Revista Mineração & Sustentabilidade - Edição 13

 

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revistamineracao.com.br Setembro . Outubro Novembro . Dezembro de 2013 Edição 12 . Especial.. Ano 2 Edição 13 3 Entrevista Mercado Fernando Matos, gerente executivo do Centro Brasileiro da Construção em Aço Bom momento Mineração de agregados em alta no Brasil Produto Final Comunidade Conheça as várias aplicações do grafite A reabertura do Cine Theatro Brasil Vallourec Brasil do aço Cenário e perspectivas de um dos mais importantes setores da economia nacional Especial

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clIquE Hermínio Oliveira/ABr REFORMA DOS PARquES Dezesseis parques nacionais vão receber R$ 10,4 milhões do governo federal para obras emergenciais. O objetivo é prepará-los para receber os turistas que virão ao Brasil para assistir a Copa do Mundo de 2014. Entre os contemplados está o Arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco. EXPEDIENTE Diretor Geral Wilian Leles diretor@revistamineracao.com.br Diretor de Relações institucionais Francisco Stehling Neto francisco@revistamineracao.com.br Editor Geral T. L. Almeida REG. 12.937 JPMG edicao@revistamineracao.com.br Redação Márcio Antunes Virgínia Gonzaga Joyce Afonso Thailor Gonçalves Tacila Belas redacao@revistamineracao.com.br Projeto Gráfico, Editoração e Design Leopoldo Vieira Anúncios / Comercial Natália Sousa + 55 (31) 3544 . 0040 comercial@revistamineracao.com.br Distribuição e Assinaturas Joana Damasceno atendimento@revistamineracao.com.br impressão Gráfica Atividade Tiragem 8 mil exemplares Circulação Esta publicação é dirigida ao setor minerário, siderúrgico e ambiental, além de governos, fornecedores, entidades de classe, consultorias, instituições acadêmicas e assinantes. Foto da capa Andrey_Kuzmin (Shutterstock) On-line www.revistamineracao.com.br revista@revistamineracao.com.br Conselho Editorial Eduardo Costa Jornalista Rádio Itatiaia / Rede Record José Mendo Mizael de Souza Engenheiro de Minas e Metalurgista J. Mendo Consultoria Marcelo Mendo de Souza Advogado Mendo de Souza Advogados Associados Rua Guaicuí, 82 . Brasiléia Betim . MG - 32.600.456 + 55 (31) 3544 . 0040 | 3544 . 0045 Não são de responsabilidade da revista os artigos de opinião e conteúdos de informes publicitários. 4 Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro. .Outubro de de 2013 Setembro Dezembro 2013 @RevMineracao

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EXPosIbram Mineração & Sustentabilidade na EXPOSiBRAM 2013 A Revista Mineração & Sustentabilidade marcou presença na EXPOSIBRAM 2013. Um estande foi montado para aproximar ainda mais a publicação dos leitores e conquistar novos públicos. Entre os dias 23 e 26 de setembro, mais de 50 mil visitantes passaram pelos corredores do Expominas, em Belo Horizonte (MG). Ao todo, nove profissionais se revezaram em cobrir os principais fatos e, ainda, distribuir gratuitamente mais de 15 mil exemplares da revista. O objetivo, conquistado com muito êxito, foi firmar a marca Mineração & Sustentabilidade entre as principais empresas do setor, em âmbito nacional e internacional. Em 2014, o próximo destino será Belém (PA), para acompanhar de perto a EXPOSIBRAM Amazônia. Até lá! Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2013 5

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sumárIo www.revistamineracao.com.br Novembro . Dezembro de 2013 Edição 13 . Ano 3 14 Brasil de Aço A indústria do aço no Brasil busca maneiras de sair da crise iniciada em 2008 10 Entrevista O gerente executivo do CBCA, Fernando Matos, fala sobre as perspectivas para o segmento 46 Produto Final Conheça as aplicações do grafite, que vão muito além da ponta do lápis 28 Mercado Mineração de agregados vive bom momento, empurrada pelas grandes obras e programas habitacionais 42 Cidades Minerárias 50 Comunidade Cine Theatro Brasil é devolvido à Belo Horizonte com apoio da Vallourec Itapecerica (MG) tem a história vinculada à mineração, mas espera uma parceria mais frutífera com o setor Seções 7 Editorial 8 Panorama 10 Entrevista 14 Especial 19 Internacional 20 Surpreenda-se 6 20 24 28 34 36 38 40 Eventos Mercado Cetem Política Mineral Ceamin Eventos 42 46 49 50 54 Cidades Minerárias Produto Final Artigo Comunidade Agenda Surpreenda-se Conheça como a mineração influenciou o desenvolvimento do barroco 19 internacional Projeto de primeira mina binacional do planeta está parado nos Andes Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2013

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EDITorIal Marco Regulatório, quando? Ao encerrarmos os trabalhos do ano de 2013, vemos confirmadas as previsões feitas na edição 11, de Julho – Agosto, sobre o Novo Marco Regulatório da Mineração. Apesar das pressões do governo federal para que a base aliada no Congresso acelerasse a tramitação do projeto, a votação ficou para o ano que vem, em principio. Isso porque 2014 é ano de eleição e, nesse período, politico só mira na própria reeleição. Deputado e senador se preocupam primeiro em assegurar os mandatos, depois é que tratam dos candidatos de sua predileção aos cargos executivos. Ainda mais quando há expectativa de segundo turno. Quem conhece a política sabe que é assim, aqui e alhures. Quem lamenta são os prefeitos, de olho na elevação das alíquotas do CFEM. Após o pleito, em outubro, vem a ressaca eleitoral, o Natal e o Ano Novo. Que ninguém se assuste se a votação ficar para 2015. Na matéria de capa a situação da indústria do aço é o destaque, em trabalho do editor-geral T.L Almeida e da repórter Tacila Belas. Praticamente paralisado desde a crise mundial de 2008, o setor busca a recuperação e acredita que ela vai começar em 2014. A aposta é ousada, uma vez que há grande excedente na capacidade de produção mundial, hoje em torno de 580 milhões de toneladas e com projeção de aumento, o que pressiona os preços para baixo. Aqui, muitos fatores incomodam o setor, como o câmbio valorizado, entraves de infraestrutura e preço de energia, entre outros. Os produtores de aço acreditam que a queda na produção automobilística será compensada pela construção, mas pede ao governo medidas protetivas, como a desoneração dos custos de produção dos artigos nacionais, principalmente para fazer frente ao aço chinês. E nas páginas verdes, o entrevistado é o engenheiro e meta- lúrgico com pós graduação em Relações Internacionais e gerente executivo do Centro Brasileiro da Construção do Aço, Fernando Matos, que também acredita na recuperação do setor. Ele argumenta que o caminho é o aumento da participação do aço não só na construção civil, mas em outras atividades. Na editoria Mercado, o repórter Márcio Antunes mostra o setor de agregados, que fornece matéria prima para a indústria da construção, como areia, brita e cascalho. A atividade emprega mais de 70 mil pessoas e está em crescimento no Brasil. Mas, por promover extração em áreas urbanas e suburbanas, está em permanente conflito com as populações humanas. Os empresários se queixam de que nos planos diretores municipais não são tratados como deviam nos artigos sobre uso e ocupação do solo. A cidade histórica e minerária da vez é Itapecerica, no Centro-Oeste de Minas Gerais, fundada há 224 anos, na esteira da exploração do ouro. Esgotado o mineral, hoje as atenções se concentram no grafite. Lá, a queixa da comunidade é que a empresa que explora o mineral, a Nacional de Grafite, não promove ações compensatórias e gera poucos benefícios, como a pequena oferta de empregos, que tende a cair com a automação. Na cultura, o destaque é ação do grupo Vallourec, que investiu R$ 53 milhões na recuperação do Cine Theatro Brasil, que já foi um dos orgulhos de Belo Horizonte. Inaugurado em 1932 e fechado em 1999, o Cine Brasil, como era conhecido, está localizado na Praça Sete, entre as Avenidas Afonso Pena e Amazonas e Rua Carijós, como conta a repórter Virgínia Gonzaga. Com capacidade de mil assentos, o espaço vem valorizar a área cultura da Capital mineira. Nesta última edição do ano registra- Diretor de Relações institucionais Francisco Stehling Neto Com mais de 45 anos de experiência no jornalismo, atuou nas sucursais mineiras dos jornais Folha de S. Paulo e O Globo, além de 17 anos na editoria política do Estado de Minas. Foi também Secretário de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte e Superintendente de Comunicação Empresarial da Cemig. mos o sucesso absoluto da 15º Exposição Internacional de Mineração e 15º Congresso Brasileiro de Mineração, realizados de 23 a 26 de setembro. Reuniram 430 expositores, em sua maioria brasileiros, e foram visitados por 58 mil pessoas, que assistiram a palestras e viram tecnologias de ponta, com cenas futuristas. Um grande feito comandado pelo dinâmico presidente do Ibram, Fernando Coura. A revista “Mineração & Sustentabilidade” esteve presente com um stand destacado a partir do qual distribuiu 11 mil exemplares. Ao chegarmos ao final de mais um período de muito trabalho e realizações, esperamos que a economia brasileira, em 2014, dê sinais claros de recuperação. Ao nossos leitores e anunciantes desejamos um Feliz Natal e um 2014 de prosperidade e paz. Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2013 7

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PaNorama EXPORTAçãO DE MinéRiO DE FERRO AVAnçA A renda gerada pela exportação de minério de ferro de janeiro a outubro de 2013 foi maior na comparação com o mesmo período do ano passado. A receita do produto finalizou o período com US$ 12,8 bilhões, 9,2% acima dos US$ 11,7 bilhões do ano passado. A diferença se deve ao preço médio do mineral, que subiu 5,5%, chegando a US$ 93,86 a tonelada. Quanto ao volume, as exportações de minério cresceram 3,6%. A China manteve-se como maior mercado consumidor, comprando 63,7% do total exportado. MinERADORA AuSTRAliAnA nO BRASil A mineradora australiana Radar Iron comprou 50% dos direitos de extração de minério de ferro da Sullis Mineração, nos municípios paraenses de Uruará e Medicilância. A negociação inclui uma autorização de estudos em 10 mil hectares e seis requerimentos adjacentes de 58 mil hectares. A empresa irá investir US$ 1,41 milhão durante os 18 primeiros meses de atuação. A Radar Iron anunciou que iniciará uma produção de baixo custo entre 18 e 24 meses, gerando fluxo de caixa capaz de financiar a expansão operacional após o segundo ano das atividades. A Sullis disponibilizou uma equipe para providenciar contratos de exploração e serviços logísticos, o que permite a mobilização imediata e início dos trabalhos de campo. SAMARCO inVESTE MAiS R$ 1 Bi nO PROjETO quARTA PElOTizAçãO O investimento previsto para o Projeto Quarta Pelotização (P4P) da Samarco Mineração S/A será mais do que o esperado, devido às novas demandas criadas durante a obra de implantação. A mineradora terá a necessidade de aplicar R$ 6,4 bilhões, R$ 1 bilhão a mais do que o previsto no início do projeto, em abril de 2011. O começo das operações está previsto para o primeiro trimestre de 2014. Até o final de outubro, 96,6% do processo, entre eles a parte de engenharia, construção e suprimentos, já estavam concluídos. Esse percentual equivale a R$ 5,9 bilhões da aplicação. Com o P4P a Samarco irá aumentar em 37% a capacidade de produção. O valor é atribuído à construção de um terceiro concentrador no complexo de Germano, em Mariana (MG), uma quarta pelotizadora em Anchieta (ES), e um mineroduto de 400 quilômetros de extensão, ligando Minas Gerais ao Espírito Santo. Divulgação / Anglo American MinAS-RiO EM FASE FinAl DE iMPlAnTAçãO O projeto Minas-Rio, da Anglo American, alcançou 74% de obras concluídas. Dos 525 quilômetros de mineroduto previstos, entre Conceição do Mato Dentro, em Minas Gerais, e o Porto do Açu, no Rio de Janeiro, 415 estão construídos. A previsão para finalização dos trabalhos é abril de 2014, com início dos embarques programados para o segundo semestre do mesmo ano. Com foco também nas contrapartidas sociais, a mineradora entregou em novembro uma unidade básica de saúde (UBS) em Dom Joaquim, investimento de R$ 650 mil, e uma policlínica em Conceição do Mato Dentro, onde foram aplicados R$ 2 milhões. 8 Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2013

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Jomar Bragança MuSEu DAS MinAS E DO METAl GAnhA nOVO PARCEiRO A Secretaria de Cultura de Minas Gerais anunciou a Gerdau como nova mantenedora do Museu das Minas e do Metal (MMM), localizado no Circuito Cultural Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. O Grupo EBX, antigo patrocinador do museu, encerrou sua participação em novembro. Para os próximos cinco anos, a Gerdau irá investir cerca de R$ 11,5 milhões no MMM. Uma das novidades da nova parceira foi a gratuidade para visitação do espaço, medida em vigor desde 1º de dezembro. Representantes da Gerdau afirmam que em 2014 serão realizadas melhorias na estrutura física do prédio, além de expansão na coleção. O museu, que possui 18 salas e 44 atrações em ambientes virtuais e tecnológicos, é uma referência museológica internacional. EMPRESAS SE unEM PARA quAliFiCAçãO DE FuTuROS PROFiSSiOnAiS De olho nos investimentos voltados para o setor de mineração e metalurgia de Minas Gerais, 15 empresas firmaram acordo com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) para qualificar os profissionais da área. O acordo prevê que 16,9 mil vagas estarão disponíveis entre 2014 e 2016. Os recursos ligados aos empreendimentos chegarão a R$ 36 bilhões nos próximos cinco anos. Os salários variam de R$ 1,3 mil a R$ 2,5 mil para o pessoal de nível básico, R$ 1,3 mil a R$ 5 mil para os trabalhadores de nível técnico e de R$ 6,5 mil a R$ 14 mil para profissionais de nível superior. Em 2007, o grupo de empresas foi criado para debater questões de capacitação e especialização de funcionários. Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2013 9

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ENTrEvIsTa Divulgação / CBCA Fernando Matos CRESCER 10 Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2013 Espaço para

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Gerente executivo do Centro Brasileiro da Construção em Aço fala sobre o atual momento do setor, aponta as vantagens desse modelo de construção e diz que a participação da indústria do aço no segmento pode aumentar muito mais T. L. Almeida FERnAnDO MATOS Engenheiro metalúrgico com pós-graduação em Relações Internacionais. Iniciou a carreira na área de P&D de materiais de uso aeronáutico do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), tendo trabalhado posteriormente na área de Controle da Qualidade e Assistência Técnica à exportação em usina do setor siderúrgico. Desde 1996 no Instituto Aço Brasil, ocupa a Gerência da Qualidade, coordena o Programa Setorial da Qualidade de Barras e Fios de Aço do PBQP-H (Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat/Ministério das Cidades). Atualmente, responde também pela Gerência Executiva do Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA), que tem o Aço Brasil como gestor. A construção civil consome cerca quase 40% da produção brasileira de aço, sendo que a participação da construção em aço representa 14% do universo do setor das edificações. A importância desse segmento para a indústria nacional do aço é tamanha que, de acordo com o Instituto Aço Brasil, a produção de estruturas metálicas voltadas para a construção cresceu 8,9% entre 2012 e 2011, resultado muito melhor que o identificado no setor em geral. Hoje, o segmento emprega aproximadamente 31 mil trabalhadores e fatura anualmente cerca de R$ 9 bilhões. As estimativas apontam para um crescimento de 10% em 2013, o que representa acréscimo de 120 mil toneladas. No período de 12 meses, os fabricantes de estruturas em aço ampliaram a capacidade produtiva em 9% e presenciaram um crescimento de 4% no nível de utilização da capacidade instalada. Os dados são da pesquisa Perfil dos Fabricantes de Estruturas de Aço – 2013, elaborada pelo Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA) em parceria com a Associação Brasileira da Construção Metálica (ABCEM). Na entrevista, o gerente executivo do Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA), Fernando Matos, fala sobre o mercado e as perspectivas para os próximos anos. Matos acredita que há espaço para crescer muito mais, tendo como base a comparação com do uso do aço na construção em países como Estados Unidos e Reino Unido, onde o percentual ultrapassa os 50%. Segundo o gerente executivo do CBCA, “a construção em aço está plenamente alinhada com os conceitos da sustentabilidade ao permitir maior racionalização no uso dos recursos naturais”. Matos elenca fatores como redução do desperdício, a capacidade de reaproveitamento do aço, a redução do consumo de madeira, diminuição do tempo de obra e redução dos impactos para a população ao redor do canteiro. Mineração & Sustentabilidade Como o senhor classificaria a situação do setor hoje, no que se refere aos resultados esperados para 2013? FERnAnDO MATOS As estatísticas da participação dos principais setores consumidores finais mostram que a construção civil vem aumentando sua participação de 2010 para cá, tendo registrado em 2012 um percentual de 37,7%, o que representa um crescimento de 6,5% em relação ao ano anterior. Em relação ao consumo de aço para estruturas metálicas, as estatísticas do Instituto Aço Brasil mostraram em 2012 um crescimento de 8,9% em relação ao ano anterior. De acordo com recente pesquisa realizada pelo Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA), do Instituto Aço Brasil, e pela Associação Brasileira da Construção Metálica (ABCEM), os fabricantes de estruturas de aço projetam um crescimento de 10% em sua produção para este ano. A pesquisa aponta que, considerando-se as 157 empresas participantes, o volume de produção atingiu 1,062 milhão de toneladas em 2012. M&S quais as perspectivas para o próximo ano? FM A participação da construção em aço na construção civil brasileira é estimada em cerca de 14%. Existe, entretanto, um enorme espaço para o crescimento dessa participação, quando comparamos com países como o Reino Unido e Estados Unidos, onde essa participação é da ordem de 66% e 50% respectivamente. Para o setor de fabricantes de estruturas de aço, ainda segundo a pesquisa realizada, a expectativa de crescimento é positiva e demonstra a percepção que a demanda de aço pelas grandes obras que estão sendo esperadas no Brasil crescerá. M&S quais as particularidades de se fornecer aço para a construção? FM A construção em aço está plenamente alinhada com os conceitos da sustentabilidade ao permitir maior racionalização no uso dos recursos naturais. Como os Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2013 11

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Entrevista com Fernando matos Instituto Aço Brasil Estruturas em aço podem ser desmontadas no fim de sua vida útil. Sua utilização reduz o impacto ambiental sobre o ciclo de vida do edifício. componentes em aço são pré-fabricados fora do canteiro, num ambiente seguro e controlado na fábrica, o desperdício no canteiro é minimizado. As estruturas são entregues e montadas por uma equipe de profissionais capacitados e com menores necessidades de cortes ou ajustes no canteiro. Qualquer sobra poderá ser reaproveitada ou reciclada voltando ao processo de produção do aço. Em relação à economia da madeira gerada pela redução de fôrmas, a construção em aço pode gerar economias de até 85% no consumo de madeira. As estruturas do produto são altamente eficientes em termos de quantidade de material utilizado. A relação resistência/peso do aço torna possível suportar cargas maiores usando-se menos material, o que requer menores cargas nas fundações. O aço é mais leve que outros materiais de construção utilizados para o mesmo propósito, o que resulta em desmaterialização. A construção em aço acelera a fase de execução da obra e reduz os custos de construção. Períodos de construção mais curtos reduzem os distúrbios à vizinhança, resultando em menores incômodos – como poluição sonora, vibração e emissão de material particulado – para a comunidade vizinha ao canteiro de obras. Estruturas em aço 12 Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2013 podem ser desmontadas no fim de sua vida útil. Sua utilização reduz o impacto ambiental sobre o ciclo de vida do edifício e permitem a expansão da vida útil do material através da desmontagem e do reuso. Exemplo recente é o desmonte do viaduto da Perimetral no Rio de Janeiro. Na construção ou fora dela, o aço é 100% reciclável, o que significa que ele pode ser reprocessado inúmeras vezes, sem perda de sua qualidade. M&S no geral, a indústria do aço consegue atender ao dobro da demanda interna nacional sem necessidade de expansão. Ocorre algo semelhante com os fabricantes de estruturas de aço voltados para a construção? FM A pesquisa realizada apontou que o setor de fabricantes de estruturas de aço teve um crescimento de sua capacidade produtiva de cerca de 9%. Entretanto, o nível de utilização dessa capacidade em 2012 foi de 76%, enquanto que no ano anterior foi de 72%, o que mostra uma pequena evolução, mas em nível ainda bem abaixo de um mínimo desejado de 85%. Para o crescimento da utilização da capacidade instalada, o uso de estruturas de aço precisa crescer mais no segmento de médias obras - casas, lojas, pequenos edifícios, galpões, passarelas etc. - e pequenas obras - escadas, abrigos, telhados, marquises etc. A pesquisa mostrou que, no ano passado, as estruturas de grande porte, as construções industriais pesadas e obras especiais (que considera o setor de siderurgia, mineração, óleo e gás e sucroalcooleiro) representaram 83% da produção total no período. M&S Os programas habitacionais governamentais são um grande estímu- lo para a produção de aço. Como se dá essa relação? FM O Instituto Aço Brasil participa, desde a sua criação em 1998, do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), instrumento do Governo Federal, sob a coordenação do Ministério das Cidades, para o cumprimento dos compromissos firmados pelo país quando da assinatura da Carta de Istambul (Conferência do Habitat II/1996). A meta é organizar o setor da construção civil em torno de duas questões principais: a melhoria da qualidade do habitat e a modernização produtiva. O Aço Brasil / CBCA está participando, com outras entidades ligadas à construção civil e com Programas Setoriais da Qualidade (PSQs) do GT – Caracterização de Sistemas, criado a partir de reunião do CTECH - Comitê Nacional de Desenvolvimento Tecnológico da Habitação do PBQP-H (no qual o Aço Brasil tem representação), com o objetivo de criar um banco de dados com especificações e requisitos dos materiais e subsistemas para utilização da norma de desempenho de edificações, a NBR 15.575, no Programa Minha Casa Minha Vida do Governo Federal. Outra ação para promover a construção industrializada em aço é a participação em recente grupo criado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC)/Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), com título GT – Construção Industrializada, criado no âmbito do Programa Brasil Maior (PBM), com o objetivo de discutir e propor ações para induzir a industrialização da construção de edificações no país, visando agregar produtividade, sustentabilidade e qualidade na execução das obras e desempenho de edificações.

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EsPEcIal Fotos: Instituto Aço Brasil Brasil de Aço hORA DA RETOMADA Indústria nacional do aço ainda sente os efeitos da crise econômica de 2008 e enfrenta uma acirrada competição externa, porém, o mercado interno pode mudar essa realidade Tacila Belas e T. L. Almeida 14 Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2013

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A indústria do aço no Brasil está estagnada. Desde 2008, quando a tormenta econômica varreu o globo, as empresas do setor patinam. Em 2013, a projeção para o volume produzido não evoluirá frente a 2012, girando em torno das 34,5 milhões de toneladas, isso depois da redução de 2% entre 2011 e o ano passado. Há prognósticos que apontam para uma mudança de perfil em curso, onde o Brasil passaria de exportador a importador de aço e produtos com aço contido. Dependente do mercado interno e com desvantagens competitivas na comparação com países como China, a indústria nacional se movimenta para mudar esse cenário. As dificuldades do seguimento não se restringem ao Brasil. Hoje, de acordo com a World Steel Association, há um excedente de capacidade de produção no mundo da ordem de 580 milhões de toneladas, número que deve aumentar nos próximos três anos. A capacidade instalada atual, com os índices de crescimento apresentados nos últimos anos, poderia atender a demanda do mundo por cinco anos. Esse contexto pressionará para baixo os preços do aço no mercado global. Porém, no Brasil os desa- fios do mercado se juntam a outros empecilhos que brecam a retomada de um crescimento vigoroso. O câmbio valorizado, os entraves da infraestrutura e o preço da energia, por exemplo, ajudam a colocar o Brasil como nono maior produtor mundial, com 35 milhões de toneladas em 2012, atrás de parceiros de BRICs como Rússia (70 milhões de toneladas) e Índia (78 milhões de toneladas). Na comparação com a China, disparado maior produtor mundial (717 milhões de toneladas), a produção brasileira, que representa 50% do que é produzido na América Latina, é irrisória. Entre 2004 e 2012, a participação do Brasil no volume total fabricado no planeta reduziu-se de 3% para 2,2%. A indústria do aço no Brasil trabalhou em 2012 com uma taxa de ocupação de 71% da capacidade instalada, quando o ideal seria algo em torno dos 85%. O seguimento emprega cerca de 130 mil pessoas diretamente. COnSuMO A guinada da indústria do aço nacional passa pelo aumento do consumo per capta do brasileiro. A dependência do mercado interno é algo compartilhado pelo setor mundo afora. Enquanto no Brasil a média de consumo é de 142 quilos por habitante (kg/hab), na Coréia do Sul esse índice é de 1.154 hg/ hab. No ranking mundial, o Brasil figura na 12ª posição, atrás de países como Espanha, México e Chile. Outro dado que mostra essa faceta é que, na construção civil, a indústria do aço tem PARquE SiDERúRGiCO BRASilEiRO Principais indústrias • Aperam • ArcelorMittal Brasil • Companhia Siderúrgica Nacional • Gerdau • Sinobras • Thyssenkrupp CSA • Usiminas • VSB-Vallourec & Sumitomo Tubos do Brasil • V&M do Brasil • Villares Metals • Votorantim Revista Mineração & Sustentabilidade | Novembro . Dezembro de 2013 15

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