Segurança do Trabalho - Psicologia Aplicada ao Trabalho

 

Embed or link this publication

Description

Apostila do Curso de Segurança do Trabalho - 1º Módulo

Popular Pages


p. 1

Psicologia Aplicada ao Trabalho SUMÁRIO 1 - PSICOLOGIA .................................................................................................................................................... 3 1.1 - ÁREAS DA PSICOLOGIA .................................................................................................................................................. 3 1.2. - PERSONALIDADE ........................................................................................................................................................... 3 1.2.1 - Etimologia ............................................................................................................................................................. 4 2 - O SER HUMANO E O TRABALHO .................................................................................................................. 4 2.1 - FATORES MOTIVACIONAIS PARA O TRABALHO .............................................................................................................. 4 2.1.1 - Hierarquia das necessidades de segurança de Maslow ............................................................................... 4 2.2 - FATORES MOTIVACIONAIS NAS ORGANIZAÇÕES ........................................................................................................... 5 2.3 - TEORIAS COMPORTAMENTAIS (TEORIA X E Y) ............................................................................................................. 6 2.3.1 - Teoria X ................................................................................................................................................................ 6 2.3.2 Teoria Y ................................................................................................................................................................... 7 3 - O QUE ENTENDEMOS POR RELAÇÕES HUMANAS? ................................................................................. 7 4. PERCEPÇÃO E ATENÇÃO ............................................................................................................................... 8 4.1 - O DESENVOLVIMENTO DA PERCEPÇÃO E DA ATENÇÃO................................................................................................ 8 4.1.1 - Estudos do Comportamento de Escolha Perceptiva em Crianças .............................................................. 9 5 - A IMPORTÂNCIA DO DESENVOLVIMENTO DA PERCEPÇÃO .................................................................. 12 5.1 TIPOS DE PERCEPÇÃO ................................................................................................................................................... 12 5.2 - O PAPEL DA ATENÇÃO NO PROCESSO PERCEPTIVO .................................................................................................. 13 5.3 - COMPREENSÃO DO PROCESSO PERCEPTIVO ............................................................................................................. 14 5.4 - AUTO PERCEPÇÃO ....................................................................................................................................................... 14 5.5 - O SER HUMANO COMO PERCEBEDOR......................................................................................................................... 15 5.6 - O PERCEBIDO .............................................................................................................................................................. 15 5.7 - PERCEPÇÃO E SENSAÇÃO ........................................................................................................................................... 16 5.8 - A INFLUÊNCIA DO ESTADO PSICOLÓGICO NA PERCEPÇÃO ......................................................................................... 16 6 - TRABALHO EM EQUIPE, PAPEIS E PERCEPÇÃO ..................................................................................... 16 6.1 - A PERCEPÇÃO E SUAS DISTORÇÕES .......................................................................................................................... 17 6.2 - PERCEPÇÃO E JULGAMENTO ....................................................................................................................................... 18 6.3 - A PERCEPÇÃO E A COMUNICAÇÃO .............................................................................................................................. 19 6.4 - PERCEPÇÃO DE RISCOS E OLHAR SISTÊMICO ............................................................................................................ 20 7 - ÉTICA NO TRABALHO .................................................................................................................................. 22 7.1 - CÓDIGO DE ÉTICA NO TRABALHO: 10 MANDAMENTOS ESSENCIAIS ............................................................................ 22 1

[close]

p. 2

Psicologia Aplicada ao Trabalho 8 - RELACIONAMENTO INTERPESSOAL: O PODER DAS RELAÇÕES NO AMBIENTE DE TRABALHO ... 23 8.1 - TRABALHO EM EQUIPE - PERSONALIDADE E RELACIONAMENTO ................................................................................24 9 - COMO TRABALHAR EM EQUIPE OU GRUPO ............................................................................................ 26 9.1 - TRABALHO EM EQUIPE .................................................................................................................................................26 10 - POSTURA DO TÉCNICO DE SEGURANÇA ............................................................................................... 28 11 - REFERÊNCIAS ............................................................................................................................................. 28 2

[close]

p. 3

Psicologia Aplicada ao Trabalho 1 - Psicologia Psicologia é filha da filosofia, nos primórdios, na Grécia antiga, a psicologia era disciplina da filosofia. Tinha como objetivo estudar as questões relacionadas ao ser humano, o objeto de estudo, era a alma humana. Esta é chamada psicologia antiga. Psico = alma e Logia = estudo Após revolução cientifica, no século XIX percebe-se que a alma é um atributo da fé, ou seja, subjetiva do ser humano e que não se prova a existência da alma, apenas se crê nela. Desta forma, para ser ciência a psicologia adquiriria métodos e técnicas com o foco no comportamento humano e os resultados deste comportamento. Visto que comportamento pode ser observável e provado, características de ciência e alma não se podem ver, nem provar cientificamente sua existência. Assim, o marco da psicologia como estudo do comportamento humano foi na Alemanha no sec. XIX ano de 1879 no Laboratório de LEIPZIG e o precursor foi Wilhelm Wundt. Desta forma considera-se Wundt pai da Psicologia Moderna. Psico = Comportamento e logia = estudo Elementos que possibilitaram a o aparecimento da Psicologia como Ciência:          Surgimento da ciência. Séc. XVII d.C; Separação das áreas da filosofia; Revolução científica: Séc. XIX. Psicologia separa-se definitivamente da filosofia; Pesquisa, métodos, técnicas; Indagações: memória, aprendizagem, percepção etc... Desta forma, a psicologia: Passa para o status de ciência; Defini seu objeto de estudo; Formula métodos para investigação do seu objeto de estudo; Formula teorias com um corpo consistente de conhecimento na área. Psicologia é a ciência que estuda o comportamento humano e seus processos psicológicos – vivencias e experiências individuais e em grupos, que passam pela sensação, emoção, percepção, aprendizagem, inteligência. 1.1 - Áreas da Psicologia  Psicologia clinica;  Psicologia do esporte;  Psicologia organizacional e do trabalho;  Psicologia escolar/educacional;  Psicologia institucional;  Psicopedagogia;  Psiconeurologia;  Psicologia social e comunitária;  Psicologia jurídica;  Psicologia forense;  Psicologia do transito;  Psicologia hospitalar. 1.2 - Personalidade Denominada como o conjunto de características psicológicas que determinam os padrões de pensar, sentir e agir, ou seja, a individualidade pessoal e social de alguém A formação da personalidade é processo gradual, complexo e único a cada indivíduo. O termo é usado em linguagem comum com o sentido de "conjunto das características marcantes de uma pessoa". 3

[close]

p. 4

Psicologia Aplicada ao Trabalho 1.2.1 - Etimologia Personalidade vem do Latim personare, persona = ressoar, máscara. Pode-se dizer que se constitui em com 25% de genética 25% fenótipo e 50% ambiente. Carver e Scheier dão a seguinte definição: "Personalidade é uma organização interna e dinâmica dos sistemas psicofísicos que criam os padrões de comportar-se, de pensar e de sentir característicos de uma pessoa". Esta definição de trabalho salienta que personalidade...     ... é uma organização e não um aglomerado de partes soltas; ... é dinâmica e não estática, imutável; ... é um conceito psicológico, mas intimamente relacionado com o corpo e seus processos; ... é uma força ativa que ajuda a determinar o relacionamento da pessoa com o mundo que a cerca;  ... mostra-se em padrões, isto é, através de características recorrentes e consistentes;  ... expressa-se de diferentes maneiras - comportamento, pensamento e emoções. Asendorpf complementa essa definição. Para ele personalidade são as particularidades pessoais duradouras, não patológicas e relevantes para o comportamento de um indivíduo em uma determinada população. Esta definição acrescenta àquela de Carver e Scheier alguns pontos importantes:  Os traços de personalidade são relativamente estáveis no tempo;  As diferenças interpessoais são variações frequentes e normais - o estudo das variações anormais é objeto da psicologia clínica (ver também transtorno mental e transtorno de personalidade);  A personalidade é influenciada culturalmente. As observações da psicologia da personalidade são assim ligadas apenas à população em que foram feitas; para uma generalização de tais observações para outras populações é necessária uma verificação empírica. 2 - O Ser Humano e o Trabalho Podemos definir trabalho como qualquer atividade física ou intelectual, realizada por ser humano, cujo objetivo é fazer, transformar ou obter algo. O trabalho na vida do homem: O trabalho sempre fez parte da vida dos seres humanos. Foi através dele que as civilizações conseguiram se desenvolver e alcançar o nível atual. O trabalho gera conhecimentos, riquezas materiais, satisfação pessoal e desenvolvimento econômico. Por isso ele é e sempre foi muito valorizado em todas as sociedades. Diferença entre trabalho e emprego: Vale dizer que há diferença entre trabalho e emprego. Enquanto o primeiro envolve a atividade executada em si, o segundo refere-se ao cargo ou ocupação de um indivíduo numa empresa ou órgão público. O trabalho é um conjunto de atividades realizadas, é o esforço feito por indivíduos, com o objetivo de atingir uma meta. O trabalho também pode ser abordado de diversas maneiras, e com enfoque em várias áreas, como na economia, na física, na filosofia, a evolução do trabalho na história, e etc. 2.1 - Fatores Motivacionais para o Trabalho 2.1.1 - Hierarquia das Necessidades de Segurança de Maslow Motivo é tudo aquilo que impulsiona a pessoa agir de determinada forma. Ou, pelo menos da origem a uma propensão de um comportamento específico. Esse impulso à ação pode ser provocado por um 4

[close]

p. 5

Psicologia Aplicada ao Trabalho estímulo externo provido pelo ambiente, mas também pode ser gerado internamente nos processos mentais do indivíduo (Hersei e Blanchard, 1986). Os motivos do comportamento humano derivam de forças interiores do próprio indivíduo. Algumas necessidades são conscientes, outras não (Bergamini, 1997). Segundo Maslow, as necessidades humanas podem ser dispostas em forma de pirâmide. Na base da pirâmide estão as necessidades mais baixas e prementes enquanto no topo ficam as mais sofisticadas e intelectualizadas. As necessidades fisiológicas são as necessidades inatas, ou biológicas. Sua principal característica é a premência e exige satisfação cíclica e reiterada para garantir a preservação da espécie e sobrevivência do indivíduo. São predominantes sobre todas as demais necessidades. São elas: fome, abrigo, repouso, sexo, etc. Quando essas necessidades não são satisfeitas, elas dominam a direção do comportamento da pessoa. As necessidades de segurança surgem no comportamento humano quando as necessidades fisiológicas estão relativamente satisfeitas. A busca de um mundo ordenado e previsível, protegido e seguro são manifestações típicas dessa necessidade e leva o indivíduo a proteger-se de qualquer perigo real ou imaginário, físico ou abstrato. São elas: proteção contra: perigo, doença, desemprego, roubo. Quando essas necessidades não são satisfeitas, causam incerteza e insegurança. As necessidades sociais surgem no comportamento quando as necessidades primárias (fisiológicas e de segurança) estão relativamente satisfeitas. São as necessidades de associação, participação e aceitação por parte dos colegas; a amizade, o afeto e o amor são seus pontos altos. Quando essas necessidades não são satisfeitas, conduzem geralmente à falta de adaptação social e à solidão. As necessidades de estima são as necessidades relacionadas com a auto avaliação e autoestima. Envolvem a auto apreciação, a autoconfiança, necessidade de reconhecimento e aprovação social, de status, prestígio, consideração. Quando essas necessidades não são satisfeitas, podem produzir sentimentos de inferioridade, dependência, desamparo que podem levar ao desânimo ou a atividades compensatórias. Já as necessidades de auto realização são as necessidades humanas mais elevadas e que estão no topo da hierarquia. Estão relacionadas com autonomia, independência, autocontrole, competência. São as necessidades de cada pessoa realizar seu próprio potencial e se desenvolver continuamente como criatura humana. Pode ser expressa pelo impulso do indivíduo para se tornar mais do que é e vir a ser tudo o que pode ser. Enquanto as quatro necessidades anteriores podem ser satisfeitas com recompensas externas, esta só pode ser satisfeita no nível do interior pessoal, com o sentimento de realização, não sendo observada nem controlada por outras pessoas. Esta pode ser insaciável, ou seja, quanto mais a pessoa obtém recompensas que a satisfaçam, mais importante ela se torna e mais ela desejará satisfazer-se. De modo geral, as necessidades secundárias são sentimentos vagos em lugar de necessidades físicas específicas, estão frequentemente escondidas do reconhecimento consciente. São fortemente condicionadas pela experiência, variando quanto ao tipo e intensidade entre as pessoas e estando sujeitas à mudança dentro de uma mesma pessoa. Elas influenciam o comportamento, pois os seres humanos são lógicos na medida em que seus sentimentos os permitam. 2.2 - Fatores Motivacionais nas Organizações Antes da chamada Revolução Industrial, não havia preocupação em relação aos esforços humanos e a questão da motivação dos trabalhadores. As unidades de produção eram pequenas, as técnicas de produção muito simples e a jornada de trabalho longa. Com o aumento de capitais, fábricas e maquinarias, a indústria cresceu e começou a visar a um aumento de produtividade. O trabalhador passou a ser visto como outro elemento no processo de produção. Na concepção Tayloriana, o colaborador era padronizado, todos eram tidos como iguais e a administração científica aumentaria a satisfação do trabalhador através de incentivo financeiro. O colaborador começou a ser remunerado em função da produção, com salários adicionais. No entanto, 5

[close]

p. 6

Psicologia Aplicada ao Trabalho os funcionários perceberam que não podiam produzir além de certo nível, pois não podia exceder as demandas do mercado e seriam despedidos. Entrou em jogo a necessidade de segurança. As verdadeiras complexidades da motivação humana começaram a aparecer, e a administração científica começou a ter um número crescente de fracassos. Trabalhando com a teoria motivacional, Elton Mayo foi chamado para resolver fracassos na Western Eletric Company de Hawthorne. Realizou uma série de experiências, reconhecendo que os colaboradores buscavam mais do que dinheiro no trabalho e necessitavam de outros estímulos. Verificou que eles desejavam pertencer a um grupo e serem considerados como membros significativos do mesmo. Muitos incentivos estavam sendo incluídos como segurança, afiliação, estima, interesses pelo trabalho e êxito. Mayo iniciou assim, o movimento de relações humanas. Os trabalhos de Mayo serviram para mostrar que a produtividade aumentou porque os colaboradores conseguiram:  Um sentimento maior de valor pessoal;  Participação nas decisões que afetavam o seu trabalho;  Ter um envolvimento no trabalho;  Sentirem-se mais seguros em seu trabalho, devido ao tratamento permissivo e amistoso do experimentador;  Ter a oportunidade de ganhar mais dinheiro devido ao sistema de recompensa com incentivo ao grupo. 2.3 - Teorias Comportamentais (Teoria X e Y) Douglas McGregor (1906-1964) foi um dos mais influentes Behavioristas na teoria das organizações, preocupou-se em distinguir duas concepções opostas de administração baseadas em certas pressuposições a cerca da natureza humana. Para ele, existem duas concepções sobre a natureza humana: a tradicional (a qual denominou teoria “X") e a moderna (a qual denominou teoria “Y”). 2.3.1 - Teoria X A teoria X baseia-se em certas concepções e premissas incorretas e distorcidas a cerca da natureza humana e que predominaram durante décadas no passado. Seus principais pressupostos são:  Os seres humanos não gostam do trabalho e o evitarão, sempre que isso esteja ao seu alcance;  Toda organização tem uma série de objetivos e, para que estes sejam atingidos, as pessoas que nela trabalham devem ser compelidas, controladas e ameaçadas com punições, para que seus esforços sejam orientados no sentido daqueles objetivos;  O ser humano, em geral, prefere ser dirigido a dirigir;  O ser humano, em geral, procura evitar as responsabilidades sempre que possível;  O ser humano médio tem relativamente pouca ambição;  As pessoas preocupam-se, acima de tudo, com a própria segurança. Em função dessas concepções e premissas a respeito da natureza humana, a Teoria X reflete um estilo de administração duro, rígido e autocrático que se limita a fazer as pessoas trabalharem dentro de certos esquemas e padrões previamente planejados. Toda vez que um administrador impõe arbitrariamente, e de cima para baixo, um esquema de trabalho e passe a controlar externamente o comportamento de trabalho de seus subordinados, ele estará agindo 6

[close]

p. 7

Psicologia Aplicada ao Trabalho segundo os preceitos da Teoria X. O fato de ele impor autocraticamente ou impor suavemente não faz diferença na visão de McGrecor. A teoria X se fundamenta em uma série de pressuposições errôneas acerca do comportamento humano e apregoa um estilo de administração onde a fiscalização e o controle externo rígido, constituem mecanismos para neutralizar a desconfiança da empresa quanto às pessoas que nela trabalham. Segundo esta teoria o único estímulo para o trabalho é somente pelo salário, de modo que se não houver o estímulo salarial, o trabalho fica comprometido. 2.3.2 - Teoria Y A Teoria Y propõe um estilo de administração francamente participativo e democrático, baseado nos valores humanos. Seus principais pressupostos são os seguintes:  O trabalho pode ser uma fonte de satisfação ou de sofrimento, dependendo de certas condições controláveis;  O controle externo e as ameaças de punição não são os únicos meios de estimular e dirigir os esforços. As pessoas podem exercer autocontrole e autodirigir-se, desde que possam ser convencidas no sentido de se comprometerem a fazê-lo;  As recompensas do trabalho estão em ligação direta com os compromissos assumidos. A satisfação do ego e da necessidade de auto realização pode ser recompensa de esforços dirigidos no sentido dos objetivos da organização;  As pessoas podem aprender a aceitar e assumir responsabilidades;  A imaginação, a criatividade e a engenhosidade podem ser largamente encontradas na população;  A potencialidade intelectual do ser humano médio está longe de ser totalmente utilizada. Uma utilização muito maior pode ser conseguida. A Teoria Y desenvolve um estilo de administração muito aberto e dinâmico, extremamente democrático, através do qual administrar é um processo de criar oportunidades, liberar potencialidades, remover obstáculos, encorajar o crescimento individual e proporcionar orientação quanto a objetivos. 3 - O que Entendemos por Relações Humanas? É o conjunto de conhecimentos e regras que nos ensinam a viver bem com os outros. É a arte de conquistar e conservar a cooperação, a confiança e o respeito de alguém ou um grupo. Importância das Relações Humanas:  Buscar a valorização do fator humano que está sendo deteriorado e eliminado pela tecnologia e supremacia do capital, resgatando os valores eternos, como: amor, solidariedade e dignidade que são essenciais à formação humana. Nossas relações com os outros:  Aceitação: Em princípio, querer e aceitar os outros, tendo consciência de que cada um é um indivíduo com características próprias e tem qualidades a oferecer ao crescimento conjunto;  Paciência para aos outros, colocar cada um em seus pontos de vista e necessidades sem, contudo esperar o resultado imediato. Dar tempo para que os outros reflitam;  Carinho: Sempre se colocar numa postura de carinho e atenção, mesmo sob condições adversas e de contrariedades; 7

[close]

p. 8

Psicologia Aplicada ao Trabalho  Confiança: Ter em mente que os outros sempre estão fazendo o que, no seu entender, é o melhor de si, sabendo que cada um tem limitações impostas tanto pelo próprio estágio de desenvolvimento como também pelo meio e pelas circunstâncias;  Humildade: não pretender ser o dono da verdade, ou detentor do método mais correto e eficaz. Humildade para poder dar valor ao que o outro tem, por menor que seja o seu grau de entendimento a cerca das coisas da vida. 4 - Percepção e Atenção 4.1 - O Desenvolvimento da Percepção e da Atenção A relação entre o uso de instrumentos e a fala afetam várias funções psicológicas, em particular a percepção, as operações sensório-motoras e a atenção, cada uma das quais é parte de um sistema dinâmico de comportamento. Pesquisas experimentais do desenvolvimento indicam que as conexões e relações entre funções constituem sistemas que se modificam, ao longo do desenvolvimento da criança, tão radicalmente quanto às próprias funções individuais. Considerando uma das funções de cada vez, examinarei como a fala introduz mudanças qualitativas na sua forma e na sua relação com as outras funções. O trabalho de Kohler enfatizou a importância da estrutura do campo visual na organização do comportamento prático de macacos antropóides. A totalidade do processo de solução de problemas foi, essencialmente, determinada pela percepção. Quanto a isso, Kohler tinha muitas evidências para acreditar que esses animais eram muito mais limitados pelo seu campo sensorial do que os adultos humanos. São incapazes de modificar o seu campo sensorial através de um esforço voluntário. De fato, talvez fosse útil encarar como regra geral a dependência de todas as formas naturais de percepção em relação à estrutura do campo sensorial. Entretanto, a percepção de uma criança, porque ela é um ser humano, não se desenvolve como uma continuidade direta e aperfeiçoada das formas de percepção anirnal, nem mesmo daqueles animais que estão mais próximos da espécie humana. Experimentos realizados para esclarecer esse problema, levaram-nos a descobrir algumas leis básicas que caracterizam as formas humanas superiores de percepção. O primeiro conjunto de experimentos relacionou-se aos estágios do desenvolvimento da percepção de figuras pelas crianças. Experimentos similares, descrevendo aspectos específicos da percepção em crianças pequenas e sua dependência de mecanismos psicológicos superiores, foram realizados anteriormente por Binet, e analisados em detalhe por Stern (1). Ambos observaram que a maneira pela qual as crianças pequenas descrevem uma figura difere em estágios sucessivos de seu desenvolvimento. Uma criança com dois anos de idade, comumente limita sua descrição a objetos isolados dentro do conjunto da figura. Crianças mais velhas descrevem ações e indicam as relações complexas entre os diferentes objetos de uma figura. A partir dessas observações, Stern nferiu que o estágio em que as crianças percebem objetos isolados precede o estágio em que elas percebem ações e relações, além dos próprios objetos, ou seja, quando elas são capazes de perceber a figura como um todo. Entretanto, várias observações psicológicas sugerem que os processos perceptivos da criança são inicialmente fundidos e só mais tarde se tornam mais diferenciados. Nós solucionamos a contradição entre essas duas posições através de um experimento que replicava o estudo de Stern sobre as descrições de figuras por crianças. Nesse experimento pedíamos às crianças que procurassem comunicar o conteúdo de uma figura sem usar a fala. Sugeríamos que a descrição fosse feita por mímica. A criança com dois anos de idade, que, de acordo com o esquema de Stern, ainda está na fase do desenvolvimento da percepção de "objetos" isolados, percebe os aspectos dinâmicos da figura e os reproduz com facilidade por mímica. O que Stern entendeu ser uma característica das habilidades perceptuais da criança provou ser, na verdade, um 8

[close]

p. 9

Psicologia Aplicada ao Trabalho produto das limitações do desenvolvimento de sua linguagem ou, em outras palavras, um aspecto de sua perceloção verbalizada. Um conjunto de observações correlatas revelou que a rotulação é a função primária da fala nas crianças pequenas. A rotulação capacita a criança a escolher um objeto específico, isolálo de uma situação global por ela percebida simultaneamente; entretanto, a criança enriquece suas primeiras palavras com gestos muito expressivos, que compensam sua dificuldade em comunicar-se de forma inteligível através da linguagem. Pelas palavras, as crianças isolam elementos individuais, superando, assim, a estrutura natural do campo sensorial e formando novos (introduzidos artificialmente e dinâmicos) centros estruturais. A criança começa a percebez- o mundo não somente através dos olhos, mas também através da fala. Como resultado, o imediatismo da percepção "natural" é suplantado por um processo complexo de mediação; a fala como tal torna-se parte essencial do desenvolvimento cognitivo da criança. Mais tarde, os mecanismos intelectuais relacionados à fala adquirem uma nova função; a percepção verbalizada, na criança, não mais se limita ao ato de rotular. Nesse estágio seguinte do desenvolvimento, a fala adquire uma função sintetizadora, a qual, por sua vez, é instrumental para se atingirem formas mais complexas da percepção cognitiva. Essas mudanças conferem à percepção humana um caráter inteiramente novo, completamente distinto dos processos análogos nos animais superiores. O papel da linguagem na percepção é surpreendente, dadas as tendências opostas implícitas na natureza dos processos de percepção visual e da linguagem. Elementos independentes num campo visual são percebidos simultaneamente; nesse sentido, a percevção visual é integral. A fala, por outro lado, requer um processamento seqüencial. Os elementos, separadamente, são rotulados e, então, conectados numa estrutura de sentença, tornando a fala essencialmente analitica. Esta pesquisa mostrou que, mesmo nos estágios mais precoces do desenvolvimento, linguagem e percepção estão ligadas. Na solução de problemas não verbais, mesmo que o problema seja resolvido sem a emissão de nenhum som, a linguagem tem um papel no resultado. Esses achados substanciam a tese da linguística psicológica, como formulada muitos anos atrás por A. Potebnya, que defendia a inevitável interdependência entre o pensamento humano e a linguagem. Um aspecto especial da percepção humana - que surge em idade muito precoce - é a percepção de objetos reais. Isso é algo que não encontra correlato análogo na percepção animal. Por esse termo eu entendo que o mundo não é visto simplesmente em cor e forma, mas também como um mundo com sentido e significado. Não vemos simplesmente algo redondo e preto com dois ponteiros; vemos um relógio e podemos distinguir um ponteiro do outro. Alguns pacientes com lesão cerebral dizem, quando vêem um relógio, que estão vendo alguma coisa redonda e branca com duas pequenas tiras de aço, mas são incapazes de reconhecê-lo como um relógio; tais pessoas perderam seu relacionamento real com os objetos. Essas observações sugerem que toda percepção humana consiste em percepções categorizadas ao invés de isoladas. A transição, no desenvolvimento para formas de comportamento qualitativamente novas, não se restringe a mudanças apenas na percepção. A percepção é parte de um sistema dinâmico de comportamento; por isso, a relação entre as transformações dos processos perceptivos e as transformações em outras atividades intelectuais é de fundamental importância. Esse ponto é ilustrado por nossos estudos sobre o comportamento de escolha, que mostram a mudança na relação entre a percepção e a ação motora em crianças pequenas. 4.1.1 - Estudos do Comportamento de Escolha Perceptiva em Crianças Pedimos a crianças de quatro e cinco anos de idade que pressionassem uma de cinco teclas de um teclado assim que identificassem cada uma de uma série de figuras-estímulo, cada uma correspondendo a uma tecla. Como essa tarefa excede a capacidade das crianças, ela provoca sérias dificuldades e exige esforço intenso para solucionar o problema. 9

[close]

p. 10

Psicologia Aplicada ao Trabalho O resultado mais notável talvez seja que todo o processo de seleção pela criança é eterno e concentrado na esfera motora, permitindo ao experimentador observar nos movimentos da criança a verdadeira natureza do próprio processo de escolha. A criança realiza sua seleção à medida que desenvolve qualquer um dos movimentos que a escolha requer. A estrutura do processo de decisão na criança nem de longe se assemelha àquela do adulto. Os adultos tomam uma decisão preliminar internamente e, em seguida, levam adiante a escolha na forma de um único movimento que coloca o plano em execução. A escolha da criança parece uma seleção dentre seus próprios movimentos, de certa forma retardada. As vacilações na percepção refletem-se diretamente na estrutura do movimento. Os movimentos da criança são repletos de atos motores hesitantes e difusos que se interrompem e recomeçam, sucessivamente. Passar os olhos por um gráfico dos movimentos de uxna criança é suficiente para qualquer um se convencer da natureza motora básica do processo. A principal diferença entre os processos de escolha no adulto e na criança é que, nesta, a série de movimentos tentativos constitui o próprio processo de seleção. A criança não escolhe o estímulo (a tecla necessária) como ponto de partida para o movimento conseqüente, mas seleciona o movimento, comparando o resultado com a instrução dada. Dessa forma, a criança resolve sua escolha não através de um processo direto de percepção visual, mas através do movimento; hesitando entre dois estímulos, seus dedos pairam sobre o teclado, movendo-se de uma tecla para outra, parando a meio caminho e voltando. Quando a criança transfere sua atenção para outro lugar, criando dessa forma um novo foco na estrutura dinâmica de percepção, sua mão, obedientemente, move-se em direção a esse novo centro, junto com seus olhos. Em resumo, o movimento não se separa da percepção: os processos coincidem quase que exatamente. No comportamento dos animais superiores, a percepção visual constitui, de forma semelhante, parte de um todo mais complexo. O macaco antropóide não percebe a situação visual passivamente; uma estrutura comportamental complexa consistindo de fatores reflexos, afetivos, motores e intelectuais é dirigida no sentido de obter o objeto que o atrai. Seus movimentos constituem uma combinação dinâmica imediata de sua percepção. Nas crianças, essa resposta inicial é difusamente estruturada, sofrendo uma mudança fundamental tão logo funções psicológicas mais complexas sejam utilizadas no processo de escolha. O processo natural encontrado nos animais é, então, transformado numa operação psicológica superior. Em seguida ao experimento descríto acima, tentamos simplificar a tarefa de seleção marcando cada tecla com um sinal correspondente, com o objetivo de servir como estímulo adicional que poderia dirigir e organizar o processo de escolha. Pedia-se à criança que, assim que aparecesse o estímulo, apertasse a tecla marcada com o sinal correspondente. As crianças de cinco ou seis anos já são perfeitamente capazes de realizar essa tarefa com facilidade. A inclusão desse novo elemento mudou radicalmente a estrutura do processo de escolha. A operação elementar "natural" é substituída por uma operação nova e mais complicada. A tarefa mais fácil de resolver evoca uma resposta estruturada de forma mais complexa. Quando a criança presta atenção ao signo auxiliar com o objetivo de encontrar a tecla correspondente ao estímulo dado, ela não mais apresenta aqueles impulsos motores que surgem como conseqüência direta da percepção. Não há movimentos hesitantes e incertos, como observamos na reação de escolha em que não foram usados estímulos auxiliares. O uso de signos auxiliares rompe com a fusão entre o campo sensorial e o sistema motor, tornando possíveis assim, novos tipos de comportamento. Cria-se uma "barreira funcional" entre o momento inicial e o momento final do processo de escolha; o impulso direto para mover-se é desviado por circuitos preliminares. A criança que anteriormente solucionava o problema impulsivamente, resolveo, agora, através de uma conexão estabelecida internamente entre o estímulo e o signo auxiliar correspondente. O movimento, que era anteriormente à própria escolha, é usado agora somente para realizar a operação já preparada. O sistema de signos reestrutura a totalidade do processo psicológico, tornando a criança capaz de processar seu movimento. Ela reconstrói o processo de escolha em bases totalmente novas. O movimento descola-se, asim, da 10

[close]

p. 11

Psicologia Aplicada ao Trabalho percepção direta, submetendo-se ao controle das funções simbólicas incluídas na resposta de escolha. Esse desenvolvimento representa uma ruptura fundamental com a história natural do comportamento e inicia a transição do comportamento primitivo dos animais para as atividades intelectuais superiores dos seres humanos. Dentre as grandes funções da estrutura psicológica que embasa o uso de instrumentos, o primeiro lugar deve ser dado à atenção. Vários estudiosos, a começar por Kohler, notaram que a capacidade ou incapacidade de focalizar a própria atenção é um determinante essencial do sucesso ou não de qualquer operação prática. Entretanto, a diferença entre a inteligência prática das crianças e dos animais é que, aquelas são capazes de reconstruir a sua percepção e, assim, libertarem-se de uma determinada estrutura de campo perceptivo. Com o auxílio da função indicativa das palavras, a criança começa a dominar sua atenção, criando centros estruturais novos dentro da situação percebida. Como K. Koffka tão bem observou, a criança é capaz de determinar para si mesma o "centro de gravidade" do seu campo perceptivo; o seu comportamento não é regulado somente pela conspicuidade de elementos individuais dentro dele. A criança avalia a importância relativa desses elementos, destacando, do fundo, "figuras" novas, ampliando assim as possibilidades de controle de suas atividades. Além de reorganizar o campo visuo-espacial, a criança, com o auxílio da fala, cria um campo temporal que lhe é tão perceptivo e real quanto o visual. A criança que fala tem, dessa forma, a capacidade de dirigir sua atenção de uma maneira dinâmica. Ele pode perceber mudanças na sua situação imediata do ponto de vista de suas atividades passadas, e pode agir no presente com a perspectiva do futuro. Para o macaco antropóide a tarefa é insolúvel, a não ser que o objetivo e o instrumento para atingi-lo estejam, simultaneamente, à vista. A criança pode facilmente superar essa situação controlando verbalmente sua atenção e, conseqüentemente, reorganizando o seu campo perceptivo. O macaco perceberá a vara num momento, deixando de prestar-lhe atenção assim que mude seu campo visual para o objeto-meta. O macaco precisa necessariamente ver a vara para prestar atenção nela; a criança deve prestar atenção para poder ver. Assim, o campo de atenção da criança engloba não uma, mas a totalidade das séries de campos perceptivos potenciais que formam estruturas dinâmicas e sucessivas ao longo do tempo. A transição da estrutura simultânea do campo visual para a estrutura sucessiva do campo dinâmico da atenção é conseguida através da reconstrução de atividades isoladas que constituem parte das operações requeridas. Quando isso ocorre, podemos dizer que o campo da atenção deslocou-se do campo perceptivo e desdobrou-se ao longo do tempo, como um componente de séries dinâmicas de atividades psicológicas. A possibilidade de combinar elementos dos campos visuais presente e passado (por exemplo, o instrumento e o objeto-alvo) num único campo de atenção leva, por sua vez, à reconstrução básica de outra função fundamental, a memória. Através de formulações verbais de situações e atividades passadas, a criança liberta-se das limitações da lembrança direta; ela sintetiza com sucesso, o passado e o presente de modo conveniente a seus propósitos. As mudanças que ocorrem na memória são similares àquelas que ocorrem no campo perceptivo da criança, onde os centros de gravidade são deslocados e as relações figura-fundo alteradas. A memória da criança não somente torna disponíveis fragmentos do passado como, também, transforma-se num novo método de unir elementos da experiência passada com o presente. Criado com o auxílio da fala, o campo temporal para a ação estende-se tanto para diante quanto para trás. A atividade futura, que pode ser incluída na atividade em andamento, é representada por signos. Como no caso da memória e da atenção, a inclusão de signos na percepção temporal não leva a um simples alongamento da operação no tempo. Mais do que isso, cria as condições para o desenvolvimento de um sistema único que inclui elementos efetivos do passado, presente e futuro. Esse sistema psicológico emergente na criança engloba, agora, duas novas funções: as intenções e as representações simbólicas das ações propositadas. Essa mudança na estrutura do comportamento da criança relaciona-se às alterações básicas de suas necessidades e motivações. Quando Lindner comparou os métodos usados por crianças surdas na solução de problemas aos usados, pelos macacos de Kohler, notou que as motivações que levavam a perseguir o objetivo eram diferentes nas crianças e nos macacos. As premências "instintivas" 11

[close]

p. 12

Psicologia Aplicada ao Trabalho predominantes nos animais tornamse secundárias nas crianças. Novas motivações, socialmente enraizadas e intensas, dão direção à criança. K. Lewin descreveu essas motivações como Quasi Beduerfnisse (quase-necessidades) e defendeu que a sua inclusão em qualquer tarefa leva a uma reorganização de todo o sistema voluntário e afetivo da criança. Ele acreditava que, com o desenvolvimento dessas quase necessidades, a impulsão emocional da criança desloca-se da preocupação com o resultado para a natureza da solução. Em essência, a "tarefa" (Aufgabe) nos experimentos com macacos antropóides só existe aos olhos do experimentador; no que diz respeito ao animal, existe somente a isca e os obstáculos interpostos no seu caminho. A criança, entretanto, esforça-se por resolver o problema dado, tendo, assim, um propósito completamente diferente. Uma vez sendo capaz de gerar quase-necessidades, a criança está capacitada a dividir a operação em suas partes componentes, cada uma das quais torna-se um problema independente que ela formula a si mesma com o auxílio da fala. 5 - A Importância do Desenvolvimento da Percepção O processo através do qual aprendemos e conhecemos envolve dois momentos distintos 1. Percepção: A percepção é um processo psicofisiológico através do qual o sujeito organiza e interpreta os estímulos do meio que foram captados através dos órgãos dos sentidos (sensação), permitindo-nos identificar os objetos e acontecimentos significativos. 2. Sensação: resulta do primeiro contato com a realidade, captação pura e simples de um objeto sensorial. É um estado bruto e imediato, cujo papel principal é proporcionar à percepção os dados de que necessita. Realiza-se através dos sentidos. Quantos são os nossos sentidos? Cinco, certo? Na verdade, não. São onze: visão, audição, paladar, olfato, sentido vestibular (do equilíbrio), sentido cinestésico (do movimento). E mais cinco que antigamente se agrupavam dentro da designação de tato: contato físico, pressão profunda, calor, frio e dor. 5.1 - Tipos de Percepção Percepção visual: A visão é a percepção de raios luminosos pelo sistema visual. Esta é a forma de percepção mais estudada pela psicologia da percepção. A maioria dos princípios gerais da percepção foi desenvolvida a partir de teorias especificamente elaboradas para a percepção visual Percepção auditiva: A audição é a percepção de sons pelos ouvidos. A psicologia, a acústica e a psicoacústica estudam a forma como percebemos os fenómenos sonoros. Uma aplicação particularmente importante da percepção auditiva é a música. Percepção olfactiva: O olfato é a percepção de odores pelo nariz. Este sentido é relativamente ténue nos humanos, mas é importante para a alimentação. A memória olfativa também tem uma grande importância afectiva. A perfumaria e a enologia são aplicações dos conhecimentos de percepção olfativa. Em alguns animais, como os cães, a percepção olfativa é muito mais desenvolvida e tem uma capacidade de discriminação e alcance muito maior que nos humanos. Percepção gustativa: O paladar é o sentido de sabores pela língua. Importante para a alimentação. Embora seja um dos sentidos menos desenvolvidos nos humanos, o paladar é geralmente associado ao prazer e a sociedade contemporânea muitas vezes valoriza o paladar sobre os aspectos nutritivos dos alimentos. A culinária e a enologia são aplicações importantes da percepção gustativa. O principal fator desta modalidade de percepção é a discriminação de sabores. 12

[close]

p. 13

Psicologia Aplicada ao Trabalho Percepção táctil: O tato é sentido pela pele em todo o corpo. Permite reconhecer a presença, forma e tamanho de objetos em contato com o corpo e também a sua temperatura. Além disso, o tato é importante para o posicionamento do corpo e a proteção física. O tato não é distribuído uniformemente pelo corpo. Os dedos da mão possuem uma discriminação muito maior que as demais partes, enquanto algumas partes são mais sensíveis ao calor. O tato tem papel importante na afetividade e no sexo. Percepção espacial: Assim como as durações, não possuímos um órgão específico para a percepção espacial, mas as distâncias entre os objetos podem ser efectivamente estimadas. Isso envolve a percepção da distância e do tamanho relativo dos objetos. Aparentemente a percepção espacial é supramodal, ou seja, é compartilhada pelas demais modalidades e utiliza elementos da percepção auditiva, visual e temporal. Assim, é possível distinguir se um som procede especificamente de um objeto visto e se esse objeto (ou o som) está a aproximar-se ou a afastar-se. Cinestesia: É a capacidade em reconhecer a localização espacial do corpo, a sua posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação às demais, sem utilizar a visão. Este tipo específico de percepção permite a manutenção do equilíbrio postural e a realização de diversas atividades práticas. Resulta da interação das fibras musculares que trabalham para manter o corpo na sua base de sustentação, de informações táteis e do sistema vestibular, localizado no ouvido interno. Problemas perceptivos • Ilusões, Cegueira, surdez e anestesia (problemas no órgão receptor), Agnosia (Problemas no processamento da informação pelo SNC), Alucinações... 5.2 - O Papel da Atenção no Processo Perceptivo Constantemente recebemos uma quantidade de estímulos (visuais, auditivos, olfativos,…), o que implica que nem todos sejam captados do mesmo modo. A ATENÇÃO desempenha um importante papel na nossa percepção da realidade, pois leva-nos a seleccionar umas sensações em detrimento das outras. Assim, para “vermos” alguma coisa ela tem de chamar a nossa atenção. Quantas vezes não passamos pelas coisas e, simplesmente, não as vemos? Falar em percepção é falar do ser humano, nas suas relações com outros seres humanos, objetos, animais, símbolos, mitos, conceitos, referências. O estudo do processo perceptivo é antigo. Segundo Aguiar, MAF (1992) “os estudos da percepção levantaram a hipótese de que os objetos emitiriam cópias deles próprios, as quais se transmitiriam ao cérebro. Os estudos da Física vieram contribuir para o abandono dessa hipótese ao mostrar que os objetos não emitem cópias. Na realidade, a maioria dos objetos limita-se a refletir ondas que os atingem”. Assim, o processo perceptivo passa a ser analisado de modo objetivo, trazendo ao ser humano a perspectiva de ser ele o único percebedor no mundo em que vive. Somos dotados de órgãos dos sentidos, que nos permitem ver, tocar, cheirar, ouvir, degustar, e assim interagimos com o mundo, percebendo as formas, os jeitos, as tonalidades e suas distinções. A cada ser humano, entretanto, é possível perceber de modo distinto um mesmo objeto, e isto nos traz a questão a ser tratada: Como se dá o processo perceptivo? Trataremos desta pergunta nos Capítulos seguintes, onde buscaremos contribuir para a reflexão do processo perceptivo na vida organizacional. A percepção, segundo Robbins, SP (2002) pode ser definida como o processo pelo qual os indivíduos organizam e interpretam suas impressões sensoriais, com a finalidade de dar sentido ao seu ambiente. 13

[close]

p. 14

Psicologia Aplicada ao Trabalho 5.3 - Compreensão do Processo Perceptivo A compreensão do processo perceptivo pode ser iniciada pela análise neurofisiológica do ser humano. Ao observar um objeto, o ser humano consegue percebê-lo visualmente, pois o objeto percebido reflete ondas de luz que atingem a retina desencadeando estimulações dos nervos visuais, e provocando impulsos nervosos. Estes impulsos são transmitidos ao cérebro, que os codificam gerando distintos padrões de energia. Para cada indivíduo, teremos distintas retinas, portanto com distintos padrões de energia que produzem distintas percepções do mesmo objeto percebido. Assim, ao olhar para uma cadeira, esta reflete luzes, que em ondas, atingem a retina e vão ao cérebro, codificando a cadeira. Se perguntarmos a vários indivíduos sobre o objeto percebido (cadeira), teremos diferentes tipos de respostas. A cadeira, entretanto, continua a mesma, o que muda é apercepção individual. O mesmo ocorre com a percepção auditiva. Ao ouvirmos uma frase, esta é transmitida em ondas sonoras ao nosso sistema auditivo e transformada em impulsos nervosos, sendo então emitidos ao cérebro. Isto ocorre também com os outros animais, considerando a especificidade de seus sistemas nervosos. Então, o que diferencia o processo perceptivo dos seres humanos dos outros animais? Somente o ser humano faz a pergunta: “Quem sou?”. 5.4 - Auto Percepção Quem sou? Desde seu nascimento esta pergunta instiga o ser humano a olhar para si mesmo na busca de uma resposta. Esta resposta, entretanto, começa a se delinear no contato com o mundo (outros seres, objetos, símbolos,...). Ele busca no mundo referências que lhe darão as primeiras noções de quem é. Assim, um recém-nascido esquimó somente terá referência de quem é no contexto em que vive e com quem vive. Isto nos traz a importância do espaço em nosso processo de percepção. Outro fator importante é o tempo. O ser humano se reconhece em uma época específica. Desta forma, acolhe o contexto onde está inserido nas dimensões espacial e temporal. O bebê esquimó somente tem a possibilidade de se reconhecer como esquimó naquele contexto, ou seja, de acordo com o espaço e tempo em que está inserido. Então vejamos, se isto se dá assim, dois bebês esquimós que nasceram no mesmo contexto terão as mesmas percepções? Para responder esta pergunta, sugiro uma nova reflexão. Ao tentar responder a primeira pergunta (“quem sou?”) o ser humano, primeiramente, encontra a resposta para outra questão: “O que sou?” Perceber que é um esquimó, por exemplo, não o diferencia dos outros esquimós. Responde “apenas” o que é: Um esquimó. O que o diferencia não é ser um esquimó dentre outros, mas sim quem é, como um esquimó. A pergunta quem sou, no entanto, nunca é respondida, pois o ser humano não é um ente parado no tempo presente. Ele se projeta para o passado e para o futuro, revivendo momentos, lembrando situações, e desejando, sonhando e fantasiando o que ainda lhe falta. Assim, por ser dinâmico, vai acolhendo de modos distintos o que se apresenta no mundo, interagindo com outros seres humanos e atuando nos objetos e animais. O ser humano tem a capacidade de perceber sua própria existência, percebendo-se nas relações com os demais entes no mundo. Deste modo, ele coexiste, ou seja, existe dinamicamente com outros seres. No meio organizacional, os seres humanos ocupam cargos que lhes dão uma posição e responsabilidades dentro do núcleo das atividades produtivas. Vejamos o exemplo:  Na sua empresa, quem você é?  Eu sou mecânico de manutenção. 14

[close]

p. 15

Psicologia Aplicada ao Trabalho Assim, quando perguntamos quem é, estamos esperando uma resposta ligada ao seu desempenhar mecânico de manutenção, entretanto, não o diferencia dos demais mecânicos de manutenção, apenas o enquadra dentro de uma categoria funcional. E, deste modo simplificador, o percebemos nas possibilidades de interação dentro do contexto institucional. Isto possibilita, também, que este empregado mecânico se perceba dentro desta categoria, recebendo e atribuindo referências àquilo que faz, fala, escuta, como um mecânico de manutenção. 5.5 - O Ser Humano como Percebedor Somente ao ser humano cabe perceber. Desde seu nascimento, o ser humano estabelece relações com o mundo, que no começo lhe aparece estranho, para buscar referências que lhe possibilitem interagir, compreender e, principalmente, apreender este mundo novo. Assim, como percebedor, percebendo o outro como igual, percebe-se como homem ou mulher, alto ou baixo, gordo ou magro, sempre de acordo com o contexto no qual está e foi inserido (seu mundo). O processo perceptivo do percebedor está intimamente relacionado com o contexto no qual se sente pertencedor. Os valores e crenças são referências colhidas e acolhidas na tarefa de cuidar de si, preservando-se e buscando sentir-se pertencente. O ser humano tem capacidade de perceber o que se mostra, seja outro ser humano, um animal, um objeto, um símbolo. No caso de perceber outro ser humano ocorre a possibilidade de também ser percebido, e daí pode imaginar o que o outro percebe dele, e assim levando a influências na percepção de ambos. Se percebermos que o outro nos percebe como nocivo, buscamos, por exemplo, desfazer esta percepção, que por vezes está incorreta. Isto explica parte das dificuldades de relacionamento entre dois seres humanos e muito mais complexamente em grupos, onde os focos perceptivos se cruzam intensamente. Com os animais e objetos não ocorre o mesmo, pois o processo perceptivo está direcionado ao percebido, não havendo e nem sendo esperado retorno. 5.6 - O Percebido Somente o ser humano, ao ser percebido pode se dar conta disto. Um objeto é percebido, mas não percebe isto, e consequentemente, não atua. Um objeto não é percebido isoladamente, mas sim dentro de um contexto. Assim, não se percebe somente um automóvel, mas também sua cor, tamanho, forma. Percebe-se ainda que esteja entre outros automóveis, de noite ou de manhã, entre outros aspectos. Um automóvel não é percebido, portanto, de modo igual. Ao perceber, o ser humano transforma o automóvel em um fenômeno. Fenômeno vem do grego phanesthai (Heidegger, M., 1988), que significa mostrar-se, mas como se mostra somente àquele percebedor. Desta forma, um automóvel para aquele ser humano percebedor será acolhido como só a ele o automóvel se mostrará. As características e o comportamento do percebido podem também afetar a percepção. Robbins (2002) nos mostra que os movimentos, sons, tamanhos e atributos de um alvo influenciam a forma como ele é percebido. Estes alvos não são, entretanto, percebidos isoladamente, ou seja, estão em um contexto. Esta relação com o cenário influencia a percepção, pois temos a tendência de agrupar elementos ou parecidos. Segundo Robbins (2002), objetos próximos uns dos outros tendem a ser percebidos em conjunto. Esta proximidade pode ser tanto física como temporal. Robbins cita como exemplo dois acidentes fatais com esqui que ocorreram com poucas semanas um do outro. Relata que as pessoas começaram a considerar o esqui um esporte muito perigoso. Assim, embora os dois eventos fatais tenham ocorrido em situações diferentes à tendência foi de agrupa-los pela proximidade temporal, influenciando a percepção sobre o esquiar. 15

[close]

Comments

no comments yet