Caleidoscópio nº 47

 

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Caleidoscópio nº 47

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revista dO cOlégiO saNta maria – N0 47 circulaçãO de saberes dO milharal À aveNida paulista, aluNOs dO saNta maria descObrem um NOvO Olhar e NOvas maNeiras de adQuirir cONhecimeNtO maio caleidoscópio 1

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m e N s a gem Olhares, saberes, peregrinação Nossos leitores vão logo notar a cara diferente desta caleidoscópio, que ganha novo projeto gráfico no momento em que se aproxima do décimo segundo ano de circulação ininterrupta. estava na hora de mudar a aparência e atrair novos olhares. Neste ano, pretendemos justamente privilegiar a questão dos novos olhares, a possibilidade de ver de maneira diferente e crítica o que está sempre diante de nós – ou seja, afastar o familar e o senso comum, com originalidade. Num caleidoscópio de verdade, a forma, as cores e o modo de ver de cada um de nós são tão importantes quanto a luz do sol que perpassa o cilindro e cria efeitos particulares, únicos, surpreendentes. assim, é possível olhar de uma maneira original o período da páscoa, que acabamos de comemorar. Quando meditei a respeito dessa época tão significativa, me veio a imagem da peregrinação, tão ligada à história dos povos. de um modo ou de outro, sempre estamos voltando – ou tentando voltar – às nossas raízes, às tradições que marcam nossa vida. No islã, os fiéis fazem a peregrinação a meca. para os judeus, a páscoa é o pessach, a passagem, que irmã diane clay cundiff diretora-geral do colégio santa maria remete ao êxodo, também uma peregrinação para fugir, simbolicamente, do que nos escraviza. para os cristãos, a páscoa simboliza o compromisso com a vida plena, que ao longo da peregrinação de nossas vidas nos conecta com tantos outros peregrinos. o tema recorrente desta edição é a circulação de saberes – um movimento, uma peregrinação em busca do conhecimento. em todos esses anos, esta revista também vem representando uma peregrinação que, por meio do registro das atividades dos alunos e da comunidade do santa maria, nos permite enxergar o dia a dia com um novo olhar. Revela nesta edição, por exemplo, o olhar dos pais dos alunos novos que veem os filhos iniciando uma nova etapa, tão importante para o futuro deles. Também revela a surpresa das crianças da educação infantil ao descobrir que as frutas não nascem no supermercado – e a partir daí, com certeza, terão muitas novas perguntas a fazer sobre os alimentos e um novo olhar para o mundo. Nós, como as crianças e os peregrinos, não nos cansamos de ver de novo. revista bimestral do colégio santa maria – Nº 47 – maio de 2009 cOlégiO saNta maria Av. Sargento Geraldo Santana, 890/901 Jardim Marajoara, São Paulo, SP Telefone (11) 2198-0600 www.colsantamaria.com.br santamaria@colsantamaria.com.br eQuipe de redaçãO Irmã Diane Clay Cundiff Irmã Anne V. Horner Hoe Ana Cristina Proietti Imura Paula Bacchi Roberta Edo Sonia Regina Yamadera Tiyomi Misawa prOduçãO editOrial Editor: Ricardo Marques da Silva MTb 10.937 Editora de arte: Maila Blöss Fotos: Éric B., Sister Diane e acervo do Santa Maria Impressão: CompanyGraf Capa: arte de Priscila Maciel Selmo, ex-aluna do Colégio, hoje no 1o ano de Design – Comunicação Visual no Senac 2 caleidoscópio maio

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caRTas pais orgulhosos “Nossa família e o santa maria: uma parceria de sucesso! gostaríamos de dividir com vocês a alegria pelo ingresso de nosso filho guilherme no ensino superior. os mesmos olhos curiosos que, aos 4 anos de idade exploravam os bem-cuidados espaços do colégio, hoje, 14 anos depois, percorrem o campus da unesp, mais precisamente na cidade de Rio claro, onde funciona a faculdade de ciência da computação (demac). desejamos agradecer a todos – funcionários, professores e à equipe do cursinho – pois sabemos que vocês desempenharam importante papel nessa conquista. garantiram que ele vivesse neste espaço escolar as mais belas experiências e moldaram o estudante que ele é hoje, participativo, questionador, solidário e disposto a fazer a diferença em nossa sociedade. esperamos que nossos outros filhos, lucas, do 9o e, e marcelo, do 5o a, tenham uma trajetória acadêmica tão bonita como tem sido a do irmão mais velho. atenciosamente, dois pais muito orgulhosos.” marinez e ricardo livramento sentação é permeada de surpresas e emoção para nós, principalmente esta, que marca a transição do nosso filho do prédio menino Jesus para o são José. e neste sábado não foi diferente, e foi muito muito além. ao entrarem no teatro pontualmente, com figurino simples e de grande efeito, deslocando-se no palco com total organização, logo sentimos que havia ali algo diferente, uma magia no ar, talvez com ares de Natal. mas, com o decorrer do evento, vimos que a magia foi a de transformar crianças em protagonistas de uma singela e linda apresentação de música. Tudo perfeito: a escolha do local (pois o teatro é um espaço primoroso), a escolha do repertório, as interpretações, as professoras em suas atuações, o roteiro, a banda, o cenário, o efeito de luz, o som – tudo, tudo realmente muito lindo de ver, ouvir e, claro, de se emocionar. como pais e incentivadores, desejamos que a escola nos permita usufruir mais eventos como esse, com total primor e de valor tão especial para nós quanto são gratificantes para as crianças. por meio dos incansáveis aplausos de pais, irmãos, tios e avôs presentes, elas sabem que fizeram tudo diretinho e que valeu o esforço. e não podemos esquecer de dar os nossos sinceros parabéns a todos os patrocinadores desse evento, que direta ou indiretamente promoveram esse lindo espetáculo. sim, espetáculo, pois agora não podemos mais falar em simples apresentação.” viviane e edison moreno, pais de felipe, do 3o ano a ef ex-aluno expõe no carrousel du louvre arthur de medeiros sakemi, 18 anos, ex-aluno do santa maria, turma de 2007, coneguiu uma proeza: expôs uma de sua obras, o dragão da Terra, no carrousel du louvre, em paris, em dezembro de 2008. atualmente no 2o ano de design de produto na Faap, arthur iniciou sua produção artística aos 12 anos, com aulas de pintura. em 2008, a convite de sua professora, participou do 21o salão de arte da associação comercial de são paulo, no clube paineiras do morumbi. seu trabalho se destacou na exposição, e arthur foi convidado pela produtora cultural carmem pousada a participar da seleção do salão da sociedade Nacional de Belas artes de paris. em 2009, expôs uma pintura a óleo e uma escultura na terceira edição do salão de paris, em são paulo. maio perfeito em todos os detalhes “sábado pela manhã saímos de casa para mais uma apresentação de final de ano de um de nossos filhos. seguimos como sempre em toda apresentação: preparamos a fantasia, saímos cedo (para um fim de semana), o deixamos com a professora e nos dirigimos para o local do evento. como pais, sempre participamos das atividades, com o intuito de prestigiar nosso filho, ver o que aprendeu e incentivá-lo a se integrar às atividades coletivas. sabemos que toda apre- caleidoscópio 3

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o o l Ha R dos pa is bem-viNdOs aO saNta apm receberam, com as honras devidas, um grupo numeroso de “pais novos”, para mostrar o que os filhos encontrarão no colégio nos próximos anos, além do que já havia sido visto nos primeiros dias de aula. Trata-se de um evento com um sentido muito mais amplo do que apenas protocolar. Ficaram claros, de um lado, o relevante trabalho desenvolvido pela apm no acompanhamento das atividades cotidianas dos filhos e no estímulo à participação dos pais e, de outro, a força de mobilização desses encontros para o futuro das relações entre a escola e as famílias. 4 caleidoscópio maio N a manhã de 21 de março, renovou-se uma tradição de profundo significado no santa maria: pais de alunos vinculados à “depois do que vimos aqui, dá vontade de participar de tudo”, disse vivian lebrão, mãe de Thiago, de 4 anos, da educação infantil, que compareceu ao lado do marido, paulo. “percebemos que os pais estão bem próximos e são muito ativos. Nunca tinha visto uma escola assim”, acrescentou. paulo lebrão disse que a escolha do santa maria decorreu da vontade de encontrar para Thiago uma escola que, acima de tudo, se preocupasse em formar o caráter do aluno: “Temos sobrinhos que estudam aqui e, inicialmente, fiquei impressionado com a estrutura do colégio. Hoje, o que vimos complementou nossa certeza de que fizemos a escolha correta”. a recepção aos pais novos se iniciou às 8h30, com um café comunitário na varanda da capela, em que compar-

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a visita foi conduzida por Jorge Toledo, diretor da apm, e por Kelly cristina soares, secretária da apm. No auditório sister charlita, Jorge lembrou que a apm foi criada em 1965, tendo como primeiro presidente o jurista Hélio Bicudo, e desde então desempenha papel relevante na integração entre os pais e a escola, em debates, palestras, atividades culturais e esportivas, encontros sociais, cursos e viagens. a surpresa ficou por conta da apresentação dos grupos de coral e de dança da apm, este último “com fila de espera de candidatos” e exemplo da versatilidade e do envolvimento dos pais. Fernando Febeliano da costa, pai de cristina, do 5 ano, e então presidente da apm – foi substituído o em 24 de março por sérgio luiz Berti, depois de dois anos consecutivos no cargo –, disse que dá muita importância ao encontro com os pais novos: “Fui muito bem-recebido quando cheguei ao colégio. Queremos mostrar que, acima de tudo, a escola é formadora de pessoas. e sabemos que, dos pais que comparecem à recepção, quase todos se integrarão às atividades da apm, porque são mais interessados”, afirmou. tilharam os petiscos que as famílias trouxeram. depois que todos se conheceram, os alunos se envolveram em atividades recreativas com monitores especializados, enquanto os pais percorreram parte das dependências do santa maria: os prédios, o prisma, as quadras, as hortas, os espaços de estudo e lazer. Também foram informados de detalhes como o sistema de filtragem de toda a água utilizada no colégio e as regras que orientam o trânsito de veículos na área interna. visitaram, em seguida, o prédio são José e o prédio santa Teresinha, tomaram conhecimento dos projetos ambientais desenvolvidos pelos alunos e se informaram a respeito de projetos comunitários, como o aquecedor solar de baixo custo. “Já somos pais ‘veteranos’, mas viemos hoje para que a priscila sinta que estamos participando ativamente da vida escolar dela”, disseram adélia e inácio amarilho, pais de priscila, do 1o ano d eF, e de Thiago, do 8o ano a, aluno do colégio há sete anos. ana claudia e amauri altieri, pais de victor, 4 anos, do Jardim, acrescentaram: “Nosso filho já estudou em duas escolas e estávamos planejando mudar para uma em que ele ficasse até o fim do ensino médio. e o santa maria é o lugar certo, pelo espaço físico e a proposta pedagógica. a recepção de hoje foi sensacional, muito bem organizada. Não pensávamos que os pais fossem tão engajados. É um estímulo à participação, e já nos oferecemos como voluntários para a Festa Junina”. maio caleidoscópio 5

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o o l Ha R da s iN sT iT u iç Ões 9o ano: parceria com bons frutos ao longo dos anos, o santa maria tem sempre apoiado nosso trabalho por meio de diferentes ações. Trata-se de uma parceria que nos fortalece. por essa razão, nunca é demais agradecer a vocês. a compra de cadernos Tilibra com estampas Rodrigo mendes-adere foi bastante proveitosa. Ter nossos cadernos à venda na papelaria do colégio é uma forma de divulgação do trabalho dos aprendizes e da própria entidade. além disso, graças às vendas efetuadas no santa maria, nossa artista antonia girlane Bernardino vieira (obra à esquerda) já começou a receber retorno financeiro por seu talento – um retorno que significa, literalmente, o sustento de sua casa. mais uma vez, nosso muito obrigado. soeni domingos sandreschi, coordenadora institucional da adere – associação para desenvolvimento, educação e Recuperação do excepcional o o l Ha R do a lu N o escola de cidadãos o jovem precisa aprender a atuar na sociedade. muitas pessoas falam que o futuro da sociedade está nas mãos dos jovens, porém elas não lhes ensinam a atuar como cidadãos. É fácil exigir, mas é difícil ensinar o que é exigido. possuir essa ação de ensinar é o que diferencia o santa maria, que sempre teve como princípio a formação de cidadãos que saem da mesmice e do óbvio e agem não pensando só em si mesmos, mas também no bem-estar de todos. o santa maria ensina que devemos pensar e agir em beneficio do bem geral e que questionar, ter opinião e lutar por algo é fundamental para que haja uma mudança na sociedade. Ter participado de tantas ações me fez uma cidadã que vai lutar pelos princípios que julgo serem o certo e podem gerar mudanças significativas. Raquel caetano, aluna da 3 série c do ensino médio a prontos para os desafios da vida se eu tivesse que enumerar as coisas que aprendi no santa maria, e que definitivamente vou levar comigo para o resto da vida, começaria a partir do momento que entrei no colégio, na 5a série. entre outras coisas, foi-me apresentado o eco-estudantil, uma atividade extraclasse em que aprendi a importância de levar uma vida sustentável, em equilíbrio como planeta, reciclando. agora o vestibular bate à porta, e o santa me surpreendeu de novo: o currículo diversificado abre novas perspectivas para os alunos. os projetos de série também tomaram proporções inimagináveis. o santa me ensinou diversas coisas que vou levar para o resto da vida como lições de caráter, de respeito, de convivência e coexistência, além de me preparar para os futuros desafios que a vida nos reserva. eduardo cotta, aluno da 3a série a do ensino médio 6 caleidoscópio maio

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e XTRacuRRi culaR Nasce a OrQuestra saNta maria p aíses como estados unidos e alemanha têm forte tradição no aprendizado de instrumentos de quando o avô soube que haveria esse curso na escola, perguntou se ele queria entrar. agora, leonardo está gostando muito de aprender a tocar flauta transversal. caio Klinger, do 4o g, é flautista e conta que “desde pequeno” queria tocar clarinete – e conseguiu isso no curso de orquestra. No primeiro mês de trabalho, já colhemos bons resultados. Temos a certeza de que no segundo semestre já teremos nossa primeira apresentação musical. a aproximação com a música agrega valores importantes na formação das crianças, que se tornam indivíduos diferenciados. estamos convidando os alunos do 3o ano do ensino Fundamental ao ensino médio para que participem de uma aula experimental e conheçam melhor a proposta do curso. Basta marcar no departamento extracurricular. venha fazer parte da futura orquestra santa maria! domingos elias iunes, professor de música do extracurricular orquestra, desde o ensino Fundamental. esse contato ocorre com tal naturalidade que é como se fizesse parte da grade curricular. em consequência, é comum encontrar grande número de orquestras e bandas sinfônicas que representam as escolas desses países. No Brasil ainda não temos esse costume. muitas vezes os pais esperam que a criança manifeste um “dom” ou que se interesse por si própria, enquanto o caminho é exatamente o contrário: os pais é que devem oferecer estímulo e oportunidade aos filhos, como acontece nas demais atividades. Ninguém pergunta se o filho tem dom para natação ou para falar inglês, e sabemos o quanto as atividades esportivas ou o aprendizado de outra língua são importantes na formação dos filhos. porém, ainda não colocamos a cultura musical em pé de igualdade. Foi pensando nisso que trouxemos ao santa maria o projeto orquestra na escola. para facilitar esse contato, oferecemos todos os instrumentos de orquestra (cordas, sopros e percussão) para que os alunos possam, inicialmente, conhecê-los melhor sem que precisem de imediato adquirir um instrumento próprio. lucas surian, do 5o a, que já tocava violão, disse que queria se aprofundar e está gostando de aprender a tocar saxofone. Nicolas Wein, do 4o e, que também já toca violão, encantou-se com o trombone. leonardo godoy, do 5o g, tem uma história diferente. influenciado pelo pai e pelo avô, que são músicos da orquestra sinfônica arte viva, começou aprendendo piano e, maio caleidoscópio 7

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e d uc a ç ão IN FAN T IL O trabalho com projetos na educação infantil N este ano, no Jardim, meus alunos se engajaram num projeto a respeito das frutas. O tema surgiu numa conversa sobre a origem das frutas; vou continuar com o meu olhar atento para as questões das crianças, já que possuem sede de conhecimento e fazem muitas perguntas que não podemos ignorar. As crianças devem aprender e avançar no âmbito de um currículo integrado, e o trabalho com projetos é um facilitador dessa aprendizagem. No projeto “De Onde Nascem as Frutas?”, encontramos conteúdos das áreas de Ciências Naturais, Linguagem Oral e Escrita e Matemática, esta na elaboração das receitas. O professor deve ter claras as expectativas de aprendizagem da faixa etária em que atua e, no trabalho com projetos, querer atingi-las, não se esquecendo, evidentemente, das outras áreas que o projeto não contempla. importância de uma alimentação saudável, quando alguns disseram que as frutas “nasciam no supermercado”. Eu não poderia ignorar essa informação, e propus uma pesquisa, já que duas crianças discordavam. A partir daí, e com o objetivo de não dar uma resposta imediata e, sim, de incentivar a pesquisa e a busca pela informação, olhamos muitas imagens, fomos ao bosque do Colégio observar as árvores e conversamos com Jurandir, o jardineiro da escola. Ainda estamos envolvidos nesse tema e, no momento, realizando algumas experiências culinárias com as frutas preferidas de cada criança. Já descobrimos a 8 caleidoscópio  maio

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e d u c a ç ão iN Fa N T il como diz loris malaguzzi, fundador das escolas de Reggio emília, na itália, “quanto mais ampla for a gama de possibilidades que oferecemos às crianças, mais intensas serão suas motivações e mais ricas suas experiências”. portanto, vamos nos aventurar no trabalho com projetos e, com certeza, o final dessa aventura terá alunos mais curiosos e motivados a aprender. e essa tarefa não é pequena! Karina Rodrigues, professora da educação infantil para saber mais . . Carolyn Edwards, Lella Gandini e George Forman Fernando Hernandez – Transgressão e Mudança – As Cem Linguagens da Criança. Editora Artmed. na Educação. Editora Artmed. 10 caleidoscópio maio

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Outros projetos desenvolvidos no bimestre cadÊ a miNha sOmbra? o Jardim c está investigando por que as pessoas têm sombra e por que ela muda de tamanho e lugar ao longo do dia. Quais sãO Os aNimais Que vivem NO NOssO bOsQue? o grupo do Jardim a vem pesquisando os minimoradores do bosque. como cientistas-investigadores, munidos de lupas, caminham pelas trilhas em busca desses pequenos seres. O Que é um arcO-íris? a turma do Jardim B tem feito experiências para entender por que e quando aparecem os arcoíris e quais são suas cores. cOlheita dO milhO os alunos de todas as salas do Jardim trabalharam na plantação e na colheita do milho, projeto que nos ajudou a compreender o significado da páscoa, no sentido de renovação, partilha e “vida nova”. O corpo pede movimento Em seu processo de desenvolvimento, a criança utiliza diversos canais de conhecimento do mundo e da realidade. Encanta-se com as cores, é sensível aos sons, cautelosa com sabores e odores e curiosa por experiências táteis. Nesse vasto universo de aprendizado e novas descobertas, destaca-se um elemento essencial da infância: o movimento. Em forma de brincadeira, espontâneo ou como exercício, o movimento está presente em praticamente toda atividade infantil. Com as crianças do Pré, essa questão é levada a sério, pois, vivenciando corporalmente determinadas aprendizagens, há maior tendência de efetivar e prolongar conceitos apreendidos por outras vias sensoriais. Assim, conhecer e controlar o próprio corpo e comprometer-se com o entendimento e a execução das diferentes propostas de aula têm sido uma rotina nas aulas do Pré, que não somente buscam o benefício corporal do aluno como também possibilitam o contato com atividades físicas e práticas corporais. Nessa fase do desenvolvimento infantil, movimentarse é uma exigência do próprio corpo, que necessita de experiências ricas, diversificadas e bem distribuídas ao longo da rotina diária, para que os benefícios sejam consolidados. Nos Jogos de Integração, os alunos puderam demonstrar um pouco do entusiasmo que cerca o clima da prática esportiva no Colégio Santa Maria: muito empenho, dedicação, esforço e diversão – outro ingrediente fundamental para conquistar nossos pequenos e incrementar as experiências na sala de aula. Wallace Marante, professor de Educação Física maio caleidoscópio 11

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1 o a No e F um seNtidO para a escrita e a leitura jOrNal mural expectativas dos alunos e alunas e das famílias nessa fase de aquisição da leitura e da escrita. com 5, 6 anos, anseiam aprender a escrever para que todos possam ler, e querem ler tudo o que os outros escrevem. mas, na escola, escrever o quê? e para quem? apenas as lições para exercitar a escrita correta? para a professora ler e corrigir? como mobilizar a aprendizagem de escrita e leitura em sua função social nessa faixa etária? os alunos e alunas gostam de contar o que aprenderam, os conhecimentos que dominam e o que fizeram. Todos os dias há novidades: fazem descobertas, discutem, constroem ideias a partir de vivências dentro e fora da escola. montar um jornal mural no prédio menino Jesus para expor toda essa riqueza foi uma proposta das professoras, muito bem acolhida pelas crianças. o jornal terá seções. Quais vamos escolher? sobre o que vamos escrever para despertar interesse? e o visual? como torná-lo atrativo para quem passar pela varanda? Todos devem querer saber o que está naquele espaço, tão colorido e atraente, para dar uma paradinha e ler. aprender a escrever uma foto-legenda é básico. e foi por aí que começaram, para dar forma ao comunicando – o Jornal mural do 1o ano, atualizado pelas classes a cada quinzena. acompanhem parte da edição de uma quinzena de abril nas fotos à esquerda. edith sonagere Nakao, professora do 1o ano eF 12 caleidoscópio maio c hegada ao primeiro ano do ensino Fundamental: porta de entrada ao mundo letrado! muitas

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2 o aNo e F depeNde um pOucO de mim brinquedos, de sua casa. desde bem pequena a criança precisa ser educada também para cuidar dos ambientes públicos como sendo seus e de todos, pois o são. a criança é cidadã toda vez que joga o lixo na lixeira, fecha a torneira para não desperdiçar água, aprende com quem é diferente dela, respeita a ordem em uma fila, espera sua vez de falar, ajuda a quem precisa, não arranca uma flor em uma praça, controla o barulho para não incomodar, percebe que faz parte de uma sociedade. cidadania significa também a consciência de que devemos nos esforçar para construir um mundo melhor. cada pequena ação que realizamos transforma nossa vida e a vida de outras pessoas. Temos o dever de conservar e ampliar o que existe, pensando na nossa geração e nas gerações futuras. mas, para tal, há que vencer o egoísmo, o egocentrismo. “Há gente que, em vez de destruir, constrói; em lugar de invejar, presenteia; em vez de envenenar, embeleza; em lugar de dilacerar, reúne e agrega.” (lya luft) educamos uns aos outros para agir como cidadãos. como escreveu Nilson José machado: “cidadania é quando sinto de fato: um grão de areia, minha cidade, o mundo inteiro, tudo depende um pouco de mim”. sílvia sonagere, professora do 2o ano eF maio d esde bem pequena a criança é estimulada a cuidar do que é seu: de seu quarto, de seus caleidoscópio 13

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I NF O R M ÁT ICA Raciocínio e diversão de mãos dadas Xadrez O xadrez é um jogo milenar, tradicional entre os intelectuais, devido à sua complexidade, e entre tini, aluna do 4o H, afirma: “Eu me senti importante, porque pude ajudar a todos. Foi a primeira vez que atuei como auxiliar de xadrez”. A complementação para a aprendizagem se tornou um ponto decisivo para a manutenção do xadrez como atividade de apoio. Dessa forma, além da continuidade das oficinas de xadrez, coordenadas pelo NETi, em maio serão criadas mais duas turmas e implantados espaços com mesas, banquetas e tabuleiros nos locais de recreio. “Quando estiveres só, quando te sentires um estrangeiro no mundo, joga xadrez. Este jogo erguerá teu espírito e será teu conselheiro na guerra”, disse o filósofo Aristóteles a seu discípulo Ale­ xandre Magno. Arnaldo Marques e Amanda Ferreira, integrantes do NETi o povo, como entretenimento. Essa união rara entre diversão e raciocínio possibilita seu reconhecimento por institui­ ções de ensino. Atividade extracurricular que se realiza no Santa Maria desde 2001, agora o jogo foi inserido nas aulas de informática do 3 ao 5 o o ano do Ensino Fundamental. O xadrez contribui para desenvolver o raciocínio lógico, além de habilidades necessárias no dia a dia da sala de aula, pois faz com que professor e aluno percebam a interação entre os saberes. A professora Lucilei Spitalleti, do 4o H, atesta: “Depois das aulas de xadrez, ocorreu uma mudança positiva na concentração dos alunos em classe”. Do ponto de vista dos alunos, o xadrez contribui para a sociabilidade e a cooperação. Raquel K. Liber­ 14 caleidoscópio  maio

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3 o ANO e f A diversidade e os grupos cooperativos ção de modelos, padrões e tendências por meio das imagens. Ao mesmo tempo, prevalece a individualidade como ponto de ancoragem para o desenvolvimento de nossa subjetividade. No cotidiano escolar, experimentamos situações que provocam o olhar para essa questão e oferecem recursos para que cada um possa pensar a respeito de sua singularidade, confrontando-a com a dos demais. Isso nos ajuda a aprender e a entender as múltiplas formas de atuação. O trabalho que desenvolvemos no 3 ano do Ensino Fundamental com os o N o mundo moderno há um apelo muito forte em direção ao consumismo e, portanto, à propaga- sentada pelo outro e compreendê-la, além de transferir esse conhecimento para outras situações. Este deve ser o papel de uma boa situação de ensino e aprendizagem: oferecer ao aluno uma formação que supere as áreas do conhecimento formal e contribua para que sua integração no grupo possa ser objeto de aprendizado. Ao longo do ano, os alunos ganham habilidade em conviver e lidar com a diversidade de opinião e perspectiva, desenvolvendo a escuta e a argumentação. Essa é uma experiência cujo resultado ultrapassa a escola e permite que os alunos experimentem a riqueza da convivência. Assim, oferecemos subsídios para que possam, cada vez mais, dominar os instrumentos necessários para a resolução de questões em equipe. Ana Claudia Florindo, professora do 3o ano do Ensino Fundamental grupos coope­ rativos é exemplo da possibilidade de explorar melhor as situações de trabalho e colaboração. Os grupos cooperativos têm como objetivo a reali­ zação de uma atividade proposta pelo professor. Cada grupo é escolhido, no início do trabalho na série, tendo como critério a heterogeneidade. As atividades são planejadas e compartilhadas por todos os integrantes, com decisões coletivas, a partir dos objetivos. Nessa interessante troca e interação, os alunos apren­ dem a conhecer diferentes pontos de vista, opiniões e modos de compreender o que está sendo estudado, além de negociar ideias, sugerir modos de execução de tarefas e responsabilizar-se pelo trabalho. Assim vão construindo um repertório mais amplo a respeito das diversas formas de pensamento e de ação, sem perder a possibilidade de expressar suas próprias experiências. Têm a oportunidade de conviver com a diferença repre- maio  caleidoscópio 15

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