Jornal Imprensa Sindical - Edição nº 106

 
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ANO XIII | 106a EDIÇÃO IMPRENSA SINDICAL DE 25 DE JANEIRO A 25 DE FEVEREIRO/2014 Ministério divulga nova tabela do Seguro-Desemprego Valor máximo da parcela do benefício alcança R$ 1.304,63 e tem como base o novo salário mínimo no valor de R$ 724,00 do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) Nº 707, publicada no D.O.U 10 de janeiro de 2013. De acordo com a referida Resolução, a partir de 2013 os reajustes das faixas salariais acima do salário mínimo observará a variação do índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado e divulgado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acumulada nos doze meses anteriores ao mês de reajuste. Com isso, o valor máximo da parcela do benefício alcança R$ 1.304,63. O valor do benefício não poderá ser inferior ao valor do Salário Mínimo. Estima-se que 8,6 milhões de trabalhadores tenham acesso ao benefício este ano, um dispêndio em torno de R$ 33 bilhões. Tabela para cálculo do benefício Calcula-se o valor do Salário Médio dos últimos três meses anteriores a dispensa e aplica-se a fórmula abaixo: FAIXAS DE SALÁRIO MÉDIO VALOR DA PARCELA O Ministério do Trabalho e Emprego divulgou a tabela do seguro-desemprego que vigora a partir de 11 de janeiro, tendo como base o novo salário mínimo no valor de R$ 724,00. O reajuste segue as recomendações da Resolução SINTRACON - SP Até R$ 1.151,06 - Multi- plica-se o salário médio 0.8 (80%). De R$ 1.151,07 até R$ 1.918,62 - O que exceder a R$ 1.151,06 multiplica-se por 0,5 (50%) e soma-se a R$ 920,85. Acima de R$ 1.918,62 - O valor da parcela será de R$ 1.304,63 invariavelmente. SECOVI - SP RAMALHO JÚNIOR Licença e prioridade a quem tem lições de vida a dar! Página 16 Antonio de Sousa Ramalho, presidente do Sintracon-SP Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP O crescimento chinês do mercado imobiliário Página 9 O INIMIGO AGORA É OUTRO Página 14 CUT - SP BRASIL LU ALCKMIN O presidente da CUT/SP, Adi dos Santos Lima Centrais sindicais e movimentos sociais defendem Constituinte Exclusiva Página 4 SINDUSCON - SP Governo vai investir quase R$ 1 bi em acesso à água no Semiárido Página 14 Lu Alckmin realiza aula inaugural da 14ª turma da Escola de Qualificação Profissional do FUSSESP Página 9 SUPLICY Eduardo Matarazzo Suplicy (PT-SP), senador da República SÃO PAULO Monotrilho da Linha 15-Prata faz primeira viagem teste Página 6 FORÇA SINDICAL Geraldo Alckmin, governador de São Paulo São Paulo pode se beneficiar com um novo Programa Minha Casa Página 6 PARAÍBA Aniversário da Cidade de São Paulo Página 8 Sergio Watanabe, presidente do Sinduscon-SP HADDAD ITUIUTABA-MG Captação de indústrias e incentivos do governo projetam a Paraíba para se tornar segundo maior polo de cimento do país Governador da Paraíba, Ricardo Página 5 Miguel Torres, presidente da Força Sindical Coutinho Em 3 semanas, Hora Certa M’Boi Mirim I faz 93 cirurgias e 1,8 mil consultas Página 12 Por que reduzir a jornada de trabalho? Página 4 GRÁFICOS - SP RIO GRANDE DO SUL Dilma anuncia em BH início da obra da BR-154 Página 12 MARANHÃO Tarso Genro sanciona reajuste do salário mínimo regional Página 10 PARÁ Luiz Pedro, prefeito de Ituiutaba Foto: Arquivo-Secom/Handson Chagas Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul AEROVIÁRIOS - SP Fernando Haddad, prefeito de São Paulo GUARULHOS - SP Novo Centro de Triagem Masculino amplia vagas no sudeste do Pará Página 10 Nilson do Carmo Pereira, diretor executivo do Sindicato dos Gráficas A HISTÓRIA DE SÃO PAULO PASSA POR CONGONHAS Página 11 Prefeitura entrega 20 novos ônibus à região dos Pimentas Página 12 Maranhão tem saldo positivo de emprego formal em 2013, afirma Caged Página 12 BAHIA Governadorado Maranhão, Roseana Sarney SÃO PAULO, A CIDADE MÃE Página 4 Memorial e Praça Irmã Dulce são novos pontos de atração do turismo religioso na Bahia Página 16 Anuncie no Governador do Estado do Pará, Simão Jatene IMPRENSA SINDICAL Reginaldo Alves de Souza, Mandú, presidente do SAESP Prefeito de Guarulhos, Sebastião Almeida Jaques Wagner, governador da Bahia (11) 3666-1159 99900-0010 95762-9704

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Opinião paradigma neoliberal às suas identidades, no lugar de se constituírem em uma resposta política organizada aos efeitos negativos do capitalismo. O maior erro histórico da social-democracia foi o de não assumir completamente a esquerda reformista, e se negar a fazer o inventário de sua trajetória governamental principalmente na década de 90 com todas suas consequências. Eles terminaram compactuando com a governança mundial inspirada nos princípios da economia neoliberal deixando de condenar a deriva das políticas de direita da União Europeia. A chamada terceira via de Blair e Schröder foi muito longe quanto à colaboração com a direita europeia. Eles terminaram deturpando os princípios da social democracia e decepcionando seus aliados históricos de esquerda. A identidade política ficou indefinida diante de uma União Europeia cada vez mais tecnocrática e neoliberal. Para muitos eleitores de esquerda, eles passaram a ser vistos como defensores do livre mercado; para a ala mais à esquerda eles são considerados como neoliberais, muito produtivista para os ambientalistas, e para os movimentos sociais eles os vêem como destruidores do Estado Providência e dos direitos trabalhistas. Além de não ter contribuído para emergência de um espaço geopolítico de integração social da Europa. Com o tratado de Maastricht, a Europa Social foi enterrada com a bendição da social democracia e dos partidos socialistas. No parlamento Europeu, os partidos de esquerda sempre foram incapazes de reagir de modo articulado face à crise do capital financeiro que vem fragilizando a Europa. Oportunidades perdidas Com a grave crise mundial que atingiu a Europa em particular desde o final de 2008, se imaginava que desta vez, os partidos da social democracia europeia e os partidos socialistas fossem capazes de aproveitar o colapso do neoliberalismo, para fazer um mea-culpa e apresentar a proposta de uma economia política de esquerda, uma solução de alternativa política com credibilidade para o post-crise que não é somente econômica, ela é também ecológica e política. Mas uma vez a desilusão se instala do eleitorado de esquerda. Se pelo menos eles revisassem as recomendações de Keynes logicamente, sem a visão produtivista do desenvolvimento, já seria um enorme avanço. Esta crise do capitalismo financeiro é sem precedente, o abalo econômico foi tanto que os próprios adeptos mais ferrenhos do capitalismo financeiro, os Estados Unidos reconheceram a necessidade de regulação do mercado, considerando ainda a importância do Estado como coordenador da economia. Antes, os neoliberais consideravam o Estado IMPRENSA SINDICAL | DE 25 DE JANEIRO A 25 DE FEVEREIRO/2014 | PÁGINA 2 Editorial Quase da idade do Brasil, São Paulo surgiu como missão jesuítica, em 25 de janeiro de 1554, reunindo em seus primeiros territórios, habitantes de origem tanto européia quanto indígena. A cidade faz 460 anos e vive ainda em sua juventude. O crescimento econômico da cidade é efervecente e dá suporte para todo o país. Sua rica interação interracial, com representantes de quase todos os países do mundo, fortalece ainda mais a cidade em termos, não apenas econômicos, mas principalmente cultural e social. A mistura étnica sempre forteleceu as nações. São Paulo é uma das cidades do mundo com mais habitantes de diversos países e, inclusive, de todos os Estados brasileiros. Uma verdadeira Torre de Babel, onde encontramos culturas, línguas e sotaques diversificados. Isso a torna ainda mais especial. Fatos políticos, econômicos, sociais, culturais, importantes que mudam o rumo de sua história e do próprio país acontecem no palco da cidade paulista. Grande parte dos líderes políticos que governam e administram o Brasil vem de São Paulo. É inegável sua importância para o país. Uma das maiores cidades do mundo e a maior da América Latina, merece os parabéns pela belíssima idade que faz. Uma jovem senhorita a seduzir milhões e milhões de pessoas em tempo integral. Parabéns São Paulo! Agradecemos a todos os anunciantes pela contribuição e aos que colaboraram com matérias para o enriquecimento do conteúdo do jornal IMPRENSA SINDICAL. A Social Democracia Europeia –prisioneira de suas contradições como entrave à economia, decretando sem nenhum escrúpulo a morte do Estado-Providência. Hoje até o novo prefeito de Nova York Bill Blasio defende o imposto como justiça social e diz que vai aumentar os impostos para os ricos, taxar o capital especulativo. A social democracia e seus aliados foram incapazes de se renovar e de forjar novos instrumentos para a construção de um projeto coletivo que atendesse os anseios da sociedade pos-moderna. Tampouco conseguiram construir estratégias de longo prazo baseada em alguns pilares: a regulação econômica e distribuição, o tratamento estrutural do desemprego, a garantia da coesão social, a sustentabilidade ambiental e tecnológica, dentro de uma abordagem holística do desenvolvimento. Ao contrário, os governos da social democracia e socialistas continuam prisioneiros de suas contradições diante da ideologia neoliberal. Seus programas de governo não se diferenciavam da gestão econômica da direita, eis ai razão da “débâcle” política junto às camadas populares que desertaram do campo político eleitoral. Na França, o governo socialista virou social democrata centrista. Na France de Jaurès o termo social-democracia era considerado pejorativo. Nem todos os socialistas franceses aboliram Marx de suas referências, a crítica ao sistema soviético não lhes impediam de continuar acreditando na construção do socialismo. Porém, o PS francês defendia um socialismo com uma visão crítica ao capitalismo, a maioria era partidária de uma economia social de mercado e de um dinamismo do setor privado. A maioria continua defendendo um socialismo capaz de mudar a vida das pessoas na sociedade através de leis, todavia, sempre privilegiando o dialogo social, ou seja, uma mudança contratual. O atual Presidente François Hollande é hoje o candidato mais impopular da história da república francesa. Ele assumiu 60 compromissos chaves a serem realizados durante o seu governo; mas em dois anos, segundo um levantamento feito pelo blog de jornalistas independentes –apenas nove foram cumpridos. Algumas promessas feitas por um presidente têm por vezes forte conteúdo simbólico, outras até podem não ser cumpridas por razões que podem ser justificadas em contexto extremo de crise econômica. Os eleitores de esquerda votaram em Hollande sem ilusões, a questão maior era não deixar a direita utra-conservadora voltar a governar a França por mais cinco anos. Todavia, todos que votaram no candidato do PS esperavam um governo de maior determinação no enfrentamento com o mundo das finanças, o principal responsável pela desestabilização da economia mundial. A constatação que se faz hoje é que o Presidente cedeu à pressão dos banqueiros, cedeu ao capital financeiro. Dizia que os ricos iriam pagar para salvar os pobres, mas nem sequer deu aumento significativo do salário mínimo. Seu governo só conseguiu estabelecer uma lei para taxar 75% de imposto para os ricos, que é considerada ineficaz por grande parte dos economistas, tendo em vista que esta medida só teria efeito real se Hollande tivesse cumprido uma de suas principais promessas que seria de realizar uma verdadeira reforma fiscal. Por enquanto, sua política fiscal tem tido efeito negativo junto às camadas populares e classe média levando-as a apertar o cinto face à crise econômica. Mesmo se a tendência hoje na política prima pela racionalidade e abolição de sonhos, todo projeto político dentro de uma sociedade complexa visa a buscar soluções capazes de ordenar de modo mais justo a vida social. No imaginário do povo, o poder teria que ser idealmente justo na busca do bem comum. A política é feita de interesses contraditórios. Porém, se a política não oferece mais nenhuma possibilidade de sonhar e nenhum outro paradigma de desenvolvimento humano e mais solidário, a democracia perde todo o seu sentido. O interesse do capital não pode ser mais importante que o interesse geral, principalmente na terra onde os direitos humanos foram proclamados. Marilza de Melo Foucher é doutora em Economia, jornalista política e correspondente do Correio do Brasil em Paris por Marilza de Melo Foucher - de Paris Independentemente da simpatia ou antipatia que alguns possam ter da social-democracia na Europa, vale ressaltar que ela nasceu sob uma concepção de pluralidade política e se apresentava como uma alternativa diante do comunismo na Europa do Leste. Ela combatia a concepção stalinista do poder e defendia o papel do Estado na regulação da economia, combatendo a irracionalidade e as desigualdades engendradas pelo capitalismo. Havia então uma expectativa de fortalecimento ideológico da social-democracia, assim como dos partidos socialistas enquanto via alternativa entre o capitalismo produtor de desigualdades sociais e um socialismo dito totalitário que falhou na organização da economia planificada e no que diz respeito à liberdade de expressão. Os anos 70/80 representaram o auge da social democracia com três figuras políticas que marcaram sua historia: Willy Brandt (Alemanha), Olof Palme (Suécia) e Bruno Kreisky (Áustria). Nos anos 1997/98, uma onda rósea chega à União Europeia que será representada por 11 governos dos 15 então existentes. Face à crise ideológica do comunismo e de outro lado o avanço do capitalismo selvagem, esperava-se que os partidos adeptos da social democracia e do socialismo humanista pudessem ocupar este vazio político. Entretanto, os resultados eleitorais flutuam em cada década. Mesmo não sendo majoritários, os governos da social democracia e socialista tinham maior peso na política econômica na Comissão Europeia. A crise do capitalismo depredador mostrava a impossibilidade do triunfo do mercado sobre o Estado. Sabe-se hoje que nenhuma economia pode funcionar sem o suporte do Estado, este estabelece a legislação fiscal e outras leis que regulam e incentivam o desenvolvimento econômico do país. Entretanto, os partidos de esquerda que assumiram o poder nos países mais importantes da Europa, no lugar de construírem uma visão nova no modo de fazer política e de governar, infelizmente não tiveram coragem política e nem foram capazes de elaborar estratégias de ação política à altura dos desafios sociais e ecológicos que marcaram o final do século XX e o início do século XXI. O desafio seria renovar seus programas e forjar uma alternativa política e econômica convincente, imprimindo assim, um novo modo paradigma de desenvolvimento, dentro de uma concepção holística e mais humana. A constatação será amarga para o eleitorado de esquerda, tendo em vista que os governos ditos de esquerda na Europa terminaram incorporando o O funesto império mundial das corporações por Leonardo Boff - do Rio de Janeiro Expediente ESTE JORNAL É FILIADO À ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS (ANJ) Jornal IMPRENSA SINDICAL www.jornalimprensasindical.com.br Matriz: Largo Santa Cecilia, 62 - CEP 01225-010 - São Paulo - SP. Fone: (11) 3666-1159 Diretor Responsável Carlos Alberto Palheta Jornalista Responsável: Mara Oliveira - MTB 12437-0/SP Publicidade e Propaganda Carlos Alberto Palheta (11) 99900-0010 Diretoras Executivas Raimunda Duarte Passos e Jéssika Carla Passos Palheta Fones (11) 3666-1159 | (11) 95762-9704 400 MIL EXEMPLARES. DISTRIBUIÇÃO NACIONAL Produção: Kerach Comunicação Projeto Gráfico e Diagramação: Mara Oliveira E-mail: maraoliveira23@hotmail.com Fones (81) 9651-5071 | (81) 9460-9586 E-mails: kerach23@hotmail.com | kerach23@ig.com.br www.kerachcomunicacao.com.br OBS.: MATÉRIAS ASSINADAS NÃO REFLETEM NECESSARIAMENTE A OPINIÃO DO JORNAL, SENDO DE EXCLUSIVA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES. O CONTEÚDO DOS ANÚNCIOS É DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS ANUNCIANTES. Os bons votos de um ano feliz são rituais. Não passam de simples votos, pois não conseguem mudar o curso do mundo onde os super-poderosos seguem sua estratégia de dominação global. Sobre isso é que precisamos pensar e até rezar pois as consequências econômicas, sociais, culturais, espirituais e para o futuro da espécie e da natureza podem ser nefastas. Muitos como J. Stiglitz e P. Krugman esperavam que o legado da crise de 2008 seria um grande debate sobre que tipo de sociedade queremos construir. Erraram feio. A discussão não se deu. Ao contrário, a lógica que provocou a crise foi retomada com mais furor. Richard Wilkinson, um dos maiores especialistas sobre o tema desigualdade foi mais atento e disse, há tempos, numa entrevista ao jornal Die Zeit da Alemanha: “a questão fundamental é esta: queremos ou não verdadeiramente viver segundo o princípio que o mais forte se apropria de quase tudo e o mais fraco é deixado para trás?”. Os super-ricos e super-poderosos decidiram que querem viver segundo o princípio darwinista do mais forte e que se danem os mais fracos. Mas comenta Wilkinson: “creio que todos temos necessidade de uma maior cooperação e reciprocidade, pois as pessoas desejam uma maior igualdade social”. Esse desejo é intencionalmente negado por esses epulões. Via de regra, a lógica capitalista é feroz: uma empresa engole a outra (eufemisticamente se diz que se fizeram fusões). Quando se chega a um ponto em que só restam apenas algumas grandes, elas mudam a lógica: ao invés de se guerrearem, fazem entre si uma aliança de lobos e comportam-se mutuamente como cordeiros. Assim articuladas detém mais poder, acumulam com mais certeza para si e para seus acionistas, desconsiderando totalmente o bem da sociedade. A influência política e econômica que exercem sobre os governos, a maioria muito mais fracos que elas, é extremamente constrangedor, interferindo no preço das commodities, na redução dos investimentos sociais, na saúde, educação, transporte e segurança. Os milhares que ocupam as ruas no mundo e no Brasil intuíram essa dominação de um novo tipo de império, feito sob o lema: “a ganância é boa” (greed is good) e “devoremos o que pudermos devorar”. Há excelentes estudos sobre a dominação do mundo por parte das grandes corporações multilaterais. Conhecido é o de David Korten “Quando as corporações regem o mundo” (When the Corporations rule the World). Mas fazia falta um estudo de síntese. Este foi feito pelo Instituto Suíço de Pesquisa Tecnológica (ETH)” em Zurique em 2011 que se conta entre os mais respeitados centros de pesquisa, competindo com MIT. O documento envolve grandes nomes, é curto, não mais de 10 páginas e 26 sobre a metodologia para mostrar a total transparência dos resultados. Foi resumido pelo Prof. de economia da PUC-SP Ladislau Dowbor em seu site. Baseamo-nos nele. Dentre as 30 milhões de corporações existentes, o Instituto selecionou 43 mil para estudar melhor a lógica de seu funcionamento. O esquema simplificado se articula assim: há um pequeno núcleo financeiro central que possui dois lados: de um, são as corporações que compõe o núcleo e do outro, aquelas que são controladas por ele. Tal articulação cria uma rede de controle corporativo global. Esse pequeno núcleo (core) constitui uma super-entidade (super entity). Dele emanam os controles em rede, o que facilita a redução dos custos, a proteção dos riscos, o aumento da confiança e, o que é principal, a definição das linhas da economia global que devem ser fortalecidas e onde. Esse pequeno núcleo, fundamentalmente de grandes bancos, detém a maior parte das participações nas outras corporações. O topo controla 80% de toda rede de corporações. São apenas 737 atores, presentes em 147 grandes empresas. Ai estão o Deutsche Bank, o J.P. Morgan Chase, o UBS, o Santander, o Goldes Sachs, o BNP Paribas entre outros tantos. No final menos de 1% das empresas controla 40% de toda rede. Este fato nos permite entender agora a indignação dos Occupies e de outros que acusam que 1% das empresas faz o que quer com os recursos suados de 99% da população. Eles não trabalham e nada produzem. Apenas fazem mais dinheiro com dinheiro lançado no mercado da especulação. Foi esta absurda voracidade de acumular ilimitadamente que gestou a crise sistêmica de 2008. Esta lógica aprofunda cada vez mais a desigualdade e torna mais difícil a saída da crise. Quanto de desumanidade aguenta o estômago dos povos? Pois tudo tem seu limite nem a economia é tudo. Mas agora nos é dado ver as entranhas do monstro. Como diz Dowbor: “A verdade é que temos ignorado o elefante que está no centro da sala”. Ele está quebrando tudo, cristais, louças e pisoteando pessoas. Mas até quando? O senso ético mundial nos assegura que uma sociedade não pode subsistir por muito tempo assentada sobre a super exploração, a mentira e a anti-vida. Leonardo Boff é teólogo e escritor

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IMPRENSA SINDICAL | DE 25 DE JANEIRO A 25 DE FEVEREIRO/2014 | PÁGINA 4 CUT-SP Sindical O presidente da CUT/SP, Adi dos Santos Lima Centrais sindicais e movimentos sociais defendem Constituinte Exclusiva Democracia participativa e financiamento público de campanha são as principais urgências por Vanessa Ramos - CUT São Paulo Os protestos do ano passado não puderem ser camuflados ou totalmente manipulados pela grande mídia. Milhões de jovens indignados ocuparam as ruas do país e se manifestaram contra os problemas de infraestrutura, além do atual modelo político do país. Em junho de 2013, como resposta às manifestações, a presidenta Dilma Rousseff fez um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV e propôs a adoção de cinco pactos (responsabilidade fiscal, reforma política, saúde, transporte e educação). A convocação de uma constituinte para debater a reforma política foi um dos temas mais polêmicos e imediatamente refutado por grupos que se encontram no poder. A ideia, naquele momento, não avançou, mas a esperança de mudar permaneceu viva aos olhos dos maiores interessados: os movimentos social e sindical, que em 2014 propõem plebiscito ao povo brasileiro. Esses movimentos defendem uma constituinte exclusiva para 2014. Ou seja, a realização de uma assembleia de representantes eleitos pelo povo, que debata especificamente temas e regras para o sistema político – a Constituição atual é de 1988 e organiza todas as leis e princípios do país. De acordo com o secretário de Políticas Sociais da CUT/SP, João Batista Gomes, a Constituição vigente carrega heranças do período ditatorial brasileiro. “Hoje, são os grandes grupos econômicos e as grandes empresas que têm força para eleger deputados e senadores. Isso precisa mudar”. Dentre as mudanças defendidas pela CUT, está a democracia participativa, que possibilita a construção de referendos, plebiscitos e a participação efetiva do povo em conselhos e conferências. Representação no Congresso é pouco democrática Dados do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) mostram que há uma distorção no sistema eleitoral: dos 594 parlamentares (513 são deputados e 81 senadores) eleitos há três anos, 273 são empresários, 160 são ruralistas, 66 fazem parte da bancada evangélica e apenas 91 são da bancada sindical. Ou seja, os que falam pelos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras no Brasil representam uma minoria, quando isso deveria ser ao contrário. As organizações são unânimes em afirmar que a maioria das cadeiras do Congresso Nacional é ocupada por homens brancos e que em grande parte representam uma elite econômica, com interesses privatistas. A distribuição no parlamento também exclui quase por completo afrodescendentes, populações tradicionais, grupos que lutam por igualdade de gênero e lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBT). As mulheres, por exemplo, mesmo sendo a maioria da população, ocupam 9% dos mandatos na Câmara dos Deputados e 12% no Senado. A coordenadora da Marcha Mundial de Mulheres, Sônia Coelho, defende que mulheres, negros, indígenas e outros grupos excluídos ocupem as cadeiras do Congresso, para uma efetiva democracia representativa. “Levaremos, a partir de agora, o plebiscito por uma constituinte exclusiva e a reforma política como temas centrais a serem discutidos nos espaços da sociedade, como nas escolas. Trabalharemos focadas nessa questão no dia 8 de março de 2014 (Dia Internacional da Mulher)”, afirma. A militante do Levante Popular da Juventude, Juliane Furno, afirma que 2014 será um momento de disputar a consciência dos jovens brasileiros pela defesa de uma maior participação da juventude no Congresso, que hoje é sub-representada. “Vamos dialogar de forma pedagógica com os nossos, pois os jovens devem ocupar os espaços de poder, para lutar também pela reforma política e pela soberania do país”. Financiamento O presidente da CUT/SP, Adi dos Santos Lima, afirma que a democracia vai além da escolha de candidatos nas eleições. “A população deve participar de forma direta das decisões políticas, inclusive as que envolvem financiamento de campanha eleitoral. Isso é possível com um plebiscito”, explica. Para se ter uma ideia do poderio privado, o Banco Alvorada S.A. foi multado em R$ 45 milhões pelo Tribunal de Justiça do Estado a Bahia, em novembro de 2013, por conta de uma doação de R$54 milhões a comitês de campanhas políticas no ano de 2010 (o banco ainda está recorrendo da decisão). De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2012, as empresas privadas doaram 95% dos recursos totais da campanha eleitoral. Para o secretário da CUT/SP, João Batista, esses números indicam as causas do agravamento das crises de representação política observadas em junho e julho. “Como ter certeza de que as empresas não esperam ou exigem nada em troca? Isso inevitavelmente provoca desconfiança no povo brasileiro. Como diz o ditado popular: quem paga a banda, escolhe a música”, alerta. Os movimentos sociais e os sindicatos, em geral, sugerem o financiamento público de campanha eleitoral, para que os candidatos não dependam do dinheiro das grandes empresas. A proposta tem como objetivo inibir a corrupção, a força do poder econômico e baratear as eleições. Plebiscito: como será? A consulta popular ocorrerá entre os dias 1 e 7 de setembro de 2014 e uma única pergunta será feita à população: “Você é a favor de uma constituinte exclusiva e soberana sobre o sistema político?” Em São Paulo, o Comitê Estadual do Plebiscito Popular foi criado no dia 30 de novembro de 2013. Até março de 2014, outros comitês serão formados por regiões e cidades do interior e do litoral. FORÇA SINDICAL - SP Por que reduzir a jornada de trabalho? “Os trabalhadores com uma jornada menor de trabalho menor terão mais tempo para o convívio familiar, para o lazer e para frequentarem cursos de qualificação profissional. É portanto uma medida de amplo alcance social que beneficia coletivamente a classe trabalhadora e a produtividade das empresas. Outro aspecto positivo é que com a redução da jornada haverá uma sensível diminuição dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais, pois, segundo especialistas da área de saúde e segurança do trabalhador, uma das principais causas de acidentes são as horas extenuantes do trabalho. Lutar por uma jornada de trabalho menor, humanizada e livre de pressão é uma justa reivindicação do movimento sindical, que irá gerar milhões de novos postos de trabalho. Quando vamos às ruas pedir a redução da jornada, queremos tornar visível aos olhos da sociedade que o trabalhador é fundamental para o progresso do Brasil, mas que além de produzir as riquezas precisa viver dignamente. Por isso, reduzir a jornada para 40 horas só trará benefícios para o País”. Miguel Torres, presidente da Força Sindical, CNTM e Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes GRÁFICOS - SP SÃO PAULO, A CIDADE MÃE A cidade de São Paulo é como uma mãe que além de seus cidadãos paulista, acolhe a todos os que chegam vindos de todas as partes do Brasil e de outros Países, que aqui se estabelecem e tornam-se cidadãos paulistanos. Sejam eles brancos, negros, pardos, amarelos, etc., de todas as tendências políticas e religiosas. Paulistas de tantas descendências e paulistanos de todas as raças se misturam, trabalham ou estudam, ou fazendo as duas coisas ao mesmo tempo, que dá duro dia e noite e quando podem aproveitam todas as chances que esta cidade lhes proporciona para tentar viver bem. A cidade cresce e junto com ela cresce a população. Sinto que lá no fundo da sua existência a nossa cidade-mãe está a cada ano mais triste e não é pelo fato de estar ficando mais velha e sim, porque neste mesmo espaço de tempo a violência vem crescendo numa proporção infinitamente maior, assustadora, principalmente aquelas praticadas contra seus filhos cidadãos, que sofrem com IPTUs abusivos, que sofrem com as enchentes, que sofrem com a falta de transportes decentes, que sofrem com a falta de hospitais, que sofrem com a falta de uma educação adequada, que sofrem pela falta de moradia, que sofre nas mãos de pichadores e baderneiros, etc. Os administradores da nossa cidade dizem que não têm dinheiro para resolver os problemas da cidade, mas, espere aí..., durante as eleiguns anos atrás como membro do Conselho Municipal de Saúde em uma das reuniões eu perguntei ao Secretário responsável pela pasta: qual era o valor da CPMF repassado ao governo municipal? Eu, como representante dos usuários dos serviços de saúde do município quase apanhei. Li na constituição que, entre outros direitos, a “saúde é obrigação do Estado”, mas este Estado, contra a minha vontade, conseguiu me jogar para os planos de saúde, e aqueles que não conseguiram? Nossa cidade está carente, necessitando de paz, de amor, de administradores responsáveis, compromissados com a sua população, sem enganações. Nas últimas eleições eu achei que aquela política do “rouba, mas faz” estava com seus dias contados, mas continuamos a ouvir todos os dias o sujo falando do mal lavado, estamos vendo “prenderem” os porcos e deixando soltos os donos da porcada e assim por diante. Até quando, eu não sei. Só sei que um dia, para defender a democracia e o Estado de direitos do cidadão haveremos de novamente sair às ruas para protestar e encarar aqueles políticos que por conta dos desmandos desrespeitam seus cidadãos que, com seu suor e impostos são a força motriz da cidade de São Paulo e com certeza, não vai ser nenhum “rolezinho” não. Afinal como já disse antes, a população mobilizada conseguiu tirar os militares do poder, a cidade vai novamente mostrar a sua cara e sorrir, que é o que merecemos pelo que pagamos. Os anos estão passando, um dia não estaremos mais aqui e o futuro de nossos filhos, de nossos netos, hoje depende de nós. Vamos arrancar as ervas daninha e plantar uma boa semente lá na boca da urna, não precisamos lhes prometer um futuro dourado, mas compatível, com condições de uma vida decente para os cidadãos, para as famílias paulistas e paulistanas. Muitos anos ainda virão e essa cidade nunca vai morrer. Feliz aniversário São Paulo. Nilson do Carmo Pereira (61 anos) - Diretor Executivo do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas de São Paulo e membro Fundador do Partido Solidariedade ções ouvimos a nossa Presidenta dizer que se o seu candidato fosse eleito investiria ou, injetaria dinheiro na cidade para que fossem cumpridas inclusive as promessas feitas durante os debates na campanha eleitoral, mas eu acho que ouvi mal. Há al-

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IMPRENSA SINDICAL | DE 25 DE JANEIRO A 25 DE FEVEREIRO/2014 | PÁGINA 5 Pior momento para o Brasil já passou, diz relatório sobre a economia O Indicador Antecedente Composto da Economia (Iace) para o Brasil cresceu 0,9%, em dezembro, ao atingir 127,4 pontos, ante uma queda de 0,2% em novembro e variação positiva de 0,1% em outubro. O cálculo é feito em conjunto pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela instituição independente norte-americana The Conference Board. Cinco dos oito componentes influenciaram nesse resultado. Em nota, o economista da FGV Paulo Picchetti atribuiu essa evolução à projeção de maior dinamismo no mercado internacional. – O fortalecimento das expectativas nos setores de manufatura e serviços, associado à moderada melhoria da economia global, contribuíram para o avanço do Iace de dezembro –disse o economista. Para este primeiro semestre do ano, no entanto, a retomada do crescimento econômico ainda será pequena, conforme prevê Picchetti. Ele justificou que o mercado de ações tem apresentado crescimento lento. Além disso, observou que a demanda interna segue em ritmo moderado e com poucas chances de mudança no curto prazo, em razão do aperto monetário adotado como estratégia de controle inflacionário. Para o economista do The Conference Board, Ataman Ozyildirim, o resultado do índice mostra que o pior momento da economia já está passando. – Projetamos crescimento econômico estável e até um ligeiro avanço no início deste ano –acrescentou. O Iace, lançado em julho do ano passado, permite a comparação da economia brasileira com 11 países e regiões: China, Estados Unidos, Zona do Euro, Austrália, França, Alemanha, Japão, México, Coreia, Espanha e Reino Unido. O levantamento conjunto sobre Indicador Antecedente Composto da Economia, que avalia as condições atuais do setor, teve declínio de 0,1% em dezembro, com a marca de 128,9 pontos, ante uma redução de 0,2% em novembro e um crescimento de 0,6% em outubro. Três dos seis componentes ajudaram na melhoria de desempenho. As exportações de commodities também constam no cálculo. Retrocesso Apesar dos números de longo prazo na macroeconomia, o momento foi de retrocesso para a indústria nacional. O faturamento do parque fabril brasileiro caiu 1,8% em novembro na comparação com outubro de 2013, na série com ajuste sazonal, informou a Confederação Nacional da Indústria (CNI), dia 17 de janeiro. Os números estão no boletim Indicadores Industriais com números apurados mensalmente. O ajuste sazonal é necessário para evitar a interferência nos índices por conjunto de flutuações, como os fatores climáticos e feriados, entre outros. A CNI informou que, no mesmo período, as horas trabalhadas na produção recuaram 0,6% e o nível de utilização da capacidade instalada diminuiu 0,2 ponto percentual e alcançou 82%. Pelo levantamento, foi o terceiro mês consecutivo de queda do faturamento na série de dados com ajuste sazonal. No acumulado entre janeiro e novembro de 2013, em relação ao mesmo período de 2012, o faturamento cresceu 4% e, na mesma base de comparação, as horas trabalhadas na produção ficaram estáveis, com leve expansão de 0,1%. A utilização da capacidade instalada aumentou 0,5 ponto percentual. O resultado de novembro mostra que, mesmo com a retração da atividade naquele mês, o emprego na indústria aumentou 0,1%, e a massa real de salários cresceu 0,8%. O rendimento médio do trabalhador ficou estável ante outubro na série dessazonalizada. De janeiro a novembro de 2013, o emprego cresceu 0,7% e a massa real de salários subiu 2% em relação ao mesmo período de 2012, informou a CNI. Economia Fórum Econômico Mundial foca na disparidade entre ricos e pobres Uma crônica disparidade entre ricos e pobres está se ampliando, o que representa o maior risco individual para o mundo em 2014, apesar do início da recuperação de muitas economias, disse o Fórum Econômico Mundial dia 16 de janeiro. A avaliação anual sobre os perigos globais, que fornece o contexto para a reunião do Fórum na semana que vem em Davos (Suíça), conclui que a disparidade de renda e a decorrente tensão social compõem a questão que provavelmente mais impactará a economia do planeta na próxima década. O fórum alertou que há uma geração “perdida” de jovens que chegaram à maturidade na década de 2010 sem ter empregos e qualificação profissional, o que alimenta a frustração represada. Isso pode facilmente desencadear uma explosão social, como já ocorreu nas recentes ondas de protestos contra a desigualdade e a corrupção na Tailândia e no Brasil. — O descontentamento pode levar à dissolução do tecido social, especialmente se os jovens sentirem que não têm futuro. Isso é algo que afeta a todos –disse Jennifer Blanke, economista-chefe do Fórum Econômico Mundial. A pesquisa com mais de 700 especialistas globais identificou eventos climáticos extremos como sendo o segundo fator com maior probabilidade de provocar choques sistêmicos. O risco de crises fiscais em decorrência do precário estado das finanças públicas em muitos países continua tendo o potencial para provocar o maior impacto econômico global, mas a probabilidade de implosões fiscais desse tipo é menor agora do que em anos anteriores, segundo o relatório. A Europa, em particular, está fora da zona de perigo financeiro imediato –fato que contribuiu para que a desigualdade subisse na pauta, segundo David Cole, diretor de risco da Swiss Re, que colaborou no relatório. A desigualdade, aliás, vem crescendo no mundo desde a década de 1980, e, na opinião de Cole, a crescente atenção dada pela opinião pública ao problema exigirá que gestores públicos e a elite global precisarão ser cuidadosos com isso. — Sou um grande apoiador do capitalismo, mas há momentos em que o capitalismo pode entrar em rotação excessiva, e é importante ter medidas em vigor, sejam elas regulatórias, de governo ou medidas tributárias, que assegurem que evitamos excessos em termos de renda e distribuição de riquezas –disse Cole. O relatório intitulado Riscos Globais 2014, com 60 páginas, analisa 31 riscos para os próximos dez anos. O lançamento ocorre dias antes da reunião anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, de 22 a 25 de janeiro. Todos os anos, ricos e poderosos do mundo se reúnem nessa estação de esqui da Suíça para discutir o futuro do planeta. O tema deste ano é “Reformulando o mundo: consequên-cias para sociedade, política e negócios”. Paraíba Captação de indústrias e incentivos do governo projetam a Paraíba para se tornar segundo maior polo de cimento do país O ano de 2014 será um marco para o desenvolvimento industrial da Paraíba. Os primeiros resultados já projetam a Paraíba como o segundo maior produtor de cimentos do Brasil. E temos história na fabricação de cimento. Foi em solo paraibano que a primeira fábrica de cimento do país foi construída, ainda no ano de 1892. Seguindo a tradição, cinco grandes empresas formarão o Polo Cimenteiro no Litoral Sul paraibano fazendo com que o Estado incremente em 400% a sua produção atual de cimento. Para a presidente da Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (Cinep), Tatiana Domiciano, a consolidação do Estado como principal produtor de cimento da região, colocará a Paraíba no eixo principal de desenvolvimento do Nordeste. “A formação do Polo Cimenteiro incentiva a cadeia própria de produtores e beneficiadores de concreto, na qual já recebemos outras 15 empresas do segmento com protocolos de intenção assinados para instalar-se na região. E vai além disso, servindo como matéria prima para as demais indústrias, para estimular a construção civil, habitação, segmentos econômicos e sociais que estão se desenvolvendo”, pontuou. Atualmente, a Paraíba produz 2,5 milhões toneladas de cimento por ano. E a projeção é de que atinja 10 milhões de toneladas por ano. Este potencial alimentará, entre outros, a cadeia de concreto e pré-moldados; construção civil industrial e residencial, além de todo setor imobiliário. A região litorânea foi escolhida por ter solo rico em calcário e por localização estratégia no Nordeste. Os empreendimentos em execução tem investimentos previstos de R$ 2,3 bilhões, gerando 6.600 novas oportunidades de trabalho. As construções já trazem novos ares para o desenvolvimento econômico das cidades. No município de Alhandra, a fábrica da Elizabeth Cimentos está com obras em andamento, bem como em Pitimbu, onde se instalará a Brennand Cimentos. Além dessas, a Cimpor, que já possui uma unidade em João Pessoa, está construindo sua segunda fábrica paraibana na cidade do Conde, e o Grupo Votorantim avança também com seu projeto na cidade de Caaporã, cidade que terá a indústria Lafarge ampliada até o próximo ano. Desenvolvimento a Longo Prazo A formação do Polo Cimenteiro da Paraíba é parte de uma estratégia para consolidação de um setor econômico de base que fornecerá subsídios às demais indústrias. A diretriz de uma política de longo prazo para a atração de empresas foi realizada com estudos de potencialidades e negociações com as grandes empresas produtoras de cimento. Ainda em 2011, a Paraíba realizou o I Fórum de Fomento da Cadeia Produtiva do Polo Cimenteiro que discutiu assuntos relacionados à cadeia produtiva para formação do polo setorial no Estado. O evento reuniu técnicos do governo, representantes de instituições ambientais, indústrias cimenteiras e fornecedores de máquinas e equipamentos, transporte e logística. As indústrias que vão compor o polo Grupo internacional Cimpor, Lafarge Brasil, Grupo Elizabeth, tradicional produtor de cerâmica, Brennand Cimentos, Votorantim Cimentos. Capacitação de mão de obra As cidades em que as cimenteiras estão instalando-se já vivenciam os efeitos do desenvolvimento. Em Pitimbu, a Brennand Cimentos iniciou o projeto Mãos Dadas com o Futuro para capacitação dos moradores da região em uma parceria com o Governo do Estado, Prefeitura de Pitimbu, Federação das Indústrias da Paraíba (FIEP), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e a Organização Não Governamental Mais Consultoria Social. Os jovens que tradicionalmente trabalhavam na atividade rural, passaram a se capacitar para trabalhar no meio industrial. Até a conclusão do projeto, serão formados 900 alunos que recebem aulas voltadas para construção civil e metal mecânico, como montador de andaimes, eletricista, instalador hidráulico, pedreiro, servente, entre outros. Como forma de incentivo aos estudos, os alunos também ganham uma cesta básica por mês e, ao final do curso, recebem certificado do SENAI. Em seguida, participam de seleção para atuar na construção e operação da fábrica. “Conhecemos o perfil, o potencial do município e, por isso, queremos que os moradores de Pitimbu acompanhem o desenvolvimento local. Assim, disponibilizamos infraestrutura, material didático e logística para que eles participem e se dediquem às capacitações”, explicou o coordenador do projeto, Francisco Carlos da Silveira. Durante as aulas, os candidatos têm a oportunidade de conhecer uma nova profissão e aprimorar noções de cidadania, segurança do trabalho e conhecimentos do mercado de trabalho. Grande parte dos alunos seguia a tradição de pesca da família e hoje estão inseridos no setor produtivo industrial. Tradição Paraibana A tradição da Paraíba na fabricação de cimento vem desde o final do século 19. Com o crescimento da população houve um aumento também nas obras públicas e residenciais. Assim, o Brasil precisava acompanhar essa evolução e começar a produzir seu próprio cimento. Então, em 1888, o engenheiro Louis Felipe Alves da Nóbrega, na Paraíba, e o comendador Antônio Proost Rodovalho, em São Paulo, deram o início aos primeiros dois projetos de implantação de fábricas de cimento no país. No ano de 1933, foi construída em João Pessoa uma nova fábrica de cimento, a oitava do país.

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IMPRENSA SINDICAL | DE 25 DE JANEIRO A 25 DE FEVEREIRO/2014 | PÁGINA 6 Sinduscon-SP São Paulo pode se beneficiar com um novo Programa Minha Casa SERGIO WATANABE Forte impulsionador do crescimento da construção civil e do PIB nacional, o Programa Minha Casa, Minha Vida ingressa em 2014 com a promissora expectativa de cumprir a meta de contratação de 2 milhões de unidades habitacionais no período do mandato do atual governo federal. O bom andamento das contratações levou a presidenta Dilma Rousseff a anunciar em dezembro o objetivo de elevar esta meta em mais 700 mil moradias. Se o governo conseguir, será ótimo para ampliar o alcance do programa e reforçar o crescimento do PIB. Atingir a nova meta dependerá, contudo, da realização de ajustes. Os valores do Minha Casa, Minha Vida não foram atualizados ao longo de 2013, ano em que o CUB (Custo Unitário Básico) da cons- trução paulista subiu 7,3%. Considerando-se as margens já muito ajustadas das construtoras que operam no programa, tal reajuste é premente. Outro desafio do programa é atender as famílias com salários de até R$ 1.600 nas grandes metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro. Junto com os governos estaduais e municipais, será necessário elevar os subsídios para viabilizar esse atendimento. No momento em que São Paulo completa mais um aniversário de sua fundação, a adoção desta medida seria fundamental. Permitiria a construção de mais unidades habitacionais e a geração de mais emprego, na cadeia produtiva da construção, em benefício da economia paulistana. E ajudaria a diminuir o elevado déficit habitacional na capital paulista. Com a alta da inflação, também será preciso incluir no programa reajustes anuais dos orçamentos de execução das obras. A ausência dessa atualização afastou da segunda fase do Minha Casa, Minha Vida, diversas construtoras que operaram na primeira fase. Para reduzir custos, também será necessário elevar a produtividade, mediante mais estímulos à mecanização e à industrialização dos processos de construção e a intensificação dos programas de qualificação de mão de obra. Também será preciso enfrentar outros desafios que retardam o alcance das metas de contratação de moradias para a faixa mais pobre da população e que responde pela maior parte do déficit habitacional nas grandes metrópoles como São Paulo. Entre estes, situam-se a reduzida disponibilidade de terrenos, a morosidade e a burocracia na aprovação de projetos e no li- cenciamento de empreendimentos nos órgãos públicos, e entraves nos cartórios de registros. Entretanto, a grande expectativa do empresariado era que em 2014 fossem lançadas as bases da terceira fase do programa, a vigorar entre 2015 e 2018. Com isso, seria possível traçar projetos de longo prazo, visando à elevação da produção e da produtividade. No final de 2013, a imprensa divulgou notícia, não desmentida pelo Planalto, de que a terceira fase não seria lançada. Desta forma, a continuidade do Minha Casa ficaria circunscrita apenas às promessas das diversas campanhas eleitorais. Uma incerteza desestimuladora de investimentos em 2014 com vistas à edificação de novos empreendimentos em 2015. O governo federal ainda tem a alternativa de liderar a aprovação, neste primeiro semestre, da desti- nação constitucional de recursos permanentes para a habitação popular. Basta retomar a tramitação da PEC da Habitação, que destina um percentual da arrecadação para esta finalidade. Com isso, transformará o programa em uma política de Estado, o que seria um legado histórico da atual administração. SERGIO WATANABE é presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), vice-presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e diretor da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) São Paulo Monotrilho da Linha 15-Prata faz primeira viagem teste Primeiro trecho entre as estações Vila Prudente e Oratório, com 2,9 km de extensão, será entregue ao público em março O trem que vai operar no monotrilho da Linha 15-Prata (Ipiranga-Hospital Cidade Tiradentes) fez dia 10 de janeiro, sua primeira viagem teste, entre a futura estação Oratório e o pátio de manobras de trens. A Linha 15-Prata será o primeiro monotrilho do Brasil e o de maior capacidade de transporte do mundo, atendendo até 48 mil passageiros por hora e por sentido. O primeiro trecho, entre as estações Vila Prudente e Oratório, mais o pátio A Linha 15-Prata será o primeiro monotrilho do Brasil e o de maior capacidade de transporte do mundo, atendendo até 48 mil passageiros por hora e por sentido Oratório, com 2,9 km de extensão, será entregue ao público, em visita controlada, em março. Dois trens já foram entregues e estão passando por testes dinâmicos, para aferição dos equipamentos e das condições técnicas de aceleração e frenagem. “Este é o primeiro trem da sequência de 58 trens que nós teremos aqui nessa linha, que vai ser entregue no final de março, está confirmada a data. Nós teremos quatro trens operando. O segundo trem já está lá, o terceiro trem está chegando agora no final de janeiro e o quarto trem chega no final de fevereiro”, apontou o secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes. A Linha 15-Prata ligará o Ipiranga, com integração na Linha 10 da CPTM, até Cidade Tiradentes, no extremo da zona leste de São Paulo. O tempo de viagem entre as estações será reduzido de 2 horas para 50 minutos. Serão 26,6 quilômetros de extensão, 18 estações e dois pátios de manobras de trens. Ao todo, serão investidos R$ 6,4 bilhões na implantação do monotrilho. “A ideia é entregar [as estações] Vila Prudente, Oratório, Camilo Haddad e Jardim Planalto em 2014. Nós ficaremos muito próximos da Sapopemba. Em 2015 a meta é chegar até Jacu-Pêssego, entregando todas as estações [do trajeto entre Vila Prudente e Jacu-Pêssego] e depois de 2015, Cidade Tiradentes em 2016”, completou o secretário. Cada composição é formada por sete carros, com 86 metros de comprimento por 3,15 metros de largura e capacidade para transportar mais de 1.000 passageiros por viagem. Conta com sistema de ar-condicionado, interligação entre carros (salão de passageiros contínuo), operação automática (sem a necessidade de operador no veículo, seguindo tendência mundial) e pode atingir até 80 quilômetros por hora. Primeiro trecho entre as estações Vila Prudente e Oratório, com 2,9 km de extensão, será entregue ao público em março

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IMPRENSA SINDICAL | DE 25 DE JANEIRO A 25 DE FEVEREIRO/2014 | PÁGINA 7 Trabalho Emprego na indústria segue estável apesar de fraco desempenho no setor O emprego na indústria brasileira mostrou estabilidade em novembro na comparação com outubro mas recuou 1,7% na comparação com o mesmo mês de 2012, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dia 14 de janeiro. Em outubro, o indicador havia interrompido série de cinco quedas seguidas mensais ao avançar 0,1%. Na comparação com novembro do ano anterior, o resultado foi o 26º negativo consecutivo nesse tipo de comparação e o mais forte desde setembro de 2012 (-1,9%). Assim, no acumulado de janeiro a novembro o emprego na indústria acumula queda de 1,1%, e caminha para encerrar o ano com taxa negativa pela segunda vez seguida, após recuo de 1,4% em 2012. A última vez que o emprego industrial registrou dois anos seguidos em campo negativo foi em 2002 e 2003. — O comportamento (negativo) do emprego e das horas pagas se tornou uma característica do mercado de trabalho nos últimos meses, com exceção de outubro –disse o economista do IBGE André Macedo. O contingente de trabalhadores sofreu redução em 12 das 14 áreas pesquisadas na comparação com novembro de 2012, sendo que os principais impactos negativos vieram de São Paulo, com queda de 2,3%, e da Região Nordeste, com recuo de 4,1%. Também tiveram resultados negativos Rio Grande do Sul (-2,4%), Bahia (-5,5%), Minas Gerais (-1,3%) e Pernambuco (-4,2%). Já o número de horas pagas caiu 0,4% em novembro em relação a outubro, devolvendo o ganho de 0,3% visto em outubro, quando interrompeu cinco meses de quedas seguidas. Na comparação anual, houve queda de 2,2% no número de horas pagas, sexta taxa negativa consecutiva e a mais forte desde fevereiro (-2,3%). Em novembro, a produção industrial brasileira caiu 0,2% sobre outubro, interrompendo três meses de alta. — (Em 2013) vários setores estavam com estoques acima do desejado, houve redução no consumo das famílias, encarecimento do crédito, exportações menores e maior penetração de importados. Isso tudo explica uma produção industrial mais lenta e o mercado de trabalho tem que acompanhar esse movimento –completou Macedo. Funcionários da Amazon votam contra a sindicalização em Delaware Um pequeno grupo de técnicos da Amazon.com em um centro de distribuição em Delaware votaram contra a sindicalização, marcando uma vitória para a varejista online norte-americana, que se opõe fortemente a qualquer tipo de representação por terceiros de seus funcionários. Um grupo de técnicos de reparo e de manutenção de equipamentos votaram, por 21 a 6, para não se juntarem à Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais (IAM, na sigla em inglês), em resultados publicados dia 15 de janeiro. O voto foi um teste simbólico das políticas de relações com funcionários da Amazon, mas não teve efeito sobre a vasta maioria dos cerca de 1.500 empacotadores e entregadores que trabalham nas instalações em Middletown, Delaware, um dos mais de 40 centros de distribuição nos Estados Unidos. — Nossos funcionários deixaram claro que preferem uma conexão direta com a Amazon –disse Mary Osako, uma porta-voz da Amazon, em um comunicado por email. John Carr, um representante da IAM, disse que a Amazon trabalhou nos bastidores para influenciar os funcionários. — Os funcionários da Amazon sofreram uma pressão intensa dos gerentes e de consultores anti-sindicatos contratados para suprimir este esforço de organização –disse Carr, acrescentando que o sindicato continuará a trabalhar com os técnicos da Amazon com o objetivo de organizar uma representação sindical. Plataforma online A chinesa Tencent Holdings silenciosamente lançou dia 16 de janeiro seu primeiro produto de serviços financeiros para seu aplicativo de mensagens para celulares, o WeChat, para competir contra ofertas similares das concorrentes Alibaba e Baidu. A Tencent fez uma parceria com a também chinesa Huaxia Bank para oferecer o produto por meio de seu aplicativo de mensagem WeChat, que tem 272 milhões de usuários ativos mensalmente no mundo. O serviço foi lançado de maneira limitada e não está disponível para todos os usuários. É dito que o produto, chamado de Licaitong, consegue oferecer taxas de juros 16 vezes maiores que a taxa de depósito referencial de um ano do banco central para recursos depositados no fundo. A taxa de juros anualizada anunciada dia 16 de janeiro era 6,4350%. A Tencent, a Baidu e a Alibaba têm se esforçado para obter licenças para desenvolver plataformas de serviços financeiros, oferecendo fundos de investimentos, empréstimos e seguros a usuários da web. Representantes da Tencent confirmaram o lançamento do Licaitong mas não quiseram dar mais comentários. Controlar, da CCR, entrega aviso prévio a 800 funcionários em São Paulo A Controlar, empresa da CCR que realiza inspeção veicular em São Paulo, entregou aviso prévio a seus 800 funcionários dia 9 de janeiro, em meio a possibilidade de perder o contrato com a Prefeitura da capital paulista, informou a companhia em nota. Em outubro do ano passado, a prefeitura de São Paulo havia anunciado o fim do contrato com a Controlar, após a Procuradoria Geral do Município (PGM) concluir que o prazo de 10 anos de vigência do contrato havia expirado em março de 2012. A empresa recorreu da decisão e obteve na Justiça o direito de manter a prestação do serviço até o dia 31 de janeiro. A companhia afirmou que continua buscando provar na Justiça que o contrato vale até 2018. “A Controlar está analisando os procedimentos necessários a serem adotados após o possível término da prestação de serviço à Prefeitura de São Paulo”, informou a empresa em nota. Procedimento adiado Cercado de denúncias de corrupção, o sistema de inspeção veicular terá novos rumos na administração do prefeito paulista. Fernando Haddad (PT) disse, que já abriu consulta pública para o novo serviço de inspeção veicular ambiental na cidade de São Paulo. O edital sai ainda no mês de janeiro. A intenção da Prefeitura é que o modelo atual, operado pela concessionária Controlar, deixe de funcionar. Com isso, o calendário da fiscalização não deve começar em fevereiro, como nos últimos anos. A empresa que vencer a licitação terá 90 dias para se estruturar, o que pode fazer com que o serviço comece em maio. Somente 40% da frota que passou pela inspeção em 2013 será obrigada a ser vistoriada a partir do novo modelo de inspeção. A Controlar, no entanto, recorre na Justiça para manter vigente o contrato atual, mas anunciou o aviso prévio a partir do dia 9 de janeiro. Segundo a empresa, o contrato tem validade até 2018. Mas, para a gestão Haddad, o modelo em funcionamento inspeciona muitos carros que não deveriam passar pelo teste, já que são novos e, portanto, emitem poluentes nos limites estabelecidos pela legislação federal. Dessa forma, segundo Haddad, mais de 99% dos veículos inspecionados eram aprovados nos testes. Ainda conforme Haddad, a Prefeitura respeitará a decisão que a Justiça tomar sobre o assunto. “Estamos subordinados a qualquer decisão judicial, mas nós queríamos romper há muito tempo esse contrato (com a Controlar), porque nós entendíamos que ele havia expirado e que ele não seguia a boa prática contratual. Ele já foi condenado, inclusive, em segunda instância, já tem pendências judiciais suficientes”. Nova licitação — A frota que vai ser inspecionada é menos da metade do tradicional, porque os carros novos não serão inspecionados: a fábrica terá que atestar a qualidade (deles). É o que é feito no mundo inteiro. Você inspeciona realmente o carro a partir de uma determinada idade, porque o carro de fábrica é a fábrica que tem que garantir que ele está de acordo com a legislação federal, e não o município –afirmou o prefeito. Com isso, só os carros mais velhos terão que passar pela inspeção anualmente. Os seminovos (veículos com mais de quatro anos) deverão se submeter a ela ano sim, ano não. Haddad disse ainda que a nova inspeção não terá taxa como a que é cobrada hoje. Só em caso de reprovação do veículo, o proprietário vai precisar desembolsar a quantia para o segundo teste de emissão de poluentes. O prefeito não deu um cronograma para o início da nova inspeção. — Vai depender de quem ganhar a licitação. Quem ganhar a licitação terá 90 dias para estruturar o serviço –afirmou. IBM irá investir US$ 1 bilhão para criar nova unidade de negócio no show quiz de televisão “Jeopardy” nos Estados Unidos. A maior provedora de serviços de tecnologia do mundo disse que o IBM Watson Group será dirigido por Michael Rhodin, que era anteriormente vice-presidente sênior do grupo de soluções de software da IBM. A IBM disse que o investimento inclui um fundo de capital de US$ 100 milhões para impulsionar a inovação no seu Watson Developers Cloud, que a empresa abriu para desenvolvedores de aplicativos externos no ano passado. A unidade terá cerca de 2 mil funcionários e ficará baseada em Nova York. O Watson, que bateu participantes no programa de TV “Jeopardy”, um quiz show nos Estados Unidos, em 2011, é um sistema de supercomputador de inteligência artificial nomeado em homenagem ao lendária presidente da International Business Machines (IBM) Thomas Watson. Usando recursos de linguagem natural e análise, o Watson processa a informação semelhante à forma como as pessoas pensam, o que lhe permite analisar e interpretar grandes quantidades de dados rapidamente. A IBM disse que irá investir mais de US$ 1 bilhão para criar uma nova unidade de negócios para o Watson, enquanto a gigante de tecnologia espera obter mais receita com o sistema de supercomputador que venceu os humanos

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IMPRENSA SINDICAL | DE 25 DE JANEIRO A 25 DE FEVEREIRO/2014 | PÁGINA 8 Suplicy Aniversário da Cidade de São Paulo tivamente erradicarmos a pobreza absoluta, construirmos uma sociedade civilizada e justa e provermos dignidade e liberdade real para todos, ao lado de provermos boas oportunidades de educação para toda a população e bons serviços públicos de saúde, uma solução de bom senso será programarmos a Renda Básica de Cidadania para toda a população brasileira, expliquei que nosso país é o primeiro do mundo em que o Congresso Nacional aprovou uma Lei a 10.835/2004, apoiada por todos os partidos, sancionada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 8 de janeiro de 2004, que institui a Renda Básica de Cidadania. Ela foi sancionada há dez anos, na véspera da sanção da Lei que instituiu o Programa Bolsa Família. Enquanto programa foi implementado a partir de outubro de 2003, porque instituído por Medida Provisória, a Renda Básica de Cidadania, diz a lei, será instituída por etapas, a critério do Poder Executivo, iniciando-se pelos mais necessitados, como, portanto o faz o Programa Bolsa Família. Todas as famílias no Brasil, com renda familiar mensal per capita até R$ 140,00 tem o direito de receber os benefícios do Bolsa família: caso a renda familiar por pessoa não atinja sequer R$ 70,00,o benefício básico é de R$70,00, mais, respectivamente, para todas as que tem renda até R$ 140,00 por pessoa, R$ 32,00, R$64,00, R$ 96,00; R$128,00, ou R$ 160,00 se na família houver uma, duas, três, quatro cinco ou mais crianças até onze anos e onze meses, mais R$ 38,00 e, mais R$ 38,00, se na família houver um ou dois adolescentes na faixa de dezesseis a dezoito anos. Há condicionalidades. As mães que estiverem grávidas devem fazer o pré-natal na rede pública de saúde até que nasça o nenê. Os pais devem levar as crianças até 6 anos de idade pra a rede pública de saúde para realizar as vacinas de acordo com o calendário do Ministério da Saúde. As crianças de sete a quinze anos e onze meses de idade devem frequentar pelo menos 85% das aulas nas escolas e os adolescentes, pelo menos 75%. Em dezembro de 2003, havia 3,5 milhões de famílias no programa. Em dezembro de 2014 havia mais de 14,1 milhões de famílias beneficiadas, correspondendo a cerca de 50 milhões, ou ¼ da população brasileira de 201 milhões. O coeficiente Gini de desigualdade, que havia chegado a 0,601, 1996, colocando-nos como terceiro país mais desigual, que era cerca de 0,59 em 2002, baixou gradualmente, todos os anos, para 0,51 em 2012. Hoje, considerada a soma da renda familiar mais o benefício do Programa Bolsa Família dividindo-a pelo número de membros da família, se a renda per capita não atingir pelo menos R$ 70,00 por mês, o governo federal complementa o que falta para garantir pelo menos R$ 70,00 para cada um. Cada governo municipal, estadual, organização tal como um sindicato ou de outra natureza, ou nós cidadãos, se soubermos de alguma família que preenche os requisitos do programa que ainda não estiver inscrita, é nosso dever, pela Busca Ativa, avisar que os pais podem se inscrever no órgão da prefeitura de desenvolvimento social. Portanto, trata-se de um programa com resultados muito positivos. Mas temos que melhorar ainda mais, pois somos ainda o 16º país mais desigual do mundo. Uma forma é avançarmos em direção à Renda Básica de Cidadania para toda e qualquer pessoa não importa a origem raça, sexo, idade, condição civil ou socioeconômica. Os que temos mais também receberão, mas colaboraremos para que nós próprios e todos os demais venhamos a receber, com as grandes vantagens de simplificar todo o sistema e de dar maior dignidade e liberdade a cada pessoa. Eis porque, com o apoio dos 81 senadores, encaminhei uma sugestão à Presidenta Dilma Rousseff para que ela crie um Grupo de Trabalho, com os maiores estudiosos dos programas de transferência de renda e combate à pobreza, para estudar as etapas previstas em lei para instituir a Renda Básica de Cidadania. Conforme pude testemunhar quando convidado pelo DIEESE para explicar a proposta, os membros de todas as Centrais Sindicais brasileiras manifestaram estar de acordo com esse objetivo. Espero que a Presidenta logo venha a criar aquele grupo. Eduardo Matarazzo Suplicy (PT-SP), senador da República Neste 25 de janeiro de 2014 estou na Espanha, depois de ter estado na Finlândia, pois fui convidado para duas conferências internacionais para falar sobre “Os Dez Anos do Programa Bolsa Família e a Perspectiva da Renda Básica de Cidadania. A primeira , em 21 de janeiro, em Helsinki, onde os representantes da Índia, da Namíbia e do Brasil apresentamos nossas respectivas experiências e expectativas para os finlandeses da Rede da Renda Básica da Finlândia os quais se sentiram estimulados em saberem que a proposição vem ganhando adeptos em todos os continentes, inclusive nos meios sindicais. A segunda, em San Sebástian, em 31 de janeiro, em que estarei expondo sobre como o Brasil conseguiu dar passos consistentes para diminuir a pobreza absoluta e a desigualdade nos últimos doze anos e como poderemos agir de forma ainda mais eficiente nos próximos anos, no Simpósio sobre “La Renta Basica”, em que os espanhóis estão animados a realizar experiências regionais a respeito. Após apresentar os fundamentos da garantia de uma renda ao longo da história da humanidade, como pensadores do mais largo espectro chegaram à conclusão de que para efe-

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IMPRENSA SINDICAL | DE 25 DE JANEIRO A 25 DE FEVEREIRO/2014 | PÁGINA 9 Secovi-SP O crescimento chinês do mercado imobiliário O ano de 2013 ainda não acabou para se conhecer o real desempenho do mercado imobiliário na Cidade e na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), localidades mensalmente acompanhadas pela Pesquisa Secovi-SP. Mas os resultados até novembro último autorizam afirmar que o ano passado foi muito bom para o setor, que praticamente descolou-se do conjunto geral da economia, dando uma importante contribuição para que o Produto Interno Bruto do País não fosse ainda pior. Na Capital, as vendas de novas residências em novembro foram 28,6% superiores às efetuadas em outubro e os lançamentos cresceram 69,2%. Já na RMSP, os lançamentos cresceram 30% as vendas 38%. Novembro apresentou o melhor resultado dos últimos 23 meses. Afora o bônus demográfico experimentado pelo Brasil nesta década, isso se deve especialmente à capacidade do empreendedor imobiliário desenvolver produtos aderentes ao poder aquisitivo da população e à demanda, como se vê na grande oferta de unidades de um dormitório, dirigida a compradores que desejam morar perto do trabalho e ao atendimento de novos arranjos familiares (jovens casais, divorciados etc.). Essa capacidade foi forte o suficiente para enfrentar o maior problema do mercado: o alto custo de produção. Além da escassez de terrenos causada por distorções na legislação de uso e ocupação do solo, as contrapartidas exigidas dos empreendedores pelo poder público para a Capital oneraram substancialmente a operação. Também subiram os custos com mão de obra, materiais etc. E tudo isso recai no preço final do imóvel. Assim, os aumentos no preço dos imóveis, num comportamento diverso do que poderia ser chamado de “bolha imobiliária”, reflete exatamente essa majoração de custos, aliada aos efeitos de eventuais desequilíbrios entre oferta e demanda. Até porque a margens de lucro das empresas se vêm mantendo. Ademais, no Brasil hoje predominam as operações relativas à compra da primeira moradia. Afinal, faz poucos anos que o crédito imobiliário voltou a ser acessível à população e há muito não temos uma condição de emprego e renda tão favorável como a atual. A revista The Economist mostrou que, num ranking de 23 países, o Brasil teve a segunda maior alta no valor dos imóveis. Nos últimos 12 meses, a variação do preço do metro quadrado cresceu 12,8%. Em comparação com a inflação brasileira, o aumento foi mais que o dobro. Todavia, nos últimos 10 anos o preço dos imóveis na cidade de São Paulo, descontada a variação dos custos de construção, subiu em valor real cerca de 55%, o que justifica certa recuperação no setor. Além da elevação dos custos, é preciso destacar que, em algumas localidades, pode ter havido exagero na fixação dos preços, o que seguramente implicará um ajuste, não significando um “estouro de bolha”. Hoje, a questão é: os preços continuarão subindo? A resposta é sim. É claro que não na proporção e na velocidade ocorridas no ano passado. Há um horizonte de estabilização, com tendência de as variações acompanharem a inflação. Já a queda de valores não se mostra nesse horizonte, a menos que aconteça uma grande reestruturação no panorama econômico, capaz de modificar a atual matriz Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP de custos. nismos de incentivo à produção No cômputo final de 2013, imobiliária, a oferta de produo mercado deve totalizar 33 mil tos crescerá, o que é bom para o novas unidades lançadas e um setor e para a sociedade. Se, ao volume de vendas entre 34 mil e contrário, ampliar exigências e 35 mil unidades. restrições que encareçam ainda Para 2014, e na cidade de mais o custo dos terrenos, pior São Paulo, a expectativa é de um para todos. E aí será impossível crescimento de 5% a 10%, tanto ao mercado manter o crescimenpara vendas quanto para lançato ‘chinês’ que vem beneficiando mentos, quadro esse que poderá ser alterado de acordo com a economia nacional. as condições introduzidas pelo Claudio Bernardes, 58, novo Plano Diretor Estratégico é presidente do Secovi-SP (Sindicato (PDE). da Habitação de São Paulo) e reitor da Universidade Secovi Se o PDE aprimorar os meca- Lu Alckmin - Ação Social Lu Alckmin realiza aula inaugural da 14ª turma da Escola de Qualificação Profissional do FUSSESP Escolas de Moda, Beleza e Construção Civil receberam mais de dois mil alunos A Escola de Qualificação Profissional do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo (FUSSESP) iniciou as aulas da 14ª turma no dia 21 de janeiro, nas oito unidades localizadas na capital e na região metropolitana de São Paulo, onde estão sendo oferecidas mais de duas mil vagas para os cursos da Escola de Moda, Beleza e Construção Civil. A primeira-dama e presidente do FUSSESP, Lu Alckmin, recebeu em aula inaugural 1.324 alunos na sede do Fundo, no Parque da Água Branca, na zona oeste da capital. “O nosso objetivo é qualificar a população, em especial as pessoas desempregadas, para que resgatem a sua autoestima e consigam uma nova oportunidade no mercado de trabalho”, afirmou Lu Alckmin. Além do Parque da Água Branca, os cursos também são realizados nas unidades Casa da Solidariedade II, Palácio dos Bandeirantes, São João, Sol Nascente e em três novas unidades instaladas nos Centros de Integração da Cidadania (CICs) de Guarulhos, Jaraguá e Feitiço da Vila – Capão Redondo. As aulas são gratuitas e tem duração de dois meses. Para aqueles que não recebem nenhum benefício do governo, é oferecida uma bolsa-auxílio no valor de R$ 210 ao mês. Para mais informações sobre os cursos, os interessados devem entrar em contato pelos telefones (11) 2588-5848 ou 25885943. O site do Fundo Social de Solidariedade do Estado é o www.fundosocial.sp.gov.br.

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IMPRENSA SINDICAL | DE 25 DE JANEIRO A 25 DE FEVEREIRO/2014 | PÁGINA 10 Brasil Rio Grande do Sul Tarso Genro sanciona reajuste do salário mínimo regional Foto: Pedro Revillion/Palácio Piratini Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul fevereiro de 2014. A faixa I passa de R$ 770,00 O governador Tarso para R$ 868,00. Será criaGenro sanciou os novos da ainda uma nova faixa, valores do salário mínimo no valor de R$ 1,1 mil. regional dia 16 de janei- O novo valor referencial ro. O reajuste de 12,72% deve injetar cerca de R$ vigora a partir de 1º de 1,3 bilhão na economia do por Stela Pastore Rio Grande do Sul e abranger cerca de 1,2 milhão de trabalhadores. Com os reajustes promovidos durante a atual gestão do governo do Estado, o salário mínimo regional alcança 20% a mais que o salário mínimo nacional, que desde 1º de janeiro é de R$ 724,00. Os trabalhadores reivindicam que o piso recobre o valor de 28% de quando foi criado em 2001. A diferença chegou a apenas 7% durante o governo anterior. As centrais sindicais buscam ainda uma política permanente de valorização salarial que conste, inclusive, da Constituição Estadual. A decisão do governo de valorizar o piso regional é percebida no ganho real acumulado desde sua implementação: em torno de 27% de 2001-2010; e 20% durante os primeiros três anos do governo Tarso (2011-2013), superando os governos Rigotto (12,43%) e Yeda (10,09%). Aprovação por unanimidade A Assembleia Legislativa do Estado aprovou por unanimidade o novo piso regional gaúcho proposto pelo Executivo no dia 26 de dezembro, por 45 votos favoráveis e nenhum contra. O Executivo vai sancionar também duas emendas de deputados. As novidades são a inserção de uma nova faixa para os egressos do Ensino Médio Politécnico e a determinação da remuneração mínima dos servidores públicos da administração direta, das autarquias e das fundações de direito público. A Secretaria Executiva do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Cdes-RS) realizou as tratativas com trabalhadores e empregadores ao longo do ano para buscar uma proposta comum e dialogar com os diferentes argumentos. Nas negociações, as centrais sindicais solicitaram reajuste de 16,8%, e as federações empresariais ofereceram cerca de 5,3%. Valores por faixa: Faixa 1: R$ 868,00 Faixa 2: R$ 887,98 Faixa 3: R$ 908,12 Faixa 4: R$ 943,98 Faixa 5: R$ 1.100,00 Pará Novo Centro de Triagem Masculino amplia vagas no sudeste do Pará por Nil Muniz Atualmente, a Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe) trabalha na construção de dez novas casas penais, localizadas nos municípios de Santarém, Santa Izabel do Pará, Tomé-Açu, São Félix do Xingu, Bragança, Parauapebas e Marabá, onde estão sendo executadas as obras do Centro de Recuperação Feminino e do Centro de Triagem Masculino que, juntos, abrirão mais 378 novas vagas para o regime fechado naquela região. Dessas, 86 são direcionadas ao público feminino e 292 ao masculino. De acordo com a Susipe, o investimento global nas obras de ampliação ultrapassa os R$ 15 milhões, somados recursos estaduais e federais. Os serviços no Centro de Triagem Masculino de Marabá, sob a gestão da Secretaria de Estado de Obras Públicas do Pará (Seop), estão orçados em R$ 3.560.079,89 e já se encontram em fase de acabamento, com 90% da obra concluídos. A conclusão das obras, executadas pela Phoenix Engenharia, está prevista para março deste ano. Com capacidade para atender 294 internos, em regime fechado, a nova unidade será equipada com um bloco administrativo e outro carcerário. A parte administrativa vai dispor de secretaria, sala de espera, recepção, sala de direção, setor de monitoramento, cinco banheiros, consultórios médico e odontológico, enfermaria, setores psicossociais, sala de observa- ção (triagem), sala de advogados e um parlatório totalmente blindado, onde os internos poderão se comunicar com visitantes. O bloco destinado aos presos possui dois andares. O primeiro tem duas alas carcerárias onde estão duas salas de aula com banheiro, setor de revista de presos, área de circulação e dois solários de 123 metros quadrados (um por ala) com dois banheiros cada um. As celas somam 29, sendo que 24 delas possuem 12 camas e um banheiro cada uma. Há ainda mais quatro celas direcionadas a presos portadores de necessidades especiais e uma de observação. Já o segundo andar, destinado aos agentes penitenciários, possui dois alojamentos, masculino e feminino, copa, cozinha, refeitório, dois banheiros (masculino e feminino), área de monitoramento sem contato com os detentos, e passarela sobre os solários para organização e controle de abertura das celas. Além da grande estrutura, o centro possuirá sistema de abastecimento de 12 mil litros de água e grupo gerador de energia próprios, além de área externa com estacionamento, iluminação e paisagismo, totalizando uma área de seis mil metros quadrados, dos quais 1.618 são de área construída. Segundo Edson Tadeu, gerente da obra, ela foi toda projetada com parâmetros de sustentabilidade e arquitetura que atribuem melhor qualidade de vida aos internos. “Desenvolvemos um sistema de reaproveitamento de água da chuva, coletada por calhas e armazenada em caixas para utilização nas descargas, pias e lavagens externas. Da mesma forma, as áreas internas foram construídas valorizando iluminação e ventilação, o que deve proporcionar um ambiente mais saudável aos presos. Com o objetivo de potencializar o programa João de Barro, a Phoenix Engenharia já empregou na construção do Centro de Triagem Masculino de Marabá cerca de trinta internos, dos quais onze ainda estão nos canteiros de obra. Um desses operários, Domingos Vieira, de Jacundá, ganhou liberdade do Centro de Recuperação Agrícola Mariano Antunes (CRAMA) há quatro meses e permaneceu na empresa como encarregado da obra. “Depois de cair no mun- do do crime, fui mandado pro CRAMA e comecei a trabalhar nessa firma. Por meio do programa João de Barro eu consegui reduzir quatro meses da minha pena. Comecei como pedreiro e fui promovido a encarregado. Saí em agosto do ano passado e pra minha surpresa continuei trabalhando na firma, com uma proposta de ir pra Belém. Se eles não tivessem me dado uma oportunidade, talvez eu tivesse continuado no crime. Meu projeto de vida é crescer na profissão e na vida”, diz o egresso. Segundo Domingos, mais de 32 internos já passaram pela obra e 10 continuam atuando na construção civil após ganharem a liberdade. “Por meio do programa João de Barro, do Governo do Estado, e de empresas como esta, muitas pessoas ganharam oportunidade de mudar seus rumos. Outras empresas deveriam seguir o mesmo exemplo e dar oportunidade pra quem quer vencer”, reitera. Dados da Obra: Início da obra: fevereiro de 2012 Previsão de conclusão: Março 2014 Andamento: 90% Valor global: 3.560.079,82 Empresa responsável: Phoenix Engenharia Secretaria responsável: Secretaria de Estado de Obras Públicas do Pará (Seop) Órgãos beneficiados: Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe) Secretaria beneficiada: Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup)

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IMPRENSA SINDICAL | DE 25 DE JANEIRO A 25 DE FEVEREIRO/2014 | PÁGINA 11 Sindical AEROVIÁRIOS - SP A HISTÓRIA DE SÃO PAULO PASSA POR CONGONHAS O Aeroporto de Congonhas foi construído na década de 1930, numa área pertencente à família de Lucas Antônio Monteiro de Barros, nascido em 1767, na cidade mineira de Congonhas. Lucas Antônio Monteiro de Barros (1767-1851) tinha o título de visconde de Congonhas do Campo, nome de sua cidade natal, tendo sido o primeiro presidente da província de São Paulo, durante o período imperial. Seu bisneto, Vicente de Paulo Monteiro de Barros, era proprietário de uma vasta área rural, onde hoje está situado o aeroporto. O local era praticamente desabitado, situado às margens da estrada que ligava São Paulo a Santo Amaro, apropriado às operações de pouso e decolagem de aeronaves; com alta visibilidade, terreno plano e boa drenagem. Naquela época, São Paulo tinha cerca de um milhão de habitantes. O aeroporto foi inaugurado em 1936, recebendo o nome de “congonhas”, proveniente de um tipo de erva-mate comum na região de Congonhas do Campo, onde nasceu Lucas Monteiro de Barros. A área pertencente ao bisneto do visconde foi adquirida pelo governo do Estado de São Paulo, através da construtora Auto-Estradas S/A, para a construção do aeroporto. Nessa transação, Vicente de Paulo Monteiro de Barros exigiu que o aeroporto recebesse o nome de Visconde Congonhas, tendo tido a concordância do governador da época, Armando de Sales Oliveira. Contudo, o aeroporto foi denominado simplesmente de Congonhas, registro que consta até hoje. A inauguração oficial do aeroporto ocorreu em 12 de abril de 1936. Contudo, em decorrência de uma enchente que provocou o fechamento do Campo de Marte, por quatro meses, Congonhas começou a funcionar em 1934, e seu primeiro vôo teve como destino a cidade do Rio de Janeiro em um aeroplano da VASP, no dia 16 de abril daquele ano. Merece destaque o fato de que Congonhas também era conhecido como “Campo da Vasp”. Na década de 40 o governo do Estado de São Paulo celebrou contrato com o Departamento de Aviação Civil (DAC), tendo obtido a concessão para explorar o aeroporto por 25 anos, o que viabilizou a ampliação para 1,6 milhão de metros quadrados, dobrando o tamanho original. Em 1948, a Panair e a Real eram as empresas que operavam importantes linhas em Congonhas. A aviação comercial, apesar de embrionária no Brasil, dava sinais de franco desenvolvimento. Em decorrência, surgiu a associação profissional dos aeroviários, em 1949, que no mesmo ano foi transformado em sindicato que, em 1959, deu início a construção da sede própria, defronte ao aeroporto. O aeroporto teve rápida expansão e em 1957 já era considerado como um dos aeroportos de maior movimento de carga aérea do mundo, o que demandou a realização de estudos para a implantação de um novo aeroporto em São Paulo, originando o aeroporto de Viracopos/Campinas. Em Congonhas foram realizadas alterações no terminal de passageiros, contemplando as áreas de embarque e desembarque internacional e a reforma da pista principal. A demanda de passageiros passou de 68 mil pessoas em 1943 para 1 milhão e 20 mil, em 1954. As dependências de Congonhas passaram a abrigar uma série de serviços, como engraxate, barbeiro, florista, empresa de turismo, telégrafo nacional, radiotelegrafia internacional, pronto-socorro médico e enfermaria, agência bancária e, no último andar, um salão de festas com restaurante e palco com camarins de luxo. As mudanças de Congonhas foram projetas e executadas, no decorrer da década de 50, pelo arquiteto Hernani do Val Penteado e seu assistente Raymond Alberto Jehlen. Na década de 60, a cidade de São Paulo adotou o aeroporto de Congonhas como um grande espaço de lazer, bastante procurado nos fins de semana; oportunidade em que famílias inteiras lotavam os terraços (apelidadas de “prainhas”), para acompanhar o movimento de pouso de decolagem das aeronaves. Além deste atrativo, o aeroporto contava com bares e restaurantes que nunca fechavam e, por isso, tinham um público fiel, consubstanciado nos boêmios paulistanos. Destaca-se o salão de bailes, que ficou conhecidíssimo pelos marcantes eventos carnavalescos da época. Lá, também eram realizadas festas de formatura, casamentos, etc. O Sindicato dos Aeroviários no Estado de São realizou vários eventos neste salão, todos sempre abrilhantados pelas melhores orquestras do Brasil. A partir do final da década de 60, começou a expansão residencial e comercial da região de Congonhas, com o surgimento de bairros populosos no seu entorno, como o Jabaquara, Campo Belo, Brooklin e Moema. A partir de março de 1976, atendendo as determinações de portaria do Departamento de Aviação Civil, o funcionamento do aeroporto passou a ser restrito ao horário compreendido entre 6h e 23h, o que perdura até os nossos dias. A restrição aos horários das operações decorreu das ações de várias associações de moradores das imediações, em decorrência do grande volume de operações aéreas e consequente excesso de barulho das aeronaves. Até 17 de julho de 2007, quando ocorreu o acidente do voo TAM 3054, o Aeroporto de Congonhas era o mais movimentado do país, recebendo, em 2006, 18,8 milhões de passageiros, 50% acima de sua capacidade operacional. Foi o maior acidente aéreo da história brasileira e um dos trinta piores da história da aviação mundial, contabilizando 199 vítimas fatais, sendo 181 que estavam a bordo e mais 18 que estavam trabalhando no edifício da TAM Express ou que passavam pelas imediações. A tragédia provocou uma comoção nacional e internacional; fazendo com que fosse amplamente debatida a questão da localização de Congonhas, cujo entorno acabou ficando totalmente adensado. O tempo passou e o movimento do aeroporto de Congonhas foi aumentando, atingindo, em 2012, a marca de 16,7 milhões de passageiros, que saíram ou chegaram a São Paulo. Segundo projeções de autoridades aeroportuárias, Congonhas está apto para atender 20,7 milhões de passageiros. Em 2016, o aeroporto de Congonhas completará 80 anos de idade, cumprindo um papel fundamental para a cidade de São Paulo. Por suas pistas pousaram e decolaram aeronaves de inúmeras empresas nacionais e internacionais, várias das quais deixaram de existir. Nascido numa área rural, o aeroporto, de forma vertiginosa, trouxe a urbanização e com ela o grande adensamento populacional, tornando a área muito valorizada. Congonhas é vital para a história de São Paulo, sendo um aeroporto amado e admirado por todos os paulistanos, que certamente o escolheriam como um dos mais importantes cartões postais da cidade.

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Geral São Paulo-SP O prefeito Fernando Haddad visitou dia 13 de janeiro a região do M’Boi Mirim, na zona sul da cidade. No bairro, Haddad conheceu a unidade fixa da rede Hora Certa M’Boi Mirim I, inaugurada em 19 de dezembro. Em quase três semanas de funcionamento, o equipamento realizou 1.821 consultas médicas e 93 cirurgias. “Temos 30 unidades programadas até 2016, das quais 20 estarão prontas até o fim de 2014. Já dobramos a capacidade de cirurgias e de exames por imagem. Se nós continuarmos investindo na rede Hora Certa, teremos um passo grande na resolutividade dos problemas do SUS”, afirmou Haddad. A unidade M’Boi Mirim I atende 16 especialidades médicas, possui centro cirúrgico, oferece atendimento com nutricionista e psicólogo, exames como IMPRENSA SINDICAL | DE 25 DE JANEIRO A 25 DE FEVEREIRO/2014 | PÁGINA 12 Em 3 semanas, Hora Certa M’Boi Mirim I faz 93 cirurgias e 1,8 mil consultas Prefeito Fernando Haddad visitou dia 13 de janeiro a unidade fixa da rede Hora Certa na região do M´Boi Mirim, na zona sul. Equipamento realizou mais de 90 cirurgias em três semanas ultrassom e eletrocardiograma, além de possuir equipamento de fototerapia, para tratamento de doenças de pele. As unidades básicas de saúde (UBS’s) da região encaminham os pacientes para atendimento na unidade, com médicos das seguintes especialidades: cardiologia (infantil e adulto), neonatologia, endocrinologia (infantil e adulto), dermatologia, urologia, pneumologia (infantil e adulto), ginecologia, ortopedia, angiologia, homeopatia, neurologia, psiquiatria, cirurgião geral, anestesiologia, oftalmologia e cirurgia vascular. O centro cirúrgico realiza procedimentos de baixa complexidade, nas áreas de dermatologia, cirurgia geral e vascular, oftalmologia, ortopedia e urologia. Para a transformação do ambulatório de especialidades em unidade da rede Hora Certa, a Prefeitura investiu R$ 2,6 milhões. O equipamento tem 21 consultórios, todos dotados de sinalização em braile. Possui também cama ginecológica adaptada a mulheres com deficiência ou mobilidade reduzida. Educação Após a visita na unidade da Rede Hora Certa, Haddad visiFotos: Hora Certa M Boi Mirim tou as obras da EMEF Tuparoquera. A escola passará a funcionar no primeiro semestre do ano letivo de 2014. Possui 19 salas, sendo 15 salas de aula, mais 4 multiuso, destinadas a laboratório de informática, biblioteca e sala de leitura. Conta também com quadra poliesportiva coberta. Tem capacidade de atender até 1.575 alunos no Ensino Fundamental. A construção da nova escola recebeu investimentos de R$ 7.351.590,36. No encerramento da visita a M’Boi Mirim, o prefeito acompanhou a abertura do Programa Recreio nas Férias no CEU Casablanca. A programação especial aconteceu de 13 a 17 de janeiro, em 117 polos, que oferecem atividades esportivas, culturais e de lazer para crianças de 4 a 16 anos. Ituiutaba-MG O prefeito de Ituiutaba, Luiz Pedro Corrêa do Carmo, comemorou em Belo Horizonte o anúncio, feito pela presidenta Dilma Rousseff, da autorização para a obra de construção da BR-154, um dos maiores sonhos de décadas da região do Pontal. O anúncio foi feito em evento realizado na Serraria Souza Pinto, em Belo Horizonte, tendo a presença do deputado Federal, Weliton Prado. “Eu sou presidenta de todos os brasileiros. Agora, como presidenta de todos os Dilma anuncia em BH início da obra da BR-154 brasileiros, eu não posso fazer discriminação por partido político, por time de futebol ou por religião”, disse Dilma, ao anunciar os investimentos ao lado do governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, do PSDB. Para o deputado Weliton Prado, a luta para inclusão da BR-154 no PAC foi grande e intensa nos últimos meses do ano de 2013. O deputado Weliton Prado é o relator das obras do PAC no Orçamento da União e conseguiu sensibilizar a presidenta Dilma sobre essa importante reivindicação da população. “Vitória. A presidenta Dilma acaba de confirmar a inclusão no PAC das obras de pavimentação da BR-154, no trecho que liga Ituiutaba a Campina Verde. Serão investimentos na ordem de 103 milhões de reais. Uma obra esperada por muitas décadas”, disse o deputado. “Sempre estive confiante e trabalhando junto às nossas lideranças para que esse dia chegasse, e a inclusão da obra no PAC é o resultado desse esforço de união desenvolvido por vários setores da sociedade com apoio dos nossos deputa- dos”, comentou o prefeito Luiz Pedro. Em Belo Horizonte o prefeito esteve acom- Luiz Pedro, prefeito de Ituiutaba panhado do secretário municipal de Obras e Serviços Públicos, Luiz Manoel Parreira e do presidente da ACII – Associação Comercial e Industrial de Ituiutaba, Silvio Vilarinho. Guarulhos-SP Maranhão Maranhão tem saldo positivo de emprego formal em 2013, afirma Caged Foto: Arquivo-Secom/Handson Chagas Prefeitura entrega 20 novos ônibus à região dos Pimentas O prefeito Sebastião Almeida entregou dia 16 de janeiro 20 novos ônibus equipados com portas dos dois lados. Os veículos, zero quilômetro, vão rodar na região dos Pimentas e serão operados pela empresa Campo dos Ouros. Almeida destacou que a frota de Guarulhos ultrapassou a marca de mil veículos pela primeira vez em sua história, num total de 1014 ônibus nas ruas. “Queremos que as pessoas cheguem e saiam com mais rapidez e segurança dos bairros”, afirmou Almeida. Ele lembrou que a iniciativa faz parte do processo de modernização do sistema de transportes de Guarulhos, que foi iniciado em 2010 com a implantação do Bilhete Único, a aquisição de ônibus adaptados aos deficientes físicos e a construção de Investimentos modernos terminais nos Pimentas, São João, o Terminal Rodoviário do Cecap e os terminais da EMTU no Taboão e no Cecap. Os ônibus com portas dos dois lados são maiores, com 13,20 metros de extensão, e vêm equipados com quatro câmeras, lixeiras, GPS, elevadores para deficientes e painéis laterais eletrônicos para informar os itinerários. A Prefeitura já havia entregue outros 50 ônibus com portas dos dois lados no final do ano passado. A expectativa é que eles tragam maior agilidade nos itinerários de algumas regiões, como o Continental, Lavras, Fortaleza, São João e Santa Paula, entre outros. O secretário municipal de Transportes e Trânsito, Atílio Pereira, destacou que as mudanças no sistema de transportes atraíram um número maior de usuários. “Antes da implantação do Bilhete Único, os ônibus de Guarulhos transportavam 450 mil passageiros por dia. Atualmente, esse número ultrapassa os 600 mil usuários”, ressaltou. “Isso consolida nosso sistema de transportes como o segundo maior do Estado”, afirmou. O Maranhão registrou saldo de 14.908 empregos com carteira assinada (formal) em 2013, um aumento de 3,25% na oferta de vagas em comparação com o ano anterior. Os dados positivos são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e, de acordo com a Secretaria de Trabalho e Economia Solidária (Setres), são resultado da política de atração de investimentos implementada pelo governo do Estado. Os números do Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), confirmam que o crescimento de 3,25% nas vagas de trabalho formal no Maranhão em 2013 foi superior às médias registradas nas regiões Nordeste (3,02%) e Sudeste (2,24%) e ainda do Brasil (2,82%). Ano passado, os setores de serviço e comércio foram os que mais contribuíram para a geração de emprego no Estado, com a criação de 8.862 e 5.330 postos de trabalho com carteira assinada, respectivamente. A atividade de construção civil, uma das maiores empregadoras, também contribuiu para que o Maranhão se destacasse na geração de postos de trabalho, com saldo de 776 vagas. Já a administração pública criou 960 vagas e a indústria de transformação, outros 297 empregos. A única atividade que teve recuo na oferta de emprego foi a agropecuária. A queda, que também aconteceu em todo o país, foi decorrente de sazonalidade em dezembro (período de entressafra agrícola). O secretário de Estado de Trabalho e Economia Solidária, José Antonio Heluy, disse que o crescimento no nível de emprego é reflexo dos investimentos públicos e privados que estão em andamento no Maranhão e que somam mais de R$ 120 bilhões. José Antonio Heluy lembrou que para atender a demanda de empregos que estão sendo criados e essas vagas sejam ocupadas por maranhenses, o governo do Estado desenvolve ações de qualificação, a exemplo do Maranhão Profissional, que já capacitou milhares de pessoas em todo o Estado. “Também temos oferta de cursos profissionalizantes por meio do Pronatec”, destacou, ao frisar a parceria do governo federal. Ele ressaltou que diversas parcerias estão sendo firmadas com as empresas para que as vagas sejam ocupadas por maranhenses. Citou como exemplo a duplicação da ferrovia da Vale, em que estão sendo priorizados trabalhadores dos municípios onde há trechos em obras. O mesmo trabalho está sendo realizado pela Setres com o São Luís Shopping, que passa por uma grande expansão.

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IMPRENSA SINDICAL | DE 25 DE JANEIRO A 25 DE FEVEREIRO/2014 | PÁGINA 13 “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.” Ciência Machado de Assis Vitamina E pode ajudar pessoas com demência, segundo pesquisa Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos sugere que uma dose diária de vitamina E pode ajudar pessoas com demência. No estudo, os cientistas do hospital Minneapolis VA Health Care System, da cidade de Mineápolis (norte dos EUA), descobriram que pessoas que apresentavam quadros leves a moderados do Mal de Alzheimer e que tomaram altas doses de vitamina E apresentaram uma desaceleração do declínio causado pela doença em comparação às pessoas que receberam placebo. A melhoria foi constatada em atividades do cotidiano como realizar tarefas de higiene pessoal, participar de uma conversa ou se vestir. Além de conseguir realizar essas tarefas por mais tempo, os pacientes que tomaram a vitamina precisaram de menos ajuda de cuidadores. Por outro lado, a pesquisa não demonstrou uma melhoria ou desaceleração em um efeito crucial do Alzheimer, a perda de memória. Grupos O estudo, realizado por pouco mais de dois anos, envolveu 613 pacientes com Alzheimer em estágio inicial ou moderado, com em média 79 anos e em sua maioria homens. Eles foram divididos em grupos que receberam ou uma dose diária de vitamina E, ou uma dose do remédio para demência conhecido como memantina, ou uma combinação de vitamina E e memantina, ou ainda um placebo. Os pesquisadores descobriram que os participantes que receberam a vitamina E tinham um declínio funcional mais lento do que os que recebiam o placebo. A taxa anual de declínio de funções foi reduzida em 19%. — Não é um milagre ou, obviamente, uma cura –disse o líder da pesquisa, Maurice Dysken. “O melhor que conseguimos neste momento é diminuir a taxa de avanço da doença.” Os resultados da pesquisa foram divulgados na publicação especializada Journal of the American Medical Association (Jama). Consulta ao médico Doug Brown, diretor de pesquisa e desenvolvimento da organização britânica Alzheimer Society, que dá apoio a pessoas com demência, analisou a pesquisa americana e afirmou que os tratamentos que podem ajudar as pessoas com demência a realizarem tarefas cotidianas são muito importantes para aumentar o tempo e a qualidade de vida das pessoas com o problema. Mas, Brown acrescentou que é preciso fazer mais pesquisas para verificar se a vitamina E tem mesmo benefícios para as pessoas que sofrem com algum tipo de demência e se é seguro tomar uma dose tão alta diariamente. — É de importância vital que as pessoas sempre procurem aconselhamento do médico antes de começar a tomar estes suplementos –disse. — Neste caso, a dosagem de vitamina E tomada pelos participantes (da pesquisa) foi muito mais alta do que a dose diária recomendada e foi a um nível que pode ser significativamente prejudicial para alguns. Eric Karran, diretor de pesquisas da organização britânica Alzheimer Research UK, que financia estudos sobre a demência, destaca que a nova pesquisa não indicou uma melhora na memória ou na habilidade intelectual dos pacientes que tomaram a vitamina. Para Karran, ainda é muito cedo para recomendar a vitamina E como tratamento. “Até que as descobertas desta pesquisa tenham sido reproduzidas, nós não aconselharemos as pessoas a tomar doses altas de suplementos de vitamina E para tentar evitar ou tratar Alzheimer.” — Se as pessoas estão preocupadas com o consumo de vitaminas ou com a dieta, elas devem consultar um médico –disse. Lazer Horóscopo 21/03 a 19/04 Culinária Pavê Verde INGREDIENTES • Ingredientes • 1 xícara de chá de abacate amassado • 3 kiwis cortados em fatias • 2 carambolas cortadas em fatias • 1 pacote de biscoito maizena • 1 xícara de chá de açúcar • 4 gemas • 1 colher de sopa de essência de baunilha • 2 colheres de sopa de amido de milho • 2 xícaras de chá de leite MODO DE PREPARO Leve ao fogo o amido de milho dissolvido no leite, adicione as gemas e o açúcar, mexa até engrossar. Depois que engrossar acrescente a essência de baunilha, o abacate e desligue o fogo. Mexa para misturar. Monte o pavê em um refratário. Coloque uma camada do creme preparado anteriormente, uma de biscoitos maizena, outra de creme, uma de frutas (carambola e kiwi) e finalize com a última porção de creme. Rende 6 porções. Sirva gelado. Receita de Pavê Verde apresentada pela Legiane Rigamonti no Alimente-se Bem d Futura. Nas coisas mais simples é que está a felicidade. Não complique. Arte é um dos canais de alívio do estresse. Pinte uma tela. Não leve a sobrevivência tão a sério. Relaxe e se humanize mais. Ouça boa música, marque com amigos. Divirta-se. Aí é que está a graça da vida. Não é bom idolatrar nada nem ninguém. Todos vinhemos do mesmo barro. 20/04 a 20/05 21/05 a 21/06 22/06 a 22/07 Fonte: http://receitasdatv.com/pave-verde.html 23/07 a 22/08 Humor Celebridades 23/08 a 22/09 Sabedoria nunca é demais. Estude, investigue um assunto que tem interesse. Abra o olhar para o mundo. Olhe com a alma e verá o que busca. Sabe aquela pessoa que lhe é íntegra? A qual você pode confiar? Valorize-a. Seu desejo de que as coisas aconteçam trás ansiedade. Espera há muito tempo e se sente pronta(o). Está perto! Nem tudo o que a gente pensa que é, é. Mas aquilo que a gente não pensa que é, às vezes não é. 23/09 a 22/10 23/10 a 21/11 22/11 a 21/12 22/12 a 19/01 20/01 a 18/02 Olhar pro outro é bom, mas você também requer atenção. Faça algo por você. Cuide-se. A felicidade bate em sua porta. Atenção para não deixá-la partir. Abra a porta. Fonte: http://www.umsabadoqualquer.com/1344-celebridades/ 19/02 a 20/03 “Para as rosas, escreveu alguém, o jardineiro é eterno.” Machado de Assis

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Geral PTB-SP Escolhi este título, por conta dos últimos acontecimentos em nossa cidade, Estado e país. Os “Rolezinhos” como estão sendo chamados pela população, atos promovidos por jovens, em especial da periferia, em locais públicos e privados. A ideia era de se manifestar e chamar a atenção do poder público e da sociedade, exigindo locais para promoção de encontros, festas, bailes funks, etc... O problema é que junto com alguns jovens, como ocorreu em manifestações para o não aumento das passagens, estão infiltrados nesses movimentos, criminosos; criminosos estes que estão roubando, destruindo, coagindo a população. Como Sindicalista sou a favor de que o povo possa se manifestar por qualquer motivo de interesse coletivo desde que não ocorram atos de vandalismo e crimes. O grande problema é que esta bomba relógio chamada “Sociedade Rede Sociais” vem se organizando para promover crimes. O outro lado da moeda é que a sociedade vem sendo refém de governantes fracos. Temos um prefeito na cidade de São Paulo que não acertou uma única vez a suas canetadas. “Fernandinho Maldade”, como é conhecido pelo povo de São Paulo, conseguiu um grande feito em pouco tempo de mandato: parar a quarta maior metrópole do planeta, com corredores de ônibus que pararam o tráfego de veículos e, por sua vez, pintou as principais ruas e avenidas da cidade para facilitar o transporte público de “ônibus”, mas esqueceu de exigir das empresas, mais ônibus e ônibus de qualidade. Ficou “barato”, porém ele já contava com o aumento das passagens para repassar a essas empresas. Não conseguiu. Não satisfeito, provocou o maior aumento de IPTU da história de nossa cidade. Graças à justiça, foi barrado por que a votação foi feita, como é de costume do governo, na “calada da madruga”. Agora com a deficiência de locais específicos para promoção desses eventos, ele quer promover estes bailes nos chamados Clubes da prefeitura. O problema “Fernandinho Maldade” é que esses Clubes estão instalados em bairros onde há várias residências que pagam IPTU. Você acha “Fernandinho”, que quem mora em frente ou próximo destes locais não trabalha, que não existem idosos, doentes e crianças morando nestes locais? É “Fernandinho”, estamos diante de um governo “fraco”, com ideias inúteis. Porque você não desocupa o prédio da prefeitura e da câmara de vereadores para a promoção de atos de vandalismo e crimes, afinal será que eles não se sentiriam em casa fazendo festa nesses locais? Quem vai garantir a segurança destes locais? A Guarda Civil Metropolitana ou vai jogar de novo a responsabilidade para o Estado? É “Fernandinho”, você não conhece nossa cidade e muito menos a nossa periferia. Eu posso falar com propriedade, porque nasci e moro na periferia. Foram 21 anos –primeiros de minha vida– na Cohab 1, mais 5 anos em São Miguel Paulista e pelo menos 9 anos em Itaquera. Mas não fique triste “Fernandinho”. Acha que é só você que tem o privilégio de ser um governando “fraco”? Seria fácil de resolver este problema, mas infelizmente não é. Veja o nosso governador, ao qual sempre tive uma profunda admiração pela pessoa e pelo político, mas nesse mandato vem demonstrando que é “fraco”. Fraco porque não deixa a nossa tão respeitada e admirada polícia militar trabalhar. Quando os nosso policiais agem com rigor a qualquer tipo de crime, ele vem com a corregedoria para inibir a polícia. Agora quer premiar a polícia na redução dos crimes. Como é que a polícia vai conseguir diminuir a criminalidade do nosso Estado? Esta resposta eu já tenho. Diante dos seus atos para inibir a nossa polícia, a tropa deve estar sendo orientada pelos seus comandantes a agir assim: “Por favor, Senhor Criminoso, o senhor poderia, por obséquio, deixar de traficar, matar, roubar, estuprar, furtar, etc... Olha Senhor Criminoso, se o senhor deixar de cometer crimes, eu prometo pro senhor que não vou esculachar com o senhor, porque não posso nem puxar o meu cassetete e muito menos bater. Senhor criminoso eu tenho família para criar e mesmo com essa MERRECA que o Estado me paga, é com ela que sustento, muito mal, mas sustento, a minha família. Não é porque o senhor me chama de “coxinha” –por conta do meu vale refeição– que eu vou IMPRENSA SINDICAL | DE 25 DE JANEIRO A 25 DE FEVEREIRO/2014 | PÁGINA 14 BRASIL Governo vai investir quase R$ 1 bi em acesso à água no Semiárido Convênios firmados no final do ano passado vão entregar mais de 134 mil cisternas de água para consumo e 51 mil tecnologias de apoio à produção agrícola 2015 O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) informou que investirá quase R$ 1 bilhão para financiar a construção de tecnologias sociais de acesso à água na área rural do Semiárido. Por meio de convênios firmados em dezembro, serão entregues mais de 134 mil cisternas de água para consumo e outras 51 mil tecnologias sociais que auxiliam na produção dos agricultores familiares, até o final de 2015. ra para qualquer relação de produção num espaço onde se tem pouca pluviometria, como é o caso daquela região”, afirma a diretora do Departamento de Fomento e Estruturação da Produção do MDS, Francisca Rocicleide da Silva. O INIMIGO AGORA É OUTRO sair para lhe prender. Então senhor criminoso me deixa fazer meu trabalho, ajudar as velhinhas e os velhinhos a atravessarem as avenidas e ficar dando ‘rolezinho’ com a minha viatura...” É dessa forma, governador Alckmin, que o senhor e seus secretários agem com a nossa polícia. Policial bom é policial preso administrativamente. Policial bom é policial afastado. Policial bom é aquele que, na sua visão, não trabalha. É pra isso governador, que o senhor quer que a população que tanto te admira fique refém do Crime Organizado, fique encarcerada em sua própria residência, fique encarcerada nos veículos blindados. Porque não põe a polícia de verdade nas ruas, combatendo crime, deixando as nossas tropas trabalharem, fazer aquilo que a população mais quer e, principalmente, o que a periferia quer, voltar a se sentir segura, brincando com seus filhos na rua de bicicleta, carrinho de rolimã, pega-pega? A população, senhor governador, sai à rua pra trabalhar, estudar, passear, com medo, medo de encontrar os criminosos que são protegidos por um governo “Fraco”, que tem medo de mandar investigar associações (ONGs que defende bandidos). Senhor govenador e senhor prefeito, vocês não acham que passou da hora de se tomar atitudes sérias para estes atos, ou os senhores querem continuar a tampar o sol com peneira? Lembrar-se do povo em época de eleição é fácil, prometer, prometer e prometer... cumprir as promessas é que está sendo difícil. Mas quem mandou prometer, agora tem que cumprir: Uma guarda civil metropolitana preparada e bem treinada, uma polícia, seja ela Civil ou Militar, respeitada. Finalizo esta matéria dizendo a você leitor: “O nosso inimigo não é apenas os criminosos que andam circulando em nossa cidade e sim aqueles que elegemos”. Ramalho Júnior, presidente do PTB Sindical SP Realizadas a partir do novo marco legal do Programa Cisternas, estas contratações aumentarão a capacidade operacional e de execução dos recursos. Desde o fim de 2013, foi autorizada a Para consumo das fa- dispensa de licitação para mílias, serão construídas entidades sem fins lucracisternas de placa de ci- tivos já credenciadas por mento, com capacidade cinco anos pelo ministério para abastecer uma família para implantação do procom cinco pessoas por até grama. 8 meses. As tecnologias de apoio à produção agrícoOs convênios foram la podem ser cisternas do realizados a partir de protipo calçadão, de enxur- jetos e valores por unidarada, telhadão ou aprisco, de entregue. Além do proalém de barragens subter- cesso mais simplificado, é râneas, barreiros lonados possível acompanhar one barreiros trincheira. line a execução da entrega das cisternas e, ao mesmo “A política de cisternas tempo, localizá-las por vem contribuindo para meio de uma ferramenta modificar a área rural no de georreferenciamento Semiárido. A água é um na internet. instrumento importante porque ela é infraestrutu“Com o novo marco legal e com esse montante de investimentos, aumentamos a abrangência do atendimento, o que permite que mais famílias tenham acesso à água, e damos um passo para uma transição: estamos buscando a universalização das cisternas e ampliando consideravelmente a ação de construção de tecnologias de apoio à produção agrícola”, explica o coordenador-geral de Acesso à Água do MDS, Igor Arsky. Para receber mais informações sobre segurança alimentar e nutricional, envie e-mail para redecomsesan@mds.gov.br Central de Atendimento do MDS: 0800 707 2003

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IMPRENSA SINDICAL | DE 25 DE JANEIRO A 25 DE FEVEREIRO/2014 | PÁGINA 15 Política Partidos de esquerda articulam frente para as próximas eleições Pequenos partidos de esquerda como o PSTU, PSOL e o PCB tentam formar, em nível nacional, uma frente para disputar as próximas eleições presidenciais. Líderes destas legendas articulam uma nova linha, diferente das últimas disputas, quando optaram por lançar candidatos próprios aos cargos majoritários. A intenção desta vez é unir as legendas na campanha majoritária, ao Senado e também uma chapa completa para deputado federal, na tentativa de eleger representantes dos partidos no Legislativo. A formação da frente é uma proposta defendida nos Estados e conta com o aval do comando nacional dos três partidos, mas enfrenta em nível nacional algumas resistências em função de disputas internas. Em recente documento, divulgado nacionalmente, o PSTU afirma que, “a cada dia que passa, a mídia empreende um esforço cada vez maior para que o povo acredite que as únicas alternativas possíveis nas próximas eleições são, por um lado, a candidatura da presidenta Dilma Roussef (PT) ou, por outro, os candidatos da direita e dos conservadores representados pelo PSDB (Aécio Neves), ou o PSB (de Eduardo Campos e Marina Silva). Estes dois campos políticos, no entanto, representam o mesmo modelo econômico e o mesmo projeto para o país, que privilegia os bancos, grandes empresas e o agronegócio em detrimento das necessidades e reivindicações dos trabalhadores, do povo pobre e da juventude”. Espanha Infanta Cristina, filha do rei Juan Carlos de Espanha, responde por crimes financeiros Após uma longa investigação, um juiz espanhol indiciou a princesa Cristina, filha mais nova do rei Juan Carlos, pelos crimes de fraude fiscal e lavagem de dinheiro, abrindo caminho para possivelmente o primeiro julgamento de um membro da família real espanhola, disseram os jornais locais, dia 7 de janeiro. O magistrado de Palma de Mallorca José Castro afirmou, em um documento de 200 páginas, que há provas de que a infanta Cristina, de 48 anos, cometeu os crimes e a convocou para prestar depoimento em 8 de março, de acordo com o diário conservador madrilenho El País. O marido de Cristina, o ex-jogador de handebol da Espanha Iñaki Urdangarin, foi indiciado por apropriação indébita e outros crimes relacionados à ONG dele, o Instituto Nóos, que obteve contratos públicos para realizar conferências de negócios e esportes. O juiz José Castro passou nove meses dedicado, de maneira quase exclusiva, à reconstrução de um retrato da vida financeira e fiscal de Cristina de Borbón. Ele rastreou suas contas, cartões, notas fiscais e despesas, além de propriedades e declarações fiscais. Há uma biografia completa da atividade econômica privada da infanta entre 2002 e 2012. Em um auto de 227 páginas, o juiz sustenta que existem indícios penais suficientes para contrastar diretamente com a princesa a versão sobre os fatos e sua suposta responsabilidade criminal. O indiciamento da duquesa de Palma, que não tem um fórum especial na corte, foi feito diante da oposição aberta da Promotoria Anticorrupção, da advocacia do Estado, do advogado de Urdangarin e de sua própria defesa. O Ministério Público e os advogados argumentam que a infanta não participou das atividades da empresa e ignorava todos os detalhes financeiros. Se o Tribunal de Palma não bloquear o indiciamento, como ocorreu em abril de 2013, a Infanta Cristina terá que comparecer à corte para testemunhar sobre sua suposta conexão com a gestão de fundos de origem ilícita. O juiz José Castro defendeu a necessidade de investigar e ouvir as declarações de Cristina a partir de duas premissas: “evitar que a incógnita (sobre o papel da princesa) se perpetue” e não contradizer a máxima que diz que “a justiça é igual para todos”. Cristina chegou a ser acusada de cumplicidade com os supostos delitos do marido mas, em 7 de maio de 2013, a acusação foi derrubada por falta de provas. A Justiça, no entanto, investiga se houve fraude fiscal, já que a princesa era dona de metade da holding Aizoon, empresa criada pelo marido e que canalizava fundos para o Instituto Nóos. Em outra frente de investigação, a Justiça espanhola revelou que a princesa praticamente dobrou sua renda em dois anos: os mais de 162 mil euros que recebeu em 2007 subiu para nada menos que 319 mil euros em 2009. No mesmo período, Cristina deixou de declarar atividades econômicas que justificariam o aumento de seus ganhos. Eleições Jogos ocultos de Eduardo Campos por Antonio Lassance - de São Paulo Por mais paradoxal que pareça, a Eduardo Campos pode interessar até mais uma vitória de Dilma Rousseff, com a ajuda de sua mão em um eventual segundo turno, do que uma candidatura de Marina Silva voando pelo PSB –mesmo que Marina demonstre mais intenções de voto em pesquisas. A razão maior é muito simples. Ele quer ser um protagonista, e não um coadjuvante em 2014. Se não puder vencer, Campos não abre mão de, pelo menos, ser um dos grandes responsáveis por decidir a parada das próximas eleições presidenciais. Campos avalia que pode haver segundo turno, e que o candidato preferencial das oposições pode ser ele. Esteja sua previsão certa ou errada, o mais importante é saber que é com ela que o candidato trabalha no momento. E mesmo que não seja Campos o escolhido para enfrentar Dilma em um eventual segundo turno, o terceiro lugar na disputa seria um grande trunfo para quem quer fortalecer-se politicamente. Se terceirizasse a cabeça de chapa para Marina Silva, Campos abdicaria do controle sobre a estratégia do PSB na campanha e ficaria refém de Marina e de sua Rede. Abriria mão de ser o fiador maior do candidato vencedor, se houver segundo turno. Como eleições são feitas não apenas para se eleger presidentes, mas também governadores e montar as coalizões dos governos (o federal e os estaduais), Campos teria seu papel e o de seu partido diminuído se não estivesse à frente da candidatura. Ele quer a Presidência, mas precisa, acima de tudo, sair com o PSB maior do que entrou em 2014. Uma votação expressiva de Marina seria uma vitória claramente imputada a ela, pessoalmente, e não ao PSB. Terminada a disputa, o partido de Marina, a Rede, seria formado e roubaria a cena. A cena, deputados, senadores e talvez até alguns governadores. Os planos do pré-candidato do PSB dependem da amarração de três fatores: a aliança tática com o PSDB nos palanques estaduais; convencer Marina a ser sua vice; e ter votos suficientes para ajudar a forçar um segundo turno. Se ficar em segundo, melhor para ele, mas ficar em terceiro também lhe interessa. Ver Marina em seu lugar, nem pensar. É o pior dos mundos para Eduardo Campos, só comparável a uma vitória de Dilma Rousseff em primeiro turno. O interesse de forçar uma eleição em dois turnos explica o movimento recente de Campos de trazer o PSDB para seu governo em Pernambuco e para o governo do PSB no Piauí. O gesto foi feito para agradar os tucanos nacionalmente e diminuir o temor que têm de serem apenas um trampolim para Campos, que se projetaria em Estados governados pelo PSDB. Tais temores se ampliaram desde a filiação de Marina Silva ao PSB, em outubro de 2013. A jogada fez os tucanos sentirem que Campos estava pisando sobre suas cabeças. Para Aécio Neves, suas chances de ir para o segundo turno aumentam com Campos e diminuem muito com Marina. Mais uma vez, os fatores envolvidos favorecem a opção pelo nome do governador de Pernambuco e tornam a escolha por Marina contraproducente para o PSB. De todo modo, Campos precisa colar em Marina. Pouco conhecido no país, precisa dela como vice. Quer o seu “recall” –o retrospecto da eleição passada que tornou Marina muito conhecida do eleitorado. No entanto, a vice, que era dada como certa, tornou-se depois uma séria dúvida. Marina também sabe fazer cálculos e tem seus próprios interesses, que são um pouco maiores do que os de apenas servir de perfume à candidatura de Campos. As alianças do governador, dentro e fora de Pernambuco, criaram uma saia justíssima para a Rede e deixaram no ar um sentimento do tipo: “façam o que Marina diz, mas não façam o que o Eduardo faz”. A dobradinha que melhora a imagem de Campos trouxe desgastes à de Marina, conforme várias pesquisas atestaram. Marina cogitou voltar atrás na ideia de ser vice. A informação, antecipada por Carta Maior e que, depois, se tornou notícia corrente, criou um problema na candidatura do PSB. O preço pago por Campos para evitar o recuo foi negociar com a Rede a disputa por São Paulo. Campos rifou o chefe do PSB no Estado, que já estava nos braços do governador Geraldo Alckmin e seria vice na chapa do PSDB. Em troca, a Rede quer lançar Luíza Erundina (PSB-SP). Uma segunda opção aventada é a do vereador Ricardo Young (PPS-SP), também vinculado à Rede. Erundina ainda resiste a perder o mandato de deputada federal para cumprir o papel de D. Quixote. Young tem resistências internas do próprio PPS, principalmente do presidente nacional, Roberto Freire, aliado contumaz do PSDB paulista. Eduardo Campos e Marina Silva podem estar juntos na mesma equipe, mas são tão parceiros quanto eram Fernando Alonso e Felipe Massa na Ferrari. São tão próximos quanto eram Michael Schumacher e Rubinho Barrichello. A função de Marina Silva é a de se conformar com a segunda posição. A expressão “jogos ocultos” ou “jogos intrincados” (“nested games”) se tornou comum na Ciência Política para explicar razões que a própria razão comum desconhece. Em geral, algo que parece inexplicável, ou que só tem razões abjetas, como as dos sete pecados capitais da maldade humana (da soberba à inveja, passando pela cobiça), na verdade pode ser melhor elucidado se entendermos o grande tabuleiro no qual um ator está inserido, e a maneira como ele move suas peças. Cada movimento é feito com o respaldo de um conjunto de outras peças e movimentos do próprio ator, mas também levando em conta os lances dos adversários. Um movimento óbvio e previsível é, muitas vezes, o menos recomendável. É por isso que Eduardo Campos, mesmo sendo uma escolha com menos intenções de voto, é candidato a presidente, e não se fala mais nisso. Marina Silva será, no máximo, sua vice. Antonio Lassance é doutor em Ciência Política

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