Revista Ecodata n° 2

 

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Revista da Agência Brasileira de Meio Ambiente e Tecnologia da Informação

Popular Pages


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editorial a secretaria de agricultura do estado de goiás seagro está disponível para melhorar implementar e efetivar o modelo agroextrativista sustentável de forma a ampliar as oportunidades econômicas dos produtores rurais na região do cerrado goiano faltam informações e conhecimentos para os agricultores diversificarem sua produção regional com o uso de plantas nativas do cerrado a agência goiana de desenvolvimento rural e fundiário agenciarural desenvolve pesquisas com espécies nativas mas ainda é preciso capacitar os técnicos iniciativas como a produção de sorvetes com mais de 50 sabores de frutos do cerrado apontam que é mais rentável preservar áreas de cerrado do que desmatá-las a capacitação em agroextrativismo no cerrado contribuirá valorizando e descobrindo as aptidões e oportunidades regionais gerando renda e novas oportunidades de desenvolvimento e cidadania para o homem rural o modelo participativo de capacitação trazido pela ecodata permitirá orientar tanto o agricultor quanto os técnicos na cadeia produtiva do agroextrativismo desde a coleta até a comercialização incentivando esta produção a seagro espera por fim contribuir para a construção coletiva de uma ampla política para o agroextrativismo que estabeleça modelos e parâmetros de produção sustentável do cerrado paulo martins da silva secretário de agricultura pecuária e abastecimento estado de goiÁs quando desperto a cada dia respiro o ar que me faz sentir um ser vivo saio de casa o lugar onde estou agradecendo em primeiro lugar ao criador e sobretudo os dons que me concedeu em seguida me dirijo ao grande mercado que é onde encontro resposta para minhas necessidades do dia-a-dia visto ser a natureza a solução para meus problemas como extrativista me porto com respeito religiosidade e muita reverência para trazer o material com que trabalho na arte definições de agroextrativismo no cerrado e agroextrativista escritas pelos participantes no primeiro laboratório do projeto agroextrativismo no cerrado construindo metodologia participativa de capacitação realizado em cavalcante go no dia 3 de agosto de 2008 agroextrativista É o ser que aprende com a natureza permitindo-se viver agroextrativista do cerrado da abundância também pode ser chamado de da natureza pode-se denominar agroecologista do cerrado e agradece agroextrativista tanto significa a exploração responsável e planta os trabalhadores rurais dos recursos naturais do cerrado e colhe agricultores familiares e perceber que o cerrado é uma lavoura e faz doces populações tradicionais pronta uma riqueza pouco conhecida quanto os produtores rurais a ser explorada racionalmente e faz biscoitos que associam suas atividades enriquecer o cerrado com espécies e faz bolo agrícolas com práticas de nativas significa aumentar sua alimenta o corpo produção sustentáveis com base lavoura e a alma em espécies nativas do cerrado extrativismo no cerrado tem como a si mesmo contribuindo para o objetivo a preservação e geração de e a natureza desenvolvimento renda e a inclusão social talvez a regional única forma de manter o cerrado vivo o agroextrativismo no cerrado é a combinação ou consórcio das atividades da agricultura familiar de subsistência plantio de mandioca milho feijão etc com as atividades de extrativismo sustentável de espécies nativas do cerrado para diversos usos alimentício artesanal medicinal oleaginoso ornamental etc

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Índice i 4 6 8 9 10 12 13 14 22 42 44 agroextrativismo no cerrado ecodata 10 anos cerrado patrimônio nacional depende de você donizete tokarski a ciganada do cerrado semíramis pedrosa de almeida a identidade do agroextrativista no cerrado deborah a frança agroextrativismo no cerrado donizete tokarski elisa meirelles e noara pimentel políticas públicas para o agroextrativismo no cerrado agnaldo moraes e elisa meirelles plano de negócios no agroextrativismo julio lizárraga ramírez o projeto agroextrativismo no cerrado construindo metodologia participativa de capacitação mapa da rota do agroextrativismo no cerrado lista de plantas do cerrado com potencial para o agroextrativismo homenagem da ecodata aos pioneiros da defesa do cerrado agência brasileira de meio ambiente e tecnologia da informação ecodata fundada em 1997 é uma organização da sociedade civil de interesse público oscip integra o cnea cadastro nacional de entidades ambientalistas e trabalha pelo meio ambiente e pela democratização da informação conselheiros e sócios fundadores ecodata donizete tokarski presidente julio lizárraga ramirez julio valente junior luiz henrique de araújo mário sato sebastião de souza sérgio de paula amaral equipe técnica de apoio e colaboradores agnaldo moraes historiador carolina lepsch eng florestal daniela pinto relações públicas elisa meirelles eng florestal eloisa belleza eng agrônoma henrique antônio comunicação social letícia aguiar bióloga marcela versiani eng agrônoma marcos eduardo carneiro administração noara pimentel eng agrônoma paula romão eng ambiental regina maniçoba geógrafa renata vignoli eng florestal semíramis pedrosa bióloga solange tourinho administração tatyana coelho turismóloga vanessa c silvério bióloga vivian diniz eng florestal nesta edição layout e diagramação henrique santos redação letícia aguiar ecodata revista ii 46 47 bacia hidrográfica do alto tocantins conservação da bacia hidrográ ca do alto tocantins mobilização para a formação do comitê de bacia ii seminário de desenvolvimento sustentável na bacia do alto tocantins renata vignoli e francisco c b e silva iii 58 59 60 62 projetos ecodata universalização do acesso ao conhecimento ecocentros levam informações a quem precisa programa de neutralização de carbono promoção e utilização de um sistema de redução das emissões de mercúrio projeto de desenvolvimento do agroextrativismo no município de mambaí-go iv 64 que assistência técnica queremos assistência técnica diferenciada para assentamentos de reforma agrária scn qd 01 bloco c ed brasília trade center 85 sala 309 brasília df cep 70711-902 fone 61 2104-4444 fax 61 3326-5116 e-mail ecodata@ecodata.org.br site www.ecodata.org.br v 66 plataforma ambiental aos municípios propostas de uma agenda política aos candidatos a prefeitos e vereadores de 2008 www.ecodata.org.br

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cerrado patrimÔnio nacional dep en dede vo cê donizete tokarski presidente da ecodata a i agroextrativismo no cerrado 6 constituição federal brasileira em seu artigo 225 inciso vii § 4.º riqueza bem ou conjunto de bens culturais ou naturais de valor dispõe que a floresta amazônica brasileira a mata atlântica a reconhecido para a nação brasileira sua utilização tão pouco deve serra do mar o pantanal mato-grossense e a zona costeira são ser feita dentro de condições que assegurem a sua preservação patrimÔnio nacional e sua utilização far-se-à ou a de seus recursos naturais condição esta aprovar a pec não garantida pela constituição só aos outros na forma da lei dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente inclusive quanto traz nenhum tratamento biomas este é um erro grave cometido pela ao uso dos recursos naturais o novo dicionário extraordinário ao cerrado constituição brasileira e aprovar a proposta aurélio 2004 define senão passa a tratá-lo de de emenda constitucional pec 115/1995 que patrimônio [do lat patrimoniu riqueza bem forma igualitária aos demais inclui o cerrado como patrimônio nacional ou conjunto de bens culturais ou naturais de valor biomas pela legislação nada mais é que uma obrigação dos brasileiros reconhecido para determinada localidade região em repará-lo hoje já há dados suficientes sobre brasileira contudo aprova a riqueza e a importância ecológica do cerrado país ou para a humanidade e que ao se tornarem protegidos como p ex pelo tombamento la é mais que um dever é para desmistificar este processo de exclusão e deve ser preservados para o usufruto de todos os o primeiro passo para se reconhecer sua contribuição nacional cidadãos ocupa 25 do brasil é o segundo maior pagar uma dívida ambiental nacional [do fr national de ou pertencente nacional bioma sul-americano e também o mais brasileiro ou relativo a uma nação ou próprio dela a maior savana em um único país por ser o mais o cerrado por não ser considerado patrimônio nacional está antigo bioma formado na terra é o mais rico em biodiversidade do sujeito a um tratamento diferenciado o que neste caso significa mundo e o mais ameaçado pois é incapaz de recuperar a plenitude de estar sujeito a intervenções indiscriminadas por não ser visto como sua biodiversidade original populações humanas escolheram o cerrado

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visite www.biomacerrado.blogspot.com para morar em função da grande riqueza de frutos e animais silvestres disponíveis que combinados com sua recente ocupação originaram uma rica diversidade cultural e social segundo a embrapa são 12.356 espécies de plantas nativas já identificadas e para agravar a situação segundo o ministério do meio ambiente mais de 40 da cobertura vegetal originária do cerrado foi completamente convertida para manejo econômico e mais de 50 dos ecossistemas naturais remanescentes estão alterados por alguma exploração inúmeros fatores contribuem para sua degradação e desvalorização que vão desde a pouca disseminação do conhecimento científico da sua biodiversidade e da perda de conhecimento das populações tradicionais até uma agricultura e pecuária extensiva que utiliza espécies exóticas visando um maior lucro imediato o cerrado é ainda considerado o berço das águas brasileiras por dar origem e alimentar as principais bacias hidrográficas do território nacional a exemplo da contribuição de 71 da vazão da bacia do rio tocantins-araguaia que tem 78 de sua área neste bioma e da bacia do rio são francisco onde apesar de 47 da área ser de cerrado esta representa 94 da vazão desta bacia assim como a bacia do paraguai/paraná onde o cerrado ocupa cerca de 48 da área e contribui com 71 da vazão da bacia dados da ana alguns rios das bacias do rio parnaíba xingu madeira e atlântico leste também possuem nascentes no cerrado por deter a maior parte das nascentes de água do brasil tornou-se fundamental para o abastecimento de todo o território nacional contudo se não houver cuidados para sua preservação em pouco tempo poderá passar de fornecedor a importador de água o que já ocorre no df que busca água há 140 km de seu território por não ter água de qualidade disponível o suficiente o que acontecerá daqui há alguns anos se continuarem os processos produtivos que tem ocasionado o assoreamento e a poluição dos recursos hídricos por não haver políticas públicas que assegurem sua preservação o grande risco de extinção deste bioma o levou a ser recentemente incluído na lista dos 25 hotspots mundiais ou seja um dos locais do planeta prioritários para a conservação da natureza devido às suas peculiaridades regionais contudo enquanto cerca de 12 do ecossistema amazônico é protegido na forma de unidades de conservação com áreas superiores a 100 mil ha no cerrado somente 1,5 é preservado na forma de reservas com apenas 10 destas com área acima de 50 mil ha isso significa que as ucs existentes no cerrado não são suficientes para a proteção da sua biodiversidade e que as políticas ambientais seguem favorecendo outros biomas enquanto o cerrado continua em segundo plano o cerrado não pode ser visto apenas como um exportador de produtos mas requer políticas públicas de conservação próprias que caminhem no sentido da sustentabilidade dos seus povos animais frutos e águas senão a extinção deste bioma torna-se inevitável isto não quer dizer que o cerrado vai parar de produzir mas sim irá otimizar sua produção a curto e à longo prazo a decisão de considerar o cerrado um patrimônio nacional com a pec 115/95 já chegou tarde contudo mais tarde está sendo ainda a data para sua aprovação pois há 12 anos já tramita no congresso nacional hoje não bastará aprova-la mas serão necessárias políticas sérias para a recuperação e o uso das áreas degradadas e para o fomento do agroextrativismo no cerrado como forma de valorizar sua biodiversidade dados da embrapa informam que existem 60 milhões de hectares de áreas degradadas por pastagens no cerrado as quais poderiam ser reutilizadas em vez de se abrir novas áreas de cerrado nativo aprovar a pec não traz nenhum tratamento extraordinário ao cerrado senão passa a tratá-lo de forma igualitária aos demais biomas pela legislação brasileira contudo aprova-la é mais que um dever é o primeiro passo para se pagar uma dívida ambiental nacional todos podem e devem contribuir para a aprovação da pec 115/95 pelo congresso nacional participando do processo de mobilização nacional que desde 15 de agosto deste ano é encabeçado pelo grupo de trabalho do cerrado da frente parlamentar ambientalista diversas ações são realizadas em prol da aceleração da aprovação a exemplo das audiências públicas realizadas e do manifesto em circulação para recolher assinaturas de parlamentares participe deste movimento divulgue e solicite aos parlamentares a aprovaÇÃo da pec 115/95 i agroextrativismo no cerrado 7

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a ciganada do cerrado a ciganada do cerrado tem história e estória criei esta expressão para designar os grupos das diversas organizações governamentais e não-governamentais que trabalham com as comunidades do bioma cerrado a imagem está associada à minha infância vivida com minha família num povoado no oeste da bahia onde repentinamente um bando de ciganos chegavam faziam pequenos negócios escambos e arribavam novamente eram nômades assim como todas histórias essa também pode começar assim semíramis pedrosa de almeida pesquisadora aposentada da embrapa era uma vez a primeira década de 1980 um grupo de pesquisadores e parceiros iniciaram suas atividades que formariam a base do conhecimento sobre o cerrado em pé a construção deste conhecimento é feita aos poucos junto à própria população que vivia neste bioma o primeiro passo foi realizar um levantamento das plantas do cerrado que estas comunidades utilizavam resultando numa lista com as espécies com potencial econômico n por fim com tanto diversos grupos conhecimento acumulado chegou o momento de sistematizá-lo e de várias organizações publicá-lo então começou uma governamentais e fase de grande produção de artigos não governamentais livros cartilhas e folders algumas entenderam que destas publicações tinham formato os resultados das e linguagem acessíveis ao público pesquisas existentes das comunidades rurais paralelamente nestas três sobre o cerrado teriam décadas trabalhamos para a que chegar às pessoas disseminação deste conhecimento que viviam no bioma e em jornais revistas televisão e estavam excluídas do rádios comunitárias partindo da conhecimento gerado premissa de que para valorizar o nos meios acadêmicos cerrado é imprescindível conhecêaí começa a revoada lo É então neste momento da ciganada e por que surge se estrutura e se uma razão muito movimenta a ciganada do simples e prática a cerrado diversos grupos de várias conservação de áreas organizações governamentais e de cerrado não-governamentais entenderam que os resultados das pesquisas existentes sobre o cerrado teriam que chegar às pessoas que viviam no bioma e estavam excluídas do conhecimento gerado nos meios acadêmicos aí começa a revoada da ciganada e por uma razão muito simples e prática a conservação de áreas de cerrado as comunidades da área rural tinham áreas nativas potenciais para serem conservadas mas não sabiam nem para quê nem como conservá-las já as instituições detinham todas as ferramentas do conhecimento científico e técnico para efetuar ações de conservação do bioma então juntou a fome com a vontade de comer e assim estamos nessa fase de encontro entre o importante conhecimento científico e a valiosa sabedoria popular i agroextrativismo no cerrado 8 e o que há de concreto atualmente convencimento da importância do bioma por sua alta biodiversidade pelo consumo e comercialização de produtos pelas várias e pequenas agroindústrias montadas empregando mão-de-obra e gerando renda inicia-se agora a promissora prática de fortalecimento de parcerias com associações de produtores empresas do agronegócio e governos municipal estadual e federal para o cumprimento do que reza o código florestal brasileiro o uso dos mecanismos de compensação dos déficits de reserva legal nas propriedades rurais do bioma contudo falta algo muito importante o reconhecimento na constituiÇÃo federal do bioma cerrado como patrimÔnio nacional e a ciganada do cerrado continua crescendo para o bem do bioma cerrado e também dos cerratenses semíramis pedrosa de almeida palestrando em assentamento do nordeste goiano o passo seguinte foi verificar o local de ocorrência destas espécies e assim identificaram as diversas fitofisionomias ou formações vegetais do cerrado posteriormente resultados de muitos projetos em ecologia fenologia biologia reprodutiva e outros foram agregados a esse acervo que complementados ao estudo de coleta e germinação de sementes de espécies consideradas prioritárias facilitaram a produção de mudas e a formação de diversos viveiros estes viveiros hoje fornecem mudas nativas para recuperação de áreas degradadas e enriquecimento de áreas nativas nome popular araticum nome científico annona crassiflora mart ocorrência cerrado cerradão usos alimentícia medicinal aproveitamento alimentar polpa consumida in natura geléias doces sucos sorvetes licores receios para bolos e bombons de chocolate iogurtes

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a identidade do agroextrativista no cerrado deborah a frança antropóloga À luz destas reflexões coletivas percebia-se a identificação dos urante o seminário agroextrativismo no cerrado construindo uma metodologia participativa de participantes com os atores sociais acima descritos e portanto o capacitação veja reportagem na página 16 houve surgimento da auto-denominação agroextrativista dos participantes várias exposições e palestras em um sistema metodológico admirável com enorme empolgação em se tornarem multiplicadores não só produtores coletores artesãos agentes de desenvolvimento rural da técnica ou profissionalização da categoria mas de multiplicar o eram palestrantes e público concomitantemente tendo como valor deste modo de vida e sua contribuição para a preservação do participação especial pesquisadores técnicos do governo e de ongs cerrado a mobilização socioambiental para conservação do cerrado ambientalistas a admiração se dá pelo fato de que a metodologia de capacitação foi realmente participativa com intensa intervenção de proposta pela ecodata em conjunto com agroextrativistas pesquisadores técnicos do governo e outras ongs ambientalistas quem vive a realidade do agroextrativismo entretanto uma questão se pôs ao grupo durante as busca além da capacitação e do reconhecimento do profissional do apresentações palestras e trocas de experiências nenhum dos agroextrativista elucidando o modo de vida desta identidade mas a discussão sobre quais condições e suportes legais participantes se auto-denominou agroextrativista esta denominação são necessários e imprescindíveis para a atuação após algumas discussões sobre a questão vários `agroextrativista do agroextrativista muito ainda há por fazer e participantes afirmaram que esta denominação é nova para a população que colonizou o cerrado conquistar a exemplo da criação de reservas é nova para a vários frutos e potenciais medicinais deste bioma extrativistas no cerrado e da expansão do icms população que ainda são desconhecidos para muitos tendo em colonizou o cerrado ecológico para grande parte dos municípios com vista o modo de ocupação agroeconômica da áreas legalmente protegidas conforme discutiram região baseado em desmatamentos e desvalorização da vegetação no seminário e população nativa o futuro desta mobilização socioambiental no cerrado um dos impactos do avanço da ocupação agrocomercial do já é percebido com prosperidade mas os agroextrativistas do cerrado é a desigualdade social o abismo entre os latifundiários cerrado ainda têm muito a percorrer inspirados nos povos da e a população assalariada local esta última com baixos salários é floresta busca-se fazer valer a identidade do agroextrativista impulsionada a atividades de subsistência onde entram em contato e de seu modo de vida inerente com a preservação da natureza com povos tradicionais da região trocam conhecimentos e possibilitam para assim conquistar poder político e intervir em leis nacionais a minimização dos impactos ambientais por meio da valorização e o caminho já esta aberto e bem trilhado basta apenas extração dos potenciais do cerrado e consequentemente por meio perseverança e confiança no poder de ação e intervenção do de seus modos de vida pautados na preservação da natureza por movimento popular organizado dependência da mesma para sua sobrevivência d i agroextrativismo no cerrado aliança dos povos da floresta afirmação de uma identidade comum a história do movimento socioambiental na amazônia foi relembrada na oficina sobre identidade do agroextrativista a articulação entre povos indígenas e população tradicional levou ao surgimento da aliança dos povos da floresta que defendia o direito de conservar o modo de vida dependente da floresta em contraposição ao avanço predatório das frentes de expansão de fronteiras econômicas a defesa do modo de vida sustentável e dependente da floresta foi o propósito crucial para o estabelecimento desta aliança que gerou ou explicitou um movimento de afirmação de uma identidade comum mesmo diante das diferenças dos segmentos sociais envolvidos deste movimento resultou o fortalecimento da voz e da intervenção do segmento popular na criação de políticas públicas como por exemplo a proposta de regularização fundiária que visava unir reforma agrária e conservação ambiental as reservas extrativistas resex e novas alternativas de projetos de assentamentos sustentáveis e coletivos devaci chagas quebrando baru na comunidade de placa pirenópolis go nome popular arnica nome científico lychnophora sp ocorrência campo rupestre usos aromático cosmético ornamental medicinal tanífero contém helenalina uma lactona que é princípio ativo de antiinflamatórios provenientes de contusões 9

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agroextrativismo no cerrado ocupação intensa e desordenada do bioma a partir da década de 70 estimulada por políticas e programas de expansão da fronteira agrícola com enfoque na produção de grãos para exportação trouxe trágicas conseqüências para o bioma cerrado a irreparável perda da biodiversidade da fauna e flora a desvalorização das culturas regionais os processos de compactação e impactos sobre o solo e a poluição dos recursos hídricos através do descarte e deposição irregular de lixo e uso indiscriminado de agrotóxicos vem restringindo a disponibilidade de seus recursos naturais outras atividades de impacto socioambientais negativos como a mineração e irrigação mal planejadas construção de grandes reservatórios o avanço dos desmatamentos e queimadas destacamse no bioma além da ocupação humana e o empobrecimento das comunidades rurais donizete tokarski eng agrônomo elisa meirelles eng florestal noara pimentel eng florestal a por outro lado o cerrado é diferenciado com particularidades próprias fauna característica e composto por diversas formas de vegetação desde campos abertos passando pelo cerrado propriamente dito até as formações florestais como cerradão matas ciliares matas de galeria e florestas estacionais todo este conjunto vislumbra um enorme potencial de uso e aproveitamento tanto de frutos como de plantas medicinais ornamentais apícolas resiníferas oleaginosas artesanais madeireiras e outras antigamente as crianças da roça não precisavam andar muito para encher as mãos de pitangas mangabas cagaitas gabirobas e cajuzinhos do cerrado hoje além da falta de informação e divulgação sobre a riquíssima composição nutricional dessas frutas é cada vez mais difícil encontrá-las disponíveis na natureza na bacia do alto tocantins ainda existem áreas significativas com vegetação nativa de cerrado devido principalmente ao tipo de relevo que impede o desenvolvimento de extensas culturas agrícolas convencionais por esse motivo estão presentes diversas categorias de unidades de conservação nesta região apesar de uma parcela da população rural consumir produtos advindos das riquezas do cerrado e comercializarem produtos agroextrativistas em baixa escala e de forma artesanal ainda existem pessoas que tem vergonha de comer esses frutos e outras que movidas por crenças populares ou preconceitos evitam esses alimentos sem mesmo conhecê-los um exemplo é a cagaita eugenia dysenterica espécie do cerrado que frutifica nos meses de outubro a dezembro e que não pode ser ingerida em grandes quantidades ou quando expostas muito tempo ao sol pois fermentam e podem causar disenteria depoimentos de pessoas da região chegaram ao ponto de dizer que esta fruta pode até matar como mata o gado dar dor de cabeça etc mas ao contrário ela é muito saborosa e pode ser usada em saladas e geléias quando verde e para fazer sorvetes sucos e picolés quando madura além de seu valor nutricional o pequi que por anos se configurou como o mais importante produto extrativista do cerrado vem dividindo posição com outras espécies potenciais a exemplo do baru dipterix alata esta árvore produz grande quantidade de frutos entre os meses de agosto a outubro intercalando anos produtivos com anos de baixa produtividade os frutos podem ser aproveitados de forma integral obtendo-se os mais variados produtos com a polpa parte externa do fruto pode-se fazer a cachaça e a farinha além de ser muito apreciada pelo gado com a parte mais dura do fruto é possível produzir o carvão vegetal das sementes in natura obtém-se o óleo vegetal e o licor de baru a torta resultante da extração do óleo atualmente é utilizado como suplemento animal as sementes torradas são consumidas ou utilizadas na forma de barrinhas de cereais rapaduras bombons bolos e outros o fruto íntegro é trabalhado por artesãos que os transformam em biojóias com auxílio de diversos metais esta gama de utilização e de produtos é realizada por associações por pequenos produtores rurais e empresários diferenciados que estão investindo no segmento de negócios sustentáveis a demanda por produtos naturais à base de espécies nativas diferenciadas na textura cheiro e composição nutricional é crescente no mercado e tem conquistado mais adeptos que identificam nestes produtos uma forma de alimentação mais saudável e equilibrada a região de pirenópolis go pioneira no estímulo da utilização comercial da castanha torrada de baru hoje colhe alguns frutos destas ações como a unidade de beneficiamento do povoado de santo antônio implantada pelo centro de estudos e exploração sustentável do cerrado cenesc e também o crescimento de pequenas unidades familiares de produção aquecendo o mercado local em colinas do sul go região rica em baruzeiros e outras espécies do cerrado da chapada dos veadeiros a associação de guias em ecoturismo no desenvolvimento ambiental sustentável agendas iniciou seus trabalhos com espécies nativas depois da realização de um curso sobre aproveitamento de frutos do cerrado no município em 2003 coordenado pela pesquisadora semíramis almeida da embrapa pelo projeto conservação de manejo do bioma cerrado cmbbc e apoios da universidade de brasília finatec e ibama a associação adquiriu uma máquina elétrica para quebrar o baru com o apoio do cmbbc e realiza outras atividades como coleta de mangaba cagaita jenipapo e buriti para comercialização de suas polpas e doces em formosa go as experiências com o baru iniciaram em janeiro de 2003 sendo criada a associação dos empreendedores solidários do vale da esperança assesve em 2004 a experiência teve por objetivo a i agroextrativismo no cerrado 10 nome popular baru usos ornamental madeireiro alimentício medicinal forrageiro melífero aproveitamento alimentar polpa consumida in natura geléias doces licores castanha pode ser torrada doces paçocas cachaças Óleo da amêndoa é medicinal antireumático e regulador da mestruação nome científico dypterix alata vog ocorrência mata seca cerradão cerrado

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produção de alimento a preservação do meio ambiente geração de renda e organização e reconhecimento do assentamento foram firmadas parcerias para o aproveitamento dos frutos do cerrado a aceitação do produto no mercado e a preservação do meio ambiente as maiores dificuldades e desafios encontrados foram a comercialização obtenção de recursos o individualismo transporte dos produtos assistência técnica adequada organização da produção sair da informalidade gerar renda e adquirir o registro do produto no ministério da agricultura pecuária e abastecimento mapa para realizar sonhos a união da família é a base para a permanência do homem no campo pedro antunes presidente da associação em goiânia atualmente a cooperativa mista de agricultores familiares extrativistas pescadores vazanteiros e guias turísticos do cerrado coopcerrado que comercializa a marca empório do cerrado atua com os produtos derivados do baru e faveira o empresário genaro salvemini comercializa o baruzzeto licor de baru e a savana brasil licor de pequi com a marca nonna pascoa em jussara go o micro empresário vilmar rabelo se interessou pelo baru depois que conheceu o processo de beneficiamento do empresário genaro e atualmente está desenvolvendo um novo produto da polpa a cachaça de baru no nordeste goiano região do vale do paranã município de damianópolis há seis anos um grupo de agricultores liderado por geovanda brandão e seu marido joão justino buscaram na riqueza do cerrado fonte de renda e um estímulo para continuar vivendo começaram vendendo o pequi que é abundante na região em goiânia depois com o apoio do cmbbc ibama local e sebrae montaram e implementaram a associação dos produtores e beneficiadores de frutos do cerrado benfruc que com muitas dificuldades e vencendo barreiras e críticas desconfianças e o próprio preconceito local atingiram o mercado comercializando seus produtos com duas sorveterias de goiânia e a sorbê de brasília além da participação em várias feiras realizadas em goiânia e brasília este iniciativa em três anos mobilizou além dos 10 associados aproximadamente 80 pessoas dos municípios de damianópolis como dos vizinhos mambaí e sítio d abadia go no período da safra estas pessoas ficam encarregadas do processo de coleta dos frutos do cerrado enquanto os associados ficam encarregados do processamento e escoamento da produção para 2008 devido ao sucesso da atividade a associação vai ampliar o número de participantes passando de 10 para 70 e transformar a associação em uma cooperativa segundo informações da gerente da Área de proteção ambiental nascentes do rio vermelho ibmbio local maria mirtes está em andamento a proposta de criação de uma reserva extrativista na região para assegurar a sustentabilidade já que é uma área de expansão da fronteira agrícola atualmente a benfruc comercializa polpas de cagaita mangaba caju araticum buriti mama-cadela coco azedo pequi e outras além de fabricar a farinha de pequi e de jatobá geléias de cagaita e araticum e o óleo do pequi e de sua castanha o preço das polpas por kg e dos produtos variam de r 5,00 a r 10,00 reais o faturamento mensal por associado saltou de aproximadamente r 60,00 reais no primeiro ano para cerca de r 680,00 no terceiro ano de produção demonstrando que a atividade extrativista é promissora e sustentável na medida em que estas comunidades enriquecem suas áreas com plantios das sementes retiradas dessas frutas e protegem sua riqueza que é o cerrado em pé no município de ceres go região do rio das almas o professor nicodemos camilo ferreira da escola agrotécnica e consultor da prefeitura trabalha há 12 anos com produtos do cerrado fazendo curso de aproveitamento alimentar de frutos e comercializando picolés de frutas do cerrado com a marca vigor do cerrado produz rapadura de baru buriti bolos e biscoitos de jatobá tem fabricado picolés tanto da castanha do baru como da polpa além de outros tamanha utilidade e riqueza nutricional a polpa do baru apresenta valor calórico de 300 kcal/100g com 63 de carboidratos 5,59 de proteína e 29,5 de fibra total a castanha apresenta valor calórico 476 a 560 kcal/100g com 40,2 de lipídeos e 29,6 de proteína vem alcançando mercados institucionais sendo incorporada à merenda escolar de escolas públicas de goiânia e jussara É considerada como uma das sete fortalezas1 da slow food movimento que surgiu há 14 anos na itália contrário aos fast foods sanduíches servido nas grandes redes de lanchonetes onde seus adeptos adotam a filosofia de comer sem pressa apreciando o alimento valorizando pratos típicos e ingredientes locais produzidos de modo artesanal cada espécie do cerrado tem características peculiares e formas específicas para coleta beneficiamento e armazenamento durante todo o ano as árvores do cerrado estão florindo e frutificando na época seca predominam frutos que se abrem liberando as sementes como angico chichá copaíba aroeira ipês jequitibás na época chuvosa predominam as sementes protegidas por frutos carnosos como araticum curriola pequi cagaita mangaba murici cajá e outros as tecnologias envolvidas no processamento da maior parte dos frutos do cerrado são tecnologias apropriadas para realidade produtiva local o despolpamento dos frutos ocorre com facas peneiras pilão e outros equipamentos adaptados como a despolpadeira mecânica do baru a coleta dos frutos varia muito conforme a parte utilizada da planta e também do seu porte e área de ocorrência enquanto os frutos da cagaita são coletados no pé os frutos de baru devem ser coletados no chão para coletar os frutos do buriti é necessário experiência em escalada de árvore e equipamentos adequados a casca do barbatimão também deve ser retirada com critérios para não danificar ou condenar à morte o indivíduo explorado diante do nível de degradação e do modelo de ocupação adotado para o bioma cerrado estas informações deixam mais do que claro que o agroextrativismo aponta como um potencial para a geração de renda e uso sustentável dos recursos naturais deste bioma sendo necessária a garantia de políticas públicas específicas que aumente os estudos sobre as espécies nativas e suas utilizações que garantam territórios e acesso as famílias agroextrativistas por exemplo criação de reservas extrativistas além de programas de incentivo à reposição dos estoques produtivos i agroextrativismo no cerrado as fortalezas foram criadas para proteger os produtores de pequena escala e para salvar produtos artesanais de se extinguirem hoje há 200 fortalezas na itália 91 no resto do mundo e sete no brasil a saber guaraná nativo néctar de abelhas umbu palmito jussara feijão canapú baru e arroz vermelho slow food foundation for biodiversity 1 nome popular buriti nome científico mauritia flexuosa linn f ocorrência mata de galeria vereda usos ornamental alimentício artesanal medicinal oleaginoso tanífero aproveitamento alimentar polpa consumida in natura geléias doces sucos vitaminas sorvetes 11

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políticas públicas para o agnaldo moraes mestrando agronegócios unb elisa meirelles eng florestal agroextrativismo recente especialmente a partir dos anos de 1990 os debates tais como planejamento integrado da propriedade a conservação de solo sobre a urgência de uma política de desenvolvimento e água o manejo integrado de pragas a produção diversificada a inclusão sustentável e solidário para o resgate social do meio rural de atividades florestais e extrativistas o aproveitamento multifuncional de os movimentos sociais identificados com as bandeiras dos faixas vegetadas com espécies nativas entre cultivos o plantio direto a trabalhadores rurais agricultores familiares extrativistas e populações integração lavoura-pecuária e a criação de animais silvestres tradicionais que habitam os territórios rurais do brasil ainda no mma por meio da secretaria de na década de 1980 dirigem suas ações para adquirirem um novo papel na extrativismo e desenvolvimento rural sustentável começa a ser gestada sociedade globalizada sedr vem sendo elaborado um projeto piloto para uma nova concepção estímulo aos extrativistas dos biomas brasileiros para as lutas pela reforma agrária e por uma política de desenvolvimento pública diferenciada para a agricultura familiar são tanto estão realizando seminários regionais para sob a luz de uma outra seleção de produtos e posterior ações de fomento às históricas transformando o programa de crédito especial para a reforma agrária procera na cadeias produtivas dos produtos selecionados também economia de forte formulação e implementação do programa nacional de estão criando um novo conceito cadeias de valor da componente sóciofortalecimento da agricultura familiar pronaf sociobiodiversidade 2 onde os produtos florestais nãoambiental nesse estudos realizados no âmbito do projeto madeireiros pfnms as madeiras oriundas do manejo 1 rurbano apontam para o surgimento de uma nova cenário ganha destaque florestal sustentável e os demais serviços ambientais dos o uso racional dos ruralidade em cujas bases estariam preocupações com ecossistemas estão englobados recursos naturais em o meio ambiente as representações acerca do território a diversidade das espécies do cerrado tem gerado nacional e o papel da agricultura no desenvolvimento amplas discussões a respeito das cadeias produtivas articulação com as assim como a busca de soluções para as crises sociais de atividades agrícolas no desses produtos os ministérios do meio ambiente emprego associadas às transformações estruturais dos do desenvolvimento agrário e do desenvolvimento interior das unidades setores agrícolas e industriais social com apoio de outras instituições vem realizando familiares como pensar o desenvolvimento do mundo rural apenas seminários regionais nos seis biomas brasileiros coletando alternativa para fazer informações das diferentes comunidades envolvidas em função da agricultura gera um olhar anacrônico frente ao crescente sobre a realidade a partir da revolução verde e na sua com a sociobiodiversidade buscando contribuir para o esteira do agribusiness vimos a produção e produtividade empobrecimento das desenvolvimento de mercados sustentáveis e agregação agrícola aumentar vertiginosamente levando à de valor às cadeias de produtos da sociobiodiversidade comunidades rurais concentração da renda no campo ao desemprego via para os biomas cerrado e pantanal foi realizado o agroextrativismo é mecanização da agricultura e a exclusão de pequenos em outubro de 2007 o ii seminário regional onde as uma alternativa que produtores e agricultores familiares não capitalizados cadeias produtivas prioritárias foram escolhidas pelos começa a ser incluída critérios de significância social importância econômica surge então a necessidade de se criar alternativas de nos programas e geração de trabalho e renda para as populações rurais relevância ambiental representatividade territorial e setores organizados da sociedade fizeram constar ações governamentais inserção em políticas já existentes são estas 1 fruteiras entre as deliberações da 2ª conferência nacional de 2 mel de melíponas apis e derivados 3 fitoterápica para a promoção do meio ambiente realizada em 2005 a necessidade 4 animais silvestres 5 plantas ornamentais 6 desenvolvimento de se promover políticas públicas e apoiar projetos Árvores e arbustos ornamentais 7 ecoturismo de base voltados para o uso sustentável dos recursos naturais sustentável e solidário comunitária 8 artesanato 9 espécies madeireiras 10 dos territórios rurais e fortalecer as populações tradicionais que manejam serviços socioambiental de base comunitária de forma ainda adequadamente os recursos ambientais dos biomas o resultado final do seminário foi o no caso do cerrado ainda em 2005 por meio encaminhamento das propostas elaboradas e discutidas tímida mas com do decreto 5.577 o ministério do meio ambiente iniciativas importantes sobre os temas extensão rural linhas de crédito e mma institui o programa nacional de conservação e fomento organização social e produtiva pesquisa que merecem ser uso sustentável do bioma cerrado ­ programa cerrado e tecnologia e marcos regulatórios estas propostas valorizadas sustentável entre as ações programáticas destacam-se serão apresentadas no seminário nacional que deve · adequar os projetos de reforma agrária às potencialidades acontecer em 2008 para definir juntamente com as propostas dos da conservação e uso sustentável incluindo áreas de manejo coletivo outros biomas aquelas que serão prioritárias para a política nacional de incentivando o agroextrativismo e agilizando o licenciamento ambiental produtos da sociobiodiversidade 1 o projeto rurbano é o esforço de alguns pesquisadores coordenado pelo prof josé graziano dos assentamentos da silva que pretende analisar as principais transformações ocorridas no meio rural brasileiro nas · capacitar recursos humanos para o manejo sustentável de últimas décadas 2 definida como sistema constituído de atores interrelacionados e pela sucessão de processos de produção transformação e comercialização de um produto ambientalmente recursos naturais incluindo as comunidades e o conhecimento local correto e que seja fundamental para o desenvolvimento social de agricultores familiares e · disseminar boas práticas de produção agropecuária e silvicultural comunidades tradicioinais ii seminário regional cadeias de produtos da sociobiodiversidade agregação de valor e consolidação de mercados sustentáveis 1 a 3/10/2007 goiânia go É i agroextrativismo no cerrado 12 nome popular cagaita nome científico eugenia dysenterica mart ex dc ocorrência cerrado cerradão usos ornamental alimentício medicinal tanífero ornamental aproveitamento alimentar polpa consumida in natura geléias doces sorvetes sucos licores.

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plano de negócios no julio lizárraga ramírez eng agronomo agroextrativismo os últimos anos tem se utilizado o planejamento como ferramenta fundamental para a tomada de decisões de caráter comercial relacionadas com as cadeias produtivas da agricultura e pecuárias o que foi denominado planos de negÓcios ou simplesmente agronegÓcios nas cadeias produtivas do agroextrativismo não poderia ser diferente pois o mercado para os produtos obtidos nesta atividade particularmente na biosfera do cerrado vem ganhando um espaço considerável em nível local nacional e internacional o que obrigará aos agroextrativistas a adotarem ferramentas de planejamento entre elas os planos de negÓcios no agroextrativismo n existindo saldo positivo equivalente ou superior a 20 entre despesa e renda o plano é lucrativo ou seja é um plano de negocio rentÁvel caso o saldo seja menor que 20 deve realizar-se uma revisão dos custos de produção e expectativa de venda dentro de limites toleráveis de redução ou aumento que não podem ultrapassar os 10 para menos ou mais caso se apure um valor próximo de 15 o plano É de risco se for menor de 10 o plano É inviÁvel de maneira muito sumária chamamos a atenção a seguir os aspectos mais relevantes que devem ser considerados na feitura dos planos de negÓcios i agroextrativismo no cerrado 1 objetivo descrever de forma clara e concreta a intenção de produzir e comercializar quantidades de produtos extrativos do cerrado em um determinado período 2 mercado apontar o destino de distribuição e venda dos produtos indicando se possível os prováveis distribuidores e compradores especificando os períodos de entrega e quantidades respectivas 3 apoio e parcerias listar as instituições e organizações governamentais não-governamentais privadas e outras que apóiam e ou atuam com as atividades agroextrativistas com serviços recursos materiais humanos financeiros legais etc 4 descriÇÃo das atividades descrever em ordem cronológica e seqüencial as atividades componentes das diversas etapas da cadeia produtiva indicando as tarefas respectivas operações a tecnologia utilizada ferramentas utensílios equipamentos máquinas materiais de proteção embalagens e outros materiais necessários à execução das operações 5 apropriaÇÃo de custos de produÇÃo este item é de vital importância tendo em vista que irá sinalizar a fixação do valor mínimo de referência para comercialização dos produtos e será a base do negócio a composição dos custos a serem praticados durante a execução das atividades deve refletir rigorosamente todos os itens previstos tais como administração do empreendimento mão-de-obra ferramentas materiais aluguéis energia água etc que serão necessários em cada operação a mão-de-obra própria e familiar deve ser computada com valores praticados no local ou na região 6 balanÇo financeiro fixar o valor de expectativa de venda por unidade produzida que vem a ser a renda e cotejar com o custo de produção apurado que vem a ser a despesa este balanço financeiro ou cotejo representará o saldo do plano e indicará a viabilidade financeira do plano nome popular cajuzinho-do-cerrado nome científico anarcadium humile mart ocorrência cerrado campo sujo campo limpo usos alimentício medicinal melífero tanífero aproveitamento alimentar polpa consumida in natura sucos licores e doces castanha torrada 13

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projeto fruto do convênio ecodata e mte construÇÃo de metodologia participativa para capacitaÇÃo em agroextrativismo no cerrado ecodata por meio do diálogo com técnicos do setor público e privado autoridades produtores rurais assentados pesquisadores e membros da sociedade civil organizada desenvolve projetos e programas na bacia hidrográfica do alto tocantins que resultem em ações efetivas para atender às necessidades destes públicos e a conservação e uso sustentável do meio ambiente a crescente demanda desses atores pelo conhecimento e o desenvolvimento de atividades relacionadas ao agroextrativismo agroflorestas produção sustentável no cerrado associativismo/cooperativismo e arranjos produtivos locais foi um dos motivos para a elaboração de metodologia participativa para a capacitação em agroextrativismo no cerrado proposta neste projeto a idéia surge no programa de capacitação e educação ambiental realizada pela ecodata entre 2006 e 2007 na bacia hidrográfica do alto tocantins documentado na edição nº 1/ano x-brasília 2007 da revista ecodata mais de 1.000 pessoas participaram do programa e apontaram a produção sustentável no cerrado como um dos principais temas de interesse para capacitação assim dando continuidade às atividades desta ong no cerrado especialmente na bacia do alto tocantins a ecodata empreende um projeto com o foco a na valorização e conservação do cerrado por meio do agroextrativismo qualificação social para apropriação de protagonismo no desenvolvimento sustentável em agroextrativismo na bacia hidrográfica do alto tocantins ­ elaboração de metodologia participativa É firmada a parceria com o ministério do trabalho e emprego mte com recursos do fundo do amparo ao trabalhador fat através do departamento de qualificação da secretaria de políticas públicas de emprego deq/sppe no âmbito do plano nacional de qualificação ­ pnq na linha de ação do proesq ­ projetos especiais de qualificação os proesqs são implementados por meio de convênios firmados entre o deq/sppe/mte e entidades sem fins lucrativos de caráter nacional ou regional com comprovada especialidade competência técnica e capacidade de execução no campo da qualificação social e profissional que se disponham a desenvolver projetos cujos resultados favoreçam o aperfeiçoamento e a universalização das políticas públicas de qualificação e de sua gestão participativa implementados em escala regional as atividades se desenvolveram ao longo de 14 meses entre dezembro de 2006 e fevereiro de 2008 e envolveram cerca de 200 pessoas de mais de 29 municípios de goiás e mato grosso e 4 regiões administrativas do df uma equipe multidisciplinar coordenou e executou as cinco fases do projeto i agroextrativismo no cerrado 14 reunião de planejamento do projeto com equipe e colaboradores da esquerda para direita donizete tokarski agnaldo moraes noara pimentel julio ramírez elisa meirelles daniela pinto e semíramis p de almeida este projeto teve por objetivo construir metodologia e tecnologia de qualificação social e profissional de capacitação em agroextrativismo do cerrado de forma participativa envolvendo os próprios integrantes desta cadeia produtiva coleta beneficiamento industrialização e comercialização nome popular a equipe do projeto e colaboradores integrar a equipe foi um desafio que rendeu bons frutos e parcerias a coordenação ficou aos cuidados de elisa meirelles que junto com noara modesto pimentel ambas engenheiras florestais e mestrandas em ciências florestais da universidade de brasília ­ unb elaboraram o conteúdo técnico do projeto e os materiais didáticos destaca-se na equipe a participação da pesquisadora aposentada da embrapa semíramis pedrosa de almeida que desde 1978 desenvolve pesquisas sobre os frutos do cerrado o projeto contou com a equipe operacional e administrativa da ecodata a consultora da ecodata marcela versiani colaborou na identificação e mobilização dos atores da cadeia agroextrativista e na operacionalização das atividades do projeto outros colaboradores foram essenciais para a execução do projeto tais como agnaldo moraes coordenador geral de relações institucionais da sco/mi eloisa belleza pesquisadora da embrapa e laura vasconcelos consultora da chess agronegócios o projeto só foi possível devido ainda à valiosa contribuição dos diversos participantes e organizações presentes em cada uma das atividades nas quais colaboraram com seus saberes experiências e vivências adquiridas no cerrado apontando inclusive suas dificuldades e carências caliandra flor do cerrado nome científico calliandra dysantha benth ocorrência cerrado campo sujo cerradão usos medicinal e ornamental aproveitamento alimentar o chá da raiz é utilizado como regulador menstrual e a flor macerada é externamente empregada para problemas na pele.

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primeira fase identificação e mobilização de atores da cadeia agroextrativista o projeto inicia-se com a identificação e mobilização de atores sociais da cadeia do agroextrativismo no cerrado para mapear e identificar parceiros para a construção da metodologia coletores produtores beneficiadores comerciantes industriais consumidores pesquisadores agentes públicos incentivadores e demais representantes de instituições ligadas à cadeia produtiva foram contatados para conhecer o projeto e fornecer informações sobre suas atividades por meio de questionários entrevistas viagens de prospecção e reuniões preparatórias ver tabela dos atores participantes do projeto nas páginas 39 a 41 além de autônomos artesãos estudantes e produtores rurais 82 instituições estiveram representadas nas diversas atividades do projeto entre associações assentamentos cooperativas empresas ongs organizações de ensino e pesquisa órgãos públicos e outros buscou-se neste trabalho a interação e articulação entre os atores presentes de modo a facilitar oportunidades para a orientação e encaminhamento ao mercado de trabalho ou a outras formas de vínculos de trabalho e geração de renda segunda fase construção da metodologia diversas atividades foram realizadas com o objetivo de discutir mapear as atividades e definir os gargalos da cadeia produtiva o seminário agroextrativismo no cerrado com duração de 2 dias seguido por mais 2 dias de oficinas abriram esta fase em brasília onde se definiu organizou e sistematizou o conteúdo programático da metodologia de qualificação social e profissional através do planejamento participativo ver páginas 16 a 21 posteriormente foi feita uma análise de processos através de 5 laboratórios com 1 dia de duração espera-se com cada onde foram trabalhados a adequação esta metodologia do conteúdo programático ao público contribuir para beneficiário assim os temas prioritários a realização para capacitação foram divididos conforme de cursos de a vocação do público presente em cada um capacitação em dos laboratórios ver páginas 24 a 29 i agroextrativismo no cerrado quarta fase validação da metodologia -c o l nc u o Íd agroextrativismo no cerrado em diversos municípios do bioma e com isso aumentar as oportunidades de emprego e renda com a inserção dos produtos do cerrado de forma sustentável na economia regional além de estimular políticas públicas neste segmento nome popular terceira fase sistematização da metodologia para capacitação a terceira fase consistiu na análise técnica das atividades e informações levantadas para a consolidação e construção da proposta de metodologia neste momento foram necessárias reuniões técnicas e gerenciais para adequação dos eixos metodológicos com a participação dos técnicos do proesq deq/sppe/mte o processo finaliza com a formatação da metodologia de capacitação e com a adequação de uma coletânea técnica para este fim ver páginas 30 e 31 dois cursos de capacitação com 40 horas cada foram ministrados para a validação experimental da metodologia no mês de novembro de 2007 em goiás o primeiro em colinas do sul e o segundo em formosa no total 53 pessoas participaram da avaliação e adequação técnica final da metodologia elaborada ver páginas 32 a 35 quinta fase publicação e distribuição da metodologia a última fase do projeto contemplou a produção publicação e distribuição da metodologia para as instituições atuantes no cerrado ver páginas 36 e 37 o projeto produziu ainda material áudiovisual e calendário agroextrativista para facilitar o planejamento de cursos conforme os frutos da estação ver página 42 te convido a embrenhar-se nas próximas páginas onde percorreremos passo a passo o caminho trilhado nesse projeto conheça os desafios daqueles que escreveram mais um capítulo da história do cerrado usos ornamental candombá nome científico vellozia variabilis mart ex schult ocorrência cerradão cerrado campo ruprestre campo sujo 15

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