Caleidoscópio nº 48

 

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Caleidoscópio nº 48

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Revista do colégio santa maria – n0 48 festa junina reúne 9 mil pessoas para celebrar a cultura da confraternização e da solidariedade

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m e n s a g e m Não podemos permitir a banalização da violência A violência é quase onipresente nos dias de hoje, seja em atos explícitos, seja sutilmente, disfarçada em pequenos gestos. Está nas relações pessoais, no trânsito, na fila do supermercado, nos estádios de futebol, na linguagem, nos videogames, nos programas de televisão e até mesmo nos desenhos animados. Entranhou-se tanto na nossa cultura que as pessoas crescem aprendendo a ignorar agressões e achando “normais” atitudes como o bullying – agressões e humilhações verbais ou físicas no ambiente escolar – ou o comportamento de pessoas que se acham no direito de se impor sobre o outro “que é diferente de mim” e, por isso, deve esperar sua vez depois “da minha”. Mas não podemos, de maneira nenhuma, permitir que a violência se banalize. É preciso negá-la, reagir à sua disseminação, denunciar e, como contraponto, mostrar exemplos objetivos de como se pode construir uma cultura de paz. Nesta edição de Caleidoscópio, prosseguimos com a meta de buscar e identificar outros “olhares”. Nosso leitor vai perceber que as atividades desenvolvidas por alunos e professores, dentro e fora da sala de aula, buscam reconhecer, perceber, criticar e não se conformar com a violência em nosso meio. “Cada um de nós carrega uma pequena bomba que pode explodir se não houver uma mudança para melhor”, afirma João Pedro Borges Santos, aluno do 7o ano, no depoimento que está na página 15 desta revista. No entanto, não poderemos mudar a conjuntura se não a observarmos com a consciência de quem ama verdadeiramente a paz e quer que o respeito aos direitos se estenda a todo o planeta e a todas as pessoas. Irmã Diane Clay Cundiff Poste da Paz Diretora-geral do “É preciso negar a violência e mostrar exemplos objetivos de como Colégio Santa Maria se pode construir uma cultura da paz “ Revista bimestral do Colégio Santa Maria – Nº 48 – Julho de 2009 COLÉGIO SANTA MARIA Av. Sargento Geraldo Santana, 890/901 Jardim Marajoara, São Paulo, SP Telefone (11) 2198-0600 www.colsantamaria.com.br santamaria@colsantamaria.com.br Equipe de redação Irmã Diane Clay Cundiff Irmã Anne V. Horner Hoe Ana Cristina Proietti Imura Paula Bacchi Roberta Edo Sonia Regina Yamadera Tiyomi Misawa Produção editorial Editor: Ricardo Marques da Silva MTb 10.937 Editor de arte: Renato Akimasa Yakabe Fotos: Éric B., www.fotojump.com.br e acervo do Santa Maria Foto da capa: Éric B. Impressão: CompanyGraf  caleidoscópio  julho

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cartas Os melhores anos da minha vida “Estudei no Santa minha vida inteira, desde o Jardim até o 3o ano do Ensino Médio, e neste Colégio vivenciei os melhores momentos da minha vida, Futuro advogado “Hoje, na faculdade, percebo o quanto foram imprescindíveis a forma e o método de ensino do Santa Maria. O incentivo aos trabalhos em grupo, à pesquisa e à apresentação de tarefas, bem como o projeto de série no Ensino Médio, me prepararam para enfrentar com maturidade as questões e os problemas encontrados na faculdade. Vejo que muitas pessoas têm dificuldades, por não terem compartilhado do mesmo processo de ensino, e agradeço à escola pela oportunidade de aprendizagem concedida. Aproveito para enfatizar que os cursos de Filosofia e Geografia e as atividades extracurriculares, como o sarau, do modo como eram gerenciados na época em que eu estava no Colégio, foram de fundamental importância para o meu desenvolvimento. Obrigado.” Erik Fontenele Nybo, turma de 2007, aluno da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo Se eu não estivesse tão longe... “Entrei no Santa na 2 série. a desde a descoberta das minhas habilidades, o que me auxiliou na escolha da minha profissão, até a oportunidade de conhecer meus grandes amigos, que estão comigo até hoje. Agradeço muito aos professores, que sempre me apoiaram e me confrontaram com desafios estimulantes, pois, graças a eles, hoje eu sou uma pessoa com valores, com garra e determinação. Sinto muita falta dos tempos de colégio, que infelizmente não voltam mais. Portanto, para quem ainda está no Santa Maria, deixo o meu conselho: aproveitem esses anos, esses momentos com os amigos, as danças da Festa Junina, pois tudo passa muito rapidamente e nunca mais será igual.” Yasmin Conolly Carolino, turma de 2006, aluna do curso de Comunicação Social da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo Tudo o que aprendi para a minha vida foi construído aí. Tenho um imenso amor e carinho pelo Colégio, pela família Santa Maria. Vocês foram meu apoio quando mais precisei. Guardo no coração todas as professoras e coordenadoras – que sempre foram mais do que isso. “Puxavam nossas orelhas” quando precisávamos, mas eram as primeiras a nos abraçar quando notavam que algo não estava bem. Muito obrigada. Eu não seria quem sou se não tivesse passado por esta casa – minha segunda casa! Hoje sou casada, tenho duas filhas, moro em Belo Horizonte e, se não estivesse tão longe, com certeza minhas princesinhas seriam de vocês também. Um beijo grande, saudade.” Nathalia Herrero Novaes Moreira, turma de 2001 julho  caleidoscópio 

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e d u c a ç ã o in fantil Pequenos, sim; porém, algo que se conquista pelo aprendizado, no relacionamento com os outros e pela oportunidade oferecida para que possa ser exercida e experimentada. O ser humano, nos primeiros meses de vida, tem grande dependência dos pais; portanto, é natural que o bebê seja cercado de cuidados. Porém, à medida que se desenvolve, a criança tem acesso progressivo à autonomia. Sendo estimulada pelas pessoas que estão ao seu redor e, tentando, arriscando-se, errando e acertando, ela vai adquirindo liberdade e confiança para crescer e enfrentar as situações. A escola, primeiro espaço de socialização depois da família, tem como meta estimular a criança a se tornar independente. Para isso, propõe, diariamente, A autonomia é um objetivo im- a realização de pequenas tarefas, tais como guardar os brinquedos, trocar de roupa e de calçado, comer sozinha – as exigências devem “crescer” juntamente com as crianças. Nas séries da Educação Infantil, esse é um dos principais objetivos a ser alcançado no desenvolvimento pessoal e social das crianças. Ao longo do ano, trabalhamos com muitas histórias que abordam o tema autonomia; elas oferecem estímulos positivos e naturais e apresentam personagens com comportamentos e virtudes com as quais as crianças se identificam. Nas rodas de conversa, falamos das conquistas de cada um e incentivamos o grupo a superar desafios. Proporcionamos também muitas vivências que encorajam os pequenos a tirar e colocar o tênis, a meia, a camiseta e o casaco, a cuidar da higiene, retirar, organizar e guardar seus materiais na mochila e na lan- portante a ser alcançado na educação de uma criança. É  caleidoscópio  julho

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, independentes cheira, alimentar-se e escovar os dentes sozinhos. Esse trabalho precisa ser feito em conjunto com as famílias, que devem incentivar essas atividades em casa, para que se tornem hábitos. Árvore do Crescimento Como coroamento do trabalho, todos os anos construímos uma árvore de Natal diferente, a Árvore do Crescimento. Para enfeitá-la, não usamos bolinhas nem presentes, e sim objetos que simbolizam as etapas de desenvolvimento da criança, como chupetas, mamadeiras e paninhos. Também utilizamos fotos, desenhos e relatos que expressem as conquistas em casa e na escola. A criança precisa descobrir que é capaz de realizar pequenas tarefas e que os adultos confiam em suas capacidades. Então, vamos lá! Confira a seguir o que a sua criança já é capaz de fazer em cada faixa etária. Aos 2 e 3 anos • Arrumar os brinquedos e os livros • Colocar sua roupa suja no cesto • Sentar-se à mesa e alimentar-se sozinha, com colher • Deixar de usar fralda De 6 a 8 anos Além das tarefas acima, que vão sendo aprimoradas: • Utilizar garfo e faca • Amarrar o tênis Fernanda Santos Lugatto, professora do Jardim Aos 4 e 5 anos Além das tarefas anteriores: • Ajudar a arrumar a cama, a mesa e as compras do supermercado • Participar do preparo de seus lanches • Carregar a própria mochila e a lancheira e organizá-las • Começar a utilizar o banheiro e tomar banho sozinha, com supervisão de um adulto • Vestir-se • Calçar tênis e meias • Comer com garfo Livros infantis que estimulam a autonomia Bibi Vai Para a Sua Cama, Alejandro Rosas, editora Scipione Bom Dia, Marcos, e Boa Noite, Marcos, Marie-Louise Gay, editora Brinque Book No Coração e na Bolsa, Laurence Bourguignon, editora Brinque Book Um Burrinho Grande, Rindert Kromhoutk, editora Martins Fontes Cocô no Trono, Benoit Charlat, editora Companhia das Letrinhas julho  caleidoscópio 

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e d u c a ç ã o in fantil Uma visita muito especial T odos nós nos preocupamos com o desenvolvimento e o bem-estar de nossos pequenos. Diariamente, pensamos no melhor alimento, nos cuidados com a higiene, no que estão aprendendo na escola e com os amigos, em sua segurança física e material... Enfim, lembramos até do agasalho – claro, para que não fiquem resfriados! Tudo isso demonstra o amor, a dedicação e o esforço em lhes dar uma boa educação. Cuidar do corpo e da mente é muito importante, mas aqui, no Santa Maria, temos a preocupação de cuidar também do coração, da formação espiritual. Assim, trabalhamos desde cedo para que as crianças aprendam a conviver com as diferenças, a partilhar os materiais e brinquedos, a dialogar para resolver os conflitos, a conversar para expor sentimentos e opiniões. O trabalho de inserção social permite que as Caminhada até o bosque “Ensinamos brincadeiras e mostramos o bosque do nosso Colégio” Matheus, Pré E crianças ampliem as possibilidades de relacionamento e pratiquem, de forma concreta, os valores trabalhados em sala de aula. Conhecer outra realidade social, de crianças da mesma idade, é uma das formas de evitar os preconceitos e os pré-julgamentos tão frequentes em nosso meio. Nesse sentido, o Pré faz um trabalho em parceria com o Abrigo Solar da Alegria, instituição que cuida de crianças órfãs, abandonadas ou que sofreram maus-tratos e foram afastadas da família. Para iniciar o trabalho deste ano, programamos uma visita das crianças do Solar da Alegria ao Santa Maria. Nossos alunos e nossas alunas tinham estes desafios: • acolher crianças que não conheciam; • iniciar uma amizade; • partilhar o espaço do Colégio; • dividir o lanche, os brinquedos e os materiais pessoais; Almoço no Santa Que delícia! Na casinha do parque “Foi bacana brincar com eles. Queria levar   todos para morar na minha casa” Pedro, Pré B Partilha de lanche “Conversamos muito na hora do lanche” Helena, Pré A  caleidoscópio  julho

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Recepcionando os novos amigos “Foi muito bom conhecer novos amigos” Bruna, Pré E Delícia de piquenique “Dividir o lanche foi muito gostoso. Minha mãe preparou comidas deliciosas” Pedro, Pré E Brincando no parque “Foi uma delícia brincar com as crianças do Abrigo” Edoardo, Pré A • dedicar-se, durante todo o período, a ensinar brincadeiras, mostrar a escola e cuidar dos visitantes. Vamos ao ABRIGO Trabalhar com crianças é mesmo maravilhoso. Nossos alunos foram gentis, educados e amorosos. Esperaram pela visita com ansiedade, curiosidade e boa vontade preparando-se para o que iriam ensinar e aprender. Ver a alegria das crianças do Abrigo diante do afeto que receberam nos fez concluir que uma primeira semente foi plantada. Queremos que nossos alunos façam a diferença nessa sociedade tão injusta e preconceituo­ sa, na continuidade do projeto de inserção social, que envolve muitas outras atividades, entre as quais nossa visita ao Solar da Alegria. Queremos que conheçam essa realidade “de perto”: como essas crianças vivem, brincam e aprendem. Nossos alunos e alunas já participaram ativamente de uma primeira campanha, em que doaram material de higiene pessoal para a instituição. Chegaram sorridentes e entusiasmados com as sacolas para partilha, pois sabiam das necessidades que estavam atendendo. As famílias são nossas maiores parceiras nesse trabalho e, juntos, conseguiremos multiplicar as boas ações, que fazem tão bem ao coração e ao espírito. Experimente você também! Pratique o sorriso diário. Participe da terapia do abraço. Deseje o bem. Faça uma boa ação diariamente. Rita Lázaro e Mônica Farinelli, professoras do Pré Cuidando dos novos amigos “Eu cuidei das crianças do Abrigo e mostrei o parque” Carolina, Pré A Quanto mais amigos, melhor “Foi legal esse dia. Brincamos de   castelo na casinha” Leo, Pré B julho  caleidoscópio 

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1 o a n o EF D ominar idiomas, resolver problemas, analisar e interpretar fatos, localizar e selecionar informações são algumas das competências básicas desenvolvidas pela escola. Mas, além de estimular o campo cognitivo, a escola é um universo social diferente da família e favorece novas interações, de modo a ampliar o conhecimento a respeito de si próprio e dos outros. Ao reunir pessoas de diversas etnias, religiões, habilidades, posições sociais, costumes e ideologias, a escola se torna Aprendizagens de grande valor um laboratório perfeito para criar e alimentar as noções de convívio com a diferença. Os momentos de roda de conversa, as histórias e os depoimentos das crianças são algumas das estratégias utilizadas por nós, professoras do 1o ano, para socializar as divergências e trabalhar o valor da diferença, que se manifesta na tendência de admitir, nos outros, maneiras de pensar, de agir e de sentir diversas ou mesmo opostas às nossas. O cuidado com o outro é concretizado em atitudes para promover o conforto e o bem-estar coletivo. Aprender a cuidar do outro implica um intenso processo de interação e de formação de vínculos. Ao cuidar de alguém, a criança exercita a ideia de se “colocar no lugar do outro”, o que é, inicialmente, bastante difícil nessa idade. Cuidar é ajudar, é suprir necessidades, ajudar a superar dificuldades. Cuidar é também ajudar o outro a se cuidar, orientar, educar, incentivar, estar junto. Aí entra o papel dos pais e professores. Nesse sentido, o cuidado efetivo é sentido como uma expressão de interesse e carinho. Nessa interação com o outro, surgem as regras, tão necessárias para o convívio harmonioso. Tantas e distin caleidoscópio JULHO tas identidades terão de dividir o mesmo espaço, o que pode gerar conflitos. As regras, quando colocadas como necessidade de mútuo respeito e de cooperação, são incorporadas pelas crianças, que as entendem como uma forma de compartilhar relações. Um exemplo claro do trabalho com as regras no 1o ano se revela nos jogos, que fazem parte do universo infantil. Como seria jogar futebol sem as expulsões, o pênalti, a falta, o gol? O mesmo ocorre no dominó, no xadrez ou no jogo de damas. Mostramos às crianças, que cada regra é importante para viver em sociedade, dando exemplos reais que fazem toda a diferença na vida de cada um. Desenvolver valores como capacidade de convivência, diálogo, igualdade, justiça, respeito mútuo, solidariedade e consideração é uma aprendizagem fundamental para a participação social e o desenvolvimento da autonomia. Ser autônomo é ter o direito de tomar decisões livremente, segundo seus próprios valores morais, e é na infância que se constroem esses valores. Cristiane Paulon, professora do 1o ano C do Ensino Fundamental 

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2º ano ef Regras para uma convivência harmoniosa “Envolver as crianças na tomada de decisões e no estabelecimento de regras em sala de aula é contribuir para uma atmosfera de respeito mútuo, em que professores e alunos praticam a autorregulagem e a cooperação” regra nasce de uma necessidade objetiva e deve se basear em ideias de justiça, solidariedade, segurança e coletividade. Dessa forma, essas situações foram problematizadas e discutidas em grupo e, a partir das conclusões, criaram-se regras que tinham significado para todos. Durante a discussão, foi analisada uma sugestão que dizia respeito à autorização para correr em espaços de circulação de alunos. Esse é um exemplo de regra inegociável. Antes do veto à ideia, foram explicados os motivos para a rejeição. Assim, os alunos compreenderam a impossibilidade da proposta e aceitaram a negativa. As regras foram escritas em frases afirmativas, e alunos e professores assinaram o compromisso, legitimando o acordo e a aceitação das regras por todo o grupo. Lara Pecora Polazzo, professora do 2o ano do Ensino Fundamental julho  Rheta DeVries S eguir regras criadas por outras pessoas faz com que os alunos entendam que são impostas. Essa prática não traz reflexão nem compreensão de sua ne- cessidade, por isso não estimula uma mudança efetiva de atitude. Com a intenção de tornar o ambiente escolar um espaço de convivência saudável e harmoniosa, os alunos e alunas do 2o ano E do Ensino Fundamental do Santa Maria participaram de uma assembleia para decidir quais deveriam ser as regras para a classe. Esse exercício de democracia e reflexão ofereceu ao grupo a autonomia de decidir de que forma se deve agir em algumas situações cotidianas. Por meio de exemplos práticos, perceberam que toda caleidoscópio 

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3 o a n o ef Violência e exclusão social: a questão do idoso O senhor Geraldo faz artesanato é aplicado e respeitado, o fato de existir demonstra a percepção de que é imprescindível ter um olhar específico para essa parcela da população. A partir dessas preocupações, a equipe do 3o ano do Ensino Fundamental do Santa Maria desenvolve o trabalho de inserção social Aprendendo com a Melhor Idade. O objetivo é trazer para a sala de aula as diversas questões implicadas na representação do idoso na sociedade, analisar a multiplicidade de situações e avaliar se suas necessidades específicas são atendidas. M aturidade é a fase da vida que hoje chamam de “a melhor idade”. Deveria ser, realmente, a Paralelamente, as crianças desenvolvem atividades como jogos e leitura com os idosos do Lar de Velhinhos de Ondina Lobo e percebem como podem, por meio de seus gestos, contribuir para que os direitos dos idosos sejam assegurados, bem como construir outra imagem dessa etapa da vida. “Depois da visita ao Ondina Lobo, eu aprendi que, não importando a idade ou se a pessoa tem alguma deficiência, sempre existe alguma atividade que a faz feliz”, resume Juliana Silva, aluna do 3o A. Maria Elizabeth da Costa, professora do 3o ano EF melhor e mais bonita de todas as épocas. Deveria ser o tempo de ter tempo, de curtir os netos e lhes mostrar os detalhes e as coisas simples da vida, de falar sobre como tudo era diferente, olhar para os filhos já crescidos e poder continuar lhes ensinando coisas. Tornar-se idoso deveria ser sinônimo de descobrir novas formas de aproveitar a vida, fazer coisas que foram postergadas, com mais tranquilidade e liberdade. No entanto, o respeito pela experiência e pela sabedoria dos mais velhos não faz parte dos valores produzidos por uma sociedade que destaca a novidade e persegue o ideal da eterna juventude. Para muitos jovens e adultos, a contribuição dos mais velhos parece absolutamente dispensável e, infelizmente, é comum termos notícias de idosos que passam por privações de toda sorte e acabam por viver da caridade alheia. Houve, sem dúvida, muitas conquistas na luta pela garantia de seus direitos, como o Estatuto do Idoso, de 2003. Apesar de não sabermos até que ponto o estatuto 10 caleidoscópio  julho Dona Madalena, que gosta de recitar poesias

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4 o ano ef Os construtores da paz vontades e desejos que ajudam a formar cidadãos aptos a agir no meio em que vivem. Os alunos do 4o ano do Ensino Fundamental do Santa Maria se empenham na construção da justiça social. Em sala de aula, são trabalhados os princípios que permitem transformá-los em construtores e agentes da paz: • respeitar a vida; • rejeitar a violência; • ser generosos; • respeitar o planeta Terra; • redescobrir a solidariedade. Cada princípio é analisado em sala, e o grupo-classe discute ações possíveis para a operacionalização de cada um deles. As parábolas de Jesus são lidas, dramatizadas e discutidas, para despertar o modo de agir solidário de cada um. As parábolas É na escola que os alunos desenvolvem habilidades, ampliam as relações sociais, elaboram e realizam responsabilidade no que diz respeito ao problema da violência e à promoção da cultura da paz. Questões do dia-a-dia fazem parte da dinâmica das aulas: a sensação de pertencer ao grupo-classe; a percepção dos limites na sala de aula e nos ambientes do Colégio; a capacidade de diferenciar um local privado de um local público; o respeito ao outro. Os jogos pedagógico-sociais, a discussão de leituras por meio de debates e as Olimpíadas de Matemática possuem regras precisas que todos os jogadores devem conhecer e aceitar. A lei do mais forte ou do mais esperto é substituída pelo espírito de equipe e pelo conhecimento e o cumprimento das regras. Os grupos aprendem que cada um cede um pouco, mas também ganha um pouco. A paz se constrói no dia-a-dia. Atitudes como um “bom dia” para o segurança ao entrar no Colégio e um agradecimento às auxiliares fazem com que cada um aprenda a respeitar as pessoas, para que se desenvolva um clima saudável e respeitoso na escola. Rita Rinaldi Riquelme e Maristela Della B. Lopes da Silva, professoras do 4o ano do Ensino Fundamental julho  A Casa Sobre a Rocha e A Sementinha de Mostarda fortalecem a ação educativa e evangelizadora. Dá-se oportunidade ao grupo-classe para que todos possam resolver conflitos internos e sejam capazes de reconhecer a violência na sua realidade pessoal e social, a fim de que se sensibilizem e se mobilizem para assumir sua caleidoscópio 11

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f e s ta j u n ina Um tributo à alegria e à diversidade Do encanto das crianças da Educação Infantil à irreverência do Ensino Médio, toda a comunidade do Santa Maria ganhou espaço na Festa Junina. Alunos, ex-alunos e pais proporcionaram um belo espetáculo de união e sensibilidade nas danças, na decoração, nas barracas e nas apresentações, com ênfase na riqueza e na diversidade da cultura brasileira. Mais de 9 mil pessoas participaram do evento, em mais um passo significativo para a consolidação da cultura da paz. 8o ano 4o ano 6o ano 12 caleidoscópio  julho

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1o ano Ex-alunos Educação Infantil Ensino Médio 2o ano Natália Spadini julho  caleidoscópio 13 Fotos: Éric B. e www.fotojump.com.br

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fe s ta j u n ina O olhar dos pais, dos ex-alunos e dos funcionários “É a primeira vez que participo como voluntário, e estou muito feliz. Perdi tempo, porque deveria ter trabalhado também nos outros anos. Já frequento essa festa há sete anos e, a cada ano que passa, ela está mais organizada, com um número maior de pessoas. É muito importante que os pais acompanhem de perto o crescimento dos filhos, principalmente na parte social.” Rubens Dias, pai de Gustavo Teixeira Dias, do 8o ano; trabalhou como voluntário na barraca de churrasco do Ensino Médio “Acho muito importante este evento, porque congrega as pessoas Eu participo com muito prazer e gosto de contribuir. Sobre a festa em si, nem dá nem para falar, porque é muito boa, muito participativa e organizada.” Wilson Roberto Teixeira, pai de Luiz Felipe, do 1o ano do Ensino Médio, e Tiago, do 7o ano EF “A união de todos é que permite a realização de uma festa tão bonita como esta.” Elaine Cristina Daroque, mãe de Lara, do 3o ano EF (na foto, com os gêmeos Sofia e Luigi) “Sou cria do Colégio, que faz parte da minha vida há 21 anos, desde que nasci. Minha mãe começou a trabalhar aqui quando eu tinha dois meses, e conheço todo mundo. Adoro essa festa e todo ano estou aqui. Sempre encontro muita gente conhecida, muitos amigos que hoje estão formados e trabalhando.” Izabella Tiziani, ex-aluna, trabalhou como voluntária na barraca de cachorro-quente e no caixa do Ensino Médio “Estou aqui porque precisei voltar para rever todo mundo. A festa é muito legal. É um momento em que os ex-alunos podem reviver as experiências que tiveram nos anos anteriores, um momento de reencontro com os amigos e, “A festa é uma oportunidade para que as famílias conheçam melhor a escola e o trabalho que é feito com as crianças. Eu me divirto muito, procuro entrar no mesmo universo das crianças e aproveito tanto quanto elas, depois de muito ensaio, de muito trabalho. É uma festa grandiosa, com um importante sentido cultural e que impacta pela beleza.” Wallace Oliveira Marante, 32 anos, professor de Educação Física do Pré, do 1o e do 6o ano e animador oficial da festa Na festa, estou orientando a equipe de Manutenção, formada por 23 pessoas, no apoio ao pessoal da APM. O que mais nos gratifica é o resultado positivo. Depois da festa, a gente se reúne para um balanço, e é importante ver que tudo deu certo e receber o elogio dos pais. A cada ano recebemos um número maior de visitantes, o que aumenta a nossa responsabilidade.” Everaldo Lopes da Silva, encarregado da Manutenção, funcionário do Colégio há 14 anos “Deu saudade. Foi aqui que a gente cresceu e se tornou o que realmente é agora. Vim reencontrar os amigos e os professores, que foram os nossos mestres.” Paula Lázaro, ex-aluna, turma de 2008, cursando Administração na PUC e preparando-se para prestar Engenharia Ambiental principalmente com os professores, que foram pessoas muito importantes para nós.” Rodrigo Anderman Ribeiro, ex-aluno, turma de 2008, cursando Relações Públicas na Cásper Líbero e Aviação Civil na Anhembi-Morumbi, para se tornar piloto comercial; namora Paula Lázaro (o namoro começou no Colégio) 14 caleidoscópio  julho

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o olhar do aluno Uma bomba a explodir dentro de nós Nosso direito acaba com o início do direito do outro. Talvez seja por isso que expressões naturais como a alegria e a plenitude sejam tão louvadas e respeitadas pela sociedade. Mas expressões como a raiva e o ódio são desencorajadas e contidas. A questão é: será que uma risadinha e uma careta irônica não são tão fortes como um soco, um chute ou um xingamento explícito? Claro que sim (na minha opinião), e o grande problema é: como será a reação das pessoas que sofrem com o bullying, por exemplo? É aí que a discussão se acende. Um ato de “violência sutil” pode acarretar atos de violência corporal. Os exemplos nós já cansamos de ouvir, mas o que será que passa pela cabeça de uma pessoa violenta? Rancor, impotência, ódio, vontade de se vingar? Esses são os frutos de certo descaso com o indivíduo e da blindagem do provocador. A violência é dolorosa tanto para quem a recebe quanto para quem a comete. Talvez, conter não seja o melhor método para aplacá-la, e sim tentar ajudar a pessoa que está prestes a soltá-la, tentar entendê-la. E, assim, ajudar o grupo e cada indivíduo. Pois cada um tem uma pequena bomba, que pode explodir se não houver uma mudança para melhor. João Pedro Borges Santos, aluno do 7o ano B o olhar da instituição Uma parceria que deu certo Em 2005, a Coopercaps e o Colégio Santa Maria firmaram uma parceria para que as crianças do Ensino Fundamental interagissem com os cooperados, com o objetivo de desenvolver um trabalho de pesquisa dos alunos do 4 o talecimento do relacionamento de nossos cooperados com os alunos, tanto no que diz respeito às entrevistas realizadas como na hora do lanche comunitário, que se tornou um momento muito prazeroso para todos. A Coopercaps tem procurado sempre melhorar sua organização, para proporcionar momentos agradáveis para as crianças, como ocorreu nas oficinas desenvolvidas a partir de 2007. As doações dos pais têm ajudado a diminuir nossas despesas. O material coletado no Santa Maria é bem satisfatório. Portanto, agradecemos o carinho e o respeito com que sempre fomos tratados pelos dirigentes, professores, funcionários, alunos e pais do Santa Maria. Joaquim Urias Sobrinho, assessor técnico da Cooperativa de Coleta Seletiva da Capela do Socorro (Coopercaps) julho  ano, referente à migração dos brasileiros para São Paulo, e para que participassem do programa de coleta seletiva desenvolvido pela Coopercaps. Desde então, tenho visitado os alunos para explicar como funciona o trabalho da Central de Triagem e a importância do trabalho dos coope­ rados para a defesa do meio ambiente. Nesses cinco anos de parceria, per­cebemos o for- caleidoscópio 15

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