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a knight w anglin histÓria do cristianismo dos apóstolos do senhor jesus ao século xx
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todos os direitos reservados copyright q 1984 para a língua portuguesa da casa publicadora das assembléias de deus cip-brasil catalogação-na-fonte sindicato nacional dos editores de livros rj knight a e k77h história do cristianismo a e knight [e w anglin 2ª ed rio de janeiro casa publicadora das assembléias de deus 1983 1 história eclesiástica i anglin w colab ii título cdd 270 83-0760 cdu 27 código para pedidos ht-905 casa publicadora das assembléias de deus caixa postal 331 20001 rio de janeiro rj brasil 11a edição 2001
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Índice 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 primeiro século da era cristã segundo século da era cristã quinta e sexta perseguições gerais sétima e oitava perseguições gerais nona e décima perseguições gerais quarto século da era cristã período semelhante a pérgamo período semelhante a tiatira nestorianos paulícios e maometanos idolatria romana e o poder papal período mais tenebroso da idade média depois do ano do terror primeira cruzada da segunda à quarta cruzada da quinta à oitava cruzada perseguição na europa e a inquisição influência papal sobre a reforma o princípio da reforma os reformadores antes da reforma lutero e a reforma alemã zwínglio e a reforma suíça zelo de lutero na reforma 0 formalismo depois da reforma período semelhante a sardo reforma na frança e suíça francesa reforma na itália e outros países europeus reforma inglesa no reinado de henrique viii auxílios e obstáculos à reforma inglesa reforma nos reinados de eduardo vi maria e isabel história da igreja desde a reforma
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1 primeiro século da era cristã a história da igreja de deus tem sido sempre desde a era apostólica até o presente a história da graça divina no meio dos erros dos homens muitas vezes se tem dito isso e qualquer pessoa que examine essa história com atenção não pode deixar de se convencer que assim é lendo as epístolas do novo testamento vemos que mesmo nos tempos apostólicos o erro se manifestou e que a inimizade as contendas as iras as brigas e as discórdias com outros males tinham apagado o amor no coração de muitos crentes verdadeiros deixaram as suas primeiras obras e o seu primeiro amor e alguns que tinham principiado pelo espírito procuravam depois ser aperfeiçoados pela carne mas havia muito mais do que isso não somente existiam alguns verdadeiros crentes em cujas vidas se viam muitas irregularidades e que procuravam pelas suas palavras atrair discípulos a si como também havia outros que não eram de modo algum cristãos mas que entraram despercebidamente entre os irmãos semeando ali a discórdia isto descreve o estado de coisas a que se referem os primeiros versículos do capítulo dois de apocalipse na carta escrita ao anjo da igreja em Éfeso tempos de perseguiÇÃo porém estava para chegar um tempo de perseguição para a igreja e isso foi permitido pelo senhor na sua graça a fim de que se pudessem distinguir os fiéis esta perseguição instigada pelo imperador romano nero foi a primeira das dez perseguições gerais que continuaram quase sem interrupção durante três séculos por que razão permite deus que o seu povo amado sofra assim muitas vezes se tem feito esta pergunta e a resposta é simples é porque ele ama esse povo podia haver e sem dúvida há outras razões porém a principal é esta ele o ama porque o senhor corrige o que ama e se o coração se desviar tornar-se-á necessária a disciplina com que facilidade o mal se liga mesmo ao melhor dos homens mas na fornalha da aflição a escória separa-se do metal precioso sendo aquela consumida ainda mais quando suportamos a correção de deus ele nos trata como filhos e se sofremos com paciência cada provocação pela qual ele nos faz passar dará em resultado mais uma bênção para a nossa alma tal experiência não nos é agradável nem seria uma provocação se o fosse porém à noite de tristeza sucede a manhã de alegria e dizemos com o salmista davi foi bom para mim ter sofrido aflição
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porque e que deus permite a perseguiÇÃo mas deus permite algumas vezes que a malvadez leve o homem muito longe em perseguir os cristãos a fim de ficar manifestado o que está no seu coração e por isso não é de estranhar que na alma do cristão que não tem apreciado esta verdade se levantem dúvidas e dificuldades e que comece a queixar-se de o caminho ser custoso e da mão do opressor ser pesada sobre ele 8 o senhor porém não nos deixa na terra para nós nos queixarmos das dificuldades nem para recuarmos diante da ira dos homens temos de servir ao mestre e resistir ao inimigo porém é somente quando estamos fortalecidos no senhor e na força do seu poder que podemos prestar esse serviço ou resistir efetivamente a esse inimigo esta história pretende indicar quão dignamente se fez isto nos tempos passados porém se quisermos compreender a maneira como deus tem tratado o seu povo sempre nos devemos lembrar de que a milícia cristã é diferente de qualquer outra e que uma parte da sua resistência é o sofrer as armas da nossa milícia não são carnais mas sim espirituais e o cristão que se serve de armas carnais mostra sem dúvida que não aprecia o caráter do verdadeiro crente não pode ter apreciado com inteligência espiritual o caminho do seu senhor ou compreendido o sentido das suas palavras o meu reino não é deste mundo se o meu reino fosse deste mundo pelejariam os meus servos a igreja militante é uma igreja que sofre mas se empregar as armas carnais deixa na verdade de combater no ousado e santo estêvão temos um exemplo do verdadeiro crente militante foi ele o primeiro mártir cristão e que grande vitória ele ganhou para a causa de cristo quando morreu pedindo ao senhor pelos seus perseguidores davi séculos antes da era cristã disse o justo se alegrará quando vir a vingança lavará os seus pés no sangue do ímpio porém estêvão que viveu na época cristã orou senhor não lhes imputes este pecado isto foi um exemplo da verdadeira milícia cristã a primeira onda da perseguição geral que veio sobre a igreja fez-se sentir no ano 64 no reinado do imperador ne-ro que tinha governado já com uma certa tolerância durante nove anos neste tempo o assassinato de sua mãe e a sua indiferença brutal depois de ter praticado aquele crime tão monstruoso mostrou claramente a sua natural disposição e indicou ao povo aquilo que havia de esperar dele desgraçadamente as tristes apreensões que muitos tinham a seu respeito tornaram-se em negra realidade roma incendiada uma noite no mês de julho no ano acima citado os habitantes de roma foram despertados do sono pelo grito de fogo esta terrível palavra fez-se ouvir simultaneamente em diversas partes da cidade e dentro de poucas horas a majestosa capital ficou envolvida em chamas a grande arena situada entre os montes palatino e aventino onde cabiam 150.000
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pessoas em pouco tempo estava ardendo assim como a maior parte dos edifícios públicos os monumentos e casas particulares o fogo continuou por espaço de nove dias e nero por cujas ordens se tinha praticado este ato tão monstruoso presenciou a cena da torre de mecenas onde manifestou o prazer que teve em ver a beleza do espetáculo e vestido como um ator acompanhando-se com a música da sua lira cantou o incêndio da antiga tróia o grande ódio que lhe votaram em conseqüência deste ato envergonhou-o e tornou-o receoso e com a atividade que lhe deu a sua consciência desassossegada logo achou o meio de se livrar dessa situação o rápido desenvolvimento do cristianismo já tinha levantado muitos inimigos contra essa nova doutrina muita gente havia em roma que estava interessada na sua supressão por isso não podia haver nada mais oportuno e ao mesmo tempo mais simples para nero do que lançar a culpa do crime sobre os inofensivos cristãos tácito um historiador pagão que não era de modo algum favorável ao cristianismo fala da conduta de nero da seguinte maneira nem os seus esforços nem a sua generosidade para com o povo nem as suas ofertas aos deuses podiam pagar a infame acusação que pesava sobre ele de ter ordenado que se lançasse fogo à cidade portanto para pôr termo a este boato culpou do crime e infligiu os mais cruéis castigos a uns homens a quem o vulgo chamava cristãos e acrescenta quem lhes deu esse nome foi cristo a quem pôncio pilatos procurador do imperador tibério deu a morte durante o reinado deste esta superstição perniciosa assim reprimida por algum tempo rebentou de novo e espalhou-se não só pela judéia onde o mal começara mas também por roma para onde tudo quanto é mau na terra se encaminha e é praticado alguns que confessaram pertencer a essa seita foram os primeiros a ser presos e em seguida por informações destes prenderam mais uma grande multidão de pessoas culpando-as não tanto do crime de terem queimado roma mas de odiarem o gênero humano É quase escusado dizer que os cristãos não nutriam ó-dio algum pela humanidade mas sim pela terrível idolatria que prevalecia em todo o império romano e só por este motivo eram considerados como inimigos da raça humana cruÉis tormentos dos crentes não se sabe quantos sofreram por essa ocasião mas de certo foram muitos e eram-lhes aplicadas todas as torturas que um espírito engenhoso e cruel podia imaginar para satisfazer os depravados gostos do imperador alguns foram vestidos com peles de animais ferozes e perseguidos pelos cães até serem mortos outros foram crucificados outros envolvidos em panos alcatroados e depois incendiados ao pôr do sol para que pudessem servir de luzes para iluminar a cidade durante a noite nero cedia os seus próprios jardins para essas execuções e apresentava ao mesmo tempo alguns jogos de circo presenciando toda a cena vestido de carreiro indo umas vezes a pé no meio da multidão outras vendo o espetáculo do
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seu carro hegesipo um escritor do ii século faz algumas referências interessantes sobre o apóstolo tiago que acabou a sua carreira durante esse período e fornece um detalhado relatório do seu martírio que podemos inserir aqui consta que o apóstolo tinha o nome de oblias que significava justiça e proteção devido à sua grande piedade e dedicação pelo povo também se refere aos seus costumes austeros que sem dúvida contribuíram para aumentar a sua fama entre o povo ele não bebia bebidas alcoólicas de qualidade alguma nem tampouco comia carne só ele teve licença de entrar no santuário nunca vestiu roupa escolhendo ele aquela posição por se achar indigno de sofrer na mesma posição em que sofreu o seu senhor paulo que sofreu no mesmo dia foi poupado a uma morte tão dolorosa e lenta sendo degolado a estes santos apóstolos acrescenta clemente se ajuntaram muitos outros que tendo da mesma maneira sofrido vários martírios e tormentos motivados pela inveja dos outros nos deixaram um glorioso exemplo pelos mesmos motivos foram perseguidos tanto mulheres como homens e tendo sofrido castigos terríveis e cruéis concluíram a carreira da sua fé com firmeza morte de nero o miserável nero morreu às suas próprias mãos no ano 63 cheio de remorsos e de medo depois da sua morte a igreja teve descanso por espaço de trinta anos contudo durante esse tempo domiciano que podia quase levar a palma a nero quanto à intolerância e crueldade subiu ao trono e depois de quatorze anos do seu reinado rebentou a perseguição geral tendo chegado aos ouvidos do imperador que alguém descendente de davi e de quem se tinha dito com vara de ferro regerá todas as nações vivia na judéia fez com que se procedesse a investigação e dois netos de judas o irmão do senhor jesus foram presos e conduzidos à sua presença quando ele porém olhou para as suas mãos calosas e ásperas pelo trabalho e viu que eram uns homens pobres que esperavam por um reino celeste e nada queriam saber do reino terrestre despediu-os com desprezo diz-se que eles foram corajosos e fiéis em testemunhar a verdade perante o imperador e que quando voltaram para sua terra natal foram recebidos com amizade e honras pelos irmãos perseguiÇÃo a joÃo pouco se sabe a respeito desta perseguição mas esse pouco é sem dúvida interessante e entre os muitos mártires que sofreram encontra-se joão o discípulo amado de jesus e timóteo a quem paulo escreveu com tão afeiçoa-da solicitude diz a tradição que o primeiro foi lançado por ordem do tirano numa caldeira de azeite fervente mas por um milagre saiu de lá ileso incapaz de o ferir no corpo o imperador desterrou-o para a ilha de patmos onde foi obrigado a trabalhar nas minas foi ali que ele escreveu o livro de
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apocalipse e teria sem dúvida terminado ali mesmo a sua vida se não fosse a inesperada morte do imperador assassinado pelo próprio administrador da sua casa no dia 18 de setembro de 96 d.c sendo então o apóstolo joão posto em liberdade voltou para Éfeso onde escreveu a sua história do evangelho e as três epístolas que têm o seu nome parece que ali como sempre foi levado em toda a sua vida pelo amor e quando morreu na avançada idade de cem anos deixou como legado duradouro este simples preceito filhinhos amai-vos uns aos outros frase simples esta e pronunciada há muitos anos mas qual de nós tem verdadeiramente aprendido o seu sentido assassinato de timÓteo timóteo sustentou virilmente a verdade na mesma cidade até o ano 97 em que foi morto pela turba numa festa idolatra muitos homens do povo mascarados e armados de paus dirigiam-se para os seus templos para oferecer sacrifícios aos deuses quando este servo do senhor os encontrou com o coração cheio de amor encaminhou-se para eles e lembrandose talvez do exemplo de paulo que poucos anos antes tinha pregado aos idolatras de atenas falou-lhes também do deus vivo e verdadeiro mas eles não fizeram caso do seu conselho zangaram-se por serem reprovados e caindo sobre ele com paus bateram-lhe tão desapiedadamente que expirou poucos dias depois e agora lançando a vista por um momento para os tempos passados encontram-se de certo na história destas primitivas perseguições muitos exemplos para dar ânimo e coragem aos nossos corações em vista de tais sofrimentos não se pode deixar de admirar o ânimo dos santos e agradecer a deus a graça pela qual eles puderam suportar tanto com tão sofredora paciência nem a cruz nem a espada nem os animais ferozes nem a tortura puderam prevalecer contra aqueles fiéis discípulos de jesus cristo quem os poderia separar do seu amor seria a tribulação ou a angústia ou a perseguição ou a fome ou a nudez ou o perigo ou a espada não em todas essas coisas eles foram mais do que vencedores por meio daquele que os amou não lhes dissera o senhor que deviam esperar tudo isso não tinha ele dito aos seus discípulos quando ainda estava entre eles no mundo ter eis aflições e não era bastante compensação para os seus sofrimentos que duraram poucos anos a brilhante esperança da glória eterna que ele lhes tinha dado depois de mais alguns anos tanto perseguidores como perseguidos teriam deixado este mundo e passado para a eternidade então que grande mudança para os primeiros a escuridão das trevas para sempre para os últimos aquele peso eterno de glória muito excelente que contraste heresias e dissensoes estando para terminar este capítulo devemos notar a impossibilidade que temos em vista por causa do pequeno espaço de que dispomos de
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enumerar todas as heresias e dissensões que têm entristecido e dividido a igreja de deus desde o seu princípio portanto apenas nos propomos a lançar a vista para os atos que nos apresentem maior interesse tanto pela sua especial astúcia como pela sua grande influência o gnosticismo era um desses males e foi talvez a primeira heresia que depois dos tempos dos apóstolos se desenvolveu mais era um amontoado de erros que tinham a sua origem na cabala dos judeus uma ciência misteriosa dos rabinos baseada na filosofia de platão e no misticismo dos orientais um judeu chamado cerinto mestre de filosofia em alexandria introduziu parte do evangelho nesta massa heterogênea da ciência falsamente assim chamada e sob esta nova forma foram enganados muitos crentes verdadeiros e se originou muita amargura e dissensão mas havia muito tempo que não se ocupavam com esse erro nem com muitos que se lhe seguiram e a palavra de deus que é a única que contém as doutrinas inabaláveis da igreja já tinha predito que os homens maus e enganadores irão de mal a pior enganando e sendo enganados 2 tm 3.13 já o apóstolo paulo tinha aconselhado o seu filho timóteo a opor-se aos clamores vãos e profanos que só poderiam produzir maior impiedade 2 tm 2.16 e se tinha referido em linguagem inspirada pelo espírito santo às perversas contendas de homens corruptos de entendimento e privados da verdade 1 tm 6.5 mas tu ó homem de deus clamou ele foge destas coisas e segue a justiça a piedade a fé a caridade a paciência a mansidão milita a boa milícia da fé lança mão da vida eterna para a qual também foste chamado tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas 1 tm 4.11 12 o amado apóstolo já tinha combatido o bom combate e acabado a sua carreira e guardado a fé e com a consciência que o esperava pronunciou palavras que deviam servir para animar a igreja de deus nos tempos futuros pelo demais a coroa da justiça está-me guardada a qual o senhor justo juiz me dará naquele dia e não somente a mim mas também a todos os que amarem a sua vinda 2 tm 4.7,8
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2 segundo século da era cristã reinados de nerva trajano e marco aurÉlio havia apenas dezoito meses que domiciano tinha morrido quando a igreja que ficara isenta de perseguição durante o curto reinado de coccei nerva seu sucessor começou novamente a sofrer nerva era um homem de caráter brando e generoso e tratou bem os cristãos e com uma benignidade digna de louvor restabeleceu todos que tinham sido expatriados pela perseguição de domiciano porém depois de um reinado de dezesseis meses foi atacado por uma febre da qual nunca se curou o seu sucessor trajano deixou os cristãos tranqüilos por algum tempo mas sendo levado a suspeitar deles determinou que se renovasse a perseguição e sendo possível que se exterminasse a nova religião por meios decisivos e severos parecia ao seu espírito orgulhoso que o cristianismo era uma ofensa um insulto para a natureza humana e que o seu ensino era como efetivamente o era inteiramente oposto à filosofia dos seus tempos uma filosofia que elevava os homens a deuses e tornava a humildade e brandura dos cristãos efeminada e desprezível mas trajano não tinha a crueldade de nero nem de domiciano e podia-se notar nessa ocasião uma perplexidade e indecisão na sua conduta que contrastava de uma maneira notável com a inflexibilidade de propósito que ordinariamente mostrava nos seus atos pela sua carta a plínio governador de bitínia e ponto pode-se ver que ele não sentia prazer algum na tortura ou na execução dos seus súditos nessa carta diz ele claramente não se deve andar a procura dessa gente e acrescenta se alguém renunciar ao cristianismo e mostrar a sua sinceridade suplicando aos nossos deuses alcançará o perdão pelo seu arrependimento em suma era a religião e não os seus adeptos que trajano odiava uma carta de plÍnio a carta de plínio ao imperador e a resposta deste são cheias de interesse um dos períodos dessa carta rezava assim todo o crime ou erro dos cristãos se resume nisto têm por costume reunirem-se num certo dia antes do romper da aurora e cantarem juntos um hino a cristo como se fosse um deus e se ligarem por um juramento de não cometerem qualquer iniqüidade de não serem culpados de roubo ou adultério de nunca desmentirem a sua palavra nem negarem qualquer penhor que lhes fosse confiado quando fossem chamados a restituí-lo depois disto feito costumam separar-se e em seguida reunirem-se de novo para uma refeição simples da qual partilham em comum sem a menor desordem mas deixaram esta última prática após a publicação do edital em que eu proibia as reuniões segundo as ordens que recebi depois
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destas informações julguei muito necessário examinar mesmo por meio da tortura duas mulheres que diziam ser diaconisas mas nada descobri a não ser uma superstição má e excessiva isto era tudo o que plínio podia dizer não é para admirar que um homem estranho à graça de deus visse na religião de jesus cristo desprezado e humilde apenas uma superstição má e excessiva não é motivo de admiração que o urbano e instruído governador cuja fama era conhecida no mundo inteiro escrevesse com tal desdém a respeito de um povo cujas opiniões eram diferentes das suas o homem natural não compreende as coisas do espírito de deus porque lhe parecem loucura e não pode entendê-las porquanto se discernem espiritualmente 1 co 2.14 martÍrio de inÁcio inácio que dizem ter conhecido os apóstolos pedro e joão e ter sido ordenado bispo de antioquia pelo apóstolo joão foi martirizado durante essa época o zelo com que ambicionava sofrer o martírio o expôs a censuras de vários historiadores e com certa razão conta-se que na ocasião em que trajano visitou antioquia ele pediu para ser admitido a presença do imperador e depois de explicar por bastante tempo as principais doutrinas da religião cristã e mostrar o caráter inofensivo daqueles que a professavam pediu que se fizesse justiça contudo o imperador recebeu o seu pedido com desprezo e depois de censurar aquilo que trajano se aprazia de chamar a sua superstição incurável ordenou que fosse levado para roma e lançado às feras enquanto atravessava a síria inácio escreveu várias cartas às igrejas exortando-as à fidelidade e paciência e avisando-as seriamente dos erros que se ensinavam em uma das epístolas escreve desde a síria até roma estou lutando com feras por terra e por mar de noite e de dia sendo levado preso por dez soldados cuja ferocidade iguala a dos leopardos e os quais mesmo quando tratados com brandura só mostram crueldade mas no meio destas iniqüidades estou aprendendo coisa alguma quer seja visível ou invisível desperta a minha ambição a não ser a esperança de ganhar cristo se o ganhar pouco me importarei que todas as torturas do demônio me acometam quer seja por meio do fogo ou da cruz ou pelo assalto das feras ou que os meus ossos sejam separados uns dos outros e meus membros dilacerados ou todo o meu corpo esmagado quando inácio chegou a roma foi conduzido à arena e na presença da multidão que enchia o teatro tranqüilamente esperou a morte quando o guarda dos leões veio soltá-los da jaula o povo quase enlouqueceu e batia as palmas e gritava com uma alegria brutal mas o velho mártir conservou-se firme sou disse ele como o trigo debulhado de cristo que precisa de ser moído pelos dentes das feras antes de se tornar em pão não precisamos entrar nos detalhes dos poucos momentos que se seguiram o medonho espetáculo acabou-se depressa e antes de aquela gente ter chegado a suas casas tinha inácio recebido a coroa que ambicionara e estava já com o senhor na glória.
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trinta anos de sossego no ano 117 morreu trajano e o seu sucessor adriano continuou as perseguições e foi só no ano 138 quando antônio pio subiu ao trono que os cristãos ficaram de alguma maneira aliviados dessa opressão com o seu reinado brando e pacífico começou um período de sossego que durou perto de trinta anos e durante esse tempo a palavra de deus teve livre curso e cristo foi glorificado e certo que houve alguns casos isolados de opressão mas a perseguição geral tinha desaparecido e o evangelho depressa se espalhou por todas as províncias dos domínios romanos a gloriosa mensagem foi levada para o ocidente até nas extremidades da gália e para o oriente até a armênia e a assíria e milhares daqueles que em vão tinham procurado a paz de coração nas mitologias de roma e do egito escutaram avidamente as palavras da vida e espontaneamente se tornaram discípulos de cristo uma nova perseguiÇÃo contudo com a subida ao trono de marco aurélio começou uma nova opressão e no segundo ano do seu reinado as nuvens da perseguição começaram de novo a amontoar-se as várias inquietações quase se seguiram uma após outra com espantosa rapidez e que pareciam às vezes perturbar as próprias instituições do império forneceram um pretexto fácil para a renovação das perseguições e logo em seguida o antigo ódio pelos cristãos que havia muito estava guardado nos corações dos ímpios começou mais uma vez a manifestar-se pelo antigo grito lancem os cristãos aos leões tão terrivelmente familiar aos ouvidos de muitos e que passou como um sopro pestilento pelo império oriental assim teve origem a quarta perseguição geral martÍrio de policarpo a maior força da tempestade que se aproximava sentiu-se na Ásia menor onde saíram os novos editos e o nome de policarpo bispo em esmirna apareceu brilhantemente na lista dos mártires daquele tempo ao contrário de inácio que se expunha desnecessariamente à vontade cega da populaça policarpo não recusou escutar os conselhos e pedidos dos seus amigos e quando viu que estava sendo espiado em esmirna retirou-se para uma aldeia próxima e ali continuou o seu trabalho sendo perseguido foi para outra aldeia exortando o povo que se encontrava no seu caminho e assim foi vivendo dessa maneira errante até que os seus inimigos descobriram o lugar onde se refugiava então o velho bispo avisado segundo dizem num sonho de que deveria glorificar a deus sofrendo morte de mártir resignou-se com paciência à vontade de deus e entregou o seu corpo às mãos dos oficiais encarregados de o prenderem antes de deixar a casa deu ordem para que lhes dessem de comer e em seguida parecendo saber antecipadamente o que esperava encomendou-se a deus diz-se que o fervor de sua oração comoveu de tal
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maneira os oficiais que eles se arrependeram de ser os instrumentos da sua captura montaram-no num jumento e trouxeram-no para esmirna onde estava reunida uma grande multidão para celebrar a festa dos pães asmos por consideração pela sua idade avançada e pela sua sabedoria nicites homem de grande influência e seu filho herodes oficial da cidade foram ao seu encontro e fazendo-o entrar no seu carro instaram com ele para que assegurasse a sua liberdade tributando honras a césar e consentindo em oferecer sacrifícios aos deuses ele recusou-se a isto e por esse motivo foi empurrado do carro com tal violência abaixo que na queda torceu uma coxa mas o velho servo de deus continuou pacificamente o seu caminho sem se perturbar com a rudeza de herodes indiferente aos gritos da multidão que no seu ódio empurrava-o de um lado para outro e deste modo chegaram à arena policarpo e o governador era este o sítio onde tinham chegado os jogos e exposições sagradas e conta-se que na ocasião de entrar na arena uma voz como que vinda do céu exclamou sê forte policarpo e porta-te como um homem seja como for um poder que não era humano susteve o servo de deus e quando o cônsul comovido com o seu aspecto venerável pediu-lhe que jurasse pela alma de césar e dissesse fora com os ímpios o velho mártir apontando para os bancos cheios de gente repetiu com tristeza fora com os ímpios jurai disse o governador compadecido e eu vos mandarei embora renegai a cristo mas policarpo respondeu com brandura tenho-o servido durante oitenta e sete anos e nunca ele me fez mal como posso eu agora blasfemar contra o meu rei e salvador jurai pela alma de césar repetiu o governador ainda inclinado à compaixão mas policarpo respondeu se julgais que hei de jurar pela alma de césar como dizeis e fingis não saber quem eu sou ouvi a minha confissão livre sou cristão e se desejais conhecer a doutrina do cristianismo concedei-me um dia para falar-vos e escutai-me 0 governador notando com inquietação o clamor da multidão pediu ao ancião que abjurasse sua fé mas policarpo se negou a fazer isso tinham-lhe ensinado a honrar os poderes superiores e sujeitar-se a eles porque eram ordenados por deus mas quanto ao povo principalmente no estado atual de turbulência em que se encontrava nada lhe apresentaria em sua defesa tenho à mão animais ferozes disse o governador lançar-vos-ei a eles se não mudardes de opinião mandai-os vir disse policarpo tranqüilamente o velho peregrino alegrava-se com a perspectiva de se ver prontamente livre de um mundo ímpio e cheio de perseguições e sua tranqüila intrepidez exasperou o governador que por esse motivo ameaçou queimá-lo mas o intrépido policarpo respondeu ameaçais-me com o fogo que arde por um momento e depressa se apaga mas nada sabeis da pena futura e do fogo eterno reservado aos ímpios o governador perdeu completamente a paciência mandou um arauto
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