Eco da Tradição - Maio 2014

 

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Eco de maio

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ECO DA TRADIÇÃO - ANO XII - Nº 153 - MAIO 2014 Mulheres de sucesso: A importância do prendado na vida profissional Páginas 12 e 13 Deputado Ernani Polo e o passaporte equestre Foto: Rogério Bastos Foto: Arquivo pessoal OPINIÃO PELO RS Roque Jacoby: Sem medo do tempo Pág. 02 Prendas do RS deixam mensagem de despedida EVENTOS PELO RS Vem ai a 44ª Ciranda de Prendas do RS Pág. 03 PROSEANDO PELO RS Modernização e o silencio dos Lobos Pág. 04 Página 08 Lucas Henrique Xavier, 17 anos, do CTG Felipe Portinho, de Marau, conquistou o titulo de Peão Farroupilha do Rio Grande do Sul, em Giruá Foto: Turki Marau conquista título inédito para a 7ªRT e sediará Entrevero Centrais Página 18 PELO RIO GRANDE PELO RS Noite de homenagens no 35 CTG Pág. 06 TURISMO PELO NO RS SUL Santa Cruz do Sul terra do ENART Pág. 09 NOTICIAS PELO RS Gilmar Sossela recebe demandas Pág. 14 PELO RS PIÁ 21 Trabalhando datas importantes Encarte Central Grupo de peões representa o tradicionalismo gaúcho e é exemplo para futuros candidatos ao título

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2 Ano XII - Edição 153 Maio de 2014 EDITORIAL Manoelito Carlos Savaris - Presidente OPINIÃO Roque Jacoby Secretário de Cultura de Porto Alegre Voluntários do Movimento Tradicionalista Gaúcho Rua Guilherme Schell, 60 Porto Alegre / RS CEP: 90640-040 Email: imprensa@mtg.org.br www.mtg.org.br mtg-rs.blogspot.com wp.clicrbs.com.br/mtg Contato: 51. 3223-5194 O Movimento Tradicionalista Gaúcho se organiza em quatro instâncias: a célula fundamental (CTG, Piquete, Grupo de Arte, etc), a organização regional (limitada a uma região do estado), o MTG (federação estadual de CTGs e entidades afins) e a CBTG (Confederação Nacional de MTGs). Em todas essas áreas do tradicionalismo, o que predomina é o voluntariado, ou seja, as pessoas participam sem coação nem imposição de ninguém. Segundo definição das Nações Unidas, “o voluntário é a pessoa que, devido ao seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades ...”. O tradicionalista, portanto, é um voluntário que se dedica ao Movimento sem receber qualquer pagamento por isso e age para que a entidade da qual faz parte alcance seus objetivos. O Movimento valoriza e executa diversos concursos. As disputas são constantes no Movimento e envolvem todas as áreas de abrangência – artística, campeira, desportiva e cultural – contando sempre com voluntários na qualidade de avaliadores. Sim, não há disputa que se faça sem juízes, sem avaliadores, sem alguém que defina quem foi melhor na competição. Sabedor dos problemas decorrentes da avaliação – que sempre terá um determinado grau de subjetividade – o Movimento criou regulamentos, elaborou planilhas, detalhou cada item a ser avaliado. Ou seja, as medidas administrativas sempre foram adotadas para que a avaliação seja a mais justa e imparcial possível. Mesmo assim, sempre haverá a possibilidade do engano, do erro humano, da interpretação equivocada. Não há registros ou comprovações de má intenção para favorecer ou prejudicar alguém. Os avaliadores são indicados por seu conhecimento técnico e, principalmente, por suas qualidades éticas e morais. De todos os concursos, os mais delicados são o Entrevero Cultural de Peões e a Ciranda Cultural de Prendas. São delicados porque envolvem predominantemente jovens e porque as famílias se engajam de tal forma, que às vezes é difícil distinguir o concorrente dos pais, em termos de nervosismo e ansiedade diante das provas. Sem medo do tempo Que lugar é este? Quem são estas pessoas? E essa música? Essa bebida amarga? Seriam perguntas inquietantes, caso um desavisado turista estrangeiro, como muitos que virão para a Copa 2014, adentrasse o Acampamento Farroupilha, ou cruzasse as portas sempre abertas de qualquer CTG. Todas as respostas, quem sabe, poderiam estar contidas num verso quase profético de Luís Meneses: “dêem rédeas ao progresso, porque a tradição não tem medo do tempo”. Nem sonhava o poeta ao cunhar estes versos em meados da década de 1960 que o século 21 traria além do progresso uma tecnologia que romperia com os limites do olhar. Se antes os gaúchos se preocupavam com as cercas de arame que tolhiam e recortavam a imensidão do pampa, neste novo milênio todas as cercas desapareceram pela ação de smartphones, tablets, bits e redes sociais. Nesse mundo muito além de qualquer porteira, a tradição estaria com seus dias contados. Mas, mesmo esse viajante imaginário, que se surpreende com as pessoas mateando em volta de um fogo de chão, que sabe que o futuro é inevitável, também pode aprender a educar o seu olhar. Se prestar bem atenção, vai perceber que logo ali, uma prendinha ensaia os primeiros passos de uma chimarrita, ou um piá treina um tiro de laço no palanque da cerca do piquete. São os mesmos, prendinha e piá, que no outro dia, vão manejar com destreza os teclados diminutos de seus equipamentos numa viagem muito além do tempo. Para estes, progresso e tradição são versos de um mesmo poema que os gaúchos recitam por séculos, e que lanças e adagas por mais tecnológicas que sejam jamais vão fazer calar. Ao se reunirem na intimidade do lar, no CTG ou no Acampamento Farroupilha, estes homens, mulheres e crianças trazem o passado na palma da mão, num mate bem cevado, temperam o futuro num arroz de carreteiro e cortam um naco grande de carne gorda para deixar bem claro que este povo não tem medo do progresso. Os alicerces desses ranchos foram construídos tendo como argamassa o caráter, a família, o trabalho, a solidariedade e o companheirismo. Se disputamos, aos gritos, um jogo de truco, se desafiamos nosso oponente numa chula, ou se dizemos versos fortes numa trova de galpão, estamos simplesmente mandando recados ao futuro. Por tudo isso, esse nosso convidado que atravessou o mar para ver a Copa, e se surpreende com os hábitos e costumes do povo desta terra, vai levar de volta na bagagem, um balaio de histórias e uma porção generosa de hospitalidade dessa gente que, como disse outro poeta, Miguel Bica, madrugam “mates na ciranda de uma cuia, que é o sangue verde do Rio Grande que há em nós...” EXPEDIENTE: SUPERVISÃO: Manoelito Carlos Savaris DIREÇÃO GERAL: Nairioli Callegaro DIREÇÃO DE REDAÇÃO: Rogério Bastos DIAGRAMAÇÃO E DESIGN: Liliane Pappen CONSELHO EDITORIAL: Nairioli Callegaro, Odila Paese Savaris e Gustavo Bierhaus JORNALISTAS RESPONSÁVEIS: Rogério Bastos (16.834) Liliane Pappen (16.835) Fúlvio Lopes (16.200) ESTÁGIO E REVISÃO: Ticiana Leal COMERCIAL E EXPEDIÇÃO: Rejane Azevedo IMPRESSÃO: Zero Hora TIRAGEM: 3 mil exemplares Atendimento 09 às 12 horas e das 13 às 18 horas De segunda a sexta-feira Valores da Anuidade R$ 874,75 Plena R$ 751,04 Parcial R$ 462,38 Especial Estudantis R$ 132,48 40% do valor é repassado às RTs. liação – que sempre terá determinado grau de subjetividade – o Movimento criou regulamentos, elaborou planilhas, detalhou cada item” Infelizmente, é comum que depois de divulgado o resultado desses eventos, haja reclamações. Verifica-se isso nos CTGs, nas etapas regionais e na etapa estadual ou nacional. Quem ganha fica faceiro, quem perde sempre acha que foi injustiçado. É comum verificarmos afirmativas do tipo: “mas o fulano foi melhor”, “o sicrano errou aqui e ali e, mesmo assim ganhou”, “meu peão foi mal avaliado”, etc. essas são afirmações que mostram pontos de vista, revelam gostos e conceitos pessoas, normais para essas ocasiões. Infelizmente ouvimos, também: “foi um roubo”. “são cartas marcadas”, “é uma politicagem”, etc. Estas são afirmações que entristecem, que fazem chorar e que agridem. Quem reclama de resultados se vê como um “voluntário” no Movimento. Alega que não ganha nada e que só gasta com o Movimento. Esquece ele, o reclamante, que os avaliadores também são voluntários, eles também não ganham nada. Eles, os avaliadores, se encontram numa situação muito delicada, pois além do voluntariado, se lhes exige um desempenho profissional no qual não admite erro e nem que tenham percepção e conceito diferentes daqueles que estão questionando. Portanto, como somos todos voluntários, quem sabe antes de reclamar ou de apontar o dedo ameaçador para um avaliador, nos lembremos de que o avaliador é tão voluntário quanto nós e que, por isso, merece ser respeitado e tratado como nós gostamos de ser tratados e respeitados. “Sabedor dos problemas decorrentes da ava- Maio Valor MTG: PRESIDENTE: Manoelito Carlos Savaris VICE PRESIDENTE DE ADMINISTRAÇÃO: Nairioli Callegaro VICE PRESIDENTE DE CULTURA: Elenir Winck VICE PRESIDENTE DE EVENTOS: José Roberto Fischborn VICE PRESIDENTE DE FINANÇAS: Gerson Ludwig Não nos responsabilizamos pelas opiniões publicadas no jornal “ O sábio não se exibe, e por isso brilha. Ele não se faz notar, e por isso é notado. Ele não se elogia, e por isso tem mérito. E, porque não esta competindo, ninguém no mundo pode competir com ele” (Lao Tse - Tao Te Ching) REFLEXÃO Por ir Elom a t Mal

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Ano XII - Edição 153 Maio de 2014 3 FECARS CIRANDA CULTURAL DE PRENDAS Surge a Festa Campeira do RS De 1983 a 1987 foram diversas as tentativa de regulamentar um evento campeiro de nível estadual, até que Frontelmo Alves Machado, hoje Conselheiro Benemérito do MTG, apresentou proposta, em fevereiro de 1987, para o Presidente do MTG, Zeno Dias Chaves, com um esboço de regulamento para uma festa campeira estadual. A iniciativa, segundo seu idealizador, teria como objetivos: unir os gaúchos campeiros em um evento para confraternizar e apurar os campeões estaduais, nas diversas modalidades campeiras já realizadas nos rodeios. O Presidente convidou homens com conhecimentos campeiros, como José Theodoro Bellaguarda de Menezes, João Francisco Rodrigues de Andrade, Oraci Louzada Abreu, Wilson Freitas e Cyro Dutra Ferreira. Formada a comissão que, em três dias de trabalho, elaborou o regulamento. Posteriormente, os membros da comissão percorreram o Estado recolhendo detalhes de usos e costumes, contando com a colaboração de muitos tradicionalistas e dos coordenadores regionais. A proposta final foi apresentada na 26a Convenção Extraordinária, realizada de 11 a 13 de dezembro de 1987 em Júlio de Castilhos, por Frontelmo Alves Machado, Wilson Freitas e Cyro Dutra Ferreira. No dia 11 de dezembro foi aprovado o anteprojeto com o nome “Festa Crioula do Rio Grande do Sul”, e, em seguida, modificado para “Festa Campeira do Rio Grande do Sul - FECARS” e marcada a primeira edição para março de 1989. Já o esporte entrou mais tarde, com a proposta de Mário Roberto Machado, defendida por Frontelmo Alves Machado com parecer favorável de Cyro Dutra Ferreira, aprovada na 32ª Convenção, em julho de 1991, que incluiu no regulamento da FECARS o torneio de truco. O início do esporte no evento aconteceu na 4ª Edição da Festa Campeira, em São Sepé, no ano de 1992. 44ª Ciranda Cultural de Prendas 15/05/2014 - Quinta-feira – Recepção e credenciamento Programação 26ª FECARS – Seminário de Cultura Campeira A Festa Campeira do Rio Grande do Sul, em sua 26ª edição, acontecerá em Viamão, no Parque Municipal de eventos, de 01 a 04 de maio de 2014. Paralelo, estará sendo realizado, no sábado, dia 03, o 15º Seminário da Cultura Campeira, com o tema “doma e trabalhos em couro”. São 29 modalidades campeiras (16 de laço, 4 vaca parada, 7 de rédeas, chasque e gineteada) e mais 6 esportivas (Jogo de tava, truco cego, truco de amostra, tetarfe, bocha campeira e solo), contando com mais de 4.000 competidores. 16/05/2014 - Sexta-feira 9h – Prova Escrita - Sala Multiuso 11h às 13h – Montagem da Mostra Folclórica - Salão Térreo - Salão La Sagra - Salão Nobre 12h - Almoço MOSTRA FOLCLÓRICA 13h30min - Acontecerá nos 3 locais ao mesmo tempo 1° Bloco - Salão Nobre 2° Bloco - Salão La Sagra 3° Bloco - Salão Térreo 20h30min – Sessão Solene de Instalação da 44ª Ciranda Cultural de Prendas – Fase Estadual – e despedida das Prendas do Rio Grande do Sul Gestão 2013/2014 - Salão Nobre 17/05/2014 - Sábado 9h - Provas Orais e Artísticas para todas as categorias CATEGORIA MIRIM: Sala de Ginástica CATEGORIA JUVENIL: Salão La Sagra CATEGORIA ADULTA: Salão Nobre 12h - Almoço 13h30min – Reinicio das Provas Orais e Artísticas 22h30min – Baile com a divulgação dos resultados Animação: Grupo Raízes - Ginásio Poliesportivo - Obrigatório uso de pilcha. Local do Evento: CLUBE RECREATIVO DORES Rua Cesar Trevisan, 1400 - Santa Maria/RS PROMOÇÃO REALIZAÇÃO PATROCINADOR OFICIAL DO MTG PATROCÍNIO Santa Maria: Estação dos Sonhos APOIO

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4 PROSEANDO COM TENÊNCIA Ano XII - Edição 153 Maio de 2014 MOVIMENTO TRADICIONALISTA GAÚCHO Por Rogério Bastos Casos e Acasos CTGs - modernizar estruturas para crescer Assim como no futebol, os centros de tradições gaúchas deveriam modernizar sua estrutura administrativa adaptando-se aos novos tempos. Transformar estruturas inativas, obsoletas e centralizadoras em estruturas abertas, dinâmicas, evolutivas e modernas. Neste sentido surge a obrigação de modernizar, tornar eficaz a formação de novos talentos nas entidades, buscando realizar trabalhos nas escolas da comunidade. Os cursos de danças gaúchas de salão não podem ser entregues para qualquer um. É a porta de entrada para o tradicionalismo. Na área financeira a entidade tem que saber qual seu custo fixo mensal, para saber qual tem que ser a sua arrecadação. Qual é o relacionamento com o associado? O que oferecemos para o associado? Quando falamos em modernizar as estruturas não é mudar as coisas da tradição, nossos usos e costumes. Modernizar estruturas é abrir mão do continuísmo, buscando renovação, preparando futuros gestores. Interligar os departamentos através de uma boa comunicação. Com os capatazes estando em plena comunicação com os posteiros na área de finanças, divulgação, patrimônio, jurídico, cultura, artístico, campeiro e marketing. O patrão e seus capatazes estarem atentos, antever e preparar um ambiente apropriado, tomando uma serie de decisões que facilite o desenvolvimento e promoção dos eventos contribuindo para o melhoramento futuro da entidade. Cursos do MTG em 2014 Depósito Banrisul - Ag.: 0100 - C/c 06.066982.0-3 em nome de Movimento Tradicionalista Gaúcho Enviar comprovante com nome e telefone para 51 3223-5194 ou e-mail para cursos@ mtg.org.br. Os contatos podem ser feitos com a Luciana Borges. Dia Curso Hora Valor Endereço Maio 10 24 24 28 Sábado Sábado Sábado Segundafeira Painel Artístico - Danças Tradicionais, Chula, Danças Gaúchas de Salão, Música e Manifestações Individuais (Declamação, causo, trova) Jovens Voluntários Mód II CFor - Curso de Formação Tradicionalista Curso de Narradores - Inscrições até 23/05 9 às 18 9 às 18 9 às 18 9 às 18 R$ 35,00 R$ 70,00 R$ 60,00 Passo Fundo - CTG Lalau Miranda Sede do MTG - Porto Alegre Sede do MTG - Porto Alegre CTG Sentinela da Querência - Santa Maria Sede do MTG - Porto Alegre Sede do MTG - Porto Alegre Sede do MTG - Porto Alegre Sede do MTG - Porto Alegre Julho 12 13 Sábado Domingo Cfor Avançado - Mod I Cfor Avançado - Mod I 9 às 18 9 às 18 R$ 150,00 Outubro 18 19 Sábado Domingo Cfor Avançado - Mod II Cfor Avançado - Mod II 9 às 18 9 às 18 R$ R$ - O Silencio dos lobos Pense em alguém que seja poderoso… Essa pessoa briga e grita como uma galinha, ou olha e silencia, como um lobo? Lobos não gritam. Eles têm a aura de força e poder. Observam em silêncio. Somente os poderosos, sejam lobos, homens ou mulheres, respondem a um ataque verbal com o silêncio. Além disso, quem evita dizer tudo o que tem vontade, raramente se arrepende por magoar alguém com palavras ásperas e impensadas. Exatamente por isso, o primeiro e mais óbvio sinal de poder sobre si mesmo é o silêncio em momentos críticos. Se você está em silêncio, olhando para o problema, mostra que está pensando, sem tempo para debates fúteis. Se for uma discussão que já deixou o terreno da razão, quem silencia mostra que já venceu, mesmo quando o outro lado insiste em gritar a sua derrota. Olhe. Sorria. Silencie. Vá em frente. Lembre-se de que há momentos de falar e há momentos de silenciar. Por alguma razão, provavelmente cultural, somos treinados para a (falsa) ideia de que somos obrigados a responder a todas as perguntas e reagir a todos os ataques. Não é verdade! Você responde somente ao que quer responder e reage somente ao que quer reagir. Falar é uma escolha, não uma exigência, por mais que assim o pareça. Você pode escolher o silêncio. Além disso, você não terá que se arrepender por coisas ditas em momentos impensados, como defendeu Xenocrates, mais de trezentos anos antes de Cristo, ao afirmar: “Arrependo-me de coisas que disse, mas jamais do meu silêncio”. - Responda com o silêncio, quando for necessário. Use o olhar, use um abraço ou use qualquer outra coisa para não responder em alguns momentos. Você verá que o silêncio pode ser a mais poderosa das respostas. E, no momento certo, a mais compreensiva e real delas. Aldo Novak Cavaleiros do Mercosul sob novo comando O Grupo Cultural e Tradicionalista Ca- Bandeira, Hilton Luiz Araldi, Carlos Menegol, e valeiros do Mercosul, entidade tradicionalista, por Daves Souza. completa 19 anos de existência, iniciativa de O novo comandante é Varlei Catto (foto Adão Martins e Luciano Brum, que resolveram abaixo, no centro), que assumiu no último dia 08 mapear a pata de cavalo o estudo da Univer- de abril para um período de 2 anos, tendo como sidade de Passo Fundo, encomendada pelo e Subcomandante Telmar Menegol, secretário prefeito Osvaldo Gomes, que chegou a conclu- Renato Strieder e Coordenador executivo Paulo são que o caminho mais curto entre Buenos Ai- Rogério Ribeiro, tem como principal compromisres e São Paulo é o que passa por nossa região, so inicial a encenação da Batalha do Pulador buscado definir assim a ROTA DO MERCOSUL. em sua VI edição, que será realizada no mês de O grupo criado em 1995, fez sua primei- agosto, além de cavalgadas que realizam no dera cavalgada a Buenos Aires, em 15 de novem- correr do ano e a participação do departamento bro do mesmo ano, percorrendo o 1.310 Km, campeiro em vários rodeios na região. em 30 dias. Cavalgando Foto: Divulgação 8 horas por dia, integrado por 10 cavaleiros e o pessoal de apoio. O Grupo já cavalgou de Passo Fundo a São Paulo, no Uruguai, Argentina e Chile, além de cavalgadas menores como Vacaria, Lagoa Vermelha, Caxias do Sul, Porto Alegre, Sarandi, Carazinho, Erechim, etc, divulgando o nome de Passo Fundo, totalizando mais de 12 mil km percorridos. Comandaram o grupo, Jabs Paim Gilda Galeazzi(E) e Airto Timm prestigiaram a posse 24 de Maio

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Ano XII - Edição 153 DEPARTAMENTO JOVEM Maio de 2014 5 Por Maria Angélica Saraiva - Diretora e Murilo Andrade - Vice-diretor Departamento Jovem lança projeto comemorativo ao “dia do jovem tradicionalista” “Coisa linda é se ver gerações convivendo na santa paz.” - Hino tradicionalista será a base do trabalho da juventude, que focará no ambiente familiar Justificativa: Neste ano estaremos trabalhando o Hino Tradicionalista, tendo como letra e música do saudoso Luiz Carlos Barbosa Lessa, sendo que o mesmo foi aprovado no 43º Congresso Tradicionalista Gaúcho na cidade de Santa Cruz do Sul no ano de 1998. O Departamento Jovem Central do MTG no intuito de valorizar e homenagear um dos símbolos oficiais do Movimento Tradicionalista Gaúcho vem propor aos Tradicionalistas um trabalho de enaltecimento de todas as Gerações que compõem o núcleo social das Entidades e Regiões Tradicionalistas. Tendo como base o fragmento do Hino Tradicionalista: “...coisa linda é se ver gerações convivendo na santa paz”, estaremos realizando um trabalho voltado também para as famílias, que são alicerces do tradicionalismo organizado. Desta forma desenvolveremos o trabalho de resgate e valorização do Hino Tradicionalista e também abrangendo o nosso Tema Anual: “Preservando o passado, construindo o futuro”, pois podemos considerar a família e as gerações como um patrimônio imaterial do povo gaúcho. Objetivos: I – Divulgar e valorizar o Hino Tradicionalista; II – Divulgar e valorizar o Tema Anual do Movimento Tradicionalista Gaúcho; III – Integrar e unir todas as gerações que compõem o núcleo das entidades tradicionalistas; IV – Elevar a família e as gerações como Patrimônio Imaterial do povo gaúcho. O trabalho desenvolver-se-á da seguinte Desenvolvimento: forma. a) Cada responsável pelo Departamento Jovem Inter-regional, Regional ou de Entidade terá a incumbência de organizar e realizar nas mesmas, atividades referentes ao tema abordado; b) Serão realizadas duas atividades, uma de cunho social e outra dentro da Entidade/Região Tradicionalista. A de cunho social será voltado as instituições “não tradicionalistas”, ou seja: asilos, escolas, centros clínicos, casas de passagem, entre outros. A de cunho tradicionalista, será desenvolvido na Entidade/Região Tradicionalista com atividades que atinjam todas as gerações que a compõe. c) Não será exigido um relatório escrito das atividades realizadas, pois queremos facilitar o acesso as informações das mesmas, porém, para fins de registro no acervo bibliográfico do MTG, solicitamos que seja enviado um breve relato das atividades feitas através de imagens, contendo breves informações do que foi realizado. d) Sobre premiação: Acreditamos que essas atividades realizadas não só pelo Departamento Jovem, mas por todos os Departamentos que formam o Movimento Tradicionalista Gaúcho são feitas com o intuito de valorizar o meio em que vivemos, por ser algo prazeroso e que desperte algo bom na hora de se fazer. Com isso, optamos por não premiar o melhor trabalho, nem a melhor região, e sim, reconhecer aqueles que reservaram uma hora do seu dia para a realização desse trabalho. Não queremos formar jovens que vão à busca de trabalho só pelo fato de ter uma premiação no final lhes esperando, mas sim, queremos formar jovens que tenham amor pelo que estão fazendo, ou seja, queremos formar tradicionalistas de fato. O prazo para entrega dos trabalhos será até: 06/10/2014. TEMA ANUAL: PRESERVANDO O PASSADO, CONSTRUINDO O FUTURO

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6 PELO RIO GRANDE Ano XII - Edição 153 Maio de 2014 Ação pela doação de sangue em Venâncio Aires O evento foi organizado pela 1ª prenda juvenil do CTG Erva Mate, 24ªRT, Ana Flávia Dornelles de Àvilla. Projeto que pode salvar muitas vidas. É possível que a falta de sangue nos hemocentros se dê por falta de conhecimento e esclarecimento dos procedimentos que se dá no processo de coleta sanguínea, que causa medo e insegurança por parte de quem simpatiza com a ideia de ser doador. Por este motivo a prenda Ana Flávia Dornelles de Ávila realizou um trabalho de conscientização e valorização do doador sanguíneo, para tentar aumentar o número de doadores e esclarecer o papel do cidadão para um mundo melhor, sendo a doação de sangue uma fonte de esperança e vida para muitos. Foi realizado no dia 19 de abril, através de uma palestra com a Enfermeira responsável pelo Hemocentro de Venâncio Aires, Daiana Keller. O evento “Doe sangue - Caminho da Esperança”, ressaltou a importância da doação de sangue para pessoas já doadoras e futuros doadores, A conversa esclareceu duvidas sobre o tema e salientou a importância do projeto. Também foi feita a entrega de folders do tema tratado, juntamente com adesivos para o público presente. Gaudérios do Litoral tem novo patrão O Piquete Gaudérios do Litoral, da praia do magistério, Balneário Pinhal, tem nova patronagem, eleita em abril deste ano. O piquete é uma opção par aos veranistas e moradores do litoral. Fundado em fevereiro de 2004, o piquete tem seu terceiro patrão, Ledoino Camargo, que recebeu as chaves de Rudimar de Souza, que fez questão de ficar participando da patronagem, na área de patrimônio. A eleição provou a preferência por Ledo, como é conhecido, 83 x 30. Levando um pouco de experiência da capital, Everton Martins, o capataz e marketing, fez parte do piquete “Os beiçudos”. Completam a patronagem Breno Dorneles e Clóvis Maranosky, tesoureiros, Maria da Graça Dorneles, sota-capataz, Marilia Borba, também sota-capataz, Flávio Nascimento e Pedro Foto: Arquivo pessoal Ledo Camargo e Rose Paim assumem o piquete Foto: Arquivo pessoal Pichani, na campeira e Celso Oliveira na cultura. Noite de homenagens nos 66 anos do Pioneiro 35 CTG Entre os homenageados, André Luiz Strey, vice-patrão do 35 CTG, que tem uma longa história pela entidade de dedicação e trabalho Foto: Arquivo pessoal Ana Flávia quer continuar o projeto depois: “Sangue é vida! Baile do PTG Bocal de Prata é sucesso O Piquete de Tradições Gaúchas, Bocal de Prata, realizou no último sábado (12/04), no GESB, o seu 5º jantar baile. Aproximadamente 800 pessoas prestigiaram o evento, que contou com apresentações artísticas do CTG Patrulha do Rio Grande, de Santo Antônio da Patrulha, GTC 20 de Setembro, de Xangri-lá, Sentinela dos Sinos, do Caraá, e claro, das invernadas mirim, juvenil e adulta do Bocal de Prata. Logo após as apresentações o baile ficou a cargo de” Leandro Berlesi e Buena Parceria”. “O PTG Bocal de Prata, vem crescendo dia após dia, nosso trabalho é focado na família e na amizade. O nosso 5º Jantar Baile, superou as expectativas, foi um momento de muita alegria dentro de um ambiente familiar e acolhedor. Em nome da patronagem gostaria de agradecer a todos que prestigiaram nosso baile, ao comércio de Osório e aos patrocinadores que nos apoiaram, e especial ao dançarinos e pais pelo excelente trabalho.” Destaca o Patrão Adriano Lima. André Stery recebe reconhecimento A noite do dia 23 de abril, na sede do 35 CTG, aconteceu as homenagens e entrega de moções e troféus à pessoas que contribuíram para o crescimento e desenvolvimento do pioneiro. O cerimonial foi conduzido por Liliane Pappen e Rogério Bastos, que chamaram os emocionados homenageados. Entre eles estava Nilza Lessa, o Prefeito José Fortunatti, e André Strey, este recebeu o “Associado Benemérito”, pelos relevantes trabalhos prestados ao pioneiro, ao longo de sua vida. André faz parte do CTG desde 1986, ocupando diversos cargos, entre eles de capataz cultural durante a patronagem de Wilmar Romera e Jorge Chaves. Na 1ª RT já foi diretor do departamento jovem e diretor cultural. O ultimo evento comemorativo aos 66 anos do pioneiro será dia 04 de maio na tradicional cavalgada. TEMA QUINQUENAL: O MTG ENGAJADO NA CAMPANHA DE COMBATE À CORRUPÇÃO - “LAÇANDO A CORRUPÇÃO”

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Ano XII - Edição 153 Maio de 2014 7 Por: Dorvilio Calderan - Presidente da CITG ESPAÇO DO IGTF Assessoria de Imprensa do IGTF ESPAÇO DA CITG Assembleia Legislativa aprova projeto que evita extinção da FIGTF A Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (FIGTF), vinculada à Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), não corre mais o risco de ser extinta a partir do próximo ano devido à aposentadoria iminente dos funcionários mais antigos. A continuidade dos trabalhos da instituição foi garantida pelos deputados estaduais que, em sessão plenária realizada nesta terça-feira (1º de abril), aprovaram o Projeto de Lei 55, de 2014, que institui o Plano de Carreira e Vencimentos e reorganiza o quadro de cargos de provimento efetivo e os cargos em comissão e funções gratificadas. Para o presidente da FIGTF, Rodi Pedro Borghetti, essa decisão também vai permitir uma melhor adequação profissional para cada área de atuação da entidade. “Teremos condições de ter uma equipe especializada para desenvolver o objetivo previsto no nosso estatuto, que é o estimulo à pesquisa e divulgação da cultura, folclore, tradição, arte e história do Rio Grande do Sul”. Borghetti salienta que a aprovação é resultado de uma luta que iniciou há 27 anos quando foi encaminhado o primeiro projeto requerendo a criação do quadro de pessoal da FIGTF. Desde então, foram apresentadas mais sete propostas, mas nenhuma delas entrou em votação. A possibilidade de fechamento da fundação preocupou não apenas a atual gestão, mas mobilizou ex-diretores, artistas e parlamentares. A movimentação ganhou um peso ainda maior quando uma comissão formada por ex-presidentes da instituição foi recebida, na terça-feira pela manhã, pelo presidente do Legislativo, deputado Gilmar Sossella, que demonstrou sensibilidade ao assunto e prometeu encaminhar ao plenário. O tema também contou o apoio do governador Tarso Genro, sua assessora Mari Perusso, e do deputado federal Ronaldo Zulke, que acompanhou todo o processo de negociação. De acordo com Zulke, a cultura do nosso Estado e as suas diferentes manifestações ganham um novo alento com essa aprovação. A Sedac, através do secretário Assis Brasil, secretário adjunto Jéferson Assumção, e equipe também participaram ativamente do processo. Festas Gauchas no Uruguai 28ª. Fiesta de La Patria Gaúcha, a maior festa folclórica do país, neste ano realizada de 12 a 16 de março, Tacuarembo, Uruguai, com a participação de gaúchos das sociedades tradicionalistas do Uruguai, e de países vizinhos. Contou com cavalgadas, provas campeiras, artísticas e culturais... 37ª. Criolla del Parque Roosevelt, de 13 a 20 de abril de 2014, denominada “250 anos do nascimento de José Gervasio Artigas”. O presidente da CITG se fez representar pelo Conselheiro Nei Antonio Zardo, da qual é fundador. Nessa festa, em 1984, nasceu a CITG. É um rodeio crioulo, só de gineteadas e apresentações artísticas e culturais. É uma festa popular promovida pelo Lyons e maçonaria. Participam ginetes do Uruguai, Argentina e Brasil. Além destas importantes e tradicionais festas conhecidas internacionalmente, neste ano de 2014, os tradicionalistas do Uruguai, tiveram muito que comemorar e realizaram nos dias 22 e 23 de março, em Montevideo, as festividades em comemoração aos 120 anos de fundação da Sociedade Criolla “Dr. Elias Regules”. A Sociedade “La Criolla”, foi fundada por Elias Regules e um grupo de 32 amigos, fieis companheiros de causa, no dia 25 de maio de 1894. Por força de Lei, e em homenagem ao Fundador da Sociedade, no dia 21 de março, data de seu nascimento, se comemora o “Día de La Tradición Uruguaya” e, os festejos acontecem no domingo seguinte ao dia 21 de março. Atendendo a convite do atual presidente da Sociedade, Sr. Manuel Rodriguez Marghieri (Manolo), esteve presente, às solenidades, uma delegação brasileira, representando a CITG- Confederação Internacional da Tradição Gaúcha: o seu presidente, Sr. Dorvilio José Calderan e sua esposa Loiva Lopes Calderan (Presidente da FTG-PC – Federação Tradicionalista Gaúcha do Planalto Central), Sr. Manoelito Carlos Savaris (Presidente do MTG-RS e Conselheiro da CITG) e, sua esposa Odila Savaris (Diretora do Departamento de Formação Tradicionalista e Aperfeiçoamento do MTG-RS), Sr. Jose Tessmann (Diretor Campeiro da CITG, e Diretor da TV Tradição), e, sua esposa Carla Wichmann. As festividades tiveram início com uma cavalgada, com a participação das Sociedades Criolla, entidades tradicionalistas do Uruguai, contando com aproximadamente, 1.300 cavaleiros, saindo do Parque Rural até a Praça Independência, no centro de Montevideo. A cerimonia cívico cultural na Praça Independência, frente ao monumento Artigas, contou com a participação da Intendente de Montevideo, da Banda Municipal, dos cavaleiros da Guarda de Artigas Blandengues, de dirigentes da Sociedade Elias Regules e várias outras autoridades civis, militares e culturais. A cavalgada seguiu em desfile pelo centro da cidade, acompanhado de carruagens e apresentações de Grupos folclóricos, passando pelo palanque oficial onde as autoridades o aguardavam. No dia 23 de março, na sede da Sociedade Elias Regules, aconteceram as solenidades oficiai s, com um momento cívico cultural com colocação de flores no memorial de Artigas e Dr. Elias Regules, e, Hino Nacional. Durante o almoço preparado bem a moda campeira, (assado com couro), seguiram-se as homenagem a “La Patria Gaucha”, tendo como orador Manuel Rodriguez Marghieri, Presidente da Entidade. A sede da Sociedade Elias Regules, conta com um acervo histórico, museu e replicas de antigas carruagens, escola, locomotiva, representando um povoado da campanha do final do século XIX. Teve como destaque ainda, o lançamento do Livro: “Elias Regules” De la Tapera a la Criolla” de Raul Iturria, com prefácio de El Senador Dr. Luis Alberto Lacalle de Herrara e apresentado por Sr. Antonio Rodrigues Villar (Presidente de la Academia de Folcklore da Argentina), Dr. Fausto Domingues (Historiador Tradicionalista do Rio Grande do Sul, Brasil) e, Sr. Senador Hector Lescano Franchini. Após o lançamento do livro aconteceram diversas apresentações folclóricas e culturais. O Evento contou com a participação de Delegação Argentina, composta por cavalarianos e historiadores. Esta visita a Montevideo também representou uma oportunidade para o fortalecimento da integração marcado pela entrega da Bandeira do MTG-RS, pelo Presidente Savaris ao Presidente da Sociedade Elias Regules e o Presidente da CITG, entregou uma Bandeira da entidade ao representante do Uruguai na CITG, Sr. Arezo. Também, foram feitos contatos para reafirmar o compromisso de Acendimento da Chama Crioula na Colonia do Sacramento em 18 de julho de 2015. ESPAÇO DA CBTG Por Erival Bertolini - Presidente da CBTG Meus caros Tradicionalistas, nas oportunidades que tive de exercer funções frente ao comando do MTG, e a todos com quem que tive a oportunidade de trabalhar, tenho para mim que procuramos harmonizar o movimento, simplificar os processos para facilitar a participação de todos, sem esquecer que procuramos solucionar as problemáticas relacionadas aos cartões tradicionalistas. Com a única e exclusiva preocupação de proporcionar acesso aos tradicionalistas, fizemos a integração com a mídia, através da RBS TV, fazendo chegar a transmissão do ENART por mais de 9 horas, no domingo à tarde em horário nobre, por dois anos consecutivos (2012 e 2013), através do canal TVCOM. Com o Ministério Público, fomos parceiros no projeto LAÇANDO A CORRUPÇÃO e no combate à aprovação da PEC37, sendo que junto à referida instituição, enfrentamos os problemas que existiam em relação à Fundação Cultural Gaúcha – MTG. Através da participação efetiva nas audiências públicas, foi conseguido que o Governo do Estado, suspendesse as multas de trânsito referente ao transporte de animais para uso exclusivo em eventos culturais do movimento, bem como de quando foi elaborada a nova lei de prevenção de incêndio, onde faz constar o entendimento de que os CTGs são casas de cultura e devendo ser preservadas as características culturais e regionais de nosso povo. Foi conseguido junto ao Governo do Estado, que fosse realizado inquérito para apurar a incidência da anemia infecciosa nos equinos para reivindicarmos um prazo maior entre um exame e outro, o qual era de dois meses, além do fato de que também foi viabilizado recursos para os festejos Farroupilha e desfile de Porto Alegre, restando encaminhado um projeto que fora aprovado pela Assembleia Legislativa, cujos recursos são consideráveis para realização de tão importantes eventos. Por fim, hoje me encontro na condição de Presidente da CBTG, entidade na qual me lembra muito a 13ª Região Tradicionalista dos anos 90, quando lá assumi e muito trabalho havia para ser feito. Assim como há mais de 20 anos, lá também não havia recursos materiais, questão que enfrento hoje. Ironicamente, naquele tempo o MTG da época pouco contribuía com nossa região. Nada disso, porém, foi obstáculo para desenvolvermos nosso trabalho, integrando nossa região as demais regiões do Estado com o fim exclusivo de dar continuidade à manutenção de nossas tradições. TEMA ANUAL: PRESERVANDO O PASSADO, CONSTRUINDO O FUTURO

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8 ECO ENTREVISTA Ano XII - Edição 153 Maio de 2014 Ernani Polo, um deputado atento às necessidades do homem campeiro Deputado Estadual Ernani Polo, 40 anos natural de Ijuí, mas aquerenciado em Santo Augusto. Em 2010 concorreu a Assembleia, pelo Partido Progressista, obtendo 38.767 votos. Hoje preside a comissão de ética da Assembleia Legislativa do estado. Na linha do tempo da história do Rio Grande do Sul, o cavalo foi o que permitiu a conquista, ocupação e a colonização luso-brasileira do Continente do Rio Grande de São Pedro. Era meio de expressão da liberdade do gaúcho, que podia não somente se locomover livremente, mas defender com bravura seus ideais. Na atualidade, o cavalo é ainda símbolo da liberdade do gaúcho, um elo entre o campo e a cidade, do presente com o passado e sua continuidade no futuro, o que torna um meio de libertação da opressão e estresses da vida urbana moderna. Contudo, no atual contexto urbano de pós-modernidade, em uma sociedade multiétnica e pluricultural, com alguns segmentos de cultura urbana sem vínculo algum com a matriz rural que forjou a identidade cultural do gaúcho, nem sempre esse elo entre o gaúcho com o cavalo é suficiente compreendido e passam a surgir conflitos de opinião, especialmente com grupos de defensores de “direitos” dos animais. Foto: Rogerio Bastos Projeto de lei nº 133/2013, que institui o passaporte equestre Art. 1º – Fica instituído o PASSAPORTE EQUESTRE para permitir o livre trânsito e circulação de cavalos no território do Estado do Rio Grande do Sul para participação em qualquer atividade ou evento equestre de natureza cultural relacionado ao tradicionalismo gaúcho, esportivo, de lazer e de seleção inter-raça ou intra-raça de cavalos e que tem, entre outras finalidades: I - reconhecer aos proprietários e usuários de equídios a observância imediata quanto ao exercício das Liberdades Públicas da Pessoa Humana de Manifestação do Pensamento, a Criação, a Expressão e a Informação, da Livre Locomoção, de Reunião e de Associação; II - cooperação entre o Poder Público e os particulares proprietários e usuários de cavalos, com ações de defesa sanitária dos equídeos. Parágrafo único. O PASSAPORTE EQUESTRE é uma opção facilitadora e facultativa ao proprietário e usuário de equídios, o qual poderá optar pelo atual procedimento de emissão da Guia de Transporte Animal (GTA). Art. 2º - O PASSAPORTE EQUESTRE é o documento oficial que equivale à Guia de Transporte de Animal (GTA) e substitui qualquer outro documento para fins de trânsito e regularidade fiscal, cujas informações serão prestadas por médico veterinário cadastrado como responsável técnico perante a autoridade sanitária de defesa animal do Estado. Art. 3º - O direito de receber o PASSAPORTE EQUESTRE é assegurado ainda, aos proprietários e usuários de cavalos em atividades equestres de turismo, trabalho rural, policiamento, de auxílio terapêutico e aos proprietários e usuários de muares e asininos. Art. 4º - O PASSAPORTE EQUESTRE deverá conter, entre outras: I – a identificação do animal através de resenha gráfica e descritiva indicando a pelagem, o tipo e a raça do cavalo; II - registro genealógico da respectiva associação de criadores de cavalo, caso tiver; III – a identificação do proprietário, a procedência do animal e a lotação habital do animal; IV - o atestado de exame clínico por médico veterinário cadastrado perante Autoridade de Defesa Sanitária Animal Estadual, no próprio corpo do documento, como documento único para fins de defesa sanitária animal. ABF00E4E 28/04/2014 15:30:13 Página 1 de 2V – atestados e exames exigidos pela legislação federal, como anexo. Art. 5º - O PASSAPORTE EQUESTRE deve conter as informações atualizadas, sob pena de aplicação de penalidades administrativas, tipificadas na legislação estadual de defesa sanitária animal. Art. 6º - A emissão do PASSAPORTE EQUESTRE será feita diretamente pela Autoridade Pública de Defesa Sanitária Animal do Estado ou por delegação desta, mediante prévio cadastramento do cavalo e do proprietário. § 1º - Em caso de delegação, o documento de PASSAPORTE EQUESTRE deverá seguir modelo único e padronizado e a sua emissão fiscalizada pela Autoridade Pública de Defesa Sanitária Animal do Estado. § 2º - A delegação exige a responsabilidade técnica de médico veterinário cadastrado perante Autoridade Pública de Defesa Sanitária Animal, que será obrigado a prestar as informações previstas no artigo seguinte. Art. 7º - Para fins de rastreabilidade, como forma de controle de defesa sanitária animal, deverá ser informado à Autoridade de Defesa Sanitária Estadual os locais de circulação dos cavalos transportados por veículos. § 1º - A comunicação prevista neste artigo será feita por médico veterinário cadastrado como responsável técnico perante a unidade sanitária de defesa animal. § 2º - Os exames e vacinas obrigatórias para equídios serão fornecidos gratuitamente pelo Poder Público aos beneficiados pelo Documento de Aptidão do PRONAF. § 3º - O benefício previsto no parágrafo anterior será também concedido aos que possuem insuficiência de recursos econômicos e financeiros, próprios e familiares, e utilizam equídios como animal de trabalho para sua subsistência. Art. 8º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Ernani Polo carrega consigo a preocupação com a atividade campeira por ter se criado nesta lida Expressão da liberdade do gaúcho. O objetivo desta lei é impedir que o excesso de limitações e restrições impostas pelo poder público não acabe inviabilizando o regular exercício desse direito cultural do gaúcho andar a cavalo. O que ocorre atualmente é que o Poder Público não proíbe o gaúcho de andar a cavalo. Contudo, cria uma séria de limitações e restrições que, na prática, acabam impedindo o exercício regular do direito em si, mas sofista e cinicamente sem negar o direito. Em outras palavras, o direito não é negado, mas não se pode desfrutá-lo. Não se questiona as necessidades de defesa sanitárias dos cavalos, como meio de garantia à saúde desse animal sagrado para o gaúcho. O que se questiona é o excesso de restrição e limitações pelo Poder Público que acabam impedindo o livre direito de andar a cavalo, que é um desdobramento das liberdades públicas da pessoa humana. Foto: Divulgação Direito de andar a cavalo Na comissão de Agricultura. Ernani participou, buscando maior prazo para os exames de anemia TEMA QUINQUENAL: O MTG ENGAJADO NA CAMPANHA DE COMBATE À CORRUPÇÃO - “LAÇANDO A CORRUPÇÃO”

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Ano XII - Edição 153 TROPEANDO VERSOS Por Luciano Salerno Maio de 2014 TURISMO NO SUL 9 Por Jeandro Garcia Comissão Avaliadora 2014 “A valorização da arte, da simplicidade, do tradicional e da naturalidade”. Assim como no ano passado, esta é a missão da equipe de avaliadores das manifestações individuais do MTG de 2014. Buscando ouvir os concorrentes, sob suas dúvidas e contestações, a comissão avaliadora deste ano promoverá painéis/ encontros com concorrentes e/ou acompanhantes para dialogar, informar e apresentar o que é a definição de cada modalidade, o que a equipe observará, computando e contextualizando perante os quesitos de avaliação das modalidades individuais em rodeios e ENART. Em primeira reunião já efetuada, os integrantes ressaltaram a falta de acompanhamento de patrões e, em alguns casos, de coordenadores das regiões perante seus concorrentes individuais, dando prioridade sempre para a “dança”, o que é lamentável. Afinal, um componente individual também leva o nome do CTG, da região por todo o estado, e, às vezes, fora dele. Para participar de uma modalidade individual há a necessidade do estudo, tempo, dedicação. Um segundo item, que se apresenta sobre os concorrentes, é o desconhecimento do regulamento do evento (seja de rodeios ou ENART): é primordial que “se saiba as regras do jogo antes de entrar no jogo”, pois tal desconhecimento origina transtornos durante os concursos, o que é totalmente degradante para a arte. O regulamento é de fácil leitura e de fácil acesso via site do MTG e na coletânea. Já ocorrido o primeiro painel em Santa Cruz do Sul, onde houve poucos participantes e foram discutidos assuntos de grande valia, como o item de indumentária que ainda perpetua com grande incerteza. A fim de evitar transtornos até esclarecimentos maiores é indicado sempre procurar seguir a diretriz de indumentária. No próximo dia 10 de maio irá ocorrer o segundo painel, na cidade de Passo Fundo. Horário, local e demais informações serão disponibilizados no site do MTG. Convidamos todos os individuais a comparecer. Só assim teremos força para elevar a nossa arte, cultura e tradição. Santa Cruz do Sul, a terra da Oktoberfest e do ENART Uma linda cidade de colonizaOutro passeio interessante é ção alemã, com a típica organização, no Museu do Colégio Mauá, com 5 mil que conhecemos em locais onde a peças em exposição, que contam a hispopulação germânica fez o desenvol- tória de Santa Cruz do Sul, e também o vimento da lugar. Para nós tradiciona- Túnel Verde: O Centro de Santa Cruz do listas é uma das cidades mais impor- Sul é abrigado por um túnel de árvores, tantes, pois desde 1997 é a sede do as Tipuanas emolduram a via principal ENART (antigo Fegart), e recebe em e oferecem privilegiada sombra à potorno de 70 mil pessoas todos os anos pulação, sendo passagem obrigatória para este evento. para todos os visitantes da cidade. Em 2011 conhecemos a cidaE claro aproveite para visitáde, pois justamente estávamos indo re- -la não apenas na Oktoberfest, que é servar a nossa área de acampamento, a maior do estado, mas vá também no Parque da Oktoberfest para o nosso neste ENART 2014, de 14 a 16 de noprimeiro ENART, e aproveitando a oca- vembro, conheça a cidade e todas as sião passeamos por alguns pontos tu- lindas modalidades artísticas da nossa rísticos. Começando pela Catedral São cultura gaúcha. Mais o fotos e informaJoão Batista, localizada na zona central ções no meu blog: www.turismonosul. da cidade, em frente à praça Getúlio com.br. Foto: Divulgação Vargas, sendo um dos maiores templos da América do Sul em estilo neogótico tardio. Aproveitando e conhecendo o centro da cidade, com ruas arborizadas repletas de bares e restaurantes, que com certeza agradam muito a quem está procurando boa comida e lugares aconchegantes. É fundamental conhecer o Parque Municipal da Gruta, um lugar para passar o dia em contato com a natureza, sendo avistados macacos-prego em plena liberdade (não os alimente!), além de um mini-zoo. Para passar o dia use mesas e churrasqueiras disponíveis e também há um restaurante e uma lancheria. Mais ao fundo é possível visitar a gruta existente no parque, e passear no teleférico que percorre toda área de lazer, inclusive sobre o pequeno lago Maior catedral do estilo neogótico da América Latina que existe lá. Tudo isso sem custo. CTG Potreiro Grande realiza projeto Abordando o tema anual de 2013, integrantes do CTG falaram sobre medicina natural em prol da saúde e bem estar. O CTG Potreiro Grande realizou no dia 31 de março de 2014, no Salão Sagrado Coração de Jesus, no Bairro Indianópolis, Tramandaí/RS, o Projeto “MTG em Defesa da Saúde e Bem Estar do Tradicionalista”. O evento contou com a colaboração do senhor Ivo Rodrigues de Oliveira, apicultor e fundador da APITRA (Associação dos Apicultores de Tramandaí) e com a colaboração do Senhor Argílio Gomes Pereira, Diretor do Horto Florestal do Litoral Norte, juntamente com a bióloga Eduarda Kras. A atividade foi organizada e executada por Brenda Luiza Moreira Magni, 1ª Prenda Mirim do CTG Potreiro Grande, Ingrid Silveira Streit, 1ª Prenda Pré-Mirim do CTG Potreiro Grande e Kauly Silveira Streit, 1º Piá Farroupilha da 23ª RT, que recepcionaram os convidados, explicaram a aplicação de algumas ervas medicinais e fizeram a distribuição de chás e plantas medicinais aos participantes. Esteve presente ao local o Coordenador da 23ª RT senhor João Carlos Luz e esposa Lúcia, e a senhora Terezinha da Silva Nunes Diretora Cultural da 23ª RT, além de Diretoras Culturais e integrantes de CTGs da Região, bem como comunidade em geral Foto: Divulgação Raça Gaúcha de Alvorada teve palestra Elomir Malta, conselheiro do MTG, responsável, por muito tempo, do cerimonial e protocolo da entidade, além de radialista e apresentador, palestrou no CTG Raça Gaúcha, em mais um evento organizado por Marta Guedes Beyer. Aplicação das ervas medicinais foi apresentada aos presentes No ultimo dia 7 de abril, no com os convidados tirando, de alCTG Raça Gaúcha, na cidade de Alvo- guns, o medo de falar em publico, e rada, foi promovida uma palestra com acabou recebendo mais convites de Elomir Malta, apresentador da TV Tra- outros CTGs que lá estavam, para palestrar” – contou Marta Guedes Beyer, dição, “Como Falar em Público”. “A acolhida foi como sem- grande incentivadora da cultura em pre os tradicionalistas recebem seus Alvorada. Foto: Divulgação convidados, bem de mais” – disse Malta. Os medos, os cacoetes, o perigo do acesso ao microfone de pessoas que não estão preparadas, cerimonial e protocolo, foram alguns dos itens abordados para os mais de 60 tradicionalistas que foram até o Raça Gaúcha. “A palestra foi muito proveitosa, Como falar em público foi o tema da palestra de Elomir Malta o Elomir interagiu

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10 Ano XII - Edição 153 Maio de 2014 Com esta conquista Lucas Henrique Xavier, estudante de agronomia da UPF, e representante do CTG Felipe Portinho, coloca a 7ªRT no patamar das regiões que já levara Fotos: Turki Lucas conquistou título inédito para a 7ª RT. Ma Um dos poucos títulos que ainda não haviam sido conquistados pela 7ª região. Em um evento onde participaram 26 candidatos, representando 17 regiões, das 30, sendo 13 peões e 13 guris concorrentes. Nenhuma região fez dobradinha com peão e guri nesta edição, pois foram 6 premiados de diferentes regiões. Lucas Xavier repete o feito de Bruno Kamien (que entregou o cargo), que foi peão farroupilha aos 17 anos. As regiões que mais vezes levaram o título de peão farroupilha do Rio Grande do Sul foram a 3ª RT, 9ª RT, 11ª RT, 16ª RT e a 23ª RT, todas com 3 títulos. Seguem com dois troféus farroupilhas a 15ª RT e a 30ª RT. Com um, vem em seguida, a 1ª RT, 4ª RT, 12ª RT, 13ª RT 20ª RT, 21ª RT e agora a 7ª RT. Outro fator que chamou a atenção foi o jovem Gustavo Taynã de Melo, que se sagrou 2º Peão do estado. Ele esteve no grupo de peões do Rio Grande no ano de 2012, quando conquistou o titulo de 2º guri. Passado dois anos o jovem veio na categoria acima e manteve uma escrita da 3ªRT de ter representante na gestão estadual de peões. Solenidade de abertura do Entrevero Benjamin Feltrim Neto: padrinho Peões preparam o charque Lucas Henrique Xavier 7ª RT Gustavo Taynã Leal de Melo 3ª RT 3º Peão Farroupilha do RS Com a bandeira da sua região Peão Farroupilha do RS Categoria Peão Assar Churrasco na vala 2º Peão Farroupilha do RS Gregory Gonçalves 11ª RT Aparte mostra habilidade do cavaleiro Laçar Categoria Guri Andrei Righi Seixas 13ª RT Gustavo Henrique dos Santos 9ª RT 3º Guri Farroupilha do RS 2º Guri Farroupilha do RS Guri Farroupilha do RS Momento solene do hino Giulio Ariel Menin 20ª RT Departamento jovem(D) presente no evento Peonada pronta para o entrevero

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Ano XII - Edição 153 Maio de 2014 11 am o concurso para suas cidades. O Guri Farroupilha do estado é Andrei Righi Seixas, da 13ª RT. Andrei Righi Seixas, 16 anos, cursa o 2º ano na Escola Estadual de Ensino Médio Cilon Rosa, em Santa Maria, onde reside a dois anos e representa o DTG Avenida Tênis Clube. Iniciou sua participação no tradicionalismo com 4 anos como integrante da invernada pré-mirim do CTG Sincero Lemes e hoje é o 1º Guri Farroupilha do Rio Grande do Sul. Eco - Quem é o guri farroupilha do RS? Descreve Sou um rapaz simples que desde muito pequeno aprendi com meus pais, tios e avos a cultuar as tradições de nosso Estado. Gosto muito de fazer novos amigos e aprender coisas novas, sou muito alegre, gosto de desafios e sou fascinado por uma boa música gaúcha. Preocupo-me em manter firme a cultura do nosso Rio Grande do Sul, que é passada de geração em geração. Minha família sempre foi ligada ao tradicionalismo; meus pais foram patrões do CTG Sincero Lemes em minha cidade de origem, Vila Nova do Sul, e minha irmã, Andrissa, conquistou o cargo de 1ª Prenda Juvenil do RS – Gestão 2009/2010. Em meio a esse berço, iniciei minhas atividades no tradicionalismo muito cedo, com apenas quatro anos de idade, na invernada artística pré-mirim do CTG Sincero Lemes, e aos nove anos conquistei meu primeiro crachá, como Piá Farroupilha. Há dois anos resido em Santa Maria e comecei a participar do Departamento de Tradições Gaúchas Avenida Tênis Clube, onde sou integrante da invernada artística e represento o mesmo em atividades artísticas e culturais. Representei o DTG Avenida Tênis Clube e a 13ª RT no 26° Entrevero Cultural de Peões, onde consagrei-me 1º Guri Farroupilha do Rio Grande do Sul – Gestão 2014/2015. Eco - Como foi a sensação de ver o trabalho reconhecido e vencer o entrevero? Foi muito gratificante, uma sensação enorme, tão grande que é difícil de descrever em simples palavras. Primeiramente a sensação do dever cumprido por ter bem representado a 13ª RT e a minha entidade, o DTG Avenida Tênis Clube, conquistando um título inédito em nossa região. O fato de ver que todo meu esforço, dedicação, estudo, treinos e ensaios não foram em vão e que consegui alcançar meu objetivo foi inigualavelmente ótimo, pois mostra que se eu colocar em outras situações da minha vida, a mesma determinação que coloquei no Entrevero, meus objetivos poderão ser alcançados. Então a principal sensação de vencer o entrevero foi de um “Sim” para uma grande pergunta, “Eu sou capaz?”. E ao mesmo tempo uma grande alegria por ter a oportunidade de ser Guri Farroupilha do Rio Grande do Sul, não apenas pelo crachá, mas por ter mais uma oportunidade de trabalhar em prol do Movimento Tradicionalista Gaúcho, compartilhar nossos valores, conviver e trocar experiências com jovens de todo o Estado. Eco - O que mais gosta de fazer fora do tradicionalismo? Gosto muito de tocar violão, posso dizer que a música é uma das minhas paixões. Em meu tempo livre gosto de estudar, jogar e assistir filmes. Frequento o Avenida Tênis Clube com meus amigos, muitos desses também integrantes do Departamento de Tradições Gaúchas. Nos feriados aproveito para ir à Vila Nova do Sul ver meus pais e familiares, e também para encilhar a lobuna e sair para alguma campereada, pois quem descansa enferruja. Eco - Quais os teus planos para a gestão? Como jovem tenho a responsabilidade de dar continuidade ao trabalho e herança de nossos antepassados. Por isso no decorrer desta gestão farei de tudo para honrar, perpetuar e divulgar nossa cultura e nossas tradições. Procurarei me fazer presente nos eventos e atividades estaduais, regionais e de entidades colocando-me a disposição de todos para bem atender os objetivos do tradicionalismo gaúcho. Acredito muito no trabalho em equipe e espero que nossa gestão seja muito unida e que juntos possamos trabalhar em prol do Movimento, cumprindo com nossas obrigações, e com nosso papel de representantes da juventude e que possamos desenvolver atividades que incentivem um maior número de jovens trazendo-os para o meio tradicionalista, pois como foi citado por nosso Presidente do MTG “Quanto mais foices, maior a roçada”. arau será sede do próximo Entrevero em 2015. Lucas Henrique Xavier, 17 anos, cursa o 1º semestre de agronomia, na Universidade de Passo Fundo. “Sempre tive contato com o campo, cavalos na parte campeira, pelo fato de meus avôs, tios participarem deste meio, rodeios, porem nunca mostrei muito interesse. Contudo minha participação na parte artística começa quando eu integrei um curso de danças no projeto AABB Comunidade aqui em minha cidade, a partir dai veio meu gosto pela dança, e como os professores também participavam de CTG, fui atrás para participar do grupo de dança da entidade, então com 10 anos engrenei no CTG Felipe portinho onde estou lá até hoje. E com o passar dos anos comecei também a declamar, onde para minha alegria neste ano classifiquei para a final de declamação juvenil no 30º Rodeio de Vacaria, também comecei a tocar gaita, e há uns dois anos atrás surgiu o interesse pelo laço” – Conta Lucas. Eco - Quem é o peão farroupilha do RS? Ao longo da minha vida tradicionalista dentro do CTG, fui 2º Guri Farroupilha de entidade, 1º Guri Farroupilha, onde tive a oportunidade de participar pela primeira vez de um concurso regional, porem não obtendo classificação, e no ano de 2012 obtive o titulo de 1º peão, o que me levou hoje a ser o Peão Farroupilha do Rio Grande do Sul. Também participo das modalidades individuais, gaita, declamação, porém com mais frequência declamação, onde posso citar a minha classificação para a final do 30º Rodeio Internacional de Vacaria na categoria declamação peão juvenil, nos mês de fevereiro deste ano. Havia começado também a laçar nos rodeios, porem com todos os compromissos fui deixando um pouco de lado, mas sempre que posso, procuro participar dos rodeios. E durante todo esse tempo dentro do tradicionalismo e também os próximos que virão, sempre procurei agir, independente de ocasião, titulo, com muita humildade, afinal nunca é bom querermos passar por cima de outras pessoas. Eco - Como foi a sensação de ver o trabalho reconhecido e vencer o entrevero? Confesso que foi muito grande a emoção quando me anunciaram como o novo Peão Farroupilha do RS, afinal foram meses de preparação pra chegar na cidade de Giruá e fazer um bom papel, uma boa apresentação, bem representando a 7ª RT o CTG Felipe Portinho e a cidade de Marau, mas graças a Deus e a todos que me ajudaram, o resultado veio, inédito pra 7ª RT, pois nunca havia tido o Peão Farroupilha do RS, onde neste ano consagro-me com este titulo e, com certeza, pude sair de lá com o sentimento de dever cumprido. Eco - O que mais gosta de fazer fora do tradicionalismo? Antes de tudo, gostaria de dizer que sou uma pessoa bem caseira, não gosto muito de sair em festas, baladas ou algo do tipo, deste meio, e nem tenho nenhuma preferência sobre alguma outra atividade, portanto quando surge algum tempo, ou quando fico de folga, normalmente fico em casa ensaiando, estudando ou vou visitar meus avós/familiares, gosto muito de estar com minha família. Eco - Quais os teus planos para a gestão? Então, sei da imensa responsabilidade que é ser o Peão Farroupilha do Rio Grande do Sul, afinal temos que comandar uma gestão e também por ser um cargo tão desejado/disputado por todos, porem espero dar o meu melhor cumprindo com todas as obrigações e juntamente com os demais peões guris do RS desempenhar um bom papel durante todo este ano que teremos a diante, pelos quatro cantos do nosso estado, e claro como falei acima sempre com muita humildade, assim sempre cultuando, levando adiante e preservando as nossas tradições. Também, de antemão, já quero deixar o convite a todos os tradicionalistas e a população em geral, para o 27º Entrevero Cultural de Peões do Rio Grande do Sul que acontecerá em minha cidade, Marau, no mês de abril de 2015, onde com certeza faremos um belo e grandioso evento.

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12 Ano XII - Edição 153 Maio de 2014 RECORDANDO - CIRANDA CULTURAL DE PRENDAS Qual a importância do concurso de prendas na vida de quem já participou? São 45 anos deste evento que não se resume a um concurso. A preparação para a ciranda envolve aulas, treinos, preparação psicológica, trabalho em equipe e, acima de tudo, é uma escola informal para a vida. Entrevistamos 5 prendas que hoje são exemplos de mulheres bem sucedidas Shirlei Paravisi nasceu em Caxias do Sul. Jornalista, uma apaixonada pela comunicação. Seu primeiro, e único CTG, foi o Imigrantes e Tradição – 25ª RT. Seu tio e sua irmã são sócios fundadores, por isso eles tem um carinho todo especial pela entidade. Shirlei foi 1ª prenda juvenil do Rio Grande do Sul 1990/1991. ECO – Shirlei, como era concurso de prendas naquela época? Sempre que falo neste assunto, sinto uma nostalgia. Vivi todas as etapas do concurso de prendas (CTG, regional e estadual) de forma muito intensa. Naquela época a exigência era muito grande e por isso estudei muito. Lembro de passar as tardes lendo, escrevendo... buscando referências...Um dos meus grandes incentivadores, meu Tio Luiz Gonzaga de Barros, ex-patrão do CTG Imigrantes e Tradição e ex-coordenador da 25ª RT, nunca deixou as prendas da região esquecerem o quanto a parte cultural era importante no meio tradicionalista. E comigo a “cobrança” era ainda maior. Lá nos anos 90 a internet ainda não estava ao alcance de todos, então tudo era através dos livros físicos. E isso tem um significado todo especial pra mim. Ainda lembro do cheirinho do papel. Acho que a minha geração de prendas se destacou pela qualidade cultural. Ainda acredito que somos uma referência nesse sentido. ECO – O concurso, não só ele, mas toda a preparação que o envolve, de alguma forma te preparou para o mundo? Com certeza. Não seria a mesma pessoa se não tivesse participado do concurso, ou melhor, se não tivesse feito parte do mundo tradicionalista. Aprendi valores que fazem parte do meu caráter. Entre eles respeito aos mais velhos, a importância da cultura e da leitura, o amor à uma tradição e o quanto ela é importante para uma sociedade. ECO – Ter sido prenda te influenciou em algo para teu futuro pessoal e profissional? Acho que só sou jornalista porque fui Primeira Prenda. A função me levou a muitos lugares, conheci muitas pessoas e isso fez com que despertasse em mim o amor pela comunicação. Lembro que tinha que escrever projetos, fazer pronunciamentos nos Congressos e Convenções e na hora de escolher o curso que iria fazer na faculdade pensei: porque não jornalismo? Imediatamente me identifiquei com a profissão e não me enxergo fazendo outra coisa. ”Meninas, nunca esqueçam que mais importante do que a faixa e a visibilidade que o concurso dá, é o conhecimento que nos diferencia. Isso é uma riqueza que ninguém tira. Boa sorte a todas!” Elisângela Melo Reghelin, Delegada de Polícia Regional, de Gramado, nasceu em Santo Ângelo/RS, mas representou Porto Alegre no concurso estadual de prendas em 1995. Seu CTG de origem é DCG Mescla de Guapos, da SOGIPA. ECO – Como era concurso de prendas naquela época? “O Concurso de Prendas da época era bem difícil e muito concorrido. As meninas se preparavam demais, lembro que foi um período de pura dedicação e muita preparação. ECO – O concurso, não só ele, mas toda a preparação que o envolve, de alguma forma te preparou para o mundo? Sim, sem dúvida. A preparação para o concurso e tudo o que se sucedeu me marcou muito e ensinou-me a ter força de vontade, a superar as dificuldades, a ir em frente quando muitas vezes, o cansaço e os obstáculos eram bastante fortes. Também foi importante porque abriu muitos horizontes, me ensinou muito a conhecer melhor as pessoas, apresentou oportunidades, contatos, desafios, culturas, reflexões que foram bastante relevantes para meu desenvolvimento pessoal. ECO – Ter sido prenda te influenciou em algo para teu futuro pessoal e profissional? Ser prenda é quase uma filosofia de vida! A dedicação que tudo exigia, o tempo que foi destinado, os investimentos altos (financeiros, pessoais e familiares) deixaram reflexos indeléveis. Talvez hoje eu fizesse algumas coisas diferentes sim, mas de um modo geral, o saldo foi extremamente positivo, tanto social, como culturalmente. Algumas amizades também permaneceram e ficaram as lembranças mais lindas e afetivas de um tempo especial. Como mensagem eu diria que aproveitem muito este período para adquirirem conhecimentos, para investirem na nossa cultura que é tão linda e tão rica. Também é muito importante contar com o apoio da família, como eu tive a sorte de ter, pois sem isso tudo ca realmente muito distante e bastante (ainda mais) complexo e complicado. É um concurso e tem que se ter preparo emocional para admitir o resultado que vier. Saber que foi dado o melhor de si é motivo para alegria. Respeitar quem chegar às primeiras colocações é fundamental. É importante saber colher os bons frutos, conforme aquilo que se conquistou, independentemente da posição nal. Marisol Santos Silva, jornalista, e atualmente, trabalha na RBS TV em Caxias do Sul, como editora e apresentadora do Jornal do Almoço. Natural de São Leopoldo, é a mais nova de três irmãs. “Meu envolvimento com o movimento tradicionalista começou muito cedo, quando eu tinha 5 anos. Minhas irmãs e eu dançávamos no CTG Rodeio Minuano, em Caxias do Sul. Foi nessa entidade que passei a maior parte da minha infância e adolescência. Dançava na invernada e declamava, minha grande paixão” – conta Marisol. ECO – Marisol, como era concurso de prendas naquela época? Em termos de etapas, os concursos eram como hoje. Primeiro no CTG, depois a fase regional e em seguida, a estadual. Alguns critérios de avaliação, porém, eram diferentes. Havia prova escrita e oral, que incluía a participação artística. Dançar era obrigatório e podíamos escolher entre tocar ou cantar. Participei do concurso estadual em Jaguari, em 1988. Foi o primeiro ano em que houve a prova escrita para a categoria mirim, até então avaliada apenas pela prova oral. Fui eleita a primeira prenda mirim do estado, sendo este o primeiro título da 25ª Região tradicionalista. Minha segunda prenda era de Ibirubá e a terceira, de Santo Ângelo. Entreguei a faixa, no ano seguinte, em cachoeira do Sul. ECO – O concurso, não só ele, mas toda a preparação que o envolve, de alguma forma te preparou para o mundo? Com certeza. O movimento tradicionalista é um grande aprendizado. No CTG, aprendemos e exercitamos valores como responsabilidade, disciplina, respeito. Na preparação para o concurso, convivi com pessoas incríveis que me ensinaram muito. Quem imaginaria ter como mestre Honeyde Bertussi (in memorian), Clóvis Pradel Pinheiro (i.m.), Tânia Tonet? Minha irmã concorreu na categoria juvenil e, quando possível, estudávamos juntas. Ela é extremamente dedicada e, com certeza, foi uma das principais responsáveis pelo meu desem- penho na prova ( errei apenas “meia questão” –risos-). Aliás, cabe ressaltar que minha família é incrível, sempre me ensinou valores importantes e sempre esteve presente na minha vida tradicionalista, por meio do incentivo e do acompanhamento em todos os compromissos de prendado. ECO – Ter sido prenda te influenciou em algo para teu futuro pessoal e profissional? Sim. O tradicionalismo nos ensina muitas coisas. Representar o Rio Grande do Sul quando se tem apenas 10, 11 anos, ter que falar em público, ter que se portar de maneira respeitosa diante de grandes plateias, etc, foi decisivo na minha formação e, provavelmente, tenha relação com a escolha da minha profissão. Desde criança aprendi a conviver com pessoas diferentes, de várias idades e culturas, e compreendi, na prática, a importância de respeitar a hierarquia e valorizar opiniões diversas. Desejo um excelente concurso a todas. A dedicação e o estudo terão retorno, com certeza. E não estou falando do resultado, em si... que é consequência, mas do aprendizado para a vida. Sorte, sucesso! Façam novas amizades, fortaleçam laços e aproveitem cada minuto, para que sejam excelentes recordações para o futuro! TEMA QUINQUENAL: O MTG ENGAJADO NA CAMPANHA DE COMBATE À CORRUPÇÃO - “LAÇANDO A CORRUPÇÃO”

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Ano XII - Edição 153 Maio de 2014 13 Ana Claudia da Luz Feltrim, jornalista, formada em jornalismo e direito, pós graduada em psicologia transpessoal, nasceu em Santa Maria, mas aquerenciou-se desde cedo em Sant´Ana do Livramento. Sua primeira entidade foi o CPF Piá do Sul, lá foi coordenadora artística, instrutora da escolinha, invernada juvenil, foi do conselho de vaqueanos. No CTG Fronteira Aberta foi prenda mirim, participou das invernadas, departamento cultural, foi vice-campeã e campeã do ENART pelo CTG Presilha do Pago, como declamadora e foi diretora cultural da 18ª RT. ECO – Ana, como era concurso de prendas naquela época? Era muito diferente. Não digo que era melhor. Todavia, era algo mais forte no sentido que a prenda ou sabia ou sabia. Tive como jurada Rose Mari Reis Garcia, Sônia Abreu, Cira Dutra Ferreira, Lilian Argentina, entre outras. Tínhamos que declamar, cantar, tocar um instrumento, dançar. Tinha prova oral com perguntas do cotidiano e na parte da sociabilidade. Éramos apartadas das famílias para passar o dia com os jurados, onde tudo era observado, inclusive maneira de se portar a mesa e como conversar com as pessoas. ECO – O concurso, não só ele, mas toda a preparação que o envolve, de alguma forma te preparou para o mundo? Não há dúvida. Hoje sou muito mais Ana Cláudia, mais feliz, amadurecida e certa que tudo o que queremos e amamos sempre está perto de nós. O concurso e tudo mais me mostrou que nada se consegue sozinho. Como sou espírita levei e levo muito o que está escrito no plano de ação de social do MTG para minhas atividades assistências. O que me parece faltar hoje. ECO – Ter sido prenda te influenciou em algo para teu futuro pessoal e profissional? Sim. Já era falante mais me tornei ainda mais (risos). Amadureci. Percebi que a leitura é instrumento de poder me nosso pensamento. Aprendi a respeitar as pessoas e suas opiniões. Aprendi a viver, resumindo, aprendi a ser gente. Muito mais humana. Gostaria que todas as prendas tivessem esta grande oportunidade e aproveitassem. Todavia, muito além de usar faixas, muito além de ter títulos, mas, SER, pois para mim SER é para a eternidade TER é tão breve que o coração, a mente e alma das pessoas esquecem rapidamente. Aprendi a ler com minha mãe Maria Lili e os versos de Dimas Costa, Ser Prenda de CTG. Percorri todas as regiões tradicionalistas. Fiz campanhas de carretas solidárias, campanha da lã para aquecer a alma, campanha de valorização do jovem, isso em 1986, em todo o estado e nesta época ao entregarmos a faixa tínhamos que entregar um relatório para todas as prendas, relatório que continha horário, atividade, pessoas envolvidas, ou seja, tudo muito confirmado. Sejam vocês mesmas. Certa vez Chico Xavier perguntou a Emanuel o que preciso fazer e ele respondeu três coisas: disciplina, disciplina, disciplina e eu acrescento ame, por que a vida terrena passa rápido, então, mesmo que sejam acusadas de adolescentes amem tudo o que fazem, porque o verdadeiro amor, tudo vence, tudo pode e tudo liberta. Ser prenda pra gente é mais que um presente é um regalo de Deus. Shana Goulart Müller, em artes, Shana Müller, nascida em Montenegro e moradora de várias cidades gaúchas pela profissão de seu pais. Há 17 anos vive em Porto Alegre, para onde veio cursar a faculdade de jornalismo e de onde nunca mais saiu! Hoje, tem a alegria de trabalhar com o que gosta e conciliar suas duas profissões: a música e a comunicação e em ambas trabalhar com a temática da cultura regional. “Herança do meu desejo de concorrer a primeira prenda, lá por 1989 quando me atrevi pela primeira vez a estudar e aprender a tocar violão, cantar e declamar, porque queria ser primeira prenda do RS representando o Centro Farroupilha de Tradições Gaúchas, do Alegrete. Essa cidade que sem dúvida é um marco na minha infância e adolescência, onde vivi anos intensos e de onde muitas, vezes, digo que sou. O amor pelo Rio Grande foi desperto em mim ainda pequena e nunca mais me deixou” - contou Shana. ECO – Shana, como era concurso de prendas naquela época? Lembro da minha mãe me dar vitamina para tomar, tu acredita? Dizia que eu estava magra, “com os olhos no fundo” de tanto estudar. Eu tinha concorrido a prenda mirim do RS, ficado em quarto ou quinto lugar, não lembro bem... E realmente havia sido uma frustração bem marcante. Aí veio o convite do CTG para que eu assumisse a faixa de juvenil. Minha mãe me incentivou a tirar esse “trauma”. Para mim, foi uma maneira de mostrar que eu era capaz. Lembro que ia estudar em Santa Maria com uma querida amiga que já tinha sido Prenda do RS, a Adriana Yop. O concurso sempre foi muito disputado, mas sobretudo, um incentivo ao estudo e ao desenvolvimento das crianças e jovens. Vejo que hoje tanto na música, quanto como apresentadora, devo muito a essas exigências, de falar em publico, de estudar, de aprender. ECO – O concurso, não só ele, mas toda a preparação que o envolve, de alguma forma te preparou para o mundo? Como eu disse acima. Acho que cada um lida de uma maneira. Todo o concurso te ensina alguma coisa, sempre! Nem que seja a perder. Eu aprendi muito desde o processo de preparação sobre dedicação, empenho, perseverança, disciplina sobre a minha terra, o que me permite andar por ai e saber explicar tantas peculiaridades do RS, e claro a preparação artística. Se não tivesse desejado ser prenda, talvez nada disso tivesse entrado em minha vida. ECO – Ter sido prenda te influenciou em algo para teu futuro pessoal e profissional? Totalmente. Só trabalho com a área da cultura regional. Hoje posso dizer que tenho o total discernimento do tradicionalismo para o que faço. Já fui uma representante deste movimento que admiro e respeito. Por onde a gente anda, sempre ouve essa ou aquela crítica sobre as regras e tal, mas sempre afirmo que há muito mais coisas boas do que aparentemente muita gente enxerga. O movimento, o CTG, ainda é um lugar saudável, de convivência de gerações e que incentiva as pessoas a conhecerem o seu lugar. Em tempos de arte fácil, fútil, passageira, de globalização frenética, isso é louvável. Hoje não digo que canto música tradicionalista. Meu canto não tem o compromisso de ser uma tradição passada adiante. Tem o compromisso de remeter ao lugar de onde venho. E essa herança, esse discernimento veio da minha intensa convivência com a tradição. O concurso prepara pelo que envolve na responsabilidade que assumimos em representar outras pessoas, uma entidade, dar nosso melhor. Nos ensina a ganhar e a perder e a lidar com isso como ser humano. E se a gente ainda tem sorte, nos prepara para uma profissão! Gurias, aproveitem ao máximo. Essa é uma fase feliz da vida, da convivência umas com as outras, de realmente fazer amizades (até hoje encontro amigas deste período), de aprender realmente. Coisas que são para a vida toda, pra vocês como pessoas, como meninas mais preparadas intelectualmente. É um tempo que não volta, como nenhum tempo volta, mas é marcante, sem dúvida. E na vida, assim como nos concursos, a gente sempre tem o que ganhar e o que perder. Não é apenas o título, mas ensinamentos para uma vida toda. Basta saber aprender! Boa sorte! TEMA ANUAL: PRESERVANDO O PASSADO, CONSTRUINDO O FUTURO

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14 Ano XII - Edição 153 Maio de 2014 Colaboração de Nathalia Kurtz Rosângela Borges* - MTE Letícia Rodrigues - MTE 9373 GRANDES MOMENTOS DA HISTÓRIA TRADICIONALISMO Nasce a colônia do Sacramento No início, os portugueses tra�icavam escravos e contrabandeavam couros no Rio da Prata, além do Meridiano de Tordesilhas. Em 1680, fundam a Colônia do Sacramento e dividiram o controle do comércio com os espanhóis. O rio da Prata, que os guaranis chamavam Paraná-Guaçu (mar grande), fascinou os navegadores que desciam até o extremo sul, explorando a costa. Muitos acreditaram que poderiam alcançar o Pacífico, navegando por suas águas. A Espanha, mandou Juan Dias Solis assinalar a posse do estuário. Solis fez o reconhecimento, ergueu um marco e retornou à Espanha, levando quatro charruas. Solis voltou um ano depois, sem os nativos. Quando entrou no estuário, viu um grupo de índios acenando. Achou que eram gestos amistosos, desembarcou numa canoa, com dois oficiais e oito soldados da sua tropa. Mal tocam o pé em terra, foram massacrados pelos charruas. Só um, Francisco Puerto, escapou. A partir da tragédia, o vasto estuário tomou o nome de Rio de Solis, e não cessaram as viagens de exploração. Sebastião Caboto percorreu todo o rio, até o Paraná, e encontrou náufragos e sobreviventes de várias expedições, vivendo entre os índios. Quando Portugal e Espanha se uniram sob a coroa do rei Felipe II, a partir de 1580, os portugueses aproveitaram para consolidar sua posição no Prata. Na fundação de Buenos Aires, um quarto da população era portuguesa. Em 1640, os reinos se separaram e reacenderam as seculares disputas. Os espanhóis tentando alijar os portugueses do comercio do prata e, por outro lado, os portugueses, através de Manoel Lobo, fundava a colônia do santíssimo sacramento, defronte ao território de Buenos Aires, desviando para o Brasil enormes quantidades de prata e ouro, em troca de escravos negros e açúcar. Um século sem trégua Assediada pelos espanhóis de Buenos Aires, desde os primeiros momentos, a Colônia do Sacramento teve raros dias de paz. Por 97 anos, a luta de Portugal Espanha por sua posse envolveu as principais chancelarias europeias em batalhas diplomáticas e manchou o pampa de sangue. 7 de agosto de 1680 Sete meses depois da fundação, Sacramento é destruída pelos espanhóis. Em 7 de maio de 1681, é devolvida a Portugal por intervenção do papa. 17 de outubro de 1704 Sitiada, resiste até 15 de março de 1705, quan os portugueses abandonam o lugar. É devolvida a Portugal pelo Tratado de Utrecht, de 1715. 10 de novembro de 1735 Novo sítio espanhol. O armistício é assinado em 21/3/1737 e confirmado pelo Tratado de Madri, de 1750. 06 de outubro de 1762 Depois de 16 meses sitiada, a Colônia é tomada pelos espanhóis. Mas volta aos portugueses 25 dias depois. O Tratado de Paris, de 1763, confirma. 1° de outubro de 1776 Atacada, Sacramento se rende em 31 de maio de 1777. No mesmo ano, o Tratado de Santo Ildefonso ratifica sua posse pela Espanha. Em troca, os portugueses ganham a região dos Sete Povos. Foto: Arquivo pessoal Gilmar Sossella recebe demandas do Movimento Tradicionalista Gaúcho Manoelito Savaris apresenta demandas O presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), Manoelito Carlos Savaris, esteve com o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gilmar Sossella (PDT), na manhã desta quinta-feira (3), para entregar um ofício solicitando que a Lei 11.719 de 2002 seja mantida. A lei institui oficialmente o rodeio crioulo como componente da cultura popular do Rio Grande do Sul, mas foi alterada pela Lei 12.567, em 2006, que estabelece um conjunto de normas sobre infraestrutura, cuidados médicos, transporte de animais, canchas e bretes, formas de encilha e proteção dos animais. Segundo Savaris, tratar a atividade como esporte, como prevê o PL 271/2013, contraria a história e foge do objetivo do tradicionalismo gaúcho. “O MTG trata de cultura regional, folclore e tradição gauchesca e se o tiro de laço for considerado esporte a instituição terá que se afastar da atividade que ela própria criou”, ressaltou o presidente. O deputado recebeu o documento e afirmou que irá tratar do tema com as bancadas. Também estiveram presentes na audiência o vice-presidente do MTG, Nairioli Callegaro, e o vice-presidente da Fundação Cultural Gaúcha, Gustavo Bierhals, que também entregaram ao deputado Sossella um convite para participar da Festa Campeira do RS (FECARS), de 1º a 4 de maio em Viamão, e do Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (Enart), que será realizado em novembro em Santa Cruz do Sul. O chefe de gabinete, Jair Müller, acompanhou o encontro. La Calle de los Suspiros Foto oficial da visita TEMA QUINQUENAL: O MTG ENGAJADO NA CAMPANHA DE COMBATE À CORRUPÇÃO - “LAÇANDO A CORRUPÇÃO”

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Ano XII - Edição 153 Maio de 2014 15 Proseando com o MTG Todas as terças-feiras a partir das 18h Apresentação: Manoelito Savaris www.tvtradicao.com.br Todas as quartas-feiras a partir das 20h Apresentação: Elomir Malta A voz da tradição

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