Informativo - "O Penitenciarista" edição Março/Abril 2014.

 

Embed or link this publication

Description

informativo,Jornal,Museu

Popular Pages


p. 1

O FUTEBOL E O SISTEMA PENITENCIÁRIO. Tanto entre os funcionários como entre os presos, o futebol é de longe a prática esportiva mais apreciada dentro do sistema penitenciário de São Paulo. Times e campeonatos nascem diariamente em todo sistema. E são muitas histórias de jogos memoráveis. No informativo “O Penitenciarista” n° 11 o servidor aposentado Elísio Lobo, nos presenteou com a narração do Troféu da Amizade, ocorrido em 1965. Na Penitenciária do Estado (PE) na dio do serviço de alto-falantes do presídio, todas as segundas e sextas-feiras). Ocorriam ainda jogos com times de fora do estabelecimento penal; em 1985/1986 a seleção da PE enfrentou os juvenis do São Paulo e da Portuguesa de Desportos, além de times conhecidos da várzea como os Milionários, o Torino, o Tabajara, o Rubro Negro e o Democratas. Um jogo memorável para o sistema penitenciário ocorreu em 1991, na Casa de Detenção Profº. Flamínio Favero. Naquele ano, Neto, camisa10 do Corinthians, acabara de ser campeão brasileiro e no final da temporada se reuniu com os amigos do time Milionários que misturava ex-jogadores, como o lateral Zé Maria e o atacante Cesar Maluco e Mauro. Neto e o restante do elenco trataram para ser medicado. Em 2014, com a realização da Copa do Mundo de futebol no Brasil, as interferências do futebol no sistema penitenciário ganharam uma relevância ainda maior. Primeiramente porque a Copa do Mundo movimenta toda a economia. O gigantismo dos números mostra a força do futebol fora do campo movimenta indústria, comércio, turismo, construção civil, telecomunicações e serviços. Até o início do evento surgirão milhares vagas de trabalho, atingindo inclusive o sistema penitenciário. Junto às empresas vencedoras para execução das obras das Arenas por EQUIPE DA PENITENCIÁRIA DO ESTADO 1965 década de 1980, com a máxima: “O esporte, além de educar, alivia a mente conturbada”, foram registrados quase 350 jogadores, organizados na chamada Federação de Futebol da Penitenciaria do Estado (F.F.P.E.). O principal responsável por esta organização era o servidor Wallace Macrini, presidente da F.F.P.E., tendo como suplentes outros dois funcionários encarregados do setor de esporte: Raulino Souza Cruz e Ernesto Palante Júnior, que contavam também com apoio do médico do São Paulo Futebol Clube, Dr. Marco Aurélio Cunha, na doação de troféus e uniformes. Os árbitros eram escalados pela própria Federação Paulista de Futebol, mas raramente algum jogador chegava a tomar cartão vermelho. As notícias sobre esporte tinham difusão por meio do “Resenha do Esporte”. (Nome do programa sobre o futebol levado ao ar, por intermé- Arena das dunas, contou com 145 presos ou egressos. Neto na Casa de Detenção a partida com a seriedade de uma final de campeonato. Os detentos mais ainda. O interesse pelo jogo foi tanto que mal havia espaço para bater lateral, até as janelas das celas que davam para o campo também estavam lotadas de gente. A seleção do Carandiru não deu espaço para os profissionais e marcou em cima os craques. Após o apito do juiz, o clima de confraternização voltou, os jogadores dos times se reuniram para bater um papo, mas Neto começou a passar mal. Os Milionários então tiveram que apressar a saída do presídio e o artilheiro da partida foi levado a um hospital próximo todo o Brasil foi assinado um termo de cooperação técnica entre o Conselho Nacional de Justiça e os Comitês Organizadores Locais que previa que 5% dos postos de trabalho seriam dedicados a detentos, egressos, cumpridores de penas alternativas e adolescentes em conflito com a lei. Mineirão, contou com 96 presos ou egressos. O Penitenciarista • 11 Times que atuaram no Sistema Penitenciário

[close]

p. 2

Sabemos do gosto dos povos pelas práticas esportivas, como natação, equitação, corrida, futebol, assim como tantas outras, que demonstram força e união, embora algumas demonstrarem a individualidade, com momentos únicos e pessoais. A força sem a união, cada um por si, buscando provar interiormente sua mais forte capacidade. No futebol essa busca está alicerçada à união de todos por todos, em busca de um prêmio comum: a vitória. Como o ser humano preso não é diferente. Sabemos que se faz de tudo um pouco e, em alguns casos, muito mais para conseguir um convívio entre presos com presos e entre presos com funcionários na mais completa paz. O esporte faz com que os presos gastem mais energia física e isso ajuda tranquiliza-los, até certo ponto. Desde a inauguração da Casa de Detenção Profº. Flamínio Fávero, que popularmente foi conhecida como a Casa de Detenção do Complexo do Carandiru havia também, como não se pode deixar de contar, um setor específico de esportes e recreação, que servia como uma das atividades de auxílio ao controle do bom andamento e comportamento dos presos dali. O setor de esporte e recreação trazia um sistema simples de funcionalidade: a mola mestre era o futebol. Este por sua vez sabia-se ser a prática de lazer mais comum entre os presos, fácil e rapidamente entendida e compreendida esta prática nas prisões não requer de instalações muito elaboradas, daí o que encontramos, por mais simples que seja, permite que este esporte seja praticado. De outros esportes podemos citar o boxe que era conduzido pelo técnico Lindoarte Patriota e pelo Agente de Segurança Penitenciaria João Ribeiro. Também neste campo haviam as competições chegando alguns presos participarem de um campeonato amador da Federação Paulista de Pugilismo. Na Casa de Detenção, além das partidas de futebol diariamente realizadas era muito comum a realização de campeonatos internos, assim como de campeonatos com times de fora da prisão. É bom frisar que nesses momentos os convidados sempre foram tratados com o maior respeito pelos presos e pelos funcionários. O maior campo de futebol era do O CPP “Dr. Rubens Aleixo Sendin” de Mongaguá teve sua inauguração em 9 de março de 1988. No início foi denominado Presídio de Mongaguá e em seguida Presidio “Dr. Rubens Aleixo Sedin” e por fim passa a ser Centro de Progressão Penitenciaria “Dr. Rubens Aleixo Sedin” de Mongaguá. O estabelecimento penal inicialmente se destinava a presos do sexo masculino de media periculosidade, regimes fechado e semiaberto. E antes mesmo da inauguração a destinação foi alterada a abrigar sentenciados apenas do regime semiaberto. Tendo como principal objetivo proporcionar um caráter mais humano ao cumprimento de pena e visando a reintegração do individuo à sociedade. Para atingir este objetivo foi desenvolvido um projeto intitulado “Projeto Inclusão” Com esse projeto, o período de inclusão passou a ser uma importante ferramenta, ao levar o sentenciado recém-chegado à reflexão, antes do contato com a massa carcerária e possibilitando ao apenado atuar como agente multiplicador entre a população, por meio de suas atitudes diferenciadas. 2 • O Penitenciarista

[close]

p. 3

pavilhão oito e era lá que se realizavam esses jogos, esses campeonatos. Nos campeonatos internos havia uma grande discussão para se realizar os regulamentos, para isso, ocorriam reuniões entre os presos de todos os pavilhões. Essas reuniões eram organizadas pelo setor de esporte e pela Federação Interna de Futebol Amador (FIFA), sempre supervisionado por um funcionário responsável por tal evento. Esse funcionário fazia parte da diretoria de esportes do presídio e podíamos notar que os jogos seguiam sempre a lógica do campo esportivo. Nos idos do ano de 1988, o funcionário Valdemar Gonçalves conhecido respeitosamente pelos presos e por funcionários como “Bin Laden” ou “Véio” ou simplesmente Senhor Valdemar inicia seu controle do setor de esporte e recreação, iniciando assim uma administração permeada por lógica, razão, coesão e satisfação tanto de presos quanto da diretoria. Seu Valdemar finca raiz neste setor que chega ao seu final na partida de futebol que marcou o fim da Casa de Detenção em setembro do ano de 2002. Há de se salientar que este homem com sua maneira simples, de sorriso amarelado, teve uma grande importância no que se refere ao convívio dos presos, não importando qual fora a razão de estarem ali.Ocorreram partidas memoráveis que em épocas atrás chegaram a ganhar a visita de times profissionais de futebol, como o Esporte Clube Corinthians Paulista. Após a desativação daquele presídio, seus habitantes, assim como funcionários foram distribuídos a tantos presídios, restando apenas os lapsos da lembrança. Histórias como essa que a sociedade não pode esquecer. Servidor aposentado do Sistema Penitenciário. Diretor do Museu Penitenciário Paulista entre Fevereiro de 2001 à julho de 2007. Autor: F. V. Leal Título: Descobrimento do Brasil (Cópia) Data: 07/07/1936 Esmael Martins Foi construído por portugueses no final do século XVI, no extremo sul da cidade de Mombasa, no Quênia. Ao longo de uma conturbada história, o Forte mudou de mãos, nada menos que nove vezes, entre portugueses e árabes. O Fort Jesus de Mombasa foi testemunha da primeira tentativa bem sucedida da civilização ocidental para governar os indianos e as rotas comerciais marítimas do oriente. Entre 1837 e 1895, foi usado como quartel, em primeiro de Julho de 1895, sob domínio dos ingleses foi convertido em prisão. As cabanas foram removidas e as células construídas. Com paredes imponentes e cinco bastiões, reflete a teoria da arquitetura militar do Renascimento. O Forte foi um ponto estratégico no intercâmbio de valores culturais e influências entre os povos africanos, turco, persa, árabe e europeus. No dia 24 de Outubro de 1958, foi declarado um Parque Nacional do Quênia. O Forte tornou-se um museu em 1962. O Forte é agora um importante marco histórico na região do leste africano. Para informações e reservas: Telefone +46 26 65 44 30 / 46 70-628 01 92 E-mail: info@fangelsemuseet.se O Penitenciarista • 3

[close]

p. 4

Historicamente a relação da humanidade com o tratamento dado ao criminoso é controversa. Tem sido uma luta constante de diversos segmentos da sociedade estabelecer o melhor “modus operandi” para equilibrar de modo adequado os sentimentos coletivos de amor e ódio nutridos em relação às pessoas que cometem crimes. Entenda-se amor e ódio, pois seguramente estão presentes em todas as ações, organizadas ou não, por políticas públicas nas quais estão intervindo diretamente partes da sociedade que têm posições antagônicas sobre o assunto. Ainda que muito discutível, é fato que em toda cultura civilizada a relação entre crime e punição está inter-relacionada. Não se tem efetivamente noção de quanto essa equivalência procede no atingimento de metas reintegrativas, mas o fato é que o tratamento dado às condutas desviantes tem a essência punitiva. Embora diversas áreas do conhecimento tenham apontado a fragilidade dessa forma de lidar com o sujeito criminoso, não foi possível até o momento apresentar uma forma de ação que contemplasse de modo mais integral o desejo “teórico” de inserí-lo adequadamente no convívio em sociedade e ao mesmo tempo tranquilizar o meio social em relação àquele indivíduo que se apresenta ameaçador por sua conduta e comportamento. Por um lado os aspectos mais primitivos do “humano” que foram fidedignamente expressos na lei de Talião “olho por olho, dente por dente”; lei esta que se baseia na ideia de que a conduta retaliativa, vinga e educa, e que possui inúmeros representantes e defensores no dia a dia, nos meios de comunicação, geradores de opinião pública que propagam a necessidade de leis mais rígidas. Por outro lado temos aqueles mecanismos que seriam considerados mais “evoluídos”, ligados a fatores políticos, religiosos, morais, éticos e filosóficos que preconizam a necessidade de acolhimento e perdão para a modificação do comportamento delitivo. Embora a Instituição Prisional seja completamente envolta por grandes muralhas e toda uma parafernália segregacionista, ela não é capaz (felizmente) de excluir completamente todos os seus partícipes da sociedade e de seus movimentos. Os trabalhadores desta instituição são, por excelência, transeuntes constantes entre duas realidades inquestionavelmente interligadas e retroalimentadas. Uma realidade externa aos muros, na qual está situada toda a complexidade dos valores e questionamentos da sociedade e de seus grupos. Outra, interna que se apresenta de modo muito particular expondo este sujeito a uma série de valores, comportamentos e situações que são no mínimo atípicas para seu “ambiente emocional”, meio sociocultural e de valores éticos e morais. Esta dualidade imposta ao trabalhador penitenciário é talvez a raiz da maior exigência, na vida funcional do sujeito, justamente no que diz respeito a sua vida psíquica. Sérgio Ricardo Luiz Bassitt Psicólogo e psicanalista, servidor público da Secretaria da Administração Penitenciária. Titulo: Na Prisão Autor: Kazuichi Hanawa Gênero: Drama Editora: Conrad Edição: 1 Idioma: Português Esse mangá é uma das mais polêmicas e celebradas HQs lançadas no Japão nos últimos anos. Partindo de um relato autobiográfico, retrata as regras que o autor foi submetido, que vão desde forma de andar, o tempo contados do banho.idado com as roupas. Filme: O Profeta Duração: 2h35min Gênero: Policial, Drama Ano: 2009 Diretor: Jacques Audiard Numa cadeia, um jovem árabe, preso por seis anos, por conta de pequenos delitos, sobrevive e ascende na hierarquia carcerária, protegido pelo grupo corso, que domina o local. Com o tempo ele recebe missões externas, começa a lucrar com elas e aumentar seus riscos. Filme ganhador de nove prêmios César, do prêmio do júri em Cannes e indicado ao Oscar, entre outros. EQUIPE SAP/MPP: SIDNEY SOARES DE OLIVEIRA EDSON GALDINO (DESIGNER) EVELLYN CRISTINA (DESIGNER) WILLIAM COSTA SANTIAGO ESTAGIÁRIAS GRAZIELA G. SANTOS FABIANA A. DA SILVA COLABORADORES: REVISÃO: JORGE DE SOUZA APOIO: IMPRENSA SAP. ESMAEL MARTINS SÉRGIO RICARDO LUIZ BASSITT PROGRAMA DE DIFUSÃO CULTURAL “O PENITENCIARISTA” Acompanhe-nos: ipe tic Pa r Envie sua opinião, fotos ou histórias relacionadas ao sistema penitenciário E-mail: museupenitenciario@sap.sp.gov.br Visite nossos Blogs: www.museupenitenciario.blogspot.com.br www.penitenciariapraqueblogspot.com.br para a próxima edição do informativo “O Penitenciarista”. 4 • O Penitenciarista 2

[close]

Comments

no comments yet