Revista Construir Mais - Agosto de 2014

 
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Edição de agosto de 2014 da revista Construir Mais, uma publicação mensal impressa e eletrônica elaborada pelo Sinduscon-GO (Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás).

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0,496% CUB JUNHO REVISTA MENSAL DO SINDICATO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO NO ESTADO DE GOIÁS - SINDUSCON-GO ANO V, Nº 49 AGOSTO/2014 Entrevista com o presidente da Associação Goiana das Empresas de Engenharia (AGE), Oswaldo Ferreira Júnior Pág. 6

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SEALANTS & ADHESIVES FI X C CORAG N A E M 0 Argamassa de resina Q 90 com reação de cura rápida para cargas elevadas em quase todos tipos de materiais de construção. Ancoragem segura em tijolos furados/ocos. Permite cargas muito altas em concreto. Para vários tipos de pedras sólidas Fixação de barras de ancoragem, colares de rosca, barras de reforço, perfis e etc... U ÍM IC AK A Boletim Técnico Importado e Distribuído por: NBR 2005 www.impercia.com.br Av. C-205 Nº 683 Qd. 478 Lt. 6 Jardim América - Televendas (62) 4008-4500 - Goiânia - GO Av. Brasil Sul Nº 4435 - Qd. 31 Lt. 1/2 - Calixtolândia - Televendas (62) 3313-8003 - Anápolis - GO Quadra 103 Norte, Av. LO 02 Nº 64 - Televendas: (63) 3217-1214 - Palmas - TO

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E DITORIAL Construir Mais: quatro anos dedicados a levar informação de qualidade para a indústria da construção Esta edição da Construir Mais tem um significado todo especial para o Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás e os profissionais de comunicação responsáveis pela confecção da publicação, pois o número 49 dá início ao quinto ano de circulação mensal e ininterrupta da revista do Sinduscon-GO, premiada por sua qualidade gráfica e constantemente citada como referência de conteúdo nos encontros e eventos do setor da indústria da construção. Desde o primeiro número focada em veicular informações relevantes para os empresários da cadeia produtiva da construção e demais interessados pelas notícias do segmento, nossa equipe de jornalistas está comprometida em dar continuidade à circulação da revista primando sempre pelo cuidado no seu preparo e aperfeiçoamento a cada nova edição, como tem sido feito há quatro anos. Importante lembrar aos leitores que em agosto de 2013 uma nova Diretoria assumiu a nossa entidade, a qual tenho a honra de presidir. Portanto, também completamos justamente no mês em curso um ano de gestão à frente do Sinduscon-GO. Desde então, temos tido oportunidade de acompanhar bem de perto a divulgação dos fatos publicados mensalmente na Construir Mais, que torna-se assim um documento para registro e compartilhamento das ações empreendidas pelo Sindicato em sua missão de defender incansavelmente os interesses da categoria em Goiás. Assuntos prioritários para o setor sempre merecem destaque, como na matéria de capa desta edição, a qual trata sobre a necessidade de reconhecimento dos custos com Segurança e Saúde do Trabalho nos orçamentos das licitações públicas. A Construir Mais aborda a iniciativa do Sinduscon-GO em preparar estudo específico explicitando esses custos incidentes nos projetos de obras infraestruturais, com possibilidade de revertê-los na ampliação dos valores investidos em ações preventivas de SST nos canteiros de obras, em benefício dos trabalhadores da indústria da construção. A responsabilidade empresarial do ponto de vista social é preocupação constante do Sinduscon-GO, dentro e fora dos canteiros. Daí a realização do Dia Nacional da Construção Social (DNCS), que este ano acontece no próximo dia 23 deste mês de agosto nas dependências da Unidade Integrada Sesi/Senai Aparecida de Goiânia. No artigo assinado pelo presidente do Serviço Social da Indústria da Construção (Seconci Brasil), José Augusto Florenzano comenta sobre a relevância da participação expressiva dos empresários e dos colaboradores nesta iniciativa, que inclui ações de cidadania, saúde, educação e lazer, além da prática esportiva e de atrações artísticas, como o show com a dupla sertaneja Alex Terra e Adriano. O presidente do Seconci Brasil destaca que o DNCS é uma das mais relevantes ações do setor na área da responsabilidade social. O evento é promovido nacionalmente pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e realizado pelos sindicatos patronais e Seconci’s nos Estados, com o apoio do Sesi local. Em 2014, o tema geral está centrado na “Família: o alicerce do que se constrói na vida”. Fica aqui o nosso convite à participação de todos. Boa leitura! CARLOS ALBERTO DE PAULA MOURA JÚNIOR Presidente do Sinduscon-GO 100 95 75 DIRETORIA EXECUTIVA DO SINDUSCON-GO (2013/2016) Presidente: Carlos Alberto de Paula Moura Júnior - 1º Vice-Presidente: Eduardo Bilemjian Filho - 2º Vice-Presidente: Guilherme Pinheiro de Lima - Diretor Administrativo: Manoel Garcia Filho Diretor Administrativo Adjunto: Luís Alberto Pereira - Diretor Financeiro e Patrimonial: José Rodrigues Peixoto Neto - Diretor Financeiro e Patrimonial Adjunto: Ricardo Silva Reis - Diretor da Comissão de Economia e Estatística: Ibsen Rosa - Diretor da Comissão de Economia e Estatística Adjunto: Maurício Figueiredo Menezes - Diretor da Comissão da Indústria Imobiliária: Mário Andrade Valois - Diretor da Comissão da Indústria Imobiliária Adjunto: Eduardo Bilemjian Neto - Diretor da Subcomissão de Habitação: Roberto Elias de Lima Fernandes - Diretor da Subcomissão de Legislação Municipal: Renato de Sousa Correia - Diretor de Materiais e Tecnologias: Sarkis Nabi Curi - Diretor de Materiais e Tecnologias Adjunto: Pedro Henrique Borela - Diretor da Comissão de Concessão, Privatização e Obras Públicas: João Geraldo Souza Maia - Diretor da Comissão de Concessão, Privatização e Obras Públicas Adjunto: Humberto Vasconcellos França - Diretora de Qualidade e Produtividade: Patrícia Garrote Carvalho - Diretora de Qualidade e Produtividade Adjunta: Aloma Cristina Schmaltz Rocha - Diretor de Construção Pesada: Sérgio Murilo Leandro Costa - Diretor de Construção Pesada Adjunto: Jadir Matsui - Diretor de Construção Metálica: Cezar Valmor Mortari - Diretor da Construção Metálica Adjunto: Joaquim Amazay Gomes Júnior - Diretor de Assuntos Jurídicos: Ricardo José Roriz Pontes - Diretora de Assuntos Jurídicos Adjunta: Selma Regina Palmeira Nassar de Miranda - Diretor da Subcomissão de Política e Relações Trabalhistas e Sindicais: Yuri Vaz de Paula - Diretor de Saúde e Meio Ambiente: Jorge Tadeu Abrão - Diretor de Saúde e Meio Ambiente Adjunto: Gustavo Veras Pinto Cordeiro - Diretor do Setor Elétrico e Telefônico: Ricardo Daniel Lopes - Diretor do Setor Elétrico e Telefônico Adjunto: Carlos Vicente Mendez Rodriguez - Diretor Social e de Comunicação: Paulo Henrique Rodrigues Ribeiro - Diretor Social e de Comunicação Adjunto: Ulisses Alcoforado Maranhão Sá - Conselho Consultivo: Justo Oliveira d’Abreu Cordeiro, Paulo Afonso Ferreira, Mário Andrade Valois, Joviano Teixeira Jardim, Sarkis Nabi Curi, José Rodrigues Peixoto Neto, Roberto Elias de Lima Fernandes, Alan de Alvarenga Menezes, José Augusto Florenzano, José Carlos Gilberti - Suplentes: Bruno de Alvarenga Menezes, Marco Antônio de Castro Miranda, André Luiz Baptista Lins Rocha - Conselho Fiscal: Célio Eustáquio de Moura, Guilherme Pinheiro de Lima, Carlos Henrique Rosa Gilberti - Suplentes: Paulo Silas Ferreira, Ricardo de Sousa Correia, Paulo Henrique Rodrigues Ribeiro - Representantes junto à FIEG: Carlos Alberto de Paula Moura Júnior, Roberto Elias de Lima Fernandes - Suplentes: Eduardo Bilemjian Filho, Justo Oliveira d’Abreu Cordeiro Representante junto à CBIC: Carlos Alberto de Paula Moura Júnior - Suplentes: Eduardo Bilemjian Filho, Guilherme Pinheiro de Lima. 25 5 0 AGOSTO 2014 • CONSTRUIR MAIS • SINDUSCON-GO 3

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S UMÁRIO 6 Entrevista Oswaldo Ferreira Júnior é eleito para mais um mandato à frente da Associação Goiana das Empresas de Engenharia (AGE). 8 Artigo “Indústria da Construção dá exemplo de responsabilidade e inclusão social” é o tema do artigo do presidente do Seconci Brasil, José Augusto Florenzano. 9 Artigo “Diretrizes da Norma de Desempenho necessitam de contínua avaliação” é o tema tratado em artigo pelo arquiteto Paulo Cabral Neto. 16 Matéria de Capa Segurança e Saúde do Trabalho: é possível inserir seus custos nos orçamentos das obras públicas? 12 Inovar é Preciso Vidro líquido pode proteger fachadas por até 20 anos. 26 Contribuição Assistencial Patronal Dia 31 de agosto termina o prazo de recolhimento da Taxa de Convenção 2014. 14 Construção Sustentável Política Nacional de Resíduos Sólidos: nada de concreto! Confira a opinião da advogada ambiental Danielle Limiro. 28 Indicadores Econômicos Confira o valor do Custo Unitário Básico (CUB) referente ao mês de junho/2014. REVISTA CONSTRUIR MAIS - Revista mensal do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Sinduscon-GO) Sinduscon-GO - Filiado à CBIC e FIEG. Rua João de Abreu, n° 427, Setor Oeste, Goiânia-Goiás - CEP 74120-110. Telefone: (62) 3095-5155 / Fax: (62) 3095-5177 - Portal: www.sinduscongoias.com.br | Presidente: Carlos Alberto de Paula Moura Júnior | Diretor Social e de Comunicação: Paulo Henrique Rodrigues Ribeiro | Gerente Executiva: Sebastiana Santos | Edição: Joelma Pinheiro | Reportagem: Aymés Beatriz B. Gonçalves (beatriz@ sinduscongoias.com.br), Joelma Pinheiro (joelma@sinduscongoias.com.br) e Valdevane Rosa (valdevane@sinduscongoias.com.br) | Fotografia: Assessoria de Comunicação Social do Sinduscon-GO e Sílvio Simões | Projeto Gráfico e Diagramação: Duart Studio | Publicidade: Sinduscon-GO - Telefone: (62) 3095-5155 | Impressão: Gráfica Art3 | Tiragem: 6.000 exemplares. Publicação dirigida e distribuição gratuita. *As opiniões contidas em artigos assinados são de responsabilidade de seus autores. Consciente das questões ambientais e sociais, o Sinduscon-GO trabalha em parceria com a gráfica Art3, que utiliza papéis com certificação FSC (Forest Stewardship Council) na impressão dos seus materiais. ESPAÇO EMPRESARIAL Anuncie na revista Para informações entre em contato com o Departamento Comercial do Sinduscon-GO, telefone (62) 3095-5168, e-mail comercial@sinduscongoias.com.br. 4 SINDUSCON-GO • CONSTRUIR MAIS • AGOSTO 2014

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N OT Í C I A S D O S PA R C E I RO S Construindo Segurança e Saúde da CBIC estimula investimentos em SST A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), por meio da sua CPRT – Comissão de Política e Relações Trabalhistas, está convidando os empresários do setor a acessarem o “Construindo Segurança e Saúde”, simulador de custos de acidentes e afastamentos do trabalho. Lançado em maio durante o 86º Encontro Nacional da Indústria da Construção, em Goiânia, o software estimula os empresários e gestores de recursos humanos a investirem, ainda mais, no treinamento de suas equipes, visando melhor segurança nos canteiros de obra, além de ser capaz de mostrar os impactos tributários acarretados por acidentes de trabalho e afastamentos previdenciários. Para conhecer a ferramenta basta acessar www.cbic.org.br/construindosegurancaesaude/. Ibape Goiás lança guia profissional O Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de Goiás (Ibape) lançou o “Guia Profissional de Peritos em Arquitetura e Engenharia de Goiás”. Trata-se de uma publicação de caráter informativo sobre as competências profissionais na atuação nas áreas periciais em Goiás. O guia lista todos os aspectos legais necessários para auxiliar os profissionais, Poder Judiciário e os litigantes na tarefa de orientar a Justiça nas avaliações, periciais e auditorias. O documento contém 146 páginas com informações sobre os profissionais peritos como graduação, pós-graduação, especialidades e atividades, além dos números de registro no Crea e no Instituto, endereços residencial, comercial e digital e telefones. O guia supre a necessidade de esclarecimentos relativos às competências profissionais na atuação nas áreas periciais em Goiás. Toctao, Senai e Sesi: parceria na sustentabilidade Uma máquina para tratar o esgoto dentro das obras idealizadas pela Toctao Engenharia será desenvolvida em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Social da Indústria (Sesi). O projeto foi aprovado pelo Edital Senai/Sesi de Inovação – projeto anual das duas instituições, em âmbito nacional, para estimular desenvolvimento de mecanismos que contribuam positivamente para a sociedade. A máquina começou a ser desenvolvida em abril. Uma característica importante definida do projeto é que ela será de pequena dimensão, fácil manuseio e de fácil instalação. Seu maior benefício:ANUN_PRT_171MMX75MM.pdf toda a água tratada 1poderá ser utilizada em 11/07/14 18:17 outros processos das obras. A previsão é que, até 2015, ela esteja em funcionamento. O desenvolvimento do projeto conta com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Departamento Nacional do Senai. Além da equipe de engenharia e de meio ambiente da construtora e de um bolsista do CNPq, uma equipe do Senai da Vila Canaã e da Faculdade de Tecnologia Senai Ítalo Bologna participam do projeto. O projeto da Toctao Engenharia foi aprovado após passar por seleção recorde de inscrições nacionais em 2013, 1.478 propostas (441% a mais que o registrado em 2012). As propostas inscritas passaram por uma avaliação, quando foram analisados os requisitos de inovação e referência que se encaixam ao objetivo do edital. C M Y CM MY CY CMY K AGOSTO 2014 • CONSTRUIR MAIS • SINDUSCON-GO 5

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E N T R E V I S TA OSWALDO FERREIRA JÚNIOR Fomentar ideias para o desenvolvimento do Estado é o foco da diretoria eleita da AGE Maior aproximação e fortalecimento da parceria com o governo para apresentar novas ideias, visando incrementar mais obras para o desenvolvimento do Estado. Esta é principal meta da diretoria eleita da Associação Goiana das Empresas de Engenharia (AGE) para o biênio 2014/2016. Segundo o engenheiro civil Oswaldo Ferreira Júnior, reeleito presidente da entidade, o plano das empresas que integram a AGE é intensificar a convivência que foi estabelecida e vivida com os gestores públicos nos últimos anos. “Tiramos muito proveito nessa jornada, com grande êxito nas empreitadas investidas, consequentemente, gerando importantes obras para Goiás”, ressaltou. As eleições para a Diretoria Executiva e os Conselhos Fiscal e Deliberativo da AGE ocorreram no dia 25 de junho e a posse foi realizada no dia 07 de julho. Oswaldo Ferreira Júnior é natural de Pires do Rio (GO). Formou-se em Engenharia Civil pela Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro. Veio para Goiânia em 1973, tendo trabalhado na Construtora Ocidental antes de montar, em 1974, a sua própria empresa, a Construtora Ferreira, onde atua prestando serviços de obras públicas. Associado da AGE desde a fundação da entidade, Oswaldo Ferreira já ocupou o cargo de Diretor de Obras de Artes em diversas diretorias, tendo começado na gestão de Luiz Carlos Pires. Confira a seguir a entrevista que ele concedeu a Construir Mais. Recentemente, a AGE completou 40 anos de fundação. Ao longo de tantos anos, quais foram os momentos de maior dificuldade enfrentados pela entidade? Como vê a representatividade da AGE perante o setor? Durante esses 40 anos tivemos períodos de alta e de baixa. Os de alta, via de regra, são aqueles com muitas obras e pagamentos em dia, os de baixa são aqueles em que houveram atrasos de pagamento e/ou escassez de obras. Quanto à representatividade perante o setor, é cada vez maior. Ao longo de sua existência, as empresas associadas da AGE praticamente deixaram de ser coadjuvantes nas obras públicas maiores e hoje estão à frente, com muita competência, cumprindo prazos contratuais com qualidade e segurança, além de estarmos presentes nos momentos difíceis. E isto tem acontecido, porque os órgãos públicos contratantes de obras reconhecem e respeitam nossa representatividade. E quais foram os momentos marcados pelas conquistas mais relevantes? Repetimos, as maiores conquistas foram obtidas quando as empresas goianas tiveram maior presença na execução das obras, e os pagamentos não atrasaram. Agora por exemplo, vivemos um momento de alta. Outro momento marcante foi a conquista da nossa sede própria, executada pelos associados, sob o comando do nosso líder maior, engenheiro Paulo Afonso Ferreira. A indústria da construção e a sociedade em geral anseiam por menos burocracia 6 SINDUSCON-GO • CONSTRUIR MAIS • AGOSTO 2014 na gestão pública, por se tratar de um grande gargalo ao desenvolvimento. Como a burocracia afeta a contratação/ realização de obras públicas? A burocracia afeta os custos das empresas, seja pela necessidade de maior número de empregados ou pela demora nos trâmites dos processos. Quando o assunto é pagamento de faturas, a demora implica em custos financeiros para as empresas. A burocracia é um câncer dentro da administração pública. A AGE tem sido parceira da Agetop no intuito de reconhecer e diminuir os gargalos fomentadores da burocracia, através de sugestões e muito trabalho. Que metas a AGE possui para tornar o setor da construção pesada mais forte e unido? Em primeiro lugar, para atingir qualquer objetivo na vida, precisa ter união, na logomarca da AGE tem uma frase, “Unidas pela Engenharia”, que deu nome também a nova chapa vitoriosa, biênio 2014/2016. Na nossa gestão, desde 2012/2014, temos praticado e continuaremos praticando a união de todos os setores da construção, inclusive da construção pesada. Das diretorias setoriais da AGE, na gestão 2014/2016, as da área rodoviária são: as de Conserva, Obras Rodoviárias, Infraestrutura Urbana e Obras de Arte; já no Sinduscon-GO, existe também a Diretoria de Obra Pesada, dirigida por dois diretores da AGE. Esta convivência harmoniosa, que a partir de agora, na sua totalidade, entre as duas entidades, com certeza fortalecerá mais o setor da construção pesada. As metas da AGE para tornar o setor da construção pesada mais forte e unido são as seguintes: promoção de eventos corporativos de aperfeiçoamento empresarial como palestras e cursos de atualização das normas e leis trabalhistas, de segurança do trabalho e melhoria de relações laborais; realização de cursos de aprimoramento técnico e melhoria de produção; apresentação de novos equipamentos com a parceria de todos os fornecedores do Estado de Goiás; promover reuniões periódicas para avaliarmos o desempenho e a participação das empresas goianas no mercado local; e desenvolver constantemente um diálogo saudável e técnico com as entidades governamentais nas esferas federal, estadual e municipal para que as tabelas de preço vigentes que norteiam todas as licitações estejam sempre atualizadas de maneira justa. Qual avaliação a AGE faz sobre as obras de infraestrutura que estão em andamento no Estado de Goiás? Elas atendem ao que precisamos para continuar crescendo? Muitas obras importantes estão sendo realizadas no momento em todos os setores. A duplicação de rodovias, junto com a entrada em operação da Ferrovia Norte/Sul fará o interior do Estado dar um salto de crescimento. Temos, porém, que estar alertas, já que os investimentos em infraestrutura terão que ser contínuos e crescentes. É um dos principais vetores de desenvolvimento, não podem parar.

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irregularidades. Que avaliação a AGE faz sobre este tema? A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que reúne as entidades do setor de construção de todos os estados brasileiros, através de manifestações de suas filiadas percebe que os problemas estão em todo o Brasil. Avaliamos que os problemas surgem na raiz, ou seja, com projetos básicos e executivos mal elaborados e orçamentos básicos que não representam o real custo do objeto licitado. Precisamos também ter com muita clareza as atribuições de cada órgão público envolvido no processo, em especial os órgãos fiscalizadores e as instituições financeiras federais que repassam os recursos para os seus conveniados. Oswaldo Ferreira Júnior, presidente da AGE A matéria de capa desta edição da revista Construir Mais apresenta estudo realizado recentemente pelo Sinduscon-GO que mostra a defasagem nos orçamentos de projetos apresentados ao governo em obras públicas, ou privado, em relação ao custo da Segurança e Saúde do Trabalho. Comente. As exigências são crescentes, e seus custos não estão, na sua totalidade, contemplados nas composições das tabelas de preços. Muitas empresas estão com dificuldades em obter resultados nas obras devido a este problema. A Comissão de Obras Públicas (COP) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) promoveu no último mês de maio durante o 86º ENIC, em Goiânia, debate sobre as dificuldades vividas pelas empresas nos processos de licitação, execução de contratos, fiscalização por órgãos de controle e de responsabilização por eventuais Muito tem se falado sobre aliar sustentabilidade ao desenvolvimento urbano. Que contribuições a AGE tem dado com este foco ao crescimento das cidades? A AGE acredita que a engenharia existe para melhorar a qualidade de vida das pessoas, criar condição das empresas produzirem e escoarem seus produtos. O desenvolvimento urbano precisa estar alinhado a sustentabilidade. Destaco o respeito ao meio ambiente e mobilidade urbana. A AGE contribui levando para os órgãos do Estado, sugestões, apoio a projetos e fazendo ações de sustentabilidade. Reeleito para mais um mandato à frente da AGE (biênio 2014/2016), que ações o senhor pretende realizar junto à sua Diretoria? Como vê a parceria com as entidades representativas do setor – Fórum da Engenharia? A principal ação de nossa Diretoria, com o fundamental apoio do Fórum da Engenharia, será promover, a quatro mãos, entidades, contratantes e órgãos de fiscalização externa, um debate sobre todas as dificuldades na cadeia produtiva e assim promover ações para melhorar os processos que resultem no objetivo final, ou seja, entregar uma obra para a população no tempo adequado, com qualidade e preço justo. AGOSTO 2014 • CONSTRUIR MAIS • SINDUSCON-GO 7

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A RT I G O Indústria da Construção dá exemplo de responsabilidade e inclusão social O Dia Nacional da Construção Social (DNCS) é uma das mais relevantes ações do setor na área de responsabilidade social promovidas pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e realizado pelos Sindicatos Patronais e Seconci’s – Serviço Social da Indústria da Construção, com o apoio do Sesi local. Já em sua oitava edição, esse evento simboliza a importância que a construção civil vem dando ao aspecto social, que tem nos Seconci’s seu mais contundente exemplo. Apenas no ano passado foram mais de 550 mil atendimentos, com a participação de 67 mil pessoas e a colaboração de 788 parceiros em números totais no País. O evento acontece esse ano no dia 23 de agosto em 33 localidades simultaneamente. É um momento de união e confraternização de empresários, trabalhadores e seus familiares, porém, sempre focado em ações voltadas para as áreas de saúde, lazer, educação, meio ambiente e cidadania. A programação, que varia de acordo com cada unidade realizadora, conta com palestras, campeonatos, shows, corte de cabelo, brinquedos, medição de pressão arterial, orientação sobre tuberculose e saúde da mulher, higiene e orientação sobre saúde bucal, prevenção à dengue e Doenças Sexualmente Transmissíveis, oficinas de reciclagem e geração de renda, emissão de documentos, entre várias outras. A cada ano é escolhido um tema principal e o de 2014 vem com o título “Família: o alicerce do que se constrói na vida”. Os familiares, que sempre são convidados a participar, este ano serão ainda mais valorizados. O DNCS tem, ainda, a missão de mostrar a importância da atividade do setor, os benefícios da profissão e a valorização de seu trabalhador. Como em outros anos, o evento será realizado na Unidade Integrada Sesi/Senai Aparecida de Goiânia. Esperamos que o Dia Nacional da Construção Social de 2014 seja prestigiado por todo o empresariado goiano. JOSÉ AUGUSTO FLORENZANO é engenheiro, empresário, presidente do Seconci Brasil e conselheiro do Sinduscon-GO Diretrizes da Norma de Desempenho necessitam de contínua avaliação Para que possa ser utilizada em sua plenitude, uma norma precisa indicar não apenas o que deve ser feito, mas como deve ser feito e de que forma o resultado será verificado. Considerando esta premissa verdadeira, podemos inferir que a Norma de Desempenho de Edificações (NBR 15575) tem informações consistentes para sua aplicação, especificamente, por meio dos Requisitos, Critérios e Métodos de Avaliação indicados em cada capítulo. No entanto é ideal, como para qualquer código ou normatização, que se avalie periodicamente seu conteúdo, a fim de que haja contínuo aperfeiçoamento das diretrizes. Os requisitos para o desempenho térmico resumem-se, basicamente, à obtenção de temperaturas mais amenas (ou iguais, dependendo da Zona Bioclimática) nos ambientes de longa permanência, que as encontradas no exterior. Fator de grande influência no resultado são as aberturas. A Norma em vigor retirou do texto, que fazia parte da versão de 2008, o critério que obrigava a existência de “... dispositivos de sombreamento, externos aos vidros (quando este existir), de forma a permitir o controle do sombreamento ...” – item que merece reavaliação. Independentemente da área de trabalho, uma grande mu8 SINDUSCON-GO • CONSTRUIR MAIS • AGOSTO 2014 dança com a chegada da Norma diz respeito à reponsabilidade do profissional projetista. De maneira geral não havia preocupação com o desempenho dos materiais especificados para acabamento, por exemplo, tampouco informações detalhadas sobre os produtos e suas qualidades resultantes de ensaios. Caberá ao profissional responsável pelo projeto, a escolha dos materiais cujos fornecedores ofereçam tais informações. O projeto luminotécnico é um dos que carece, em sua grande maioria, de especificações detalhadas. É comum, por exemplo, a indicação de reatores sem suas correspondentes especificações, ou a indicação de luminárias cujos cálculos não temos acesso – exigência indireta da Norma de Desempenho. Independentemente das necessidades de ajuste, a Norma precisa ser difundida. A alienação não interessa aos profissionais conscientes de suas responsabilidades. Fornecedores, projetistas, construtores, incorporadores, consumidores, todos precisam ter ciência do que deve ser seguido e de que forma, permitindo que o cliente, que exigirá qualidade, escolha os melhores produtos, num círculo virtuoso, resultando em melhores projetos e obras, e valorizando os bons profissionais. PAULO CABRAL NETO é sócio da CBR Arquitetura, arquiteto, consultor capacitado pelo LACAM/FAU/UnB no processso de etiquetagem de edifícios e pós-graduando em Engenharia Diagnóstica

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E S PA Ç O J U R Í D I C O Dos juros nos contratos imobiliários Questão que ainda rende muita polêmica nos tribunais é a dos juros nos contratos imobiliários. Especialmente, a possibilidade ou não de cobrança de juros remuneratórios capitalizados. Juro corresponde à remuneração paga pelo capital em um determinado tempo. Representa, portanto, o custo da imobilização de uma unidade de capital por certo período. É o aluguel pago pelo uso do dinheiro. Sua finalidade é, além da remuneração pelo uso do capital alheio, o pagamento do risco do credor (especialmente o de não receber). Quanto ao fundamento, os juros são classificados em remuneratórios (ou compensatórios) e moratórios. O primeiro é decorrente da utilização do capital emprestado e possui função de remuneração pelo uso de tal capital. Já o segundo decorre da inércia do devedor em adimplir sua obrigação de restituir o capital e possui função de pena convencional. Para o Direito, ocorre capitalização de juros quando os mesmos (gerados até o período imediatamente anterior) são incorporados ao capital para sobre este (já acrescido) incidir a taxa de juros. Ou seja, quando se verifica a incidência de juros sobre juros que foram transformados em capital. A Medida Provisória nº 2170-36/2001 autoriza expressamente que as instituições financeiras capitalizem juros em periodicidade inferior à anual. A Lei 9.514/97, por sua vez, possibilita que as comercializações de imóveis “em geral” sejam pactuadas nas mesmas condições permitidas para as instituições financeiras. A razão de tal padronização é simples. Com a Lei 9.514/97, o legislador visou criar uma nova fonte de financiamento para as operações imobiliárias no país, dando acesso às empresas do segmento ao mercado de capitais, através da securitização de créditos imobiliários. Operação esta que pode ser assim sintetizada: o titular de um crédito imobiliário (originador) cede o mesmo para uma companhia securitizadora. Esta emite Certificados de Recebíveis Imobiliários – valores mobiliários lastreados nos créditos adquiridos – e, por fim, os negocia no mercado de capitais. As condições gerais dos negócios, no que tange a juros, seguros, reajuste monetário etc. devem ser homogêneas, de modo que haja sintonia entre as condições estabelecidas na formação do crédito (na relação entre o incorporador/construtor e o adquirente) e as condições praticadas no mercado secundário, pois só assim os créditos podem vir a ser assimilados nesse mercado¹. No mercado financeiro os juros são sempre pactuados de forma capitalizada, uma vez que esta é a lógica de qualquer investimento financeiro. Ora, se o capital inicial do investidor já gerou juros, o patrimônio do mesmo passa a corresponder ao montante inicial mais os juros já gerados. Sobre tal soma devem-se contar novos juros. A popular poupança, mais tradicional investimen10 SINDUSCON-GO • CONSTRUIR MAIS • AGOSTO 2014 “ Juro corresponde à remuneração paga pelo capital em um determinado tempo. Representa, portanto, o custo da imobilização de uma unidade de capital por certo período. É o aluguel pago pelo uso do dinheiro” to do país, é exemplo claro de tal lógica. Não obstante, ainda é grande a resistência do Judiciário em autorizar a capitalização mensal de juros em periodicidade inferior à anual nos contratos imobiliários não firmados por instituição financeira. Fechar completamente os olhos para a autorização dada pela Lei 9.514/97 para que os contratos do setor imobiliário em geral prevejam capitalização mensal de juros redundará no fechamento das portas do mercado de capitais, via securitização, para as empresas do segmento. ¹Cf. CHALHUB, Melhim Namem. Da incorporação imobiliária. 2. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2005. p. 238-239. ARTHUR RIOS JÚNIOR é advogado militante na área imobiliária e da construção civil, pós-graduado em Direito Civil e Processual Civil pela Universidade Cândido Mendes, em Direito Corporativo (LL.M.) pelo Ibmec e em Direito Tributário pelo Ibet arthurjr@advrios.com.br Foto: Cristina Cabral

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Justiça Entende – Capitalização de Juros: Ementa: APELAÇÃO CÍVEL - FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO SFH - CAPITALIZAÇÃO DE JUROS - CONTRATO CELEBRADO DURANTE A VIGÊNCIA DA LEI Nº 11.977 /2009 - LIMITAÇÃO DE JUROS REMUNERATÓRIOS. Nos contratos firmados no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação celebrados após a vigência da Lei nº 11.977 /2009, é admitida a pactuação da capitalização mensal de juros, em razão da existência da autorização legal específica. - Incabível a limitação dos juros remuneratórios se a taxa prevista no contrato não é abusiva. Hipótese em que o percentual previsto no contrato é inferior a 1% ao mês. (TJ-MG - Apelação Cível AC 10687110027822001 MG (TJ-MG); Data de publicação: 23/04/2014) RECURSO REPETITIVO. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. PERIODICIDADE INFERIOR A UM ANO. PACTUAÇÃO. CONTRATO BANCÁRIO. Trata-se de REsp sob o regime do art. 543-C do CPC e Res. nº 8/2008-STJ no qual a Seção, ratificando a sua jurisprudência, entendeu que é permitida a capitalização de juros com periodicidade inferior a um ano em contratos celebrados após 31 de março de 2000, data da publicação da MP 1.963-17/2000, em vigor como MP 2.170-36/2001, desde que expressamente pactuada, bem como, por maioria, decidiu que a previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada. A Min. Maria Isabel Gallotti, em seu voto-vista, esclareceu que, na prática, isso significa que os bancos não precisam incluir nos contratos cláusula com redação que expresse o termo “capitalização de juros” para cobrar a taxa efetiva contratada, bastando explicitar com clareza as taxas cobradas. A cláusula com o termo “capitalização de juros” será necessária apenas para que, após vencida a prestação sem o devido pagamento, o valor dos juros não pagos seja incorporado ao capital para o efeito de incidência de novos juros. Destacando que cabe ao Judiciário analisar a cobrança de taxas abusivas que consistem no excesso de taxa de juros em relação ao cobrado no mercado financeiro. (REsp 973.827-RS, Rel. originário Min. Luis Felipe Salomão, Rel. para o acórdão Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 27/6/2012) AGOSTO 2014 • CONSTRUIR MAIS • SINDUSCON-GO 11

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I N OVA R É P R E C I S O Vidro líquido pode proteger fachadas por até 20 anos O EcoGlas, também conhecido como vidro líquido em diversas partes do mundo, é uma tecnologia inovadora baseada em Dióxido de Sílica (Sio2) – que começou a ser mais difundida no Brasil a partir do ano de 2012 – e permite criar revestimentos de vidro em escala nanométrica (até 500 vezes mais finos que um fio de cabelo humano) para praticamente qualquer tipo de superfície, tendo como principal ação a proteção aos agentes externos. O composto é desenvolvido na Europa, e comercializado no Brasil pela DPM Tecnologia, empresa do Grupo DPM, atuante há 18 anos no País. Contando hoje com diversos distribuidores regionais, a companhia busca parceiros no Estado de Goiás. O diretor da empresa, Paulo Loria, relata que já há muitos empreendimentos utilizando o produto validado, inclusive, pela Marinha do Estado de São Paulo que fez uso do material em fachadas de vidro e concreto. O produto é versátil e pode ser aplicado em diversas áreas, como alimentícia, industrial, saúde, automobilística, aviação, naval, etc. Na indústria da construção, ele pode ser usado para impermeabilização de fachadas, lajes, pisos, etc.; fornecendo também proteção anti-pichação, evitando a aderência de sujeira, contribuindo, assim, com a estética do imóvel. O diretor explicou que o processo de impermeabilização acontece quando uma camada de 100 nanômetros reveste os materiais, criando uma trama que impede a passagem de moléculas granpaulo Loria des. A camada protegida com o produto é flexível, respirável e antiaderente. Uma das principais características do composto é o fato de ele conferir mais durabilidade e segurança às fachadas. O diretor afirmou que, dependendo do produto aplicado, pode-se alcançar proteção de até 15 anos para fachadas de vidro e de até 20 anos para as de concreto e minerais em geral. Essa impermeabilização também contribui com a segurança das fachadas, pois diminui o desgaste natural do revestimento externo. Outro quesito destacado por Loria é o ambiental, ele classifica o produto como “amigo da natureza”, pois facilita a limpeza das áreas externas dos imóveis, diminuindo drasticamente a necessidade de uso de produtos químicos (em muitos casos apenas água é suficiente) e também minimiza a necessidade de empenho de mão de obra especializada, o que reduz em geral os custos de manutenção da limpeza do empreendimento, resultando em um valor considerável, em sua visão. Ele acrescenta que o vidro líquido pode ser usado em diversas situações, dependendo da solução desejada, “a tecnologia está sendo usada em concreto pré-moldado; proteção de estruturas metálicas locadas, pois reduz a aderência de concreto; proteção contra corrosão em estruturas metálicas de pontes, etc.”, exemplificou, completando que a aplicação do composto “não é um custo, é investimento em maior durabilidade, estética e segurança das fachadas”. 12 SINDUSCON-GO • CONSTRUIR MAIS • AGOSTO 2014

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S EGURANÇA DO TRABALHO Os impactos da revisão da NR 12 na construção civil A Norma Regulamentadora número doze (NR 12), passou por grande alteração tendo sido a nova versão oficialmente publicada no final de 2010. Tendo em vista as dificuldades geradas na sua aplicação foi protocolada no Ministério do Trabalho uma solicitação de mudanças proposta pelo setor empresarial representado pela LUIZ ROSA Confederação Nacional da Indústria (CNI), atendendo a entidade representativa dos fabricantes de máquinas, a Associação Brasileira de Indústria de Máquinas (Abimaq). A solicitação que está em apreciação propõe a adoção das seguintes premissas: linha de corte temporal para as adequações de máquinas usadas; obrigações distintas para fabricantes e usuários; tratamento diferenciado para as microempresas e empresas de pequeno porte; interdição de máquinas e equipamentos, mediante grave e iminente risco devidamente comprovado, por laudo técnico circunstanciado e por ato a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego. Mesmo com as alterações propostas a Norma deverá ser cumprida devido ao seu caráter compulsório por se tratar de um instrumento de regulamentação legal. Todos os envolvidos nesta discussão, representantes do governo, dos trabalhadores e patronal reconhecem a dificuldade em conciliar o conflitante dilema entre o aumento do custo de produção e o custo social da não aplicação, bem como a responsabilidade civil e criminal dos envolvidos na culpabilidade da ocorrência dos acidentes: trabalhador, colega de trabalho, chefes, responsáveis pelas empresas. Nesse sentido é importante vislumbrarmos alguns aspectos a serem considerados na utilização de máquinas, equipamentos e ferramentas na construção civil. A Norma no que se refere à segurança na operação de máquinas e equipamentos complementa as disposições da Norma Regulamentadora número dezoito (NR 18), específicas da indústria da construção. A NR 12 estabelece as referências técnicas, os princípios fundamentais e as medidas de proteção visando garantir a saúde e a integridade física dos trabalhadores na utilização de máquinas e equipamentos de todos os tipos em todas as atividades econômicas. Também exige requisitos mínimos para a prevenção de acidentes e doenças do trabalho nas fases de projeto, fabricação, importação, comercialização, exposição e cessão a qualquer título. Impõe que os sistemas de segurança devem ser selecionados e instalados de modo a atender aos requisitos: prévia análise de risco com a categoria prevista nas normas técnicas oficiais vigentes; responsabilidade técnica de profissional legalmente habilitado; conformidade técnica com os sistemas de comando a que são integrados; instalação de modo que não possam ser neutralizados ou burlados; vigilância automática e monitoramento de acordo com categoria de segurança requerida exceto para dispositivos de segurança exclusivamente mecânicos; paralisação dos movimentos perigosos e demais riscos quando ocorrerem falhas ou situações anormais de trabalho. Na construção civil, conforme a Norma 18, a primeira providência é o PCMAT que estabelece o programa de segurança da obra no qual deve estar contido o memorial descritivo constando os riscos de todas as atividades e suas correspondentes medidas de controle; o projeto das proteções coletivas; as especificações das proteções coletivas e individuais com o correspondente programa educativo. Neste programa, considerando a Norma 12 o responsável pela elaboração do documento deverá contemplar as exigências sobre a segurança na operação de todas as máquinas da obra bem como o treinamento específico aos operadores e demais trabalhadores envolvidos. Nas atividades iniciais da obra como a execução de fôrmas utilizando máquinas convencionais da carpintaria, as armações de aço para estruturas utilizando máquinas convencionais próprias, oferecem vários riscos de difícil atendimento à Norma e, a produção de argamassas e concreto com equipamentos de grande porte também exigem atenção. O local onde estiverem locadas estas atividades deve atender a norma quanto ao arranjo físico, instalações, distância entre as máquinas, áreas de livre circulação e rota de fuga em casos de emergência, demarcações de faixas no piso, organização dos materiais em processamento e armazenamento de matérias primas e produtos. As estruturas metálicas e esquadrias metálicas e de madeira, geralmente terceirizadas, a proteção fica a cargo da empresa fornecedora do serviço. Sobre a movimentação e transporte de materiais e pessoas, atividade preponderante nas edificações verticais, o investimento em modernos elevadores de cremalheira tem favorecido a segurança, considerando que estes equipamentos são concebidos dentro do princípio da falha segura e da prova de burla exigida pela Norma. Ressalta-se que neste equipamento é importante seguir a exigência de profissional habilitado para as atividades de manutenção, da capacitação dos operadores e trabalhadores envolvidos, com uma rigorosa inspeção diária dos sensores e dispositivos mecânicos e eletroeletrônicos de proteção. Quanto aos fabricantes cuja responsabilidade é total, no que se refere aos novos equipamentos, estão propondo alterações no texto da Norma, mas estão trabalhando para atendê-la. Algumas empresas adotaram a prática de fornecer um kit de segurança a ser adaptado às máquinas que estão no mercado, desde que factível e economicamente viável. Na Feira Internacional da Indústria da Construção, Feicon 2014, realizada em março deste ano em São Paulo, os fabricantes de máquinas para a construção civil evitaram expor máquinas sem proteção, conforme exigência da Norma. As máquinas expostas, a exemplo das betoneiras, apresentavam proteções de engrenagens, acionamento elétrico protegido, botão de parada de emergência, bem como utilizando as cores normatizadas. Como vimos, as empresas do setor produtivo terão que empreender grande esforço para atender a Norma, sendo que na construção civil, principalmente as pequenas empresas que geralmente utilizam equipamentos convencionais reformados, terão que estar atentas para não serem pegas de surpresa. LUIZ ROSA é professor, engenheiro civil e de segurança do trabalho, mestre em Engenharia de Produção, consultor e conselheiro da Agest AGOSTO 2014 • CONSTRUIR MAIS • SINDUSCON-GO 13

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C ONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL Política Nacional de Resíduos Sólidos: nada de concreto! Sancionada em 2010 pela Lei n° 12.305, que entrará integralmente em vigor a partir de agosto do ano corrente, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) considera como resíduos de construção civil aqueles que são gerados em demolições, reformas, construções e reparos de obras, incluindo preparação e escavação de terrenos. A lei determina a seguinte ordem na gestão e gerenciamento dos resíduos: não geração, reduDANIELLE LIMIRO ção, reutilização, reciclagem, tratamento desses resíduos e, como última opção, a disposição final ambientalmente adequada. Com o advento da Resolução Conama 307, de 05/07/2002, que estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil, passou o gerador (construtor) a ser responsabilizado pelo gerenciamento desses resíduos, os quais foram segregados em diferentes classes, bem como foi determinado o encaminhamento para a reciclagem e disposição final adequada, ficando proibida a disposição em aterros de resíduos sólidos urbanos, em áreas de “bota fora”, em encostas, corpos d’água, lotes vagos e em áreas protegidas por lei. Embora essa determinação tenha representado um avanço legal e técnico, infelizmente observamos que a disposição final ambientalmente adequada não ocorre na prática, e a razão disso é a inércia do poder público. Preconiza a Lei nº 12.305/10 que a disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos deverá ser implantada em até quatro anos após sua publicação, prazo esse expirado em 02 de agosto. Mas, são pouquíssimos os municípios que seguirão essa norma, assim como aconteceu com o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, cujo prazo para que entrasse em vigor expirou há dois anos. No caso da Prefeitura de Goiânia, por exemplo, o Plano Municipal começou a ser discutido recentemente, sendo que já deveria estar em vigor há 1 ano e 5 meses. Tal exemplo nos leva às indagações: se sequer o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos foi estabelecido, quando é que ocorrerá a implementação do Plano Municipal de Gestão de Resíduos da Construção Civil, que deve estar em consonância com aquele? Quando e onde serão implementadas as Áreas de Transbordo e Triagem (ATT)? E o “aterro de resíduos classe A de reservação de material para usos futuros”? Os construtores, especialmente os de médio e grande porte, desempenham bem seu papel, ao seguirem seus planos de gerenciamento de resíduos, que objetivam a não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos. Todavia, ao realizarem a disposição final, não conseguem atender ao requisito “ambientalmente adequada”, pois os destinos para onde os municípios direcionam os resíduos da construção civil acabam sendo os aterros sanitários, que, quando inexistentes, são “dispostos” nos malfadados e ilegais lixões, banidos pela PNRS. Depois de seu projeto de lei tramitar por duas décadas, a PNRS e sua regulamentação configuram-se, neste ano de 2014, como uma mudança de paradigmas da sociedade brasileira. Desejamos que a PNRS seja concretizada rapidamente, com resistência e durabilidade, pois assim o setor da construção civil tem se preparado para recebê-la com o intuito de gerar benefícios econômicos, sociais e ambientais para a presente e futuras gerações. DANIELLE LIMIRO é advogada ambiental, sócia da Limiro Advogados, mestre em Ecologia e Produção Sustentável pela PUC/GO, autora do livro Créditos de Carbono (Juruá Editora) O prêmio mais prestigiado em excelência gráfica da América Latina É NOSSO ! Gráfica Art 3 é a única de Goiás a receber o Prêmio Fernando Pini de Excelência Gráfica em toda a história das 22 edições do evento. Rua 102, 34, St. Sul, Goiânia - (62) 3218.2233 www.graficaart3.com.br 14 SINDUSCON-GO • CONSTRUIR MAIS • AGOSTO 2014

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C OMUNIDADE DA CONSTRUÇÃO CCB Construtora adota sistema construtivo em paredes de concreto moldadas in loco com uso de fôrmas metálicas Padronização e repetição do processo construtivo são fatores preponderantes para o êxito das empresas do ramo da construção civil, atuantes na edificação de conjuntos habitacionais. Com a vigência da coletânea de normas técnicas, a NBR 15575:2013 – Edificações Habitacionais – Desempenho, todo empreendimento deverá apresentar adequação ao uso de um sistema destinado a atender uma função, independente da solução técnica adotada. Para tanto, é de grande importância um controle rigoroso de qualidade, principalmente, no que tange à durabilidade das unidades habitacionais, o que implica, para a construtora, na redução de retrabalhos e reparos, visto que estes fatores podem influenciar diretamente no caminho-crítico da obra, onde, por consequência, afetam o cronograma previsto inicialmente. Além da qualidade, prazo e custo são fatores que afetam diretamente na viabilidade de um empreendimento. Assim, a escolha por um processo construtivo ágil é relevante para o cumprimento do planejamento financeiro da empresa, considerando que, atualmente, o principal financiador para obras com grande número de unidades habitacionais é o Governo Federal, por meio do programa habitacional Minha Casa Minha Vida. A CCB Construtora, ao notar a tendência do mercado da construção civil, investiu na técnica construtiva de paredes de concreto moldadas in loco com uso de fôrmas metálicas. Próxima a completar três anos de atuação com o uso deste sistema, a CCB já executou mais de três mil casas, além de sete mil casas e mil apartamentos, de dois e três pavimentos, contratados em diversos estados brasileiros. É importante salientar que a escolha da empresa por executar obras em paredes de concreto se deu pela confirmação de algumas vantagens, como o emprego de mão de obra especializada, alta produtividade, baixos índices de desperdício e a qualidade das edificações. Cada vez mais escassa, a mão de obra qualificada tornou- se um dos principais gargalos na indústria da construção brasileira. Neste cenário, a adoção, pela construtora, do método construtivo de paredes de concreto com utilização de fôrmas metálicas, aliada ao treinamento de auxiliares e montadores para a execução do serviço, conseguiu suprir em seus canteiros de obras esta deficiência do mercado. Para a CCB, além de possibilitar a produtividade de uma casa e meia por dia, este sistema permitiu, também, a otimização do custo da mão de obra (direta e indireta) e a eliminação de etapas críticas do processo construtivo convencional, compostos de alvenaria, chapisco e, principalmente, de reboco que, além de demandarem muito tempo para sua execução, geram altos índices de desperdício. Outra vantagem observada é o reaproveitamento na utilização dos jogos de fôrmas que, conforme dados de fornecedores, podem ser reutilizados no mínimo 300 vezes, desde que as manutenções sejam feitas constante e corretamente. Aliados a estes dois fatores, a produtividade e a durabilidade das fôrmas metálicas permitem que o alto custo de aquisição se torne um insumo viável. É importante salientar que para se obter resultados satisfatórios, tanto no aspecto financeiro quanto na qualidade dos produtos entregues, é de fundamental importância que o método construtivo esteja aliado ao constante monitoramento de cada etapa da execução, através dos requisitos (registros, documentos e procedimentos) de implementação do sistema de gestão da qualidade. Rejane Barros Santos, engenheira civil e gerente do Sistema de Gestão da Qualidade; Renato Manzi, engenheiro civil e superintendente de Obras e Hígor Garcia, engenheiro civil e de Produção Montagem de fôrmas, desfôrmas e conferência de esquadro Padrão de unidades habitacionais executadas pela CCB Construtora nos municípios de Jataí e Itumbiara AGOSTO 2014 • CONSTRUIR MAIS • SINDUSCON-GO 15

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