Caleidoscópio nº 46

 

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Caleidoscópio nº 46

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REVISTA DO COLÉGIO SANTA MARIA - N0 46 MOSTRA DE ARTE DURANTE UMA SEMANA, ALUNOS DO SANTA MARIA APRESENTARAM ESPETÁCULOS DE ALTO NÍVEL, COMO O BALÉ VOLTA AO MUNDO O BRILHO E AS CORES DOS NOVOS VITRAIS DA CAPELA EXPRIMEM O ENVOLVIMENTO DE TODOS NOS PROJETOS REALIZADOS EM 2008 E A CONFIANÇA DE QUE PODEMOS FAZER A DIFERENÇA 1

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MENSAGEM ACESSIBILIDADE, TALENTO E ESFORÇO I Irmã Diane Clay Cundiff Diretora-geral do Colégio Santa Maria nclusão e acessibilidade são termos que ganham cada vez mais força no nosso vocabulário e no repertório de nossas responsabilidades. Como se vê na página à direita, a escola está trabalhando para adaptar espaços e criar facilidades para pessoas com necessidades especiais. Contudo, para o Colégio, o conceito de acessibilidade é bem mais amplo. Significa, também, facilitar o acesso ao conhecimento, à cultura, à arte, à espiritualidade, ao esporte, ao lazer e a tudo o mais que possa nos tornar pessoas melhores. A revista Época, edição de 24 de novembro, publicou uma interessante matéria, sintetizada na afirmação de que o caminho para o sucesso passa pela combinação de fatores como talento, amigos influentes, esforço e sorte. A reportagem se baseia no livro Fora de série – A história do sucesso (Outliers), do jornalista inglês Malcolm Gladwell, com lançamento no Brasil previsto para dezembro. Gladwell afirma: “Somos focados demais no indivíduo. Para realmente entender os fora de série, temos de olhar ao redor deles – para a cultura, a família, a comunidade e para a geração deles”. No Santa Maria, acreditamos que todos os alunos podem ser fora de série. Por isso, o conceito de acessibilidade envolve a oferta de condições para que possam exprimir seus talentos, desenvolver habilidades e criar uma rede de relacionamentos positivos. Entendemos que cabe também à escola proporcionar experiências diversificadas, adaptáveis às necessidades práticas, como é evidenciado nesta edição de Caleidoscópio. Aqui se vêem ações que vão desde o letramento, quando as crianças do Pré aprendem a ler e a escrever de uma maneira que faça sentido para elas, até as iniciativas do Prisma destinadas à terceira idade. No mesmo patamar, encontrase a Matemática Financeira, que estimula os alunos, desde cedo, a administrar racionalmente o dinheiro e não ceder ao consumismo, especialmente em períodos de crise. Nas aulas de Ensino Religioso, aprende-se que a vivência do amor requer, sim, esforço obstinado e dedicação incondicional, assim como, nas aulas de Ciências, firma-se o compromisso com a preservação do meio ambiente. No teatro, além do ator que se destaca no palco, é necessário que, nos bastidores, haja uma equipe que se dedique intensamente a tarefas que pouco aparecem mas são igualmente imprescindíveis. Enfim, por mais que o talento esteja presente, sempre é preciso esforço obstinado. Trata-se de um aprendizado continuado, destinado a proporcionar as habilidades e ferramentas básicas para que o aluno, além de obter sucesso pessoal, colabore para tornar melhor a sociedade que o cerca. A propósito, os novos vitrais instalados na Capela também são uma forma de acessibilidade: ao encantamento, à espiritualidade e à paz proporcionadas pela luz, as cores e a beleza. Desejamos um feliz Natal a todos e um 2009 repleto de conquistas, paz e harmonia. Revista bimestral do Colégio Santa Maria o N 46 – Nov./dez. de 2008 Irmã Diane Clay Cundiff Irmã Anne V. Horner Hoe Ana Cristina Proietti Imura Maria Lúcia Sanches Callegari Maria Soledad Más Gandini Paula Bacchi Sonia Regina Yamadera Equipe de redação COLÉGIO SANTA MARIA Av. Sargento Geraldo Santana, 890/901 Jardim Marajoara, São Paulo, SP Telefone (11) 2198-0600 www.colsantamaria.com.br santamaria@colsantamaria.com.br Produção editorial Editor: Ricardo Marques da Silva MTb 10.937 Editora de arte: Maila Blöss Fotos: Éric B., Sister Diane, Clarissa Lambert, João Neto/FOTOjump e acervo do Santa Maria Impressão: CompanyGraf Capa: foto de Éric B. 22

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PROJETO DE ACESSIBILIDADE SEGURANÇA, AUTONOMIA E DIGNIDADE C om o objetivo de proporcionar acesso facilitado a todas as dependências da escola a alunos, funcionários e visitantes com necessidades especiais, o Colégio Santa Maria vem desenvolvendo, nos últimos anos, o Projeto de Acessibilidade, que agora caminha para a reta final. O objetivo desse trabalho é oferecer autonomia, segurança e dignidade a todas as pessoas que têm algum tipo de dificuldade de locomoção, como cadeirantes e deficientes visuais. Antonio Humberto dos Santos, gerente administrativo do Colégio, conta alguns detalhes do projeto: “A partir de 2005, fizemos uma série de adaptações nos espaços de uso comum do Colégio. Algumas são mudanças sutis, que vão sendo introduzidas durante o período letivo. Outras são mudanças mais complexas, feitas nas férias, pois requerem a realização de obras civis”. Segundo Antonio Humberto, entre as obras concluídas estão as rampas de acesso à cantina, que liga os prédios do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, ao lado da Capela. “A rampa de acesso às salas do anexo do prédio São José e a rampa de acesso ao prédio Menino Jesus também já foram entregues. Várias outras rampas menores foram instaladas nas calçadas, como as do semáforo externo, a da frente da portaria central e a da portaria do prédio São José”, explica. Também foram instalados pisos táteis para deficientes visuais em todos os inícios e finais de escadas, rampas e arquibancadas. Houve a adequação de vários guarda-corpos de escadas e rampas e, ainda, a instalação de novos guarda-corpos, além de guias de balizamento nos já existentes. “Alguns banheiros passaram por mudanças e adaptações para se adequar às normas para cadeirantes e outros foram especialmente construídos para esse fim. Muito mais foi feito: pintura de sinalização visual em degraus, troca e adequação de placas e criação de vagas especiais no estacionamento, para receber veículos de pessoas com necessidades especiais”, acrescenta Antonio Humberto. ELIMINAR BARREIRAS Paulo Pitombo, professor de Artes Plásticas e História da Arte do Ensino Médio, que acaba de realizar um mestrado em Educação Especial e Arte no Instituto de Artes da Unicamp, afirma que o Projeto de Acessibilidade do Santa Maria é de grande importância e segue uma tendência mundial: “A sociedade como um todo deve se empenhar na convivência entre as pessoas com necessidades especiais, eliminando barreiras físicas, sensoriais ou intelectuais”. Segundo Paulo Pitombo, hoje, em consonância com as políticas públicas e os tratados internacionais, a sociedade passa por uma transformação para rever a noção de capacidade e potencialidade das pessoas com necessidades especiais. “Assim, a mudança que está acontecendo no Santa Maria convida a todos a participar de um trabalho educacional de acolhimento de todas as diferenças, em particular das pessoas com deficiência”, completa. Manuela Dias, coordenadora de Comunicação 3

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PERFIL DO EX-ALUNO: SÉRGIO VARELLA BRUNA “O SANTA ME ENSINOU A PENSAR NO LADO HUMANO” A dvogado empresarial, professor universitário e sócio da empresa Lobo e De Rizzo Advogados, o ex-aluno Sérgio Varella Bruna, da turma de 1983, é hoje um profissional bem-sucedido e representa um bom exemplo para as novas gerações do Santa Maria. Formou-se em 1988 e fez mestrado e doutorado em Direito Econômico e Financeiro na Faculdade de Direito da USP. Aos 42 anos, Sérgio é casado com Maria Elisa e tem três filhos – Fernando, de 10 anos; Tiago, de 8, e Ana Beatriz, de 4. Você estudou no Santa em que período? Quais eram as matérias de que mais gostava? Sérgio – Estudei no Colégio de 1975, na 3a série do Ensino Fundamental, até o 3o ano do Ensino Médio, em 1983, e minhas preferências variaram ao longo do tempo. Sempre tive um gosto especial por Educação Física. Naquela época, o Colégio mantinha grande foco em competições estudantis. Também gostava muito das aulas de Ciências e de História, preferência que ficou até o fim do Ensino Médio. Apreciava bastante as aulas de Literatura e Português, mas meu melhor desempenho foi em Física, matéria em que consegui minha melhor nota no vestibular da Fuvest, 8. Um gosto no mínimo curioso para quem queria ser advogado. Como era o Colégio e o ensino na sua época? Havia poucos alunos por série e as redondezas do Colégio eram bucólicas. Não havia prédios, apenas alguns imóveis industriais e terrenos vazios, com bosques e campos. Além das quadras esportivas, disputadas “a tapa” nos recreios, o lugar em que mais ficava não existe mais: um salgueiro, onde hoje é o Teatro, e à sombra dele nos reuníamos para tocar violão. Algum professor o marcou de modo especial? Houve vários professores. Posso mencionar alguns, correndo o risco de deixar outros de fora, imerecidamente. Fui aluno da Sister Anne na 4a série. Havia professores à moda antiga, como Dona Terezinha, que nos fazia levantar, quando entrava na sala, para rezar uma Ave-Maria. Outros tinham estilo mais moderno, como a Ana Sílvia, a Regina, a Marina e o Borsari. No Colegial, tive aula com dois grandes professores, o Milton e a Elza. Aprendi a gostar do Machado de Assis e de poemas. Tive ótimas aulas também com o Valtemir e com o saudoso Ângelo. O corpo docente era formado pelo que havia de melhor em São Paulo. 4

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CHEGANDO NO SANTA: MÁRCIA REGINA EMI MASUKO Qual foi a importância do Colégio na sua formação e na carreira? Foi, sem dúvida, importante no desenvolvimento de meu espírito crítico. Tínhamos liberdade e éramos incentivados a pensar. O Colégio me ensinou a pensar no lado humano das coisas e me deu importantes referências éticas. Eram anos tormentosos aqueles. Evoluímos de uma época da ditadura para outra de abertura, em que começamos a exercitar a democracia, sem estar totalmente acostumados a isso. De todo modo, foram experiências importantes em minha educação e tiveram peso decisivo na construção da pessoa que sou hoje. Gostaria de compartilhar alguma história de sua época escolar? A maior parte das histórias se refere a travessuras que não posso contar. Minha mãe, que foi professora do Colégio, me põe de castigo se descobrir! Uma história inesquecível foi a de um júri simulado que fizemos para julgar os porcos do livro A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Ninguém queria defender os pobres coitados e acabou sobrando para mim. Aceitei o desafio e recorri ao meu pai, advogado, que me contou algumas das idéias de justiça que motivaram a Revolução Francesa e algo sobre a Declaração dos Direitos Universais da ONU. E não é que consegui que absolvessem os ditos cujos? Como disse, eram tempos tormentosos. Acho que a professora, que pensara em usar o livro para que criticássemos o momento político, acabou frustrada com o resultado. Mas eu saí feliz, e isso acabou ficando para sempre comigo. Acho que a experiência ajudou a definir minha escolha pelo Direito. Você tem alguma mensagem para os alunos? Sinceramente, meu conselho é para que aproveitem essa fase da vida e o espaço fantástico que o Colégio proporciona. Esses são anos únicos, e a vida vai ficando cada vez mais complexa com a idade. Não desperdicem a oportunidade que têm de estudar e prepararse para a vida adulta, cada vez mais exigente. Manuela Dias, coordenadora de Comunicação COMO NOSSOS PAIS M árcia Regina Emi Masuko é mãe de Flávia (acimas, à direita), do Pré, e Laís, do Infantil (à esquerda). Casada com Edison, ex-aluno do Colégio, turma de 1987, Márcia trabalhou por 11 anos no Soho Hair, onde se especializou como cabeleireira e construiu uma carreira de sucesso. Atualmente, prefere acompanhar de perto o crescimento e a educação das filhas. O que fez você decidir trazer suas filhas para o Santa Maria? Márcia – Meu marido e seus irmãos, Oswaldo e Irina, estudaram no Colégio e tiveram uma boa formação. São pessoas bem-sucedidas e eu quero a mesma coisa para a Flávia e a Laís. Que diferenciais pedagógicos você percebe que o Colégio oferece? O principal é a formação como pessoa, o que ajuda a ter princípios, bom caráter e respeito ao próximo. Sinto-me bastante engajada na educação das minhas filhas. Acho muito bom o modo como o Santa Maria incentiva a participação dos pais no acompanhamento e nos projetos da escola. Que comentários suas filhas costumam fazer a respeito da escola? Elas sempre dizem que adoram o espaço, os professores, a interação com os amigos, as brincadeiras e as atividades pedagógicas. Manuela Dias, coordenadora de Comunicação 5

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EDUCAÇÃO INFANTIL ALFABETIZAÇÃO C omo se inicia a escrita? E a leitura? A criança lê primeiro e depois escreve? Muito antes de ler ou escrever convencionalmente, a criança já interpreta imagens, signos e faz suas representações por meio dos desenhos ou “garatujas”. Constrói histórias sobre as imagens que vê e as reconta a seu modo. Distingue texto de imagens, e já podemos ler para ela apontando as palavras. Estamos iniciando-a no letramento: aprender a ler e a escrever por meio de textos de literatura e de todos os portadores sociais com os quais ela tem contato: cartazes, folhetos e listas de compras, entre outros. Aprende, então, como se organiza a escrita de acordo com a função social. Assim, a escrita e a leitura são indissociáveis no aprendizado e interdependentes. Aprende-se a es6 UM CAMINHO COM MUITOS crever para usar a escrita em situações sociais desde o início, e a leitura é concomitante. Quando as crianças ingressam na escola, no Pré, geralmente se expressam por meio de desenhos e grafismos primitivos. Assim, por volta dos 4 ou 5 anos, têm muitas ferramentas adquiridas no contexto e, pelas práticas sociais de leitura e de escrita, estão prontas para desenvolver o aprendizado mais formal das relações fonema-grafema, com as intervenções da professora e interação com os colegas. É o momento de aprender o traçado correto das letras, formar palavras utilizando os conhecimentos que constroem sobre o alfabeto, adequar as letras ao espaço disponível na folha (que vai se restringindo, gradualmente, até o caderno de linguagem), corrigir

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E LETRAMENTO: ENCONTROS as “inversões”, aprender a copiar da lousa coordenando o movimento de localização e identificação das palavras. Enfim,desenvolve-se toda uma gama de habilidades que, para nós, parecem automáticas mas são resultado de muita atenção, concentração e repetição até que sejam assimiladas. A construção dos textos coletivos, em que ditam suas idéias para que a professora registre à vista de todos, ajuda na elaboração de textos compreensíveis, substituindo as repetições desnecessárias, “e daí ela fez...”, “e daí ela foi...”, características da expressão oral. Aprendem, então, a usar alguns termos mais adequados à escrita formal: “Ela fez... e depois, em seguida...”. O objetivo de uma alfabetização nesses moldes é dar condições aos alunos e alunas para que explorem a Língua Portuguesa, com disposição e curiosidade, tanto na oralidade como na leitura e na escrita, e apropriem-se dela para a produção de seus textos ao longo da escolaridade, com o conhecimento de suas estruturas específicas a partir do contato com textos reais (não só palavras descontextualizadas das antigas cartilhas). O incentivo à aprendizagem por meio da leitura forma o leitor ativo, que interpreta e confere significado pessoal ao que leu. Em decorrência, o repertório se amplia, fornecendo as ferramentas para a escrita autoral, com qualidade e conhecimento do que se quer transmitir. É muito mais do que alfabetizar (decifrar e reproduzir); é apresentar o mundo letrado, em toda a sua riqueza, e desenvolver as habilidades para formar leitores e escritores competentes. Gabriela Kraft Herane, Mônica Farinelli e Rita Lázaro, professoras do Pré 7

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COMPONENTES CURRICULARES: MÚSICA O CANTO CORAL NA SALA DE AULA “CANTAR E CANTAR E CANTAR, NA CERTEZA DE SER UM ETERNO APRENDIZ...” GONZAGUINHA O trabalho com canto coral nas aulas de Música, com as turmas de 2o ano do Ensino Fundamental, além de desencadear o processo de musicalização, contempla as dimensões social, emocional, física e cognitiva das crianças. Em relação à dimensão social, o canto promove o respeito pelo espaço do outro, o equilíbrio da produção individual dentro do grupo para que um não se sobressaia do outro e a busca da harmonia entre todos na produção de um trabalho final, que consiste em uma apresentação coletiva. A dimensão emocional eleva a auto-estima das crianças, que se vêem capazes de cooperar com o grupo, além de percebermos a alegria e o dinamismo na produção de cada uma delas. A dimensão física permite à criança conhecer o seu próprio corpo e enxergá-lo como um “ins8 trumento” que requer cuidados específicos, como aquecer a voz antes de cantar, controlar a respiração, cuidar da pronúncia, da expressão facial e corporal, além do trabalho de postura correta. A dimensão cognitiva é trabalhada no canto por meio da leitura e da interpretação do repertório, ampliação do vocabulário e conhecimento cultural, pois consideramos a origem da música, a história do compositor ou compositora, o estilo musical e a criatividade dos autores. Dessa forma, além do encantamento que a música proporciona e do aprimoramento do gosto musical da criança, o trabalho com canto coral auxilia no desenvolvimento da personalidade, da organização, da disciplina e da pontualidade. Alessandra Soares Gomes, professora de Música do 2o ano do Ensino Fundamental

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COMPONENTES CURRICULARES: TEATRO TEATRO É PARA TODAS AS IDADES E virou moda! Como todos os meios de comunicação, o teatro não poderia ficar imune às centenas de oportunidades oferecidas pelo mercado na tentativa de transformar quem não é do ramo em “gente de teatro”. Contudo, o trabalho educativo, isento dessa “contaminação”, traz à tona o sabor da descoberta do que é realmente fazer teatro – pensamento e ação em conjunto. A importância da escolha do texto, os ciclos de leituras e a montagem da equipe para a realização do trabalho tornam o teatro um movimento diferenciado na vida do estudante; os espaços de representação também influenciam na experiência do “fazer teatral” – do palco italiano, passando pela arena, até a visualização de que todo espaço nos convida ao exercício da representação e é um estímulo para um maior envolvimento com o teatro. Prova disso é o trabalho realizado pelos alunos do 7o ano do Ensino Fundamental com a montagem de Pluft, o Fantasminha, de Maria Clara Machado, que propõe a transformação do andar térreo do Prédio Santa Terezinha em arena. Esse projeto só foi possível graças à dedicação das equipes de Manutenção e Marcenaria do Colégio, que abraçaram a proposta e tornaram vivas nossas idéias. Para o grupo de atores e técnicos que atuam no projeto, está sendo importante verificar que o teatro tem poder transformador e pode ser o meio de unir diferentes experiências de vida. Quem vier conferir nosso Pluft verá que o teatro é, realmente, para todas as idades. Muito mais que moda, representa um compromisso com a responsabilidade e a criatividade. Carlos Eduardo Colabone, professor de Teatro do Ensino Fundamental Fotos: Clarissa Lambert 9

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COMPONENTENS CURRICULARES: MATEMÁTICA FINANCEIRA APRENDENDO A CUIDAR DO PRÓPRIO DINHEIRO da Matemática pode ajudá-los nessa tarefa. Trabalha-se o uso do dinheiro: cofrinhos, mesada, consumo responsável e poupança. Estudar temas como o sistema monetário e porcentagens capacita o aluno a tomar decisões conscientes de compra – por exemplo, quando analisamos propagandas de produtos “em suaves prestações” e o valor real fica oculto. Os alunos ressaltaram que a propaganda mostra apenas o valor das prestações, sem revelar os juros embutidos. A aluna Cristina Oliveira Costa, do 4o A, disse: “As pessoas ‘esquecem’ de saber qual é o valor real do produto a prazo, e o consumidor só pensa na possibilidade de pagar o valor da prestação”. Camila Rodrigues, do 4o D, comentou: “Com essa crise mundial, estou aprendendo como gastar e economizar minha mesada”. Nicole Reitermann, do 4o D: “Discutimos a respeito de prestações, entrada, pagamento à vista e a prazo, juros, prejuízo, lucro. Fica mais fácil saber qual é a melhor maneira de comprar. Saberei administrar meu dinheiro no futuro”. Mellissa Camillio, Giovanna Padula e Rena Reis, do 4o D, acrescentaram: “Aprendemos a consumir conscientemente. Não comprar apenas por comprar”. Com esse trabalho, os alunos do 4o ano se preparam para compreender as vantagens da poupança, as desvantagens das compras a prazo, a importância do controle dos gastos. Para que o brasileiro exerça a cidadania consciente, precisamos ensinar às crianças e aos jovens os pequenos códigos que lhes permitam entender os mecanismos do mercado, saber lidar com o dinheiro e negociar. Essa é a razão pela qual os estudantes devem aprender a Matemática Financeira aplicada ao dia-a-dia. Rita Rinaldi Riquelme e Vanini Andolfato Mesquita, professoras do 4o ano Ensino Fundamental A história ensina que a construção de um país forte depende da informação e da formação de seus cidadãos. A educação financeira, desde os primeiros anos de vida, deve ser prioritária para que crianças, jovens e adultos busquem a felicidade e a realização de seus desejos, com adequação aos recursos disponíveis. Hoje, mais do que nunca, temos que conquistar independência financeira para ter um futuro melhor. Normalmente, não somos disciplinados com relação ao dinheiro, não aprendemos a lidar com ele em nossa educação nem aprimoramos nossos conhecimentos sobre investimentos e os diversos aspectos do mercado financeiro. É nessa perspectiva que, no componente curricular Matemática, o 4o ano do Ensino Fundamental explora a capacidade dos alunos de compreender o mundo a sua volta, dentro do seu contexto social, e favorecer o entendimento de como o conhecimento 10

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EDUCAÇÃO FINANCEIRA PARA O FUTURO O trabalho na área de Matemática no 9o ano é marcado por muitos cálculos: de radicais, equações, funções, geometria, trigonometria. Para diversificar, e aproveitando o conteúdo de Matemática Financeira, os alunos foram desafiados a refletir sobre questões como porcentagem, salário mínimo, imposto de renda, previdência pública e privada, mercado de ações, multa, desconto, juros simples, juros compostos, cartão de crédito, cheque especial e inflação. O que se esperava, com esse trabalho, desenvolvido com alunos ainda adolescentes, era que eles fossem capazes de pensar financeiramente e, com isso, desenvolver a reflexão social, tornando-se cidadãos capazes de compreender, participar e, principalmente, transformar a sociedade. Iniciando o trabalho e buscando introduzir os alunos no conteúdo que seria abordado, foram solicitadas, como tarefas de férias, duas atividades, uma opcional e outra obrigatória. Como tarefa opcional, foi sugerida uma visita ao Museu de Numismática do Centro Cultural Itaú, para aprofundar o conhecimento da relação do dinheiro com a História do Brasil. A tarefa obrigatória consistia em um levantamento dos gastos educacionais pessoais até o 9o ano. Esse levantamento poderia ser real, caso a família tivesse as informações, ou atualizado, por meio da consulta ao site do Colégio. Durante as aulas, trabalhamos com textos atualizados sobre o mercado econômico ou financeiro. Um momento especial foi à visita à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), onde os alunos puderam assistir a um filme e a uma palestra para entender o funcionamento do mercado de ações. Presenciaram também a simulação de um pregão eletrônico, como pode ser observado na foto à direita. Outra atividade interessante foi a solicitação de que os alunos fizessem uma redação sobre a possibilidade de uma família viver com uma renda mensal de um salário mínimo. A discussão deveria retratar famílias que, apesar da dificuldade, conseguem ir além, vivendo com dignidade e projetando, para as próximas gerações, a possibilidade de mudança. Fechando o trabalho com Educação Financeira, recebemos a visita de Ieda Maria G. Cernic, mãe da aluna Beatriz Cernic, do 9o ano B. Gerente de uma agência bancária, ela conversou sobre investimentos com um grupo de alunos e fez o seguinte relato: “Falar sobre investimentos para adolescentes foi um desafio e, ao mesmo tempo, um prazer. O interesse e a curiosidade deles foram surpreendentes e gratificantes. Parabéns ao Colégio pela iniciativa de trazer para a realidade do dia-a-dia a matéria dada em sala de aula”. Lucilene Silverio, professora de Matemática do 9o ano 11

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12 MOSTRA DE ARTE Éric B. João Neto/FOTOjump Éric B. Éric B. Éric B.

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João Neto/FOTOjump UMA SEMANA FOI POUCO C om a participação de quase 600 alunos, uma semana foi pouco para a apresentação de tantos talentos na 11a Mostra de Arte, Dança e Música do Colégio Santa Maria, de 24 a 30 de novembro. Dessa vez, mudamos a data de algumas apresentações, como a dos cursos de Inglês do Pré ao 9o ano, com 170 alunos, que ficaram para a última semana de aula, quando também houve a troca de faixa no judô (100 alunos). A programação começou no dia 24, quando os integrantes do grupo teatral Palhaços Graças a Deus, da professora Rita Pisano, encenaram a peça infantil A Bela Adormecida, seguindo-se um espetáculo dos alunos iniciantes do Curso de Violão do professsor Alessandro Lima. Durante toda a semana, o público prestigiou e aplaudiu nossos atores, atrizes, músicos, bailarinas, artistas, trapezistas, equilibristas, dançarinas e dançarinos. Também agradou bastante a exposição dos futuros “engenheiros de Mecatrônica”, que apresentaram os projetos de um baterista, o braço automatizado e o futebol de robôs. Posso dizer que foram dias de muita alegria e satisfação, com um colorido todo especial numa escola que é viva e cheia de energia, com apresentações para todos os gostos e todas as idades. Para que tudo isso acontecesse, muita gente arregaçou as mangas e trabalhou duro: as equipe de apoio, manutenção, segurança, limpeza, cantina, informática, biblioteca, administração, tesouraria, loja e APM (que muito nos ajudou neste ano), sem esquecer, sobretudo, os professores e auxiliares do Extracurricular. Nossos convidados também foram brilhantes e enriqueceram ainda mais o evento. Nosso agradecimento especial ao Gian Marco de Aquino, músico da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal de São Paulo e pai da aluna Julia Quiroga de Aquino, do 3o ano F, pelo trabalho desenvolvido na Casa do Zezinho (acesse o site: http://www.casadozezinho.org.br/ e conheça a entidade). Adriana S. G. Tiziani, coordenadora de cursos extracurriculares 13

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COMPONENTES CURRICULARES: ENSINO RELIGIOSO A ESPIRITUALIDADE NO PROJETO DE VIDA P reocupadas com a formação integral dos alunos também em sua dimensão espiritual, catequistas e professoras do 5o ano do Santa Maria dedicam-se aos encontros de Ensino Religioso e Catequese, nos quais todos podem expressar e vivenciar sua espiritualidade. Essa espiritualidade é cultivada em nossas aulas de Ensino Religioso e na Catequese por meio da reflexão e da atualização da mensagem de Jesus. Observando o confronto de Jesus com a sociedade da época, sua atitude acolhedora e inclusiva e seu projeto de não-violência e amor incondicional, os alunos são convidados a rever suas atitudes em relação aos colegas e à família. São nos momentos de partilha de idéias, de oração e de celebração que os alunos desenvolvem a experiência de Deus e do diálogo com o outro. É na partilha do lanche com o colega, no gesto de doação de brinquedos e de alimentos, no perdão oferecido ou recebido diante de um conflito e no acolhimento ao artista Evilásio e às crianças das diferentes comunidades que os alunos experimentam a cooperação e fortalecem as relações de fraternidade com o outro. Vivem realidades diferentes, compartilham experiências e enriquecem a maneira de ver o semelhante. Durante as aulas, os alunos têm se preocupado com as palavras que usam ao se dirigir aos colegas e procuram ouvir e acolher a opinião do outro. Sentem-se mais pacientes com os irmãos e motivados a ajudar nos deveres de casa. Num diálogo constante entre professores e alunos, trabalhamos a espiritualidade para sensibilizar os corações e as mentes dos nossos alunos, para que possam tomar decisões e estabelecer compromisso com um projeto que dá sentido à vida. Equipe do 5o ano 14 “Com essas vivências, aprendi que há diferentes realidades, aprendi a me relacionar melhor com o próximo” Daniella R. Tasselli “Se temos barreiras na vida, devemos superá-las; se temos um sonho, devemos seguir em frente e nunca desistir” Erick Vieira Basoukos Encontro dos alunos do 5o ano com o artista Evilásio (na foto acima) e com crianças de outras comunidades (no alto): experiências que enriquecem e proporcionam verdadeiras lições de fraternidade

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COMPONENTES CURRICULARES: ENSINO RELIGIOSO/BIOLOGIA A VIVÊNCIA DO AMOR INCONDICIONAL EM BUSCA DA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL É preciso vivenciar a cada dia o encontro com Deus em nosso ser, em nosso coração; percebê-lo no olhar do outro. Esse é o caminho proposto pelo Ensino Religioso. Nesse percurso, o educando conscientiza-se de suas capacidades e é estimulado a empregar seus talentos em prol de si mesmo e da vida em comunidade. Apoiado e iluminado pelos valores humanos e cristãos, toma consciência do que dá sentido à vida. A espiritualidade guia as opções e o modo de agir de cada um. A intenção é gerar vida em plenitude, tendo como base o humanismo e os valores ético-espirituais da Bíblia e do cristianismo. É uma proposta na qual o educando tem participação livre e crítica; pode criar, recriar, decidir, escolher com base nos conteúdos que tenham a ver com seus anseios e esperanças. Esse percurso potencializa o afloramento do conhecimento interior e o despertar da alma. A vida se faz de trocas contínuas. Portanto, o contato diário com valores positivos é imprescindível. É preciso relembrar quem se é, um ser criado à imagem e semelhança de Deus. O Ensino Religioso visa à educação plena, à formação de valores fundamentais por meio da busca do transcendente e da descoberta do sentido mais profundo da existência. Pretende-se proporcionar a redescoberta de si mesmo como ser único, uno com Deus e com todos os irmãos e seres vivos. Áurea Maria Curti de Mello e José Antonio Pinedo Cervigon, professores de Ensino Religioso O estudo da alimentação saudável faz parte do programa de Ciências Naturais do 3o ano do Ensino Fundamental. Embora não seja fácil ensinar a “comer bem”, nós, professoras, lançamos aos alunos esse desafio, pois alimentar-se de maneira saudável e nutritiva é essencial . Iniciamos o trabalho realizando uma pesquisa a fim de saber quais partes do alimento são costumeiramente utilizadas, quais são descartadas e qual é o seu destino. Observamos que a utilização do alimento em sua totalidade é uma prática quase inexistente entre os alunos, do mesmo modo que o reaproveitamento é pouco explorado. Ao longo do trabalho, ocorrem leituras de textos científicos relacionados ao tema e compartilhamos informações sobre os prejuízos de uma nutrição desequilibrada, além de refletir sobre a importância da alimentação saudável. A partir daí, as crianças puderam saborear frutas, preparar lanches com ingredientes saudáveis, experimentar sucos, compotas e outros itens, além de criar, com as famílias, uma receita visando ao aproveitamento total do alimento. Assim, puderam constatar que, com um pouco de criatividade, o que antes tinha como destino o lixo pode fazer parte da refeição principal. Esse trabalho pretende estimular entre os alunos ações que visem à utilização total dos alimento e formar consumidores conscientes e capazes de escolhas que favoreçam a manutenção da saúde e a qualidade de vida. Patrícia A. de Araújo e Silvia Cristina V. de Souza, professoras do 3o ano do Ensino Fundamental 15

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