Revista Avicultura do Paraná Edição 41

 

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Harmonia Social - Dia do avicultor

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Editorial Diretoria Presidente: Domingos Martins Vice-presidente: Alfredo Kaefer Secretário: Claudemir Bongiorno Tesoureiro: João Roberto Welter Diretores efetivos: Roberto Kaefer e Guilherme dos Santos Diretores suplentes: Sidnei Bottazzari, Ciliomar Tortola, Ademar Rissi, Dilvo Grolli, Roberto Pecoits e Valter Pitol Conselheiros fiscais efetivos: Paulo Cesar Cordeiro, Célio Martins Filho e Pedro Henrique de Oliveira Conselheiros fiscais suplentes: Evaldo Ulinski, Paulo Karakida e Marcos Batista Delegados representantes efetivos: Domingos Martins e Osvaldo Ferreira Junior Delegados representantes suplentes: Claudio de Oliveira e Rogério Gonçalves Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná Av. Cândido de Abreu, 140 - Salas 303/304 Curitiba/PR - CEP: 80.530-901 Tel.: 41 3224-8737 | sindiavipar.com.br sindiavipar@sindiavipar.com.br Cada vez mais forte Os números do primeiro semestre mostram que a avicultura do Paraná continua em franca expansão. Conforme você vai ler nesta edição da revista Avicultura do Paraná, o volume das exportações cresceu 9,2% em relação ao ano passado, enquanto a produção atingiu um novo recorde: 757,08 milhões de aves abatidas. Isso mostra o quanto o Paraná está preparado para atender a uma demanda crescente pela carne de frango, que deverá se tornar a proteína animal mais consumida do mundo em menos de dez anos. E o mais importante de tudo isso é que a riqueza gerada pela avicultura paranaense está melhorando a vida de muita gente. É por isso que esta edição traz como matéria de capa uma homenagem ao Dia do Avicultor, comemorado em 28 de agosto, e mostra o quanto os avicultores do estado só têm ganhado com o sistema de contrato de integração. Você confere todos os relatos a partir da página 24. Outro ponto importante é que as inscrições para o Workshop da Avicultura Paranaense 2014 já estão abertas. O evento será realia Associação Paranaense de Avicultura (Apavi) como uma forma de disseminar conhecimento para toda a nossa indústria. Que, como vimos, está cada vez mais forte. Desejo uma ótima leitura e que nos encontremos no dia 24 de outubro, em Foz do Iguaçu (PR), durante o Workshop. Um abraço! Foto: Sindiavipar zado em conjunto pelo Sindiavipar com Fale conosco Se você tem alguma sugestão, crítica, dúvida ou deseja anunciar na revista Avicultura do Paraná, escreva para nós: revista@sindiavipar.com.br. Ed. nº 41 - Jul/Ago 2014 Domingos Martins Presidente do Sindiavipar Expediente Produção: Centro de Comunicação centrodecomunicacao.com.br Jornalista responsável: Guilherme Vieira (MTB-PR: 1794) selo SFC Editora-chefe: Cecilia Gibson (MTB-PR: 6472) Colaboração: As matérias desta publicação podem ser reproduzidas, desde que citadas as fontes. Giórgia Gschwendtner, Maria Luiza de Paula e Stephany Guebur Design e diagramação: Cleber Brito Comunicação e Marketing: Mônica Fukuoka Impressão: Maxi Gráfica Allan Oliveira, Bruna Robassa, Gabriela Titon,

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12 Foto: Deloitte Entrevista Governança A governança corporativa pode ser uma ferramenta para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro. O diretor de consultoria empresarial na região Sul da Deloitte, Alexandre Martins, detalha como as empresas têm a ganhar com o processo. Seções Espaço Sindiavipar.............................06 Canal aberto.........................................07 Radar...................................................08 Ciência...................................................09 Agenda..................................................10 Observatório........................................10 20 Workshop Entrevista............................12 Apavi......................................................14 Mercado externo.................................16 Inscrições abertas Já estão abertas as inscrições para o Workshop da Avicultura Paranaense 2014. Confira também a programação completa desse evento que já é um dos mais esperados do ano pelo setor avícola. Workshop............................20 Oportunidades ....................................22 24 Foto: Copagril Capa Dia do Avicultor Data comemorada no dia 28 de agosto relembra o desenvolvimento da avicultura brasileira, assim como a distribuição de renda e harmonia social geradas pelo sistema de contrato de integração entre avicultores e indústria. Capa.....................................24 Economia..............................................30 Artigo técnico......................32 Adapar...................................................34 Insumos.................................................36 32 Artigo técnico Foto: Agrostock Saúde do trabalhador........................38 Associados............................................40 Mito ou verdade?...............................42 ABPA...................................................44 Notas e registros.................................46 Culinária................................................48 Estatísticas...........................................50 O 4° pilar da avicultura Em artigo exclusivo para a revista Avicultura do Paraná, o consultor avícola Valmor Ceratto analisa o atual cenário da avicultura no Brasil e o que precisa ser feito para que a atividade continue se expandindo.

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Espaço Sindiavipar MAIO Participação na AveSui 2014 11/05: O presidente do Sindiavipar, Domingos Martins, o diretor executivo, Icaro Fiechter, e a gerente de marketing e comunicação, Mônica Fukuoka, estiveram presentes na AveSui 2014 com a divulgação do plano de ações do sindicato. O mais importante deles foi a apresentação do Workshop da Avicultura Paranaense 2014, que no dia 24 de outubro reunirá o setor avícola do estado e do Brasil para a disseminação de conhecimento a todas as engrenagens da indústria. Nesta edição, o workshop abrangerá as cadeias do frango de corte, matrizes de reprodução e aves de postura. Isso devido à parceria do Sindiavipar com a Associação Paranaense de Avicultura (Apavi), entidades que se unem para construir uma representatividade mais sólida e consolidam o bom momento vivenciado pela avicultura do Paraná. Sucesso A AveSui 2014 fechou a edição deste ano com um volume total de 17,5 mil visitantes únicos durante os três dias de atividades, uma movimentação financeira estimada em R$ 370 milhões e cerca de 550 congressistas no Seminário Técnico Científico. Valorização dos resíduos 19/05: O diretor executivo do Sindiavipar, Icaro Fiechter, esteve presente em reunião na Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) sobre a valorização dos resíduos e subprodutos de origem animal. Durante o encontro foi discutida a importância de sinergias entre a indústria e a academia na busca por soluções reais que agreguem valores aos resíduos agroalimentares. A valorização dos resíduos é importante pois utiliza de forma sustentável os recursos do planeta, minimizando os impactos ambientais causados pela produção de alimentos. O projeto também prevê a criação de negócios baseados na inovação a partir desses novos procedimentos de utilização dos resíduos, gerando uma verdadeira economia verde. Para o diretor executivo do Sindiavipar, as ações são atitudes de consciência, e o diálogo mostra o quanto as indústrias estão no caminho certo para adaptar-se a uma visão de futuro mais harmônica com as necessidades de nossos recursos naturais. 6 | sindiavipar.com.br

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Espaço Sindiavipar JUNHO Bem-estar animal 30/06: Uma reunião na Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), que contou com a presença do diretor executivo do Sindiavipar, Icaro Fiechter, versou sobre a organização de uma comissão que dialogará sobre os conceitos de bem-estar animal. A medida visa garantir as diversas exigências cada vez mais constantes de governos para tornar o processo de abate indolor aos animais: procedimento que é comumente conhecido pelo nome de abate humanitário. No Brasil, o Decreto-Lei n° 64, de 22 de abril de 2000, definiu que o proprietário ou detentor dos animais deve tomar todas as medidas necessárias para assegurar o bem-estar de sua produção, certificando-se de que serão evitadas dores, lesões ou sofrimentos desnecessários. A lei deixa bem clara a responsabilidade dos donos de empresas na capacitação de seus funcionários em relação aos critérios do abate humanitário. Canal aberto Educação continuada da Indústria (Sesi), Indústria Saudável, é uma grande iniciativa no sentido de solidificar a relação entre indústria e seus funcionários. Funciona também como uma espécie de educação continuada patronal, que visa a constantes melhorias no estabelecimento de uma boa relação de trabalho. Por meio do programa, o Sesi auxilia a indústria na busca de soluções em Segurança e Saúde do Trabalho, Promoção da Saúde e Estilo de Vida Saudável e Assistência Médica e Odontológica. Isso porque quem oferece um bom ambiente de trabalho sabe que tal benefício dutividade. Outra grande oportunidade de educação continuada com foco na indústria é o Workshop da Avicultura Paranaense 2014, que trará um dia inteiro de programação voltada à disseminação de informações para toda a cadeia avícola. E vale ressaltar: as inscrições já estão abertas! Por difundirem uma educação contínua, as iniciativas – tanto a do Sesi quanto a do Sindiavipar e Apavi – trazem mais benefícios para esse segmento econômico tão importante para o estado e o País, que é a nossa avicultura paranaense. Construída com muito conhecimento. Foto: Sindiavipar O programa do Serviço Social cer tamente será rever tido em pro- Icaro Fiechter Diretor executivo do Sindiavipar sindiavipar@sindiavipar.com.br sindiavipar.com.br | 7

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Radar O que foi notícia A edição n° 33, de março/abril de 2013, da revista Avicultura do Paraná trazia em sua capa matéria que reportava o aumento dos custos da energia elétrica para a avicultura paranaense. Atualmente, a energia continua sendo o segundo maior custo das indústrias do estado. Uma das propostas é a de redução do preço durante o período noturno, o que poderia fortalecer toda a cadeia. Com a economia em energia elétrica, o produtor poderia investir em infraestrutura, com a construção de novos galpões, por exemplo, beneficiando a economia de todo o estado. A reivindicação, que ainda continua atual, portanto, é a de que ações governamentais sejam adotadas para garantir a estabilidade industrial e evitar o repasse de preços ao consumidor. Tenha acesso a todo esse conteúdo também: Basta acessar sindiavipar.com.br/revistas para conhecer todas as edições da publicação. Não perca tempo, acesse já! 19.08.10 14:42:15 19.08.10 14:42:15 fotos.indd 2 19.08.10 14:42:15 fotos.indd 2 19.08.10 14:42:15 Fotos: César Machado UMa Foto perfeita CaUsa UMa ótima impressão o melhor e mais completo banco de imagens do agronegócio. suínos, aves, bovinos, culturas, alimentos, carnes, maquinário, etc. fotos.indd 2 www.agrostoCk.CoM.br fotos.indd 2

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Ciência Cascudinho Cascudinhos (Alphltobius diaperinus) são pequenos besouros pretos nas granjas de galinha e perus em quase todas as partes do mundo. Tanto o besouro adulto como as larvas podem ser encontrados na cama ou no piso dos galpões. Alimentam-se de restos de ração, fezes e aves mortas. Buscam locais com pouca luz e geralmente são encontrados sob os comedouros, frestas, terra e cama. Não parasitam nem infestam as aves, porém as galinhas podem se alimentar das larvas ou adultos, principalmente nas primeiras semanas da vida. Quando isso acontece pode ocorrer comprometimento do desempenho zootécnico. Os cascudinhos podem introduzir ou carrear muitos agentes bacterianos e víricos patogênicos para as aves, como também per- Praga é comum em todos os aviários do mundo. Saiba como prevenir manecer como reservatórios deles. Existem trabalhos que demonstram a presença do vírus da doença de Marek, doença infecciosa da bolsa e Salmonella sp. nos cascudinhos. Os cascudinhos também podem atuar como hospedeiros intermediários de vermes chatos dos gêneros Ralllietina, Choanotaenia e Hymenolepis. Os cascudinhos voam e se movimentam a distâncias consideráveis, principalmente à noite, podendo ir de um galpão para outro. Mesmo quando presente na cama e enterrados são capazes de vir à superfície e se deslocar até aviários próximos. O A. diaperinus requer de 1 a 3 meses para completar seu ciclo larvar. O inseto adulto pode viver por até 1 ano. Ovos, larvas, pupas e adultos são encontrados em qualquer parte do galpão. Tanto a larva como o adulto ficam no solo ou em rachaduras e frestas do piso para se protegerem, principalmente durante o período de limpeza. É difícil controlar os cascudinhos. O controle envolve limpeza, desinfecção e uso de inseticidas com frequência. Os inseticidas mais utilizados são os organofosforados e piretróides. Esses são aplicados na retirada das aves, entre lotes ou após a limpeza dos aviários. A fermentação da cama contribui de maneira significativa na redução da população de cascudinhos porque as larvas e os insetos adultos morrem durante o processo. Aviários não cimentados facilitam a sobrevivência e reprodução dos cascudinhos e dificultam seu controle. Ações garantem em 97% o controle da praga A aplicação do ectoparasiticida Colosso Pulverização, da Ourofino Saúde Animal, e o manejo correto na granja garantem em 97% o combate a praga do cascudinho. O resultado é confirmado logo após o terceiro ciclo de trabalho na propriedade, de acordo com levantamento do programa de Controle Integrado de Cascudinho realizado pela Linha de Aves da Ourofino. “Não basta a aplicação do produto, a equipe da granja precisa estar preparada”, comenta Amilton Silva, diretor da Linha de Aves e Suínos da empresa. Manejo - As principais dicas de manejo para o controle do cascudinho incluem estocar os sacos de alimentos em uma área separada do local de criação, limpar regularmente os silos de ração, não acumular várias camas e retirar imediatamente as carcaças de aves mortas. Uso do Colosso Pulverização – Em caso de descarte e reaproveitamento da cama, o tratamento químico deve ser iniciado imediatamente após a saída do lote do aviário. O primeiro passo é amontoar a cama em leiras com distância entre 0,5 a 1 metro das paredes. Em seguida, é aplicado o Colosso Pulverização conforme orientação da bula. A cama deve ser então coberta com lona preta, que retém melhor o calor, auxiliando no controle das larvas e insetos adultos por meio do processo de fermentação. Após 96 horas, deve-se retirar a lona, espalhar a cama amontoada e preparar o aviário para entrada de um novo lote de animais com a aplicação do desinfetante Glutaquat. Fonte: Alberto Back sindiavipar.com.br | 9

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Agenda Conferência Facta 2014 Data: 18 a 20 de agosto Local: Atibaia (SP) Realização: Facta E-mail: facta@facta.org.br Informações: (19) 3243-6555 Site: facta.org.br C.Vale cresce em ranking da Exame A C.Vale subiu 34 posições no ranking das 500 maiores empresas brasileiras, elevando suas vendas em quase 30% em 2013, comparativamente ao ano anterior. Ao registrar R$ 4 ,23 bilhões em receita líquida, a cooperativa classificou-se em 118º lugar no levantamento Melhores e Maiores da revista Exame. O estudo publicado pela revista Exame mostra que 10° Simpósio Técnico de Incubação, Matrizes de Corte e Nutrição Data: 16 a 18 de setembro Local: Balneário Camboriú (SC) Realização: Acav E-mail: contato@acavsc.org.br Informações: (48) 3222-8734 Site: acavsc.org.br VI Congresso Latino Americano de Nutrição Animal (CLANA) Data: 23 a 26 de setembro Local: São Pedro (SP) Realização: CBNA E-mail: cbna@cbna.com.br Informações: (19) 3232-7518 Site: cbna.com.br a C.Vale é a terceira maior empresa do Paraná em crescimento de vendas (22%), já com os descontos da inflação de 2013. Cruzando os dados por região, a cooperativa classificou-se em 11º lugar entre as 100 maiores empresas da região por vendas líquidas. Entre as 400 maiores do setor de agronegócio, a C.Vale está em 29º lugar, segundo a quinta na região sul. Workshop da Avicultura Paranaense 2014 Data: 24 de outubro Local: Foz do Iguaçu (PR) Realização: Sindiavipar e Apavi E-mail: marketing@sindiavipar.com.br Informações: (41) 3224-8737 Site: sindiavipar.com.br Americanos fazem recall de frango A produtora de frango norte-americana Foster Farms anunciou o primeiro recall, de 170 de produtos, após um surto de salmonela que deixou mais de 500 pessoas doentes nos últimos 16 meses nos Estados Unidos. O Departamento de Agricultura do país disse que encontrou evidências que relacionam a doença a produtos da Foster Farms. Em maio, a empresa afirmou que havia colocado em prática novas medidas, incluindo exames mais rigorosos das aves, uma melhoria da segurança nas propriedades onde as aves são criadas e um melhor saneamento. Quer divulgar seu evento aqui? Entre em contato conosco pelo e-mail revista@sindiavipar.com.br ou ligue (41) 3224-8737. 10 | sindiavipar.com.br

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Observatório Capital nacional da genética A presença da multinacional Cobb-Vantress garantiu ao município de Água Clara o título de Capital Nacional da Genética Avícola. A denominação foi dada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul por meio de alteração na lei nº. 4 .386, de 16 de julho de 2013, sancionada pelo governador André Puccinelli e publicada segunda-feira na edição do Diário Oficial do Estado. Segundo o estudo da empresa Cobb-Vantress Brasil, o município possui o maior complexo produtor de matrizes de frango de cor te do País. Por tanto, na avaliação do deputado estadual Marcio Fernandes, “outorgar ao município o cognome proposto é uma forma de opor tunizar que sejam agregados valores à cultura e turismo para fomentar o desenvolvimento municipal e regional”, justifica. Novos mercados O Brasil vendeu mais de 3,5 mil tonela- OMC condena a Argentina A Organização Mundial do Comércio (OMC) decidiu que a Argentina violou as regras dos acordos comerciais ao restringir importações. O caso envolve o uso pelo governo argentino de licença de importação não automática, além de pré-registro e autorização prévia de todas as importações, de uma forma que viola as regras da OMC e aumenta custos para as empresas, segundo os países reclamantes. Segundo alguns países afetados, esse procedimento passou a ser uma política da Argentina. Parceiros industrializados insistiram na OMC que o país adotou a medida não de maneira pontual, mas para todo o seu comércio exterior, em "apoio de políticas de reindustrialização, de substituição de importações e para eliminar déficit da balança comercial". das para o México durante os primeiros cinco meses deste ano, e deve chegar a 30 mil toneladas exportadas até o final do ano depois de receber aprovação para exportação de carne de frango aos mexicanos em 2013, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O país tem atualmente cinco frigoríficos de aves aprovados pelo México, mas esse número deve aumentar ainda este ano, em parte devido às lutas em curso para o setor de suínos da América do Norte contra o vírus da diarreia epidêmica de suínos (PEDv), o que aumenta a demanda por aves. O México está entre os três maiores mercados do mundo para a importação de carne de frango, e comprou cerca de 700 mil toneladas em 2013. O Sudeste da Ásia e a África também são pontos focais para novas negociações comerciais de aves brasileiras este ano, porque possuem forte potencial de crescimento da renda. sindiavipar.com.br | 11

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Entrevista Os olhos do dono O olho do dono é o que engorda o boi, diz a sabedoria popular. Exclua a classe animal e o ditado continua mais do que válido para qualquer organização que queira engordar seus resultados. É nesse contexto que se encaixa a Governança Corporativa, processo de gestão que visa à profissionalização da administração das companhias, gerando mais solidez aos negócios e trazendo maiores vantagens competitivas para possíveis investidores ou aos acionistas. Processo de Governança Corporativa pode ajudar no desenvolvimento das empresas do agronegócio brasileiro Nesta entrevista à revista Avicultura do Paraná, o diretor de consultoria empresarial na região Sul da Deloitte – uma das maiores auditorias do mundo –, Alexandre Martins, explica como a­ Governança Corporativa pode resultar em frutos a serem colhidos pelas empresas do agronegócio. E ressalta: a falta de um aprimoramento na gestão pode gerar perdas tão danosas quanto as pragas em uma lavoura. para otimizar decisões e melhorar o desempenho de longo prazo das empresas? Um dos pilares da boa governança corporativa é a implantação de um processo de gestão de riscos robusto. Naturalmente empresas com bons processos de gestão de riscos conseguem melhor identificar e antecipar seus riscos de negócio, consequentemente essas empresas terão uma vantagem competitiva em seu processo decisório em relação a empresas que tratam empiricamente com seus riscos de negócio. É importante ressaltar que ao analisarmos as empresas com ações na Bovespa, percebemos que aquelas com as melhores práticas de governança corporativa, reportadas na Bolsa pelo Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC), possuem valor de mercado superior às demais, sendo portanto mais atrativas para seus investidores e acionistas. Como a governança corporativa auxilia na criação de mecanismos O processo está restrito às grandes empresas? Não. A governança corporativa é aplicável para empresas de todos os portes e segmentos de atuação. As boas práticas de governança auxiliam as empresas a gerar valor aos seus acionistas e também representam linhas de defesas que auxiliam na preservação do valor e dos ativos da organização. A chave para o sucesso 12 | sindiavipar.com.br

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Entrevista é adequar a dose aos objetivos e cultura da empresa. Neste sentido podemos fazer a analogia com o sistema de freios de um carro: independentemente de ser um Fórmula 1 ou um carro popular, precisamos de um bom sistema de freios para evitar acidentes. E é natural que em um carro de Fórmula 1 teremos um sistema mais sofisticado, mas nunca poderemos abrir mão de um bom sistema de freio. tecipação de situações de risco em um mercado cada vez mais volátil levaram empresas e empresários de sucesso à falência em um tempo muito curto. sam de aprimoramento e geram perdas que podem ser tão nocivas para o agronegócio como uma praga na lavoura. Como equilibrar a transição de uma administração familiar para um processo de gestão corporativa? A presença da família será sempre importante, mas é natural que com o crescimento da empresa a família assuma uma posição estratégica por meio da constituição de um conselho de família/ conselho de administração. Essa transição não deve ser abrupta, é importante que seja um processo gradual respeitando o tempo e a cultura da empresa. Neste processo o melhor é que os membros da família deixem os cargos executivos gradualmente, passando o conhecimento adequado para seus sucessores visando preservar além da operação, a própria cultura e valores da organização. A falta de um aprimoramento na gestão pode gerar perdas tão danosas quanto as pragas em uma lavoura No cenário brasileiro, com o contínuo desenvolvimento do setor, a governança corporativa tende a ser cada vez mais uma exigência do mercado? É inevitável, os mercados internacionais e brasileiro caminham nesse sentido, um exemplo disso é Lei Anticorrupção brasileira, que entrou em vigor em janeiro de 2014 e prevê multas de até 20% do faturamento das empresas. Essa lei afeta todas as organizações de todos os portes, mesmo aquelas que não são de capital aberto e não possuem contratos com o governo. A governança corporativa pode ajudar a levar o conhecimento técnico de dentro da porteira para fora de porteira, como questões relacionadas ao mercado global de produtos, preços internacionais, empresas envolvidas, acontecimentos em fusões e aquisições? Sem dúvida. Mas é importante destacarmos o seguinte: o agronegócio brasileiro é referência em relação à utilização de tecnologia e melhores práticas na operação agrícola, o que está refletido nas nossas safras recorde a cada ano. Quando falamos em gestão e administração no agronegócio entendo que ainda existe espaço para aprimoramento, mesmo dentro da porteira, seja por meio da implantação de um sistema de informações gerenciais e monitoramento dos riscos relacionados à variação do preço das commodities. Atualmente em muitos casos essas atividades de gestão ainda precisindiavipar.com.br | O empresário precisa ficar atento para que possa se antecipar e implementar bons instrumentos de governança corporativa adequados à cultura e tamanho da sua empresa. Não tenho dúvida que cada vez mais o cerco irá se fechar, quem não tiver comprovadamente bons instrumentos de governança perderá vantagem competitiva no mercado e será excluído gradualmente de grandes oportunidades nacionais e internacionais. Sendo um dos grandes representantes do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, qual a importância de consolidar uma cultura corporativa no agronegócio brasileiro? A cultura da governança corporativa é importante quando falamos em perenidade dos negócios. Não são raros os exemplos de empresas familiares, sejam do agronegócio ou não, em que disputas familiares ou a falta de an- Para as empresas que querem implantar boas práticas de governança corporativa, qual o melhor caminho para iniciar? Um bom caminho para iniciar essa jornada é por meio da identificação dos seus principais riscos de negócio, é importante que as empresas conheçam suas fragilidades. Também é fundamental a implantação de uma função de Auditoria Interna, que será o “olho do dono” nas operações da companhia. 13

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Apavi Postura comercial sofre no PR Avicultura de postura paranaense já foi a segunda maior do País. Atualmente, está perdendo competitividade A Associação Paranaense de Avicultura (Apavi) está trabalhando para reverter um cenário de queda: o Paraná já foi o segundo maior estado produtor do Brasil na avicultura de postura. E hoje, sua produção oscila entre a quarta e quinta posições. Na tentativa de recuperar a liderança produtiva para o estado, a Apavi tem encabeçado uma proposta ao governo, em conjunto com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab-PR) e a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), que solicita uma revisão da política fiscal para a classe dos produtores de ovos. “Nossa reinvidicação é que a receita estadual, através do governo, libere a utilização dos créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para a produção da avicultura de postura no estado. Tem granja que todo mês gera R$ 30 mil de crédito e não consegue utilizar esse dinheiro para investir”, pontua o produtor de ovos e presidente licenciado da Apavi, Claudio Cesar Casagrande. Para a entidade representativa do setor, a situação fiscal que os granjeiros têm sido obrigados a enfrentar está enfraquecendo o segmento. “O grande problema diz respeito à politica de apropriação e utilização de crédito acumulado do ICMS. Pelo fato do ovo ser um produto isento, a compra de insumos e produtos entre estados gera créditos para a avicultura de postura. Só que, ao contrário de estados como Ceará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, por exemplo, o governo não permite que esse dinheiro seja reinvestido para a expansão de nossa classe”, explica Casagrande. Em contrapartida, a proposta da Apavi prevê que o dinheiro gerado com a liberação dos créditos de ICMS deverá ser investido somente no Paraná, ajudando a desenvolver a economia regional e oferecendo uma compensação vantajosa para o governo. “Nós queremos que esse crédito de ICMS seja vinculado ao estado, para ajudar a viabilizar a nossa própria indústria”, reforça o dirigente. Normalmente, o montante adicional é utilizado de forma acentuada na aquisição de novos equipamentos, o que ajuda na redução de despesas. A associação afirma que a evolução tecnológica disponível hoje para o mercado acontece de uma forma muito rápida, e não estar atualizado quanto à obtenção desses maquinários pode inclusive influenciar na sobrevivência das empresas, prejudicando os produtores locais e fazendo com que o estado arrecade menos impostos. Ainda de acordo com a Apavi, o custo de produção no estado de São Paulo chega a ser 10% menor do que nas granjas paranaenses. Esse resultado traz como consequência um produto que chega com preço bastante inferior ao praticado regionalmente, dificultando o desenvolvimento da avicultura de postura no Paraná. “Seja para o consumidor ou para o atacadista, ovo é ovo. Então é natural que a escolha se dê pelo produto que oferece o melhor preço, independentemente do estado em que foi produzido. O que nós precisamos é recuperar a competitividade da avicultura de postura no Paraná”, reforça o presidente licenciado. Histórico A última concessão governamental para o setor da avicultura de postura no Paraná ocorreu há quase 10 anos, quando o Palácio Iguaçu autorizou, por meio do Decreto n° 6.142, de fevereiro de 2006, a isenção do ICMS para a compra de embalagens que fossem utilizadas para o acondicionamento e o transporte dos ovos. COMPETITIVIDADE Custo de produção em São Paulo chega a ser 10% menor 14 | sindiavipar.com.br

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