de rever alguns espaços do Santa, tão diferentes de sua época, e ficaram maravilhados com as mudanças ocorridas na escola onde viveram momentos tão significativos, que hoje se refletem na vida e na carreira de cada um deles. Pouco mais de um mês depois, cerca de 200 exalunos de diversas turmas e gerações participaram da Festa Junina do Santa Maria. Alegres e animados, dançaram quadrilha, divertiram-se muito e relembraram os bons tempos do Colégio. Manuela Dias, coordenadora de Comunicação 8

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PERFIL DO FUNCIONÁRIO PRATAS DA CASA T iyomi Misawa, Elias Esaú, Sonia Maria Bohn Ferreira e Maria Dulce dos Santos Pereira são os funcionários mais antigos do Colégio, com mais de 30 anos de casa e muita dedicação e amor à profissão. Com inúmeras histórias para contar, eles resumem, a seguir, a maneira com assistiram às mudanças ocorridas no Santa em três décadas. Tiyomi, orientadora do 4o ano, chegou ao Colégio há 35 anos e diz: “A escola cresceu com a construção do prédio do Ensino Médio, do auditório, do refeitório, do ginásio de Esportes, da Biblioteca, do Prédio Santa Teresinha e dos quiosques e com a aquisição do Prédio São José e a canalização do córrego. O ensino acompanhou essas ampliações: buscou-se sempre uma educação de ponta, com sólida formação do corpo docente e administrativo, a fim de preparar o aluno para o exercício da cidadania e formar jovens capazes de propor soluções para o bem coletivo. O reconhecimento da qualidade de ensino reflete-se no aumento do número de alunos e nas diferentes gerações de famílias que freqüentam a escola. Apesar do crescimento, a direção manteve sempre o legado de seu fundador, Padre Moreau: ‘A mente não pode ser cultivada às custas do coração’”. O professor Elias Esaú, diretor do Supletivo, tem o mesmo tempo de casa de Tiyomi: “Ao analisar esses 35 anos de Santa Maria, verifiquei que o tempo passou rápido demais. A razão fundamental é que o nosso trabalho foi marcado por valores éticos que nos foram transmitidos quando o Colégio ficava ao lado de muito verde nas terras adjacentes, com poucos alunos, prédios e funcionários. As Irmãs da Santa Cruz propunham uma educação humanista cristã que levasse o jovem a conhecer e ser, a compreender a realidade e nela atuar, visando à promoção social e os valores humanos. Esses valores vivenciaram as contradições e tensões do mundo contemporâneo, mas permaneceram, particularmente no Supletivo, criado em 1975 para atender trabalhadores adultos com dificuldades para voltar aos estudos. No fim dos anos 90, a crise econômica se aprofundou e, nesse momento, as Irmãs reafirmaram a proposta da Ordem, ampliando as bolsas, que se tornaram totais para quem não tinha condições de pagar. Meus 35 anos de Santa Maria se fundem às crenças, valores e esperanças da escola. Por isso foram tão breves”. Sonia Maria, responsável pelo Departamento de Pessoal, tem 30 anos de casa e conta: “O Colégio cresceu em número de alunos, em projetos, nos espaços físicos, em gente. Está mais bonito, com fontes e jardins. Em todos esses anos, não passou um dia em que deixasse de admirar o verde, as flores, os alunos alegres no seu vaivém e os amigos maravilhosos que conquistei. Parte da minha vida está no Santa, minhas alegrias, minhas tristezas, minhas conquistas profissionais, o orgulho de poder participar desse sonho de justiça, de cidadania, de honestidade. O Colégio sempre foi meu porto seguro, onde pude crescer como pessoa e como profissional”. Maria Dulce, coordenadora de Apoio Administrativo, é funcionária há 30 anos: “A escola passou por muitos momentos especiais. Tenho lembranças maravilhosas e presenciei muitas histórias emocionantes, como a construção de novos prédios, a ampliação das áreas verdes, as festas, o surgimento dos cursos Extracurriculares. Aprendi muitas coisas e passei por mudanças que me fizeram crescer como pessoa. Desafios não faltam para quem quer crescer. É impossível falar de minha historia no Colégio sem mencionar o meu carinho pelas Irmãs, que confiaram em mim e no meu trabalho, e nos amigos que conquistei e que hoje fazem parte da minha vida”. Manuela Dias, coordenadora de Comunicação A partir da esquerda, Elias Esaú, Tiyomi, Sonia Maria e Maria Dulce 9

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2O ANO BLOG EDUCATIVO: UMA FERRAMENTA DE APRENDIZAGEM às escolas como mais uma ferramenta para a produção e a divulgação de conhecimentos. Atualizar um blog é como mandar uma mensagem instantânea em rede: você escreve e todos os que o visitam têm acesso. Na escola, é mais uma possibilidade de comunicação com o mundo, enriquecendo novas aprendizagens. Pode-se tornar um excelente meio para praticar a leitura e a produção de textos, a reflexão, o espírito de equipe, o senso de responsabilidade e, também, uma oportunidade de ampliar conteúdos já estudados em sala de aula. Por meio do blog do 2o ano do Ensino Fundamental, os alunos do Santa Maria são estimulados a rever alguns momentos de sala de aula e a ler e escrever comentários, sempre com a mediação do professor. Em educação, os blogs podem ser usados para: • apresentação de projetos ou trabalhos dos alunos; • divulgação das atividades da escola; • apoio a um componente curricular; • apresentação das etapas de um projeto; • divulgação de eventos. Ao ver seus trabalhos, registros e fotos no blog, os alunos se sentem valorizados e se preocupam mais com a coerência de idéias, a ortografia e a gramática. A cada postagem, todos discutem o retorno dos leitores. As crianças se envolvem e acabam envolvendo as famílias, que conseguem perceber os conteúdos trabalhados na série. Mais do que uma simples publicação na internet, o blog serve de estímulo para a prática social da leitura e da escrita dos alunos. Conheça o blog do 2o ano (Crianças que aprendem) no site www.colsantamaria.com.br, no link “Educacional Online”. Visite também os blogs do 5o ano nestes endereços: www.elimadechris.blogspot.com (manhã) e www.quintoanotarde.blogspot.com. Lara Pecora Polazzo e Rosilene Moutinho Arriola, professoras do 2o ano do Ensino Fundamental B log é uma abreviação de web log. Trata-se de um diário virtual, uma página na internet atualizada freqüentemente e composta de pequenos parágrafos apresentados de forma cronológica. É como uma página de notícias ou um jornal que segue uma linha de tempo: um fato após o outro. O conteúdo e o tema abrangem uma infinidade de assuntos, que vão desde registros pessoais até piadas, links, notícias, poesias, idéias, fotografias – enfim, tudo o que a imaginação do autor permitir. Atualmente, é cada vez mais freqüente a utilização de blogs, um canal de relacionamento que chega 10

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EXTRACURRICULAR UMA AULA MUITO ESPECIAL T odos os anos, o Departamento de Cursos Extracurriculares oferece aos pais dos alunos aulas abertas no fim do primeiro semestre, para que conheçam as atividades programadas para cada curso. As aulas abertas são uma forma de integração das famílias com os cursos escolhidos pelos filhos. Em 26 de maio foi a vez das turmas de Ginástica Rítmica e Artística das professoras Karina e Tatiana, em homenagem ao Dia das Mães, em que estavam presentes cerca de 40 crianças e seus familiares – mais de 120 pessoas. Ambas as modalidades desenvolvem um trabalho harmonioso de movimentos e proporcionam a participação em festivais ou competições. Experiências como essas são importantes para o desenvolvimento dos alunos, como explica Victória Mazzone de Castro, do 4o ano: “Quanto mais apresentações fizermos, mais estaremos preparadas e com menos medo. Adorei todas as apresentações”. Como todos os esportes, a ginástica requer dedicação, força de vontade e tempo para desenvolver a técnica. Por esse motivo, a apresentação levou cerca de dois meses de preparação. Alunos e alunas treinaram uma coreografia de 20 minutos. Ana Clara Moretto Santoro, do 2o ano, comenta: “Foi minha primeira apresentação. Achava que seria difícil e que eu ficaria nervosa, mas foi tranqüilo”. A idéia de unir as turmas para uma única apresentação já se tornou tradição. Julia Queiroga de Aquino, do 3o ano, diz gostar dessa prática: “Acho importante me apresentar com outras turmas, porque assim compartilhamos o que aprendemos”. Julia Montenegro Medeiros, do 5o ano, comenta: “Percebi que melhorei muito, mas sei que em alguns exercícios ainda preciso melhorar mais. Achei interessante também a nossa apresentação ser em homenagem às mães, pois elas merecem”. Toda essa dedicação resultou em um evento emocionante, que provou a seriedade do trabalho dos cursos extracurriculares. Parabéns a todos. Karina Barquetta de Araujo, professsora de ginástica 11

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FESTA JUNINA I U Q A O S S I E U Q A OLH T odos, sem exceção, tiveram seu momento de brilho na Festa Junina de 14 de junho. Começou com a encantadora espontaneidade das crianças da Educação Infantil, numa manhã de céu azul, e só terminou depois das apresentação dos irreverentes jovens do Ensino Médio e dos cerca de 200 ex-alunos de várias idades, à noitinha – e entre esses horários transcorreu um dia inteiro em que ninguém deixou de esbanjar criatividade, alegria, confraternização, espírito de fraternidade e comprometimento com as manifestações culturais que moldaram o Brasil e com os acontecimentos da atualidade. Como sempre, foi um evento impecável, à altura da comunidade do Santa Maria, com recorde de público: cerca de 9 mil convidados assistiram ao espetáculo de dança e cultura apresentado por mais de 2.500 alunos. Na cerimônia de abertura – que teve direito a sanfoneiro e show do grupo Palhaços Graças a Deus, em fantasias de animais –, Sister Anne Horner Hoe deu as boas-vindas aos convida12 dos: “Este é um dia de agradecer a Deus pelo sol, pela vida e pela presença de todos vocês, alunos, pais, professores, funcionários, amigos e colaboradores, que tornam possível a realização do projeto do Santa Maria. Vamos celebrar também os 60 anos de existência do Colégio e aprofundar nossas raízes e nossos compromissos”, disse Sister Anne. Os temas das séries enfatizaram tradições brasileiras, como os próprios festejos de junho, cuja origem foi destacada pela Educação Infantil. Em torno de nove bonecos gigantes, as crianças formaram rodas e realizaram um autêntico baile caipira. Roupas coloridíssimas e barcos estilizados embelezaram a apresentação do 1o ano, inspirada no carimbó, um ritmo indígena muito popular no Pará. O frevo pernambucano marcou os passos dos alunos do 2o ano, enquanto as classes do 3o ano homenagearam os 100 anos da imigração japonesa, com um show de bom gosto nas caracterizações. O 4o ano escolheu como tema algumas das danças

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! S I A M E D M O B TÁ típicas do Nordeste, com destaque para o cacuriá do Maranhão e a batida do coco. O 5o ano abordou as tradições gaúchas e, na dança do 6o ano, a inspiração foi a Olimpíada de Pequim, com referências ao país sede e ao esporte. Os alunos do 7o ano homenagearam Minas Gerais, com destaque para sua rica história, seus artistas e os ritmos que se originaram no período da escravidão. A influência dos povos africanos, especialmente na música, também foi lembrada na apresentação do 8o ano. O 9o ano abordou a mistura das culturas que influenciaram a formação do estado de São Paulo, com toda a sua diversidade. O Ensino Médio promoveu um inusitado casamento na roça, em que predominaram o bom-humor e a descontração, preparando o clima para a quadrilha dos ex-alunos, que tradicionalmente encerra a festa e demonstra o espírito de companheirismo e amizade que permanece mesmo depois que deixam o Santa Maria, para novos desafios. 13

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COMPONENTES CURRICULARES: HISTÓRIA/CIÊNCIAS IMIGRAÇÃO JAPONESA HISTÓRIA PARA A ESCOLA E m abril, os alunos do 3 ano do Ensino Fundamental tiveram a oportunidade de enriquecer e aprofundar o trabalho em História e Geografia, por meio do estudo realizado no Museu da Imigração Japonesa, na Liberdade. Durante um passeio pelas ruas do bairro, eles puderam identificar e observar características próprias dessa cultura, além de conhecer e entrevistar comerciantes japoneses que atuam na região. No museu, viram de perto a réplica do navio Kasato-Maru, que, em 1908, atracou no porto de Santos com cerca de 165 famílias japonesas – marco inicial da imigração. Também conheceram a cultura trazida pelos japoneses, que influenciaram nossa língua, nossos hábitos e, principalmente, nossa alimentação. Em seguida, conheceram a exposição “Quando vidas se tornam formas: diálogo com o futuro – Brasil/Japão”, no Museu de Arte Moderna. No momento, estamos refletindo com nossos alunos a respeito da inversão desse fluxo. Há 100 anos os japoneses saíram de seu país de origem para viver no Brasil, e hoje muitos brasileiros vão para o Japão em busca de uma nova vida. Por que isso está acontecendo? Como ocorrem essas viagens? Aproveitamos para parabenizar os pais e avós japoneses de nossa comunidade, que fazem parte dessa maravilhosa história em nosso país, e dar um “viva” aos 100 anos da imigração japonesa. Desejamos que muitos outros centenários sejam comemorados! Ana Claudia Florindo, Cláudia Guarnieri e Renata Baldo Banzi, professoras do 3o ano do Ensino Fundamental o H á diferentes concepções do ensino de História. A crítica dos autores da chamada Nova História nos apontou caminhos que negam um paradigma da história tradicional, baseada essencialmente em documentos, que expressavam o ponto de vista oficial. Vê-se aí um avanço para a construção de um modo de pensar que possibilita a pluralidade de visões sobre a história. Abrese um caminho de incerteza e dúvida do qual resultou uma variedade de olhares sobre os fatos históricos, já que o documento não significava mais uma verdade inquestionável, mas algo a ser interpretado. E que há de novo a ser dito ao aluno? Alguns caminhos são possíveis ao se contextualizarem os fatos identificando seus autores e o tempo no qual ocorreram. Ao demonstrar os processos históricos, podemos apontar rupturas e permanência, tanto nos âmbitos político e econômico, como na dinâmica das mentalidades. Enfim, reconhecer relações entre as idéias que surgem de tempos em tempos ou, ainda, simultaneamente, abolir uma visão de evolução da história pura e simples. Exemplos das nossas inquietudes aparecem no uso de imagens, poemas, músicas e filmes, como fontes de informação que possibilitam provocações, e não como legitimação de uma verdade. Nossos desafios se mostram bem vivos, também, quando nos aventuramos nas novas tecnologias, como os projetos ligados à internet. A escola precisa ser o espaço de criação de caminhos e, com relação ao ensino de História, é vital treinar um olhar atento, plural, que possibilite interpretações diversas e questionadoras. Dessa forma, o diálogo constante com a escrita dos meninos precisa ser prioridade. Nas correções de avaliações escritas, por exemplo, uma crítica encorajadora deve ser uma prática dos professores. A nova historiografia aponta uma multiplicidade de procedimentos teóricos e metodológicos que visam a tornar nosso aluno um sujeito de sua trajetória. A concepção de história para a escola, enfim, passa por uma reflexão crítica da história fatual, centrada somente em fatos políticos e estruturada em periodizações muito rígidas e externas aos temas estudados. Resumo de artigo de Helio Moraes, professor de História do 7o ano, com colaboração de Maria Cecília Ferraiol, professora do 7o e do 8o ano 14

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VIVENDO A HISTÓRIA P ara que estudar História? Que relações podemos estabelecer entre o mundo real, do dia-a-dia, e a história dos manuais? Por que razão eu, que quero ser engenheiro ou médico, tenho de estudar História? Essas e outras questões semelhantes nos levaram a desenvolver alguns aspectos de uma discussão que remonta ao fim do século 19. A democracia moderna prevê a participação da maioria nas definições do que importa ou não ao coletivo, ao povo, e que essa maioria não se prive do direito de escolher seus representantes. Nesse sentido, disseminou-se a idéia de que apenas por meio das “luzes” propiciadas pela escolarização universal seria possível que todos, efetivamente, interferissem em seu destino, escolhendo aqueles que exerceriam o poder. E é no sentido da efetiva intervenção dos indivíduos e grupos que os saberes se tornam, de fato, eficazes e significativos. Daí a importância dos fóruns e simulados, em que os alunos percebem, na prática, a importância de uma formação sólida e consistente, além de constatarem a relevância de seu papel político. O aprendizado adquire significado. Nesse contexto, é fundamental que os alunos utilizem habilidades e competências amplamente trabalhadas pelas ciências humanas: autonomia, predisposição para a pesquisa, estudo sistemático, relacionar diferentes contextos, formular questões que suscitem discussões, dialogar com diversas fontes bibliográficas. Além disso, nessas simulações (como o Fórum FAAP e a Simulação para o Ensino Médio, organizada por estudantes dos cursos de Relações Internacionais e Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), ocorre a interação com alunos de vários colégios particulares de São Paulo e de algumas escolas de Minas Gerais e Rio de Janeiro. A experiência foi tão satisfatória que já está rendendo frutos: neste ano, no início de outubro, ocorrerá a Simulação Interna do Santa Maria (Sisa), organizada por um grupo de alunos da 3a série do Ensino Médio. Sigamos fazendo História! Resumo de artigo de Adriana Freitas e Marina Mello, professoras de História do Ensino Médio ENTENDENDO O INVISÍVEL O projeto Partículas, desenvolvido pelos alunos do 1o ano do Ensino Médio, faz parte do programa maior da área de Ciências da Natureza da série: a produção do livro O Diabo da Ciência. Com esses trabalhos, pretendemos tornar a Ciência mais próxima, mais compreensível e mais necessária para nossos alunos, nas suas buscas para entender o mundo. O trabalho em grupo, acompanhado e avaliado passo a passo, desafiou os alunos a pesquisar e aprofundar conhecimentos, a planejar, distribuir e executar tarefas com prazos a cumprir. Exigiu criatividade na busca das representações, permitiu que expressassem habilidades diversas, aprendessem com seus erros ao refazer etapas, que assumissem responsabilidades e resolvessem problemas de convivência. Para chegar aos modelos finais, o primeiro passo foi entender por que se acredita que a matéria é constituída de partículas. Depois, buscamos conhecimentos teóricos que mostram que essas partículas fundamentais, em alguns casos, são átomos; em outros, são grupos de átomos, ou moléculas. Associando esses conceitos às transformações físicas e químicas que a matéria pode sofrer, pudemos visualizar essas idéias tão abstratas com a construção de modelos científicos. Os pequenos desafios tiveram de ser vencidos com criatividade, paciência e o maior rigor científico possível. O colorido e a diversidade dos trabalhos refletem bem a riqueza das experiências vividas pelos alunos. São resultado de um conjunto de pequenas decisões, de acertos e desacertos, de atrasos e descasos, mas sempre uma oportunidade de vivências enriquecedoras. Lígia Bresciani, professora de Química da 1a série do Ensino Médio. 15

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