Jornal Imprensa Sindical - Edição nº 107

 
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ANO XIII | 107a EDIÇÃO Desemprego feminino é o menor em 25 anos em SP A taxa de desemprego entre as mulheres voltou a cair em 2013 na região metropolitana de São Paulo, passando de 12,5% em 2012 para 11,7% no ano passado, segundo pesquisa da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Econômicos (Dieese). SINTRACON - SP IMPRENSA SINDICAL DE 15 DE MARÇO A 15 DE ABRIL/2014 É o menor patamar desde 1989 –quando o desemprego era de 10,6%. Para os homens, a taxa passou de 9,4% para 9,2%. Já a presença das mulheres acima de dez anos de idade no mercado de trabalho diminuiu de 56,1% em 2012 para 55,1% no ano passado. Para os homens, o indicador também decresceu, de 71,5% para 70,6%. “Há um lado negativo, pois você atribui a responsabilidade da queda à ausência de expectativas favoráveis sobre o emprego e a economia”, diz Alexandre Loloian, economista da Fundação Seade e coordenador da equipe de análise da pesquisa. “Foi a redução da pressão do mercado de trabalho que fez com que o desemprego caísse, e não um aumento dos níveis de ocupação, pois o mercado não cresceu.” Ele explica que, no período, só houve 2 mil novas ocupações –um aumento de 0,1%. De acordo com a Fundação Seade, o ingresso em transporte, armazenagem e correios foi o grande destaque, setores BRASIL em que a ocupação femi- Com isso, os salários fenina cresceu 12,6%, além mininos, que em 2012 do comércio (8,3%). Tais correspondiam em média categorias compensam o a 75,5% dos masculinos, saldo negativo de setores subiram para 77,1% no como indústria (-2,3%) e ano passado. construção (-13,9%). Em 2013, pela priO estudo apontou um meira vez, a proporção ligeiro aumento do ren- de mulheres com carteira dimento médio real por de trabalho assinada no hora das mulheres (0,8%), setor privado passou da ao passo que o dos ho- metade (50,3%). Entre os mens se retraiu (-1,3%). homens, a taxa é de 57%. LU ALCKMIN Sintracon-SP dá inicio à Campanha Salarial 2014 Página 16 Antonio de Sousa Ramalho, presidente do Sintracon-SP Mulheres chefiam 93% das famílias atendidas pelo Bolsa Família Página 14 Fundo Social de Solidariedade assina 126 convênios para a implantação de projetos em todo o Estado Página 9 SECOVI - SP SÃO PAULO QUÍMICOS - BAHIA Não há risco de bolha imobiliária Página 9 Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP Geraldo Alckmin, governador de São Paulo SP inicia testes com primeiro ônibus articulado do mundo movido a baterias Página 6 XII Congresso do Sindiquímica-BA contou com participação ativa da categoria Página 14 CUT-SP SUPLICY Vem aí o 3º Congresso das Metalúrgicas do ABC Página 4 FORÇA SINDICAL Eduardo Matarazzo Suplicy (PT-SP), senador da República SINDUSCON - SP Ana Nice Martins de Carvalho, diretora-executiva e coordenadora da Comissão das Metalúrgicas do ABC HADDAD A Criação do Conselho dos Produtores e Exportadores de Suco de Laranja Consecitrus Página 3 BAHIA São Paulo: bons exemplos para o país Página 6 Sergio Watanabe, presidente do Sinduscon-SP RIO GRANDE DO SUL Série de eventos em março celebra na cidade o Dia Internacional da Mulher Página 5 Miguel Torres, presidente da Força Sindical Fernando Haddad, prefeito de São Paulo JADER BARBALHO GUARULHOS-SP Economia baiana cresceu 3% em 2013 com destaque para a indústria Página 10 Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul AEROVIÁRIOS - SP Caravana da Inclusão leva oportunidade de qualificação à região Humaitá Navegantes, na Capital Página 10 Nossos desafios Almeida para este ano anuncia R$ 76 Página 4 milhões GRÁFICOS - SP em novos investimentos Página 5 Foto: Fabio Nunes Teixeira Peemedebistas celebram 30 anos do movimento Diretas Já Página 8 Jaques Wagner, governador da Bahia PARÁ A questão da responsabilidade social empresarial Página 11 Reginaldo Alves de Souza, Mandú, presidente do SAESP MARANHÃO Foto: Arquivo-Secom/Handson Chagas Pará lidera a geração de empregos formais no norte do país Página 10 Nilson do Carmo Pereira, diretor executivo do Sindicato dos Gráficas Campo minado Página 4 Prefeito Sebastião Almeida assina as órdens de início de obras da Secretaria de Educação Roseana inaugura mais dois hospitais de 20 leitos em Apicum-Açu e Palmeirândia Página 12 Governadorado Maranhão, Roseana Sarney Senador da República, Jader Barbalho Governador do Estado do Pará, Simão Jatene Anuncie no IMPRENSA SINDICAL (11) 3666-1159 99900-0010 95762-9704

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Opinião divíduo é incapaz de ficar com raiva, torna-se trancado numa posição de medo. Segundo ele, as duas emoções são antitéticas: quando se está com raiva, não se está com medo, e vice-versa. “Quando uma pessoa é muito medrosa, pode-se presumir que tem em sua personalidade um potencial equivalente de raiva reprimida. Expressar a raiva alivia o medo, assim como chorar alivia a tristeza. Na maioria dos casos, o medo é igualmente negado e reprimido, com isso a pessoa fica imobilizada ou morta.” No livro Alegria, a entrega ao corpo e à vida, Lowen faz uma distinção entre raiva, ira e fúria. Na sua visão, a raiva é uma emoção restauradora ou protetora. Já a ira é uma ação destrutiva. Tem a intenção de machucar, de realmente quebrar alguém ou alguma coisa. Também é cega, e o ataque geralmente é contra uma pessoa ou criança inocente, impotente. A ira também é explosiva, o que significa que não pode ser controlada depois de irromper. Pode-se conter a raiva, mas não a ira. “A ira se desenvolve quando uma pessoa sente que seu poder foi contrariado ou frustrado. Uma criança que resiste insistentemente à ordem de um genitor pode lança-lo numa ira, cuja intenção é quebrar a resistência do filho, obrigando-o a submeter-se. Quando uma criança não faz o que o genitor manda, confronta-o com seu próprio sentimento de impotência, decorrente do fato de ter sido obrigado a submeter-se quando era criança, e foi incapaz de expressar sua própria raiva por medo. Essa raiva reprimida agora torna-se ira e é projetada sobre outra pessoa de quem ele não sente medo”, explica. Uma raiva mais intensa do que a ira, é a fúria. “Estou furioso” expressa um sentimento de raiva extremo, simbolizado pelo furacão ou tornado, que destrói tudo em seu caminho. Como defesa contra a atuação de um impulso assassino, vem uma reação catatônica. “Essa qualidade congelada é o lado físico do ódio e só pode ser transformado pelo calor, especificamente, o calor da raiva. A ira, em oposição à raiva, é fria. Um indivíduo pode sentir o calor de sua raiva subir à sua cabeça à medida que a excitação move-se para cima. Ele vai ficar de cabeça quente devido ao aumento de sangue em sua cabeça, o que também IMPRENSA SINDICAL | DE 15 DE MARÇO A 15 DE ABRIL/2014 | PÁGINA 2 Editorial Em março comemora-se o Dia Internacional da Mulher, precisamente no dia 8. Com as primeiras manifestações religiosas, a mulher era tido como deusa. Os homens acreditavam que cada mulher era uma deusa, por não entenderem como elas podiam sangrar durante varios dias e não morrer e também por conseguirem gerar a vida dentro delas. O culto da deusa foi inicialmente voltado à fertilidade da terra e em seguida aos ciclos da Lua. Nessas civilizações a mulher era respeitada e tratada como igual aos homens, essa era a Era do Matriarcado. Algum tempo depois, alguns homens passaram a temer esse poder e foram aos poucos subjugando o culto à deusa. Antes ela era tida como igual, depois tornou-se primeiramente subalterna, para em seguida, com a chegada das religiões patriarcais ser banida e demonizada. Nasce o Partiarcado. A religião patriarcal passou a considerar a mulher como impura exatamente pela razão que a tornava sagrada (a menstruação). Chamavam-nas de ardilosas, trapaceiras, indignas. É recente a conquista de alguns direitos da mulher. Serão necessárias muitas gereções para que se supere a forte cultura de submissão e inferiorização feminina, propagada pela cultura patriarcal e assim, pelas próprias mulheres entre seus filhos e filhas. Mesmo com a conquista da “liberdade” e dos direitos de “iguadade” em relação ao homem, a mulher está apenas no início de sua luta. Não é fácil ser mulher nos dias de hoje. Conquistou-se direitos e com isso, houve o acréscimo de tarefas. Não há a divisão de tarefas entre homens e mulheres. Às obrigações domésticas impostas a ela, foram acrescidas outras tantas relacionadas à profissionalização, à formação acadêmica e ao trabalho. Ficando o homem com todas as regalias de antes e obtendo o enorme apoio na divisão de suprimento financeiro da família. Havendo casos em que a mulher toma para si todas as jornadas, inclusive a de provedora financeira do lar. Portanto, houve conquistas de “liberdade” e direitos, sem a divisão de deveres entre os gêneros. Contudo, avança-se. Parabéns mulher!!! Agradecemos a todos os anunciantes pela contribuição e aos que colaboraram com matérias para o enriquecimento do conteúdo do jornal IMPRENSA SINDICAL. Brutalidade, emoções contidas e medo de ser livre Violência social resulta frequentemente de desejos frustrados e raiva reprimida. Só quem recupera a liberdade é capaz de transformar o mundo pode fazê-lo literalmente ‘enxergar vermelho’. A raiva é uma força de vida positiva que tem fortes propriedades curativas. Em uma ocasião, quando havia vivenciado essa raiva, ela melhorou uma dor ciática que me incomodava a meses”, relata Lowen. A forma como a sociedade lida com a raiva é muito contraditória. O ódio é alimentado, mas a raiva é reprimida, pois é moralmente errada. A maioria dos pais reprime energicamente um filho com raiva. Lowen acredita que isso é o mais lastimável, pois a criança que tem medo de expressar sua raiva dos pais torna-se um adulto frustrado. A raiva reprimida não desaparece. As crianças processarão o impulso proibido contra crianças menores, machucando-as deliberadamente. Ou, quando essa criança tornasse adulta, ela atuará contra seus próprios filhos, que são indefesos. “Pode-se pensar que punir uma criança por sua expressão de raiva seja uma maneira de ensiná-la a comportar-se socialmente, mas o efeito disso é anular o espírito da criança e torná-la submissa à autoridade. A criança de fato precisa aprender os códigos de comportamento social, mas isso deve ser feito de tal modo que a sua personalidade não seja prejudicada. As crianças cuja capacidade de expressar raiva não á abalada não se tornam adultos enraivecidos. Sua raiva geralmente é apropriada à situação, pois não é abastecida por conflitos não resolvidos e injúrias do passado.” Lowen acredita que pesa sobre as pessoas esquentadas ou que perdem as estribeiras uma grande soma de raiva reprimida que está próxima da superfície e, portanto, é facilmente provocada. A raiva descarregada através da provocação pouco adianta para resolver o conflito subjacente, que é o medo de expressar os próprios sentimentos assassinos contra o genitor ou figura de autoridade que feriu a integridade da criança. Esse conflito é conservado e guardado na tensão do alto das costas e dos ombros, e só pode ser resolvido quando a raiva for direcionada contra a pessoa responsável pelo trauma. Contudo, ela não é dirigida contra essa pessoa, pois a injúria é antiga. O local apropriado para essa descarga é a situação terapêutica. “A raiva, embora relacionada com o passado, decorre diretamente da existência de tensões musculares crônicas que prendem o organismo, reduzindo sua liberdade de movimento. A raiva é a reação natural à perda de liberdade. Isso significa que qualquer tensão muscular crônica no corpo está associada à raiva. É evidente que, se a pessoa não sente a tensão, não percebe raiva nenhuma. Interpreta as limitações de movimento e a perda de liberdade como normais, assim como um escravo poderia reconhecer a condição de sua escravidão sem raiva, posto que admitiu sua perda de liberdade.” Somente quando recuperarmos a liberdade e a graça do nosso corpo, poderemos amar verdadeiramente e, aí sim, quem sabe, transformar o mundo. Mas, pra isso, é preciso parar de nos entorpecermos com remédios, alimentos cancerígenos, virtualidades e negação de nossas emoções, entre outras drogas. Quando assisti Blade Runner, de Ridley Scott, ainda na década de 1980, fiquei impressionada com a projeção sombria de uma sociedade dominada por uma minoria high-tech que relega à lata de lixo da história o restante da população. Será que assim caminha a humanidade ou ainda há tempo de nos resgatarmos e projetarmos comunitariamente o futuro? Katia Marko é jornalista por Katia Marko - Carta Capital Somos todos violentos. Podemos não reconhecer isso. Acreditamos não ser violentos porque não matamos, roubamos, batemos ou quebramos. Mas se olharmos com mais atenção, vamos perceber que a violência passiva, ou seja, de natureza emocional, faz parte do nosso dia a dia. E é ela que alimenta a fornalha da violência física. Atitudes egocêntricas, egoístas, manipuladoras, maliciosas, gananciosas, odientas, preconceituosas, suspeitosas e agressivas, muitas vezes, ferem e deixam marcas mais profundas. É comum ouvirmos as pessoas dizerem: “Este é um mundo cruel, e, se a gente quer sobreviver, também tem de ser cruel”. Então, vamos continuar a educar para o ódio. Para afastar e, quem sabe, eliminar os que são “diferentes”. Sim, é isso que estamos fazendo. Estamos todos esperando que os outros mudem primeiro. Tudo que fazemos é condicionado por motivações egoístas: “Que vantagem eu levo nisso?”. Claro que eu sei que muitas pessoas estão buscando outros caminhos, mas de alguma forma estamos sendo coniventes com essa visão que ganha força no mundo. O conservadorismo está vencendo. Por que temos medo de avançar na garantia dos direitos humanos? Podemos pensar em vários motivos, políticos, sociais, econômicos, culturais, mas quero entrar mais profundamente na esfera emocional, na forma como lidamos com nossos sentimentos, principalmente, a raiva, desde a infância. Num seminário em sua casa, em 1945, Wilhelm Reich declarou que a personalidade neurótica só se desenvolve quando a capacidade de uma criança de expressar raiva por um insulto à sua personalidade é bloqueada. Ele ressaltou que, quando o ato de ir em busca do prazer é frustrado, ocorre uma retração do impulso, criando uma perda de integridade no corpo. Essa integridade pode ser restaurada apenas através da mobilização da energia agressiva e sua expressão como raiva. Isso restabeleceria os limites naturais do organismo e sua capacidade de ir em busca do novo. O médico Alexander Lowen, discípulo de Reich e autor da Terapia Bioenergética, afirma que se um in- A brutalidade dos homens por Luiz Gonzaga Belluzzo A explosão de vandalismo nas ruas e nas redações dos telejornais desatou uma nova rodada de manifestações de baixo moralismo empenhadas em desfazer os padrões de convivência conquistados a duras penas ao longo do processo civilizador. Dividir o mundo entre bons e maus está na moda. A reinvenção dessa banalidade alcançou foros de seriedade na construção do discurso midiático e político contemporâneo. Não estamos sós nessa empreitada. Sugiro ao brasileiro a leitura do livro The Outrage Industry, Political Opinion Media and The New Incivility. Trata-se de um estudo acurado da degradação do debate político nos Estados Unidos entre a extrema-direita e liberais dispostos a responder no mesmo tom agressivo e violento. Nessa batalha é impossível distinguir godos de visigodos. O livro analisa os comentaristas de telejornais, celebridades dos talk shows, blogueiros e comentaristas fulminantes da internet, porta-vozes das insanidades midiáticas, sempre protegidos pelo anonimato, isto sim, em escracho ao direito à livre expressão do pensamento. Os ululantes atacam com as armas do preconceito, da intolerância e com as bordunas da apologia da brutalidade, sem falar nos ataques em massa à última flor do Lácio, inculta e bela. Alguém já dizia que há método na loucura, mas, em sua marcha, a desrazão capricha na metodologia. As expressões “fascistas”, “idiotas politicamente corretos”, “elite vagabunda” poucas vezes foram utilizadas com tanta liberalidade e descuido. Em alguns sítios e comentários, as generosas imprecações adjetivadas ganham a companhia de exaltadas conclamações para o retorno dos militares ou sugestões para que os black blocks sejam mais eficientes em seu “empreendedorismo” anárquico, destruidor e, não raro, mortal. Os estudiosos do totalitarismo sabem que a “autovitimização” da “boa sociedade” e a inculpação do “outro” foram métodos eficientes para a conquista do poder absoluto. Vejo nos blogs: os mais furiosos se apresentam como “humanos direitos”, em contraposição aos defensores dos “direitos humanos”. Fico a imaginar como seria a vida dos humanos direitos na moderna sociedade capitalista de massa, crivada de conflitos e contradições, sem as instituições que garantam os direitos civis, sociais e econômicos conquistados a duras penas. A possibilidade da realização desse pesadelo, um tropismo da anarquia de massa, tornaria o Gulag e o Holocausto um ensaio de amadores. O magnífico projeto iluminista-burguês da liberdade, igualdade e fraternidade, avaliado em seus próprios termos e objetivos, está fazendo água diante do desenvolvimento alucinante e alucinado da competição das mídias para buscar os esgotos. Fredric Jameson, no livro A Cultura do Dinheiro (Vozes, 2001), lamenta: “Os quatro pilares ideológicos, jurídicos e morais do alto capitalismo –constituições, contratos, cidadania e sociedade civil– são, hoje, vadios maltrapilhos, mas sempre lavados, barbeados e vestidos com roupas novas para esconder sua verdadeira situação de penúria”. A civilização ocidental, disse Gandhi, teria sido uma boa ideia. Imaginei, santa ingenuidade, que as batalhas do século XX, além do avanço dos direitos sociais e econômicos, tivessem finalmente estendido os direitos civis e políticos, conquistas das “democracias burguesas”, a todos os cidadãos. Mas talvez estejamos numa empreitada verdadeiramente subversiva, ainda que não revolucionária: a construção da República dos Mais Desiguais. Uma novidade política engendrada nos porões da inventividade contemporânea, regime em que as garantias republicanas recuam diante dos esgares da máquina movida pela “tirania das boas intenções”. Um sistema em que bons meninos exibem sua retidão moral para praticar brutalidades em nome da justiça. O direito e a eticidade do Estado desaparecem no buraco negro do moralismo particularista e exibicionista. Desterrar o conflito social para fora da esfera pública e colocá-lo à margem da ordem jurídica certamente fará irromper na sociedade de massa a verdadeira face da política de aniquilamento do outro. Muitos democratas sinceros e outros nem tanto são incapazes de avaliar corretamente o papel do ultraje pessoal na avacalhação do debate público. A ofensa pessoal desqualificadora usada como argumento, sobretudo se praticada sob a capa do anonimato, e a resposta no mesmo tom são instrumentos da brutalização das consciências. Expediente ESTE JORNAL É FILIADO À ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS (ANJ) Jornal IMPRENSA SINDICAL www.jornalimprensasindical.com.br Matriz: Largo Santa Cecilia, 62 - CEP 01225-010 - São Paulo - SP. Fone: (11) 3666-1159 Diretor Responsável Carlos Alberto Palheta Jornalista Responsável: Mara Oliveira - MTB 12437-0/SP Publicidade e Propaganda Carlos Alberto Palheta (11) 99900-0010 Diretoras Executivas Raimunda Duarte Passos e Jéssika Carla Passos Palheta Fones (11) 3666-1159 | (11) 95762-9704 400 MIL EXEMPLARES. DISTRIBUIÇÃO NACIONAL Produção: Kerach Comunicação Projeto Gráfico e Diagramação: Mara Oliveira E-mail: maraoliveira23@hotmail.com Fones (81) 9651-5071 | (81) 9460-9586 E-mails: kerach23@hotmail.com | kerach23@ig.com.br www.kerachcomunicacao.com.br OBS.: MATÉRIAS ASSINADAS NÃO REFLETEM NECESSARIAMENTE A OPINIÃO DO JORNAL, SENDO DE EXCLUSIVA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES. O CONTEÚDO DOS ANÚNCIOS É DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS ANUNCIANTES.

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IMPRENSA SINDICAL | DE 15 DE MARÇO A 15 DE ABRIL/2014 | PÁGINA 3 Suplicy A Criação do Conselho dos Produtores e Exportadores de Suco de Laranja - Consecitrus ranja – Consecitrus, entidade que tem como objetivo minimizar o elevado poder de compra das empresas processadoras de suco de laranja. A necessidade de melhoria das condições de comercialização de laranjas pelos citricultores foi apontada pelo Cade na análise de outras operações no setor, em razão de haver atualmente apenas quatro empresas controlando esse mercado no país. O Consecitrus deverá funcionar de modo a gerar informação sobre as atividades citrícolas e de produção e exportação de suco de laranja, como indicação de custos e valores referenciais. Tais informações deverão ser disponibilizadas a todos os interessados – industriais, citricultores e instituições externas – com o intuito de se evitar que sejam impostas condições de compra discriminatórias aos produtores. De acordo com a decisão do Cade, no Consecitrus estarão representados citricultores, indústria e há ainda a possibilidade de participação de instituições públicas. A forma de atividade dentro do Conselho poderá ser enquanto membro integrante, com direito a voz e voto, ou membro participante, apenas com direito a voz. A constituição do Consecitrus se dará em cinco fases, com duração total de dois anos e meio. Somente após esse período e aprovação pelo Cade atestando o devido cumprimento de todas as etapas é que o Consecitrus estará aprovado de forma definitiva. A constituição se dará do seguinte modo: 1. Filiação institucional e definição temporária de membros integrantes e participantes, no período de 180 dias. 2. Depois, dentro de 180 dias haverá a elaboração de uma proposta de estatuto, que passara pela avaliação do Cade. 3. A fase seguinte será a ampla divulgação do estatuto aprovado e abertura para eventuais novas filiações, pelo período de 180 dias. 4. Será então iniciada a atividade regular do Consecitrus por 360 dias. 5. Após um ano de funcionamento do Consecitrus, deverá ser enviado ao Cade o relatório final para monitoramento e aprovação. O documento deverá conter informações tais como representação de citricultores e industriais, as atividades do Conselho, política de transparência de informações e política de geração de informações. O Consecitrus no Cade – Em 2012, a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos – CitrusBR e a Sociedade Rural Brasileira – SRB apresentaram ao Cade um modelo de Consecitrus (AC 08012.003065/201221). A CitrusBR representa a indústria responsável pelo cultivo de 30% das mudas de laranjas em solo brasileiro e pelo processamento e exportação de 80% do suco produzido no país, enquanto a SRB congrega agricultores e pecuaristas de todo o território brasileiro, contando com mais de três mil associados, dos quais 70 são citricultores. Ao longo da análise do caso, outras três instituições também manifestaram interesse na constituição do Consecitrus. São elas: a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo – FAESP; a Associação Brasileira de Citricultores – Associtrus; e a União de Produtores de Citrus – Unicitrus.” Nós, que estamos nessa luta há mais de 10 anos, louvamos a decisão do Cade e vamos continuar acompanhando a formação do Consecitrus que, acreditamos, trará significativa evolução na relação entre indústria e os pequenos e médios citricultores brasileiros. Cumprimento a todos os que batalharam por isso e lembro que, inclusive, o então Ministro da Agricultura no governo do Presidente Lula, Roberto Rodrigues, muito estimulou a formação do Consecitrus, a exemplo do Consecana. Estão de parabéns todos os componentes do Cade; do Ministério da Agricultura; do Ministério da Justiça e do Ministério da Fazenda; que colaboram para que, finalmente, se tenha esse organismo, o Cade, que regulará o diálogo entre produtores de laranja e os produtores de suco, de maneira a evitar os abusos do poder econômico, que, muitas vezes, contribuíram para dificultar para os produtores, sobretudo os pequenos e médios agricultores que produzem laranja nos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Sergipe e em todos os demais Estados brasileiros. O Brasil é um dos maiores produtores de laranja e de suco de laranja dentre todos os países do mundo e essa notícia é muito alvissareira. Eduardo Matarazzo Suplicy (PT-SP), senador da República Foi com muita alegria que recebi, no último dia 19 de fevereiro, a notícia que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE – aprovou, com a imposição de alguns critérios, a formação do Conselho dos Produtores e Exportadores de Suco de Laranja. Já faz alguns anos que as associações de pequenos e médios produtores de laranja do Estado de São Paulo, tais como a Faesp, a Associtrus e o Sindicato Rural de Ibitinga, clamam pela constituição de um fórum, onde fosse minimizado o elevado poder de compra das empresas processadoras de suco de laranja. O Consecitrus será o local para as discussões e definição de ações com o objetivo de melhorar as condições de comercialização da laranja pelos citricultores, tendo em vista que, atualmente, apenas quatro empresas controlam esse mercado no país. Sendo assim, gostaria de compartilhar a nota informativa do Cade acerca da criação do Consecitrus: “O Conselho Administrativo de Defesa Econômica – Cade definiu nesta quarta-feira (19) como se darão as etapas de constituição do Conselho dos Produtores e Exportadores de Suco de La-

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IMPRENSA SINDICAL | DE 15 DE MARÇO A 15 DE ABRIL/2014 | PÁGINA 4 CUT-SP Sindical lúrgicas do ABC afeta a vida das metalúrgicas na base? Ana Nice – A participação da Comissão é efetiva no dia-a-dia na porta de fábrica, dialogando com as trabalhadoras e trazendo mais mulheres para o Sindicato. É por meio desta mobilização que as metalúrgicas do ABC passam para nós suas necessidades, que são levadas às mesas de negociações. TM – Quais os avanços desde o 2º Congresso em 2010? Ana Nice – São vários, mas o maior foi a conquista dos 180 dias de licença- maternidade, com uma grande campanha que fizemos na categoria. Tivemos avanços também na Convenção Coletiva, como o atestado para acompanhar o filho ao médico e o direiPor isso é to à licença remunerada metalúrgicas do ABC? Ana Nice – Para a nossa importanpara a mulher se reestabelecer caso sofra maus tra- real participação na política te nós, mulheres, termos tos, por exemplo. temos que votar em quem um voto consciente, com com tem compromisso com a comprometimento TM – Qual a impor- classe que pertencemos. E quem defende as causas da tância das mulheres nos para que haja políticas que categoria. A gente precisa favoreçam as trabalhado- de pessoas no poder que CSEs? Ana Nice – Homens e ras na nossa base, precisa- implementem leis que famulheres são iguais em di- mos ter pessoas oriundas voreçam as trabalhadoras e reitos, mas biologicamen- da categoria no Congresso não que as prejudique. te nós somos diferentes. Nacional, na Assembleia TM – Como a campaPor isto participamos dos Legislativa e na Presidência nha do Laço Branco comCSEs. A mulher tem neces- da República. bate a violência contra a sidades específicas e quando vamos dialogar com as TM – Você pode dar mulher? Ana Nice – Conscienempresas falamos da nos- um exemplo deste voto sa realidade, como no caso consciente às mulheres? tizamos as pessoas de que Ana Nice – No ano precisamos mudar culturalda licença-maternidade. Tudo isso sem deixar de passado, o Sindicato reali- mente, sendo multiplicalutar pelas demandas de zou uma caravana a Brasí- dores de informações que toda a categoria, com uni- lia para impedir a votação eliminem esta prática. E a do Projeto de Lei 4.330, Campanha do Laço Branco dade e mobilização. que precariza ainda mais – Homens pelo fim da vioTM – No último dia as condições de trabalho. lência, apoiada pelo Sindi24 de fevereiro, comple- Este PL, proposto por um cato desde o ano passado, tou 82 anos da conquis- empresário, tira diretos luta por isso. As vítimas ta pela mulher do direi- dos trabalhadores, como devem denunciar, procurar to ao voto. Isto ajuda as a contratação em carteira. seus direitos, buscar auxíAna Nice Martins de Carvalho, coordenadora da Comissão das Metalúrgicas do ABC Vem aí o 3º Congresso das Metalúrgicas do ABC Os metalúrgicos do ABC têm compromisso definido para os dias 3, 4 e 5 de abril, na Sede, para participar do 3º Congresso das Metalúrgicas do ABC. Com o tema Mulheres, Participação e Conquistas!, o Congresso colocará a trabalhadora como protagonista das mudanças no seu dia-a-dia na fábrica, na sociedade e nas políticas públicas do País. “A ideia é sair do Congresso com uma pauta propositiva, de valorização da mulher, maior participação das metalúrgicas na base e manutenção de empregos”, afirmou a diretora-executiva e coordenadora da Comissão das Metalúrgicas do ABC, Ana Nice Martins de Carvalho, em entrevista à Tribuna. Leia mais abaixo: Tribuna Metalúrgica (TM) – Como a atuação da Comissão das Meta- lio médico e não ficarem caladas com medo e vivendo sob ameaças. Hoje, uma companheira é morta pelo seu parceiro a cada uma hora e meia no País. TM – O apoio do Sindicato aos esportes é bom para as metalúrgicas? Ana Nice – Sem dúvida. Agora, temos o time de vôlei feminino formado por trabalhadoras na base, que está invicto e disputando a semifinal dia 9 de março, na quinta edição dos Jogos do ABC. É importante que as mulheres venham até a entidade não só durante a Campanha Salarial, mas para discutir políticas públicas, segurança, esporte, dentre outros. E vamos disputar no dia 30 de março o 1º Festival de Futsal com as mulheres da categoria. FORÇA SINDICAL - SP Nossos desafios para este ano As Centrais Sindicais começaram a convocar os trabalhadores para o ato de 9 de abril por direitos e qualidade de vida. O evento, a ser realizado na capital de São Paulo, representa a 8ª Marcha da Classe Trabalhadora e será a primeira grande ação do movimento sindical este ano. Certamente, a conjuntura em 2014 vai exigir dos trabalhadores muita energia e capacidade de luta, pois enormes desafios vão ser apresentados a seus dirigentes sindicais. Primeiro, reforçar a mobilização e a unidade para fazer boas campanhas salariais, com acordos prevendo ganho real de salário. Além deste, teremos de enfrentar outros desafios: barrar as investidas patronais contra os nossos direitos, pressionar o governo federal para negociar a nossa Pauta Trabalhista e participar como protagonista das eleições gerais, elegendo políticos comprometidos com a nossa luta. Representantes patronais já manifestaram a intenção de afrontar os direitos dos trabalhadores e priorizar a precarização nas relações entre capital e trabalho. Eles são contra a redução da jornada, sem redução salarial, a Convenção 158 (impede a demissão imotivada) e defendem a ampliação da terceirização. Também querem que o negociado prevaleça sobre o legislado. Como estamos diante de um Congresso com maioria patronal, os riscos para nós são grandes. Por isso, as Centrais Sindicais precisam manter a unidade, deflagrar amplas manifestações de massa e participar ativamente das eleições gerais para aumentar a nossa bancada no Congresso e eleger um presidente comprometido com a classe trabalhadora. Miguel Torres, presidente da Força Sindical GRÁFICOS - SP Podemos observar que um cidadão ou cidadã que lutou contra a Ditadura Militar em defesa de um País digno, de seu povo, e que, por vontade deste mesmo povo foi eleito com o compromisso de mudar todo aquele estado de coisas que tanto nos fizeram sofrer, hoje, com o poder nas mãos, se acha no direito de praticar os mesmos atos e delitos que repudiamos na ditadura passada, e continuamos a repudiar no presente. Está na hora de mostrarmos que nunca seremos, neste ou em qualquer governo, cobaias de um casto grupo de corruptos e corruptores que através de manobras, impunemente vem tomando conta do País. O deboche, o cinismo e a falta de respeito para com as instituições e principalmente com a nação, transportam nossos, hoje, falsos moralistas para bem longe dos “heróis” da ditadura e nos dão a ideia clara Campo minado de que ainda precisamos amadurecer nosso conceito político se quisermos verdadeiramente ser uma nação livre dos arbítrios dos quais nos tornamos vítimas. Acreditar na democracia aplicada sempre é bom. Acreditar demais nas pessoas é suicídio. Antigamente, quando as coisas não iam bem, bombas explodiam aos quatro cantos do País e as manchetes nos jornais chamavam de “atentados”. Hoje, quando alguma coisa não vai bem, saímos para as ruas quebrando e pagando pelas reformas do que quebramos. É só mudar de direção e seguir o mesmo processo que nos levou à derrubada da ditadura. Foi nas urnas que demonstramos que somos poderosos. Se um cidadão que foi eleito por sua proposta e pelo compromisso com seu povo tiver seu mandato considerado nocivo para a sociedade e, por sua vez, for julgado e condenado por desvio de conduta, a primeira coisa que deve ser considerada é como ele se define: governo do povo para o povo e não um governo “do povo pelo povo”. Ou seja, a população elege um cidadão, este cidadão trai este voto, o povo caça e põe para fora o traidor. Só assim conseguiremos por fim às vergonhosas manobras como a que acabamos de presenciar no Supremo Tribunal Federal. Não mais iremos ver nos jornais que um determinado banco estrangeiro enviará para o Brasil alguns milhões de dólares a título de “indenização” por conta de manobras financeiras, leia-se desvio de dinheiro público. Em resumo: um roubo. Temos então mais uma das famosas manobras articuladas pelo poder do mau político. A impunidade em nosso País está fora de controle. Usa-se de manobras políticas, criam-se sistemas protecionistas com interesses exclusivamente para se eternizar no poder, como o programa “Mais Médicos”. Seria interessante se a proposta na prática resolvessem nossas deficiências do pronto atendimento à população. Ao contrário, todos os dias cidadãos continuam morrendo em macas ou no chão de corredores de hospitais por falta de atendimentos. Está escrito nos anais da nossa legislação: “A Saúde é um direito do cida- dão e um dever do Estado”. Se a verba arrecadada no Estado, ao invés de ir para o governo federal fosse usada no próprio Estado, com a fiscalização dos Conselhos de Saúde, não seria melhor aplicada? O povo na verdade paga duas vezes para ter “direito” à saúde, uma para o Estado e outra para os convênios médico, que diariamente vêm aplicando “passa moleque” no cidadão usuário, sem contar que por conta deste “projeto” ainda teremos que pagar altas indenizações aos médicos cubanos que ingressarem em nossa Justiça Trabalhista. Dizem os médicos que assinaram o que viram e recebem o que não viram. Sinto-me, como tomador de serviços desses médicos, um verdadeiro explorador de trabalho escravo, é claro, induzido pelo Estado. O governo diz que tem dinheiro, aliás, nós temos o dinheiro que o governo usa, mas não está sendo usado para o nosso benefício. E ainda existem pessoas que têm a coragem em propor a volta da CPMF. Neste interim, no País sempre existiu dois tipos de condenados, o primeiro somos nós que, com o nosso dinheiro, pagamos os impostos, e o segundo são aqueles que de forma ilícita metem a mão no nosso dinheiro. Portanto, não temos motivos para erguer um braço com o punho cerrado numa demonstração de poder, na maior falta de respeito com o povo. Não é este tipo de governo que queríamos. Errar é humano, insistir no erro é burrice. Vamos trabalhar e consertar a casa, pois já sofremos muito com a ditadura militar, não vamos sofrer numa ditadura civil. Nilson do Carmo Pereira (62 anos), Diretor Executivo do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas de São Paulo, membro Fundador do Partido Solidariedade e Membro do Conselho Consultivo do INSPIR

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IMPRENSA SINDICAL | DE 15 DE MARÇO A 15 DE ABRIL/2014 | PÁGINA 5 Por que o Brasil cresce 2%? Ambiente pessimista e diálogos “desalinhados” entre o governo e empresários são razões para o crescimento de 2013. crescimento chinês que foi muito superior. Mas isto foi apenas uma coincidência. O crescimento mundial não é causa determinante do nosso crescimento e nem deve ser motivo para conformismo. Afinal, a economia brasileira conquistou certo grau de autonomia em relação à dinâmica mundial. Temos um montante bastante elevado de reservas internacionais, mas mais importante: construímos nos últimos anos um enorme mercado de consumo de massas com mais de 130 milhões de brasileiros. Em 2009, reagimos à crise internacional apoiados no nosso mercado doméstico. A economia brasileira, em 2009, tropeçou, mas não caiu em profunda recessão tal como diversos países com economias relevantes. Portanto, o Brasil conquistou algum grau de imunidade. Então, se este argumento valeu para 2009, deveria valer para 2013. Há influência do preço internacional de commodities e do modesto crescimento mundial sobre o desempenho da economia brasileira. Isto não pode ser descartado da análise, mas o ponto relevante está no Brasil, está na política econômica que foi adotada em 2011. Naquele ano decidiu-se derrubar a trajetória impetuosa de 2010, de crescimento de 7,5%, que assustou os economistas que optam por decisões conservadoras em nome da gestão rotulada de responsável. Política monetária e fiscal restritivas com câmbio em valorização foi a direção adotada em 2011. A crise internacional somente emergiu no 4º trimestre daquele ano. O resultado foi uma queda da economia que ingressou na trajetória de crescimento dos 2%. A trajetória de 2007-2010, a despeito da leve recessão de 2009, estava no patamar de 4,5%. O redirecionamento de 2011 não foi responsável apenas pelo resultado de 2011, crescimento de 2,7%. O que houve foi a mudança de patamar para uma nova trajetória de crescimento (saímos da trajetória de 4,5% e ingressamos na trajetória dos 2%). O choque conservador de política econômica de 2011 desmontou o cenário de expectativas positivas que emergiu do período 2007-2010. Quando a economia ingressou no patamar de modesto crescimento, optou-se pela política de redução de juros e isenções tributárias variadas. Buscou-se incentivar uma economia que tentava se proteger da falta de demanda esperada por seus produtos. Foi inócuo: é o mesmo que dizer para os empresários investirem somente porque o crédito está mais barato e houve aumento do volume de recursos para o autofinanciamento. A questão mais importante é que faltava motivação devido ao clima geral de desaquecimento internacional e nacional provocado pela própria política econômica de 2011. Há condições de retomar o patamar de trajetória de crescimento do período 2007-2010. Afinal, a realidade econômica não se deteriorou - apesar da nova por João Sicsú Economia Há muitos motivos. Desde o ambiente pessimista criado pela grande mídia familiar até diálogos “desalinhados” entre o governo e empresários. Deve-se, contudo, buscar identificar o principal, o secundário e o pouco relevante. Qualquer economia de mercado tem o seu crescimento explicado por fatores externos e fatores internos. Atribuir o modesto crescimento dos últimos três anos exclusivamente ao desaquecimento da economia mundial é uma análise com viés e incompleta. É viesada do ponto de vista político e incompleta do ponto vista técnico. Sem dúvida que em 2013 o nosso crescimento foi semelhante ao crescimento mundial, excetuando o trajetória de crescimento modesto. O desemprego continua baixo. O investimento voltou a crescer. A inflação é moderada e está controlada. O endividamento público está em nível saudável. Basta ousadia, autonomia e responsabilidade para mudar a política econômica. A economia brasileira precisa de uma política fiscal anticíclica, uma política monetária de juros baixos e um câmbio equilibrado para que a indústria tenha produtos competitivos nos mercados doméstico e internacional. O caminho atual de uma política econômica em zigue-zague, varejista, coloca os investimentos, variável-chave do crescimento continuado, em situação crítica de stop-and-go (tal como é mostrado no gráfico). São Paulo-SP Prefeitura promove no mês de março programação especial com serviços, feiras, oficinas e shows. Atividades acontecem em toda a capital. Veja o roteiro completo dos eventos Ao longo de todo o mês de março, a Prefeitura promoverá uma série de eventos em celebração ao Dia Internacional das Mulheres. Até dia 29, a programação especial traz atividades culturais, debates, feira de artesanato, oficinas e serviços em diversas regiões da cidade. “As atividades de celebração do Dia Internacional da Mulher este ano serão descentralizadas, de modo a dialogar com a população nas diversas regiões, divulgando nossos serviços e ações voltadas para a autonomia econômica, enfrentamento à violência contra a mulher, participação social e produção cultural das mulheres jovens. Objetivo é consolidar a transversalidade das políticas públicas de promoção da igualdade de gênero”, afirmou Denise Motta Dau, secretária municipal de Políticas para as Mulheres. “Esses eventos são parte de uma agenda permanente da secretaria, criada em 2013, demonstrando o compromisso da gestão do prefeito Fernando Haddad com as demandas específicas das mulheres da cidade”, completou. O próximo evento na programação acontece em 22 de março em São Miguel Paulista, zona leste. A celebração Mulheres produzindo autonomia reuni- Série de eventos em março celebra na cidade o Dia Internacional da Mulher Guarulhos-SP Almeida anuncia R$ 76 milhões em novos investimentos O prefeito Sebastião Almeida assinou, dia 10 de março, a ordem de serviço para o início de obras, orçadas em mais de R$ 47 milhões, que incluem a construção de novas creches, a cobertura de quadras em escolas municipais e a pavimentação e serviços de infraestrutura urbana. Na ocasião, o prefeito lembrou que a construção de outras creches, que estão em processo licitatório, elevarão esses investimentos para mais de R$ 76 milhões. “A construção de creches é uma das maiores demandas da população de Guarulhos atualmente. As mulheres estão cada vez mais buscando sua independência, trabalhando fora e ajudando a ampliar a renda da família, e precisam de locais para deixar seus filhos”, destacou Almeida. “Vamos ampliar o número de vagas, com a construção de mais creches até o final do meu mandato”. As ordens de serviço assinadas por Almeida vão ampliar a oferta na rede municipal em mais de 4,2 mil vagas. Os contratos preveem a construção de unidades com 15 salas e 900 vagas, nos bairros do Cecap, Água Chata, Jardim Acácio e Jardim Maria de Lourdes, e outra no Jardim Otawa, com 10 salas e 600 vagas. As obras serão realizadas com recursos oriundos do governo federal, por meio do Proinfância. O prazo de conclusão é de 18 meses. Os recursos também permitirão construir quadras cobertas na EPG Amadeu Pereira Lima, no Uirapuru, e na EPG Zumbi dos Palmares, em Nova Bonsucesso, com vestiário, além da cobertura das quadras da EPG Vinícius de Morais, na Ponte Alta, da EPG Crispiniano Soares, no Cocaia, da EPG Rachel de Queiroz, no Jardim Santa Lídia, e uma outra na creche que será erguida no Jardim Acácio. Na EPG Izolina David Rua, no Parque Santo Antonio, serão executados serviços de manutenção e estabilização de talude. O prefeito também lembrou de outras unidades de creches, que estão em processo de licitação, e serão construídas na Vila Galvão, Parque Primavera, Vila Carmela e Vila Alzira, Parque Santo Antônio e Uirapuru, orçadas em R$ 29 milhões. Asfaltamento Almeida também assinou ordens de serviço para obras de pavimentação e passeio em concreto na avenida Nair de Oliveira Costa, no Jardim Fortaleza, atendendo a uma antiga demanda dos moradores da região. “A intenção era termos realizado esses serviços no meu mandato passado, mas enfrentamos alguns obstáculos, que hoje estão solucionados”, disse o prefeito. Ele também anunciou a pavimentação e outras in- A secretária Denise Motta Dau e a vice-prefeita Nádia Campeão na Programação da Prefeitura em homenagem às mulheres, que segue por todo o mês de março tervenções em 15 ruas do Vila Rica, na região do São João. “Vamos ter 100% da Vila Rica. Abaixo, segue a relação das vias: - Ruas Artur Florêncio dos Santos (trecho entre a Viela 2 e rua José Antônio Pereira); - Rua Eduardo Abad (trecho entre a rua José Antônio Pereira e rua sem denominação); - Rua José Antônio Pereira (trecho entre a rua Eduardo Abad e rua sem denominação); - Rua José Carlos Lourenço (trecho entre a Viela 2 e rua Etelvina Maria da Conceição e trecho final - Balão de Retorno); - Rua Sueli Aparecida Perroni (trecho entre a rua José Carlos Lourenço e rua José da Silva Rico); - Viela 1 (trecho entre a rua José Carlos Lourenço e rua José da Silva Rico); - Viela 2 (trecho entre a rua Artur Florêncio dos Santos e rua José Carlos Lourenço); - Viela 3 (trecho entre a rua José Carlos Lourenço e rua José da Silva Rico); - Viela 4 (trecho entre a rua José da Silva Rico e rua Keichi Mori); - Viela 5 (trecho entre a rua José da Silva Rico e rua José Carlos Lourenço); - Viela 6 (trecho entre a rua José Antônio Pereira e rua José Carlos Lourenço); - Viela 9 (trecho entre a rua José Antônio Pereira e rua José Carlos Lourenço); - Rua sem denominação (trecho entre rua Eduardo Abad e rua José Antônio Pereira); - Viela Projetada (trecho entre a rua Eduardo Abad e rua José Antônio Pereira); - Revitalização da área de lazer na rua José Carlos Lourenço - Vila Rica. rá feira de artesãs e economia solidária, serviços do Centro Apoio ao Trabalho (CAT) móvel, testes rápidos de saúde, oficinas, roda de conversa e apresentações de grupos culturais da região. As atividades serão realizadas na Praça do Forró (Praça Padre Aleixo Monteiro Mafra), das 10h às 16h. Em 29 de março, a Brasilândia, zona norte, receberá o evento São Paulo NÃO tolera a violência contra a mulher, que terá ações de orientação preventivas à violência, apresentação de grupo teatral, DJ, exibição de filme, bate-papo, plantão de dúvida da Defensoria Pública e atendimento com serviços da secretaria de Políticas para as Mulheres. As atividades ocorrem das 10h às 17h, na Praça Victorio Finzetto (Praça da Paz). A programação completa pode ser conferida no site da secretaria municipal de Políticas para as Mulheres. Mulher com vida O Parque do Carmo, lo- calizado na zona leste da cidade, recebeu dia 9/3 o Mulher com Vida, evento promovido em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de março. Nádia Campeão, vice-prefeita de São Paulo, e Denise Motta Dau, secretária municipal de Políticas para as Mulheres marcaram presença no Mulher com Vida e acompanharam parte da festa. A Prefeitura apoiou o evento, organizado pela União Geral dos Trabalhadores (UGT) e pelo Sindicato dos Comerciários de São Paulo. As mulheres contaram com oficinas e serviços gratuitos de beleza e estética e também tiveram acesso a serviços de saúde –com a realização de exames de hepatite e de glicemia–, do CAT, além da emissão de carteira de trabalho e seguro desemprego, entre outros. À tarde, o público assistiu ainda apresentações da Orquestra Jazz Sinfônica e dos grupos Pixote e Sampa Crew.

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IMPRENSA SINDICAL | DE 15 DE MARÇO A 15 DE ABRIL/2014 | PÁGINA 6 Sinduscon-SP São Paulo: bons exemplos para o país SERGIO WATANABE Há várias maneiras de medir o desenvolvimento da cidade de São Paulo. Uma das mais importantes é observar a evolução do nível de emprego da construção civil. Um grande número de pessoas empregadas na construção significa que um volume relevante de obras. Elas são de grande importância para a cidade, em todos os segmentos: construção de edifícios residenciais e comerciais, hotéis, shopping centers e galpões industriais; obras de infraestrutura como canalização de córregos e construção de piscinões; obras públicas como pavimentação e recapeamento de ruas e avenidas, e edificações de escolas e postos de saúde; obras de urbanização de favelas, com a substituição de barracos por conjuntos habitacionais, e assim por diante. Todas estas obras contribuem para movimentar a economia de São Paulo. Por exemplo, a edifica- ção de um prédio comercial não movimenta apenas a cadeia produtiva da construção civil. Também acaba gerando demanda de produtos e serviços, bem como emprego, em segmentos como o de informática, telefonia, mobiliário etc. Na Região Metropolitana de São Paulo, o emprego de trabalhadores com carteira assinada na construção civil vem crescendo gradualmente ao longo dos últimos anos. Hoje, cerca de 420 mil pessoas trabalham formalmente no setor, sem contar as centenas de milhares de outros empregos que acabam sendo gerados na sua cadeia produtiva e nos demais segmentos da atividade econômica, em função das obras em andamento. Uma vez que o Brasil emprega perto de 3,5 milhões de trabalhadores formais na construção, pode-se dizer que, sozinha, a Região Metropolitana de São Paulo responde por cerca de 12% desse total. Numa cidade com a pujança de São Paulo, boa parte desses empregos é gerada pela iniciativa privada. Os investimentos públicos respondem pela outra parte. Portanto, o nível desses investimentos com recursos federais, estaduais e municipais na capital paulista precisa ser acompanhado com atenção. Os governos da União, do Estado e do Município podem desempenhar um papel importante para o desenvolvimento, quando geram um ambiente estimulante para as obras da construção. Algumas medidas que contribuem para a geração desse ambiente são a desoneração tributária, especialmente para a habitação de interesse social; a desburocratização dos licenciamentos de empreendimentos imobiliários; e, sobretudo, um diálogo constante com os empreendedores do setor, buscando uma melhora contínua da qualidade de vida em São Paulo. Nestes aspectos, a capital paulista tem dado bons exemplos ao país. São Paulo foi pioneira em de- sonerar a construção de habitação de interesse social, isentando dos tributos municipais. E hoje a cidade tem uma Secretaria Especial de Licenciamento (SEL), empenhada em agilizar os processos de aprovação dos novos empreendimentos imobiliários. No tocante ao diálogo com os empreendedores da construção, também se registram avanços, como no caso dos debates para a revisão do Plano Diretor. Entretanto, é possível avançar mais. Hoje, São Paulo dispõe de uma legislação ultrapassada para aferir o ISS (Imposto Sobre os Serviços) da construção. Elaborada com base na maneira de como se edificava em 1983, ela não leva em conta os ganhos de produtividade ocorridos desde então. Além disso, equivocadamente a Prefeitura vincula a concessão do Habite-se, que é um atestado da habitabilidade do imóvel, ao recolhimento do ISS que os fiscais da municipalidade arbitram. São Paulo ganharia muito neste ponto se atualizasse sua legislação, deixasse de vincular a concessão do Habite-se ao Certificado de Quitação do ISS, e informatizasse o recolhimento do tributo, diminuindo o grau de discricionariedade dos fiscais. Seria mais um de tantos exemplos que São Paulo dá ao país. SERGIO WATANABE é presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), vice-presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e diretor da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) São Paulo SP inicia testes com primeiro ônibus articulado do mundo movido a baterias Veículo, que opera em linha da EMTU em Diadema, não emite gases poluentes e tem ruído zero Começou 20 de fevereiro, em Diadema, a fase de testes com passageiros do EBus, o primeiro ônibus articulado do mundo movido a baterias. “Diadema está dando exemplo de inovação para o Brasil com o ônibus biarticulado com bateria, emissão [de poluentes] zero e silêncio absoluto”, afirmou o governador Geraldo Alckmin. O EBus é desenvolvido em parceria da Mitsubishi e com a concessionária Metra (Sistema Metropolitano de Ônibus é o primeiro articulado movido a bateria no mundo Transporte). O veículo passará por testes com passageiros até junho deste ano. Deve circular pela Extensão Terminal Diadema-Morumbi (São Paulo) do Corredor Metropolitano ABD (São Mateus-Jabaquara), gerenciados pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos). O programa de testes vai verificar a viabilidade técnica e econômico-financeira da nova tecnologia de tração elétrica, que é movida totalmente a baterias, e não emite poluentes, além do baixo nível de ruído. O EBus é articulado, com 18 metros de comprimento e capacidade de carregar de 124 passageiros. As linhas intermunicipais da extensão Diade- ma-São Paulo (Morumbi) transportam cerca de 13,4 mil passageiros por dia útil. Fábrica de Cultura Alckmin também anunciou a abertura da licitação para a implantação de uma Fábrica de Cultura em Diadema, que será a primeira fora da capital paulista. Com investimento de R$ 16,3 milhões, o local terá salas de múltiplo uso, biblioteca com computadores conectados à internet, teatro e salas de aula equipadas para a realização de ateliês de iniciação artística nas categorias música, dança, teatro, circo, artes visuais, fotografia e vídeo. Governador Geraldo Alckmin conhece primeiro ônibus articulado movido a bateria

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IMPRENSA SINDICAL | DE 15 DE MARÇO A 15 DE ABRIL/2014 | PÁGINA 7 Trabalho FGV: indicador de desemprego avançou 1,7% em fevereiro por Idiana Tomazelli - Estadão Conteúdo O Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) avançou 1,7% em fevereiro, para 67,4 pontos, na comparação com o mês anterior, considerando os dados ajustados sazonalmente. “Este é o quarto resultado positivo do indicador –o maior desde julho de 2013– sinalizando um recrudescimento no mercado de trabalho para o primeiro trimestre de 2014”, destacou o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), em nota. A FGV ressaltou que as classes que mais contribuíram para o avanço do ICD em fevereiro foram a dos consumidores com renda familiar de até R$ 2.100,00, cujo Indicador de Emprego (invertido) variou 3,2%; e a dos que possuem renda familiar entre R$ 4,800,00 e R$ 9.600,00, com variação de 2,7%. O ICD é construído a partir dos dados desagregados, em quatro classes de renda familiar, da pergunta da Sondagem do Consumidor que procura captar a percepção sobre a situação presente do mer- cado de trabalho. Emprego O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) ficou estável em fevereiro ante janeiro, em 86,1 pontos, segundo dados com ajuste sazonal. “Não existem elementos suficientes para que possamos considerar uma inversão de tendência, já que a curva de médias móveis trimestrais sinaliza estabilidade nas contratações de mão de obra para o primeiro trimestre de 2014”, informa o Ibre/FGV. Para chegar a esse resultado, os componentes do IAEmp que mais influenciaram foram o indicador da Sondagem da Indústria, que mede as expectativas dos empresários em relação à evolução do ambiente dos negócios nos seis meses seguintes, que recuou 3,8%, e o ímpeto de contratações de mão de obra da Sondagem de Serviços, que caiu 2,2%. O IAEmp é formado por uma combinação de séries extraídas das Sondagens da Indústria, de Serviços e do Consumidor, todas apuradas pela FGV. O objetivo é antecipar os rumos do mercado de trabalho no País. OIT questiona condições de trabalho em três setores brasileiros Em 2013, CUT e CSI denunciaram a entidade práticas antissindicais nos setores da comunicação, bancário e farmacêutico Um informe publicado no final de fevereiro pela Organização Internacional do Trabalho questiona as condições de trabalho em pelo menos três setores econômicos brasileiros. O material, elaborado pela Comissão de Peritos responsável por examinar a aplicação de convenções e recomendações da OIT pelos Estados-membros, levanta questões sobre o Brasil relacionadas à saúde, segurança e ambiente de trabalho. Em 2013, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Confederação Sindical Internacional (CSI) denunciaram à OIT práticas antissindicais nos setores da comunicação, bancário e farmacêutico. Em nota, o comitê reforça a preocupação quanto à falta de informações, em especial em assuntos ligados a negociação coletiva. “O Comitê lamenta a falta de informação por parte do governo e solicita-lhe, mais uma vez, que tome medidas para revogar qualquer disposição legal ou constitucional que limite o direito à negociação coletiva”, disse o informe do grupo. brasileiro sobre resultados das inspeções realizadas no país, em especial sobre o trabalho escravo e o trabalho infantil. A Comissão elogiou a aprovação da emenda Cobranças constitucional brasileira que amplia a proteção Apesar das denúncias, dos direitos dos trabalhao Comitê ressaltou melho- dores domésticos. Segunra no sistema de registro e do o grupo, essa alteração de identificação de aciden- resguarda os trabalhadotes de trabalho no Brasil. res contra a discriminaPor outro lado, o docu- ção com base no sexo, na mento da OIT faz uma co- idade, na cor ou no estabrança formal ao governo do civil na hora da contratação e da fixação do salário. Entretanto, o Comitê reforça a falta de estatísticas quanto os impactos práticos da lei que amplia a proteção dos trabalhadores domésticos e sobre a implementação e impacto do Estatuto de Igualdade Racial. De acordo com dados baseados na Convenção sobre Igualdade de Remuneração, trabalhadores negros, indígenas e mestiços continuam recebendo salários mais baixos do que os trabalhadores brancos. Entre as mulheres, a remuneração é ainda menor. O documento também lamenta que o governo brasileiro não tenha respondido às suas observações anteriores sobre a recomendação de criação de empregos em pequenas e médias empresas, sobre a promoção das cooperativas, a Lista de Doenças Profissionais e o desenvolvimento de recursos humanos no país. “Mutirão” arquiva 944 pedidos de registro sindical irregulares MTE concedeu 249 registros, o que representa apenas 19,1% do total de 1300 pedidos analisados pela comissão especial O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou na última semana de fevereiro o primeiro balanço da força-tarefa criada em maio de 2013 para analisar os mais de 4 mil pedidos de registros sindicais que estavam pendentes no órgão. Dentre as principais ações da Secretaria de Relações do Trabalho, responsável pelo registro sindical, estão a implantação do novo Cadastro Nacional de Entidades Sindicais (CNES), que reestrutura o banco de dados e aumenta a segurança do sistema, além do uso obrigatório da certificação digital para acesso à plataforma. Por conta do mutirão, houve um aumento de 267% no número de processos distribuídos para análise. De um total de 1300 processos analisados, 944 foram arquivados, o que representa 72,6% dos processos vistos pela Comissão em 2013. O MTE identificou, ainda, até dezembro do ano passado, um total de 818 registros sindicais irregulares, cujos solicitantes foram notificados a apresentar documentação para regularização das pendências. Outros 671 registros foram suspensos ou cancelados por inconsistência nos dados. Também foram baixadas sete portarias e ordens de serviço estabelecendo regras mais claras e rígidas para concessão de carta sindical. Houve também uma redução de 38% nos pedidos que aguardavam análise no início de 2013. De um total de 2.035 pedidos ainda em análise pela Comissão, 555 são de registro e 180 para alteração estatutária. Destes, foram deferidos e publicados 249 novos registros sindicais. Ressalta-se que nos últimos nove anos, a média anual foi de 391 deferimentos de novos registros. Os 249 registros concedidos representam apenas 19,1% do total de pedidos analisados pela comissão especial. O “mutirão” para análise dos pedidos de registro sindical foi uma das primeiras determinações do ministro Manoel Dias, assim que assumiu o cargo em março de 2013. Manoel Dias justificou a decisão alertando para os riscos de o MTE se tornar um cartório de registro de entidades sindicais, desviando-se de sua atividade central que é a elaboração e desenvolvimento de políticas públicas de trabalho, emprego e renda. Dias determinou ainda a adoção de critérios rigorosos, agilidade na análise dos processos e total transparência em relação aos prazos e procedimentos. Para isso, uma equipe de servidores especializados da Secretaria de Relações do Trabalho (SRT) e das SRTEs foram destacados para analisar os documentos. Emprego deve ter prioridade sobre inflação, diz Lula que política é “imprevisível”. Apesar disso, Lula diz que a natureza é implacável e ele estará com 72 anos na eleição presidencial de 2018. Ao jornal italiano, Lula diz que “críticos gostariam que diminuíssemos o emprego para reduzir a inflação”. “Mas para nós a defesa do emprego é mais importante que a inflação”, disse. Lula comentou que foram criados 21 milhões de empregos nos últimos 11 anos (oito do governo Lula e três de Dilma Rousseff) e 42 milhões de brasileiros entraram na classe média. Na entrevista publicada, Lula não citou números da inflação. Sobre as eleições presidenciais, Lula foi questionado sobre eventual volta para tentar a disputa de 2014. “Não. Eu vou apoiar minha companheira Dilma Rousseff”, disse. Sobre 2018, Lula diz que a política é “imprevisível”. “Mas a natureza é implacável: em 2018, para a eleição seguinte, eu terei 72 anos”. Questionado sobre os protestos populares, o ex-presidente diz que após a ascensão social dos últimos anos “brasileiros agora querem mais e com razão”. Para Lula, isso só acontece atualmente porque há uma “democracia verdadeira” no país e as pessoas podem se expressar. Sobre a Copa do Mundo, Lula reconhece que poderá haver atrasos em obras de infraestrutura. Mesmo assim, avalia que o Brasil sairá fortalecido do evento. Lula também fez uma crítica à atuação do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. O ex-presidente brasileiro disse que o atual governo venezuelano errou ao não se esforçar para iniciar um dialogo maior com a oposição. Sobre a imagem do Brasil no exterior, Lula diz que o país era uma “criança” que cresceu e começou a ter um papel mais importante na economia, nos cargos internacionais e na mediação de assuntos globais. Por isso, diz, o Brasil estaria sendo visto como um “incômodo” para alguns países. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a criação de empregos deve ser a prioridade na economia em detrimento de outros temas, como o controle da inflação. Em entrevista ao jornal italiano La Reppublica publicada no 9 de março, o ex-presidente reafirmou apoio à reeleição de Dilma Rousseff em 2014. Sobre a disputa presidencial seguinte, disse

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IMPRENSA SINDICAL | DE 15 DE MARÇO A 15 DE ABRIL/2014 | PÁGINA 8 Jader Barbalho Homenagem à mulher Peemedebistas celebram 30 anos do movimento Diretas Já Para o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), a Campanha das Diretas Já foi a prova de que o povo não queria mais esperar seis anos, após uma provação de 20, para escolher seu presidente. “O povo queria eleições imediatamente, e demonstrou isso nos comícios, nos estádios, Jader Barbalho (PMDB-PA), senador da nas universidades, nas República igrejas –em toda a parEm Sessão Solene, o Senado comemorou dia 24 de feve- te– como a voz quase unânime reiro os 30 anos de realização de toda a consciência nacional”, do comício inaugural da cam- declarou. Henrique ressaltou tampanha pelas eleições diretas para Presidente da República, bém o papel da Câmara dos Deocorrido na cidade de Curitiba/ putados durante o processo de PR. O comício marcou o início redemocratização. “Esta Casa da série de grandes manifesta- irmanou a todos com seus acerções populares que tomaram o tos, erros, virtudes e carências, país em 1984 em prol da rede- e as crônicas registraram ter mocratização e do voto direto. sido aqui o esperançoso berço O PMDB foi protagonista do das Diretas Já, da Anistia, da movimento conhecido como superação política do Colégio Diretas Já, com lideranças na- Eleitoral, da convocação da Ascionais como Ulysses Guima- sembleia Nacional Constituinrães, o “senhor Diretas”, Fran- te”, enfatizou. O senador José Sarney co Montoro, Tancredo Neves (AP), que se tornou o primeiro e Teotônio Vilela entre tantos outros que tiveram papel fun- presidente após a queda do regidamental no processo de rede- me militar, as Diretas Já significaram “o primeiro grande ato da mocratização do país. Símbolo da campanha pe- abertura política. Depois delas, las eleições diretas no Brasil, tudo mudou: foi aberta a granUlysses convocou os presiden- de porta da redemocratização”. Peemedebista que esteve tes regionais do PMDB no final de 1983 em uma reunião his- ao lado de Ulysses e uma das tórica. “Vamos iniciar, no dia principais lideranças do Partido 12 de janeiro, a campanha por no período, Mauro Benevides eleições diretas já e não vamos (CE), destacou a manifestação parar até conquistar o direito de ocorrida em São Paulo como votar”, disse então. Alguns dias a mais positiva demonstração depois, em São Paulo, sob a lide- democrática a que se assistiu na rança do PMDB, 300 mil pesso- fase que antecedeu o início das as se reuniram na Praça da Sé discussões, pelo Congresso Napara lutar pelo direito do voto cional, das eleições diretas no direto. Ao longo do ano, milha- Brasil. “Se num primeiro mores de brasileiros se reuniram mento, o Congresso não se enpara reconquistar seus direitos. corajou a votar favoravelmente à emenda Dante de Oliveira – então deputado pelo PMDB– a ideia tornou-se parte do processo de conscientização e, meses depois, a eleição de Tancredo Neves surpreendeu a todos ao promover o reencontro do país com a vontade popular. A mobilização marcou uma época e impulsionou a volta do Estado de Direito”, enfatizou. O senador Pedro Simon (RS) lembrou os 30 anos do comício pelas Diretas Já e comparou o período de manifestações populares ao momento atual, quando se multiplicam protestos por todo o país. “Quando tantos jovens se dizem dispostos a voltar às ruas, sem saber ao certo do que reclamar, o que exigir, é importante lembrar do passado e aprender com ele. Antes de alçar a voz, é preciso definir e escolher os sonhos. A construção da democracia é um empreendimento que prescinde da violência e se funda na consciência e nos sonhos de todos nós”, afirmou. Já o senador Jader Barbalho (PA), um dos líderes da campanha pelas Diretas Já e principal incentivador do movimento no Pará, ressaltou os primórdios da luta pela democracia. “Em 1982, veio o ápice da luta contra a ditadura militar, quando fui eleito governador do Pará, aos 38 anos de idade, o mais jovem na história do Estado. Fui um dos líderes da campanha pelas Diretas Já, que devolveu ao povo o direito de eleger o presidente da República. Dei toda cobertura e sustentação para a realização da manifestação das Diretas Já, por eleições diretas no Brasil. Belém foi a segunda capital a realizar a manifestação, sendo Goiânia a primeira. Depois veio a campanha da Constituinte e tantas outras”, recordou. Na luta pela igualdade de tratamento entre homens e mulheres! Não é preciso registrar que as mulheres, com sua força e competência, estão ocupando os mais elevados postos na estrutura de poder do nosso País. Com honestidade de princípios e muita personalidade, estão dando uma lição de cidadania, baseada no respeito ao próximo. Todavia, resquícios de preconceito ainda teimam em vigorar. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a diferença de renda entre homens e mulheres no Brasil não diminui desde 2009. O salário das companheiras, segundo o Instituto, permanece 28% menor do que os companheiros. Não é à toa, portanto, que a desigualdade de gênero no mercado de trabalho é uma das principais bandeiras dos movimentos sociais e das centrais trabalhistas. É preciso mudar. É imperativo corrigir tamanha injustiça, inadmissível no século 21. O quadro fica ainda mais agravado quando se sabe que a mão de obra feminina é maioria na população economicamente ativa. E ainda minoria em segmentos importantes como os da indústria, construção, comércio e serviços prestados a empresas. Onde as mulheres são maioria? Em cargos de administração pública e no serviço doméstico, óbvio. História Em 8 de março de 1857, as operárias de uma fábrica de tecidos em Nova Iorque, iniciaram uma grande greve por melhores condições de trabalho. Queriam tratamento digno dentro das fábricas, carga horária 10 horas diárias (na época a carga horária variava entre 16h e 18h diárias) e equiparação salarial com os homens. À época, as co m p a n h e i ra s chegavam a receber até menos da metade do salário masculino na execução de mesmas funções. Essa greve foi tratada como caso de polícia, como todas as manifestações populares e trabalhistas mundo a fora durante a Segunda Revolução Industrial(1850-1900). Nesse caso a repressão foi muito maior, já que se tratava de mulheres reivindicando melhorias na área trabalhista. As grevistas haviam ocupado parte da fábrica, e esse local foi trancado e incendiado premeditadamente. Cerca de 130 operárias morreram carbonizadas. Nenhuma medida judicial foi aplicada ao dono da fábrica e muito menos aos policiais que atearam fogo. De lá para cá, muita água rolou por debaixo da ponte. Indispensável dizer que a evolução social e trabalhista, em termos de igualdade, melhorou sensivelmente. Mas há ainda muito o que se fazer. E é assim que o movimento sindical pensa, tendo, em suas bandeiras de luta, a condição de igualdade como condição básica e essencial ao lado de outros avanços, como a diminuição da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais; o fim do fator previdenciário e a adoção de criérios justos na questão da terceirização de mão de obra. Estranho que o governo de um País cuja origem está fincada no sindicalismo ainda não tenha corrigido tais distorções. Mas, como sabemos, nada cai do céu. A luta deve ser permanente, renhida. Estamos preparados para ela! Às companheiras, Feliz Dia Internacional das Mulheres! Antonio de Sousa Ramalho é sindicalista e deputado estadual (PSDB-SP)

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IMPRENSA SINDICAL | DE 15 DE MARÇO A 15 DE ABRIL/2014 | PÁGINA 9 Secovi-SP Não há risco de bolha imobiliária Acompanhe entrevista de Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP (Sindicato da Habitação) Imprensa Sindical - Agora é o melhor momento para comprar imóveis? Cláudio Bernardes - Sempre é um bom momento de comprar imóveis. Mas essa aquisição tem de ser planejada e não deve ser feita por impulso, pois o investimento econômico é muito alto – talvez o maior que a família irá fazer em toda a vida. Sem contar o fator emocional, já que a casa própria é o principal sonho da maioria das pessoas. Antes de comprar, é importante conversar muito com familiares, amigos e contar sempre com o serviço profissional de um corretor de imóveis. Deve-se calcular quanto a família tem para dar de entrada e se o imóvel será pronto, na planta ou usado. Não se deve comprometer mais do que 30% da renda familiar no financiamento imobiliário. Essas são dicas básicas e no portal Secovi-SP (www.secovi. com.br) há muitas outras informações. Inclusive, os interessados podem fazer download da Cartilha da Compra Consciente e do Manual de Boas Práticas na Intermediação de Compra e Venda de Imóveis. IS - Existe o risco da formação de uma bolha imobiliária no Brasil? Bernardes - Não existe bolha imobiliária no Brasil. As condições estruturais do mercado imobiliário brasileiro são muito diferentes daquelas que existiam nos Estados Unidos quando eclodiu a crise de 2007. Para haver uma bolha imobiliária, é preciso que os preços dos imóveis estejam artificialmente inflados, o que não ocorre em nosso mercado. É importante conhecer os fatos para compará-los e chegar à correta conclusão. A crise econômica norte-americana teve origem nos chamados subprimes: os compradores de imóveis refinanciaram suas hipotecas lastreadas por valores irreais de mercado. A altíssima alavancagem, tendo como base os papéis emitidos com esse lastro irreal, fez com que o sistema desmoronasse. E o que veio depois, todos nós sabemos bem: a economia mundial sofreu um duro golpe. Aqui, o cenário é bem diferente. O consistente crescimento do setor imobiliário decorreu de fatos específicos, como a diminuição das taxas de juros, a melhoria do poder aquisitivo de boa parte da população e a volta do crédito imobiliário, após lacuna de duas décadas que quase levou o mercado à estagnação. Isso foi possível graças ao novo marco regulatório, que deu garantias a compradores, produtores e financiadores. A sociedade, cuja demanda estava represada, “foi às compras”. Buscou realizar o sonho da casa própria, viabilizado por essas condições elementares, e o mercado se empenhou em suprir essa procura, uma vez que sua função primordial no cenário econômico-social consiste em equilibrar oferta e demanda. A produção foi retomada, impactando o crescimento do País e a geração de empregos em escala. Os agentes financeiros, que antes não tinham o financiamento habitacional como fator estratégico de seu negócio, passaram a disputar mutuários. Mas nada disso implicou em relaxamento das exigências para concessão de empréstimos. Aliás, unidades 100% financiadas ainda hoje são casos raros. Em média, os financiamentos concedidos correspondem a 60% do valor do imóvel. O cuidado na concessão do crédito, que pode até ser exagerado, acarreta burocracia tremenda. Houve melhoras. O número de documentos exigidos do comprador, do vendedor e do imóvel caiu de 52 para 14, mas continua elevado, e é grande a demora em se obter toda essa papelada, principalmente porque falta integração entre os órgãos públicos expedidores. Os cartórios ainda não estão totalmente informatizados – ao contrário dos bancos, que investiram fortemente em tecnologia. Esse criterioso processo nos autoriza a afirmar que, no Brasil, há superprime. Além disso, não temos a cultura do refinanciamento de hipotecas. O brasileiro valoriza a propriedade do bem. Quer quitar o quanto antes sua dívida e ter a escritura do imóvel. Depois disso, fica livre para novos endividamentos, pois conta com a segurança de que a casa da família, patrimônio dos filhos, está garantida. Na fase atual da nossa economia, não existe espaço para aumentos significativos, mas também não há risco de queda de preços. O mercado deve crescer na proporção direta do desempenho da economia. Há bolha imobiliária? Definitivamente, não. IS - Os preços dos imóveis cairão? Bernardes - O mercado imobiliário depende muito das condi- Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP ções estruturais da macroeconomia. Se a inflação é controlada, o mercado imobiliário permanece aquecido, gerando empregos e lançando imóveis residenciais e comerciais para a aquisição. Sem contar que o mercado de novos impulsiona o desempenho do mercado de usados. O que podemos afirmar é que os preços não cairão, e passarão a seguir novas formas de reajuste, pela variação da inflação, por exemplo. É claro que em algumas localidades, onde os reajustes foram muito altos, como em Brasília, serão feitos ajustes com queda de preços, inclusive, para que os valores atendam às expectativas e às necessidades dos consumidores. Importante reforçar que setor imobiliário é regulado pelo equilíbrio entre a oferta e a demanda. E os preços têm de caber no bolso dos compradores. Lu Alckmin - Ação Social Fundo Social de Solidariedade assina 126 convênios para a implantação de projetos em todo o Estado Escola de Moda e Padaria Artesanal são os projetos mais solicitados pelos municípios e entidades sociais A primeira-dama e presidente do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo (FUSSESP), Lu Alckmin, esteve reunida dia 26 de fevereiro, no Palácio dos Bandeirantes, com prefeitos, primeiras-damas e presidentes de Fundos Municipais, além de representantes de entidades sociais do interior e da capital, para firmar 126 convênios para a realizaçãodos projetos Escola de Moda, Escola de Beleza, Padaria Artesanal, Praça de Exercícios do Idoso, Horta Educativa, Geração de Renda e Polo Regional da Escola de Construção Civil. Na presença da secretária de Agricultura e Abastecimento do Estado, Mônika Bergamaschi, também foi assinado um Termo de Cooperação com a Secretaria de Segurança Pública para implantação da Horta Educativa em seu Centro de Convivência Infantil (CCI). A Horta Educativa é uma realização do FUSSESP e da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. “Desde 2011, quando iniciamos as parcerias com os municípios e entidades, foram assinados mais de 2200 convênios em todo o Estado”, afirmou Lu Alckmin. Entre os municípios participantes do evento de assinatura, compareceram representantes de Álvares Machado, Andradina, Apiaí, Barra do Turvo, Braúna, Fartura, Fernando Prestes, General Salgado, Glicério, Guará, Holambra, Ipiguá, Itaquaquecetuba, Itatiba, Itu, Jandira, Mairinque, Mira Estrela, Monções, Monte Mor, Nova Aliança, Nova Independência, Pindorama, Pirajuí, Pirapora do Bom Jesus, Porto Fer- reira, Promissão, Ribeirão Grande, Santa Salete, São Joaquim da Barra, São José do Barreiro, Serra Negra, Silveiras, Sorocaba, Suzano, Taguaí e Três Fronteiras. Participaram também membros de 31 entidades, entre elas Associação Assistencial e Profissionalizante Visarte, Associação Beneficente Comunitária Aurora, Associação Beneficente Evangélica Assembleia de Deus, Associação Comunitária Habitacional Vargem Grande, Associação de Atendimento à Criança e ao Adolescente, Associação de Mulheres do Grajaú, Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Pitangueiras, Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Quatá, Associação Franciscana de Solidariedade, Associação Grupo de Mães Novo Amanhecer, Associação Menino Deus, Associação Quilombola do Sítio Bruno – Bairro Peropava, Associação Sorocabana de Atividades para Deficientes Visuais, Cáritas Interparoquial de Cotia, Casa da Amizade de Pindamonhangaba, Casa Transitoria André Luiz, Centro Comunitário Assistencial Vinhedense – CECAVI, Centro Cultural Quilombinho, Fraterno Auxílio Cristão, Grupo de Apoio Portador de Câncer de Taguaí, Igreja Batista Santa Fé, Instituto Cio da Terra, Instituto Social Dom Veremundo Toth, Movimento Pró-Moradia de Suzano, Núcleo Recreativo Mundo Encantado, Projeto Cultural Educacional Novo Pantanal, Santa Casa de Misericórdia de Tupã, ONG Sempre Amigos Educacional, Social Bom Jesus, Sociedade Beneficente Caminhando para o Futuro, Sociedade Espírita Redenção.

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IMPRENSA SINDICAL | DE 15 DE MARÇO A 15 DE ABRIL/2014 | PÁGINA 10 Brasil Bahia Economia baiana cresceu 3% em 2013 com destaque para a indústria Jaques Wagner, governador da Bahia A atividade econômica na Bahia registrou uma expansão de 3% de janeiro a dezembro de 2013, um crescimento acima da média nacional, segundo dados divulgados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), da Secretaria Estadual do Planejamento (Seplan), com base em números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Há três anos consecutivos a economia baiana apresenta um crescimento acima da média nacional. A alta de 3% na atividade econômica da Bahia em 2013 foi determinada por dois setores. A indústria cresceu 4,2%, devido ao bom desempenho da indústria de transformação (5,8%) e da atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (4,7%). O outro setor é o de serviços, com crescimento de 2,5%. Esta alta está atrelada ao crescimento de 3,6% do comércio e de 5,2% dos transportes. Em sentido oposto, apresenta-se o setor da agropecuária, com retração de 3,9% em 2013. Apesar dos impactos da seca nos resultados da agropecuária e da redução no ritmo de crescimento no setor de serviços, o desempenho da indústria baiana colaborou para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2013 ter sido superior ao projetado inicialmente pela SEI. A tendência de uma maior taxa em âmbito estadual é confirmada pelo Índice de Atividade do Banco Central (IBC), que aponta um incremento de 2,5% para o Brasil e de 4,5% para a Bahia – à frente de Estados como Pernambuco (1,8%), Ceará (3,7%) e Santa Catarina (4,1%), além da região Nordeste (3,7%). Outro aspecto que merece registro é que está se consolidando uma tendência de maior dinamismo do mercado de trabalho no interior do Estado em relação à Região Metropolitana de Salvador. Apesar de a atividade econômica nacional estar ainda morna, a SEI projeta para 2014 um crescimento ços, o comércio cresceu de 3% para o PIB da Bahia. 3%, transportes 3,3% e alojamento e alimentação Estabilidade – No 2,9%. quarto trimestre de 2013, Os destaques na indúsem comparação com o tria foram eletricidade e mesmo período do ano gás, água, esgoto e limpeza anterior, o PIB baiano cres- urbana (8,3%), favorecidos ceu 0,9%. Na comparação principalmente pelo concom o terceiro trimestre sumo industrial de energia do mesmo ano, houve es- elétrica, e a recuperação tabilidade (0,0%), consi- da construção civil (0,9%), derando a série com ajuste que esteve associada ao inísazonal. cio de diversas obras públiForam fundamentais cas em todo o Estado. Em para a expansão de 0,9% contrapartida, cabe mendo quarto trimestre os cionar a retração da insetores de serviços e in- dústria de transformação dustrial, com alta de 1% (-2%), fato corroborado e 1,5%, respectivamen- pela paralisação da ativite, devido ao seu peso na dade no final do ano, além composição do PIB esta- da base de comparação ser dual. No setor de servi- bem elevada (12,8%). Pará Pará lidera a geração de empregos formais no norte do país por Elck Oliveira O Pará foi o Estado que mais gerou postos de trabalho formais no último ano em toda a região Norte. Levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos – Escritório do Pará (Dieese/PA), e publicado dia 10 de março mostra que, entre fevereiro de 2013 e janeiro deste ano, foram realizadas no Estado 103,8 mil admissões contra 98,9 mil desligamentos, o que resulta num saldo positivo de 4,9 mil postos de trabalho. Em termos percentuais, o crescimento foi de 1,97%. Segundo o balanço – ela- borado e analisado pelo Dieese/ PA com base em informações oficiais do Ministério do Trabalho, mais precisamente nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) – todos os Estados da região Norte apresentaram saldos positivos de empregos no comparativo entre admitidos e desligados, sendo o Pará o que registrou o maior saldo positivo, seguido do Amazonas, com mais 3,5 mil postos de trabalho; Tocantins, com 1,3 mil postos; Rondônia, com 1,2 mil postos, e Amapá, com saldo de mil postos de trabalho. De acordo com o Dieese/ PA, em todo o Norte, no perí- odo pesquisado, foram realizadas 285,2 mil admissões contra 272,5 mil desligamentos, o que resultou num saldo positivo de 12,6 mil postos de trabalho, com crescimento de 2%. Segundo Rodivan dos Santos Nogueira, titular da Secretaria de Estado de Emprego e Renda (Seter), entre os setores que mais estão puxando a geração de empregos no Pará para cima estão a construção civil, o comércio e os serviços. Qualificação – Nesse sentido, a Seter está procurando incentivar a qualificação da mão de obra em todas as regiões do Estado. “Estamos com um pla- nejamento para por em prática a partir do segundo semestre, para qualificação com foco no aproveitamento dos grandes projetos do setor mineral que estão se instalando aqui”, explicou o secretário. Antes de chegar a essa etapa, a Seter assinará um Termo de Cooperação Técnica com a Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Mineração (Seicom), para sair a campo para visitar os grandes projetos e entender as necessidades de cada um, no que se refere à mão de obra. Para isso, serão realizadas oficinas, palestras e reuniões nas próprias comunidades onde esses projetos serão instalados. “Nos próximos dias, estaremos em Itaituba com esse trabalho. O objetivo é identificar as demandas para a instalação dos portos da região de Miritituba (no município de Itaituba)”, informou. No último dia 26 de fevereiro, a Seter assinou com 40 Prefeituras Termos de Cooperação Técnica, que têm como objetivo estabelecer uma parceria entre Estado e municípios, com foco na melhoria da formulação, coordenação e execução da Política Estadual de Trabalho, Emprego e Renda, por meio de ações realizadas pelo Sistema Nacional de Emprego e Renda (Sine/PA). Rio Grande do Sul Caravana da Inclusão leva oportunidade de qualificação à região Humaitá Navegantes, na Capital Foto: Pedro Revillion/Palácio Piratini Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul Igual. A reunião ampliada com os beneficiários tem A região Humaitá Na- a finalidade de esclarecer vegantes de Porto Alegre dúvidas e oferecer qualirecebeu dia 10 de março a ficação profissional por segunda etapa da Carava- meio dos cursos do Prona da Inclusão do RS Mais grama Nacional de Acespor Josiane Picada so ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). O evento ocorreu no final da tarde, na Escola Vereador Antônio Giúdice. Humaitá Navegantes conta com 450 lares que recebem o complemento do governo gaúcho ao Bolsa Família. O coordenador do programa e secretário-chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, explicou que o encontro serve para o Governo conhecer o tipo de qualificação que os beneficiários querem, e mostrar as oportunidades oferecidas pelo Estado. “Não adianta fazer um belo curso, que não vai garantir um emprego lá na frente”, afirmou. “Eu gostaria de trabalhar em um supermercado”, disse Sara Vasconcelos, 22 anos, mãe de quatro crianças, uma delas portadora de necessidades especiais. “Meu filho precisa de medicação controlada. Não sei o que seria de nós sem o Bolsa Família”. Além de possibilitar a qualificação por meio de oficinas e cursos profissionalizantes oferecidos pelo Pronatec, o RS Mais Igual proporciona acesso a diversos serviços públicos, capazes de orientar e promover a autonomia financeira e social daqueles que vivem em pobreza extrema. Programa O RS Mais Igual é um programa transversal de erradicação da pobreza extrema do governo gaúcho. Alinhado ao plano Brasil Sem Miséria, do Governo Federal, ele é dividido em três eixos de atuação: transferência de renda, acesso aos servi- ços públicos e geração de oportunidades/inclusão produtiva. O programa nacional Brasil Carinhoso e a ampliação do Bolsa Família garantiram que nenhuma família brasileira, desde que identificada e incluída no Cadastro Único, receba menos de R$ 70 mensais. Agora, com o RS Mais Igual, o Governo do Rio Grande do Sul permite aos beneficiários do Bolsa Família –que possuam pelo menos uma criança com idade de zero a seis anos– uma renda mensal de R$ 100 por pessoa.

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IMPRENSA SINDICAL | DE 15 DE MARÇO A 15 DE ABRIL/2014 | PÁGINA 11 Sindical AEROVIÁRIOS - SP A questão da responsabilidade social empresarial O Brasil está entre os países que mais cobram impostos no mundo. O problema é que aqui a carga tributária não é revertida para a melhoria dos serviços públicos e estes precarizam-se cada vez mais, onerando o contribuinte, seja pessoa jurídica ou física. No que tange às pessoas físicas, além de arcarem com alíquotas pesadíssimas de impostos, se vêem obrigadas a pagarem por saúde, educação e segurança, dentre outros serviços, cuja competência constitucional de provimento, com qualidade, é do Estado. Letra morta constitucional? Além disto, a retração de investimentos do Estado acarreta uma vasta gama de exclusão social que, agregada ao chamado desemprego estrutural, leva um enorme contingente da população a compor o “exército industrial de reserva”. São milhões e milhões de cidadãos desocupados ou sub-ocupados, vulneráveis a doenças psicossomáticas, a desestruturas familiares, à violência urbana e, principalmente, a negócios ilegais, aéticos, imorais e criminosos como o caso do tráfico de drogas. Como milhões de brasileiros estão ao desamparo do Estado e este a demonstrar sua incapacidade na gestão pública, ocorre uma transferência de responsabilidade para o âmbito produtivo privado, seja pessoal ou coletivo. Tornou-se rotina, nas médias e grandes cidades brasileiras, o cidadão ser assediado por compatriotas, em situação de miséria material e depauperados na dignidade, situados em semáforos, com toda a família, pedindo esmolas ou vendendo quinquilharias. Nos estacionamentos em vias públicas, foi institucionalizada a figura do “guardador de veículos” e nos quarteirões dos bairros adveio a figura do “vigia da rua”. Estas são formas “inocentes” da manifestação da trágica falência do Estado, porque se nos aprofundarmos no triste desdobramento do legado da sucumbência da cidadania, chegaremos a casos dos matadores de aluguel que, por qualquer trocado, tem os serviços disponibilizados. Além destes, atingiremos a situação degradante de meninas que são submetidas à exploração sexual, maculando o Brasil com a prostituição infantil, tornando-o área fértil para o turismo sexual. Este cenário do âmbito social acaba repercutindo sobre as empresas aqui instaladas, levando-as a uma série de atividades tipificadas como de Responsabilidade Social Empresarial. Temos vários modelos de sucesso, como o caso da Fundação Bradesco, mantenedora do projeto Cidade de Deus, que garante a acessibilidade de um contingente de crianças carentes ao ensino básico e técnico, de qualidade, com canalização para a empregabilidade. Muito se tem discutido sobre (des) caminhos de ações versantes sobre Responsabilidade Social, Voluntariado Empresarial, Marketing Social, Balanço Social, etc. Enquanto o debate evolui, pode-se observar que da prática alternativa de gestão social, várias vicissitudes presentes no Estado, também estão arraigadas neste meio, como a questão de dilapidação de recursos financeiros e desvios de missão. Em síntese, o contingente humano a ser atendido pelo Estado ou alternativamente por ações privadas, aumenta de forma geométrica. Tudo o que qualquer cidadão de boa índole almeja é ser produtivo, poder compor e criar uma família. Definitivamente, o ser humano não foi criado para viver de esmolas. A ele precisam ser dadas condições de empregabilidade ou de empreendedorismo. E aí está a contradição: o mesmo Estado que se mostra incapaz para restituir à sociedade os impostos coletados, em forma de boa saúde, educação, etc; é o agente inibidor do desenvolvimento econômico e social, na medida em que os tributos são tão pesados que inibem o desenvolvimento dos negócios. E aí consiste o impasse: como as empresas criarão novos postos de trabalho, tendo como sócio compulsório um Estado voraz por tributos? Como as empresas crescerão e se desenvolverão arcando com altíssimas taxas de juros? Como fomentarão o desenvolvimento de novos fornecedores e prestadores de serviços (micros e pequenas empresas)? Como terão condições de levar avante programas de Responsabilidade Social Empresarial? A resposta para uma ação consequente de Responsabilidade Social Empresarial estará circunscrita ao ambiente de negócios das empresas, qual seja de se pautar por um comportamento ético, de respeito aos seus consumidores, empregados, fornecedores, ao Estado e à Sociedade; agindo consoante as legislações vigentes no contexto de um mundo globalizado. As empresas, além de agentes produtivos, consubstanciam um fundamental vetor de desenvolvimento social e econômico e, na interação pautada pelo comportamento ético e moral com os públicos interagentes, podem e devem abdicar de uma posição passiva em relação ao Estado, adotando uma postura propositiva diante dos fatores estruturais e conjunturais do Brasil e do mundo. Deste modo, as ações pertinentes estarão na alçada das empresas, transformando, num primeiro momento, o seu quadro funcional em parceiros, não somente da seara técnica e produtiva, mas também em cidadãos com amplo conhecimento dos problemas brasileiros e mundiais, capazes de ações sociais que venham a atacar o cerne da questão, qual seja a de promover as reformas estruturais da política nacional, de forma que temas como Responsabilidade Social não fiquem difusos e transformem-se em modismos. Reginaldo Alves de Souza, Mandú, presidente do SAESP

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A reviravolta nas relações entre Brasil e Estados Unidos por Antonio Lassance - além. É mais um revés na Obama, perderam importânpolítica de aproximação que cia em relação à participação de Brasília Por trás da escolha “técnica” dos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB), houve e ainda há muito mais política do que se imagina. Houve não só a intenção de passar um recado aos Estados Unidos, mas uma mudança de rota nas relações com aquele país. Houve também, pela enésima vez, uma disputa entre diplomatas e militares em torno de questões estratégicas e de defesa nacional. A decisão sobre os novos caças, que terminou com a escolha do modelo sueco Gripen, representou um desvio de rota da política externa trilhada pela presidenta Dilma, no aspecto das relações entre Brasil e Estados Unidos. Foi também um “round” ganho pelos militares na disputa permanente que travam contra outra forte corporação do Estado brasileiro: os diplomatas. Militares e diplomatas se digladiam pelo controle da orientação do Ministério da Defesa, praticamente, desde a sua criação. Resumindo para os que não têm detalhes sobre o assunto dos caças (os que já sabem de cor podem pular os próximos dois parágrafos), a batalha dos caças foi travada entre três concorrentes: o Gripen NG, da empresa sueca Saab (a mesma que, no Brasil, fabrica os caminhões Scania); o americano F-18 Super Hornet, da Boeing; e o francês Rafale, da Dassault. A guerra dos caças foi uma derrota importante para os interesses comerciais americanos, mas significa algo Dilma vinha buscando desde o início de seu governo, interrompida por conta das revelações escabrosas feitas por Edward Snowden, um agente terceirizado de uma empresa que prestava serviços para a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA). A mudança nas relações Brasil-Estados Unidos partia de um entendimento compartilhado entre Dilma e Lula. Ao contrário do que se possa imaginar, não houve desavença sobre essa nova diretriz. Dilma e Lula concordavam que era importante reforçar a administração Barack Obama. Por dois motivos: consideravam que Obama poderia consolidar uma política externa mais multilateral e menos militarizada do que a dos republicanos. Havia também a expectativa de reconhecimento, pelos americanos, do novo papel internacional desempenhado pelo Brasil, tendo em vista uma avalanche de fatos objetivos que demonstravam categoricamente que o país havia mudado de patamar. O Brasil fora protagonista na criação do G-20; tornou-se um parceiro econômico prioritário da China; foi fundamental na retomada das negociações da Rodada Doha; havia atraído a África do Sul para os BRICS; e vinha sendo fundamental para apaziguar os ânimos cada vez mais acirrados na América Latina, que estava em plena ebulição com Chávez, Evo Morales e o peronismo kirchenista. As antigas reuniões dos EUA com o G-8, a partir de no G-20. Obama, em discursos, tratava o Brasil, ao lado da China, como um dos países onde a classe média se expandia mais rapidamente, contribuindo para dissipar a crise instalada desde 2008. Sem contar o elogio direto a Lula, “o cara”. Os sinais de simpatia estavam dados, e a alternância na presidência brasileira tornava propícia uma igual mudança de tom na política externa, sem abdicar do terreno já alcançado em torno dos BRICS, do G-20 e do Mercosul. A nova política externa a ser encampada por Dilma, fazendo um contraponto combinado com a de Lula, facilitaria uma aproximação que poderia redundar no patrocínio explícito dos Estados Unidos ao velho sonho brasileiro por uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, uma prioridade que o Itamaraty conseguiu inculcar na diplomacia presidencial de Lula. A escolha de Antonio Patriota como chanceler já havia sido uma clara sinalização do interesse nessa aproximação maior entre Brasil e Estados Unidos. Patriota era até casado com uma americana, o que tornava o convite ao enlace ainda mais ostensivo. A doce ilusão caiu como um castelo de cartas diante das revelações de Snowden. Com o azedamento das relações com os EUA, o prestígio de Patriota também foi por água abaixo; sua figura deixou de fazer sentido. Junto com Patriota, o caça da Boeing, o Hornet, também acabou sendo abatido em meio a essa reviravolta. A escolha do Rafale só não ocorreu, ainda durante o governo Lula, porque o assunto foi mal conduzido na época em que o Ministério da Defesa era comandado por Nelson Jobim e porque os franceses, em momento algum, se mexeram para rever seus preços. Acabaram perdendo o “timing” da decisão no governo Lula. Jobim falhou indecorosamente no que é chamado de apoio à decisão. A comissão da FAB (Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate), montada para analisar o assunto, deveria apresentar prós e contras de cada modelo, para subsidiar a decisão a ser levada pelo ministro ao presidente. Seria até compreensível se a comissão excluísse algum concorrente, caso fosse julgado inadequado. O governo considerava que os três jatos, sendo, como são, de primeira linha, permitiriam que qualquer decisão fosse considerada tecnicamente defensável. Superada a avaliação técnica, restaria uma decisão que deveria ser política e estratégica do ministério e da Presidência, e não da FAB. Extrapolando suas prerrogativas, a comissão se comportou como uma espécie de comissão de licitação que analisou propostas e apontou uma decisão preferencial. O fato de o Rafale ter ficado em terceiro lugar foi apresentado quase como uma desclassificação. A comissão, inteligentemente, ao invés de recomendar opções, amarrou e vazou para a imprensa uma conclusão: tudo, menos o Rafale. A velha mídia adorou saborear em manchetes o tropeço imposto por Jobim a Lula. Os militares conseguiram derrotar a opção do Rafale, que não havia sido articulada por eles, de maneira astuta. Sabiam que contrariar a decisão do presidente em favor de uma opção pró-americana seria politicamente inviável. De quebra, se optassem pela Boeing, pesariam fortes suspeitas sobre que tipo de critérios e relações teriam levado os militares a uma opção mais cara, sem transferência de tecnologia e sem tradição na Força Aérea. O Rafale, pelo menos, vinha da mesma família dos Mirage (a Dassault) que até então equipavam a FAB. A decisão de Dilma em torno do Gripen acabou sendo a melhor possível, consideradas as circunstâncias. O Gripen seria tido como uma decisão “técnica”, o que reforçaria uma das imagens que a presidenta gosta de sustentar. Impôs uma derrota aos americanos, que pagaram um preço caro pela prática da espionagem praticada contra a própria Dilma. Agradou os militares, que se consideravam pouco prestigiados até então. Foi a opção mais barata, o que também ajudava em um momento em que gastos exorbitantes em áreas supostamente não prioritárias são consideradas quase um crime de lesa-pátria (por mais paradoxal que investir em defesa possa ser considerado lesa-pátria). É igualmente óbvio que, se Dilma optasse pelo Rafale, se diria ter sido uma decisão do Lula, e não dela. Para evitar ruídos com o ex-presidente, foi providencial o lobby do prefeito e do movimento sindical de São Bernardo do Campo, ativo em defesa dos suecos. A turma de São Bernardo conseguiu emplacar, em torno do Gripen, o compromisso de implantação, por lá, de uma fábrica para a produção de vários dos componentes do futuro caça. De todo modo, a opção pelos suecos acabou sendo a menos pior para os americanos. O Rafale seria uma derrota maior. O Gripen, a começar por seu motor (que é da General Eletric), tem vários de seus componentes fabricados nos Estados Unidos. O sistema de radar é da Selex-Galileo, subsidiária americana da ítalo-britânica Selex ES, que fornece armamentos tanto para as Forças Armadas dos Estados Unidos quanto para a guarda costeira daquele país. De todo modo, desde que a presidenta cancelou a viagem com honras de chefe de Estado que faria aos Estados Unidos, em outubro de 2013, e até a escolha do Gripen, a quantidade de recados enviada a Obama foi mais do que suficiente para bom entendedor. Obama falou muito sobre o assunto da espionagem, mas fez pouco. O Brasil, junto com a Alemanha, rascunhou a resolução aprovada na ONU contra a espionagem desenfreada. Obama sequer conseguiu rever suas normas internas. Segue preocupado com outras prioridades. Resta a ele torcer para que, em 2014, seja eleito para a Presidência da República alguém que lhe preste bons serviços, por aqui, contentando-se em saber que o Brasil não figura como uma das prioridades de sua política externa. Candidatos para isso não faltam. Geral IMPRENSA SINDICAL | DE 15 DE MARÇO A 15 DE ABRIL/2014 | PÁGINA 12 Maranhão Roseana inaugura mais dois hospitais de 20 leitos em Apicum-Açu e Palmeirândia Foto: Arquivo-Secom/Handson Chagas Os moradores de Apicum-Açu e Palmeirândia, na Baixada Maranhense, agora têm mais acesso à saúde. A governadora Roseana Sarney inaugurou os hospitais dos dois municípios, dia 26 de fevereiro. Com a entrega, o Programa Saúde é Vida alcança a 30ª unidade hospitalar de 20 leitos entregue à população, além de sete hospitais de 50 leitos e 10 Unidades de Pronto Atendimento (UPA) já foram inaugurados. No ato de entrega do Hospital de Apicum-Açu, batizado de “Sebastiana Fonseca Costa”, a governadora foi efusivamente saudada pelos moradores. Ao lado do subsecretário de Estado de Saúde, José Marcio Leite, e do prefeito de Apicum-Açu, Claudio Cunha, ela reafirmou o compromisso do governo com a saúde dos maranhenses. “Estou muito feliz em entregar este hospital, que era um sonho da população e hoje se tornou realidade. As famílias vão ficar mais tranquilas porque terão atendimento de qualidade perto de casa”, ressaltou. A governadora Roseana também destacou o investimento na manutenção da unidade. “Decidimos aumentar o recurso para auxiliar as prefeituras no sustento dos hospitais. Antes, o governo repassava o valor de R$ 62 mil, mas agora decidimos aumentar para R$ 100 mil, para que os hospitais funcionem da melhor forma possível. Nessa parceria o governo do estado entra com a maior parte do custeio”, explicou. Presentes à inauguração, os deputados estaduais Edilázio Junior, Victor Mendes e Hemetério Weba; os secretários José Costa (Ciência e Tecnologia); Ricardo Archer (Assuntos Políticos); Clodomir Paz (Programas Especiais); coronel José Ribamar Vieira (Gabinete Militar); prefeitos e ex-prefeitos de municípios vizinhos, vereadores e demais lideranças da região. Emocionado, prefeito Claudio Cunha, agradeceu a atenção do governo com os municípios e enfatizou a importância de mais um hospital para a região. “A partir de agora, serão realizadas pequenas cirurgias e atendimentos em Apicum-Açu, melhorando a qualidade de vida da nossa gente”, afirmou. Claudio Cunha destacou ainda a parceria com o governo estadual em diversas áreas. “Nós fomos contemplados com várias obras pelo governo do estado, entre elas, a estrada e o cais da cabeçaria, já estão em construção. O governo estadual investiu também no Distrito Industrial da Pesca no nosso município, esse é sem dúvidas um dos maiores investimentos na Baixada”, ressaltou. Serviços A unidade dispõe de Serviço de Pronto Atendimento (SPA), centro de parto e farmácia. Além disso, vai oferecer serviços como exames de raio-x e laboratoriais. Na obra, foram investidos R$ 3.619.863,15 em obras civis e R$ 1.241.000,00 na aquisição de equipamentos, totalizando R$ 4.860.863,15. O subsecretário de Estado de Saúde, José Marcio Leite, ressaltou os serviços oferecidos. “Para muitas pessoas parecia impossível, mas Apicum-Açu ganhou uma unidade de saúde de qualidade, com equipamentos modernos, centro cirúrgico, Serviço de Pronto Atendimento (SPA), tudo o que uma cidade e seus moradores merecem. Dá gosto ver um hospital como esse, agora nós pedimos aos profissionais que vão atuar aqui, que sejam atenciosos e cuidadosos com os pacientes”, afirmou. A população prestigiou a solenidade de inauguração do hospital. A aposentada Nadir da Conceição Silva definiu a nova unidade como uma bênção na vida de todos. “Nós estamos muito felizes, nossa cidade precisava de um hospital. Muitas vezes nós tínhamos que ir até Cururupu para conseguir atendimento, agora tudo vai melhorar, é uma bênção nas nossas vidas”. A dona de casa Neidiana Santos declarou que, além de saúde, o hospital traz oportunidade de mais emprego e renda. “Ficamos muito felizes porque, além da saúde, nossa população terá mais uma oportunidade de emprego, porque um hospital cria a necessidade de outros serviços”, enfatizou. Palmeirândia Em Palmeirândia, também na Baixada Maranhense, a governadora Roseana Sarney, acompanhada do subsecretário estadual de Saúde, José Márcio Leite, e do prefeito Nilson Leal Garcia, inaugurou a 30ª unidade de 20 leitos do Programa Saúde é Vida. O hospital recebeu o nome de Padre Bento Dominici, homenageado que participou do descerramento da placa de inauguração da unidade de saúde. “Com todas essas unidades em pleno funcionamento, e com as que ainda serão entregues, o Programa Saúde é Vida está implantando um complexo para tornar a rede hospitalar do Maranhão a melhor do Brasil”, declarou a governadora Roseana Sarney que, na ocasião, anunciou a construção de sete Centros Macrorregionais de Hemodiálise no Maranhão, um deles na cidade de Pinheiro. Roseana Sarney informou que o investimento total na obra foi de R$ 4.936.902,28, sendo R$ 3.695.902,28 em obras civis e R$ 1.241.000,00 em equipamentos. O hospital dispõe de Serviço de Pronto Atendimento (SPA), centro de parto e cirúrgico, exames de raio-x e laboratoriais, farmácia e demais setores administrativos.

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IMPRENSA SINDICAL | DE 15 DE MARÇO A 15 DE ABRIL/2014 | PÁGINA 13 “Aja antes de falar e, portanto, fale de acordo com os seus atos.” Refogado Confúcio Requentado é melhor “A Grande Beleza” mostra que o dia seguinte pode melhorar certas comidas por Marcio Alemão Gostei muito do filme A Grande Beleza, de Paolo Sorrentino. Concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro e teve minha torcida. Em uma das cenas, vemos o jornalista Jep, protagonista do filme, jantando com sua editora. Ambos não são mais jovens. Comem um risoto requentado e Jep comenta: “Por que tudo que é requentado é melhor?” No filme, a frase pretende reconhecer que ambos também, com o tempo, se tornaram melhores. E, no mundo da gastronomia, eu, de cara, digo que mesmo um gnocchi medíocre quando fresco pode ficar bem melhor quando for requentado. O risoto também tem seu valor, assim como o macarrão. A saber: não são mais os mesmos. Transformam-se e ganham outro sabor. O molho estabelece uma relação mais íntima com o prato e isso faz parte da transformação. A textura do gnocchi, claro, fica mais firme, assim como a da pasta. Me peguei rindo agora: mas quem é que requenta gnocchi e macarrão hoje em dia? Eu faço pouco, mas já fiz bem mais. É um hábito de outros tempos. O almoço de domingo, se não tivesse avançado muito no horário, o que também era raro, seria requentado no início da noite. Pizza delivery não havia e ir até uma pizzaria não era tão comum. Não pense que passei uma infância e adolescência de privação. Tínhamos de tudo, mas nossa relação com a comida era outra. E, principalmente, nossa relação com restau- rantes. Guardar comida, acredite, apresentava algumas dificuldades. Geladeiras grandonas não havia e o freezer também é um móvel recente. Até potes plásticos não se encontravam no Brasil antes da década de 1970. Para o processo do “requentamento”, nada melhor que uma frigideira. Não se preocupe em mexer. A ideia não é voltar a ter grãos soltinhos, nem uma pasta arejada. Come-se a pratada requentada aos pedaços. Preocupação com o ponto também pouco importa. Um pedacinho que se queima é tão bom quanto a pipoca que ficou no fundo da panela e o queijo que virou casquinha na chapa. Pizza? Duas fatias, uma de cara para a outra com um peso sobre. Deu água na boca? Não. Mas, se você provar, da próxima vez vai ficar. Lazer Horóscopo 21/03 a 19/04 Culinária Pão Caseiro INGREDIENTES • 2 pacotes de Fermento Biológico • 4 colheres (sopa) de Açúcar • 1/2 colher (sopa) de Sal • 3/4 xícara de Azeite • 2 ovos • 450 ml de Água morna • 1 kg de Trigo • Obs. Pode substituir o azeite por banha; • Geralmente vai mais de 1 kg de trigo, então reserve mais 3/4 de um pacote de trigo. MODO DE PREPARO Para facilitar o preparo do pão faça ele em 6 etapas. 3ª etapa Para que seu pão fique grande e macio sove e bata ele por aproximadamente 15min. 4ª etapa Deixe o pão crescer. Aqui vai à super dica: para que seu pão cresça rápido ligue o forno elétrico de modo que ele fique em temperatura morna, DESLIGUE e deixe o pão crescer dentro do forno, desse jeito ele irá crescer em 1h, caso você não prefira assim deixe-o crescer ao sol. Lembrando que ao Sol ele demora mais e para isso a massa deve ser feita de manhã para ser assada a tarde. A esperança renasce em você. Àquilo que tanto desejava é iminente. Suas emoções querem explodir. Controle-as. Seu íntimo está feliz. Sinta e curta este estado de espírito. Cada célula sua é prazer, é certeza. Sua intuição nunca esteve tão correta. Você pensa que não é possível ter tanta certeza sem ver. Mas sabe que é sim. O universo concorda. 20/04 a 20/05 21/05 a 21/06 22/06 a 22/07 23/07 a 22/08 23/08 a 22/09 Sua sensibilidade está à flor da pele. Saiba ler os sinais. O amor é muito forte e mágico. Você nasceu para amar. Sua alma está dançando com a felicidade. Dançando com a vida. Viva! Levite! 5ª etapa Depois da massa crescida divida ele em 1ª etapa dois ou na quantidade desejada e enroleDissolva os dois pacotes de Fermento -os. Biológico em 450ml de água, adicione 2 Unte uma forma com óleo e coloque os colheres de Açúcar e deixe crescer (5 á pães na forma e deixe-os crescer nova10min). mente. Caso desejar pincelar gema encima do 2ª etapa pão para que ele fique dourado encima. Na mistura do fermento (agora crescido) adicione os Ovos, Sal, Azeite, 2 colheres 6ª etapa de Açúcar e misture com a mão. Aos pou- Assar os pães. cos adicione o Trigo até a massa desgru- Se desejar recheie os pães com doce ou dar da sua mão. com o recheio desejado. Fonte: http://gshow.globo.com/receitas/pao-caseiro-4ffb6e384d38850c4c000046 23/09 a 22/10 23/10 a 21/11 22/11 a 21/12 O destino começa a sorrir para você. Os frutos tão desejados serão colhidos. 22/12 a 19/01 20/01 a 18/02 O universo traz o amor para você. Atenção, seja prudente na alegria. A cincronicidade entre você e a pessoa amada é total. Uma conexão especial faz-se agora. É para sempre! Humor 19/02 a 20/03 Cobras Fonte: http://www.umsabadoqualquer.com/1374-cobras/ Agora você sabe o que é. Sabe o que sente e o que quer. É você!

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Geral Cerca de 200 delegados e delegadas participaram ativamente dos trabalhos do XII Congresso do Ramo Químico, que aconteceu, nos dias 21 e 22 de fevereiro, no Hotel Vilamar, na orla de Salvador. Com a realização do Congresso da categoria, o Sindiquímica inaugura um novo ciclo de atuação, encerrado após o processo de desmembramento do Sindicato do Ramo Químico/Petroleiro (BA), e prossegue com o processo eleitoral dos membros do Plenário do seu Sistema Diretivo e do seu Conselho Fiscal, e respectivos suplentes. As eleições ocorrerão entre os dias 05 e 11 de abril, com urnas instaladas nas fábricas do ramo e na sede do sindicato, em Salvador. A solenidade de abertura do XII Congresso ocorrida na noite do dia, 21, foi bastante concorrida. Com o auditório do Hotel Vilamar lotado, mais de 300 pessoas se fizeram presentes ao ato político. Integrantes da Marcha Mundial das Mulheres abriram o evento com uma apresentação político-cultural. A mesa de abertura foi composta, além de quatro diretores do Sindiquímica-BA, pela ex-prefeita de Lauro de Freitas e ex-secretária da Secretaria Estadual da Pobreza, Moema Gramacho; pelo presidente da CUT-BA, Cedro Silva; presidente da CTB, Aurino Pedreira; Secretário Nacional da Juventude da CUT, Alfredo Santos; pela Diretora Executiva da CUT, Rosana Sousa; presidenta da CNQ-CUT, Lucineide Varjão; pelo diretor da FUP, Paulo César Chamadoiro; representante da SRTE, Ivan Pugliese e pelos deputados estaduais, ambos do PT, Rosemberg Pinto e Joseildo Ramos. Nos discursos, os participantes da mesa lembraram os 51 anos de atuação do Sindiquímica-BA, seu importante papel na formação de quadros no movimento sindical local e nacional e a contribuição da entidade com nomes importantes para o governo estadual, a partir de 2007, quando foi empossado como governador da Bahia o ex-diretor do Sindiquímica, Jaques Wagner. Além de outros nomes como o Secretário da Casa Civil, Rui Costa, o ex-secretário da Fazenda Carlos Martins e a ex-secretária do Combate à Pobreza, Moema Gramacho. Todos eles oriundos do Sindiquímica. Na abertura do Congresso, a plateia estava formada, além dos delegados e delegadas, por representantes de vários sindicatos locais e nacionais, tais como: Sindipetro (BA); Sinditicc; Sindicatos dos Químicos de Cubatão, Duque de Caxias, do ABC paulista. Presentes também o assessor do SRI-CUT, Alexandre Bento; o coordenador da Rede de Trabalhadores da Braskem, Marcondes Machado; vereador Moisés Rocha (PT); o representante do Prefeito de Camaçari, Luiz Tavares; ex-diretores do Sindiquímica. Novo Estatuto No segundo dia do evento, os delegados e delegadas IMPRENSA SINDICAL | DE 15 DE MARÇO A 15 DE ABRIL/2014 | PÁGINA 14 BRASIL Mulheres chefiam 93% das famílias atendidas pelo Bolsa Família Beneficiárias participam do planejamento familiar e buscam qualificação para melhorar as condições de vida de seus familiares Para gestores, pesquisadores e estudiosos do tema, é praticamente unânime a visão de que um dos grandes acertos do Bolsa Família foi privilegiar a titularidade das mulheres. Do total das famílias atendidas pelo programa, 93% são chefiadas por mulheres e, destas, 68% são negras. “Essa estratégia se mostrou acertada porque parte do pressuposto que as mulheres sabem o que é melhor para a família. Os estudos confirmam que elas usam o dinheiro para comprar, principalmente, alimentos e roupas, seguidos de outros itens”, argumenta a diretora da secretaria extraordinária para Superação da Extrema Pobreza do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Patrícia Vieira da Costa. Maria Aparecida da Silva mora em Lagoa da Volta, a 15 quilômetros do município de Porto da Folha, em Sergipe. Beneficiária do Bolsa Família e do Programa Cisternas, ela se dedica a iniciativas inovadoras: além de produzir alimentos orgânicos e trabalhar com mudas de plantas, aprendeu a fabricar biodigestores – equipamentos de fabricação simples que possibilitam o reaproveitamento de detritos para gerar gás e adubo. Com isso, deixou de comprar gás de cozinha e reduziu as despesas domésticas. Com a instalação de cisternas no pequeno sítio onde vive, no sertão nordestino, passou a armazenar água para irrigar a horta. Assim, dona Cida, como é conhecida, aprendeu a conviver com o semiárido e multiplica esse saber, por meio de palestras. Hoje é um nome de referência para a comunidade e para a Associação de Mulheres do município. Quebrando tabus Estudo realizado pelo ministério em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em 2012 revela que, além de proporcionar mais autonomia às mulheres, o Bolsa Família contribuiu para o aumento de oito pontos percentuais da participação das mulheres nas decisões sobre compra de remédios para os filhos e de 5,3 pontos percentuais sobre os gastos com bens duráveis. Químicos-Bahia XII Congresso do Sindiquímica-BA contou com participação ativa da categoria abriram os trabalhos, aprovando o Regimento Interno do XII Congresso para posteriormente discutir detalhadamente o novo Estatuto do Sindiquímica. O documento analisado pelos congressistas está dividido em seis títulos e 124 Artigos. O Estatuto foi aprovado por ampla maioria, embora o texto ainda sofra algumas alterações resultado das discussões da Plenária do Congresso. O XII Congresso do Ramo Químico contou com a participação ativa de trabalhadores e trabalhadoras jovens, representando vários segmentos do ramo. Esses jovens, mesmo participando pela primeira vez de um congresso, destacaram a importância do Sindiquímica para os trabalhadores e fizeram um balanço bastante positivo do evento. No encerramento do Congresso, com o Estatuto aprovado, alguns diretores do sindicato externaram a satisfação do dever cumprido, pois o Sindiquímica, em 2014, dá inicio a uma nova fase, levando em consideração a diversidade de atividades que compõe o segmento. Foram três anos para desmembrar o antigo Sindicato do Ramo Químico/Petroleiro, ressurgindo duas novas entidades: Sindiquímica-BA e Sindipetro-BA, mas, apesar da separação dos dois sindicatos, permanece a unidade da classe trabalhadora. Rede Braskem Salvador foi sede do Encontro da Rede de Trabalhadores da Braskem, no Hotel Vilamar, que reuniu dirigentes sindicais dos polos petroquímicos brasileiros, onde a Rede atua. O Encontro aconteceu nos dias 20 e 21 de fevereiro. Esse ano, o grupo Solvay também se integrou à Rede. A mesa de abertura do Encontro contou com a presença do assessor da SRI-CUT, Alexandre Bento; diretora Executiva da CUT, Rosana Souza; presidente da CNQ-CUT, Luzineide Varjão; diretor da Fetquim, Raimundo Suzart; Secretária Nacional do Nordeste da CNQ-CUT e diretora do Sindiquímica, Luciola Semião; e o coordenador da Rede, José Marcondes Machado. Durante a programação houve palestras e debates. O economista e diretor do Sindiquímica, Mauricio Klajman, fez um diagnóstico sobre a internacionalização do grupo Odebrecht, na área petroquímica, através da Braskem, e as consequência para os trabalhadores. O advogado e assessor jurídico do Sindiquímica-BA falou sobre as alterações na aposentadoria especial, após a publicação do Decreto 3048. Os representantes da Braskem: o gerente corporativo de Sustentabilidade, Mário Leopoldo Pino Neto e o gerente de Relações Trabalhistas, Homero Arandas falaram sobre o projeto de expansão da empresa nessa área. Eles foram muito questionados pelos presentes pela redução de investimentos nas áreas de saúde e segurança. Os participantes discutiram temas como: Convenção Coletiva de Trabalho, PLR, extraturno, e questões de Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA). No final do Encontro, os presentes programaram as atividades para 2014 e definiram para maio próximo uma nova reunião. 8 de Março na Bahia A Secretaria de Gênero do Sindiquímica-BA realizou um grande ato político, no dia 07 de março, no Polo de Camaçari, a partir das 6h30. Participaram os trabalhadores do turno e administrativo do Pool I e de algumas fábricas do Polo. O ato foi programado para lembrar o Dia Internacional da Mulher. A Secretária de Gênero, Luciola Conceição, destacou a importância de ocupar os espaços de poder e decisão, nos sindicatos e nos partidos. Para isso, convocou os trabalhadores a dividir as tarefas domésticas com as mulheres para incentivar a participação delas nos sindicatos. Luciola falou também sobre o tema da campanha da CUT em 2014: Mulheres em luta por igualdade, liberdade e autonomia e destacou o papel da Secretaria de Gênero para incluir várias conquistas nas Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) dos segmentos que compõem o ramo químico (veja quadro abaixo). Um exemplo disso é a CCT dos trabalhadores petroquímicos que é uma das mais avançadas do país, com ganhos e garantias que nenhuma outra tem. Um desses ganhos foi a ampliação da licença maternidade para seis meses, garantida na categoria muito antes da Lei 11.770/08 ser sancionada pelo ex-presidente Lula. A Secretaria de Gênero estará realizando, ainda, o 2º Seminário de Gênero, no dia 29 de março. Foram convidadas como palestrantes: a economista e supervisora da PED-RMS do Dieese, Ana Margaret Simões; ex-prefeita de Lauro de Freitas (BA), Moema Gramacho; a diretora executiva da CUT, Rosana Souza de Deus; Secretária da Mulher Trabalhadora CUT-BA, Vera Lucia Conceição; e representante da Marcha Mundial das Mulheres, Liliane Oliveira. Ainda, segundo o estudo do PNUD, houve um aumento de 9,8 pontos percentuais no uso de contraceptivos pelas mulheres beneficiárias do Bolsa Família, indicando que elas têm cada vez mais força para tomar decisões sobre ter ou não ter filhos. A pesquisa mostrou também que, entre as mulheres não ocupadas, o Bolsa Família estimulou um aumento de cinco pontos percentuais na procura por trabalho, com destaque para a região Nordeste. Isso porque, ao receberem uma renda mínima, as mulheres passaram a ter melhores condições para procurar um emprego, seja na hora de pagar a passagem de ônibus ou de preparar a documentação necessária para o trabalho.

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IMPRENSA SINDICAL | DE 15 DE MARÇO A 15 DE ABRIL/2014 | PÁGINA 15 Política Eleições As semelhanças entre 1964 e 2014 por Luis Nassif (Supremo Tribunal Federal), mas cinco, seis deles, Santos Vahlis, hoje em endossando arbitrariedadia, é mais conhecido pe- des que escandalizaram los edifícios que deixou no juristas conservadores. Rio de Janeiro e pelas festas que proporcionou nos Características anos 50. Foi um dos granda democracia des construtores do bairro de Copacabana. Para tentar entender Venezuelano, mudou- o fenômeno, andei traba-se para o Brasil, traba- lhando em um estudo que lhou com a importação de pretendo apresentar no gasolina e tentou se enga- evento “50 anos da ditatar nas concessões de refi- dura”, que ocorrerá a parnarias no governo Dutra. tir da segunda semana de Foi derrotado pela maior março no Recife. influência dos grupos caAqui, um pequeno riocas já estabelecidos. quadro esquemático que Nos anos seguintes, foi explica porque 2014 é tão um dos financiadores da semelhante a 1964 –emcampanha do general Es- bora torçamos por um tillac Leal para a presidência desfecho diferente. do Clube Militar, em torno 1. A democracia é um da bandeira do monopólio processo permanente de estatal do petróleo. Torna- inclusões sucessivas. Tam-se amigo de Leonel Brizo- bém é o regime de maior la, defensor de Jango. instabilidade (e medo) das Provavelmente graças pessoas. Nos regimes auao fato de ser bom clien- toritários, na monarquia, te dos jornais, com seus nos sistemas de castas, anúncios imobiliários, ti- não há ascensão vertinha uma coluna no Correio cal das pessoas –nem sua da Manhã, cujo ghost wri- queda. Na democracia de ter era o grande Franklin mercado há a instabilidade de Oliveira. permanente, mesmo para Tentou adquirir o jor- os bem situados. Teme-se nal “A Noite” para fortale- o dia seguinte, a perda do cer a imprensa pró-Jango. emprego, das posses, do Foi atropelado pelo pessoal status. do IBAD (Instituto Brasi2. Além disso, há releiro de Ação Democrática) partição entre os poderes que, em vez de comprar o que abre espaço para a jornal, comprou sua opi- montagem de alianças e nião por Cr$ 5 milhões. A acordos econômicos, nos CPI que investigou a tran- quais os grandes grupos sação teve como integrante econômicos se aliam aos o deputado Ruben Paiva. grupos de mídia, através Por sua atuação, Vahlis deles infuenciam os diversofreu ataques de toda or- sos poderes de Estado. dem. Contra ele, levanta3. Cada época de inram a história de que teria clusão gera novas classes feito uma naturalização de incluídos que cumilegal. Em 1961, em pleno prem seu papel de entrar inverno, foi preso e jogado no mercado de trabalho, nu em uma cela de cadeia, ganhar capacidade de cona ponto do detetive que sumo e, no momento seo prendeu temer por sua guinte, cidadania e capacivida. dade de organização. Gera Como era possível a resistências tanto na clasperseguição implacável dos se média (medo da perda IPMs (Inquéritos Policial de status) quanto nos de Militares), de delegados e cima (perda de influência). dos Ministérios Públicos Aí, cria-se uma divisão estaduais, contra aliados no mercado de opinião que do próprio governo? será explorado a seguir. Esse mesmo fenômeno observou-se nos últimos O mercado de opinião anos, com os abusos cometidos no julgamento da AP Simplificadamente, di470, envolvendo não um vidi o mercado de opinião ou dois Ministros do STF em dois grupos. VOTOS PODER Mercado de opinião Grupos de mídia Opinião pública estabelecida Sistema jurídico Intelectuais Partidos, sindicatos, etc Os novos incluídos Movimentos sociais Sindicatos Excluídos Estancamento militar Média e alta gerência O primeiro é o mercado liderado pelos Grupos de Mídia. Por definição, é um mercado que influencia preponderantemente os setores já estabelecidos que já passaram pela fase da inclusão, do emprego, da carreira, integrando-se no mercado de opinião aos estabelecidos da fase anterior. Por suas características, os grupos mais resistentes ao novo são os estamentos militar, jurídico, alta hierarquia pública e a alta e média classes médias –especialmente os estamentos que trabalham em grandes companhias hierarquizadas. E também a classe média profissional liberal, que depende de redes de relacionamentos. A razão é simples. Vivem em estruturas burocráticas, hierarquizadas, nas quais cumprem uma carreira, sujeitando-se a promoções ao longo de sua vida útil. Por isso mesmo, a renovação se dá de forma muito lenta, proporcional à lentidão com que mudam os lugares nessas corporações. São os mais apegados ao status quo. Por todas essas características –da insegurança, da carreira construída passo a passo– esses grupos são extremamente influenciados por movimentos de manada. Por segurança, querem pensar do mesmo modo que a maioria, ou que o status quo do seu grupo (ou de suas chefias). Esse grupo pode ser denominado conceitualmente de opinião pública midiática. Ele detém o poder, a capacidade de influenciar leis, julgamentos, posições. Mas não detém voto. Mesmo porque, quem tem votos é a maioria. O segundo grupo é o dos novos incluídos econômicos e dos incluídos políticos mas que não tem posição de hegemonia. Entram aí sindicatos, organizações sociais, o povão pré-organização etc, enfim, a maioria da população –especialmente em países com tão grandes diferenças de renda. E entra o Congresso Nacional. Os canais de informação desse público são os sindicatos, organizações sociais e os partidos políticos. É um público que detém os votos, mas não detém poder. O conflito entre poder e voto Em cada período de inclusão, o partido que entende as necessidades dos novos incluídos ganha as eleições. Foi assim nos EUA com o Partido Republicano no século 19, com o Partido Democrata no século 20. Processos de inclusão diminuem as diferenças de renda, ampliam a classe média e, quando o país se civiliza, garantem a estabilidade política –porque a maioria se torna classe média. Mas em países culturalmente atrasados –como o Brasil– qualquer gesto em direção à inclusão sofre enormes resistências dos setores tradicionais. Não se trata de viés político, ideológico (no sentido mais amplo), mas de atraso mesmo, um atraso entranhado, anti-civilizatório, que atinge não apenas os hommers simpsons, mas acadêmicos conservadores, magistrados, empresários sem visão. E, especialmente, os grupos de mídia. Os de baixo temem perder status; os de cima, temem perder poder. O partido que entende os novos movimentos colhe leitor de baciada. O único fator capaz de derrubá-lo são as crises econômicas (o fenômeno do populismo é o de procurar satisfazer de qualquer maneira as massas descuidando-se da econo- mia) ou o golpe. A reação através do golpe Sem perspectivas eleitorais, os segmentos incluídos na chamada opinião pública midiática recorrem ao golpismo puro e simples. Consiste em fomentar diuturnamente o discurso do ódio e levar a vendetta para o campo jurídico-policial. É o que levou à prisão de Santos Vahlis e aos abusos da AP 470. O movimento foi bem sucedido em 1964 e consistia no seguinte: 1. Para mobilizar a classe média, a mídia levanta fantasmas capazes de despertar medos ancestrais: o fantasma do comunismo, que destroi famílias e propriedades, do golpe que estaria sendo preparado pelo governo, da corrupção que se alastra etc. 2. A campanha midiática cria o clima de ódio que se torna cada vez mais vociferante quanto menores são as chances de mudar o governo pela via eleitoral. 3. Com a influência sobre o Judiciário e o Ministério Público, além de denúncias concretas, qualquer fato vira denúncia grave e, na ponta, haverá um inquérito para criminaliza-lo. 4. Aí se entra no ponto central: as agressões, os atentados ao direito, as manipulações provocam reações entre aliados do governo. Qualquer reação, por mais insignificante, serve para alimentar a versão de que o governo planeja um golpe. O ponto central do golpe consiste em fomentar reações que materializem as suspeitas de que é o governo que planeja o golpe. É nesse ponto que o golpismo e o radicalismo de esquerda se dão as mãos. O grande problema de Jango foram os aliados iludidos pela revolução cubana e pela própria campanha da mídia –que superestimava, intencionalmente, os poderes das ligas camponesas e que- tais. O histórico trabalho de Wanderley Guilherme dos Santos, em 1962, expos de forma magistral e trágica como se dava essa manipulação das reações. Esse mesmo clima em relação às ligas camponesas, a mídia tentou recriar com as fantasias sobre as influências das Farcs no Brasil, sobre os dólares cubanos transportados em garrafas de rum e um sem-número de artigos de colunistas denunciando o suposto autoritarismo de Lula. Lula e Dilma fugiram à armadilha, recorrendo ao que chamei, na época, de republicanismo ingênuo, às vezes até com um cuidado excessivo. Não tomaram nenhuma atitude contra a mídia; não pressionaram o STF; têm sido cautelosos de maneira até exagerada; não permitiram que o PT saísse às ruas em protesto contra os abusos da AP 470. Apesar de entender esse caminho, Jango não conseguiu segurar os seus. Houve radicalização intensa, conduzida por Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, pelo PCB de Luiz Carlos Prestes e por lideranças sindicais, que acabaram proporcionando o álibi de que os golpistas precisavam. Hoje em dia não há mais a guerra fria, não há uma republiqueta encravada em um continente golpista, não há o descuido com a economia. No entanto, há um ponto em comum nos dois períodos: o ódio que a campanha midiática provocou em diversos setores de classe média crescerá em razão inversamente proporcional ao crescimento eleitoral da oposição. E o mote central será a Copa do Mundo e a convicção de que o governo gastou em estádios o dinheiro da saúde. Há uma guerra de comunicação central. Luis Nassif é jornalista e blogueiro (http://advivo. com.br/luisnassif&)

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