Segmentação de Mercado: Uma análise sobre o Turismo Naturista no Brasil

 

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Uma análise do naturismo como um segmento do mercado turistico.

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1 UPIS – UNIÃO PIONEIRA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL Faculdade de Ciências Exatas, Administrativas e Sociais de Brasília Departamento de Turismo Segmentação de Mercado: Uma análise sobre o Turismo Naturista no Brasil Brasília(DF), novembro de 2003

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2 UPIS – UNIÃO PIONEIRA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL Faculdade de Ciências Exatas, Administrativas e Sociais de Brasília Departamento de Turismo Segmentação de Mercado: Uma análise sobre o Turismo Naturista no Brasil Monografia apresentada ao Curso de Turismo da União Pioneira de Integração Social – UPIS, como requisito à obtenção do título de Bacharel em Turismo. Autor: Carolina Fracasso Orientador: Josenilson Guilherme de Araújo Brasília (DF), novembro de 2003

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3 Monografia apresentada e aprovada, em 22/11/2003, pela banca examinadora constituída pelos professores: _______________________________________ Prof. _______________________________________ Prof.

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4 SUMÁRIO INTRODUÇÃO .....................................................................................................01 1. CAPÍTULO I NATURISMO.............................................................................................02 1.1. 1.2. UM BREVE HISTÓRICO DE COMO TUDO COMEÇOU.............03 NATURISMO NO MUNDO...........................................................04 1.3. NATURISMO NO BRASIL 06 1.3.2. dias de hoje 09 2. 2.1. 2.2. CAPÍTULO II Naturismo no Brasil nos 1.3.1. Luz del Fuego: a bailarina do povo 06 SEGMENTAÇÃO DE MERCADO E O NATURISMO NO BRASIL ...........19 SEGMENTAÇÃO DE MERCADO ................................................19 O NATURISMO COMO SEGMENTO DE MERCADO .................21 2.2.1 3. CAPÍTULO III PERFIL DO TURISTA NATURISTA .............................................24 3.1. PERFIL DOS ENTREVISTADOS DOS GRUPOS PLANAT E. GOIASNAT.......................................................................................24 CONCLUSÃO........................................................................................................3 1 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................32 APÊNDICE.............................................................................................................34 ANEXOS................................................................................................................36 Incentivos dados ao Naturismo – Projeto de Lei .............22

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5 Dedico este trabalho aos naturistas brasileiros que lentamente vêm conquistando seu espaço e vencendo os preconceitos impostos pela sociedade.

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6 Agradeço primeiramente a Deus por ter me dado a graça em vencer mais uma etapa em minha vida. Agradeço ao meu orientador, o Prof. Josenilson Araújo, pelo apoio e incentivo dado ao desenvolvimento deste trabalho. Aos meus pais e meu irmão pela compreensão que tiveram comigo durante os meus momentos de stress. Aos filiados do PLANAT e GOIASNAT pela cooperação em responder ao questionário da pesquisa.

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7 RESUMO O presente trabalho tem por finalidade compreender as relações entre o Naturismo e o mercado turístico no Brasil, em que se verificou que o Naturismo não é só tirar a roupa, pois, para os praticantes, há toda uma diversidade e complexidade nesse simples ato, sendo que seus aspectos precisam ser mais bem explicados e trabalhados. Para tanto, foi feita a coleta e análise de informações extraídas da internet e dos textos retirados de revistas e livros. Também foi aplicado um questionário aos naturistas de dois grupos naturistas da região Centro-Oeste, a partir do qual os resultados foram expostos por meio de gráficos. Concluiu-se que o Naturismo precisa ser mais divulgado no Brasil, para que seja mais bem visto pela sociedade, pois à medida que conceitos arcaicos de obscenidade e pecado vão sendo colocados em seus devidos lugares, ganha cada vez mais adeptos. Sugere-se que áreas naturistas sejam instaladas em todos os estados brasileiros para que haja uma maior difusão da prática, além de uma maior integração entre as pessoas.

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8 INTRODUÇÃO Vive-se atualmente um novo momento da história do turismo, em que o desenvolvimento dos meios de transporte e da infra-estrutura, o maior tempo livre e as melhores condições econômicas das pessoas aliados às necessidades de descanso e fuga dos grandes centros, alteraram o setor turístico, trazendo como resultado um maior número de pessoas que procuram por segmentos turísticos diferenciados em suas viagens a lazer. O nudismo é um movimento que ignora barreiras culturais, fazendo com que, ao se despirem, as pessoas se livrem das amarras sociais e entrem em harmonia com a natureza. Mas, então, quais os fatores que interferem diretamente na escassez da demanda do Turismo Naturista no Brasil? Será preconceito? Falta de informação? Ou ainda falta de incentivos por parte do governo Federal? Não obstante, o Naturismo consolida-se como uma alternativa viável e promissora para o turismo, sendo necessária, então, a realização de estudos e pesquisas para o levantamento de informações que permitam um melhor aproveitamento desse segmento de mercado. Dados revelam que na atual conjuntura do Brasil, o Turismo Naturista está em plena expansão, conquistando cada vez mais adeptos em todo o país. Isso mostra que as pessoas não se sentem tão oprimidas e envergonhadas quando se está em questão o próprio corpo, mesmo havendo certa dificuldade social em praticar e vivenciar determinadas formas de expressões culturais. Para tanto, o objetivo desse estudo é buscar compreender que o nascente mercado turístico voltado ao público naturista está se tornando uma fonte rentável, em âmbito nacional, para o setor.

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9 CAPÍTULO I NATURISMO Naturismo, de acordo com a Federação Internacional de Naturismo (2003), é definido como sendo “a busca de um modo de vida em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática do nudismo em grupo e com a intenção de estimular o respeito do homem por si mesmo, por seus semelhantes e o cuidado com o meio ambiente.” O Naturismo estimula a ligação do homem com o meio ambiente, sendo sua única ideologia o respeito à liberdade de expressão e de pensamento. A prática do nudismo traz benefícios físicos, psicológicos, sociais e espirituais. O contato com a natureza, a prática de atividades lúdicas e os banhos de sol permitem a melhor oxigenação do corpo proporcionando um bem-estar físico geral. Além de o sol ser um elemento catalisador de vitamina D, contribuindo na prevenção de doenças. O fato de apresentar-se nu perante outras pessoas resgata o verdadeiro valor da beleza, pois, por não existir competição estética nas áreas naturistas, todas as pessoas são aceitas como são, desenvolvendo assim, o respeito e a aceitação de si mesmo (OLIVA, 1998). Conforme afirma Bodstein (1995), a prática naturista é, além de tudo, uma filosofia de vida que se inicia quando o naturista orienta sua atenção para um mundo no qual as pessoas não precisam de limites impostos para se respeitarem e onde não são regidas por leis e normas sociais que muitas vezes definem o comportamento pudico e um ideal social de beleza de cada uma. Para os naturistas, tirar a roupa é se despir, antes de tudo, dos preconceitos, do falso moralismo, dos tabus do sexo visual e dos conceitos deturpados sobre o corpo, para o qual foi imposto um padrão ideal de beleza. Percebe-se, na convivência naturista, que não existem corpos perfeitos e, sendo assim, cada um aprende a valorizar cada vez mais sua própria forma física.

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10 O grande problema é que a sociedade foi construída com base na imediata associação da nudez com o sexo, classificando a prática naturista como imoral. No entanto, o Naturismo prega uma nudez social, voltada para uma maior integração entre as pessoas e com a natureza, fazendo do ato de tirar a roupa a última etapa de um processo que começa dentro de si e muda sua forma de ver o mundo (BODSTEIN, 1995). UM BREVE HISTÓRICO DE COMO TUDO COMEÇOU Engana-se quem pensa que a questão do nudismo em grupo é uma prática recente. Pereira (2000) admite que a nudez sempre fez parte do viver humano e afirma, também, que no início dos tempos a nudez era prática comum, só depois surgiram as censuras que a classificaram como sendo imoral. Em relação à prática do nudismo em grupo, de forma organizada, a mesma é datada do início do século XX e teve seu início com os alemães. Foi quando um professor de uma escola primária, chamado Adolf Koch, começou, para melhorar a saúde dos seus alunos, a ministrar exercícios ao ar livre, e no intuito de um maior e melhor aproveitamento do ar mais limpo, promovia os exercícios deixando as roupas de lado. Aos poucos as crianças foram ficando mais coradas e saudáveis. Assim, os pais ficaram entusiasmados e começaram, também, a praticar exercícios totalmente nus, o que fez surgir um movimento que recebeu o nome de FKK = Frei Köper Kultur = Culto do Corpo Livre. O movimento naturista foi proibido pelo nazismo, não devido à nudez, mas por estar proibida, na época, a formação de outras organizações não direcionadas e orientadas pelo próprio partido nazista. Com o arrefecimento do nazismo o movimento nudista que ressurgiu passou a dar mais atenção a uma saudável alimentação, na qual praticava-se mais o vegetarianismo.

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11 Segundo Pereira (2000), em 1905, os denominados “Livre Culturistas” passaram a praticar o Naturismo em uma casa colocada a disposição por um príncipe da Prússia e, no ano seguinte, em 1906, surge o clube Anna, da Aliança Alemã de Nudo-Naturismo. Mas somente a partir de 1926, o Naturismo é mais largamente difundido pela Europa. Na França, em 1929, dois médicos criaram a helioterapia, um tratamento que prescreve o sol no corpo inteiro como auxílio na cura de doenças. Foi então que surgiu a clínica helioterápica na ilha do Levant, o que promoveu o início do Naturismo no país. Mas é somente após a Segunda Guerra Mundial que o Naturismo cresce como movimento social. Não só na Alemanha e França, como, também, na Espanha, Holanda, Dinamarca, Suécia, Inglaterra, Grécia, Estados Unidos, Canadá e Austrália. Tal difusão permitiu que as idéias naturistas, o modo de ser naturista e as práticas naturistas fossem incorporadas por pessoas e grupos em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. NATURISMO NO MUNDO O Naturismo tem grande destaque principalmente na Europa, onde existem, hoje, mais de 2000 locais para a prática, sendo estes freqüentados por um público de cerca de 70 milhões de adeptos. Na Alemanha, como em outros países europeus, a participação das famílias na prática naturista é muito grande, diferentemente do que ocorre na América do Sul, onde predomina a presença de casais. Segundo o presidente da Federação Internacional de Naturismo, Wolfgang Weinreich, existem, só na Alemanha, cerca de 160 clubes e praias exclusivas para a prática do Naturismo. Tem-se, por isso, que 20% dos habitantes

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12 costumam procurar áreas onde o uso de roupas, para tomar banho de sol, não é o requisito essencial. A Holanda e a França destacam-se, também, como grandes potências do Naturismo mundial, tendo, esta última, grandes empreendimentos naturistas. Situa-se na França a cidade que é considerada a capital mundial do nudismo: Cape D’agde. Um balneário francês, na costa do Mediterrâneo, com dez resorts, cinqüenta restaurantes e bares, discotecas e três shopping centers. Seus 10.000 habitantes andam nus todo o tempo, cobrindo-se somente nos dias frios. Calcula-se que mais de 50 mil pessoas visitam Cape D’agde durante o verão. No Canadá e nos Estados Unidos o Naturismo é, do mesmo modo, fortemente organizado, sendo um dos segmentos do turismo mais promissores, depois do turismo GLS e o de aventura. Os pacotes para naturistas, segundo a revista Veja (ed.1814, 2003), cresceram em 25% no ano de 2002 e, de acordo com Judi Ditzler, editora da revista Nude & Natural, só nos Estados Unidos, o movimento naturista gira cerca de US$ 400 milhões anuais. Depois da Europa, é na região do Caribe e nos Estados Unidos que estão alguns dos melhores hotéis, resorts e clubes naturistas do mundo. É nos Estados Unidos que atua a Castaways Travel, uma das maiores operadoras de turismo naturista. Foi esta operadora que inaugurou em maio de 2003 um vôo batizado de Naked Air, onde todos ficaram nus a bordo. A viagem foi de Miami até o balneário mexicano de Cancun, sendo que os passageiros só tiraram a roupa quando estavam a nove mil metros de altura, e tornaram a vesti-las antes do desembarque. Fato que frustrou vários curiosos e jornalistas. A Castaways Travel marcou para o ano de 2004 outra viagem naturista para Cancun. Os passageiros, além de viajarem nus, ficarão hospedados durante uma semana em um resort naturista, podendo escolher entre o El Dorado Resort and Spa ou o Hidden Beach Resort – Au Natural Club. Ambos os resorts terão uma programação especial para os hóspedes.

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13 NATURISMO NO BRASIL 1.3.1. Luz del Fuego: a bailarina do povo “Sou considerada pelos ignorantes, claro, como leviana, exibicionista e criatura imoralíssima... justamente porque faço tudo o que tenho em mente, realizo as coisas que mais desejo, ponho em prática as teorias que julgo acertadas... por isso é que me censuram... tiro da vida o que ela me pode dar de bom, de agradável e útil... Não existe indecência no corpo humano. Cobrindo-o com vestes nós é que o tornamos cobiçado e nos excitamos com o pensamento desviado... para o homem temos o pão; para a sede, a água; para a imoralidade, a nudez.” Luz Del Fuego (1917-1967) A história do Naturismo no Brasil teve início com a capixaba Luz del Fuego, cujo nome verdadeiro era Dora Vivácqua, uma mulher que pouco seguiu padrões e abandonou tudo para ser ela mesma. Tornou-se Luz del Fuego, uma vedete que nunca deixou de lutar por seus ideais e ficou conhecida em todo o Brasil. Luz del Fuego tinha um grande carinho pelos bichos e em suas apresentações como bailarina ou vedete, sempre tinha suas cobras como companhia. Ela gostava muito de ser parte da natureza à sua volta, tendo o corpo nu ao sol, com a sensação de liberdade que aumentava a cada momento em que fazia o que sentia vontade. Por ter o nudismo como filosofia de vida, Luz queria

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14 ser valorizada, não só pela imprensa, mas também por pessoas da sua família, já que, devido aos seus ideais e sua postura crítica às imposições sociais, chegou a ser internada em um manicômio quando tinha apenas 19 anos de idade (SOUZA, 2001). De acordo com Souza (2001), Luz afirmava que um nudista é uma pessoa que acredita que a roupa não é necessária à moralidade do corpo humano e, não concebia que o corpo humano tivesse partes indecentes que precisassem ficar escondidas. Não foi fácil para Luz conseguir adeptos para que pudesse colocar em prática o que lia nas publicações sobre nudismo, pois ficar nu não era uma questão simples. A bailarina do povo começou reunindo, na praia de Joatinga, no Rio de Janeiro, um pequeno grupo de amigas, convencidas de que os raios solares, quando penetrados nos poros, corrigiam certas deficiências orgânicas e hormonais, além de bronzearem o corpo por igual. Não se dando por satisfeita, pois queria tornar popular seu ideário naturalista/nudista, criou o Partido Naturalista Brasileiro e fez diversas contestações em favor do nudismo, em que criou um slogan que repercutiu no Brasil inteiro: “Menos roupa e mais pão! Nosso lema é ação!”. Conforme afirma Souza (2001), Luz teve uma grande dificuldade para conseguir a concessão da Ilha do Sol, no Rio de Janeiro, para montar um clube naturista, o que só foi acontecer em 1951. O clube chegou a ter quase duzentos sócios e conta-se que sua ilha chegou a ser visitada por várias celebridades nacionais e internacionais. Dentre tantas pessoas que queriam conhecer a ilha, destaca-se Jane Mansfield, uma atriz, estrela de Hollywood, que não foi admitida porque queria apenas desnudar o busto e conforme o regulamento do clube, se fosse feita à concessão, o nudismo estaria sendo encarado como uma imoralidade. Luz controlava tudo na Ilha do Sol e fazia questão de evidenciar que ali não era um lugar para a prática do sexo. Era um lugar de descontração, onde as roupas deviam ser deixadas na entrada e os visitantes eram orientados para

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15 sentirem-se à vontade, praticarem atividades esportivas e tomarem banho de sol. Luz também proporcionava aos sócios e visitantes a exibição de documentários sobre as colônias nudistas da Europa. Porém, segundo Souza (2001), com o passar do tempo a Ilha do Sol foi deixando de ser um lugar seguro e no ano de 1967 Luz del Fuego foi assassinada. Seus assassinos foram dois pescadores que a mataram por ela ter feito uma denúncia contra eles pelo fato dos mesmos estarem praticando a pesca com o uso de bombas. Luz teve momentos muito difíceis em sua vida: a dificuldade para ser aceita na família e toda a violência psicológica e física que sofreu, destacando-se os internamentos em manicômios. Apesar de passar por dificuldades e ser incompreendida, encontrou forças para continuar lutando para ser ela mesma, uma pessoa totalmente autêntica: teve coragem para sair de casa e ser o que queria profissionalmente - uma atriz, posicionando-se contra o falso moralismo. O desejo de viver uma liberdade concreta foi alicerçada pelos ideais naturalistas e traduzida pela prática nudista, o carinho pelos animais, o respeito com as pessoas e o cuidado com a natureza. Souza (2001) fala que nos meses que antecederam o assassinato de Luz, a ilha recebia poucos visitantes, sendo sua maioria pessoas de má índole que queriam somente tirar seu sossego. Com sua morte, a ilha não foi mais um local para a prática do Naturismo. Tudo ficou abandonado e ninguém levou em frente seus ideais. Luz não teve tempo de fazer seu testamento. Ela queria que a Ilha do Sol fosse doada à Federação Internacional de Naturismo para que sua obra fosse continuada. Queria, também, que a ilha fosse chamada de Ilha Luz del Fuego, onde fosse esculpida sua estátua, em tamanho natural, com a inscrição: Luz del Fuego – Como mártir do nudismo no Brasil, lutei, sofri, mas triunfei. Infelizmente muito do que ela queria não aconteceu e passados mais de 30 anos de sua morte, a não ser pelo desenho de duas serpentes no terraço da casa em ruínas, nada lembra a presença de Luz del Fuego na Ilha do Sol.

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