Caleidoscópio nº 45

 

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Caleidoscópio nº 45

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REVISTA DO COLÉGIO SANTA MARIA - N0 45 A CIÊNCIA DO APRENDIZADO ATIVIDADES NOS LABORATÓRIOS, FEIRA DO LIVRO, SEMANA PADRE MOREAU, VIAGENS: AÇÕES EXTRACLASSE SE COMPLEMENTAM E AMPLIAM O CONHECIMENTO DOS ALUNOS 1

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MENSAGEM UM OLHAR PARA AS FLORES DO AGAPANTO* N Irmã Diane Clay Cundiff Diretora-geral do Colégio Santa Maria este início de primavera, o Colégio se embeleza com as flores de agapanto, a espécie mais numerosa em nossos jardins. O que me chama atenção é o ritmo em que o agapanto floresce. Diferentemente de plantas como o ipê amarelo, em que as flores de diferentes árvores desabrocham ao mesmo tempo, o agapanto tem seu ritmo próprio. Basta prestar atenção: no mesmo jardim é possível encontrar um agapanto sem nenhuma flor, outro com apenas um pequeno botão, e outro já com a flor completa, no auge de sua beleza discreta e de intrincados detalhes. Além disso, notem que, nesse mesmo pequeno jardim, brotam agapantos de cores diferentes, com variações entre branco, azul e púrpura. Na educação ocorre fenômeno semelhante. Aparentemente, os alunos de uma mesma classe desabrocham ao mesmo tempo. Porém, embora tenham uma base e um ambiente comuns – o mesmo sol, o mesmo solo, a mesma água, os mesmos fertilizantes e “jardineiros” que lhes dedicam a mesma atenção, assim com os agapantos –, cada um dos nossos alunos tem seu tempo próprio de florescer. Em determinado momento, todos desabrocham, mas cada um do seu jeito, com sua cor única, que lhe confere a personalidade e o brilho que o identificarão pela vida afora. Todos contam com o mesmo padrão de ensino, com uma mesma linha de trabalho educacional, mas cada um acolhe e absorve de modo próprio esse aprendizado. Multipliquem o número de flores existentes hoje no Colégio e a sua diversidade de cores e não chegarão nem perto da variedade de pensamentos e idéias dos nossos alunos. Esta edição da Caleidoscópio mostra claramente essa riqueza. Cada aluno se manifesta com seu modo especial de olhar o mundo, seja no sol brilhante que representa as idéias do Padre Moreau, seja na forma de participar da Feira do Livro, das atividades esportivas e das viagens que fazem a lugares distantes, em projetos de solidariedade. Ainda em relação ao agapanto, há outra questão a ser mencionada. Sua linda flor, talvez pela fragilidade da haste longa e delgada, é também uma atração perigosa para alguns alunos que ainda confundem as noções de preservação da natureza e, simplesmente, a decepam com as réguas utilizadas em classe, transformadas em espadas. Quando registramos um desses episódios, o aluno é levado a cuidar de 12 mudas de apagapanto, que passam a ser sua responsabilidade. Em geral, ele o faz com atenção e carinho, aproveitando bem essa segunda oportunidade. Numa analogia mais ampla, penso que as pessoas também deveriam ter uma segunda oportunidade de perceber o que está acontecendo no planeta, todas as flores que vêm sendo decepadas, e reavaliar o papel e a responsabilidade de cada um. * Agapanthus africanus, gênero de ervas liliáceas ornamentais originário da África do Sul, com flores vistosas, azuis ou purpúreas, com ciclo de vida perene. 2

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CARTAS LEMBRANÇAS “Estudei no Santa Maria do Jardim até o 3o ano do Ensino Médio. Estou com 31 anos e lembro de cada momento no Colégio como um fato muito recente e repleto de emoções. Minha mãe se formou no Santa e fez questão que eu e minha irmã tivéssemos a mesma oportunidade. Havíamos acabado de voltar da Inglaterra (onde nasci), e morávamos longe da escola (meus amigos sabem como!), mas o bem-estar que a escola nos proporcionava sempre prevaleceu e determinou a disposição e a vontade de estar lá. Tenho muita saudade de tudo que vivenciei na escola. O Colégio me preparou para a vida e, com a minha família, me incentivou a sempre buscar novos desafios, com determinação e pautada no respeito e na ética. Formei-me em Economia e utilizo o aprendizado que tive na escola constantemente e, definitivamente, a maneira como aprendi a estudar me aproxima muito dos meus novos objetivos. Meu casamento foi na Capela da escola, com um ex-aluno do Santa. Meus pais também se casaram lá! Sempre me lembrarei do Colégio com muita alegria.” correio, pego para ler e sentir um pouquinho mais de saudade da infância e dos ótimos tempos de Ensino Médio. Desta vez, li um artigo seu sobre a Semana na Empresa. Lembro-me perfeitamente desse meu micro-estágio. Passei uns dias numa multinacional para aprender um pouquinho a mais a respeito da carreira de Administração. Sem dúvida, isso me ajudou. Hoje, faço esse curso na Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), considerada pelos acadêmicos a melhor faculdade de negócios da América Latina. O quanto o Santa Maria me ajudou nisso! O Colégio me ensinou a ser perseverante, a saber que podia encarar o desafio e estudar um ano a mais, loucamente, para conseguir realizar um sonho: ingressar na USP. Outras experiências de sucesso vieram naquele ano de processos seletivos: FGV, Ibmec, Unicamp. A disciplina e a fuga do senso comum vieram do lugar onde vivi entre 1993 e 2005. É isso que sempre esperarei do Santa Maria, um Colégio voltado à educação para um futuro melhor. Agora, na universidade, é que eu noto a grande diferença entre o Santa Maria e os outros colégios. Meus colegas têm dificuldade em trabalhar em grupo, não têm tanta atitude quanto meus ex-colegas do Santa e, em geral, não demonstram grande afinidade com as questões globais e de cidadania. Esse é o diferencial que eu imaginava ter quando me formei no Ensino Médio, e fico satisfeita por perceber isso. Sinto muita falta dos meus tempos de Santa, das pessoas, do carinho dos funcionários, das nossas discussões filosóficas, da fuga do comum. Espero que todos os alunos, quando se formarem, tenham tanto orgulho de sua formação quanto eu. Agradeço a todos do Colégio pelo carinho e pela dedicação que tiveram comigo durante meus 13 anos por aí. Beijos.” Mariana Mayume Z. Iki, diretora de eventos, FEA Júnior USP – Consultoria e Projetos Revista bimestral do Colégio Santa Maria No 45 – Set./out. de 2008 Irmã Diane Clay Cundiff Irmã Anne V. Horner Hoe Ana Cristina Proietti Imura Maria Lúcia Sanches Callegari Maria Soledad Más Gandini Paula Bacchi Sonia Regina Yamadera Equipe de redação Christina Pecoraro Martins Karpavicius, ex-aluna, turma de 1994 À MINHA EX-PROFESSORA SOL “Estudei no Santa Maria durante toda a minha vida escolar, e sinto muita falta do ambiente que encontrava por aí. Sempre que minha Caleidoscópio chega pelo COLÉGIO SANTA MARIA Av. Sargento Geraldo Santana, 890/901 Jardim Marajoara, São Paulo, SP Telefone (11) 2198-0600 www.colsantamaria.com.br santamaria@colsantamaria.com.br Produção editorial Editor: Ricardo Marques da Silva MTb 10.937 Editora de arte: Maila Blöss Fotos: Éric B., Sister Diane e acervo do Santa Maria Impressão: CompanyGraf Capa: Stephanie Conolly Carolino, aluna do 5o ano G 3

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PERFIL DO EX-ALUNO: JOÃO PIRES DE OLIVEIRA DIAS NETO das relações interpessoais também foi importante para o relacionamento com meus clientes. Na área esportiva, essa preocupação me preparou para o trabalho em equipe, me fortalecendo e ajudando a liderar e competir num esporte coletivo como o rugby. Houve algum professor que o marcou de modo especial? Você tinha um lugar favorito no Colégio? João – Ainda tenho lembranças fortes, na Educação Infantil, da professora Marta e do Marcos, de Educação Física. No Ensino Fundamental, o professor Athos me marcou pelo lado humano e como treinador do time de vôlei. Minha família tem um enorme carinho por ele, assim como meus ex-colegas. No Ensino Médio, ele inspirou o nome do nosso 3o ano, o “TerceirAthos”. Também cito os professores Henrique, de Geografia; Paulo e Beto, de História, e Renata, de Filosofia, assim como Denis, Marcos, Aguinaldo, Sol, Ana Cristina, Nelson e da Cidinha, do Fundamental. Marcou-me a maneira passional e “teatral” de explicar a matéria, e como nos estimulavam a uma reflexão mais profunda do conteúdo e do cotidiano. Sinto pelos alunos que não tiveram o prazer de aprender e “discutir” com eles. O espaço do Colégio é fantástico. A área verde e as quadras e os campos de esporte foram muito marcantes para mim. No Prédio Menino Jesus, adorava as trilhas na mata, que aos olhos de uma criança pareciam uma floresta, bem como o Tronco da Amizade e o campinho de futebol, com o brejo em volta, que atualmente é o ginásio. No “prédio de baixo”, meus lugares preferidos eram o ginásio de esportes, os quiosques e o campo de futebol. Você ainda mantém contato com a turma do Santa? João – Meus melhores amigos ainda são os que fiz no Santa. Um grupo de dez amigos reúne-se quase todo fim de semana em churrascos, baladas e viagens. Outros 15 integrantes da galera, os que se afastaram um pouco, os que moram no sul do país, e os que estudam fora, costumam se encontrar lá em casa, dois dias antes do Natal, numa ceia para os amigos, tradição mantida desde o 2o ano do Ensino Médio. Manuela Dias, coordenadora de Comunicação ‘AOS OLHOS E DE UMA CRIANÇA, UMA FLORESTA’ x-aluno do Santa Maria, turma de 2000, João Pires de Oliveira Dias Neto tem 25 anos e formouse em Fotografia, no Senac, em 2005. Atua como fotógrafo, prestando serviços para a revista Guia Prático para Professores e para terceiros. É contemplado do programa Bolsa Atleta, há cerca de três anos, e faz parte da seleção brasileira de rugby. Ele entrou no Colégio em 1988, no Jardim, e estudou até o 3o ano do Ensino Médio. Qual foi a importância do Colégio na sua formação e na carreira profissional? João – O Colégio me ensinou a observar o mundo sob perspectivas diferentes e buscar um olhar mais profundo dos acontecimentos, o que melhorou a qualidade do meu trabalho de fotojornalista. A preocupação com o lado humano e com o desenvolvimento 4

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ARTIGO: MARIANA GODOY TV NÃO É BABÁ ELETRÔNICA C onvidada a escrever um artigo na Caleidoscópio, eu tive de me fazer, mais uma vez, a pergunta: como os meios de comunicação afetam nossas crianças? E como as novas tecnologias nos afetam? Com acesso à internet, o mundo ficou pequeno. Nossa noção de distância mudou. E, para estar exposto, basta um clique. Ligar a TV ou o computador. Claro que, em sala de aula, ninguém vai discutir a importância do computador ou de um vídeo educativo. A nova tecnologia talvez seja até mais atraente que lousa, papel e caneta. Mas, e quanto à programação da TV? Como controlar o conteúdo da internet? A primeira coisa que me veio à mente foi a escalada da violência nos noticiários, como o caso da menina Isabella, que nos afeta mais do que uma guerra civil do outro lado do mundo. Mas não acredito que um episódio como esse seja exclusividade do nosso tempo. Só que, agora, com TV e internet, o mundo ficou menor e qualquer notícia pode ganhar repercussão. Para quem trabalha com jornalismo, é desconfortável perceber que, depois da divulgação de uma notícia, aparecem vários outros casos semelhantes. Uma motorista na contramão na rodovia Imigrantes é notícia numa segunda-feira e, até o fim do mês, ocorrem mais dez casos parecidos. Coincidência ou influência? Tão presente e tão importante na casa das pessoas, a TV parece participar da nossa vida. Oferece prazer instantâneo e preenche lacunas emocionais, sociais, afetivas. Mas, na verdade, apenas participa de um processo que a transcende. Condenar a TV como responsável por determinadas atrocidades, ou devotarlhe as esperanças de grandes mudanças sociais, é não compreender sua extensão. Seria simples demais. Ah, o poder da mídia... Muito já se estudou a respeito disso e, hoje, há consenso de que o telespectador tem o controle remoto nas mãos e o poder de decisão. A mídia é um meio, literalmente. Uma ponte, um canal de ligação com o público. Transmite e propaga notícias, idéias, opiniões, comerciais e tudo o que pode proporcionar entretenimento e informação. Daí entra o papel dos pais. TV gera informação, mas não deve ser responsável pela formação das crianças. Devíamos aproveitar a programação disponível para discutir algum tema, comentar o trabalho de elaboração ou analisar a trilha sonora, conhecer a obra de Guimarães Rosa depois de ver a série adaptada para a TV, ler o livro que virou filme. A TV é simples ferramenta. De nada adianta uma adaptação da obra de Monteiro Lobato se transformar em programa de televisão se os pais nunca leram para os filhos as histórias de Emília, Pedrinho e Narizinho e nunca estimularam o contato com personagens tão fascinantes. TV não é babá eletrônica. Videogames e internet também não. Sem orientação, tudo pode fazer mal. Quem não lê não aprende a escrever. Procurar bons livros dá trabalho. Ler histórias ao pé da cama no fim do dia também. Mas eu não me canso de participar. Esse é meu papel de mãe. Brincar com meu filho enquanto percebo seu desenvolvimento, ensiná-lo participando de atividades com ele. Não proíbo nada; simplesmente ofereço a ele algo mais divertido para fazermos juntos. Culpar a televisão pela destruição de instâncias pedagógicas e educativas, pela demolição de valores morais, pelo aumento da violência é errar o alvo, atacar o problema na sua exterioridade e desconhecer as causas geradoras desses fenômenos. Mais do que brigar com a indústria do imaginário, é preciso brigar com a realidade. O problema não é a ficção ou o noticiário, mas o cotidiano, a estrutura social. Banir a televisão, a internet ou programas considerados nocivos, deixando intactas as estruturas geradoras dessas atrocidades, é, no mínimo, ingenuidade. Mariana Godoy, jornalista e mãe do Heitor, do 6º ano F 5

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EDUCAÇÃO INFANTIL CULINÁRIA: D entre as diversas atividades que realizamos com as crianças da Educação Infantil, a culinária tem um destaque especial. Afinal, quem não gosta de preparar delícias e depois saboreá-las em companhia dos amigos? A atividade de culinária na escola é um excelente exercício pedagógico, pois as crianças têm a oportunidade de observar o processo de mistura e transformação dos ingredientes e desenvolver percepções, sensações e atitudes, tais como lavar as mãos antes de preparar o alimento, comer de boca fechada, esperar a sua vez para mexer ou adicionar algo na receita. A cozinha, que é a sala de aula preparada para esse fim, se converte em um autêntico laboratório e 6 UMA AULA DE INÚMERAS fonte de informações, repleta de aprendizagens nas diversas áreas do conhecimento: Ciências, Matemática, Linguagem Oral e Escrita e Artes Plásticas. Durante a culinária, a participação das crianças é efetiva: ajudam na escolha das receitas, elaboram a lista dos ingredientes, dividem as tarefas, organizam a sala antes e depois da atividade, partilham a receita entre os integrantes do grupo e, depois de tudo pronto, saboreiam o alimento com muito prazer. São momentos que oferecem a possibilidade de exploração e investigação, pois, por meio da mistura dos ingredientes, percebem e levantam hipóteses sobre as transformações ocorridas, exploram os ingredientes quanto a tamanho, cor, espessura, textura,

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DESCOBERTAS cheiro, sabor, origem, quantidade e medida, além de terem contato com a escrita de letras e números contida nas receitas e rótulos. É também durante as aulas de culinária que as crianças têm a oportunidade de conhecer um pouco mais a respeito dos alimentos, seus nutrientes e sua importância para uma alimentação saudável. Em casa, a atividade pode ser ampliada, incluindo a compra dos ingredientes em feiras ou mercados. Então, o que vocês estão esperando? Reúnam os amigos e... mão na massa! À direita, uma receita testada e aprovada por nós. Fernanda dos Santos, Maria Beatriz e Rosane Callegari, professoras da Educação Infantil BISCOITINHOS DE Q UEIJO INGREDIENTES: 1 copo de farinha de trigo 1 pitada de sal 2 colheres de manteiga ou margarina 75 g de queijo rígido, ralado 1 ovo batido MODO DE FAZER: Peneire a farinha e o sal dentro de uma tigela . Misture tudo, adiciona ndo a manteiga ou a margarina. Misture o queijo ralad o e acrescente o ovo batido, até a massa fi car bem lisa. Divida a massa em vá rias partes e, com cad a uma delas, faça rolinh os finos. Coloque os rolinhos nu ma forma untada e lev e ao forno (180°) por 10 a 15 minutos. 7

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COMPONENTES CURRRICULARES: INGLÊS LOVE ME DO inglês há muito tempo faz parte da vida dos jovens, por ser um idioma internacional. Aprender inglês com gosto, desde os primeiros anos letivos, tem sido nossa meta. Incentivar os alunos a enfrentar o desafio de falar sem receio, com boa pronúncia, e comunicar-se de forma espontânea é um trabalho permanente. A metodologia interativa e de competências leva o educando a entender o porquê das atividades e a desenvolver o aprendizado. Dessa forma, o trabalho conjunto de língua inglesa do Santa Maria durante a Semana Padre Moreau procurou explorar os canais de expressão – música, dança dramatização, entrevistas e declamação de poemas –, como estímulo à fala e à comunicação. Os alunos do 5o ano encenaram, em inglês, e Magic Kingdon of Tales. Contaram histórias repletas de magia e sensibilidade, com mensagens de esperança, amizade e respeito. Os alunos comentaram: “Antes da apresentação, fiquei muito nervoso. Mas adorei e não vejo a hora de me apresentar novamente”. E mais: “Foi divertido e interessante, porque, além de praticar o Inglês, nos ajudou a perder a timidez”. No 6o ano, foi a canção Love Me Do, dos Beatles, que embalou os ouvidos da platéia. Relembramos que o amor é um sentimento que nos faz rir e chorar. O 7o ano se reuniu no Café Literário para cantar diferentes tipos de música, recordando diferentes épocas, recitar poemas e descobrir fatos e curiosidades que fazem parte de nossa escola, por meio da entrevista que as alunas Camila Flues, do 7o A, e Shaya Lambert, do 7o D, fizeram com Sister June e Sister omas, da Congregação da Santa Cruz. No 8o ano, trabalhou-se o tema “Aprisionamento ou libertação?”. Os alunos cantaram, dançaram e apresentaram trabalhos artísticos que integraram todas as disciplinas no projeto “Tsuru”. No 9o ano, os alunos se comunicaram por meio de poemas que refletiam a beleza da alma e a importância de cuidar não apenas do intelecto, mas também do coração. Os sentimentos fluíram e a sensibilidade tomou conta do Santa Maria. Mara Regina Bussotti, Aparecida Bizutti e Gilda Parazzolii Ramirez, professoras do Ensino Fundamental O CONHECER PARA CRESCER N ão é preciso ir muito longe para perceber a necessidade de conhecer a língua inglesa. Basta tentar baixar algum programa proveniente da rede mundial de computadores; ou melhor, “fazer um download de algum software da internet”. Já no universo dos jogos eletrônicos e afins, as crianças se vêem diante da árdua tarefa de decifrar instruções e diálogos complexos. O Santa Maria oferece a seus alunos o contato com a língua inglesa já no 2o ano do Ensino Fundamental. As aulas são preparadas para despertar o desejo de aprender e criar uma atmosfera lúdica, alegre e contagiante. Fazse necessário apresentar as novas palavras inseridas em uma música, associá-las a uma figura e ao tema explorado em aula, sistematizando-as com atividades envolvendo múltiplas habilidades como desenhar, ligar, completar, recortar e colar. “As músicas são interessantes, fazemos atividades de recortar e colar e aprendemos várias coisas em inglês”, afirma Camila Candelária, do 2o A. A utilização de máscaras e fantoches (foto acima) – confeccionados pelas próprias crianças – propicia a oportunidade de tentar se expressar sem medo de errar na frente da classe. O conteúdo deve evoluir à medida que os alunos passam para as séries seguintes. Assim, o 4o ano é convidados a refletir sobre temas diversos, como trechos da Bíblia e variações climáticas, sempre em inglês. “Aprendemos muitas coisas, como ver as horas e conhecer profissões, e ainda é possível divertir-se e aprender ao mesmo tempo”, diz Giovanna Eva, 4o E. Maurício de Albuquerque Leite, professor de Inglês do Ensino Fundamental e do Extracurricular 8

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UMA ALTERNATIVA PARA TRABALHAR COM OS PARADIDÁTICOS U ma das preocupações que se tem no curso de Inglês no Ensino Médio é tentar aproximar o aluno do universo da literatura norte-americana e britânica. A fim de fazer com que ele termine seu curso com conhecimento de autores de língua inglesa de maior destaque literário, nós, professores, buscamos na leitura simplificada dos grandes clássicos um meio de acesso mais agradável. Realizar uma leitura simplificada de autor consagrado não é desprezar a obra original. Pelo contrário, procuramos selecionar leituras de acordo com o nível e a competência lingüística dos alunos e, ao seguir esse critério, propomos diversas atividades que consigam envolvê-los da melhor forma possível. É importante ressaltar que a realização de trabalho com livros paradidáticos de grandes escritores não é tarefa fácil. Primeiramente, os professores devem ter sólida bagagem de leitura e de conhecimento da literatura americana e britânica e, acima de tudo, excelentes idéias ao propor atividades que possibilitem ao aluno conhecer o autor e entender o contexto de sua obra. Isso implica propostas de trabalho atraentes, saindo da antiga receita de ler o livro e realizar uma única checagem de leitura. O trabalho realizado no 2o ano pelo grupo da professora Silvia Esteves sobre o autor Edgar Allan Poe ilustra bem o que se expôs. Antes de fazer com que os alunos tomassem conhecimento dos contos do livro Tales of Mystery and Imagination, foi solicitada uma pesquisa aprofundada a respeito do escritor americano. Estudaram sua vida, seus sucessos e insucessos, e mais tarde perceberam reflexos da personalidade de Poe em seus textos, como no conto William Wilson. Depois de estudar o autor, os alunos criaram um portfólio com sua biografia e um espaço para as verificações de leitura e outras atividades a respeito dos contos. O projeto durou dois meses, e os alunos se envolveram de várias maneiras, desde a criação de um texto em conjunto com elementos da literatura gótica presentes nos contos de Poe até a elaboração da capa, de forma bastante artística. Ao final do trabalho, responderam a uma breve pesquisa a respeito do que acharam do projeto, com reações positivas. Disseram que gostaram muito dos contos, que os mantiveram presos à leitura do começo ao fim. Alguns até mencionaram que experimentaram sensação de medo e ansiedade. Acharam também interessante toda a biografia de Poe. O mesmo grupo já havia trabalhado de forma semelhante no ano anterior, com e Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde. Os alunos produziram histórias em quadrinhos e uma dissertação sobre o tema do livro. O grupo de 2o ano da professora Denise Selmo analisou a obra Frankenstein, de Mary Schelley, a partir dos conhecimentos sobre o Romantismo, movimento literário trabalhado pela professora Darci, de Língua Portuguesa do Ensino Médio, ao longo do segundo e do terceiro bimestre. De forma geral, os alunos se envolvem ativamente. Houve momentos lúdicos, outros nem tanto, mas o interessante nos projetos de leitura é fazer com que o livro seja uma maneira de permitir a compreensão mais aprofundada do autor e de seus textos, levando consigo informação, e um novo conhecimento. Silvia Esteves, Denise Selmo, Fernando Marcelino e Mary Monreal, equipe de Inglês do Ensino Médio 9

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COMPONENTES CURRICULARES: CIÊNCIAS SOCIAIS PENSADOR OU POETA? O primeiro nome dado por Rodin a sua famosa escultura foi O Poeta. Felizmente ou não, O Pensador tornou-se o nome definitivo. Para o artista, o poeta é um pensador. Seja poesia, seja filosofia, ambas exigem o que a escultura expressa: concentração e seriedade. Para Rodin, o poeta e o pensador são criadores, e para tanto é necessário introspecção, pois criar é distinto de sonhar. O sonho é de outra ordem, não demanda esforço e trabalho. Sonhar é capacidade intrínseca a todos os seres humanos, assim como a de criar. Porém, o esforço exigido pela criação faz com que esta se restrinja a poucos dedicados. O pensador visto como criador agrega valores positivos à Filosofia. A Filosofia como fomentadora da criação, além da reflexão, é de grande importância na formação dos jovens, como já propôs e praticou Sócrates, patrono da Filosofia grega. O que mais quer uma sociedade, senão jovens críticos, cidadãos e criadores? Desse modo, a regulamentação da obrigatoriedade do ensino de Filosofia e Sociologia a partir de 2009 é uma acertada decisão. No entanto, os benefícios podem não surgir de modo tão líquido e certo como imaginamos. Alguns cuidados devem ser observados na implantação do ensino de Filosofia no Ensino Médio. Um aspecto é a formação de professores, que deve ser planejada com profundidade. As universidades precisam se estruturar para formar professores de Filosofia, e não apenas pesquisadores. O professor de Filosofia não pode se restringir a compreender o que os mais importantes filósofos pensaram. Ele tem que ser capaz de contextualizar esses pensamentos em seu tempo e se entender como parte deles e de sua cultura. No Santa Maria existe essa intenção. O ensino de Filosofia ocorre desde a fundação do Colégio, o que demonstra a preocupação com o pensar criativo e reflexivo dos jovens, independentemente de regulamentação. Nosso trabalho tem como princípio alimentar e ampliar o repertório cultural do adolescente, por 10 meio também do pensar filosófico. Resultado dessa preocupação são os Encontros Filosóficos. Criados por iniciativa dos alunos do Ensino Médio há mais de cinco anos, abordam questões filosóficas a partir de expressões artísticas (cinema, teatro, música) nos fins de tarde. Caso o ensino de Filosofia não seja analisado com a minúcia necessária, um segundo aspecto preocupante será fomentado: a sua formatação, seja para padrões de vestibular, seja para a simples unificação de metodologias de ensino. A não reflexão acerca do ensino do filosofar permite que a falta de profissionais capacitados e a superficialidade dos encaminhamentos pedagógicos sejam armas para encaixotar uma área de conhecimento cujo princípio é a desformatação e o livre-pensar. A Filosofia e a Sociologia são muito bem-vindas, para ampliar a reflexão, o senso crítico e a criatividade de pensamentos. No entanto, devem ser inseridas educacionalmente a fim de alcançar esses objetivos. Criar pensamentos exige concentração e seriedade, exige profundidade de existência, de estar no mundo. Para ser um poeta, um pensador ou professor de Filosofia, é necessário muito mais do que mármore. Formatar a Filosofia é deformar o seu princípio. Felipe Teixeira Pinto, professor de Filosofia do Ensino Médio

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A CAPACIDADE DE ARGUMENTAÇÃO CONVENCER E DEFENDER OPINIÕES A argumentação é relevante na comunicação e está presente na vida das pessoas em seu aspecto formal e cotidiano. Os exemplos que marcam a presença da argumentação em nossa vida são inúmeros; em situações nas quais, em um momento, somos os locutores e, em outro, interlocutores. O texto argumentativo consiste em um discurso oral ou escrito e tem como função desenvolver e promover debates de forma ordenada e coerente, visando a modificar a opinião do interlocutor. A motivação que nos levou a desenvolver esse trabalho foi a observação dos alunos em sala de aula, fazendo uso de argumentos próprios para defender ou contrapor pontos de vista, e às vezes, convencer colegas e professores. Geralmente, o texto argumentativo é desenvolvido em séries posteriores, mas nós, educadores do 4o ano, percebemos que os estudantes dessa faixa etária também materializam em seus textos elementos da estrutura argumentativa. Tivemos o cuidado de selecionar textos e discussões com temas polêmicos, pois esses assuntos geram debates e precisam estar de acordo com a maturidade que lhes compete. Vejam o que escrevem os alunos: “Os games de hoje trazem má influência às crianças e aos adolescentes, porque acham que podem imitá-los. Várias crianças não têm controle e acabam cometendo as agressões físicas dos games e acham que o que vêem pode ser feito na vida real. Sou contra os games que apresentam cenas de violência, porque as pessoas se tornam violentas”. (Eliza Baptista Zavaglia, 4o A) “Games e filmes violentos são vendidos em grande quantidade. Dependendo de quem joga ou assiste, acha que pode fazer tudo o que as personagens fazem, sem ter punição ou perigo de machucar alguém. Às vezes, as pessoas se tornam violentas e agressivas após assistir e jogar esses games. É por isso que sou contra filmes e games violentos, que prejudicam as relações entre pessoas.” (Pedro Takeuti Veiga de Castro, 4o A) Vanini Andolfato Mesquita, professora do 4º ano do Ensino Fundamental N o cotidiano, as pessoas expõem sua forma de pensar, defendem idéias e questionam, procurando convencer o interlocutor de seu ponto de vista. A linguagem é o lugar de encontro de discursos e experiências; é elemento de constituição de sentidos, capaz de representar e criar realidades. O esforço para a produção de sentidos ocorre em virtude de os homens desejarem estabelecer cadeias comunicativas para informar, convencer, emocionar, ou para explicar, determinar, aconselhar. Escrever bons textos argumentativos e dissertativos é tanto uma questão de explorar certos recursos da língua como estar atento ao fato de que a linguagem significa; ela atribui sentidos, carrega valores e idéias, formula preceitos e preconceitos. Sua elaboração implica o domínio das formas de funcionamento próprias da língua escrita, devendo, portanto, considerar desde a questão ortográfica até a necessidade de suprir recursos expressivos da fala, com o uso de um vocabulário mais preciso. Na sala de aula, uma metodologia baseada na argumentação permite o desenvolvimento de um pensamento criterioso, autocorretivo, criativo e sensível ao contexto. Ao tentar fundamentar suas posições, o aluno exercita habilidades de argumentação, tais como dar exemplos, contra-exemplos, classificar, ordenar, formar conceitos. Quando se depara com posições diferentes das suas, ele desenvolve habilidades argumentativas, pois seus interlocutores apresentam objeções e contraargumentos, motivando revisões e reelaborações dos conceitos em discussão. Assim, as sucessivas revisões vão se tornando mais sofisticadas, o que não ocorre quando existe uma mera recepção passiva dos conteúdos. O texto argumentativo demanda conhecimento do assunto, uma tomada de posição crítica; necessita de dados, informações, idéias e opiniões. Além da escola, deve haver uma integração com os meios de comunicação e a busca permanente de fontes de informação. É importante lembrar que a pesquisa pode resolver a carência de informação e a atualização. Manuela Chaves Simões Ferreira, Marcia Proietti e Sonia Regina Yamadera, professoras de Filosofia e Língua Portuguesa, 9o e 8o anos 11

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FEIRA DO LIVRO/SEMANA PADRE MOREAU EFERVESCÊNCIA CULTURAL “A sociedade tem uma necessidade maior de pessoas de valor do que de estudiosos” Padre Basile Moreau O O que se viu no dia 13 de setembro no Santa Maria foi muito mais do que um simples conjunto de apresentações. Finalizando a semana dedicada ao Padre Moreau, fundador das Congregações de Santa Cruz, foi um sábado em que se mostraram trabalhos dos alunos e também fragmentos dos vários processos que ocorrem no Colégio durante o ano, que objetivam desenvolver o conhecimento intelectual e valores capazes de mudar uma sociedade cada vez mais individualista. Desde as apresentações da Educação Infantil até as do Ensino Médio, o que se viu foi a junção do saber acadêmico com qualidades como a união, o trabalho em grupo, o respeito ao próximo e a vonta- de de lutar para melhorar as coisas. O que estava em jogo não era “ganhar uma nota a mais no boletim”, mas mostrar aos pais e a outros visitantes aquilo que se vem fazendo com empenho no nosso ambiente escolar. Colaborando para transformar o colégio em um espaço de “efervescência cultural”, a comunidade do Santa Maria propiciou uma variedade de manifestações que vão ao encontro do que defendia Padre Moreau: uma educação que não visse as crianças e os jovens como simples receptáculos de informação, mas que os desenvolvesse de maneira integral. Adriano Silva dos Santos, professor de Língua Portuguesa da 1a série do Ensino Médio 12

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NEM A CHUVA ATRAPALHOU N no ia 13 de setembro houve o encerramento da Feira do Livro, que aconteceu na Semana Padre Moreau, no Colégio Santa Maria. Durante toda a manhã de sábado, os alunos e familiares puderam aproveitar a feira, comprando livros e vendo as atividades preparadas pelas crianças e pelos professores. A programação foi interessante e diversificada. Houve apresentação de teatro, música, inglês, jogral, sarau, literatura de cordel e contação de histórias. Também teve oficinas de origami, classificados poéticos, culinária, acrósticos, caricaturas e apresentação da cobra-lelé-da-cuca. Ninguém ficou de fora. Desde o Infantil até o Ensino Médio, todos participaram da Feira. Nos últimos 15 dias, nos bastidores do 5o ano D, a professora Christyanne exigiu bastante de todos. Também ocorreu a entrevista com Indigo, autora de livros infanto-juvenis, e a visita à Feira. Valeu a pena tanta dedicação! Por falar em dedicação, os professores capricharam na decoração. Todas as salas estavam divinas. Todos os alunos ficaram orgulhos de mostrar seus trabalhos para os pais e familiares. Alguns até superaram sua timidez Mariana Oganda Medrado, aluna do 5o D DE TODAS AS TRIBOS, POVOS E RAÇAS (PRESENTES À FEIRA DO LIVRO) N a edição passada de Caleidoscópio trouxemos algumas visões e saberes matemáticos de algumas tribos e povos (num texto reduzido e editado por limitação de espaço). Mas, desta vez, durante a Feira do Livro, foi ao vivo e a cores que cada aluno do 7o ano pôde vivenciar um pouquinho dessa experiência cultural. Criaram seu próprio sangaku – tabuletas matemáticas do Japão –, pesquisando situações-problema, representando-as nas tabuletas e, assim, homenageando os 100 anos da imigração japonesa. As tabuletas expostas na sala de leitura, no Prédio Santa Terezinha, agregadas a alguns livros interessantes de Matemática, proporcionaram momentos agradáveis aos visitantes e de integração entre pais e filhos, na tentativa de buscar uma solução para a situação proposta pelo sangaku. Além do deleite visual proporcionado pelas tabuletas, apreciamos o envolvimento de todos com a atividade proposta. Inês Angelini Namour, professora de Matemática do 7o ano 13

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COMPONENTES CURRICULARES: MATEMÁTICA DA RESOLUÇÃO de problemas P ara trabalhar os conteúdos matemáticos no 6o ano, partimos do princípio de que, para que os alunos possam construir os conhecimentos com sentido, a resolução de problemas é uma atividade fundamental. Mas, se as crianças elaboram o conhecimento a partir da resolução de problemas, que caminho percorrem para estabelecer relações e então organizar os saberes durante a resolução? Trabalhamos com duas formas básicas nas aulas com problemas: o trabalho em grupo e a interação professor-classe. O trabalho em grupo favorece a troca de idéias e o aprendizado mútuo, obtendo-se resultados surpreendentes. Essa forma de trabalhar é adequada para problemas desafiadores à turma. As atividades de discussão, nesse momento, são a principal ferramenta para que os alunos avancem, e fica por nossa conta a organização desses saberes. Para Marília, aluna do 6o E, o trabalho em grupo a ajuda a aprofundar os conhecimentos da matéria estudada: “Quando tenho dificuldade em resolver um problema, com a ajuda e as idéias dadas pelos colegas no grupo a Matemática fica mais fácil e interessante, consigo organizar melhor o que aprendi”. Nesses momentos, costumamos andar pela sala, incentivando os alunos e, às vezes, até ajudando-os, sem nunca facilitar demais. Diante de perguntas, em vez de dar respostas prontas, respondemos com outra indagação que permita ao aluno refletir sobre o assunto. Em outra aula, retomamos coletivamente os procedimentos utilizados pelos alunos. Algumas soluções são mostradas para toda a classe, de preferência pelos alunos que as conceberam. Especialmente quando dois grupos propõem caminhos diferentes para um mesmo problema, o confronto 14 à construção DE SABERES das resoluções é enriquecedor. Para Giovanna Arré, do 6o ano G, descobrir diferentes caminhos para resolver um problema é muito bom. “Quando meus colegas de classe mostram diferentes estratégias na lousa, eu aprendo observando as soluções e comparando com a minha. Observo se resolvi corretamente e que outras possibilidades de solução poderei usar nos próximos problemas”, ela diz. Em outras situações, o problema é resolvido na interação do professor com a classe, pela soma das sugestões dos alunos. Isso costuma acontecer quando se discute um problema que a turma não conseguiu resolver ou quando estamos introduzindo um assunto novo. Essa produção de explicações supõe localizar os alunos em um posicionamento de reflexão sobre o trabalho matemático. O objetivo é ensinar, além dos conteúdos matemáticos, o “saber analisar”, decidir, planejar, expor idéias e ouvir a dos outros. Victor Borelli, aluno do 6o ano G, diz que, para ele, resolver problemas não é só armar uma conta. Algumas questões exigem também lógica e raciocínio para serem solucionadas: “Aprendi que alguns problemas têm mais de uma solução ou mais de um jeito de serem resolvidos. Outra coisa importante é ouvir a opinião do outro para melhorar a sua idéia ou ajudar a pessoa a pensar em outra estratégia”, ele explica. Não esqueça: Um problema pode ajudá-lo em muitas coisas, como melhorar sua atenção, seu raciocínio e até fazer você aprender a economizar em uma compra de supermercado. Mirela Mendes Landulfo e Neuza Bedoni Alves, professoras de Matemática do 6o ano

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OS DESAFIOS DO COTIDIANO D esde a Antigüidade, o homem enfrenta situações para as quais não encontra uma resposta imediata e, por isso, exigem uma nova solução: esses são os problemas. Nossos alunos, embora jovens, também buscam soluções no dia-a-dia, e pensamos que uma das funções da escola é capacitá-los a desenvolver estratégias e procedimentos para a resolução dos desafios que experimentam no cotidiano, sejam ou não parte do contexto escolar. Por isso, um dos objetivos fundamentais na área da Matemática é possibilitar a construção de habilidades que envolvem o raciocínio lógico, a atenção e a concentração, o pensamento e a argumentação, além dos conteúdos conceituais e os procedimentos específicos da disciplina. Esse processo é mediado pelo trabalho com as situações-problema. Propomos, então, durante o ano, atividades “problematizadoras” que são discutidas em sala de aula e envolvem resolução e formulação. Faz parte desse trabalho o desenvolvimento do projeto relativo ao sistema monetário. Nas aulas introdutórias, discutimos situações a partir de livros de literatura infantil, questionamos práticas de consumo, refletimos sobre o que é necessário para a sobrevivência e o que é supérfluo. Posteriormente, elaboramos vivências diversificadas, como a montagem de um mercadinho, no qual os alunos analisam produtos e pensam em critérios para realizar compras, operam com máquinas de calcular utilizando as quatro operações, efetuam e conferem troco. Sabemos que, a partir dessa forma de trabalho, o aluno tem a possibilidade de desenvolver competências e procedimentos de leitura e interpretação de diferentes tipos de texto, utilizar linguagens adequando-as ao contexto, levantar e verificar hipóteses e organizar outras formas de representações e registro, a partir de uma mesma situação. Veja o que pensam nossos alunos: “Eu acho importante as atividades de problemas porque ela nos ajuda em nosso dia-a-dia”, diz Giulia Erhardt. “A situação-problema é muito importante para mim, porque, por exemplo, se eu estou numa loja de roupas e comprei três pares de sapato, se não sei quanto eu tenho de pagar, posso aproveitar e lembrar do que estudei na classe e resolvo o problema”, explica Carolina Chajczyk. “Eu amo situação-problema, porque aprendo, me divirto, é minha matéria favorita e quando eu crescer vou comprar coisas, procurar lojas mais baratas e depois faço a conta rápido e vou embora para casa”, acrescenta Camila Oliveira. Certamente não conseguiremos resolver todos os problemas que enfrentamos, na escola ou fora dela, mas, dia a dia, procuramos dar significativos passos nessa direção. Sílvia Cristina Vicentini de Souza, Ana Claudia Florindo e Katya Jurdy Martins Bayer, professoras de Matemática do 3o ano do Ensino Fundamental 15

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