50 ANOS DO GOLPE DE 64

 

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CATÁLOGO SINASEFE - 50 ANOS DO GOLPE EMPRESARIAL-MILITAR DE 1964

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UM TEMPO PARA NÃO ESQUECER 50 ANOS DO GOLPE EMPRESARIAL-MILITAR DE 1964

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APRESENTAÇÃO 50 anos do golpe empresarial-militar Há exatamente 50 anos atrás, a classe trabalhadora vivia um de seus momentos de maiores expectativas. Havia intenso fervilhar de esperança. Jovens universitários subiam os morros para alfabetizar com o método Paulo Freire. Trabalhadores rurais se organizavam nas Ligas Camponesas e enfrentavam os jagunços dos usineiros. Os sindicatos se libertavam das amarras do sindicalismo de Estado e formavam o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). A sociedade festejava a iminente conquista das “reformas de base” (Reforma Agrária, fiscal, financeira, educacional, etc). Mas as classes dominantes não aceitaram perder um centavo sequer de sua enorme riqueza, e mobilizaram seus cães de aluguel (os oficiais da direita militar) para destruir a mobilização popular e jogar sobre o povo mais de duas décadas de ditadura. O golpe que derrubou o presidente constitucional João Goulart foi orquestrado pela classe dominante organizada. A maioria de nós cresceu ouvindo a propaganda de que esse ato foi obra exclusiva dos militares, mas não foi bem assim. Até hoje, os verdadeiros beneficiários da ditadura se escondem por trás dessa mentira. Foram eles os que mais enriqueceram com os governos militares, enquanto o Brasil se tornou campeão mundial em desigualdade social. Isso explica o título deste texto, foi um golpe financiado pelos empresários e latifundiários, não simplesmente um golpe militar. Alguns dos mais poderosos meios de comunicação da atualidade, como a Rede Globo de Televisão, o SBT e Revista Veja, foram obras da ditadura, sempre a defenderam e hoje tentam passar a imagem de “democratas”, e até de quem “sofreu” com a ditadura. Às vésperas do cinquentenário deste crime hediondo da história, o Sinasefe vai realizar neste 28º CONSINASEFE um ato político em memória não do golpe em si, mas dos sonhos que o antecederam e da resistência que o sucedeu. Nos livros didáticos e na televisão, essa história é contada como coisa do passado... Mentira! Os beneficiados da ditadura estão aí! Os criminosos ainda à solta! A reforma agrária ainda por fazer! Ainda é tempo de lutar pela punição aos torturadores e empresários que os financiaram. De fazer justiça aos desaparecidos e apontar de uma vez por todas os colaboradores. Se tomarmos o tempo não como um instante que passou, mas como um processo contínuo que permanece enquanto não se fechar um ciclo, concluiremos que ainda vivemos esse golpe, que há muito ainda por se acertar. Que revivamos então esse tempo, não apenas para chorar e homenagear nossos mortos, mas para enfim, fazer diferente.

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“[...] Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada (...)”. (“No caminho com Maiakóvski”, poema ora atribuído a Maiakóvski, ora a Bertolt Brecht, ora a Eduardo Alves da Costa).

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PORÕES DA DITADURA “Você está em poder do braço clandestino da repressão, ninguém pode te tirar daqui!” Esta frase era muito ouvida pelos presos ao serem encaminhados para o centro de tortura. A ditadura torturou e matou muito mais do que se possa imaginar. Havia um requinte desumano na barbárie.

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O jornalista Vladmir Herzog nos porões da ditadura. Reprodução Internet. Universitária torturada, depois estuprada e empalada nos porões da ditadura nos anos 70. Reprodução Internet. Foto de Maria Regina Lobo Leite Figueiredo, morta no ICE/RJ, em 1972. Reprodução Internet. A Presidente Dilma Rousseff foi colocada no “pau de arara”, apanhou de “palmatória”, levou choques elétricos e socos. Reprodução Internet.

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RESISTIR É PRECISO Tempos de lutas, de sofrimentos atrozes, de perdas irreparáveis de muitos que ousaram construir uma sociedade mais justa, mais solidária e soberana, Tempos de gritos contra a ditadura insidiosa e vil. A perda da liberdade abriu caminho para a exasperada perda da vida, mas houve o grito da rebeldia, a aspereza da luta e uma feroz resistência ao opressor assassino: “Homens e mulheres que cantaram pela alegria geral e repartiram a mão cristalina e a fronte fraternal com o povo, em uma época em que fazia escuro, mas se cantava a canção do amor armado pela liberdade.” (Thiago de Mello, 1965) No período da ditadura empresarial-militar que se implantou no Brasil em 1964 e permaneceu no poder até a eleição indireta de Tancredo Neves, em 1985, muitos trabalhadores, estudantes, intelectuais, artistas, religiosos, além pessoas de vários setores da sociedade civil, lutaram pelo restabelecimento da democracia. Durante a luta, milhares de pessoas foram presas e torturadas, centenas foram mortas e muitas delas, até hoje, continuam desaparecidas. Para sobreviver, inúmeros brasileiros foram obrigados a se exilar.

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Manifestantes resistindo à investida violenta da Polícia. Reproduçaõ internet

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PASSEATA DOS 100 MIL Sucederam-se os discursos, ondas e ondas de povo juntaram-se ao grande mar da praça. Estavam nas ruas indignados e sedentos de justiça. Faixas e bandeiras se multiplicavam, emissários e “batedores” saíam e chegavam com notícias acerca da segurança do percurso da marcha prestes a começar. O 26 de junho de 1968 ficou uma referência do poder de mobilização dos estudantes sob a força que o pacifismo exercia em ampla frente popular, bem organizada e bem representada.

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Passeata dos 100 mil Foto: Evandro Teixeira

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t a lo a p o io q u e o b t e v e ” . R e p ú b l i c a . . . O a t o d e p o s s e d o p r e s id e n t e C a s t e lo H u m b e r t o C a s t e lo B r a n c o n a P r e s id ê n c ia s o le n id a d e s q u e m a r c a r a m d a “ M i l h a r e s d e p e s s o a s c o m p a a e p r o c e s r s e a m d o ,o m n a t e r e m , c h à a s l IMPRENSA - MÍDIA OFICIAL Em toda a História, houve sempre um punhado de grupos que detiveram o poder dos meios de comunicação, veiculando-o de acordo com os seus interesses e excluindo uma maioria sem voz e sem imagem. 1 6 d e a b r i l d e 1 9 6 4 ) ( C O R R E IO B R A Z I L I E N S E B r a s í l ia , B r a n c o r e v e s t iu s e d o m a i s a l t o s e n t i d o d e m o c r á t i c o ,

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IMPRENSA - MÍDIA ALTERNATIVA As pequenas mídias tiveram um papel especial durante o longo período da Ditadura EmpresarialMilitar de 1964, pois eram um meio alternativo de informação frente ao alinhamento criminoso da mídia oficial com relação à Ditadura. É a metalinguagem dos meios de comunicação contribuindo para a liberdade de expressão e a democratização da informação. Nos primeiros quinze anos desta ditadura, surgiram vários jornais alternativos de oposição, como O PASQUIM (1969), OPINIÃO (1972) e MOVIMENTO (1975).

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Reprodução Internet Reprodução Internet Reprodução Internet

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CHARGES As charges refletiam as preocupações da época: opressão, perseguição, suspensão de direitos políticos, perda de emprego e mandato.

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Henfil Henfil Ziraldo Claudius

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