[GAZETA DE ALAGOAS]Fazer Popular - Mestres Artesãos das Alagoas

 

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O artesanato é a expressão mais autêntica da criatividade popular, em que o criador se serve de habilidades manuais para dar forma à leitura do mundo que o cerca.

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M 386 m Mestres Artesãos das Alagoas: Fazer Popular/Cármen Lúcia Dantas - Pesquisa e Texto - Douglas Apratto Tenório - Apresentação. Maceió: Instituto Arnon de Mello, 2009. 221p. Il. Conteúdo dos fascículos: (1 Apresentação 2 Cerâmica 3 Cestaria 4 Madeira 5 Couro 6 Metais 7 Rendas e Bordados 8 Coco e Cabaças 9 Tecelagem 10 Materiais Diversos) ISBN: 978-85-99408-04-9 1 – Cultura Popular - Alagoas 2 – Arte Folclórica – Alagoas I Dantas, Cármen Lúcia – Pesquisa e texto 2 – Tenório, Douglas Apratto-Apresentação III Lêdo, Ricardo – Fotografia IV - Rodrigues, Cicero – Ilustrador V - Simôes, Leonardo - Coordenador-geral VI. Título. CDD 700.98135 01 - Mestres - # Douglas 25x25.indd 5 29/9/2009 14:57:57

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Alagoas engenho e arte O artesanato é a expressão mais autêntica da criatividade popular, em que o criador se serve de habilidades manuais para dar forma à leitura do mundo que o cerca. A essas habilidades se agrega a sensibilidade de cada um desses artistas, que materializam os valores de seu meio. Um artesão, portanto, é a mediação mais autêntica entre seu entorno e o objeto por ele criado. Num mundo unívoco, em que a uniformidade é a regra, o artesanato de raiz tem sua própria representatividade. Elaborado em condições de semi-isolamento em relação às influências urbanas, esse fazer reflete fortes componentes de seus ambientes, recuperando elos perdidos da cadeia histórico-cultural. O termo raiz, segundo definição da professora Cármen Lúcia Dantas, autora dos nove textos acerca dos diferentes tipos de artesanatos, se refere àquela obra de forte vínculo com a comunidade onde vive o artesão, em que seu meio exerce uma influência maior do que as forças culturais e comerciais externas. Esse artesanato cheio de autenticidade, que bebe nas fontes da criatividade popular, é mais pujante em áreas que experimentam um certo isolamento. Revelando o contraditório das experiências sociais, é possível que esse tipo de obra se beneficie da carência de educação formal em certas faixas da população, “impermeabilizando” o artista contra as influências da igualdade oriunda da sociedade manufatureira. Esses artesãos são, invariavelmente, pessoas simples, de profunda inserção em seus ambientes. Mostram fortes elementos de criatividade e de personalidade. Encontraram caminhos próprios e estabeleceram marcas. Há, também, produções mais utilitárias, de fortes técnicas pessoais, como é o caso dos seleiros e ferreiros, em que a habilidade se tornou a marca desses artífices, hoje em processo de extinção. Alagoas é rica em artesanato de raiz. Mestres são encontrados em todos os quadrantes de seu território, do litoral à zona mata, do agreste ao sertão. Este trabalho tem o mérito de documentar artesãos e obras que mostram uma Alagoas diversificada, autêntica, uma verdadeira matriz de engenho e arte. 01 - Mestres - # Douglas 25x25.indd 8 29/9/2009 14:58:01

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Índice Presidente de Honra Jornalista Ana Luísa Collor de Mello Presidente do Conselho Estratégico Carlos Alberto Mendonça Diretor Executivo Luis Amorim Coordenador Editorial Enio Lins 09 Alagoas engenho e arte Capítulo 1 – História, Cultura e Arte 14 O Fazer Popular das Alagoas 13 Capítulo 2 – Cerâmica Presidente Jornalista Ana Luísa Collor de Mello 27 Fazer Popular Mestres Artesãos das Alagoas Coordenação Geral Leonardo Simões Coordenação Editorial Farol Editora Apresentação Douglas Apratto Tenório Pesquisa e Textos Cármen Lúcia Dantas Revisão Flaviana Pereira da Costa Fotografia Ricardo Lêdo Direção de Arte e Ilustrações Cícero Rodrigues Diagramação Wellington Charles Cavalcanti Tratamento de Fotos Daniel de Barros Souza Impressão - Moura Ramos Tiragem - 30.000 Exemplares Instituto Arnon de Mello (82) 3326-1604 29 30 32 33 34 35 36 37 38 39 40 42 43 44 46 Barro, barreiro; cerâmica, ceramista; louça, louceira As cores do barro O meio e a história Do barro ao pote O leva e traz das águas O barro, em todo canto se acha Os índios artesãos da Cafurna Um bem da terra As peças embaladas de Penedo As moringas antropomorfas de Júlio Rufino O apurado da louça Nas margens do Paraíba e do Mundaú Figuras regionais em relevo historiado A modeladora de cabeças do Muquém A marca pessoal Capítulo 3 – Cestaria 51 53 54 56 58 61 63 64 66 Cesteiro que faz um cesto, faz um cento Cipó não trepa em pau morto É da repetição que se faz o artesão Não faça pose com chapéu alheio Olho viu, boca piu Até para sepultar os mortos Urupembas Cipó bom é o dormido Covos, armadilhas de pesca 49 01 - Mestres - # Douglas 25x25.indd 9 29/9/2009 14:58:02

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Capítulo 4 – Madeira 73 75 76 77 79 80 82 83 84 85 86 87 88 90 91 Pau pra toda obra Mobiliário de raízes Jangada é pau que boia Mulher não faz canoa Colheres de pau O carro de bois O pica-pau da xilo Os sons da madeira A arte que vem das ilhas Uma obra de muitas caras O universo mítico dos xocós A fauna de Manuel da Marinheira Arapiraca de muitos mestres Aglomerados urbanos coloridos O universo policrômico de Resêndio 71 Capítulo 7 – Rendas e Bordados 139 140 146 148 153 158 162 137 Onde há rede, há renda Tu me ensinas a fazer renda, que eu te ensino a namorar Você pensa que babado é bico? Moça na janela: nem renda, nem panela Não meta a mão em almofada alheia O bordado da Ilha Descuidou, perdeu o ponto Capítulo 8 – Coco e Cabaças 169 175 176 177 182 Coco velho é que dá leite A tradição do coco A colheita Cabaças, coités e similares Maracás rituais 167 Capítulo 5 – Couro 95 97 98 99 101 104 106 110 112 93 O boi sabe onde arromba a cerca Conhece-se o boi pelo corno e o homem pela palavra A curtição De couro alheio, correias compridas Chapéus Quem não dá pra sela, dá pra cangalha A arte das sandálias xô boi Vaqueiro bom não gaba cavalo Onde passa o boi, passa o vaqueiro Capítulo 9 – Tecelagem 191 192 195 200 Cada terra tem seu uso, cada roca tem seu fuso Fios de algodão Parecer sem ser é fiar sem tecer De algodão velho não se fazem bons panos 189 Capítulo 10 – Materiais Diversos 207 208 212 216 218 O artesanato dos materiais diversos O papel como suporte Retalhos de panos coloridos Arte plumária Conchas 205 Capítulo 6 – Metais 116 119 122 124 127 129 135 Quem com ferro fere, com ferro será ferido Casa de ferreiro, espeto de pau O ferro se malha enquanto está quente Ferro de marcar Sangue quente, pavio curto Peças Rituais Mãos que transformam sucata em arte 115 Glossário 224 01 - Mestres - # Douglas 25x25.indd 10 29/9/2009 14:58:02

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Capítulo 1 História, Cultura e Arte >> M estres Artesãos das Alagoas é uma incursão pelo universo do artesanato alagoano. Trata-se de uma leitura das habilidades e sensibilidades de inúmeros artistas anônimos que, através de sua arte, refletem a herança cultural de suas comunidades. Esta vasta obra, dinâmica e ao mesmo tempo conservadora de tradições técnicas e artísticas, representa um enorme tesouro. Talentos oriundos das distintas regiões do estado têm em comum o fato de representarem a capacidade de tradução lúdica da relação do homem com o seu entorno. 13 01 - Mestres - # Douglas 25x25.indd 12 29/9/2009 14:58:26

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O Fazer Popular das Alagoas Cerâmica figurativa representando mestre de guerreiro, da artesã Sil (Capela) Apresentação Douglas Apratto Tenório* Alagoas é um lugar onde a história e a cultura encontraram campo fértil para semeadura. Apesar das dificuldades, do quadro imenso de exclusão, cada momento da vida de seus habitantes e cada instante da sua trajetória no tempo se ritualizam em ondas de encanto e brilho, desde o exemplo de seus heróis até o suor de seus operários, do nascimento à morte, desde o duro trabalho da terra até a pesca nos seus rios, lagoas e mares de infinito azul, ao toque de sensibilidade dos artistas, com a alma dos antepassados e a fé dos vivos. Há uma coalescência histórica entre Alagoas e o Brasil. Alguém já afirmou – talvez até com não muito boa intenção, diante de tantos fatos de repercussão acontecidos em sua paragens – que este estado é um verdadeiro laboratório sociológico, histórico e antropológico para os estudiosos e pesquisadores. O fato inquestionável é que, por uma série de razões, ultrapassamos os limites geográficos e geopolíticos, passando a ocupar um lugar de destaque na história e na mídia em nosso país. A berlinda da chamada “terra dos marechais” não vem de agora. Nem dos primeiros presidentes da nossa República, após a queda do Império, em 1889, Deodoro da Fonseca e 14 01 - Mestres - # Douglas 25x25.indd 13 29/9/2009 14:58:35

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