Osconfradesdapoesia60

 

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poesia lusófona

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano VI | Boletim Bimestral Nº 60 | Janeiro / Fevereiro 2014 www.osconfradesdapoesia.com - Email: osconfradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO» SUMÁRIO Confrades: 4,6,8,14,17 A Voz do Poeta: 2 Olhos da Poesia: 3 Retalhos Poéticos: 5 Tribuna do Poeta: 7 Cantinho Poético: 8 Bocage: 10 Tempo de Poesia: 11 Trovador: 12 Poemar: 13 Faísca de versos: 15 Contos / Poemas: 16 Pódio dos Talentos: 18 Homenagens: 19 Ponto Final: 20 «Dia de S. Valentim 14/2/14» EDITORIAL O BOLETIM Bimestral Online (PDF) "Os Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono"; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. ―Promovemos Paz‖ A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Pódio dos Talentos pág. 18 Cristiano Ronaldo foi galardoado pela FIFA como melhor jogador do mundo em 2013 - 14/1/14 A N O N O V O V I D A N O V A A Poesia também rola nos relvados! José Jacinto 2014 Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não , ao ―Novo Acordo ortográfico‖ FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Paginação: Pinhal Dias - São Tomé A Direcção: Pinhal Dias - Presidente / Fundador; Conceição Tomé - Vice-Presidente / Fundador Redacção: São Tomé - Pinhal Dias Colaboradores: Adelina Velho Palma | Aires Plácido | Albertino Galvão | Alfredo Louro | Ana Santos | Anna Müller | António Barroso | António Silva | Arlete Piedade | Carlos Bondoso | Carmo Vasconcelos | Clarisse Sanches | Edgar Faustino | Edyth Meneses | Edson G. Ferreira | Efigênia Coutinho | Euclides Cavaco | Eugénio de Sá | Fernando Afonso | Fernando Reis Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Glória Marreiros | Henrique Lacerda | Hermilo Grave | Humberto Neto | Humberto Soares Santa | Isidoro Cavaco | João Coelho dos Santos | João Furtado | João da Palma | Jorge Vicente | José Jacinto | José Verdasca | Lili Laranjo | Luís Filipe | Luiz Caminha | Maria Brás | Maria José Fraqueza | Maria Mamede | Maria Petronilho | Maria Vitória Afonso | Miraldino Carvalho | Natália Vale | Pedro Valdoy | Rosa Branco | Rosa Silva | Rosélia Martins | Silvino Potêncio | Susana Custódio | Tito Olívio | Vó Fia | Zezinha Fraqueza | … (actualizado no site)

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2 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 60 | Janeiro / Fevereiro 2014 «A Voz do Poeta» Confissão Tenho sido afilhado da batalha, Filho da guerra, neto da tristeza, Sonhando pertencer à realeza, Bajulador ferrenho de quem calha! Nasci feliz, mas mamei incerteza, Sonhei ouro, durmo em colchão de palha… Humilho meus irmãos, dou-lhes metralha, Enquanto canto amor e a beleza. Sou doença funesta que se espalha, Erro grosseiro da Mãe Natureza… Contra as forças do Bem eu sou muralha! Destruo sem pudor tanta riqueza, Sou oresto de tudo, sou escumalha! Nome, Humano. Apelido, Crueza!! Carlos Fragata - Sesimbra Quando cai a noite Reflectem, diluídos, em leveza... Fluxos do poente a desmaiar! Soluça, magoada, a Natureza... Pla ausência, do sol, a fulgurar... Emerge, a noite, com subtileza... Cobrindo, do cenário, o matizar! Soçobram, árvores, com tristeza... Lançando, ao vento, seu pesar... E, no risonho afluído matutino... Resplandece o orvalho cristalino em miríade madrugada colorida!... - Tudo ressurge, pelo sol nascente... Num mágico êxtase, sorridente... Túmida, a Natureza, arfando vida!... Filomena G. Camacho - Londres Dia dos Namorados Como é bom poder sonhar Quando estamos apaixonados Um simples gesto ou uma flor È uma grande prova de amor. Este dia em que o Amor É por todos mais lembrado Celebramos com louvor Um santo martirizado. Hei-de lembrar neste dia O dia em que te conheci Foi por causa da poesia Que me enamorei de ti. Meu amor disse-me um dia Que se apaixonou por mim E encheu-me de poesia Graças ao S. Valentim! São Tomé - Amora Portugal e o Fado A Chuva Era só uma flor... Numa sã camaradagem, Junta-se a fadistagem, Em certas noites de farras; E como o fado é português, Ouve-se com altivez, Violas fado e guitarras. Nessas adegas de fama, Que há nas ruas de Alfama, E noutros bairros antigos; Com vinho de baixo grau, E uns pasteis de bacalhau, Canta-se o fado entre amigos. E nas casas das vielas, Come-se iscas com elas, E chouriço bem assado; E depois para desfeche, Há carapaus de escabeche, Há caldo verde e há fado! Nesse ambiente fadista, Por ser castiço e bairrista, Canta-se em qualquer lado; O povo canta-o na rua, Portugal por sorte sua, Tem o fado no seu fado. Existe um telheiro por cima da porta E a chuva caindo, miúda, sobre ela, Parece um piano de tecla amarela Cantando uma letra de métrica torta. A folha que dança na rua sem trela No vento que passa e ninguém se importa É faca afiada, mas que nada corta, Ou mais um amor sem ter norte nem vela. E a chuva caindo naquele saguão, Qual gato molhado fugindo dum cão, Martela o telheiro assim de mansinho. Se cai, não a ouço, perdido que estou Nas abas da chuva, que não me molhou, Nem lava esta raiva de estar tão sozinho. Tito Olívio - Faro Para onde vão os meus versos? Para onde vão os meus versos? Quero ir com eles na ilusão... Quero seguir seu rastro Dormir naquele astro... Sonhar universos... Para onde vão os meus versos? Para onde irão as mensagens? A longínquas paragens? Quem me dera sonhar viagens, Levar na bagagem os meus poemas E acordar no paraíso... Sonhos dispersos... Para onde vão os meus versos? Cresceu, viçosa e linda, aquela flor, Brilhava, com o sol da madrugada, Supunha-se princesa que uma fada Tinha, ali, colocado, por amor. E toda ela se abria, desde o alvor, Com pétalas de cor imaculada, E com uma corola perfumada Que lançava odores, em seu redor. Porém, um dia, alguém, por malvadez, Matou a linda flor. Mais uma vez, Respeito à natureza esteve ausente. Ele encolheu os ombros ―tanto faz‖, Num comentário cínico, mordaz, ―Foi só uma flor, uma flor, somente‖. Tiago Barroso - Lisboa Presente de Luz O Natal seja dourado Não de cousas, só de amor De alegria iluminado Pela Graça do Senhor! Noite linda foi outrora Muito frio mas com fervor Jesus viu casta Senhora S. José, seu protetor. Nós vemos a grande fé Que vem dos tempos d'além Do presépio de Belém. E a Estrela que bela é Espelhando a claridade Dum abraço de amizade. Rosa Maria Silva "Azoriana" Isidoro Cavaco - Loulé Maria Fraqueza - Fuseta

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 60 | Janeiro / Fevereiro 2014 | 3 «Olhos da Poesia» Cadência da Vida Os dias são simplesmente a contagem Do tempo que nos falta p'ra viver Na terra, nesta tão curta passagem Onde o tempo está sempre a decrescer. Compreende esta fórmula tão prática Apenas uma breve operação Não carece ser mestre em matemática Ou nutrir doutras artes propensão. Cada hoje é sempre o primeiro dia Do resto que nos faltam p'rà partida Que avançam em constante correria. E cada dia é fracção subtraída Deixando sempre menor a quantia Do resto dos dias da nossa vida !... Euclides Cavaco - Canadá Dá passo à vida Confia-te a um verso salvador Poeta deste mundo, iluminado Não apagues no espírito esse amor Mas dá, quiçá, o passo a outro fado. Que Deus nos quer felizes criaturas E não almas sofridas, a penar Há mágoas bem difíceis e bem duras Mas também há ventura a te esperar. Não penses mais no fim, na eternidade Afasta o pensamento da tristeza E abre-te a uma nova realidade; Verás que ao sol o verso tem grandeza E o seu brilho mais intensidade Se o sonho o penetrar, com subtileza. Eugénio de Sá - Sintra Culto ao Fado Esta fé que me domina Em acreditar no fado É como uma doutrina Para mim algo sagrado. Quem tem o fado na alma Ao dar-lhe o amor seu O seu coração acalma E ganha um lugar no céu. Quem canta está a rezar O fado com devoção Em qualquer lado a cantar Faz do fado sua oração. Quero soltar as amarras E confessar um pecado Só bem junto das guitarras Verás presto culto ao fado. Euclides Cavaco - Canadá Fado Alma do Povo Fado bairrista e burguês… É sentimento profundo; O fado que é português, Anda nas bocas do mundo. Sempre que o fadista canta O fado com emoção, Sente um nó na garganta, E amor no coração. Porque o fado tem magia, Sentimento e lealdade, Traz consigo a nostalgia, Recordação e saudade. Todo o feitiço do fado Na minha alma é sentido, E é por isso que o trago A toda a hora comigo. Não é velho nem é novo, Nasceu num bairro talvez, Por ser a alma do povo, É que o fado é português. E é no povo que mora, Por capricho ou por maldade, Este fado que é agora Património da Humanidade. Isidoro Cavaco - Loulé O Meu Mar... Sou do mar que fala de saudade Que enamora a vida em cada dia, Cobrindo - se com azul de magia No abraço aprazível da bondade. Quando a noite o abraça enluarada Como o amante perdido no desejo, Adormece terno como um beijo, Na noite, até chegar a madrugada. Na praia deixa idílios e promessas Numa brisa que fala entres as giestas Como chama de amor e de ventura... A gaivota sem medo nem cuidado Vai à noite dormir sobre o telhado E sonhar o amanhã, numa aventura. Ferdinando – Germany Deus ouve fado Seja no Porto ou Lisboa, Paranhos ou Madragoa, Quando à guitarra apetece Já não há quem lhe resista!... Se o coração é fadista, Então o Fado acontece! Lisboa foi berço e lar Onde nasceu a cantar, Com a guitarra gemendo! Com a ânsia de crescer E se dar a conhecer, Foi o mundo percorrendo. Andou p’lo mundo perdido, Foi censurado, banido E quase morria novo… Até que Deus o escutou, Ouviu, sentiu e chorou E deu-lhe a alma do povo! Carlos Fragata - Sesimbra Tédio Mergulho, perscrutando…a tristeza da alegria! E, as sombras, do tédio… olho-as...tacteando!... Por lassos dedos desliza a mágoa da euforia… Como negrume luminoso…do riso…o pranto! Filomena Gomes Camacho - Londres

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4 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 60 | Janeiro / Fevereiro 2014 «Confrades» http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Acordo Ortográfico (humor) Mas que grande confusão Está nesse Acordo acordado! Em que acção ou outra ação, Muito era dispensado. Agora ―pelo, pela, para, pera” Não é já como era antes: - pêlo, pêla, pára, pêra, Quais homófonas distantes. Mas há mais p’ra baralhar: Do ―hífen‖ pouco ficou: - Em vez de há-de (de haver), O “há de‖ assim se tornou. E se do hífen se foi... Muito do que foi o saque, Mantém-se em anti-herói. E também em contra-ataque Os meses,estações do ano, E qualquer ponto cardeal... Passam a ser com minúscula Na letrinha inicial... Outros... É opcional: (uma opção bem esquisita): - Professor ou Professora, Nome de Rua, Avenida... Onde a maiúscula, agora, Pode ser escrita ou não escrita. Neste (des)Acordo chato, Dexamos o dectetar Para “deteto” ficar 0 exacto passa a exato. Pato é certo, se animal, Mas não, se pacto é contrato! O Brasil altera o esquema Com suas ―conseqüências‖: A que vão se acostumar Lá deixam de usar o trema, Além de mais exigências. P’ra eles facto já era “fato‖ Nós, fato passamos a usar Ótimo vai passar a ser igual No Brasil e em Portugal. Com algumas reticências… Óptimo ou ótimo, afinal, Cá, só para Suas Excelências Já que o povo está tão mal! E neste ―Acordo‖ acordado, Qu’inda dorme, com certeza... Fica o povo baralhado Com a língua mãe portuguesa! O poema é um cubo de granito Se em pedra tralhamos o poema Com a alma sangrando, atormentada É porque uma revolta aprisionada Nos faz cerrar o punho em cada algema É caminho de cães que percorremos Picadas, sem recurso a maciezas E os tropeços nas mágoas, agudezas Que sangram cada verso que escrevemos Ah Poeta inquieto, se soubesses O que mais vão fazendo ao teu país Mais em ti se veria esse cariz Que em pedra transformava o que dissesses! Eugénio de Sá - Sintra ( inspirado no poema de J. Saramago com o mesmo título ) Para ti Não me tragam tristezas, dor ou pranto, Que pranto já não tenho e dor não quero… Hoje, que desta vida tudo espero, Só falo do Amor e do encanto. É para ti, Mulher, que amo e venero, Que dirijo as palavras do meu canto, De ti eu tudo tenho e devo tanto Que mil vidas sem ti seriam zero! Os minutos, tão lentos como dias, Tornam a minha espera dolorosa, Sem cor, sem a magia que tu crias… Até a lua chora, invejosa, Com ciúmes do brilho que irradias Quando regressas, linda, radiosa!! Carlos Fragata - Sesimbra Canto Doloroso para além do firmamento existes como alva estrela de luz e forma dás-me energia e desejo neste vazio escurecido de eterna claridade na sombra ao longe ouço a tua voz num canto doloroso saudosa vibrante num abismo misterioso destroçou-me a vontade e desejos outonais Fernando Reis Costa- Coimbra Carlos Fernando Bondoso (CFBB)- Alcochete

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 60 | Janeiro / Fevereiro 2014 | 5 «Retalhos Poéticos» Sonhar: Como não hei-de sonhar eu? Sonhar, sonhar amor é um prazer; O sonho não se apaga na distância… Meus olhos vêem linda a tua infância, Tal como, aqui, estivesses a viver. Foste para bem longe conhecer A Pátria do amor, em abundância, Onde não há vaidade e petulância E reflete de graça o amanhecer! Os animais são doces como o mel, A brincarem ao sol pelo vergel, E as crianças são Anjos do Senhor. Sonhar, como não hei-de sonhar eu Num mundo, todo verde, em apogeu, Onde se vive para além da dor?! Jorge Vicente - Suíça Comunhão Respiro fundo Mergulho nas profundezas De meus pensamentos Navego nas ondas De minhas mais doces lembranças Volto à tona Abasteço-me de ar puro Que me induz À pura comunhão com a natureza Unindo-me a ti Hoje, partícula indissolúvel do universo. Isabel C S Vargas Rio Grande do Sul /Br "A Ti... Negage... Meu Amor...". "Acreditar" Amarras Quando a minha descrença é vertical sinto o mundo debaixo dos pés este meu mundo que trago aceso no peito jovem, forte, telúrico ardósia dos meus passos da minha presença a transpirar espaços onde me alongo em assinatura de tudo o que em mim habito de tudo o que em mim habita de tudo o que procuro de tudo o que me procura depois vestido de azul de certeza escrita pelo mar, pelas árvores e pelos pássaros que me acontecem nesta leveza de ser pensamento livre esculpido pelo paraíso que a cada instante me faz além página de mim mesmo porque além murmúrio das flores sou porque além alegria das cascatas sou porque além milagre sou depois … depois ergo os olhos ao alto e acredito nas pupilas que me observam por entreabertas portas de fogo na primavera de cada constelação nos poemas escritos pelos cometas nas amendoeiras do infinito e em tudo o mais que me mandar acreditar esta liberdade que me leva pela mão Soares Teixeira – Lisboa Amarras… Soldadas… Apertadas… E que doem… Vou… Esticar os braços… Com força… E cortá-las… Quero ser livre… Saber quem sou… E o que quero… Não quero… Sonhar por sonhar… Esperar… E nada ter… E com força… Arranco… As amarras… E mesmo doendo… É dor de momento… E não voltarei… A deixar pôr amarras… Porque quero… Ser eu novamente!... Lili Laranjo - Aveiro No Negage viveu, cresceu e de menina se transformou em Mulher: "Tenho saudades de ti... Minha terra linda... Que me ensinaste... A ser criança... A ser menina... A ser mulher... (...) Dos cheiros e sabores da terra, recorda, genialmente, a exótica (e inesquecível!) ginguenga: "(...) E sentíamos... Que ao saboreá-la... O mundo parava... Porque nós... Conseguíamos... O amargo no doce..." Lili Laranjo – Aveiro

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6 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 60 | Janeiro / Fevereiro 2014 «Confrades» Para Longe a Saudade O poema cativo liberta-se e nasce Do quase nada, numa pura fonte. Meu poema é resgate e confissão. Medito, escrevo e oiço na noite Acordes dum fado que tudo oculta, Fado malvado que pouco me diz. ―Se toda a vida te quis E tu sempre me quiseste Porquê terminar assim Um louco amor como este? Se souberes que contigo sonhei E que a sonhar eu sorria Foi no sonho que julguei Ser feliz, num certo dia.‖ Quando o poeta se ausentar Na suavidade de um último adeus, Faltarão seu verso e melodia. Reinarão o silêncio e a monotonia, à espera Que o vento varra para longe a saudade. João Coelho dos Santos - Lisboa Simplesmente Poesia Ser poesia é transformar algo na plataforma do ser por caminhos no azul do céu com o sorriso de uma estrela Ser poesia é o caminho da luz ao som do luar por campos etéreos na brandura do horizonte de uma natureza singela É o dedilhar de um piano na maviosidade serena por campos cobertos de rosas na melodia dos sons É uma sensibilidade terrena com fundo celestial ameno por um simples portal onde os anjos renascem A abelha sonha na entrada de uma florista coberta de pétalas por versos fertilizantes de anémonas No paraíso celeste. Pedro Valdoy - Lisboa http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm caixa de pandora pingos de chuva lágrimas de prata nuvens suaves na brancura do algodão macio de ternura embalo de uma criança choros inocentes alegrias vãs céus acesos candeeiros sorridentes ignorância infantil campos de cetim folhas perdidas flores coloridas estrelas de recordações a infantilidade doce a ingenuidade pura sentimentos floridos bailam em meu coração na serenidade plena como uma pétala sorridente... pedro valdoy - Lisboa Não Procuro Eros Penitente Alma gentil e tão pura, Que no meu peito morou: A mais doce criatura, Que Deus no mundo deitou... Somente a sua ternura, No meu coração ficou, Porque a sua alma insegura, Por minha culpa voou. Doce Bem tão importante: – Talvez da vida o mais q´erido – Partiu pra lugar distante. Agora vivo sofrido, Penando uma dor constante, Da mágoa de a ter perdido. Aurélio Barata Vivas Pampilhosa da Serra De que serve a poesia se não tiver Poesia? Sinto-me num ardor febril e confuso, Como que saído de um sono e torpor E de temporário eclipse mental Que não chegou a ser fatal. Esquecido do fervilhar da maldade No metralhar de palavras Qual granizo a bater no chão, Olho a palma de minha mão, Abandono uma impressão sombria e enigmática, E sinto uma absurda e estranha Faixa comprida e luminosa de sol resplandecer A invadir, segura e lentamente, todo o meu ser. Eis que penso numa criatura, nobre como um anjo, E meus olhos e meu pensamento Pedem agora espaços amplos, abertos, Para ordenar um turbilhão de ideias. Fico com as positivas, rejeito as feias. No fogo deixaram de bailar as chamas E, cansado, recolheu-se o vento, Por não ter com quem dançar, Naquele chão tão quente e, sem voz. Complacente, ficou bem perto de nós. Arremessou aos céus as asas do sonho E do querer e recomeçou a voar. Interrogou: - Que fazes lua no céu? Porque brilhas no lago? E uma voz se fez ouvir, como um afago: - Sou peregrina, dos caminhos de Santiago. Não procuro Eros na minha poesia! Que diferenças entre realidade e utopia? O sabe tudo nasceu E nunca chega a nascer Vai pedir perdão a Deus Ainda antes de morrer Silvais João Coelho dos Santos - Lisboa

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 60 | Janeiro / Fevereiro 2014 | 7 Confrade desta Edição « Deodato Paias » Homenagem ao Rei (Eusébio da Silva Ferreira) (De 1942 a 2014) Eusébio deixaste o Mundo a chorar Milhares te prestam homenagem Por não te poder mais ver a jogar Prestam-te hoje grande vassalagem. Como Pantera Negra conhecido Morreu aos setenta e um anos de idade Símbolo do futebol bem merecido Como lenda do desporto realidade. Eusébio marcou a minha geração Por insuficiência cardíaca traído Foi vencido pelo seu coração Futebolista simples e destemido. De todo o Mundo mensagens de pesar Sobre o nosso grande campeão As lendas não morrem o mito vai ficar Eusébio o maior símbolo da Nação. Tudo conquistou com simplicidade Até o maior número de vitórias Como futebolista grande realidade Deu-nos muitas e grandes glórias. O maior símbolo da modalidade O maior jogador da sua geração Um português com humildade Um desportista de grande exceção. Eusébio será sempre eterno Dada a sua enorme grandiosidade Dos portugueses amor fraterno Graças ao seu talento e humildade. Eusébio o nosso Nelson Mandela Uma figura também incontornável Vê-lo marcar golos coisa bela Como Mandela outro exemplo nacional. Serás para os portugueses imortal Foste no futebol um grande génio Foste sempre o maior em Portugal Adeus para toda a vida.... Eusébio. Crises em Portugal FMI em 1983/84 em Portugal Governo assumiu o memorando Com o Fundo M. Internacional De tudo me estou lembrando. Os impostos também subiram Os preços rápido dispararam Agora há muitos que fingiram Até parece que não passaram. Crédito como agora acabou Também houve desemprego Mas tudo isso se ultrapassou Foi também grande enredo. Houve salários em atraso Foi uma grande chaga social Nada apareceu por acaso Nesses tempos em Portugal. Foram pedidos sacrifícios Para essa crise ultrapassar Muitos mestres sem ofícios Houve como hoje mal-estar. Os problemas em Portugal Não são fáceis ultrapassar Vamos apertar o cinto afinal Para esta crise agora devassar. Muitas medidas impopulares Fazem criar complicações Desempregados com azares Muito graves as degradações As Reformas da Reforma Julgo que devem ser reformadas Que o devem fazer urgentemente Mas com cuidado reformuladas Façam-no de maneira inteligente. Num rendimento equitativo Do trabalho e respectivo horário Do desconto administrativo Tendo em atenção todo o cenário. Dos trinta e seis anos de serviço Os fins-de-semana descontar Descontar também o vício De todo o sistema contornar. Ganhar muito e descontar pouco Era o que muita gente fazia Quem descontava tudo era louco Muito arrecadaram a mais-valia. Concordo com a igualdade Trabalho igual salário igual Mas havia muita diversidade Na função pública e privada afinal. Sem fins-de-semana e feriados Nem pontes de muitos dias Esses pobres mais desgraçados Tinham a folga de 7 em 7 dias. Não ganhavam horas extraordinárias É preciso nesses ter atenção Não tomem medidas ordinárias Para evitar mais uma insurreição. O Futuro em 2014 Mais um ano ao fim chegou Outro ano começará Mas a crise não acabou A austeridade continuará. O ano 2013 já passado A nossa condição agravou Foi tristeza o resultado O desemprego aumentou. Houve grande destruição Nos campos e povoações Perdas humanas um senão Deixou o País em aflições. Certamente fica marcado Pelas graves ocorrências Pelo péssimo resultado Das sofridas divergências. Foi o ano da resignação Um novo Papa foi eleito Logo a seguir numa eleição Apareceu o Papa perfeito. Uma Igreja em mudança Numa tranquila revelação Os católicos com esperança Sem que haja grande aflição. Haja combate à corrupção Às parcerias públicas privadas E compadrios com intenção E às injustiças injustiçadas. Acabar com a impunidade Puna-se o abuso e corrupção Acabe-se com a austeridade E a crise destruidora da Nação.

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8 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 60 | Janeiro / Fevereiro 2014 «Confrades» Foi ontem Hei grande garota! Ontem te vi, caminhavas pela rua! Andavas sozinha. Tão bela, tão serena... Tão trágica e distante de mim Hei luz da minha vida Fiquei sabendo pelos outros Que já não vives mais sozinha Tens outra pessoa na tua vida Não queres mais... ... saber de mim! Hei Dama da noite... Fiquei sabendo pelos outros... Que te feri, que te magoei! No dia de ontem Vi-te caminhando pela rua Hei amor do passado Hei solidão do presente Ontem te parei na rua Estavas tão amargurada Tão triste... tão sozinha. Frágil e tão distante de mim Ontem soube por ti: http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Dia de S. Valentim Patrono dos apaixonados Do Amor é padroeiro O dia de S. Valentim È a catorze de Fevereiro. È um santo que inspira Todos os apaixonados Com lindas frases de amor Ou com uma simples flor. Aos casais apaixonados Mantenham a tradição Por que viver sem amor É viver na escuridão. Celebra-se assim o Amor Neste dia especial Sejam jovens, sejam velhos O Amor é transversal. São Tomé - Amora Pedras… Pedras, pedregulhos Pequenos e grandes No monte, na rua Paradas, inertes… E, lá estão … E lá ficam… Com frio Com chuva E… sem sol. Sempre paradas Sempre sozinhas Chorando e gemendo Mas também pensando Como sou linda... Como sou livre… Não tenho ninguém Não sofro por nada Acordo e levanto-me Sem conhecer o mal… Essas palavras… que fazem doer... Deixo-as para os homens… Que podem senti-las… E nós... Pedras, pedregulhos... Vivemos sozinhas… Mas temos o mundo… Temos o céu… A lua e as estrelas… A chuva e o vento… E assim… Todos os dias… Nós …pedras e pedregulhos… Voltamos a viver… Lili Laranjo - Aveiro Mão Estendida Por acaso, Sem que ninguém quisesse dar-lhe amor, Nasceu. Cresceu ao acaso E só por acaso. Ninguém ama ninguém. O pai, macho, bêbedo... Objecto disponível, a mãe. Amor?! Quem ama quem? - Quantos mais filhos, Mais abono - diz o pai. - Assim Nosso Senhor queira! - Exclama a mãe. Nasceu da frieza daquelas mentes Da frieza daquele quarto Naquele quarto onde tudo se faz Onde se fazem os filhos, Sem amor, Onde o pai bate à mãe, Onde o carinho não existe E a comida escasseia. Acorda sem um bom dia. Regressa a casa sem um olá, Sem uma carícia de alguém, Acorda aos berros da mãe, Ameaças do pai... - Anda! Mexe-te! São horas de caminhares!... Desaparece! Quero que tragas... Estás ouvindo? Se gastas um tostão!... Vive assim esta criança: Sai pela manhã, A mesma fome do dia anterior, A mesma roupa suja do dia anterior, A mesma sujidade no corpo do dia anterior, A mesma intranquilidade no olhar. Se o dia não rende, Apavora-a ter que chegar a casa. Vive assim esta criança, Tantas crianças, Mão estendida. Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa Nas horas difíceis da vida É muito bom encontrar um amigo Que nos faça exaltar E não nos leve A sepultar Silvais - Não estou mais sozinha, já te esqueci! Samuel da Costa - Itajaí / Brasil Talvez... Talvez não me queiras entristecer evocando-me os nossos tempos idos sugerindo-me quadros tão queridos que sei impossíveis de reviver... Talvez me pretendas enternecer ou apenas usar os meus sentidos através de mim ver os coloridos e do escutar dos sons ter o prazer.. Talvez na tua imaterialidade também tu padeças de saudade e desejes estar perto de mim... E eu pressentindo a tua presença fique presa de nostalgia imensa e saiba que a morte não é o fim… Adelina Velho da Palma - Lisboa Já estou farto de te ouvir Não me consegues virar Eu não sou um cão a ganir E tu um lobo a uivar Silvais

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 60 | Janeiro / Fevereiro 2014 | 9 “Cantinho Poético” Gota de Orvalho Gota de orvalho… Noite orvalhada, Em jeito de ternura, Fresca madrugada, Pingo de frescura. Gota de orvalho… Prado verdejante, Em lençol de esperança, Jardim refrescante, Que acolhe a criança. Gota de orvalho… Salpico de pureza, Em perfeita harmonia, Bênção de riqueza, Antes de ser dia. Gota de orvalho… Repousa ligeira, Na flor delicada, Em dócil maneira, Salva a planta amada. Gota de orvalho… Gota Gota Gota Gota de de de de frescura, ternura, pureza, riqueza. Ponta dos Corvos Meu rico Tejo de encanto Oh quantas recordações!... Lembrando-me do teu manto Memoráveis emoções. Remar, pescar ou nadar No Tejo era diversão Muitos factos a recordarem Momentos bons, outros não. No Tejo, ao mergulhar Ali na Ponta dos Corvos A subir ou a saltar Éramos rapazes novos. Amadeu Afonso ―Linhas Tortas‖ Amigo, como é que entraste Nestes catorze, e deixaste Os treze fora da norma? Espero que tivesses entrado Bem, e não fosses cortado… No ordenado ou reforma! Que o ano comece bem E que não falte a ninguém O que no treze faltou! Haja mais trabalho e pão, Que vão todos p’ra prisão Quem este povo roubou! Que em cada mês, cada dia, Haja paz e alegria, Saúde e algum trocado! Que a justiça seja feita Mais isenta e perfeita… Em defesa do honrado! E, que até ao fim do ano Haja mais calor humano Desse frio; que nos gelaram! Cortem Passos…fechem Portas… Alinhemos linhas tortas… Que estes Burros…entortaram! João da Palma - Portimão Caminhantes Errantes Na manhã de nuvens baixas, De brisa agreste, Tudo achastes cinzento Na berma da hora, E caminhastes. Procurastes a rua azul De janelas luminosas, Caminhastes para sul, Passadas vertiginosas. Caminhastes sem cessar, Vagueastes vagueastes, Numa ânsia de encontrar, Nunca nada encontrastes. Sorristes tão tristemente, Expressão de rosto amargo, Fingindo estar contentes, Vossas horas de letargo. Quisestes alcançar a lua, Seguistes o rasto errado. Quisestes atravessar a rua, Sinal vermelho ao lado Mudastes então de rumo, Partistes para outro lugar, Perdestes antigo aprumo, Começastes a chorar. Caminhastes, caminhastes... E fostes carpindo mágoas. Tantas lágrimas chorastes, Que o sal escorria das águas. Sem mais esperanças pendentes, Caminhastes, caminhastes... Já a tudo indiferentes, A lugar nenhum chegastes. Caminhastes sós, errantes, Ao longo da mesma estrada, Ainda sois caminhantes, Na manhã acinzentada. Cremilde Vieira da Cruz - Lisboa Gota de orvalho…gota de vida! Luís da Mota Filipe Anços – Montelavar Sintra – Portugal Viver solidão Eu nasci ainda há pouco E o meu corpo como um louco Ergueu-se qual um cipreste. A noite ficou calada E a janela então fechada Ergueu-se com o vento agreste. Nascia o sol e em breve Gélidas chuvas e a neve Destruíram o meu dia. Cansado de estar assim No mar profundo e sem fim Afoguei minha alegria. Minha alma ficou perdida E as agruras da vida Fustigaram-me a razão. Perdi-me no meu viver E agora sem querer Vivo só em solidão. Victor de Deus - Barreiro Respiro em ti a madrugada opalina, com hálito de lua e quando a aurora nasce é toda tua a pegada que fica no meu chão... Somente depois é que adormeço afirmando que é agora que te esqueço e não mais verei contigo outros sóis; mas quando a noite pousa na almofada é d'ansiedade a porta 'inda fechada à espera outra vez pra sermos dois! Maria Mamede - Porto

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10 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 60 | Janeiro / Fevereiro 2014 «Bocage - O Nosso Patrono» Para a Marianita O Primeiro Passo Mesmo a maior caminhada Começa por um só passo Nunca a matriz da pegada Antecipe o teu cansaço. A uma cadeira agarrada Antevejo o primeiro passo Com sapatinhos calçada Virá com o ano que faço Se acreditas na jornada Caminha sem embaraço Crê, sempre, que à chegada Te espera o terno abraço. Eu acredito, gente amada Vou criando o meu espaço Sentir-me -ei transportada Pela ternura com que o faço. Não desistas se alguém Caminhar por outro lado Rejeita sempre o desdém. Desistir…Não…Por ninguém. Recebi o teu recado Vou segui-lo aqui e além… Dos que não vão por aí Se o percurso é certo ou errado Descobre isso só por ti. Por aquilo que vivi Caminho determinada Bebé, segura de si. Versos Ímpares Eduardo Maximino Versos Pares Maria Vitória Afonso Dueto É dia de São Martinho Vou dar de beber à dor Vou procurar um bom vinho Na Casa do Educador. Tu Maria és como o Jacinto Para ti não há vinho mau Mas privilegias o tinto Contigo estou sempre a pau. Isso aí não é verdade Os beirões bebem muito mais Devido à tua idade Perdoo –te palavras tais. Vinho, castanhas, água-pé Tens aqui para celebrar Eu juro por minha fé Só vou quando tudo acabar. Está uma boa cidadã Casada com um comilão A castanha rebordã Come tantas como pão. Eu gosto é das longais Qu´ eram as do meu castanheiro Nos tempos imemoriais Nisso era useiro e vezeiro. Com o dono dum castanheiro Eu fiz um bom casamento E as inveja são tamanhas Tal homem é um portento. Copitos de jeropiga De mais ela já bebeu Cala –te já rapariga Respeitinho ao Amadeu. Eu vou mesmo terminar Este vinho deu-me corda Antes que o nosso presidente Me mande meter na ordem. Maria Vitória / Amadeu Versos que voam... Os versos mais lindos que faço São os que desfaço Dentro do meu peito No sopro do vento Do meu sentimento São palavras que não digo Moram comigo, palavras à toa Morrem no abrigo do meu coração! Quando penso que os vou agarrar São como ave que voa... E eu não sei voar! Maria Fraqueza - Fuseta É Tão Engraçada a Vida Mote É tão engraçada a vida Sem que a gente a veja assim, Volta ao ponto da partida, Quando está perto do fim. (António Aleixo) Glosa ―É tão engraçada a vida‖ Que Deus no Céu nos talhou, Algo alegre na subida E um passarinho trinou… Pulam mesmo os corações ―Sem que a gente a veja assim,‖ Toda cheia de ilusões Sem lembrarmos o confim. Não pensando na corrida E nem nas provas de amor, ―Volta ao ponto da partida‖ Que se torna assustador… Tem a vida variantes, Rosas murchas no jardim; Volta a trás sem petulantes, ―Quando está perto fim.‖ Clarisse Barata Sanches Vila de Góis Meninos que não foram… Meninos que choram em vão! Sem pão, sem leite nem sumo... Sem pai, sem mãe, sem nação? No barco da vida sem rumo! Meninos há tantos sem leito, À chuva e ao vento a sofrer! Não têm um colo...nem peito... Nem uma carícia sequer! Meninos, alguns mutilados! Empurrados à pobreza, Por causa d’homens armados, Na ganância da riqueza! Meninos, que não são Meninos! Mas com alma e coração! Sofrendo nos duros destinos; Que os ricos da Terra lhes dão! Meninos que só foram moços! Dum enorme coração! Bebiam água dos poços… Tirada com o caldeirão! João da Palma - Portimão Para onde vão os meus versos? Para onde vão os meus versos? Quero ir com eles na ilusão... Quero seguir seu rastro Dormir naquele astro... Sonhar universos... Para onde vão os meus versos? Para onde irão as mensagens? A longínquas paragens? Quem me dera sonhar viagens, Levar na bagagem os meus poemas E acordar no paraíso... Sonhos dispersos... Para onde vão os meus versos? Maria Fraqueza - Fuseta

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 60 | Janeiro / Fevereiro 2014 | 11 «Tempo de Poesia» Natal de 2013 Mais um Natal se avizinha velozmente Frio anulado com calor dos corações. Desta vez triste pela crise que se sente Morrem peixinhos p'ra engordar os tubarões Eu não queria frisar isto nesta quadra Por ser só de alegria, Paz e Amor Contudo uma matilha que nos ladra Contraria o que nos dita o Redentor! E faz de nós, que somos simples mortais, Uns revoltados perante tanta injustiça Com tanta fome perante tanta abastança E olhando bem p'ra esses senhores feudais Por tudo isto é tempo de dizer ―CHIÇA‖ !!! E negar o alimento a tanta pança De A À Z A i à porta o ano 2014 e a esperança B em... Não podemos esquecer 2013 C om algumas alegrias e muitas tristezas D o Mediterrâneo os trágicos acidentes em busca do melhor E do Mundo aqui e ali as incompreensíveis guerras F oram muitas às mortes delas resultadas G randes manifestações da Natureza e H omens que marcaram a história recente I nfelizmente deixaram-nos, é a lei da vida J azem uns e nascem outros, que descansem em Paz L ogicamente continuarão na história seus feitos M andela, Margareth, Hugo Chaves... Cada um à sua medida N elson por saber compreender o homem e fazer O bana e Raul a cumprimentarem-se tem lugar cimeiro! P orque continuou-se a colocar bombas mortíferas Q ue ceifaram milhares de vidas inocentes R ecuso-me a perceber e a entender as razões S ão gestos tão bárbaros e desnecessários... T enho um desejo... Se eu for lindo U m espelho ofereço a todos nós V ejamos nele e notemos que somos iguais X (ch) Chamemos João ou José da tribo A ou B Z elemos pela Paz em 2014 e aprendamos a viver em Paz ! João P. C. Furtado – Praia /Cabo Verde Fiz-me Poesia Esta minha vida, que à má sorte, foi dada, encontrou na poesia, o ânimo e a libertação, de tal desígnio, que no olvido, inerme se quedou. Liberto, enfim, sou de toda a gente e de todo o mundo, aqui, onde sou mais eu, inteiro: e que ao narrar-se, máxima expressão, encontrou. Então, conto-me em versos, que, à verdade, nada devem nem temem, pois que meu caminho, tem janelas abertas, a todos quantos, me lêem. Da inócua solidão, me aparto, pois que, no escrever-me, sou nos outros, no que lhes dou e recebo, como gratidão, de quem se revê, na minha poesia. Maior satisfação, jamais eu teria, se meus versos, não fossem eles, feitos de humildade, carinho e cuidados, àqueles, que tanto me prezam. E eis que assim, me descubro poeta, de todo um povo, que, ao mundo, pertence – e enquanto, a mi me venço, sou também eu, quem na vida se excedeu. Alfredo Louro - Oliveira de Azeméis Fernando Pessoa ( minha homenagem ao poeta ) Foste quatro em vez de um Até nisso foste um mestre E em todos e cada um Pra falar por eles nasceste; Foste Caeiro, foste Reis Foste Campos e Pessoa Podias ser cinco ou seis Pois nenhum de ti destoa Mestre foste e serás sempre Desta orgulhosa linguagem Que nos embala p’lo mundo; Pois tu, Fernando, fizeste Renascer nos portugueses O amor p’lo mar profundo! Eugénio de Sá - Sintra De que cor será sentir!!!???... A pergunta fica no ar!,... Tal e qual, como bola de sabão, ao sabor da imaginação. O poeta a fez, ... e não encontrou resposta. Nem a esta, nem tão pouco às outras muitas, E muitas outras que a vida nos coloca. Sentir com cor ou sem cor, pouco importa. O sentimento se nos apresenta da cor da nossa imaginação; Está dentro do coração! Silvino Potêncio - Natal/BR Jorge Humberto

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12 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 60 | Janeiro / Fevereiro 2014 «Trovador» Os meus dedos Dez dedos da minha mão Que comandam meu trabalho Nesta minha vocação... Vão mostrando o que eu valho São amigos diligentes Sem jóias p’ra enfeitar Os meus dedos sem presentes Sempre, sempre, a trabalhar Jamais usam anéis d’ouro Nem de pedras preciosas Os meus dedos são tesouro Nestas minhas mãos calosas Nem anéis de fantasia De ouro ou prata da lei Na arte escrevem poesia Fazem tudo o que sonhei De unhas limpas, cortadas Dedos com sua mestria Na arte com mãos de fadas Na lida do dia-dia!... Nem sequer usam verniz De unhas rentes, asseadas Sem jóias eu sou feliz Minhas mãos já são prendadas Já passaram tantos anos Esta saudade me mata... Meus dedos usam ufanos Aliança de ouro e prata! E desde que sou criança Lembrando tempos cruéis Uso apenas aliança... Não gosto de usar anéis Por vezes, trago enfeitado Só o meu dedo anelar. Com lindo anel de noivado Que me quiseste ofertar! Não serei indelicada Nem passarei por solteira Na minha mão enrugada... A aliança é pioneira! Os dedos da minha mão Receberam no altar... Doce anel duma união... O único que quero usar! Maria Fraqueza - Fuseta Porque requer afeição neste mundo de desnorte, hoje em dia, até um cão precisa ter muita sorte. Dia do reformado A vida de um reformado Tem muito que se lhe diga, Se muito come e sentado Cresce-lhe demais a barriga. Cresce-lhe demais a barriga Rechonchudo, anafado, Perde de vista a amiga É o pé lento pesado. Mexe-te, que mais anima Vai ao baile, faz desporto, Rua abaixo, rua acima, Dia a dia por bom porto. Bom porto, boa estrada, Bom caminho, percorrer, Cada dia uma alvorada Porque parar é morrer. Airesplácido - Amadora “O Catorze Deixa o Treze” O catorze deixa o treze, Entramos no mesmo fado… Não há vida que se preze, Num país atraiçoado! Só porque o ano acabou, Não acaba o mundo à malta… O que na noite gastou, De manhã vai fazer falta! Andou pela noite inteira Extravasando em fantasia! Apanhou a bebedeira… Na ressaca, passa o dia! Reveillons são diversões Despedida do passado… P’ra traz ficam ilusões, De um ano em crise, atulhado! Na farra gastou a maça… Que lhe faz falta p’ro dia! Sem cheta, mas que desgraça, Tanto jeito lhe fazia! João da Palma - Portimão Manhã Triunfal Manhã de insigne menção Honrosa, que aqui lembro Que ilustra a restauração No primeiro de Dezembro. Dom João Pinto Ribeiro E alguns fidalgos sem medo Dirigiram-se ao Terreiro De manhãzinha bem cedo. Prendem primeiro a duquesa De Mântua, sem ter duelos E executam com destreza O Miguel de Vasconcelos. Expulsaram sem clemência Espanhóis em debandada Estava a nossa independência Finalmente restaurada !... Pela mão destes heróis Põe-se fim à opressão Do poder dos espanhóis Dando o Reino a D. João. Junta-se o povo no Paço Nessa manhã triunfal E elege naquele espaço Novo Rei de Portugal !… Euclides Cavaco - Canadá Meia noite, meio Sonho Meia noite, meio sonho Há metade por sonhar Num sono que quero abono Que a vida vá reciclar. Em todo o seu esplendor Nas noites que não dormi Pra mim foi tempo d’amor Nas serenatas que ouvi. Na tua voz que as cantou Em notas feitas de esperança Busco o que nos separou Guardo comigo a lembrança. Ah, serenatas sofridas Meias noites assombradas Meias noites tão compridas Tristes manhãs madrugadas. Desse tempo não dormido Loucura, não faz sentido Meias noites são castigo; As qu'inda sonho contigo! Susana Custódio - Sintra Tiago - Lisboa

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 60 | Janeiro / Fevereiro 2014 | 13 «Poemar» Ao Poeta Sebastião da Gama. Em Vila Nogueira de Azeitão Nasceu um poeta de fama Dos tempos que já lá vão Ficou a recordação Foi Sebastião da Gama Foi um poeta sonhador Escrevia o que sonhava Arrábida o seu amor Deu aulas, foi professor Nesta serra que amava. Foi um poeta afamado Nos poemas que escreveu Entre a serra e o sado Era um apaixonado Esta serra o conheceu Arrábida toda encanto Pela mãe da natureza A neblina é um manto Parece serra d’um santo Por ser de rara beleza. Foi poeta e professor Escreveu o que sentia No sofrimento e na dor Muitos poemas com amor A sua voz transmitia. O poeta quando morreu Deixou de ter sua voz A poesia que escreveu Foi uma lição que nos deu Escrita p’ra todos nós. Muito cedo nos deixou Deixou tudo que era seu E foi Deus quem o chamou, Mas sua imagem ficou Vive hoje no museu. Miraldino de Carvalho (Corroios) Ingratidão Sozinho me deixaste, abandonado, De coração magoado... entristecido... – O prémio que julgaste merecido, Do amor que te tive dedicado. Fui sempre, vida fora, desprezado... De tratos e carinhos, esquecido... – Que nunca por ti vi reconhecido, O bem que te foi grato no passado. Nem um beijo me deste na partida: – Um adeus... um abraço de amizade... – Um gesto que marcasse a despedida! Sê feliz, no caminho que escolheste... Viverei recordando, sem saudade, As poucas alegrias que me deste! Aurélio Barata Vivas Pampilhosa da Serra Pequeno poema é este Pinhal Pelas minhas próprias mãos plantado cresce livre do vil vento do mal pelo suor do meu rosto regado pleno poema é este pinhal! Pela Natureza abençoado viceja no meu humo ancestral é um cântico vivo, sibilado possui espírito universal! Imune aos venenos que o vento sopra sobre a Terra ameaçada ares de angústia e sofrimento Às aves garante o seu sustento a mim, o dom, a dádiva sonhada o som e o sinal dum novo tempo Henrique Pedro – Mirandela Marli Era O Disparo... Marli era o disparo da apetência — era mulher de se comer rezando: a agradecer aos céus pela excelência da estrela a estar ali nos orbitando. Seus seios no decote era anuência — diziam sins discretos, tremulando... acompanhando os saltos em cadência de quem afia em mó de modo brando... E afiava que afiava o pensamento que enroscava no ondeado movimento — eternamente, assim como um gerúndio... A cidade — com o olhar — deixava-a nua... e Marli exibia rua a rua seu patrimônio: um vasto califúndio. Laerte Antônio – Casa Branca – SP - Brasil Nelson Mandela. (Homenagem Póstuma 1918 / 2013) Nelson Mandela em jus profecia O homem que libertou seu país Do Apartheid, rumo à Democracia E Paz no mundo foi o seu juiz Presidente da África do Sul E governou, sem agressividades No seu país de sol e céu azul Fim do racismo, com luz das idades Homem virado para Educação Coagitou no mundo, boa intenção O Nelson: - De filosofia tão bela A herdar uma história de valor Obras repletas de ―Paz e Amor‖ Lições ao mundo p’lo líder Mandela Pinhal Dias – Amora Meninos da Rua Falam tanto em igualdade Mas vejo nesta cidade Tanta miséria escondida, Tantas crianças em pranto, Porquê, meu Deus, sofrem tanto Na Primavera da vida? São crianças desprezadas Que ficam abandonadas Nessa miséria tão crua; Por vezes até sofremos… Mas depois, nada fazemos Pelos meninos da rua. Meninos de pés descalços Sem carinhos nem abraços Atirados para o chão; Todos sabem criticar, Mas depois p’ros levantar Ninguém lhes estende a mão. Sem amor e sem abrigo Abandonados ao p'rigo Na rua sem pai nem mãe, Na miséria que persiste É grande a força que existe Nesses filhos de ninguém. Isidoro Cavaco - Loulé Hoje e apenas hoje Hoje sinto-me só e triste, Desiludida Atordoada, Desapaixonada, Pela vida, Pelo Mundo, Pelos amigos, Que magoam Bem fundo… Hoje chorei Lágrimas amargas De uma tristeza profunda, Rezei, Implorei, A dor amenizou, E meu coração acalmou. A Ele fico a dever, Uma sensação de leveza, Agora reconheço A Sua enorme Grandeza. Natália Vale - Porto

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14 | Os Confrades da Poesia Boletim Nr 60 | Janeiro / Fevereiro 2014 «Confrades» Horizonte abandonado Oh, amaldiçoada estou! De fazer poemas em jejum E sentir a cegueira do reverso. Oh meu deus! Desfaz-me esta loucura De fazer versos como quem respira E sentir o animal primata dentro de mim. Deixa-me adiar por um dia Esta poesia amarga e ferida Estas palavras sem cor e ausentes de mim. De mim já nada sei. Estou aquém Sinto-me longe Distante e abandonada de mim. http://www.osconfradesdapoesia.com/Lusofonos.htm Para além da vida Passa na minha mente doentia, A estranha imagem dum mundo ignorado: – Um mundo que talvez seja inventado, Aonde brilha o Sol mas nunca é dia. E no meu peito há dor... melancolia... E tenho o corpo frio, quase gelado... Que já me vejo inerte e amortalhado, Descer devagarinho à cova fria. Eu sinto a vida em mim finar-se assim! – Não me chores, Amor, não tenhas dó, Que após a morte a alma não tem fim! Pois quando formos nada – apenas pó, Serei dentro de ti e tu de mim, Unindo duas almas numa só! Não me despertes o desejo de sofrer-te a cada dia. Não me roubes os beijos mudos E secos que nunca me deste Deixa que guarde na minha boca A fantasia doce e os suspiros loucos desses …quase tudo. Não permitas que esqueça a tua voz e o teu nome Deixa-me apenas sentir as palavras que hoje não dissemos. Nesta noite aonde o dia vai morrendo E a vida é somente um poema. Não me desfaças os breves sonhos que um dia tive Não me deixes naufragar em veios de sal Não me deixes cair Neste imenso abismo sozinha. Não permitas que escreva toda a minha dor Pois ela não cabe neste breve poema! Telma Estêvão - Silves Aurélio Barata Vivas – Pampilhosa da Serra Falar de Amor Não sei se falar de amor Possa ser aliviado Se cantado com ardor Correndo as veias de um fado C’o uma guitarra a trinar Bem o ouvimos chorar Camões a ele se referiu Por ele morreu Dona Inês E a dor que a Tristão cingiu Fê-lo morrer outra vez Que d'amor também morremos Se de nós tudo lhe dermos Porque amor é tudo, é nada É em nós um alvoroço Que nos toma pla calada E nos aperta o pescoço Como cordame de proa Que ora folga, ora magoa Amor é fogo sem fumo Que arde em nós sem nos queimar E nos deixa sem um rumo Remexe sem molestar Ave que voa na bruma Rasando as ondas e a espuma É bem que se expõe à lua Buscando as sombras e a luz Em alternâncias divinas Benditas pelo Bom Jesus Qu’isto de amar vem de Deus Por isso Ele nos fez tão Seus. O FANTASMA Apareces-me num sonho agitado apontando-me um dedo acusador, mas, mal acordo, arrefece o suor e dissipa-se o teu tom de jurado… Vigias-me infame, dissimulado, com a postura própria do censor, mas se te olho de frente e com vigor gaguejas e escusas-te atrapalhado... Encurralas-me em recinto fechado pejado de intento demolidor mas o teu punhal é d’aço empalhado... No proceder és cobarde e traidor mas de existência autónoma privado provocas mais desdém do que pavor... Eugénio de Sá - Sintra Adelina Velho da Palma - Lisboa

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Os Confrades da Poesia | Boletim Nr. 60 | Janeiro / Fevereiro 2014 | 15 «Faísca de Versos» E o Caldo fica Entornado O Pedrinho puxa a corda o Paulinho não tem cuidado uma dia se o Zé acorda o caldo fica entornado No seu barco imaginário o homem do leme na borda para cumprir o caledário o Pedrinho puxa a corda Á deriva vão andando ou o barco está parado ? naquilo que vai falando o Paulinho não tem cuidado Eu não fico descuidado com medo que algum me morda pode estar tudo estragado um dia se o Zé acorda De sofrer mais nas suas mãos o pobre Zé está cansado um dia vai-lhe dar nãos e fica o caldo entornado. Chico Bento Ano Dois Mil e Catorze Ano Novo vida nova Que esta é pior que um inferno Sem podermos fazer prova, Das promessas do Governo O catorze que aí vem Aos treze, vai ser igual Talvez pior se ninguém Tentar mudar Portugal! Não acredito em promessas Deles…para nossas vidas Fazem-nos tudo às avessas Dessas promessas falidas… Dizem…estarmos na Europa Iludidos pelo estado… Mas eu sei bem quem os topa… É o povo explorado! Mesmo assim, vou desejar A este país, inteiro… Que todos possam passar, Com mais saúde e dinheiro! João da Palma - Portimão Nesta Época é Assim Na época das eleições e com os tachos nas miras ouvem-se falsos pregões e chorrilhos de mentiras Querem matar os desejos ter no bolso fáceis tostões até nas velhas dão beijos na época das eleições Tudo aquilo que prometem são papéis feitos em tiras sabemos bem que só nos metem e com os tachos nas miras Fazem lembrar uma alcateia a uivar aos serões e de aldeia em aldeia ouvem-se falsos pregões Quando tudo terminar de não os veres te admiras ficam promessas no ar e chorrilhos de mentiras. Chico Bento Ano Novo, Vida Nova! Não mais se ouça neste ano novo por tantas mortes, multidões bramindo; jamais permita Deus que o nosso povo volte a viver o caos do ano findo! Entendamos que a chuva é necessária dos nossos campos à sobrevivência, mas que o Senhor com sua bondade pare-a ao pressentir-lhe a indômita violência! Que os crimes bárbaros sejam contidos, bem como da violência as emboscadas; nem mais ouçamos os cruéis gemidos de infantes e mulheres humilhadas! Que Brasil e Portugal tenham consciência de forçar, no ano novo uma virada, pois os que ocupam hoje a presidência é tudo gente que não vale nada! Que a Síria cesse a fratricida guerra e meta em calabouço o seu tirano; que a paz, enfim, abranja toda a Terra nos doze meses desse novo ano! Assim seja Que se abram Todas as portas Que se escancarem Todas as janelas . Que se estiquem todas as asas Que se partam todas as grilhetas. Que sejam navegáveis todos os rios Todos os mares . Que se envergonhem Encolham e mirrem. Que se emperrem todos os engulhos Todos os escolhos . Que atrofiam Que tolhem Os nossos caminhos Os nossos passos. E atrapalham as nossas vidas . Para que possamos finalmente Em terra caminhar, caminhar Nos ares voar , voar Livremente e sempre ! Carmindo Carvalho - Suíça Humberto Rodrigues Neto – S.Paulo/Br

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