Osconfradesdapoesia59

 

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Boletim Poético

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VI | Boletim Bimestral Nº 59 | Novembro / Dezembro 2013 www.osconfradesdapoesia.com - Email: osconfradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» SUMÁRIO Confrades: 4,6,8,14,19 A Voz do Poeta: 2 Olhos da Poesia: 3 Retalhos Poéticos: 5 Tribuna do Poeta: 7 Cantinho Poético: 8 Bocage: 10 Tempo de Poesia: 11 Trovador: 12 Poemar: 13 Faísca de versos: 15 Contos / Poemas: 16,17 Pódio dos Talentos: 18 Ponto Final: 20 EDITORIAL O BOLETIM Bimestral Online (PDF) "Os Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono"; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia»  Pódio dos Talentos pág. 18 Pinhal Dias Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Paginação: Pinhal Dias - São Tomé A Direcção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador; Conceição Tomé - Vice-Presidente / Fundador Redacção: São Tomé - Pinhal Dias Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Alfredo Louro | Ana Santos | Anna Müller | António Barroso | António Silva | Arlete Piedade | Carlos Bondoso | Carmo Vasconcelos | Clarisse Sanches | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson G. Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Afonso | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Glória Marreiros | Henrique Lacerda | Hermilo Grave | Humberto Neto | Humberto Soares Santa | Isidoro Cavaco | João Coelho dos Santos | João Furtado | João da Palma | Joel Lira | Jorge Vicente | José Jacinto | José Verdasca | Lili Laranjo | Luís Filipe | Luiz Caminha | Maria Brás | Maria José Fraqueza | Maria Mamede | Maria Petronilho | Maria Vitória Afonso | Miraldino Carvalho | Natália Vale | Pedro Valdoy | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Susana Custódio | Tito Olívio | Vó Fia | Zezinha Fraqueza | … (actualizado no site)

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2 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 59 | Novembro / Dezembro 2013 «A Voz do Poeta» Ventura Esperança para duas vidas Agradecimento Há quem diga que a ventura Anda no mundo perdida Mas vem a quem a procura Com veemência na vida. Ventura é felicidade Que alguns têm ao nascer Outros nem por veleidade A chegam a conhecer. A ventura nos transcende Não se estuda nem se ensina Não se compra nem se vende Nem se sabe onde origina. Se há um destino traçado Que o ser humano emoldura Que outorgue ao desventurado Ventura de ter ventura !... Ontem... Ontem, perdi as ilusões de ser feliz Pensei... que depois do adeus, te veria de volta Mas, bárbaro destino; nenhum de nós o quis! Depois de ontem... Ontem, esquecido o norte, barco à solta Sem leme, sem vontade a dar-me rumo Já nem um esgar assumo, de revolta. Um ano depois de ontem... Ontem, vi-te num bar; queres um café? Como vai tua vida, estás feliz? E as mãos se deram, sem saber porquê. Prezado e amigo Confrade Uma alegria me destes Na nova edição que há de Gratificar o que fizestes. Na «Tribuna do Poeta» In Boletim cinquenta e oito Página sete cuja meta É dignificar qualquer intróito. Estou muito sensibilizada Com a vossa seleção Minha escrita nela içada Partilha vossa boa ação. Viva Confrade Pinhal Dias Foi grande o meu espanto No fundo minhas alegrias Pai, Filho e Espírito Santo. Que não morra o que escrevo Em tábuas sem pergaminho Por todo o meu enlevo, Já tive tanto carinho. Euclides Cavaco - Canadá Eugénio de Sá – Sintra Rosa Silva ("Azoriana") Meu Futuro Sinais da idade Vou pintar meu futuro de esperança E pôr-lhe asas azuis, da cor do céu, Para atingir o sol, se houver bonança, Sem ninguém ver, oculto por um véu. Será, porque assim quero, apenas meu, Já que o passado foi, desde criança, Luta minha, que a sorte pouco deu, Mas passei a ter já mais confiança. Quero beber a luz de cada aurora, Chorar cada minuto de demora Plas coisas que no tempo já perdi. Não sei quanto me resta. Quero só, Até ser finalmente outra vez pó, Gozar tudo o que ainda não vivi. O verso já não flui com à vontade, As rugas, o meu rosto, vão sulcando, A noite, já mais cedo, está chegando, E há mais recordações da mocidade. No peito, cresce, agora, uma saudade, Cabelos brancos há, mas rareando, E, aos poucos, um inverno se instalando, Promessas de trovões e tempestade. Sinais, tantos sinais que a vida dá, Que vão surgindo aqui, ou acolá, Mas sempre com condão, ou com virtude De esclarecer, em mim, grande dilema, Devo, ou não, elaborar novo poema Se inda há, no pensamento, juventude? Tito Olívio - Faro Tiago Barroso - Parede

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 59 | Novembro / Dezembro 2013 | 3 «Olhos da Poesia» Divagando Já não sei o que dizer Ao meu Amigo Pinhal Para além das heresias Por falhar em escrever Por ter ‘stado em Hospital Como disse ao Pinhal Dias Vontade e inspiração Confesso que não me falta O que me falta é o tempo A par da disposição Que tanto e tanto me exalta Quando falho ao Passatempo Para escrever Poesia Que tanto é do meu agrado P’ra inserir no Boletim Mas há-de chegar o dia Que já não ‘steja acamado E as dores cheguem ao fim!... Uma palavra de apreço A “OS CONFRADES DA POESIA” Por quem tenho muita estima E a todos vós eu só peço Que aceitem a cortesia De eu ser amante da rima São quase três da manhã Mas não me quis ir deitar Sem escrever estes versos E agora com a mente sã Vou dormir para arrumar Os pensamentos dispersos Alfredo Louro - Oliveira de Azeméis Para satisfazer o pedido do nosso Confrade e Amigo Pinhal Dias a quem justifiquei a minha dificuldade de momento face a doença e pequenos acidentes que me retiveram durante algum tempo que muita falta me fez. O meu abraço generalizado a todos os nossos Confrades, do Amigo Alfredo Louro Eu e Ela Eu e ela ouvimos os ecos de nossas almas Não querendo saber do entardecer do ser. De amor fizemos vida, numa cantiga Sem interrogação ou dúvida A que a eternidade estende o seu tapete. Não sei se falei, se adivinhei ou se quiseste, Sei que vieste até mim, Que novo tempo se iniciou e outro chegou ao fim. Na melodia de um perfeito dia Abjurámos mentiras e traições. Sob cântico luminoso da lua Fizemos promessas vivemos o sonho… Eu e ela! João Coelho dos Santos - Lisboa O Mundo do Futuro Eu vejo na linguagem do futuro O homem brincando pelo espaço Ergue-se pela noite feita de aço E esconde o luar atrás do muro. Choros nascem da austera mágoa Que se arrasta triste num suspiro. No entardecer do luto, eu respiro, A idade com olhos feitos de água A juventude não trajou futuro Nem o trigo chegou a ser maduro Queimado pela retina da idade. Há gemidos nas ruas a meu lado, Como punho de raiva incendiado Aniquilando o brado da verdade. Ferdinando - Germany Do Meu Livro "Curriças de Caravelas Trovas Comentadas" A minha terra é mesmo linda, é eterna! - E já vem de monte a monte, Dos "Mouros" tem a “cisterna” - E dos Romanos ela tem a fonte! No Adro eu joguei à bola, - Do baptismo à primeira comunhão!... Lá brinquei, no Largo da Escola, --- E ali eu fundeei o meu coração! De lá eu parti ainda bem “nobo”, A caminho da emigração!... Mas nunca encontrei um “pobo” Assim .. para se amar com emoção! Para a Marianita Entrelace Mesmo a maior caminhada Começa por um só passo Nunca a matriz da pegada Antecipe o teu cansaço. A uma cadeira agarrada Antevejo o primeiro passo Com sapatinhos calçada Virá com o ano que faço Se acreditas na jornada Caminha sem embaraço Crê, sempre, que à chegada Te espera o terno abraço. Eu acredito, gente amada Vou criando o meu espaço Sentir-me -ei transportada Pela ternura com que o faço. Desistir…Não…Por ninguém. Recebi o teu recado Vou segui-lo aqui e além… Por aquilo que vivi Caminho determinada Bebé, segura de si. Versos Ímpares Eduardo Versos Pares Maria Vitória Sonho Louco És a luz no infinito E o sonho em que acredito Poder contigo encontrar; Faço poemas na rua Com os retalhos de Lua Que vejo no teu olhar. Grito mais alto que o vento Porque trago em pensamento Esse amor que tanto quero, Neste silêncio que é meu, Onde apenas vivo eu E a toda a hora te espero. Dizer que te amo é pouco Ao viver meu sonho louco Numa ilusão permanente; Até nas ondas do mar Eu oiço pronunciar Teu nome constantemente. Tenho na alma esculpida Essa tua imagem qu’rida, Que já não posso apagar Deste meu destino estreito, Que vegeta no meu peito Sem asas para voar. Isidoro Cavaco - Loulé Silvino Potêncio - BR

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4 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 59 | Novembro / Dezembro 2013 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Panelas de Ferro Crise Humana O Materialismo Afundou-se. O dinheiro não vale nada. Tudo obteve Anto. Mas, agora No fim da estrada Monetária E financeira Que acabou sem chegar ao cabo dos juros, nesta hora que ainda não passou, para já A GM já faliu E a Chrysler foi-se embora Até o Presidente já falou. E agora gemem Os pneus, À porta das Misericórdias da Boa Hora De Nossa Senhora. A quem bateram com a porta Outrora. Quando era chique Estar de fora Da Oração A Nossa Senhora Da Conceição. A História repete-se E volta sempre à Religião. Sonho Louco És a luz no infinito E o sonho em que acredito Poder contigo encontrar; Faço poemas na rua Com os retalhos de Lua Que vejo no teu olhar. Grito mais alto que o vento Porque trago em pensamento Esse amor que tanto quero, Neste silêncio que é meu, Onde apenas vivo eu E a toda a hora te espero. Dizer que te amo é pouco Ao viver meu sonho louco Numa ilusão permanente; Até nas ondas do mar Eu oiço pronunciar Teu nome constantemente. Tenho na alma esculpida Essa tua imagem qu’rida, Que já não posso apagar Deste meu destino estreito, Que vegeta no meu peito Sem asas para voar. Isidoro Cavaco - Loulé Panelas de ferro à roda da fogueira, Contam lindas estórias de verdade, Como era no tempo da pederneira, Quando não havia gás e electricidade. Como com grande alegria e emoção, Ao fogo de lenha tudo se cozinhava: O almoço, o jantar e até o pão. A panela de ferro preta e luzidia, Se enchia de couves, batatas e feijão, Tudo tinha mais sabor que hoje em dia. São Tomé - Amora Voltaste! Dizias ter voltado para sempre, Sempre prometendo permanecer na minha vida, Vida que por ti toda se descoloriu, Descoloriu entre enganos e repisados abandonos, Abandonos ingratos e inexplicáveis, Inexplicáveis são hoje teus lamentos, Lamentos que agora não me massacram a alma, Alma ferida mas rainha da coragem, Coragem em pronunciar avidamente não, Não quero! Volta ao teu mundo fingido. ADEUS. Luís da Mota Filipe. (Anços-Montelavar-Sintra-Portugal) Quem sou como sou … Como sou? Não sei como sou… Dizem que sou forte… Que luto… E que venço… Mas venço e perco… Mas luto e luto… Os braços não descem… Porque tento vencer… E é bom chegar ao fim… E sentir que venci… Mas muitas vezes… Luto… e luto… E nada consigo… Porque o que quero… Está longe…e não atinjo… Mas não desisto… Sei que sou teimosa… Mas porque quero… Hei-de lutar… E talvez conseguir!.... Lili Laranjo - Aveiro José Jacinto (Casal do Marco) Noite Lenta, caminha a noite…em passos de solidão… De vestes negras, cingida…despojada de dulçor. Canta o rugido do vento!... Cicia a desolação!... E, a Natureza, abraça sem pressa…no seu langor… Nasce a noite de mãos vazias… cheias de nada! Escorrendo entre os dedos enfado…escuridão… Quieta…espera o esplendente raiar d’alvorada, Que a dissipa suave…lânguida…com lentidão… Amor sem “limites” de idade O Amor de minha mãe E o de quem me acarinha É o melhor que a vida tem Seja criança ou velhinha Silvais – Alentejo Filomena Gomes Camacho - Londres

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 59 | Novembro / Dezembro 2013 | 5 «Retalhos Poéticos» Saudades de outros Natais Ah, como eu queria agora Esses Natais de outrora… Ter de novo os entes queridos, E vê-los todos reunidos, À volta da mesa natalícia, Saboreando cada delícia. Nessa noite redentora. Eram diferentes esses Natais Cheios de tradições e rituais… As chamas fortes, crepitantes, Das grandes achas na lareira Aqueciam a casa inteira. E durante o longo serão, Lindos contos de Natal, Eram narrados com devoção. Havia os Jogos do Rapa e do Pião, Que as crianças felizes jogavam, Sentadas no meio do chão. Depois da missa do Galo, A ceia e os doces tradicionais, Com aromas de cravo e canela. Sob um céu bem transmontano A neve fria, vinha bater na janela E dentro de casa muito calor humano. Deixar os sapatinhos na chaminé Para Jesus deixar as prendinhas, Mas somente para as criancinhas. Ah, como sinto saudades desses Natais! São Tomé - Amora Ao talentoso amigo Quelhas “O nosso amigo Quelhas P’la sua nobre missão Merece rosas vermelhas E preito de gratidão. Por difundir Portugal Deve sentir-se orgulhoso Da sua Terra Natal Que é a Póvoa do Lanhoso. Um verdadeiro altruísta Mui genuíno e com arte P´lo seu trabalho conquista Amigos em toda a parte. O seu empenho na Net É a mais bela moldura Quão notável que reflecte Padrões da nossa cultura. Tudo faz sem exigir Nada por tudo o que fez O Quelhas faz-nos sentir Orgulho em ser Português. Que continue a acender Na cultura estas centelhas P’ra sempre poder dizer Obrigado amigo Quelhas!...” Cuidado! Amigos tenham cuidado Ao acariciar a mulher, Um ser meigo delicado Pode em ponto rebuçado De tão doce derreter. É preciso acautelar Toda a mulher é ternura, Ao remexer ao tocar Com meiguice devagar Com jeitinho e doçura. Mulher é tal uma flor Na sua graça e beleza, E numa flor há que pôr Suavidade e amor Muito carinho e leveza. Aires Plácido - Amadora Euclides Cavaco London – Canadá Fama proibida Inscrevi-me num reality show de TV, Queria muito ganhar fama, Fui escolhido para o programa, Agora tive de renunciar! - Sabem porquê? Não quero revelar meu segredo, nem partilhar… i-magina Quelhas - Suíça Mãe dos Pecadores Oh, Virgem Nossa Senhora, Mãe de Jesus Ajuda-nos a suportar o peso da nossa cruz Na esperança de transformar o nosso coração Faz-nos aceitar os nossos erros e defeitos Libertando as mágoas, injustiças e preconceitos Neste Mundo cruel, fechado ao Amor e ao perdão. Oh, Virgem Nossa Senhora, Mãe dos pecadores Ampara os oprimidos e todos os sofredores Acolhe com o Vosso olhar maternal os abandonados Acalma aqueles que sentem a dor na solidão Enxuga as lágrimas dos que choram por ingratidão Protege e Ama aqueles que por Vós é abençoado. Amor falso Se tiveres amor à vida Não ames a falsidade Porque fazem-te a partida De te amar sem ser verdade Poeta Selvagem - Alentejo Ana Santos - Vilar de Andorinho

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6 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 59 | Novembro / Dezembro 2013 «Confrades» Um amor desprezado Quando no peito o coração se entrega Aos créditos que um outro nos merece Da nossa vida então tudo se esquece E um conjunto de credos se congrega Mas quem nos encantou depois nos trai C’o um desamor jamais imaginado Que muda por completo o bem sonhado E nos em nós tudo se parte e se contrai Que a dor é muita e o desprezo feroz Faz-nos sentir um nada, uma migalha Sem vontade, sem fé, não somos nós! Mas longe de pensarmos no canalha Com ganas de o esmagarmos como noz Inda pedimos que Jesus lhe valha Eugénio de Sá - Sintra http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm De Uma Lisboa Esquecida Das ondas, das maresias Dos mares, dos rios Das canastras, das varinas Dos barcos, dos pescadores Das vielas, das guitarras Dos fados, dos destinos Das revistas, das canções Dos teatros, dos aplausos Das tertúlias, das declamações Dos poetas, dos Cafés Das sinas, das sortes Dos pregões, dos cauteleiros Das floristas, das feiras Dos arraias, dos mercados Das rosas, das sardinheiras Dos cravos, dos manjericos Das esquinas, das calçadas Dos Pátios, dos azulejos Das praças, das fontes Dos jardins, dos namorados Das janelas, das varandas Dos telhados, dos beirais Das rezas, das procissões Dos devotos, dos amantes Das saudades, das paixões Dos amores, dos corações De uma Lisboa… esquecida Luís da Mota Filipe Anços / Montelavar / Sintra E o caldo fica entornado O Pedrinho puxa a corda o Paulinho não tem cuidado um dia se o Zé acorda o caldo fica entornado No seu barco imaginário o homem do leme na borda para cumprir o calendário o Pedrinho puxa a corda Á deriva vão andando ou o barco está parado ? naquilo que vai falando o Paulinho não tem cuidado Eu não fico descuidado com medo que algum me morda pode estar tudo estragado um dia se o Zé acorda De sofrer mais nas suas mãos o pobre Zé está cansado um dia vai-lhe dar nãos e fica o caldo entornado. Os Nossos Jovens (De Martinhanes, Penilhos e Tacões) Jovens tenham cuidado!... Nunca se deixem viciar Não se queiram embebedar Mantenham uma postura Façam sempre boa figura Tenham muita atenção Mantenham a perfeição De uma nobre juventude Com esmerada atitude Para enaltecer a geração. A bebedeira é prejudicial!... É um vício complicado Nunca dá bom resultado Envelhece e trás doença No meio familiar desavença Muita complicação no lar Incompreensão familiar Na vida muita complicação No casamento alteração Porque trás um mal-estar. Vivam com humildade!... A juventude credenciada Grande parte formada Um exemplo na sociedade Seja verdadeira realidade A geração dos académicos Não poderão ser pindéricos Devem trazer esperança Uma vida com bonança O exemplo de beneméritos. Evitem os aborrecimentos!... Não a traição e violência No meio familiar paciência Cuidem da sua auto-estima O humano instruído prima Façam uso dessa sensatez Sejam jovens com altivez Tenham carácter e seriedade Sejam homens de verdade Não façam figura de pequenez. Deodato António Paias - Lagoa Esperança Natalícia No princípio era o verbo. O verbo estava junto do pai. E o verbo fez-se carne. Nascido do ventre de Maria Arca Salvífica, Ele é a paz, A justiça, A verdade, O bem, O amor. Alegria beatífica Surpresa magnífica Espírito que se liberta Igreja que nasce Corpo místico Esperança Natalícia. Filipe Papança - Lisboa Monsaraz (Alentejo) Azul o céu e branco o casario — azul azul azul e branco branco. O céu é limpo-limpo, claro, franco, as casas de um pacífico alvadio. Aqui de há muito o tempo perde o cio de voar, correr lonjuras... ficou manco ou fez um travesseiro do tamanco e já faz muito e muito que dormiu. Longa tristeza bordejada de águas — águas e longes... mais não sei que nas pinturas a cal de Monsaraz. Uma saudade sobre o longe e além... de alguém com os olhos na amplidão voraz a esperar longamente quem não vem. Laerte António, Casa Branca –SP-Brasil Natal Mendigo Natal lembra um novo rebento, Esperança que o mendigo sente Triste alegria que se faz semente Fé convertida, novo advento. Natal estrela que lhe alumia Por mais que lhe sofra a dor parida Molhe o rosto a lágrima furtiva. É menino, caminho que nos guia. Natal é partilha do pão dormido Que aplaca a fome do desvalido. É felicidade quase certa. Até que soe o sino da manhã, Que volva mendaz a esperança vã. Sonho vai. O mendigo desperta. Luiz Eduardo Caminha- Florianópolis - Brasil Chico Bento - Suíça

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 59 | Novembro / Dezembro 2013 | 7 Confrade desta Edição « Adelina Velho da Palma » O Astrólogo Formou-se em astros por correspondência nunca os olhos ergueu pró firmamento, diminuto é o seu conhecimento e muito fraca a sua inteligência... Graças a cunhas e certa aparência administra um consultório de vento no qual explora sem constrangimento os que acreditam na sua ciência... Desenha pretensas cartas astrais faz previsões menos que triviais dizendo-se um astrólogo humanista... Mas não é mais que fraude badalada que não sabe fazer nada de nada exceto assim viver… como um chupista!... Bulimia Devora tostas, bolachas e pão, ataca a fundo a manteiga e o queijo, ingurgita ao som de gorgolejo bebidas doces com gás à pressão... Nem mastiga, tal a sofreguidão de saciar da gula o vil ensejo, e só abranda este ofegante arquejo quando se sente em total repleção... Mas a calma mal dura um breve instante pois recusa sofrer o aviltante rescaldo do excesso cometido... E usando um método radical provoca em si a rejeição total do que foi tão vorazmente engolido!... O Sem Valor Irrompes do vazio em qualquer lado tão amigável como um predador, debitas sem atino e sem humor incapaz de permanecer calado… Arremetes o teu arrazoado contra tudo e todos, com desprimor, nem compreendes que és um maçador que só por cortesia é tolerado… Convencido de que és muito engraçado insistes sem cabeça e sem pudor provocando embaraço e enfado... Todavia, não és um impostor, pois mesmo arvorando-te em magistrado é óbvio que és um tolo sem valor!... Só por ti P’ra onde fores também quero ir, p’ra escola aprender contigo as lições, p’ro recreio, andar aos trambolhões e do resto do mundo escapulir... Só por ti inda consigo engolir o amargo de minhas refeições, só por ti aguento os safanões com que a vida me tem vindo a punir!... Só teu olhar me infunde alguma luz como se através de ti Jesus tocasse o fundo do meu coração!... Só por ti eu prossigo o meu caminho ciente de que o dar-te carinho da minha existência é a razão... A Apresentadora A apresentadora é muito linda pintalgada com azuis de tinteiro untada com massa de vidraceiro com ar de quem foi posto na berlinda... Com a sua eloquência nos brinda ficando no ar um minuto inteiro no qual debita em tom altaneiro a frase com que aos píncaros nos guinda... A entoação é exagerada a voz é gutural e arrastada e tolo o olhar que sobre nós poisa... A apresentadora tem futuro pra trepar neste mundo puro e duro e está apta a fazer qualquer coisa!... Anulação Ao pé de ti eu não sou como sou visto a pele de alguém bem diferente pois se fosse como sou realmente não podias ficar aonde eu estou... Não me opondo a que estejas onde estou consinto em comportar-me como ausente de vontade e opinião dormente imune à enormidade que te dou... Se tivesses alma suficiente eu não abdicaria do que sou e tu encarnarias outra gente... Mas não consegues ir aonde eu vou por isso quem avança para a frente sou eu – não sendo aquilo que sou!...

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8 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 59 | Novembro / Dezembro 2013 «Confrades» Afectos cruzados Afectos não costumam ser cruzados, São singulares, simples e singelos, Nascem nos corações, puros e belos, Vivem sempre, do amor, acompanhados. Quando eles surgem, são, então, guardados No mais forte de todos os castelos, No peito, com cuidados e desvelos, Para que nunca possam ser roubados. No entanto, numa ou noutra ocasião, Sucederá, decerto, uma excepção Que altera o cruzamento dos afectos. É quando o filho diz, à casa, adeus E começa a mostrar os filhos seus. E fica, o cruzamento a ser com netos. António Barroso - Parede O Refugiado Um pequeno refugiado, ao lado da mãe cadáver, que já não o escuta Chora, soluça, faminto e esquelético. À sua sorte foi abandonado. Sua mãe, em permanente disputa Em tão desumano teatro bélico, Morre, por comida, ter procurado . Seu pai, a vida, deixou no conflito Que, em metralha, todo o Mundo devora Com suporte legal, em tanto exército Na consentida e vil tirania Que poderosa, pelo Mundo aflora. Não tem coração quem a fome cria E conscientemente espalha a guerra. De que vale escreverem-se poemas E fazer da morte grande notícia Quando o ódio, sua arma aperra Tornando grandes, pequenos problemas? Só, o refugiado, já não chora Frente à fria indiferença do Mundo. Do seu frágil corpo, a vida partiu Com o silêncio, que aquela hora Se transformou num grito bem profundo Que só agora a Humanidade ouviu. Edgar Faustino - Correr D’Água http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Rituais Perversos Aqui, onde a razão é escarnecida E a Lusitânia tem raízes fundas, Megeras há que urdem, furibundas Feitas com bruxos c'o a alma vendida No palco cai o manto e os celerados Fazem do mal o lema que os condena À mais vil condição quase obscena Das lesmas que carregam os seus fados Na podridão da cátedra que inventam Para ocultar as mentes truculentas Escondem os restos que ainda os sustentam Que mais hás de pagar, que essas ventas Fauces horríveis, garras que desventram Inda te habitam, pátria, inda os ostentas? Eugénio de Sá - Sintra Embrulho Embrulhei-me num embrulho, Fiquei assim embrulhada. Quis desfazer o embrulho, Mas fiquei mais embrulhada. Pus o embrulho num canto, Perdi o canto do embrulho. Fiz de tudo uma embrulhada, Perdi até o meu canto; Ficou dentro do embrulho. Ando assim desesperada, À procura do embrulho! De campainha na mão, Subo escada, desço escada, Chamo, chamo, pelo embrulho, Espreito pelo corrimão, vejo só uma embrulhada. Cremilde Vieira da Cruz – Lisboa Saudade Tenho saudade da minha infância Do meu tempo feliz, alegre de criança Que guardo com carinho no meu coração Recordo as brincadeiras simples e divertidas A minha avó sempre pronta a pregar partidas Numa cumplicidade que me enche de orgulho e emoção. Tenho saudades de ter a família toda junto à mesa Do paladar gostoso das comidas e sobremesas E das conversas feitas com respeito e sabedoria Tenho saudades da palavra valer mais que o dinheiro E do vizinho ser amigo e companheiro E das pessoas viverem pobres em Paz e harmonia. Ana Santos - Vilar de Andorinho

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 59 | Novembro / Dezembro 2013 | 9 “Cantinho Poético” Folhas de Outono ll As folhas triste de Outono, Caídas no chão se enlaçam, Pisadas ao abandono Só entre elas se abraçam. Caídas no chão dispersas, Voltarão na Primavera, Avivadas com promessas, Como uma nova quimera. Renovadas ano a ano, São bonitas a valer; Com elas não há engano, São folhinhas de bem-q´rer. Fizeram a estação, dando uma lição moral E nós, ao fim da missão, Teremos outro final. Jorge Vicente - Suíça Natais de doce lembrança Natais da minha infância Vejo-os na longa distância Do tempo que já passou… Eram Natais tão singelos Despertavam-me anelos Doce lembrança ficou… Na adoração ao ungido Exultava-se o Divino Com cânticos de louvor Ao Deus menino nascido Na cabana de um pastor… As ruas se iluminavam Com estrelas do oriente A cintilar na noite fria E a estrela mais brilhante A boa nova trazia… Por vezes a branca neve Os velhos telhados cobria E o espírito de Natal Dentro de mim se acendia! São Tomé - Amora As Flores… Do Negro Alcatrão Espantado, agachei-me para apanhar, A linda flor que no negro alcatrão estava a nascer, Mas parei, pois uma vozita interior me dizia p’ra parar, E também… que uma tal coisa eu não deveria fazer. E mais me disse… que ela ali tinha ido parar, Pois o destino, ao vento pediu para as sementes espalhar, Ajudando assim a florir de novo o que o homem mudou… Porque esta sociedade, que tem os campos abandonados, Trouxe o homem p’rás cidades para lá ficarem entaipados, Entre os monstros de betão, que ele próprio inventou. E hoje, para lhes criar uma falsa ilusão, As luzes e plantas artificiais são a sua nova invenção, Para serem felizes, e até nem protestar… Mas as crianças, Senhor, não são disso as culpadas, Por isso, as sementes tem vindo a ser espalhadas, P’ra trazerem a beleza, onde só a tristeza está lá a morar. J. Carlos – Olhão da Restauração Veleiros Branquinho Certo veleiro branquinho Cansado de andar sozinho, Conquistou uma canoa; E feliz o tal veleiro, Passa a Almada e ao Barreiro, E volta ao cais de Lisboa. Se a canoa anda no Tejo O veleiro dá-lhe um beijo, Para lhe dizer que a ama; Muito felizes depois, Vão bem juntinhos os dois, À ponte Vasco da Gama. E ali em frente ao Montijo, Num qualquer esconderijo, Ficam sós, a namorar!… No seu ar enfeitiçado, Ficam os dois lado a lado, Sem pressa de regressar. Porque a bordo do veleiro Vai um jovem marinheiro, Que ama a dona da canoa; Que é uma jovem artista, E a mais bonita fadista, Das vielas de Lisboa! Isidoro Cavaco - Loulé Paz, Alegria e Ternura No despertar do cintilante Natal Que a paz, a alegria e a ternura Façam deste planeta real O inverso de choro e amargura Que a humildade feita verdade Aproxime os seres humanos E em gestos de mais igualdade Se apaguem marcas de enganos Despontem mil presentes e abraços Tamanhos embrulhos, fitas e laços Entre o sonho e a doce fantasia O tempo deseja-se de harmonia De afectos que agora partilhamos Na comunhão das rimas que criamos Luís da Mota Filipe (Anços-Montelavar-Sintra-Portugal)

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10 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 59 | Novembro / Dezembro 2013 «Bocage - O Nosso Patrono» Jesus Cristo o desejado Jesus Cristo o desejado Um dia há-de voltar E para dar luz ao mundo Ele vem para governar As escrituras sagradas Onde lá se pode ler Isto pode acontecer Naquelas horas marcadas Pessoas vão ser julgadas Pelo mal do seu pecado O justo vai ser premiado É a sua recompensa Para fazer a diferença Jesus Cristo o desejado Por Deus será enviado Para governar a terra Onde o mal e a guerra Tudo será acabado Mundo vai ser um estado Não é preciso votar O justo vai ter lugar E viver no paraíso Aqui fica o aviso Um dia há-de voltar Não haverá grito nem dor Nem ricos nem pobreza Será grande a surpresa Quando chegar Senhor Trás a paz e o amor Com sentimento profundo O pecador fica no fundo Na terra não tem lugar Por isso há-de chegar E para dar Luz ao mundo O mundo será diferente Diz a bíblia sagrada No que diz é respeitada É lida por muita gente É fruto que dá semente Que Deus soube semear O tempo quando chegar Na hora prometida O mundo com outra vida Ele vem para governar Miraldino Carvalho - Corroios Sentimentos Os sentimentos são íntimos, Não os quero no papel… Expõem-me demasiado – Dúvidas, incertezas, Amor, desamor, E todos tão irmanados. Voo alto, em nuvens brancas, E como faz a cegonha, Volto sempre ao meu ninho, Onde o apoio é total, E me é dado de mansinho. Preciso de segurança, Neste mundo conturbado, E preciso de viver. Mas para quê falar disso Se é difícil descrever Os ambíguos sentimentos Que afloram em mim? Segurança ou liberdade? Já não sei. Perdi-me a deambular. Se procuro, não me encontro…, Nem sentimentos perdidos, Neste navio da vida Que me traz só amarguras… E me busco a mim somente. Encontrar-me-ei? Talvez, Se eu for capaz – Natália Vale - Porto Mulher modelo És mulher, amor – ternura, Um pecado, um sofrimento E andas a ser meu tormento Nesta paixão que perdura! Chama-lhe, sim, aventura Que pra mim és amor terno A lembrar amor materno Com essa alma tão pura. Dá-me também alegria Para que eu me sinta bem; Como eu disso gostaria! És mulher, amor – saudade, Tudo que a vida contém Pra viver na Eternidade! Jorge Vicente – Suíça Meu Olheiro de Saudade Meu Olheiro de águas mansas... que vão correndo p'ró mar Recordo aquelas crianças No rio das suas esperanças Nele se iam banhar! Meu Olheiro de águas mansas... Chorando pela Mocidade... Onde banham louras tranças Meu Olheiro da Saudade! Meu Olheiro de águas mansas Que vão correndo p'ro mar Tuas mulheres já não cansas Estão fartas de lavar! Meu Olheiro de águas finas Por ti eu vou suspirando No sal das tuas salinas Mil lágrimas vou derramando Meu Olheiro de águas finas Estás votado ao abandono As tuas mulheres ladinas Já não banham as meninas Já não lavam a brancura Estás carpindo uma amargura Chorando pelo teu dono! Em temos que já lá vão Meu Olheiro da Saudade, Onde as tuas raparigas Desafiando cantigas São musas de inspiração Ó Rio do meu coração Rio de amor que me enleias Nele cantavam sereias Lindas canções de embalar! Como o branco de açoteias... Lindas toalhas de mar... Os lindos lençóis de renda As lavadeiras são lenda! Eterna "moura" a chorar! Lágrimas choradas no rio Musas de inspiração Cantavam ao desafio Em tempos que já lá vão! Meu Olheiro da Saudade! Que canta dentro de nós Onde está o teu cantar Que tanto deu que falar? Que pena! PERDESTE A VOZ! Maria José Fraqueza - Fuzeta “Eu gostava de morrer Um dia no meio do mar P’ra terra não me comer E os peixes alimentar” Silvais - Alentejo “O Cristo não ensinou A fazer mal a alguém Morro “pobre” porque sou Mais “rico” do que ninguém” Silvais – Alentejo

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 59 | Novembro / Dezembro 2013 | 11 «Tempo de Poesia» Humilde Te Peço Meio Sonho Recomeçar Humilde Te peço, meu Senhor: - Envolve-nos com Teu Amor, Para que o perdão e a bondade Transformem a desvairada Humanidade. Ajuda Te peço, meu Deus, Ajuda esses tristes filhos Teus Que perderam a Esperança Cega, dos seus tempos de criança. Deus bondoso e clemente A Ti reza Tua gente E suplica o Teu perdão Por virar costas a seu irmão. Graças Senhor, eu Te dou Por ser assim, como sou, Um ser que em Ti confia Quer de noite, quer de dia. Sei que Teu filho, Jesus Cristo resgatou, O preço da nossa circunstância. Meia noite, meio sonho A outra metade por sonhar Num sono reparador Onde a vida quero reciclar Em todo o seu esplendor Nas noites que não dormi Por mim o tempo passou Serenatas que eu ouvi Na tua voz que as cantou Por ruas de esperança Procuro o que nos separou Levo comigo a lembrança Do tempo não vivido É loucura, não tem sentido Seguir por onde vou Meia noite sem dormir Meio sonho por viver Serenata dolorida Que nem eu sei entender Meia noite, noite comprida Tempo do sonho resgatado Susana Custódio – Sintra João Coelho dos Santos - Lisboa Um dia assim Hoje sinto-me assim “Nem pão cozido nem para cozer” Isto é, não tenho vontade de nada. Logo hoje, que está um dia lindo de sol. Vou ter que contrariar o corpo e a mente… Por vezes é preciso - assim seja Depois vos conto o que aconteceu. Ora cá estou eu para vos contar. Sabem, valeu a pena, Em qualquer situação Vale sempre a pena Reagir com determinação. Foi o que fiz Reagi. Quem se entrega, baixa os braços Indolentemente, Perde o controlo da mente. E, quando a mente nos domina É ela que determina. É preciso contrariá-la Dizer-lhe quem manda… Foi o que fiz – reagi E fui por aí Dono do meu destino, Senhor da minha vontade. Comprei um jornal e fui até ao jardim, Sentei-me por lá, com um olho no jornal E outro nos gatos que por lá vivem, E quando dei por mim Estava com os dois olhos nos gatos, enlevado… Enlevado, embevecido, E feliz por ter reagido. Aires Plácido - Amadora Recomeça na vida ir e vir é caminhada a idade não para e se cansada faz algumas pausas pelo caminho… recomeça é outono outra vez mas na verdade o outono pode ter felicidade velhice pode ter cumplicidade e amor não tem hora não tem vez… recomeça a mocidade partiu e já vivida é passado e toda a nossa vida com ela se foi restou o sumo… recomeça que importa que o verão tenha passado e o inverno nos espere em qualquer lado com amor há sempre um novo rumo!... Maria Mamede - Porto Cartas... À sombra duma promessa cartas de amor escreveste cartas longas e doridas, cartas escritas à mão... frases gemendo saudades com pontos de int’rrogação sobre o tanto que sonhaste e o tanto que não tiveste... Cartas tristes e chorosas com linhas de indignação letra tremida e molhada que disfarçar não pudeste... cartas abertas p’lo vento porque ao vento as remeteste em noites frias de chuva, endereço... a solidão! Cartas dolentes, perdidas, cartas não lidas, rasgadas... cartas com beijos, sem línguas, a desnudar a paixão ao abandono das noites, cartas no chão amassadas Cartas sem dedos ousados a transpirar sedução sem o prazer delirando entre coxas desvairadas cartas sem luas azuis, escritas a sós... e à mão! Abgalvão – Fernão Ferro

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12 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 59 | Novembro / Dezembro 2013 «Trovador» Quadras á toa... Pousadas no parlamento há muita ave canora a cantar sem sentimento e a fazer merda cá fora! Quem se julga inteligente só por ter a testa larga é parvo e inconsequente e acaba em burro de carga Há Marias sem encantos e Manueis sem coração... há Anjos que não são santos e Santos que não o são! Na vida de qualquer um há muita esquina a dobrar e é quase sempre comum sorte ou azar se encontrar. Tu dizes que a inf’licidade te persegue aqui e ali... não será porque a maldade bebe o seu veneno em ti?! Quem quer tudo nada tendo só por milagre o terá! Se a saúde for mantendo já um milagre será! Tinhas a testa enrugada das razões... não me falaste! Será que a tens enfeitada e escondê-lo procuraste?! Chuva miúda se diz só os parvos é que molha mas vê-se tanto infeliz que a suporta ser ter escolha. Disseste que eras honrado mas nunca o mostraste ser! Tens “canudo” até mestrado de imbecil...me quer parecer! Não dês razão à razão sem ter razão para a dar quando a razão, sem razão, a razão quiser calar Abgalvão – Fernão Ferro Passamos aos Santinhos Vamos passar aos santinhos, Depois de ontem em bruxedo A ver se com uns pozinhos… O Passos cai em degredo… Dia de todos os Santos A data, assim nos diz Pedimos a todos quantos, Defendam nosso país! Andam coelhos e portas Fechados a cem ferrolhos… Baralhando ideias tortas… Em frente dos nossos olhos! Precisamos cadeados, Loquetes e fechaduras P’ra enjaularem os diabos E as severas criaturas! Venham daí os Santinhos! Católicos e jeovás… Tracem-nos novos caminhos, Com mais pão, amor e paz! João da Palma - Portimão Por muito que sopre o vento, Por muito que a mão nos trema, Há sempre um entendimento Nos versos dum bom poema. Eu nada sei, nada valho, Mas juro p´los santos meus, Que já vi gotas de orvalho Que eram lágrimas de Deus. A fortaleza se mede No enfrentar da verdade, Ser forte não é quem pede Mas quem o dá, de vontade. É dado, num longo abraço, Conselho para um amigo: - Faz sempre aquilo que eu faço, Mas não faças o que eu digo. Se a gaivota, o dia inteiro, Anda em terra sem voar, Tem cuidado, marinheiro, Há tempestade no mar. Primeiro, negaste-me a boca, Depois ficaste sedenta, Vê lá bem, não sejas louca, Pois nem oito, nem oitenta. Dois velhinhos, paz discreta, Numa total união, Ele, para ela, é muleta, Ela, para ele, é bordão. Este mar que nos abraça, E, com fúria, nós tememos, Anda a rir-se da chalaça Dos governantes que temos. Tanto mistério fizeste Do meu rogo apaixonado, Que agora que respondeste Há muito que estou casado. Festa de rico é esplendor, Com traje de cortesia, O pobre, tão rico de amor, Faz festa só de alegria. Por um beijo, sou pedinte, E adias, com altivez, Mas sempre o dia seguinte Tem amanhã outra vez. Toda a gente, pobrezinha, Que busca um pouco de pão, Pode entrar em casa minha, Não tem porta nem portão. Um grande exemplo de amor Deu Jesus, na cruz, sofrendo: - Perdoai-lhes, meu Senhor, Não sabem que estão fazendo! Mandaste esperar, esperei Dias, meses, anos tais, Que, sendo avô, já não sei Se te devo esperar mais. Alguém, triste, me dizia: - Flores de espinhos, formosas? Mas eu só sinto alegria Por espinhos terem rosas. António Barroso - Parede Perda de Especialidades Não! Ganha em vez de perderes, Não percas valor moral... São os mais nobres deveres De um verdadeiro Hospital! Vás perder Especialidades? Não faças tal, ouve então! Repara as necessidades Dos doentes de Portimão! Para Faro, essa distância? Não nos queiras empurrar! Tem muito mais importância, Quem se precisa tratar! Sr. Director nos olhe! Faça vingar a verdade! Todo o Hospital se encolhe, Enquanto cresce a cidae? Não acredito que o faça... Seria leviandade! Fazer crescer a desgraça... Travando a Felicidade! “Uso prata e uso oiro E uso o meu coração P’ra alguns valho um tesoiro P’ra outros nem um tostão” Silvais – Alentejo João da Palma - Portimão

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 59 | Novembro / Dezembro 2013 | 13 «Poemar» Mesa a razão dos encontros hoje apetece-me escrever coisas banais mas descobri que não é tamanho o pensamento as palavras estão gastas cansadas das coisas vãs que bem ficam a minha obsessão esvai-se neste caminho para a solidão a mesa está farta mas um copo vazio a causa de um arrepio à gente que come à gente que bebe em silêncio uma garrafa vazia já nada diz a razão dos encontros nos dias fechados os afectos olhares no tempo corações partidos sonhos antigos já esquecidos uma silhueta na sombra que se transforma a luz divina um filho que se tem outro que dorme chegam mais quinze não sei de quem usam gravata outros botões o ego farto é dos comilões na mesa lisa pintada de negro passa a fome atormentada corre tudo ao escurecer já nada se vê nem se lê cantam as aves da vida noturna dou a mão e não sei a quem..... Carlos Bondoso - Alcochete Pelo Fresco da Manhã Abre-se uma sombra, junto a uma árvore. O sol mostra-se agradado, com o fresco Da manhã, azul anil - um azul só ali nascido, Para os jovens, que, em algazarra, vão até à escola. Salta uma bola, de uma mala descuidadamente aberta. E em ajuntamento, crianças encerram-se em casas Quadradas -com passeios e escadas desniveladas Pois nunca houve tempo, para cuidados maiores. E ei-los que chegam, espaçadamente, os pássaros. E as primeiras pessoas, desenham o dia, a preencher. Gente bonita, solta o cabelo e arregaça as mangas. Que cada um já tem seu desígnio marcado, a ferro, na carne. Mas as flores não se deixam intimidar, com a mesmice E soltam seus olores mais sofisticados Quem sabe se não é o que era mais preciso aqui: Um dia contado, como se fosse a existir, a qualquer instante. Jorge Humberto – Stª Iria Azoia Sinos de Natal Já tive Natal de todas as formas. Quando criança, cheio de expectativas, Porém com muitas dificuldades E, algumas decepções. Mas, sem mágoa ou rancor. Cresci. Procurei compensar as faltas Ao presentear meus filhos. A festa era da criança Que em mim permanecia. Tempos felizes! Brinquedos em abundância Sorriso fácil, felicidade nos corações. O tempo passou. No Natal Menino Jesus levou minha mãe! Tristeza. Lágrimas. Outro Natal passou. A vida seguia seu curso. Quando as luzes da esperança Pareciam tornar a brilhar, Meu menino virou anjo. Morri! Achei que jamais retornaria. Escuridão total em meu coração. Mas aos poucos fui revivendo Nos brotos de vida que foram surgindo: Nasceram três anjos para iluminar Minha vida tão sofrida. Meus netos: Otávio, Francisco, Augusto. Os sinos de Natal tocaram em meu coração... Isabel C S Vargas - Rio G Sul / Br Alma Matther( Poema Mãe) Para Lara Alves Alma pura! Em sonho de liberdade. Entre retratos em branco e preto! Um sonho... Uma vida! *** Acorda e sonha... Um sonho de mulher Que grita: - Sonho em ser Mãe! *** Alma Matther em transcendência! Alma pura que diz: - Quero ser Mãe! *** Um sonho de mulher. Alma pura que brada Aos quatro ventos: - Vou ser mãe! Samuel da Costa – Itajaí / BR

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14 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 59 | Novembro / Dezembro 2013 «Confrades» O Bailarico Poético A Poesia anda a bailar Dos meus tempos de menina Nunca paro de dançar Sou como a onda ladina. Neste meu baile mandado Ando a cumprir minha sina Com ela eu canto o fado Na paixão que me domina. A Poesia anda a bailar Mas que grande tentação Ando sempre a navegar Neste batel de ilusão! A Poesia dança comigo Faz parte duma rotina E sempre p’ra meu castigo Faz de mim uma bailarina! A Poesia dança comigo De forma bem atrevida Expulsá-la não consigo Faz parte da minha vida! No poético bailarico Que a sorte me destina Parada é que eu não fico Por falta de adrenalina Maria José Fraqueza - Fuzeta http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm A tua imagem Olho a tua imagem e me deleito Com a beleza que tens em tal esplendor. Sinto pulsar teu coração em lindo peito Num corpo feito ternura e muito amor! E quase que me sinto até sem jeito… Ao ver em ti a mulher e a flor Que outro viver me dera, satisfeito, Esquecendo, enfim, a minha antiga dor! Tão bela como és, só sei que não existe Mulher tão completa e d’alma pura Nem alguém que tenha tal candura! Feliz é quem te ama e não desiste, De venerar a tua imagem de ternura Em tão profundo amor quase loucura!... Fernando Reis Costa - Coimbra Confiança Quando nasce uma amizade Ela brota com a esperança Que entre os amigos há-de Ser sincera a confiança !... Vem o amor e depois Sagra-se com aliança Para selar entre os dois Recíproca confiança... Confiança é qualidade Que inspira mútuo respeito Em salutar lealdade No seu mais puro conceito. Ter confiança é riqueza Que todos nós deslumbramos De confiar com firmeza Em quem a depositamos. É sem ver acreditar Com íntima segurança É não ter que duvidar Quando existe confiança. É virtude a confiança Que deverá ser mantida Desde os tempos de criança Sempre até ao fim da vida !... O Menino de Belém Que lindo que é O Menino O Menino de Belém! Olhando pra São José E prá sua Mãe, também! Naquelas palhas deitado O seu sorriso encanta! Gostam de o ver destapado Ninguém lhe puxou a manta! Ai! Meu Menino Jesus Geladinho mas contente! Alegre, cheio de Luz, A Luz que alumia a gente! Os Anjinhos e pastores Lhe cantam com alegria! São os mais ternos amores Neste encanto de magia! Reis Magos vêm com prendas Que o agregado agradece! Todos trazem oferendas Enquanto O Menino cresce! Vamos louvar O Menino Nosso Rei e Salvador! Já nasceu como Divino Para nos dar muito amor! Bento Tiago Laneiro – Amadora Euclides Cavaco - Canadá Nesta época é assim Na época das eleições e com os tachos nas miras ouvem-se falsos pregões e chorrilhos de mentiras Querem matar os desejos ter no bolso fáceis tostões até nas velhas dão beijos na época das eleições Tudo aquilo que prometem são papéis feitos em tiras sabemos bem que só nos metem e com os tachos nas miras Fazem lembrar uma alcateia a uivar aos serões e de aldeia em aldeia ouvem-se falsos pregões Quando tudo terminar de não os veres te admiras ficam promessas no ar e chorrilhos de mentiras. Chico Bento - Suíça Poesia é Magia Quando na mente do poeta A poesia acontece, Logo, como uma seta, Na sua mão, aparece Lindo buquê de flores, Das mais variadas cores, E do qual, brandamente, transparece Música e harmonia! Por isso, eu digo aqui, a poesia É, sobretudo, um ato de magia, E o bom poeta, seja ele qual for, É, sem favor, Um exímio, um grande prestidigitador! Hermilo Grave – Paivas / Amora

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 59 | Novembro / Dezembro 2013 | 15 «Faísca de Versos» Pobreza Envergonhada Num crescendo imparável, os rumores Circulam pelas ruas, em surdina… Quem pensa que a Nação não se amotina, Nunca sentiu na pele as suas dores! Há pobreza real em cada esquina E cinzento encoberto em falsas cores, Denunciado em rostos sofredores, Cujo sorriso mente, não combina… Uma Nação que vende os seus valores, Caminha a passos largos p’rá ruína, Presa nas garras vis dos Predadores! Com uma língua suja, viperina, Constroem um “país” nos bastidores, Assente em fundações de cartolina… Carlos Fragata Alvorada de Abril As Reformas do Cavaco Mote: Não chegam para as despesas As reformas do Cavaco O que dirão as pobrezas, Que não “coalham pataco”? Glosas: Não chegam para as despesas Com queixas desagradáveis Não se apercebe das tristezas Das reformas miseráveis! Deviam levar um corte… As reformas do Cavaco Faz-se valentão e forte Nem se apercebe do fraco! Grandes indelicadezas, Com os milhares faz cenas… O que dirão as pobrezas, Apenas só com centenas? Come “dentro da gaveta” Para não lhe verem o “naco” O que farão os “sem cheta” Que não “coalham pataco”? O bronze da história Ali... Nas esquinas sujas por dúbios prazeres onde candeeiros dão luz à desgraça... servem-se vontades de homens e mulheres vendem-se promessas por qualquer valor e dá-se a juventude ao vício... de graça! Nas ruelas tristes, com frias arcadas onde o dia é vida, sem qualquer fiança, onde a noite esfria toda e qualquer esp’rança... dormem corpos débeis nas duras calçadas e entre urina,trapos, cartões e bolor se atrofiam mentes, matam-se ideais. Abgalvão Mais um Abril que brota Nas asas duma gaivota Inda receoso às vezes De não ser compreendido No seu mais lato sentido Por todos os portugueses. Há ainda muita gente P’ra quem ele é indif’rente E até mesmo não diz nada Sem justiça e sem razão Têm d’Abril a noção Apenas data frustrada !... Mas Abril é a conjura Que derruba a ditadura Dum poder ultrapassado Sem política ou partidos Restitui aos oprimidos O seu direito sagrado !... No seu sentido maior Marca o fim e o furor Da déspota austeridade Na acpção peremptória Abril é data da história Que instaurou a liberdade !... Euclides Cavaco Tem nobreza o verdete acumulado Em mil anos de história portuguesa Mas nada tem de nobre ver vergado O justo orgulho às marcas da vileza Pátria de sacrifícios, que mais querem Que dês a esta terra bem amada? - Se o sangue já lhe deste ao te pedirem Qu’em Alcácer e La Lys fosses pisada Que mais hão-de pedir-te, Portugal Se já te enfileiraram na pobreza Se já estás entre as vítimas do mal? Mas vais erguer-te pátria, que é letal Essa indómita força, essa firmeza Que te fazem pôr fim ao surreal! Eugénio de Sá Eu Quero novas forças novas asas soltar amarras das caras e vidas consumidas eu quero novo alento e fino entendimento se aliviar as nossas vidas as minhas simples trovas cantarei de novo rompendo as madrugadas para que o sol, piedoso, clareie e inflame de esperança e de alegrias as nossas vidas. Maria Petronilho - Almada João da Palma

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