Caleidoscópio nº 55

 

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Caleidoscópio nº 55

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Revista do colégio santa maria – n0 55 lideranças femininas O perfil da mulher do século 21: ativa, participante e comprometida Capa: composição com as alunas do Santa

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m e nsa g e m Vozes femininas E m março, ganhou destaque o papel da mulher na sociedade moderna. A revista nova-iorquina mulheres que realmente fazem a diferença, provando sua capacidade de contribuir para uma sociedade mais justa e menos violenta. São esses modelos femininos que estão se destacando e sendo reconhecidos. Portanto, estamos felizes em apresentar nesta revista uma seção dedicada a algumas mulheres que exercem papéis de liderança em nossa comunidade, ao mesmo tempo em que os demais artigos mostram atividades de alunos e alunas sintonizados com o seu tempo. Hoje, meninos e meninas, homens e mulheres têm oportunidades bem mais amplas de deixar sua marca pessoal e influenciar outras pessoas, especialmente quando se considera o alcance de programas como o Scratch e de redes sociais como o Twitter. É comovente saber, por exemplo, que um grupo de mulheres egípcias decidiu ficar em silêncio e em oração até a saída do ditador. As comunicações estão rompendo os limites do mundo e, nesse contexto, as mulheres ganham voz e poder, num movimento que não tem mais possibilidade de retrocesso. Newsweek publicou reportagem especial destacando 150 mulheres que movimentam o mundo. Na capa estava Hillary Clinton, atual secretária de Estado norte-americana, que sempre se manifesta a respeito da questão de gênero, preocupando-se com os direitos sociais e econômicos das mulheres, para permitir que, no mundo todo, elas possam estudar e se tornar independentes. Hillary chama atenção para a força, o poder e o dinamismo que uma mulher pode ter. No Brasil, a imprensa também vem destacando a atuação da presidenta Dilma Rousseff e de outras mulheres que ela indicou para posições relevantes. Viajei recentemente para os Estados Unidos, que finalmente elegeram um negro para a presidência, e o que mais me perguntaram foi a respeito do desempenho de Dilma. Todos querem saber como se comporta uma mulher na presidência de um país que, por rótulo ou preconceito, é identificado como machista. Entre as mulheres poderosas, estão também aquelas que são heroínas, atrizes, médicas, enfermeiras, fotógrafas, escritoras, que têm identificado vítimas de violência e apontado condições sociais injustas. Igualmente, existem muitas mulheres chefes de família que se esforçam para garantir igualdade de tratamento para que todos, independentemente de gênero, possam dar sua contribuição ao país e ao mundo. De fato, começa a haver uma mudança na percepção do papel da mulher, tradicionalmente considerada mais frágil. Tudo isso nos instigou a identificar em nosso meio algumas Irmã Diane Clay Cundiff Diretora-geral do Colégio Santa Maria Revista bimestral do Colégio Santa Maria – No 55 – Abril de 2011 – caleidoscopio@colsantamaria.com.br COLÉGIO SANTA MARIA Av. Sargento Geraldo Santana, 890/901 Jardim Marajoara, São Paulo, SP Telefone (11) 2198-0600 santamaria@colsantamaria.com.br www.colsantamaria.com.br Equipe de redação Irmã Diane Clay Cundiff, Irmã Anne V. Horner Hoe, Ana Cristina Proietti Imura, Daniel Vasconcelos, Edith Sonagere Nakao, Maria Lúcia Sanches Callegari, Maria Soledad Mas Gandini, Silvio Soares Moreira Freire e Sueli Aparecida Gonçalves Gomes Produção editorial Editor: Ricardo Marques – MTb. 10.937 Editor de arte: Renato Akimasa Yakabe Produtor: Daniel Vasconcelos Revisora: Sonia Regina Yamadera Fotos: acervo do Colégio Santa Maria Impressão: CompanyGraf Arte da capa: Daniel Vasconcelos 2 caleidoscópio  abril

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J ARDI M I acolhida à diversidade comunidade – o grupo do Jardim I. Cada criança chega repleta de experiências vividas anteriormente na família e, aos poucos, redimensiona seus padrões de relacionamento, seu comportamento e sua concepção de mundo. Para a família, esse início da escolarização também representa uma grande mudança, um desafio que pais e mães têm de enfrentar. É uma excelente oportunidade para que todos possam aprender: aprender a se sepa­ rar, aprender a lidar com os sentimentos, aprender a lidar com a diversidade do grupo, aprender a reagir ao novo e ao desconhecido. Considerando a importância do período de adapta­ ção da criança à escola, cabe a nós, professores, aco­ lher essa diversidade e iniciar o processo de construção de vínculos, que se dá por meio das diversas atividades propostas de forma lúdica, atrativa, segura e prazerosa. Dessa maneira se inicia O ingresso no Santa Maria é um marco na vida da o processo de ensino-aprendiza­ gem. Depois de alguns dias de aula, os vínculos afetivos começam a se formar e, pouco a pouco, são fortalecidos com a convivência diária. Vale lembrar que, no grupo, cada criança possui uma individualidade que é respeitada e apreciada por todos. Afinal, a riqueza do grupo está na diversidade que o compõe, para que juntos possamos enfrentar os novos desafios e as novidades e, mais tarde, transformar os desafios em conquistas e as novidades em aprendizado. Passo a passo, a construção e a harmonia do grupo serão conquistadas por todas as crianças. Para que isso aconteça, é preciso aprender e vivenciar o respeito, a compreensão, a solidariedade e os limites necessários para a convivência em grupo. Com afeto e trabalho em conjunto, nossas crianças vão se lançar a longos voos, explorar o mundo que as cerca, desenvolver habilidades e adquirir conhecimentos que resultarão em novos saberes. Rosane Callegari, professora do Jardim I C criança, pois exige dela a adaptação a uma nova abril  caleidoscópio 3

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j a r d i m II novos desafios, novas aprendizagens A ndar, pular, correr, rolar, escalar, equilibrar-se... Ufa! de conta” com direito ao “preparo riências envolvendo o movimento, explorando os aparelhos no parque, no bosque, no bambuzal, jogando nas quadras e no campo gramado e escalando a Casa do Tarzan. Casa do Tarzan? Isso mesmo! Neste ano, as crianças da Educação Infantil ganharam mais um espaço de brincadeiras em meio à natureza. Já conhecíamos a “corda do Tarzan”, mas agora temos também a sua casa e mais cordas para brincar de arborismo. Além de balançar e equilibrar-se nas cordas do arborismo, as crianças agora também brincam de “faz de comidinhas” com pedras, folhas secas e terra, a “dormir”, a “cuidar do bebê” – ou seja, com a vivência de papéis como o da mamãe, do papai e do filho, na casa que está sendo muito apreciada por todos. O novo espaço também se transforma em cinema, castelo de princesa e o que mais a imaginação das crianças permitir. São experiências e brincadeiras que se tornam espaço de investigação e construção de conhecimentos sobre si mesmo e o mundo. Fernanda Santos Lugatto e Karin Rodrigues, professoras do Jardim II Quanta atividade! O movimento é a primeira ma- nifestação na vida do ser humano, pois desde o útero movimentamos o nosso corpo. Corpo que, ao longo do tempo, experimenta, explora, inventa, reelabora e descobre novas possibilidades, novos limites. Que enfrenta desafios e se relaciona com o outro. Corpo que fala, cria e aprende, expressando-se com gestos ricos de sentidos, significados e intencionalidades. E é com o objetivo de desenvolver integralmente o corpo que proporcionamos aos nossos alunos o maior número possível de expe4 caleidoscópio  abril

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pré a construção da identidade do grupo “Com o tempo toda cor ficaria curiosa para ver que cor surgiria, misturando-se com outra. Como um lindo caleidoscópio, muitas cores, a cirandar, ocupariam o seu posto naquele novo rodar. E nesta ciranda infinita de cores, união e aconchego, uma vida mais bonita se faria com sossego.” (Trecho do livro Domínio das Cores, de Roberto Caldas) pois cada um se enriquece com a experiência do outro. Conviver em grupo e sentir-se parte dele não é uma tarefa fácil. Cada um de nós tem a sua história, seu jeito de pensar, de ser e de agir. Mas, quando estamos em grupo, a minha história e o meu jeito se unem à história e ao jeito do outro. A escolha de um nome e de uma mascote para o grupo marca essa nova etapa. Dessa maneira, criamse vínculos, o grupo ganha uma identidade e cada criança passa a sentir-se parte dele. Nesse momento em que a identidade se configura, surgem as regras coletivas. Todos passam a ser responsáveis pelos materiais e espaços coletivos. Valores como amizade, coope­ ração e partilha são fortalecidos, e assim descobrimos que aprender a respeito do mundo também é aprender sobre si mesmo e o outro. Nessa interação, enfrentam o desafio de perceber e respeitar o outro em suas diferenças, peculiaridades e particularidades. São como as cores, únicas, mas, ao mesmo tempo, parte de uma ciranda infinita da qual surgem novas e lindas tonalidades. Fatima Regina F. Trigo Perazzoli e Gabriela Kraft Herane, professoras do Pré N o período de adaptação, histórias como O Domínio das Cores enriqueceram nossas rodas de conversa a respeito do tema “amizade”. Todos somos diferentes e aprendemos uns com os outros. Entre uma história e outra, os alunos foram convidados a participar de uma nova aventura: fazer parte de um grupo. A construção da identidade de um grupo se dá num processo contínuo que se inicia logo no primeiro dia de aula. E é por meio da diversidade que o novo grupo se constitui, abril  caleidoscópio 5

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1 o a n o e f gente nova no A 1o ano quadas a essa realidade, uma vez que havia alunos de outros estados, com formação diferenciada. Hoje, passado o período de adaptação, fazemos uma avaliação do processo, destacando as ações produtivas e planejando outras intervenções necessárias ao bom rendimento escolar de nossos alunos e alunas. O mais importante é que todos estão integrados, alegres e participantes, parecendo fazer parte do Santa Maria há muito tempo. Os depoimentos de pais e mães (abaixo e na página ssim que foi promulgada a lei que previa a alteração da estrutura do Ensino Fundamental, começamos a nos organizar com estudos o e projetos para a inserção dos alunos e alunas de 5 para 6 anos no 1 ano. Após um ano de estudos e adaptações curriculares e pedagógicas com toda a equipe de educadores, iniciamos em 2007 nosso curso, reformulado em sua grade e nas propostas educativas. A procura pelo 1o ano cresceu desde então, até que em 2011 temos 110 alunos e alunas vindos de outras escolas, compondo o 1o ano com os alunos que já cursavam nosso Pré. Essa demanda mobilizou a equipe pedagógica a planejar a acolhida e a adaptação desses alunos e a integração ao processo de trabalho, criando-se situações de ensino-aprendizagem ade- à direita) e os próprios alunos e alunas contribuem para essa avaliação e nos ajudam a direcionar o trabalho da maneira mais adequada. Suely A. Gonçalves Gomes, orientadora do 1o ano do Ensino Fundamental Ajudando a crescer “Tinha a impressão de que uma escola religiosa poderia ser mais rígida e ‘engessar’ a formação dos alunos, poderia ser mais tradicional, e não queria isso. Conheci o Santa Maria por referência de amigos que têm filhos aqui e me surpreen­ di. Estou muito satisfeito com a estrutura, a organização e mais ainda com o atendimento da equipe pedagógica. Participei da reunião com as professoras (tive que me dividir entre uma e outra) e senti muita segurança da parte delas. Minhas filhas estão muito felizes no Colégio. Uma delas era menos sociável, não tinha muitas amigas. Em pouco tempo conquistou amizades, aprendeu a se relacionar melhor. Na escola em que estava, frequentemente brincava sozinha, não conseguia se inserir nas ‘panelinhas’ formadas pelas coleguinhas. Aqui, logo na primeira semana, arrumou uma amiguinha e ficou muito contente. Está mais ligada na aprendizagem também. Senti que o jeito da professora é parecido com o meu, e ela vai incentivar e exigir conforme a necessidade, ajudando-a a crescer. A outra aprende com mais facilidade, relata o que acontece no Colégio com 6 caleidoscópio  abril

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“Tinha medo de uma escola nova e muito grande para minha filha. Medo dela não se adaptar. Visitei muitas escolas e selecionei três, mas, desde que conheceu o Colégio, Vitoria dizia: ‘Minha escola é o Santa Maria’. Aí resolvi seguir sua escolha, pois pensei: se ela gostou tanto é porque sentiu-se bem lá. E realmente estou muito feliz com a escolha. A cada dia gosto mais do Colégio, parece até que eu é que sou a aluna. A escolha de Vitoria Estou encantada com a professora. Pensava que num colégio maior o tratamento seria mais frio, mas vejo que há um atendimento carinhoso e pessoal. Desde os seguranças que orientam, todos os comunicados que recebemos para nos orientar e informar, as lições estimulantes que vão para casa e, sobretudo, a felicidade com que a Vi vem à escola: acorda e logo diz: ‘Oba, hoje tem aula’!” Maria Cristina, mãe de Vitoria Luiza, do 1o F o Santa Maria “A grande expectativa ao vir para a para um colégio de passagem de uma escola pequen com o coração apertagrande porte, o que nos deixava íamos que Mariana do. Ao mesmo tempo em que sent a segurança de que os precisava desse desafio, queríam e enfrentar as novidateria um apoio para se fortalecer onforto. Estávamos des que sempre geram certo desc em como nossa filha preocupados, meu marido e eu, s de casa diárias, reagiria aos novos colegas, às liçõe ola de verdade’, que ao estudo mais sério, a uma ‘esc l, num colégio grande, caracteriza o Ensino Fundamenta com alunos até o Ensino Médio. segurança na equiJá na primeira reunião sentimos os nossa filha despe do Santa Maria. Além disso, víam de aula sozinha e cendo do carro e dirigindo-se à sala . Ao chegar em casa, confiante desde os primeiros dias Maria!’. Adorou cocomentava: ‘Meu colégio é o Santa ciona-se tanto com nhecer novos amigos e amigas, rela ariamente nos conta meninas como com meninos. Di har no parque (pode os acontecimentos: que foi lanc ), que o professor de até trocar lanche com as colegas s” “Encontramos o que procurávamo era a um vozeirão e dá atiEducação Física é muito alto, tem s foram fáceis porliçõe vidades muito divertidas, que as não sabia fazer. As que a professora ensinou o que ela s de Ensino Religioso e grandes novidades foram as aula livros para ler conosco de Biblioteca, em que pode trazer em casa. o crescimento. Sentimos que tudo foi desafio para atividades com tranEla abraçou a escola e todas as e curto espaço de quilidade – amadureceu muito ness temos certeza de e s tempo. Nós estamos maravilhado amos. Tudo o que preque encontramos o que procuráv nta tem. Nossa filha závamos no estudo é o que o Sa a de espaço físico é uma criança dinâmica e precisav o, o perfil da escola e desafios para crescer. Além diss os em casa quanto a harmoniza-se como que ensinam religiosa e o trabalho valores, relacionamentos, a base demonstrou muita secom inserção social. A professora em tão pouco tempo gurança no acompanhamento e a certeza de que tudo conhece bem nossa filha. Temos .” está adequado ao que esperávamos iana Milesi Mar de mãe , Alessandra Camargo o Camargo, do 1 G muito entusiasmo: o que aprendeu e com quem brincou. Senti que as famílias do Colégio também são parecidas com nosso jeito de ser. Não queria uma escola elitizada, competitiva, que se preocupasse com valores consumistas, em que um quer ser melhor que o outro, sem respeitar as diferenças. Quero uma formação humanista, em que a amizade e a solidariedade sejam valores tão considerados na formação dos alunos quanto o conhecimento.” Cláudio Lúcio Bastos Livreri pai das gêmeas Fernanda, do 1o A, e Bruna Torres Livreri, do 1o C abril  caleidoscópio 7

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3 o a n o e f os prazeres de um período único. O tempo passa e as responsabilidades mudam. Quem antes era cuidada passa a cuidar, e assim crianças, mães e avós inter-relacionam suas vidas e interagem com diferentes experiências. O que muda na história de vida de crianças, mães e avós, com o tempo? Foi este o desafio que propusemos às famílias dos alunos do 3o ano: um encontro de gerações, para uma troca de ideias sobre a infância, as inovações tecnológicas e as lições apreendidas em cada época. Neide, avó de Maria Eduarda de Souza Tessaro, relata: “Eu tive uma infância simples, porém muito feliz. Os brinquedos geralmente eram feitos pelos pais, boneca de pano, perna de pau e outros. Sempre brincávamos embaixo de uma ramada de maracujá. Estudava muito, até aos sábados. No final do dia, ia com minha prima para o sítio, de trator. Minha prima mais velha contava histórias antes de dormirmos, com lampião a querosene. Os alimentos eram todos naturais. Os telefones eram poucos, as pessoas se comunicavam por cartas, telegrama ou rádio”. Imaculada Sorrentino, avó de Gabriel Castilho Rossi, relembra: “Quando eu era criança, ajudava minha mãe nas tarefas de casa. Sempre tive hora para brincar e 8 caleidoscópio  abril Q uem não se lembra da época de criança, dos sonhos e das brincadeiras? É uma fase de descobertas, de conhecimento e de saborear A criança a AVÓ, A MÃE, gostava de amarelinha, pular corda e jogar pedrinhas. Estudei numa escola estadual, onde fiquei até o 4o ano, e na minha época não tinha tanta tecnologia como há hoje”. Tereza, avó do aluno Pedro Trigo Perazzoli, recorda: “São Paulo era muito diferente, com pouco trânsito. Existiam muitas chácaras. Eu gostava de andar de bonde, ia sempre com a minha mãe até o centro fazer compras e passear. Em casa, o rádio era o maior passatempo da família, ouvíamos o noticiário, novelas, músicas da época; pouco tempo depois chegou a televisão em preto e branco. As roupas eram passadas com ferro a carvão. Entre os meus brinquedos preferidos estavam as bonecas de louça, brincávamos muito na rua, de pegapega, esconde-esconde, amarelinha, corda e peteca. Na escola, as meninas e os meninos não estudavam juntos. Cada um tinha a sua escola, e as professoras eram bem severas”. A infância das mães E o que será que relatam as mães? “Os brinquedos eram bem simples, sem a sofisticação tecnológica que têm hoje. Eram poucos os aparelhos telefônicos, não tínhamos celulares nem computadores. Ainda na minha juventude, estavam chegando os primeiros teleO aluno Gabriel Castilho Rossi cercado pelo carinho dos avós visores coloridos”, conta Cássia, mãe de Carla Fernandes Mendes Ribeiro.

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Palavra de especialista Os avós de hoje têm uma participação ativa na sociedade e se destacam em muitas áreas, exercendo uma liderança positiva em importantes instituições. Um exemplo é a pesquisadora Maria Amália Faller Vitale, avó do aluno Diego Hernandes Vitale (na foto abaixo) e estudiosa de assuntos ligados à família. Maria Amália, organizadora e uma das autoras do livro Família: Redes, Laços e Políticas Públicas, da Cortez Editora, diz que o papel das avós tem mudado com o tempo: “As mudanças nos laços familiares e a vulnerabilidade que atinge as famílias demandam novos papéis, novas exigências para essas personagens que ganham relevo não só na relação afetiva com os netos, mas também como auxiliares na socialização das crianças ou mesmo no seu sustento, mediante sua contribuição financeira. Cuidar, educar ou ser responsável? Disciplinar, ser companheiros nas brincadeiras, contar histórias, oferecer pequenos presentes, passeios, guloseimas, conselhos, ouvir sentimentos, segredos, acolher, suprir algumas necessidades infantis, ajudar a sustentar, transmitir as histórias familiares... Esses e tantos outros aspectos indicam a diversidade de situações que envolvem os avós”. Solange, mãe de Bruno Hemeritas Heusi, acrescenta: “Minha infância foi feliz e de muitas brincadeiras: amarelinha, esconde-esconde, bicicleta, escolinha. As inovações tecnológicas vieram depois de 1986, mas aí eu já fazia faculdade. Víamos filmes em fitas VHS e o som do carro era com fita cassete. Ah, lembrando bem, eu tinha uma vitrolinha em que escutava discos pequeninos e coloridos”. Patrícia, mãe de Pedro Mascaretti Carmignani, nos conta: “Passei a maior parte da minha infância na casa dos meus avós. Era uma vila e eu brincava na rua com meus amigos e vizinhos da minha avó. Minha avó fazia muitas comidas gostosas e passeávamos no zoológico e no circo. Na época de festa junina, minha avó fazia uma fogueira na frente da casa dela”. Silene, mãe de Rafael Jun Nishidate Morikawa, lembra: “Meus irmãos e eu não possuíamos muitos brinquedos, por isso transformamos o quintal de casa em nosso mundo mágico da imaginação. Tinha de tudo no quintal: galinhas, porcos, cachorros, goiabeiras, limoeiros, ameixeiras e muita terra. Não havia computador, Wii nem internet. Mas nem por isso, deixei de ter uma infância feliz e legal”. O que dizem as crianças Agora, é a vez das crianças, começando com Mattheus Borbolla Aires: “Quando eu era pequeno gostava de brincar de aeronave e minha avó brincava junto comigo. Quando eu tinha 2 anos inventaram telefone, carros, computador etc. Eu também gosto de tirar uma soneca. Quando fiz 4 anos, ganhei um helicóptero com controle remoto, era demais, mas o tempo passou e ele quebrou, fiquei triste”. Eduarda Veras Reda conclui: “Quando era menor brincava de borboletinha, cantava ‘Cai, cai balão’ e agora que já estou maior não faço mais isso. Minha mãe me conta que a escola antigamente era muito exigente, porque quando a professora falava e algum aluno estava conversando a mãe era chamada e a criança era colocada ajoelhada no milho. Agora não tem nada disso”. O tempo passa, as brincadeiras mudam, mas as marcas deixadas pela interação entre mãe, avó e criança e o sentimento de felicidade das lembranças da infância permanecem na memória. Ana Claudia Florindo, professora do 3o ano abril  caleidoscópio 9

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4 o a n o P ara que os alunos do 4o ano possam desen- Justas homenagens Minha avó se chama Itália Coscia Sichetti. Nasceu no dia 20 de novembro de 1934, na cidade de São Paulo. Estudou até o 4o ano primário. Na infância ajudou a cuidar dos primos pequenos, pois morava na casa da avó. Sua mãe não tinha condições financeiras de cuidar dela. Casou-se aos 20 anos com Luigi Sichetti e tiveram dois filhos, minha tia Carmem e Eduardo, meu pai. Minha avó cuidou dos primos, depois cuidou da irmã doen­ te com câncer e da outra irmã “especial”, até o fim de suas vidas. Ainda hoje, dedica-se a cuidar de idosos no asilo vizinho a sua casa. Todos os dias, inclusive aos sábados e domingos, acorda às 6 horas e se dedica até as 10 horas da manhã à higiene e ao café dos idosos. A vida da minha avó é muito importante, pois ajudou e ajuda várias pessoas. Ela deveria ser nome de rua no bairro em que mora. Rafael Hessel Sichetti, 4o D Minha bisavó, Dominga Rosa Basile Amorim, nasceu aos 10 de novembro de 1901, em Angatuba, interior de São Paulo. Passou toda a sua infância nessa cidade até casar-se com Guaraciaba Amorim e mudar-se para a cidade de Guará, onde nasceram seus dois primeiros filhos, Jair e Lilia. Logo depois se mudou para Itapetininga, onde nasceram mais três filhos: Terezinha, José e João Batista. Finalmente foi para Avaré, e lá nasceram seus três últimos filhos: Antônio, Sebastião e Dario. Em todas essas cidades, destacou-se como professora e por ser uma pessoa muito amiga, especialmente caridosa com os mais carentes. Em razão desse seu comportamento, após sua morte, foi homenageada com a atribuição de seu nome a uma praça pública na cidade de Avaré. Maria Eduarda S. V. Nunes, 4o A Minha avó, Benedita Lima de Castro, nasceu em 1944 e faleceu em 2006. Muito dedicada aos pobres e necessitados, doava alimentos de casa, bolos e roupas e, como costurava, muitas vezes não cobrava pelos seus serviços. Participava da igreja católica colaborando nas quermesses e bingos a fim de arrecadar dinheiro, roupa, comida e partilhar com quem precisava. Foi uma pena ela ter partido tão cedo. Eu pouco a conheci, mas minha mãe sempre me fala dela e das coisas boas que fazia. Será um grande exemplo para mim. Certamente, eu homenagearia minha avó, publicamente. Alessandra R. Giacommo, 4o F volver estratégias diversificadas de leitura e escrita, o currículo de Língua Portuguesa prevê o trabalho com diferentes gêneros de texto. A concepção do ensino de língua como gênero garante que três características fundamentais façam parte das produções dos alunos: o assunto (o que pode ser dito por meio daquele gênero), o estilo (as palavras, as expressões e o modo de organizá-las) e o formato (a estrutura de cada agrupamento textual). Os alunos apropriaram-se do gênero “biografia” pela leitura do livro Minhas Memórias de Lobato, de Luciana Sandroni, em que embarcaram numa deliciosa viagem pela história do precursor da literatura infantil no Brasil. A leitura e o fato de março ser o mês da mulher nos motivaram a conhecer a história de algumas personalidades femininas que foram homenageadas com a escolha de seus nomes para ruas, praças, e espaços públicos de nossa cidade, entre as quais Anália Franco, Anita Malfatti, Pérola Byington, Olga Benário e Bartira. Suas biografias estão no site www.partes.com.br/ ed43/cultura.asp. De cima para baixo, Anália Franco, Anita Malfatti, Pérola Byington, Olga Benário e Bartira Por meio dos relatos analisados, os alunos identificaram que na biografia há determinadas estruturas linguísticas que se destacam na composição desse tipo de texto. Como conclusão do estudo, escreveram a biografia de uma personalidade feminina que tenha se destacado em sua ações. Equipe do 4o ano 10 caleidoscópio  abril

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7 o ano a escola como escolha N o cotidiano das salas de aula é possível assistir, com frequência, cenas que ilustram uma batalha que, se não está quadrinhos a responder um estrondoso e seguro não: “A função da escola é ensinar às crianças como o mundo é. Dado que o mundo é velho, sempre mais que elas mesmas, a aprendizagem volta-se inevitavelmente para o passado, não importa o quanto a vida seja transcorrida no presente. Não se pode educar sem ao mesmo tempo ensinar; uma educação sem aprendizagem é vazia e, portanto, degenera com muita facilidade, em retórica moral e emocional. A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria inevitável não fosse a renovação e a vinda dos novos e dos jovens. A educação é, também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos”. (Arendt, Hannah. “A crise na educação”, in Entre o explícita, pode ser facilmente reconhecida. Calvin, o pequeno e genial personagem de Bill Watterson, sintetiza comicamente a luta: de um lado, crianças com inúmeras atividades. Do outro lado, professores dizendo o que eles devem fazer. Entre um movimento e outro, pais e mães bem-intencionados querem o melhor para seus filhos. Para o pai de Calvin, a resposta é simples e óbvia. Seria também no dia a dia dos alunos se as questões, as dúvidas e os dilemas aparecessem de modo tão claro. Melhor ainda, que bom seria se o que consideramos importante para alunos e filhos não fosse disparador de tristezas e frustrações que podem até se metamorfosear em vivências fundamentais, mas não imediatamente. Ao conjunto de apelos que seduzem os alunos e os fazem querer ficar longe da escola, podemos somar decisões que, mesmo quando a intenção inicial não seja essa, acabam por desqualificar ainda mais as ações escolares. Viagens ao longo do período letivo, excesso de compromissos, falta de tempo para as tarefas de casa, ausência de programação cultural na agenda das famílias, atendimento irrestrito às necessidades criadas pelo movimento consumista (impossibilidade de ficar longe de aparelhos celulares, por exemplo), busca de soluções rápidas para problemas de produção de trabalhos são modos de, indiretamente, dizer sim ao pedido “maluco” de Calvin. Hannah Arendt, filósofa contemporânea, nos dá dicas fundamentais que ajudariam o pai da personagem dos Passado e o Futuro) É isso. Cabe aos adultos a escolha que leve em consideração, prioritariamente, a valorização da escola. É assim que assumimos nossas responsabilidades de apresentação do mundo àqueles que educamos. Pais decidindo por coisas que favoreçam a valorização da escola como espaço de aquisição de saberes e procedimentos para a vida social. Professores mantendo aulas de qualidade e rigor conceitual, valorizando o conhecimento, mantendo postura de constante estudo e utilizando todos os espaços possíveis para a defesa da escola como prioridade na vida das crianças e dos jovens. Denise de Col, orientadora do 7o ano, e Helio Moraes, professor de História do 7o ano abril  caleidoscópio 11

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e s p e c i a l mulheres QUANDO SOMOS LÍDERES distanciei-me para olhar e perceber até que ponto as pessoas são líderes e lideradas. Distanciei-me para revisitar minhas memórias e compreender em quais momentos do meu percurso havia sido liderada e assumido posturas de liderança. Foram afastamentos que me mostraram as diferentes maneiras de se exercer liderança, que me levaram a distanciar-me para enxergar que tipos de líderes influenciaram minha formação, exemplos positivos ou negativos, pessoas que foram... “Líderes afetivos porque perceberam nas decisões consensuais e, às vezes unilaterais, o caminho para a construção de relações baseadas em respeito, reciprocidade, parceria, enxergando o que é direito e justo. Uma liderança exercida de maneira igualitária, cooperativa, acolhedora, um facilitador que valoriza as habilidades e aptidões de todos ao fazer, ser e conviver.” “Líderes autoritários que estabeleceram relações por meio do medo e da opressão. Pessoas que imprimiram no comportamento da submissão o controle e a coerção, sujeitos incapazes de valorizar outros além de si próprios, fazendo uso do autoritarismo, não da autoridade.” Enfim, distanciamentos e retomadas que me fizeram compreender que... “Liderar é comunicar às pessoas seu valor e seu potencial de forma tão clara, tão forte que elas acabem por vê-los em si mesmas e que sejam capazes de se colocar em movimento sentindo-se parte do processo de ver, fazer e tornar-se.” Exemplos que me ensinaram a ver (com os olhos da razão e do coração), a fazer (para mim e para outros) e a tornar-me capaz de ser tolerante, responsável, íntegra e comprometida, de resolver conflitos e problemas e a saber ouvir e trabalhar em grupo. Assim, me percebo hoje uma líder comunitária, alguém que conquista o respeito das crianças, dos alunos, do voluntário do Fundamental II e do Ensino Médio por meio de sensibilidade, afetividade, escuta, admiração, cuidado, zelo e autoridade. Afinal, como diz Rosely Saião, “autoridade não está constituída por si só, precisa ser construída”. Fruto de construção coletiva, liderança baseada na  confiança, nos vínculos afetivos,  no respeito à diversidade e na crença de que todos têm a contribuir uns com os outros. Eliane Lima, professora do Jardim II P ensando em como escrever este artigo, 12 caleidoscópio  abril

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DESAfios da mulher moderna femininas foram muitas e o mercado de trabalho se ampliou. No entanto, ainda está aquém do ideal. A questão de gênero continua presente em nossa cultura, uma vez que ainda envolve as atividades relacionadas aos serviços de cuidar e educar. Porém, nós, mulheres, temos hoje maior participação não apenas na esfera profissional, mas também nas áreas política e econômica. Em um mundo que passa por transformações contínuas e aceleradas, temos um papel fundamental: transmitir a importante e árdua tarefa de mudar hábitos com a clareza e a delicadeza necessárias. À luz desse pensamento pautei minhas escolhas. Há 27 anos exerço o magistério com a mesma dedicação e paixão. Envolvo-me com os alunos na busca do conhecimento e vibro com suas aprendizagens. Percebo que nem todos se desenvolvem da mesma maneira e procuro extrair o melhor de cada um. Penso que crianças e jovens carecem de exemplos em quem possam se inspirar para fazer escolhas que visem não só ao sucesso individual, mas também ao bem-estar coletivo. No Santa Maria, tenho a oportunidade de dar continuidade ao trabalho que já desenvolvia em algumas pastorais da Comunidade de Nossa Senhora Aparecida, em Moema. Participar dos trabalhos de inserção social nas comunidades e creches da Vila Joaniza e Pedreira A o longo das últimas décadas do século 20, as conquistas sociais junto com os alunos do 5o e do 8o ano e da Pastoral da Criança, em 2010, me fez vivenciar experiências enriquecedoras e unir forças para buscar relações mais justas e solidárias. Sinto-me imensamente realizada ao acompanhar semanalmente crianças e jovens, que abrem mão do seu tempo de lazer para servir aos outros, numa troca de aprendizagens e afeto. Também na catequese e na Pastoral da Criança na Vila Joaniza procuro motivar e engajar todos no exercício de uma “liderança servidora”. Fazer com que as crianças percebam que a verdadeira autoridade está em apoiar, inspirar, desenvolver, compreen­ der e correr riscos, além de compartilhar responsabilidades, aprender com os erros e ouvir. O líder agrega as pessoas nas tarefas a cumprir. Por fim, fazer a diferença é uma questão de opção e de doação. Você pode escolher ir à luta, em vez de se lamentar. Podemos nos revelar para o mundo e a ele emprestar nossa cor, nosso perfume e nosso calor. O resultado será tornar o ambiente em que vivemos um abrigo repleto de possibilidades de crescimento. Já pensou nisso? Denise Maria Guain Teixeira, professora do 5o ano abril  caleidoscópio 13

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e s p e c i a l mulheres Nós, jovens, precisamos agir P or meio de ações socioambientais podemos dar significado ao nosso conhecimento acadêmico e democrático, apresentando um projeto de planejamento urbano para o município, em 2009. Devido aos graves problemas causados pelas enchentes, o projeto regulamentava a implantação de calçamentos ecológicos que garantissem a infiltração de água no solo, diminuindo o efeito das enchentes. Além disso, o projeto de lei também regularizava a nivelação das calçadas, para garantir a circulação das pessoas com segurança e conforto, particularmente dos portadores de necessidades especiais. Concluo que o mundo mudou muito no século 20, desenvolvendo um amplo avanço na área de tecnologias e na globalização das relações, porém esqueceu-se ou até deixou de lado a dependência vital que a sociedade tem, como um todo, dos recursos naturais. Cada homem é um ser social e sua sobrevivência depende do meio ambiente que o cerca. O bem-estar social depende do bem-estar ambiental. Por isso a prática de ações efetivas se torna tão necessária, pois é agindo que poderemos proporcionar melhor qualidade de vida a todos. A mudança rumo à sustentabilidade só será realizada por ações concretas e eficientes que não tratem os problemas de maneira teórica e abstrata, mas que envolva as comunidades locais e globais na busca de soluções capazes de fazer a didferença. Larissa Florencia Bergmann Ferrão, aluna do 1o ano D do Ensino Médio fazer valer o compromisso com uma nova ética sus- tentável, a fim de assegurar a conservação, o desenvolvimento e a qualidade de vida, já que o momento requer a participação crítica da sociedade. Nós, jovens, somos herdeiros de problemas sociais e ambientais, por isso devemos refletir e agir para a conscientização das pessoas, trocando experiências e participando através de ações. No Parlamento Jovem do Município São Paulo encontrei a oportunidade de agir e vivenciar o processo 14 caleidoscópio  abril

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vivências sociais M eu nome é Amanda Silverio Ferrari e o palestras sobre o uso consciente da água e reciclagem. Também ensinávamos a comunidade a reutilizar materiais. No 7o ano, no Ecoestudantil, cultivávamos plantas hidropônicas para levar à comunidade e dávamos palestras sobre o tema. No mesmo ano, fazia trabalho voluntário com o professor Pedro, de Educação Religiosa. Íamos à creche para brincar com crianças de 2, 3 e 4 anos. Em 2010, fiz a Perseverança, com aulas de catequese. Em 2011, estou auxiliando a catequista Regina Chaves com o seu grupo. Pretendo, também, continuar com o trabalho voluntário oferecido pelo professor de Educação Religiosa. Além disso, procuro participar das provas abertas oferecidas pelo Colégio. Na Olimpíada Brasileira de Astronomia, por exemplo, participo desde o 4o ano. Em 2009 e 2010, ganhei medalha de bronze. Acredito que tenho um papel importante na sociedade e preciso compartilhar minhas experiências. Como mulher e cidadã, acho que devo ajudar na construção de uma sociedade mais justa. Procuro incentivar meus colegas a participar do trabalho voluntário, a ter atitudes solidárias e a dedicar parte do seu tempo a atividades sociais. O fato de ser bem-entrosada com as pessoas, obter ótimos conceitos na escola e participar de atividades voluntárias serve de exemplo para os colegas. Procuro fazer com que percebam que não é difícil. Basta estar disposto. Amanda Silverio Ferrari, aluna do 8o ano abril  estou no 8o ano. Desde que comecei a estudar no Santa Maria, no 2 ano, em 2005, construí relacionamentos fortes e fiz muitos amigos. Sempre gostei de compartilhar meus aprendizados, conhecer novas culturas e novas pessoas e aprender com elas. Para que isso acontecesse, vivenciei e vivencio várias atividades voluntárias em comunidades. Tudo começou no 3o ano, quando fui ao Asilo Ondina Lobo visitar os velhinhos com meus colegas de classe. Trocamos histórias e experiências e aprendi que não importa a idade, amigos são amigos. Já no 4o e no 5o ano, fomos a creches e conhecemos pessoas de outro contexto social e econômico. Ainda no 5o ano, participei de uma atividade chamada Cata-Bagulho, realizada por algumas subprefeituras de São Paulo para recolher objetos que não eram mais usados, de casa em casa, evitando que eles fossem jogados na rua. E fazíamos brinquedos com sucata e materiais recicláveis. No 6o ano, o trabalho foi no Instituto de Cegos Padre Chico, onde tive contato com pessoas que “enxergavam” a vida com o coração. Às sextas-feiras, fazia trabalho voluntário na Associação de Profissionalização, Orientação e Integração do Excepcional (Apoie)s. Ainda no 6 ano, o passei a fazer parte do Núcleo de Educação Ambiental Ecoestudantil. O objetivo era instalar aquecedores solares em casas de famílias de baixa renda. Além disso, dávamos caleidoscópio 15

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