Jornal Imprensa Sindical - Edição nº 108

 

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ANO XII | 108a EDIÇÃO Seminário debate a avaliação como estímulo ao conhecimento internacional Pisa e Piaac: Melhores Competências, Melhores Empregos. Luiz Cláudio afirmou que a avaliação é indutora da melhoria da qualidade do ensino. “Nós temos que atender a uma sociedade que demanda crescimento econômico, social e humano. O desafio é definir o papel do ensino médio com o olhar para o futuro.” O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), José Francisco Soares, afirmou que as competências devem ser adquiridas pelos jovens ainda na escola para que esse conhecimento influencie no futuro. “No Brasil ainda temos a ideia do conteúdo voltado para dentro, mas o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) chama a atenção para o que é relevante, que é o conhecimento que nos conecta com o mundo, que permite ao aluno viver melhor.” Segundo o diretor-adjunto de educação e competências da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Andreas Schleicher, o Pisa detectou que as pessoas com mais competências têm melhores perspectivas de vida. “Pessoas com competências se veem como alguém que IMPRENSA SINDICAL MAIO/2014 Observar as competências que são adquiridas pelos jovens no ensino médio e como eles aplicam os conhecimentos na vida. Esse foi um dos pontos destacados pelo secretário executivo do Ministério da Educação, Luiz Cláudio Costa, na abertura das palestras dia 29 de abril, do seminário SINTRACON - SP tem um papel a desempenhar na sociedade. Você acha que a confiança tem a ver com o jeito que você foi criado, mas, na verdade, os dados mostram que as competências das pessoas são um fator indicativo muito importante de sua confiança nas outras pessoas e nas instituições.” SÃO PAULO Geraldo Alckmin, governador de São Paulo No Brasil, até morte em obras é superfaturada Página 17 Antonio de Sousa Ramalho, presidente do Sintracon-SP LU ALCKMIN RAMALHO JÚNIOR SP distribui 168 kits de projeção cinematográfica Página 2 TRABALHO ESCRAVO OU ESCRAVIZADO PELO TRABALHO Página 12 Zona leste da capital recebe 9º e 10º Polos Regionais da Escola de Construção Civil Página 2 BAHIA SECOVI - SP Secovi-SP, Ampliar e AfroReggae vão capacitar egressos do sistema prisional para o mercado de trabalho Página 8 HADDAD Incentivos fiscais e obras de infraestrutura vão transformar a Zona Leste de São Paulo Página 7 Fernando Haddad, prefeito de São Paulo CUT - SP Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP QUÍMICOS - BA Categoria participa ativamente do processo eleitoral que elegeu a nova direção do Sindiquímica para os próximos três anos Página 14 SUPLICY Inaugurada em Camaçari, na Bahia, a primeira fábrica de motores do Nordeste Página 11 Manifestações crescerão se pauta dos trabalhadores não for atendida Página 18 Jaques Wagner, governador da Bahia BRASIL Vagner Freitas, presidente da CUT-SP AEROVIÁRIOS - SP PARÁ SINDUSCON - SP FORÇA SINDICAL - SP 1º de maio de 2014 – 71 anos após a CLT Página 13 Eduardo Matarazzo Suplicy (PT-SP), senador da República Sergio Watanabe, presidente do Sinduscon-SP Trabalhador vai às ruas exigir mais direitos e qualidade de vida Página 18 Governo precisa cuidar da continuidade do programa Minha Casa, Minha Vida Página 6 GRÁFICOS - SP Miguel Torres Em encontro com Dilma, ministro chinês destaca importância da parceria com os países latinoamericanos Página 20 MARANHÃO PASSARELA DE PEDESTRES EM CONGONHAS: UM ÍCONE DA COPA DO MUNDO? Página 23 Porto em Barcarena abre nova rota de escoamento de grãos no Pará Página 24 ITUIUTABA-MG SOCIALISMO/ ASSISTENCIALISMO...? Página 11 Nilson do Carmo Pereira, diretor executivo do Sindicato dos Gráficas GUARULHOS - SP Governadora prestigia aula inaugural do Programa Maranhão Profissional 2014 Página 19 Reginaldo Alves de Souza, Mandú, presidente do SAESP Governador do Estado do Pará, Simão Jatene Luiz Pedro, prefeito de Ituiutaba Autorizada abertura do processo de licitação para duplicação da José Gouveia Franco Página 8 Guarulhos recebe mais 21 médicos do programa federal Página 12 Prefeitura de Guarulhos, Sebastião Almeida recebe médicos cubanos Governadora do Maranhão, Roseana Sarney Anuncie no IMPRENSA SINDICAL (11) 3666-1159 99900-0010 95762-9704

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IMPRENSA SINDICAL | MAIO/2014 | PÁGINA 2 São Paulo SP distribui 168 kits de projeção assentamentos rurais, quilombos cinematográfica Municípios, e entidades que não possuem salas oficiais de Foto: Alexandre Moreira cinema foram contemplados Os municípios que aderirem ao programa do Museu contarão com assistência para compor a programação de filmes e atividades associadas, como oficinas e palestras. Em geral, o programa Pontos MIS oferece um longa e um curta-metragem, mesclando cinema nacional e estrangeiro, animações, ficções e documentários. Com esta nova doação, o governo do Estado totaliza 306 kits distribuídos, com investimento de R$ 3,9 milhões no programa. A maior parte das cidades atendidas têm menos de 50 mil habitantes. Com os novos 168 kits, foram investidos R$ 2 milhões. Dia 16 de abril, o governo de São Paulo distribuiu 150 kits de projeção a municípios paulistas que não têm salas oficiais de cinema e 18 para assentamentos rurais, quilombos e entidades. O Programa de Incentivo à Criação de Salas de Exibição de Filmes existe desde 2010 e já beneficiou 140 municípios no interior e no litoral. “Hoje é um dia muito feliz, pois temos como parceiros as prefeituras, os assentados e os quilombolas. E também porque estamos descentralizando a cultura, levando-a a todo nosso Estado, ao encontro das pessoas, dos municípios e da área rural”, disse o governador Geraldo Alckmin. Os kits, que possuem projetor, tela, aparelho de DVD, mesa e caixas de som, poderão ser usados em espaços públicos, como bibliotecas e escolas. Os critérios usados pela Secretaria de Cultura para a entrega do material foram, além da ausência de sala de cinema, a apresentação de um plano de uso dos equipamentos por parte do município. Com isso, cada cidade se torna responsável pela operação do programa e deve garantir a realização de sessões inteiramente gratuitas. Outra função das prefeituras é providenciar espaço para as sessões, que também podem ser itinerantes. Atualmente são usados como locais de exibição auditórios, bibliotecas, escolas, praças e até plenário de câmaras municipais das prefeituras participantes. “O MIS (Museu da Imagem e do Som), através dos pontos MIS, tem um acervo espetacular de filmes que poderão ser disponibilizados para os municípios, assentamentos e quilombos que vão receber o kit de cinema”, explicou o governador. Lu Alckmin - Ação Social - SP Zona leste da capital recebe 9º e 10º Polos Regionais da Escola de Construção Civil As novas unidades estão localizadas na Fundação União dos Moradores Recanto Verde e Sol e na Associação Nossa Senhora das Graças No dia 16 de abril, a primeira-dama e presidente do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo (FUSSESP), Lu Alckmin, esteve nos bairros Jardim Iguatemi e José Bonifácio, ambos na zona leste da capital, para inaugurar o 9º e o 10º Polo Regional da Construção Civil. As novas unidades estão localizadas na Fundação União dos Moradores Recanto Verde e Sol e na Associação Nossa Senhora das Graças. Serão oferecidos os cursos de Assentador de Pisos e Azulejos, Encanador e Pedreiro, destinados a homens e mulheres maiores de 18 anos de idade. Com duração de dois meses e carga horária de 120 horas, as entidades formarão 45 pessoas por turma.“Nós queremos que os alunos saiam qualificados e possam ter uma vida melhor”, disse Lu Alckmin. Os alunos ganham material didático e uniforme. Além disso, para aqueles que estão desempregados e não recebem benefício social, o programa disponibiliza uma bolsa-auxílio no valor de R$ 420 ao final do curso. Para participar, não é exigida escolaridade mínima ou experiência prévia na área de construção civil. Até o fim do semestre, estarão em funcionamento 56 Polos Regionais da Construção Civil em todo o Estado, sendo 28 unidades na capital e 28 no interior. Para mais informações, os interessados devem entrar em contato pelos telefones (11)25885848/5943 ou pelo site do FUSSESP (www.fundosocial.sp.gov.br).

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Opinião por Jaciara Itaim - de São Paulo IMPRENSA SINDICAL | MAIO/2014 | PÁGINA 3 Agradecemos a todos os anunciantes pela contribuição e aos que colaboraram com matérias para o enriquecimento do conteúdo do jornal IMPRENSA SINDICAL. Outras ilusões oficiais para 2015 A Constituição Federal (CF) estabelece, em seu capítulo sobre Finanças Públicas, os instrumentos legais que o Poder Executivo está obrigado a encaminhar ao Poder Legislativo tratando de matéria orçamentária. O art. 165 lista os três projetos de lei a esse respeito, que devem ser apreciados e votados pelo Congresso Nacional. São eles: I) o Plano Plurianual (PPA); II) a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO); e, III) a Lei Orçamentária Anual (LOA). A dinâmica de elaboração do Orçamento Geral da União (OGU) pressupõe, dessa maneira, que seja elaborada a cada exercício fiscal uma peça anterior à própria construção da LOA. Trata-se de uma lei que vai oferecer as regras gerais que nortearão todos os aspectos relativos ao tema do orçamento naquele ano específico. O parágrafo segundo desse artigo da Carta assim a define: “§ 2º A lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente, orientará a elaboração da lei orçamentária anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento.” Por outro lado, o art. 35 do ADCT da própria CF determina o prazo de 15 de abril de cada exercício para que o Executivo encaminhe tal proposta a ser apreciada pelos parlamentares. Com vistas a cumprir com tal obrigação, o ritual de entrega foi cumprido na terça-feira da semana passada. E, na sequência, os demais esclarecimentos foram prestados em uma entrevista coletiva à imprensa concedida pelos responsáveis das pastas da Fazenda e do Planejamento. LDO e as previsões para 2015 Os aspectos que mereceram mais destaques por parte dos órgãos de comunicação são aqueles que oferecem maior impacto, do ponto de vista macroeconômico, para o cenário de 2015. Um dos parâmetros mais aguardados refere-se ao valor do salário mínimo para o ano que vem. De acordo com a regra legal vigente, o reajuste do piso da remuneração leva em conta a inflação do período anterior e o crescimento do PIB do ano atrasado. Assim, foi elaborado o índice de reajuste levando em conta o crescimento do PIB de 2013 e a expectativa de inflação para 2014. O índice de reajuste ficou em 7,71%, o que elevaria o valor atual do salário mínimo para R$ 779,79. Outros elementos constantes no Projeto da LDO enviada ao Congresso referem-se aos parâmetros que serão utilizados para definir o ambiente macroeconômico para 2015. Esses dados são essenciais para os cálculos característicos desse tipo de cenário a ser extrapolado. Afinal, as leis orçamentárias trabalham, entre outros pontos, com valores relativos a receitas e despesas públicas. E essas variáveis dependem, fundamentalmente, do desempenho da economia de uma forma geral e da realidade verificada em alguns itens específicos do ambiente macroeconômico. Para chegar a tais números, o governo estabelece determinadas hipóteses e apresenta suas projeções para o ano que vem. Assim, lança aos ventos suas ilusões a respeito do comportamento da economia. A ilusão do crescimento do PIB O primeiro exercício de otimismo, como costuma acontecer nesses momentos, refere-se ao ritmo de crescimento do PIB. Caminhando na direção oposta das previsões de boa parte dos economistas e instituições de pesquisa, a proposta oficial do governo sugere uma elevação do Produto brasileiro de 3% ao longo do ano de 2015. Ora, independentemente da opinião que se possa ter a respeito dos candidatos às eleições de outubro próximo, o fato é que a agenda econômica real do vencedor para o ano que vem estará bastante comprometida pelas evoluções e (falta de) decisões do período atual, em especial no que se refere à política econômica. Assim, a partir de janeiro próximo haverá uma série de pontos a serem tratados, envolvendo a necessidade de medidas mais duras na área fiscal. Levando-se em conta as pesquisas eleitorais realizadas até o momento, não se vislumbra quase nenhuma probabilidade de ruptura com o modelo neoliberal de ajuste via manutenção do tripé da macroeconomia. Com isso, mantém-se uma forte expectativa de preservação do arrocho na condução da política de gasto e arrecadação. A presidenta Dilma havia eleito a “austeridade fiscal” como seu pacto prioritário de governo, logo depois das manifestações de junho de 2013. Os candidatos de oposição mais bem colocados (Aécio e Eduardo/Marina) situam-se num espectro ainda mais conservador e contam com assessores econômicos de visão bem mais liberal. Dessa forma, tudo o que se pode imaginar é que o ritmo da atividade econômica será bastante prejudicado pela tendência a priorizar o ajuste doloroso em detrimento da busca de desenvolvimento. Em razão desse quadro soa bastante remota a possibilidade de se alcançar um crescimento do PIB da ordem de 3%, tal como pretendido pela equipe de governo. Os limites provocados pelo superávit primário Outra previsão constante da LDO refere-se à meta de obtenção de superávit primário para o ano que vem. O discurso oficial aponta para algo em torno de 2,5% do PIB como esforço fiscal consolidado do País. Isso representa um montante estimado de R$ 143 bilhões para pagamento de juros e serviços do endividamento público. A parcela de responsabilidade exclusiva da União será de 2% – em um valor de R$ 115 bi – ficando o restante a cargo de Estados e Municípios. Trata-se de um percentual mais elevado em comparação com aquele que deverá encerrar o ano atual: 1,9% do produto. No entanto, caso sejam mesmo confirmadas as condições acima descritas a respeito da preocupação com políticas de austeridade, o resultado do esforço fiscal poderá ser até mais significativo. De qualquer forma, o compromisso apresentado pelo governo ao encaminhar a proposição de LDO confirma a tentação pelo caminho da austeridade. A consequência primeira dessa trilha será o aprofundamento do quadro da estagnação da atividade econômica de uma forma geral. Assim, o impacto da meta de 2,5% como superávit primário será ainda mais grave para a maioria da população brasileira. Mais uma vez, a prioridade da política econômica será o atendimento dos pleitos e interesses do financismo, com corte de despesas orçamentárias nas áreas sociais e com a garantia de destinação de recursos públicos para o setor mais parasita da sociedade: o sistema financeiro, em prejuízo da atividade real e produtiva. Expediente ESTE JORNAL É FILIADO À ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS (ANJ) Jornal IMPRENSA SINDICAL www.jornalimprensasindical.com.br Matriz: Largo Santa Cecilia, 62 - CEP 01225-010 - São Paulo - SP. Fone: (11) 3666-1159 Diretor Responsável Carlos Alberto Palheta Jornalista Responsável: Mara Oliveira - MTB 12437-0/SP Publicidade e Propaganda Carlos Alberto Palheta (11) 99900-0010 Diretoras Executivas Raimunda Duarte Passos e Jéssika Carla Passos Palheta Fones (11) 3666-1159 | (11) 95762-9704 400 MIL EXEMPLARES. DISTRIBUIÇÃO NACIONAL Produção: Kerach Comunicação Projeto Gráfico e Diagramação: Mara Oliveira E-mail: maraoliveira23@hotmail.com Fones (81) 9651-5071 | (81) 9460-9586 E-mails: kerach23@hotmail.com | kerach23@ig.com.br www.kerachcomunicacao.com.br OBS.: MATÉRIAS ASSINADAS NÃO REFLETEM NECESSARIAMENTE A OPINIÃO DO JORNAL, SENDO DE EXCLUSIVA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES. O CONTEÚDO DOS ANÚNCIOS É DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS ANUNCIANTES. LDO: apenas um indicativo das dificuldades por vir O Congresso Nacional tem o prazo de até 17 de julho para votar o Projeto da LDO aqui exposto. A tramitação do texto legal no interior da Comissão Mista de Orçamento (CMO) não deverá apresentar maiores dificuldades, inclusive pelo fato de estarmos atravessando um ano eleitoral. O único aspecto que poderá provocar algum tipo de ruído foi a decisão do Executivo de não incluir no texto o compromisso com a segurança de que as emendas parlamentares não sofrerão nenhum tipo de contingenciamento. É bastante provável imaginarmos que os parlamentares – deputados e senadores – integrantes da CMO pressionarão o Relator a recolocar um dispositivo no texto, de forma a atender aquilo que já havia sido negociado com seus pares junto ao núcleo duro do governo Dilma. Apesar de a LDO apresentar uma importância menor do que a própria LOA na escala do impacto das decisões de política econômica, o fato é que as simples indicações apresentadas hoje em relação ao desempenho da economia em 2015 não podem ser negligenciadas. O governo oficializa, portanto, algumas das ilusões que tornar-se-ão públicas ao longo dos próximos meses. A proximidade das eleições acaba, de certa forma, por limitar a possibilidade de um discurso franco e sincero. Apesar de sua opção evidente por uma saída ortodoxa, Dilma é candidata à reeleição e não pode dizer agora, com todas as letras, que seu caminho será marcado, mais uma vez, por muitas pinceladas estagnacionistas. Na busca dos votos, todos se apresentam ao eleitorado como sendo desenvolvimentistas de raiz. Mas o fato inescapável é que dificilmente ela vai conseguir anunciar um PIB de 3% no final do ano que vem, caso persista com seus compromissos junto ao financismo de manter as taxas de juros na estratosfera e de arrochar a sociedade para gerar um superávit primário dessa magnitude. Jaciara Itaim é economista e militante por um mundo mais justo em termos sociais e econômicos

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Opinião tringe ao conhecimento formal, enquanto o Brasil não apresenta resultados satisfatórios. Certa vez, participava de uma reunião de pais e professores em uma escola privada brasileira de destaque e notei que muitos pais expressavam o desejo de ter bons professores, salas de aula com poucos alunos, mas não se sentiam responsáveis para participarem ativamente das atividades educacionais, inclusive custeando os seus serviços. Se os pais não conseguiam entender que esta aritmética não fecha e que a sua aspiração estaria no campo do milagre, parece difícil que consigam transmitir aos seus filhos o mínimo de educação. Para eles, a educação dos filhos não se baseia no aprendizado dos exemplos dados pelos pais. Que esta educação seja prioritária e ajude a resolver os outros problemas de uma sociedade como a brasileira parece lógico. No entanto, não se pode pensar que a sua deficiência depende somente das autoridades. Ela começa com os próprios pais, que não podem simplesmente terceirizar esta responsabilidade. IMPRENSA SINDICAL | MAIO/2014 | PÁGINA 4 Editorial O trabalhador comemora mais um ano de muitas conquistas ao longo da história. Não foi fácil chegar ao patamar de respeitabilidade, de estabilidade, de segurança no ambiente de trabalho, de redução das horas trabalhadas, de salários mais justos, da busca pela igualdade de remuneração entre os gêneros, da busca pela democratização da força de trabalho com a luta constante pela igualdade e respeitabilidade étnica. São muitos os motivos a serem comemorados neste 1º de Maio de 2014. Contudo, há muito ainda pelo que lutar. A questão salarial é permanente, a redução das horas trabalhadas também, bem como a valorização salairal da mulher em relações aos homens em mesmo cargo. Dentre outras tantas reivindicações que acompanhamos na história do movimento sindical, que vem se engajando e adaptando às reivindicações da sociedade como um todo, transpondo o universo da categoria. Direitos e deveres adquiridos legitimamente, mantidos a custa de uma atenção permanente do movimento sindical às ações de políticos e governos mal intencionados que elaboram projetos que retiram direitos conquistados e consolidados pelos trabalhadores, tentando aprová-los na “calada da noite”. Por todos estes motivos o trabalhador brasileiro e do mundo está de parabéns e merece realmente comemorar o seu dia com muitas festas pelos quatro cantos do mundo. Os problemas da educação no Brasil Os pais não podem simplesmente terceirizar para as escolas a responsabilidade de educarem os seus filhos Para que haja uma mudança neste quadro é preciso que a sociedade como um todo esteja convencida que todos precisam contribuir para tanto, inclusive elegendo representantes que partilhem desta convicção e não estejam pensando somente nos seus benefícios pessoais. Sobre a educação formal, aquela que pode ser conseguida nos muitos cursos que estão se tornando disponíveis no Brasil, nota-se que muitos estão se convencendo que eles ajudam na sua ascensão social, mesmo sendo precários. O número daqueles que trabalham para obter o seu sustento e ajudar a sua família, e ao mesmo tempo se dispõe a fazer um sacrifício adicional frequentando cursos até noturnos, parece estar aumentando. A demanda por cursos técnicos que elevam suas habilidades para o bom exercício da profissão está em alta. É tratada como prioridade tanto no governo como em instituições representativas das empresas. O mercado observa a carência de pessoal qualificado para elevar a eficiência do trabalho. por Paulo Yokota Quando se pergunta à população brasileira, em uma pesquisa de opinião, qual seria o problema fundamental do Brasil, a maioria indica a precariedade da educação. Os entrevistados costumam apontar que o sistema educacional brasileiro não é capaz de preparar os jovens para a compreensão de textos simples, elaboração de cálculos aritméticos de operações básicas, conhecimento elementar de física e química, e outros fornecidos pelas escolas fundamentais. Esses conhecimentos são testados em pesquisas internacionais como o PISA (Programme for International Student Assessment) da OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico e coordenado no Brasil pelo INEP - Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. No PISA os países asiáticos estão apresentando os melhores resultados, possivelmente diante do valor atribuído à educação por influência de nomes como o filósofo Confúcio, que não se res- Muitos reconhecem que o Brasil é um dos países emergentes que estão melhorando, a duras penas, a sua distribuição de renda. Mas, para que este processo de melhoria do bem estar da população seja sustentável, há que se conseguir um aumento da produtividade do trabalho, que permita também o aumento da parcela da renda destinada à poupança, que vai sustentar os investimentos indispensáveis. A população que deseja melhores serviços das autoridades precisa ter a consciência de que uma boa educação, não necessariamente formal, é fundamental para atender melhor as suas aspirações. Paulo Yokota é ex-diretor do Banco Central do Brasil e ex-presidente do Incra. Com dupla cidadania (brasileira e japonesa), viajou mais de 100 vezes para a região e atualmente publica no site Ásia Comentada A hipocrisia das CPIs e do uso político dos escândalos Provavelmente nenhuma das CPIs levará a nada: todas tratam do modelo de financiamento de campanha, o mesmo que elegeu os governantes por Luis Nassif Provavelmente nenhuma das CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito) anunciadas levará a nada, por uma singela razão: todas elas entram no coração do modelo de financiamento privado de campanha do país, o mesmo que elegeu a maioria dos parlamentares e governadores. Os personagens são os mesmos que fornecem para a Petrobras, para o Metrô de São Paulo, para a Cemig de Minas, para o porto de Suape, em Pernambuco. A CPI de Cachoeira acabou quando bateu nas relações Veja-Cachoeira e quando o diretor da empreiteira Delta ameaçou abrir suas listas. Em dois segundos, a CPI virou fumaça, abortada tanto pela oposição quanto pelo PT. A CPI do Banestado teve o mesmo destino quando encontrou contas externas de grupos relevantes. A dos Precatórios terminou em pizza, pois envolvia quase todos os partidos. E só avançou parcialmente pelo desejo de alguns integrantes em atingir adversários políticos. Agora mesmo, se o doleiro Alberto Yousseff abrir suas contas e soltar sua língua, não sobra um partido inteiro no país. Daqui a pouco estará livre, leve e solto como Carlinhos Cachoeira, o bicheiro que, em parceria com Veja, ameaçou a República e transformou uma figura apagada – o ex-senador Demóstenes Torres – no catão mais temido do país. *** Esse modelo torto criou uma cadeia improdutiva da denúncia que visa tudo, beneficia a muitos, menos à moralidade pública. É de uma hipocrisia acachapante e oportunista. Grandes grupos jornalísticos ou o jornalismo de Internet têm à sua disposição escândalos a granel, verdadeiros ou falsos, que são escolhidos como em gôndolas de supermercados. Quer atingir alguém, um grupo político adversário, uma empresa recalcitrante? Vá até a gôndola e escolha o que quiser. Se não houver grandes escândalos, basta dar um tratamento escan- daloso a um pequeno problema e imediatamente se abaterá sobre a empresa ou o político a mancha da suspeita. Confira-se o que foi o aumento das verbas publicitárias da Serasa, quando alvo de uma CPI. Basta um relatório inconclusivo de Tribunal de Contas, uma manchete de jornal, um procurador pautado pela mídia para atingir o mais probo dos políticos ou administradores. Ou dobrar a mais recalcitrantes das empresas. É um poder sem limites. Por aqui, uma revista é desmascarada em jogadas políticas e comerciais com uma organização criminosa e nada ocorre. O Congresso se apequena, o Ministério Público tergiversa, o Ministério da Justiça se cala. O STF acaba com o direito de resposta, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) monta um grupo para garantir a total liberdade dos grupos de mídia. E esquece-se das vítimas porque as vítimas, ah, deixe por conta da defensoria pública. Na Inglaterra, por muito menos, conservadores, liberais gens? E qual a reportagem que deixou de ser publicada? Daí a dificuldade de uma reforma política, com o fim do financiamento privado de campanha, que rompa com esse anacronismo. Ou de mudanças na legislação que permitam a punição severa ao crime grave mas a não criminalização de qualquer erro administrativo. *** Aos atuais parlamentares não interessa o fim do financiaQualquer fato – verdadeiro mento privado de campanha, ou falso – é empunhado contra porque a maior parte deles deo adversário político ou contra pende desse modelo para sua a empresa não colaborativa. E sobrevivência política. Aos grutudo é aceito porque o modelo pos de mídia e aos Tribunais de político atual torna verossímil Conta não interessa uma raciotoda sorte de malfeitos - que nalização dos procedimentos, existem às pencas sim. Mas pois reduziria sua capacidade de pouco atingem os grandes gru- gerar escândalos. pos que se blindam com escritórios de advocacia caros e con*** troles sobre verbas publicitárias robustas. E todo esse jogo de cena se O que explicaria, por exem- dá em cima do manto cinzento plo, os R$ 2 milhões gastos pelo das negociações espúrias. Ministério da Educação com assinaturas da revista Nova Escola da Editora Abril? Meramente Luis Nassif é jornalista econômico e méritos da revista ou barganhas editor do site www.advivo.com.br/luispolíticas em torno de reportanassif e trabalhistas, polícia e Judiciário se uniram para colocar no pelourinho o mais poderoso magnata da mídia da atualidade, Rupert Murdock. Resistir, quem há de? É uma mixórdia que beneficia os picaretas, por ficarem na companhia de inocentes; e estigmatiza para toda a vida os sérios.

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IMPRENSA SINDICAL | MAIO/2014 | PÁGINA 5 Tocantins Governo defende integração entre Tocantins e Mato Grosso com TO-500 estadual do Mato Grosso, Baiano Filho, autor do Projeto MT-Integrado, que inclui a Rodovia TO-500, que faz a travessia da Ilha do Bananal, maior ilha pluvial do mundo, e que se tornou uma das principais reivindicações dos governos dos dois estados junto ao governo federal. Para o deputado Baiano Filho, reunir ações conjuntas entre o Tocantins e o Mato Grosso representa chamar a atenção do país para a importância do projeto de integração. “Esses encontros são fundamentais. O projeto da TO-500 é bom, é fundamental, é correto ambientalmente falando. O que falta agora, é convencer o governo federal de que essa obra precisa acontecer. A presença do governador Sandoval e também de Siqueira Campos, junto com o nosso governador Silval, é importante para mostrarmos do que essa região rica precisa para trazer desenvolvimento para o Brasil”, disse o deputado que acredita ter no próximo mês de maio audiência com a presidente Dilma Rousselff para tratar desse assunto. Não somente a Rodovia TO-500, mas o projeto Ferroviário para a região do Araguaia e a construção de hidrovias também foram discutidos nesta audiência pública que reuniu um grande número de participantes, entre produtores rurais, empresários, população em geral e representantes políticos, como os deputados estaduais do Tocantins José Geraldo e Amélio Cayres, deputados federais do MT, Eliene Lima, Ságuas Moraes, Nilson Leitão, Roberto Dorner e Wellington Fagundes e os deputados estaduais mato-grossenses Luciane Bezerra, Zeca Viana, Riva e Airton Português. Representando o setor produtivo, o presidente da Associação dos Fazendeiros do Araguaia e Xingu, Carlito Guimarães, falou sobre a necessidade da integração alegando que toda a produção agropecuária da região está prejudicada por falta de logística. “Temos uma das maiores, em quantidade e qualidade, produções do agronegócio brasileiro e somos isolados, esquecidos, apesar de estarmos em uma das mais belas e ricas regiões deste Brasil. Precisamos urgentemente desta rodovia, das hidrovias e da ferrovia para aumentar a produção, transportar com segurança e preço baixo nossos produtos e trazer desenvolvimento para o Mato Grosso e estados vizinhos”, disse. O governador Sandoval Cardoso falou sobre a importância do projeto MT-Integrado. “Nós temos uma fronteira extensa de 380 quilômetros. Não ter acesso entre um e outro [Mato Grosso e Tocantins] é inadmissível. Vamos trabalhar para fazer essa interligação e trazer desenvolvimento para toda a região. Não tenho qualquer dúvida de que esse projeto é de extrema necessidade e será realizado porque já passou a ser o sonho de todos, da população dos dois estados e da união das forças políticas”, disse o governador. Siqueira Campos também defendeu a interligação através da TO-500 e conclamou todos os políticos do Tocantins e também do Mato Grosso para que o projeto seja levado à frente e torne-se realidade. “Se o projeto é ecologicamente correto, sem agressão ou impacto a esta belíssima e rica região do Araguaia, e de extrema necessidade para todo o país, não só para o Tocantins ou Mato Grosso, o que pode atrapalhar a sua efetivação? Nós temos que lutar contra a burocracia e vamos realizar mais este sonho de gerações”, completou. O governador Silval Barbosa, do Mato Grosso, encerrou as atividades da audiência pública no período da manhã reforçando os discursos que o antecederam e também ressaltou a importância da gestão conjunta da classe política do Mato Grosso e Tocantins para tornar realidade a construção da rodovia TO-500 e do projeto ferroviário. “O Mato Grosso não pode mais ficar no isolamento. Todos os projetos esbarram na política ambiental. Ora, nós não queremos prejudicar o meio ambiente, jamais. Não queremos e nem podemos. Mas nossos projetos são conscientes, de políticos e técnicos que respeitam as leis ambientais com a visão da necessidade de sair do isolamento e do retrocesso. Somos mais fortes que as imposições burocráticas e vamos levar esse projeto adiante com êxito e em benefício de todo o povo”, completou. Sandoval Cardoso, governador do Tocantins A integração entre os estados do Mato Grosso e Tocantins - MT/TO - foi o tema de audiência pública realizada dia 25 de abril, em Porto Alegre do Norte (MT), com as presenças dos governadores Sandoval Cardoso (TO) e Silval Barbosa (MT), dos senadores mato-grossenses Pedro Taques e Jayme Veríssimo Campos, e do ex-governador tocantinense Siqueira Campos. O evento foi presidido pelo deputado Pernambuco Governador destaca investimentos do Estado para desenvolvimento de todas as regiões O governador João Lyra Neto acompanhou, dia 17 de abril, o primeiro envase da cerveja Itaipava em garrafa de 600ml, realizado na fábrica instalada no município de Itapissuma, no Litoral Norte pernambucano. Ao lado do presidente do Grupo Petrópolis, Walter Faria, o governador acionou a máquina que realiza o envasamento, cerca de 60 mil das garrafas/hora. Com investimentos de R$ 600 milhões e previsão de inauguração no segundo semestre deste ano, quando estiver em pleno funcionamento a unidade fabril terá capacidade para produzir 600 milhões de litros por ano e vai gerar mil empregos diretos. Após percorrer as instalações da planta, que tem 100% de produção e envasamento local, o governador destacou a importância da interiorização do desenvolvimento. “A Zona Norte do Estado, que passou muito tempo esquecida no processo de industrialização e geração de emprego, a cada dia que passa, está se equiparando à Mata Sul, fruto de uma decisão governa- João Lyra Neto, governador de Pernambuco mental tomada ainda em 2007. E eu continuo esse trabalho de interiorizar o desenvolvimento para gerar não só conhecimento, mas emprego e qualidade de vida para todos os pernambucanos de todas as áreas”, disse o governador, que também parabenizou o Grupo Petrópolis pela infraestrutura e tecnologia empregadas na fábrica. Escolhida pela qualidade da água e pela localização estratégica –Itapissuma está localizada a menos de 50 quilômetros do Recife, e a 800 quilômetros de Salvador e Fortaleza–, a planta da Itaipava no município recebeu incentivos fiscais para se instalar em Pernambuco. O empenho e ajuda do governo do Es- tado para implantação da unidade foram lembrados pelo presidente do Grupo Petrópolis. “Pode ter certeza que nós da Itaipava faremos tudo que pudermos para esse Estado maravilhoso”, garantiu Walter Faria. Com o início do envase, segundo a gerente de marcas do Grupo Petrópolis, Eliana Cassandre, a cerveja produzida em Pernambuco deverá chegar aos pontos de venda dentro de dez dias. A produção em Itapissuma circulará a partir de nove centros de distribuição já em operação. São eles: Caruaru, Jaboatão dos Guararapes, Petrolina, Garanhuns, além de Maceió e Arapiraca (AL), João Pessoa e Patos (PB) e Natal (RN).

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IMPRENSA SINDICAL | MAIO/2014 | PÁGINA 6 Sinduscon-SP Governo precisa cuidar da continuidade do programa Minha Casa, Minha Vida sídios governamentais para viabilizar a oferta de moradia para a camada mais pobre da população, poupança dos adquirentes e fartos financiamentos do mercado de crédito imobiliário. Implementado em uma conjuntura caracterizada por estabilidade econômica, forte demanda por habitação, elevação da renda das famílias e crédito farto, o programa atraiu tanto as empresas que já operavam no segmento da moradia popular como as grandes construtoras e incorporadoras. Entretanto, nos últimos tempos alguns problemas tem diminuído o entusiasmo dos investidores, especialmente para construir na chamada faixa 1, voltada às famílias com renda de até R$ 1.600. Um desses problemas têm sido a não correção dos valores pagos pelo governo federal para as construtoras edificarem os conjuntos habitacionais. Em cidades onde o licenciamento dos projetos demora até um ano e com a inflação na construção civil mais elevada por conta de reajustes salariais acima do aumento da produtividade do trabalho, essa ausência de correção desmotivou boa parte das construtoras e incorporadoras de apresentarem novos projetos no programa. Em alguns Estados, o problema tem sido amenizado pela oferta de subsídio complementar por parte do governo estadual. Por conta disso, o Estado de São Paulo já contratou cerca de 392 mil unidades nesta segunda fase do programa, superando em 10% a sua meta de 357.536 moradias. Na faixa das famílias com renda mensal de até R$ 1.600, contratou 130 mil, o que equivale a 71% da meta de 182.146 unidades habitacionais. Já no município de São Paulo, nesta faixa 1, o programa Minha Casa contratou apenas cerca de 4.500 moradias, pois o custo da construção mais o preço do terreno é muito superior ao valor pago pelo governo federal. O governo municipal também se dispôs a oferecer subsídio e com isso espera contratar mais 30 mil moradias. Mas são números insignificante diante da dimensão do déficit habitacional no município, estimado por alguns em 1 milhão de famílias. Foi neste cenário que, no primeiro trimestre, o governo federal atrasou os pagamentos das construtoras que executam obras para o programa, esfriando ainda mais o ânimo dos investidores. O inesperado atraso dos pagamentos, ocorrido pela primeira vez desde o lançamento do programa, provocou vultosos prejuízos às empresas. Em função das estreitas margens e do pequeno porte da grande maioria das construtoras que operam no MCMV, tais atrasos colocaram em risco a solidez financeira delas. No início de abril, os pagamentos foram colocados em dia, mas há o temor de que, em função das dificuldades de caixa do governo, este atraso se repita, desmotivando ainda mais a maioria das empresas de prosseguir as obras e até de ingressar em novas contratações dentro do MCMV. Outro fato preocupante é que já se encerrou o primeiro trimestre e até o momento não temos notícia do projeto que está sendo preparado para a fase 3 do programa. Sem uma clareza sobre a continuidade, investidores e construtoras não têm como começar o planejamento e mobilizar recursos para os próximos empreendimentos, o que significará a descontinuidade das obras e da entrega dos conjuntos habitacionais a partir do início do próximo mandato presidencial. Espera-se que a Presidência da República, que tanto se empenhou pelo sucesso do programa, tome as medidas necessárias para evitar a desestruturação e a insolvência dessas construtoras, ao mesmo tempo em que dê a conhecer o projeto do que está planejando para continuá-lo depois de 2014. Neste sentido, o ideal seria atender a aspiração que não é só da construção, mas dos movimentos sociais de luta pela moradia, das centrais dos trabalhadores e de governos estaduais e municipais, pela implementação de uma política de estado para a habitação de interesse social em nosso país, com garantia de recursos financeiros perenes do Orçamento. SERGIO WATANABE é presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), vice-presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e diretor da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) Sergio Watanabe, presidente do Sinduscon-SP Se compararmos Minha Casa, Minha Vida com os programas habitacionais de governos anteriores, ele de longe é o de maior sucesso. Desde seu lançamento em 2009, o programa contratou cerca de 3,3 milhões de unidades habitacionais, aproximando-se da meta de 3,75 milhões a ser atingida até o final deste ano. Este sucesso se deve a uma conjugação de fatores, a começar pela arquitetura financeira do MCMV: sub-

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IMPRENSA SINDICAL | MAIO/2014 | PÁGINA 7 São Paulo - SP Incentivos fiscais e obras de infraestrutura vão transformar a Zona Leste de São Paulo A proposta da administração municipal de São Paulo de integrar a cidade com mobilidade urbana, emprego e infraestrutura já é realidade. E começou pela Zona Leste. Incentivos fiscais para empresas que pretendem se instalar na região devem gerar mais de 50 mil empregos. E para melhorar a mobilidade, uma série de obras de infraestrutura urbana estão em andamento no Complexo Viário Itaquera. Isso sem contar a ampliação do terminal de ônibus e a instalação de centro cultural, museu, fórum, escola e universidade. Os números da região justificam os investimentos. Com 4 milhões de moradores, a Zona Leste é mais populosa do que 25 das 27 capitais brasileiras e possui 35% da população da cidade de São Paulo. O Programa de Incentivos Fiscais está previsto na Lei Municipal 15.931/2013, regulamentada pelo prefeito Fernando Haddad no início do ano. O objetivo é transformar a região oferecendo equipamentos públicos e postos de trabalho. Com isso, vai perder a característica de bairro dormitório para se transformar em bairro com todos os equipamentos que o cidadão precisa. A lei concede isenção por 20 anos do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) e redução de 60% do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) sobre os serviços incentivados. São beneficiadas empresas de serviços, dos setores de informática, educação, ensino e treinamento, hospedagem, call center e telemarketing. Os empresários terão também isenção de Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis Inter-vivos (ITBI-IV) para aquisição de imóveis para instalação das empresas na região e de ISS da construção civil para construção ou reforma de imóvel. A lei coloca como beneficiárias do Programa de Incentivos as empresas que exerçam atividades nas seguintes áreas de serviços de informática, call center, data center, hospedagem de qualquer natureza, serviços de educação, saúde, medicina, veterinária, e cuidados pessoais, serviços de instalação, montagem, manutenção e conservação de máquinas e equipamentos, além de alfaiataria, costura, tinturaria e lavanderia; carpintaria e serralheria. Os incentivos são válidos para 14 áreas delimitadas da Zona Leste do Município que incluem basicamente a região ao redor da Arena Corinthians, o entorno da Avenida Jacu-Pêssego Nova Trabalhadores e ao longo da linha 12 (Safira) da CPTM. Para aderir ao programa, é preciso fazer a inscrição pela internet na página www.prefeitura.sp.gov. br/zonaleste. Obras viárias As obras de infraestrutura no entorno da Arena Corinthians já começaram a ser entregues à população. Dia 29 de abril foi inaugurado o túnel que passa sob a avenida Radial Leste. A obra, que integra o Complexo Viário de Itaquera, vai aumentar a fluidez do principal acesso à Zona Leste e é um dos legados da Copa do Mundo para a região. Chamado de “mergulhão”, o túnel fica em frente à estação Corinthians-Itaquera do Metrô e da CPTM e da Arena Corinthians. Ele elimina a necessidade de semáforo e separa trânsito local e o tráfego expresso. “Este mergulhão vai beneficiar 85% dos veículos que passam por aqui, com três pistas em cada sentido. Significa uma mobilidade muito melhor para a zona leste, novos acessos e também oportunidades de empregos e renda”, afirmou o prefeito durante visita ao novo túnel dia 29/4. As obras do complexo viário de Itaquera são realizadas por meio de um convênio, com investimentos de R$ 397,9 milhões do Estado e R$ 150,6 milhões do município. A passagem em desnível entregue tem 500 metros e recebe tráfego sentido bairro e sentido centro. “O nosso objetivo com estas obras viárias e com a lei de incentivo é atrair empresas para uma região que tem 4 milhões de habitantes”, afirmou Haddad. Somente as obras viárias já geraram 2.000 empregos diretos e 5.000 indiretos. Mobilidade Além das obras viárias do complexo de Itaquera, a Prefeitura investe em melhorias de mobilidade em toda região. Os usuários de ônibus serão beneficiados com as intervenções no Terminal de Itaquera, que terá um novo edifício administrativo e mais 18,5 mil m² de área. Até junho, serão entregues os primeiros 8.000 m². A reforma beneficiará 150 mil pessoas que passam diariamente pelo local. O entorno do terminal também vai ter a via de acesso lateral duplicada, na área junto ao Shopping Itaquera. Também está prevista a construção de um corredor de ônibus na Radial Leste com Foto: Cesar Ogata/SECOM Investimentos na Arena Corinthians e no Polo de Itaquera ajudarão a desenvolver a zona leste 17 quilômetros de extensão. Para a circulação de pedestres, será construída na área próxima ao metrô a maior passarela de São Paulo, ligando as alas Norte e Sul de Itaquera e dando acesso aos serviços públicos da região. A acessibilidade das calçadas também recebeu investimentos na avenida Campanella, entre a avenida Nova Radial a rua Alexandre M. Moraes; na rua Ken Sugaya, da rua Américo Salvador Novelli até a rua Colonial das Missões; e na rua Américo Salvador Novelli, a partir da rua Heitor até à rua Ken Sugaya. As ruas do bairro também foram renovadas, com mais de 3,4 km de recapeamento. Foram beneficiadas a avenida Itaquera e as ruas Harry Dannenberg, Itapitanga e Boleeiro. As obras incluíram ainda a revitalização de treze áreas de lazer na região, com reforma de passeios, iluminação, ajardinamento e instalação de mobiliário como mesas, bancos e playgrounds. Receberam melhorias as praças Augusto Domingues Alves Maia, Jandaíra, Vila Bandeirantes, Frei Julião Romero, Musgo de Flor, Luís Francisco Morgado, Barra do Figueiredo, Carlos Machado, Alfredo Brenner e praça das Professoras. Legado O polo institucional de Itaquera será um novo espaço público, que concentrará serviços públicos e um centro empresarial. Os equipamentos serão distribuídos em uma praça com 16.500 m² de área verde e 334 árvores. O objetivo do polo é aumentar a oferta de empregos na zona leste, que abriga 35% da população de São Paulo, mas apenas 16% da oferta de postos de trabalho. Somente na subprefeitura de Itaquera vivem atualmente 524 mil pessoas. O polo receberá instituições de ensino para a qualificação da mão de obra da região. Os estudantes terão como opção unidades da Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec), da Escola Técnica Estadual (Etec), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e da Obra Social Dom Bosco. O local abrigará ainda um Parque Tecnológico, com incubadora e laboratório.

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IMPRENSA SINDICAL | MAIO/2014 | PÁGINA 8 Secovi-SP Secovi-SP, Ampliar e AfroReggae vão capacitar egressos do sistema prisional para o mercado de trabalho O projeto “Construindo uma Segunda Chance” foi lançado no dia 23/4, durante evento do Ampliar, e pretende formar e inserir exdetentos em empresas do setor imobiliário, tanto em canteiros de obras quanto em áreas administrativas Sim, o egresso do sistema prisional merece uma nova chance após cumprir pena da Justiça por ato criminoso. Esta foi a conclusão dos participantes do Debate AmpliAção, promovido pelo Ampliar –programa de formação profissional de jovens e adolescentes em situação de risco social, e que tem apoio logístico do Secovi-SP–, dia 23/4, na sede do Sindicato. O evento contou com a participação de Maria Helena Mauad, presidente do Ampliar; Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, advogado criminalista; Alencar Burti, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae-SP; Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP; e Chinaider Pinheiro, do AfroReggae. “Estamos convictos de que se a sociedade não assumir a responsabilidade de reinserir na sociedade esses cidadãos pelo caminho do emprego, dificilmente a criminalidade será reduzida. Aquele que cumpre sua pena, ainda que verdadeiramente imbuído de não mais reincidir no erro, acaba não tendo condições de se reerguer”, afirmou Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP, que lançou oficialmente o projeto “Construindo uma Segunda Chance”, uma parceria do Sindicato com o Ampliar e o AfroReggae. Garantir aos egressos do sistema penal uma segunda chance não é só uma questão de humanidade, mas de inteligência, disse Bernardes, salientando que “mediante oportunidades concretas de formação profissional, emprego e renda, muitos vão optar por uma vida digna, sem a sombra do medo e sem disposição para novos delitos. Foi com esse espírito que resolvemos somar esforços e oferecer às empresas do setor imobiliário a possibilidade de dar àqueles que erraram novas oportunidades”, destacou. Maria Helena Mauad, presidente do Ampliar, disse que o projeto tem tudo a ver com a instituição, que há 23 anos atua na formação profissional de jovens e adolescentes em situação de risco. “Se esse jovem não é resgatado a tempo, o fim dessa trajetória de dores e incertezas é a morte ou a punição, que pode vir com a internação em centros de atendimento socioeducativos que, em muitos casos, se assemelham às prisões, e funcionam como ‘escola’ para uma das tantas penitenciárias espalhadas no Estado.” “Com esse projeto, estamos ampliando nosso caminho de formação profissional, amparo, apoio e confiança no ser humano”, reiterou Maria Helena. O Ampliar vai oferecer cursos de auxiliar administrativo, auxiliar de escritório, assistente administrativo, informática básica, contabilidade básica e serigrafia, além de suporte especial para ressocialização, com atendimento psicológico, dinâmicas de grupo e orientações sobre qual deve ser o comportamento adequado dentro de uma empresa. Outro parceiro do Am- Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP que vamos tirar uma mão armada pliar, o Senai-SP vai dar os cursos de eletricista instalador das ruas”, explicou Chinaider ao residencial; encanador instalador relatar sua própria experiência predial; carpinteiro de formas; no mundo do crime. Após comandar o tráfico em mestre de obras; pedreiro e pincinco favelas do Rio de Janeiro tor. O curso de drywall será ofee cumprir mais de oito anos de recido pela empresa Isover. A equipe do AfroReggae vai detenção, Chinaider escolheu atuar como conselheira dos no- abandonar a vida do crime e intevos contratados durante o pe- grar o AfroReggae, inicialmente, ríodo do emprego, acompanhar como agente. Hoje, além de cooro desempenho dos egressos em denar o projeto, ele estuda Direisuas atividades profissionais e to. “Deixei para trás uma vida de será mediadora em caso de even- crimes que me levaria à morte”, tuais problemas. “Essa ação é im- contou Chinaider, que comemoportante, porque nós vamos dar a rou os resultados do programa oportunidade para aquela pessoa no Rio de Janeiro. “Encaminhavoltar a viver socialmente e por- mos, mensalmente, entre 50 e 70 egressos para o mercado de trabalho. Quando um ex-detento procura o projeto é porque ele quer mudar de vida.” Porta aberta para o crime – Há um ano, o AfroReggae chegou em São Paulo e, desde então, só conseguiu a recolocação de 10 egressos, informou. “Nós temos que parar de jogar a responsabilidade da segurança pública somente no Estado. Como cidadãos, nós também somos responsáveis e, para diminuir e combater a criminalidade, temos de dar a oportunidade para o egresso do sistema prisional. Se não fizermos isso, a única porta que fica aberta 24 horas é a do crime”, declarou Chinaider. Segundo o Ministério da Justiça, no Brasil são 550 mil detentos e 70% voltam ao crime por falta de oportunidades. Nos últimos 20 anos, a população cresceu 30%, e a de presos mais de 380%. Mensalmente, são libertados 1.800 presos no País e 630 somente no Estado de São Paulo. Sessenta e cinco por cento dos egressos têm até 34 anos. Detalhes do debate AmpliAção e do programa “Construindo uma Segunda Chance” estão no portal do Ampliar (www.apliar. org.br) e do Secovi-SP (www.secovi.com.br). Ituiutaba-MG Autorizada abertura do processo de licitação para duplicação da José Gouveia Franco Essa é uma grande vitória política para o prefeito de Ituiutaba, Luiz Pedro Corrêa do Carmo, que enaltece as ações dos deputados Romel Anízio Jorge (Romão) e Zé Maia, na inclusão do município em projetos importantes para o seu desenvolvimento, além do apoio dado pelo hoje governador Alberto Pinto Coelho e do então secretário de Estado, Carlos Melles Mais um sonho, projetado e planejado dentro de um dos maiores Programas de Desenvolvimento da história de Ituiutaba ganha mais um passo para sua concretização. A obra de duplicação da Avenida José Gouveia Franco faz parte do Programa de Governo do prefeito Luiz Pedro, divulgado em 2012. Depois da entrega dos Residenciais Portal dos Ipês, Buritis, Canaã I e Canaã II, o fluxo de veículos que passam diariamente pela Avenida José Gouveia Franco aumentou em proporções assustadoras. Com isso, em um primeiro momento, a Prefeitura asfaltou por completo a Avenida Álvares Maciel, além de conseguir junto à Secretaria de Estado de Obras Públicas a ponte em estrutura metálica para abrir a Avenida José da Silva Ramos, ligando ambos os setores. Para a efetivação da obra de duplicação, o prefeito solicitou ao governador de Minas, a liberação de recursos na ordem de R$ 1,5 milhão, não só para sua duplicação, como também para a construção de redes pluviais naquela região. “Temos trabalhado na busca de benefícios para o nosso povo, e a duplicação daquela Avenida foi um compromisso nosso firmado junto àqueles moradores”, disse o prefeito. O convênio faz parte do ProMunicípio, Programa lançado em 11 de abril de 2013 pelo então governador Antonio Anastasia, que tem o objetivo de acelerar o desenvolvimento dos municípios mineiros, por meio de investimentos em infraestrutura viária, máquinas e equipamentos rodoviários, veículos, além de ações de saúde e educação. De acordo com o secretário municipal de Obras e Serviços Públicos, Luiz Manoel Parreira, na Avenida José Gouveia Franco Luiz Pedro, prefeito de Ituiutaba será construída uma rede pluvial, que diminuirá o fluxo de água que desce para a Avenida Marginal, além da necessidade de construção das calçadas para garantir segurança aos pedestres. O convênio junto ao governo do Estado foi assinado no ano passado, contudo, somente na data deste dia 15 de abril, foi publicado no Diário Oficial do Estado o Extrato de Convênio, por parte da Secretaria de Estado de Obras Públicas, liberando o recurso. Para o presidente da Câmara, Francisco Tomáz (Chiquinho), é mais uma grande notícia para Ituiutaba, e mais um investimento que oferecerá segurança e qualidade de vida aos moradores daquela região da cidade. Segundo o prefeito Luiz Pedro, de posse com o documento oficial do Estado, o Departamento de Licitação estará autorizado a abrir o processo de licitação para essa obra. Cópia da edição do Diário Oficial foi entregue ao Departamento de Licitação para abertura do processo.

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IMPRENSA SINDICAL | MAIO/2014 | PÁGINA 9 Trabalho CUT e centrais sindicais realizam 1º de Maio Unificado em 2014 Tema deste ano é a comunicação; evento terá diversas atividades no Vale do Anhangabaú, região central da capital paulista O Dia Internacional do Trabalhador (a) 2014 será comemorado no Vale do Anhangabaú com um grande evento preparado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) e pela Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB). Com o tema “Comunicação: o desafio do século”, as atividades terão início às 10h e se estenderão até por volta das 20h, no Vale do Anhangabaú, centro da capital, com atos político e inter-religioso, apresentação teatral e shows com artistas como Belo, Paula Fernandes, Leci Brandão, Pixote, Michel Teló e Péricles, entre outros. “O dia 1º de Maio é a data mais importante da classe trabalhadora. Mais do que comemorar as conquistas, é um momento para refletirmos sobre os próximos desafios e a união das centrais significa força e disposição para enfrentarmos esses desafios”, afirmou o presidente da CUT São Paulo (CUT-SP), Adi dos Santos Lima. Para o dirigente, a escolha do tema comunicação veio da necessidade de se aprofundar o debate sobre o assunto. “Precisamos intensificar a luta pela comunicação como um direito humano, como está na nossa Constituição Federal, e pela necessidade urgente da democratização da mídia para garantir a pluralidade de ideias e a consolidação da democracia no Brasil”. Como acontece há cinco anos consecutivos, as comemorações do Dia do Trabalhador (a) organizadas pela CUT vão além do evento do dia 1º de Maio. Iniciadas em março, as atividades, todas ligadas ao tema central, envolvem a realização de oficinas, seminário internacional, concurso de fotografia, torneio de futsal e, este ano, a comemoração dos 30 anos de fundação da CUT São Paulo, a serem completados em 29 de abril. Oficinas regionais – Foram realizados debates em todas as 19 Subsedes da CUT-SP espalhadas pelo Estado, incluindo a capital, no período de 13 de março a 17 de abril. As discussões destacaram O Novo Marco Regulatório para a Democratização dos Meios de Comunicação no Brasil; Internet: Marco Civil e as Redes Sociais; e Estratégias de Comunicação e Experiências do Movimento Sindical. Seminário internacional – No dia 28 de abril, ocorrereu o Seminário Sindical Internacional no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (Rua João Basso nº 231, Centro - São Bernardo o Campo), que contou com a presença de representantes internacionais e nacionais, além da direção executiva da CUT Nacional e Estadual. Entre os nomes confirmados estava Franklin Martins, ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República; o deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ) e Pablo Capilé, do coletivo Fora do Eixo. Em três mesas, os participantes debateram o novo marco regulatório e Marco Civil da Internet, além de narrativas independentes sobre jornalismo e ações de comunicação. O evento foi reservado a dirigentes sindicais e convidados. Concurso de fotografia – A primeira atividade da programação foi o lançamento do Concurso de Fotografia Prof. Carlos Ramiro, com o tema Trabalho Decente. Os autores das três melhores fotos, nas categorias amador e profissional, serão anunciados no dia 29 de abril, durante evento de comemoração dos 30 anos da CUT São Paulo. No mesmo dia, será inaugurada exposição com os 20 trabalhos (10 de cada categoria) mais votados pelos internautas. Aniversário da CUT São Paulo – No dia 29 de abril, a CUT-SP completa 30 anos de fundação e a data será comemorada com um evento, a partir das 18h, no Sindicato dos Químicos de São Paulo, mesmo local onde funcionou sua primeira sede. Além do encerramento do Concurso de Fotografia e inauguração da exposição, serão prestadas homenagens aos ex-presidentes da CUT Estadual. O Sindicato dos Químicos de SP fica na Rua Tamandaré, 348, Liberdade. Dia do Trabalhador – O Vale do Anhangabaú será o palco de diversas atrações no dia 1º de Maio, a partir das 10h, com um ato inter-religioso, seguido de espetáculo teatral contando a história da comunicação no Brasil. Às 16h haverá ato político-social das Centrais Sindicais CUT, CTB e CSB e várias atrações musicais como Sampa Crew, Art Popular, Leci Brandão, Maria Cecília & Rodolfo, Pixote, Paula Fernandes, Michel Teló, Belo e Péricles & Banda. As comemorações também ocorrerão na zona sul da capital, no Parque das Árvores (Avenida do Arvoeiro, altura do nº 395), em Cidade Dutra, com prestação de serviços de saúde, beleza, educação e cidadania à população, além de parque infantil, contação de histórias e cinema. No palco, entre outras atrações, estarão a banda de reggae Ponto de Equilíbrio, a cantora Paula Lima e o rapper GOG. Hot site – Detalhes da programação e outras informações estão disponíveis no hot site www.1demaiocutsaopaulo.com.br Trabalhadoras domésticas comemoram seu dia Ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros enxerga que a data merece celebração, já que muitos direitos da categoria já foram alcançados No dia 27 de abril comemora-se o Dia Nacional das Empregadas Domésticas. A presidenta da Federação Nacional de Trabalhadores Domésticos (Fenatrad), Creuza Maria de Oliveira, expôs a expectativa para essas mulheres. “Meu sonho é ver todas as trabalhadoras domésticas, em sua maioria mulheres negras, com seus direitos e sua cidadania garantidos e respeitados”, afirmou. Para Creuza há, sim, o que comemorar. “Temos retrocessos, mas também avanços. Devemos, sim, comemorar as vitórias”, diz. Na lista dos pontos positivos ela destaca a organização da categoria em sindicatos, federações e na Confederação Nacional. Creuza lembra ainda a Pesquisa DataSenado que constatou que 84% dos brasileiros tem conhecimento da promulgação da chamada ‘PEC das Domésticas’ e que, desses, 85% aprovam a medida que concedeu novos direitos para a categoria. A pesquisa de opinião pública do DataSenado tem abrangência nacional e contou com a participação de 809 pessoas de 16 anos ou mais, das 27 Unidades da Federação. Os dados foram coletados pelo Alô Senado, por meio de entrevistas telefônicas, no período de 14 a 26 de fevereiro de 2014. “Se a população nos apoia não tem nada de errado nas nossas reivindicações. São nossos direitos sendo reconhecidos”, diz. Creuza também cita o fato do trabalho doméstico ser discutido em nível mundial, pela atuação da Organização Internacional do Trabalho – OIT. Em 2011, em Genebra, durante a realização da 100ª Conferência Internacional do Trabalho, que teve a participação de uma delegação brasileira, a organização definiu a adoção de um instrumento internacional de proteção ao trabalho doméstico, a Convenção 189, que trata sobre condições decentes para a categoria. O Brasil, no entanto, ainda não ratificou o documento. Legislação De acordo com dados da OIT, o Brasil tem 7,2 milhões de trabalhadores domésticos, número que chega a 52,6 milhões no mundo. Ainda segundo a agência, a maioria das pessoas que atuam na área deve enfrentar diariamente uma realidade na qual predominam baixos salários, longas jornadas, escassa ou nula proteção social, pouco tempo livre, más condições de vida e o descumprimento generalizado das normas laborais. “Também é muito importante o Decreto nº 6.481/08, que proíbe o trabalho doméstico para menores de 18 anos”, afirma a liderança. O decreto lista as piores formas de trabalho infantil e cita, entre os riscos ocupacionais para os(as) jovens que realizam trabalhos domésticos, esforços físicos intensos, isolamento, abuso físico, psicológico e sexual, longas jornadas de trabalho, sobrecarga muscular. A ministra Luiza Bairros, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), também enxerga o dia 27 de abril como uma data para comemoração já que, atualmente, muitos direitos da categoria de trabalhadores(as) domésticos(as) já foram alcançados e o índice de informalidade vem caindo. “Ao longo do tempo, a sociedade não ficou alheia às dificuldades enfrentadas por essas trabalhadoras. Mudanças estão acontecendo, como mais oportunidade de estudo e maior força política, além da promulgação da PEC”, diz. abril de 2013, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 66) garante aos(as) trabalhadores(as) domésticos 17 novos direitos, ampliando as garantias trabalhistas para a categoria formada em sua maioria por mulheres negras. Desde então, passaram a valer 10 dos 17 itens previstos. Sete deles ainda precisam ser regulamentados antes de entrar em vigor. No dia 23 de abril, os deputados federais discutiram em Plenário o projeto que regulamenta os direitos das empregadas domésticas (PLP 302/13). Mas como foi alterado, deverá voltar para análise da comissão mista que criou a proposta. Creuza deixa claro que “se o texto for aprovado com as emendas propostas pela deputada Benedita da Silva, podemos comemorar o avanço. As emendas foram discutidas pela categoria e estamos de acordo com elas. Mas se não forem, teremos retrocesso e a equiparação proposta não terá sido alcançada. Aí, entraremos com uma ação de inconstitucionalidade e não vamos parar de lutar” afirma. Além do apoio à aprovação da PEC, a Seppir é parPEC ceira das trabalhadoras doPromulgada no dia 2 de mésticas desde a criação da as trabalhadoras domésticas e suas organizações, com o apoio da OIT. O Programa foi desenvolvido entre 2006 e 2007, com ações que previam qualificação social e profissional, com foco na elevação de escolaridade e nas políticas públicas, de forma a promover a ampliação da proteção social, fortalecimento da representação e a melhoria das condições da categoria. Em sua primeira fase, o programa envolveu 300 trabalhadoras dos estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Maranhão, Rio de Janeiro e São Paulo. Em paralelo, foram feitas oficinas de sensibilização em 21 localidades para promover o desenvolvimento de programas similares ao TDC em níveis locais. A própria Creuza destaca que uma das principais característica do TDC foi ter incluído a participação das trabalhadoras na formatação do programa que tinha a categoria como púTDC blico beneficiário. “A secreA Seppir foi uma das taria é uma grande parceira parceiras da Federação na nesses anos de organização execução do Programa Tra- da Fenatrad, principalbalho Doméstico Cidadão mente ao dar visibilidade (TDC), desenvolvido no à questão do trabalho doâmbito do Plano Setorial méstico, que tem relação de Qualificação (Planseq), com a questão racial, já que do Ministério do Trabalho a mulher negra é a maioria e Emprego, em diálogo com de nós”, afirma. pasta, em 2003. O tema se relaciona com a política de igualdade racial e encontra fundamentado no Objetivo 0773, do Programa 2034, do PPA 2012 – 2015, que estabelece a promoção de ações afirmativas no âmbito da ação governamental, visando corrigir as desigualdades raciais e assegurar a igualdade de oportunidades. Tem como meta correspondente estabelecer acordos para a inclusão da população negra no mercado de trabalho. Nesse sentido, uma das ações definidas é a cooperação para ampliar a formalização do trabalho, bem como o acesso de mulheres negras ao crédito e à assistência técnica. Uma agenda positiva vem sendo construída em conjunto com a OIT e outros órgãos do Governo Federal voltada a dar visibilidade ao tema do trabalho decente para as trabalhadoras domésticas e apoiar o trabalho desenvolvido pela Fenatrad.

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IMPRENSA SINDICAL | MAIO/2014 | PÁGINA 10 Sindical Novas tecnologias exigem novas formas de organização sindical Em encontro do Macrossetor Comércio, Serviços e Logística, dirigentes destacam desafio de unir classe trabalhadora para garantir condições decentes de trabalho diante das novas formas de produção por: Luiz Carvalho e Adriana Franco (Contracs) O segundo dia do Encontro do Macrossetor Comércio, Serviços e Logística da CUT, dia 4 de abril, reuniu lideranças sindicais para discutir a organização da classe trabalhadora diante dos impactos que as novas tecnologias trazem ao mundo do trabalho. Antes do início das mesas, o evento recebeu a visita do Superintendente Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo, Luiz Antonio de Medeiros, que destacou a necessidade de o movimento sindical repensar a forma de atuação, a começar pelo fim do imposto sindical, conforme defende a CUT, sem acordo com as demais centrais. “A banda boa (do sindicalismo) fica calada e vai levando a banda podre nas costas. Essas coisas não podem ficar desse jeito”, apontou. Regulamentação – Para a secretária de Saúde do Trabalhador da CUT, Junéia Batista, garantir condições decentes de trabalho passa a ser prioridade da classe trabalhadora diante dos modelos de organização que resultam das novas tecnologias. Transformações que muitas vezes passam despercebidas no cotidiano, aler- tou, como chamar o táxi pelo celular ou o check-in eletrônico nos aeroportos, que diminuem a necessidade de atendentes. “O desafio do movimento sindical perante os novos modelos de gestão é pensar uma nova forma de organização capaz de manter as conquistas sociais para quem já está no Mercado e direitos para quem entra. Estamos em um período de pleno emprego, mas com alto índice de rotatividade e assédio moral, especialmente para os setores de comércio, serviços e bancos. E nesse processo, temos de descobrir como atrair os jovens para o nosso lado”, avaliou. Também sobre a saúde do trabalhador, Junéia afirma que o debate a respeito do tema é uma disputa ideológica entre capital e trabalho, entre quem coloca o lucro à frente e quem luta por condições dignas, e que apenas pode ser travada em pé de igualdade se os trabalhadores estiverem unidos. ”A primeira esperança são ações como esses encontros dos macrossetores, que permitem entender o que nos afeta como um todo e discutir como superar os desafios. Precisamos nos reaproximar das bases para que saibam que estamos discutindo essas questões e para saber o que pensam. E além disso, precisamos participar de espaços institucionais onde estão os patrões e podemos discutir essas questões”, defendeu. Terceirização eletrônica – Economista do Dieese, Vivian Machado falou sobre o que chama de cenário de ampliação da terceirização e destacou a Lei 12.865/2013, que regulamenta os meios de pagamento eletrônico e permite transações através de celulares sem a necessidade de uma conta bancária. Para ela, com o argumento de ampliar o acesso das pessoas ao sistema financeiro, os bancos têm a anuência do Banco Central para buscar medidas que reduzem os custos com a emissão de moeda, mas também eliminam postos de trabalho e, consequentemente, aumentam o lucro. Segundo Vivian, a lei traz ainda lacunas como incertezas sobre quem responderá por problemas que surgirem com o sistema eletrônico e quem representará os trabalhadores das novas instituições de pagamentos, já que não se sabe a qual categoria pertencem. “A justifica do acesso a todos é a mesma que utilizaram para transformar lotéricas e lojas varejistas em correspondentes bancários. Só que esses correspondentes estão mais pre- sentes na região Sudeste, onde há mais agências, e pouco no Norte e Centro-Oeste, onde há maior carência de serviços bancários. As novas tecnologias diminuem cada vez mais a necessidade de trabalhadores bancários, enquanto o comerciário é cobrado para fazer o serviço financeiro, mas não conta com a mesma estrutura de segurança que o bancário. É uma realidade que afeta todas as categorias e, se não nos unirmos, vamos perder todos”, avalia. Sentimento de classe – Secretário de Saúde da Confederação dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Contracs), Domingos Mota, que ressaltou a necessidade de cobrar do Ministério de Saúde ações para fortalecer a discussão nos locais de trabalho, foi mais um dirigente a ressaltar a importância da unificação das categorias cutistas em macrossetores para gerar solidariedade e pautas comuns de luta. “No ramo financeiro, o sistema capitalista dificulta o acesso por meio humano para levar o cliente às novas tecnologias, em que o próprio cliente faz o atendimento. Essa é uma realidade que precisaremos enfrentar e o sentimento de classe, principal mérito do macrossetor, vai nos levar a debates menos corporativistas e mais com o sentimento de que somos todos a classe trabalhadora”, definiu. Já o diretor do Sindicato dos Vigilantes da Bahia, Vladimir Cardoso defendeu a necessidade de cobrar do governo o compromisso assumido com os trabalhadores, quando eleito. “Para avançar em nossa luta precisamos também pautar o governo que elegemos e cobrar ações para a agenda da classe trabalhadora. Temos que estar nas ruas para que não só os empresários sejam ouvidos”, disse. Direito do consumidor – Professor especialista em direito do consumidor, Georgios Alexandridis defendeu que a atuação do movimento sindical esteja associada aos interesses de quem consome os serviços para que seja respaldada pela sociedade. “Quando o movimento sindical faz greve de ônibus ou metrô é o consumidor quem mais sente o prejuízo, enquanto a liberação de catracas traria maiores problemas ao empresário”, exemplificou. Para Alexandridis, a luta dos sindicatos na defesa dos consumidores deveria ser mais ampla. Primeiro, porque beneficiaria diretamente os trabalhadores, já que um serviço de qualidade passa pela melhoria de condição no local de trabalho. Segundo, porque em muitas situações, o trabalhador atua como representante do empresário no estabelecimento e acaba induzido ao erro por desconhecer a legislação ou por não saber que pode recusar adotar uma postura nociva ao consumidor. Macrossetor nos Estados – Apesar da amplitude de categorias que compõem o macrossetor, o secretário-adjunto de Formação da CUT, Admirson Ferro Júnior, o Greg, avalia que o encontro foi capaz de traçar um panorama de desafios e obstáculos comuns. “Esse seminário abre uma perspectiva de luta mais organizada em cima de bandeiras como o combate à terceirização, a defesa da redução jornada de trabalho e da saúde de trabalhador, que tem o assédio moral comum a todas as categorias.” O próximo passo, afirma o dirigente, é organizar as federações e os sindicatos cutistas para fazer um enfrentamento mais coeso nos Estados. “Os encontros nacionais continuarão acontecendo, mas precisamos descer para regiões com o objetivo de fazer com que nossas entidades incorporem-se a essas batalhas.” Por melhores salários, trabalhadores da construção civil participam de passeata em Campo Grande/MS Reunidos na manhã de 25 de abril em frente à sede do Sintracom-CG (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Campo Grande – MS), centenas de trabalhadores rejeitaram a proposta de reajuste salarial de 6,74%, apresentada pelos patrões. Após a Assembleia, os trabalhadores se juntaram com lideranças sindicais que apoiam a greve e seguiram pelas ruas do centro da cidade para realizar seu protesto e pedir apoio da população da capital sul-mato-grossense. Para José Abelha Neto, presidente do Sintracom-CG, a atividade foi positiva. “Hoje nos canteiros de obras continuamos com o mesmo procedimento, a maioria dos operários não entraram para trabalhar e ainda tivemos as novas paralisações. Quanto à passeata eu fiquei surpreso porque achei que não ia tudo aquilo de gente, então a classe atendeu o nosso chamado e pudemos explicar nossas reivindicações, o porquê da greve, conseguimos transmitir nossas reivindicações para as pessoas, foi muito bom o movimento”. Segundo Abelha, a Assembleia reprovou a proposta fraca do Sinduscon (Sindicato das Indústrias da Construção Civil do MS) e a greve continua. Dia 28 de abril teve uma nova rodada de negociações junto ao patronal, mediada pelo Tribunal Regional do Trabalho, para buscar um entendimento sobre o impasse estabelecido. Enquanto isso, o movimento grevista vai panfletar os canteiros de obras informando a situação da negociação salarial junto aos trabalhadores da construção civil de Campo Grande. Boa novidade O diretor da empresa Maxi Incorporadora, Jean Michel Massala Júnior, procurou o sindicato e se ofereceu para acatar as reivindicações do movimento grevista, independente do Sinduscon-MS, através de acordo coletivo. A direção do Sintracom-CG aguarda um documento contendo a proposta da empresa, para estabelecer uma minuta e assim fechar um Acordo Coletivo com a Maxi Incorporadora. Informações preliminares indicam que o acordo deve girar em torno de um aumento salarial entre 9 a 10%, além de benefícios sociais, como a incorporação de um sacolão ao salário dos trabalhadores, entre outras propostas. Atualmente a empresa já paga um salário maior do que o precário piso de R$1.000,00 que é pago pelas empresas ligadas ao Sinduscon-MS. Ainda no dia 25 de abril, Luiz Queiroz, da Conticom, esteve reunido com os trabalhadores desta obra, que aprovaram a iniciativa do sindicato de estabelecer este acordo coletivo, por este motivo, o canteiro de obras funcionou normalmente. Isto prova que é sim possível que as empresas pagarem um salário mais compatível com a realidade do setor em outras capitais brasileiras. Dirigentes Sindicais Também presente na atividade, o vice-presidente da Conticom (Confederação Nacional dos Trabalhadores da Construção civil e do Mobiliário), Luiz Queiroz, afirmou “é o salário mais baixo das capitais do país, os trabalhadores tem todo o direito de lutar para avançar nas conquistas. Em outros Estados, temos sacolão, participação nos lucros, plano de saúde e um salário melhor, direitos importantíssimos para os trabalhadores que não vemos por aqui”. Weberton Sudário, o Corumbá, presidente da federação estadual do ramo, a FETRICOM, presente na passeata disse, “a passeata foi um sucesso, os trabalhadores atenderam o chamado do sindicato e da federação estadual e foram defender seus direitos nas ruas. Agora nossa expectativa é que os patrões possam oferecer uma proposta decente para a negociação. Ainda assim, temos a expectativa de estadualizar a greve, inclusive temos presidentes dos sindicatos da construção civil de Dourados, Rio Brilhante e Rio Verde participando ativamente do movimento grevista da capital”. A CUT-MS apoia luta dos operários da construção civil e seu presidente estadual, Genilson Duarte, comentou as atividades durante o protesto, “nós visitamos muitas obras e o índice de participação no movimento é de 80% a 90%, o que indica que a greve foi assumida pela maioria dos trabalhadores. O salário irrisório e as condições precárias de trabalho são os elementos que justificam a grande passeata que tivemos hoje, com mais de mil operários da construção civil no centro de Campo Grande”. O movimento percorreu em sequência as Ruas Pedro Celestino, Afonso Pena, 14 de Julho, Marechal Candido Rondon, 13 de Junho, Barão do Rio Branco e foi encerrada com breve ato, em frente à Praça do Rádio Clube.

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IMPRENSA SINDICAL | MAIO/2014 | PÁGINA 11 Bahia A primeira fábrica de motores automotivos da região Nordeste do Brasil foi inaugurada na Bahia, no dia 9 de abril deste ano, pela Ford. Com investimento de R$ 400 milhões, a unidade gera 300 empregos, 90% deles de baianos, principalmente mulheres e afrodescendentes, e vai montar até 210 mil conjuntos do tipo 1.0 3C duplo comando flex, que irão equipar os novos modelos da linha Ford KA. A cerimônia de inauguração teve a presença do governador Jaques Wagner, do vice-presidente de Assuntos Corporativos da Ford para América do Sul, Rogelio Golfarb, o presidente da montadora no Brasil, Steven Armstrong e do ministro dos Transportes, César Borges. O governador destacou que “a fábrica materializa a consolidação deste parque automotivo, que vai além da produção de veículos e é um centro de desenvolvimento de alta tecnologia, mostrando a capacidade de trabalho dos baianos, homens e mulheres que fazem dessa unidade uma referência global da Ford”. Considerado um produto global, os novos motores têm um conceito inovador de engenharia que promete maior desempenho e economia de combustível. A fábrica está entre as mais modernas do mundo, com atenção especial à produti- Inaugurada em Camaçari, na Bahia, a primeira fábrica de motores do Nordeste vidade aliada à sustentabilidade. Rogelio Golfarb disse que a fábrica pode ser considerada o estado da arte na produção de motores: “essa unidade trabalha com ar filtrado, pressão positiva, temperatura controlada e uma série de requisitos para garantir a precisão. É isso, associado ao intenso treinamento que demos aos nossos funcionários, que vai garantir a qualidade e a durabilidade que esperamos para esse motor”. Ao todo, a Ford deu 380 mil horas de treinamento aos funcionários. Lilian Oliveira, coordenadora da área de montagem e natural de Camaçari, participou da capacitação e vê a nova fábrica como um presente para a população baiana. “Muitas pessoas foram beneficiadas, a Ford gerou emprego e renda e melhorou a vida de muitas famílias”. Pedra fundamental A pedra fundamental da fábrica foi lançada pela diretoria da Ford e o governador Jaques Wagner no dia 20 de dezembro de 2011, na sede da empresa em Camaçari. A nova linha de motores produzida na Bahia será lançada simultaneamente na Europa. Segundo informação da empresa, a unidade representa mais um passo na estratégia de, até 2015, ter 100% da sua linha de veículos no Brasil formada por produtos globais. A Ford foi a primeira indústria de automóvel a investir na região Nordeste, implantando, em 2001, a fábrica e o centro de desenvolvimento de produtos em Camaçari, onde atuam cerca de 1,2 mil engenheiros. Carros mundiais O centro de engenharia da fábrica baiana, um dos cinco que a Ford tem no mundo, já criou dois carros globais: o utilitário EcoSport e o compacto Ka Concept. A capacidade de produção passará de 250 mil para 300 mil unidades/ ano até 2015. O novo Ka foi lançado mundialmente no dia 13 de novembro de 2013, no Complexo Industrial Ford Nordeste, em Camaçari, pelo presidente do conselho de administração da Ford, Willian Clay Ford Jr, bisneto do fundador da fábrica automotiva, Henry Ford. O lançamento do novo Ford Ecosport, primeiro carro global criado na América do Sul, foi no dia 22 de abril de 2012, no Farol da Barra, em Salvador. A versão Titanium 2.0 Flex, foi lançada simultaneamente no salão do automóvel, em Beijing, na China. O utilitário esportivo brasileiro tem status de carro global e é vendido em mais de 100 países. JAC e Foton As montadoras chinesas JAC Motors e Foton também estão se instalando em Camaçari. Maior fabricante de caminhões do mundo, a Foton vai investir R$ 600 milhões para produzir veículos comerciais leves, como vans e ônibus, evoluindo posteriormente para a fabricação de caminhões. O protocolo de intenções foi assinado em 14 de setembro de 2012, na governadoria, em Salvador, pelo vice-presidente executivo da Foton Motors, Jiang Feng, e o diretor executivo do Grupo Mater, que representa a Foton Motors no Brasil. A JAC Motors prevê que o primeiro automóvel fabricado na Bahia fique pronto até 2015. A pedra fundamental foi lançada no dia 26 de novembro de 2012. Na ocasião, os presidentes da JAC Motors da China e do Brasil, respectivamente An Jin e Sérgio Habib, enterraram um automóvel J3 com textos, fotos e objetos, que serão recuperados 2032, simbolizando uma cápsula do tempo e o compromisso de longo prazo da empresa com a Bahia. A implantação receberá investimentos de R$ 900 milhões e gerará 3.500 empregos diretos e cerca de 10 mil indiretos. A capacidade de produção será de 100 mil unidades/ano. Também chinesa, a Jonny Motos tem acordo assinado com o governo da Bahia, com uma previsão de investimento de R$ 20 milhões na construção de uma unidade para produzir inicialmente 80 mil unidades/ano de motocicletas e Jaques Wagner, governador da Bahia bicicletas elétricas. Mas sua capacidade total será de 240 mil unidades, gerando 170 empregos diretos. Bridgestone amplia investimentos Por causa do crescimento do mercado automotivo na região Nordeste, a Bridgestone anunciou investimentos R$ 146 milhões e criação de mais 100 novos empregos diretos para ampliar a sua fábrica de pneus na Bahia, aumentando a produção de pneus radiais para carros de passeio e para caminhões leves (LTR). O término das obras está previsto para maio de 2015. - outubro de 2001: inaugurada a fábrica da Ford em Camaçari; - abril de 2010: anunciada a ampliação dos investimentos da Ford na Bahia; - outubro de 2011: JAC Motors anuncia que quer se instalar na Bahia; - novembro de 2011: JAC Motors assina protocolo de intenções para fábrica em Camaçari; Linha do tempo: - dezembro de 2011: governador Jaques Wagner visita matriz da JAC na China; - dezembro de 2011: lançada a pedra fundamental da fábrica de motores da Ford em Camaçari; - março de 2012: JAC lança nacionalmente o modelo J5 em Praia do Forte (BA); - abril de 2012: lançado o novo EcoSport, primeiro carro mundial da Ford criado na América do Sul, concebido no centro de engenharia de Camaçari; - maio de 2012: desembarque do primeiro lote de carros da JAC Motors no Porto de Salvador; - maio de 2012: JAC Motors faz primeiro workshop para fornecedores de autopeças; - setembro de 2012: Fóton Motors assina protocolo de intenções para fábrica de caminhões em Camaçari; - novembro de 2012: JAC Motors lança pedra fundamental da fábrica em Camaçari; Novembro de 2013: Lançado em Camaçari o Ka Concept, segundo carro mundial criado na fábrica baiana da Ford; - novembro de 2013: JAC Motors faz segundo workshop para fornecedores de autopeças; - abril de 2014: Ford inaugura, em Camaçari (BA), a primeira fábrica de motores do Nordeste. SOCIALISMO/ASSISTENCIALISMO...? De todas as histórias que tenho ouvido em determinados debates políticos, a que mais me chamou a atenção é a de que na Venezuela, o ex-presidente ditador Hugo Chaves em um de seus inflamados discursos numa praça pública, apresentou ao mundo –o que chamou de exército– uma multidão de cidadãos civis, composta por uma parte de trabalhadores das indústrias de transformação, do campo, de serviços, etc., e outra parte composta por uma grande maioria de funcionários públicos. Os trabalhadores e suas famílias dependem de seu mais elementar meio de sobrevivência e por não terem salários dignos, a altura de suas necessidades, depende de uma “ajuda social” do governo que visa completar “esse” meio de sobrevivência. Na verdade essa “ajuda” não passa de uma forma de promover, politicamente, o controle da massa operária. Aqui no Brasil, entre outros sistemas, este é chamado de bolsa família, tá tudo dentro do tal de controle social. Infelizmente o ex-presidente ditador, morto, deixou como herança, além do bastão da ditadura e um País totalmente arrebentado, uma nação dividida, mas sob o controle do seu pupilo e sucessor Nicolás Maduro. Mostra-nos ainda a história que grandes ditadores usaram dos mesmos métodos e artifícios como o de convocar o povo para grandes “manifestações” em praças públicas onde lhes aplicavam longos e inflamados discursos que eram uma verdadeira lavagem cerebral. É como um traficante, que se impõe, alicia e torna o cidadão um dependente. Dirigia-se a multidão com palavras de ordem e classificava-a como um “exército vermelho” insuflando o povo para a luta armada contra uma nefasta manobra ianque. Instigar o povo sempre fez parte de manobras políticas e elas até conseguem jogar um cidadão contra seus próprios irmãos, e para isso basta dizer que estes estavam contra o País, mas na verdade não, estes simplesmente não concordavam com o regime. Aqui no Brasil a coisa parece mais simples, como vi na televisão, num dos últimos debates políticos pela corrida presidencial, onde a palavra de ordem era: “Se nós não formos reeleitos (o partido), os que vierem irão acabar com a bolsa família”, dizem que isso faz parte do jogo, mas que jogo é este? Já pensou se o governo resolve acabar com o auxílio reclusão? Que premia o réu e joga para baixo dos viadutos a família da vítima. Como todo ditador manda e não pede, para não perder a famosa “ajuda” os cidadãos acaba por submeter-se ao famigerado canto da sereia, que os mantêm sob-rédeas. Assim, uma parte deste povo menos afortunado ou totalmente desafortunado vestiu a camisa ou camiseta vermelha e foram para a praça pública. O que os cidadãos não podem esquecer é que antes de serem chamados de verdadeiros “chavistas”, eles são venezuelanos, cidadãos que merecem o total respeito de quem quer que seja em qualquer parte do mundo e não só pelo petróleo que a Venezuela possui, mas pelo fator humanitário. Cá prá nós, esta luta é deles, mas não deixa de ser nossa também, por enquanto aqui no Brasil uma parte do cidadão menos afortunado ou totalmente desafortunado, ainda não foi convocada para vestir uma camisa ou uma camiseta vermelha, mas parece que influenciam nas pesquisas pré-eleitorais para futuras eleições para futuro presidente da república e o discurso do governo daqui não é diferente do de lá. Vamos falar em petróleo. Teremos muitas discussões que irão rolar até ou depois da próxima eleição e temos que ficar atentos e proteger um dos nossos maiores patrimônios que é a Petrobrás, que vem sendo, quando não sugada, entregue de bandeja lá fora, como aconteceu com a compra da petrolífera Passa Dilma, que- Sindical Gráficos - SP ro dizer, Pasadena (no Texas) e... tome CPI que no final das contas acaba por refletir o caso Mensalão, que “pegaram” os porquinhos e deixaram o dono da porcada de fora. E o Evo Morales, hein? Aquele ditador boliviano que anda sumido depois que tomou (ou foi doada) uma das refinarias da Petrobrás, empresa brasileira que funcionava em seu País. Todo mundo toma empresas brasileiras nesse mundo afora, até o Peru. A coisa está tão feia que precisamos ficar atentos, o governo está quase conseguindo mudar toda a cúpula de ministros do STF e assim que o Joaquim Barbosa sair, Bau, Bau. O governo estará instalando no País um estado de Sítio. Nilson do Carmo Pereira, (62 anos) - Diretor Executivo do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas de São Paulo. Membro fundador do Solidariedade. Membro do Conselho Consultivo do INSPIR

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IMPRENSA SINDICAL | MAIO/2014 | PÁGINA 12 Guarulhos - SP Guarulhos recebe mais 21 médicos do programa federal tégia Saúde da Família”, anunciou Derman. O secretário destacou também que isso irá resultar em novos desafios para a rede, com mais pedidos de exames expedidos por eles, medicamentos e encaminhamentos para especialidades. “Além da questão quantitativa, temos percebido a qualidade humana e técnica do atendimento que eles prestam à população, com exame completo do paciente. Essa nova postura certamente vai mudar a história da Saúde em Guarulhos”, ressaltou. Desde o dia 23 de abril, os recém-chegados passam por entrevistas pessoais com os gestores da Secretaria de Saúde, nas quais serão analisados os perfis de cada um para a definição de quais unidades irão atuar. A previsão é que eles comecem a atender a população este mês de maio, uma vez que, antes disso, também deverão passar por capacitação sobre o funcionamento, os protocolos da Rede Municipal de Saúde e sobre o SUS. O secretário de Educação elogiou os investimentos de Cuba em Saúde e Educação. “Gratidão é a palavra que define o fato de vocês cederem todo seu conhecimento para ajudar o Brasil, um país de dimensões continentais”, falou. Ao fazer uma saudação ao público, os cubanos disseram estar felizes com a vinda ao Brasil. “Vamos fazer o possível para que o povo tenha orgulho do nosso trabalho”, disse a médica Ana Gloria Martin Vera. O prefeito deu as boas-vindas aos recém-chegados e falou dos avanços conquistados pelo País nos últimos anos. “O Brasil está crescendo. Hoje estamos construindo um outro país, uma nação de oportunidades que está se preparando para viver um outro momento de sua história”, disse o prefeito, destacando que 700 municípios do Brasil não tinham sequer um médico antes do lançamento deste programa federal. “Estamos cada vez mais apostando em ações para evitar a doença, que inclusive é mais barato que oferecer somente tratamento”, concluiu. Os médicos que chegaram são: Ana Glória Martin Vera, Elisa Maria Rivero Barata, Georgina Alvarez Nuñez, Hilda Marisel Mosquera Suarez, Ida Helena Suarez Morales, Ines Maria Martinez Gutierrez, Jacqueline Infante Pino, Jenny Pupo Rizo, Karina Caridad Castillo Rodriguez, Maria Josefa Liriano Garcia, Marianela Leyva Pino, Mariela Rafaela Rosabal Matos, Marisabel Perez Barrios, Oscar Corrales Diaz, Synthya Rancel Fernandez, Victor Gonzalez Garcia, Yanin Castillo Dominguez, Yelma Guevara Arias, Yudith Carmen Rodriguez Rodriguez, Yulaybis Estables Bernal e Yuliet Macias Perez. Juntos, os 31 estrangeiros que estão trabalhando na cidade já atenderam cerca de 15 mil pessoas nas seguintes Unidades Básicas de Saúde: Cummins, Mário Macca, Jardim Cumbica I e II, Soimco, Jacy, Ponte Alta, Santos Dumont, Jovaia, Bambi, Haroldo Veloso, Acácio, Primavera, Cidade Seródio, Marinópolis, Santa Lídia e Recreio São Jorge. Mais um grupo de 21 médicos chegou a Guarulhos dia 22 de abril, totalizando até o momento 52 profissionais enviados à cidade pelo Programa Federal Mais Médicos. Originários de Cuba, eles foram recepcionados pelo prefeito Sebastião Almeida e pelo secretário de Saúde, Carlos Derman, em cerimônia realizada no auditório da Secretaria de Educação (Macedo), que também contou com a presença do titular da pasta, Moacir de Souza. Com a vinda dos 52 novos profissionais, a cidade teve desde outubro passado um incremento de 40% no número de médicos de família, explicou o secretário de Saúde. “Além de completar o quadro em unidades com déficit de clínicos, a vinda desse novo grupo permitirá a criação de mais equipes em bairros que ainda não são atendidos com a Estra- PTB Sindical - SP TRABALHO ESCRAVO OU ESCRAVIZADO PELO TRABALHO Estamos próximo de comemorar o dia 1º Maio, mundialmente conhecido como “Dia Internacional do Trabalhador”, foi em 1886 na industrializada cidade de Chicago – Estados Unidos, onde milhares de trabalhadores saíram às ruas por melhores condições de salários e trabalho, incluindo como principal reivindicação a redução de jornada diária de trabalho de 13 horas para 8 horas de trabalho por dia. A ação levou a um grande confronto com os policiais que acabaram matando 12 manifestantes e ferindo outros... E em 1889, três anos depois, na Capital Francesa a “Segunda Internacional Socialista” instituiu o dia 1º de Maio como “Dia Mundial do Trabalho” para que todos os trabalhadores do mundo não esquecessem deste período que marcou a força e a coragem daqueles que enfrentaram o sistema capitalista. Em 1925, no Brasil, foi instituído oficialmente pelo então presidente Artur Bernardes através de decreto o “1º de Maio, como dia do trabalhador brasileiro”, Getúlio Vargas, então presidente em 1940, criou o salário mínimo, que na época deveria suprir as necessidades básicas de uma família (moradia, alimentação, saúde, vestuário, educação e lazer), e em 1941 foi criado no Brasil a Justiça do trabalho, com o objetivo de intervir diretamente nos conflitos envolvendo a relação do Capital x Trabalho. Pois bem, fiz questão de fazer um breve relato daquele período, para alertar a todos os trabalhadores brasileiros! Não significa que o dia 1º de Maio seja apenas um feriado comum, a data é mais que a história conta, a data é para lembrar e reforçar a coragem de milhares de anônimos, que fizeram com que os nossos direitos fossem conquistados. Alguns se destacaram como o nosso ex-presidente Lula, um trabalhador, vindo de origem pobre e operária, ocupou o mais alto posto do nosso País. Outros virão e outros infelizmente morrerão, porém o mais importante é que a força do capitalismo, não seja superior à força daqueles que trabalham. Há muito que ser conquistado, a redução da nossa jornada de 44 horas para 40 horas semanais é uma delas, mais talvez outra precisasse ser combatida como a desigualdade e o desrespeito entre as pessoas. Imaginar que nosso País foi palco da escravidão de seres humanos. Que até hoje o nosso parlamentarismo predomina e é esmagadoramente representado por empresários, industriais, latifundiários, que chegaram ao poder pelo voto dos trabalhadores. Este quadro precisa e deve ser mudado, só vamos conseguir conquistar direitos se tivermos trabalhadores de fato, nos representando em todos os poderes. Para isto precisamos exigir uma Educação de qualidade para os nossos jovens e filhos. Quando faço uma analogia entre a frase “trabalho escravo ou escravizado pelo trabalho”, quero dizer que ainda somos escravos: escravos de uma política suja e desrespeitosa, escravos de um regime em que tudo pode ser feito para calar a nossa voz, escravos de uma falsa democracia ou, no mínimo, uma democracia maquiada por aqueles que deveriam proteger nossa constituinte. Veja exemplos claros da nossa democracia: Voto obrigatório; Educação de péssima qualidade; Saúde, será que ela existe? Segurança; em quanto houver leis que admitam um ser humano, independentemente da sua maior ou menor idade, o direito de matar, roubar, furtar e violentar, sem ser punido... Fim da menoridade penal, poucos políticos têm a coragem de mudar. Por quê? Como é que eles terão a coragem de mudar, se os filhos, netos e bisnetos deles correm o risco de ir para a cadeia. Será que continuamos vivendo num regime escravista no Brasil? Senhoras e senhores, leitores que chegaram até o fim do meu desabafo, o meu profundo respeito e agradecimento por ter lido até aqui. Sou filho de professora pública municipal e de um operário da construção, hoje esposo e pai de dois filhos que desejo verem um Brasil melhor. Ramalho Junior, presidente do PTB Sindical do Estado de São Paulo ramalhojunior@sintraconsp.org.br

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Especial Suplicy IMPRENSA SINDICAL | MAIO/2014 | PÁGINA 13 1º de maio de 2014 – 71 anos após a CLT dos trabalhadores organizados para lutar pelas 8h diárias de trabalho. No dia 23 de abril de 1919, o senado francês ratificou a jornada de oito horas, proclamando o dia 1° de maio como feriado nacional. Aqui no Brasil existem relatos de que a data é comemorada desde o ano de 1895. Porém, foi somente em setembro de 1925 que esta data tornou-se oficial, após a criação de um decreto do então presidente Artur Bernardes. O governo de Getúlio Vargas que transformou o 1º de maio –antes visto como um dia para protestos e críticas às estruturas socioeconômicas do País– em um dia de festas populares, desfiles e outras celebrações. As principais medidas de benefício ao trabalhador passaram a ser anunciadas nesta data, como o aumento anual do salário mínimo, assim como a criação da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, em 1º de maio de 1943, por Getúlio Vargas, sendo a principal referência para a nossa atual legislação Trabalhista. Ao ser transposto para a atualidade brasileira, o Dia do Trabalho não perdeu a sua característica de dia de luta e reivindicação por melhores condições de vida para a classe trabalhadora, principalmente neste ano em que marcamos 71 anos da entrada em vigor da CLT. De 1886 até hoje já se passaram 128 anos e a redução da jornada de trabalho sem redução de salário ainda é um dos grandes anseios da classe trabalhadora. No Brasil, mexe-se em jornada de trabalho a cada 50 anos; os dirigentes da CUT, a maior central dos trabalhadores, têm convicção que geraria mais e melhores empregos. Outros pontos como o fim do fator previdenciário, correção mais justa da tabela do imposto de renda, maior participação nos lucros fazem parte da pauta de reivindicação dos trabalhadores. Este ano, com o tema “Comunicação: o desafio do século”, uma grande festa no Vale do Anhangabaú, preparada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) e pela Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), marcará a data para milhões de trabalhadores de São Paulo. A partir das 10h, um ato inter-religioso, seguido de espetáculo teatral contando a história da comunicação no Brasil dará inicio às comemorações. Às 16h haverá ato político-social das Centrais Sindicais CUT, CTB e CSB e várias atrações musicais como Sampa Crew, Art Popular, Leci Brandão, Maria Cecília & Rodolfo, Pixote, Paula Fernandes, Michel Teló, Belo e Péricles & Banda. Sobre o tema, a União Geral dos Trabalhadores, UGT, em cooperação com o Instituto de Economia da Unicamp, realizou, nos dias 28 e 29 de abril, debates sobre “O Lugar do Trabalho no Capitalismo Brasileiro”, no Novotel São Paulo Center Norte, do qual tive a satisfação de participar. Quero pedir a todos que desejem realizar manifestações de protestos ou de reivindicação de seus direitos que as façam de forma pacífica, sem recorrer à violência. Que façam sempre os seus protestos, que são mais do que válidos numa democracia, mas sempre respeitando o próximo, respeitando as instalações físicas de qualquer propriedade pública ou privada, evitando-se, portanto, qualquer violência. Todos devemos ter em mente que os exemplos que alcançaram maior êxito na obtenção de resultados sociais para os povos vêm de manifestações pacíficas, que têm por base a força da palavra e da alma. Nessa linha de vitória pela força da alma, devemos nos lembrar dos ensinamentos e da conduta de Léon Tolstói, Henry Thoreau, Mahatma Gandhi e Martin Luther King Júnior. A estes, devemos seguir. Eduardo Matarazzo Suplicy (PT-SP), senador da República Um Congresso Socialista, realizado em Paris em 1889, escolheu o dia 1º de Maio como Dia Mundial do Trabalho em homenagem à greve geral ocorrida em Chicago, em 1º de maio de 1886. Milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições desumanas de trabalho a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para oito horas diárias. Em vários 1º de maio do século XIX, a polícia agiu reprimindo as manifestações operárias, o que reforçou a data como o dia de luta dos trabalhadores. No entanto, a data não figurava como feriado. Isso só aconteceu em 1919, na França, e em 1920, na Rússia. O objetivo do feriado é celebrar as conquistas dos trabalhadores ao longo da história. Em junho de 1889, em Paris, a central sindical chamada Segunda Internacional, uma organização mundial dos partidos políticos socialdemocratas, socialistas, liberais e trabalhistas, decidiu convocar o mesmo dia das manifestações como o data máxima

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IMPRENSA SINDICAL | MAIO/2014 | PÁGINA 14 Sindiquímica-BA Categoria participa ativamente do processo eleitoral que elegeu a nova direção do Sindiquímica para os próximos três anos Aconteceu, entre os dias 05 e 11 de abril, o processo eleitoral para a escolha da direção do Sindiquímica e do Conselho Fiscal, triênio 2014-2017. Concorreram ao pleito: a Chapa 1- Lutar e avançar e cinco candidatos ao Conselho Fiscal. A Comissão Eleitoral considerou a eleição tranquila, pois não foi registrado nenhum incidente durante o pleito. Foram instaladas 43 urnas –fixas e itinerantes– que funcionaram nas fábricas do ramo; na sede, em Salvador e nas subsedes de Feira de Santana, Candeias e Camaçari. De acordo com a Comissão, o processo eleitoral do Sindiquímica transcorreu normalmente em todos os locais de votação, sendo que 80% dos associados participaram do pleito. Ao todo são mais de 3.000 sócios. Por isso, a Comissão destacou a lisura, transparência das eleições e a ativa participação dos trabalhadores e trabalhadoras das categorias ligadas ao ramo químico. A apuração dos votos aconteceu na noite do dia 11/04, na sede do sindicato após a chegada de todas as urnas, inclusive as que funcionaram nas subsedes e outras cidades do interior da Bahia. Foram instaladas 11 mesas apuradoras. Presentes na apuração, o Secretário Nacional da Juventude da CUT, Alfredo Santos; o Secretário de Administração e Finanças da CUT-BA, Manoel Moura Ribeiro; a Secretária Regional Nordeste de CNQ, Luciola Conceição; e dirigentes de vários sindicatos ligados à CUT. Passavam das 23h quando a Comissão Eleitoral anunciou o resultado da eleição: a Chapa 1 – Lutar e avançar obteve 95% dos votos apurados. Ao total, foram contabilizados 2.756 votos, dos quais a Chapa 1 obteve 2.636; foram computados também 89 votos brancos e 31 nulos. Sindiquímica e trabalhadores se mobilizam contra fechamento da fábrica da Dupont em Camaçari Desde que a Dupont anunciou a decisão de fechar a fábrica de defensivos agrícolas, em Camaçari, o Sindiquímica vem atuando em várias frentes para evitar a desativação da planta. No início do mês de abril, dirigentes do sindicato se reuniram com o Secretário Estadual da Indústria, Comércio e Mineração, James Correia, com o objetivo de pedir ajuda do governo para evitar a saída da Dupont da Bahia. O secretário Correia manifestou preocupação com o fato e se solidarizou com os trabalhadores da Dupont. Além disso, diretores do Sindiquímica que estão participando de um encontro internacional, nos Estados Unidos, pretendem se encontrar com os diretores da multinacional. Paralelo a isso, várias assembleias já ocorreram na porta da fábrica, em Camaçari. Segundo a Dupont, o encerramento das atividades da planta foi motivado por questões financeiras devido aos altos custos de manutenção da unidade e também da matéria prima, base para a fabricação de herbicidas e fungicidas. Entretanto, o sindicato teve acesso às informações que mostram que, só no ano passado, a Dupont lucrou US$ 88 milhões na produção de herbicidas para defensivos agrícolas, com forte aumento nas vendas nos países da América Latina, destacando-se o Brasil resultado da “safrinha” do milho. Além disso, durante anos, o marketing da Dupont era feito em cima da política de segurança com retorno financeiro altamente lucrativo. A verdade é que o Sindiquímica-BA há muito tempo vem alertando sobre a política de gestão administrativa adotada pela multinacional que parou de investir em tecnologia, provocando o sucateamento dos equipamentos da planta de Camaçari. Pior ainda, o processo de reestruturação da empresa pro- moveu mais desemprego e dos 400 trabalhadores contratados na década de 1980 restaram apenas 56, em 2014. Essa política contraria, inclusive, os programas de incentivo à indústria dos governos estadual e federal que oferecem renúncia fiscal e outros benefícios, em contrapartida, as empresas devem criar empregos e investir na produção para dinamizar as economias nacional e local. Acidentes Para o sindicato, a falta de investimentos por parte da Dupont colocou em risco a saúde e segurança dos trabalhadores e agravou o sucateamento de equipamentos. Os funcionários não esquecem o grave acidente ocorrido, no dia 22 de setembro de 2005, na unidade de Dicloro Nitrobenzeno (DCNB) da Dupont, que custou a vida do operador Leandro Vieira Mira, 27 anos. Leandro morreu vítima de uma explosão seguida de incêndio na unidade 13, às 22h55. Ele teve o corpo completamente queimado. Outro acidente, em 1996, uma explosão de um trecho da tubulação de ácido nítrico na unidade 14, matou dois funcionários e deixou três feridos, quando a fábrica pertencia a Prochom. Organização das mulheres é tema de seminário no Sindiquímica Com o auditório do Sindiquímica lotado aconteceu o 2º Seminário de Gênero, no final do mês de março, concluindo as atividades do mês da mulher programadas pela Secretaria de Gênero. Presente na mesa de abertura, a diretora executiva da CUT, Rosana Sousa, destacou a importância da mulher na maior central da América Latina. Rosana apresentou a organização das mulheres e os avanços conquistados pela Central e entidades filiadas no que tange os direitos das mulheres. A dirigente mostrou os principais desafios para as mulheres cutistas nos próximos anos, a exemplo, cumprir a paridade e ocupar mais cargos na direção da CUT. A secretária de Mulheres da CUT/Bahia, Vera Carvalho, detalhou as atividades que estão sendo desenvolvidas na Bahia, em 2014, incluindo o calendário do plebiscito popular. A ex-vereadora Marta Rodrigues (PT) queixou-se da pouca participação das mulheres na política-partidária, mesmo que a legislação eleitoral destine 30% das vagas às mulheres. A secretária de Gênero, Luciola Conceição, falou sobre as conquistas das mulheres nas diversas categorias que formam o ramo e a luta por ampliar esses direitos nas campanhas salariais. A programação do seminário prosseguiu com três palestras: A Inserção da Mulher no Mercado de Trabalho da RMS 2013/2014, economista e supervisora da PED-RMS/ DIEESE, Ana Margaret Simões; Feminismo na con- temporaneidade, representante da Marcha Mundial das Mulheres, Liliane Oliveira; Mulheres baianas no centro do debate, assessora jurídica da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), Ana Carolina Alencar. Estavam presentes no seminário, a presidente do Sindicato das Assistentes Sociais, representantes do Sintsef, Sincotelba, estudantes, além da categoria e dirigentes sindicais da Bahia.

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IMPRENSA SINDICAL | MAIO/2014 | PÁGINA 15 Economia Crise já cria desemprego no setor automotivo A redução na produção de automóveis já provoca demissões na cadeia do setor automotivo. As dispensas são pulverizadas e atingem principalmente trabalhadores das pequenas empresas, mas compõem um mercado de trabalho radicalmente diferente daquele do início do ano passado em todo o setor automotivo. De janeiro a março de 2013, a indústria de material de transporte (segmento que envolve montadoras, autopeças e outros subsetores no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) abriu 13,9 mil novas vagas. No mesmo período deste ano, o setor fechou 1.071 postos de trabalho em todo país, aponta o Caged. Alguns polos automotivos estão sendo mais afetados, como o ABC paulista, a gaúcha Gravataí e a fluminense Porto Real. No ABC, a indústria de material de transporte eliminou 1.746 vagas no primeiro trimestre, percentual equivalente a 2,4% de todas as pessoas empregadas no setor até o fim de 2013. Em Gravataí e Porto Real o número absoluto de corte de empregos é menor, mas proporcionalmente o impacto é maior. Na cidade gaúcha que sedia a fábrica da General Motors o saldo negativo entre admissões e demissões indica o fechamento de 472 vagas, equivalente a 4,9% do total de pessoas empregadas pelo setor em Gravataí. Em Porto Real, o saldo negativo de 371 empregos eliminados representa 6% do total de trabalhadores empregados no setor no fim de dezembro. As demissões são pulverizadas e atingem principalmente pequenas empresas, segundo os sindicatos de trabalhadores. Em alguns casos, o movimento ainda não foi percebido pelas entidades. No Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí, por exemplo, a direção considera a situação do mercado de trabalho “estável”, diz o diretor Valcir Ascari. A informação de que o Caged indica fechamento de 472 vagas na indústria de material de transporte do município foi recebida como novidade. “Não sentimos essa redução”, disse Ascari. Outra diferença na base sindical gaúcha foi o acordo salarial. O sindicato negociou com a General Motors um reajuste de 7%, o que significa aumento real de 1,3% pelo Indice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), percentual inferior ao dos últimos dois anos quando superou 2%. Na base dos metalúrgicos do ABC (São Bernado, Diadema, Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires), levantamento do próprio sindicato indica que foram fechadas 1.012 vagas no setor automotivo no primeiro trimestre, situação bem diferente das 100 vagas criadas em igual período de 2013. “Esse movimento vem das pequenas empresas que sentem redução dos pedidos das montadoras e não possuem fôlego para segurar os trabalhadores”, diz Wagner Santana, secretário-geral do sindicato. Nas montadoras e grandes autopeças, diz Santana, outros expedientes foram colocados em prática, como programas de demissão voluntária, licença remunerada ou “layoff” para evitar a demissão de funcionários qualificados. “Mas já sentimos o sinal amarelo no setor”, resume o sindicalista. Em outra base metalúrgica do ABC, a cidade de São Caetano, onde está a fábrica da General Motors, foram fechados 407 postos de trabalho na indústria de material de transporte no primeiro trimestre. De acordo com o presidente do sindicato local dos metalúrgicos, Aparecido Inácio da Silva, esse número envolve boa parte dos 348 trabalhadores que aderiram ao Programa de Demissões Voluntárias (PDV) da GM. “As outras demissões são espalhadas e essa situação reflete a instabilidade da economia, o aumento da taxa de juros, a retração do consumidor”, diz ele, criticando o que ele classifica como “falta de rumo do governo na área econômica”. Os dados do Caged mostram que boa parte dos trabalhadores que aderiram ao PDV da GM aproveitaram a situação para pedir aposentadoria. Do total de 407 vagas eliminadas de janeiro a março, 337 desligamentos decorreram de pedidos de aposentadoria. Outra mudança no mercado de trabalho neste início de ano é a redução do número de trabalhadores que pede demissão. No ano passado, eles responderam por 15% dos desligamentos do setor na cidade de São Bernardo, percentual que caiu para 7% neste início de 2014. O coordenador da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) na região metropolitana de São Paulo, Alexandre Loloian, chama atenção para outra mudança no comportamento do emprego no ABC paulista. A pesquisa, feita em conjunto pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), aponta que nos últimos 12 meses voltou a aumentar o número de trabalhadores sem carteira e por conta própria na região, enquanto o total de assalariados com carteira assinada caiu 2%. Na comparação com fevereiro de 2013, o total de trabalhadores contratados sem vinculo formal subiu 7% e o de autônomos, 17%. “Esse comportamento foge do padrão dos últimos anos e o aumento dessas vagas reflete a insegurança dos empregadores e a procura por outra ocupação para evitar o desemprego”, diz Loloian. Na região, a taxa de desemprego está se comportando, por enquanto, dentro do padrão. Ficou em 10,3% em fevereiro, acima dos 9,5% de igual mês do ano passado. Na indústria, foram fechadas 34 mil vagas desde dezembro, das quais seis mil no setor metal-mecânico, mas esse movimento é normal no início do ano, pondera Loloian. Santana, dos Metalúrgicos do ABC, lista três frentes de negociação para tentar minimizar –e conter– o efeito negativo da queda da produção sobre o emprego. Um programa de renovação da frota de caminhões (com crédito para a compra de caminhões novos), crédito para automóveis com apoio dos bancos públicos (no ano passado, cita ele, 1,6 milhão de pedidos de crédito foram negados e se apenas 20% deles fossem atendidos poderia se ter um mercado extra de 300 mil veículos) e novas regras de proteção do emprego, com ampliação do uso do chamado “layoff”. Pelas regras atuais, diz ele, o uso desse instrumento está limitado a cinco meses e ao valor do seguro-desemprego. O sindicato, junto com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), sugeriu ao governo criar um fundo com os recursos da multa adicional de 10% sobre o saldo do FGTS (que já existe) para compensar parte das despesas que as empresas têm no afastamento de um funcionário. Santana explica que no caso de uma redução de jornada de 20%, esse fundo poderia ser usado para evitar redução de salários. No caso, o fundo custearia parte da redução dos salários, que não teriam o corte proporcional de 20%. Balança comercial brasileira registra déficit de US$ 6 bilhões Com fraco desemprenho da balança comercial, o Brasil registrou déficit em transações correntes de US$ 6,248 bilhões em março, sem que o rombo tivesse sido coberto pelos investimentos produtivos, em mais um sinal de deterioração das contas externas do país. Os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) no país somaram US$ 4,995 bilhões no mês passado, informou o Banco Central dia 25 de abril. A última vez que esses recursos compensaram integralmente o déficit em conta corrente do país foi em novembro passado. Economistas consultados pela agência inglesa de notícias Reuters previam saldo negativo na conta corrente de US$ 6,450 bilhões em março e IED de US$ 3,5 bilhões. Já o próprio BC havia previsto déficit na conta corrente de US$ 5,8 bilhões no mês passado. – O resultado (das transações correntes) ficou maior do que o previsto em boa parte à reação lenta da balança comercial –afirmou o chefe do departamento Econômico do BC, Tulio Maciel. No mês de março, a balança comercial registrou superávit de apenas US$ 112 milhões. De janeiro a março, acumula déficit recorde para o período de US$ 6,072 bilhões, mantendo-se como uma ponta vulnerável das transações correntes –que abrangem a importação e a exportação de bens e serviços e as operações unilaterais do Brasil com o exterior. Remessa de lucros Também continuou pesando na conta corrente as remessas de lucros e dividendos, que somaram US$ 1,892 bilhão em março, ante US$ 2,732 bilhões em igual mês do ano passado. O BC informou ainda que os gastos líquidos de brasileiros no exterior com viagens atingiram US$ 1,302 bilhão, um pouco acima do US$ 1,263 bilhão em igual mês do ano passado. Os gastos com aluguel de equipamento também foram elevados, atingido US$ 1,837 bilhão em março. “A gente não observava ao longo de 2012 e 2013 uma queda na comparação interanual”, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel. Com relação a 2013, os gastos de brasileiros em viagens ao exterior chegaram ao recorde de US$ 25,342 bilhões. No primeiro trimestre também houve redução nas despesas de brasileiros no exterior. De janeiro a março, esses gastos chegaram a US$ 5,874 bilhões, com redução de 1,8% em relação ao primeiro trimestre do ano passado (US$ 5,984 bilhões). O resultado confirma tendência apresentada no primeiro bimestre. Os investimentos em renda fixa no país registraram ingresso líquido de US$ 6,376 bilhões em março, bem acima dos US$ 499 milhões em igual mês do ano passado. Os investimentos estrangeiros líquidos em ações no país, por sua vez, somaram US$ 1,310 bilhão em março, um pouco abaixo do volume de um ano antes, de US$ 1,874 bilhão. Com esses resultados, o setor externo encerrou o primeiro trimestre com déficit de US$ 25,186 bilhões, ligeiramente acima do saldo negativo de US$ 24,704 bilhões de igual período de 2013. No acumulado em 12 meses encerrados no mês passado, o déficit em conta corrente do país ficou em 3,64% do Produto Interno Bruto (PIB). Diante do elevado e crescente rombo nas contas externas do país, o presidente do BC, Alexandre Tombini, disse recentemente que a tendência é que o déficit em conta corrente se estabilize.

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