Caleidoscópio nº 63

 

Embed or link this publication

Description

Caleidoscópio nº 63

Popular Pages


p. 1

Revista Nº 63 COLÉGIO SANTA MARIA Construção do novo prédio do Ensino Médio Resultados dos vestibulares 2013 Como os professores se preparam para um novo ano letivo O funcionamento do cérebro a serviço da aprendizagem NEUROCIÊNCIA

[close]

p. 2

Mosaico Volta às aulas – Alunos da Educação Infantil deram início ao ano letivo de 2013 do jeito que mais gostam: com atividades de integração ao ar livre Dia de São José – As classes do Fundamental I prestaram homenagem a São José em 19 de março Expediente COLÉGIO SANTA MARIA Av. Sargento Geraldo Santana, 890/901 Jardim Marajoara – São Paulo/SP (11) 2198-0600 santamaria@colsantamaria.com.br www.colsantamaria.com.br CONSELHO EDITORIAL Irmã Diane Clay Cundiff Irmã Anne V. Horner Hoe Adriana Pereira da Silva Baptista de Freitas Adriana Tiziani Armando José Capeletto Flávia Manzione Maria Rita Moraes Stellin Silvio Soares Moreira Freire Vanini Andolfato Mesquita Editora: Suze Smaniotto Diretor de arte: Marcelo Paton Revisão: Maria Rita Moraes Stellin e Sonia Regina Yamadera COLABORADORES Alenice Aparecida Moutinho Ribeiro, Ana Claudia Florindo, Claudia R. Simões Lacerda, Cristiane Paulon, Denise Maria Guain Teixeira, Fernanda Santos Lugatto, Gabriela Bocuto Siqueira Gaeta, Gabriela Gomes de Sá Kraft Herane, Ivelise Strada Vlcek, Karina Iarussi Souza Rodrigues, Lucilei Aparecida Spitaletti, Maria Beatriz Brito Rossetti, Maria Elizabeth da Costa, Maurício Rodrigues, Mônica Farinelli, Patrícia Gomes de Sá Kraft, Paula Maria Barbosa Tanigawa, Renata Paulon, Rosana Martins de Oliveira Daher, Rosana Mendes Pereira, Rosilene Moutinho Arriola, Sélma Prado, Sildemara Aparecida Bernardo Giorgi, Veronice Aparecida Leal Impressão: Gráfica Altamisa Tiragem: 6 mil exemplares A Revista Caleidoscópio é uma publicação do Colégio Santa Maria. Não é permitida a publicação de seus textos sem a devida autorização. 02 Caleidoscópio

[close]

p. 3

Sumário Carta ao leitor Quando começamos a escolher o enfoque maior desta edição, tomamos como ponto de partida a palavra “pertença”. Tínhamos acabado de passar por experiências que mostraram claramente o espírito de pertencimento de nossa equipe por ocasião das fortes chuvas que atingiram a cidade e também o Colégio. Vimos uma reunião à luz de velas quando faltou energia, um telefone-sem-fio humano substituir o microfone na saída e funcionários de todas as áreas serrarem, em apenas 40 minutos, uma enorme árvore caída. Nessa mesma época, ao assistir ao filme “Les Misérables”, uma frase da música dizia algo assim: quando se ama outra pessoa, se vê a face de Deus. Isso quer dizer que, na medida em que se acolhe ao outro, se vê Deus. Ao ler os textos desta Caleidoscópio, pensei o mesmo: quando se faz parte de um grupo, você é bem-vindo e faz o outro pertencer ao grupo também. Desde os pequenos, quando a vida escolar é muito importante, ao ser acolhido no mundo acadêmico, até o final, com os jovens participando da Jornada Mundial da Juventude e também das atividades que antecipam o evento, como o recebimento da cruz e do ícone da Nossa Senhora da Juventude. O mesmo sentimento acontece quando se estuda a água e o meio ambiente, pois entendemos que tudo e todos fazem parte do mundo do outro. E, muitas vezes, para fazer parte dele, é preciso estudar uma língua tão diferente como o mandarim e, logicamente, estudar muito a própria língua. As crianças que tiveram contato com os menores da Vila Acalanto estão sendo acolhidas e também estão acolhendo com muito carinho. Desta vez, por crianças diferentes delas, mas ficam sensibilizadas para mostrar que agora eles, os menores, pertencem a seu grupo “familiar”, não só àquele formado pelas pessoas que cuidam do abrigo. O tema neurociência, que toma grande espaço na revista, revela que se aprende melhor quando o indivíduo se sente bem, quando é desafiado para superar seus limites. Ou seja, a parte emocional é importante para o cérebro. De certa forma, tudo isso é validado pelo testemunho do ex-aluno Bruno Caetano, que mostra a importância das relações estabelecidas quando ele estava na escola e também depois, mantendo vínculos com o que foi desenvolvido aqui. Um dos eventos mais marcantes que estamos vivendo é a aprovação da construção do novo prédio do Ensino Médio. A gente vê que a escola não vai se envolver apenas com tijolos e cimento, mas também na construção de relações entre pessoas, para que possamos chegar ao fim do ano e dizer: “Eu vi o rosto de Deus!”, que está dizendo a todos: “Sejam bem-vindos à grande família de Jesus”. Irmã Diane Clay Cundiff Diretora geral do Colégio Santa Maria Relações divinas 04 Radar 10 Entrevista Destaque 12 Depois do Santa 06 Cotidiano 09 Formação 20 Deixa Comigo 22 Reflexão 18 03

[close]

p. 4

Radar Curso de Mandarim? Aqui tem ALUNOS 2012 nos VESTIBULARES 2013 Vestibulares 2013 As conquistas de nossos alunos nos vestibulares 2013 expressam a qualidade do trabalho educacional desenvolvido no Santa Maria. Ao analisar os resultados obtidos (ver tabela ao lado), observamos que os alunos da 3ª série de 2012 conquistaram 111 vagas em importantes universidades públicas e privadas. Além do evidente sucesso quantitativo observado, ocorreu uma melhora qualitativa, com o crescimento significativo da conquista de vagas nas uni   versidades particulares (71) em cursos muito desejados e, consequentemente, bastante seletivos. Percebemos que a maioria das vagas conquistadas corresponde a carreiras e faculdades escolhidas como primeira opção dos alunos e um expressivo aumento da porcentagem de alunos aprovados em relação às inscrições. O quadro completo está no portal do Santa Maria. TOTAL ALUNOS 3ªsérie ALUNOS CANDIDATOS ALUNOS APROVADOS VAGAS CONQUISTADAS INST. PÚBLICAS INST. PARTICULARES 120 114 70 111 40 71 100% 62% 1,6 vagas por aluno 36% 64% INST. PÚBLICAS USP UNICAMP UNIFESP UNESP UFSCAR UFRJ UFV Outras candidatos aprovados 96 36 13 18 10 4 3 10 190 10 3 4 7 3 1 2 10 40 % 11% 8% 31% 39% 30% 25% 67% 100% 21% A língua mais falada no mundo e também muito difícil para nós, ocidentais, começa a ser decifrada no Santa Maria. O mandarim já é oferecido pelo departamento extracurricular. Alunos de 3º ao 5º ano do Fundamental I estavam curiosos para a aula inaugural da professora Molly. As crianças aprenderam a cantar “Parabéns a você” no idioma e degustaram um Yakissoba, prato típico chinês. O desafio foi aprender a comer com hashi, tarefa que contou com a ajuda do Pe. Lucas, coordenador do curso de mandarim da Comunidade da Paróquia Santa Justina. Interessados devem agendar uma aula experimental com o departamento extracurricular. INST. PARTICULARES MACKENZIE PUC-SP CÁSPER LÍBERO FGV FEI MAUÁ BELAS ARTES SENAC ANHEMBI ESPM FAAP UNISA OUTRAS candidatos               aprovados               % 67% 75% 43% 27% 100% 100% 100% 100% 100% 56% 100% 25% 75% 68% Mais uma vez na final da Olimpíada de Química Pelo 4º ano consecutivo, alunos do Ensino Médio do Santa Maria se qualificaram para a etapa final da Olimpíada Paulista de Química, no Instituto de Química da USP. Eliakim Ferreira Oliveira e Vinícius de Melo Oliveira, ambos da 3ª série, conseguiram esta classificação graças aos resultados na redação sobre o tema “Química: mais cor em nossas vidas”. A qualidade da redação de Eliakim levou à sua publicação na AllChemy (http://allchemy.iq.usp.br). Agora, os professores Maurício Rodrigues e Talita Silva intensificarão o treinamento para a prova final, em junho, que avalia domínio de conhecimento específico e raciocínio.   04 Caleidoscópio

[close]

p. 5

Novos recursos ampliam Prédio Nossa a aprendizagem Senhora da O ano escolar no Santa Maria começou com a sala de aula acolhedora e limpa, como sempre, e algo a mais: equipada com reSanta Cruz troprojetores, que dinamizam e valorizam nas suas potencialidades as aulas para além do giz e da lousa. O recurso amplia as formas de comunicação e de acesso ao conhecimento, pois se pode demonstrar o que se deseja em movimento, como por exemplo, nas aulas de ciências, a rotação e a translação da Terra. Ou ainda, treinar a tabuada, nas aulas de matemática, por meio de jogos on-line. O uso da tecnologia beneficia professores à medida que suas aulas se tornam mais atrativas e interativas. E os alunos ganham com o fato da compreensão ficar mais fácil e interessante. Aprofundamento em neurociência e linguística Professoras da Educação Infantil ao 5º Ano estão participando de grupos de estudo sobre neurociência e linguística com Elvira Souza Lima. O objetivo é o de criar outras vias de trabalho que ajudem os alunos a serem escritores e leitores cada vez mais competentes e que respondam às demandas a que são solicitados. As abordagens nesses grupos de estudos são a base linguística e as suas dimensões, revisitando as dimensões da linguagem: léxica, semântica, fonológica, morfológica, sintática e prosódia e clareando como alinhar a prática ao funcionamento do cérebro, facilitando a aprendizagem da escrita e da leitura, atividades tão complexas. São três grupos de estudo. Um que se reúne no Colégio, quinzenalmente, nas noites de terça-feira, com a participação de orientadoras da Educação Infantil, 1°, 3°, 4° e 5° anos e professoras de séries variadas. Outros dois que se reúnem no escritório de Elvira, às quintas-feiras, alternadamente, com a predominância de professoras da Educação Infantil. A dinâmica desse tipo de formação envolve a leitura da bibliografia indicada, incluindo filmes, a discussão de seus conteúdos, a análise da prática docente e a busca de novas formas de atuação. As obras do prédio Nossa Senhora da Santa Cruz estão a pleno vapor. Estão sendo erguidos três pavimentos, totalizando sete mil metros quadrados. As instalações serão ocupadas pelo Ensino Médio. Além de atender a demanda de novos alunos, a edificação cumprirá a função de separar melhor as faixas etárias: “Ensino Fundamental II e Ensino Médio terão espaços próprios, deixando os estudantes melhor acomodados”, explica irmã Diane Clay Cundiff. O investimento acompanha a evolução do Santa Maria, que vem registrando crescimento médio de 7% nos últimos três anos. Em 2013, a instituição conta com 3.520 alunos. A conclusão da obra está prevista para o final deste ano, mas o corpo docente começou a ser preparado há dois anos, diz irmã Diane. “Ampliamos o número de professores já prevendo a expansão. Queremos uma equipe totalmente integrada e incorporada à dinâmica da escola”. O novo prédio terá 16 salas de aula e contará com total infraestrutura, como laboratórios multimídia e de ciências, Wi-Fi, ginásio para apresentações teatrais e capela. Além disso, sua construção é sustentável, com telhados verdes e reúso de água. 05

[close]

p. 6

Cotidiano Justa homenagem Cursinho do Santa Neste momento de grandes decisões, pouco tempo e foco nos estudos, o Colégio Santa Maria oferece a seus alunos da 3ª série do Ensino Médio um Curso Pré-vestibular com o objetivo de desenvolver e rever conteúdos, competências e habilidades exigidos pelos principais exames vestibulares públicos e privados do Brasil. O curso é adaptado às especificidades e necessidades dos alunos, ao intensificar os estudos na matemática, física, química e biologia em detrimento, por exemplo, do trabalho com as obras literárias, já vistas em profundidade no Ensino Médio. Diariamente, as aulas ocorrem das 13h40 às 17h10 para possibilitar aos alunos a realização de outras atividades exigidas pela escola. O material utilizado é do Anglo e os alunos acompanham o seu desempenho por meio de constantes simulados. O curso teve início em 11 de março com capacidade máxima (45 alunos). Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, o 2º ano do Fundamental I homenageou Irmã Regineide, uma das responsáveis pelo Abrigo Vila Acalanto, instituição que visa a abrigar e oferecer assistência integral, de forma gratuita, às crianças e adolescentes abandonadas e/ou filhas de pais sem condição psicossocial ou econômica, encaminhadas pelas Varas da Infância e Adolescência e Conselhos Tutelares, especialmente as de Santo Amaro, e reintegrá-las à família de origem ou família substituta. Irmã Regineide esteve no Colégio para contar sobre seu trabalho com as crianças, iniciando assim o Projeto de Inserção Social da série. A arte de estar com o outro Por meio do Projeto de Inserção Social, esperamos que os alunos observem uma realidade diferente da que estão habituados, vivenciando momentos de contato e partilha, sensibilizando-os para ações comunitárias, valorizando a doação do tempo e do trabalho. Em março, o 2º ano E do Fundamental I preparou uma celebração de Páscoa para os novos amigos do Abrigo Vila Acalanto, com o tema “Comemorar a Vida Nova”. Como lembrança desse dia, foram oferecidos a eles fantoches confeccionados pelos alunos e o lanche foi compartilhado, gerando momentos com muita troca de carinho e gentileza. 06 Caleidoscópio

[close]

p. 7

A Educação Ambiental religa ser humano e natureza e o faz perceber que meio ambiente não é somente aquilo que o cerca, mas ele próprio faz parte e é um ser que integra e interage com ele. Um dos focos trabalhados no Pré é a Água, este bem natural vital, esgotável e utilizado de forma desregrada e abusiva. Iniciando o projeto de Educação Ambiental denominado “Sou Natureza”, por meio de vídeos e textos informativos foram trabalhadas questões como de onde vem a água e sua importância para a manutenção da vida no planeta. Os alunos memorizaram quadrinhas informativas contendo maneiras de economizar esse bem tão precioso, recitando-as para colegas de outras séries em campanha interna Água é vida realizada por ocasião da celebração do Dia Mundial da Água. A campanha estendeu-se às famílias, que receberam um adesivo confeccionado pelas crianças com as dicas de como economizar a água nas residências também. O ingresso na vida escolar é um desafio para os pequenos estudantes. Esse período é marcado por muitas novidades e transformações para essas crianças que, logo no primeiro dia de aula, se deparam com um mundo novo. Um mundo que, inicialmente, pode assustar, mas também encantar, cativar, maravilhar. Dos 240 alunos matriculados no 1º ano do Fundamental I em 2013, 108 são novos, totalizando dez turmas. Chegar ao Santa Maria é fazer parte da natureza, é estar em contato, apreciar, cuidar e integrar-se a ela. Lugares como o bosque, o campo, a casa do Tarzan e os parques fazem parte da nossa rotina diária e, além do prazer e diversão que oferecem, as crianças ampliam habilidades motoras. Bem-vindos! Oba! Cheguei no Santa Maria! O início, o fim e o meio Como etapa inicial do projeto do 9º ano em 2013, os alunos participaram da gincana de integração, com a proposta de trabalhar o conceito de identidade coletiva e de recriar as relações afetivas entre os jovens, objetivos também presentes no próprio projeto pedagógico. Envolvidos em atividades esportivas, recreativas, culturais e artísticas, os alunos demonstraram muita energia, entrosamento, talento e amplo repertório de conhecimento de atualidades. Estão todos preparados para um ano repleto de aprendizado, rigor acadêmico, exercício da cidadania e enriquecimento qualitativo das relações pessoais.

[close]

p. 8

Cotidiano Celebração da Cruz Missionária A Cruz é um símbolo da fé cristã e da preparação para a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. A Cruz Missionária passará em todas as igrejas e comunidades do Brasil para lembrar que, como missionários, é preciso levar Jesus ao próximo e ao mundo. Preparando para esse grande encontro, nos dias 11 e 12 de março, os alunos do 3º, 4º e 5º anos celebraram a chegada da Cruz e da imagem de Maria, a Mãe de Jesus, firmando o compromisso que os cristãos devem assumir em suas vidas. Durante a celebração, os alunos refletiram sobre a importância de vivenciar a fé católica e como levar o conhecimento e o amor de Cristo ao próximo. Ao final, todos cantaram em louvor à Cruz Missionária e, sensibilizados pelo momento especial, repetiram com fervor o refrão: “No peito eu levo uma cruz, no meu coração, o que disse Jesus”. Integração e conhecimento O Santa Maria acredita na importância da educação brasileira, não só dos alunos, mas no fortalecimento do diálogo entre diferentes escolas, povos, culturas, na busca da valorização da vida humana como bem maior. O Seminário de Educação Infantil segue essa tradição e este ano convidou os educadores da primeira infância a refletir sobre ser professor no século 21 e os desafios encontrados na prática escolar. O encontro foi enriquecedor: Yves de La Taille, Maria Alice Proença e Maria Irene Maluf deram um brilho especial ao encontro. É sempre muito gratificante ver aqueles que se dedicam à nobre e libertadora tarefa de educar, trocando experiências em busca de uma educação cada dia mais humana e melhor. “Eis-me aqui, envia-me” Este foi o lema proposto pela CF 2013, que tem como tema Fraternidade e Juventude, e o refrão cantado com entusiasmo pelos alunos do 5º ano durante a celebração, presidida pelo Pe. Pedro Curran, realizada em março na Capela do Colégio. Nas semanas que antecederam à missa, os alunos refletiram sobre o protagonismo do jovem na família, na escola, na comunidade, no trabalho voluntário, nos meios de comunicação e com os amigos. Suas reflexões foram colocadas em suas silhuetas, que enfeitaram a capela durante a celebração. Os alunos levaram em procissão a cruz e o ícone de Nossa Senhora, símbolos que estão em peregrinação pelas comunidades de todo o Brasil em preparação à Jornada Mundial da Juventude, que ocorrerá em julho, no Rio de Janeiro. Também agradeceram e rezaram por todos os jovens do Colégio envolvidos nos projetos sociais e trabalhos voluntários. 08 Caleidoscópio

[close]

p. 9

Formação Bastidores do planejamento pedagógico s aulas em 2013 tiveram início em 4 de fevereiro, mas o ano letivo começou muito antes. Desde os primeiros dias de janeiro, todos os setores já haviam retomado suas atividades, preparando-se para garantir a infraestrutura necessária para o bom funcionamento da escola. Já o trabalho pedagógico de professores e orientadores, o planejamento para o novo ano, teve suas primeiras etapas ainda em dezembro. Assim que terminam as aulas e os professores finalizam o ano letivo ainda em curso, começam discussões e estudos referentes ao próximo ano. No Colégio Santa Maria, as equipes docente e de orientação realizam em dezembro uma semana de fechamento do trabalho, que inclui tanto um balanço e a avaliação do ano que termina, como estudos e discussões visando ao aprimoramento da atividade docente no ano que virá. Uma etapa significativa desse período de trabalho é o encontro em que as equipes de série repensam a formação dos grupos-classe para a série seguinte, baseando-se no conhecimento que adquiriram sobre cada aluno e tendo como critério fundamental a formação de parcerias e grupos que possam interagir positivamente em sala de aula. Em dezembro de 2012, os professores do Ensino Fundamental II finalizaram a leitura e discussão do livro de Anne Reeves, participante da ASCD - Association for Supervision and Curriculum Development -, entidade canadense de estudos de currículo, com ênfase no conceito de planejamento profundo: a criação de planos de ensino centrados na aprendizagem esperada dos alunos, englobando tanto as habilidades de pensamento que devem desenvolver como os conceitos A dos quais devem se apropriar, em cada etapa de sua trajetória escolar. E, ao retornarem, após o recesso de janeiro, uma semana antes do início das aulas, os professores de todos os níveis iniciaram suas reuniões de planejamento com uma palestra da pesquisadora Elvira Souza Lima, que fez uma síntese dos conhecimentos recentes da neurociência e suas implicações pedagógicas, assunto que esta edição da Caleidoscópio trata com destaque. A partir desses estudos, os professores discutiram como aplicá-los na prática, uma vez que cada professor também utiliza e renova continuamente seu acervo de memórias. Outros temas discutidos foram avaliação formativa, a interdisciplinaridade e os projetos das séries. Também se realizou mais um encontro com as equipes docentes do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio, buscando alinhar o trabalho pedagógico de maneira a garantir coerência com os objetivos de excelência acadêmica e fidelidade aos valores e princípios em que se baseia o Santa Maria. A semana se encerrou com cada grupo de série repassando seus preparativos para a primeira semana de aulas e discutindo como garantir um bom reinício de trabalho – acolhimento aos alunos em suas novas turmas, incluindo os recém-matriculados na escola; a apresentação do projeto de trabalho para a série, e a discussão dos procedimentos específicos da série para garantir a produção pedagógica esperada. Com todo esse embasamento, podemos assegurar: 2013 começou com muita energia e envolvimento! Armando José Capeletto, orientador do 8º ano do Ensino Fundamental II 09

[close]

p. 10

Destaque Cérebro e aprendizagem A O Santa Maria tem se aprofundado nos conceitos da neurociência para entender o funcionamento do cérebro e desenvolver atividades no processo de aprendizagem. Para facilitar a compreensão do assunto, igualmente complexo e fascinante, a Caleidoscópio entrevistou Elvira Souza Lima, pesquisadora em desenvolvimento humano, com formação em neurociências, psicologia, antropologia e música, e trabalha com pesquisa aplicada às áreas de educação, mídia e cultura. Há vários anos, a profissional tem dado palestras ao corpo docente do Colégio e coordenado um grupo de estudos que objetiva o aprofundamento do tema neurociência pode favorecer a aprendizagem? Por quê? A neurociência se ocupa da formação, desenvolvimento e funcionamento do cérebro e, como o cérebro é que aprende, a contribuição dos estudos sobre o cérebro humano é enorme. Bem aplicada, a neurociência pode favorecer, e muito, as aprendizagens escolares. Como esses conceitos foram adquiridos? A neurociência estuda o cérebro vivo em funcionamento. Para tanto, utiliza os modernos equipamentos que permitem escanear o cérebro, acompanhar os movimentos no cérebro, as áreas envolvidas em cada tipo de atividade humana, dinâmica dos componentes químicos, entre outros. Há quanto tempo esses estudos são feitos? E em especial, sobre suas aplicações na aprendizagem? O estudo do cérebro foi objeto da neurologia, área da medicina, por alguns séculos. Os avanços tecnológicos permitiram iniciar e desenvolver uma outra linha de pesquisa que foi denominada de neurociência. É uma área interdisciplinar que começou na segunda metade do século 20 e teve um desenvolvimento enorme de 40 anos para cá. Os estudos e pesquisas envolvem aprendizagem e desenvolvimento. Quanto às aprendizagens escolares, podemos dizer que começaram a ganhar importância a partir dos anos 70. A neurociência indica estratégias de ensino ou como potencializá-lo? Estratégias de ensino são do domínio da pedagogia. O que a neurociência faz é trazer conhecimentos que elucidam os componentes envolvidos na docência e na aprendizagem. É um equívoco pensar na neurociência somente relacionada à aprendizagem, é importantíssima a contribuição que ela traz para a docência e, também, para a compreensão de como funciona o cérebro de quem ensina. Aplicar os conceitos da neurociência é uma prática já disseminada entre os educadores brasileiros? Não. A neurociência começou a chegar ao Brasil com 10 Caleidoscópio

[close]

p. 11

algumas décadas de atraso. E, infelizmente, vem sendo abordada com superficialidade em muitos casos. A aplicação dos conceitos da neurociência só pode ser realizada com estudos e apropriação dos conceitos pelos educadores. É importante ressaltar que os conhecimentos da neurociência são preciosos quando integrados à pedagogia, que é a ciência do ensino dos conhecimentos formais. O desenvolvimento cerebral se dá em todas as fases da vida? E a aprendizagem? O cérebro está sempre em um processo ativo de funcionamento e modificações até a morte. Aprender coisas novas a vida toda, sabemos hoje, é condição para o bom funcionamento cerebral. A neurociência aponta caminhos para potencializar o uso da memória? Sim. Memória é, de fato, uma das áreas mais estudadas na neurociência. Temos vários tipos de memória, somos o que nossa memória guarda. Há relação entre o ambiente e o funcionamento cerebral? E quanto à motivação e atenção? O desenvolvimento do cérebro é função da biologia da espécie e da cultura. Assim, todos os contextos de desenvolvimento que cada pessoa vivencia direcionam, influenciam e compõem os acervos de memória desta pessoa. O cérebro é resultante de seu funcionamento nos ambientes pelos quais cada um de nós transita. E a escola é um destes contextos, importante pelo número de anos e tempo diário que passamos nela. O ambiente tem um papel importante na motivação e na atenção. O impacto do ambiente varia conforme o período de desenvolvimento da pessoa. Oferecer às novas gerações um ambiente que motive e que eduque a atenção deve ser uma preocupação sempre presente dos educadores e deve, também, ser um eixo na elaboração do currículo. Elvira Souza Lima: aprofundamento do tema no Santa Maria 11

[close]

p. 12

Destaque Neurociência 12 Caleidoscópio na prática Os estudos sobre a neurociência, conduzidos com afinco e de forma a abranger professores, orientadores e diretores do Santa Maria, embasaram a discussão sobre atividades que favoreçam a aprendizagem. Os conceitos estão sendo aplicados nos vários níveis do Colégio

[close]

p. 13

Memória operacional orienta a ação “Quando a criança se dirige à sala de aula, pendura sua lancheira, coloca a mochila no local combinado, pega a agenda, entra na classe e a coloca no lugar solicitado; segue uma sequência de movimentos que ninguém associa à memória. Mas ter a capacidade de executar tais sequências envolve, sim, um tipo de memória: a memória operacional”, relata a professora Gabriela Gomes de Sá Kraft Herane, do Pré. Por observação e treinamento, esses conhecimentos são arquivados de maneira implícita, requerem mais tempo para serem adquiridos, mas são bastante duradouros, com grande permanência no cérebro. A memória operacional não tem recebido a importância que merece. A valorização geralmente recai sobre a memória declarativa, aquela que arquiva os conhecimentos gerais, como o significado de palavras e conceitos e que é explícita. “No entanto, quando a memória operacional falha, a criança se mostra desorganizada, esquecida, perde seus pertences, não tem prontidão para a realização das tarefas, não administra as suas ações, seu tempo, seu espaço e, portanto, a sua autonomia fica comprometida, tanto para as tarefas do cotidiano quanto para a aprendizagem”, garante a professora Renata Paulon. É por meio da memória operacional que a criança forma as estruturas de planejamento que utiliza em sua vida, inclusive para estudar e apreender os conhecimentos escolares. “Daí a importância de não fazer pela criança, mas de ensiná-la a fazer”, enfatiza a professora Patrícia Gomes de Sá Kraft. Olhar investigativo As crianças do Jardim I têm muitas hipóteses a respeito dos fenômenos naturais e dos objetos, têm suas próprias certezas a respeito do mundo. É preciso ouvi-las e submetê-las a experiências que transformem o olhar curioso em um olhar investigativo, a experiência significativa em conhecimento. Nessa fase, isso deve ser feito com procedimentos de pesquisa: observar, re- gistrar, comparar, levando em consideração o interesse do grupo. O tempo também é outro fator fundamental para a pesquisa. Não o tempo do adulto, mas o da criança. “Ela precisa apropriar-se do objeto de estudo e dos procedimentos de pesquisa. Para isso, precisamos respeitar seu tempo de elaboração, observação, questionamentos e hipóteses”, afirma Claudia R. Simões Lacerda, professora do Jardim I. A experiência em sala se deu a partir de um ovo de borboleta. Curiosas, rapidamente as crianças começaram a questionar e elaborar hipóteses: “É ovo de galinha? É ovo de dinossauro? Não! O ovo é pequeno, então é de bicho pequeno. Será?” A partir das perguntas iniciais, os procedimentos de pesquisa foram colocados e o objeto de estudo, formalizado. O projeto, intitulado “O mistério do ovinho”, partiu de questões tais como: descobrir quem botou o ovo, o que nasceria e, após o nascimento da lagarta, o que ela come, e responder: É minhoca? Cobra? Lagarta? Uma série de perguntas que o uso dos procedimentos de pesquisa permitiu confrontá-las, analisá-las, registrá-las e comprová-las ou não. Para conhecer o portfólio elaborado a partir do projeto, entre no site do Santa Maria. Atenção e concentração O currículo escolar deve incluir componentes que ajudem na formação e fortalecimento dos comportamentos de atenção. Pesquisas da neurociência revelam que a prática das artes tem grande impacto sobre o cérebro, favorecendo os estados de atenção. Assim, aprender a tocar um ins- 13

[close]

p. 14

Destaque trumento, cantar, desenhar e interpretar promovem a disciplina interna que permite a regulação da atenção, o que será transferido para outras situações de aprendizagem. A aprendizagem exige a formação de memórias que só acontece com a atenção focada, um grande desafio com tantos elementos de distração no entorno da criança. Vale a pena também avaliar outro comportamento recente: cada vez mais cedo, as crianças aprendem a prestar atenção à TV, à tela do celular e do computador. Estes aparelhos exigem padrões de atenção que são úteis para processar imagens em movimento, sonorizadas, diferentes dos padrões adequados para processar imagens fixas, no papel, por exemplo. “Nos habituamos a ir de um estímulo a outro rapidamente, temos até a impressão de que estamos aprendendo muitas coisas simultaneamente, mas o padrão de atenção não garante a formação de memórias, isso porque o cérebro não processa duas operações que requeiram um determinado grau de atenção ao mesmo tempo, a menos que uma delas já esteja totalmente automatizada”, explica Sueli A. Gonçalves Gomes, orientadora do 1º ano do Fundamental I. O que fazer, então, para chamar a atenção para as aulas? Oferecer experiências voltadas para as formas de expressão artística (na música, no teatro, na dança, na pintura, desenho, escultura) promove a educação dos sentidos e, consequentemente, possibilita o direcionamento voluntário da atenção. As atividades artísticas são muito eficazes para formar comportamentos de atenção, assim como atividades de observação e registro. “Elas podem fazer parte da aula de qualquer componente curricular e, na Educação Infantil, devem ser a essência do currículo”, finaliza a orientadora. Memória e consolidação da alfabetização A neurociência explica que aquilo que foi aprendido está na nossa memória de longa duração. É fácil aprender ou evocar algo quando se está alerta e motivado e é difícil aprender ou lembrar qualquer coisa quando se está cansado, deprimido ou estressado. As emoções são reguladoras da aquisição, da formação e da evocação de memória. Da mesma forma, toda aprendizagem envolve a criação de novas memórias ou a ampliação das já existentes e todo ser humano, sem patologia, possui vários tipos de memória que são acionadas conforme a necessidade. Se o professor possui conhecimentos sobre o funcionamento da memória, entenderá como o aluno forma memórias e poderá ampliar e aprimorar a sua prática durante a aula para melhor auxiliar o desenvolvimento do educando. No 2º ano do Fundamental I, momento em que ocorre a consolidação da escrita, é necessário dar alguns suportes para a memória, como: alfabeto móvel de letras, jogos de sílabas para formar palavras e frases, uso frequente das mesmas palavras na rotina e na agenda, palavras novas em histórias e em outros portadores de texto para ampliação de vocabulário. Há outros exemplos nas diferentes áreas curriculares, como na matemática: manipular objetos concretos para contagem (palitos, sementes...), diferentes jogos, material dourado, fichas sobrepostas, ábaco etc. Em artes, a utilização do desenho de observação funciona como um suporte externo para a memória. Como exemplo, no primeiro bimestre, a série utiliza 14 Caleidoscópio

[close]

p. 15

o alfabeto móvel. O manuseio das letras oferece informações táteis e visuais, a sonorização da palavra formada favorece o sentido da audição e a fala. Para se formar memória de longa duração, é preciso revisitar o mesmo conteúdo, várias vezes, com diferentes estratégias, por isso o aluno tem de ser ensinado a estudar com disciplina e a pesquisar. Um apoio externo para a memória é o registro, pois ajuda na formação da memória de longa duração. “Saber anotar corretamente o que se observa, o que ouve da fala do professor e as informações de um texto que está lendo, serve tanto para formar memórias quanto para revisitar os conteúdos trabalhados”, explica a professora Rosilene Moutinho Arriola. Acervo de memória Alunos do 3º ano realizam atividades de resolução de problemas, nas quais percebem que 5 + 5 + 5 é o mesmo que 3 x 5, utilizam material concreto que possibilita a contagem e o agrupamento, desenhos representativos da operação em papel quadriculado e os registros com algarismos. “A memorização das tabuadas faz parte das atividades na sala de aula. Para isso, utilizamos jogos com dados, atividades de cálculo mental, desafios e a Tábua de Pitágoras. Assim, desenvolvemos estratégias de memorização, além de adquirir recursos para construir os resultados das mul- tiplicações que ainda não foram memorizadas”, explica a professora Maria Elizabeth da Costa. Todos são orientados a estudar diariamente e, em classe, as professoras propõem atividades em que os produtos já memorizados devem ser registrados em tempo estipulado. Os pais são convidados a atuar em parceria, sugerindo algumas estratégias para contribuir com a memorização. Uma delas é o uso de uma tabela na qual são eliminados os produtos que se repetem. Os alunos dedicam um tempo de estudo da tabuada durante as lições de casa.“Eu estudo todos os dias as tabuadas. Escrevo no caderno de estudos, fico repetindo em voz alta e minha avó faz provinha”, conta Pedro Siqueira de Andrade e Silva, do 3º C. Sua colega Luiza Felix Pistori dá outra dica: “Eu estudo tabuada com o jogo Pega-pega Tabuada“. O algoritmo da multiplicação, vinculado à resolução de problemas, é estudado por meio do ábaco e da decomposição. O fator linguístico na aprendizagem Os estudos da neurociência revelam que ler é uma atividade complexa que envolve inúmeras áreas do cérebro. Além disso: ler é uma prática de cultura, precisa ser ensinada e depende de constância e continuidade para ser dominada. “Pode-se afirmar que uma leitura proveitosa pressupõe, além do conhecimento linguístico propriamente dito, um repertório de informações exteriores ao texto, o que se costuma chamar de conhecimento de mundo”, relata a professora Cristiane Paulon. “Para o desenvolvimento da escrita, que é um sistema simbólico com estrutura linguística, o 4º ano utiliza diversas estratégias em sala de aula envolvendo cinco dimensões: sintaxe, que é fundamental para a formulação do sentido de uma frase; a semântica, que trata de elementos básicos da criação do significado da escrita; o léxico, que é o vocabulário; a fonologia, que se refere aos sons da língua, e a prosódia, que é a pronúncia regular da língua e, por isso, permite comunicar os estados de emoção, movimento, intencionalidade e humor por meio da escrita”, explica a professora Alenice Aparecida Moutinho Ribeiro. 15

[close]

Comments

no comments yet