Nº 16. "Horizonte de Letras"

 

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Revista digital de creación literaria, editada por la Asociación de Escritores de Alcorcón "Alfareros del Lenguaje"

Popular Pages


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Revista digital de Creación Literaria, de literatura y de opinión Editada por Enrique Eloy de Nicolás Sumario Editorial (pág. 3) Relato (pág, 4) Microrrelato (pág. 10) Poesía (pág. 12) Opinión (pág. 15) Lectura escogida (pág. 18) Entrevista (pág. 19) Publicaciones recibidas (pág. 22) Entrevista a Rafa Gálvez, escritor y socio cofundador de la Asociación Literaria “Verbo Azul”. EJEMPLAR GRATUITO ©: Revista "Horizonte de Letras". Todos los derechos reservados. ISSN: 1989-6956 La Revista "Horizonte de Letras" no se responsabiliza de las opiniones vertidas por los autores participantes en este número; quienes, además, serán responsables de la autenticidad de sus obras.

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“Horizonte de Letras” Nº 16 Página 2 de 27 Fundada en 2009 Nº 16 Enero-Febrero de 2013 EDITORIAL RELATO “La bofetada”, de Moisés Ramos “La náusea”, de Eva Mª Medina “La siesta del martes”, de Dolores Otálora MICRORRELATO “Mario y yo”, de Rolando Revagliatti “Día de Carnaval”, de Mª Dolores Piña “Aquella tarde de circo”, de Eva María Medina POESÍA “Escribe tristeza y di lo que puedas”, de Rafael Indi “Fogosa libertad”, de Gema García “Pasó por aquí”, de Mª Dolores Piña “La muy lista” y “Habría de abrir”, de Rolando Revagliatti OPINIÓN “La Navidad”, de Rosa Frías “Mi historia del cine”, de César Díaz LECTURA ESCOGIDA “El último Judío”, de Noah Gordon. Crítica de Enrique E. de Nicolás ENTREVISTA Rafael Gálvez Olmo, escritor y socio de la A. L. E. “Verbo Azul” PUBLICACIONES RECIBIDAS __________________________________________________________________________________________________________ EJEMPLAR GRATUITO ©: Revista "Horizonte de Letras". Todos los derechos reservados. ISSN: 1989-6956 La Revista "Horizonte de Letras" no se responsabiliza de las opiniones vertidas por los autores participantes en este número; quienes, además, serán responsables de la autenticidad de sus obras.

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“Horizonte de Letras” Nº 16 Página 3 de 27 Editorial Llegar aquí, tras las fatídicas y apocalípticas predicciones del calendario Maya, ha sido todo un triunfo. A punto estuve de enviaros un correo de despedida a todos, comunicándoos que el 15 fue el último número de nuestra revista, y deseándoos un final lo menos terrible posible… Bueno, es broma, como podéis suponer… Lo que sí es cierto, y real, es que continuamos en la brecha; con los mismos problemas económicos que nos atenazan, con las mismas y aumentadas disensiones políticas que nos producen escalofríos, y con un nuevo año por delante para que podamos disfrutarlo de todas las maneras que se nos ocurran, si podemos y nos dejan. Un nuevo año que termina, lleno de profecías sobre el Fin del Mundo para aquellos que creen a pies juntillas los mensajes apocalípticos dejados por civilizaciones arcaicas; y un nuevo año que comienza, seguramente no exento de nuevas y ocultas supersticiones para los que no han visto recompensada su curiosidad nigromántica y cabalística, y que verán en el 2013, con sus dos últimos dígitos, a saber qué catástrofes y desastres sobre la perdida y pérfida Humanidad. Yo, como cada dos meses, os dejo un nuevo número en vuestras bandejas de entrada, para que empecéis el nuevo año disfrutando del buen hacer de nuestros colaboradores y para que no os comáis el coco con finales de la Humanidad ni con números trece. ¡Feliz año a todos y fuera supersticiones! Enrique Eloy de Nicolás __________________________________________________________________________________________________________ EJEMPLAR GRATUITO ©: Revista "Horizonte de Letras". Todos los derechos reservados. ISSN: 1989-6956 La Revista "Horizonte de Letras" no se responsabiliza de las opiniones vertidas por los autores participantes en este número; quienes, además, serán responsables de la autenticidad de sus obras.

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“Horizonte de Letras” Nº 16 Página 4 de 27 Relato Moisés Ramos nació en un pueblo cercano a París. Desde muy pequeño se aficionó a la lectura. Recuerda con mucho cariño los primeros libros que le impactaron, “Demian” de Herman Hesse y “Drácula” de Bram Stoker. Tal vez por eso compaginó desde su juventud escribir tanto relatos de misterio como de personajes atormentados. Actualmente, compatibiliza su trabajo en Madrid como funcionario con su otro trabajo como actor; trabajo éste último en el que se formó durante cuatro años, participando en varias obras teatrales estrenadas en Madrid. Respecto a la escritura, ahora mismo se halla en el proceso de culminación del Guión de un Largometraje. “L a b ofetad a” P o dr í a h a b er h ec h o l a s c o s a s de o tr a m a n er a . Ya n o i m po r ta … l o h ec h o , h ec h o es tá . . . y a no h a y vu el ta a tr á s . A qu i én qu i er o en g a ñ a r , ¡C l a r o qu e i m p o r ta !. Ta l vez es e er a u n pu n to de i n f l ex i ó n en m i vi da y c o m po r ta m i en to f u tu r o . ¿ M e h a b r í a c o n ver ti do en a qu el l o qu e detes ta b a , o es qu e a qu el l o qu e a b o r r ec í a , es ta b a ta n den tr o de m í com o en es o s c u yo s a c to s yo m i s mo c en s u ra b a ? ¿ Y es p o s i b l e, qu e el l o s s e h a l l a r a n en m i m i s m a s i tu a c i ó n l a p r im er a vez ? ¿ S e h a r í a n l a s m i s m a s p r eg u n ta s qu e a ho r a m e h a g o y o ? ¿ Ten dr í a n l o s m i sm o s r em o r dim i en to s ? Des de qu e o c u r r i ó , m i m i r a da es qu i va b a l a de m i s s er es m á s qu er i do s o l a de p er s o n a s a l a s qu e co n s i der a b a í n teg r a s . P en s a b a qu e p o dr í a n l eer m i m en te y ver l a p o n z o ñ a qu e a l l í s e h a b ía i n s ta l a do . P er o des p u és de u n ti emp o , a l ver qu e n o p a s a b a n a da , qu e n o h a b í a r ec i b i do n i n g ú n c a s ti g o , n i di vi n o , n i s o c i a l , qu e des p u és d e u n s o lo dí a, po dí a do rm i r c o n el l o , tu ve u n s en ti m i en to ex tr a ñ o , com o de s u p er i o r i da d h a c ía l o s dem á s, co mo s i a qu el a c to i n n o b l e m e h u b i er a f a c i l i ta do l a tr a n s i c i ó n a u n n i ve l m á s a n á r qu i c o en m i co n c i en c i a . Y es o m e da b a m i edo. A ú n p o día r ec o r da r l a s p a l a b r a s de a qu el p r o f es o r de “ Éti c a p o l i c i a l ” c u a n do m e p r ep a r a b a en l a Ac a dem i a de Á vi l a p a r a s er P o l i c í a : “ S o n l o s a c to s lo s qu e def i n en a l a p er s o n a. C u a n do u no a c tú a de u n i f o rm e o b a jo el am pa r o de u n a P l a c a Em b l em a y u n C ar n é P r o f es i o na l , es tá r ep r e s en ta n do a l C u er p o N a c i o n a l de P o l i c í a y a to do s y c a da u n o de s u s Policías”. ¿ C óm o em p ez ó to do ? Deb o en ten der l a s c a u s a s , i n ves ti g a r l a s , p o der l l eg a r a u n a h i p ó tes i s , a u n a c o n c l u s i ó n qu e m e l l eve a deter m i n a r exa c ta m en te el p o r qu e. Em p ec em o s po r el r e s u l ta do : Una b o f eta da en l a c a r a de u n deten i do es p o s a do den tr o de u n c a l a b o z o . ¿P o r qu é es ta b a y o en el c a l a b o z o ? Es ta b a a l l í p o r qu e u n co mp a ñ er o m e di j o qu e h a b í a n a tr a p a do a u n h o m b r e a tr a c a n do o tr a P er f u m er í a, c u y o “ mo du s o p er a n di ” c o i n c i dí a c o n l a del ti p o qu e s e m e h a b í a es c a p a do . ¿ C u á l es el m o ti vo s i n el c u a l yo n o h a b r í a en tr a do en es e c a l a b o z o ? Q u e el dí a a n ter i o r se me es c a p ó un del i n c u en te. ¿Qué c i r c u n s ta n c i a s a c a ec i er o n para qu e se di er a ta l vi c i s i tu d? Es ta b a r ea l i z a n do una vi g i l a n c i a , j u n to a u n c om p añ er o en p r á c ti c a s , en el ves tí b u l o de u n i n m u eb l e de l u j o , f r en te a u n a p erf um er í a qu e h a b í a a tr a c a do el m i s mo h o mb r e va r i a s vec es . Er a la ter c er a s em a n a de vi g i l a n c i a y n o a pa r tá b a mo s l a m i r a da del es ta b l ec i m i en to . La i dea er a es p er a r __________________________________________________________________________________________________________ EJEMPLAR GRATUITO ©: Revista "Horizonte de Letras". Todos los derechos reservados. ISSN: 1989-6956 La Revista "Horizonte de Letras" no se responsabiliza de las opiniones vertidas por los autores participantes en este número; quienes, además, serán responsables de la autenticidad de sus obras.

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“Horizonte de Letras” Nº 16 Página 5 de 27 a qu e en tr a r a y a tr a p a r l e fá c i l m en te a l s a l i r . ¿ P er o qu e p a s ó? “ La Ley de M u r p h y ” S ó l o h a c e f a l ta qu e te des c u i des u n s eg u n do y s e a c a b ó . C omo h e di c h o , n u es tr a m i r a da es ta b a f i j a en l a ti en da , c u a n do u n a vo z s e es c u c hó a n u es tr a es p a l da . Er a u n a p a r ej a de a n c i a no s qu e n o s p r eg u n ta b a s i s ab í a mo s do n de vi ví a f u l a n i to de ta l o c u a l, n o r ec u er do el n o m b r e. A qu el l o n o du r ó m á s qu e u n o s s i ete u o c h o s eg u n do s . Ti em p o s u f i c i en te p a r a u n a h um i l l a c i ó n , l a m í a, p o r qu e a l vo l ver l a vi s ta a l a P er f u m er í a, de el l a s a l i ó n er vi o s o u n ho m b r e a to da p r i s a, y detr á s de él , u n a dep en di en ta c o n l a c a r a des c o m pu es ta , qu e l e s eñ a l a ba c o n u n dedo a c u s a do r m i en tr a s n o s m i r a b a. Res u m i en do , no s a p r es u ra mo s a p er s eg u i r l o , n o s vi o , ec h o a c o r r er , y o p er dí el equ i l i b r i o , y c a í a l s u el o c o n el m i s mo es tr u en do , qu e s i s e h u b i er a c a í do u n es ta n te c o n c i en to s de l i b r o s . El P o l i c í a en P r á c ti c a s er a m u y l en to , y el a tr a c a do r es c a p ó a n te la m i r a da i n c r édu l a de l o s vi a n da n tes y de l a dep en di en ta de l a ti en da , qu e m e m i r a b a dec ep c i o n a da . Lo p eo r f u e l l e g a r a C om i s a r í a y ten er qu e ex p l i c a r lo qu e h a b í a o c u r r i do a m i j ef e y a m i s c om p a ñ ero s . A l g u no so n r i ó c o n ten to p o r n o es ta r en m i l u g a r . O tr o s , s u p o n g o, qu e p en s a r í a n qu e es o n o l es p o dí a p a s a r a el l o s, y m i j ef e di s i mu l ó c o mo p u do el en f a do y m e p r eg u n tó p o r l a s h er i da s a co n s ec u en c i a de l a ca í da . C o n c l u s i ó n: F u e m i eg o da ñ a do, s ó l o es o, m i eg o. Q u i s e l a va r l a hu m i l l a c ió n del dí a a n ter i o r c o n u n a b o f eta da, y es o n o f u e to do , es ta b a ta n f u r i o so qu e n i s i qu i er a m e f i j é en qu e l a p er s o n a a l a qu e a g r edí n o er a l a m i s m a qu e s e m e es c a p ó . Ni s i qu i er a se p a r ec í a f í s i c a m en te. El p o b r e no en ten dí a n a da de l o qu e l e p r eg u n ta b a , y s e p u s o a l l o r a r i mp o ten te a n te m i a b u s o de po der . Ver edi c to : C u l p a b l e. A ten u a n te: Eg o da ñ a do . C o n den a : N o s é c u a l i mp o n erm e. N o p u e do ir a “ Rég i m en I n ter n o ” y c o n f es a rm e c u l p a b l e p o r a l g o de l o qu e n i s i qu i er a h e s i do den u n c i a do . N o qu i er o a r r i es g a r m i tr a b a j o. Y ta m p oc o qu i er o qu e a l g ú n c o m p a ñ er o p i en s e qu e n o s o y de f i a r , y qu e a l p r im er er r o r qu e c o m eta n m e vo y a “ c h i va r ” a l j ef e. N o s o y h o n es to , p er o ¿ qu é m e qu eda ? ¿ Dec ep c i o n a r a m i s p a dr es y a m i n o vi a ? Ba s ta n te ten g o con h a b er m e dec ep c i o n a do a m í m i s mo . P er o a l go h e de h a c er . N o p u edo qu eda r i mp u n e. ¿ Y s i p i do p er dó n a l a g r edi do ? Tam p o co es vi a b l e, es ta r á en p r i s i ó n a h o r a m i s m o y c o n l o “ c o l o c a do ” qu e i b a en c o m i s a r í a n i s e a c o r da rá del a su n to . Es u n a p en a h a b er dej a do de c r eer en Di o s ta n j o ven . El p o dr í a h a b er m e a b s u el to . S ó l o m e qu eda u n c a m i no : el de c o mp o r ta r m e co mo u n h om b r e, vi vi r c o n el l o y h a c er m e l a p ro m es a de qu e j am á s vo l ver é a a b u s a r de m i p o der y qu e n u n c a dej a r é qu e n a di e l o h a g a en m i p r es en c i a . Bu en o , es h o r a de em p ez a r a c u m p l i r m i c o n den a . - A del a n te H - 5 0 p a r a Z- 3 1. - A del a n te Z -3 1 . - Bu en a s no c h es . En tr a m o s de s er vi c i o . - Rec i b i do Z- 3 1 . Bu en a s no c h es . __________________________________________________________________________________________________________ EJEMPLAR GRATUITO ©: Revista "Horizonte de Letras". Todos los derechos reservados. ISSN: 1989-6956 La Revista "Horizonte de Letras" no se responsabiliza de las opiniones vertidas por los autores participantes en este número; quienes, además, serán responsables de la autenticidad de sus obras.

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“Horizonte de Letras” Nº 16 Página 6 de 27 Eva María Medina Moreno. Escritora española (Madrid, 1971). Licenciada en Filología inglesa y diplomada en Profesorado de Educación General Básica, por la Universidad Complutense de Madrid. Con el título del Ciclo Superior en Inglés de la Escuela Oficial de Idiomas de Madrid, y The Certificate of Proficiency in English, por la Universidad de Cambridge. Tras el Período de Docencia del Doctorado en Filología Inglesa de la UNED, investiga en el campo de la Literatura Inglesa del siglo XX y Contemporánea. Trabajo que compagina con la escritura de su primera novela. Premiada en el I Certamen Literario Ciudad Galdós por su relato «Tan frágil como una hormiga seca» (Editorial Iniciativa Bilenio S.L. 2010). Seleccionada en el V Premio Orola, en cuya antología se incluyó su cuento «Mi bodega» (Ediciones Orola S.L. 2011). También han publicado sus relatos en revistas literarias digitales e impresas de España, Estados Unidos, Argentina, Chile, México y Venezuela, como Letralia, Cinosargo, Almiar, Groenlandia, Narrativas, o Solaluna. La revista de creación literaria La Ira de Morfeo ha hecho un número especial con algunos de sus cuentos. “La náusea” Cuando desperté ya había oscurecido. Me quedé frente al espejo del baño. Examiné mis ojos, bajando, con la presión del índice, el párpado inferior, y, después, subiendo el superior; primero el izquierdo, luego, el derecho. No vi nada para alarmarme. El blanco del ojo, normal, no tendía al amarillo, y las venas, ninguna más roja que otra. Me tranquilizaba hacer esto, como si a través de los ojos hiciera una especie de scanner y comprobase que todos mis órganos funcionaban bien. Preparé una cafetera. Mientras se hacía, pasé a la habitación de mis padres. Hacía tiempo que no entraba. Todo seguía igual; sólo el polvo se había asentado formando una capa fina, homogénea, casi transparente. Pensé en esas motas uniéndose hasta formar esa alfombra, tejida de bichos microscópicos. Miré las fotos. Mis padres parecían pedirme que les sacara de allí. Sentí escalofríos. El silbido de la cafetera me alarmó. Al salir, cerré la puerta. Con la taza de café en la mano, me acerqué a la ventana del salón. Retiré la cortina amarillenta y miré tras el cristal. El gris de las nubes se fundía con esa capa grisácea del humo de fábricas y coches. En el alféizar seguían mis plantas, algo más secas. Las observé. El verde oscuro de hojas alargadas, con forma de lanza. Un verde más claro con franjas amarillas en hojas dentadas. Espinas pequeñas, muy finas, casi transparentes, de cactus carnosos. Agujas más gruesas. Sentí un vacío pesado y una opresión de pecho extraña, como si hubiesen cosido mis pulmones convirtiéndolos en uno, y, a través de ese pulmón encogido, no podía respirar, no sabía cómo hacerlo. Abrí la ventana, asomándome. Me ahogaba. Parecía que mis pulmones se pegaban a la tráquea, replegándose. Me quedé quieta, intentando no pensar, se me pasaría. Me senté. Los olores a fritos, que subían por la ventana, dejaron de oler. El olor a antiguo de la casa se transformó en un olor insípido que desazonaba. Y los perros ladraban tanto. Cuando miré el televisor, el negro de la pantalla me deslumbró. Tenía un brillo crudo, afilado, casi insoportable. Toqué los brazos del sillón, rodeándoles con mis dedos, aferrándome al material; esa superficie pinchaba, como los pelos fuertes y duros de un jabalí disecado. Solté las manos. Las pastillas. ¿Efectos secundarios? No miraría prospectos. Se me pasaría, seguro que se me pasaría. __________________________________________________________________________________________________________ EJEMPLAR GRATUITO ©: Revista "Horizonte de Letras". Todos los derechos reservados. ISSN: 1989-6956 La Revista "Horizonte de Letras" no se responsabiliza de las opiniones vertidas por los autores participantes en este número; quienes, además, serán responsables de la autenticidad de sus obras.

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“Horizonte de Letras” Nº 16 Página 7 de 27 Dolores Otálora vive en Madrid desde hace unos cuarenta años. Siempre he sido una lectora incansable, hasta que hace unos seis años se dedicó a inventar historias. Relatos salidos de su imaginación. En los últimos dos años ha asistido a un Taller de Creación literaria donde nacen historias realmente mágicas. “La siesta del martes” (Un homenaje a Gabriel García Márquez) Carlos Centeno, el día en que lo iban a matar, se despidió de su madre y sus hermanas con una sonrisa en los labios, jugueteando dando patadas a las piedras del camino. Canturreaba una canción. Era un día caluroso de agosto, mediodía del martes. A lo lejos un pájaro negro canta. Recordó las palabras de su abuela, que según sus creencias predecía la muerte de alguien de la familia. El no creía en supercherías. Sólo en lo que podía ver. El sendero era angosto, apenas una persona cabía por el tortuoso camino, rodeado de vegetación y árboles. A lo lejos, el monte se erigía como un estandarte, destacaba el azul luminoso del cielo con nubes de algodón. Su vida nunca fue fácil. Su padre falleció en plena crisis de la industria del banano. Eran pobres, condenadamente pobres. Ahora sería el hombre de la casa, el primogénito, el que tenía que llevar un sustento. Así se lo dijo el viejo Izarías su tío abuelo. Poco a poco se desvanecieron sus sueños de jugar al fútbol, de saltar por los tejados con su amigo Pedro “El Pirata”, de tirar a las niñas de las trenzas. Todo eso se esfumaba como el humo de la pipa del viejo Izarías. Ahora era un hombre, a sus quince años. Encontró trabajo en la cercana fábrica de flores. De allí se exportaban, a diario, a diferentes partes del mundo; pero él no era hábil con las cuentas, le resultaba difícil alinear los diferentes pedidos, seleccionar a qué país irían dirigidos. Él sabía arar la tierra, cargar de heno la furgoneta, pero aquel trabajo era demasiado complicado para él. El estaba acostumbrado a cargar grandes fardos, a hacer los recados para su madre, a subirse al tejado y reparar los desperfectos, pero el trabajo de la fábrica era un tanto complicado para un muchacho analfabeto como era él. Así se lo dijo el capataz cuando le entregó el sobre del mes. En el pueblo se empezó a hablar de un combate de boxeo que se organizaría en las fiestas de la patrona Nuestra Señora del Rosario de Chiquinquirá, tenían varios meses para entrenar duro. Su amigo le convenció que con su fuerza y un poco de entrenamiento, quizá ganara los ciento veinte mil pesos de premio. Carlos era bueno para el boxeo. Sabía esquivar los golpes con maestría, y sobretodo utilizar su gancho izquierdo con gran maestría, con un juego de pies que engañaba al contrincante y asestarle un duro golpe cuando estaba confiado. Su truco consistía en dejarse pegar, aparentar una debilidad que no tenía para en el momento más inesperado asestarle una cascada de golpes en el estómago, hígado, hasta dejarle K.O. Se hizo un nombre como “El Puma de Loreto”, era conocido en toda la comarca. Cada madrugada, llegaba a su humilde vivienda con hematomas y golpes después de cada pelea, bajo la atenta mirada de su madre que, apenada, curaba los moratones y heridas de su hijo. En ese año sus dos hermanas mayores se colocaron en la fábrica de flores, y su madre cosía en casa prendas de aquellos vecinos que necesitaban de sus servicios como costurera. A escondidas de su cuarto, la madre lloraba por su hijo pequeño. Se sentía mal por recoger esos pesos ganados de forma tan brutal. Hace tiempo que se percató de que su hijo no era como los demás, era “especial” con una mentalidad de un muchacho de doce años, inocente, sin malicia. Era por lo que más sufría. __________________________________________________________________________________________________________ EJEMPLAR GRATUITO ©: Revista "Horizonte de Letras". Todos los derechos reservados. ISSN: 1989-6956 La Revista "Horizonte de Letras" no se responsabiliza de las opiniones vertidas por los autores participantes en este número; quienes, además, serán responsables de la autenticidad de sus obras.

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“Horizonte de Letras” Nº 16 Página 8 de 27 Su gran oportunidad llegó con el combate con el “Gran Pambele”, campeón de los pesos pluma en la ciudad de Medellín. Si Carlos llegaba a vencer, en su casa no habría hambre en una temporada. Los corredores de apuestas apostaban por el muchacho. Aquel sábado era el gran día. La pelea que todos esperaban en el pequeño pueblo de Loreto. Era aún un foráneo en el mundo del boxeo, pero confiaba en su fuerza y su juventud para hacerse un sitio en ese deporte tan cruel. Se puso el calzón con un puma bordado por su madre, confiando en que le traería suerte, aunque según atravesaba la ciudad por el río Magdalena cruzaba un cortejo fúnebre de Mama Grande. La muerte, estaba presente siempre en las predicciones de su abuela. El animador de ceremonias vociferó a través de un altavoz: “Estamos en vivo desde la ciudad de Bogotá en dónde se enfrentan “El Puma de Loreto” contra “Gran Pambele” . “El Puma de Loreto “ con pantaloncillo azul con rayas blancas “Gran Pambele” pantaloncillo negro guantes rojos peso welter 66.500grms. Comienza la pelea crispando los dientes”El Puma de Loreto” . “Gran Pambele” suelta recto de derecho a la barbilla Carlos Centeno, que contesta con una combinación de ganchos en corto derecha izquierda volado con la velocidad de un rayo de golden sobre “Pambele”. “El Puma de Loreto amortigua los golpes, el contrincante se lanza como una fiera, volando gancho al hígado, haciendo tambalearse. Cae a la lona, suena la campana“Gran Pambele” arremetió una y otra vez con un Carlos que no respondía a los golpes. Algo se quebró en su cabeza cuando cayó al suelo y escuchó… 8, 9, 10. No se apercibió de los camilleros, del doctor mientras lo reconocía. Sólo una palabra salió de su boca: “mamá”. Perdió por K.O. Doña Rosalía supo que su hijo ya no volvería a ser el mismo. Los golpes fueron tremendos y le dañaron la nariz y parte de la cabeza. Los camilleros se lo llevaron a la enfermería. El médico ordenó trasladarlo de inmediato al hospital más cercano. Tenía una brecha en la cabeza que no le gustaba nada. Tardó diez largos días en recuperar la consciencia. Al despertar se encontró con la mirada de su madre y preguntó ¿vencí, mamá? Ella no pudo contener las lágrimas. Después de hablar con el neurólogo, Doña Rosalía confirmó sus sospechas. Su hijo tenía importantes lesiones cerebrales, en el argot del boxeo se decía que había quedado “sonado” Tenía una mirada apagada, miraba sin ver, emitía unos sonidos ininteligibles. Se había olvidado de hablar, de comer. Pacientemente ella le cuidó junto con sus hermanas en los últimos meses siguientes. Ya nunca podría boxear. Carlos, en su fuero interno se notaba “distinto”, los simples cálculos contables eran de una dificultad extrema para él. Su memoria estaba resquebrajada, no recordaba apenas nada de sus días de infancia, y le tenían que repetir los nombres de sus interlocutores varias veces. Sufría por todo ello, pero de su boca no salió una queja. El había hecho planes con pedir la mano de Edelmira, la hija de la profesora. Ahora sentía que no era válido, unas lágrimas luchaban por brotar. “No, los hombres no lloran” se dijo. Desde entonces, deambulaba por los pueblos de los alrededores. Cometía pequeños hurtos. Su madre, miraba las gallinas, algún lechal, pero no decía nada. Tenía cuatro hijas que casar. Era difícil para una viuda llevar una economía con la falta de trabajo y el empobrecimiento del país. Con lo de sus hijas en la fábrica de las flores no era suficiente. Y la pequeña aún asistía al colegio. Lo que su hijo trajera cada día sería bien recibido en aquel hogar. Tal vez por eso, ella le preparaba al joven sus viandas preferidas como el sancocho, mute de queso o las arepas. Carlos, al bajarse del tren de mercancías, en el cercano pueblo de San Roque, no imaginaba su final. Le habían contado que en las afueras vivía una vieja viuda en una casa apartada del pueblo. La asustaría y se llevaría todo el oro, los pesos y objetos de valor. A lo lejos se vislumbraba una desvencijada casa de estilo colonial construida de madera, en forma de U enorme, con un jardín en el abandonado, lleno de maleza, ocultaba parte del gran caserón que a simple vista parecía del todo abandonado, no salía humo de la chimenea, sólo había quietud. Ningún sonido procedía del interior. Era la casa de la viuda de D. Ferrer, el anterior médico del pueblo que murió de unas fiebres extrañas. Mientras tanto, ella vivía sola. Se decía que era una vieja huraña, no hablaba con nadie del pueblo, sólo cuando bajaba a hacer unos recados. Mientras, tenía la casa llena de gatos. Era muy conocida por su belleza, por las fiestas que daba en su casa, siempre llena de gentes de la capital. Ella vino expresamente desde Francia para reunirse con el doctor, ya que se habían casado por poderes. Su unión se prolongó por más de cincuenta años, hasta el fallecimiento de él. Entonces ella, tan llena de vida, tan locuaz, con un encanto innato para tocar el piano. Se sumió en el total abandono, y en el pueblo decían que la extranjera estaba chiflada. __________________________________________________________________________________________________________ EJEMPLAR GRATUITO ©: Revista "Horizonte de Letras". Todos los derechos reservados. ISSN: 1989-6956 La Revista "Horizonte de Letras" no se responsabiliza de las opiniones vertidas por los autores participantes en este número; quienes, además, serán responsables de la autenticidad de sus obras.

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“Horizonte de Letras” Nº 16 Página 9 de 27 Carlos vigiló los días anteriores la casa. Nadie visitaba a la viuda, sólo el cartero que religiosamente todos los viernes entregaba correspondencia. No había movimiento alguno. No se recibían visitas, nadie aparecía por allí. Se dijo que aquel trabajo iba a ser muy fácil. Con presteza, sacó sus herramientas. Con un pequeño martillo y el destornillador hizo palanca en la cerradura del gran portón de la entrada. No le dio tiempo a más. Un fogonazo hizo que cayera de bruces en el suelo, con la mirada fija y un socavón entre ceja y ceja del que brotaba una sangre espesa a borbotones. La viuda lanzó un grito sin atreverse a abrir la puerta. Tiró al suelo el pistolón, sintió miedo, mucho miedo. Alguien pretendía entrar por la puerta. Le había dado a alguien, arrimó el oído a la puerta pero no se oía nada. Sólo silencio. Con manos temblorosas, tiró el arma al suelo. Y se tiró al suelo, sollozando desconsolada. ¡Había matado a alguien! por la calle principal. Algunos desde sus casas las observaban. El párroco D. Vicente se disponía a echarse su merecida siesta cuando oyó a su hermana que llamaba a su habitación. - Aquí se encuentran los familiares del ladrón que anoche entró en casa de la viuda la señora de Ferrer. - Diles que les atenderé cuando me levante de la siesta. Ni siquiera le dejan descansar a uno. - No puede ser, señor Padre, quieren irse en el tren de las tres y media. En la antesala, la madre y la hija totalmente enlutadas, esperaban con un ramo de flores envueltas en papel de periódico. El malhumorado cura salió y les preguntó qué querían. - Soy la madre de Carlos Centeno, el muchacho muerto ayer. - Es mejor que vayan al cementerio cuando baje el sol. Las calles están llenas de curiosos. Y hace demasiado calor ahora. - No podemos esperar. No puede negarnos como religioso que cumplamos con nuestro deber en la fe cristiana, y recemos ante la tumba de mi hijo difunto. El párroco, con prisa por descansar, les dio las llaves del camposanto. - Tenga las llaves, luego las dejan en el alfeizar de la ventana. A la salida se encontraron con una muchedumbre curiosa que empezaron lentamente a abuchear a madre e hija. Ellas dignamente se encaminaron en medio de la calle principal del pueblo ante la mirada de los curiosos. Sin inmutarse, entraron en el camposanto. Dieron una rápida mirada, y la única tumba sin lápida. La tierra estaba aún reciente. La aparente frialdad de la madre se rompió ante la sepultura de su primogénito. Ana María, con cuidado, colocó las flores ante la tumba de su hermano. Demasiados recuerdos, demasiadas emociones se agolpaban en aquel triste día. Se dirigieron a la estación de ferrocarril, a coger el tren de las tres y media. A lo lejos, en una tumba sin nombre, reposaban los restos de Carlos Centeno. Ana María era la pequeña de los Centeno. Tenía ocho años, y recordaba a su hermano mayor con dulzura. Siempre la traía dulces, y jugaba con ella. La cogía en volandas y ella reía y reía. Siempre sintió predilección por su hermano mayor. La pasada noche sólo se escuchaban gritos, lamentos en el hogar familiar. Habían llegado malas noticias. Habían matado a Carlos, a su querido hermano. Ahora, las lágrimas surcaban sus mejillas silenciosamente. Su madre le dijo que se pusiera ropa negra, tenían que ir a la tumba de Carlos. Lo habían matado. Con todo el dolor de su corazón su querido hermano estaba metido en su pensamiento. Sentada en el duro asiento de madera, rezaba con su rosario en la mano, mientras viajaban en ese tren como pasajeras de tercera clase. Madre e hija, de luto riguroso, vestían modestamente. Cada una inmersa en sus pensamientos, miraban sin ver por la ventana del tren. La madre recordaba a su hijo cuando nació, lleno de pelusilla rubia, parecía un querubín. Sus primeros pasos, su risa que alegraba su casa junto con su esposo, lo bueno y obediente que era, la maestría en fabricar cualquier cosa con sus manos, su temprana edad trabajando en el campo con su padre. Era un niño modelo. En sus dos últimos años de su vida dio un giro a su vida y se convirtió en un huraño. No quería llorar delante de su hija menor, pero no pudo que dos grandes goterones cayeran por su rostro. El tren se paró en el pueblo. Sólo dos viajeras se apearon en la estación. Caía un sol de justicia. Era pleno mes de agosto, la mayoría estaban durmiendo la siesta. Las dos mujeres caminaron __________________________________________________________________________________________________________ EJEMPLAR GRATUITO ©: Revista "Horizonte de Letras". Todos los derechos reservados. ISSN: 1989-6956 La Revista "Horizonte de Letras" no se responsabiliza de las opiniones vertidas por los autores participantes en este número; quienes, además, serán responsables de la autenticidad de sus obras.

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“Horizonte de Letras” Nº 16 Página 10 de 27 Micro-relato Rolando Revagliatti nació el 14 de abril de 1945 en Buenos Aires, ciudad en la que reside, la Argentina. LIBROS PUBLICADOS en soporte papel: “Obras completas en verso hasta acá”, “De mi mayor estigma (si mal no me equivoco):”, “Trompifai”, “Fundido encadenado”, “Picado contrapicado”, “Tomavistas”, “Propaga”, “Ardua”, “Pictórica”, “Desecho e izquierdo”, “Sopita”, “Leo y escribo”, “Del franelero popular”, “Ripio”, “Corona de calor” (poesía); “Las piezas de un teatro” (dramaturgia); “Historietas del amor”, “Muestra en prosa” (cuentos y relatos); “El Revagliastés” (antología poética personal), “Revagliatti – Antología Poética” (con selección y prólogo de Eduardo Dalter). Sus libros cuentan con ediciones electrónicas, así como también sus cuatro poemarios inéditos en soporte papel: “Ojalá que te pise un tranvía llamado Deseo”, “Infamélica”, “Viene junto con” y “Habría de abrir”, disponibles gratuitamente para su lectura o impresión en http://www.revagliatti.net. BLOG: http://rolandorevagliatti.blogspot.com PRODUCCIONES EN VIDEO: http://www.youtube.com/rolandorevagliatti “Mario y yo” Mario había ido a bailar (a ver bailar) al Club Villa Malcom. Yo concurría siempre con mis amigas. Era avispada —expresión de mi madre—, y con chispa. Y la de más éxito. Bailaba lo que fuera —“la ardilla tropical”—, no sólo cumbias y lento. Prefería a los carilindos, y dentro de estos, a los respingones. Le daba muchísima importancia al pelo de los muchachos. Al corte y a la consistencia. Los lacios me enloquecían. Pero carilindos, respingones y con espectacular cabellera, me aburrían soberanamente después de las primeras salidas. El más rescatable resultó uno al que le decían Larry. Perspicaz, tenía conversación, y estaba embarcado en un trabajito delineado, de mucha paciencia, conmigo. Pero no alcanzó. Mario, contra una columna, me seguía con la vista, cuando lo descubrí. Evalué. No reunía mis condiciones pero tenía encanto. Una cierta tristeza. Vida interior. Pensaba: debe tener vida interior. Me acerqué a la columna. (A su lado, el urso veterano con orejas y nariz de boxeador que cuidaba “el orden y la moral del establecimiento”.) Encaré a Mario sonriendo: No te vi bailar. Dijo: No sé. Y algo más: Ni boleros. Consideré: Alguien tendría que enseñarte. Y algo más: Me propongo. El sonrió, por fin, y me preguntó: ¿Estás segura? Pasaron muchas cosas en tantos años. Entre las desagradables están los abortos que me hice. Ya no soy alegre. Estoy al frente de una perfumería en la que participo como habilitada. Ando siempre diez puntos (pilchas y maquillaje) y no realizo casi ninguna tarea doméstica. Volví a estudiar inglés, y practico aerobismo y equitación. Siento un miedo visceral a que mis padres, con los que aún convivo, fallezcan. Y el viernes me caso con Mario. Nos vamos a Ranelagh, donde él heredó un laboratorio de productos químicos para mantenimiento industrial. __________________________________________________________________________________________________________ EJEMPLAR GRATUITO ©: Revista "Horizonte de Letras". Todos los derechos reservados. ISSN: 1989-6956 La Revista "Horizonte de Letras" no se responsabiliza de las opiniones vertidas por los autores participantes en este número; quienes, además, serán responsables de la autenticidad de sus obras.

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“Horizonte de Letras” Nº 16 Página 11 de 27 “Día de Carnaval” Mª Dolores Piña López De La Osa Cubrió su rostro con la máscara decorada, en ella un gesto de alegría, sonrisa perpetua que no cambiaba un ápice su mal humor bajo la brillante purpurina de colores, pero sus ojos, esos ojos que no podían camuflarse bajo ningún disfraz decorado, iban anunciando la ira y el despecho desatado de una mujer dispuesta a saldar cuentas. La serpentina nerviosa se enreda en sus brazos y los confetis se posan en su negro pelo cual lluvia de colores. Saltarina y siempre risueña con ojos bañados en rabia y violencia, fue a dar con su presa. Se enredó en su cintura con baile sensual y cara divina y perfecta. Se dio cuenta de que no era quien andaba buscando pero ya era demasiado tarde. Como demasiado tarde vislumbró los ojos de la mujer que le tenía prendido de su cintura. Cayó sin vida al suelo alfombrado entre pasos de baile, borrachos perdidos y máscaras que ocultaban los verdaderos rostros de aquellos que esperan la llegada del carnaval para saldar sus cuentas disfrazados de ángeles celestiales, o demonios salidos de los infiernos terrenales. Continuó bailando con sonrisa perpetua, apresurándose para llegar cuanto antes a la salida, sorteando la algarabía de gentes que le cortaban el paso. Una peluda mano se posó en su hombro parándola en seco. Sintió un fuerte dolor en el costado, sus rodillas se precipitaron al suelo y su cuerpo fue magullado presa del delirio y la locura desatada por una fiesta llena de luz y color, sus ojos ya habían ocultado la ira y el despecho, pero su rostro continuaba sonriendo a la vida absurda de la mentira y el rencor. “Aquella tarde de circo” Eva Mª Medina Moreno Me estaba meando, necesitaba ir al servicio. Me escabullí por debajo de los asientos buscando el lavabo. Entonces descubrí que el que hacía de león se fumaba un cigarrillo con la princesa rusa, a la que echaba el humo a la cara y cogía por la cintura; princesa, barriobajera, que acababa de hacer acrobacias encima de los elefantes. La cabeza de león estaba en el suelo, al lado de ellos. Iba a preguntar cómo ir al servicio, pero antes de hacerlo oí un «quítate niño» de uno de los payasos que discutía con el presentador, quien a su vez estaba comiéndose un bocadillo de chorizo y se limpiaba la grasa en la capa negra brillante. Aquello fue peor que enterarme de que los reyes eran los padres, peor que si se hubiera descubierto que la bella durmiente se drogaba, que el hada madrina y el príncipe eran amantes, y que la madre de Bambi había fingido su muerte para librarse del hijo. Todo el encanto del circo se desplomó; el hombre-bala, el domador de leones, los equilibristas, los payasos. Toda esa magia. Había algo obsceno en el descubrimiento. El mal olor de los animales, las cagadas de los elefantes, el chihuahua del domador ladrándome, el domador escupiendo, sin hacerme caso. «El servicio, por favor». Y la mirada diabólica del payaso triste. Me meé encima. No quise volver al circo. Mi madre nunca supo el porqué. Creo que fue desde ese día que empecé a bucear en el mundo real, con maquillajes descoloridos, y sin las máscaras de la infancia. El mundo del circo estaba podrido, la vida estaba podrida. Era como pasar a otra dimensión, en una edad en que querías aferrarte a los sueños, en que confiabas en un mundo fantástico, aunque supieses que no existía. Aquella tarde se me cayó la carpa encima, todavía no me la le quitado. Hoy voy con mis hijos al circo y rezo para que no les entren ganas de mear. __________________________________________________________________________________________________________ EJEMPLAR GRATUITO ©: Revista "Horizonte de Letras". Todos los derechos reservados. ISSN: 1989-6956 La Revista "Horizonte de Letras" no se responsabiliza de las opiniones vertidas por los autores participantes en este número; quienes, además, serán responsables de la autenticidad de sus obras.

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“Horizonte de Letras” Nº 16 Página 12 de 27 Poesía Rafael Indi. Despierto casi todas las mañanas en Sevilla desde hace 23 años. Alguien me regaló un día “La voz a ti debida” sin pensar en las consecuencias y como recompensa le compuse un poema que acabó aborreciendo. Aquello me animó. Fue así como descubrí mi segunda vocación perdida. Fundador y único miembro del movimiento “El okapi fucsia”, capaz de hacer converger a Tagore y a El Chavo del 8 bajo una misma órbita lírica. Amenazo con mi primer poemario que verá la sombra en breve si el insomnio no defrauda. También tengo un blog que es particular y cuando llueve se moja como los demás: http://animalendisturbio.blogspot.com/ “Escribe tristeza y di lo que puedas” Sacude tu mejor abrigo bajo este polen de ceniza, estupor de las historias que remueven entrañas con sus manos y dejan luces encendidas en una habitación vacía. Deja que sobre signos y simulacros crezca la buena hierba vigilando la maleza, y si fuera necesario arroja a las hogueras del ocaso las rosas que pudieran brotar. Duerme cada noche en el azogue del lago. Cuando tus pormenores cumplan su mayoría de edad esas estrofas tendrán la solemnidad que conservan los vestigios de una nueva Troya. Sobrevive en la diferencia, necesitarás creer que al menos aquí uno rige su destino, llámalo aspirante a dueño de sus actos. Jura no crecer en busca del pasado. Escribe tristeza y di lo que puedas. __________________________________________________________________________________________________________ EJEMPLAR GRATUITO ©: Revista "Horizonte de Letras". Todos los derechos reservados. ISSN: 1989-6956 La Revista "Horizonte de Letras" no se responsabiliza de las opiniones vertidas por los autores participantes en este número; quienes, además, serán responsables de la autenticidad de sus obras.

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“Horizonte de Letras” Nº 16 Página 13 de 27 “Fogosa libertad” Gema García Fogosa libertad que me quema, escenario de mi vida donde yo quiero actuar. Liberada libertad inalcanzable, sendero destruido en cada batalla del amor... Oculto reflejo en cada fibra de mi piel, tan oculto y no palpable, tan sentido y añorado. Reflejos de vida, de libertad... reflejos, que nacen en el corazón y al contacto con el aire desvanecen sin intención. Expansiva libertad que con tu voz me anhelas, encúbrete en mis venas, respira de mi aire y desata mis cadenas. Octubre de 1995 “Pasó por aquí” Mª Dolores Piña López de La Osa Sonriendo y vestida de fiesta Con la carita lavada y mejillas sonrosadas Pasó por aquí con las manos resguardadas Con pies engalanados de charol Con bolsito color aceituna y negro cinturón de lentejuela Pasó por aquí cimbreando la cintura Posándose en cada esquina Sentándose en cada banco que se cruzaba en su camino Su faldita de seda dejaba ver infinitas piernas Pasó por aquí pero nadie reparó en ella Tan sólo el auto rojo que la besó Saboreó su piel de quinceañera. __________________________________________________________________________________________________________ EJEMPLAR GRATUITO ©: Revista "Horizonte de Letras". Todos los derechos reservados. ISSN: 1989-6956 La Revista "Horizonte de Letras" no se responsabiliza de las opiniones vertidas por los autores participantes en este número; quienes, además, serán responsables de la autenticidad de sus obras.

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“Horizonte de Letras” Nº 16 Página 14 de 27 “La muy lista” Rolando Revagliatti La teta lista me traspasaba ¡Y que esa teta lo diga! La teta lista me compelía a pasar a ella: la notable notada La teta actuaba una escena de aquellas donde se prueban Las Grandes en sus transiciones He sido cabalmente el espectador confundido por el asedio de esa Diva en el personaje al filo de la corazonada Soy demasiado excesivo ¡Y que esa teta lo diga! Perro de presa en el coto de caza. “Habría de abrir” Rolando Revagliatti Habría de abrir como quien no quiere como quien detesta Habría de abrir con impremeditada delicadeza lo que no atinaría a repudiar Habría de abrir sin abrirse. __________________________________________________________________________________________________________ EJEMPLAR GRATUITO ©: Revista "Horizonte de Letras". Todos los derechos reservados. ISSN: 1989-6956 La Revista "Horizonte de Letras" no se responsabiliza de las opiniones vertidas por los autores participantes en este número; quienes, además, serán responsables de la autenticidad de sus obras.

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“Horizonte de Letras” Nº 16 Página 15 de 27 Opinión Rosa Frías López nació el 20 de enero de 1964 en Mérida, provincia de Badajoz. Madre de dos maravillosas hijas, trabaja en la Junta de Extremadura. Desde pequeña le encantó escribir, haciéndolo siempre sobre todo lo que sucedía a su alrededor. Lectora compulsiva. Todo su tiempo libre lo dedica a la lectura y a su gran pasión: escribir. Escribe en varias revistas digitales y en su blog. Tiene una novela publicada – “Flor Roja”- y está embarcada en otra que espera pronto poder publicar. "La Navidad" Se acercan unas fechas muy felices para unos y muy tristes para otros: “Las Navidades”. Durante todo el año nos acordamos de nuestros seres queridos que no están a nuestro lado pero especialmente en estas fechas. Mi padre nos dejó hace 8 años y mi mamá hace 1 año, no he conseguido superar esta ausencia y cada día me cuesta más el día a día sin ella. año, será un año de grandes ausencias.... pero le pido a Dios que me dé fuerzas y la pueda recibir de la mejor forma posible. Tengo maravillosos recuerdos de ella desde mi infancia, toda la familia unida y también he aprendido que aunque mis padres también tenían sus ausencias, esas noches eran mágicas y ellos nos lo hacían sentir así. Y así voy hacerlo yo con mis hijas, ofrecerles unas navidades donde este año no podrá estar la familia unida, pero si estaré acompañada de lo que más quiero en mi vida, mis dos hijas, María y Rosa. Para ellas serán unas navidades difíciles, ya no por la ausencia de su abuela a la que adoraban, también la ausencia de su padre, ya que decidí emprender una vida nueva y en solitario con mis hijas... No le guardo rencor al padre de mis hijas y le deseo lo mejor, sé que para él este año también será duro, pero los dos tenemos algo maravilloso que compartir, a nuestras hijas, y yo voy a disfrutar de cada momento con ellas, no quiero dejarme nada atrás, tan solo quiero que sean felices. Nada de reproches ni resentimientos, la vida una vez nos unió como pareja y ahora cada uno tiene su vida por separado. Por eso, estas navidades para mí serán las primeras de muchas cosas en mi vida.... Feliz Navidad a todos, quedémonos con los momentos buenos que la vida nos da y borremos de un plumazo las cosas malas, no guardemos nada en el corazón que nos haga daño, y no hagamos nosotros tampoco daño a nadie. La vida son dos días, disfrutémosla desde la honestidad y sobre todo siendo buenas personas. Ellos me enseñaron a disfrutar de la navidad, a vivirla como algo mágico, yo he intentando transmitírselo a mis hijas. ¿Pero cómo puedo este año disfrutar de estas fechas...? Como en muchos momentos de mi vida, me tendré que poner una máscara para que mis hijas no vean mi tristeza y hacer que ellas, al igual que mis padres hacían conmigo, las sientan mágicas, como ellos me enseñaron a vivirlas... La navidad siempre ha estado muy marcada en mi corazón por varios motivos, pero siento que este __________________________________________________________________________________________________________ EJEMPLAR GRATUITO ©: Revista "Horizonte de Letras". Todos los derechos reservados. ISSN: 1989-6956 La Revista "Horizonte de Letras" no se responsabiliza de las opiniones vertidas por los autores participantes en este número; quienes, además, serán responsables de la autenticidad de sus obras.

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