Osconfradesdapoesia55

 

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Boletim Poético

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano V | Boletim Bimestral Nº 55 | Março / Abril 2013 www.osconfradesdapoesia.com - Email: osconfradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» SUMÁRIO Confrades: 3,4,6,8,10,11,12 A Voz do Poeta: 2 Retalhos Poéticos: 5 Tribuna do Poeta: 7 Cantinho Poético: 9 Tempo de Poesia: 13 Trovador: 14 Poemar: 15 Online: 16 Faísca de versos: 17,18 Contos / Poemas: 19 Pódio dos Talentos: 20 Eventos e Efemérides: 21 Estados de Alma: 22 Bocage: 23, 24,25,26 Reflexões: 27 Ponto Final: 28 «Homenageamos Distrito de Beja» EDITORIAL O BOLETIM Bimestral Online (PDF) "Os Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono"; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia»  Pódio dos Talentos pág. 20 DIA MUNDIAL DA POESIA 21/3/13 João da Palma Fernandes Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Paginação: Pinhal Dias - São Tomé A Direcção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador; Conceição Tomé - Vice-Presidente / Fundador Redacção: São Tomé - Pinhal Dias Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Alfredo Louro | Ana Santos | Anna Müller | Anna Paes | António Barroso | António Silva | Arlete Piedade | Carlos Macedo | Carmo Vasconcelos | Clarisse Sanches | Edyth Meneses | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernanda Lúcia | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Glória Marreiros | Henrique Lacerda | Humberto Neto | Humberto Soares Santa | Isidoro Cavaco | João Coelho dos Santos | João Furtado | João da Palma | Joel Lira | Jorge Vicente | José Jacinto | José Verdasca | Lauro Portugal | Lili Laranjo | Luís Filipe | Luiz Caminha | Malubarni | Maria Brás | Maria José Fraqueza | Maria Mamede | Maria Petronilho | Maria Vitória Afonso | Miraldino Carvalho | Natália Vale | Pedro Valdoy | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Susana Custódio | Tito Olívio | Vó Fia | Zezinha Fraqueza | … (actualizado no site)

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2 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 55 | Março/Abril 2013 «A Voz do Poeta» A Joaninha Joaninha, voa, voa até Lisboa! Com asas de cor, tão giras, às pintas perfeitas com tintas de nenhum pintor, ergue-te nos ares, percorre lugares, sobrevoa quintas e rios e montes, riachos e fontes, diz do céu azul que há de norte a sul, transporta a beleza da Mãe Natureza, sem sombras de prédios, sem medos, sem tédios. Leva, quando vais, os ares dos pinhais, os cheiros campestres, os frutos silvestres. Transporta a verdade do campo à cidade, e leva-lhe a paz que falta lhe faz. Solidão... Ó minha terra algarvia Que é da linda plantação? Dessa flor de magia... Apenas recordação! Que é feito da brancura Do meu Algarve encantado? Dessa onda de ternura... Que eu via em todo o lado! Que é do manto de noivado Ó meu Algarve de sonho? Que é do teu lindo passado Do meu Algarve risonho? Alfarrobeiras, figueiras... Com seus frutos sem igual As lindas amendoeiras Da nossa terra natal! Há arvores tradicionais Que devemos preservar Orgulho dos nossos pais Deveriam cultivar! Maria José Fraqueza - Fuzeta Aos meus Amigos: Melodia doce quero ser... Não barulho dissonante. Suave brisa que cicia... Não vendaval arrasante. Uma flor, em vossas, mãos. Doce perfume a espargir... Em vosso céu, uma estrela, luz constante a refulgir. Filomena Camacho - Londres Palavras de Bondade Há palavras de bondade Que até podem fazer, Mudar a realidade Tornando o sonho verdade E que ajudam a viver. Porque há palavras que são O fruto do que se sente, Sendo da alma a razão Ao virem do coração São sempre parte da gente. Lauro Portugal - Lisboa Noites de Lisboa Todo o amor que me lavra! Quando a noite cai sobre a cidade Lisboa não se queda adormecida Acende-se uma chama de saudade Que vem dar à noite ainda mais vida. Nos becos os velhinhos candeeiros Só se apagam na leda madrugada Parecem quais eternos sinaleiros A manter Lisboa sempre acordada. Há sempre a qualquer hora nas vielas Rufias que chamam à noite sua Que são na noite escura sentinelas Ou sombras dando vida à luz da Lua. A noite no tempo pula e avança Altiva com seu âmago acordado Teimando em ficar sempre criança P'ra quem gosta de nela ouvir o fado !... Euclides Cavaco - Canadá Se acaso vemos sofrer Algum amigo ou vizinho, Sentimos bem ao dizer Algo que ajude a vencer Com palavras de carinho. Pois há palavras singelas Como água pura das fontes, Simples mas muito belas, Que por vezes são janelas Para novos horizontes. Quando ditas com ternura Por muito humildes que sejam, Trazendo amor à mistura Dão-nos afecto e doçura, São palavras que nos beijam. A que o coração deseja Pelo valor que contem, É sempre a que mais nos beija, A doce palavra MÃE. Isidoro Cavaco - Loulé Na Praia temos o Facho Na Serreta há o Farol Em Angra que lindo acho O nascer do nosso sol. No horizonte distante Coroando os ilhéus Amanhece em bom semblante Dourando os belos céus. Como é bonito viver No mirante da poesia Com todo o sol da palavra. Sou feliz por perceber A paixão que doce cria Todo o amor que me lavra. Rosa Silva ("Azoriana") Apesar da liberdade de pensamento e maneiras de interpretar, a essência do amor vive na alma, onde ninguém pode chegar. (Alcides Pelacani)

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 55 | Março / Abril 2013 | 3 «Confrades» O Sol na minha mão Se a água é o símbolo da vida É graças ao poder do Astro Rei Que a Terra aos humanos dá guarida E excede muito além tudo o que sei. Será que seja o Sol fonte Divina A revelar de Deus a Majestade? Inspirando aos seres humanos a doutrina De nascer p'ra todos em igualdade. Deus à Terra o Sol da vida quis dar P'ra todo o ser igual sem distinção Sem direito de alguém jamais roubar. Mas no mundo há do Sol muito ladrão. Eu quero com todos compartilhar Lustre o Sol que pousou na minha mão! Euclides Cavaco - Canadá Dizer o Amor Ao vento lancei minhas palavras Que foram dialogar com o teu silêncio Esse mesmo que em campo fértil lavras E que agora se transformaram em memórias Com o perfume inodoro do Tempo, Casa forte de nossas histórias. Nem sei o que escondi Neste meu pensar em ti! Não desistas, descobre o Céu, E, antes que seja tarde, Morde o medo, porque o frio arde. Não é verdade que o tempo Cicatriza as mais profundas feridas De todas as nossas vidas? Abre as asas e deixa-te planar Em Mundo de afectos clandestinos Onde se pronuncia o verbo amar, Pois harpejam as cordas do ser Na certeza de que força da raiz regenera Toda a alma que seja sincera. Se até os sonhos estão em desordem, Quando é que saberei dizer o amor? Se o não sei hoje, amanhã será pior. João Coelho dos Santos - Lisboa Dor Passa-se um dia e outro dia À espera que passe a Dor, E a Dor não passa, e porfia, Porque atrás de um dia, outro dia Que traz Dor ainda maior; Porque embora a Dor aflita Calasse há muito seus ais, Ainda, fundo, palpita Uma outra Dor que não grita: A Dor do que não dói mais. Agostinho Moncarcho – Qtª do Conde http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Que pena me dás, Lisboa Tristinha esta Lisboa que hoje vejo fruto de toda a crise que se arrasta e cuja sorte se tornou madrasta pintando a tons cinzentos o meu Tejo É ponto de passagem, não de estar a teia pombalina que é mais rasa onde outrora nos víamos em casa hoje erramos por ela com pesar E pelas gloriosas avenidas em que os olhos paravam deleitados quedamo-nos agora de pasmados à vista das pobrezas exibidas Já nem me atrevo a subir ao Chiado por não querer mais desgostos no olhar e fico no Rossio a relembrar um tempo de Lisboa, requintado Eugénio de Sá - Sintra Para sempre!... Andei por estranhas ruas e vielas Num momento assaz desesperado. Não via sol, nem lua, nem estrelas, Como se cego fosse e malfadado! Ia perdendo da vida as coisas belas (e quase ao desamor ser condenado). Mas tu, minha luz, fizeste vê-las Como se um anjo fosses a meu lado! Então, graças a ti, eu me livrei De ser picado por uma vil serpente Disfarçada, qual fera feito gente! E o nosso amor – tu sabes e eu sei, Há-de continuar eternamente E ninguém o destrói por mais que tente! Fernando Reis Costa - Coimbra Pela Noite Entrei no teu quarto de mansinho Embrulhei-me no lençol de teu calor, Aqueci-me na fogueira desse amor Alisando a tua pele como arminho. O teu corpo tão puro como linho Enlaçava a fragrância de uma flor O luar atrevido, louco de fervor, Absorto pela noite, ficou sozinho. Desnudei-te ante a débil luz da lua, Numa sede que o desejo perpetua Em vastidão, aos olhos do prazer!... O coração vive ainda incendiado A saudade se eterniza ao nosso lado Como sol, que jamais pode morrer! Ferdinando – Germany

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4 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 55 | Março/Abril 2013 «Confrades» Heróis de Abril Deixem-me cantar Abril E evocar tal heroísmo Militar junto ao civil Que derrubou a fascismo. Prestar aos bravos meu preito Dizer-lhes: Valeu a pena Os cravos e o tema eleito Grandola Vila Morena !... Deixem-me clamar victória Às nossas Forças Armadas Pelo seu triunfo e glória Com o povo de mãos dadas. Que a hístória jamais olvide Os militares de excelência Qu’incutiram fim à pide E à maldita prepotência... Deixem-me exaltar os bravos Do nosso Portugal novo Da Revolução dos Cravos Que trouxe justiça ao povo. Dando a Abril o sentido Com coragem e vontade De abrir com o povo unido As portas da liberdade !... Euclides Cavaco - Canadá Acorda, Brasil! Vamos lá, Brasil, à Praça, expor com peito e com raça nossas reivindicações! Que o brado da pátria inteira ponha um fim à roubalheira e dê um basta à bandalheira dessa corja de ladrões! Humberto Neto - SP/BR http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Deixem Acontecer Meu Sonho Deixem que aconteça meu sonho amado! Aquele que em mim habita já há tantos anos. Que não soframos nós mais quaisquer danos Por vê-lo há tantos, tantos anos, adiado. Deixem que se realize em total conforto! Que o desfrutemos em pleno, sem mais demora. Que sua realização nos bafeje hora a hora. E o vivamos encantados em nosso horto. Este meu sonho lindo, o que é, afinal?! É um segredo guardado dentro em mim. Receio, na verdade, ver chegar meu fim. Sem que consiga ver terminado tanto mal. Mas porque é assim este nosso mundo?! Porque razão não poderemos ser felizes?! Teremos que forçosamente ser infelizes, Afundados neste pélago profundo?! JGRBranquinho - Qtª da Piedade A velha escola... São saudades que guardo no meu peito Da minha escola, onde se aprendia; O professor era símbolo de respeito E nela não reinava a rebeldia! Ardósia p’ra escrever... ia na sacola! Não havia ainda luxuosas mochilinhas E todos nós usávamos, lá na escola, Úteis cadernos de duas estreitas linhas! O “Magalhães”?... ai nem sequer pensar, A não ser o dos descobrimentos! Aprendia-se sem máquina de calcular Ou outros sofisticados instrumentos. No aprender, sentia-se o efeito Mesmo sem a actual tecnologia Que a muitos não dá grande proveito E gera mais preguiça e abulia! Fernando Reis Costa - Coimbra Teu corpo feito mar Queria apenas ser navio E naufragar no teu corpo Sou apenas este rio Que navega quase morto Maré baixa, em solidão Caminho bem devagar Passado que está o verão O inverno vai chegar Tempestade se aproxima É tarde, já é sol-posto A sombra que vem de cima Dá-me imagens do teu rosto Neste naufragar profundo Entre o verão e o Outono Navego qual vagabundo Mal acordada do sono A onda de mim se afasta Eu ganho nova maré Começar de novo basta P’ra mergulhar e ter pé Sobrevivo a tempestade Tropeço em teu navegar Vou morrendo de saudade Do teu corpo feito mar A Poesia… No meu corpo Tatuada Faz já um tempo que eu, no meu corpo gravei, O mais lindo poema que sobre o amor encontrei, Sem saber bem, porque uma tal coisa estava a desejar… Mas hoje, em que o tempo, as minhas poesias levou, Apenas esta, no meu corpo tatuada... me restou, E agora compreendo, porque no meu corpo, a quis gravar. Pois de tantas e tantas poesias que fui escrevendo, Algumas guardei, outras, pouco a pouco foram esquecendo, Sabendo que nenhuma delas, comigo iria levar… E que só esta poesia, que p’ra sempre junto de mim ficaria, O destino sabia, que também junto a mim ela partiria, Naquele dia, em que o meu cansado corpo, fosse a enterrar. José Carlos Primaz - Olhão da Restauração Maria de Lurdes Brás - Almada

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 55 | Março / Abril 2013 | 5 «Retalhos Poéticos» Violetas Sempre que ia à rua Augusta parava, Para comprar um ramo de violetas. As mais bonitas e compostas escolhia Rapidamente, o belo raminho adquiria Flores magníficas que minha Mãe adorava, Ao voltar para casa as violetas lhe trazia, Era um miminho que muito apreciava, O seu rosto iluminava com esta alegria. Ia colocá-las numa jarrinha alegremente. Eu ficava observando com muito carinho, Por quanto tempo é que teria esta ventura. As belas violetas esmaeceram tristemente, A minha Mãe deixou de existir, infelizmente, Não lhe poderei mais oferecer esta ternura. A Palavra... Palavra! Furacão que nos sacoleja, fogo que incendeia, rio que lava, perfume embriagador, imensidão que faz crescer, duvidar, discernir e entender o mundo ao redor! Somos a Morada da Palavra! Que nos leva à percepção da realidade, onde vivenciamos experiências das quais extraímos aprendizagem... É através da linguagem que o imaginário se eleva ao extremo e torna-se magia poética. O Poeta, seu veículo máximo, cria sensações, intenções, numa representação que exprime diferentes significados para cada um de nós... A Poesia, leva a imaginação à beira do precipício de uma alucinação de regozijo, admiração e beleza... Com Palavras... aprendemos a Pensar... O que "nos possibilita criar nossa existência no Ser..." Nídia Vargas Potsch @Mensageir@ - RJ/BR Indiferença Em vão te procurei por toda a parte... Meus olhos ansiavam de te ver... Meu peito era uma rubra chama a arder: – Anseio de meu corpo em desejar-te! O que mais fiz, na vida, foi sonhar-te... Meus braços, só os teus q´riam prender... Eras aquela que eu, mais q´ria ter: – Razão da minha vida em procurar-te! Achei-te enfim, porém, tarde demais... A chama desse amor não arde mais... O anseio de te ter já não existe! A quem te queiras dar, pouco me importa... – E se um dia te abrir a minha porta, É porque tenho a sina de ser triste! Aurélio Barata Vivas – Pampilhosa da Serra A Voz da Primavera Já vão partindo as noites invernosas, Os dias tristes de humores enevoados, Degelam as correntes, caudalosas, Furam a terra os brotos encubados. Regressam andorinhas migratórias, Os céus revestem mantos de esplendor, Ao Pai Celeste sobem oratórias, Das aves em seus cantos de louvor! É a nova Primavera a despontar, Que, sem palavras, vem pra nos dizer, Da natureza, o eterno renovar, Que da aparente morte há renascer! Ouça-se dela a fala da razão! - Que a morte é só… da vida uma estação! Carmo Vasconcelos - Lisboa/Portugal Fernanda Lúcia - Verdizela Indecisão Meus sentimentos indecisos Saltitam na leveza do ser Como uma ave sem asas Preso na atmosfera irreal São pingos de luz Que brincam na inocência Na fragilidade de um sentimento Por caminhos de cetim Meus pensamentos Deslizam por campos estranhos Por entre o sorriso de uma estrela Me saúda para a eternidade Eternidade de uma alma Por vezes perdida No cosmos cintilante No sorriso de Deus Só sei o que sou Por entre as brumas Do cosmos celestial Por caminhos do silêncio… Pedro Valdoy - Lisboa “A balança” A balança é um tesouro Dois pesos iguais sustenta Quer na prata quer no ouro É leal não fraudulenta… Ao pesar nunca há engano Seus pratos estão lado a lado Seu peso não é tirano É um peso equilibrado… Anda sempre num vaivém O balançar da balança Quando ele pára, porém É que temos confiança… Maria Eugénia – A balança

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6 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 55 | Março/Abril 2013 «Confrades» Primavera e Juventude Primavera e juventude são parecidas, não iguais vai e volta a primavera a juventude nunca mais Há muita coisa na vida que a mim nunca ilude ao dizer que é igual primavera e juventude Nem tudo o que ouço acredito e ouço tantas coisas mais jventude e primavera são parecidas, não iguais Que este poema termine já vejo alguem á espera para me ouvir dizer vai e volta a primavera Mas uma coisa é verdade que não contesto jamais a primavera essa volta a juventude nunca mais. Chico Bento - Dällikon- zurique - Suíça Amor occisivo Amor, ódio, sentimentos arrogantes Em mim flutuantes Segredos de uma vida Para nós perdida... Abjurar o amor É como um filme de terror. Subsistem os fantasmas E as almas penadas. Assombrando, atormentando Na distanásia porfiando. Não posso lutar com o destino Sei que é confronto perdido. Não consigo enfrentar esse poder misterioso Contumaz e poderoso! Nem nas trevas ou no paraíso Há cura para o amor que occisa. Que porfende queimando Como ácido sulfúrico e me torna atónico! http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Adeus alegria Alegria, grande amor que embalas o pensamento Viveste comigo através de nações e continentes Trabalho da mina foste pão; o meu entretimento Foste minha poesia, matavas dor, em acidentes Idade chegou, a dor afastou minha musa poética Alegria, era o timoneiro, que encantava meu mar Punha amor e filhos em linha; escola doméstica Era amor, ar risonho que me fazia amar e cantar Hoje; noites em claro, a tristeza não deixa dormir O céu tem menos estrelas, tem menos luz o luar Tantas vezes ainda esforço de mm cândido sorrir Estendo meus braços com ímpeto, a esposa abraçar Sei que é a idade que deixa minha alegria se esvair Alegria se esvai com a idade; sem a poder agarrar Armando Sousa - Toronto Ontário Canada Mensageiro da Esperança Afastei-me de Jesus, por ínvios caminhos julgando-me indigna de Seu divino amor! Desprezei o santo dom da vida, os carinhos de quem me ama! - Preferindo mágoa e rancor! O filho do Criador, mandou mensageiros tentou de várias formas, chamar-me á razão! Amigos, amores, rivais e companheiros: A todos repeli, por teimosa obsessão! Um a um por várias causas, foram partindo na maré da vida, morte, doença, até... ou pelo meu menosprezo e desconfiança... Mas Jesus não desistiu. - E foi persistindo, para eu aprender com dor! - Renovou minha fé, enviou-me o seu Mensageiro da Esperança! Arlete Piedade - Santarém Felicidade Ser feliz o que é?... Como se consegue?... é o abraçar a vida… Com loucura e amor… Amor… Que constantemente… Nos bate à porta… E surge… No sorriso dos filhos… No chilrear dos passarinhos… No desabrochar de uma flor… No sorriso de uma criança… Que nos puxa pela saia… E que nos diz baixinho… Gosto de ti… Ser feliz… É saber estar… Rodearmo-nos de gente… E sabermos, sempre sorrir… Mesmo… quando apetece chorar!… Lili Laranjo - Aveiro Preferia não mais acordar Até a devastidão terminar. Prossigo todavia nesta estrada De sonhos prostrados onde nunca ninguém ganha! Só me resta a memória Enlevada nas asas mágicas da recordação Que me restitui sem condição Aos nossos momentos de glória! Quando precisares de silêncio Para pensares em alguém Lembra-te que há alguém Que em ti pensa em silêncio! Carmindo Carvalho - Suíça

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 55 | Março / Abril 2013 | 7 Confrade desta Edição «Clarisse Barata Sanches - Góis» A Bela Inês de Castro (nos 650 anos da sua morte trágica) Mote Uma grande paixão a traz insatisfeita. Sente-se injusta e má sentindo aquele amor. Decide extermina-lo à hora em que se deita, E quando acorda vê, que é cada vez maior. (Carlos Aguiar de Loureiro) Glosa Inês sente-se triste e vai rezar um dia A Santa Clara, e lá ninguém, de si, suspeita... Eis a causa real da sua nostalgia: “Uma grande paixão a traz insatisfeita.” Tricanas de Coimbra ao vê-la pensativa Emudecem seu canto no Choupal em flor... Inês presa a D. Pedro, e sem meio de esquiva, “Sente-se injusta e má sentindo aquele amor!” Faz orações contínuas a dama de Constança, E traí-la não quer, pois isso não aceita. Mas por que o afecto cresce e dia a dia avança, “Decide extermina-lo à hora em que se deita.” D. Pedro, enamorado, conta-lhe o que sente... Ela já vê tragédia... um fim de luta e dor. Seus sonhos são delírios... desse amor fluente, “E quando acorda vê... que é cada vez maior.” Clarisse Barata Sanches - Vila de Góis Quando não tenhas à mão Mote Quando não tenhas à mão Outro livro mais distinto, Lê estes versos que são Filhos das mágoas que sinto . (António Aleixo) Glosa "Quando não tenhas à mão" Um livro mais a teu jeito, Lê obras de Salomão Que era um Homem de respeito. Podes ler, a qualquer hora, "Outro livro mais distinto;" O da Bíblia: "Luz da Aurora!, O mais lido, se não minto. Lê Camões com atenção, Cruz e Sousa, António Nobre; "Lê estes versos que são" "Lembranças"duma alma pobre. São quadras de sentimento, Da vida como a pressinto; Muito simples, sem alento, "Filhos das mágoas que sinto." Clarisse B. Sanches – Vila de Góis Uma mosca sem valor Mote Uma mosca sem valor Poisa, co’ a mesma alegria, Na careca de um Doutor Como em qualquer porcaria. (António Aleixo) Glosa “Uma mosca sem valor” Sendo, até, tão pequenina, Por ninguém sente rancor, E é uma gentil dançarina... Viram já que, na folgança, “Poisa, co’a mesma alegria” No velhinho e na criança, Que nem gostam da folia... Beija todos com fervor, Vê-se, até, num pergaminho... “Na careca de um Doutor” E na mão de um pobrezinho. É como a sina da gente, A cair, sem teoria... Numa vida aurifulgente, “Como em qualquer porcaria”. Clarisse Barata Sanches - Vila de Góis Como a morte é um segredo Mote Como a morte é um segredo, Quem sabe lá se, por sorte, Os mortos têm mais medo Da Vida que nós da morte. (António Aleixo) Glosa “Como a morte é um segredo,” Que nos pode perturbar; Ninguém quer que seja cedo Que ele se vá desvendar. Sendo a alma quem nos guia, “Quem sabe lá se, por sorte,” Na mente que a alma cria Há um bem que nos conforte? Lembra-nos ela um degredo, Mas diz-se, também, ainda: “Os mortos têm mais medo” Que ela não esteja finda. Há quem diga e também creio, Que eles lá num outro norte, Têm muito mais receio “Da vida que nós da morte.” Clarisse Barata Sanches - Vila de Góis

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8 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 55 | Março/Abril 2013 «Confrades» A Vida é Bela Quando a vida é tão bela É bom saber vivê-la Melhor saber mercê-la E nunca dar cabo dela Que a vida é tão linda É sempre bem vinda E a saúde com ela É binómio de satisfação Para viver com paixão É preciso certa tabela. Viver com idoneidade Com amor e carinho Nunca saindo do caminho Que segue a lealdade Viver verdadeiramente É viver honestamente Sempre com humildade Só assim a vida é bela Sem qualquer sequela Será a grande realidade. Viver com consciência Com o dever cumprido Como por todos é sabido Deve haver paciência E grande integridade Com rigor e honestidade Com muita inteligência Mas para a vida ser bela Tem que se fazer por ela Com valores e sapiência. Deodato António Paias - Lagoa Assim... http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Vem ao sabor do vento Ai, Amor! Vem com o Vento! Vires de longe, não te entendo! Não sei se pensas no Bento Se é esse teu pensamento Aos pouquinhos compreendo! Voa, voa, que eu espero! Esperar é um meu dom! Toda a vida te esperei Mas nunca te encontrei Nem tão pouco ouvi teu som! Se alguma vez te beijar Quero que seja a valer! Os meus beijos são suaves Voam mais que o vou das aves E não fazem estremecer! Dizem que é fácil sonhar Há sonhos maravilhosos! Quer o homem ou mulher Nunca sonha quando quer Mas têm sonhos airosos! Bento Laneiro – Amadora Amigos inseparáveis… Os livros ficaram em casa E eu; parti sozinho. Senti a falta de estar acompanhado Mas esqueci dos meus amigos! Pois! Os meus livros não podiam ser lidos E eu; não os podia ler. Estávamos longe um do outro E com saudades de nos voltarmos a encontrar E nunca mais nos separamos. Naquele instante fiquei ali a pensar Afinal! Livros sem leitores ou leitores sem livros Não são nada um sem o outro E não se podem separar Mas unirem-se mutuamente. Assim; não haverá solidão E temos a liberdade de desafogar Com um amigo sincero e explícito. Quelhas - Suíça Mães Especiais Nos longos vãos dos corredores, ou nos bancos lá da AACD, mães fatigadas, mas serenas, ao peito arrimam, sejam claras ou morenas, míseros filhos, mutilados, tortos, mancos! Precoces rugas pela face... Alguns fios brancos entre os cabelos, não refletem mais que amenas e leves provas ante as mudas e árduas penas de ver um filho se arrastando aos solavancos! Mas em nenhuma, cujo filho é a inglória palma, a gente nota um leve ar de oculto pranto, mesmo um gemido a perturbar-lhe a altiva calma! É que aos pequenos deficientes Deus quer tanto. que os não confia a quem não traga dentro d'alma o amor sem termo que há num mártir ou num santo! Humberto Rodrigues Neto – SP/BR Assim, Sem uma flor... - Que direi dos gestos do mar Quando me viu partir? Assim, Sem o aroma da maresia, Sem o murmúrio das ondas... - Que direi dos abraços que me deram? Assim, Sem o amor das andorinhas, Aquelas que poisavam no peitoril da janela E me davam bons dias... Assim, Sem rochas escarpadas à volta de mim... Assim... Manda-me uma semente de girassol!... Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa Mãos Ó mãos perfeitas guiadas pelo desejo e pela dor da partida iminente dessas mãos em brasa subitamente saiu todo o amor que te deu o rumo o pão, a casa que de ti fizeram essa asa que ficou a voar pelo sol-pôr!... Maria Mamede - Porto Tempestade e Bonança Tem a vida de cada ser humano Momentos de amargura e de tristeza De grande confusão e desengano De total insegurança e incerteza É como se o mar se levantasse Em ondas desmedidas, alterosas E a nossa velha nau despedaçasse Contra as rochas negras temerosas Mas como não há mal que nunca acabe E como não perdemos a esperança A vida dá uma volta, e que bem sabe Voltamos a encontrar a confiança Então o mar acalma e o vento cessa A velha nau desfralda as suas velas Nova vida risonha recomeça E temos alegrias pararelas Quiseramos nós todos navegar Nessa nave bela e prazenteira Olhar o horizonte circular Perder a nossa vista nesse mar E sonhar com a paz a vida inteira Fernando Marçal - Vi.N. de Foz Coa

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 55 | Março / Abril 2013 | 9 “Cantinho Poético” Misteriosa Canção Refém é esse vento que sustem o manto amante do canto e dança que nesse templo do esquecimento nos fez a ambos amados entes. Mas foi transposta a sombra e o monte, deixando que a tarde se desse ao alarde do Sol a pôr-se - bom nome com som que pelo tom diz que a dor aguarde... O Sol a pôr-se e veio a noite para amarmos aqui e além no entendimento desse unguento que nos trouxe o encantamento. Até chegar a madrugada que é o enigma e paradigma do chão salgado p´lo nosso amor - grande segredo, assim selado. Efigênia Coutinho – Balneário Camboriú/BR A Vida Que Quero Levar Trabalho durante o dia á noite é chapa lambida vou assim vivendo a vida com uma enorme alegria Ninguém se irá gozar daquilo que eu ganhei se com suor trabalhei com alegria vou gastar Depois quando eu morrer nada aqui irei deixar se não o posso levar quero tudo derreter Mais tarde, no campo santo a quem eu dever dinheiro pode chamar-me caloteiro que vou rir-me tanto tanto Refrão Depois de vida penosa há muitos que ao morrer deixam dinheiro para viver á sua querida esposa E a alegre viuvinha com o mealheiro querido arranja outro marido para gastar a massinha. Chico Bento Dällikon - Zurique - Suíça Paixão e Saudade Foste amor foste loucura, Dor, tormento, f’licidade, Foste o perto e a lonjura, Paixão, carinho, ternura, Contentamento e saudade. E agora por culpa tua Nosso sonho terminou, Deixaste a minha alma nua Abandonada na rua, Na saudade que ficou. Mataste este amor perfeito, E os beijos de paixão, Que num abraço estreito Faziam que no meu peito, Batesse o teu coração. Pedes para devolver Tudo quanto era teu, E dizes p’ra te esquecer, E para não te escrever, Porque o nosso amor morreu. As cartas que me escreveste, E o resto, te vou mandar; Mas os beijos que me deste, E os carinhos que fizeste, Já não mos podes tirar. Isidoro Cavaco Loulé Chove...Chuva... O tempo fechado promete chuva Trovões batem seus bumbos Coriscos coruscantes nas nuvens E a água desce parecendo grumos. Ao cair a água bendita se transforma Dependendo de onde cai Escorre molha e desenhos forma Flores geladas frutas coloridas e...Vai. As gotas se agarram sem despencar Em galhos verdes folhas e uvas È tanta beleza que não se pode reclamar Porque molha refresca desenha ...È a chuva. No final na grande apoteose As gotas se retorcem dançam E a terra suga todas em osmose E um colorido arco íris fecha a festança. Maria Aparecida Felicori {Vó Fia} Nepomuceno Minas Gerais Brasil Quando a tristeza chega Quando a tristeza chega E não diz quando quer partir Porque ainda não encontrou saída… Acomoda-se e permanece Inunda o ar que respiro E abre as feridas… E não me deixa usar os lábios e sentir… Não quer aquecer o leito Que preza o meu corpo Nem diluir a mágoa Que deturpa a minha imagem E aumenta a minha angústia Dotando-me de momentos de cobardia… Não sei rir, nem chorar Preciso de alguém que me ensine a respirar Porque sufoco e tenho dor E necessito um sentimento com calor… Ana Alves - Melgaço Vi Vi nos teus olhos sinais de tristeza nos lábios secos a cor da saudade no pálido rosto alguma incerteza e rugas minando-te a mocidade Vi no teu corpo engordar a fraqueza nas roupas minguar a antiga vaidade nas palmas das mãos crescer a pobreza com nacos de pão da mendicidade Vi, p’lo andar, que te foge a idade por ruelas sujas onde a nobreza usa o capote da imoralidade e onde se encontra, com toda a certeza a grande montra da precariedade expondo um governo que te despreza Abgalvão – Fernão Ferro

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10 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 55 | Março/Abril 2013 «Confrades» Ser Poeta Ser poeta é sentir As palavras que escreveu Ser poeta é recordar Os momentos que viveu A poesia é cultura Faz parte do talento Escrita com sentimento Sentida com alma pura Se dita com amargura Quando está a transmitir Para quem gosta de ouvir E a saiba apreciar É um meio de comunicar Ser poeta é sentir Poetas bem conhecidos Deixaram recordações Os Lusíadas de Camões Foi o mais distinguido Por isso não é esquecido Da época que viveu No ano que faleceu Ficou a sua herança Para todos a lembrança As palavras que escreveu Há muitos poetas que são Muito pouco conhecidos Partilham os mesmos sentidos Com a sua emoção Faz parte da vocação Muito nos faz lembrar Também faz despertar Algo que está esquecido Daquilo que foi vivido Ser poeta é recordar O poema faz lembrar O sentimento de alguém Do mal e do bem Tudo nos faz recordar Também nos faz meditar Algo que se viveu Até quando se perdeu O que na vida é sagrado Para muitos um ditado Os momentos que viveu Miraldino Carvalho - Corroios Esperança? http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Meu Portugal Meu Portugal pequenino Mas em idade já velho, Tens tanta fé no destino Vives sem pedir conselho! Tens filhos que muito te amam, Outros que de ti se riem São estes que reclamam, Um patriotismo que fingem! Vendem-te a troco de luxo Para seu próprio prazer, Sentido nas veias o fluxo E a ganância do poder! São tais as atrocidades Com que esses seres te devoram, Que inventam falsas "verdades" De cadência como choram! Regina Pereira - Amora Cantam os Poetas Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os Cantam os poetas...a ternura poetas...a doçura poetas...a mocidade poetas...os amores poetas...as crianças poetas...as esperanças poetas...as ilusões poetas...os sonhos poetas...as canções poetas...a natureza poetas...os animais poetas...a beleza poetas...as flores poetas...as cores poetas...a música poetas...a amizade poetas...a saudade poetas...a ordem poetas...a paz poetas...a mentira poetas...a verdade poetas...a dor poetas...a vida poetas...os silêncios poetas...as políticas poetas...as críticas poetas...as tristezas poetas...as incertezas poetas...as dificuldades No primeiro dia do ano Abro a janela de par em par. O nevoeiro é tanto Que começo a imaginar: O Mundo não acabou! Vamos começa-lo de novo Aproveitar o recém-nascido. Fazê-lo crescer com amor, Tudo o que esta palavra encerra Pôr ponto final na guerra. Dar-lhe sabedoria, educação Mostrar-lhe o caminho pela mão, Com força, vigor e saúde Fazer da amizade uma virtude. É de pequenino que se torce o pepino! O ano que agora nasceu Apesar do denso nevoeiro Vai ter dias de sol e céu azul, Primavera, Verão e Outono Não esquecendo os dias agrestes. Vamos aproveitar a bonança Dar as mãos e caminhar Pela estrada que nos é aberta. Avancemos com alma e confiança Fazendo deste ano um ano de esperança. Carlos Cardoso Luís – Lisboa Ilusões… Das algas fiz meu berço… As gaivotas vêm comer à minha mão Os versos que fechei no coração São pirilampos com luz da inspiração… A minha caminhada é triste e longa O tempo partiu o sonho… Só, abraço a solidão Na alma trago um frio medonho Ilusões do reino da ausência Escondi-as no sopro duma flor… Cavalgo em nuvens desfeitas Meu sofrimento tem asas perfeitas Meus beijos são algemas… Entre as lágrimas mais ricas e gémeas Meu riso não tem luas de esperança Não me lembro do meu sol de criança… Minhas ilusões, feitas de cinzas mansas, Incendiaram as minhas esperanças… As quimeras de amor voaram Como as aves que o bosque abandonaram!!! Luís Filipe N. Fernandes - Amora Fernanda Lúcia - Verdizela Dia solarento Na beleza do teu olhar, sorri o meu desejo de te amar, mas não deixo de ter a tua mão brilhando, que me acaricia ao despertar, deste sonho que me envolve, nos braços de ti amante, que me deixa sobrevoar. Neste mundo universal, em que o amor se põe, pela manhã. Fernanda Trindade – Venda do Pinheiro Envelheço Envelheço Quando perco a ilusão. O sorriso de uma criança, Não me enternece o coração, A lua não me inspira poemas, As estrelas não fazem meus olhos brilharem, Independente de minha idade. Isabel Silva Vargas - Rio Grande do Sul /Br

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 55 | Março / Abril 2013 | 11 «Confrades» Amar mais Este e Aquele, o Outro… Ninguém te pede contas se fizeres Várias vezes amor com homens vários, Mas amas “Este e Aquele, o Outro…”, e queres Que os vizinhos não façam comentários? Repara, querida Flor, que até referes “Aqui… além…” Que importam os cenários? “Amar e não amar” Josés ou Mários Te põe assim no rol das “tais” mulheres. Tiveste azar, viveste em data errada. Hoje não há para moça que namora Com dois ou três qualquer impedimento. Até te digo: quanto mais “rodada” Ela estiver, tanto melhor agora, Mais facilmente arranja casamento. Lauro Portugal - Lisboa O Tempo e a Idade Conto espantado o tempo passado. No futuro que contarei? Não sei. Sei que tempo já passou; Não sei quanto passará. Se soubesse quanto de vida terei Saberia, com verdade, A minha idade. Assim, não sei. Mas que importa trovador? Vive e canta, prova a dor. Sonha sonhos floridos, Sente todos os sentidos, Solta canções ao vento, Melodias às estrelas, Versos do pensamento. Trova, trova, trovador, Entoa hinos com alegria e verdade Ao Amor, à Paz, à fraternidade, E o Mundo será melhor. Para quê, para quê, saber a idade? João Coelho dos Santos - Lisboa Alentejo Eu faço quadras em terra Também as faço no mar Umas são feitas a rir E outras feitas a chorar. Silvais - Évora http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Dia Internacional da Mulher (Desde 08 de Março de 1857) Dia Internacional da Mulher Em oito de Março celebrado Cada um pense o que quiser Mas merece ser comemorado. É um dia histórico de verdade Foi um dia de greve marcado Luta da mulher pela liberdade Nas fábricas de trabalho forçado. Dia comemorado anualmente Para as conquistas recordar Data da luta simplesmente Que elas conseguiram mudar. Merecem de nós homenagem Esposas e mães dos nossos filhos Vamos-lhe prestar vassalagem E esquecer se houver sarilhos. Elas têm beleza na aparência Deixam os homens abasbacados São um tipo de substância Que os deixam descontrolados. A mulher domina a gente Domina o sábio e o idiota A mulher é muito inteligente A qualquer homem dá a volta. Merece muita estima e respeito É bom que assim se entenda Amigo ponha a carteira a jeito Amanhã ofereça uma prenda. Deodato António Paias - Lagoa ...deitada no Sol ...seduzida pelo sol ...deito-me com ele ...espalho-o sobre mim ...em gestos sorridentes ...vagorosos, quentes ...preenchida dele ...na pele beijada ...fico deitada ...a beber da sua luz ...num jogo de luzes ...que me seduz ...e a alma traduz ...enfeito-me de sol ...apago todo o sombrio ...prencho o vazio frio ...aquecida, embebida ...esquecida e seduzida ...de alma adormecida ...fico no calor do sol perdida (...na noite depois da lua [adormecer ...com a madrugada a nascer ...vem o dia o sol aquecer...) Maria José Lacerda - Lisboa Fénix Quem queimou e enlutou o meu jardim ? Quem exauriu os pobres jardineiros E na avidez avara dos dinheiros Ao verde da paisagem pôs um fim ? Quem é que nos engana e mente assim Prometendo-nos flores de mil canteiros : Nardos, lírios, roseiras e craveiros Mas só vai semeando erva ruim ? Os jardineiros em breve acordarão. Da cinza e da vontade farão estrume Que renascendo em verde, será pão Pr’ alimentar a gente do costume. Outros senhores aqui semearão E o meu jardim, renascerá do lume ! Humberto Soares santa – Sesimbra / Portugal As lembranças vividas de bons momentos inesquecíveis farão com que os nossos sentimentos sejam sempre mais sensíveis. - Autor - Alcides Pelacani

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12 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 55 | Março/Abril 2013 «Confrades» Caridade ...Avenida da Liberdade Temos às vezes vontade das entregas Para mostrar a quem não entregamos Que entregamos a quem não se surpreende Com a nossa capacidade de... De vez em quando, Parecermos humanos, Dando, o que não precisamos. Mas em contraponto com a previsão Estão alguns que até se esquecem da casa Onde não se deixam estar Para estarem numa sala mais selecta, Aberta para a rua todos os dias, Quando as noites se demoram a deitar, Os vizinhos das montras Cheias por dentro daquilo Que não precisam de comprar. Os cartões fazem pausa no reflexo Que vem de dentro do luar As cabeças cobrem-se num berço Que já não conseguem procurar. http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Gente Muita gente, que se sente, nesta multidão crescente, que nos desperta para a atenção que faz correr os nossos olhos, por entre toda aquela gente, que não pára de viajar no tempo. Gente e mais gente, corre e se sente como está despreocupada, perante o movimento do tempo, que segue sem destino, mas sempre na frente, com as suas incertezas, talvez porque não há certeza, se é a gente, que em si se sente comportada. Fernanda Trindade – Venda do Pinheiro Registo Enfeitei com rosas multicolores A minha velha casa! Com rosas multicolores De todos os jardins desta Primavera! Pus na mesa, a toalha de linho e renda, Que acompanha digna, todas as nossas reuniões, e sobre ela, o serviço de jantar, que a embeleza. Nos pratos, pus o amor e a alegria, Que servi transbordantes aos meus convivas, que me ajudaram a colher as rosas, a pôr a toalha, e sobre ela, o serviço de jantar, onde despejo sabores e cheiros do velho clã que idolatro, de quem herdei a capacidade de olhar as rosas, de aspirar o perfume, e do repartir por todos aqueles de que me rodeio! Sei, que as rosas que hoje vos ofereço, voltarão a florir por várias gerações com todo o seu perfume e todas as suas cores… E outras mesas e outras toalhas, voltarão a pôr-se… Por mãos tão minhas, como se eu fosse, presença ali… Como sou hoje!... Felismina Mealha - Agualva Encostados nas vitrinas mais famosas Das lojas mais caras de Lisboa Os clientes que esperam na fila, Desde o dia anterior, São os únicos que não conseguem chegar primeiro, Ainda que sejam os únicos a precisar de se vestir. Comer, sem serem mandados, Antes, de entrar, sair. Merda, para todas as humanidades Que ainda não descobriram o Homem. José Jacinto – Casal do Marco / Portugal A centopeia A centopeia, se olharem bem, vão ver que nem é muito feia. Dizem que tem de trinta patas a mais de cem. Se tem, não sei, nunca as contei. Segue ligeira e decidida em linha reta. Se há uma corrida, é a primeira a cortar a meta. Lauro Portugal - Lisboa As coisas falam comigo numa linguagem secreta, que é minha, de mais ninguém. Quero esquecer, não consigo. Vou guardar na mala preta esta dor que me faz bem. Agostinho Moncarcho – Qtª do Conde Poetrix Chegou o Vento Norte Soprou no meu texto Divertiu-se, tudo confundiu Reescrevo o místico sentimento Susana Custódio - Sintra

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 55 | Março / Abril 2013 | 13 «Tempo de Poesia» Dia Da Mulher Marianita, mulher em botão (à minha netinha com 5 meses) Mariana, uma mulher Em botão È uma luz Que nos seduz E aquece o coração. Cada dia vou asinha Para o pé da Marianita Simpática e bonita Para mim, uma avezinha. Pássaro velho, eu sou De asas quiçá quebradas Alguém que todos amou E só levou caneladas. Me compensa seu sorriso, E seu cândido amor Isso é premonitor Dum futuro, bem preciso. Marianita és mulher Também este é o teu dia Uma mulher em botão Que nos enche de alegria E já nos segura a mão. Maria Vitória Afonso Cruz de Pau / Amora Vem Forte- muito forte- esta emoção Tocando forte o meu coração Batendo por ti- meu doce Amor! Enleado em teu carinho/verdade É maior, então, minha felicidade Não existe mais, sombra de dor. Não existe mais, sombra de dor! Tendo o teu perfume- minha Flor Vejo este mundo, já, diferente. Por ti sinto-me outro, sou melhor! Meu ego, agora, é bem maior… Refresco e fortaleço minha mente. Refresco e fortaleço minha mente A vida encaro mais alegremente, Sou feliz por ti, mulher amada! Vem! Fica para sempre comigo! Minha aspiração é estar contigo… Sabes bem- Oh! Musa adorada. MULHER! VEM! FICA PARA SEMPRE COMIGO! MEU ÚNICO ANSEIO É ESTAR CONTIGO. JGRBranquinho - Quinta da Piedade Gregório (nome fictício)   De nome... velho Gregório! Idade desconhecida morada Lisboa city sem porta nem avenida... junto à lixeira do empório perto da esquina da morte... logo á saída da vida no viaduto do nada feito sem sul e sem norte.   Vi Gregório... outro dia... vestindo roupa sem marca aqui e ali esfarrapada pela garra da desgraça que por desgraça o mordia. Como zumbi caminhava pelo passeio sem fama lambendo gotas de chuva falando ao vento, do nada, com a gaguez da fraqueza e a lingua entaramelada. Nos pés velhas alpercatas sem ter cor nem etiqueta já desfeitas p’los maus tratos dos buracos da calçada que o Edil acha perfeita. Na mão direita dançando uma garrafa de litro cheia de sonhos vazios e vagos desideratos. Na outra mão transportava, como tesouro sem cunho, seu peculio, seu quinhão jornais velhos, papelão que lhe serviam de cama  e agasalho à “farfalheira” quando o frio o açoitava... ou de amante e companheira  nos delírios impotentes quando o cio o visitava. Velho Gregório dizia ser antigo combatente muito util no passado desprezado no presente. Foi soldado português nos tempos da ditadura por sua pátria sangrou por erros de conjuntura. Hoje curva-se à desdita e aos desmandos de um governo insensato e pequenez que, inclemente, o derrubou. Agora, Gregório, emborca sem controle, nem medida, venenos do seu destino... poupa velas p´ró velório porque, aos poucos, o Gregório vai definhando e morrendo com as dores do País... sem poder erguer o punho porque a força lhe fugiu... sem cantar a portuguesa porque a voz já se cansou nem louvar nossa bandeira porque alguém a defraudou. Abgalvão - Fernão Ferro Persistente Cantei uma seara de virtudes Gritei à vida palavras de amor, Abracei cada peito feito em dor Corri nos rios, e saltei açudes... Cursei ante o grito da verdade, Falei ao carácter da hipocrisia Dei calma à magoada maresia Fiz de luz, a escura humanidade... De tanto que fizera nada vejo, Apenas a estátua de um desejo Que eu penteio em sonhos ledos Fui vencido, mas cantarei futuro Não ficarei na sombra de um muro Onde germinam dúvidas e medos... Ferdinando - Germany Eólicos Devaneios Na epiderme líquida do mar, Eólicos sussurros cambaleiam... Assim são as lembranças que passeiam Nos líricos anseios de um olhar. O eterno vai e vem de cada onda É como especial reminiscência Que varre o porto da inconsciência No instante em que a razão... em vão... nos sonda. Amar é como içar velas ao vento... Deixá-las ao sabor dos devaneios E ter nesse mister, contentamento Porque, enquanto o pensamento voa, No barco de um anseio nevoento, A alma... em sentimentos... se abençoa Luiz Gilberto de Barros (Luiz Poeta) – SP/BR Alentejo Nasci um dia criança E já não sou muito novo Cá vou vivendo com esperança De chegar a ser idoso. Silvais - Évora

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14 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 55 | Março/Abril 2013 «Trovador» Valorizo a amizade Os amigos de verdade Há poucos e são raros Temos que os semear Aprender a cultivá-los A cultura e a amizade Tem dois pontos de vista A cultura se cultiva E a amizade se conquista Já semeei amizade Em terreno bem diferente Alguma deu-me bons frutos Outra nem deu a semente Mesmo assim continuo A apostar na amizade Eu preciso, faz-me falta P’rá minha felicidade Preciso da amizade Para viver dia a dia Se não sinto amizade Minha alma está vazia Se a minha alma está vazia Não a deixo sucumbir Vou à procura de alguém Dou-lhe um bom dia a sorrir Procurei a amizade Sempre sem parar Agora que a encontrei Não a vou desperdiçar Valorizo a amizade Porque a amizade faz-me bem Quem tem amigos a seu lado Não sabe a sorte que tem Maria Alberta Domingues - Chaviães O que eu gosto... Vai rareando Montes no Alentejo I Os montes do Alentejo São aqueles que aqui estão Não são aqueles que eu vejo Para turismo e mansão II Terra da minha paixão Eu de ti já estou descrente Tuas terras não dão pão Nem farinha sem semente III Qualquer monte tinha gente E qualquer casa criava Gente pobre mas decente Que até mendigos ajudava IV A minha mãe acareava As galinhas que eu comia E até o galo cantava Quando a gente ainda dormia V São montes com fantasia Os montes de quem não sente O que é a tua agonia Alentejo estás doente Poeta Silvais - Évora Viela Sombria Numa sombria viela Onde a luz duma lanterna Saia pela janela Duma modesta taberna. Num bairro de pouca gente Com flores junto das portas, Onde a vida era dif'rente Á noite a horas mortas. Numa amizade fraterna Volta o fadista de novo, À viela e à taberna Cantar as mágoas do povo. A viela se enaltece Numa voz que se desgarra E o fado ali acontece Ao timbrar duma guitarra. Nesse ambiente castiço Entre cigarros e vinho, Come-se pão com chouriço E caldo verde quentinho. Sempre que o fado acontece Fica a viela acordada, Só descansa e adormece Quando já é madrugada. Isidoro Cavaco - Loulé O amigo que eu invento O amigo que eu invento, Tão sublime e tão perfeito, Não se importa se me ausento, Mora dentro do meu peito. Luiz Poeta - SP/BR Voz do Povo Eu vou-te cantar um fado; Vou falara da minha vida: Parti num barco parado Que encalhou logo à partida. Fiz a viagem sentado, Mas num banco de jardim. Fiquei também encalhado; Sem zarpar cheguei ao fim. Pelo meio houve aventura; Houve sonhos cor-de-rosa, Acabaram em amargura Da viagem desditosa. Ando a viajar, sem norte, No meio da tempestade, Num trajecto de má sorte Que não me deixa saudade. Vou, então, num fado novo Cantar minha desventura. E, assim, os ditos do povo Têm força de esritura… João Ferreira - Qtª do Conde Quadras Soltas Matreira Tão bonita e atrevida Rainha do Universo Numa rima enternecida Enganas-me até num verso. Vida Noite escura, vida fria Onde a amizade é pouca Sem amor e alegria Morre de ódio gente louca Amor sem “limites” de idade O amor de minha mãe E o de quem me acarinha É o melhor que a vida tem Seja criança ou velhinha. Silvais - Évora Agora com esta idade Acaba por ser a verdade Que me ateia a saudade Quem eu fui e quem eu era Hoje parece-me quimera Mantinha a minha postura E quando chegava a altura Fazia uma bonita figura Com os anos que vou somando O que eu gosto... vai rareando Zé Albano - V.N. Cerveira

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 55 | Março / Abril 2013 | 15 «Poemar» Alentejo A vida dorme na sarjeta, contemplando a solidão!... A solidão no seu silêncio gritante, num desabafo urbano… A cidade grita!... À força da raiva e da vontade procuro respostas em forma de palavras, tal é o compromisso com o alfabeto… E elas surgem, hesitantes com o peso da culpa… Quero esquecer a cidade!... Quero o Alentejo casto, tranquilo e sonhador, ébrio de sol… A maciez pincelada de crepúsculo… O azul é maior e a noite dissipa-se, o verde é mais verde… As cores acordam tal xaile de retalhos com as cores do arco-íris toando um cântico de sol… Preciso dessa luz que rasga e dilacera a solidão… O meu ninho de sonhos repousa nos braços de uma azinheira… E se eu fosse ver, comigo, o sol nascer, espreguiçando o rutilante imaginado… Os planos brilhantes sucedem-se entre espigas de silêncio, cruzando o espaço… E sinto que se prolongam as palavras de ternura da madrugada na harmonia do bulício da folhagem ao ritmo do vento… Sussurra o orvalho tal prelúdio de um beijo… E no irrequieto acordar do ribeiro miro o meu rosto que dança, reflectido na água… Quero desenhar em meus olhos a azáfama sonolenta do orvalho de aurora na heróica planície onde toco as nuvens e sinto a paz que me transporta de mansinho em pétalas soltas de poesia… E vou além do infinito… Infinitamente sedutora e com lânguidos e alvos risos murmurantes com beijos húmidos de espuma retiro a poesia de um bolso e imortalizo um império de sonhos… Descasco as palavras e saboreio-as… seu sabor é o timbre de canoras carícias… E prendo o olhar no horizonte que emana do céu azul celeste! Mas regresso ao vento que, ao soprar, me murmura destroços… À cidade que grita! Porque a maré, acaba sempre por voltar… Edite Gil - Lisboa A minha bandeira Oh! Minha pátria amada, quem diria Que foram os teus filhos os primeiros A esquecer os heróis aventureiros Que desbravaram mares, com valentia. Quem manda em meu país, por ironia, São apenas os donos dos dinheiros Que vivem dos subornos a terceiros, E tentam chamar de democracia. E a formosa bandeira portuguesa Mostra ainda, nas quinas, a nobreza E, nos castelos, último reduto. É negro este presente, sem moral, Acorda pois, querido Portugal, Que esta linda bandeira está de luto. António Barroso (Tiago) - Parede – Portugal Perfume da Amizade Nestes meus versos queria A amizade perfumar E em jeito de poesia Aos amigos dedicar. Belo e nobre sentimento P'los seres humanos vivido É da alma o alimento P'ra dar à vida sentido. As palavras de amizade P'los amigos proferidas São véus de felicidade Que iluminam nossas vidas. Quantas vezes terapia Que enternece o coração E em centelhas de alquimia Ameniza a solidão. A amizade é qual riqueza De grande preciosidade É maior que a natureza Não tem tempo nem idade. Uma amizade sincera Não se compra nem se vende É união que se gera E uns aos outros nos prende. Amigos são a família Que nós seleccionamos E estão sempre em vigília Quando deles precisamos. Que esta força a que me prendo Com tanta afectividade Continue sempre mantendo O PERFUME DA AMIZADE !... Euclides Cavaco – Canadá (Poema dedicado a todos os meus amigos pelo mundo dispersos) Vila Nova de Mil Fontes - Alentejo

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