Caleidoscópio nº 49

 

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Caleidoscópio nº 49

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Revista do colégio santa maria – n0 49

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m e n s a g e m Viva outubro! A primeira metade de outubro concentra comemorações que representam a identidade do Santa Maria: Dia das Crianças, Dia de Nossa Senhora Aparecida e Dia do Professor. A educação de qualidade, que neste Colégio inclui jovens e adultos que interromperam os estudos, é o que sempre mobilizou nossa missão ao longo dos 61 anos de existência do nosso projeto educativo. A educação precisa contemplar a vida. Cada época e cada sociedade têm elementos de respeito ao indivíduo e à justiça e outros elementos que empurram para a margem pessoas e populações que ficam excluídas da mesa de nossa grande família planetária. Maria – de Aparecida, Lourdes, Fátima ou Guadalupe – nos foi dada como mãe dessa família. Este Colégio tem o nome Dela para nos lembrar que somos filhos e filhas do mesmo Deus que nos deu uma mãe. Neste lugar, portanto, não cabem bullying, desrespeito, exclusão. Aqui, a educação é realizada por equipes em que, como nas famílias, cada pessoa tem um papel designado, mas todos cuidam de todos. São os professores e as professoras que organizam atividades e experiências de aprendizagem, num ambiente social diversificado. A natureza e tudo o que entra Irmã Diane Clay Cundiff Diretora-geral do Colégio Santa Maria Sister Diane e professores do Ensino Médio; embaixo, imagem de Nossa Senhora Aparecida: há muito a comemorar em outubro pelos nossos sentidos são experimentados a partir de um significado interpretado pela comunidade e pelo contexto cultural de cada um. As comemorações do mês juntam estes três eixos: crianças, professores e Maria, mãe de todos os povos. * E que alegria tive no mês passado ao festejar 25 anos de convivência com crianças, jovens, professores e funcionários neste Colégio dedicado à missão de Maria e de educar. Agradeço a todos os que contribuíram com esse projeto, à Congregação das Irmãs da Santa Cruz, aos educadores, às famílias que nos ajudaram a construir esta escola e, sobretudo, à Sister Anne, sempre ao meu lado em 24 destes 25 anos. É por tudo isso que esta edição da Caleidoscópio relata parte da riqueza da educação e dos educadores do Santa Maria. Revista bimestral do Colégio Santa Maria – Nº 49 – Outubro de 2009 COLÉGIO SANTA MARIA Av. Sargento Geraldo Santana, 890/901 Jardim Marajoara, São Paulo, SP Telefone (11) 2198-0600 www.colsantamaria.com.br santamaria@colsantamaria.com.br Equipe de redação Irmã Diane Clay Cundiff Irmã Anne V. Horner Hoe Ana Cristina Proietti Imura Paula Bacchi Roberta Edo Sonia Regina Yamadera Tiyomi Misawa Produção editorial Editor: Ricardo Marques da Silva MTb 10.937 Editor de arte: Renato Akimasa Yakabe Fotos: Éric B., Luiz Carlos Leite e acervo do Santa Maria Produtor: Daniel Vasconcelos Impressão: CompanyGraf  caleidoscópio  outubro

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memória Para reavivar ainda mais a memória, estas fotos são de quando eles chegaram ao Santa As boas lembranças dos ex-alunos Trabalho bem-feito O Santa foi importantíssimo para a minha formação. Todas as ferramentas que nos deram e os momentos que nos proporcionaram valeram muito mais do que qualquer lista de fórmulas e simulados para o vestibular. Aprendemos a pensar, a construir e desenvolver nossas próprias ideias. Sempre fomos estimulados a criar, sem ter a resposta pronta, e nossa inteligência nunca foi subestimada. Avalanche de recordações “No Santa vivi muitos dos momentos mais felizes de minha vida. Serei eternamente grata pela minha formação, não só profissional, mas também pessoal. Raro é o lugar que sabe valorizar tanto o ser humano como o meu Colégio, e isso é ensinado desde a mais tenra idade. A oportunidade que o Santa proporciona de conviver com pessoas especiais, idosos ou carentes é única e inesquecível. Não consigo falar do meu Colégio sem um sorriso no rosto, porque é imediata a avalanche de lindas recordações que guardo para a vida inteira. Não posso ir a São Paulo sem visitar o Santa, senão parece que me falta alguma coisa. Amo cada pessoa e cada metro quadrado do mais puro verde no coração dessa cidade enorme. Agradeço a Deus por ter tido a oportunidade de estudar nesta que, na minha opinião, é a melhor escola que há. Ao Santa Maria, o meu eterno muito obrigada.” Talita da Costa Moreira Lima, turma de 2005   outubro  Momentos únicos “Tenho muitas boas recordações de minha época no Santa... Lembro das aulas de Português e de Teatro. Das aulas de Geografia, de História, com um professor que sempre usava o Carnaval como tema para iniciar o curso no 1 Colegial. Nunca vou esquecer o Coisas como ter aula de Biblioteca e Teatro no currículo, ler Kafka na 8 série, fazer uma instalação no a 2o ano do Ensino Médio ou viajar para a ilha do Cardoso, ao Petar, para o Vale foram ousadias da escola que ficaram marcadas para sempre na vida de muitas pessoas e contribuíram para que elas se tornassem quem são hoje. Além disso tudo, os muitos amigos que o Santa me deixou são hoje minha família, e tenho certeza de que serão sempre. Educação é coisa séria, e toda essa marca que o Santa deixou é mais uma prova disso. Que bom que no meu caso o trabalho foi muito, mas muito bem-feito!” Juliana Ribeiro de Melo, aluna de 1988 a 2000 aquelas aulas de História, o cara era megaempolgado e conseguia envolver todo mundo de uma maneira única. Lembro das aulas de Biologia da Sol, sempre extremamente didática, mas às vezes meio brava com a turma. Lembro do Silvio e das aulas de História Geral. Lembro da professora de Química, uma espanhola que era bem agitada! Lembro do Athos nas aulas de Educação Física no ginásio. Enfim, lembro de muita coisa boa, de todos os momentos que foram únicos e muito importantes.” Leonardo Ramos Velloza, turma de 1994 caleidoscópio 

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e d u c a ç ã o in fantil Cláudia Karina ser professor de educaç alegria das crianças, com suas falas engraçadas, com suas formas diferentes de resolver os problemas. Mas não é só isso! Ensinar crianças pequenas exige do professor ou da professora de Educação Infantil não só o conhecimento dos conteúdos próprios para a faixa etária, mas também os procedimentos que facilitam a aprendizagem dos pequenos. É preciso conhecer as características da idade com que se trabalha, pois diferem muito: ensinar algo para uma criança de 2 anos é diferente de ensinar a uma de 4 ou 5 anos. Por todo esse conhecimento que a profissão exige é que não nos intitulamos “tias”, e sim professores e professoras. Ser professor é assumir uma profissão que envolve uma tarefa, um objetivo, uma especificidade, enquanto  caleidoscópio  outubro M uitos pensam que trabalhar com crianças é divertido e prazeroso conviver com a ser “tia” é viver uma relação de parentesco. Para nos tornarmos professores de Educação Infantil, precisamos ter conhecimentos e seriedade e estar em constante formação; é preciso, também, ter preparo físico e emocional e ser muito, muito afetivos. Então... Ser professor de Educação Infantil é saber mediar as experiências das crianças pequenas de modo a contribuir positivamente para seu desenvolvimento e sua aprendizagem. É ajudá-las a utilizar suas diferentes linguagens para que aprendam a respeito de si próprias e do mundo que as cerca; é ajudá-las a simbolizar suas experiências e expressar o que sentem. Um papel e tanto... É preciso, ainda, comprometer-se com o bem-estar e com o desenvolvimento integral das crianças, mantendo uma relação indissociável entre cuidar e educar. É preciso, também, reaprender a brincar, pois esse é um procedimento importante para essa faixa etária. É por meio da brincadeira que a criança aprende sobre si, sobre o outro e o pequenas é fácil e divertido. Realmente “Ser professora implica assumir uma profissão, enquanto não se é tia por profissão” Paulo Freire

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Beatriz Ana Fernanda Eliane Márcia ção infantil mundo. Aprende a diferenciar-se e a conviver; aprende a respeito dos objetos e dos materiais; aprende sobre seu corpo e seus sentimentos. É no ato de brincar que as crianças desenvolvem os conhecimentos e as habilidades necessárias para as séries posteriores. Por isso, os conhecimentos de um professor de Educação Infantil vão além de cursos e teorias. É preciso estar presente de corpo e alma o tempo todo e ousar a todo instante! Com certeza, esse é o pensamento-ação que permeia o trabalho da Educação Infantil aqui no Colégio Santa Maria. Parabéns a todos os professores e professoras de Educação Infantil que ousam assumir com seriedade a profissão que escolheram. Rosane Callegari, professora do Infantil B Rosane Filó Para saber mais Professora Sim, Tia Não – Paulo Freire, Editora Olho d’Água outubro  caleidoscópio 

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e d u c a ç ã o in fantil Vínculos perenes de afetividade G uardamos na memória, com certeza, o professor ou a professora fiança do aprendiz disposto a fazer parcerias em busca do conhecimento, tendo espaço para aprender com os erros e equívocos, sabendo que terá apoio e orientação para superar os obstáculos encontrados. Não só os chamados conteúdos acadêmicos, mas também as experiências e vivências do cotidiano e as relações e as amizades fazem parte do processo de desenvolvimento e devem ter orientação do professor quanto aos procedimentos e atitudes, o “como fazer”, e vivenciar experiências de sucesso – ou seja, aqueles que ajudam na construção da autoestima. Nestas páginas, os alunos que hoje cursam o 1o ano expressam o que sentem em desenhos e depoimentos que nos ajudam a aprimorar nosso agir. Rosana Mendes Pereira, professora do Pré que marcou nosso percurso escolar. Na maioria das vezes, lembramos da mestra da Educação Infantil ou das séries iniciais do Ensino Fundamental, “nossa primeira professora”. Essas memórias trazem cenas vivas, com cheiros, gostos e impressões que ficaram marcadas pelos sentidos para o resto da vida e formam a base de toda a experiência acadêmica. Essa influência, entretanto, pode ser positiva ou negativa. É essencial, para ser professor, ter consciência da importância dos vínculos afetivos que se formam com os alunos, principalmente nos primeiros anos escolares. Esse vínculo sustenta a segurança e a con-  caleidoscópio  caleidoscópio  outubro outubro 

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tUDO O QUE EU PRECISO SABER APRENDI NO JARDIM DA INFÂNCIA “Tudo o que eu preciso saber sobre a vida, o que fazer e como ser, aprendi no Jardim de Infância. A sabedoria não estava no topo da montanha do conhecimento que é a faculdade, mas, sim, no alto do monte de areia do Jardim de Infância. Estas são algumas coisas que eu aprendi: Dividir tudo. Ser justo. Não machucar ninguém. Colocar as coisas de volta no lugar de onde foram tiradas. Arrumar a própria bagunça. Nunca pegar o que não é seu. Pedir desculpas sempre que magoar alguém. Viver uma vida balanceada: aprender um pouco, desenhar um pouco, pintar um pouco, cantar um pouco, dançar Resumo de um texto de Robert Fulghum, professor, filósofo e teólogo norte-americano outubro   caleidoscópio caleidoscópio outubro um pouco, brincar um pouco e trabalhar um pouco, todos os dias. Tudo o que você precisa saber está lá em algum lugar. Regras sobre a vida, o amor, saneamento básico, ecologia, política, igualdade e fraternidade. Pegue qualquer um desses termos e extrapole para sofisticadas palavras da linguagem adulta e então aplique em sua vida familiar, trabalho, governo ou mundo, e tudo continua firme e verdadeiro. E continua verdade, não importa sua idade, quando sair para o mundo, dê as mãos e fique junto.”  

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1 o a n o EF O GRANDE MESTRE curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo” (Mt 4:23). O termo “sinagoga” significa, literalmente, “convenção”, ou “assembleia”. No tempo em que Cristo andou nesta terra, havia muitas delas. A maioria dos países do Império Romano possuía suas sinagogas. Em qualquer povoado onde vivessem judeus, ali havia uma. As sinagogas, além de outras funções, eram também escolas, onde as crianças aprendiam a ler e a escrever. E Jesus aproveitou a estrutura existente para transmitir informação e, sobretudo, vivenciar de tal maneira seus ensinamentos que deu a Seus seguidores a mais completa formação. Sua mensagem é dirigida à pessoa humana integral: física e espiritual. Sua idoneidade para ensinar, o objetivo de Seu ensino, o material que utilizava e a simplicidade de Sua linguagem são exemplos indispensáveis para os educadores de hoje.  caleidoscópio  outubro “P ercorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do reino e Interessante! Jesus não começava de um ponto novo. Começava exatamente de onde o aprendiz estava. E, mais do que com palavras, ensinava com exemplos, e isso o fazia um mestre por excelência. Ao preparar seus apóstolos para se tornarem seguidores do seu trabalho, Jesus agia contrariamente ao ditado que diz “façam o que eu digo e não o que faço”. Na noite em que iria ser preso, convidou os apóstolos para a ceia. Antes que começassem a comer, pegou uma bacia com água e uma toalha. Como faziam os escravos de seu tempo, lavou os pés de todos. Com isso, queria nos ensinar que devemos nos colocar a serviço uns dos outros. Diante dos belos exemplos do nosso Mestre, faço um convite a todos os educadores, pais e mães: que possamos refletir sobre aquilo que ensinamos e sobre nossas ações, mas, principalmente, sobre a coerência entre elas. Isso fará toda a diferença! Cristiane Paulon, professora do 1o ano C EF

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2 o ano ef A SALA DE AULA: RIQUEZA DE APRENDIZAGEM “Quem se sente fascinado pelo mar acaba por descobrir as maneiras de construir barcos e de navegar. É o fascínio que acorda a inteligência. O conhecimento surge sempre no desafio do desconhecido. As escolas devem levar os estudantes ao fascínio de navegar, ensinar as perguntas que permitem entrar pelo mar desconhecido e não as respostas que permitem andar sobre a terra firme.” Rubem Alves aguçada pelas estratégias e pelos procedimentos para a resolução dos desafios experimentados, começam a fazer perguntas e despertam para o prazer em aprender. Diante de atividades “problematizadoras” que são debatidas em sala de aula, o aluno tem a possibilidade de desenvolver competências, levantar hipóteses e organizar formas de representação e registros para resolver os problemas que lhe são apresentados dentro ou além dos muros da escola. Para que tudo isso ocorra e o “educador se torne imortal” – pois, segundo Rubem Alves, “o professor não morre nunca” –, é preciso que o professor esteja sempre se reciclando e se preparando para a aprendizagem de novos conceitos e para a busca de conhecimento a respeito de pesquisas de ponta na educação, a fim de que o enriquecimento efetivo ocorra em sala de aula. A sala de aula é um local rico em aprendizagem, pois ali se desempenham inúmeros papéis: transmissão e troca de conhecimento, socialização, visão de mundo e posicionamento ante os desafios que surgem no dia a dia. Em educação, as inovações tecnológicas e a busca por respostas são essenciais, mas o mais importante são os professores: sua qualificação, a formação continuada e a interação com o aluno. Cabe ao professor fazer com que o aluno tenha capacidade e espírito crítico para filtrar um volume cada vez maior das informações a que está exposto e prepará-lo para a vida, por meio de sua transformação. “O olhar do professor é mais importante do que seus planos de aula; ele tem o poder de despertar e florescer.” (Rubem Alves) Lílian Reimberg Roschel, professora do 2o ano C EF outubro  O s alunos são como barqueiros fascinados pela navegação, que, no contato com a curiosidade caleidoscópio 

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3 o a n o ef professora leci: três gerações no santa maria B ons mestres passaram pelo Santa Maria. Hoje, em especial, queremos lembrar de Leci Rossi Carneiro, que durante 32 anos fez história no nosso Colégio. Seus três filhos aqui estudaram até completar o antigo Colegial. Hoje, sua neta Giovanna Farto de Paula (na foto à direita, com Leci) está no 3o ano do Ensino Fundamental e sente orgulho da trajetória profissional de Leci, contando a todos: “Minha avó foi professora aqui!”. Segundo Leci, o Colégio sempre primou pela seriedade com o trabalho social e em desenvolver em seus alunos a capacidade de se relacionar com as pessoas, com o meio ambiente e com o compromisso que dá sentido à vida que é Deus. “Tenho recordações maravilhosas de pais e amigos. Aprendi muito com as Irmãs. É um lugar que deixa saudades”, ela diz. E o que é ser professor, hoje, no Santa Maria? É viver na expectativa de fazer com que sonhos se tornem realidade, com uma imensa vontade de transformar seus alunos em pessoas criativas, éticas, corajosas, responsáveis e participativas, que não têm medo de se arriscar para aprender. É cultivar o sonho de seus alunos para transformálos em pessoas pensantes e livres, que descobrem o suave sabor de fazer suas próprias escolhas. É tornar a dor da dificuldade um caminho para novos saberes. É quebrar preconceitos e ensinar com palavras ternas, estabelecendo vínculos duradouros. É comunicar seus conhecimentos promovendo o desejo de querer saber sempre mais. 10 caleidoscópio  outubro Eliane Aparecida Rodrigues Martins Scheeffer, professora do 3o ano EF Ser professor no Santa Maria é aprender a estender a mão, é incluir os excluídos. É ensinar com palavras ternas, estabelecendo vínculos através do olhar e das ações. É saber, com sua paixão, expandir a paz, a solidariedade, a esperança e a coragem e potencializar em cada aluno o olhar social. Enxergar no outro suas próprias alegrias e tristezas, dificuldades e vitórias. É saber ser exigente, com ternura. Professores no Santa Maria têm suas próprias vidas modificadas pelo trabalho que escolheram, vivem visceralmente sua profissão com dedicação exaustiva. Não se deixam abater pelas dificuldades. Têm subsídios teóricos, sem se afastar dos horizontes humanísticos. Questionam a vida buscando a luz da realidade e se deliciam com o prazer de desenvolver inteligências. Caminham despertando sabedoria e fé.

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4 o ano ef um eterno aprendiz “Aprender é tecer possibilidades de transformação de si e do mundo ao redor – estabelecer prioridades e encontrar soluções para as mais diversas questões” Focando-se como aprendiz, o professor se coloca no lugar do aluno em sala de aula e se torna um aluno fora dela, atento ao que acontece a seu redor. Nesse contexto, analisa a relação histórica e social dos modelos de ensino pelos quais passou como aluno e como educador e percebe que sua prática é o reflexo de um pouco de cada um. O professor contemporâneo é aquele que continua se encantando, mantém certo distanciamento, contempla o desenrolar dos acontecimentos, presta atenção nos detalhes e espalha a seiva do saber e a gana pela descoberta. Pois o que está disponível é a informação, não o conhecimento, o que significa que seu papel é transformar a informação em aprendizagem. Segundo Albert Einstein, acredita-se que “a mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original”. Lucilei Aparecida Spitaletti e Rosana Martins de Oliveira Daher, professoras do 4o ano do Ensino Fundamental outubro  Zan Mustacchi, geneticista H á vários conceitos para definir o ato de “aprender”, mas, com a virada do século, muitos deles foram desmontados e repensados. Na Educação, a mudança de maior relevância diz respeito à função do professor. Antes compreendida como “ensinar alunos”, passou a ser encarada como “cuidar da aprendizagem do aluno”, com persistência, afinco, sistematicidade, dedicação e afetividade. O professor não é mais aquele profissional formado e pronto para ensinar, mas o que se considera um eterno aprendiz. Uma vez que acredita no potencial de sua aprendizagem pessoal, adquire uma postura pela qual sua atuação assume um novo papel na formação de cidadãos. Os alunos apreciam um professor que os surpreenda, que tenha conhecimento dos conteúdos e transmita confiança, despertando-os e munindo-os de ferramentas que os tornem capazes de lidar com o mundo e lhes dê espaço e voz. caleidoscópio 11

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ho m e n a gem os melhores 25 an 12 caleidoscópio  caleidoscópio  outubro outubro 12

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os de nossas vidas gearam Sister Diane pelos 25 anos de trabalho como diretora-geral do Colégio. Representam um quarto de século de dedicação a esta escola e quase metade da vida dessa norte-americana do Missouri que, motivada pela vocação religiosa, rompeu fronteiras e buscou força interior para ousar, superar temores e se aventurar no desconhecido, onde mais precisavam dela, até descobrir que sua missão era mesmo ser educadora – de crianças, de jovens e adultos, de alunos, professores, pais e de quem mais teve o privilégio de cruzar seu caminho. Diane Clay Cundiff formou-se em História pela Faculdade Saint Mary Notre Dame em 1968 e em 1972 concluiu o mestrado em Sociologia pela Faculdade Valparaíso, em Indiana, Estados Unidos. Em 1974, ingressou na Congregação das Irmãs de Santa Cruz e fez a opção de viver E moção e alegria combinaram-se perfeitamente sua vocação religiosa no Brasil, sem saber falar uma única palavra em português. Logo se tornou professora do Colégio Santa Maria, e os alunos carinhosamente a chamavam de Dada. Eram tempos difíceis, de ditadura, e Sister Diane não se omitiu: como autêntica cidadã do mundo, fez o melhor por sua pátria de adoção, com o coração aberto, solidário, fraterno e compassivo. Em 1984, assumiu a direção-geral do Santa Maria, e desde então o Colégio passou por muitas mudanças. Cresceu, modernizou-se, acompanhou os avanços do mundo – e lá estava Diane, sempre, com o discreto e permanente sorriso, o tempo todo mirando o melhor de cada pessoa, fotografando as flores dos jardins, distribuindo carinho. Sua presença está em todo o Colégio, que sob sua doce e firme liderança se tornou exemplo de solidariedade e educação inclusiva, de construção de cidadãos responsáveis e atuantes. Essa rica trajetória foi lembrada na homenagem de 10 de setembro, organizada por Sister Anne Horner Hoe, parceira de Diane em todos esses anos. No fim de uma missa repleta de cenas tocantes, Sister Diane se pronunciou em seu estilo típico – simples, modesto e objetivo: “Agradeço a presença de todos não apenas por esta noite, mas por todos esses 25 anos. Algumas das pessoas presentes já estavam aqui quando eu cheguei, e continuam aqui. Eu agradeço à Irmã Anne por ter coordenado essa festa toda, porque ela é realmente uma mestra para mim e uma grande colega de trabalho. Essa escola tem sido não só uma escola para seus filhos, mas uma escola de vida para mim. Eu agradeço a todos vocês por isso. Obrigada”. outubro   caleidoscópio caleidoscópio outubro na noite de 10 de setembro, quando os integran- tes da comunidade do Santa Maria homena- 13 13

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5 o a n o ef O professor que ensina, o professor que aprende matéria, dar a aula e transmitir o máximo possível de informações aos alunos. Com o tempo, esse pensamento se transformou. Hoje, a escola está inserida numa sociedade em que a informação chega por diversos meios e rapidamente se torna obsoleta. Aquilo que em um momento constitui última notícia, a mais recente tecnologia, o medicamento mais efetivo, é rapidamente ultrapassado e substituído. Também há o aluno contemporâneo, que está longe de ser uma tábula rasa a ser escrita pelo professor. Desde cedo, ele aprende diariamente. Quando vai à escola, adquire conhecimentos que se somam aos recebidos socialmente. A aprendizagem ocorre dentro da escola, com o professor, e fora dela, com os saberes do mundo. A escola passa a ser considerada local de conhecimento compartilhado, e a aprendizagem deixa de ser um processo individual, ou limitado à relação professor-aluno. Aprender é um processo que se dá em um grupo social com interesses e necessidades próprias. Esse panorama cria a necessidade de um novo profissional na educação, que vai continuar se chamando professor, mas já não se encaixará no perfil anterior. 14 caleidoscópio  outubro Equipe do 5o ano H avia a crença de que para ser um bom professor bastava ter boa didática e conhecimento da Por isso, acreditamos que o maior desafio da educação contemporânea é formar cada vez melhor o professor. Assim, o perfil atual do educador é o do profissional em contínua aprendizagem, apto ao uso intensivo das facilidades tecnológicas e ao intercâmbio de conhecimento, como agente facilitador de inovações e de produção de saberes – ou seja, um professor em sintonia com o contexto do século 21. Nessa concepção, alunos e professores são vistos como indivíduos capazes de construir, modificar e integrar ideias, com a oportunidade de interagir com outras pessoas e culturas, com objetos de conhecimentos e em situações que envolvam aprendizagem. Dessa forma, o Colégio Santa Maria proporciona diferentes oportunidades de formação aos seus profissionais, por meio de reuniões pedagógicas, assessoria nas diferentes áreas do conhecimento, grupos de estudo, sugestões de leituras, orientação pedagógica e cursos diversos realizados no nosso Centro de Estudos, o Prisma. Nesses momentos, os professores têm a oportunidade de compartilhar saberes com os colegas de trabalho e com outras instituições, enriquecendo sua prática pedagógica.

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6 o ano E F o papel do educador, Não é “monstro de sete cabeças” Hoje em dia, muitos alunos veem os professores como “monstros de sete cabeças”, mas, na minha opinião de aluna, o professor é uma pessoa muito importante, pois é ele quem nos ensina: Português, Matemática, Ciências etc. Sem ele não poderemos ser nada no futuro. Para mim, o professor é uma pessoa essencial em nossa vida. É como se fosse um amigo que nos abre os olhos para certas coisas do mundo e que nos ensina a arte da inteligência. Eu acho que, na educação no Brasil, o professor possui, além da obrigação de ensinar e educar, o papel de fazer parte da vida dos alunos, ajudando a torná-los ótimas pessoas. Eu diria para o professor que ele não parece um “monstro” para todos. Para alguns até pode ser, mas, para outros, é um amigo que nunca será esquecido. Marina Candelária M. Lima, aluna do 6o ano C na visão dos alunos Ensinar para o futuro O professor assume no mundo de hoje a responsabilidade de ensinar aquilo que o aluno precisará no futuro. Ele ajuda a formar uma pessoa digna e responsável. Os professores auxiliam na educação e também na formação moral das pessoas, no caráter. Funciona assim como um ótimo colaborador, para que no futuro as pessoas sejam ótimas como ele e cidadãos de bem. Luiza Rodrigues Dias, aluna do 6o ano D Sem ele, não saberíamos quase nada O professor, nos dias de hoje, é muito importante para as crianças e os adolescentes, pois nos acompanha desde a primeira letra até a última matéria a ser ensinada. Os professores podem nos ajudar em problemas escolares e até de amizade e nos ensinam coisas importantes para a vida toda. Eu acho importante haver um dia específico para comemorar a profissão do professor, pois ele tem uma grande importância no mundo. Sem ele, não saberíamos quase nada. A importância da existência dos professores para a educação no Brasil é muito grande, pois o número de analfabetos no país é imenso, e sem os professores poderia ser ainda maior. O professor tem um grande papel na sociedade, pois ele educa e ensina as crianças. Isso é muito importante para as nossas vidas. Helena A. G. Murakami, aluna do 6o ano C outubro  caleidoscópio 15

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