Osconfradesdapoesia56

 

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Boletim Poético

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano V | Boletim Bimestral Nº 56 | Maio / Junho 2013 www.osconfradesdapoesia.com - Email: osconfradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» SUMÁRIO Confrades: 4,6,8,10,11,12 A Voz do Poeta: 2 Olhos da Poesia: 3 Retalhos Poéticos: 5 Tribuna do Poeta: 7 Cantinho Poético: 9 Tempo de Poesia: 13 Trovador: 14 Poemar: 15 Online: 16 Faísca de versos: 17,18 Contos / Poemas: 19 Pódio dos Talentos: 20 Eventos e Efemérides: 21,24 Estados de Alma: 22 Bocage: 23,25,26 Reflexões: 27 Ponto Final: 28 «Homenageamos Distrito de Faro» EDITORIAL O BOLETIM Bimestral Online (PDF) "Os Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono"; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia»  Pódio dos Talentos pág. 20 Dia Mundial da Criança 1/6/2013 Dia de Raça 10/6/2013 Maria Vitória Afonso Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Paginação: Pinhal Dias - São Tomé A Direcção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador; Conceição Tomé - Vice-Presidente / Fundador Redacção: São Tomé - Pinhal Dias Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Alfredo Louro | Ana Santos | Anna Müller | António Barroso | António Silva | Arlete Piedade | Carlos Bondoso | Carmo Vasconcelos | Clarisse Sanches | Edyth Meneses | Edson G. Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernanda Lúcia | Fernanda Trindade | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Glória Marreiros | Henrique Lacerda | Hermilo Grave | Humberto Neto | Humberto Soares Santa | Isidoro Cavaco | João Coelho dos Santos | João Furtado | João da Palma | Joel Lira | Jorge Vicente | José Jacinto | José Verdasca | Lauro Portugal | Lili Laranjo | Luís Filipe | Luiz Caminha | Maria Brás | Maria José Fraqueza | Maria Mamede | Maria Petronilho | Maria Vitória Afonso | Miraldino Carvalho | Natália Vale | Pedro Valdoy | Rosa Silva | Rosélia Martins | Rui Ferrer Trindade | Silvino Potêncio | Susana Custódio | Tito Olívio | Vó Fia | Zezinha Fraqueza | … (actualizado no site)

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2 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 56 | Maio/Junho 2013 «A Voz do Poeta» Verão Altaneiros, os pardais cruzam o céu, a vastidão… Em alegres madrigais, esvoaçam em turbilhão. Os frutos em profusão refulgem, sem avareza. É na época do Verão qu’é mais bela a Natureza. Gosto sempre do Verão pelas tardes soalheiras… De ver bordado, no chão, o broto das sementeiras. Filomena G. Camacho - Londres Nasci na Primavera Nasci na Primavera e trago no peito, O doce perfume dos lírios e rosas No seu renascer num lindo canteiro Janela aberta à primavera em flor Nasci em Maio em chuvas de lendas Que caem de mansinho na Natureza De lágrima de mãe caindo no rosto que deixam alma um sabor a mar, e lavam a dor no seio maternal… Nasci na Primavera, em voos de quimera No chilrear mavioso dos passarinhos Que nos beirais fazem os seus ninhos Soltando hinos, melodias primaveris Nasci na primavera no mês de Maria E trago no peito salmos de amor fazendo poemas de sonho e magia Onde bailam sonhos de mocidade… Num painel pintado com tintas de saudade Nasci na primavera de manhãs risonhas Que enchem os campos de lindos florais Que formam paraíso, jardins divinais Nasci na Primavera, mas trago o esplendor Do sol dourado que desponta o dia Que solta na alma os hinos de amor O renascer da Flor – a minha Poesia! Maria José Fraqueza - Fuzeta Rosa de Maio (Dedicado a Maria José Fraqueza) É rosa de maio, Mulher de valor, Com alma de luz, onde brilham poemas Que exalam perfume, emitem os temas Dos hinos à vida, onde reina o amor. Os versos que escreve, com tanto fervor, São mil orações, resolvendo problemas De tempos e horas, memórias e lemas Guardados no peito, em supremo louvor. É mais que poeta, é artista e pintora. Tem dons elevados Rainha e Senhora! Venero os seus dotes, sentindo os seus planos. À rosa de maio eu curvo os joelhos. Madrinha, obrigada por tantos conselhos, Receba meus beijos, no dia dos anos! Glória Marreiros - Portimão A febre Não sei o que tenho estou a tiritar sinto-me tão quente devo estar doente quero-me deitar... Estou a tremer tanto não é só de frio também tenho medo sabe-me a azedo sinto um arrepio... Tenho tanta febre o meu corpo arde estou a transpirar para me curar talvez seja tarde... Estou tão sozinha tanta gente amei uns desapareceram outros já morreram outros já nem sei... Estou a desfalecer já nem vejo bem tenho tanta sede olho p’ra parede vejo a morte além... Não quero morrer nesta solidão sem um rosto amigo sem alguém comigo que me dê a mão... Sinto-me esquisita já não estou tão quente quero respirar mas falta-me o ar tenho a mão dormente... Já nada me importa aceito esta cruz quero adormecer parar de sofrer que se apague a luz... Adelina Velho da Palma Lisboa Chave da Vida Se a vida que nós vivemos Por nós fosse bem vivida Teríamos o que não temos E bela seria a Vida! As lutas e as batalhas Que assolam a Humanidade Fechavam-se entre muralhas De Paz e Felicidade! Tudo está nas nossas mãos, Sem quaisquer malabarismos Sem rebuço ou relutância: Basta sermos como irmãos, Esquecermos egoísmos, Concedermos tolerância!... Alfredo Louro Oliveira de Azeméis A Cigarra e a Formiga A Cigarra não trabalhou Ficou muito pobrezinha, Os seus desejos manejou Fez pouco da Formiguinha. Jorge Vicente - Suíça

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 56 | Maio / Junho 2013 | 3 «Olhos da Poesia» Mulher indomável (dedicado a alguém...) Com destino incerto e passos cansados... sozinha enfrentaste o extenso deserto que a vida madrasta de negro vestida aos pés te lançou ... e em noite de inverno o homem que amaste de ti te levou. Eu sei que sofreste e o riso perdeste... mas nunca deixaste que alguém te humilhasse e a honra comprasse com banhos de espuma sedas, dourados, e aromas comprados em Roma ou Paris. Ganhaste tremuras nos dedos das mãos... nas pernas ossudas varizes opadas... nos olhos a dor e a cor da saudade dos anos de amor dos beijos, ternuras que o tempo gelou com o frio da idade. Teus filhos criaste com zelo dobrado e amargos de boca! Trabalho suado... pesado o horário... leoa indomável por eles lutaste guerreira imparável e a luta venceste apenas usando salário precário e garras de amor. Bem hajas mulher! Ode à Paz Para no mundo haver PAZ Não deveria haver guerra Nem todo aquele que a faz Ser hospedado na terra. Para no mundo haver PAZ Luta com armas de amor Só assim conseguirás Fazer um mundo melhor. Para no mundo haver PAZ Em qualquer sociedade Há que em coesão veraz Dar mais sentido à amizade. Para no mundo haver PAZ Deste preceito carece É que tu sejas capaz Fazer que ela em ti comece. Euclides Cavaco - Canadá Sonhos de criança Eram crianças, brincavam, Parceiros nos mesmos jogos De fazer bolinhas de sabão, Saltar à corda e à macaca, À cabra-cega, lançar o pião, Com os sonhos que sonhavam. Sempre amigos e unidos, Como gigantes destemidos, Afastavam pedras e espinhos Que encontravam nos caminhos. Traçaram um rumo ao futuro E sempre juntos, sem hesitar Com seu amor inocente e puro, Sem que nada os pudesse separar. Mas o destino sempre caprichoso, Nas voltas da vida, fica inclemente: Mostra que o caminho é tortuoso, Para cada um seguir rumo diferente. São Tomé - Amora Universidade Sénior. Com excelsa graça n’aprendizagem É Filosofia de continuidade São elos unidos de alta voltagem Por alunos avançados na idade Um saber que não ocupa lugar Filos conhecimentos partilhados Luz de vela, lembranças por contar Alunos e Professores honrados Sabedoria, com escolas de ensino, Mas? Altos e baixos no seu destino Com ministério de mal a pior Indicadores de vida agradável Por uma vida, muito mais saudável No abraçar Universidade Sénior Pinhal Dias – Amora “Aqueles que por obras valorosas se vão da lei da morte libertando…” Luís Vaz de Camões A herança de um poeta Se a poesia é obra valorosa Como Camões o disse, sabiamente Se a humanidade serve, nobremente Como pode morrer o autor da glosa? Que este morrer não é fisicamente - Porque todos o temos como certo Vive na mente e no espírito aberto Dos que olham para lá do perecente. Enquanto na memória de um vivente Permanecer a verve de um poeta Então ele viverá eternamente. Não se finando o verso do asceta Assim se manterá sempre vigente A sua herança fértil e provecta. Eugénio de Sá - Sintra Abgalvão - Fernão Ferro

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4 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 56 | Maio/Junho 2013 «Confrades» D. Afonso Henriques Quando o século XII decorria E esta terra não era soberana Num condado cá do norte se fazia O começo da história Lusitana http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Dores Buscamos sempre edénicos regalos na eterna fuga ao mal que nos judia; aos prantos preferimos a alegria, como forma pueril de amenizá-los. O mal e o sofrimento, todavia, devemos com paciência assimilá-los, aceitando o amargor de tais abalos com dotes de prosaica simpatia. Às voragens da dor, sem fatalismos, imunes a ilações e a silogismos, é preciso descer para entendê-las. Nem ais blasfemos, nem medonhos trismos, pois só o que desce mudo a tais abismos encontrará o caminho das estrelas! Humberto Rodrigues Neto – SP/BR Veritas vincit Diz o que te vai na alma, ó “alma minha”! Pois nada é mais fiel que o sentimento que a alma dita e grita no momento em que se sente triste, assaz sozinha! Mas saibam que quem julga ou adivinha, quantas vezes não esquece o sofrimento de quem é julgado em injusto julgamento por aquilo que não foi ou feito tinha! Ah, como é fácil julgar um ser humano de acusações sem direito a defesa qual vítima d’inverdade ou puro engano! Mas há de chegar o dia, o mês, o ano em que a verdade vinga; e com certeza se verá que o julgador foi um tirano!... Fernando Reis Costa - Coimbra Afonso Henriques incutiu nos seus guerreiros Um espírito de audácia e valentia Augurando que seriam pioneiros Na construção do país que se antevia S. Mamede, Cerneja e Ourique Santarém, Palmela e Valdevez Foram testemunhos do despique Que glorificou o povo português Combatendo, deixou Moiros destroçados Movendo sua espada sem temor Ajudado pelos nómadas Cruzados Em nome de Jesus, o Salvador Prometeu aos seus parentes de Leão Ser submisso aos limites do condado Porém, o seu sonho foi mandão E o pacto que jurara foi quebrado Egas Moniz, seu aio e conselheiro Apresentou-se no reino de Leão P’ra expiar o pecado do guerreiro E do rei obteve o seu perdão Foi este Afonso Henriques fundador Da pátria a que hoje pertencemos Cognominado de rei conquistador Jamais na nossa vida o esqueceremos Fernando Marçal - Porto O Sonho Tarde Te encontrei! Tarde sonhei … Pequena réstia de Sol de Outono … Será que ainda é possível sonhar? Não será o sonho uma ilusão? Haverá ainda Luz na estrela que se apaga? Dolorosa espera … Suave brisa matinal… Leve crepitar da Esperança. Confiança Renascida. Sorriso de criança!!! Filipe Papança - Lisboa Ò Beleza tão antiga e tão nova Tarde vieste ao meu encontro… Sinto na minha pele o respirar de nostalgia que o vento sopra indiferente à saudade que me contrai os poros. Afluem-me secas e cansadas as memórias dos momentos floridos em canteiros de ilusões José Carlos Moutinho - Maia

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 56 | Maio / Junho 2013 | 5 «Retalhos Poéticos» Liberdade Nasci quase em segredo amedrontada Sou filha dum Abril e d’aventura Comigo iniciou nova alvorada Que pôs fim à mais longa ditadura ... Fui trazida pela mão de alguns bravos Sem sangue esta revolta foi capaz Trocando as suas armas pelos cravos Em sinal que este gesto era de paz ... Meu grito chamado Vila Morena Trazia no peito fraternidade E a promessa de liberdade plena... Instaurei o direito à igualdade Sou vossa, estou aqui...Valeu a pena Nasci p’ra todos vós...Sou Liberdade!... Euclides Cavaco - Canadá Candidato a Mendigo Fizeram de mim candidato a mendigo Os incompetentes lançaram-me no perigo Onde nunca eu pensei sequer cair Mas que não vejo uma porta para sair No Poder...uma seita miserável Que derruba tudo o que seja estável Só em prol da penúria do seu povo Em que tudo baralha e dá de novo Numa Colónia com o Poder cego Aposta-se o futuro no desemprego Ficando a plebe sem buracos no cinto Aos apertos da fome...e o que sinto É uma revolta contra tal canalha Que a todos nos quer na escumalha Zé Albano – Celorico da Beira Gente Ser gente… Ser alguém… Querer viver… Querer amar… E pensar… O mundo é feio… O mundo é ruim… É difícil viver… É difícil amar… Mas ninguém me derruba… Eu quero viver… Serei sempre gente… Serei sempre Alguém!... Lili Laranjo - Aveiro Meduso-me Eterno é o tempo de espera quem me dera que fosse nesta hora que os teus olhos e o teu sorriso se abrissem e me vissem a constância meduso-me em mares azuis lanço os meus braços acompanhando o compasso da inocência das ondas vestindo-me o corpo espero e não desespero só quero o tempo do balançar espreguiçar a mente nas ondas deste mar onde a minha alma bebe o tempo da firmeza para te poder abraçar Carlos Bondoso - Barreiro Brasil, Terra Amada Ó Gigante Adormecido, Bendigo o teu despertar. Quanto tesouro perdido, Pois no teu sono comprido Perdeste tempo a sonhar ! Alcandora-te no porte, E sacode a negra canga,* Que te deu tão triste sorte. Mais uma vez solta, forte, O grito do Ypiranga ! Sem medo de temporais, Percorre, audaz, novos trilhos. Agiganta-te inda mais, Com progressos colossais, Terra de três dos meus filhos ! À tua fama faz jus De ser rico e juvenil. Forte sempre te supus, Ó Terra de Santa Cruz, Ó meu amado Brasil ! Hermilo Grave – Paivas – Amora O Poema O poema vem da inspiração, Que se vive em cada momento, Escreve-se com crença e emoção, Com alma e pensamento... Na escuridão da noite, Talvez me afoite, Para melhor pensar, E o silêncio me ajudar... Até que a caneta ESCREVA! João Carlos V. Gonçalves (Quelhas) Suíça Sou alva manhã Cantiga ao entardecer Sou tudo o que cheira a pão Sou alma gémea da emoção. É como se o vento me conhecesse E a lua me calasse Ouço ao longe uma orquestra de búzios Conchas e castanheiros. Paulo Taful – Montelavar / Sintra

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6 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 56 | Maio/Junho 2013 «Confrades» Mulher Substantivo feminino singular Menina, adolescente, jovem, senhorita Mulher,esposa, consorte Cônjuge, dama, senhora São tantas as definições, Que exprimem situações Condições ou aspirações Até mesmo decepções Mas será que exprimem A essência da mulher? Em geral nascemos para amar Cuidar, proteger, amamentar. Somos fortes, aguerridas e bravas Na defesa de nossos rebentos Somos companheiras, cúmplices Donas de casa, profissionais, Por opção ou imposição Libertas no pensamento Nem sempre nas condições humanas Por isso ainda existem Amélias Pela dedicação integral Outras tantas Marias Da Penha pelos maus tratos De Nazaré pelos filhos tirados De Fátima pelos milagres realizados E outras tantas pelo mundo encontradas. Conquistamos espaços, Outrora negados ou Sequer imaginados Alcançamos respeito E Amor próprio e Por amor –até impróprioPercorremos longa estrada Todos os dias do ano Ao longo da vida inteira. Por isso ganhamos - não de graçaMas à custa de muita raça Um dia todo nosso Para muito pensarmos E a nós todas dedicarmos. Isabel C S Vargas - Rio Grande do Sul /Br A cor da vida A vida sempre será colorida, Mas poucos o querem crer. Uns fazem-na escurecida, Outros, Nem a conseguem compreender. Mas, As cores existem em cada vida, Para qualquer um de nós absorver, Sem mágoas e sem fadiga! São Tomé - Amora http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Rosas de Maio Maio é mês de Primavera, E de compassiva oração, Em que tantas rosas brancas, Se ofertam por devoção; Aos pés da virgem Maria, Peregrinos vão rezando, E lá na Cova da Iria, Rosas brancas vão deixando; As rosas de cor vermelha, Sinal de amor e paixão, São certamente o presente, Que conquista um coração; Florescem em belos jardins, Também num vaso ou canteiro, E seu perfume, entre todos, É das flores, sempre o primeiro; Suas pétalas nunca faltam, Sendo um sinal de bênção, Aos noivos que da Igreja, Saem em perfeita união; As rosas com seus espinhos, Muitas vezes fazem doer, Quando aqueles mais avarentos, Dos jardins as vão colher; Por ser flor tão delicada, Parece até querer dizer, Que mesmo sendo colhida, Com seus espinhos quer viver; Esta flor depois de seca, Dentro de belos jarrões, Enfeita as casas modestas, E até os grandes salões; Ninguém no mundo explica, A beleza de uma rosa, Toda a perfeição que tem, Esta flor…rainha e formosa. Autor: Luís da Mota Filipe (Anços – Montelavar – Sintra – Portugal) Menina moderna Menina bem comportada? Sem inveja de ninguém? Que sabe que é pobre a mãe A quem ousa pedir nada? Que não quer luxo ou riqueza? Com vontade de aprender? Existirá, com certeza, Mas ainda estou para a ver. Menina má, invejosa, Senhora do seu nariz Vemos nós (hoje se diz Que é voluntariosa!). Utiliza, abusadora, Os modos mais resolutos Deixando a progenitora A pedir, em dois minutos. Quer computador, iPods, Telemóveis de alta gama, Consolas, “mamã, ai podes!”, Até secar a teta, mama. Mas, quanto a biblioteca, Descansam época inteira Os livros na prateleira – Que estudar é uma seca… Lauro Portugal - Lisboa Alma Sonolenta Alma sonolenta Não consegue dormir Não consegue exprimir A dor que lhe atormenta Sonhos incoerentes Sonhos inconscientes Dormir, adormecer a alma Fazê-la então calma Mesmo com sono Alma de dom insano Ri-se do corpo cansado Ri-se do corpo exilado Na alma há revolução Tudo nela é ação Mas é preciso dormir Para não mais lhe sentir. Malubarni – V. N. Gaia

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 56 | Maio / Junho 2013 | 7 Confrade desta Edição « Ana Santos » Grito de esperança Quem me dera fechar a porta Quem me dera fechar aporta Ao Amor À dor E ao sofrimento Apagar palavras vazias Angústias sofridas Provocadas pelos meus lamentos. Senti o Mundo desabar E deixei de acreditar Num mar cheio de ilusões Escutei a voz da razão Segui a verdade do coração Descobri novas emoções. O Amor esmoreceu a realidade Pela mentira e falsidade Derrubei sonhos e fantasias Quem me dera fechar aporta Quando nesta vida já nada importa Num Amor sem cumplicidade, nem alegrias. Ana Santos - Vilar de Andorinho Quero Viver Quero viver Com Paz e sem Guerra Como as plantas e os animais Liberdade em toda a Terra Todos unidos, todos iguais. Quero viver Crescer e ser criança Amar e compreender O sentido da esperança. Quero viver Sem medo e com respeito Ser Jovem e entender Os meus erros e os meus direitos. Quero viver Lutar pelos meus sonhos Construir um Mundo melhor Secar lágrimas em todos os rostos Acabar com o sofrimento e dor. Quero viver Crescer como uma flor Florescer, amanhecer Espalhar o perfume do Amor Numa terra fustigada Pelo ódio massacrada No desejo de vencer. Ana Santos - Vilar de Andorinho O 25 de abril foi o dia da revolução Foi o renascer de uma nova liberdade Acabou a ditadura e a repressão Conquistada no direito da igualdade. O Povo cantou cânticos de fraternidade Expressou nas ruas uma revolta oprimida Libertou hipocrisia, mentalidades de falsidade Em atos de cobardia e violência escondida. Mas a ânsia de renovar esta “ sede” de mudança Fez esquecer o verdadeiro sentido do grito de esperança Reprimido no coração de um Povo massacrado. O sentido que motivou toda esta libertação Ficou destruído no desejo de poder e corrupção Numa política que deixa o pobre sem defesa e abandonado. Ana Santos - Vilar de Andorinho Desejo de Liberdade No silêncio da amargura Ouve-se um grito silencioso Que ameaça o que perdura Num coração triste e choroso. A dor cravada no peito Escondida pelo sofrimento São sonhos que ficaram desfeitos Num múrmurio de desalentos. Mas a mágoa e a revolta vai crescendo Na libertação da esperança que vai nascendo Numa vontade de contrariar a realidade. Um dia uma nova vida irá romper Na certeza que a violência vivida irá romper No desejo reprimido mas sedento de Liberdade. Ana Santos - Vilar de Andorinho

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8 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 56 | Maio/Junho 2013 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Quase Velho Quase velho Percorre o resto de seu caminho. Consigo traz uma indizível saudade Que não desapareceu no girar dum tufão, Enquanto a vê passar, Entre um raio e um trovão, Impávida e fria como um glacial. Longe vá o agoirento vendaval Que chicoteia e rasga Essa alma amargurada. Apraz-lhe torturar o infinito Mesmo por entre trovões E, consciente, lança eróticas amarras Enquanto permanece E assim perece Frustrado por guardar o seu segredo, Segredo que lhe traz tanto medo E que em ecos ressoa. Em lágrimas se derrama o luar. Homem, abre tuas asas e voa, voa. João Coelho dos Santos - Lisboa Alentejo E o bom pão que dessa Terra vem, é fruto de muito trabalho laborioso, feito por mãos de um povo valoroso, que amiude esquece o valor que tem. E com esse seu jeito: devagar e bem, tem dado sempre exemplo corajoso, ao enfrentar trabalho tão custoso em terra pobre, ou em herdades também. Planícies belas com cabelos de trigo louros, Terra de vinho que aos deuses foi servido, de sobreiros, calmo mar e bravos touros, Lugar de um povo calmo mas aguerrido que na linha da frente enfrentou os mouros e na luta pela Liberdade nunca foi vencido. José Jacinto – Casal do Marco Faz-me sonhar com o barco e o avião Enorme pássaro este passarão Ave barulhento de metal Vai e vem o enorme avião Leva e trás saudades é fatal Este vai para a América do Norte E leva encomenda da Terra Leva grogue e mel num pote Atum e bolacha e peixe-serra Leva a carta para o meu coração E na carta escrevi uma oração Pedindo o meu amor para rezar E saber desta saudade que faz-me amar E nostálgico ver e olhar para o mar Sonhar com o barco e o avião João Furtado – Praia / Cabo Verde Ser criança Dói-lhe pensar Que saltar nas pedras da calçada Faz chorar… São as rochas perigosas Que lhe detém a atenção Que a obrigam a cair Em momentos de maior distração. Criança alegre e vivaça Salta e escorrega na praça Divaga em seus sonhos Em conquistas de caça… Menina triste e cansada Chora e joga na rua Por onde passa calada Com dons de Senhora da Lua… Invadem-na…as lendas e os delírios Que levam o seu prazer inesperado Do limiar de estranhos peritos No contraste com o chão acabado. Ana Alves - Melgaço

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 56 | Maio / Junho 2013 | 9 “Cantinho Poético” Ser Mãe Ser mãe é ser projecto venial É ser matriz, ser actriz principal No preito à vida qual Deus o previu. Ser mãe é dar-se ao filho por inteiro Umbilical trajecto prisioneiro Do amor maior que a sorte já esculpiu. Ser mãe é ser versão imaculada D’uma mulher-amor nele consagrada À génese maior da criação. Ser mãe é tudo, é nada; é ser raiz É sofrer, é tremer, é ser feliz Amar só por amar, com coração. Ser mãe é ser consciência verdadeira É luta permanente a vida inteira É árvore-guarida protectora. Ser mãe é consagrar-se ao bem maior É tudo dar sem espera de penhor Que a espera assim seria redutora Eugénio de Sá – Sintra / Portugal Anoitecer Reflectem diluídos, em leveza, fluxos do poente a desmaiar! Soluça magoada, a Natureza, pla ausência do sol a fulgurar... Emerge a noite, com subtileza, Cobrindo ao cenário, o matizar! Soçobram árvores com tristeza, lançando, ao vento, seu pesar... E, no risonho afluído matutino, resplandece o orvalho cristalino, em miríade madrugada colorida! - Tudo ressurge, pelo sol nascente, num mágico êxtase, sorridente... túmida, a Natureza, arfando vida! Filomena Gomes Camacho - Londres No Céu Azul No céu azul deslizam as nuvens da inocência através das gaivotas sem destino por mares selvagens Também são amores sentidos na ingenuidade de uma criança que o vento leva coberto de ondas A passividade da vida transpõem o deslizar das águas serenas por praias irrequietas de um namoro serôdio. Pedro Valdoy - Lisboa Sentimentos Sofrimento, já chegaste. Nem à porta bateste e num ápice tu entraste, acompanhado pela saudade, vieste jantar na mesa da solidão e na paixão te debruçaste, com amor me levaste o ser que eu cheguei a amar, mas nem por instantes te sentaste, para que ouvisses a razão do meu tormento, deste-me a saudade e o tempo bastante, para que assim lembrasse esse amor tão distante. Com a tua cruel amargura feriste os meus sentimentos. Rui Ferrer Trindade – Venda do Pinheiro Simplesmente mulher Quando quero Os meus sentimentos São feitos de poesia... Bordados na madrugada Com essência rara … A minha alma transborda Brisa matinal e rosas. Quando quero Escuto o suspiro das coisas Cheio de formas E dos meus lábios rubros E atrevidos germinam Palavras melosas. Quando quero Entendo os ventos nocturnos Sou fêmea presente Vulcão ou gelo Fada ou diabo Teço versos e ofereço Perenes afagos…e sedução. Quando quero Tenho-te presente Sem nunca te ter conhecido Quando quero Sonho contigo e sinto-te Sem nunca te ter sabido Quando quero brinco… De me revelar… Quando quero Sou uma simples mulher… Penso Grito Caio E levanto-me! Telma Estêvão - Silves As voltas que a vida dá Durante o tempo em que vivemos Aproveitemos sempre o que pudermos Brincamos com aquilo que nos rodeia Sempre procurando ter outras ideias Crescemos, e ouvimos os conselhos Aprende-se a respeitar os mais velhos E quando se tem irmãos também A educação nunca fez mal a ninguém Se a vida nos proporciona uns passeios Aproveitemos conhecer outros lugares Veremos costumes bem diferentes Noutras províncias, noutras gentes Se pudermos ir por esse mundo fora Depois de conhecer aquilo que é nosso... É bom contactar outras civilizações Que nos darão certamente sugestões E não nos esqueceremos de as aplicar Para tornar o nosso país mais formoso Menos lixo, mais limpeza, mais vistoso No intuito de atrair turistas a nos visitar Fernanda Lúcia - Verdizela

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10 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 56 | Maio/Junho 2013 «Confrades» “Mea Culpa” Não há mais nada que te diga. Não há mais nada que me digas. É véspera de terça-feira E todas as luzes se apagaram; Até aquelas da esperança Que a semente deitada à terra Germinaria. Não germinou. Não germinou, Porque não tinha que germinar. De certo, a semente, Porque era antiga, Perdeu todas as propriedades, Enquanto fomos perdendo faculdades. De certo, não haverá terça-feira. “Mea Culpa, Mea Culpa, Mea Culpa” Ainda ontem me dizia, Quando em hora de estar comigo, Meditava e reflectia: “Mea Culpa, Mea Culpa, Mea Culpa” Nesta hora de segunda-feira, Nesta data sem mais dias, Somente o vazio das horas, O desencanto da monotonia, Porque a distância é infinita, O túnel uma escuridão, O caminho inacessível. Também se perdeu a ocasião E tudo é impossível. - Quantos anos se passaram, Desde a véspera de terça-feira? Não sei que dia era, Mas era véspera de terça-feira. Ansiavas pela terça-feira, Falavas de terça-feira... Mas tudo se precipitou, O destino sarcástico zombou de nós E nunca mais houve terça-feira. Nesta hora de segunda-feira, Faço retrocesso no tempo, Consulto o calendário, Olho os ponteiros do relógio, Mas nada me indica, Que exista a tal terça-feira. “Mea Culpa, Mea Culpa, Mea Culpa” Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Castelos de Nuvens!... Com pedras mil...com tanta saudade E tantas Infinitas cartas, em borbotões. Eu fiz mil Ligações de amizade, Levantei Castelos frágeis de ilusões... Construídos ao acaso,... em ócios de tenra idade! Todos foram destruídos pela amargura... Pelas faltas de carinhos, embora tamaninos. Por todas as coisas da vida, assim tão colorida. Dorida dos muitos golpes, tão sofrida... Fustigada pelos ventos, sem alentos. Cravados de tantos espinhos, - que de morte todos eram tão ferinos!... Tocados por mãos de ninguém, Vão caindo lentamente... Como alvo véu flutuante, Vogando ao sabor da corrente!... Mas há um momento real, E... eles caem bruscamente!... em mim, num repente. Então, eu sinto prazer enlevado, Quando os vejo lá do céu!... Imagens me veem à mente, Que longe andava ocupada (um tudo nada)... Pensando fico ao seu lado - P’ra reviver quem morreu! Silvino Potêncio – Natal/RN/BR Felicidade Distraída Cega, triunfante, alienada, Corre a Humanidade para o Nada! Tanta mágoa ao redor Da felicidade distraída… O futuro ainda não morreu! Redime-te numa simples prece, Lábios e mãos em oração. A alma em seu planar sereno Aspira ao infinito, que não é terreno. Reage à decepção de infundado júbilo. Do alto dessa poltrona Tu sabes que não envelhece Quem por Deus se apaixona. João Coelho dos Santos - Lisboa

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 56 | Maio / Junho 2013 | 11 «Confrades» O Chumbo do orçamento Chumbo do orçamento em Portugal Gera pelo Mundo inquietação São mais uns problemas afinal Que vão afetar muito a população. Abril volta de novo a Portugal Que esta crise é duradora Decisão do Tribunal Constitucional Foi para muitos assustadora. Registadas variadas reações Que marcam uma realidade Aguardam-se as opções Sobre mais esta contrariedade. Uma rebelião ponderada Que pode surgir de momento Com esta crise desmascarada Que não tem entendimento. Que se lixe essa troika Já são muitos a dizer Classificando de paranoica Que o povo muito faz sofrer. A política com tanta austeridade Os cortes vão ser extensos Tristeza é já grande realidade Que trás sofrimentos imensos. A União Europeia é culpada Devia ajudar mais Portugal No meio de tanta trapalhada Muito o Zé-povinho afinal. Deodato António Paias – Lagoa Êxtase Altas são as copas dos pinheiros que cantam embriagadas o teu nome, enquanto o vento errante as perpassa e traz para mim os resinosos aromas, que eu sorvo à noite, olhando as estrelas. São Tomé - Amora http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Agora Estou Deslendo... Agora estou deslendo o quanto li — do fim para o começo em transleitura que, vinda do passado, é uma mistura de hoje-amanhã em outro dejá-vi. Sim: estou descomendo o que comi por orifícios de outra contextura que faz tabela com visão futura como o eco do piar do bem-te-vi. É assim, meu amigo, que desleio, ou melhor: que meu tempo desfolheio para colher novas sazões e frutos. Quero chover em chãos secos e enxutos para me germinar no quanto era — já transvestido em nova primavera. Laerte António (LA) – SP/Br Saudades de todos Se quem vai é que leva saudades, Fui e levei saudades de todos Deste sítio e das capacidades De sua gente e de seus modos! Fui e levei saudades de cada um De todos em geral, e de nenhum Pude esquecer, na sua essência Durante toda a minha ausência. Agora amenizo saudades de alguns Que, na verdade, sentem a minha falta Que a minha alma viu na sinceridade duns; E agora, eis a minha presença em ribalta! Amália Faustino - Praia / Cabo Verde Faro. Corridinho é algarvio Com sardinha em Portimão Faro detém o desvio Com praias de solução Pinhal Dias - Amora Deus o nosso Criador. Deus o nosso Criador Por Ele tudo criado A vida tinha beleza Se não houvesse pecado. Seu primeiro Humano Que se chamava Adão Deu-lhe tanta perfeição E todo o Seu plano Mas este caiu em engano De um certo tentador Tornou-se pecador Assim nasceu o pecado Devia ter respeitado Deus o nosso Criador. E a sua companheira Para nos multiplicar Para a Terra habitar Não desta maneira Mas caiu na asneira Do fruto desejado Devia ter respeitado O que tinha pela frente A vida era diferente Por Ele tudo criado. O planeta que vive Na sua graça divina Tem luz que ilumina A vida que nós queremos Assim renasce e morremos Deixando toda a beleza Só nos resta a certeza A dor e sofrimento Com outro pensamento A vida tinha beleza. Os muitos seres viventes Em todo o reino animal As plantas é igual Mas todos são diferentes Todos dão as sementes Por Deus foi semeado Com Ele abençoado A vida tinha esperança Dizer não à vingança Se não houvesse pecado. Miraldino Carvalho - Corroios As lembranças vividas de bons momentos inesquecíveis farão com que os nossos sentimentos sejam sempre mais sensíveis. - Autor - Alcides Pelacani

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12 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 56 | Maio/Junho 2013 «Confrades» ‘’Saudade’’ http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Controvérsia Essa penumbra que tanto me encanta Ciliar, que os olhos te agiganta Como um gabão que te cobre o rubor Feito da maciez da caxemira Do tímido desejo que suspira Mostra-me o teu recato, o teu pudor Do azeviche que o teu cabelo espelha Asa de corvo vivo, qual centelha Brota cerúleo tom no ondular Por quente e brando zéfiro agitado E eu me quedo fremente, emocionado Sem mais de ti saber que admirar Pobre de mim, que nem sei mais que faço Do trívio nó em que mais me embaraço Porque a tua razão é controversa Ao dizeres-me c’os olhos que me amas Enquanto o gesto cala e não me chamas E a razão que eu quisera se dispersa E sem saber se me queres ou enjeitas Vivo as angústias das piores suspeitas No ermo que criaste, indiferente Nest’alma que se arrasta empobrecida mas que vive da esperança d'outra vida Que me faça sentir de novo gente Eugénio de Sá - Sintra Vejo a primavera nos teus olhos, o Verão no teu peito, com o sol a raiar, de alegria e felicidade e estar junto a ti, nesta saudade do Outono, em que as minhas lágrimas caiem, caiem por terra, como de folhas se tratassem. Num inverno de tristeza, por não te ter junto a mim, este frio congelante da agonia, de não te ver por perto, castigo vão, tormentos atrozes de desespero, que em nada, posso fazer, errei e não posso reparar o meu erro, feri e nada mais me restou. Mas, somente o meu coração partido, Me deu este desejo forte, de te ter junto a mim. Fernanda Trindade – Venda do Pinheiro / Portugal Noite da vida Nesta noite da vida somos iguais no viver A chuva cai; frígidos e molhados vem o dia Terrível sentir o ribombar; mesa sem comer Um cantar triste; tão dolorosa é esta poesia Bendigo o dia que minhas mãos sangravam Era o trabalho duro que me fazia crescer Pagavam-me, em casa os filhos não choravam Músculos ressaíam fortes; nisso sentia prazer Hoje sei que a tristeza se vence com trabalho Num canto do mundo precisam de nossas mãos A mente deve estar em dia; fora deste baralho Precisamos de comer e alegria; todos irmãos Cada dia dou de comer a passarinhos; são filhos Os filhos acasalaram; voaram; vivem contentes Quando em vez vem nos beijar; seus os trilhos Nossa; a chuva; as flores do jardim; e as mentes Damos sementes; dão entretimento as avezinhas Regamos; dão-nos cheiro e doce beleza as flores O pensar nos filhos; são os amores que adivinhas Assim noite da vida passa; amortecendo as dores Armando Sousa - Toronto Ontário Canada A Palavra Escrevo-a, pronuncio-a e …saboreio-a. Grata porque com ela me expresso, Me apresento, me digo… Estendo-a no papel, digito-a, repenso-a. Analiso-a, recomponho-a…medito! Medito sobre ela… Introspectivo-a. Quero que seja inteiramente fiel ao que sinto! Tem de ser absolutamente reflexiva Do meu sentir elementar, profundo, total! Só assim a reconheço, a valorizo! Cada letra é uma criação que respeito Q eu enalteço, que vivo! Cada sílaba, uma pré construção da vida!.. Cada Palavra…Uma Avenida! Felismina mealha – Agualva

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 56 | Maio / Junho 2013 | 13 «Tempo de Poesia» A noite deu-me uma estrela Fui à praia ver chegar A onda que me trazia Notícias de quem me chama Fiquei preso à cor do mar E senti da marzia O cheiro de quem me ama Fiquei preso à cor do mar E senti da marzia O cheiro de quem me ama Gaivotas bailam ao vento Num bailado que me diz Que o nosso amor não tem fim Pôs-se o sol sem um lamento A noite chegou feliz E sentou-se ao pé de mim Pôs-se o sol sem um lamento A noite chegou feliz E sentou-se ao pé de mim A lua estava encoberta Mas esperei para vê-la Só p´ra ver a sua cor Deixei a praia deserta A noite deu-me uma estrela Para dar ao meu amor Deixei a praia deserta A noite deu-me uma estrela Para dar ao meu amor Deixei a praia deserta A noite deu-me uma estrela Para dar ao meu amor . Letra de carlos Macedo Música de armando machado ( fado santa luzia ) ( arranjos de carlos macedo ) O Sol. Dia de Sol Flores vivas O azul No céu O olhar Perdido em ti. Albino Moura - Almada Diamantes... O Sol, com seus raios incidindo Nas gotícolas da chuva permanecendo Fazendo-as brilhar como diamantes Das folhas das plantas pendendo Também as gotas que se acumulam Suspensas no varandim frente à janela São como pedras preciosas que brilham Imagino em cada, uma jóia dentro dela Mas, à medida que o Sol vai aquecendo Essa esplendorosa visão desaparece As plantas não são mais sedentas Até nas varandas a poeira desvanece Os diamantes assim-se foram perdendo Nos meus sonhos e na minha imaginação Não eram mais que centelhas luzentes Que serviram para aquecer meu coração Fernanda Lúcia - Verdizela A Mãe De amor de mãe, em versos, tão cantado, O maior exemplo é da Virgem Santa Que, muda, vê, na cruz, que se levanta, Seu filho, pelas lanças, trespassado. No seu desfalecer, amargurado, Uma forte dor, no peito, se implanta, Com uma tristeza e amargura tanta Como nunca se vira em nenhum lado. De olhos chorosos, ela, então, confessa: - Eu sei, meu Deus, eu sei que esta promessa De morrer pelo homem, p´lo seu bem, Foi, por ti, decretada, por amor, Mas sou pobre mulher e a minha dor Nasceu ao dar à luz, porque eu sou mãe. A cigarra Asa de Lua Que essa asa de lua que me saúda e que passa para se encontrar com a tua na manhã que recomeça nos traga da paz a esperança leve longe a ameaça que sobre todos nós paira Deus ilumine os sonhos dos Senhores da Desgraça ilumine as suas almas como essa asa de lua que no céu divino passa lhes traga de novo ao peito seus corações de criança. Maria Petronilho – Almada Dona Cigarra anda na farra todo o verão. Chega o inverno e essa estação é um inferno, não há migalha (só há comida para quem trabalha). Há coisas sérias! Olha que a vida não é só férias! Dizem que canta, mas, francamente, pela garganta não vem cantiga, o som estridente sai da barriga! Lauro Portugal - Lisboa António Barroso (Tiago) Parede/Portugal

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14 | Os Confrades da Poesia | Boletim Nr 56 | Maio/Junho 2013 «Trovador» Trovas da Vida a Correr Eu nada espero do Homem Só serve pra destruir. É verem o que consomem Esquecendo o reproduzir. Se nada nos faz o homem, Eu aguardo uma mulher Que elas hoje pouco comem Para a elegância se ver.... Mulher não é solução Pra governar este Mundo. O que têm no coração Não serve pró "moribundo"... Tanta Troica a fazer contas, Eu penso em resolução. Logo, após, estejam prontas, Já vale a refundação?!... Pra ter uma solução, Não vamos ficar pasmados. Tem de ser do coração, Se não, ficamos tramados. Ainda tenho uma Fé De erguermos nosso País; Mas só Deus sabe quando é Que o povo será feliz. Temos de ser construtores, Reformar o que podermos. Deitar fora os maus gestores, Guardar o que obtivermos. Uma mulher na gerência Não seria muito mal. "Pintassilga" foi valência Ao governar Portugal. Os tempos não são os mesmos, Há mais olhos que barrigas. Mais ordem agradecemos, Nós não vamos em cantigas. Tudo é falta de granjeio... Como tantos não o nego; Já não há, segundo creio, Pra mandar cantar um cego!... Temos de ter mais vontade Pra podermos granjear; E com pura liberdade, Sem pensar abandalhar. Fartei-me de granjear E, para mais, tive gente A quem salvei um andar, Que "fogem" da minha frente... Não devemos deitar "palha" Pra quem é pior que burros. Se a memória não me falha, Depois ficamos aos "urros"... É verdade o que me diz, E custa não ter respostas... Fazer a gente infeliz E ainda de crise às costas. Não é bom facilitar, Nesta vida sem consolos Pra não ficarmos a olhar E passar inda por tolos. Eu não estou arrependida, Pois remorso vinha a ter Com sangue meu noutra vida, Que há pouco veio a morrer. Eu já não vou em cantigas, Os factos na vida ensinam. Eles são como as formigas, Enquanto não nos arruínam! Seria melhor, seria, Eu não estar naquela hora. O destino marca o dia, E o azar não se devora. A vida dá tantas voltas, Sempre com novos caminhos. Vamos pensar dar respostas, Deixemos de ser anjinhos. Não sou Anjo, nem sou santa; Sou, tal, como Deus me fez. Se, às vezes, minha alma canta, Também chora muita vez. Certo, que não é um Anjo, Mas pode ser uma santa; E não durma ao som dum banjo, Se quer vencer quem lhe canta. Santa de pau carunchoso Que até Deus já nem me quer Lá no Céu, que é tão formoso, Talvez por não o mer´cer. Santas de pau carunchoso, Pode vê-las nas igrejas. Eu, sendo muito teimoso, Prefiro as suas cerejas De cerejas sei que gosta Mais que á santa que me fez... Disso fazia eu aposta: Será santo português? Comemos do que gostamos, Enquanto temos vontade. Mas veja como ficamos, Com toda essa liberdade?! Trovas da vida a correr Nesta simples desgarrada, Até quando Deus quiser Será sempre recordada! Chegamos ao fim das trovas, Também passaram a correr. Mas já vi que demos provas, Pra mais, antes de morrer! JV Só Deus é que sabe agora O que nos dá de licença. Destino é que marca a hora, Mas não diz inda o que pensa CS Autores: Jorge Vicente - Suíça Clarisse Barata Sanches - Góis O ministro das Finanças, Vem com palavrinhas mansas Esconder brutos ordenados! Dos gestores de Nova Agência, P’la bruta conveniência, O Gaspar põe-nos tramados! João da Palma - Portimão

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 56 | Maio / Junho 2013 | 15 «Poemar» Dedicado ao dia do idoso Por eu te chamar um velhinho Não te estou a ofender Porque é longo o teu caminho E levou tempo a percorrer Muitos anos a sofrer Sem saber o que lá vem À espera de acontecer O pior que a vida tem Ao nascer somos alguém Levamos tempo a crescer Até partir p’ro além Temos muito que aprender Tu que dizes conhecer Tudo na vida vivida Nunca chegas a saber A saga nela contida A tua vida é merecida E qualquer uma tem valor Será mais enriquecida Vivendo em paz e amor Poeta “Silvais” - Évora A tua rua A tua rua cheira a várzea de ternura Na calma do luzeiro dos teus beijos Da tua janela colorida de desejos Desfraldam horizontes de ventura Nas fachadas há pedaços de saudade Como mastro alto de um passado Nas memórias do tempo ancorado Esconde-se o frescor da tua idade, Sempre foste a Deusa que abracei Na casa dos teus sonhos eu morei, Em estrela, onde paira a soledade... Só o escuro na calçada emudecida Traz mistérios calcados pela vida Sobre o olhar dilatado da verdade! Ferdinando – Germany Hino à Mãe Autor: Euclides Cavaco Intérprete: John Pimentel MÃE, poesia Num poema de versos de amor Mãe, sintonia Das palavras com doce sabor MÃE, carinhosa És suave e sorris sem mentires MÃE, generosa Tu dás tudo sem nada exigires. Refrão MÃE, luz divina meu doce bem Como tu não há mais ninguém Serás sempre minha mãe querida MÃE, eu por ti Irei mais além Palavra mais bela que o mundo tem Tu és todo o sentido da vida. MÃE, com candura O meu rosto em teu peito descansa MÃE, só ternura E afecto me deste em criança. MÃE, mãe infinda Serás sempre por mim muito amada MÃE, rosa linda Num jardim a mais delicada. MÃE, minha aurora És a jóia mais bela que existe MÃE, protectora Só tu sabes quando eu estou triste MÃE, minha guia Tu és vida e esperança sem fim MÃE, que alegria Era ter-te sempre junto a mim !... Refrão Partiste… Do ventre pátrio de tua mãe! Escorraçado pelo vento solar … na quietude dos dias longos. Partiste…! Pela sombra dos caminhos (des)feitos em pó… Partiste…! Em lágrimas vertidas em chão de pedra! Enleado em braços armados ao vento Partiste…! Em socalcos de parábolas… Que para ti inventaram… Versos invertidos na espuma dos dias. Manuel Gonçalves da silva – Fogueteiro Quando a melhor das minhas lágrimas me brota Quando a melhor das minhas lágrimas me brota, O meu sorriso se esgueira em suas águas E se dilui no meu olhar... e ninguém nota Que o meu amor já destruiu todas as mágoas. É sempre assim: silenciosa e aconchegante, A emoção vai me tomando por inteiro E a tristeza, num espasmo derradeiro, Sucumbe à paz que me habita nesse instante. Constato, então, que se prisão das amarguras Liberta a vida através da emoção, O coração transborda pleno de ternura E se a ternura é que preenche o coração, A melhor lágrima de cada criatura É sempre aquela que afaga... a solidão. Luiz Poeta – Luiz Gilberto de Barros Rio de Janeiro – Brasil

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