OS CONFRADES DA POESIA 63

 

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VI | Boletim Bimestral Nº 63 | Julho / Agosto 2014 www.osconfradesdapoesia.com - Email: osconfradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» SUMÁRIO Confrades: 4,6,14 A Voz do Poeta: 2 Olhos da Poesia: 3 Retalhos Poéticos: 5 Tribuna do Poeta: 7 Eventos: 8 Bocage: 10 Tempo de Poesia: 11 Trovador: 12 Poemar: 13 Faísca de Versos: 15 Contos / Poemas: 16 Reflexões: 17 Pódio dos Talentos: 18 Trono dos Poetas: 19 Ponto Final: 20 «ROMARIAS» EDITORIAL O BOLETIM Bimestral Online (PDF) "Os Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono"; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. ―Promovemos Paz‖ A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Pódio dos Talentos pág. 18 Trono dos Poetas pág. 19 Albertino Galvão Eugénio de Sá Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao ―Novo Acordo ortográfico‖ FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Paginação: Pinhal Dias - São Tomé A Direcção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador; Conceição Tomé - Vice-Presidente / Fundador Redacção: São Tomé - Pinhal Dias Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Alfredo Louro | Ana Santos | Anna Müller | António Barroso | António Silva | Arlete Piedade | Carlos Bondoso | Carmo Vasconcelos | Clarisse Sanches | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson G. Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Afonso | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Glória Marreiros | Henrique Lacerda | Hermilo Grave | Humberto Neto | Humberto Soares Santa | Isidoro Cavaco | João Coelho dos Santos | João Furtado | João da Palma | Jorge Vicente | José Jacinto | José Verdasca | Lili Laranjo | Luís Filipe | Luiz Caminha | Maria Brás | Maria José Fraqueza | Maria Mamede | Maria Petronilho | Maria Vitória Afonso | Miraldino Carvalho | Natália Vale | Pedro Valdoy | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Susana Custódio | Tito Olívio | Vó Fia | Zezinha Fraqueza | … (actualizado no site)

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2 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 63 | Julho / Agosto 2014 «A Voz do Poeta» Barcos de Saudade Os Barcos Corações de Pedra Gotas de água, no oceano, vão caindo lentamente, como cai um desengano, na vida de toda a gente... Gotas de água sobre o mar, que em ondas vem ter à praia, são como a vida a passar: pura ilusão que se espraia! Ninguém retém o momento na palma da sua mão, nem se prende o pensamento, na rota duma Ilusão... Gota a gota, vai-se enchendo de sonhos nosso destino e o sonho sempre crescendo rodopia, em desatino... Numa grande tempestade, no mar alto, altivo e forte, somos barcos de saudade navegando para a morte!... Tito Olívio - Faro Na fímbria, do oceano, lânguidos… Vogavam os barcos desenhados! No céu, em lampejos fulgurantes… Coloridos de azuis entremeados! No entardecer, os tons do arrebol… Belos, bruxuleantes, misturados! Da lua, o brilho fulvo a espelhar Em pedacinhos d’ouro salpicados! Pela aragem graciosos ondeados… Cedros embelezavam acenados! Montanhas abruptas d’encantar… Em cenários bizarros recortados!.. Filomena Gomes Camacho Londres Os seres humanos constroem hoje altos muros Para uns dos outros sem amor se dividirem Utilizando seus corações de pedra... ― duros ― Para não se verem não falarem nem se ouvirem. Perderam o sentido da amizade Ofendem-se uns aos outros sem razão E depois nunca lhes nasce a vontade De se unirem em reconciliação!... Os dias belos deste tempo em que vivemos São frustrações pois vivê-los não sabemos Só construímos entre nós separação !... E cada dia está mais presente este drama O ser humano hoje odeia mais do que ama Petrificando lentamente o coração !... Euclides Cavaco - Canadá Recado a uma amiga Na tentativa vã, desesperada, De tentar agarrar a juventude, Feres quem te quer bem e, obcecada, Não percebes, nem mudas de atitude… Já perto dos cinquenta, desprezaste Até teu próprio filho, na cegueira De ser a mulher livre que sonhaste E apagaste em ti a vida inteira! Pensa, mulher, o Tempo vai um dia, Com pranto e dor, mostrar-te uma verdade E cobrará bem caro a utopia De quereres manter a mocidade! Desilude-te, pois não há maneira De conseguir amor só com o sexo, Não quiseste ser mãe, ser companheira, Mas o mundo em que estás é mais complexo… Enterraste família, dignidade, Tentaste destruir quem te queria, Em busca de uma vã ―felicidade‖, Mas a vida te ensinará, um dia! Acordarás e quererás voltar Àquilo que deixaste para trás, Mas quando quem te usou te abandonar, No teu regresso nada encontrarás! Carlos Fragata - Sesimbra Meus versos de mar Meus versos nasceram pertinho do mar Cobertos de areia na praia deserta… As ondas traziam sonhos de embalar… Tela de espuma… minha’alma desperta! Ondas ladinas… todas a cantar… O mar parecia ter a porta aberta No seu eterno e doce murmurar… Gaivotas a grasnar… davam alerta! Depois da tempestade vem bonança E os meus versos simples de criança Escritos na maré do dia a dia… Atravessaram mares e oceanos… Venceram mil procelas e desenganos Mas ganharam do mar - a Valentia! Maria Fraqueza – Fuseta ―Podem me impedir de escrever mas, de pensar, jamais (JC Bridon) “

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 63 | Julho / Agosto 2014 | 3 «Olhos da Poesia» A noite... A noite abriu-nos as portas secretas e o desejo...o nosso desejo rangeu nas dobradiças da ânsia! Trazias, em ti, primaveras quentes e eu... sonhos encalhados no tempo! Na rua fugiam sons e no céu a lua dançava a dança do ventre como deusa nua e sedutora no palco da nossa imaginação. Por entre a transparência das rendas que te enfeitavam a pele sedosa e alva perdi o olhar e me afoguei, tonto... no fascínio que, em cachoeira caudalosa e quente, brotava de ti e inundava o quarto e a cama com lençóis azuis e cheiro a lavanda. Te abriste p’ra mim... entreguei-me a ti... e entre abraços e beijos no quente da noite juntos trocamos prazer e amor. Já madrugada... nos lençóis azuis e amarrotados... deixamos gravados eróticos versos... e o odor a pecado que de nós ficou... noite após noite jamais se esfumou! Abgalvão – Fernão Ferro Menino Pobre Um pobre menino na rua encontrei, Seu rosto, sujo, sorria ao pedir, Uma esmola que lhe dei, Para a fome colmatar E perder a tristeza de seu olhar. Órfão, desamparado, A rua é seu abrigo, Menino abandonado, E em constante perigo. Incapaz me senti, Perante tanta miséria, Que à minha volta via, Consolei‐me ao olhar Naquele dia, Aquele belo menino Que naquele instante me sorria. Natália Vale - Porto A zanga A zanga é estado de alma, é a loucura Que até nos faz perder qualquer razão E, muito embora, acabe num perdão, Ficam sempre resquícios de amargura. Quando ela se prolonga, é muito dura A vida que se leva, em solidão, Sem haver um pedido de perdão, Nunca se pode olhar a dar ternura. E a zanga até começa sem aviso, Sem ter causa aparente, sem motivo, Parece brincadeira de rapazes. Porém, quando se olham, frente a frente, E então, se quebra o gelo, de repente, Que lindo... como é bom fazer as pazes! António Barroso (Tiago) Parede / Portugal Rosas Vermelhas As rosas que pintaste para mim, São lindas e cheirosas, mesmo iguais, Às mais belas criadas no jardim, Tão perfeitas e puras, naturais. São rosas tão vermelhas, que assim, Encerram amorosos madrigais; Pintadas numa tela de cetim, Por pintor, de mãos ternas, sensuais… Tão belas como a luz do sol poente, Afectos que pintaste dessa cor, P’ra eu guardar, no peito eternamente, São rosas de ternura, e de amor. Quero-as junto a mim, a vida inteira, Porque trazem o sonho que persigo; Vão dormir mesmo ao pé da cabeceira, Da cama onde a sonhar, durmo contigo!... Isidoro Cavaco - Loulé Moscas. Derivam moscas foleiras Excitadas no quintal Vêm do lixo e estrumeira, Embutidas num viral Lahnip - Amora Viagem de ida Juntei as tralhas da vida... Arrumei-as no porão, Numa viagem só de ida, Sem qualquer recordação! Vou rumo ao desconhecido, Que o que conheço não quero; Deixo este porto esquecido, Pois daqui já nada espero. Na imensidão do mar, Por tecto terei o céu... Livre, poderei voar Com o corpo e alma ao léu! Deitei a âncora fora, Pois não pretendo ancorar... O meu barco não ancora, Morrerá no alto mar! Carlos Fragata - Sesimbra É assim Nós temos o tempo e o mundo, Vimos dum espaço sem fundo, Com o passo sempre adiante, Fintamos a vaga que passa. Provamos funje, grão e massa, estamos perto e distante. Fomos nos mares, ares e rios, Aquecendo os lugares frios, Que no mapa nem constavam, Neles montámos a tenda, E sem nunca pagar renda, Todos se admiravam. Devendo nada a ninguém, Somos Gente de bem, Não nos queiram mal, nem longe. Seja lá, quem for, presidente, rei, senador A melhor decisão que então tem, Se não nos quiser bem.... É…. Foge! F...que é de Malanje José Jacinto - Casal do Marco “O homem não morre quando deixa de viver, mas sim quando deixa de amar” - (Charles Chaplin)

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4 | Os Os Confrades da Poesia Boletim Nr 63 | Julho / Agosto 2014 «Confrades» Sozinho na multidão Ando na rua sozinho Faminto por um carinho… No meio da multidão; Nas ruas cheias de gente, É aí que mais se sente, Toda a dor da solidão! Num mundo superlotado Com gente por todo o lado, E ninguém repara em nós; Neste viver indiferente, No meio de tanta gente, Sentimo-nos sempre sós!... Mesmo a morar lado a lado, Cada um vive isolado, Em solidão permanente; Não se conhece os vizinhos, Vamos vivendo sozinhos, Em prédios cheios de gente! No prédio onde se mora Vê-se gente a toda a hora, E ninguém nos cumprimenta!... Não é por viver sozinho, Mas por falta de carinho, Que a solidão atormenta! Nos vizinhos ninguém pensa, E por ver tanta indiferença, Sinto no peito esta mágoa; Se um dia alguém precisar, Não temos quem nos vá dar, Nem sequer um copo d’água! http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Ao som duma bela melodia Ao som duma bela melodia, escrevo. Quisera poder saber corresponder. Esforço-me até mais não poder! Vou publicar? Não sei se me atrevo. Continua a melodia a encantar-me! E eu… atento… a ouvir e a escrever. Porque não ter outro valor, outro saber, Com tal maravilha a inspirar-me?! Foi uma sorte que me foi dada? Um acaso feliz nesta madrugada? Então… um obrigado do coração. Que esta e outras graças possa ter! Ao som de belas músicas vir a escrever Porque é esta minha principal paixão. JGRBranquinho - Quinta da Piedade Manta de Retalhos Por caminhos enviesados, veredas Era eu a própria manta de retalhos Pulsão misteriosa em labaredas Fio que esconde a ponta dos negalhos. Aqui mascaro eu meus gestos falhos Quedo-me em autocríticas azedas Pisada, qual trigo pelos malhos Que os agricultores prendem em medas. Manta de retalhos mal cosidos Alguns até mal alinhavados Relembram os tempos mal vividos Milagre dos milagres concedidos Minha vida mudou e combinados Os bocados restaram bem urdidos Maria Vitória Afonso - Cruz de Pau Equidistante Equidisto Não existo... Apequeno-me Diante de ti! *** Mas, tu existe distante de mim. Vejo-te todos os dias... Pelas manhãs! Estas diante de mim, Estas distante de mim... *** Perco-me perto de ti. Perco-me diante de ti. *** Eqüidisto! Não existo... Inexisto longe de ti *** Existe diante de mim Todos os dias... Existe distante de mim! *** Todos os dias, eu me perco! Diante de ti. Tão distante... Tão perto de mim *** Perpasso nos meus sonhos... Transpasso as fronteiras Que me separam de ti Nos meus sonhos Estas tão bela... Tão linda Tão perto de mim Nos meus sonhos, és minha! *** Pelas manhãs Estás tão dispersa... E tão distante e impossível para mim. Samuel da Costa - Itajaí/BR Isidoro Cavaco - Loulé Esperança Portugal já perdeu a identidade, A glória do passado, se esfumou, Heróis que o esquecimento descurou Numa efémera feira da vaidade. Mentira transformou-se na verdade, E o roubo, sem pudor, se consumou, Justiça olha p’ra o lado, assobiou, E deixa o criminoso em liberdade. A identidade, débil, quase morta, Doente, vai batendo a toda a porta Pedindo, por esmola, a salvação, Que o povo, dominado p’lo dinheiro, Inda espera, p’ra além do nevoeiro, A chegada de Dom Sebastião. António Barroso (Tiago) - Parede O Mundo em resposta à desesperança Tu falas a mim, são só perguntas A razão, do meu ser, porque eu abrigo Sobre mim, aos milhões, meus inimigos. É deles ou de ti que tanto assuntas? Não sabes quem eu sou… Já saberás! Pois os homens viris no sabre cunham, Da flauta as vibrações, quando o empunham, E nele orquestram sons de sabiás. Meu passamento? Não! Oh, que desastre! Que baste um só sentido… São meus dias! Negado para a morte… Pobre Sartre! A ti não cederei! Seria o cúmulo! Primeiro: se eu me for (à revelia) Quem poderá servir-te como túmulo? Eliane Triska - RS / Br Cigarro ou Concha? Que concha foi essa Que ninguém abriu? Nem sentiste o mel Que nunca saiu! Nem tão pouco, fel Porque não havia! Não te amargou, Não houve magia! Quem por ti passou Que tu não amaste? Perdeste a razão, Assim te tramaste! Tu, sem coração! Eras um cigarro? Não davas amor Pois! Eras de Barro! Bento Laneiro - Lisboa

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 63 | Julho / Agosto 2014 | 5 «Retalhos Poéticos» Plagiar Amar o que os outros escreveram; juntar a sua criação Lei da selva; caça será de quem caçou... Quem a criou? Tornar calasseiro o amar, o criar; seu pensamento ladrão Plagiador é uma mente doentia; mentirosa, a si se gabou Será que se não fará sentir o mais miserável? Um imitador? Alguém te acredita; foste tu o autor? Sentes-te importante? Quando descobrirem; não tens jeito para escrever; que dor? Como a esposa descobrir que não és fiel; tens uma amante. Sei que não foste tu a criar-te; teu destino; procura emenda Nunca me senti roubado; sei que ficas mais pobre; pensa... Procura seres tu mesmo; escreve com teu pensar, entenda Tudo está em teu pensar; gostas de escrever? Linda prenda Na escrita, a teu pensar; dá-lhe amor doçura, junta verdade Não precisaras imitar; escreve; manda teu coração na senda Não; não vale zangar-se; todos pensam ser importantes Querem impressionar alguém; mas afinal tudo é imitado Desde primeira roda, fizeram-se milhares objetos rolantes Tudo foi plagiado Armando Sousa - Toronto Ontário Canadá Um soneto para os meus Passarinhos! -Por cima da minha Janela, Onde eu durmo todo o dia... Vejo esta imagem tão bela, Que há muito tempo eu não via! São três rolinhas dormindo, No ninho do galho da Pitangeira. Converso com elas sorrindo, Quase sempre a noite inteira. Logo de manhã pelos alvores, Todas três, acordam e levantam cedo! Elas voam pra longe das flores... Que eu cuido até com algum medo, Do dia ou talvez na madrugada, Quando deixarem a janela abandonada! Silvino Potêncio – Natal/BR Guitarra toca baixinho Guitarra toca baixinho. Já não tenho voz pra ti, Já alterei meu caminho, Tudo na vida perdi! Mas, quero levantar asas, Pra conseguir alcançar… Na vida acendem-se brasas, Nem desejo mais pensar. Pergunto se vale a pena, Lutar na vida sem fim. Esta luta é tão pequena Não dá pra perder latim. Guitarra toca baixinho, Não toques no meu ciúme Vou seguir o meu caminho Viver com este queixume. Jorge Vicente - Suíça Frases de amor Ainda sinto o calor da tua boca. Sinto saudade dos teus lábios divinais, E das frases de amor que me dizias Cada vez mais sentimentais Hoje ao ver-te passar acompanhada Daquele que ganhou o teu amor e das crianças que talvez sejam teus filhos, me enchem de tristeza e dissabor Mas vou vivendo de lembranças bem vividas Que foram as únicas que passei junto de ti E dos beijos que trocávamos em delírios E das frases de amor que recebi Vivaldo Terres – Itajaí - Br Caminho Percorrido Quando me olho ao espelho, Gritam os reflexos do tempo Prisioneiros sem resgate. No meu rosto, estão impressos Sulcos do caminho que percorri: Caminho que deixou em mim Marcas indeléveis de desgaste. Caminho por vezes sinuoso, Que atravessou: Vales verdejantes, caudalosos rios Altas e inóspitas montanhas, Sulcadas de sonhos e esperança, E mares de tempestade e bonança. Caminho onde por vezes colhi Os doces frutos do amor, Da amizade e solidariedade… Outras vezes também me feri Em pedras pontiagudas e aguçados espinhos, Que me fizeram sentir o amargo sabor Das frustrações e desenganos. Parte desse caminho ainda estará por trilhar, Mas ele se vai estreitando À medida que o meu tempo passar! São Tomé – Amora / Portugal

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6 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 63 | Julho / Agosto 2014 «Confrades» Maturidade Mais ano, menos ano… Corre a idade! Volta a mente aos caminhos da lembrança, aos mimos e folguedos de criança, aos arroubos da verde mocidade. Tanta gente partindo, que saudade! Tanta gente chegando, elos de esp'rança! Trânsito humano neste tear que entrança riso e pranto, a tecer maturidade. E quantos sentimentos de permeio… Pós d'oiro e areias, num intrincado enleio, margens de um rio que ruma para a foz... E amadurece, cônscia, a nossa voz, enquanto a alma se apura, esmerilada, buscando a paz nas águas da levada! Carmo Vasconcelos - Lisboa Em Memória Ao Salgueiro Maia E uma vida toda aconteceu Numa fresca manhã de primavera Quando um jovem soldado apareceu A anunciar ao povo a nova era. E o povo estava ali, como quem espera Tornar à liberdade que perdeu Regressar ao futuro e à quimera, Sair do precipício onde desceu. Depois vieram cravos e canções, Palmas e gritos e até orações A honrar o futuro que nascia. Mais uma vez o povo descuidado Perdeu a contra gosto o seu soldado E hoje vive assim, sem alegria. Nogueira Pardal - Verdizela Amar é... Há ainda alguém que não entende A nobreza que existe no amor?... Não se encontra na Bolsa seu valor, O Amor é p'ra dar, nunca se vende! Não se mede, não pesa, não tem cor, É liberdade pura, não se prende, Dá-se de corpo e alma, só pretende Fazer alguém feliz, sem pranto ou dor!... Pobre de quem confunde excitação Com o mais nobre e belo sentimento, Sem deixar o comando ao coração... Amar é ser segundo, é cumprimento Da mais sublime e divinal missão: Fazer alguém feliz, gritá-lo ao vento!! Carlos Fragata - Sesimbra http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Mundo Novo Deste meu poema faço O mais fraternal abraço Que vos dou com amizade E na mesma sintonia Sem qualquer hipocrisia Abraço a humanidade. Quero abraçar toda a terra Pedindo a quem faz a guerra P’ra a tal afronta pôr fim Quero abraçar quem mendiga Dar-lhe a minha mão amiga E o melhor que há em mim. Quero abraçar os doentes Infelizes e carentes E quem vive em solidão Abraçar o injustiçado Que sofre sem ter pecado E sem saber a razão... No mundo qualquer governo Dê como abraço fraterno Justo direito ao seu povo Para que então os países Sejam as fortes raízes A abraçar um Mundo Novo !... Euclides Cavaco - Canadá O Sol. Seita de aldrabões Esta seita de aldrabões, Quando há buraco ou desvio, Todos levam uns milhões, Seja pai, sobrinho ou tio. Os que desviam milhões Fazem sempre as panelinhas, No fim quem enche as prisões São só os pilha galinhas. Todos querem o poleiro P'ra roubar cada vez mais E pôr lá fora o dinheiro Nos paraísos fiscais. Os que roubaram milhões Nunca foram condenados, Pois só vemos nas prisões, Pelintras e desgraçados. E os que vierem de novo De certo que vão sugar, O dinheirinho do povo, Sem ninguém os condenar. P'ra suportar tudo isto E ficar sem dizer nada, Só a paciência de Cristo, Que a minha está esgotada. Isidoro Cavaco - Loulé Dia de Sol Flores vivas O azul No céu O olhar Perdido em ti. Albino Moura - Almada As Cerejas As cerejas são como palavras pintadas Pronunciadas com a verdade do coração São histórias de crianças encantadas Num Mundo de fantasia e ilusão. As cerejas fazem o maio colorido Pintado com o fogo da paixão São pedaços de sonhos escondidos Numa infância inocente de inspiração. As cerejas são como estrelas a brilhar Num pedaço de Céu belo e cintilante São como beijos roubados a disfarçar Um desejo de Amar forte e triunfante. As cerejas são como brincos de rubis a reluzir No faz de conta de uma menina pobre a sonhar Apenas quer esquecer a pobreza e se divertir E ser uma vez na vida Princesa a brincar. Ana Santos - Vilar de Andorinho

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 63 | Julho / Agosto 2014 | 7 Confrade desta Edição « Aires Plácido » Recreando Aleixo Mote Prometeram ao Zé-povinho Liberdade, Lar e Pão Como se o mundo inteirinho Não soubesse o que eles são. (António Aleixo) Glosas Quem é que hoje acredita, Nos do branco colarinho?... Tanta palavra bonita? Prometeram ao Zé-povinho. Semeiam boas conversas Expeditos no sermão. Aonde estão as promessas?... Liberdade, Lar e Pão Tanta, tanta, falsidade Tantas pedras p´lo caminho? Mentem com facilidade Como se o mundo inteirinho, Confiasse em aldrabice? É tal a desilusão, Só se o povo por burrice, Não soubesse o que eles são. Aires Plácido – Amadora É normal Não sei o que diga Não sei o que faça… Diga o que disser Faça o que fizer Nada mete graça. Houve tempo que Tanta graça tinha! Qualquer lamechice Até a parvoíce Tudo uma gracinha. Prova que o tempo Tem grande poder… Não sei o que faça Nada mete graça Faça o que fizer. Que ninguém se iluda Nem o mais engraçado. Porque o tempo passa O que hoje é graça Amanhã enfado. Aires Plácido - Amadora Falam em democracia Que enorme vigarice! Democracia é que não é… É conversa de aldrabões Gente de falsos sermões E de muito parlapié. Que pode o povo fazer Perante tanta falsidade? Dia a dia desconfia Que essa tal democracia Empobrece a sociedade. Empobrece a sociedade E eles fartos de alegria… Já acham normalidade Que p´lo país a caridade Aumente dia a dia. Democracia, democracia, Tem cuidado se assim és, Acredito, qualquer dia És corrida a pontapés… Aires Plácido - Amadora Recado Casamento é união O homem é o marido, Exijam compreensão O trabalho repartido. Os dois juntos lado a lado, E na mesma direção, Casamento é um tratado Que requer compreensão. Discórdia não faz sentido Dividam os afazeres, Tudo, tudo, repartido… Nos direitos e deveres. Como o homem procedia Elas tanto achavam mal, A mulher hoje em dia Agora fazem igual. ―Sarabanda, SARABANDA‖ A pouco e pouco a mulher Põe, dispõe e manda Ela só faz o que quer. Casamento é união O homem não é criado Em qualquer situação Os dois juntos lado a lado. Aires Plácido - Amadora A força do futebol Tem qualquer coisa de louco Qualquer coisa de gigante, Quatro quilómetros de altura Milhão de olhos adiante A força é tal tamanha Levanta arrobas de euforia, E no dia em que ganha Não há maior alegria. O que seria deste mundo Sem esta enorme loucura? Caía pelo chão moribundo Era grande a amargura. Viva o futebol! Viva, viva!!! Se movimenta tanta gente, Pode ser aproveitado Prós governantes presente. Cuidado, cuidado, cuidado! No seio de tanto aparato, Pode o governo sem veres Pôr o garfo no teu prato. Aires Plácido – Amadora Tretas Crise, qual crise? Tretas! Lá diz o velho ditado, Quem se lixa é o mexilhão. Esta crise é arreata Que o rico ao pobre ata Pra comer na sua mão. Deste sempre foi assim A crise não é de agora... Ao pé de alguém sorridente Há sempre outro que chora. Fruto desta sociedade Imperfeita decadente... Esta crise é a maldade Pura desonestidade Que há no mundo infelizmente: Airesplácido – Amadora

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8 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 63 | Julho / Agosto 2014 «Eventos e Efemérides» Noite de Poesia e de Fado No dia 24 de Maio de 2014, teve lugar no Clube Recreativo das Cavaquinhas, promovido pelo senhor Manuel Fialho e com apoio da direcção de ―Os Confrades da Poesia‖, uma noite de Poesia e de Fado. Este evento teve a actuação especial do poeta Euclides Cavaco, que declamou vários poemas de sua autoria, com que faz jus à cultura portuguesa e é considerado um dos mais destacados elementos da Diáspora Portuguesa. Aproveitou também para divulgar alguns CD’s com récitas de poemas seus e fados cujas letras são de sua autoria, tendo oferecido um a cada família presente. Estavam presentes no restaurante 72 pessoas, o presidente dos Confrades Pinhal Dias e vice-presidente Conceição Tomé e cerca de 10 associados. Vários fadistas animaram a noite com a sua actuação. P’la Confrade Maria Vitória Afonso No passado dia 15/6/2914 - Almoço seguido de Tertúlia, onde um grupo de amigos viveram e transpiraram de alegria com a poesia, em casa dos nossos Confrades Maria Vitória Afonso; Amadeu Afonso… Para os anfitriões o nosso Bem-Haja! Euclides Cavaco; Aires Plácido; Pinhal Dias; Amadeu Afonso O grupo degustando o excelente almoço! O grupo trocando ideias sobre A poesia! Conceição Tomé - Mavilde Cavaco Ana Plácido e Maria Vitória Afonso Amadeu Afonso - Aires Plácido - Euclides Cavaco Mesa do almoço/convívio Confrades da Poesia

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 63 | Julho / Agosto 2014 | 9 “Cantinho Poético” Poema sobre a visita a Elvas Elvas o terceiro passeio opcional Em doze de Março realizado Uma cidade antiga de Portugal De muralhas muito bem cercado. Monumentos muito importantes Igrejas, Palácios e a velha catedral Todos edifícios magnificentes De grande interesse para Portugal. São muitos os fortes e castelos Que nas defesas garantiram Foram estratégicos, hoje são belos A todas as invasões resistiram. Desde a idade média com fama Foi o maior ponto estratégico De defesa na nossa zona raiana Na província do Alto Alentejo. Um magnífico sistema defensivo Na elevação um castelo medieval Foi forte baluarte opressivo Na defesa de Elvas e de Portugal. A sua imponente fortaleza Com três cortinas defensivas Que garantiram sempre a defesa Do inimigo quando das ofensivas. Admirável aqueduto das amoreiras Forte da Nossa Senhora da Graça Foram e são coisas verdadeiras Que evitaram em Elvas muita desgraça. Deodato António Paias Lagoa / Algarve Ode a Fernando Pessoa Quando a gente lê Pessoa nosso estro sobrevoa édens de intensa beleza! Além dessa realidade, lê-se nele a nua verdade de que a palavra saudade só podia ser portuguesa! Do seu verso a alacridade se mescla àquela humildade da flor que nasce no brejo! E nele a alma lusa entoa da Mouraria à Madragoa as cantigas de Lisboa debruçada sobre o Tejo! Tudo amou como poeta, até mesmo a luz discreta desses lusos arrebóis... Mesmo ao zizio das cigarras cantava, em rimas bizarras, o soluçar das guitarras e o trinar dos rouxinóis! Ler nele os descobrimentos, é ver épicos momentos que tod'alma lusa entoa! É ouvir a voz magistral dessa "Severa" imortal, isto é fado, é Portugal, isto é Fernando Pessoa! Humberto Rodrigues Neto SP/BR Mulher-Menina Há uma menina em teu interior Que te visita sem te avisar, Ela te invade expulsando a dor Junto com a lágrima do teu olhar. Tu só precisas, quando ela chegar, Deixá-la solta, porque essa menina Só fica triste se te vê chorar... Com teu sorriso, ela se ilumina. Tu tens direito a essa liberdade ! Quando a saudade vem te visitar, Essa menina solta te invade Com a vontade doce de sonhar. Tua alegria fica cristalina E se mistura em tua solidão Porque, no fundo, és essa menina Que se ilumina... no teu coração. Luiz Poeta - RJ/BR Menino Pobre Menino pobre Sem eira nem beira, O pavimento É seu colchão, A ponte Seu agasalho. Come o pão Que o diabo amassa, Faminto, sedento E pés a sangrar, O caminho Palmilha, Na busca de uma esmola, Que alguém tenha Para lhe dar. A tristeza Espelhada no rosto, Sujo e manchado, A decepção Nos olhos estampada, Por não ter Uma migalha de pão, A agonia Da fome entranhada, É o retrato Do menino pobre, Abatido pela dor, E pela falta De amor. Sem forças, Já cansado, Caiu exausto Vencido pela fome… Fome que maltrata, Enfraquece e mata. Dominado pelo sofrimento, Terminou o seu tormento – Natália Vale - Porto Cântico Poeta porque divagas assim? Ecoa muito estranha tua poesia, Parece querer minha alma penetrar, Para sentir da tua o lamento. Sinto Sinto Sinto Sinto de perto toda tua amargura, teus cânticos inebriados... também tuas aspirações... tuas desilusões, teus sonhos. Praias de Portugal. Costa Atlântica de Norte a Sul Que vem enriquecer imensas praias Melhores praias, de bandeira azul A Caparica despida de saias Da fonte da Telha até ao Meco Corpos avistados, despem-se a nu Que enchem o olho ao badameco Rebentam ondas, molhando o menu De Espinho até à Ericeira Setúbal e Tróia na dianteira Banhistas! Fazem vénia conjugal Algarve – Praias quentes no verão Quarteira, Monte Gordo e Portimão Turistas! Nas praias de Portugal Por que me tocas assim? Por que fazer-me sofrer? Por ti não lutei bravamente? Tentei transpor as barreiras, Venceu o final procurado, Contra o destino não mais ousarei. Ângela Maria Crespo – Santos / Br Pinhal Dias – Amora / Portugal

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10 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 63 | Julho / Agosto 2014 «Bocage - O Nosso Patrono» Não sou teu Sou da vida que me estende a mão, Que mora por dentro do meu peito De beijos e promessas eu fui feito Quando o amor falava ao coração. Hoje sou meu, no critério e na razão Sorriso que se estende a meu jeito, Nas noites que vivem no meu leito Com o peso de negrume ou solidão... E nas ruas seguirei comigo mesmo, Para cá das sombras do meu tempo Para lá dos segredos que há no mar... Sou a fuga num exausto universo Rosto de um grito, ou de um verso No caprichoso tempo a terminar.. Ferdinando - Germany Vida Torcida Que serve pedir agora, O que esta vida não te deu. Se não conseguiste outrora, Vais encontrar tudo no Céu. É com a sua atitude Que os homens se notam bem. Serão fontes de virtude Pra não ferirem ninguém! Há uma vida mais nobre Onde podes ter tudo. Por vezes se fica pobre Se vives como um mudo. É triste viver assim Até à nossa despedida. Tens de ser muito ruim Pra teres vida torcida. Jorge Vicente – Suíça Mulher que sobes a rua Mulher... Que sobes a rua E voltas a descer Esperando que a lua Traga o amanhecer Mulher... Da vida cansada Lá vais caminhando Ainda esperançada Na vida mudando No peito essa dor De vida não teres Perdeste o amor E não queres saber Mulher... Que sobes a rua E voltas a descer Tua alma nua Já não quer viver Vida nada fácil A escolha não foi tua Então pára...e começa a viver Mulher...que sobes a rua... Edyth T. Meneses - Lisboa Talvez te Encontre Talvez algum dia eu te encontre querida Para renovarmos momentos felizes, Já que o nosso passado foi um passado lindo, Tão lindo que não posso esquecer Anseio dia e noite para te rever. Como ficaria contente se pudesses estar junto a mim Beijando-me os lábios, acariciando meu corpo... Fazendo amor para depois dormir. E sonhar com este amor que nasceu já crescido, Ou cresceu de repente, eu não sei explicar. Só sei que há verdade naquilo que eu sinto, Eu sei que é amor, mas eu quero sonhar. Vivaldo Terres - Itajaí/BR O Gaúcho Homem de palavra e de fé De sua palavra e de sua honra, Orgulhoso, não admite que duvidem. É simples, vive junto a natureza, Mas tem a força de um herói. Batalha pela justiça, pela paz. Preza a lealdade, defende sua prenda Cultiva as tradições. Seu companheiro é valioso Trata com carinho e amor Pois é ele, o cavalo, Que lhe acompanha Nas lides campeiras, nos passeios Nos momentos de alegria e, No caminho da última morada. Gaúcho amante do chimarrão, Da música, da dança e das tradições. Ele se encontra no Pampa do Sul Do Brasil, Uruguai e Argentina. Meu Talismã Recordo-a nas memórias da distância, No seu doce brincar tão inocente, Lembrava luz de estrela, incandescente, No espaço cor-de-rosa duma infância. Trazia nos cabelos a fragrância Das flores que a beijavam docemente. No peito, de criança, uma semente Guardada p’ra florir na concordância. Cresceu na construção do seu futuro, Emana, para mim, um olhar puro Que guardo como forte talismã. É mãe que um dia tive e já não tenho, Me ensina a ser quem sou e de onde venho, Essa grande mulher, a minha irmã. Glória Marreiros - Portimão Sim, Sob Cada Máscara... Sim, sob cada máscara acharás outra, mais outra, mas jamais a face que buscas com o tal veraz realce que sonhas verdadeiro e em tom lilás... Como um palimpsesto que nos traz lembranças-sonho em mão que as apagasse e ao mesmo tempo as lesse, e recordasse cenas sempre lá atrás, sempre lá atrás... Viagens dentro de viagens... viagens a lembrar outras margens e paisagens e todas no interior de interiores. Sim: saberes com múltiplos sabores — o ser a ser-se : a dar à sua essência o brilho de saber-se Consciência. Laerte Antônio - Casa Branca-SP-Brasil Isabel C S Vargas - Pelotas- RS -Brasil Deserto Florido Lembrança do teu rosto inda afaga Meu pobre coração de amor perdido; A ternura e enleio por nós vivido, É chama que inda arde e não se apaga. É sonho que se espraia em grande vaga, Para morrer depois de ter nascido; Deserto no meu peito florido, Tornado de saudade que me alaga. E o teu nome renasce em minha boca, Há quem me julgue débil e já louca, Ao ver na minha dor tanta amargura: Mas não amar é pois ser insensível É não viver, p'ra mim é preferível, Deixarem-me morrer nesta loucura. Anabela Dias – Paivas / Amora

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 63 | Julho / Agosto 2014 | 11 «Tempo de Poesia» Claro-Escuro Ouço-te voz oculta que procuro Vejo-te volúpia em dor que encorpo Sinto-te dentro e fora do meu corpo Perco-te na bruma em claro-escuro Ouço-te Ouço-te Ouço-te Ouço-te nas aves, voo e canto na sonata compassada nos sons cavos da calçada na chuva, água em pranto A Noite! Tensa, esperando amanhecer sonhando com os raios de sol nada em redor, querendo ver somente desejando o arrebol! A Lua magnífica percorre o céu a sua luz clara e fria espargindo poalha de estrelas, tecem o véu galáxias, constelações, surgindo! Olho silenciosa, o vasto universo e sinto-me um graõzinho de areia fazendo parte do Cosmos colossal! Esqueço a alvorada, apenas peço adormecer banhada p'la Lua Cheia e acordar para mais um dia, afinal! Arlete Piedade - Santarém Como uma árvore Sinto-me solitária Como uma árvore sem idade Que vive sozinha no campo E há muito está ao vento e à chuva Passou o tempo! Agora, chegada a nova estação Tenho o dom de exaltar as minhas flores Belas e perfumadas, Então chegou a cruel explosão Ao tirares-me algumas delas Levaste-as para a tua alcova Onde uma a uma as desfolhaste Deixando-me nua, No desapego do teu amor! Nem o perfume emanado te encantou Chegou de novo a tempestade E eu continuo ali como árvore sem idade Que há muito está ao vento e à chuva Compartilhando as minhas tristezas Com a avezinha que num dos ramos Ali se aninhou! Susana Custódio - Sintra A Primavera Chegou… A primavera anda aí por toda a parte a falar de cravos e protestos e canta em apogeu os mais funestos poemas dum Abril que já morreu… a primavera veio uma vez mais coberta de flores e ideais sonhados e vividos no passado tempo de risos e amores perdidos após, em qualquer lado… a primavera chegou isso é verdade neste céu de sol sem claridade neste tempo de dor e desistência a primavera chegou seja bem-vinda da juventude louca a alma linda que nos impele à luta e à resistência!... Maria Mamede - Porto Primavera "Nasceram rouxinóis no meu jardim, As fores vicejaram e se coloriram; Andorinhas, em bandos, surgiram E entre rosas e cravos fizeram festim. As árvores cobriram-se de verde, assim Folhas verdes aos seus troncos, subiram, Enverdeceram os campos e abriram Clareiras de luz e de cor carmim. Prenhes de ninhos, ficaram os beirais Trepou pela parede, a alegre hera, Cantam alegremente os pardais. Alegria, luz e beleza, nesta hora Pelos mais recônditos cantos naturais, Surgiu, por fim, engalanada, a Primavera" Rosélia Martins – P.Stº Adrião Vou caminhando Caminho pela calçada… Com os olhos postos no chão… A olhar as pedras soltas… E a tentar que não me deixe cair… O caminhar é vagaroso… Mas é um caminhar seguro. Vou confiante que vou… E que o lado de lá… És apenas tu… Só que caminho, caminho… Calçadas após calçadas… Pedras soltas e pregadas ao chão… Que se deliciam com o meu pisar… E eu continuo sempre… Porque sei que o fácil… Muitas vezes é difícil… E como caminho sempre… Chegou o dia que procurei… E depois de muito pisar… Consegui finalmente encontrar… Lili Laranjo - Aveiro À procura da felicidade Na incessante procura da felicidade, Perde-se a frágil humanidade Por estreitos caminhos de pedras e espinhos, Que só desembocam nos bens materiais E nos prazeres mórbidos dos vícios carnais. A verdadeira felicidade, não pode estar aliada Às necessidades corrosivas do corpo. A verdadeira felicidade está escondida No mais profundo recôndito da alma e da mente. Para atingi-la, é preciso aprender a expurgar Os vícios que estejam enraizados, Para que mente e corpo se tornem uma só vontade E assim se atinja a plena felicidade. São Tomé - Amora Vejo-te na filmagem riso ou drama Vejo-te no bailado que embriaga Vejo-te no incêndio que inflama Sinto-te no desejo que me chama Sinto-te mão carente que me afaga Perco-te na algidez da minha cama Carmo Vasconcelos - Lisboa Há, p'ra aí tanto doutor legislando, em confusão, que a lei é sempre a favor, quem rouba não é ladrão. Tiago - Parede

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12 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 63 | Julho / Agosto 2014 «Trovador» Monte Gordo Monte Gordo é açucena Juntinho a Vila Real Tem a praia mais amena Das praias de Portugal. Banhada p'lo mar azul De areias brancas e finas É a praia mais a Sul No País das Cinco Quinas. É destino gigantesco Na época balnear Tem carisma pitoresco E o mais tranquilo mar. A praia dos pescadores É verdadeira aguarela Motivou muitos pintores Celebrizá-la na tela. Todo um mosaico envolvente Satisfaz nossos anseios De dia a praia atraente À noite os belos passeios. Minha praia favorita Que com saudade recordo Por ser serena e bonita A praia de Monte Gordo. Não te iludas rapazinho Mote Não te iludas rapazinho não sintas tanta vaidade é verdade, eu sou velhinho, mas já tive a tua idade Glosa Eu não fiquei ofendido por me chamares velhinho deixo-te um conselho amigo não te iludas rapazinho Ficaste-te de mim a rir, mas digo-te com siceridade guarda esse maroto sorrir não sintas tanta vaidade Ris-te porque eu tropeço numa pedra do caminho a tua troça não mereço é verdade, eu sou velhinho Eu tambem já fui vaidoso acredita que é verdade hoje sou velhinho ocioso, mas já tive a tua idade. Portugal país de raça. Portugal país de raça História de nobre povo P’la demanda que nos faça Melhorar no Ano Novo Portugal de marinheiros Padrão de descobrimentos Foram sempre os primeiros À vela, de mil tormentos Portugal acolhedor Vence clima favorável Tem um povo sofredor P’lo mundo é admirável Portugal tem boas vinhas Produz vinho estomacal A refrescar as alminhas Com festa cerimonial… Hoje? Portugal roubado Políticos entachados Tudo fora derrubado Na sobra dos indignados Pinhal Dias – Amora / Portugal Euclides Cavaco - Canadá Há, p'ra aí tanto doutor legislando, em confusão, que a lei é sempre a favor, quem rouba não é ladrão. Chico Bento - Dällikon – Suíça Pinhal Amigo. Que chorar é lenitivo Faz-nos bem carpir a dor Por isso Pinhal amigo te tornaste um trovador ! Eugénio de Sá - Sintra Se me lembro do passado Sempre veloz como o vento Agora ando pasmado, Quando me vejo ao relento. Cansei-me neste mês posto Por festejar os santinhos Venham já julho e agosto , Pra descansar-mos juntinhos Antoninho fez-se Santo No dia dos namorados Sua noiva é um encanto, Vão passar a ser casados. Arménio Domingues Foros de Amora A Melgaço vou à feira Pra passear a Maria Com uma prenda à maneira, D'Aromas Pastelaria Arménio Domingues Foros de Amora Tiago - Parede Senso Comum. Réplica do sabichão Tem fraca sabedoria, Vive por exaltação Com excesso de mania. Pinhal Dias O Rui Costa Campeão E ninguém o enaltece, Andam atrás da selecção Quantas vezes acontece… É ou não é verdade? Quantas vezes acontece,,, Arregalamos os olhos Para quem menos merece. Aires Plácido - Amadora Algumas pessoas pensam que estão sempre certas, outras são quietas e nervosas, outras parecem tão bem, por dentro elas devem se sentir tristes e erradas, outras se isolam para esquecer, enquanto outras se aproximam para sofrer, outras falam para machucar, algumas se calam para não magoar, embora sejam tão diferentes, todas tem algo em comum, não tem certeza de quem realmente são ou do que querem ser. (Charles Chaplin)

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 63 | Julho / Agosto 2014 | 13 «Poemar» Meu Derradeiro Desejo: Querem o retrato d’um poeta Com idade bastante senil, Que passou tanto Abril, Co’a vida no fim da meta, Qu’estragou seu corpanzil, N’um trabalho duro, febril, N’aquela ânsia completa, Da vida, essa campanha Que certo não foi ganha, Foi -- Agora vejo – quimera, Lá na distante Alemanha, Foi, sim, aérea, quimera, N’uma louca atmosfera, A mocidade foi-se, estranha Hoje cá o poeta s’assanha, Velho, ver perder essa era, Vejo uma conta tamanha, Nada ganhei lá na BAVIERA,, Aquilo que foi belas flores, Hoje, isto tudo m’arreganha, Com negras e grandes dores, Nem mesmo no DOIS AMORES, A melancolia fere, desespera, O que vale é a boa DOLORES, Que guia bem esta galera, Eu fico cheio de temores, Espera breve, ó s’espera, Que esta minha ―filoxera‖ Que tenha com brevidade fim, Ali n’uma cova no jardim, junto ao balsâmico alecrim. Com uma grinalda de hera, Com um epitáfio assim::-===== DOLORES, meu bem, ouve bem Os milhares de dos meus poemas, Já que não valem um vintém Pra que outros não sejam temas, Vão comigo no caixão pró Além, Já escrevi no testamento, Tu sabes, é velha minha teima, Logo após meu falecimento Não esperes um só momento, Meus milhares de poemas, Que escrevi com puras gemas, Meu amor, queima, tudo, queima, Será uma grande fogueira, Da minha poesia derradeira, Guarda só os livros amados, Que formatei pra ti apaixonados, Serão a recordação inteira, Pra que tenha à tua beira, Nos momentos assombrados! Só esses têm grande valor Foram escritos pra ti, meu amor! O teu poeta Frustração. A frustração é a espada que rasga o véu para a argúcia. Tal como o raio de sol dissipa a neblina e faz ver claro, sem sombras... assim é a frustração para elevar o pensamento à realização! Não lamentes a frustração porque, aquilo que não conseguiste... será o apanágio para alcançares o que queres realizar! Porque a frustração e a realização foram germinadas no mesmo ventre! São idênticas! Confundíveis!… O desgosto que te dá uma tem a mesma intensidade, a mesma vibração, da felicidade que a outra te dá! Filomena Gomes Camacho. Amigos Poetas lúcidos na perene embriagues de angelical filosofia às vezes cerram os olhos para ver com maior nitidez galáxias sonhos auroras boreais transcendem viagens deambulando universos nas palavras moldáveis etéreas formando grinaldas de flores solidárias e-ternas! Maria Petronilho - Almada Onde o silêncio reina A razão do meu destino A quem vou eu perguntar Se um dia não fui menino Quem posso disso culpar Aprendi na escola da vida Mais do que me ensinaram Se eu ganhei esta corrida Quantos a não começaram Tantos que pelo caminho O destino os foi deixando, Mas eu não segui sozinho Alguém vem-me acompanhando Se cheguei onde hoje estou Foi o destino que o quiz O meu destino me traçou O caminho para ser feliz Refrão Porque razão, pergunto eu Como outros não fui menino Alguém de mim se esqueceu Ou é este o meu destino Ou é este o meu destino Que ao nascer, Deus me deu Como outros não fui menino Porque razão, pergunto eu. Chico Bento - Suíça Amar é importante Dar amor é uma caminhada audaz, Mas amar, nesta vida é importante; Amar cada minuto, cada instante, Fazer do nosso amor, nosso cartaz. Não deixar que em nós seja fugaz, Mas sim da nossa vida uma constante, Amar a toda a gente confiante, Que o amor acaba a guerra, e traz a paz. Manter em nós acesa essa chama, Feliz aquele que o amor derrama, O eleva ao mais alto patamar. Pois quando nos chamar, o Criador, Ele nos irá mostrar, com muito amor, Que ainda nos ficou amor p'ra dar. Anabela Dias - Amora Nelson Fontes - Belverde ―Falar sem aspas, amar sem interrogação, sonhar com reticências, viver sem ponto final.‖ - (Charles Chaplin)

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14 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 63 | Julho / Agosto 2014 «Confrades» Mãe Preta As ideias correm antes de chegar o cacimbo, ainda no seguimento do capim, piscina verde no quintal. As mangas sentavam-se em grupos de três, à frente de um pano colorido, vestido de gala. Nas mãos, a conversa: Outra véz? Minino, passa longi! Não suja minha sala di pásseio. Bicicleta é na estraaada! No equilíbrio do lenço cimeiro, o cesto enorme, cheio de coisas desprendidas, sombreava a vida pequenina colada nas costas e mesmo no correr do carreiro Ai uê, ai uê. O choro embalado fazia sorrir o sorriso cansado de Mãe Preta. No tempo ido, não tinha percebido o sentido sentado no alto da minha bicicleta. Ai uê, Ai uê…. ―Discurpa, Mamã‖. José Jacinto "Django" - Casal do Marco Espelho da morte Dum canto da noite vazia de estrelas despida de lua... Rosnando sinistra a besta surgiu trazendo nas garras o espelho da morte... E nele a imagem do homem sem norte mendigo sem sorte que a vida pariu num beco qualquer... E a grande cidade sem dó nem piedade com velhos cartões cobriu e enterrou sem missa ou sermões... Sem esquife sequer! Abgalvão - Fernão Ferro Solução http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Mão Estendida Por acaso, Sem que ninguém quisesse dar-lhe amor, Nasceu. Cresceu ao acaso E só por acaso. Ninguém ama ninguém. O pai, macho, bêbedo... Objecto disponível, a mãe. Amor?! Quem ama quem? - Quantos mais filhos, Mais abono - diz o pai. - Assim Nosso Senhor queira! - Exclama a mãe. Nasceu da frieza daquelas mentes Da frieza daquele quarto Naquele quarto onde tudo se faz Onde se fazem os filhos, Sem amor, Onde o pai bate à mãe, Onde o carinho não existe E a comida escasseia. Acorda sem um bom dia. Regressa a casa sem um olá, Sem uma carícia de alguém, Acorda aos berros da mãe, Ameaças do pai... - Anda! Mexe-te! São horas de caminhares!... Desaparece! Quero que tragas... Estás ouvindo? Se gastas um tostão!... Vive assim esta criança: Sai pela manhã, A mesma fome do dia anterior, A mesma roupa suja do dia anterior, A mesma sujidade no corpo do dia anterior, A mesma intranquilidade no olhar. Se o dia não rende, Apavora-a ter que chegar a casa. Vive assim esta criança, Tantas crianças, Mão estendida. Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa Quero ficar intoxicado de amor Contigo, contigo… E seres a minha cura. Quero o meu, teu e manter a Liberdade de continuar preso a Ti. José Jacinto Vida Vida, pela estrada conseguida E não por essa que sonhei um dia Pouco a pouco se esvai e a magia Some-se em vãos atalhos, de perdida. Fantasia foi já fogueira ardida Do rescaldo só resta a poesia Que me deixa uns laivos de alegria E alimenta a alma foragida. Ínvios, os caminhos espinhosos Não colhi os proventos frutuosos Me remeti ao sonho e à loucura. Minha dor que sarei por tão dolente Vencido triste drama bem pungente Resta a consolação da alma pura. Maria Vitória Afonso - Cruz de Pau Poeta Não sei quem sou, Não sei o que penso, Esquecido não estou, Lembro no momento. Por ter liberdade no pensamento… João Carlos Veloso Gonçalves (Quelhas) Suíça

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 63 | Julho / Agosto 2014 | 15 «Faísca de Versos» Prece pela “salvação” (sátira política) Falhada a ―salvação nacional‖ Ditada de Belém pelo presidente, Lá se foi o ―consenso‖ no final, Do ―trio partidário‖ intransigente. E o povo português, para seu mal, Terá que aguentar o mesmo Passos (Coelho) que deixou no presidente Um ―menino‖ sem vida nos seus braços. Que mande Deus, lá do céu, a ―salvação‖ (que dessa bem precisa Portugal). Já que abortou a ―salvação nacional‖… Resta ao povo pedir, em oração, Que outra pior não venha, nem igual, Para bem deste povo e da Nação! Fernando Reis Costa – Coimbra Crescer! Pra um dia ser deputado. Mãe honesta: Questiona o seu filho - Filho meu o que queres ser mais tarde? - Mãe, eu não quero ser um andarilho… Homem sério! Tão pouco ser cobarde! Mãe fátua: Dá ao filho, guloseimas - Meu filho, tens que ser doutorado? - Mãe, tu verás em mim ser deputado - Servires? Mamas noutro rebuçado! Educação tendenciosa tem Destas coisas, que só alguns sabem Filho da mãe, fora predestinado P’la cegueira, vertigens de enganar Política – Jovens a questionar… Crescer! P’ra um dia ser deputado Pinhal Dias (Lahnip) – Amora / Portugal É Preciso! É preciso construir este País! É preciso espalhar a mensagem Trabalhar e viver, ser feliz! Acolher a razão, ter coragem! É preciso arregaçarmos as mangas, No campo na cidade e construir! É preciso despirmos de tangas… Na honesta labuta, a sorrir! É preciso a verdade democrata! E banir para sempre a opressão! É preciso ser Juiz e que não bata… Nem retire do humilde o seu quinhão! É preciso mexer nesta Nação! Na Industria, no Comércio de vez! É preciso semear, colher o pão Neste solo, que é nosso português! João da Palma - Portimão A mulher Mulher tem suas armas, suas manhas, Porém, se ama, acredita em quaisquer juras Capaz de mil carícias e ternuras, Mas não pactua com outras estranhas. Ela sobe às mais íngremes montanhas, Dissimulando as ânsias e as tonturas, Por seu homem, suporta mil agruras Com fé, entrando em todas as façanhas. Mulher, força do homem, protectora, Que é companheira, amante, uma senhora, Diáfana visão, quando amanhece. Se, acaso, alguma zanga surge, à toa, O homem pode esquecer, mas não perdoa, Mas a mulher perdoa e nunca esquece. “Aperto de Mão” (Na Rua D. Carlos lº) Mote: Ó amigo Vasconcelos, Deixe-me apertar-lhe a mão! Eu ainda quero vê-los Mais à frente, na Nação! Glosas: Ó amigo Vasconcelos, Não deixemos de gritar! Façamos justos apelos… Vamos na Esquerda votar! Como este ego se exala… Deixe-me apertar-lhe a mão! A nossa voz não se cala De Melgaço a Portimão! Nós havemos de retê-los… E avançarmos de novo! Eu ainda quero vê-los, A erguer mais este povo! Vamos no Bloco votar! Dar as mãos em união! Para a Esquerda chegar Mais à frente, na Nação! João da Palma - Portimão Deputados? Tretas. Eis a chocadeira de ovos… Pintos? Deputados? Tretas! Que esgalga a alma dos povos, Com golpadas de omeletas Lahnip - Amora Ó Crise Ó crise dura e malvada Que nos retalhas a vida Para tantos é ignorada E por outros assaz sentida. Ó crise pobre coitada Que no bolso tens guarida Se antes já eras notada Agora és a mais temida. Anda mal o fim de mês Para qualquer português Mesmo que tenha ordenado. Como vamos nós viver Com impostos a crescer E a crise do nosso lado?! Rosa Silva (―Azoriana‖) António Barroso (Tiago) 17ª Sextilha Semanal 2012. Na Segurança Social O desequilíbrio é tal… Com milionárias reformas. Enchem os bolsos uns quantos, À espera ficamos tantos, Que um dia, entre nas normas! João da Palma - Portimão “Às vezes só precisamos de alguém que nos ouça. Que não nos julgue. Que não nos subestime, que não nos analise. Apenas nos ouça” - (Charles Chaplin)

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