Caleidoscópio nº 60

 

Embed or link this publication

Description

Caleidoscópio nº 60

Popular Pages


p. 1

Revista Nº 60 COLÉGIO SANTA MARIA e+ OS DESAFIOS DA AUTONOMIA O PAPEL DOS SIMULADOS EX-ALUNOS EM CONEXÃO COM O SANTA MARIA Leitura tratada como prioridade prazerosa

[close]

p. 2

Mosaico Expediente COLÉGIO SANTA MARIA Av. Sargento Geraldo Santana, 890/901 Jardim Marajoara – São Paulo/SP (11) 2198-0600 santamaria@colsantamaria.com.br www.colsantamaria.com.br CONSELHO EDITORIAL Irmã Diane Clay Cundiff Irmã Anne V. Horner Hoe Adriana Tiziani Ana Cristina Proietti Imura Maria Rita Moraes Stellin Roberta Edo Vanini Andolfato Mesquita Editora: Suze Smaniotto Projeto gráfico e arte: Belatrix Editora Ltda. Diretor de arte: Marcelo Paton Revisão: Maria Rita Moraes Stellin e Sonia Regina Yamadera COLABORADORES Adão Abuchan Sandes Gomes Adriana Breviglieri Pechi Antonio Adriana Pereira da Silva Baptista de Freitas Adriano Silva dos Santos Armando José Capeletto Áurea Maria Curti de Mello Cristina Troller Denise Maria Guain Teixeira Edith Sonagere Nakao Fábio Zapata Moreno Felipe Zoghbi Roschel Gabriela Bocuto Siqueira Gilda Parazzole Ramirez José Ricardo Rik do Val Lílian Reimberg Roschel Lucilei Aparecida Spitaletti Maíra Bedran Gouveia Maria Carolina Biscaia Maria Cristina Fortes Maria Cristina Macedo Maria Soledad Más Gandini Márcia Ruffino Marcos Appollo Marisa Dimov Maurício Leite Muriel Vieira Rubens Paulo Pedro Felipe Pedro Moisés de Carvalho Rosana Martins de Oliveira Daher Sandra Moreira de Macedo Silvia Sonagere Silvio Soares Moreira Freire Sonia Regina Yamadera Sueli A. Gonçalves Gomes Veronice Leal Impressão: Company Graf Tiragem: 6 mil exemplares A Revista Caleidoscópio é uma publicação do Colégio Santa Maria. Não é permitida a publicação de seus textos sem a devida autorização. 02 Caleidoscópio

[close]

p. 3

Sumário Carta ao leitor 04 Radar Formação Pertencimento Destaque 10 11 12 16 Deixa comigo 05 Cotidiano 08 Como fazer 18 A arte de educar 20 Conexão 22 Depoimentos sta nova edição da Caleidoscópio traz temas que estão interligados entre si. Um deles é a questão da autonomia, uma qualidade que desejamos a muitas pessoas. Assim como a leitura, assunto aqui tratado com destaque, a autonomia depende das experiências de vida de cada um. No programa de monitoria, os professores indicam quais alunos têm potencial para se tornar monitores, e é o aluno quem decide se vai doar seu tempo nessa atividade. Quem aceita ser ajudado, o monitorado, também exerce sua autonomia ao frequentar as aulas dos colegas. Com a tecnologia, alvo de um evento que mobilizou todos aqui na escola, fica bem evidente o poder da autonomia. Quanto maior o domínio desses recursos, mais aumenta sua capacidade autônoma para a comunicação, para partir em busca de novos conhecimentos. Grande parte desses novos aprendizados vem por meio da leitura. Nós precisamos ler e permitir que outros leiam, assim como o ato de escrever pressupõe o direito de alguém ler seu texto. E a leitura se dá de várias maneiras. Numa atividade de vivência, nossos alunos tiveram sua própria leitura do trabalho dos funcionários. Ao participarem de um evento sobre Saúde Pública, as salas do Ensino Médio leram o tema pelo senso comum, não através de preconceitos. Os Simulados são instrumentos de avaliação e de leitura dos processos de estudos e aprendizados. Numa aula de campo, o 2º ano do Fundamental fez uma leitura sobre o bairro e, a partir dela, pensou em melhorias na qualidade de vida. A ex-aluna Vick visitou o Colégio depois de muitos anos e, ao interpretar sua leitura sobre o espaço, concluiu que seria bom para sua neta estudar aqui. Todos sabemos que é importante ler muito, contar e recontar histórias e experiências. A urgência e a obrigação da leitura às vezes nos faz pensar que lemos pouco, mas acredito que até no sonho estamos realizando leituras e interpretações. Então, boa leitura e bons sonhos! E Irmã Diane Clay Cundiff Diretora geral do Colégio Santa Maria 03

[close]

p. 4

Radar Mães em foco A Educação Infantil celebrou o Dia das Mães com muito carinho. O Pré realizou uma missa com o tema “Mães educam para a vida com amor”. Os alunos cantaram sinalizando os momentos significativos da missa, dramatizaram a história de Moisés e o Coral da APM encerrou com uma coreografia cantada ao som de teclado, harmônica e violão. A missa emocionou as mães e todos os que estavam presentes. O Jardim I e o Jardim II prepararam a homenagem com dramatizações de cantigas, recadinhos do coração gravados em DVD. Houve ainda a entrega de presentes, confeccionados em conjunto com as mães, e a impressão de desenhos de alunos e alunas. Educadores em formação O Colégio Santa Maria acredita na importância da constante formação, por isso professores e orientadores têm participado dos Grupos de Estudo com foco nas contribuições da Neurociência para o ensino e a aprendizagem. Sob a orientação de Elvira Souza Lima, pesquisadora, com formação em neurociência, antropologia, psicologia e música, autora de  livros  como Neurociência e Aprendizagem, os educadores refletem a respeito de como o cérebro humano processa informações e desenvolve novas habilidades de pensamento. Energia nuclear João Gabriel Farias Romeu e Giovanni Ricciardi, alunos da 3ª série do Ensino Médio, foram selecionados para participar da Escola Avançada de Energia Nuclear. O curso de uma semana de duração, em período integral, é promovido pelo IPEN – Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, e está voltado para um grupo de apenas 30 alunos de 2ªs e 3ªs séries do Ensino Médio, selecionados pela equipe de docentes da entidade. As atividades pretendem divulgar as inúmeras aplicações da energia nuclear e formar alunos com potencial para os cursos de graduação e pós-graduação na área, por meio de atividades na área de física nuclear e aplicações da energia nuclear, que normalmente não fazem parte do conteúdo do Ensino Médio. É uma oportunidade preciosa de aprofundamento e de contato direto dos estudantes com cientistas, em plena atividade, de um dos maiores centros de pesquisas na área nuclear da América Latina. Uma campeã entre nós Tatiana Roth, professora dos cursos extracurriculares de oficina de esportes do Santa Maria, é jogadora de destaque de Ultimate Frisbee. Recentemente, sua equipe, Brazzinga, venceu o torneio Sudaka 2012, realizado na Argentina com a participação de vários países da América do Sul. A atleta explica que ganhar um campeonato é muito bom, porém ganhar o prêmio de Espírito de Jogo é melhor ainda: “No Ultimate Frisbee, visamos ao flair play, o jogo limpo, o respeito ao adversário, afinal, este é o único esporte no mundo que não tem árbitro; cada jogador é responsável por suas atitudes e chegamos a um bom senso durante os lances duvidosos. Em 2011, o Brazzinga ganhou esse prêmio”, comemora. Ultimate é um esporte praticado com um disco de 175 gramas que combina a destreza do Futebol Americano com a marcação do Basquete. O nome Frisbee é derivado de uma fábrica americana, onde os funcionários ficavam brincando de arremessar a forma da torta que produziam. 04 Caleidoscópio

[close]

p. 5

Cotidiano Visão ampliada “Aprendendo e trocando saberes: buscando soluções” é o projeto de Educação Ambiental do 5º ano, que visa a contribuir para o aprendizado dos alunos no que se refere aos aspectos socioambientais do entorno da escola e do bairro próximo a ela. Desde 2004, a série desenvolve atividades de inserção social junto ao Centro da Criança e do Adolescente (CCA), localizado na Comunidade Santa Clara São Francisco e visitado pelas crianças uma vez por mês. Lá, elas entrevistaram e foram entrevistadas pelas crianças da comunidade para identificar o modo de vida e a situação do local. Em seguida, realizaram o resgate da história ambiental da região e os aspectos relacionados a saúde, saneamento, moradia e serviços. Na sequência, serão convidados a pensar em propostas para aumentar a qualidade de vida das pessoas. Genius robotic O Santa Maria passou a oferecer neste ano um curso extracurricular que tem como eixo principal a tecnologia a serviço da aprendizagem para alunos do 2º ao 5º ano. As crianças recebem desafios a serem executados a cada aula. Divididos em grupos, cada uma tem sua função, que vai sendo rodiziada a cada três aulas: líder e organizador, construtor e programador e relator. Todo o processo tem extrema importância para que o resultado seja satisfatório. Cada um deve respeitar o ritmo de trabalho dos outros integrantes e, ao mesmo tempo, quem tem um ritmo mais acelerado, puxa o grupo e chega logo ao objetivo, que é montar o robô que funciona de acordo com a programação feita no computador. O trabalho em equipe, com cooperação e respeito ao outro, é uma das ênfases do programa. Aqui se planta Alface, rabanete, beterraba, pimentão, escarola, rúcula...como nascem e como ficam quando crescem? Cada sala do 1º ano do Fundamental I plantou mudas e sementes na horta. O Jurandir, jardineiro do Santa Maria, ensinou os cuidados, como tirar as ervas daninhas e verificar se a terra estava úmida ou precisava ser molhada. Todos os dias as classes se revezavam e faziam sua vistoria. A colheita foi farta, só o pimentão não vingou. Em sala, todos prepararam seus sanduíches naturais, acrescentando ingredientes para ficar mais gostoso: alface, queijo e tomate, rúcula, requeijão e cenoura ralada. Quem disse que criança não come verduras e legumes? Pelo menos os que elas plantam, cuidam e colhem, degustam com prazer!

[close]

p. 6

Cotidiano A corrente do bem Vivenciar e valorizar Os alunos do 5º ano A somaram seus talentos em prol do trabalho voluntário na Pastoral da Criança, com as crianças da Comunidade Santa Clara São Francisco. Assim como no filme A Corrente do Bem, em que o professor desafia seus alunos a criar algo que possa mudar o mundo, os alunos foram convidados a darem o melhor de si. Divididos em classe, os alunos construíram brinquedos e brincadeiras para levar às crianças. Nas aulas de biblioteca, dramatizaram duas histórias, uma sobre a importância da leitura e a outra sobre solidariedade. As mães contribuíram nas oficinas e palestras. Dessa vez, a dentista Cristiana Venticinque orientou as mães da Comunidade sobre a higiene bucal infantil. Depois, Maria Luiza Aparício Poltronieri ensinou as mulheres da Pastoral a confeccionar um belo chaveiro. Alunos do 7º ano participaram do projeto “Vivência com os Funcionários”, compartilhando experiências e desempenhando juntamente com eles algumas das funções que realizam. A atividade possui três intenções: conscientizar os alunos para o valor do trabalho humano; provocar uma reflexão que produza a valorização para com o trabalho dos funcionários, que proporcionam para todos um bom ambiente de estudo, e discutir sobre a importância do dia do trabalhador, tema abordado nas aulas. Nas discussões, tivemos ainda a participação do presidente da COOPERCAPS, cooperativa de coleta seletiva. Todo o processo culminou com a “Celebração Eucarística da série”, também baseada no trabalho. Além dos muros do Colégio O Santa Maria tem incentivado seus estudantes a participarem de olimpíadas. É uma oportunidade de ampliar o interesse dos alunos nos estudos e testar seus conhecimentos, uma preparação para provas futuras, como os vestibulares. Para realizar a prova da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica em maio, os alunos dos 3ºs, 4ºs e 5ºs anos participaram de palestras com os professores Ednilson de Oliveira e Marisa Eliana Dimov. Receberam também um Caderno de Estudos com os conteúdos e fizeram atividades práticas sugeridas no site da OBA. A adesão dos alunos do Fundamental II também foi bastante significativa. Verena Fredigoto, do 9º ano, deu o seguinte depoimento a respeito da Olimpíada: “Nós ouvimos tanto que devemos ser os melhores e acho que, de tanto ouvir, começamos a esquecer e ignorar. E é para isso que a Olimpíada serve, para nos lembrar de sermos os melhores e a medalha é um prêmio para quem entendeu a mensagem.” Pelo terceiro ano consecutivo, um aluno da 3ª série do Ensino Médio consegue medalha de bronze na Olimpíada Paulista de Química. João Gabriel Farias Romeu se classificou automaticamente para a Olimpíada Brasileira de Química, em agosto, e foi um dos 50 participantes da Escola Olímpica de Química, que aconteceu no Instituto de Química da USP, em julho. Além de João Gabriel, outros 25 alunos já estão se preparando semanalmente desde março para participar das olimpíadas do ano que vem. 06 Caleidoscópio

[close]

p. 7

Os olhos do coração Alunos do 6º ano foram convidados a visitar entidades/escolas que trabalham com a inclusão de Pessoas com Necessidades Especiais. Eles testemunharam a rotina das entidades Trilha – Escola Especial, APAE, ADEFAV, DERDIC e Fundação Dorina Nowill. Cada uma proporcionou interação social, ensino, cooperação, apoio e contato físico afetuoso. Experiências que, sem Competição solidária A Campanha Solidária é uma parceria entre os Projetos de Inserção Social e os Jogos Interclasses, organizado pelos professores de Educação Física do Ensino Médio. Ao longo do ano, são realizadas três etapas do Interclasses Solidário. Em cada uma, há uma ação solidária que beneficia instituições que desenvolvem projetos comunitários. Os alunos se organizam e participam de todo o processo: captação de recursos, estratégias de compra, transporte e entrega das doações às instituições beneficiadas. Em abril, foi realizado o 1º Interclasses Solidário do ano com a campanha das tintas, doadas para o Centro Social Padre Aldo da Tófori (CESPAT), localizado na Vila Missionária, que atende 200 adolescentes em atividades de capacitação profissional, artes e cidadania. A mobilização foi para viabilizar a reforma da sede. “A cada ano, procuro me envolver mais na campanha, pois, além de ganhar pontos para ajudar minha sala no Interclasses, reconheço que nós, alunos, precisamos contribuir com aqueles que realmente necessitam”, declara Arthur Consiglio Campelo, da 3ª série B. dúvida, ficam na memória. “A mensagem que tiro é a de não ter preconceito e sim admiração por essas pessoas que enfrentam tantas dificuldades”, relatou Vinícius Guimarães, do 6º F. Aula de campo Os alunos do 2º ano do Fundamental I participaram de uma aula de campo para explorar o entorno do Colégio e conhecer suas especificidades. Puderam comparar a avenida com as travessas, além de conceituar ruas planas, ladeiras, esquina, área residencial e comercial. Observaram a movimentação, a sinalização, a qualidade da pavimentação e das calçadas, o comércio, os serviços públicos, as moradias, os pontos de referência e a numeração dos imóveis, e ainda debateram as responsabilidades da Prefeitura e do cidadão. No laboratório de informática, os alunos acessaram o “Google Earth” para localizar e explorar o Colégio e o seu entorno de outro prisma, ampliando a compreensão quanto à visão vertical e aprimorando a habilidade de produzir croqui/legenda. 07

[close]

p. 8

Como Fazer Monitorias de estudo: Em complemento ao trabalho desenvolvido em aula, alunos com facilidade em determinados assuntos auxiliam colegas nos estudos, atuando individualmente ou em pequenos grupos, mediante agendamento prévio. Nessa interação, promovem novos modos de se organizar e de aprender, criam novos desafios e favorecem o desenvolvimento de novas habilidades uma experiência de aprendizagem colaborativa H á alguns anos, o Ensino Médio realiza um trabalho sistemático de monitorias em diversos componentes curriculares, partindo do pressuposto de que a construção do conhecimento ocorre sempre na e pela interação. “O monitor atua no esclarecimento de dúvidas e na orien- Ilustração: 123RF tação para a realização de atividades, sugerindo procedimentos de estudo, apoiando colegas, que têm recorrido às monitorias com uma frequência cada vez maior”, explica Maria Soledad Más Gandini, orientadora da 2ª série do Ensino Médio e coordenadora da Área de Ciências da Natureza e Matemática do Ensino Médio. Reunidos em torno de desafios comuns e, a partir disso, compartilhando informações e experiências, ampliam momentos e espaços de aprendizagem para além da sala de aula, diversificando as estratégias de estudo. O resultado é um melhor desempenho de todos, cada um dentro de suas possibilidades. O monitor é, antes de tudo, um facilitador do aprendizado. Além de favorecer o processo de aprendizagem de alunos com necessidades específicas, a prática das monitorias tem sido gratificante e proveitosa, por colocar os monitores em contato com a atividade de ensinar, permitindo reflexão e aprofundamento teórico dos temas estudados. A monitoria permite que os alunos sejam apresentados a novas abordagens de assuntos já estudados, atendendo a uma demanda de alunos com dificuldades, possibilitando um atendimento mais dirigido. Marcos Appollo, professor de Física da 1ª série do EM 08 Caleidoscópio

[close]

p. 9

“Atuar na monitoria é importante, pois permite que o monitor retome permanentemente o conteúdo, aprendendo mais e melhor, afinal, para ensinar, primeiro você tem que saber.” Nicolas Ligasacchi, aluno da 3ª série do Ensino Médio e monitor de Física e Matemática Monitoria de inglês Há três anos, alunos do Fundamental II desenvolvem monitoria de inglês. Estudantes do 6º ano que apresentam dificuldades são solicitados a participar da monitoria e, no decorrer dos bimestres, conforme sua melhora, são dispensados. Os monitores são voluntários do 9º ano que apresentam domínio da língua, boas notas e postura nas aulas regulares de sua série. Os grupos são formados por 4 a 6 alunos e por um, dois ou até três monitores na mesma aula. Essa estrutura depende do dia e das parcerias feitas entre os monitores. As aulas ocorrem semanalmente e os monitores são orientados quanto ao trabalho a ser realizado nesse momento. Os alunos também recebem exercícios para reforçar o trabalho de sala. Durante a aula, ocorre a troca de informação, processo mais rico dessa experiência, já que é nesse momento que o monitor percebe que a melhor maneira de testar seu conhecimento é ensinando-o a outro. Além do aprendizado do inglês, existe uma parceria que surge entre monitor e aluno, pois os alunos monitorados começam a perceber sua capacidade de aprendizagem e, consequentemente, apresentam melhora no rendimento da matéria. “Esse resultado gera confiança para ambos, pois o sucesso estimula o trabalho feito”, resume Mara Regina Gomes Bussotti, professora de Inglês do 6º e 9º anos. Neste ano, a monitoria de inglês também começou a ser oferecida na 1ª série do Ensino Médio e é destinada aos alunos interessados em aprimorar a conversação, a leitura, a compreensão auditiva ou alguma estrutura gramatical específica. “Os monitores, alunos da 2ª série, foram orientados a oferecer dicas, esclarecer dúvidas e propor exercícios extras para melhor sistematizar as estruturas vistas em sala de aula, mas de uma forma diferente e mais próxima do aluno, possibilitando o melhor entendimento e a solução de dúvidas que possam impedir o desenvolvimento dos próximos assuntos a serem vistos nos bimestres a seguir”, esclarece o professor Maurício Leite. “Ensinar é um processo contínuo de aprendizagem.” Renata Ribeiro Torquato 09

[close]

p. 10

Formação “Adultecer” para educar Palestra de psicóloga faz parte de programa que objetiva troca de conhecimentos em prol do crescimento das famílias do Santa Maria. Profissional reforçou o papel de apoio dos pais na formação dos jovens O Colégio Santa Maria tem a preocupação de favorecer encontros sistemáticos entre as famílias e as equipes pedagógicas, pois entende que educar se faz em parceria. Já que no mundo contemporâneo a tarefa de educar torna-se cada vez mais complexa, é fundamental a clareza sobre os procedimentos e discursos paternos adotados na educação dos filhos, a fim de se evitar a mera repetição de padrões. No primeiro semestre deste ano, foi realizada uma reunião educacional com os pais de 6º a 9º anos com o tema “A autoeducação dos pais como estímulo à educação dos filhos”. Para desenvolvê-lo, a instituição convidou a psicóloga Regina Truffa, que conversou com as famílias sobre a importância da autoeducação como estímulo às famílias para reconhecerem características psicológicas infantis e adolescentes, por vezes ainda presentes na fase adulta. A reflexão ressaltou a ideia de que “adultecer” psicologicamente é importante para o exercício da tarefa de educar os filhos. Foram abordadas as características da criança, do adolescen- O que o jovem quer não é necessariamente o que ele precisa te, do adulto e do idoso a fim de pensarmos sobre as matrizes de referência de cada fase e como, sem perceber, acabamos reproduzindo alguns padrões quando educamos. Um exemplo disso é a vontade, característica tipicamente infantil, que, quando reproduzida na fase adulta, torna-se voluntariedade: o adulto age de forma caprichosa, impulsiva e inconsequente. Como educar é tirar de dentro para fora, precisamos ter a clareza de que interferir no outro é, sobretudo, estimulá-lo a buscar alternativas, escolhas, o que é diferente de “querer mudar o outro”. Os adultos, ao educar os jovens, dão suporte e apoio, ajudando-os a se construir como pessoas. Por isso, precisam se rever, se autoeducar para exercer seu papel, o que inclui o estabelecimento de limites não somente em função dos pudores externos, mas com convicção e segurança nos próprios princípios e valores. O que o jovem quer não é necessariamente o que ele precisa. Cabe ao adulto/educador avaliar. Foi um momento importante de reflexão, bem aproveitado pelos que puderam comparecer. Ilustrações: 123RF Educar é tirar de dentro para fora 10 Caleidoscópio

[close]

p. 11

Pertencimento Muito além dos bits e bites Iniciativa inédita do NETi - Núcleo de Educação e Tecnologia da Informação, a 1ª Semana Interna de Tecnologia ofereceu oportunidades de formação, reflexão e vivência no uso das mais diversas tecnologias a toda a comunidade do Colégio Santa Maria e 23 a 27 de abril, professores, alunos, pais e funcionários realizaram inúmeras atividades. Houve quem precisou “rachar a cuca”, como as crianças da Educação Infantil ao 2º ano, que utilizaram várias habilidades para resolver os desafios propostos no laboratório de informática. E teve aula que foi para o espaço. Os alunos do 3º ao 5º ano visitaram uma estação de Astronomia montada como atividade preparatória para a OBA - Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica. A educação para o uso das tecnologias também marcou presença. O 6º ano assistiu a uma palestra ministrada pela Profª Karina Queiroz, especialista em segurança da informação, que colocou os alunos na discussão de temas importantes como cyberbullying, sexting, crimes virtuais e legislação. E foi essa mesma tônica que permeou a mesa-redonda para pais, outro evento realizado durante a semana. Mostrando que estão abertos a novas propostas, alguns educadores toparam o desafio de elaborar projetos com o uso de diversas tecnologias na sala de aula. Foi o caso do professor Carlos Colabone (Artes / 9º ano) e da professora Talita Marcília (Química / EM). Seus alunos utilizaram equipamentos pessoais como tablets, notebooks e celulares conectados à rede sem fio do Colégio para pesquisar na internet e produzir materiais durante as aulas. Como não poderiam faltar, foram diversos os momentos de capacitação oferecidos. Oficinas para professores, alunos e funcionários fizeram da tecnologia o assunto central de segunda a sexta-feira. E a grande novidade ficou por conta das oportunidades oferecidas aos alunos do Supletivo, que lotaram as oficinas que tratavam de assuntos como elaboração de currículos e educação à distância. Ao final, olhando e ouvindo cada um que passou pelo evento, foi possível perceber o objetivo alcançado: a pluralidade de opções, de horários e de temas para que, quem quisesse, buscasse novas opções no uso da tecnologia, para um recurso avançado de diagramação ou para descobrir que o computador pode oferecer muito mais do que um perfil no Facebook. D 11

[close]

p. 12

Destaque sério No ano da Bienal do Livro de São Paulo, a importância da leitura para crianças e adultos ganha destaque. No Colégio Santa Maria, o assunto é tratado como prioridade desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Inúmeras atividades objetivam formar leitores autônomos e entusiasmados com a riqueza contida nos livros. É um alento saber, por exemplo, que os alunos do 2º ano lerão 11 títulos até o final deste ano. Um saldo extraordinário, principalmente se comparado com o número de livros lidos anualmente pelos brasileiros – 4 por pessoa em 2011, conforme apontou a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, realizada pelo Ibope Inteligência e Instituto Pró-Livro. Conheça alguns dos projetos desenvolvidos pelas séries! Leitur Comunidade Leitora Na Educação Infantil, foi implantado neste ano o Projeto Comunidade Leitora nas classes do Pré. Fora da sala de aula, nos jardins do Colégio, por exemplo, os alunos escolhem dentre as histórias selecionadas, em qual grupo querem ficar e ouvem a história que mais atraiu sua atenção, pelo título ou pela ilustração da capa dos exemplares dispostos em cartazes no corredor das salas. Além de conhecer a dinâmica de outra professora, têm contato com colegas de outras salas, exercitando a convivência e seu poder de escolha. No retorno à sala de aula, são incentivados a recontar a história que ouviram aos colegas, aprimorando o relato oral. A atividade permite que as crianças se apropriem da sequência narrativa, das falas dos personagens e experimentem o convencimento de que a história que ouviram era mesmo interessante. Em seguida, escrevem a histó- ria, com o repertório que construíram, para que seja posteriormente organizado com o grupo e a professora na linguagem convencional. Os livros também são levados para a leitura com a família, em casa. “Ter contato diário com a leitura do adulto, antes de se tornar leitor convencional, é uma forma de apropriar-se da cultura, de procedimentos e formar o gosto literário além do desejo de tornar-se um leitor independente”, afirmam Edith Sonagere Nakao e Sueli A. Gonçalves Gomes. Ampla leitura Até o final do ano, os alunos do 2º ano do Fundamental I terão lido 11 livros. O saldo surpreendente é resultado de um amplo projeto da série, denominado “Ler é muito bom”. Além do trabalho focado nas habilidades de leitura e escrita, é realizado o rodízio de livros entre as salas, que funciona assim: cada turma adota um livro escolhido crite- “Eu comecei a gostar de ler bem novinha. Há pouco tempo, a leitura começou a influenciar demais a minha vida e eu comecei a considerar a ideia de ser escritora quando crescer. É essa a verdadeira riqueza de nossas vidas, a literatura. Natália Hauk Poliche, 7º E 12 Caleidoscópio Ilustrações: 123RF Leitura levada a

[close]

p. 13

ra riosamente pelo corpo docente. Após a leitura individual, o tema é explorado oralmente pelos alunos ao se fazer análise e reflexão linguística. Ao final de cada livro, o aluno tem a oportunidade de escrever seu texto baseado no gênero lido e explorado, relacionando a leitura à produção escrita individual. Dessa forma, cada aluno do 2º ano lê dois livros no primeiro semestre e outros nove títulos durante o segundo semestre, época em que a leitura já faz parte do universo do estudante, com a possibilidade de compreensão, não somente de decodificação. Além desse trabalho, há momentos de leitura em sala, quando os alunos escolhem entre obras variadas que são dispostas numa estante para compartilhar com os colegas nas “aulas de leitura”, e a troca quinzenal de livros com a biblioteca da escola,  acompanhada de uma atividade de leitura e contação de histórias. “Entre os livros lidos neste ano, “A dama das Camélias” e “Venha ver o pôr do sol” foram os meus dois favoritos até o momento. São envolventes, inquietantes, inesquecíveis viagens através da alma humana.” Andressa Pugliese, 8º G Gêneros textuais O estudo de gêneros textuais é de extrema importância para a promoção da aprendizagem da linguagem oral e escrita. A compreensão dos diferentes usos dos textos nas práticas sociais, tão necessária para a formação do estudante, deve começar cedo. Com o objetivo de compreender algumas mudanças ocorridas na sociedade paulistana e vivenciar a escrita em situações de uso real, o 3º ano do Fundamental I elegeu a carta pessoal como um dos gêneros a ser estudado. O trabalho partiu da leitura dos livros “As cartas de Ronroroso” e “De carta em carta”, nos quais a estrutura e a função social da carta começaram a ser exploradas. Em seguida, foram realizadas leituras de cartas reais e fictícias, até que foi escrita uma carta para os avós, que teve como assunto principal suas lembranças de infância e juventude. O assunto é base do projeto de inserção social, que tem a valorização do idoso na família como um dos temas. Já o 4º ano elegeu o gênero “notícia” para desenvolver a habilidade de ler para se informar e comentar. Os alunos manuseiam jornais em sala de aula e comentam as notícias lidas e ouvidas, comportando-se Leitura nessa etapa como leitores. Eles são estimulados a identificar a exploração de fatos inusitados, notícias atemporais ou de maior relevância, impactantes e de alguns dos elementos estruturais da notícia (manchete, lide, desenvolvimento, declaração). A produção de textos, a análise e reflexão sobre a língua e a linguagem também são contempladas 13

[close]

p. 14

Destaque no conjunto das atividades propostas. Eles produzem, noticiam fatos ocorridos com sua turma de forma escrita e depois por meio de um “jornal falado”, com uso do microfone. O “artigo de divulgação científica” é o gênero escolhido para o 5º ano. Tudo começa com a análise de textos da revista Ciência Hoje das Crianças, sendo o primeiro “Como funciona o cérebro”. Chamamos a atenção dos alunos para as expressões que os auxiliam na compreensão textual, por exemplo: isto é, ou seja. A explicação dos termos técnicos ou mais distantes do vocabulário infantil acontece pela definição, exemplificação e parafrasagem. Na verdade, aprende-se a parafrasear, pois escreve-se de outra forma o que anteriormente já se tinha dito. Na última etapa, o aluno produz o seu artigo de divulgação científica para crianças, que será postado no blog da série ou ficará exposto no mural da sala. Além das letras Um texto literário pode se prestar ao simples deleite da leitura ou se mostrar como fomentador de ideias e, desta forma, oportuniza a reflexão de temas caros à formação. “A república dos argonautas”, trabalhado no 7º ano do Fundamental II, é um bom exemplo disso. Instigados pela obra, os alunos pesquisaram a etimologia e as acepções da palavra “república” e viram como ela se aplica ao contexto atual. Com a colaboração do professor Gilberto de Carvalho Soares, de Geografia, a obra ganhou ainda mais sentido por ser usada em uma perspectiva multidisciplinar, que se atrelou à leitura de reportagem de um jornal da semana, que traçava o mesmo assunto em suas páginas: a ditadura militar brasileira. É a partir dessas leituras e conversas dirigidas entre alunos e professores que se dão o entendimento e as inferências no processo da leitura. Le Projeto Literário Em Língua Portuguesa, a habilidade de ler é enfatizada no trabalho com as leituras extraclasse, consideradas instrumentos para a formação da competência leitora e linguística dos alunos do 6º ao 9º ano do Fundamental II. O Projeto de Leituras está vinculado ao projeto de cada série e à Campanha da Fraternidade e contempla uma diversidade de gêneros, numa seleção de temáticas que leva em conta não só o universo do aluno, mas que reflete as grandes questões da sociedade, da ética, do conhecimento, emoções e sentimentos. Os prazos de leitura são ajustados conforme as sequências didáticas das diferentes disciplinas. Ao longo do período combinado, o professor constantemente retoma o andamento da tarefa. Nesse caso, o papel do educador é o de mediador, de facilitador, que interage com seus alunos num processo dialógico e de motivação, para instigar o leitor. “A leitura faz o ser humano ganhar em liberdade e autonomia para compreender o mundo e também poder transformá-lo.” Sandra Moreira de Macedo, professora do Ensino Médio 14 Caleidoscópio

[close]

p. 15

Poe e o conto de suspense Para desenvolverem a escrita do conto, um dos gêneros abordados na 1ª série do Ensino Médio, os alunos estão confrontando as técnicas utilizadas pelo criador dos contos de mistério Edgar Allan Poe. Conceitos como tensão narrativa e unidade de efeito, defendidas também por autores do porte de Julio Cortázar, por exemplo, passam a fazer parte do cotidiano dos alunos que se aventuram pela escrita desse gênero tão peculiar. O livro de Poe que dá base ao trabalho é “Histórias Extraordinárias”. Assim, pode-se, também, aproveitar melhor o filme O corvo (The raven), em cartaz no Brasil, cujo enredo envolve um assassino em série que mata inspirado nos contos de Edgar Allan Poe, que aparece no filme como o protagonista. Em se tratando da questão didático-pedagógica, a leitura orientada da obra de Edgar Allan Poe pode servir como um valioso instrumento para ajudar os alunos a desenvolver sua habilidade de escrever histórias com qualidade narrativa. eitura A necessidade da leitura Refletindo a necessidade da leitura imposta pela sociedade, que, nessa fase, o aluno traduz por vestibular, as aulas de Literatura do Ensino Médio têm como objetivos despertar o interesse pela leitura, tornando-a um ato de deleite, fazer com que perceba a atualidade de textos mesmo que centenários, mostrar que temas disseminados por essas obras especiais encontram ecos em seu cotidiano e, enfim, resgatar a leitura como forma de entretenimento. De todas as atividades desempenhadas, não há uma sequer que se compare à leitura de obras literárias. Se não for por meio de leitura – só para citar algumas obras que os alunos da 2ª e da 3ª séries do Ensino Médio leram ou lerão neste ano - como entrar em contato, de forma profunda, com o grau máximo da complexidade do ser humano que transparece em obras como “Memórias póstumas de Brás Cubas” e “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, ou de “São Bernardo”, de Graciliano Ramos? Como ter acesso às lembranças de uma criança de forma tão poética como o angolano Ondyaki fez em “Os da minha rua”? Como entrar em contato com os problemas sociais de nosso país da forma artística como são trabalhados em “Vidas secas”, de Graciliano Ramos, em “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, e em “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo? O prazer da leitura na Biblioteca Pe. Moreau A leitura no Colégio Santa Maria constitui um dos elementos estruturais do desenvolvimento educacional e a biblioteca é um recurso de apoio ao corpo discente e docente. São efetuados mensalmente mais de 2.300 empréstimos em média, concentrados principalmente na Educação Infantil e no Ensino Fundamental. Há, também, um grande número de funcionários dos mais variados setores que desfrutam do acervo, o que deixa evidente que o Brasil não é um país de “não leitores” e sim de pessoas que não têm acesso aos livros e que locais como o Colégio Santa Maria, com sua biblioteca, somam para que o prazer da leitura se difunda. Leitura 15

[close]

Comments

no comments yet