Osconfradesdapoesia61

 

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Boletim Poético

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VI | Boletim Bimestral Nº 61 | Março / Abril 2014 www.osconfradesdapoesia.com - Email: osconfradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» SUMÁRIO Confrades: 4,6,8,14 A Voz do Poeta: 2 Olhos da Poesia: 3 Retalhos Poéticos: 5 Tribuna do Poeta: 7 Cantinho Poético: 8 Bocage: 10 Tempo de Poesia: 11 Trovador: 12 Poemar: 13 Actual corrente Poética: 14 Faísca de Versos: 15 Contos / Poemas: 16 Reflexões: 17 Pódio dos Talentos: 18 Trono dos Poetas: 19 Ponto Final: 20 «Dia Mundial da Poesia 21/3/14» «Primavera» EDITORIAL O BOLETIM Bimestral Online (PDF) "Os Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono"; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia»  Pódio dos Talentos pág. 18 Trono dos Poetas pág. 19 João Coelho dos Santos Euclides Cavaco Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Paginação: Pinhal Dias - São Tomé A Direcção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador; Conceição Tomé - Vice-Presidente / Fundador Redacção: São Tomé - Pinhal Dias Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Alfredo Louro | Ana Santos | Anna Müller | António Barroso | António Silva | Arlete Piedade | Carlos Bondoso | Carmo Vasconcelos | Clarisse Sanches | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson G. Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Afonso | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Glória Marreiros | Henrique Lacerda | Hermilo Grave | Humberto Neto | Humberto Soares Santa | Isidoro Cavaco | João Coelho dos Santos | João Furtado | João da Palma | Jorge Vicente | José Jacinto | José Verdasca | Lili Laranjo | Luís Filipe | Luiz Caminha | Maria Brás | Maria José Fraqueza | Maria Mamede | Maria Petronilho | Maria Vitória Afonso | Miraldino Carvalho | Natália Vale | Pedro Valdoy | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Susana Custódio | Tito Olívio | Vó Fia | Zezinha Fraqueza | … (actualizado no site)

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2 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 61 | Março / Abril 2014 «A Voz do Poeta» A Razão do meu viver Mulher O Vento Sinto arder no meu peito Tanto sonho já desfeito, Por momentos não vividos; Restam saudades guardadas Que lembram contos de fadas Nesses sonhos esquecidos. Que foram minha ilusão, Hoje são cinzas da paixão Onde há saudades de dor, Lá na minha alma fechadas Onde as lágrimas salgadas, São as marcas do amor! E a nostalgia começa Quando a saudade tropeça, Nas minhas horas sem sono; Na solidão dos meus passos Apenas vejo fracassos, Tristezas e abandono. Sonhando sempre contigo Nesta ilusão que persigo Onde nada tem valor; A vida me transformou, No farrapo que hoje sou, A mendigar teu amor. Vou morrendo pouco a pouco Sonhando o meu sonho louco, Nesta esp’rança de te ver; Tu és meu vinho e meu pão, Porque tens no coração, O amor que sonho ter! O teu desprezo diz tudo Neste silêncio tão mudo, Sem nada p’ra me dizer; Nesta minha solidão Eu sinto na tua mão, A razão do meu viver… Isidoro Cavaco - Loulé Cântico à noiva do mar - Fuseta Afinal, quem és tu mulher? Nesta longa caminhada, Galgas os degraus da vida, Mas murchas como uma flor, Quando és incompreendida. Tu que és só dedicação, Só ternura, só amor, Quantas vezes prisioneira, De tiranos sem pudor; És esposa, mãe, amiga, Teu ser grita igualdade; És às vezes foragida, Da própria identidade. Inda diz o dicionário, Que és da classe inferior? Mas como fêmea do homem, Geraste filhos com dor, E no teu ser mais profundo, Vibraste com a alegria, De teres parido poesia, E de amamentares o mundo. Não... não és fraca... tu és forte Tem orgulho em ser quem és; Vive a vida... saboreia-a... Vê bem onde pões os pés; Foste feita para amar, E também para servir, Tens o Céu no teu olhar, Choras quando queres sorrir. Ser mulher é estar presente; Deixarás de ser mulher. Se vives num mundo à parte: Ser mulher é ser diferente, É ter fé constantemente, Orar ao Omnipotente, E viver com engenho e arte. Anabela Dias – Paivas / Amora Gélido esfarrapa-se o vento a ondear, Da Natureza, o cenário, em tremelejo! Cansadas…melancólicas…em desalinho… Juncam as folhas, o chão, em torvelinho. No intervalo do vento…sopra o vento! Em desacordes sinfónicos musicados… - Desnuda-se a Natureza da alegria… - Enverga do cinzento...a melancolia… Filomena G. Camacho – Londres Desencontro Foi preciso viver esta saudade esta ausência que ora me acompanha p’ra perceber que eras tu a entranha donde provinha a minha identidade!... Foi mister encarar fatalidade atravessar o deserto em campanha submergir-me numa sede tamanha p’ra sentir a tua necessidade!... Foi preciso conquanto acompanhada encontrar-me de vazio rodeada p’ra ver ao longe uma luz a brilhar... Foi preciso perder-te para ter-te foi preciso sofrer para entender-te foi preciso morrer para te amar!... Adelina Velho da Palma - Lisboa Sou o Mistério, o Desalento Eu canto ao mar dos bravos marinheiros Que a vida deram em mares gelados... Eu louvo os meus heróis bacalhoeiros Porque merecem ser aqui louvados! Só tendo mar e céu por companheiros... Esses heróis sem nome, desprezados Quantas lágrimas e prantos derradeiros, Quantas rotas e sonhos mais salgados! O mar fala-me deles, com razão E numa onda que sai do coração Eu louvo meus heróis sem tabuleta! Numa onda que reclama, mais bravia O meu mar traz-me sempre a Poesia, Rainha do meu mar! Linda Fuseta! Maria José Fraqueza - Fuseta Quem sou?! – Sou o mistério, o desalento, Triste Outono vestido de andorinha. Sou asa, já, na espera sobre a linha… E rosa desfolhada pelo vento. Sou monja, sou “irmã” do meu Convento A ler “meu livro de horas”, manhãzinha; Sou a nuvem que passa e adivinha A escuridão que chega ao pensamento. Sou beijo que não tem a quem se dê… A sombra duma flor que se não vê; Uma taça de folha já quebrada… Sou riacho de pranto e de amargor; Sou cinza duma vida sem valor: A morte que se espera sepultada!... Clarisse Barata Sanches – Vila de Góis

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 61 | Março / Abril 2014 | 3 «Olhos da Poesia» A Quadratura do Círculo De harmonia é feita a criação Formas redondas, como o sol e a lua Vestindo a apóstrofe a qualquer ficção Escrava da utopia e expondo-a nua Por mais que a queiramos transformar Nalguma imaginária quadratura A forma equilibrada é circular Arredondada, almo de doçura Dualidades há, fundamentais Que longe de se opor à teoria São d’Eros os primores originais E dão sempre ao retorno a primazia De Platão sabemos conhecer Que a humana cabeça é principal No corpo que domina a bel-prazer E lhe arredonda o gesto crucial Mas se à eternidade é substância Um círculo fechado considerar Já no amor será exorbitância Dar-lhe à constância forma circular Porque o amor é dádiva sem preço Não há nele medida equidistância De um núcleo que lhe sirva de tropeço Quando o coração nos vibra d'ânsia A emoção é forte, é verdadeira Mas loucos, mesmo assim, sem lucidez Lá vamos procurando pôr inteira A alma, que em pedaços, busca a redondez Eugénio de Sá - Sintra A Mãe Mãe…assemelha-se a uma artista plástica! Empenha-se, com veemência em: - Gravar. - Modelar. - Esculpir… Empenha-se…não em gravar em bronze, - Porque, no bronze, as marcas tornam-se tíbias, apagadas… Empenha-se…não em modelar em barro, - Porque, no barro as marcas tornam-se frágeis, quebradiças… Empenha-se…não em esculpir em mármore, - Porque, no mármore, as marcas tornam-se, com o tempo, em pó… Mãe…assemelha-se a uma artista plástica! Grava: Com o seu amor, com sua abnegação… Modela: Com dedicação, com sentimento... Esculpe: Com subtileza, persistência, sacrifício... Uma Mãe sabe que: gravando, modelando, esculpindo... -O Amor… - A Dedicação… - A Persistência… Grava nas lâminas do carácter… Grava nas lâminas da personalidade… Filomena G. Camacho - Londres Maria Fraqueza - Fuseta Eu Amo os Velhinhos Ao ver uma velhinha já curvada, Fez-me pena e recordei a mocidade... Uma sombra seguia pela estrada Da vida que se esvai numa verdade! Fez-me pena essa velhinha carregada Que mal podia andar galgando o chão... Ao ver a sua carga tão pesada... Os volumes tirei da sua mão!,,, Meu Deus, como pode a humanidade, Caminhar com tanta indiferença Se um dia eu chegar aquela idade... Também poderei viver na dependência Na mágoa que meu coração arrasa, Acompanhei a velhinha aquele Lar... Meu Deus, hoje eu tenho uma casa E um dia também posso ir lá morar! Bendito seja um lar de acolhimento Aqui deixo expresso o meu louvor Aqueles que minimizam sofrimento E tratam os idosos com Amor! Pátrias Minhas Não nasci à beira-mar Como minha mãe queria E para me compensar, Pôs-me o nome de Maria. Fui nascer entre dois rios, Em meio às serranias., Onde o vento deixa dores E o sol aquece mais, Onde as pedras dão flores Vinhedos e laranjais. Se meu nome era Maria, Bem cedo fui ver o mar, Entre sonhos e nostalgia Tive que o atravessar. Chegada do outro lado Onde tudo era diferente, Vi gente tão cativante E o sol a se levantar Antes do galo cantar Entre savanas e florestas, Onde o imbondeiro é rei E ufano de suas gestas Eu cresci, vivi e sonhei! São Tomé - Amora Ser Poeta É... Ser poeta é um modo de fazer amor com as palavras: são manhosas, tão cheias de mumunhas, feito as rosas sempre a dizer por nós, sempre a dizer. Ser poeta é um modo de esquecer que o amor não existe, e deliciosas coisas dele dizer, tão amorosas que o fazem tão real, que pode ser. Ser poeta é um modo de saber que antes de escrever não se sabia que se sabe no instante de escrever. Ser poeta é um modo de entender que todo entendimento é uma via que vai e vem do lado que só ia. Laerte António - Casa Branca, SP-Brasil

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4 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 61 | Março / Abril 2014 «Confrades» Sem Tempo Vi as algas no passeio de cetim na penumbra de uma criança no brilho de uma estrela que sorria feliz Vi açucenas brincarem com a ingenuidade na felicidade dos tempos na irmandade sonhadora numa certeza infantil por campos sorridentes na alvura sem cores Vi a onda da felicidade na fragilidade ingénua na certeza de uma melodia por passeios incertos na melodia de Mozart no sentimento infindo na alegria de uma flor no sentimento na permanência do ser por caminhos silenciosos Então senti-me como pingos de mel no orvalho sereno numa nuvem de veludo na força vital na ingenuidade humana... Pedro Valdoy - Lisboa Ser Mulher http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Um dia mais Mais um dia Um dia diferente Mais igual Queria fazer tanto... E não faço nada Queria partilhar E nada partilho E o mundo... Assusta-me... Sinto que ao meu redor Tanto se sofre... E gostava... De ter uma varinha Varinha de condão... E ver toda a gente a sorrir... Mas quero... Penso... E sonho... E vem a realidade... Acordo e... Foi apenas mais um dia... E o amanhã continua igual!... Lili Laranjo - Aveiro Mulher, Quem és na frágil roda da vida? Talvez o eixo mais forte e estabilizado, Porque és mãe, filha, esposa, amante e amiga, A essência do amor, em todas as formas manifestado… A par da natureza, geras e crias a própria vida, E ao desvelo e abnegação dás guarida… Teu ventre sagrado e fecundo, Gera todos os filhos do mundo… Mulher, Misterioso universo de sóis e estrelas, em expansão, Anjo disfarçado, que se entrega sem medo à paixão… Senhora do teu destino, percorres caminhos, De pedras e espinhos, suportando a dor, Em busca dos sonhos e do Amor… Destemida e obstinada, nada te detém, Quando tens que enfrentar perigos, Para defender os teus entes queridos… Também és competente, combativa, polivalente, Em qualquer profissão mais exigente… Mulher, Criação divina, pura essência de jasmim, Na poesia és a musa idolatrada, o amor sem fim! São Tomé - Amora Final de um dia de janeiro Arrefece o dia aqui, é chegada a noite! É tempo de inverno, membros a tiritar. Procura aquela ave, lugar onde se acoite São todos a procurar seu abrigo, seu lar. Trabalham à luz do sol durante todo o dia Cuidando dos filhotes e de si, sem paragem! Vê-los, em seu labor, é também nossa alegria Dão mais vida, essas vidas, à paisagem Despeço-me! Já saudoso, volto para casa. Recolho-me breve… meu curto voo de asa! Corro pra cozinha, lareira já crepitante. Sento-me ao seu redor, desfruto seu calor! Imagino ter comigo o meu amado Amor! Meu coração se reconforta a cada instante. Anoitecer Reflectem diluídos, em leveza, Fluxos do poente, a desmaiar! Soluça magoada, a Natureza, Pla ausência do sol a fulgurar... Emerge, a noite, com subtileza! Cobrindo do cenário, o matizar! Soçobram árvores com tristeza, Lançando, ao vento, seu pesar... E, no risonho afluído matutino, Resplandece o orvalho cristalino, Em miríade madrugada colorida! Tudo ressurge, pelo sol nascente, Num mágico êxtase, sorridente... Túmida, a Natureza, arfando vida! Meu Dia da Mulher O meu dia foi feliz Percorri o Porto Covo Fui lá regar a raiz Dum amor que ainda está novo. O homem que eu sempre quis Que fosse culto e do povo Conserva o seu cariz E dia a dia o louvo. Passeando na “Avenida” Da linda povoação Lhe entreguei meu coração. São muitos anos de vida Em mútua contemplação E isso alimenta a paixão. JGRBranquinho - Monte Carvalho Filomena Gomes Camacho (Londres) Maria Vitória Afonso Cruz de Pau / Amora

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 61 | Março / Abril 2014 | 5 «Retalhos Poéticos» Olho à minha volta Olho à minha volta. Está tudo tão diferente! Um silêncio amargo que não sentia outrora. Tenho saudades dum tempo que foi embora Não encontro aqui, no Monte, a minha gente. Já todos partiram para o além desconhecido! P’la sua ausência doi-me a alma e o coração. Vivo a recordá-los, minha triste condição! Perdi um bem distante, o mais querido. Quantas saudades desse tempo de menino, Da família que tanto amei e que perdi! Do convívio com amigos que não esqueci Minha triste sina, meu mau destino. JGBRanquinho (Monte Carvalho) Meu Rumo Perdi o meu rumo no escuro de breu Da noite em que as nuvens tingiram a lua. Sem ter os reflexos, perdi-me na rua Da casa sem porta, onde estava um troféu. Entrei, desvairada, no grande apogeu De vir a despir os cetins e ser tua No leito do espaço, onde o céu atenua Os sonhos dum corpo que muito sofreu. Mas tudo tem hora marcada, na vida. Eu sou o que sou. Esperança perdida Que o vento dispersa na forma de fumo. Na fúria dos beijos sentidos na boca, Controlo a minha alma, que nunca foi oca, E tenho a certeza que encontro o meu rumo. Glória Marreiros - Portimão Só Meio-Dia Neste meio-dia que me resta, Vou fazer uma conquista: Juntarei meus pensamentos, Arrumá-los-ei em palavras escritas, E dar-lhes-ei forma. Deixarei assim o meu pensar, O meu eu, Entregue a vós. Poderei partir com a certeza de que fui eu. Não o fui sempre! Fui só meio-dia. Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa Letras Rolantes Rolam letras na minha cabeça Letras que rolam e saltam Cá para fora da minha cabeça. Letras rolantes Brincalhonas saltitantes Que saltando E brincando Juntam-se às letras Que rolam sob a hesitante ponta Da minha caneta . E juntas formam Palavras que criam Imagens que me contam Histórias meio imaginárias Meio verdadeiras Histórias que me encantam. Às histórias dão-lhes asas Asas que deliciado Me levam num enlevo Meio ébrio Meio sóbrio. E eu sem querer Saber nem ver Nem ouvir O que está bem O que está mal Confiante deixo-me ir. Deixo-me ir Porque sei que o que veio Era porque tinha que vir. Vem quando quer. Quando quer Vem sem que eu nem ninguém Lhe ponha travo na língua Freio no dente Nem peias Nem grilhetas Nada que lhe tolha Nem os pés nem as pernas. Carmindo de Carvalho - Suíça Quando um homem confessa Quando um homem confessa o seu amor Algo receoso de um "não" ao seu pedido, Espera, ansiosamente, ser bem sucedido Numa incerteza tal que é sofrer, que é dor. Desconfia de si mesmo, de se ter enganado, Pensando que talvez a ela não interesse. recrimina-se:"melhor fora que não escrevesse!" Mas... considera:- "se estava apaixonado..." Escreveu uma carta com palavras bem cuidadas! Aquelas que julgou mais apropriadas, Óbvia justificação ao confessar o seu amor. Agora. enquanto receava por um "não" Tudo lhe parecia errado e sem razão. Jamais a teria como seu Amor?... Maria e Mãe Chama-se Maria, Que nome tão popular, Nem sei o que faria, Se um dia a pudesse amar. Maria nome de mulher e mãe, Nome internacional, Uma nasceu em Jerusalém, E outra em Portugal. Ai quem me dera um dia, Amar outra Maria, Pois era um sonho Que se tornava magia. Ai se eu quero Maria! Já sinto uma boa sensação, Já sinto alegria, Aquela que me faz bem ao coração. Quelhas - Suíça JGRBranquinho - Monte Carvalho

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6 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 61 | Março / Abril 2014 «Confrades» Câncer O mor flagelo dos dias que vivemos Qual dentre nós não foi já confrontado Ao ver sofrer um amigo, um ser amado E com ele Deus sabe o que sofremos. Onde arranjamos forças pra animar Aqueles que tomados pla doença Já perderam a fé e toda a crença No amor de um Deus que os não pode salvar? E as crianças que vemos vitimadas Pela invasora força de um tumor Qu’inda esboçam sorrisos, confiadas; O que fazer, e que ar alentador Encontraremos pras ver animadas Subtraindo-as a todo aquele horror? Eugénio de Sá - Sintra http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Primavera Tempestades! Foram-se do meu regaço, Foi-se da minha boca o sabor antigo, Céu azul ao alcance do meu braço! Agora nos olhos um sorriso amigo… P’ra chegar junto de ti só um passo, Tempo cinzento já foi meu inimigo! Agora só quero dar-te um abraço, E poder gritar a todos isto que digo! É tempo de tomar muitas decisões, Decorar a vida com variadas flores, E encher o peito com novos amores! Primavera que enche vazios corações, Chegou enfim a linda e amena estação, Foi-se embora o tempo da solidão! Susana Custódio - Sintra Desde outrora Pedaço de mim é luar O outro é escuridão... E ande por onde andar Será a minha condição. Sozinha não quero estar No leito do meu refrão, Onde 'inda posso rimar Os versos que teus serão. No peito tenho uma ponte Que me liga ao teu cais Onde passeei meus "ais"... Dos mares na tua fronte Há ilhéus de bem-querer Que no escuro posso ver. Rosa Silva ("Azoriana") O dia da mulher O dia da mulher devia ser Todos os dias Pelo que significam E pelo respeito que deveriam ter Mães avós, pelas suas mãos Passamos todos nós Que temos para com elas Uma divida histórica E uma obrigação moral Elas são por direito próprio Cidadãos de corpo inteiro Não podemos tolerar Descriminações Ou que o seu companheiro As maltrate Temos que parar essas aberrações Sob pena de perdermos o respeito Pelas nossas mães E a dignidade do amor verdadeiro Parabéns mulher Não por este dia Mas por todos os dias Que sofres na carne E na inteligência a descriminação Está na hora de dizermos NÃO Vitoriogil - Almada Velhice Sustentavam a velhice de mãos dadas Ele e ela na ternura dos noventa E nas rugas, em seus rostos bem vincadas Versos vivos que o poeta não inventa Trocando olhares brilhando de candura, Ela bordando alvas rendas de lençol Falam de beijos do amor que ainda perdura Sob as cores vivas dum belo arrebol Morre a tarde na dureza da calçada, Com frieza, a noite estende sua mão... Sobem a custo os degraus da velha escada E abrem a porta de entrada à solidão Falta, aos filhos, todo tempo que não querem Porque a carreira e “valores” os subjugaram; Aos netinhos passam meses sem os verem E as saudades abrem f’ridas que não saram Na mesa grande só já tem lugar o pranto... No quarto, a luz, já não brilha como’outrora... A cama é fria e perdeu aquele encanto Que tanto tinha ao ranger... não tem agora! Foram-se os sonhos na força da enxurrada... A dor chegou, a cavalo, nos Outonos... A esp’rança cai com o impacto da porrada E a fé se entrega ao mais longo dos seus sonos. Saudade A saudade é um lago cheio de jasmins no encanto de um universo infinito É o sabor de uma despedida na incongruência dos tempos Saudade é uma criança perdida na ingenuidade de uns pais São pétalas que caem ao sabor dos ventos como lágrimas sem fim. Pedro Valdoy - Lisboa Alas vazias Alas vazias Quero passar Portas abertas De par em par... Não quero ver Portas fechadas Não quero ter As mãos atadas... Grande portão Se vai abrir Deêm-me a mão Quero sair... Eu quero ver O azul do mar Vou renascer E vou sonhar. O Sol. Dia de Sol Flores vivas O azul No céu O olhar Perdido em ti. Albino Moura - Almada Abgalvão - Fernão Ferro Maria Eugénia - Sesimbra

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 61 | Março / Abril 2014 | 7 Confrade desta Edição « Jorge Vicente » Em Saudosa Homenagem A D. Maximina Farinhote Noite de luar Cidade Nova Foz Côa cidade nova Sempre com o teu encanto Terra que sempre renova O mais recôndito canto. Continuas mais bonita Tu, não envaideças tanto Exclui os maus da fita Algum pode não ser santo. Terra linda, hospitaleira E com os teus visitantes Deves ficar à espreita Desses bandos mal tratantes. Tens tudo o que é preciso Para caminhar em frente Para seres um paraíso No futuro e no presente. Figura Notável de Foz Côa D. Maximina Farinhote A grande ensaiadora e dinamizadora do Rancho Folclórico da Corredoura Um poema dedicar-lhe eu bem queria, Mas não sou um poeta bem primado. Não tenho muita arte…a poesia Tem o meu estro um pouco mal fadado. Somos da mesma terra que bem soa À qual ela doou muita alegria. E por isso Vila Nova de Foz Côa Não a esquece pela simpatia! De seu nome Maximina Farinhote Sua vivacidade em lindo dote Que acarinhou Foz Côa e mocidade Que tendo-a por tão digna ensaiadora Desse rancho gentil da Corredoura. Ficará para lembrar na Eternidade! Maria vem à janela Para me ouvires cantar; Eu canto a trova mais bela Nesta noite de luar! São pra ti estas trovas Contigo quero casar. Dá-me também tuas novas Para contigo ir morar. O futuro de nós dois Irá ser o mais brilhante; Vamos lutar, ser heróis, Ser o teu melhor amante. E vais ser a companheira P’ra cultivar meu jardim, Plantar a nossa roseira Junto ao mais belo jasmim. Nós colheremos as rosas Que os dois vamos ver crescer E vão ser as mais formosas Para nos fortalecerem. Vento Não posso mudar o vento, Mas posso ajustar as velas. Eu ouço no seu lamento, As suas trovas mais belas! São trovas para embalar, Têm melodia mais bela. Com a «musa» a proclamar Junto da minha janela! Trovas ao acaso Os rios que eu encontro Vão seguindo seus caminhos. Minhas penas reencontro Quando correm choradinhos. O canto do Rouxinol Não revela as suas dores. Canta porque alegra o sol Ou pra chamar seus amores. O amar é coisa louca Quando não existe amor. Se a amizade é pouca Mais sofres com essa dor. Vai tentando na vida Alcançar o bem estar De cabeça bem erguida Sem querer desanimar! Quadras para o momento Povo que és mal tratado Pelos homens bem telhudos És um povo abandonado Por um bando de belçudos. Tocam guitarras baixinho Para acompanhar o povo Povo que vive num ninho Chocando o seu belo ovo! A justiça, mais se afunda… Se crês nela, bem te enganas; Podia ser mais fecunda, Havendo menos sacanas… Quadras Este Mundo não é a bola Para todos nela chutar. Tens de ter boa carola Se não vives com azar. Lamentamos meu Portugal Os ladrões que tu sustentas. A solução era o Tarrafal Ou sanções mais violentas Não corras na tua vida Atrás de tanta ilusão. P’ra ser bem sucedida Tens de ser bom artesão.

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8 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 61 | Março / Abril 2014 «Confrades» De rima ao leme Bordada de um mar imenso Vai a ilha a navegar Colorida de um intenso Verde belo a marulhar. Ao leme traz em suspenso Nova rima a comandar. Quando o luar vem de manso Acodem nove estrelas No mar alto, então, balanço Olhando o céu para vê-las... Só que assim não há descanso Quero na rima prendê-las. Rima é doce melodia Tida ao compasso de mar Coroada de maresia Que o colo vem abraçar Quando o sol já anuncia A lua que vai chegar. Perdida na noite linda Numa vela adormecida A rima não sai ainda Sem a estrofe aparecida; Chama a lua de bem-vinda Ao leme da sua vida. Corre, corre bom veleiro Por esse mundo além Traz-me verso hospitaleiro Pra dar a quem me quer bem; Que sejas tu o primeiro Na rima que ao leme vem. Rosa Silva - Açores http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Eu peço a Deus que reinvente o homem Eu peço a Deus… que reinvente o homem! Que lhe dê corpo mecânico com pernas e braços hidráulicos facilmente desaparafusáveis e substituíveis Com transistores e fusíveis nos sentidos sistemas de vídeo nos olhos e ouvidos um computador no lugar do cérebro e uma bomba hidráulica no lugar do coração alimentados por energias renováveis e óleos biodegradáveis para não afectar a Natureza nem as demais espécies Um homem que não sofra de angústia existencial nem sinta dores físicas ou paixões e que possa encostar na berma da estrada se o combustível falhar podendo o espírito continuar a passo sem embaraço nem businões já que não haverá viaturas a circular E não havendo sofrimento físico nem sendo derramado sangue apenas óleos e fluidos recicláveis os horrores da guerra e do terrorismo da fome, da doença, da miséria e da poluição desaparecerão da superfície da Terra Um homem que possa expiar as suas culpas ao ar livre num cemitério de automóveis não no inferno e que sempre possa trocar a alma para um modelo mais moderno Peço ainda a Deus que quando for forçoso morrer seja suficiente tocar o claxon para dizer adeus e voltar reencarnado num avião ou mesmo numa nave espacial É minha convicção que apenas com um homem assim se se salvará a Civilização Quanto à mulher podereis deixá-la como é Deus meu que nenhum mal advirá ao mundo Henrique Pedro - Mirandela Envelheço Envelheço Quando perco a ilusão. O sorriso de uma criança, Não me enternece o coração, A lua não me inspira poemas, As estrelas não fazem meus olhos brilharem, Independente de minha idade. Isabel Silva Vargas - Rio Grande do Sul /Br O cerro misterioso Costa do Haedo. Na planície hermosa o Jarau desponta qual cerro de lenda, com sua salamanca infernal, horrenda, antro do pecado, do mal, misteriosa. Simões Lopes Neto, em elegante prosa, da fada moura cativa narrou a legenda; e do Blau Nunes que, por uma senda, libertador desceu à gruta tenebrosa. E diz-se que tal monte, em tempos idos, em meio a fogo, fumo e estampidos, fechou a caverna, selou seu segredo. Ainda hoje o hombre guapo, sem medo, ouve com respeito, tartamudo, quedo, tal hablar de velhos de tempos vividos. José Alberto Barbosa - SC / Brasil

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 61 | Março / Abril 2014 | 9 “Cantinho Poético” Mulher O 8 de março é o dia Internacional da Mulher E o seu objectivo é valorizar e defender os seus ideais Lutar contra o preconceito e deixar de ser uma qualquer Conquistar igualdade de direitos e metas profissionais. A sociedade nem sempre tolera bem esta comemoração Que defende condições de trabalho no mesmo grau de igualdade E tenta modificar mentalidades como forma de libertação Reivindicando medidas de luta com justiça e liberdade. A Mulher continua a sofrer maus tratos e violência No desespero da busca pela sua independência É muitas vezes obrigada a suportar grandes provações. A Mulher já venceu muitas guerras de Machismo Numa conquista permanente ao Humanismo Perante a realidade desgastante de dor e desilusões. Ana Santos - Vilar de Andorinho Mulher do Povo É flor do linho e gestuais diferenças Na senda do chegar e do partir É lendas e canções e velhas crenças Cravadas nos flancos do porvir; É amargas derrotas, subtis conquistas Terra esventrada por ti se és charrua Força que te empurra pra que não desistas É corpo vestido na alma mais nua... É cheiro a pão cozido, a comida na mesa É sabor e cheiro a casa, à nossa infância Toldado olhar de alegria ou de tristeza Voz do passado que não tem distância; E É É É é forno aceso é lareira sempre em brasa capuchinha de burel, croça de palha bilha de água fresca quando o verão abrasa o chapéu de copa alta para a malha. No chão do tempo Escaldava, a terra queimava, o sol tremia… E uma jovem corajosa, olhava a terra e sorria! Já sabia, que a canícula terminava ao fim do dia… Entretanto… trabalhava, cheia de força, guerreira! Tão guerreira, quanto terna… Tão terna, quanto guerreira! Acordáva a madrugada, com sorrisos que a enchia. E a terra, prenhe de aromas, de grãos quentes, de alegria, Dançava com ela a valsa de um Strauss…Que sabia! Felismina mealha - Agualva-Cacém Deus a criou Quis Deus criar o homem, de um torrão De tosco barro, em Suas mãos moldado Mas, após Sua obra ter criado, Notou que lhe faltava um coração... E, como dar-lhe amor tinha pensado, Abriu Deus novamente a Sua mão, Fazendo a mais sublime criação, O mais divino ser, o mais sagrado, Com coração p'ra dois dentro do peito, Transbordante de amor ilimitado, Nasceu a Mãe, ser belo e tão perfeito! Ficou Deus tão feliz, tão fascinado, Que ao enviar à Terra o Filho Eleito, Quis que numa mulher fosse gerado!! Uma réstia de mágoas. Essa boca falou e incomodou… Mas um poema incomoda muito mais! Ouvem-se promessas infundadas angustiadas às mocidades. Anda a monte quem roubou por um tacho que resvalou. Foi banhar noutras águas sem cuidar d’outras mágoas Uma ave que acenou e ninguém acreditou …uma réstia de mágoas Lahnip E é Deu-la-deu Martins, é Maria da Fonte E a que em Aljubarrota foi mortal guerreira E é todas as Marias que do mar ao monte Algures, um dia, foram a Pátria inteira. E é tosquia, é ordenha e fumeiro e bragal Esposa, filha, irmã, amiga, amante e Mãe É a Mulher, mulher do Povo, é Portugal E é todo o meu País, sem ser ninguém!... Maria Mamede - Porto Um dia… Um dia a tua insónia Vai nascer para mim E o teu sono vai transbordar de sonhos De cetim! Um dia ainda vou sentir Os teus lábios sedutores Colados ao meu ouvido E ouvir-te dizer verbos tentadores Como a tirar-me o sono E acordado sonhas e fazes amor comigo. Um dia ainda vou Deixar de ser fantasia Vou alcançar a tua voz Ao teu lado caminhar com alegria. Um dia…sim, um dia! Vamos unir as nossas bocas e morrer Num beijo cheio de paixão Agarrar os teus sonhos e renascer Ser dona dos teus dias, com emoção! Um dia vou ter a esperança A que nunca será vã: Na minha alma a confiança Na minha boca a mudança Dos orvalhos da manhã! Telma Estêvão - Silves Carlos Fragata – Sesimbra / Portugal

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10 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 61 | Março / Abril 2014 «Bocage - O Nosso Patrono» A Ti, Mulher!... A ti, Mulher... Que nasceste para amar e ser amada, Criada para dar vida à própria vida; E que és ainda tantas vezes maltratada Nesta sociedade louca, corroída… A ti, Mulher… Que negados vês ainda alguns direitos E te oprimem da suma liberdade, Como se fosses serva fiel da sociedade Neste mundo sujo em preconceitos… A ti, Mulher… Que pela natureza tu és bênção querida… E em teu peito tens o leito e dás guarida À ternura, ao carinho e ao amor… A ti, Mulher… Quero exaltar o teu real valor… Não hoje simplesmente, aqui, agora! Mas…que o Dia da Mulher – o seja sempre: - Hoje, amanhã, e a toda a hora, E te libertes das garras do furor Desta sociedade incompetente e corrompida! A ti, mulher… Baixa, alta, branca, negra, magra, obesa… Flor, fruto e semente que dás vida à própria vida; Que és do carinho e do amor rainha de beleza Obra-prima e divina da própria Natureza… Mulher, filha, esposa, mãe ou avó querida… A ti, Mulher… E sem favor … Eu quero exaltar Nos versos que declamo em teu louvor: Curvo-me perante ti, Mulher, por seres quem és! Deixo estes humildes versos a teus pés! E neles… em cada palavra uma flor! Fernando Reis Costa - Coimbra Soneto a teu jeito Esse soneto que tu publicaste Eu sei que não foi dirigido a mim! Nem acredito que, a quem amaste. Era mar, que querias ser, assim? Que bordado em tua saia, querias? A espuma das marés ondulantes? Ou o vento ou sol onde brilharias, Ou seres flor de cheiros cativantes? Tu querias ser tanto e muito mais Andar de feira em feira e arraiais, Encontrar quem um dia te enlaçasse? Querias ser amada, ser mulher, Cantar o hino no alvorecer… E sentir alguém que sempre te amasse! Chuva Gemedoramente escorre a chuva nos lassos dedos das nuvens… Lava, a água: as ruas, lava as almas, lava também os destinos… Fagulham, no pardo silêncio do som, iridescentes, os clarões! Gládios, qual grito do mundo, rugem, eclodindo, os trovões!... Filomena Gomes Camacho - Londres Dia Internacional da Mulher (Acróstico) D ás de ti, sem usar medidas I ndiferente és ao maldizer A mas sem pensar nas feridas I njusta é a vida que levas N ações unem-se neste teu dia T ormentos venceste sem parar E ncontraste forças no altar R aios de sol são tua energia N unca desistirás desses sonhos A rdente e delicada nos carinhos C iosa de dias futuros risonhos I nclinas-te humilde na oração O h! Jesus mostra meus caminhos N ão quero ser esquecida da vida A mo os meus filhos com paixão L aços fortes de afecto e união! D á-me forças para seguir Senhor A limenta sempre esta alma de amor! M ulheres de todas as raças uni-vos U m clamor se ouvirá em todos os lados L amentos em altas vozes, pelos filhos H umilhados, mutilados, assassinados, E rgue tua voz em todos os continentes R ainha dos corações, ora pelos doentes! Arlete Piedade - Santarém Poetas Irmãos de sonhos, Pesquisadores de palavras Belas para seduzir, Com o poema oportuno, Os assomos da criatividade Do utente casual Angariador de beleza. Riscamos a página em branco Na contextualização de ideias Que marquem a diferença, No mundo quotidiano e singular Que os vários tipos de escrita atestam E nós os artesãos da verve poética Queremos encantar o mundo. E fazer acreditar que a alegria nos inunda E queremos extrapolá-la E construir castelos, Por meio de metáforas benéficas Que desobscureçam A Vida Para que deixe de ser Triste e Sombria. Maria Vitória Afonso - Cruz de Pau / Amora Bento Tiago Laneiro - Amadora

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 61 | Março / Abril 2014 | 11 «Tempo de Poesia» Terra maravilhosa!? Onde estão os canteiros floridos se só vejo pedras e alcatrão? Onde estão as árvores sombrias que nos abrigavam em dias de sol? Onde pairam as aves cantando ao sabor do vento e do luar? Onde paira a magia da noite de natal família, amor, alegria, sinos a tocar? Onde paira o cheiro das filhós feitas pelas avós e mães que eu ajudava estendia, desenhava bonecos e fazia que mamã fritava e eu comia... Onde está o Pai Natal e a alegria? Onde está o amor, o amor da família Os idosos partiram os filhos fugiram. Onde está a beleza de uma noite estrelada e um dia de sol a caminhar ao longo da estrada? Onde está a escola onde se ia aprender, a ler? Pobres sim sem milhões, mas muito carinho nos corações! Onde estão os abraços e beijos que mimavam os nossos desejos? Onde ficam as mares espreguiçando-se nos areais? Para onde desertou a comunhão familiar? filhos sem pais que são pais de outros filhos Mulheres-mãe abandonadas como se foram nada? Terra maravilhosa esta onde estamos a água deixou de correr nas fontes devastados foram os montes as matas devoradas pelo fogo infernal. Os grandes se vão enchendo do que resta aos desalojados de PORTUGAL Lojas fechadas, restauração só nos super, para alimentar o patrão. Escolas onde os professores são os filhos de um ódio maior. Não preciso sair deste lugar para constatar a tristeza que em todos os olhos impera. Abriram as portas e portões aboliram as fronteiras entram povos de todas as nações e inverte-se a nossa bandeira. Só casas, casas, casas...casarões para outros, nem sequer refeições. Vende-se o património nacional vendem crianças e mulheres vende-se a solidão para comer e os doentes e os idosos deitam-se rio fora para o mar enquanto engordam os gulosos Mas que um dia também lá vão chegar! Fingidamente, rio às gargalhadas quando vejo caras tristes de dor " meninas: vamos sorrir animadas vamos inventar a alegria e o amor” E por algumas horas finge-se que estamos num terra maravilhosa um pequeno lanche, anedotas a animar brincadeiras da outra juventude e passa-se uma tarde a disfarçar Nesta terra de engano é preciso a tristeza enganar até à próxima amigas. na festa da fantasia vamos que a noite está chegar. Logo alguém vai telefonar " então como foi teu dia? …fui passear à terra do sonho fui viajar com a alegria para um abraço enviar! Rosélia Martins - Póvoa Stº Adrião  A Dor de Um Retornado... ...Uma lágrima de dor, Um suspiro de pouco amor, - Uma nuvem ao sol-pôr, - Num oceano vermelho-rubro, de estertor!... Um sentimento de puro abandono, Qual andorinha no sono, Desta primavera já sem dono, - Sem inverno, sem verão e sem outono. ... Uma lágrima de dor e de saudade, Um soluço não contido por maldade, - Desta vã caminhada em tenra idade, - Na esperança de um última vontade... Se me escapa já por muito desalinho, Da postura inconformada sem carinho, - Da minha alma que se vai devagarinho. - Contra o vento da quebrada do caminho! Uma lágrima no rosto que padece, Qual folha solta desta cepa que envelhece... - Feito tronco de castanho que anoitece, - Na ramada tão sem flor, que o frio nela desce. ... Uma lágrima de dor!... Desta primavera já sem cor, Um soluço não contido ao sol-pôr, - Uma lembrança tão distante desse amor!... - Da minha alma, ela se afasta num vapor. Essa dor...essa lágrima, essa flor... Por lá ficou adormecida, Não desceu pelo meu rosto já nublado, Desta dor de ter saudade à despedida... Que já pressinto estar aqui, ... bem a meu lado. Uma dor... Uma nuvem... Uma lágrima, - No oceano deste amor tão maltratado! Mais um sonho que se apaga amortalhado. Silvino Potencio – Natal/Brasil

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12 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 61 | Março / Abril 2014 «Trovador» Soa o clarim na praça Soa na praça o clarim dá entrada o cavaleiro o espectáculo vai começar na arena é o primeiro O cavalo tão vaidoso dança mostrando-se enfim com um toque harmonioso soa na praça o clarim Um aplauso e de repente abre-se o portão primeiro cumprimentando toda a gente dá entrada o cavaleiro Do touro, peso e idade ouve-se então anunciar em Alcochete é verdade o espectáculo vai começar É assim em qualquer praça que o valente cavaleiro para mostrar a sua raça na arena é o primeiro . Chico Bento - Suíça Olha aquela rapariga Olha aquela rapariga Ao luar da lua cheia Está fazendo malha ou liga Mas ninguém lhe liga meia Entre absorta e alheia Está cantando uma cantiga Caiu uma malha da meia Olha aquela rapariga Ela constrói muitos sonhos Que se evolam como areia Como caem os medronhos Ao luar d alua cheia Ó menina sonhadora Que a dura vida fustiga Trabalha enternecedora Está fazendo meia ou liga? Sonhando com o amor A chama que a vida ateia Faz malhas muito a primor Mas ninguém lhe liga meia. Maria Vitória Afonso Cruz de Pau/Amora Quadras Soltas Já puseste no penhor, A tua amizade antiga? Só com saldo devedor Dizias ser boa amiga? Já tudo foi esquecido Daquilo que por ti fiz Com saldo a fundo perdido... Como vai este país? Entre gente importante Procuras nessa subida E assim ficas distante De quem te ajudou na vida! Se já tens amigos novos Guarda bem esse tesouro A galinha põe os ovos... Mas não são ovos de ouro! Eu tenho marés de prata Pois na mina - o meu minério A minha alma se dilata... No Amor - um vasto Império! Na doença e na desgraça Se conhecem os amigos Na vida que por nós passa Surgem por vezes castigos O destino tudo traz Devolvendo a injustiça Daquele que só bem faz Na mão de Deus a Justiça! O teu silêncio revela O esquecimento de quem Esqueceu uma parcela De quem lhe deseja Bem. Maria José Fraqueza - Fuseta Fui ao monte da Galega O que é que lá fui fazer? Fui aos espargos, não os vi Mas, por lá gostei de ver. As margaças a florirem Um manto de fantasia… Os bonitos lírios roxos Os pampilhos, que alegria! Mas, lá no Parque da Boba Não sei se o diga, eu digo: A bonita Primavera Veio namorar comigo. Que mal tem! Que mal fiz! Minha eterna amada. Que eu saiba não é crime Passearmos de mão dada. Aires Plácido - Amadora Sou homem, não sou ladrão Mete lá na tua mente Tantas vezes ladra o cão E nem sempre lá vem gente *** Alentejo és uma paixão E o teu povo a minha gente Levar-te-ei p’ro caixão P’ra te amar eternamente *** Vida Se, no bolso, mete a massa, passa a vida a discursar, com cínico ar de chalaça, é crocodilo a chorar. Há muitas formas de amor quando se cumpre o destino, mas a que tem mais valor é sempre o amor divino. A praxe é contradição do amor que, no peito, arde, é só a demonstração do proceder do cobarde O pobre nunca tem nome e é tão desprotegido, que mesmo cheio de fome, nem sequer tem apelido. Quando chega a deputado, sem trabalho, sem canseira, o olhar, desconfiado, está sempre na algibeira. Com D. Carlos, monarquia em ditadura que engana, com os gajos de hoje em dia é o país da banana. Tiago Barroso - Parede Noite escura, vida fria Onde a amizade é pouco Sem amor e alegria Morre de ódio gente louca Poeta Silvais - Évora Fui passear pela Costa E vi o Sol a piscar Será que veio de volta, E prestes a cá ficar? Arménio Domingues Foros de Amora

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 61 | Março / Abril 2014 | 13 «Poemar» Um sorriso apenas me basta!!! Lança-me um olhar e sorri! Sobe as escadas. Esquece-me e ganha o céu... Esvaece por fim! *** Um sorriso apenas... Nada mais, além disso... Um sorriso me basta! Pelo menos por hoje! Pelo menos por agora. Um sorriso dela me basta: Diário, mágico, irreal, surreal... imortal! *** Todos os dias... Ela me olha e sorri! Sobe as escadas, me esquece por fim. Sobe as escadas e se evadi, Vai ganhar o céu enfim... Para se perder no infinito! *** Sorri e vai se perder. Na imensidão sem fim! Na infinitude dos meus sonhos *** Vai perder-se no meu imaginário. Para me deixar só... Deixar-me sozinho. Perdido em mim mesmo! Com os meus devaneios... Mais sagrados! Meus pensamentos mais profanos *** Sobe as escadas. E galga o céu... Para me esquecer. E desvanecer! Vai desvanecer entre a bruma... Perdesse no meu estribilho, Minha écloga mais sutil! No meu ideário... Mais etéreo! Samuel da Costa – Itajaí / Brasil Ingratidão Sozinho me deixaste, abandonado, De coração magoado... entristecido... – O prémio que julgaste merecido, Do amor que te tive dedicado. Fui sempre, vida fora, desprezado... De tratos e carinhos, esquecido... – Que nunca por ti vi reconhecido, O bem que te foi grato no passado. Nem um beijo me deste na partida: – Um adeus... um abraço de amizade... – Um gesto que marcasse a despedida! Sê feliz, no caminho que escolheste... Viverei recordando, sem saudade, As poucas alegrias que me deste! Aurélio Barata Vivas – Pampilhosa da Serra A Beleza dos Primeiros Sonhos No coração, a verdade, Com saudade lhe disse: Querida vem abraçar a vida, Porque o amor nos espera. Enquanto a gente fez… Por mais de uma vez… No Inverno e na Primavera! Com a luz suave leve… Sob a bênção do Céu! Satisfeito, lhe disse: Entre o beijo meu e seu Nos olhos vi virtudes… Com poderes infinitos! Das chamas das entranhas, Após as forças tamanhas, De fé, alegria e amor. Hoje, sinto-me impaciente! De não ser o suficiente, O sonho que pensei real, Das chances do meu ideal. Neste mundo de bem e de mal, Que desliza e se instala, Os frutos do alimento sazonado, Que vivem lado a lado. Com o amor que eu sinto Ardente a cada instante… Luís Fernandes - Amora Mulher Mulher, tu és a maior das obras que Deus criou, porque em ti nasceu o amor abres-te como uma flor e vida de ti brotou... Sejas avó, sejas mãe em ti o maior bem é este amor a colher és Outono ou Primavera és doce e és quimera sejas criança ou mulher! Dulce Saldanha - Lisboa Como Dantes, Como Outrora Quero amar-te outra vez Noite e dia a toda a hora, Amar-te sem timidez, Como dantes, como outrora. Esquece tudo e depois, Vamos ser p’la vida fora, Ternos amantes os dois, Como dantes, como outrora. Às mágoas vamos pôr fim, E perdoar sem demora, Quero-te junto de mim, Como dantes, como outrora. Porque sentimos a dor Que em nosso peito ‘inda mora, Vamos viver nosso amor, Como dantes, como outrora. Por ciúmes e por medo, Teu coração ‘inda chora, Vamos amar em segredo, Como dantes, como outrora. Porque a minha alma te adora, Vamos ser de novo amantes, Como dantes, como outrora, Como outrora, como dantes. No momento do tempo Diverte-te Não leves a vida tão a sério Porque não sorris? Diverte-te Goza sem medida a vida; Dança, beija … Sê feliz No momento Do tempo. A vida é curta Quebra o rigor das regras Perdoa sem demora, Rapidamente E, suavemente Beija de verdade Sem controlo do tempo Mas de vontade Sem desabrir Sem mentir. E nunca te arrependas de fazer Algo que te faça viver E sorrir No momento Do tempo. Casimiro Soares - Amora Isidoro Cavaco - Loulé Suave Despertar A Escada subia … Alguém me olhou!!! A conversa começou… O amor despertou! Filipe Papança - Lisboa

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14 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 61 | Março / Abril 2014 «Actual corrente Poética» Equação de Amor Tenho um problema Que não quero resolver. Prefiro continuar a tê-lo aqui, À minha frente, Sem solução, Eventualmente Porque gosto de Ti Indecifrável, Ao meu lado. Porque não me sais da cabeça, Quando meus olhos te deixam? Porque continuas presa À minha liberdade de sentir o que quiser? Porque me surpreendes os pensamentos, Evadidos de Ti para o banal quotidiano? Nem aproveitam a tua ausência Apara se ausentarem da tua presença? Porque não mudo os termos da equação? Porque não a quero resolver E me contentar com a solução De te deixar ir? Porque quero andar Ao pé de Ti Além e aqui,, Para longe do lugar Onde te encontro à tarde? É porque, se calhar, calhou. Que enfim encontrei quem Amo! Parece-se com demonstrações conhecidas. É parecida a tantas que já vi resolvidas. O Problema é que o conjunto solução agora é meu E tem de ter a forma do teu coração E a equação antes de acabar Deve ter um sinal de equivalência a mim. A Questão permanece com o ponto de interrogação A solução é Tua, O Problema é Meu. O Conjunto só pode conter, Nós dois! A Deusa do Meco Se Deus nos criou à sua imagem e semelhança e nós Nascemos nus, não há vergonha nenhuma nisso. Se fosse errado, ele certamente teria nos dado roupas.(?) Deusa, ó Deusa que te despes no areal, Sem pejo à vontade, mesmo desinibida, Mas se mostras os seios lá n’avenida Ateias a concupiscência, no pessoal, Ó quantas vezes te vêem no MECO despida, Como Deus te deitou ao mundo, virginal, Mas não fazes caso, ficas, vaidosa, natural, O que é bom é pra se ver dizes tu divertida! Arrojo que vejam o teu corpo escultural, Quem assim te vê nada te come é igual, Ninguém sabe o raio ao que nos leva a vida… Tu ficas a incendiar de desejo venial, O nudismo, é ali livre pra todos oficial, Mas deusa como tu és, ficas bem conhecida! Nelson Fontes Carvalho - Belverde / Amora Família Espiritual Muita vez um espírito retorna em outro corpo ao lar de antigamente, só pra ver se progride e ali contorna os ódios que nutria a algum parente. Mas Deus nos veda lembrar tais pecados, pra nos guindar a um mais sutil renovo, pois só esquecendo tenebrais passados teremos meios de encarnar de novo! Imagina, leitor, se a mãe soubesse que o tenro filho, em plácido repouso, fosse o mesmo ser ríspido e refece, que um dia tivera por brutal esposo! Que não faria dessa criancinha pra vingar-se de antigos sofrimentos? No entanto, mima, afaga e acarinha o ancestre cálice dos seus tormentos! Ser punidos por crimes que esquecemos não é, portanto, algum senão de Deus, mas a prova inconteste que hoje temos do imenso amor do Pai aos filhos seus! José Jacinto - Casal do Marco Esquecer Quero esquecer teus olhos cor do mar, Deixar meu coração ser sonhador... Fazer da vida uma canção de amor, Ter uma outra razão para sonhar! Quero esquecer teus lábios, e o sabor Dos beijos fúteis lançados no ar... As juras que fizeste sem pensar... Tudo o que vem de ti, seja o que for! Quero esquecer o tempo que vivi Cativo desse amor, que foi o invés Daquele Ideal perfeito que previ! ´squecer-me de quem fui... de quem tu és... Pensar, num breve instante, que morri, E que o mundo ruiu todo a meus pés! Aurélio Barata Vivas – Pampilhosa da Serra Humberto Rodrigues Neto – SP/BR

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 61 | Março / Abril 2014 | 15 «Faísca de Versos» “Encontrei-me” Com a vida, me encontrei, Perguntei-lhe, o que é de mim? Ela respondeu-me assim: João, eu também não sei! À procura de respostas, Fui terrenos apalpando… Por onde ia, caminhando, Fazendo as minhas apostas… Agarrei-me ao que sabia E, que não iria gostar! Que me pudesse agradar, Fui espreitando nova via… Comi migalhas no mato… Que a vida confeccionava… Se a sopa não me agradava, Metia à borda do prato! Agarrei-me então de vez… Ao que via mais seguro… Era assim, e sem futuro, A vida de um Português! João da Palma - Portimão Solidariedade Humberto – Poeta Não te furtes a acudir alguém que vês a sofrer; quem não vive pra servir não serve para viver! *** Se eu um dia mandasse A Força do Povo O nosso povo saiu á rua Para justiça protestar Mostrar a coragem sua Contra a Troika reclamar. Muita gente sofredora Da situação moribunda Parece o tempo da outra senhora Com terapia de segunda. Com políticos encurralados Protestam governação Não se antevêem resultados Da sua administração. Uma das piores fases do País Até os reformados espoliados É o que toda a gente diz Cada vez mais desempregados. Portugueses desesperados Agora de todas as profissões Muito deprimidos e revoltados Lastimando as situações. Pais e avós indignados Lamentando a incompetência Da economia sem resultados Que esgota a paciência. Política será marginalizada Seria a grande realidade A crença do regime ultrapassada Num grito pela igualdade. Deodato António Paias - Lagoa “Veredas Sinuosas” Na vida, tenho que andar Não posso ficar parado Eu tenho que aguentar Mesmo sem muito esperar, O destino que me foi dado O caminho faz-se andando Eu por diversos passei! Muitas vezes caminhando Em atalhos tropeçando, Mas sem cair, caminhei! Em veredas sinuosas P’los campos, pesado fardo… Passei por vias perigosas Não há espinhos sem rosas Por vezes fui felizardo! Pisei nas ceifas, rastolhos… Campos de terra lavrada! O que viam os meus olhos, Se era riqueza aos molhos, Não foi p’ra mim semeada! João da Palma - Portimão A Democracia O começo da história… Em 25Abril1974 começou Ainda bem na memória Tudo aquilo que se passou. Um período revolucionário Sem desenvolvimento Foi triste aquele cenário Com algum sofrimento. Houve crise internacional Assunto muito discutido Apareceu o PREC nacional Trazia o povo dividido. Extinto o C. da Revolução Forças Armadas submetidas Ao governo civil da nação Foram decididas medidas. A democracia declarada O PREC foi ultrapassado A política mais organizada Para esquecer o passado. As FP 25 Abril apareceram Foi um grupo descontente Problemas graves arranjaram Desmantelados de repente. A democracia identificada Não apenas com a liberdade, Mas com política declarada Em prol da prosperidade. Deodato António Paias - Lagoa Se eu um dia mandasse, muita coisa mudaria! Afirmo-o sem reservas, ciente da minha razão. O que nos impõem, não tem justificação Porquê- pois- tão descarada ribaldaria? Se eu um dia mandasse, muita coisa mudaria! Não compreendo, não, porque são tantos a sofrer. Más políticas, de há muito com assento no Poder Condenam-nos a uma vida que jamais se sonharia. Se eu um dia mandasse, corria com a cambada:- Malfeitores- gente corrupta- gente malvada Que sem vergonha se governa à nossa custa! Ah! Se eu um dia mandasse, muita coisa mudaria! Neste nosso Portugal com a pobreza acabaria. Teríamos uma sociedade mais livre, mais justa. JGRBranquinho – Qtª da Piedade

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