Caleidoscópio nº 54

 

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Caleidoscópio nº 54

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REVISTA DO COLÉGIO SANTA MARIA – N0 54 RUMO AO CONHECIMENTO Lógica, raciocínio matemático e recursos de tecnologia são algumas das ferramentas utilizadas pelos alunos para dar sentido ao volume de informações que absorvem diariamente PASSO A PASSO,

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MENSAGEM Colecionando hipopótamos N o início desta década, foi publicado um livro chamado Information Anxiety sentido, aprender realmente e colecionar informações úteis. Faço parte de uma família em que todos têm coleções, que já passaram de uma geração a outra. Uma 2 (Ansiedade gerada pela informação 2), escrito por Richard Saul Wurman. O autor indica ferramentas e sistemas para navegar pela torrente de informações que chegam até nós e conseguir dar a elas sentido e signi cado. Ele a rma que não há uma explosão de informação, mas uma explosão de “não informações’, coisas que simplesmente não acrescentam, não agregam conhecimento. Entre as ferramentas indicadas por Wurman estão as habilidades para classi car, observar relações aparentes ou possíveis e prestar atenção nos detalhes na hora de ler ou receber instruções. E, o mais óbvio atualmente: ter a competência de distinguir, no oceano de informações a que temos acesso, o que é de fato relevante e útil a nossas necessidades. Precisamos saber como usar tanta informação para poder ter um novo olhar sobre o ambiente e a vida. Nesta edição da Caleidoscópio, professores e alunos abordam algumas ferramentas utilizadas para organizar as novas informações. Por meio da matemática, jogos de raciocínio, desa os tecnológicos, portfólios, coleções e grá cos, eles aprendem a ler, a analisar e a desenvolver as organizações e os sistemas deles mesmos e dos outros. Aprendem a conhecer algo a partir das conexões e integrações que fazem das mensagens que recebem de diversas fontes. Assumem o desa o contínuo de dar sentido aos dados, de modo a gerar interesse e criar motivação para seguir em frente e, nesse vez alguém me perguntou se eu não queria colecionar algo, e respondi, sem muita re exão: “Se eu fosse colecionar alguma coisa, seriam hipopótamos, porque eles não são fáceis de achar, então eu não teria problema de espaço e de organização”. Eu não deveria ter dado essa abertura, porque em seguida, a cada ano, minhas irmãs me davam hipopótamos de diversos tipos – em selos, moedas e em uma variedade enorme de materiais e utilidades. Então comecei a ter um problema que antes não existia: uma sobrecarga de peças. Não é muito diferente dos mil itens de informação que os nossos alunos recebem diariamente e, por isso, precisam usar suas habilidades de raciocínio e organização para descartar o que não lhes serve. Eles estão, agora, montando suas coleções de conhecimento e aprendendo a fugir da ansiedade provocada pela sobrecarga de informação. E você leitor, o que coleciona? E a que serve sua coleção? Irmã Diane Clay Cundiff Diretora-geral do Colégio Santa Maria Revista bimestral do Colégio Santa Maria – No 54 – Dezembro de 2010 – caleidoscopio@colsantamaria.com.br COLÉGIO SANTA MARIA Av. Sargento Geraldo Santana, 890/901 Jardim Marajoara, São Paulo, SP Telefone (11) 2198-0600 santamaria@colsantamaria.com.br www.colsantamaria.com.br EQUIPE DE REDAÇÃO Irmã Diane Clay Cundiff Irmã Anne V. Horner Hoe Ana Cristina Proietti Imura Daniel Vasconcelos Paula Bacchi Silvio Soares Moreira Freire Tiyomi Misawa PRODUÇÃO EDITORIAL Editor: Ricardo Marques – MTb. 10.937 Editor de arte: Renato Akimasa Yakabe Produtor: Daniel Vasconcelos Revisora: Sonia Regina Yamadera Fotos: acervo do Colégio Santa Maria Impressão: CompanyGraf Capa: alunos do Pré – Foto: João Neto 2 CALEIDOSCÓPIO DEZEMBRO

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ex-aluno blica, Dilma Rousseff. O que esperar desse novo governo? Quais são os caminhos do Brasil pós-Lula? Na minha opinião, o Brasil vai seguir mudando. A chegada de uma mulher ao Palácio do Planalto é a primeira mudança. Hoje o Brasil vive um momento especial. Estamos conseguindo aliar o crescimento econômico ao desenvolvimento social. O Brasil cresce e distribui renda e, sem dúvida, esse é o caminho a trilhar. As empresas brasileiras estão gerando empregos, expandindo-se e internacionali- O redesenhando o brasil s brasileiros foram às urnas e escolheram a nova presidente da Repúresponsabilidades maiores, já que seu governo deverá fazer muito mais pelos brasileiros. A erradicação da pobreza extrema e a melhoria da qualidade do ensino e da saúde pública deverão ser o carro-chefe de seu governo. Um país sem excelência nessas áreas não consegue se posicionar entre as potências mundiais. Ainda existe um longo caminho pela frente. É preciso acreditar no Brasil. Possuímos uma rica diversidade cultural e étnica, que tem ensinamentos a oferecer ao mundo. Infelizmente, os preconceitos regionais e de classe ainda são empecilhos ao nosso “Somos paulistas, cariocas, nordestinos, gaúchos, mas acima de tudo somos brasileiros” zando-se. A classe mais pobre está participando de uma verdadeira mudança social. A cada dia, mais pessoas ascendem à classe média. Milhões de brasileiros estão se alimentando melhor, e os benefícios gerados por políticas sociais como o Bolsa Família e o aumento do salário minimo são comprovados por entidades como a Fundação Getúlio Vargas e a ONU. Acreditem, o Bolsa Família funciona e serve de exemplo ao mundo. O atual governo desmontou inverdades a respeito do real papel do Estado nacional. Ficou claro que a realidade econômica e social brasileira necessita de um Estado atuante e indutor do desenvolvimento. A transferência de renda promovida pelo governo é o maior exemplo dessas políticas, pois melhora o padrão de vida das pessoas e aquece o dinamismo econômico nacional. No entanto, todos nós sabemos que o Brasil ainda necessita de muitos avanços, em diversas áreas. Dilma Rousseff herdará de Lula um Brasil mais forte, internacionalmente respeitado e autoconfiante. E devido a isso terá desenvolvimento. Somos paulistas, cariocas, nordestinos, gaúchos, mas acima de tudo somos brasileiros. Mas não podemos nos afirmar como brasileiros apenas de quatro em quatro anos. Em 1o de janeiro, sairá o metalúrgico nordestino – com recorde de aprovação popular – e entrará uma mulher que combateu o regime de exceção e lutou pela liberdade. Durante todos os meus anos de Santa Maria eu já me interessava pelo debate político, e nessa instituição de ensino recebi ferramentas importantissímas, as quais utilizo até hoje Esta escola forma cidadãos dotados de valores humanos e atentos aos acontecimentos externos. Essa visão de ensino é extremamente importante para o desenvolvimento brasileiro. Gostaria de agradecer a todos os que me ajudaram a pensar com a minha própria cabeça. Muito obrigado. Pedro Boffi de Filippi, 21 anos, ex-aluno do Santa Maria (1997-2007), está cursando relações internacionais na Facamp dezembro  caleidoscópio 3

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j a r d i m I aprendendo com as histórias A o pensar em conhecimento lógico matemático, devemos ter em mente que essa área não se constitui essas descobertas. Além dos brinquedos, também as histórias, as cantigas e as parlendas são excelentes recursos pedagógicos, pois propiciam a construção dos conceitos matemáticos básicos. Ao escutar uma história, a criança imagina, estabelece relações e incorpora aprendizagens. Dessa maneira, o trabalho com os textos do universo infantil proporciona o desenvolvimento das habilidades matemáticas, da linguagem oral e escrita e de outras áreas do conhecimento. Um exemplo dessa possibilidade de integração foi o trabalho realizado nas turmas de Jardim I com algumas histórias, entre as quais O sanduíche da Maricota e Dez apenas de fatos a serem memorizados e que aprender os números é muito mais do que simplesmente contar. Assim, as ideias matemáticas propostas na Educação Infantil são de grande importância para toda a vida escolar. A matemática está presente na arte, na música, nas histórias e na forma como organizamos o pensamento – ou seja, faz parte do nosso cotidiano. Por meio das brincadeiras, a criança apreende noções matemáticas sem que o adulto precise ensiná-las. Descobre coisas iguais e diferentes, organiza, classifica, cria conjuntos, observa os diferentes tamanhos, ocupa o espaço e arrisca-se nas primeiras contagens. Entretanto, é importante pensar em quais materiais devem ser utilizados para estimular porquinhos. Dez?. A partir da leitura desses livros, diferentes problematizações foram feitas, a fim de instigar o pensamento e a resolução de problemas. Por exemplo, 4 caleidoscópio  dezembro

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quantos ingredientes Maricota usou no preparo do sanduíche? Quais animais estavam fora da casa? E dentro? Quantos porquinhos estavam dentro do caminhão? Quantos estavam na fila para entrar no caminhão? Qual é o primeiro porquinho da fila? Os porquinhos estão em cima ou embaixo do caminhão? Segundo Kátia Smole, “a literatura pode ser usada como um estímulo para ouvir, ler, pensar e escrever sobre matemática”. A partir de vivências concretas, tais como dramatizações, construções tridimensionais, jogos e desafios, as crianças entraram em contato com os universos literário e matemático, construíram e internalizaram conceitos. Uma proposta como essa, desafiadora, permite que o ensino nessa área ocorra de acordo com o desenvolvimento da criança, proporcionando o aprimoramento de habilidades e de estruturas mentais. Claudia Regina Simões Lacerda, Luciana Proença e Rosane Callegari, professoras do Jardim I dezembro  caleidoscópio 5

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JARDIM II VAMOS COLECIONAR? B onecas, ursinhos, carrinhos, tampinhas, pedras, chaveiros, elásticos de cabelo, bolinhas, animais, botões, registro das coleções também deve estar presente. Nesse momento, os alunos escolhem materiais e suportes (desenhos, tampinhas, palitos etc.) para representar a quantidade das coleções. O ato de registrar é uma excelente oportunidade para veri car como a criança pensa e organiza as informações matemáticas. Por meio de atividades e situações lúdicas, as crianças avançam em suas hipóteses, concepções e deduções. À medida que são lançadas a novos desa os, re nam e reelaboram suas hipóteses, contextualizam problemas, desenvolvem habilidades (contar, seriar, classi car, ordenar, registrar) e validam aprendizagens. Dessa forma, passam a fazer uso de um conhecimento matemático mais elaborado, complexo e re exivo. Com essa “nova mania” dos grupos do Jardim II, surge, a cada dia, uma sugestão de algo para colecionarmos. E você, já pensou em montar uma coleção? Eliane Lima e Karina Rodrigues, professoras do Jardim II folhas, garrafas, gravetos... Quem nunca montou uma coleção? Juntar e colar gurinhas em álbuns ou reunir diferentes objetos da mesma natureza é “mania” de criança ( e de adulto) de qualquer geração. Colecionar objetos pode ser um passatempo delicioso e, ao mesmo tempo, uma ferramenta para contemplar diferentes conteúdos matemáticos, situações nas quais são trabalhadas habilidades e estruturas do pensamento: observar, relacionar, diferenciar, agrupar, classi car, ordenar, seriar, contar. Nesse troca-troca de “tesouros” e itens “estimados”, as crianças agrupam objetos, distinguem a unidade da pluralidade, comparam e agem frente a situações-problema e a desa os que encontram no seu dia a dia. No entanto, o mais importante não são a contagem e as representações exatas, mas a exploração do raciocínio lógico, a escolha de estratégias e a busca de soluções. O 6 CALEIDOSCÓPIO DEZEMBRO

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PRÉ DOS JOGOS FOLCLÓRICOS À TECNOLOGIA: DESAFIOS PARA DESENVOLVER O PENSAMENTO MATEMÁTICO e quem é o mais alto, falam do número da casa, do tênis ou das roupas – en m, começam a descobrir e a se interessar pelo “mundo da matemática”. Observamos a presença da matemática em quase tudo o que nos rodeia, mas é na escola que a criança irá formalizar todo esse conhecimento e desenvolver habilidades de pensamento, raciocínio lógico e capacidade de resolver problemas, de interpretação e de argumentação. Q uantos pontos foram feitos? Quem tem mais cartas? Agora é a minha vez de jogar? 1.000 é mais que 100? Quem já não ouviu esses Os jogos e as brincadeiras são aliados importantes nesse processo em que as crianças precisam conhecer e se apropriar dos símbolos (1, 2, 3, 4), aprender a utilizar o vocabulário especí co, a contar, a estabelecer relação um a um, a utilizar as operações e a resolver situaçõesproblema. De forma lúdica, aprendem, além dos conceitos matemáticos, a respeitar o outro, a esperar pela vez, a ouvir, a seguir instruções e a interpretar informações. Com as músicas ou parlendas da cultura popular, o Pré iniciou o trabalho com os conceitos matemáticos questionamentos feitos por uma criança? Com certeza, toda essa curiosidade indica a participação em um jogo, uma brincadeira ou um desa o com numerais. Desde cedo, as crianças se arriscam na contagem e na recitação numérica, mostram os dedinhos para indicar a idade, separam os brinquedos e fazem comparações, tentam descobrir qual é a maior quantidade 8 CALEIDOSCÓPIO DEZEMBRO

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buscando a ampliação do repertório, a contagem, a identi cação e a nomeação dos numerais. Cantando e se divertindo com canções tais como A galinha do vizinho, Serra, as crianças a aprender e a gostar de matemática. Nossas aulas são sempre aguardadas com prazer pelos alunos e pelas alunas, que anseiam por novos desafios, como, por exemplo, o jogo das sete cobras, em que o trabalho acontece em dupla e é preciso identi car e nomear corretamente os numerais, o valor posicional de cada um e a soma dos pontos indicados pelos dados, o que requer muita concentração para não perder a jogada. Brincando também se aprende. Seja com a redescoberta dos jogos da cultura popular, seja com a utilização das novas tecnologias, nós, educadores, dispomos de instrumentos valiosos para a introdução e o desenvolvimento dos conceitos matemáticos. Aprender e jogar: é só começar. Rita de Cássia Arienti Lazaro, professora do Pré serra, serrador, Um elefante incomoda muita gente e Boneco de lata. Ao resgatarem jogos tradicionais como amarelinha, batalha, prato-cheio, boliche e jogo de percurso, entre outros, mais habilidades são desenvolvidas, como, por exemplo, observar, analisar, contar, justi car, re etir e registrar. A utilização dos recursos tecnológicos, como as aulas no Laboratório de Informática, constitui outra ferramenta importante de auxílio na (re)construção dos conceitos matemáticos. A internet e a utilização de softwares educativos também trouxeram enriquecimento para a nossa prática pedagógica e estimularam DEZEMBRO CALEIDOSCÓPIO 9

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1 o a n o e f aprender com problemas E nsinar matemática pode ser mais envolvente se os alunos se sentirem desafiados a resolver problemas. A opção por essa metodologia considera os estudantes participantes ativos na resolução de problemas, coordenando o pensamento com funções não rotineiras da vida escolar. Nessa perspectiva, são priorizadas estratégias nas quais os alunos confrontam seu raciocínio com o dos colegas nas discussões em grupo, justificam suas escolhas e registram suas próprias hipóteses. Trabalhar com problemas mesmo antes que os alunos saibam fazer contas envolve uma mudança de postura por parte da professora. Ela precisa aprender a confiar na capacidade dos alunos em construir ideias e procedimentos e investir numa atitude investigativa que promova o pensamento matemático, mais do que na aprendizagem mecânica de aplicar técnicas para resolver os problemas O tio Jonho tem dois amigos: o Juvenal e o Tobias. O Juvenal, certa vez, perdeu uns parafusos e foi até a padaria pelado. Chegando lá, encontrou o amigo Tobias, que também tinha perdido uns parafusos, mas, ao contrário, foi com um exagero de roupa. Vestia 3 cuecas, 4 calças, 5 camisetas, 3 malhas, dois casacos e 8 meias em cada pé. Quantas peças de roupa estava vestindo Tobias? E como foi que cada um deles perdeu seus parafusos? e expressá-las por meio dos algoritmos. A proposta de resolução de problemas desenvolve a inventividade e a criatividade, pois exige o pensamento produtivo do aluno. Além do mais, ele se vale dessas aprendizagens em outras situações que enfrentar. Passo a passo, vamos construindo assim esse caminho: Formação de grupos – Aprender é, muitas vezes, um processo compartilhado. O progresso ocorre por meio de esforços combinados entre os parceiros. É preciso que os estudantes aprendam uns com os outros. O papel da professora – Observar, ajudar a organizar os dados, ser a mediadora, intervir e incentivar a aprendizagem, ciente de onde quer chegar. Lançar questões desafiadoras, ajudar os alunos a superar as dificuldades, estimular o pensamento, esperar, dar o tempo necessário e acompanha as explorações. Sistematização do conhecimento – A professora, em seu papel de dirigir os trabalhos, faz uma síntese das aprendizagens promovidas a partir do problema, situando o novo coQuestão 6 do livro Os problemas da família Gorgonzola, de Eva Furnari nhecimento matemático. Outro ponto mais avançado consiste Os alunos ficaram tão instigados pelos problemas nada convencionais do livro de Eva Furnari que acessaram a internet para compartilhar respostas em propor aos alunos que comparem a resolução de diversos problemas que envolvam a mesma ideia matemática ou, ainda, solicitar que modifiquem ou criem o texto de um problema. A formulação de problemas pelos alunos permite que eles desenvolvam a comunicação oral e escrita e estimula a capacidade de analisar, interpretar e articular informações. Gabriela Hirata e Cristiane Paulon, professoras do 1o ano EF 10 caleidoscópio  dezembro

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2 o ano ef eureka A Julio Cesar de Melo e Souza (Malba Tahan), Nicolau Copérnico, Pitágoras, Descartes e tantos volveram técnicas para comprovar suas hipóteses – fizeram da matemática uma ciência intrigante e desafiadora. Graças às suas contribuições, os estudos continuaram e se propagaram como rede, em constantes conexões. A tecnologia, antes aplicada somente às pesquisas, chegou à sala de aula. Hoje, nossos alunos expõem suas hipóteses como faziam os astrônomos e os pensadores de outras épocas. Vão à lousa para explicar seu raciocínio, aliam conhecimentos prévios às problematizações que surgem para estimular o pensar e, assim, constroem seus saberes. É fato que o processo de aprender é múltiplo. Não há uma única forma de resolver um problema. Por isso, os diferentes modos de pensar não são validados apenas nas discussões e nas comprovações de suas hipóteses. O Colégio Santa Maria oferece ferramentas tecnológicas para a sistematização dos conceitos trabalhados em classe. Disponibilizamos, em nossas aulas de informática, o que há de mais atual em software, sites outros – que, por meio de suas suspeitas, desen- rquimedes, Aristóteles, Copérnico, Isaac Newton, confiáveis e postagens direcionadas em blogs e apresentamos outras maneiras de se relacionar com o conhecimento. Além disso – e esclarecendo que tecnologia não está somente ligada ao uso do computador –, há também uma gama de ferramentas, como ábaco, material dourado, calculadora e fichas sobrepostas, entre outras, que envolvem o aluno na diversidade dos estilos individuais de aprendizagem. Dessa forma – observando, questionando e investigando –, alunos e alunas têm a mesma sensação de apropriação que teve Arquimedes quando gritou “Eureka! Eureka!”, ou seja, “encontrei, encontrei a solução!” Essa certeza de descoberta traz apropriação. A partir disso, o aluno percebe o conhecimento como algo dinâmico, que agrega ou se transforma todas as vezes em que é relacionado aos novos saberes apreendidos por toda a vida. Lara Pecora Polazzo, professora do 2o ano EF dezembro  caleidoscópio 11

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3 o a n o ef tividades; consequentemente, novas formas de ensinar e aprender. As tecnologias vêm sendo crescentemente a tecnologia e a matemática A s transformações sociais, econômicas e tecnológicas propõem novas habilidades e novas subjee a argumentação. envolvem o raciocínio lógico, a atenção, a concentração É nessa perspectiva que o 3o ano desenvolveu em 2010 maior integração entre o currículo de Matemática e a tecnologia da informação, utilizando programas como o Cabri-Géomètre e o Tangram no ensino de geometria, o Matematrix nas operações fundamentais, o RCT para exercitar a tabuada, o Imagine para trabalhos envolvendo a linguagem Logo e o Xadrez para desenvolver a lógica matemática e o raciocínio analítico e sintético. Os alunos também atuaram em um projeto relacionado ao sistema monetário. A primeira etapa foi problematizar em sala de aula a proposta “Dinheiro, pra que dinheiro?”, seguindo-se pesquisas no Laboratório de Informática. Posteriormente, elaboraram textos com os conhecimentos adquiridos na pesquisa e, para finalizar, selecionaram imagens para ilustrar o texto. Os alunos se mostraram motivados e interessados, pois participaram ativamente de todo o processo. Dessa forma, as novas tecnologias já fazem parte da educação e abrem um universo de possibilidades para a pesquisa, o ensino e a aprendizagem. Katya Jurdy Martins Bayer, professora do 3o ano EF incorporadas ao processo de ensino como ferramentas de mediação entre o indivíduo e o conhecimento, promovendo uma aprendizagem mais significativa. O uso de tecnologia na escola contribui para expandir o acesso à informação, estabelece novas relações com o saber e favorece a criação de aprendizagens cooperativas. A informática é um excelente recurso pedagógico, um poderoso instrumento de comunicação e um facilitador do aprendizado. Favorece a participação ativa dos alunos, permite fácil e rápido acesso a fontes de informação, possibilita a articulação do texto escrito com imagem, som e movimento, proporciona a simulação de situações, ajuda a desenvolver habilidades como selecionar, organizar e analisar informações e auxilia na implantação de novas ideias e conceitos. Em relação à matemática, a informática tornou-se imprescindível. Incentiva o aluno a refletir, investigar e elaborar seu próprio conhecimento a partir de situações propostas. Possibilita a construção de habilidades que 12 caleidoscópio  dezembro

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4 O ANO O EXERCÍCIO DA MENTE “M eu pai instalou um joguinho chamado Comedos e aplicar os conceitos construídos em sala de aula de um jeito que lhe traz satisfação e conhecimento. A construção de grá cos é outro recurso e ciente. Depois de fazer a coleta de material reciclável, a pesquisa de preferências dos colegas e o estudo de dados estatísticos das aulas de Geogra a, os alunos constroem e interpretam grá cos, e as re exões sobre eles ultrapassam a “matemática”. Chegam a discussões referentes à veracidade de alguns dados publicados, uma vez que a construção pode ser manipulada, envolvendo uma relação entre a ação e os valores, um dos pilares da formação de cidadãos. E como é bom construir! Trabalhando a cooperação, a concentração e a análise, ca mais fácil conceituar vértices, faces, arestas e diferenciar polígonos de poliedros. Assim, a matemática deixa de amedrontar, e os momentos de di culdades, obstáculos e erros se tornam fatores positivos pelos quais os alunos persistem e conseguem a motivação necessária para gostar dessa ciência presente em todas as áreas do conhecimento. Falando em pensamento e áreas de conhecimento, exercite seu cérebro. No quadro ao lado, leia a cor, e não a palavra. Lucilei Aparecida Spitaletti e Rita Rinaldi Riquelme, professoras do 4o ano DEZEMBRO come e agora eu jogo bem melhor, porque consigo calcular a distância e a velocidade, sem fazer contas. Eu consigo pensar se terei tempo para seguir aquele caminho sem ser comido. Acho que as aulas de matemática me ajudaram a pensar melhor!”, diz Lucas Sipeli Tada, do 4 G. Nas aulas de matemática do o 4 ano, desenvolvemos conhecimentos que vão além de o contar, calcular e resolver problemas, para que o aluno pense com um referencial matemático e crie estratégias para resolver os desa os que são apresentados em classe ou que surgem no cotidiano. Incorporar recursos como jogos de raciocínio, dedução e construção, atividades online, enigmas e desa os para desenvolver os conteúdos matemáticos promove mudanças no médio e no longo prazo e ajuda o aluno a correlacionar os estudos com as atividades da vida, privilegiando o “pensar”. Um bom exemplo foi a apresentação de jogos desa adores, como o sudoku. “Achei bem complicado no começo, mas agora consigo resolver com mais facilidade. Acho que estou pensando mais rápido e melhor”, conta Marcos Paulo, do 4o G. “Nossa classe gosta muito de fazer sudoku. Quanto mais eu pratico, mais o jogo me ensina a pensar, e é divertido”, diz Juliana Ungefehr Silva, do 4 D. o O uso das ferramentas tecnológicas também está sendo integrado às atividades. O acesso a blogs e sites de jogos matemáticos permite ao aluno exercitar os conteú- CALEIDOSCÓPIO 13

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5 o a n o lendo gr e interpretando situações áficos Q uantos alunos têm animais domésticos? Qual é a matéria favorita do grupo? Que filmes são os e revistas e realizamos atividades para explicar como eles são construídos e como devem ser interpretados. Carolina Araújo, do 5o G, diz: “Observei que o gráfico em linha é muito utilizado para pesquisas que comparam um assunto em um período de tempo, como o consumo de energia de uma casa durante um ano”. Sophia Oliveira, do 5o G, nota que, para mostrar a opinião de dois grupos distintos, o melhor é um gráfico em barras múltiplas. Explicamos que, na hora de elaborar um gráfico, é preciso pensar em todas as variáveis possíveis. Se os dados a inserir variam de zero a dez, o gráfico deve ter, pelo menos, uma escala com esses valores. “Gosto muito de construir gráficos e tabelas, pois organizo melhor meu pensamento e meu conhecimento”, diz Gabriella Ruffato, do 5o A. E chega a hora de fazer o “tratamento da informação”. Para isso, eles realizaram uma pesquisa de opinião, tabularam os resultados, organizaram as tabelas e construíram gráficos em barras múltiplas. E não basta que os alunos aprendam a construir gráficos e tabelas. É preciso que entendam como se organizam os textos de apoio a cada elemento. Dessa forma, a intenção foi que vivenciassem todo o processo, desde a escolha do tipo de gráfico até os textos informativos que o acompanham, para que, de fato, possam entender e comunicar o que desejam. Equipe do 5o ano mais assistidos pelos alunos do 5o ano? Qual é o gênero musical preferido das meninas? E dos meninos? Curiosidades como essas podem acabar em uma simples contagem ou servir de base para o trabalho de iniciar os alunos no desenvolvimento de competências como coletar informações, organizálas e representá-las na forma de gráficos ou tabelas — além de interpretá-las criticamente. Basta abrir um jornal e uma revista ou assistir à televisão para perceber que, cada vez mais, a estatística faz parte do nosso cotidiano. Informações de toda natureza passam rapidamente pelos nossos olhos em forma de gráficos e tabelas. Kenzo Ishibashi, aluno do 5 A, afirma: “Eu o costumo observar todos os gráficos que aparecem, pois chamam a atenção e são práticos”. Os alunos também acompanharam as pesquisas eleitorais na eleição para a presidência da República. Mariana Fiel, do 5o B, comenta: “Acredito que as pesquisas influenciam a escolha dos candidatos, por isso os dados divulgados precisam ser sérios”. A exposição de dados por meio de gráficos e tabelas faz parte da linguagem universal matemática e sua compreensão é requisito básico para a leitura de informações e a análise de dados. Assim, propusemos uma pesquisa a respeito dos gráficos publicados em jornais 14 caleidoscópio  dezembro

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6 o a no etr sim se ica étr eom es g uçõ str con formas geométricas, seus nomes e suas características. Para que desenvolvam o pensamento geométrico, eles O ia s alunos do 6o ano sabem que aprender geometria é muito mais do que conhecer as diferentes participam de atividades desafiadoras, em que exploram a capacidade de planejar e resolver problemas. Um dos fatores positivos do trabalho em geometria desen- volvido no 6o ano é a construção das figuras geométricas, que não se limita à identificação e à conceituação delas. As atividades vão além das peças recortadas e dos modelos já prontos. Os alunos usam régua, esquadro e compasso. Entre os conceitos abordados, estão ângulo, simetria, perímetro, composição e decomposição de figu- ras. Inicialmente, pedimos uma pesquisa de imagens simétricas. Depois, os alunos estudam exemplos da natureza – cascos de tartaruga, couro de cobra e olhos de répteis. Aprendem a identificar os aspectos gerais das figuras e encontrar eixos de simetria. Alana Bonitátibus Miyai, do 6o A, diz: “Observei que a casca do abacaxi é formada por polígonos de quatro lados. Já os favos de Laura Vieira de Oliveira, do 6o B, comenta: “Com as construções geométri- mel são compostos de hexágonos perfeitos”. cas, você aprende matemática. Mas não é só isso. Tendo um pouco de capricho, obtemos desenhos bonitos e descobrimos que matemática também é arte”.  Depois da observação e da pesquisa, os alunos põem a mão na massa e fazem cons- truções usando régua e esquadro. Para colorir as figuras, reutilizamos sobras de papel e revistas velhas, mostrando que também estamos preocupados com o meio ambiente. No computador, exploramos programas em que os alunos criam suas próprias construções e apli- cam os conceitos de segmento de reta, ponto médio, eixo de simetria e polígonos, entre outros. Henrique Caballeria Mesquita, do 6o D, observa: “Quando cubro minha construção geométrica, faço de modo que entre as figuras não sobrem espaços nem haja sobreposição. Assim, a soma dos ângulos internos das figuras encaixadas em torno de cada vértice é 360 graus”. Os alunos também realizam trabalhos com dobradura para encontrar o eixo de simetria de algumas figuras e perceber propriedades como paralelismo e perpendicularismo. Os trabalhos se transformaram em atração na Semana Padre Moreau, numa oficina de matemática na qual tiveram oportunidade de compartilhar seus conhecimentos com os visitantes. A geometria permite aproximar nossa ação educativa a situações concretas. Os alunos percebem que suas criações no papel são da mesma natureza daquelas observadas em construções, obras de arte e até mesmo na natureza. Mirela Sílvia Okamoto, professora de Matemática do 6o ano dezembro  caleidoscópio 15

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