Revista Figuras&Negócios #150

 

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Revista Figuras&Negócios #150

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CARTA DO EDITOR melhoramento do sistema de ensino no País é um assunto que mobiliza acesa discussao na Sociedade. Na verdade,reconhece-se o esforço desenvolvido para se tornar o enobrigou a criação de novas escolas para os mais variados sectores formação de professores e outras iniciativas onde o Estado aceitou a aliança com o sector privado. Sem ser ainda o ideal, hoje não se pode ignorar as importantes infra-estruturas de ensino públicas e privadas criadas nos mais variados niveis mas o maior problema, xão séria é quanto a qualidade de ensino. Urge aumentar a sua qualidade apostando-se na melhor preparacao dos professores para que os quadros que o País forma te- O da reconstrução e do desenvolvimento. Nesta edição, Carlinhas Zassala, professor universitário, aponta alguns caminhos que, na sua opinião devem ser seguidos para que o ensino em Angola conheça melhorias sensíveis. Nós devemos, nós podemos deve ser uma palavra de ordem se não perdermos de vista que uma nação só se desenvolve com capital humano devidamente preparado e consciente das suas responsabilidades. E esse segredo repousa na Educação e Ensino. O País luta ainda pela total desminagem de várias zonas do território em consequência da guerra vivida e apresentamos um trabalho circunstancial sobre o que se faz nessa matéria. Isto, numa altura que Angola participou e assinou a Declaração de Maputo+15, na qual os estados signatarios de OTAWA expressam o seu compromisso de cumprir e completar as suas obrigações visando a eliminação das minas nos respectivos países, com base num único espirito de cooperação e parceria. O Plano de Acção de Maputo que Angola assinou também na reuniao da capital moçambicana orienta os países a desenvolver esforços para a universalização e aplicação da convenção durante o período de 2014/2019. Numa edição onde o assunto em destaque é o Mundial de Futebol que decorre no Brasil, outros temas nacionais e internacionais merecem a nossa abordagem, sendo de assinalar a reportagem, social sobre a Prostituição que na capital do País se agiganta numa acção que põe em perigo a vida de centenas de pessoas que, metidas no negócio do sexo, não têm em conta os perigos que correm. Boa leitura. 2 Figuras&Negócios - Nº 150 - JUNHO 2014

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7. CARTA DO EDITOR 16. LEITORES COMÉRCIO RETALHISTA PRECISA DE FISCALIZAÇÃO DURA 19. PONTO DE ORDEM ORDEM FERIDA 20. POLÍTICA ESTENDER E CONSOLIDAR A PARCERIA DE NEGÓCIOS 26. FIGURA DO MÊS FORTE BELEZA INTERIOR E MUITA DETERMINAÇÃO! 28. FIGURAS DE CÁ 33. MUNDO REAL A REALIDADE DE UM MUNDO DESIGUAL 38. REPORTAGEM PREDADORES SEXUAIS ASSALTAM TALATONA 45. NA ESPUMA DOS DIAS QUE PATRIMÓNIO, QUE CULTURA? 46. CULTURA MOVIMENTA MAIS DE 200 MIL LIVROS DE AUTORES NACIONAIS 48. CONJUNTURA FAZER FALAR OS NÚMEROS! 68. ECONOMIA & NEGÓCIOS CRISE DO BES 92. DESPORTO CLASSE E COMPETÊNCIA NO BÁSQUETE ANGOLANO 95. FIGURAS DE JOGO O "CONSULADO" DE MADEIRA 10. PÁGINA ABERTA TEMOS QUE DEBATER A QUALIDADE DO ENSINO SUPERIOR SOCIEDADE GUERRA CONTRA AS MINAS CONTINUA... 34. MODA & BELEZA TENDÊNCIA ÉTICA NO UNIVERSO DA MODA 96. 100. CAPA: BRUNO SENNA FIGURAS DE LÁ 4 Figuras&Negócios - Nº 150 - JUNHO 2014

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74. GUINÉ-BISSAU: UMA OUTRA ERA ÁFRICA 60. DOSSIER CORRUPÇÃO E ESPECULAÇÃO NO MUNDIAL DE FUTEBOL Publicação mensal de economia, negócios e sociedade Ano 14 - n. º 150, Junho – 2014 N. º de registo 13/B/97 Director Geral: Victor Aleixo Redacção: Carlos Miranda, Júlia Mbumba, Mário Beirolas, Sebastião Félix, Suzana Mendes e Venceslau Mateus Nsimba George e Adão Tenda Colaboradores: Édio Martins, Juliana Evangelista, João Barbosa, Manuel Muanza, Rita Simões, Shift Digital (Portugal), Wallace Nunes (Brasil), Alírio Pina (Cabo-Verde) e Crisa Santos (Moda). Design e Paginação: Humberto Zage e Sebastião Miguel Publicidade: Paulo Medina (chefe) Portugal: Assinatura e Publicidade Ana Vasconcelos Telefone: (351) 914271552 Secretariado e Assinaturas: Katila Garcia Revisão: Baptista Neto Londres: Diogo Júnior E16-1LD - tel: 00447944096312 Tlm: 07752619551 Email: todiogojr@hotmail.com Brasil: Wallace Nunes Móvel: (55 11) 9522-1373 e-mail: nunewallace@gmail.com Cor Acabada, Lda Tiragem: 10.000 exemplares Direcção e Redacção: Edifício Mutamba-Luanda 2º andar - Porta S. Tel: 222 397 185/ 222 335 866 Fax: 222 393 020 Caixa Postal - 6375 E-mails: artimagem@snet.co.ao Site: 104. RECADO SOCIAL BAJULAÇÃO BEM "CASADA" COM A INCOMPETÊNCIA... Figuras&Negócios - Nº 150 - JUNHO 2014 5

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AS REGRAS DA DIPLOMACIA m grande trabalho de bastidores vem sendo desenvolvido pela diplomacia angolana para que o País possa ser eleito em Setembro proximo, durante a 69ª Assembleia Geral da ONU, membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Se isso acontecer, será a segunda vez que o País conquista este lugar, sendo que a primeira ocorreu em 27 de Setembro de 2002 para o biénio 2003/2004. O mais recente apoio à eleição de Angola veio do Brasil e de Cuba países que receberam em Junho o Presidente Eduardo dos apoio já manifestado pela maioria dos países africanos, de europeus, dos integrantes do conjunto de membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU entre outros. A maratona continua com missões diplomáticas a serem enviadas por todas as partes do mundo, pois para a eleição é necessário dois terços de votos dos membros da Assembleia Geral da ONU. O Conselho de Segurança é o órgão da ONU cujo mandato é zelar pela manutenção da paz e segurança internacional. É o único orgão do sistema internacional capaz de adoptar decisões obrigatórias para todos os estados membros da ONU, podendo inclusive autorizar a intervenção militar para garantir a execução dessas resoluções. O Conselho é conhecido também por autorizar o desdobramento de operações de manutenção da paz e missões políticas especiais, é composto por 15 membros, sendo cinco permanentes com poder de veto: EUA, França, Reino Unido, Rússia e China. Os demais 10 membros são eleitos pela Assembleia Geral da ONU para mandatos de dois anos. Uma resolução do Conselho de Segurança é aprovada se tiver a maioria de 9 dos 15 membros, inclusive os 5 permanentes. Um voto negativo de um membro A abstenção de um membro permanente No actual contexto geo-político internacional Angola, tem se destacado com acções que visam a construção da paz mundial elegendo-se o diálogo e a negociação de diferendos que se registam em vários U países do mundo, sendo a sua acção mais relevante no continente africano.Desde que assumiu a presidência da conturbada região dos Grandes Lagos, o Presidente Eduardo dos Santos tem sido consultado por muitos estadistas africanos e europeus que procuram entender a receita angolana que conseguiu alcançar a paz contando principalmente com a magia do diálogo interno entre as partes desavindas. Essa é uma experiência reconhecida pela comunidade internacional e que pode despontam em Africa no Médio Oriente e na propria Europa, dai que a presença de Angola como membro não permanente no Conselho de Segurança da ONU se encaixa à perfeição pelo contributo que o País poderá jogar para leituras mais objectivas sobre os caminhos da paz mundial. tam são condenáveis, até por toda carga negativa que carregam, não é aceitável que as soluções para eles sejam provenientos de planos quantas vezes desenhadas sem se ter em conta a realidade dos respectivos países e zonas onde eles se propagam. A solidariedade imediata da África unida em torno da UA pela eleição de Angola para além do peso que representa, tendo em conta o número de votos necessários, constitui um acto de maturidade de um continente que, vivendo ainda o espectro de guerras, dá sinais de vontade de se liberdas antigas potências coloniais que, regra geral, ignoram as realidades socio-culturais Numa altura que se reclama a reestruturação da actual composição do Conselho de Segurança da ONU, a eleição de Angola a ONU a aceitar mudanças na sua estrureclama com justiça um lugar permanente no órgão. Não se pode perder de vista os contexpela guerra fria, e o actual, que é da procura de paz e concórdia mundial, que aponta para um maior equilibrio no seio dos países que compõem o mosaico da sociedade das nacoes. EDITORIAL Figuras&Negócios - Nº 150 - JUNHO 2014 7

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PÁGINA ABERTA CARLINHOS ZASSALA EM PÁGINA ABERTA “TEMOS QUE DEBATER A QUALIDADE DO ENSINO SU Carlinhos Zassala, Bastonário da Ordem dos Psicólogos de Angola e professor titular da universidade António Agostinho Neto, aborda a questão da qualidade do ensino superior em Angola, numa abordagem franca em que alerta para questões fulcrais como as condições de trabalho dos docentes, as debilidades no impedem que as universidades angolanas constem do ranking das melhores em África uma equipa de assistentes e também docentes ou professores de categoria inferior, deve ter em torno dele um corpo de investigadores. F&N: Da mesma universidade? C.Z.: Podem ser da mesma universidade ou integrar uma equipa multidisciplinar e a equipa deve ter uma linha de pesquisa, ora, sobre quem investigar já dei a resposta. Com que meios deve investigar? para investigar o professor além da equipa que deve ter, deve também possuir infra-estruturas adequadas, um gabinete devidamente apetrechado porque nós temos aqui em Angola a imagem de que só deve ter gabinete quem ocupa uma função do segui uma conferência onde se obrigaram os estudantes do primeiro ano a encher a sala para mostrar os investigadores, não podemos continuar a elaborar peças de teatro, a investigação faz-se com aqueles que estão preparados, especialistas que têm experiência em matéria de investigação, por isso, voltando à questão, sobre que tipo de ensino superior temos em Angola, não discordo que em termos de quantidade demos passos importantes depois do alcance da paz mas em termos de qualidade estamos muito distante, porquê? em primeiro lugar vamos falar de infra-estruturas que normalmente têm um impacto importante na qualidade do ensino superior, vamos falar da universidade pública mais antiga que nós temos no país, a Universidade Agostinho Neto, quando eu era secretário-geral do sindicato do ensino superior havíamos mos- F Por: Suzana Mendes (Texto) / Fotos: Nsimba George não são os vice-reitores, não são o Decanos nem os vice-decanos nem tão pouco o Ministro do ensino superior ou o Secretário de Estado, quem investiga é o professor que está ou no centro de investigação ou na faculdade, por isso, devemos em primeiro iguras e Negócios (F&N): O facto de Angola não constar do último ranking das melhores universidades africanas de 2013 fez ressurgir o debate sobre a qualidade do ensino no País. Enquanto professor universitário como olha para esta questão? Carlinhos Zassala (C.Z.): Esse é um tema que me apaixona bastante porque me considero professor de carreira, comecei a trabalhar no ensino primário, secundário e no ensino superior estou há mais de 25 anos, fui Secretário-Geral do Sindicato dos Professores do Ensino Superior, conheço muito bem os problemas do ensino superior no país, quanto a questão colocada, em primeiro lugar não devemos continuar a fazer teatro, falando que temos ensino de qualidade, que estamos a investigar, por exemplo, ultimamente segui várias intervenções, realizaram-se conferências, falou-se da investigação ca faz-se de forma estruturada. O primeiro ponto é que quem deve fazer a O professor deve ser enquadrado por uma equipa de assistentes e também docentes ou professores de categoria inferior, deve ter em torno dele um corpo de investigadores.” “ resposta é a que eu dei, é o docente, aquele que está já na categoria de professor, que tem o doutoramento porque quando o professor tem já o doutoramento, é alguém que foi preparado para realizar qualquer tipo de investigação, quer seja experimental ou não. Com quem investiga? O professor deve ser enquadrado por 10 Figuras&Negócios - Nº 150 - JUNHO 2014

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PÁGINA ABERTA UPERIOR” trado a preocupação de se construir uma cidade universitária onde seriam concentradas todas faculdades da Universidade Agostinho Neto. F&N Não está satisfeito com o projecto que está a ser executado? C.Z.: Não temos ainda um campus universitário, é o início de um campo universitário, então, o campus universitário deveria ter todas as faculdades na mesma área geoculdade de ciências, faculdade de engenharia, faculdade de medicina, faculdade de ciências sociais, faculdade de letras, de direito, todas na blioteca central, que temos no actual campus e cada faculdade ter um centro de documentação consoante os cursos existentes, cada curso deve ter um centro de documentação com obras especializadas, o que não temos. É preciso olhar para a existência de estrutura administrativa, em termos de funcionamento estou a referir-me a clínicas universitárias, bancos, lares de estudantes e também uma zona muito perto da universidade, uma zona residencial para os professores porque as pessoas muitas vezes falam do problema da qualidade do ensino mas nem se quer se preocupam em saber em primeiro lugar qual é a distância que separa o estabelecimento de ensino e a zona residencial, ora, muitos docentes vivem há mais de 60 quilómetros Figuras&Negócios - Nº 150 - JUNHO 2014 11

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PÁGINA ABERTA se poderá ser admitido na categoria de assistente ou afastado da universidade, se não demostrar competências isso não acontece, normalmente também depois de ser promovido para assistente que também deve ser assistido, esse conceito não está bem claro. Normalmente o professor titular está no topo, costuma assistir não só os assistentes mas também assiste os professores auxiliares e os professores associados. Ora, a carreira docente neste momento no nosso país não é respeitada, quer dizer essas categorias de assistente, pro- da instituição e suportam engarrafamentos de três ou quatro horas e dão aulas até 22h30 ou 23horas. É lamentável o facto de termos gestores a todos os níveis, inclusive reitores que não sabem em que condições sociais vivem os seus colaboradores. F&N: Em meio a tudo isso há ainda o problema da gestão das próprias universidades? C.Z.: Esse é o grande problema que temos, quer dizer além do problema das infra-estruturas o grande constrangimento que temos são os gestores, porque temos muitos gestores que estão muito distantes dos seus docentes e realizam reuniões, ou pedagógico, apenas para inglês ver, até conduzem mal as reuniões porque não conhecem as técnicas da condução de uma reunião. Ora, quando o gestor não consegue criar um bom clima de trabalho não consegue estabelecer boas relações humanas com os trabalhadores, não consegue estimular os docentes, com certeza não vai haver produtividade naquela unidade orgânica. F&N: A qualidade dos professores universitários é também uma preocupação? C.Z.: Actualmente a admissão do corpo docente para o ensino universitário parece-me que é a área mais desorganizada porque não existe critério rígido para poder admitir um docente e quando ingressa para a carreira docente, normalmente ingressa como assistente estagiário, esse assistente estagiário não é assistido, muitas vezes ele já é regente de uma cadeira não é só nas instituições privadas mesmo as instituições públicas, o assistente estagiário é alguém que está a estagiar para poder aprender na prática a agregação da prática docente junto de um professor, esse assistente não assistido e que normalmente com o estatuto actual deveria estar na sua categoria durante dois anos no máximo e depois é avaliado para ver Temos problema de trânsito, problema de engarrafamento, sinistralidade rodoviária mas não estamos a formar engenheiros de trânsito rodoviário, então estamos a formar para quê? estamos a formar para a zunga? Porque um dia teremos, se é que não temos ainda, licenciados que estarão na zunga” fessor auxiliar, professor associado e professor titular são apenas para em termos de funções, em termos de obrigações essa carreira docente não é respeitada, isso também é um grande constrangimento para termos o ensino de qualidade, temos que resolver o problema do corpo docente, na verdade, temos que debater profundamente a da qualidade do ensino superior. F&N: E quanto aos estudantes? C.Z.: Depois vêm os próprios estudantes, temos estudantes que não conseguem ler correctamente, que não conseguem escrever o português correctamente, que não têm hábito de estudo, hábito de leitura, a grande carência vem já do ensino primário. Nos países escandinavos “ 12 Figuras&Negócios - Nº 150 - JUNHO 2014

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PÁGINA ABERTA $POUBDUPT&UOJB$PNVOJDBÎÍP &EJGÓDJP.VUBNCB-VBOEBBOEBS1PSUB4 5FM'BY&NBJMöHVSBTOFHPDJPT!IPUNBJMDPN  13 Figuras&Negócios - Nº 150 - JUNHO 2014

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