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eduardo spohr da queda dos anjos ao crepÚsculo do mundo
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a batalha do apocalipse 1ª ediÇÃo a espada não vive sem o querubim e o querubim não vive sem sua espada a batalha do apocalipse da queda dos anjos ao crepÚsculo do mundo revisÃo guilherme simÕes reis arte da capa harald stricker projeto grÁfico rodrigo tobias deive pazos alexandre ottoni arte conceitual andrÉs ramos e harald stricker isbn 978-85-909900-0-0 todos os direitos reservados proibida a reprodução no todo ou em parte através de quaisquer meios À memória de meu avô carlos spohr que desde cedo me ensinou a gostar de histórias fantásticas.
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há muitos e muitos anos há tantos anos quanto o número de estrelas no céu o paraíso celeste foi palco de um terrível levante armados com espadas místicas e coragem divina querubins leais a jeová travaram uma sangrenta batalha contra o arcanjo são miguel e os anjos que o seguiam deus o senhor supremo de todas as coisas continuava imerso no profundo sono que caíra após ter concluído o trabalho da criação o descanso do sétimo dia enquanto ele permanecia ausente os arcanjos ditavam as ordens impondo seus desígnios no céu e na terra sentados no topo de seus tronos de luz cada um deles almejava alcançar a divindade concentrando todo o poder debaixo de suas asas os poderosos arcanjos onipotentes e intocáveis utilizavam a palavra de deus para fazer jus à sua própria vontade revoltados com o amor do criador para com os seres humanos e movidos por um ciúme intenso decidiram ir contra as leis do altíssimo e destruir todo homem que caminhava sobre a terra acabando assim com parte da criação do divino impulsionado por essa fúria miguel o príncipe dos anjos enviou à haled diversas calamidades mas como insetos persistentes os mortais resistiram os tiranos alados desejavam um regresso à aurora dos tempos quando só os animais povoavam o mundo eles nunca aceitariam venerar uma criatura feita do barro uma vez que tinham sido gerados a partir do próprio esplendor e glória do senhor decidido a eliminar de vez a humanidade miguel ordenou que os ishim a casta angélica que controla as forças da natureza arquitetassem a destruição final submissos eles derreteram as calotas polares e a terra foi inundada por um volumoso dilúvio não obstante os mortais novamente subsistiram diante de tanta morte e devastação uma conjuração teve início em sua inocência política os líderes dessa conjuração foram traídos por outro arcanjo lúcifer a estrela da manhã único que conhecia o plano dos revoltosos para libertar o paraíso da opressão a que era submetido quando o arcanjo sombrio denunciou as idéias revolucionárias os rebeldes foram derrotados expulsos do céu e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o fim dos tempos enquanto a luz do sétimo dia brilhar enquanto deus continuar adormecido os anjos renegados serão perseguidos e mortos pelos agentes celestiais com o poder e prestígio que conseguiu por ter delatado os insurgentes lúcifer arquitetou a sua própria revolução movido por interesses nem um pouco justos o arcanjo sombrio pretendia tomar o principado de miguel e ascender acima mesmo do criador coroando-se em tsafon o monte da congregação e tornado-se assim igual a deus o filho do alvorecer não queria apenas vencer seu irmão mas desejava tornar-se ele próprio deus subjugar não apenas o monarca mas também yahweh muitos anjos revoltados com a política celeste não conheciam as motivações egoístas de lúcifer e se juntaram a ele ao descobrir a traição o príncipe dos anjos declarou nova guerra e uma segunda batalha estalou por seus atos e ambições macabros a estrela da manhã e seus seguidores foram lançados ao sheol um poço obscuro de trevas e sofrimento um lugar terrível um cárcere permanente lá o arcanjo sombrio governa e espera o momento certo para iniciar sua vingança hoje os mortais conhecem essa dimensão pelo nome de inferno muitos milênios se seguiram às duas guerras angélicas e então os humanos reinventaram o período das grandes catástrofes com suas próprias armas modernas na fortaleza de sion a roda do tempo está prestes a terminar o seu giro no alvorecer do milênio a humanidade caminha lentamente para o apocalipse em nível regional a marginalidade a violência e o crime organizado são mais fortes do que a polícia e o governo a pobreza e a miséria são crescentes no plano internacional há guerras por todo o globo pessoas
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matando umas às outras e conflitos onde os mais prejudicados são os membros da indefesa população civil milhares de crianças morrem a cada dia vítimas do ódio e do orgulho de líderes sem rosto que lutam em prol de ideais hipócritas e egoístas não há justiça o mundo chora as pessoas sofrem a civilização dá os seus últimos gritos desesperados em busca da salvação mas é provável que ninguém mais a ouça no céu e no inferno o armagedon marca o início de uma nova era quando o ciclo for completado deus despertará de seu sono e todas as sentenças serão revistas o tecido da realidade cairá antigos inimigos se enfrentarão e não haverá fronteiras entre as dimensões paralelas e esse será o dia do ajuste de contas o crepúsculo do sétimo dia se aproxima e a noite cairá em breve tsafon o monte da congregação dias atuais certo dia o arcanjo uziel cansado daquela espera infindável resolveu galgar o monte tsafon e afrontar seu irmão armou-se de sua espada de fogo vestiu uma armadura dourada e tomou a longa escadaria de mármore que levava à construção de pedra no topo do morro ao fim dos degraus o santuário do alvorecer aparecia meio oculto pelas nuvens geladas um aposento imponente erguido por largas colunas redondas uma forte luz azulada coruscava em seu interior um brilho que o arcanjo acreditava ser as emanações do próprio deus yahweh mesmo através de seu elmo polido que completava o conjunto da bela couraça o rosto de uziel era austero e demonstrava a sua vontade sozinho ele ponderara por anos a fio e
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agora enfim decidira visitar o altíssimo só para ter certeza de que o espírito de deus continuava adormecido deitado no santuário e não morto como às vezes ele suspeitava um dia há muito tempo uziel havia contemplado a face do criador uma dádiva reservada só aos arcanjos nem os anjos tiveram esse júbilo e o que ele viu foi fraternidade amor e compreensão então como teriam os celestiais chegado àquele grau de corrupção o paraíso caíra em decadência e junto a ele também o mundo dos homens mas o caminho ao santuário não seria facilmente vencido miguel o príncipe dos anjos irmão direto de uziel guardava o trono divino e não estava disposto a permitir seu ingresso sozinho ele bloqueava a passagem brandindo sua espada sagrada a insuperável chama da morte envergava uma armadura completa prateada como os raios da lua e adornada por detalhes dourados no peito que formavam desenhos complexos no metal espelhado o capacete de crista vermelha e queixada pontuda fora posto de lado deixando aparentes as feições masculinas a barba por fazer e o rosto cheio de cicatrizes horríveis adquiridas nas batalhas primevas um confronto ancestral sucedido antes mesmo da criação do universo miguel era o mais forte dos cinco arcanjos o primogênito o herdeiro do criador seu cabelo negro e comprido era cortado por uma mecha alva que corria à nuca e os fios estavam presos em um rabo-de-cavalo pouco alinhado se avistado por olhos humanos poucos o reconheceriam como uma entidade celeste não fossem as asas branquíssimas afiadas como navalhas nas pontas o vento ameno da aurora agitou o cabelo do príncipe e soou com apito aos ouvidos de uziel o visitante estacou a dez metros do guardião na parte mais baixa da escadaria silenciosos os dois gigantes se encararam miguel forte e confiante uziel indignado e decidido o invasor levantou sua espada em posição de defesa segurando a arma com ambas as mãos saia de meu caminho miguel estou reivindicando o direito de visitar o nosso pai yahweh em seu leito de repouso É meu direito como arcanjo e descendente do criador por um momento o príncipe nada disse em seguida desceu um degrau você não vai a lugar algum caro irmão minha paciência esgotou-se estou farto de sua insolência eu sou o príncipe dos anjos e isso significa que eu sou o líder dos arcanjos também a minha palavra é a lei determinou yahweh está dormindo como todos sabemos e ele não pode ser perturbado eu estou aqui para defendê-lo e não será você ou qualquer outro que destituirá de minha função principal uziel pareceu ainda mais irritado e como saberei que ele está mesmo aí dentro miguel você nos diz o mesmo há milênios insistindo que um dia o criador despertará para punir os injustos pois eu digo que este dia chegou a podridão tomou conta do mundo já é hora de sabermos se o que fala é correto atreve-se a questionar os meus comandos eu sou o seu irmão mais velho não duvide de seu comandante veja aonde você nos levou e pergunte a si mesmo se é realmente algum tipo de líder gabriel arrastou metade dos nossos anjos para uma guerra civil contra nós e rafael nos abandonou caindo em desgraça se você se opuser a mim qual o outro arcanjo que terá ao seu lado lúcifer ironizou evocando o nome do maior de todos os inimigos do céu lúcifer o arcanjo sombrio expulso pelo próprio miguel do paraíso junto com sua horda nefasta o príncipe dos anjos lançou ao invasor um olhar de desdém ao mesmo tempo em que levantava sua espada fulgente eu não preciso de você uziel não preciso de ninguém então o guardião empunhou sua arma e a moveu para o ataque suas chamas cresceram e a luz do fogo sagrado refletiu nos olhos castanhos do príncipe uziel sentiu vontade de fugir frente à majestade do inimigo mas sua pujança o motivou ao combate então é verdade não é É verdade o que gabriel disse aos seus anjos mas antes que uziel terminasse miguel alçou vôo abriu suas asas e desceu para ferir o irmão com um golpe violento de espada ofuscado pelo brilho do sol o visitante quase não se esquivou mas conseguiu rolar para o lado no instante preciso um estrondo titânico abalou a montanha e a lâmina flamejante tocou a escadaria de mármore abrindo uma fenda larga no solo o invasor
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teria caído pela encosta do morro não tivesse adejado em reflexo ascendeu às alturas mas em seguida mergulhou aterrissando em um sítio acima do guardião muito perto da passagem ao santuário dando as costas ao perigo disparou para dentro do templo subestimando a potência do algoz mesmo entendendo que jamais venceria o impiedoso vigia uziel continuou sua trilha queria entrar no santuário do alvorecer e vislumbrar a face do onipotente só mais uma vez nem que isso custasse sua vida se o altíssimo estivesse realmente adormecido ele teria obtido a resposta que procurava a de que a sua luta ao lado do arcanjo miguel tinha sido legitima mas e se nada encontrasse e se yahweh não estivesse deitado em tsafon essa hipótese o apavorava sobremaneira mas ainda assim pereceria feliz sabendo que desafiara seu tirânico irmão mesmo que num derradeiro momento teria então se redimido de todas as matanças de todas as catástrofes que promovera de todos os cataclismos que comandara correndo e voando ele pulou para o interior do edifício venceu as colunas e ultrapassou o umbral de entrada uma luz intensa confundiu seus sentidos mas logo a vista se adaptou à claridade no centro do grande aposento surgiu um pedestal trabalhado e sobre ele descansava um livro grosso de aparência antiga escrito por dentro e por fora aquele era o livro da vida um magnífico artefato deixado ao príncipe dos anjos pelo próprio deus yahweh e que relatava em detalhes toda a história do sétimo dia desde a criação do homem até o crepúsculo dos tempos estava marcado com o código secreto dos malakim um idioma anterior à aurora do mundo miguel nunca deixava que qualquer um se aproximasse do tomo e sua obsessão para com o objeto chegava a ser psicótica quando percebeu o que se passava uziel sentiu as costas rasgarem em um corte abrasado a dor do fogo queimou suas asas e o sangue escorreu pelo ferimento como um raio certeiro a espada flamejante do furioso miguel dilacerou suas costas lançando o invasor ao estado letal atordoado desabou contra o chão largando o sabre e se esticando à espera da morte o guardião pisoteou o busto do visitante esmagando o metal da armadura dourada então apontou sua lâmina ao rosto do irmão em prelúdio ao choque final miguel você nos traiu protestou o ferido cuspindo um refluxo de sangue você traiu a confiança dos arcanjos e de todos os celestiais eu não traí ninguém uziel foi você quem traiu a si próprio onde está deus miguel onde está o nosso pai luminoso Às portas do desfalecimento uziel ainda resistia procurando resposta à sua busca desesperada não distinguira sinais do altíssimo no templo de mármore só os contornos de um livro envelhecido o que teria acontecido ao criador o onipotente está aqui mesmo uziel será que não percebe ele está aqui no santuário do alvorecer uziel maneou a cabeça convencido da insanidade do irmão yahweh está morto é isso ele morreu ao fim do sexto dia não está apenas adormecido como você havia contado você nos enganou por todos estes anos príncipe celeste acusou eu me sinto envergonhado por ter acatado as suas ordens mas estou feliz por enfim ter alcançado a verdade desta feita uziel acalmou-se a vida o estava deixando mas ele havia cumprido a sua missão agora sua essência vital poderia se dissipar finalmente e regressar ao ventre do infinito pronto à execução miguel deteve sua espada por mais um segundo perdeu seu juízo pobre irmão se preferisse esperar só mais um pouco não estaria agora estendido neste piso gelado a roda do tempo não tardará a anunciar o apocalipse mas não é sua culpa nada você poderia ter feito para evitar o destino assim está escrito completou fatalista então o príncipe levantou sua lâmina e uziel aguardou a sentença não me tome por louco acrescentou o arcanjo miguel em inesperado discurso antes que morra quero que saiba que eu só digo a verdade e faço tudo pelo bem da criação.
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deus está adormecido e se você não o encontrou quando entrou nesta sala pausou e em seguida atacou com a espada perfurando o estomago do moribundo é porque não teve a dignidade de olhar para trás quando a arma encravou o invasor se contorceu em espasmos de dor miguel trespassara seu peito a parte mais sensível da anatomia angélica onde está concentrada toda a essência celeste toda a energia sagrada todo o poder da aura pulsante com uma mão o príncipe despedaçou a couraça e com a outra arrancou o coração do irmão uma luminosidade mística envolveu o cadáver e o corpo se dispersou em vibrações cintilantes e esse foi o fim do arcanjo uziel patrono da casta dos querubins vitorioso miguel se aproximou do pedestal onde repousava o livro fechado deslizou os dedos sobre as inscrições e sublinhou com os olhos os caracteres marcados virou-se para trás para a nave do templo agora vazia então regressou a atenção ao tomo sagrado com um misto de seriedade e loucura o arcanjo falou em sussurro concordo com você em um ponto irmão chegou o dia de deus despertar de seu sono rio de janeiro costa leste da américa do sul em um futuro próximo o rei caÍdo de atlÂntida o sol estava se pondo em pé sobre a gigantesca mão da estátua do cristo redentor o anjo renegado observava a cidade à aproximação do crepúsculo sua expressão inabalável e serena era de alguém que muitas vidas vivera de um andarilho que percorrera o mundo desvendara seus infinitos mistérios e enfrentara toda a sorte de criaturas abissais e celestes mas era também o semblante de um pioneiro que visitara nações já perdidas e que se sentara à mesa com os grandes homens de outrora era como se nas profundezas daqueles olhos cinzentos estivesse gravada uma parte singela de cada civilização de cada povo de cada cultura ancestral e moderna das torres resplandecentes de atlântida às pirâmides da babilônia das cidadesestado gregas à majestade do império romano das catedrais medievais às caravelas de sagres das campanhas napoleônicas ao horror nuclear a história de toda uma espécie vivia agora na mente do fugitivo um guerreiro de jovem aparência tão preservado quanto os homens mortais no auge da casa dos trinta Às vezes o lutador ficava imóvel por horas em absoluto silêncio meditando sobre seus amigos já mortos de maneira a não olvidá-los jamais padecia de um único temor o medo de esquecer esquecer os seus ideais o seu passado e a sua luta incansável uma rajada de vento sacudiu a montanha balouçando os loiros cabelos do renegado ele os prendeu com uma fita e caminhou sobre a estrutura de pedra seu equilíbrio era impecável mesmo na estreita passagem que completava o braço da escultura titânica não se parecia com um anjo de fato porque escondia suas asas enfiadas na carne o rosto era nórdico tipicamente e o corpo atlético forte e delgado guardava um aspecto felino era a face de um caçador sempre alerta ao perigo e pronto a responder ao ataque a barba mais espessa à volta da boca formava um cavanhaque dourado e as roupas escuras delineavam uma silhueta
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sombria estático inabalável ao vento o querubim esperava por algo provava o cheiro do ar escutava o movimento das nuvens e enxergava a despedida do sol dali do cume da imensa montanha mesmo os maiores arranha-céus eram agulhas farpas minúsculas no coração da cidade as águas da baía de guanabara cercada pelo morro do pão de açúcar e pelas brancas areias da enseada refletiam o róseo brilho poente foi então que à contemplação da paisagem o celeste percebeu o quanto a metrópole crescera desde sua chegada ao brasil há trezentos anos exatos as praias estavam interditadas e as fábricas poluíam a baía as pessoas construíram pontes e ruas e levantaram antenas no alto dos morros agora era só uma questão de tempo até que o sol extinguisse seu fogo e a civilização mortal perecesse e o gigante dos tempos entendeu porque estava triste por mais que um dia tivesse sido um anjo ele agora era humano também o tecido da realidade tremeu e um trovão correu pelas nuvens a membrana mística a película invisível que separa o mundo físico do espiritual fora abalada lançando ao plano material dois visitantes duas entidades tão fortes quanto o general exilado uma delas se materializara à distância e permanecia parada sobre a grade de ferro que circulava a base da estátua emanava uma aura terrível maléfica cheia de ódio e furor o segundo era amistoso e não desejava combate apareceu ali perto por cima do ombro do cristo próximo ao anfitrião renegado coxo ele caminhou ao encontro do anjo guerreiro apoiado em uma bengala afiada ablon o anjo renegado sussurrou o forasteiro evocando o verdadeiro nome do general imaginei que o encontraria aqui de certa forma não deixa de ser irônico a criatura saiu das sombras e tal como o lutador parecia um homem comum maduro tinha o corpo largo e maciço mas era mais baixo do que o celeste usava um terno alinhado imitando os trajes mundanos uma barba escura cobria a face delineando um queixo redondo nos braços de deus completou orion o rei caído de atlântida era assim que o chamavam pensei que você viesse sozinho reagiu o querubim fitando o demônio disfarçado de gente trepado na grade metálica a 30 metros abaixo de si ah sim apollyon a atenção de orion se desviou à mureta de ferro eu sinto muito tive que trazê-lo ordens do chefe as montanhas enfim engoliram todo o lume do sol vespertino e o oceano aguardou o nascimento da lua já na penumbra da noite ablon virou-se para encarar seu velho confrade um anjo caído hoje um dos duques do inferno um monarca falido que havia seguido as hostes de lúcifer nos tempos da guerra no céu como muitos orion fora ludibriado pela persuasão do diabo quando celeste fora enviado à terra para governar a legendária cidade de atlântida mas o dilúvio destruiu toda a ilha e sepultou seu povo adorado o rei caído então regressou ao paraíso revoltado com as catástrofes incitadas pelo arcanjo miguel assim quando lúcifer se levantou contra o príncipe dos anjos orion assumiu seu partido mas a revolução fracassou e os rebeldes foram lançados ao abismo isso foi depois do expurgo dos renegados nos dias da revolução ablon e sua irmandade já haviam sido execrados se orion estivesse no céu à época da conjuração talvez tivesse se juntado a ela orion em consideração à nossa antiga amizade eu aceitei me encontrar com você eu quero deixar claro que este é o único motivo o seu mestre me traiu o demônio que o acompanha e ele se referia ao implacável apollyon um assassino terrível conhecido por ter vitimado dez dos dezoito renegados matou muitos de meus amigos ademais eu nunca simpatizei com os condenados do porão era uma gíria que definia o inferno portanto seja breve o tempo corre o rei caído sorriu aquele era o antigo ablon sem dúvida o seu bom camarada que às vezes o visitava em atlântida e se sentava ao banquete nos dias festivos o general não havia mudado orion o admirava porque apesar das provações das perdas e das perseguições ele não largara os seus verdadeiros valores desafiara a todos para defender uma causa e por ela continuaria lutando quisera eu ser como ele pensou o monarca mas ele reconhecia também o
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revés da liberdade a morte e a solidão acompanham os exilados e de repente orion achou que mesmo que tivesse escolhido o caminho dos bravos ele talvez não conseguisse trilhá-lo então você também notou não é instigou o infernal os sinais eles são a prova definitiva de que o fim do sétimo dia está terminando e com ele toda a vida humana o apocalipse orion estava certo os sinais eram evidentes todos os símbolos e profecias apontavam para o juízo final eu sou um anjo renegado o último ainda vivo estou condenado a viver neste mundo físico não posso mais cruzar o tecido da realidade como vocês mas não é preciso ser muito esperto para notar que o armagedon se aproxima o guerreiro fez uma pausa e então concluiu e é triste pensar que tudo o que fizemos foi em vão orion achegou-se ao exilado e tocou o seu ombro mesmo manco se equilibrava com maestria no braço da estátua de pedra arrastando a bengala não há mais saída orion continuou o fugitivo não há mais esperança o arcanjo miguel finalmente conseguirá seu intento mas desta vez ele não enviará os seus anjos a civilização humana arruinará a si própria com suas guerras e armas modernas e contra os homens nada podemos fazer seguiu-se um longo silêncio e a conversa penetrou na noite cerrada ablon continuava atento à silenciosa presença de apollyon o exterminador que o observava de longe os dois eram inimigos declarados desde os tempos em que ambos eram generais no paraíso apollyon era também um anjo caído como orion e lúcifer era aquela uma contenda milenar e essas brigas ancestrais só se resolvem na espada há muitos anos eu fui o príncipe de atlântida começou o visitante como um deus eu governei a cidade cada humano era para mim como um filho a felicidade estava em todo o lugar e quase não existia o sofrimento naquela época eu tinha um amigo ele era um formidável guerreiro um soldado valente e sábio não raro ele vinha ao meu palácio nós falávamos à multidão e depois cantávamos louvores ao altíssimo ele mirou as ondas do mar mas um dia terminou a utopia a fúria dos arcanjos devastou minha ilha e o povo morreu com ela acabou também o meu sonho o meu desejo de difundir a perfeita civilização sem dor ou miséria quando regressei ao salão celestial soube que o meu amigo o general incansável havia enfrentado os primogênitos e a coragem dele me fez prosseguir tudo o que eu queria era vingança e então desesperado eu aceitei as idéias de lúcifer É verdade que fomos derrotados e que tenebrosa foi a nossa punição mas eu nunca me arrependi por ter confrontado o opressor para isso eu me inspirei em alguém o olhar voltou ao lutador por toda a sua vida você lutou general não pode desistir logo agora e qual é a sua proposta perguntou amolecido pela confissão do monarca sei que lúcifer o traiu talvez ele não seja a criatura mais justa do universo mas é quem melhor conhece as fraquezas do tirânico miguel todos no inferno e no céu esperam pelo derradeiro confronto a batalha do armagedon que antecederá ao despertar do altíssimo o combate é a nossa última chance de despojar o príncipe dos anjos antes de o criador voltar à cena do cosmo os vencedores estarão mais perto de deus e a ele apresentarão suas armas quando yahweh acordar ele punirá os perversos argumentou o renegado e não há dúvida de que miguel será o primeiro a ser condenado por ter usado a sua palavra para justificar tantos massacres então por que não esperar simplesmente por que não aguardar o regresso de jeová não sei quanto a você mas nós queremos vingança rebateu e analisou o rosto sofrido do fugitivo e eu diria que você também tudo o que eu quero é a justiça que seja chame-a como quiser os seus interesses estão ligados ao nosso miguel se prepara para a guerra e nós temos um inimigo em comum o que está me propondo é uma aliança digeriu o guerreiro incrédulo a estrela da manhã quer você ao nosso lado seu mestre sabe que eu nunca me uniria a ele não depois de ele nos ter enganado e denunciado a conjuração se eu tiver que lutar essa última batalha não será sob as asas de um
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maldito farsante orion já esperava aquela resposta e chegara a julgar estúpido o seu senhor por tê-lo enviado à terra com tão inusitada proposta mas por muitas vezes o rei caído se surpreendera com a perspicácia do arcanjo sombrio e preferiu não julgá-lo precipitadamente eu entendo todas as suas preocupações mas desta vez é diferente este é o embate final de uma guerra que persiste por milhares de anos não haverá uma outra oportunidade para derrotar o arcanjo ablon cerrou os punhos e fechou os olhos em ligeira meditação tudo o que ele mais desejava era completar o ministério de sua vida enfrentar o príncipe celeste e vingar a memória dos renegados o anjo guerreiro sabia que jamais venceria uma guerra sozinho mas certamente aquela guerra não seria vencida sem ele depois de tantas batalhas de tantos combates o fugitivo era o comandante ideal o mais indicado para dirigir um exército hostil ao tirano mas controlando ou não uma armada ablon iria desafiar miguel mais cedo ou mais tarde porquê essa era a sua demanda vital o sentido de sua existência o duelo só seria possível quando o tecido da realidade caísse já que o exilado estava preso ao seu corpo físico e portanto incapaz de passar ao plano espiritual e de viajar ao paraíso e a membrana só desapareceria à conclusão do apocalipse mas caso firmasse acordo com lúcifer teria o diabo meios de pôr príncipe e vagabundo cara a cara para uma peleja mortal estarei esperando por você nas proximidades da ponte rio-niterói daqui a quatro dias exatos disse orion quebrando o silêncio se você não estiver lá eu voltarei ao sheol e direi ao meu mestre qual foi a sua resposta o renegado concordou com um tímido sinal de cabeça não descuidava nem um instante de seu odiado rival o demônio apollyon ainda empoleirado no gradeado era fortíssimo o tal exterminador um demônio guerreiro pertencente à casta dos malikis os soldados do inferno a pele era morena como a dos beduínos e os cabelos negros e ralos vestia um sobretudo marrom muito batido e roupas grossas tinha assim como ablon instintos de predador e é claro que estava preparado para o assalto caso o celestial explodisse e saltasse para atacá-lo orion andou para as trevas mas acrescentou antes de desaparecer no escuro quero que fique com isso sussurrou sacando um fragmento de pedra do bolso era um estilhaço negro de basalto e um símbolo em baixo-relevo marcava a superfície É a runa atlântica da paz reconheceu era parte do monolito que eu levantei na praça central de atlântida foi a única coisa que sobrou da minha cidade completou melancólico eu me lembro respeitou o guerreiro aceitando o presente ablon não era o único a sofrer com as memórias passadas orion também tinha os seus próprios fantasmas e talvez fosse a dor que os unisse a nostalgia inesquecível daqueles dias de glória compreendeu então mais uma das grandes emoções humanas a ligação entre demônio e renegado era forte porquê compartilhavam das mesmas lembranças e essas recordações são invioláveis precisamente porquê se transformam em lugares míticos inalcançáveis ícones para uma mente doída quando a lua nasceu arrastando o anil da primavera os dois infernais já haviam sumido a membrana fora novamente partida e agora orion e apollyon estavam a caminho do inferno lúcifer foi muito esperto ao mandar você até aqui rei caído sussurrou o celeste É o único a quem ouço mas eu estarei preparado para tudo como sempre estive desceu a estátua com um pulo e tomou a estrada em retorno à cidade.
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quarto céu doze mil anos atrás as guerras etÉreas no princÍpio havia o cÉu e a terra as duas grandes dimensões de um universo bem jovem há muito tempo antes da queda de lúcifer o inferno não existia só a gehenna o purgatório das almas uma das sete camadas celestes destinadas a abrigar o espírito dos pecadores esse lugar não era muito diferente do sheol para onde o arcanjo sombrio e seus seguidores foram lançados após o fracasso na guerra na gehenna a estrela da manhã governou até que fosse expulsa pelo arcanjo miguel naqueles dias antigos anteriores mesmo à conjuração os anjos eram numerosos e fortes e alguns por demais violentos antes do dilúvio a civilização humana na terra era dominada por duas nações rivais enoque a bela gigante e atlântida a pérola do mar mas apesar da majestade das grandes potências e de seus heróis inesquecíveis sua influência não chegava a todos os rincões do planeta porções significativas continuavam independentes e dezenas de milhares de tribos e clãs habitavam o mundo muitas aldeias não reconheciam a existência de um único deus e veneravam suas próprias divindades locais essas divindades nada mais eram do que espíritos de grandes heróis que adorados após a morte se tornaram entidades poderosas crescendo com a energia das preces de seus dedicados fiéis a fim de permanecer em contato com seu séquito de adoradores essas entidades preferiram não seguir para o paraíso mas ficar na camada mais profunda do mundo espiritual o chamado plano etéreo daí se chamarem espíritos etéreos com o tempo os espíritos etéreos personificados sob a forma de divindades tribais foram ampliando sua influência à medida que seus cultistas se multiplicavam esse poder paralelo na esfera mística ameaçava a autoridade dos celestiais que assistiam aos poucos à decadência de seu domínio sobrenatural sobre os seres humanos diante da situação os arcanjos determinaram que os espíritos etéreos deveriam ser confrontados e destruídos iniciaram-se então as guerras etéreas uma serie de campanhas militares conduzidas no plano etéreo cujo objetivo era aniquilar toda e qualquer entidade deificada as guerras etéreas duraram cerca de dois mil anos entre doze mil e dez mil anos antes de cristo em algumas regiões opecialmente no oriente as legiões celestes foram destronadas mas em outras partes saíram vitoriosas ao fim das guerras etéreas os arcanjos retomaram a política dos grandes massacres enviando pelotões de anjos à terra para assassinar os seres humanos a justificativa era muito simples segundo miguel que dizia falar em nome de deus yahweh havia se envergonhado de sua criação tão perversos haviam se tornado os homens a civilização humana não parava de guerrear clã contra clã tribo contra tribo aldeia contra aldeia pelo ódio natural que carregavam no coração os mortais deveriam ser descartados muitos anjos bons não concordavam com os morticínios mas como questionar uma entidade que era a própria voz do criador e além disso os arcanjos eram insuperáveis em inteligência e vigor os poucos que enxergavam a verdade sabiam que miguel tinha inveja e ciúme da humanidade por deus ter dado a ela o mundo a alma e o livre-arbítrio o príncipe dos anjos desejava em
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seu íntimo acabar com todos os homens roubar-lhes a terra e assumir o trono do deus adormecido pelo menos até seu despertar mas ele não era o único o ambicioso lúcifer tinha igual motivação e fet então que se tornaram rivais no entanto a cada ano que se passava à medida que a civilização florescia engrossava o tecido da realidade assim tornava-se cada vez mais difícil para os celestes agirem na esfera material e então miguel indomável arquitetou o cataclismo que segundo ele liquidaria de vez os bonecos de barro para seu desagrado o príncipe descobriria a verdadeira resistência da espécie terrena c huva de sangue no quarto céu isolada no coração do oceano celeste havia uma montanha delgada que se alargava no topo imitando a forma de um cogumelo em seu cume ficava o castelo da luz o principal núcleo de atividade dos guerreiros alados no paraíso a fortaleza fora projetada para suportar mil legiões prontas a defender o céu contra qualquer invasão o líder do castelo era o arrogante balberith o príncipe da casta dos querubins temido por todos os soldados envergava uma armadura sagrada chamada couraça da honra dada a ele pelo arcanjo uziel patrono da ordem dos combatentes naquele dia há doze mil anos a aurora dava espetáculo e o sol nascente desenhava uma estrada tremulante no mar ablon o primeiro general aterrissou no pátio central e contraiu as asas só então regressava ao forte depois de um longo período de recuperação gravemente ferido durante as guerras etéreas o lutador quase perdera a visão ao afrontar o deus rahab chefe de uma horda de entidades etéreas de foto não estava totalmente curado mas um acontecimento terrível antecipara sua volta justo e bom como era ablon não tolerava participar das carnificinas ordenadas pelos arcanjos mas enquanto descansava o comando de sua legião fora entregue ao maior de seus adversários o abominável apollyon o anjo destruidor esse homicida nefasto liderara seus soldados em uma sangrenta incursão pela haled como os celestiais chamam o plano físico aniquilando um povoado inteiro a operação fora chamada de chuva de sangue em alusão à passagem atroz da legião indignado porém contido o general retornou sem demora preocupado em retomar a liderança de suas divisões mas a despeito de sua querela com o destruidor outro evento marcante estava para mudar para sempre a política angélica e quanto a isso o lutador nada podia fazer no palácio celestial no quinto céu os cinco arcanjos discutiam a proposta de miguel de lançar um cataclismo à terra a decisão dos primogénitos seria anunciada em breve e os dez generais deveriam estar reunidos havia dez gran-is querubins sob a tutela de balberith ablon e apollyon estavam entre eles lúcifer a estrela da manhã mostrara-se contrário à hecatombe o impasse foi resolvido então com o envio de três celestiais à haled cuja missão seria comprovar ou refutar a perversidade dos homens se existisse ao menos uma pessoa justa e reta na face da terra ela seria poupada os escolhidos para a missão foram três anjos de castas distintas um deles era balam da casta dos hashmalins ordem que defende a purificação da alma pelo sofrimento da carne o segundo enviado era nathanael da casta dos ofa-nins os ofanins são anjos da guarda figuras de luz e sabedoria que amam os mortais e os ajudam no caminho da salvação por fim o terceiro designado era baturiel o honrado capitão da ordem dos querubins guerreiro cuja única atribuição seria arbitrar a disputa durante a incursão balam tentou corromper cada mortal que encontrou usando de seus estratagemas para incitar a cobiça nos homens nathanael tentou anular suas artimanhas mas o hashmalim era ardiloso e teria voltado ao céu com um relatório impecável não fosse por um único humano que resistiu às provações noé e era precisamente sobre o destino desse homem que os arcanjos agora deliberavam.
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ablon por sua vez já tinha em mente uma conjuração planejava reunir alguns celestiais que compartilhavam das mesmas idéias que ele e depois buscaria o apoio de um dos cinco gigantes lúcífer o principal inimigo do poderoso miguel mas para isso a humanidade teria que sobreviver à próxima destruição e então os conjurados agiriam por ora a situação estava nas mãos dos arcanjos o castelo da luz era uma edificação grandiosa lapidada em pedra clara ouro e mármore e praticamente inacessível por terra ou mar por ar os virtuais inimigos teriam que antes vencer as numerosas patrulhas aladas que defendiam a fortaleza por todos os cantos do céu anjos armados deslizavam ao vento subiam desciam mergulhavam e rodopiavam em uma dança bela e mortal no pátio menor uma área circular com cem metros de raio os querubins praticavam técnicas de infantaria manejando suas espadas contra oponentes invisíveis outros moviam suas lanças simulando o combate enquanto um regimento de mulheres-anjo praticava tiro com seus arcos fantásticos ablon ajeitou sua armadura dourada uma couraça peitoral coruscante as armaduras completas com placas por todo o corpo estavam reservadas aos príncipes de casta e aos insuperáveis arcanjos balberith o líder da ordem dos anjos guerreiros tinha uma couraça completa depois o general apertou a fivela cinto e desceu a mão à bainha só para sentir o conforto de sua espada mística a vingadora sagrada para os querubins mestres da luta a espada é uma rte do corpo um acessório indispensável à batalha eles nunca esquecem suas armas e se sentem incompletos sem elas nas alturas da fortaleza a brisa gelada trazia o aroma da maresia com sentidos de caçador o primeiro general escutava as ondas a estourar na base da delgada montanha novecentos metros abaixo ouvia o espargir dos respingos e as gotas salgadas escorrendo na rocha de repente um movimento chamou sua atenção no céu avistou dois soldados em disputa feroz sem armas eles trocavam socos e chutes disparando nuvens e em seguida descendo ao pátio os duelos eram comuns no castelo e incentivados como parte da natureza dos querubins de acordo com o código da casta qualquer guerreiro podia desafiar outro de mesma hierarquia para um combate particular no confronto porém as armas eram vetadas e o uso de armadura obrigatório assim a peleja nunca era letal o duelo virava treinamento diário motivando os adversários a aprimorar suas habilidades muitos desafios eram aceitos na hora e frequentemente a fortaleza se convertia em arena aberta anjos em serviço não podiam lutar apenas os celestiais em período de descanso o costume de convocar alguém ao duelo consistia em desatar a fivela do cinto deixando cair a espada era o sinal que indicava que o rival estava desarmado e pronto para a disputa os alados que portavam armas distintas como lanças e arcos simplesmente largavam o objeto no chão e aguardavam a resposta do oponente esquecendo a briga ablon escutou um andar regular acompanhado do tilintar de metal o capitão dariel lutador célebre pela rapidez e percepção parou diante do superior general o príncipe balberith solicita a presença de todos os líderes de legião no pátio central anunciou contraindo as asas em sinal de respeito ele adiantou alguma coisa baturiel retornou senhor ele traz a decisão dos arcanjos a vontade dos homens o pátio principal do castelo era enorme vista de cima a fortaleza desenhava um grande círculo central orlado por quatro pátios menores entre eles altas torres de guarda faziam a segurança com os olhos voltados aos pontos mais distantes do oceano.
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