A IMAGEM NUA - A desconstrução de estereótipos sobre a nudez pela fotografia naturista.

 

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Propõem questionar o porquê de a nudez ainda, na contemporaneidade, ser um tema que provoca tantas inquietações em nossa sociedade e entender seus conceitos e causas

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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES DEPARTAMENTO DE ARTES CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO ARTÍSTICA JOSÉ ROBERTO MARTINS DA SILVA A IMAGEM NUA: A desconstrução de estereótipos sobre a nudez pela fotografia naturista. JOÃO PESSOA – PB 2009

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ii JOSÉ ROBERTO MARTINS DA SILVA A IMAGEM NUA: A desconstrução de estereótipos sobre a nudez pela fotografia naturista. Relatório de estágio docente apresentado ao professor: Emanuel Guedes Soares da Costa. Como requisito de conclusão da disciplina Prática de Ensino das Artes Plásticas, do Departamento de Artes Visuais da Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa - PB 2009

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iii AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus pelo apoio diário concedido e a amplitude de visão sobre determinadas causas. A minha mãe e avó, Severina e Antonia, pelo amor, doação e por ter me proporcionado o máximo, disponível, na formação da pessoa que sou e no apoio educativo formal. A minha família pelo incentivo, apoio e compreensão na conclusão dessa etapa tão importante da minha vida. Aos amigos (as) das turmas: 2005.1 e 2005.2 de Artes que, durante esses períodos, formaram uma segunda família para mim, criando uma corrente de ajuda e incentivo mútuo, para que ocorresse esse momento de alegria e realização. A José Wagner, Conselheiro Maior da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) pelo apoio e participação ativa nesse Projeto. E a não menos importante ao meu Professor e Orientador Emanuel Guedes, pelo incentivo, apoio, paciência, direcionamentos e críticas, essenciais no desenvolvimento e conclusão deste trabalho. Um jovem competente e ousado, que vai além do estabelecido e o inquestionável, características essenciais aos bons profissionais de hoje. Agradeço muitíssimo a todos e dedico o produto deste trabalho. José Roberto Martins da Silva

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iv “Não existe indecência no corpo humano. Cobrindo-o com vestes, nós é que o tornamos cobiçado e nos excitamos pelo pensamento desviado”. Luz Del Fuego

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v RESUMO Atualmente, observa-se o crescimento e a invasão do nosso cotidiano por um grande número de imagens, com destaque para a fotografia que, tem sido largamente utilizada nas mídias de massa, a exemplo da Internet. Os objetivos desse estudo são: pesquisar, refletir, e discutir a imagem naturista na fotografia. Fazendo uma investigação histórica e imagética sobre o tema, abordando questões correlacionadas, tais como: a nudez na história da arte, o naturismo e a fotografia no contexto naturista. Propõem-se assim, questionar o porquê de a nudez ainda, na contemporaneidade, ser um tema que provoca tantas inquietações em nossa sociedade e entender seus conceitos e causas. E como essas visualidades interferem em nosso cotidiano, colaborando para a desconstrução de estereótipos sobre a nudez, arraigados já algum tempo, em nossa cultura. Palavras-chave: Educação Artística, Arte, Fotografia, Naturismo.

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vi ABSTRACT Currently, there is growth and invasion of our daily by a large number of images, especially the photo that has been widely used in mass media, such as the Internet. The objectives of this study are: to investigate, reflect, and discuss the image naturist photography. Making a historical research and imagery on the theme, addressing related issues such as nudity in art history, naturism and naturist photo in context. It is therefore proposed to question why the nudity even in contemporary times, be a topic that causes so much concern in our society and understand its concepts and causes. And as these visually interfere in our daily life, contributing to the deconstruction of stereotypes about nudity, some time rooted in our culture. Keywords: Art Education, Art, Photography, Naturism.

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vii LISTA DE FIGURAS Fig. 01 - Cartaz do Curso........................................................................................................ 09 Fig. 02 – Discóbolo ………………………………………………………………………… 10 Fig. 03 - Vênus....................................................................................................................... 10 Fig. 04 – Vaso grego................................................................................................................ 11 Fig. 05 - Apolo......................................................................................................................... 12 Fig. 06 – As Três Graças ......................................................................................................... 15 Fig. 07 - Atividade prática dos alunos …………………………………….…........................ 13 Fig. 08 - Atividade prática dos alunos ..................................................................................... 13 Fig. 09 - Atividade prática dos alunos..................................................................................... 14 Fig. 10 - Grupo em atividade .................................................................................................. 14 Fig. 11 - A inocência de um povo..............................…………………………….….............. 15 Fig. 12 - Aproximação.............................................................................................................. 16 Fig. 13 - Grupo Pigmeu ………...................………………….…........................................... 17 Fig. 14 - Jovem mãe pigméia.................................................................................................... 17 Fig. 15 - Debatendo imagens nas culturas................................................................................ 17 Fig. 16 – Garoto Propaganda ................................................................................................. 18 Fig. 17 – Canon ………..............................…………………………….…............................. 19 Fig. 18 - David Backham......................................................................................................... 19 Fig. 19 - Perfume ………...........….….................................................................................... 20 Fig. 20 - Campanha publicitária com a temática da nudez ................................................... 21 Fig. 21 - Campanha publicitária com a temática da nudez .................................................... 21 Fig. 22 - Campanha publicitária com a temática da nudez....................................................... 21 Fig. 23 -Resultado da atividade publicitária............................................................................. 22 Fig. 24 - Resultado da atividade publicitária............................................................................ 22 Fig. 25 - Palestra: Cultura Naturista, com José Wagner.......................................................... 23 Fig. 26- Palestra: Cultura Naturista, com José Wagner.........…………………….…............. 24 Fig. 27 - Imagem exibida na Palestra.. .................................................................................... 24 Fig. 28 – Imagem exibida na Palestra ................................................................................................. 25 Fig. 29 – Debate/ palestra ....................................................................................................... 26 Fig. 30 - Casal naturista.............................................................………………….….............. 27 Fig. 31 - Capa do filme e Luz Del Fuego.............................................................................. 28

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viii Fig. 32 - Luz Del Fuego (Pioneira do Naturismo no Brasil)........…..............….….............. Fig. 33 - Foto de Jorge Barreto............................................................................................. Fig. 34 - Trabalhos de Spencer Tunick ................................................................................. Fig. 35 - Trabalhos de Spencer Tunick.................................................................................. 29 30 31 31 Fig. 36 - Trabalhos de Herb Ritts............................................................................................. 31 Fig. 37- Trabalhos de Herb Ritts.............................................................................................. 31 Fig. 38 – Trabalhos de Jörg Riethausen.......................……………………….…................... 32 Fig. 39 - Trabalhos de Jörg Riethausen................................................................................... 32 Fig. 40 - Trabalhos de Robert Mapplethorpe.................................…...........….…................. 32 Fig. 41 - Trabalhos de Robert Mapplethorpe............................................................................ 32 Fig. 42 - Socializando Imagens .............................................................................................. 33 Fig. 43 - Tambaba – área naturista ....................................................................................... 34 Fig. 44 – Tambaba – chegada, período de adaptação ............................................................. 35 Fig. 45 - Trilha em Tambaba – reconhecimento da área naturista.......................................... 35 Fig. 46 - Ensaio Naturista.........................……...................………………….…................... 36 Fig. 47 - Naturistas em Tambaba ............................................................................................. 37 Fig. 48 - Testando os equipamentos para o ensaio................................................................... 37 Fig. 49 - Banho dos fotógrafos............................................................................................... 38

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ix SUMÁRIO RESUMO............................................................................................................................... V ABSTRACT........................................................................................................................... Vi LISTA DE FIGURAS........................................................................................................... 1 2 3 4 5 5.1 6 INTRODUÇÃO......................................................................................................... ARTE E EDUCAÇÃO: IMPORTANTES PROCESSOS..................................... CULTURA VISUAL................................................................................................. Vii 1 2 4 A IMAGEM NATURISTA NA FOTOGRAFIA.................................................... 6 CONVERSA NUA: SOCIALIZANDO CONCEITOS ACERCA DA NUDEZ. NUDEZ E O TEMPO: DIFERENTES CONCEPÇÕES ATRAVÉS DO TEMPO... NUDEZ E CULTURA: ACEITAÇÃO E RECHAÇO EM DIFERENTES CONTEXTOS............................................................................................................ 15 9 10 6.1 DESNUDANDANDO A PUBLICIDADE E PROPAGANDA: A NUDEZ COMO ELEMENTO EXPRESSIVO...................................................................................... 18 23 7 8 NATURISMO E O NU: PRINCÍPIOS E CONCEITOS...................................... ESTEREOTIPIA, NATURISMO E FOTOGRAFIA: DESNUDANDO RELAÇÕES............................................................................................................... 8.1 9 O ARTISTA NU: A NUDEZ COMO FOCO NA ARTE CONTEMPORÂNEA..... VIENCIANDO A NUDEZ: DESCONSTRUÇÃO DA VISUALIZAÇÃO NU/ NATURISTA............................................................................................................. 10 10.1 11 12 13 EXPOSIÇÃO............................................................................................................. PLANEJAMENTO E MONTAGEM DA EXPOSIÇÃO: “A IMAGEM NUA”...... CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................... ANEXOS.................................................................................................................... ANEXO A – CRONOGRAMA DE AULAS............................................................. ANEXO B – ROTEIRO DO PRIMEIRO MÓDULO................................................ ANEXO C – ROTEIRO DO SEGUNDO MÓDULO................................................ ANEXO D - ROTEIRO DO TERCEIRO MÓDULO................................................ 27 30 34 39 39 40 42 44 45 47 52 58 ANEXO E - ROTEIRO DO QUARTO MÓDULO.................................................... 60 ANEXO F - ROTEIRO DO QUINTO MÓDULO.................................................... 62

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x ANEXO G - ROTEIRO DO SEXTO MÓDULO....................................................... ANEXO H – DIVULGAÇÃO I ................................................................................. ANEXO I – DIVULGAÇÃO II ................................................................................ 64 65 67 ANEXO J – DIVULGAÇÃO III ................................................................................ 68 ANEXO K- DIVULGAÇÃO III ................................................................................ ANEXO M – DIVULGAÇÃO IV.............................................................................. ANEXO N – DIVULGAÇÃO V................................................................................ ANEXO P – MOSAICO DOS FOTOGRÁFOS ........................................................ ANEXO Q – BETO CÂMARA ................................................................................. ANEXO R – EMANUEL GUEDES .......................................................................... ANEXO S – CARLOS JOSÉ .................................................................................... ANEXO U – WELÂNIO HENRIQUE ...................................................................... 69 ANEXO L – TEXTO DA EXPOSIÇÃO ........................................................... 70 71 72 ANEXO O – EXPOSIÇÃO ........................................................................................ 73 73 74 75 76 ANEXO T – ROBERTO MARTINS ......................................................................... 77 78 ANEXO V – CÓDIGO DE ÉTICA NATURISTA .................................................... 79

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1 1 INTRODUÇÃO O presente estudo refere-se ao trabalho de conclusão de curso de licenciatura em Educação Artística realizado no Centro Ciências Humanas, Letras e Artes, na Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Cuja prática ocorreu no CCTA, SL 405, no período de 27 a 30 de outubro de 2009 e no dia 31 do mesmo, na praia de Tambaba, cidade de Conde - PB. Destacando a imagem naturista na fotografia como base da pesquisa e práticas propostas no percurso e estudo da imagem no ensino de arte e na perspectiva da cultura visual. Por meio de discussões sobre a nudez, no contexto histórico das artes visuais e na contemporaneidade, anexa ao uso da fotografia de forma não estereotipada - propondo uma análise visualmente instigante, reflexiva e crítica sobre a temática. Objetivando demonstrar como, no cotidiano, a imagem naturista influencia no contexto visual e cultural no dia-a-dia dos discentes e em nossa sociedade. Nesse estudo, propõem-se ainda, questionar o porquê de a nudez, na atualidade, ser uma temática que provoca tantas discussões em nossa sociedade e entender seus conceitos e causas e como a arte lida com o tema. Enfim, seria a arte um dos caminhos para o entendimento e desmistificação da nudez? Qual a colaboração da imagem naturista, pela fotografia, para a desconstrução de estereótipos arraigados em nossa cultura? A Cultura Visual será destacada nesse contexto, por sua importância e marcante presença no ensino de Arte hoje, assim como, sua inter-relação com o mundo onde o discente e a nossa sociedade transitam. Acrescenta-se ainda, a temática desse trabalho, relações com a fotografia, o naturismo, a arte contemporânea, a publicidade, e a nudez na história da arte. Dando sempre espaço, a prática artística e visual para o entendimento, o desenvolvimento do pensamento crítico e criação dos participantes. Em seguida, serão postos os produtos gerados no percurso desse estudo. Finalizando, são apresentados as considerações finais, referências bibliográficas e os anexos dos documentos usados durante o processo de pesquisa, assim como, os cronogramas e roteiros das aulas.

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2 2 ARTE E EDUCAÇÃO: IMPORTANTES PROCESSOS A arte sempre esteve presente desde os primórdios da humanidade na maioria das construções culturais. Os homens que desenharam nas cavernas na pré-história, aprenderam de alguma maneira as técnicas e agregavam valores místicos as imagens. Acreditando que, apreendendo o bisão pela imagem, quando fossem a caça, o sucesso seria garantindo, visto que se havia “matado” a essência vital do animal. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais, Arte 2001, o ensino e a aprendizagem de arte fazem parte, de acordo com normas e valores estabelecidos em cada ambiente cultural, do conhecimento que envolve a produção artística em todos os tempos. A arte também está presente nas sociedades e em vários tipos de profissões. Conhecer arte é essencial no mundo do trabalho e faz parte do desenvolvimento humano dos indivíduos. Ainda sobre da importância da arte no processo educacional, os Parâmetros Curriculares Nacionais, colocam que: O conhecimento da arte abre perspectiva para que o aluno tenha uma compreensão do mundo na qual a dimensão poética esteja presente: a arte ensina que é possível transformar continuamente a existência, que é preciso mudar referências a cada momento, ser flexível. Isso quer dizer que criar e conhecer são indissociáveis e a flexibilidade é condição fundamental para aprender (PCNs/ Arte, 2001). O conhecimento sensível, por meio da arte, é uma maneira característica e única de aprendizado, que não pode ser proporcionado por outros modos de apreensão da realidade. A forma de ver, sentir, pensar e agir oferecido pela arte faz do nosso relacionamento com o mundo, um contato mais íntimo, criativo e humanizado. Acerca do caráter indissociável no processo educacional, Castro André, Pellegrini e Andrade, (2008, p.1) analisam que: É tamanha a força criadora da arte na vida das pessoas, que poderíamos falar de uma natureza ontocriadora (criadora do ser) na relação que estabelecemos com ela. Além de propiciar ao ser humano um conhecimento singular de si mesmo e do mundo do qual é parte, arte contribui para, ele, dar um vigoroso sentido do humano. Considerando o mundo contemporâneo em que se vive, é possível afirmar que estamos em meio a uma de crise de valores, o que dificulta no cotidiano de atribuir razão a coisas. Isso

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3 é intensificado pelas influências das empresas de informação e entretenimento, que incentivam um modo de vida consumista. Em contrapartida, temos uma variedade de escolhas que seria inviável a algum tempo atrás. O acesso a diferentes culturas amplia nossas referências de mundo e influencia nossos valores. Nesse contexto, a associação entre imagem e cultura é de importância fundamental na cultura visual e se baseiam na interpretação e percepções políticas, econômicas, artísticas e educacionais as quais o sujeito tem acesso e interpreta. Acerca da importância do saber nas imagens, VALENÇA e MARTINS (2007, p.5) apontam que: A interpretação de imagens e obras de arte é um processo dialógico que se constrói socialmente, gerando diversidade e possibilitando deslocamentos perceptivos e conceituais. O caráter atual, pós-moderno e predominantemente subjetivo da arte contemporânea aprofunda vínculos e cria cumplicidades conceituais com a cultura visual. A área de arte também facilita ao educando relacionar-se de forma criativa com outras disciplinas do currículo escolar. De maneira que: “o aluno que conhece arte pode estabelecer relações mais amplas quando estudar um determinado período histórico. Um aluno que exercita continuamente sua imaginação estará mais habilitado a construir um texto, a desenvolver estratégias pessoais para resolver um problema matemático” (Parâmetros Curriculares Nacionais / Arte, 2001). A arte na educação vem recebendo destaque, principalmente, quando se leva em consideração a formação essencial para uma proporcional integração cultural, social e profissional do sujeito na atualidade. Ela coloca em destaque sua eficácia ao proporcionar um individuo criativo, inovador e reflexivo. Num mundo onde se exige do mesmo, várias habilidades para se viver e relacionar-se socialmente. Atualmente, o individuo deve ter uma formação flexível e direcionada para enfrentar as incertezas e resistir às imposições, fragmentações e rapidez que caracterizam o mundo contemporâneo. Nesse sentido, a arte pode ajudar bastante ampliando e conectando cada vez mais as áreas de conhecimentos e o potencial humano de cada pessoa, envolvida nesse processo de aprendizagem.

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4 3 CULTURA VISUAL Nas sociedades atuais, o aumento de imagens tem sido uma constante e invadido o cotidiano das pessoas, criando assim a necessidade de uma reflexão crítica sobre as mesmas em suas diversas possibilidades de comunicação e expressão. É importante perceber e entender as imagens na perspectiva da cultura visual de distintos períodos históricos e, trabalhar no ensino oficial e informal utilizando tais visões. Acerca desta abordagem Nascimento, (2005) 1 coloca que: A cultura visual, como o termo sugere, entende que as interpretações visuais têm uma cultura, as quais afetam tanto o processo de produção como o de recepção. As imagens são construídas a partir de um repertório cultural, forjado no passado, e que, no presente, fixam e disseminam modos de compreenderem historicamente construídos. O termo cultura visual foi cunhado, apartir da publicação do livro: “Cultura Visual, mudança educativa e projeto de trabalho”. De Fernando Hernández2 (2000). Incentivar a pensar as relações com a cultura visual e olhar o mundo com outras perspectivas, sobre nós mesmos e sobre os outros, e de que forma, na visão escolar, esses questionamentos podem ser problematizados e selecionados em projetos de trabalho e de pesquisa. Em relação à contribuição dessa cultura, a jornalista Thais Helena dos Santos, da Agência EDUCABRASIL, analisa: A cultura visual pode contribuir para a compreensão do ser humano e das transformações do mundo. Pode inclusive emancipar o homem, desde a infância até a vida universitária. Essas são algumas das idéias defendidas pelo professor Fernando Hernández, titular da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Barcelona, na Espanha, que mantém uma relação acadêmica com educadores brasileiros desde 1993. 3 A cultura é uma maneira de viver e dá forma e sentido ao nosso mundo, de fato, é a nossa perspectiva de ver e nos relacionarmos socialmente. O trabalho com a cultura visual 1 Disponível em: http://www.artenaescola.org.br/pesquise_artigos_texto.php?id_m=50 Acesso em: 26.10.2009 2 Fernando Hernandez é Doutor em Psicologia e Professor de História da Educação Artística e Psicologia da Arte na Universidade de Barcelona. 3 Disponível em: (http://www.educabrasil.com.br/eb/exe/texto.asp?id=35) Acesso em 16.12.2009.

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5 propõe ser uma relação significativa às interações e características das artes visuais, que transitam entre as belas artes e às performances contemporâneas. É visível a importância da Cultura Visual não apenas como campo de estudo, mas também nas relações com a economia, tecnologia, política e vivências da vida diária, de maneira que, tanto produtores como interprete possam usufruir do seu estudo. Nesse contexto, não há receptores nem leitores, porém, construtores e intérpretes, na proporção em que esse relacionamento não é passivo, mas sim interativo, de acordo com as experiências que cada indivíduo vive no seu cotidiano e se relacionam com essas imagens. Sobre essa cultura visual na educação VALENÇA e MARTINS (2007, p.888) colocam que: Uma educação para a cultura visual não implica na formulação de regras para o olhar e muito menos uma expectativa de generalizar ou „universalizar‟ modos de ver e interpretações, até mesmo porque interpretação e compreensão de imagens são processos que também derivam do repertório de vida e da maturidade cognitiva de cada indivíduo. Na cultura visual, as imagens ampliam o fato em questão, direcionando as várias dimensões da vida humana e produzem um complemento imagético que influência nos comportamentos sociais, simulando sensações e desejos, direcionando as preferências e as escolhas na vida prática das pessoas. Nesse sentido, a força relacionada às imagens, principalmente, quando manipulada pela indústria de consumo, transforma-se em um eminente perigo, produzindo a necessidade de uma educação para a cultura visual, que destaque o desenvolvimento do senso crítico e prepare o individuo para vivenciar e enfrentar os vários obstáculos tais como: poluição visual, mensagens subliminares e a manipulação do inconsciente do psicológico da sociedade, pelo o uso abusivo da imagem. Contudo, essas mesmas imagens, podem ser usadas de forma útil e criativa, no processo de amadurecimento e aprendizagem sócio-cultural do individuo na sociedade contemporânea. Cabe ao educador, conhecer, discernir, experimentar e socializar essas experiências imagéticas e múltiplas com os seus alunos.

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