Revista Mineração & Sustentabilidade - Edição 14

 

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Elifas Simas, Tecnologia Entrevista revistamineracao.com.br Setembro .Fevereiro de 2014 Janeiro . Outubro 2013 Edição 12 . Especial.. Ano 2 Edição 14 3 presidente da CRM Infraestrutura abre as portas para investimentos no setor Cidade Minerária capital nacional do carvão Lei dos Portos Drones prometem tomar o céu da mineração Candiota, uma alternativa energética viável? o controverso combustível quer ostentar uma nova imagem no Brasil CaRvão MInERaL,

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clIquE Divulgação / Eletrosul TuDo LIMPo Pesquisa divulgada em fevereiro pela revista Nature Communications descartou a influência direta dos geradores eólicos na temperatura e ciclo de chuvas das regiões onde estão instalados. O estudo concluiu que os impactos não são significativos, ao contrário do que suspeitavam alguns pesquisadores, que sugeriam que as hélices eram capazes de misturar camadas de ar frio e quente. Ponto para a sustentabilidade. Usina Eólica (foto) Cerro Chato (RS). EXPEDIENTE Diretor Geral Wilian Leles diretor@revistamineracao.com.br Diretor de Relações Institucionais Francisco Stehling Neto francisco@revistamineracao.com.br Editor Geral T. L. Almeida REG. 12.937 JPMG edicao@revistamineracao.com.br Redação Márcio Antunes Virgínia Gonzaga Joyce Afonso Viviane Rocha redacao@revistamineracao.com.br Projeto Gráfico, Editoraçãoe Design Leopoldo Vieira W. Tourinho anúncios / Comercial Natália Sousa + 55 (31) 3544 . 0040 comercial@revistamineracao.com.br Distribuição e assinaturas Renata Álvares atendimento@revistamineracao.com.br Impressão Gráfica Del Rey Tiragem 8 mil exemplares Circulação Esta publicação é dirigida ao setor minerário, siderúrgico e ambiental, além de governos, fornecedores, entidades de classe, consultorias, instituições acadêmicas e assinantes. Foto da capa Usina Termoelétrica em Candiota (RS) Divulgação CGTEE on-line www.revistamineracao.com.br revista@revistamineracao.com.br Conselho Editorial Eduardo Costa Jornalista Rádio Itatiaia / Rede Record José Mendo Mizael de Souza Engenheiro de Minas e Metalurgista J. Mendo Consultoria Marcelo Mendo de Souza Advogado Mendo de Souza Advogados Associados Rua Guaicuí, 82 . Brasiléia Betim . MG - 32.600.456 + 55 (31) 3544 . 0040 | 3544 . 0045 acompanhe Não são de responsabilidade da revista os artigos de opinião e conteúdos de informes publicitários. 4 Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2014 /RevistaMineracao @RevMineracao

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EvENTo Ibram realiza 8ª edição do CBMIna O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) realiza entre 6 e 8 de agosto de 2014, em Belo Horizonte (MG), a oitava edição do CBMINA, fórum que reúne o Congresso Brasileiro de Mina a Céu Aberto e o Congresso Brasileiro de Mina Subterrânea. O evento, que ocorre a cada dois anos, é resultado de parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O Congresso tem por objetivo promover uma discussão qualificada e a difusão de conhecimento sobre os avanços tecnológicos, a solução de problemas, desafios e tendências, nacionais e internacionais, para as áreas de lavra a céu aberto e lavra subterrânea, além de discutir as práticas rotineiras de seus processos produtivos em talk show com líderes do setor mineral, workshop técnico, palestras e a exposição de equipamentos e serviços. A apresentação de trabalhos técnicos pode ser feita por estudantes e profissionais de diferentes empresas mineradoras. As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo site www.cbmina. org.br até 18 de abril. A data limite para efetivação da inscrição para inclusão do trabalho no Programa Oficial e no CD-ROM do Congresso é 6 de junho de 2014. Serão premiados os três melhores trabalhos na categoria “Estudantes de Cursos Técnicos e Graduação” e o melhor trabalho na categoria “Profissional”. Evandro Fiúza Nesta edição, a programação do evento vai abordar temas de relevância na agenda da mineração brasileira. Os destaques ficam com o workshop “Economia Mineral: Recursos e Reservas” e o talkshow “Investimento Social Privado”. Para o professor do Departamento de Engenharia de Minas da Universidade Federal de Minas Gerais, Cláudio Pinto, “a principal ideia do workshop é enfatizar a necessidade de enxergar a avaliação e o planejamento mineral como processos aleatórios que devem incluir as incertezas geológicas e econômicas”. Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2014 5

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sumárIo www.revistamineracao.com.br Janeiro . Fevereiro de 2014 Edição 14 . Ano 3 30 Carvão Mineral Indústria carbonífera quer aumentar participação na matriz energética brasileira 10 Entrevista Elifas Simas, presidente da CRM, fala sobre os projetos e ações sustentáveis da empresa 40 Infraestrutura Lei de Portos promete desencadear processo de modernização dos portos 34 Tecnologia Uso de drones chegou para ficar e a mineração tem muito a ganhar 26 18 Cidades Minerárias Política Mineral Quais serão as atribuições da Agência Nacional de Mineração? A gaúcha Candiota quer diversificar e implantar uma economia verde Seções 7 Editorial 8 Panorama 10 Entrevista 14 Comunidade 17 Artigo 18 Política Mineral 6 48 22 26 30 34 38 40 Sustentabilidade Cidades Minerárias Produto Final Tecnologia Cetem Infraestrutura 45 46 48 52 54 Sustentabilidade Artigo Internacional Mercado Agenda Internacional Dúvidas na luta contra os diamantes de sangue 22 Sustentabilidade A polêmica que envolve o projeto Volta Grande, no Rio Xingu Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2014

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EDITorIal os cubanos já tem Mariel. E nós? Com a aprovação da chamada Lei dos Portos, no ano passado, a mineração brasileira poderá, enfim, enxergar alguma luz no fim do túnel nessa novela infinita, que é sistemática da exportação. Mas vale também para todos os produtos, cujos produtores perdem com o ineficiente aparelhamento da estrutura portuária. O governo federal promete, a partir deste ano e até 2015, investir R$31 bilhões para novos arrendamentos, concessões e terminais de uso privado. Outros R$23 bilhões serão liberados até 2017. Melhor sorte tiveram os cubanos, que já usam o moderno porto de Mariel, bancado pelo governo federal através do empréstimo bonzinho do BNDES e em franca operação desde o ano passado. Entretanto, um aspecto importante da nova legislação é a permissão para que os terminais privados movimentem cargas de terceiros. Antes, as empresas sem terminal próprio ficavam presas aos portos públicos, mais caros e de grande lentidão operacional. É o que mostra a repórter Viviane Rocha, em matéria da editoria Infraestrutura. Visto desde sempre como um combustível altamente poluidor, o carvão mineral, do qual o Brasil é pequeno produtor, procura agora ampliar sua participação na matriz energética do país e desfazer-se da imagem negativa, contando para isso com a participação carboquímica e da gaseificação, obtendo novos subprodutos. Quem acredita nisso é Elifas Simas, presidente da Companhia Riograndense de Mineração, empresa de economia mista do Rio Grande do Sul, estado que conta com reservas de três bilhões de toneladas. Em entrevista ao repórter Márcio Antunes nas páginas verdes, ele informa que a multinacional Siemens e empresários chineses têm manifestado interesse e estão chegando para conhecer nosso potencial e empregar aqui novas tecnologias, capazes de minimizar os problemas ambientais. Em paralelo, nesta edição, a cidade minerária de destaque é a gaúcha Candiota, um dos polos da Revolução Farroupilha e hoje com 8,7 mil habitantes, mas considerada a capital nacional do carvão. Situada a 400 quilômetros de Porto Alegre e quase na fronteira com o Uruguai, a cidade mantém os traços gauchescos, mas além do carvão é produtora de soja, leite, vinho e tem plantação de oliveiras. Com bons índices de desenvolvimento, com destaque para a saúde, o saneamento e a educação, Candiota, cercada pelos pampas, não dispensa o chimarrão e outras tradições do Rio Grande. Na editoria Política Mineral o tema é a Agência Nacional de Mineração, que será criada para substituir o DNPM tão logo seja aprovado o Marco Regulatório do setor mineral, cujo projeto, de iniciativa do Executivo, está paralisado no Congresso e cercado de dúvidas quanto à sua aprovação ainda este ano. O governo federal tenta deixar a discussão para depois da aprovação do Marco Regulatório. Mas os políticos querem começar agora. O que se pretende é que a agência seja dinâmica e exorcize o fantasma do DNPM, órgão sempre marcado pela pouca agilidade e burocracia excessiva. A editoria Tecnologia traz interessante matéria sobre os drones, aviões não tripulados e até então conhecidos por matar talibãs no Paquistão e Afeganistão, como arma do exército norte-americano. No Brasil, onde já são fabricadas sob o nome de Veículo Aéreo Não Tripulado - Vants, quatro já têm autorização para voar, um deles a serviço do DNPM, dois pelas Forças Armadas e outro pelo fabricante. Na mineração seu uso é uma tendência irreversível e deve começar pelo levantamento topográfico para geração de modelos digitais de elevação e cálculo de volume de minério. A matéria é da repórter Joyce Afonso. A análise comportamental das mineradoras e a evolução das práticas sustentáveis ao longo de 20 anos são a tônica do livro lançado pelo Ibram, sob o título “Gestão para sustentabilidade na mineração: 20 anos de história”. A execução imprópria de licenciamento ambiental no setor mineral é um dos Diretor de Relações Institucionais Francisco Stehling Neto Com mais de 45 anos de experiência no jornalismo, atuou nas sucursais mineiras dos jornais Folha de S. Paulo e O Globo, além de 17 anos na editoria política do Estado de Minas. Foi também Secretário de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte e Superintendente de Comunicação Empresarial da Cemig. pontos de reflexão da publicação, que mostra também que, com a evolução de novas técnicas, legislação disciplinadora e conscientização dos empresários, o quadro evoluiu. A matéria está na editoria Sustentabilidade. Em junho de 2014 os 76 países que integram o SCPK, entidade criada para coibir os conflitos armados e financiados pelo comércio ilegal de diamantes, se reunirá na China. Entre 1980 e 1990 quase quatro milhões de pessoas de quatro países africanos morreram em guerras civis impulsionadas pelo que se chamou de diamantes de sangue, título até mesmo de um filme. Apesar do SCPK, permanecem as denúncias de que os diamantes continuam a financiar regimes fortes em alguns países. Além das seções de praxe, outras matérias de interesse amplo compõem o primeiro número da revista em 2014. Até o próximo número. Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2014 7

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PaNorama AP Images DIaManTE RaRo é EnConTRaDo EM MIna aFRICana Um diamante de 29,6 quilates foi encontrado na mina Cullinan, na África do Sul, pela mineradora Petra Diamonds. A pedra de coloração azul é considerada uma das mais raras do planeta. Especialistas preveem que, após lapidado, o diamante poderá ser vendida por um valor recorde no mercado. “A pedra é de uma azul muito vívido, com extraordinária saturação, tonalidade e claridade, e tem o potencial para se tornar uma pedra polida de grande valor e importância”, destaca nota no site da empresa. A mina adquirida pela companhia em 2008 é famosa por produzir pedras preciosas como essa. Exemplo é o Estrela da África, segundo maior diamante lapidado do mundo, descoberto no local em 1905. Em 2013 a empresa vendeu por US$ 16,9 milhões um diamante azul também descoberto na mina. PRojETo BRaúnaS A Lipari Mineração recebeu a Licença Prévia para iniciar o Projeto Braúna, que será a primeira mina de extração de diamantes em rocha kimberlítica da América do Sul. O Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) aprovou o projeto após a análise do Estudo e do Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA). A mineradora realizou ações técnicas e sociais junto a autoridades e comunidades de Nordestina, cidade que receberá o projeto, para identificar e discutir as preocupações das partes interessadas. Agora, a mineradora dará inicio ao processo de requerimento da Licença de Instalação (LI) que permite a implantação do projeto. A mina a céu aberto produzirá anualmente cerca de 225 mil quilates de diamantes durante os primeiros sete anos de operação. PRIMEIRo PoRTo PRIvaDo Do RIo GRanDE Do noRTE O Rio Grande do Norte viabiliza a construção do terminal portuário de Porto do Mangue devido ao crescimento do setor minerário, responsável pelo investimento de aproximadamente R$ 1 bilhão no estado nos últimos três anos. A expectativa é que, ainda em 2014, seja lançado o edital de parceria público-privada (PPP) para a edificação do porto. Estudos preveem movimentação de cerca de 2,5 milhões de toneladas de minério anualmente. A operação determinada para ser feita no porto será por meio do modelo transshipment, na qual a transferência de carga de uma embarcação para a outra é feita por terra. Esse tipo de modalidade de operação viabiliza o carregamento de navios de grande porte mesmo onde a costa é rasa. CaRnaLITa Da DISCóRDIa O projeto da Vale de extração de carnalita, com investimento de US$ 1,8 bilhão, causa impasse entre duas cidades no Sergipe. O prefeito de Capela, Ezequiel Leite (PR), não autorizou a execução do empreendimento por conta do anúncio de que a mina será instalada no município vizinho de Japaratuba. A multinacional afirma que “a escolha da localidade da planta industrial foi feita com base em critérios estritamente técnicos, após intensos estudos realizados por profissionais qualificados de diversas áreas”. Durante reunião, o governador de Sergipe, Jackson Barreto (PMDB), propôs que os municípios recebessem proporcionalmente as riquezas geradas pelo projeto. Ezequiel Leite não aceita o acordo. A extração do mineral poderá reduzir a dependência da importação de fertilizantes do Brasil, pelo fato de ser rico em potássio, utilizado na fabricação de adubos. 8 Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2014

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níquEL no PIauí A Vale assinou contrato com a Brazilian Níquel para realizar projeto de extração de níquel com investimento de aproximadamente R$ 2 bilhões, no município de Capitão Gervásio Oliveira, no Sul do Piauí. O prazo para instalação da mina é 2017. O governador Wilson Martins (PSB) se uniu a empresários do setor de mineração para debater os futuros investimentos no estado. Durante a assembleia concluiu-se que cerca de 600 empregos diretos e 1,8 mil indiretos serão gerados pelo empreendimento. A Brazilian Níquel pretende aprofundar os estudos e construir a planta final da indústria. A previsão é de que em 2018 haja a exploração do níquel em larga escala. A mina tem capacidade de produzir 25 milhões de toneladas do metal. FanTaSMa Do RaCIonaMEnTo O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revisou a expectativa de aumento de carga de energia no Brasil em fevereiro para 15%. O dado é mais do que o dobro da estimativa do final de janeiro, de que a carga subiria 7,1% em fevereiro na comparação com o mesmo período de 2013. O ONS acrescentou que as regiões Sudeste e Centro-Oeste tiveram o segundo pior janeiro em regime de chuvas para geração de energia pelas hidrelétricas desde 1931 e que, pela previsão revista, no mês de fevereiro esta posição está mantida. Além disso, o ONS prevê que o Nordeste apresente a menor média mensal de afluência de chuvas para os reservatórios de todos os meses de fevereiro do histórico. As previsões agravam as preocupações em relação ao abastecimento do país, já que os reservatórios, principalmente no Sudeste, estão em níveis baixos críticos e continuam a cair. Os reservatórios de hidrelétricas do Sudeste/Centro-Oeste, os principais para o abastecimento do país, estão em queda desde janeiro, época em que deveriam estar enchendo para sustentar o fornecimento de energia durante o período seco. Esses reservatórios já tiveram uma queda de 4,66 pontos percentuais desde o fim de dezembro e estão hoje em 38,5% de armazenamento. Todas as térmicas do país disponíveis para a operação estão acionadas, conforme indica o custo marginal de operação, que já está superior ao custo de geração da térmica mais cara do país, indicando a necessidade de racionar carga no Sudeste/Centro-Oeste e Sul. João Tomate PaRCERIa na PESquISa MInERaL A Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) firmou parceria com a Vale para a construção de uma unidade de pesquisa de mineração. O Instituto Tecnológico Vale (ITV) irá desenvolver estudos científicos e gerar novas tecnologias sustentáveis para o setor. Serão investidos aproximadamente R$ 4 milhões no empreendimento que será erguido no campus Morro do Cruzeiro. A previsão é de que os estudos comecem a ser realizados no início de 2015. Inicialmente, o ITV receberá 20 profissionais da companhia para trabalhar no desenvolvimento de pesquisas junto com os universitários da Ufop. Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2014 9

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ENTrEvIsTa CRM / Divulgação Elifas Simas o novo carvão do Brasil 10 Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2014 Presidente da Companhia Riograndense de Mineração (CRM) apresenta o carvão como alternativa energética viável e sustentável Márcio Antunes

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O engenheiro civil Elifas Mariom Kerller Simas batalha desde 2011 para limpar o nome do carvão mineral junto à parte da sociedade, que aponta o dedo na direção do mineral e o chama de vilão, sem cerimônia. Tanto que o presidente da Companhia Riograndense de Mineração (CRM) afirma que uma das principais metas da empresa é a superação da imagem de “monstro energético” que o insumo carrega. A CRM produz cerca de três milhões de toneladas de carvão ao ano em três minas (Candiota, Leão I e Leão II), todas localizadas no estado que detém 80% das reservas nacionais, algo em torno de três bilhões de toneladas. À frente da empresa que em 2012 teve receita bruta de R$ 159 milhões, Simas usa o futuro como abonador do presente. O presidente aposta no aumento da participação do carvão na matriz energética brasileira, principalmente com vistas à produção de energia elétrica, e nas negociações com possíveis parceiros internacionais no campo de Pesquisa & Desenvolvimento. A joia da coroa é o projeto de gaseificação do carvão extraído em Candiota, promessa de modelo de produção de eletricidade mais sustentável econômica e ambientalmente. Em entrevista à Mineração & Sustentabilidade, Elifas Simas detalha esses e outros projetos da CRM, apresenta as ações voltadas para a sustentabilidade que a empresa executa e argumenta sobre a viabilidade do carvão como fonte de energia. Mineração & Sustentabilidade a Companhia Riograndense de Mineração (CRM) é uma empresa de economia mista, controlada pelo governo do Rio Grande do Sul. Como garantir harmonia entre os interesses público e privado, inseridos em um mercado com tantas oscilações? ELIFaS SIMaS No caso da Companhia Riograndense de Mineração, os interesses público e privado têm harmonia constante para garantir o emprego e renda das comunidades locais que estão diretamente atreladas à vocação carbonífera. Quando o mercado oscila em detrimento do carvão, são postas em prática ações compensatórias para assegurar a continuidade da mineração. Como exemplo, a prospecção de novos mercados, estudos para garantir novas aplicações do carvão gaúcho (como gaseificação e carboquí- mica) e incentivo a projetos de geração energética com aproveitamento das reservas do estado. Como empresa pública, a CRM não pode se dar ao luxo de reduzir cargos e salários em momentos de crise, pois seu quadro é formado por concursados. M&S a CRM é detentora de um potencial de três bilhões de toneladas de carvão. o que tamanha reserva representa na matriz energética brasileira? Há perspectivas de aumento do consumo de carvão mineral? ES A previsão de novos leilões energéticos para usinas a carvão tende a alavancar a demanda. Para tanto, o governo do estado tem agido para elevar o preço teto do MW e garantir a participação de interessados nos certames. O Rio Grande do Sul tem chance de dois empreendimentos saírem vencedores (Seival, em Candiota, e CtSul, em Cachoeira do Sul), o que deverá possibilitar a oferta de 1.250 MW para abastecer o mercado consumidor brasileiro em 2018. A construção da usina de gaseificação do carvão em Candiota, com uma planta de 10 MW com possibilidades de ampliar em mais 10 MW, também está nos planos da companhia. No país, a produção de energia elétrica a partir do carvão mineral representa cerca de 1,5%. M&S a CRM acredita que, embora a produção das termoelétricas a carvão represente apenas 1,5% do sistema elétrico nacional, o carvão mineral constitui-se numa alternativa técnica e economicamente viável. quais os argumentos da empresa para convencer o mercado quanto a isso? ES O índice de utilização do carvão é baixo em comparação com a hidrelétrica, que ultrapassa os 75%, e a eólica. Quanto menores os reservatórios das hidroelétricas e maior a participação de eólica, maior a necessidade de energia de reserva. Sem essa reserva, tem-se a necessidade de ampliação das termoelétricas como garantia energética nesses períodos. Enquanto países desenvolvidos como a Alemanha e Estados Unidos têm 50% de carvão na matriz energética, o Brasil aproveita muito pouco esta energia firme e sustentável. Na Alemanha, por exemplo, cerca de 23 GW de energia nuclear serão substituídos, em grande parte, por energia gerada pelo carvão mineral. O engenheiro civil Elifas Marion Kerller Simas é natural de Santana do Livramento, onde foi prefeito entre 1993 e 1996. É empresário do setor hoteleiro e da construção civil. Está no comando da Companhia Riograndense de Mineração desde janeiro de 2011. 11 Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2014

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M&S a indústria brasileira questiona os altos preços do combustível. Como reverter esta situação? ES A carboquímica e a gaseificação surgem como alternativa. A tecnologia atual possibilita a obtenção de novos produtos e sequestro de agentes nocivos ao meio ambiente agregando valor ao carvão. Além de produzir energia, pode a gaseificação resultar na produção de subprodutos de uso industrial, como o hidrogênio, que pode ser utilizado também como combustível, fertilizantes, além da consequente redução do enxofre emitido. Pequenas Centrais Térmicas (PCTs) estão em estudo, através de uma parceria entre Cientec, CEEE e CRM, para geração de 20 MW de energia elétrica implantadas na boca da mina. Além da eletricidade, os resíduos servem para produção de tijolos para a construção de moradias populares no município. M&S Existem projetos e parcerias com países do Mercosul? o Brasil tem condições de exportar carvão mineral para os países vizinhos? ES Até o momento não. Porém, com os projetos térmicos e eólicos existentes, o Rio Grande do Sul pode passar de importador de energia para exportador, não só para o Brasil, mas também para o Mercosul. M&S os ambientalistas são contrários ao uso do carvão mineral. Como o senhor contesta essa aversão ao produto que a CRM produz? ES Longe de ser o monstro energético pintado por ambientalistas que têm por base uma época em que sequer existiam cuidados ambientais, o carvão mineral gaúcho provém de um complexo sistema de equilíbrio e aprimoramento tecnológico para redução no impacto da extração e queima. Transmitir conhecimentos capazes de afastar os estigmas que o carvão representa e enfatizar a economia circular, onde os rejeitos de uma empresa são reaproveitados por outras, agrega valor com o crescente mercado para os rejeitos de mineração, que servem como matéria prima para diversos produtos. Esta é uma das principais metas da CRM. M&S os engenheiros da multinacional Siemens estiveram reunidos com representantes da CRM, no mês passado. o que podemos esperar deste encontro? as duas empresas farão negócios no futuro? ES A divulgação da proposta entregue pela CRM no início de 2014 vem atraindo o interesse de empresas nacionais e estrangeiras para a realização do projeto de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) para gaseificação do carvão de Candiota. A Siemens é uma das empresas interessadas, bem como empresários chineses, que devem estar no Rio Grande do Sul nos próximos meses para discutir sua participação neste mercado futuro. Além de produzir energia, pode a gaseificação resultar na produção de subprodutos de uso industrial, como o hidrogênio Geraldo Abreu Minas de carvão de Candiota (RS) 12 Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2014

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CRM / Divulgação Produção de carvão da CRM na Mina do Leão (RS) M&S quais são os principais gargalos encontrados pela produção de carvão mineral no Brasil? é possível firmar contratos futuros com tranquilidade? CRM ES O principal gargalo é o ranço ambiental que começa a ser transformado. Principalmente durante as quedas energéticas do verão, o carvão surge como salvação aos problemas que intensificam as discussões acerca de seu aproveitamento. M&S a CRM anunciou a implantação de um polo metalmecânico em Candiota ainda em 2014, como forma de ampliar as perspectivas de desenvolvimento local e regional. Como estão as negociações deste empreendimento? ES O polo de Candiota está em vias de implantação ainda em 2014. A meta é abrir uma filial da Brumetal no município e as empresas Delta H Tecnologia, Grupo Imetame e Estel Elétrica também se instalarão. O polo será implantado próximo a CRM e UTE Presidente Médici da Eletrobras da CGTEE. As empresas trabalharão com engenharia de manutenção, com usinagem, tratamento térmico, revestimento e recuperação de peças. Nesse contexto, a CRM e a CGTEE aparecem como clientes em potencial. M&S Há outros projetos envolvendo a unidade da CRM em Candiota e a própria cidade. o senhor pode nos adiantar detalhes a respeito? ES O município de Bagé, próximo a Candiota, prevê a implantação de uma Pequena Central Térmica (PCT) no município. Já foram firmados acordos téc- O Brasil aproveita muito pouco esta energia firme e sustentável nicos e já há área liberada no distrito de Santa Thereza, que conta com licença prévia da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). Além disso, a cidade de Bagé está em contato com empresas de São Paulo, responsáveis por projetos de PCTs. M&S quais são os investimentos em sustentabilidade realizados pela CRM como forma de minimizar os impactos nas unidades onde existem unidades da empresa? ES Reflorestamento, plantio de árvores nativas, projetos sociais de conscientização das populações. A extração e geração de energia termoelétrica evoluíram consideravelmente nos últimos anos. Nas unidades da CRM, além de recuperar as áreas atualmente em mineração, o solo é corrigido de passivos ambientais. O programa implantado de recuperação concomitante de áreas já mineradas vem acompanhando adequadamente o avanço das áreas em mineração, não permitindo o surgimento de passivos ambientais. Este programa define a disposição dos materiais da descoberta das camadas de carvão na mesma ordem em que se encontravam originalmente na natureza, com preservação total dos estratos de solo orgânico e revegetação das áreas mineradas. A CRM vem implantando seu Sistema de Gestão Ambiental. As obras necessárias para adequação das operações da mina já estão com os projetos prontos e deverão ser licitadas em breve. A Mina de Candiota, juntamente com Oscip local, vem desenvolvendo o Programa Vigilantes Ambientais, que visa difundir as ações ambientais e formar jovens ambientalmente engajados. A empresa está implantando sistemas de tratamento de efluentes provenientes de antigas áreas de mineração da década de 1960, não recuperadas à época e que hoje passam por lentos, mas contínuos, processos de recuperação ambiental. Numa destas antigas áreas de mineração, Malha II, não recuperada na época, a empresa está desenvolvendo projeto experimental de recuperação de solo. A CRM implantou, em 2008, um viveiro de mudas de arbóreas nativas, ampliado entre 2012 e 2013, que vem contribuindo enormemente para reposição da mata nativa na região. Com produção na faixa de 10 mil mudas/ano, substituiu a aquisição externa de mudas, propiciou o desenvolvimento de mudas de espécies provenientes de sementes nativas do local, ali coletadas, e contribuiu para o desenvolvimento de mudas aclimatadas à região. M&S Como o senhor encara o mercado brasileiro nos próximos anos? Há perspectivas positivas pela frente? ES As perspectivas são bastante positivas para os próximos anos. O mercado tem se voltado mundialmente ao carvão mineral como fonte energética. A energia nuclear vem sendo substituída pela térmica e os avanços tecnológicos têm possibilitado uma nova visão ecológica, adequada à realidade atual. Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2014 13

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comuNIDaDE Parceria uma troca de passes de sucesso O Brasil vive a expectativa de receber grandes eventos esportivos. O clima de proximidade da Copa do Mundo e Olimpíadas serve como incentivador para a prática de esportes e desenvolvimento de atletas. Em um cenário como esse, as mineradoras não ficaram indiferentes. Projetos de incentivo ao esporte nas comunidades têm crescido nas companhias. Fortalecer os laços com as populações locais é sempre bem vindo e nada melhor do que fazer isso por meio de projetos de inclusão social por aliados à atividade física. Estímulo aos hábitos saudáveis e transmissão de valores são alguns dos benefícios advindos desses projetos. ESPoRTE E CIDaDanIa: vaLE Com 45 anos de atividades, um dos focos da Fundação Vale é o incentivo ao esporte. A atividade é enxergada como uma ferramenta social para promover o desenvolvimento de pessoas e das comunidades. Projetos como o Brasil Vale Ouro, Esporte na Escola e Esporte Comunitário visam à inclusão social de crianças e adolescentes, incentivando a formação cidadã e a disseminação de uma cultura esportiva. BRaSIL vaLE ouRo O programa é o carro chefe da fundação e trabalha com as modalidades de atletismo, natação, futebol e judô. Ao todo, o programa atende 2,5 mil estudantes entre 6 e 17 anos nas cidades de Serra (ES), Arari (MA), Brumadinho (MG), Tucumã (PA) e Rio de Janeiro (RJ). 14 Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2014 Nos diferentes módulos do programa são desenvolvidos desde a técnica esportiva até valores como convivência e cidadania. Há alguns anos, o Brasil Vale Ouro marca presença na São Silvestrinha, uma das principais competições de atletismo do país, organizada pela mesma empresa que promove anualmente a Corrida Internacional de São Silvestre. Em 2013, alunas do projeto tiveram destaque no pódio dos 600 e 400 metros. Ao todo, sete medalhas foram conquistadas na competição. De acordo com Isis Pagy, diretora-presidente da Fundação Vale, “para os alunos do Brasil Vale Ouro, a São Silvestrinha é muito mais do que uma chance de subir ao pódio, é uma experiência enriquecedora na qual eles podem vivenciar diversos valores e conviver com participantes de outros estados, ampliando seus horizontes”. ESPoRTE na ESCoLa A iniciativa se volta para o esporte no meio escolar, com foco na formação de professores para assim ampliar a oferta

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Elevation Ridge Mineradoras investem em projetos esportivos como forma de se aproximarem das comunidades e promoverem a formação de jovens Joyce Afonso de atividades de educação física na rede pública de ensino. Além disso, o programa trabalha na melhoria da infraestrutura esportiva nas escolas e no incentivo a realização de eventos esportivos escolares. ESPoRTE CoMunITáRIo Com o projeto, a Fundação Vale busca promover o esporte educativo para comunidade, visando a potencialização do trabalho das instituições locais e incentivar a prática nos municípios. O foco é na saúde e lazer por meio de eventos, campanhas e programas esportivos. Ascom Vale Revista Mineração & Sustentabilidade | Janeiro . Fevereiro de 2014 15

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